domingo, 16 de dezembro de 2018

Memória da propaganda: Em 1962, o Natal do consumo antes da crise...

O sonho de consumo. 

Os brinquedos analógicos, ainda quase artesanais. 

A anúncio da Coca-Cola apelando para Deus às vésperas de um ano de crises..

O presente de Natal da Seleções

Calça Lee nem pensar: o dólar alto deixava o sonho pra depois. O Brasil vestia Far-West.


A Varig oferecia o trenó aéreo para um White Christmas em Nova York.

Em 1962, o Brasil curtia um Natal de consumo marcado pela onda de industrialização que JK acelerou. O mineiro já não era presidente, mas os resultados da sua política repercutiam na mídia, que também se modernizava, e estavam nas páginas das revistas que passaram a receber centenas de páginas de anúncios.
Apesar do otimismo que a propaganda refletia, 1962 antecedeu uma ano de crise
econômica e política.
Pelo menos um dos anúncios - o da Coca Cola - apelava para Deus segurar a barra no Ano Novo que despontava. Não deu. A crise tornou-se aguda e acabou em golpe militar. 1963 foi último ano integralmente democrático antes da longa noite a partir de 1964 e que só começaria a clarear em 1985.

Design: revista sufoca cantora com uma tonelada de chamadas de capa. O caso é de assédio gráfico

Reprodução Instagram

por Flávio Sépia 

Até encontrar sua linguagem, um novo meio de comunicação que surge tende a utilizar o modelo anterior. Aconteceu com o rádio e a TV, por exemplo.

Já o alcance avassalador da internet parece provocar um efeito contrário. O impacto do digital foi recebido pelos meios impressos como um soco do Mike Tyson e desmentiu o "dogma" acima. Em vez de imitar o impresso ou a TV, a internet invadiu a aldeia impondo sua própria linguagem.

Em princípio, nocauteou os donos do pedaço.

Pouco mais de quinze anos depois da primeira onda que deu um "caldo" geral no mercado, há veículos impressos que encontraram melhores soluções de conteúdo e designs, explorando combinações editoriais gráficas que funcionam bem em plataformas físicas, ou seja, no papel, e não rendem integralmente nas telinhas dos smartphones. Textos maiores, analíticos, reportagens mais completas, aproveitamento de fotos abertas, permanência etc, são fatores que se desenvolveram sem impedir que jornais e revistas mantivessem suas versões impressas e digitais em sintonia com seus respectivos públicos.

Esses são os acertos que o mercado registra e que deram sobrevida a muitos veículos. Mas são muito mais comuns os erros que, afinal, sem desconsiderar outros fatores, acabaram extinguindo milhares de impressos todo o mundo.

Um erro comum é, por exemplo, um jornal ou revista impressos tentarem imitar conteúdo e design das redes sociais na esperança de descolar uma parcela de leitores dos influencers ou se inspirar em temas virais ou memes que "quebraram" a internet. E tome de assuntos "fofos", superficiais, incompletos ou mera clonagem e repetição de temas "chupados" da rede. Render-se ou se aliar ao "inimigo" que imagina não pode vencer equivale a tirar o time de campo. E foi o que muitos fizeram..

No Brasil, o problema tem sido mais grave. A concentração de empresas do setor e o baixo índice de leitura da população agravaram o quadro. Em países desenvolvidos, especialmente na Europa, é bem maior o número de jornais e revistas impressos que sobrevivem, apesar das dificuldades.

Um das características da web é a profusão infinitesimal de assuntos. Uma avalanche que confunde e cansa quem não consegue usar seus cliques para selecionar melhor leitura. Pois tentar atropelar o leitor com um caminhão de informações é a falha mais comum no impresso, estimulada pela busca desesperada para imitar o digital.

Até aqui não tem dado certo. O caminho da sobrevivência parece apontar para diferenciais mais inteligentes.

Algo que faltou ao editor da "First for women", vítima fatal de overdose. Incapaz de selecionar as chamadas de capa mais relevantes, ele resolveu o problema da maneira mais cômoda: "Bota tudo aí!"

O site Blue Bus, que reproduziu o resultado final que aprisionou a cantora norte-americana Reba McEntire, definiu a capa acima "o pesadelo da qualquer designer"

Quanto à cantora convidada para ser a capa da edição, passa bem e sobreviveu ao assédio gráfico em massa de letras e cores. 

Igrejas hi tech: aplicativos em lugar de templos

por Ed Sá

Nos Estados Unidos e Canadá, igrejas estão oferecendo aplicativos para os fieis acessarem cultos em streaming. Trata-se de um recurso de marketing digital para atrair as pessoas que acham "exaustivo" se deslocar até ao templos, enfrentar trânsito, mau tempo e aglomerações.

Na igreja via app há sermões, música e fóruns para compartilhamento de orações, sessões de "expulsão do diabo do corpo" via 4G e até "curas". Você pode desfrutar de tudo isso no sofá da sua casa.

A afiliação religiosa nos Estados Unidos está em baixa, segundo pesquisa de 2017 do Instituto Pew.

Como reação à queda de número de praticantes, é provável que essa tendência se expanda tal como aconteceu com inúmeras categorias de serviços na web. Lojas físicas de agências de turismo quase sumiram, foi reduzido o número de agências bancárias, livrarias são substituídas por equivalentes digitais, o home office avança, o comércio on line etc. As igrejas, evidentemente, já com tradicional presença em TV e rádio, não dispensarão o novo modelo.

Mesmo a utilização da internet não é novidade. Mas novas instituições religiosas, ainda em número reduzido, começam a abrir mão dos templos físicos e seus altos custos. Uma dessas novas corporações religiosas é a Churchome Global, inaugurada há um mês, sem prédio e sem CEP.
Os seguidores se conectam, tornam-se tornando assinantes e pagam uma taxa que equivale ao dízimo eletrônico. Se quiseram uma oração especial do pastor é só enviar um ícone via celular, um reverendo clicará em um "emoji divino", colocará na cesta de compras e o fiel o verá orando "olho no olho".

Alguns pastores e suas "ovelhas" ainda resistem aos templos virtuais. Há que cite o Evangelho de São Mateus onde Jesus diz que “onde dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estou entre eles”.

Segundo esses teólogos, isso não inclui o crente que fica sozinho diante do computador, do tablet ou do smartphone. Outros religiosos defendem a adaptação ao novo estilo de vida e afirmam que Jesus se referia à formação de uma comunidade. E, para eles, comunidade virtual é comunidade.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Leitura Dinâmica: Goiabeira, João de Deus, Coaf, cometa, sífilis...

por O.V.Pochê

* O verão não começou, ainda não tem musa, mas já estão eleitos a fruta e o refrigerante da estação. Respectivamente, goiaba e Jesus.

* Mas não é verdade que Regina Casé vai reeditar seu programa "Um pé de que" para reunir testemunhos de fieis que presenciaram milagres em árvores frutíferas, aparições de santos, além de incursões de divindades do Jardim Botânico.

* O lado bom é que a revelação da  futura ministra Damares Alves, que se deparou com Jesus subindo em uma goiabeira, pode ter efeitos ambientais e deter, um pouco que seja, a anunciada derrubada de árvores na Amazônia para abrir megas roças do agronegócio.

* João de Deus é suspeito de ter assediado mais de 300 mulheres. Com isso, o médico Roger Abdelmassih, que foi condenado a 181 anos por mais de 37 estupros e manipulação genética poderá cair para a segundona nesse tipo de delito.

* Os jornais Estadão e Folha estão em regime de plantão bancário: os desdobramentos do escândalo dos depósitos em conta e repasses de salários revelado pelo Coaf, no que as redes sociais chamam de Bolsogate, está mobilizando uma legião de jornalistas.

* Nesse momento, o Brasil procura três desaparecidos: João de Deus, o assessor legislativo Fabricio Queiroz, o do caso Coaf, e o italiano Cesare Batisti.

* Confirmado: o Brasil está oficialmente à direita do Chile. O país andino mesmo governado por neoliberais radicais topou sediar a conferência climática da ONU, em 2019, que o Brasil rejeitou e chutou de bico. Bolsonaro convenceu Temer a cancelar a reunião por supor que o evento pode ser uma passo para a desapropriação da Amazônia a partir do Plano Triple A, uma interpretação que é uma espécie de verão ambiental da URSAL.

* Colete amarelos, na França, mostrando que palavras não bastam para responder ao assédio fiscal do neoliberalismo sobre as populações de baixa e médias rendas.

*O cometa 46P/Wirtanen  passará "próximo" da terra, em distância astronômica, neste domingo. Mas não é verdade que cairá em Brasília.

* Gabriel Jesus que não fazia gol desde agosto, fez dois na vitória ontem do Manchester City sobre o Everton. O próximo gol dele está previsto para junho.

* Segundo Boletim Epidemiológico, a sífilis voltou a ser uma epidemia no Brasil. A taxa de infecção  aumentou de 44,1 para cada grupo de 100 mil habitantes, em 2016, para 58,1/100 mil em 2017. Não deixa de ser um país vintage. Com os cortes de verbas previstos por exigência do "mercado", podem vir aí a peste negra, a varíola, a espinhela caída em massa e a cólera. Febre amarela, tifo e malária O Brasil já reabilitou.
 

Mídia: quando uma notícia tiver origem em "fontes próximas" duvide. É grande a chance de ser fake...

Reprodução Instagram


No Instagram, Fernanda Lima Fernanda Lima, do programa “Amor e Sexo”, da Globo, esclareceu dois assuntos que circularam na web nessa semana.

Uma nota de Ricardo Feltrin, do UOL, reproduzida em dezenas de sites, usa o manjado "fontes próximas" para afirmar que a apresentadora "deu chilique" ao ver que o cantor Eduardo Costa, a quem processa na Justiça, apareceu na Globo.

Outro assunto foi a ação por calúnia, injúria e difamação que Fernanda Lima move contra o cantor, que a chamou de "imbecil" e, certamente em alusão aos novos governos de direita, acrescentou que "a mamata vai acabar". Eduardo perdeu a linha nas redes sociais ao ouvir Fernanda falar contra machismo e conservadorismo. A apresentadora pede na Justiça indenização por danos morais e também move processo na área criminal. Ela não aceitou acordo proposto nem pedido de desculpas. Está certíssima.

Ao colunista Ricardo Feltrin, do UOL, a apresentadora mandou a seguinte mensagem;

“Colega, sua fonte sequer me conhece e muito menos é próxima. Quando tudo isso se deu, eu estava em um retiro de meditação, incomunicável por dois dias, e só fiquei sabendo dos acontecimentos quando cheguei em casa e minha assessoria me mandou a sua coluna”, escreveu a apresentadora. E prosseguiu: “Ricardo, essa é outra forma que o machismo estrutural usa para desqualificar uma mulher quando ela é vítima. É simples dizer que ela é louca, descompensada, dá chiliques, logo não tem razão nenhuma sobre os fatos. Inclusive, Ricardo, esse era o tema principal do Programa Amor e Sexo que gerou tanta polêmica”.

"Meu caro colega, me desculpe a intimidade, mas como também sou jornalista tomei a liberdade. Diante dos fatos relatados acima e depois de uma entrevista que o Sr. Eduardo Costa concedeu ao nosso colega Pedro Bial, o senhor publicou (e muitos veículos, sem checar a veracidade de sua nota, replicaram) que “fontes” muito próximas relataram que eu teria dado um “chilique” e que eu teria ficado “possessa” e até teria pegado “ranço” do Pedro Bial por ter entrevistado o cantor.
Colega, sua fonte sequer me conhece e muito menos é próxima. Quando tudo isso se deu, eu estava em um retiro de meditação, incomunicável por dois dias, e só fiquei sabendo dos acontecimentos quando cheguei em casa e minha assessoria me mandou a sua coluna. Outra inverdade da sua última nota sobre mim é que eu fracassei ao tentar fazer com que o Sr. Eduardo Costa não fosse mais convidado por outros programas da TV Globo.
Pois, para seu conhecimento, não tenho ingerência sobre a escolha de convidados da emissora (com exceção do Amor e Sexo).
Ricardo, essa é outra forma que o machismo estrutural usa para desqualificar uma mulher quando ela é vítima. É simples dizer que ela é louca, descompensada, dá chiliques, logo não tem razão nenhuma sobre os fatos. Inclusive, Ricardo, esse era o tema principal do Programa Amor e Sexo que gerou tanta polêmica.
– Viu como é importante falarmos e sabotarmos essa engrenagem machista? Conto contigo..."

Sobre Eduardo Costa:

“Em tempos de fake news é melhor esclarecer os fatos".
"Depois de ser difamada, agredida e ameaçada por ele através de um post indignado, procurei orientação jurídica a fim de proteger a mim e a minha família. Fui orientada a processá-lo, pois dessa forma inibiria agressões futuras. E assim o fiz.
Após eu autorizar o processo, o Sr. Eduardo Costa pediu desculpas através de outros programas a que foi convidado, deixando claro que não se arrepende do que disse e sim da forma como disse. Tendo em vista que ele me agrediu moralmente, me ameaçou, incitou o ódio de seus fãs contra mim (ontem mesmo minha assessoria recebeu telefonema de um fã dele me ameaçando) e atacou o meu trabalho, não entendo que pedido de desculpas é esse. Além disso, um pedido de desculpa verdadeiro pode até ser louvável, mas ele não repara o mal que fez a vítima.
Faz parte do machismo estrutural transformar a vítima em ré. Era justamente esse o assunto do programa Amor e Sexo que tanto indignou o meu agressor."

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

A foto do dia é um recado para racistas e preconceituosos: um baiano, um rondoniense, um gaúcho e um carioca ganham ouro em mundial de natação na China


Fotos: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

por Niko Bolontrin

Os dementes, como as redes sociais veiculam nesses tempos sombrios, gostariam que o Brasil fosse dividido em castas. Eles pregam a exclusão ou segregação de brasileiros de acordo com a naturalidade gravada no RG.

Felizmente, o esporte se encarrega de jogar tais opiniões em uma estação de tratamento para dejetos.

É o que mostram as fotos acima que registram a conquista da medalha de ouro no revezamento 4X200 no Mundial de Natação em piscina curta, que acontece em Hangzhou, na China.

A jovem equipe que ainda bateu o recorde mundial na prova, onde desbancou russos, chineses e americanos, é formada por Luiz Altamir (roraimense), Fernando Scheffer (gaúcho), Leonardo Santos (carioca) e Breno Correa (baiano). O nadador reserva do time, Leonardo de Deus, é sul-mato-grossense.

Waltel Branco, meu irmão • Por Roberto Muggiati

Waltel Branco, novembro de 2013. Foto: Fundação Cultural/Prefeitura de Curitiba.

Outro que se foi. Outro anjo torto tocador de trombeta da noite curitibana. Por tocador de trombeta entenda-se músico no mais amplo sentido da palavra. Waltel Branco o era, ricamente. Exímio violonista, compositor e arranjador, ele só não queria uma coisa: passar para a posteridade como o arranjador da Pantera Cor de Rosa. Coitado, foi justamente o que aconteceu.

Todos os obituários o acoplaram ao felino safado de Henry Mancini que, de vinheta de filme, virou personagem principal dos desenhos animados que fizeram a alegria de infantes de todas as idades a partir de 1964.

Waltel foi o arranjador também de, entre outros, Azul da cor do Mar (Tim Maia), Bastidores (Cauby Peixoto) e Faz parte do meu show (Cazuza)

Nascido em Paranaguá, de uma família musical séria – o pai ainda considerava o violão coisa de boêmio – Waltel, para convencer o velho, resolveu estudar música clássica. Ainda jovem, no Rio de Janeiro, aquele violonista que sabia ler partituras impressionou o maestro Radamés Gnatalli, que o contratou para sua orquestra. Embora o Rio na época fosse o paraíso da música, Waltel não esquentou a cadeira. Abduzido pela cantora cubana Lia Ray, partiu em turnê pela América Latina, passou dois anos em Cuba, outros tantos nos Estados Unidos, imergindo-se em mambo e jazz.

De volta ao Brasil, caiu nos braços da bossa nova e lançou os primeiros da centena de álbuns que gravaria ao longo da vida. Em 1963, integrou a equipe de arranjadores de Henry Mancini durante a gravação da trilha de A pantera cor de rosa (ele homenagearia o compositor no álbum de 1966 Mancini também é samba, com bambas da música instrumental brasileira como K-ximbinho, Dom Salvador e Edson Maciel.)

Não quero embarcar num extenso verbete – Waltel fez de tudo, foi até um dos pioneiros das trilha de novelas da Globo e, até hoje, um dos melhores. Acho que um depoimento de Roberto Menescal no documentário Descobrindo Waltel resume tudo: “O Waltel foi o primeiro músico mesmo que eu pensei, músico na concepção total! Músico que estudava, que lia, que tocava bem seu instrumento…”
Waltel Branco morreu no dia 28 de novembro, uma semana depois de completar 89 anos, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Nossos caminhos se cruzaram muitas vezes, na noite curitibana. Eu o vi ainda em 2008, no Teatro Paiol, onde fez questão de me presentear com um novo livro de partituras, devidamente autografado; e, em 2012, num de seus últimos shows, uma espécie de homenagem, num auditório grande, completamente lotado.

Mas a trombeta do anjo torto da noite curitibana não calou, sua música continua iluminando nossa vida.

Uma sugestão: por que não vão correndo ouvir a sua homenagem a Mancini?

É só clicar em https://www.youtube.com/watch?v=G56f4dc3H7o

Ruy Castro recorda os craques do fotojornalismo do Correio da Manhã



Há poucos dias, Ruy Castro escreveu na Folha de São Paulo sobre uma exposição de fotografias na Caixa Cultural, no Rio, que reúne parte do arquivo do extinto Correio da Manhã. 

O acervo do jornal carioca, hoje guardado no Arquivo Nacional, já foi digitalizado pela Biblioteca Nacional. 

Entre os fotojornalistas do Correio, na década de 1960, estavam Antônio Andrade, Sebastião Marinho, Fernando Pimentel, Rubens Seixas, Rodolpho Machado, Gilmar Santos, entre outros. 

Ruy, que foi repórter do Correio da Manhã em 1967, recorda a época. 

A mostra "Correio da Manhã: Uma revolução de imagens nos anos 1960" registra protestos de estudantes, passeatas e manifestações de artistas, o fechamento do Congresso em 1966; a visita do presidente De Gaulle ao Brasil; o fim da Panair, além do cotidiano do Rio. 

"A exposição é uma grande homenagem aos fotojornalistas brasileiros e em especial aos que atuaram no Correio da Manhã", resume Maria do Carmo Rainho, curadora da mostra. 

Está em cartaz deste outubro e será encerrada no próximo dia 23 de dezembro. 

Ainda dá tempo de conhecer o trabalho de uma brilhante geração de fotojornalistas.

DETALHES SOBRE A EXPOSIÇÃO  NO SITE DA CAIXA CULTURAL, AQUI


Fotografia: Exposição "A Luta Yanomami", em São Paulo, reúne cinco décadas de imagens feitas por Claudia Andujar

A imagem da menina Susi Korihana em um igarapé da Rondônia faz parte de uma série realizada entre 1972 e 1974.
Foto de Claudia Andujar/Divulgação.

Claudia Andujar tem 87 anos e mais de 50 focalizando a trajetória dos povos indígenas brasileiros.

A exposição "A Luta Yanomami", que será aberta amanha no IMS (Instituto Moreira Salles), em São Paulo, reúne 300 itens entre fotos, livros e documentos e chega em um momento oportuno, quando o novo governo brasileiro anuncia um cerco aos índios em benefício do agronegócio e da mineração.

Nos anos 1970, Claudia Andujar foi expulsa da região pela ditadura militar que promovia uma ocupação predatória da Amazônia e se incomodava com imagens que documentavam os dramáticos efeitos daquele política sobre os povos indígenas. Mas não desistiu. Ela passou a  participar da luta para a criação do Parque Yanomami, que só veio a se concretizar em 1992.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A EXPOSIÇÃO "A LUTA IANOMAMI" AQUI

Fotomemória: O retorno do guerreiro que a História tornou Herói da Pátria

Aeroporto do Galeão, Rio, 10 de setembro de 1979: a revogação do AI-5, em dezembro de 1978,
abriu caminho para a volta dos exilados. Entre eles, Miguel Arraes, que fez seu primeiro discurso
cercado pela imprensa e apoiadores. Foto de Guina Ramos. 

Miguel Arraes. Foto de Guina Ramos

por Guina Ramos (do blog Bonecos da História)

Esta semana, mais uma vez, misturaram-se, em comemorações, os conflitantes sentidos da História do Brasil.

Hoje (ontem), em especial, é uma data de chumbo... É a “comemoração” dos 50 anos de decretação do AI-5, o mais pesado dos Atos Institucionais da ditadura civil-militar do Golpe de 1964. O governo, ao pretender calar por completo a oposição ao regime, através da ampla prisão de opositores e fechamento do Congresso Nacional, acirrou a luta pelo retorno da democracia, que atravessara o ano com manifestações de rua e atos de contestação, instigando a reação armada de grupos políticos na clandestinidade, firmemente combatidos por ações repressivas, incluindo torturas e mortes. Eis que, agora, com apoio de importantes setores da sociedade, a eleita "nova" classe política brasileira quer um retrocesso de 50 anos, o retorno àquela situação asfixiante que o país vivia...

Ontem, por outro lado, um dos grandes perseguidos daquela ditadura, preso nos primeiros momentos do golpe de 1964, o então governador do estado de Pernambuco, Miguel Arraes (que, aliás, faria 102 anos neste 15/12/2018), teve o seu nome gravado no livro de aço dos Heróis e Heroínas da Pátria, junto a mais 20 personalidades e políticos do país (inclusive, neste Bonecos da História, o ex-governador Leonel Brizola).

Fotografei o ex-governador de Pernambuco apenas uma única vez, para a revista Manchete, quando do seu retorno do exílio na Argélia, em seu desembarque no aeroporto do Galeão (hoje, Tom Jobim), em 10 de Setembro de 1979, no correr de uma sequência de retornos de políticos brasileiros ao país.

Miguel Arraes, cercado pela imprensa e por apoiadores, fez o seu primeiro discurso de retorno do exílio no próprio saguão do aeroporto do Galeão, envolvido por centenas de pessoas que se mantiveram sentadas no chão para ouvi-lo.

Restaram-me do momento apenas estas duas fotos, uma delas sofridamente escaneada...

LEIA NO BLOG BONECOS DA HISTÓRIA, AQUI

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Do Knight Center: Em meio a ameaças à imprensa, Brasil prepara lançamento de rede de proteção a comunicadores

Valério Luiz Filho (Instituto Valério Luiz), Emmanuel Pellegrini (MPF), Raiana Falcão (MDH) e Andrew Downie (CPJ) durante encontro em São Paulo. (Foto: Marina Atoji / Abraji). Reproduzida do Knight Center. 

por Carolina de Assis (do Knight Center for journalism in the Americas)

Um encontro realizado em São Paulo no começo de dezembro reuniu comunicadores, organizações pela liberdade de imprensa e representantes do Estado para debater as ameaças enfrentadas pela imprensa, as medidas que o Estado vem tomando para combater a impunidade nos casos de violência contra trabalhadores da categoria e os próximos passos para o lançamento de uma rede de proteção a comunicadores no Brasil.

O Encontro Nacional de Proteção a Comunicadores aconteceu na capital paulista nos dias 4 e 5 de dezembro e foi organizado pelo Instituto Vladimir Herzog, pela Artigo 19, Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e pelo coletivo Intervozes.

O evento reuniu cerca de 50 pessoas de 11 Estados brasileiros para aprofundar o debate sobre a violência contra comunicadores e articular uma rede de proteção a estes profissionais que cubra os diversos contextos comunicacionais do país, disse Artur Romeu, da RSF, ao Centro Knight.

No primeiro dia do encontro, comunicadores de várias regiões do países participaram de mesas temáticas com membros das organizações e com representantes do Estado. Buba Aguiar e Gizele Martins, do Rio de Janeiro, Cláudio André, de Pernambuco, Cristian Góes, de Sergipe, e Valério Luiz, de Goiás, contaram casos vividos por eles de censura, criminalização, violência e impunidade em crimes que tiveram comunicadores como alvo.

“Trouxemos as principais violações que observamos com relatos em primeira pessoa de casos emblemáticos, para personalizar e gerar essa identificação, que funcionou bastante junto aos participantes”, contou Marina Atoji, gerente executiva da Abraji, ao Centro Knight. “Quando falamos em censura ou criminalização, parece uma coisa muito etérea. Mas quando contamos uma história e colocamos isso na figura de alguém, isso tem uma força maior.”

Os representantes do Estado, disse Atoji, trouxeram “a visão do Estado enquanto criador e executor de política pública”. Participaram Carlos Weis, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Emmanuel Pellegrini, do Ministério Público Federal (MPF), e Raiana Falcão, do Ministério dos Direitos Humanos (MDH) e coordenadora-geral do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores Sociais e Ambientalistas.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA E ACESSE OS LINK COMPLEMENTARES AQUI

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

AI-5: como a mídia reagiu ao "salve" que a ditadura emitiu há 50 anos...


A primeira página do AI-5 e as...

...assinaturas das...

...figuras que entraram para a história pela porta dos fundos.
Reprodução de documento publico

Alfreeedo! Infelizmente, o papel acima não é Neve.

Entrou para a história como se fosse.

Não era macio, nem absorvente, mas no conteúdo apresentava afinidade com o produto exaltado pelo famoso comercial do mordomo.

Ambos prometiam "limpeza". No caso do AI-5, em nove páginas datilografadas em papel ofício, espaço dois, um Brasil politicamente "higienizado" na visão do sinistro "Arthuuur!" instalado em Brasília. 

Com as assinaturas acima, a ditadura inaugurada em 1964 recebeu um poder ainda maior, praticamente sem limites. Como consequência, autoridades e "otoridades" ganharam um "salve" (que na gíria das  atuais organizações criminosas é um espécie de "ordem" geral) para prender, sequestrar, torturar, assassinar, exilar, censurar, perseguir, intimidar, cassar mandatos, deter jornalistas, suspender os direitos políticos e individuais que ainda restavam, ocupar governos estaduais, prefeituras e fechar o Congresso.

Costa e Silva e ministros no Palácio Laranjeiras...

...onde Gama e Silva , da Justiça,
 e o locutor Alberto Cury
anunciaram o Brasil "sem escrúpulos'' Fotos Arquivo Nacional 

No dia 13 de dezembro de 1968, uma sexta-feira, Costa e Silva - o militar linha-dura em plantão no governo -, e seus ministros jamegaram o papelucho em mal traçadas linhas que avalizaram o sequestro da liberdade: Costa e Silva, Luís Antônio da Gama e Silva, Augusto Hamann Rademaker Grünewald, Aurélio de Lyra Tavares, José de Magalhães Pinto, Antônio Delfim Netto, Mário David Andreazza, Ivo Arzua Pereira, Tarso Dutra, Jarbas G. Passarinho, Márcio de Souza e Mello, Leonel Miranda, José Costa Cavalcanti, Edmundo de Macedo Soares, Hélio Beltrão,
Afonso A. Lima, Carlos F. de Simas.







No dia seguinte, os jornais já sob censura, embora alguns fossem claramente adeptos do regime, limitaram-se a noticiar o fato e transcrever o ato. Em reimpressão no mesmo dia, o Estado de São Paulo ainda registrou que teve a edição apreendida.
O Jornal do Brasil deixou seu protesto cifrado, no alto da página, em forma de "previsão do tempo".

A Veja, publicação recém-lançada, já estava no radar do regime.

No dia 4 de dezembro, a edição número 13 chegou às bancas com uma capa que mostrava uma foto do Congresso visto através de um vidro estilhaçado e a chamada profética: "O Congresso  Pressionado. Chegaremos a isso?". De fato, o Congresso estava sob pressão desde setembro daquele ano quando o deputado Márcio Moreira Alves pediu em discurso que, em protesto contra "os carrascos que espancam e metralham nas ruas", as famílias evitassem que seus filhos participassem do desfile de 7 de Setembro. Um trecho exortava: "esse boicote pode passar também, sempre falando de mulheres, às moças. Aquelas que dançam com cadetes e namoram jovens oficiais". Diz-se que houve quem interpretasse aquele apelo como um incentivo a uma greve de sexo contra militares. Fato ou fake, a linha dura já vinha endurecendo ao longo do ano. O AI-5 foi o manifesto do "golpe dentro do golpe". O discurso de Moreira Alves e a votação do Congresso que negou abertura de processo contra o deputado, como queriam os militares, eram pretextos úteis para a radicalizar a repressão. 


Naquela sexta-feira, a Veja tinha como opções de capa Paulo VI, que naquela semana pregava que a Igreja vivia "um momento de autodestruição provocado pelo liberalismo do Concílio Vaticano II", e Castelo Branco, como referência simbólica ao primeiro ciclo do regime militar e às medidas de exceção que encerravam esse período. Fechou com o último. No sábado, trocou a capa. A redação foi buscar nos arquivos da Folha de São Paulo uma imagem ainda mais simbólica feita meses antes pelo fotógrafo Roberto Stuckert quando Costa e Silva visitava o Congresso Nacional. O militar posara para Stuckert em um plenário vazio, o mesmo que ele viria a fechar. A edição da Veja, recebida como uma "provocação" foi rapidamente apreendida. 

A edição da Manchete naquela semana registrou factualmente o AI-5. Durante o ano de 1968, as duas semanais da Bloch haviam feito uma intensa cobertura fotográfica das passeatas. Nas revistas ilustradas, inclusive em capas, os protestos ganhavam uma dramaticidade extra. Com o esforço das suas equipes de repórteres e fotógrafos, cumpriram um papel jornalístico. Apesar disso, e como boa parte da mídia, a Bloch ajudava a construir uma imagem positiva do regime. Internamente, sabe-se que, naquele dia 13 de dezembro, o AI-5 repercutiu na editora. À noite, o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi preso ao sair do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. JK era, como se sabe, grande amigo de Adolpho Bloch.  Ontem, em texto de Miguel Enriquez, o site Diário do Centro do Mundo (DCM) lembrou que JK logo foi abandonado "pela legião de áulicos que o cercavam nos tempos áureos". "Uma das raras exceções naqueles tempos de ostracismo, ao lado do então deputado federal Tancredo Neves e do banqueiro Walter Moreira Salles, atendia pelo nome de Adolpho Bloch. Sempre fiel, disposto a socorrê-lo em todos os momentos de dificuldades financeiras e pessoais, Bloch chegou a destinar uma sala especial para JK no último andar do prédio que sediava suas empresas, na Rua do Russell, no bairro da Glória, no Rio de Janeiro", escreve o DCM. A solidariedade a JK rendeu ameaças a Adolpho Bloch. A revista Manchete, contudo,  jamais desafiou o regime, ao contrário, exaltou o "Brasil Grande" em sucessivas reportagens ao longo da década de 1970. Nunca sofreu censura prévia oficial. A única revista da Bloch obrigada a mandar textos e fotos para Brasília foi a EleEla. O que a Manchete teve durante aqueles anos foi um "coronel" ou assemelhado que circulava informalmente pela redações e cuja função era detectar reportagens incômodas aos governos militares. Muitas matérias sucumbiram na mesa de redatores e editores. Umas poucas foram publicadas e renderam convites aos editores para visitar a sede da PF ou do DOPS. Justino Martins e o repórter Geraldo Lopes, por exemplo, entraram nessa lista. O próprio Adolpho Bloch recebeu, certa vez, um grosseiro telefonema de Armando Falcão, então ministro da Justiça, que praguejou contra uma matéria publicada na Fatos & Fotos sobre um caso policial que envolvia um agente do governo.

É justo registrar que, assim como O Globo, a Bloch abrigou - especialmente depois do AI-5 - vários jornalistas perseguidos pela ditadura e que, por isso, não conseguiam empregos em vários veículos.

O AI-5 permanece como um alerta histórico de que a democracia é tão indispensável quanto frágil.

De tempos em tempos seus inimigos apontam no horizonte.

Fake news: o fim da impunidade?

A lei pune ofensas e difamações tanto na vida real quando na virtual. Muitas dessas agressões na internet circulam em forma de fake news. Mas do ponto de vista jurídico, há buracos negros ou zonas de sombra e indefinição quanto à divulgação de notícias falsas. Um exemplo é quando a divulgação de mentiras com propósito eleitoral não pode ser individualizada e fica impune.

O Legislativo deverá analisar em breve projetos de lei que propõem a criminalização da divulgação, criação e compartilhamento de notícias falsas, a partir de atualizações nas redações de artigos do Código Penal, do Código Eleitoral e o Marco Civil da Internet.

Há no Congresso cerca de 20 iniciativas com propósitos semelhantes. A maioria considera que as notícias falsas  - como exemplo os esquemas industriais postos em ação durante eleições em vários países - ameaçam a democracia.

Uma das grandes discussões deverá se dar em torno da caracterização da notícia falsa. Um desses projetos de lei propõe definir, criminalizar e penalizar as fake news. Outro debate deverá abordar a responsabilidade dos provedores, veículos, redes sociais, sites, blog e portais e a velocidade com que serão obrigados a retirar do ar as notícias falsas.

O desafio será encontrar a definição precisa da fake news e, principalmente enquadrar claramente o fator intencional e o objetivo de causar danos a instituições e reputações. Alguns desses projetos de lei assinalam que a liberdade de expressão e de opinião, as manifestações artísticas e literárias, o conteúdo humorístico não podem ser previamente classificados como notícia falsa.

Combater fake news, sim.

Utilizar a necessidade de criminalizar os esquemas de propagação de mentiras como justificativa para para impor censura prévia, não. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Revista Time escolhe como Pessoa do Ano 2018 jornalistas perseguidos em vários países


por Ed Sá 

A revista Time homenageia como Pessoa do Ano de 2018 os jornalistas que foram hostilizados, presos, expulsos de países e assassinados.

São "Os Guardiões na Guerra pela Verdade".

Jamal Khashoggi, do Washington Post, morto em outubro deste ano no consulado da Arábia Saudita em Istambul pela ditadura saudita apoiada por Donald Trump.

Maria Ressa, perseguida pelo radical da direita Rodrigo Duterte, nas Filipinas, por denunciar assassinatos em massa de dependentes de drogas e traficantes como parte da repressão indiscriminada empreendida pelo governo.

Wa Lone e Kyaw Soe Oo, repórteres da Reuters presos em Myanmar por revelar o genocídio da minoria muçulmana Rohingya;

O Capital Gazette, de Annapolis, jornal que foi atacado por um atirador que matou quatro repórteres e um vendedor de anúncios. O assassino havia sido denunciado pelo jornal em uma reportagem sobre violência sexual.

A Time justificou a escolha sob o argumento de que as  principais reportagens publicadas pela revista em 2018 focalizaram exatamente a ofensiva contra jornalistas em várias partes do mundo.

O tema venceu finalistas cotados para Pessoa do Ano como Donald Trump, Vladimir Putin, as famílias separadas na fronteira dos EUA com o México, o procurador especial americano Robert Mueller (ele investiga Trump que ainda tenta demiti-lo), o diretor de cinema Ryan Coogler, a professora de psicologia Christine Blasey Ford (que foi vítima de assédio sexual por parte de um juiz indicado por Trump para a Suprema Corte)  os ativistas da marcha "Pela nossas vidas" (sobreviventes do tiroteio na escola de Parkland), o presidente da Coréia do Sul Moon Jae-in e Meghan Markle, a atriz e ativista americana que se casou com o príncipe Harry.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Kirk Douglas: 102 anos esta noite • Por Roberto Muggiati


Kirk Douglas em Spartacus.
Divulgação
por Roberto Muggiati 

Iussur Danielovitch (mais conhecido como Kirk Douglas) completou ontem, domingo, 9 de dezembro, 102 anos, inteiro e lúcido.

Não há tempo e espaço para contar aqui tudo o que fez o ator – considerado um dos maiores na história do cinema. Mas todos nós – particularmente aqueles nascidos em meados do século passado – fomos tocados por sua arte num momento ou outro de nossas vidas.

O escravo rebelde de Spartacus, o militar pacifista de Glória feita de sangue, o trompetista de jazz de Êxito fugaz, o jornalista corrupto de A montanha dos sete abutres, o produtor de cinema idem de Assim estava escrito, o mocinho de muitos faroestes e o vilão de muitos filmes noir, Kirk tocou nas emoções de muita gente em seus 62 anos de carreira.

E, como Van Gogh,
m Sede de Viver. Divulgação
Limito-me a citar um episódio que diz tudo da sua capacidade de extrapolar da tela para a vida real. É uma história que meu amigo cineasta Sylvio Back relata amiúde.

Em 1956, saindo de uma matinê numa das salas da Cinelândia curitibana – onde passava Sede de viver, a biografia romanceada do pintor Vincent van Gogh, interpretado por Kirk Douglas – Sylvio entreouviu duas senhorinhas condoendo-se da sorte do ator. “Coitadinho do Kirk Douglas, você viu o que fizeram com ele? Cortaram sua orelha.” Falavam com tanta convicção que parecia que o coitado do Iussur Danielovitch passaria o resto da vida com um vazio no lado da cabeça onde ficava o órgão auditivo amputado.

A fake news do Bernabéu...

por Niko Bolontrin

A Copa Libertadores da América, que homenageia os heróis sul-americanos que venceram os colonizadores espanhóis, acabou decidida na terra dos antigos conquistadores. Se levar o jogo de Buenos Aires para Madrid já foi uma estupidez da Conmebol associada à Fifa, a ironia histórica de negar à grande massa de torcedores dos dois times o direito de assistir à decisão torna-se tristemente simbólica.

O Santiago Bernabéu, a casa do Real Madrid, clube de raízes na ultra-direita - o nome do estádio homenageia um ex-jogador e ex-soldado fascista das tropas do ditador Francisco Franco - está se orgulhando hoje na  mídia espanhola de ser o único estádio do mundo que recebeu quatro importantes decisões internqacionis: da Liga dos Campeões, da Eurocopa, Copa do Mundo e da Libertadores.

O Maracanã acha isso muito pouco.

O mítico estádio carioca já foi palco de duas finais de Copa do Mundo, de uma Copa das Confederações, de uma final Olímpica, do Campeonato Sul-Americano, quando este reunia os maiores craques do mundo, da Libertadores, de finais de Jogos Pan-Americanos, Copa América e de duas finais de mundiais de clubes.

Huawei, River Plate, Boca Juniors e espionagem: a guerra fria bate um bolão...

por Jean-Paul Lagarride

Na semana em que, a pedido dos Estados Unidos, o Canadá prendeu Meng Wanzhou, executiva da megaempresa Huawei - sob acusação de suposta espionagem, mas expondo o medo do Tio Trump com o avanço da China no front tecnológico de computação quântica -, o futebol dá um drible na política internacional.



Ao entrar em campo, ontem, no Santiago Bernabéu, para o jogo final da Libertadores, River Plate e Boca Juniors exibiam nas camisas o patrocínio da Huawei.

A gigante chinesa, que fabrica smarphones, laptops, tablets e equipamentos para redes e telecomunicações, também patrocina PSG, Atlético de Madrid e Borussia de Dortmund, Arsenal, América do México, Galatasaray, Sport Lisboa e Benfica.

O mundo está tão interligado e as coisas mais malucas tão entrelaçadas que até a nova guerra fria vai parar no futebol.


domingo, 9 de dezembro de 2018

Final da Copa América 2019 será no Maracanã. Resta saber se a seleção brasileira estará lá...

Logotipo da Copa América. Div. Conmebol
por Niko Bolontrin

Inaugurado em 1950, o Maracanã logo de cara ganhou o seu maior trauma: a derrota da seleção brasileira para o Uruguai e a perda de uma Copa que parecia certa.

Mesmo nos domingos ensolarados das grandes vitórias, essa nuvem não deixava de lançar uma sombra eterna sobre a sua biografia.

O Maracanã teve que esperar 64 anos para ver outro estádio lhe arrebatar com todas as desonras o título de maior palco da urucubaca futebolística brasileira. O Mineirão, uai, que se tornou o azarento inesquecível ao receber a seleção brasileira para o jogo da vergonha, a derrota por 7 X 1 para a Alemanha, em 2014.

Tudo indica que o título vai ficar com o Mineirão por décadas: há seis anos, a CBF deixa o Maracanã fora do roteiro da seleção.

Talvez, no ano que vem, o Rio receba o time de Tite para um amistoso antes da Copa América 2019 que o Brasil sediará.

A Conmebol acaba de divulgar que a seleção brasileira jogará em vários estádios, incluindo o Mineirão, mas, tal qual na Copa de 2014, só virá ao Maracanã para disputar a final.

Se  chegar lá. 

Veja pelo lado bom. O Maracanã tem menos chances de ser associado a eventuais vexames.

Em tempo: a última vez que o Brasil pisou em grama carioca foi no dia 30 de junho de 2013, quando venceu a Espanha por 3 X 0, dois gols de Fred e um de Neymar, e conquistou a Copa das Confederações.

E no dia 20 de agosto de 2016, a seleção olímpica do Brasil, sem o logo da CBF na camisa, ganhou o ouro em jogo contra a Alemanha: 1X1 no tempo regular, gol de Neymar, e vitória nos pênaltis.

No Maracanã.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Martins, barman do Novo Mundo, comemora 80 anos, 60 de balcão. Entre 1968 e 2000, ele testemunhou casos e acasos da Manchete, que morava ao lado...

Martins, o lendário barman do Novo Mundo, comemora 80 anos de vida e 60 como anfitrião de um bar
que faz parte da história do Rio de Janeiro e foi referência boêmia para gerações de jornalistas.
Foto de Marcelo Horn em 06/12/2018.

O bar do Hotel Novo Mundo já foi frequentado pelos presidentes que residiram no vizinho Palácio do Catete, por políticos, artistas, craques do futebol e jornalistas.

O hotel foi construído nos anos 1940 para receber os visitantes da Copa do Mundo de 1950 e, a pedido do então presidente Dutra, para dar maior comodidade aos brasileiros de outros estados e estrangeiros que tinham audiências na Presidência da República.

O bar do Novo Mundo, que já foi uma boate, recebia famosos, mas sempre teve a sua própria celebridade: Antonio Martins, o popular Martins. Nada menos do que o "presidente" daquela "república" carioca.

Martins comemora seus 80 anos, 60 de Novo Mundo, onde entrou aos vinte anos, quase às vésperas da transferência da capital para Brasília.

Em fins de 1968, há 50 anos, a Bloch inaugurava a luxuosa sede da Manchete, a poucos metros do Novo Mundo e do seu histórico bar.

Na época, o bar, no andar térreo, mantinha um estilo inglês, balcão de madeira e mármore, detalhes em couro verde. Havia dois ambientes. Um deles tinha jeito de restaurante comum. No outro, com a luz rarefeita ainda remanescente da antiga boate, as mesas eram mais baixas, as poltronas estofadas como de sala de visitas, o clima bem mais intimista.

Foi como juntar a sede com a vontade de beber. Logo o bar tornou-se um point para os jornalistas da Manchete.

Martins é a própria memória desse tempo que ele antecedeu e ultrapassa. Entre 1968 e 2000, ano da falência da Editora Bloch, o barman mais antigo do Rio foi testemunha das comemorações, das crises, dos romances, dos casos, das fofocas, dos encontros e desencontros das várias gerações e até das inúmeras conspirações em torno dos pequenos poderes das redações.

Além dos frequentadores do bar, o hotel hospedava os jornalistas das sucursais que vinham ao Rio para fechamento das suas matérias. Nos anos 1980, com a inauguração da Rede Manchete, tornou-se o hotel de apoio para artistas e diretores. A frequência do bar, naturalmente, triplicou.

Mas não esperem que esse mero texto revele o mundo que o bar do Novo Mundo deixava na penumbra.

Sob o mandato do Martins, sempre perene e renovado, a discreta "constituição" do Novo Mundo segue a lei maior de Las Vegas.

O que acontece no Novo Mundo fica no Novo Mundo.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Tite, no Globo de hoje, diz que a França foi campeã do mundo mesmo sem saber "pressionar no tiro de meta"...

Em entrevista aos repórteres Carlos Eduardo Mansur e Márvio dos Anjos, Tite é acometido de sinceridade:

"A França marcou da linha do meio-campo para trás, não pressionava no tiro de meta. Se eu estivesse com a França não seria campeão".

Tiro de meta? Tite quis dizer que a França não soube sair jogando e mesmo assim fez quatro gols?

Antes da Copa do Catar, a seleção terá a Copa América no meio do caminho e, se vencer, a Copa das Confederações (isso se a Fifa não acabar com esse torneio).

E toda chance do mundo para mostrar que sabe bater tiro de meta. Coisa que a França, embora tenha levado o caneco pra casa, não conseguiu fazer na final contra a Croácia...

Eu, hein?

Tio Trump vai dar bronca: Brasil exporta doença para os Estados Unidos


por Ed Sá 

Segundo o G1, a JBS anunciou hoje que está recolhendo aproximadamente 2,5 mil toneladas de carnes nos Estados Unidos que podem ter sido contaminadas por salmonela. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos confirma 246 casos da doença em 26 estados do país.

Em tempo de "Estado mínimo" e de órgãos de fiscalização na marca do pênalti, os consumidores brasileiros esperam que carne temperada com bactéria não venha pra mesa sem toalha do Réveillon tupiniquim.

Já o Tio Trump não vai gostar nem um pouco do presente de Natal ruralista que o agronegócio mandou pra lá.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Fotomemória da redação: em torno da mesa de luz... alguém sabe o que é isso?

1977, fechamento de uma edição da Fatos & Fotos: de olho na mesa de luz, o redator
Eduardo Lacombe, o editor Esmeraldo, o produtor Claudio Segtowich e, ao fundo,a repórter Heloísa Marra.

por José Esmeraldo Gonçalves 

E... no sétimo dia dava-se o fechamento. Se redação de revista fosse igreja e a conclusão de cada edição da semana fosse um culto, a mesa de luz seria o altar da pajelança final.

É preciso explicar à geração dos millennials digitais que raios era isso de mesa de luz.

Os fotógrafos de revistas como Manchete e Fatos & Fotos trabalhavam principalmente com filmes Ektachrome. As redações recebiam centenas de cartelas de plástico que acondicionavam slides de 35mm ou 6x6. Esse material era selecionado pelos editores em uma grande mesa em "L", cujo tampo, em um dos lados, era uma peça de acrílico montada sobre backlights fluorescentes. Aquilo esquentava e, depois de algum tempo, cansava vistas tal a brancura da luz projetada. Ali se decidia o fracasso ou o sucesso de uma edição.

A foto acima é de um desses fechamentos. Mais precisamente, a seleção de cromos para a capa da semana. Em seguida, o material era projetado em uma cabine, de onde saía a foto vencedora. Um curioso recurso artesanal dava maior precisão à escolha da capa: a foto era projetada sobre um caixote de madeira marcado com o logotipo da revista. Era uma espécie de "tela" branca que se destacava do fundo. Nunca se soube quem inventou aquele macete. O caixote criava um tosco mas eficiente "efeito 3D" que ajudava na avaliação do impacto da foto quando impressa ou exposta em bancas.

Impossível lembrar que capa era essa que a equipe examina. Mas a cena reflete o ritual de cada semana em torno da mítica mesa de luz de onde saíam tanto edições que quebravam as bancas quanto encalhes memoráveis.

No primeiro caso, tudo era festa; no segundo, sobrava para a mãe do editor que provavelmente era mais xingada na surdina do que genitora de juiz de futebol.

Na capa da Piauí: o "presépio" de 2019...


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Leitura Dinâmica - Chipgate, tornozeleira, gilets jaunes, Mr. Hyde...

* Leão com fome digital - Houve uma época em que a Receita Federal lia a revista Caras para detectar ostentação de novos ricos e conferir se lanchas e mansões apresentadas eram bens declarados ou sonegados. As revistas perderam relevância e o Leão agora busca carne fresca nas redes sociais. Em 2019, carrões, as joias da patroa, flats em Miami, obras de arte na parede, o aniversário milionário de 15 anos compartilhado na internet, tudo isso poderá ganhar likes e dislakes do felino.


*Memória do vexame - O Sportv lançará um programa no formato "paredão": oito entrevistadores "contra" um entrevistado. O nome da nova atração? 8 X 1. Lembra o antológico 7 X 1 que ridicularizou a seleção brasileira em 2014 com o acréscimo do oitavo gol que a Alemanha teve a compaixão de não fazer.


* Sujou! - Quando a baixa politicagem eleitoral invade camisas de times, a camisa sai perdendo. Aconteceu com o uniforme amarelo da seleção e, agora, com o Verdão.

*Chipgate - Reportagem da Folha de São Paulo expõe, na verdade, mais uma ponta da fraude de proporções industriais que catapultou candidaturas. O futuro - quando secret papers forem desclassificados - mostrará o tamanho dessa encrenca.

* Boca de sino - Taxista preocupado se haverá tornozeleira eletrônica na medida do pé do Pezão. Ficou mais tranquilo ao saber que o dispositivo é acoplado na perna e adaptável a canelas de todas as circunferências.


* É na rua - Os gilets jaunes estão falando na França a única linguagem que o neoliberalismo entende.

* Efeito gótico -  Alguns colunistas de política e economia, de assalariados, a PJs ou convidados diletantes, lembram o Dr. Jeckyl. Passaram anos criando um Mr. Hyde em laboratório e agora se surpreendem com o monstro vivo e solto nas ruas.


* Patriotismo - A revista Sexy desafia a crise das revistas masculinas e pretende bater recorde de circulação com a edição da dezembro. Na capa, a Miss Bumbum 2018, Elen Santana. O detalhe é que ela aparecerá no ensaio usando camisetas com caricaturas de Donald Trump e Bolsonaro.




* Brasil doente - A atriz Leticia Colin posou para a capa da Marie Claire de dezembro. A foto é até comportada mas, acredite, provocou terremotos nas hordas moralistas das redes sociais. O "deitado eternamente" da letra do hino nacional finalmente ganhou um significado: o do país onde a milícia da moral precisa ir ao divã resolver seus graves problemas sexuais antes que queime de vez os circuitos cerebrais.

domingo, 2 de dezembro de 2018

Mídia: Ruth de Aquino deixa O Globo

(do Brasil 247)

A jornalista Ruth de Aquino está deixando o cargo de sênior publisher da editora Globo, responsável pelos jornais O Globo e Extra e revista Época; oficialmente, seu desligamento ocorrerá em fins de dezembro, mas ela já informou aos amigos e colegas de redação o pedido de demissão em caráter irrevogável; saída de Ruth encerra uma desgastante queda de braço travada com o diretor geral da empresa, Frederic Kachar, que tenta de todas as formas ter o absoluto controle editorial das publicações. Extremamente vaidoso, Kachar não aceita dividir o poder. Historicamente, o comando da redação se reportava diretamente à família Marinho. Ao substituir Ascânio Saleme, Kachar imaginava que todos os seus problemas estavam resolvidos. E não foi bem assim. Competente e zelosa de sua responsabilidade profissional diante da linha editorial da empresa, Ruth não se dobrava a orientações politicamente estapafúrdias oriundas do diretor geral. Após um processo crescente de confrontos, ela preferiu pedir o boné a continuar a medir forças para garantir seu espaço.

Numa nova tentativa de obter o controle absoluto da redação, Kachar resolveu extinguir o cargo de diretor editorial das empresas. Assim, passa a orientar diretamente os editores responsáveis pelas publicações – Globo, Extra, Valor e Época – sem a mediação de um profissional, hierarquicamente forte, capaz de oferecer ponderações lógicas às suas ordens.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO BRASIL 247 AQUI

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(do Portal dos Jornalistas)
Ruth de Aquino, que desde o final de outubro de 2017 vinha ocupando a Diretoria Editorial da Infoglobo (O Globo, Extra, Expresso) e de Época, deixa a empresa na próxima semana. Segundo comunicado de Frederic Kachar, diretor-geral de Infoglobo, Época e Valor Econômico, a saída dela deve-se a “ter concluído a missão de consolidar a estrutura do novo time [N.da.R: formado na época da contratação], aplicando a sua experiência em grandes jornais e revistas do País para nos colocar na vanguarda do mercado editorial”.

Ainda de acordo com a nota de Kachar, os diretores de Redação Alan Gripp (O Globo), Daniela Pinheiro (Época) e Humberto Tziolas (Extra) passam a responder diretamente a ele. Embora o comunicado não informe, J&Cia apurou que também saem os editores executivos Chico Amaral, que fez a reforma gráfica este ano, e Alexandre Freeland, ligado a Ruth. Até onde se sabe, permanecem os outros editores executivos: Maria Fernanda Delmas, Fernanda Godoy, Flávia Barbosa, Letícia Sorg e Pedro Dias Leite.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO PORTAL DOS JORNALISTAS AQUI

Como o diabo gosta: brasileiros levam dinheiro para "lavar" em Lisboa...


Segundo o jornal português O Diabo, o mercado imobiliários de Lisboa se transformou em uma imensa lavanderia de dinheiro. E os muitos brasileiros são os maiores usuários da política do "Golden Visa", que dá cidadania europeia a quem investe entre 350 mil, principalmente em pequenas e médias empresas, com determinadas condições, e a partir de 500 mil euros no mercado imobiliário. Há suspeitas de que o sistema estaria sendo utilizado por alguns empresários para enxaguar e secar fortunas de origem duvidosa.

Deu na Folha, hoje... roubaram até os CPFs dos vovôs para turbinar eleições


Francisco Dornelles: "Não esqueceram de mim"


Reprodução O Globo. Foto de Marcelo Régua.

Divulgação

por O.V.Pochê 

Com a prisão do governador Pezão, do Rio de Janeiro, o vice Francisco Dornelles foi convocado a assumir o cargo. Quase no fim do governo, o mineiro esperava virar o ano em silêncio, longe da fogueira que consome políticos do estado. Não deu. Foi obrigado a segurar o rabo-de-foguete. A foto de Marcelo Régua, no Globo, diz tudo. Dornelles replicou Macauley Culkin. Com uma diferença: preferia ser esquecido nessa hora.

Enganaram o torcedor

por Niko Bolontrin

O que dizer de um time que faz promoção no preço dos ingressos e atrai ao Maracanã mais de 50 mil torcedores? Quis dar um presentão de fim de ano para a torcida, certo? Errado. O Flamengo convidou seus torcedores para uma estranha "festa": bater palmas para uma das suas boas promessas que o clube acaba de vender para o futebol europeu.

Paquetá se vai, assim como Vinicius se foi. Resta ao torcedor, esse otário, aplaudir a entrada da grana em caixa. A torcida do Flamengo é uma massa que costuma ter o mês maior do que o salário, mas nos últimos anos tem passado longe de títulos importantes. Só tem a comemorar a alegada saúde financeira do clube. Não demora muito a galera vai ter que levar para o estádio faixas alusivas a isso: "Flamengo sem dívidas", "Mengão saiu do Serasa", "Torcida Flafinanças saúda o tesoureiro do Mengão". "Viva o caixa do nosso Mengo"...

Ah, sim, e na "festa" para Paquetá o torcedor também teve direito a assistira a uma virada do Atlético PR: 2x1. A massa rubro-negra, revoltada, entoou o já tradicional coro de "time sem-vergonha'.