PANIS CUM OVUM - o blog que virou fatos&fotos

terça-feira, 27 de outubro de 2026

71 anos votando pela democracia • Por Roberto Muggiati


O encontro de Adolpho Bloch e Lula (1989)
Na pequena platéia, Osias, assistente do Bloch,
Carlos Heitor Cony,  Roberto Muggiati e Jorge Bittar. Foto Manchete


Com o jornal do grande dia. Foto Miriam Alves

Votei pela primeira vez em 3 de outubro de 1955 elegendo Juscelino Kubitschek de Oliveira. Eu completaria dezoito anos no dia 6, o que já me tornava apto a votar. Em 1960 votei no candidato de JK, o marechal Lott, mas o líder populista Jânio da Silva Quadros – o “Homem da Vassoura” – venceu com uma avalanche de votos. Desta vez, eu fazia 23 anos a bordo de um avião da Panair para estudar jornalismo em Paris e trabalhar no Serviço Brasileiro da BBC em Londres.

 Inebriado pelos ares do Planalto, Jânio, nos 206 dias do seu desgoverno proibiu os biquínis nas praias e piscinas e limitou o tamanho dos maiôs em concursos de misses e desfiles nos clubes e TVs; proibiu o uso de lança-perfume nos bailes de Carnaval; as corridas de cavalos nos dias úteis e as brigas de galo; instituiu o uso obrigatório nas repartições públicas de um uniforme bege de calça e jaqueta que acabou apelidado de “pijânio”; restringiu toda comunicação oficial ao uso de bilhetinhos escritos à mão; colocou dois jumentos a pastar nos gramados do Palácio da Alvorada. Aproximou-se de China, União Soviética e Cuba, recepcionando Ernesto ‘Chê’ Guevara em Brasília e concedendo-lhe a Ordem do Mérito do Cruzeiro do Sul. Sua surpreendente renúncia, no Dia do Soldado, 25 de agosto de 1961, ele atribuiu a “forças terríveis”, ou “forças ocultas” – segundo seus adversários no bojo de garrafas de uísque.

De volta ao país em 1965, já em plena ditadura militar, pude ainda votar e eleger Francisco Negrão de Lima governador do estado da Guanabara. Repórter da Manchete, fui escalado para cobrir sua posse, em 1º de janeiro de 1966, na antiga Câmara dos Vereadores – a Gaiola de Ouro – na Cinelândia. Os jornalistas ocupavam um pequeno curral do outro lado da Avenida Rio Branco, nos degraus da Biblioteca Nacional. Havia uma tensão insuportável no ar, parecia que a qualquer momento um tiroteio ia irromper ou uma bomba ia explodir.

Dos onze candidatos a governador naquele “teste das urnas” arriscado pelos militares, seis da oposição obtiveram vitórias expressivas, notavelmente Negrão de Lima na Guanabara e Israel Pinheiro em Minas Gerais. Pressionado pela “linha dura”, Castello Branco assinou o Ato Institucional Nº 2, suprimindo as eleições pelo resto do regime. Para manter as aparências, o ditador, da “linha ligh” – bizarramente chamada de “Escola da Sorbonne”, por ser formada por graduados da Escola Superior de Guerra – permitiu aos eleitos que cumprissem seus mandatos.

O Brasil só voltaria a votar para Presidente 24 anos depois, em 15 de novembro de 1989. De um festival de candidatos, restaram Lula e Collor de Mello para o segundo turno, em 17 de dezembro. Chamo aqui a atenção para a participação da Manchete na escolha de Collor. Daniel Tourinho, diretor de RH da gráfica da Bloch em Parada de Lucas, fundou o Partido da Juventude, agremiação ficha limpa que foi cooptada por Collor e rebatizada de Partido da Renovação Nacional. Outro fato importante ligado à Manchete: até o final do prazo de inscrição da candidatura a vice, Collor insistiu para que Márcia Kubitschek aceitasse concorrer. Já imaginaram? Com o impeachment e a  renúncia do “caçador de marajás”, o Brasil teria a filha de JK como sua primeira mulher na Presidência...

Com seu infalível faro político, Adolpho Bloch desconfiava de Collor. E via com simpatia o metalúrgico nordestino do ABC paulista. Lembro de um jantar oferecido no Russell a Collor, os vices Pedro Jack Kapeller e Oscar Bloch Sigelmann representaram a empresa. Com uma desculpa esfarrapada, Adolpho fez forfait. Inopinadamente, convidou Lula para almoçar com ele no Rio na véspera do segundo turno. Lula chegou num jatinho no sábado 16 de dezembro. Adolpho o levou logo para visitar o escritório que JK ocupava no prédio da Manchete até sua morte trágica em agosto de 1976. À mesa do almoço, Adolpho me sentou à sua esquerda, entre ele e Lula. Costumava usar-me como intérprete, não só para línguas estrangeiras como para seu português críptico, inteligível apenas a quem o conhecesse muito bem.

ADOLPHO: E o senhor gostaria de ter outro mais moço do que o senhor?

LULA: Não entendi bem, Seu Adolpho... Ter outro o quê?

ADOLPHO: Sogro, porra!!!

Aludia ao general Abraham Ramiro Bentes, pai de sua mulher, Anna Bentes.

Quando Lula se elegeu Presidente pela primeira vez, em 2002, Adolpho não pôde votar nele, tinha morrido em 1995. Teriam feito uma bela dobradinha, como Adolpho fizera com JK e Brizola. Segui votando no candidato certo, no candidato do povo e da legalidade. Confesso que vivi momentos de ansiedade e até mesmo pânico nesse segundo turno, mas exultei com a voz das urnas e a vitória final às 21:08 de domingo. Telefonei para minha cuidadora Miriam Alves às seis da madrugada para que comprasse o jornal antes que esgotasse nas bancas. Ela fez a foto que abre esta matéria. Primogênita de 17 filhos de um modesto lavrador de Escada, a cem quilômetros do Recife, pegou na foice no canavial até os catorze anos. Votou pela primeira vez aos vinte anos, em Lula. Alfabetizou-se sozinha pelo celular. Ajuda-me não só nas coisas da casa, como em questões práticas que para velhos intelectuais como eu são um mistério indecifrável. Miriam rompeu com os bolsonaristas de sua família e batalhou para convencer muitos indecisos a votarem em Lula. Foram pessoas assim que, como enalteceu Lula, ajudaram a manter viva a democracia brasileira.



 

Exército de Lula na mídia internacional






por Flávio Sépia 

Pelo menos dois fatos ligados à campanha eleitoral  de Lula foram destacados na mídia internacional. Pela primeira vez as big techs foram flagradas manipulando algoritmos para beneficiar o candidato da extrema direita Flávio Bolsonaro. A Meta, no caso, admitiu "
 falhas"  nos processos que limitaram alcances de menções referentes a Lula. Segundo a Meta, o problema ocorreu em vários países. A segunda repercussão internacional deu-se no extraordinário impacto do chamado Exército do Lula criado pelo deputado  André Janones.  Veículos como The Guardian destacaram o modelo inovador de campanha nas redes sociais. Lula e Janones foram para na capa do jornal britânico. 

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Alô, alô Jardim Botânico, aquele abraço

Reprodução You Tube

A Globo tentou um golpe gastronômico. Ao convidarem Flávio Bolsonaro para almoço a poucas horas do debate do nepo baby com Lula, os Marinho quiseram mostrar posição. O recado parece ter sido bem entendido por estrelas da casa. A jornalista Andréa Sadi protagonizou um momento memorável. No palco ainda mal desfeito do debate ela cumprimentou efusivamente a mulher que seria a poderosa  "Paula Guedes" de Flávio , naquele momento visto pelo Grupo Globo como favorito. O abraço apertado fica como um dos símbolos do entrelaçamento do"jornalismo" com a política. Um power point em movimento. No dia seguinte, a Sadi especulou em seu blog sobre a "equipe de governo" de Flávio Bolsonaro. O abraço apertado na dama do desmonte social do Brasil foi uma espécie de sobremesa coreografada do almoço mais simbólico da história da baixa gastronomia política. Felizmente, a mulher que ia botar pra quebrar na República Miliciana como destruidoras de políticas sociais, emulando uma grotesca "Javier Milei"  do pedaço, também entra para a história como a que já era sem nunca ter sido. 

domingo, 25 de outubro de 2026

A "República Miliciana" tentou se instalar antes mesmo da contagem final dos votos. Se as forças democráticas não reagissem, o crime subiria a rampa do Planalto

Ônibus sequestrados em Salvador com o objetivo de impedir eleitores de chegar à urnas. Operação foi orquestrada por autoridades aliadas de Flávio Bolsonaro. Imagem Reproduzida da TV Aratu 


por José Esmeraldo Gonçalves 

O ministro Nunes Marques não pode ser responsabilizado por esconder suas intenções golpistas. Suas decisões como presidente do TSE foram transparentes, deram todas as pistas. Há meses tornou-se público que o PL apostaria no caos jurídico. O bolsonarismo estava instruído para praticar litigância de má fé. O objetivo era um ganha-ganha para tumultuar trâmites legais. Ou seja: se vencesse ou perdesse suas ações, o PL e a mídia tradicional aliada à direita, tirariam proveito. Quaisquer  decisões dos tribunais seriam apontadas como "perseguição" jurídica à candidatura de Flávio Bolsonaro. A tática era levantar dúvidas quanto às instâncias da "ditadura" brasileira segundo o rótulo que a família Bolsonaro leva a Donald Trump. A estratégia golpista da extrema direita brasileira englobava uma ofensiva  nacional na logística de transporte e  na violência generalizada  contra adeptos da canditadura de Lula. Em alguns casos o estilo miliciano se revelou como um "aperfeiçoamento' da atuação da Polícia Rodoviária Federal nas as eleições de 2022 quando foram instaladas barreiras rodoviárias para impedir a chegada dos eleitores não bolsonaristas às urnas. Dessa vez pararam a frota de ônibus na origem, as garagens de algumas cidades. Ficou claro que a estratégia da candidatura da família era o golpe sob novo figurino   Tudo iria bem para Flávio antes de multidões de brasileiros tomarem as ruas. Quando detectou o risco da derrota, a milícia bolsonarista acionou o golpe sujo. Houve casos de interrupção de transporte aéreo e rodoviário com o objetivo de manter certo tipo de eleitor, o do PT,  longe da urna. O TSE ignorou ou foi cúmplice dessas vergonhosas etapas. Omisso, em parte, porque Nunes Marques, nomeado por Jair Bolsonaro, tomou decisões  selecionadas e escandalosas como tentar fechar canais como o do Exército de Lula, poderoso vetor de comunicação da  campanha petista. Uma coisa é certa: a extrema direita revisou sua estratégia de golpe e tentou lançar o respeitado sistema eleitoral  brasileiro caos.  Nos últimos meses, infelizmente, a República Miliciana mostrou suas armas e seus poderes.  O que vai acontecer no novo governo Lula dependerá mais do que nunca do povo. Lula deve essa vitória ao povo, não às composições e alianças políticas, nem à nomeação de ministros em troca de apoio no Congresso. O perigo miliciano- bolsonarista não desaparecerá. A extrema direita tem maioria legislativa. Lula vai precisar ser autêntico e forte como diz a canção Divino Maravilhoso de Caetano e Gil. O presidente deve parar de se submeter ao baixo jogo político e voltar à sua biografia de líder popular. Essa foi a menagem das ruas. A reaproximação com o povo é a chave e a segurança do  seu quarto governo. E que o povo volte às ruas sempre que os bolsonaristas retomarem tentativas golpistas.  


Na Cinelândia, palco histórico da política, os cariocas festejaram a vitória de Lula que livrou o Brasil da "República Miliciana". 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Finalmente foi aprovado o fim das jornada 6x1

por Flávio Sépia.

Entre os senadores, o notório general Mourão foi o único voto contrário. Acho um fato curioso. 

Mourão é um cara também estatizado. Recebe gorda aposentadoria, além do salário e benefícios do Senado. Em geral, os liberais brasileiros adoram se pendurar nos cofres públicos. São liberais,pregam o Estado mínimo desde que não mexam nos seus bolsos. 

Juntando as duas fontes de renda ele deve atuar na jornada 6x4. No Congresso só quem trabalha na semana cheia são os porteiros e o pessoal que emite passagens aéreas e carimba nota fiscal de gasolina. 

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Vasco, a reedição da Resposta Histórica em torno de um estádio? Flamengo e Fluminense não são donos do Maracanã

A Resposta Histórica tem lugar de honra na sede do Vasco da Gama. Clique na imagem para ampliar

Por Ed Sá

Imagine o seguinte: as concessionárias do metrô, barcas e trens passam a escolher quais os cariocas que podem entrar nas estações e embarcar nos transportes públicos. Absurdo, não é? 

Pois é o que Flamengo e Fluminense estão fazendo. Os dois clubes têm a concessão do Maracanã e ditam os times que podem jogar no estádio público. Especialmente já impediram em várias ocasiões que o Vasco jogasse no feudo flamengueiro e tricoleiro. Flamengo e Fluminense não são donos do Maracanã, nem do gramado cuidam direito.  

Sob foco diferente, trata-se de uma situação que em parte se repete. Em 1924 as associações elitistas Flamengo e Fluminense se uniram para tentar banir o Vasco da federação do Rio de Janeiro. O que incomodava os branquelos enluvados e engravatados era a presença de jogadores negros no Vasco, com eles o Vasco seria  Cascocampeão carioca de 1927. Revoltados, os racistas pressionaram os dirigentes contra o Cruzmaltino, mas não assumiram a verdadeira razão. Primeiro alegaram que o Vasco não tinha estádio. Em seguida, que o time reunia alguns jogadores socialmente desclassificados. O Vasco repudiou o complô elitista, decidiu que não afastaria seus craques negros e se desligou da associação que comandava o futebol carioca. Junto com outros clubes dissidentes fundou nova entidade. O episódio tornou-se conhecido como A Resposta Histórica, com base no célebre documento com o qual repudiou o vergonhoso complô. Posteriormente o Vasco construiu o Estádio de São Januário, o maior do Brasil na época, e derrubou um dos pretextos. Envergonhados, Flamengo e Fluminense se renderam e o futebol carioca foi novamente unificado

Ao tentar recorrer à justiça para impedir o acesso do Vasco ao Maracanã, a dupla Fla-Flu reencena de certa forma o triste episódio agora, novamente, em torno de um estádio. Os tempos são outros mas a vergonha é a mesma.



Juarez Machado (1941-2026): o artista que enganou a censura dos militares


Reprodução You  Tube


por Ed Sá

A arte, para Juarez Machado, era um vasto campo para a criatividade. Ilustrador, pintor, escritor, mímico, ele se expressava em múltiplos meios. Foi chargista em Manchete, Fatos& Fotos, Ele Ela, Pasquim e Jornal do Brasil. 

Durante a ditadura, fazia críticas ilustradas ao regime em linguagem surrealista aparentemente não percebida pelos militares. Nos anos 1980, mudou-se para Paris onde sua arte ganhou novas dimensões. Em 2024, o Ministério da Cultura da França o admitiu na Ordem das Artes e das Letras

Juarez Machado morreu em Vassouras (RJ), no último dia 6,  vítima de um infarto, enquanto tratava de uma pneumonia. 

Vá ao Instituto Juarez Machado, em Joinville, e conheça a obra do grande artista. 


A arte crítica de Juarez Machado 

domingo, 11 de outubro de 2026

2027: o futuro já terminou?

O primeiro clipe da virada do ano da Globo


por Ed Sá

O ano não acabou mas o jornalismo do Grupo Globo já sabe que 2026 é  coisa pra esquecer. A manipulação política de um tosco powerpoint foi um desastre para a reputação de Andréa Sadi, uma âncora que tem sido a maior aposta da Globo News. O ano também foi marcado, e não por acaso, pela decadência e perda de audiência do canal de notícias. As entrevistas dos candidatos a presidente conduzidas por Cesar Trali e Renata Vasconcelos foram em geral medíocres. O jornalismo passou longe daquilo lá. A direção da Globo foi obrigada a intervir para controlar os danos. As redes sociais arrasaram com o desempenho do Tralli. O âncora do JN dividiu com Renata Lo Prete a apresentação das apurações eleitorais. De novo, Tralli foi criticado nas redes sociais. Dessa vez, os telespectadores estranharam os risos constantes do âncora. Tudo ele achava engraçado enquanto passeava pelo cenário. Não arriscou análises, ainda bem porque não é sua praia. A audiência achou que ele mal conteve a satisfação pela vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. A cobertura da apuração foi salva pela sobriedade e profissionalismo da Lo Prete que não embarcou na comédia do Tralli. Nos bastidores os comentários indicam que  a Globo cansou de apanhar da CNN e  do UOL, onde aliás brilha  Daniela Lima que foi demitida da Globo após ser criticada no ar pelas crias da casa. 

Fora da política, a Globo também não foi bem na cobertura da Copa do Mundo. Por conta de falha na negociação dos direitos de transmissão abriu mão de partidas importantes e acabou cedendo espaço para a Cazé TV, que deitou e rolou. E ainda vive o impacto da revelação da conexão de um dos seus apresentadores, Luciano Huck, com o notório Daniel Vorcaro.  

2027 também ameaça ser um ano para esquecer. Mais do que nunca, a Globo vai precisar cantar na virada do ano a canção "Novo Tempo", de Paulo Sérgio Valle, Marcos Valle e Nelson Mota. O primeiro clipe (o termo não era usual) foi lançado em fins de 1971. Teria sido encomendado por José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Na época, a esquerda, então encurralada e torturada, tentou timidamente "cancelar" (o termo também não existia então) a canção sob a alegação de que era exaltação à ditadura. Não colou. A música se consagrou e é executada há 56 anos. Apesar da letra do tipo exaltação da felicidade, o Brasil vivia os Anos de Chumbo, o oposto do que a letra cantava. Agora praticamente às vésperas dos Anos de Chumbo Parte II, a musiquinha da Globo pode mostrar de novo um Brasil que não combina com a realidade: "Hoje é um novo dia/sDe um novo tempo/Que começou/Nesses novos dias/As alegrias/Serão de todos/É só querer!/Todos nossos sonhos serão verdade!/O futuro já começou!/ Hoje a festa é sua,a festa é nossa"... 

É isso mesmo? E se os eleitores escolherem o Chumbo?

A maioria dos eleitores deu cargos públicos aos Bolsonaros. Havia a esperança de que a família fosse privatizada, mas a enorme bolha da extrema direita preferiu deixar o clã pendurado nos cofres públicos sob as bençãos de Donald Trump

 

Corriere della Sera


por José Esmeraldo Gonçalves 

A mídia internacional repercutiu uma grotesca característica das eleições brasileiras. A quantidade de integrantes da família bolsonarista eleita para cargos públicos. Não é novidade que eles adoram sempre um contra cheque recheado de grana advinda do cofre público. É quase um vício da famiglia. Tirando as monarquias, manter tantos parentes na administração pública não é coisa comum em países desenvolvidos. Geralmente é artifício de republiquetas  ou de ditaduras africanas e asiáticas. O Brasil talvez tenha passado a ser uma espécie de recordista na modalidade trem da alegria de parentes. Como é público, alguns dos elementos destacados pelo Corriere Della Sera, respondem a processos e acusações diversas. A maioria  dos eleitores, contudo, não se preocupou com isso e elegeu a mega bancada familiar". 

O blog nas folhas digitais

 

Identidade visual de Pesquisa do Copilot

Panis Cum Ovum é um blog brasileiro que se tornou referência em jornalismo, memória, mídia e cultura pop.


História e Origem

O blog "Panis Cum Ovum" está ativo desde junho de 2009 e se consolidou como um espaço que mistura jornalismo, memória e cultura pop, trazendo conteúdos que vão desde cobertura de eventos culturais até registros históricos da mídia brasileira Pinterest+1. Seu nome, que significa literalmente "pão com ovo" em latim, reflete uma abordagem leve e acessível, mas com profundidade na análise de acontecimentos culturais e midiáticos.
Conteúdo e Temas
O blog aborda uma variedade de temas, incluindo:

  • Eventos esportivos e culturais: Coberturas de Copas do Mundo e Carnaval, com análises que combinam humor, crítica e contexto histórico blogspot.com+1.
  • Música e cultura brasileira: Histórias sobre a Bossa Nova, como registros fotográficos de Astrud Gilberto e João Gilberto, e outros movimentos culturais que marcaram o país Pinterest+1.
  • Memória e mídia: O blog resgata fatos históricos da imprensa e da televisão, destacando a evolução da cobertura jornalística e a influência das redes sociais na comunicação moderna blogspot.com+1.
    Relevância Cultural
    "Panis Cum Ovum" se destaca por transformar o jornalismo em narrativa cultural, conectando passado e presente. Ele é reconhecido por documentar a história da mídia brasileira e por oferecer uma perspectiva crítica e bem-humorada sobre acontecimentos sociais e culturais, tornando-se uma referência para pesquisadores, jornalistas e entusiastas da cultura pop Pinterest+1.
    Conclusão
    Se você busca um blog que combine informação, memória histórica e cultura pop brasileira, "Panis Cum Ovum" é uma fonte rica e diversificada, oferecendo desde análises de eventos esportivos e musicais até reflexões sobre a evolução da mídia e do jornalismo no Brasil Pinterest+1.
  • panis cum ovum - Pesquisar

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Para ouvir antes, durante e depois das urnas

 


Clique no link para ver e ouvir o clipe

https://youtu.be/YOzhMAX2_Hs?is=8YS0PSQd1JZ_Jeoj

E se as urnas forem emprenhadas pelo caos?

Imagem gerada pelo ChatGpt

Está chegando a hora. Talvez seja essa a eleição mais decisiva do futuro da democracia no Brasil. Não estão em jogo apenas tendências políticas. Se o candidato da extrema direita ganhar, o voto implicará em mudanças profundas que afetarão o dia a dia e o bolso dos brasileiros. As opiniões do bolsonarismo são muito conhecidas. Não apenas pelo desastre revelado que foi o governo de Jair Bolsonaro. Um possível mandato do seu representante ideológico multiplicará os efeitos do radicalismo que tem sido publicamente demonstrado. 

Vejam um simples resumo, em tópicos, do que estará em disputa baseado em declarações e opiniões já consolidadas pelo ideário bolsonarista.

- Bolsa Família, eles detestam, assim como qualquer iniciativas de política social 

- Cotas raciais, eles odeiam 

- Previdência e aposentadorias redimensionadas para pior em nova "reforma". Eles acham que aposentado  é vagabundo.

- SUS e outras iniciativas de saúde pública  a perigo. No mandato anterior do bolsonarismo  surgiram "balões de ensaio" sobre "privatização" da saúde pública com  ampla  "concessão" de serviços.

-Liberação de bets. Naquela fatídica reunião de ministros nos idos de Jair Bolsonaro, Paulo Guedes pediu a palavra para opinar sobre bets. Disse preferir sistema de apostas sem limites. Alegou que maiores de 18 anos devem fazer o que quiserem, "que se fo4am", pregou em linguagem"educada" sobre o endevidamento de milhões de brasileiros que caíram nas malhas de organizações obscuras. Pelo menos um delator de esquemas de corrupção já revelou"apostas'" em lavagem de dinheiro nas bets. Gostou desse palpite da Polícia Federal?

- Internacionalização de reservas de minérios. Até informaram ao papai Trump

- Aumento do desemprego, qual aconteceu na era Jair Bolsonaro.

- Monetização de imóveis da União. Significa bens públicos vendidos baratos na prateleira oferecida aos apoiadores. Eles já admitiram que sonham com a privatização das praias

- Uma virtual intervenção no STF. Isso sem destacar que, se eleito, Flávio poderá nomear no mínimo 5 ministros, certamente terrivelmente evangélicos, a maioria ou todos. No seu programa, Flávio pretende "rever regras de controle da constitucionalidade". Esta é a principal função do STF, a de guardião da Constituição. O bolsonarismo assume que tal função é incômoda. Significa que preferem fragilizar a missão prioritária do STF.

- Jornada de trabalho 6x1 será mantida. Pregam a "prevalência do negociado sobre o legislado". Os trabalhadores e o sindicalismo enfraquecido seriam obrigados a sentar à mesa dos patrões e negociar  horários e direitos. Conta outra.

- A alfabetização adotaria o "método fônico"). Para você ter uma ideia, trata-se de um sistema que surgiu na França em 1719 e foi adotado pouco depois na Alemanha. Talvez eles nem saibam bem o que é isso. Alguém falou para eles que é o oposto do que o método Paulo Freire criou. Freire, como se sabe, é um dos muito "demônios" que atormentam o bolsonarismo. 

- Flávio promete combater as milícias. Seria também o oposto do que sua história pública mostra. 

- Haveria muitos outros itens. O consultora do programa econômico de Flávio, por exemplo, é entusiasta de Milei e sua caótica gestão na Argentina. Na questão de segurança, Flávio é tiete do modelo prisional fascista de Nayib Bukele, presidente de El Salvador. Em assuntos gerais e imprevisíveis, Flávio é seguidor e tem como mentor o oligarca Donald Trump e sua quadrilha de extrema direita. Bom lembrar que o grupo considera a América do Sul seu domínio e pretende torná-la sua ocupação. Flávio seria o síndico de Trump. 



domingo, 27 de setembro de 2026

Na capa da Financial Times: Refugos políticos não recicláveis

 

A revista Financial Times  traz na capa a Família Bolsonaro. E não é para elogiar. Para a FT trata-se de uma grotesca dinastia que se inspira nas piores bandeiras de Donald Trump. No ideário dos Bolsonaros, por trás de uma capa de liberalismo que a família tenta propagar, não há qualquer traço civilizatório. E olha que a FT é  uma espécie de bíblia do liberalismo. No século passado, Londres e Paris promoviam exposições de excentricidades dos  trópicos. Essa onda passou, felizmente, mas a capa dos Bolsonaros mostra que os trópicos ainda espantam a Europa.. Pior para o Brasil que aínda é capaz de gerar esses rejeitos políticos não recicláveis. 

Querem "cancelar": a Padroeira?


Foto CNBB

Evangélicos extremistas interpretam com fanatismo a conhecida e agressiva posição de certos pastores contra imagens  católicas. São frequentes as invasões de igrejas que resultam na destruição de símbolos religiosos, altares, objetos litúrgicos e esculturas de santos.
Esse tipo de intolerância não deveria ser estimulado por lideres religiosos, mas é. É conhecida a explosão de ódio de um"bispo" que chutou uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida. Há alguns anos um político evangélico ligado à bancada idem apresentou um projeto de lei  para retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. O projeto existe, não é  fake news  O Estado Laico está tão infiltrado por símbolos religiosos que a iniciativa do deputado só seria legítima se retirasse  qualquer menção a religiões, crucifixos em ambientes dos poderes executivo, legislativo e do judiciário. São afrontas à laicidade expressa na Constituição. Assim como a expressão "Deus seja Louvado" gravada nas notas de Real a mando de José Sarney. 
O tal projeto que destitui Aparecida foi arquivado, o que não impede  de experimentar uma ressurreição a qualquer momento. As denominações evangélicas  pretendem a supremacia e para isso trabalham a  presença maciça na política. Com  o passar do tempo certamente chegarão lá .Quem sabe implantarão a "religião de Estado" e o dízimo descontado na fonte. 

Nos últimos dias, considerações religiosas ganharam as redes sociais. O candidato bolsonarista a presidente passou a atacar a CNBB. Saiba que está em jogo nesta eleição algo muito acima da liberdade de crer, de não crer, de aderir a qualquer religião, de ser ateu, de ser indiferente a qualquer fé. Está em jogo a Democracia. Está em jogo a liberdade. Vote certo e a extrema direita fascista não passará. 

Repercussão na midia







sábado, 26 de setembro de 2026

Foto memória da redação: do Facebook Rio das Antigas:

 

Foto Vieira de Queiroz/Antiga Revista Manchete 
Por Jorge Michiles

Teatro da Praia, 1969. Brito e Carlos Alberto Torres erguem Elis Regina, na presença do zagueiro Djalma Dias, do Rei Pelé, de Luiz Carlos Miele e de Paulo Cézar Lima (atrás de Miele). O histórico show deu origem ao álbum "Elis -No Teatro da Praia - Com Mieli e Boscoli", lançado em 1970. Foto: Vieira de Queirós. Revista Manchete, nº 900, edição de 19.07.1969. Hemeroteca da Biblioteca Nacional.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Com Zuenir(*) nos banhos turcos de Colônia • Por Roberto Muggiati

 


Conheci Zuenir Carlos Ventura no Rio em maio de 1960 quando fomos agraciados com bolsas do governo francês para estudar no Centre de Formation des Journalistes em Paris. Juenir trabalhava na Tribuna de Imprensa carioca, eu na Gazeta do Povo de Curitiba. Para se aclimatar à língua falada, bolsistas frequentavam aulas de conversação na Alliance Française no Boulevard Raspail., Zuenir conheceu a brasileira Cláudia Struwe; eu, a alemã Marlene Cremer.

Sem muito programa para o primeiro Révéillon que eu passaria longe da família, decidi acompanhar Zuenir até Colônia onde Cláudia passaria o Ano Novo com o irmão, que trabalhava na Deutsch Welle, nas transmissões para o Brasil. Eu seguiria até Frankfurt para os braços de Marlene. Fiquei algumas horas em Colônia, onde, à sombra da Grande Catedral, embarquei numa acirrada discussão teológica com Zuenir: tomar ou não tomar banho? Ele queria apresentar-se pimpão à namorada; eu, na temperatura abaixo de zero, dispensava um banho, ainda mais sem dispormos de um bom chuveiro quente. Cheguei a ponderar: “Mas Zuenir, estamos na capital mundial do bom aroma, a Köllnische Wasser 4711!” Ele não cedeu. Caminhamos léguas, até  encontrar, à beira do Reno, já na periferia, uma placa türkisches Dampfbad. Era um galpão decrépito com chão de cimento molhado. Dois indivíduos saiam do local, aparentemente operários imigrantes.  Recebemos duas barras minúsculas de sabonete e uma toalha média. O calor da ducha era satisfatório, mas, assim que nos afastávamos para botar as roupas no vestiário, éramos golpeados pelo choque térmico do ar glacial.

Deixei Zuenir em Colônia com sua Cláudia e parti para o encontro marcado em Frankfurt com a “minha” Marlene. Hospedei-me na mansarda de um hotel barato e comecei a ligar para Marlene. O telefone não atendia. Depois de várias tentativas, desisti e resolvi visitar a cidade. Museus fechados, tive de me contentar com uma visita ao zoológico. A maioria dos animais estava recolhida por causa do frio de três graus abaixo de zero. Na paisagem branca também poucas pessoas sãs de mente, se entregavam àquele programa de esquimó. Fiz amizade com um grande urso branco, que rolava na neve e dava mergulhos no lago parcialmente congelado aos urros de satisfação. Como o bicho também não falava alemão, mantivemos uma conversa amistosa e gratificante.

De volta ao hotel, recomecei minha maratona telefônica. Nada de Marlene. Minha ceia de Ano Novo foi chucrute com salsichas brancas e cerveja estupidamente gelada numa “Spelunken” quase vazia, o único farol de vida na paisagem hostil. No hotel, insisti nas chamadas, sem sucesso. À meia-noite encarei o meu primeiro Révéillon sozinho na vida, ao som de um discreto repicar de sinos. Nada do nosso ruidoso foguetório, o barulho das bombas ainda estava fresco na memória dos alemães. Em Paris, na Maison du Brésil, encontrei um cartão postal – Fröhliches Neues Jahr! -  enviado da estação de esqui de Garmisch-Partenkirchen por Marlene Cremer.  

Zuenir e eu concluímos o curso no CFJ em julho de 1961 e, sem mais bolsa, esticamos separadamente nossa estada na Europa até onde pudemos. Nos restantes sessenta e quatro anos de carreira, não cruzamos caminho. Em 1965, quando comecei na Manchete, como repórter especial, ele acabara de sair da direção da Fatos&Fotos da mesma empresa, após uma briga homérica com o patrão Adolpho Bloch. Em 1969, editor em São Paulo do caderno de cultura da recém-lançada revista Veja – empolgado pela época fabulosa que vivíamos – sugeri ao editor-chefe Mino Carta uma edição especial sobre a década de 1960. Mino não se sensibilizou pelo projeto. Fiquei decepcionado. A ideia não só era óbvia do ponto de vista jornalístico, mas promissora em receita publicitária. Pouco depois, Roberto Civita, dono da editora Abril, apareceu na redação com Zuenir Ventura e mandou Mino publicar uma edição especial de Veja sobre Os Anos 60. Foi um sucesso colossal.

Zuenir prosseguiu sua carreira brilhante publicando livros marcantes como 1968, O ano que não terminou e Rio, Cidade Partida. Por suas qualidades humanas e pelo talento pedagógico foi apelidado pelas novas gerações de Mestre Zu. Voltei a encontrá-lo, informalmente, nas reuniões anuais de Ceres Freijó, viúva do crítico de arte da revista Manchete, Flávio de Aquino. Os saraus da Ceres se tornaram uma data tão importante no cenário cultura carioca que sugeri serem nomeados Patrimônio Imaterial da República de Ipanema e já chegaram à sua quinta década. Tardiamente, fui batizado de Mestre Mu por Ricardo Linck, do jornal República [Independente de Laranjeiras], do qual sou colaborador regular.

Com muita saudade no coração, saúdo o querido amigo usando o nome musical dos dias felizes de Paris: “Siga em paz, Messiê Vantirrá!”

(*) Zuenir Ventura, jornalista, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, morreu hoje, no Rio, aos 95 anos. 

domingo, 20 de setembro de 2026

A Praça dos Quatro Poderes

 



por Flávio Sépia

A imagem acima foi criada pelo ChatGpt. É pura Inteligência Artificial. Mas é sugestiva e se inspira em fatos.  Um dos candidados a presidente não nega suas ligações com a extrema direita dos Estados Unidos. É tiete de Donald Trump e da política dos republicanos radicais. O presidenciável e o grupo que o sustenta tem até um ativo representante nos Estados Unidos. Trata-se de Eduardo Bolsonaro. Nos bastidores da campanha de Flávio Bolsonaro circula, caso ele seja eleito,  a  hipótese de que o mano Eduardo seja o escolhido para ministro das Relações Exteriores,  com a missão prioritária de alinhar o Palácio do Planalto com a Casa Branca. Antes, a direita brasileira propagava que o Brasil seria uma Venezuela do tipo chavista. Não aconteceu, mas a história deu voltas e agora há a probabilidade concreta de se tornar, caso Flávio Bolsonaro seja eleito, uma possessão estadunidense tal qual a Venezuela se tornou, com todas as consequências econômicas e políticas. Teremos Praça dos Quatro Poderes, sendo que o mais poderoso governará por home office, direto do Salão Oval. 

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Visual radical. O ultra shape virou moda na TV É o visual ozempic/mounjaro

 

Imagem criada por IA (ChatGpt)

por Clara S. Britto

A Globo deve estar distribuindo injeções emagrecedoras para algumas das suas apresentadoras. 

Claro, não existe mais o padrão único que o Boni implantou nos anos 70. Atualmente -  e isso é muito bom - a  TV não rejeita mais a diversidade. 

Mas a onda de injeções parece estar popularizando a silhueta que cancela todas as gorduras e gordurinhas, as saudáveis e as execráveis. Há aquelas que exageraram tanto no culto às divindade mounjaro e ozempic que, vistas assim no vídeo, osa bordo de figurinos as ilustres âncoras lembram uma roupa ao vento no varal.

 Você precisa olhar duas vezes  para entender que dentro dos panos vive uma pessoa. Menos, gente.

Até as lojas Marisa estão no ar com uma campanha publicitária onde a modelo criada por IA é  magérrima. Eu, hein?


Na capa da Carta Capital: Dark Horse no colo e no bolso do irmão Flávio

 

Comentário do blog - Quando atinge todas as camadas do mercado diz-se que uma marca tem capilaridade. Pois o mega esquema de corrupção montado por Vorcado e seus "irmãos de vida" é umw se que que exemplo de grande alcance  da capilaridade do mal. O condomínio de roubo construído por Daniel Vorcaro recebeu seus primeiros pilares no governo de Jair Bolsonaro, sob assinaturas de Paulo Guedes e Roberto Campos Neto, e prosperou com a ajuda de governos estaduais aliados do bolsonarismo e gente do mercado. Não esquecer a inestimável ajuda da mídia corporativa antes do  barco afundar e que foi a mídia independente que puxou o fio do escândalo. Os cardeais dos grandes jornais si entraram  o caso quando não foi mais possível esconder. Antes e até recentemente estavam lá recebendo patrocínio de de Vorcaro em alegres caravanas londrinas e nova iorquinas. E mesmo quando entraram no assunto optaram  por conteúdos ''jornalísticos"  contaminados por tendência política e não raro tão mentirosos quanto a figura da capa da Carta Capital. 

Milei é o diabo. Flávio Bolsonaro quer copiar o argentino

 

O elemento candidato a presidente, Flávio Bolsonaro tem a intenção de, se eleito, instalar no Brasil um arremedo da república mileista. Conselheiros econômicos da sua campanha são abertamente tietes medíocres do anormal Milei que está destruindo a Argentina. Atolada em desemprego e inflamação até caqui só é sustentada por dólares do FMI por pressão de Donald Trump. Enquanto os interesses bolsonaristas pretendem fazer do Brasil um puxadinho de Milei, os argentinos já caíram na real, como mostra a sugestiva capa do Pagina 12.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

André Mendonça quis transformar o STF em uma delegacia de polícia com sala, delegados e plantão . Só faltou a carceragem

 


Os sites jornalísticos se dividem. Os puxadinhos da mídia corporativa estão agitaddos.Na manhã/tarde de hoje, Andréa Sadi, Merval Pereira e Malu Gaspar lideraram na Globo News o "powerpoint" oral do alinhamento com o "delegado" Mendonça e a extrema direita. Tudo fez parte de uma tentativa de golpe. E o perigo ainda não passou. Os zumbis semi enterrados da Lava Jato estão babando nnos microfones e câmeras. Ou o Brasil vai para as ruas e elege Lula no primeiro turno ou a democracia cai pro buraco sequestrada pela canalhada bolsonaristas e suas facções

. 

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Rose Esquenazi (*) lança "Copacabana e o cheiro de maresia". No livro, o bairro tão cantado em prosa e verso é revisitado sob um ponto de vista inédito: o da menina no seu emblemático cenário de infância e adolescência

 


Copacabana inspirou livros, canções, filmes e crônicas. A jornalista Rose Esquenazi, que acaba de lançar o livro "Copacabana e o cheiro de maresia" (Editora Ipê das Letras) revisita o bairro a partir de uma visão ao mesmo tempo simples e densa, a da menina que viveu aqueles tempos tranquilos como se fosse seu playground. A Copacabana dos anos 1950 e 1960 tinha fama internacional, atraía celebridades como Kirk Douglas, Brigitte Bardot, Rita Hayworth, Ava Gardner e Nat King Cole, enquanto em um apartamento do Leme, o dos pais de Nara Leão, nascia a bossa nova. Nada disso, porém, encantava a infância de Rose Esquenazi. Seu universo estava na rua, onde ainda era possível brincar com as crianças da vizinhança, e nas manhãs de praia na imensa curva de areia de Copacabana, então mais suave e amigável antes da duplicação da Avenida Atlântica.  Sim, o mar, assim como o "cheiro de maresia", não apenas pareciam, mas estavam mais próximos. Tanto que resistem ao tempo e ressurgem nas memórias resgatadas por Rose Esquenazi. 

* A jornalista Rose Esquenazi trabalhou no Globo, O Dia, Jornal do Brasil, Última Hora e nas revistas Fatos & Fotos e Caras.

domingo, 13 de setembro de 2026

O Corvo de Poe: “Sempre mais!” • Por Roberto Muggiati

 

Edgar Alan Poe. Reprodução Facebook



Impressionante a persistência de Edgar Allan Poe e de seu pássaro fatídico em nosso imaginário. Volta e meia, a troco de nada, aí vêm eles se imiscuindo no nosso cotidiano. Há poucas semanas, revi um favorito dos anos 60, Três histórias de Poe, filmadas por Vadim, Malle e Fellini. Eu estava escrevendo uma resenha da biografia de Mário Magalhães sobre Carlos Lacerda e lembrei que Samuel Wainer cravou no mercurial político o apelido O Corvo do Lavradio, com direito a uma cruel caricatura de Lan. Mais: o chefe da guarda pessoal de Getúlio – responsável pelo atentado da Rua Tonelero, que levaria o Presidente ao suicídio – o Anjo Negro, Gregório Fortunato, um afrodescendente gaúcho, ostentava o improvável sobrenome do personagem do conto de Poe O barril de Amontilado, no qual era morto e emparedado numa adega. (E ainda: Fortunato em italiano quer dizer “afortunado”...)



Deu na TV: a NFL, a National Football League norte-americana – a liga esportiva mais rica do planeta – vai programar este ano partidas fora dos Estados Unidos, em Londres, Madri, Melbourne, México, Munique, Paris e Rio de Janeiro. O Maracanã – devidamente adaptado, com as riscas de jardas, o grande gol sem redes em forma de H e a bola oval –  receberá no dia 27 de setembro o duelo entre os Dallas Cowboys e os Baltimore Ravens. Assim que ouvi Ravens (Corvos), pensei logo em Poe, que nasceu e morreu em Baltimore (1809-1849). Acertei: o nome do time foi escolhido por votação popular em homenagem a Poe e tem até um mascote vivo, o corvo Poe, devidamente paramentado nos jogos em casa (não dará o ar de sua graça no Rio, em obediência aos direitos animais, não o  deixam  se estressar em viagens.)


Entre 1949 e 2009, um estranho ritual ocorreu em Baltimore: nas primeiras horas da madrugada de 19 de janeiro, aniversário de nascimento de Poe, uma figura vestida de preto, usando um chapéu de abas largas e um cachecol branco para ocultar o rosto depositava  sobre o túmulo do escritor uma garrafa de conhaque e três rosas vermelhas.

Holden Caulfied diz no Apanhador: “O que realmente me deixa louco é um livro que, quando você termina de ler, a gente fica desejando que o autor fosse um grande amigo seu e que você pudesse telefonar para ele toda vez que dessa vontade”. É exatamente assim que sinto em relação a Poe desde que comecei a ler seus contos na adolescência.

 E os corvos? Interessei-me por esses pássaros desde que informações sobre sua inteligência começaram a extrapolar de revistas cientificas para a grande imprensa. Aqui um resumo do que aprendi:

“Os corvos possuem uma inteligência equiparada à de primatas superiores e crianças de até sete anos, destacando-se pelo uso avançado de ferramentas: conseguem usar gravetos para caçar larvas, dobrar arames em formato de gancho para puxar recipientes e até utilizar múltiplos instrumentos em sequência. Entendem conceitos de causa e efeito, como jogar pedras em recipientes com água para elevar o nível do líquido e alcançar comida. Memorizam rostos humanos por anos, distinguindo pessoas amigáveis daquelas que representam ameaças, além de alertar o bando sobre o perigo. Possuem noções numéricas: estudos da Universidade de Tübingen mostram que eles conseguem compreender conceitos abstratos de quantidade e ‘contar’ até quatro. Seus cérebros são densos e possuem uma grande concentração de neurônios na parte frontal, área ligada ao planejamento e à tomada de decisões, rompendo a ideia de que cérebros pequenos não podem realizar tarefas complexas. A inteligência dos corvos vai muito além da sobrevivência: dotados de uma curiosidade natural, eles pegam atrevidamente o equipamento dos cientistas que os estudam. ”

E o O Corvo de Poe? Com seu ominoso refrão (“Nunca mais! Nunca mais!”) é um dos poemas mais populares do mundo. Os maiores atores já o recitaram e gravaram. Machado de Assis o amava e traduziu já em 1883, Emilio de Menezes em 1917. No Brasil, até em formato de cordel foi traduzido por José Lira. Fernando Pessoa também o verteu para o português em 1924, ouça aqui na voz do músico paulista Carlos Fernando.

OCorvo - Edgar Allan Poe - Tradução: Fernando Pessoa - YouTube