sábado, 8 de agosto de 2020

Há 30 anos: carros soviéticos invadiam o Brasil....

Em 1990, com a abertura das importações de automóveis promovida por Fernando Collor, a maioria esperava que carrões americanos, italianos e franceses logo desembarcassem nos portos brasileiros. A União Soviética estava agonizando mas, mesmo assim, foi a primeira a chegar. Carros Lada e Samara e o jipe Niva não demoraram a rodar no Rio e em São Paulo. Foi há trinta anos. Desde então, o Niva, principalmente, virou objeto de colecionador. E ainda é possível ver alguns desses veículos pilotados por aficionados em passeios fora-de-estrada nos fins de semana.  A matéria que a Manchete publicou anunciado a chegada dos russo foi assinada por Fernando Calmon, um dos mais respeitados especialistas no assunto, hoje no UOL Um detalhe sobreo Lada: originalmente se chamava Jigulí. Para vendas ao mercado externo, o nome mudou porque em alguns países, como Brasil e Itália, se confundia foneticamente com "gigolô".

Na capa do Extra, hoje: tudo em famiglia...

A capa do Extra é um competente resumo de um dos acontecimentos politico-policiais da semana. 
A comentar, a aparente falta de apetite da grande mídia para apurações exclusivas. Só na última semana, os principais jornais, que em passado recente eram tão ávidos por vazar documento em primeira mão, tomaram dois grandes furos. O primeiro, do UOL, sobre a "polícia política" montada no Ministério da Justiça para "fichar" opositores do governo. O segundo, que o Extra repercute em capa, foi apuração da revista Crusoé, que revelou com exclusividade mais um número da montanha de dinheiro que  o notório Queiroz despejava sobre o clã presidencial. 

 

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Para justificar a destruição da Amazônia e as ameaças aos povos indígenas, Paulo Guedes apela até para o general Custer...

por O.V. Pochê 

Paulo Guedes ostenta diplomas mas é tão primário quanto o chefe Bozoroca. Juntos, transformaram o Brasil em um pária internacional. No momento em que não apenas ambientalistas, mas investidores e grandes corporações, sinalizam que o Brasil escalou o absurdo quanto à destruição da Amazônia, o frasista comete mais uma. Durante o recente evento virtual Aspen Security Forum, promovido pelo centro de estudos norte-americano Aspen Institute. Guedes justificou o crime ambiental e humanitário com toscos argumentos Disse aos americanos que eles também destruíram suas florestas e falou que aqui "não teve exterminações", o que é mentira, o Brasil matou milhões de índios e continua matando. O Ministro da Economia também citou o general Custer, que comandou forças-tarefas para exterminar tribos no Velho Oeste. Então tá, Guedes, na imagem ao lado, Custer chega a Manaus.

Se esse raciocínio idiota de Paulo Guedes prevalecer, o Brasil pode pedir licença para praticamente tudo. Imaginem se o "chicago boy" fosse buscar outras justificativas tão grosseiras quanto aquelas que apresentou ao Aspen Institute. Seguem alguns subsídios para o sujeito usar em outras reuniões internacionais. 

* Acabar com povos incômodos já que americanos eliminaram índios, os espanhóis exterminaram maias, incas, astecas, os australianos mataram aborígenes e colonizadores genocidas assassinaram milhões de africanos. No momento atual, pobre é chato, está sempre precisando de alguma coisa, seja saúde, educação ou respirador, assim não tem arrocho fiscal que resista.

* Europeus consumiram suas florestas como fontes de energia, porque pobre aqui teima em usar gás de cozinha caro?

* Japoneses até hoje contribuem com vigor para o extermínio de baleias. Podemos reforçar o almoço com todas espécies da Amazônia.

* Sukarno, na Indonésia dos anos 1960, eliminou o problema da oposição comunistas simplesmente abduzindo mais de 500 mil pessoas. 

* Se, irritados com o ritual democrático, os militares brasileiros fecharam o Congresso, enquadraram o STF e fizeram o que quiseram do Brasil entre 1964 e 1985, algo semelhante quebraria o galho e  resolveria um dos problemas do Guedes: ter que negociar com Câmara e Senado os pacotes econômicos empacados.

* Em vez de recomendar o isolamento social e distanciamento,  governos, antigamente, confinavam leprosos e vítimas do cólera em ilhas ou complexos que eram verdadeiras prisões. Os doentes eram largados longe, mas não atrapalhavam a economia, como no caso da Covid.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Mídia: quando uma entrevista interessar mais ao entrevistado do que ao leitor, desconfie...




Pode ser o momento, a oportunidade, o contato, o interesse ou qualquer outra circunstância, até simples coincidência. Quando uma figura envolvida em escândalo de corrupção resolve que é hora de falar, "algo há", como dizia Brizola. 
Flávio Bolsonaro já deu várias entrevistas antes dessa exclusiva do Globo, publicada hoje. Todas foram concedidas em ambiente controlado e a canais, veículos ou jornalistas publicamente identificados com o governo. A novidade é ter o vulgo Zero tal concedido exclusiva ao Globo na hora em que decidiu concedê-la, e imagino depois negar numerosos pedidos. O Zero tal achou que devia falar coincidentemente no momento em que o STF retoma pautas incômodas - inclusive envolvendo o notório Queiroz -, e três dias depois de vazar no mesmo jornal um depoimento do mesmo Queiroz assumindo a culpa no caso das rachadinhas e tentando livrar a cara do amigo Zero tal. 
O jornal fez as devidas perguntas sobre os pontos polêmicos do escândalo das rachadinhas. Flávio responde obviamente inocentando-se. E a pergunta seguinte, na sequência da conversa (o Globo não informa se a entrevista foi presencial, por áudio ou whatsapp), parte para outra questão, sem contestar com evidências ou apurações as respostas do Zero tal. Não é um bom sinal. Essa técnica faz a entrevista correr o risco de se confundir com bola levantada.
Flávio falou e disse o que lhe interessou e o jornal compartilhou o conteúdo com os seus leitores.  Infelizmente, o saldo, tal qual a grana que Queiroz depositava da conta do Zero tal, parece favorável à indigitada figura.   

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Vírus X Sexo: a verdadeira sacanagem...

Na capa da Vogue Portugal, o beijo em tempo de coronavírus. 

por Clara S. Britto  

A galera que defende a castidade ganhou mais um argumento: a Covid-19. Quando surgiu a Aids, também foi registrado um aumento da turma que resolveu fechar a loja. 
Acho que esses vírus são moralistas e seria bom investigar se não são bolsões religiosos antissexo que estão fabricando o bicho em laboratório nos porões das igrejas. 
O HIV levou ao sexo com camisinha; o coronavírus obriga o beijo com máscara. 
Acabou a brincadeira? Vai sobrar só a videochamada? 
A capa da Vogue, foto de Branislav Simoncik, é bonita, mas triste. 

Juan Carlos: o "Queiroz" espanhol

por José Bálsamo
"Vou ali e já volto". O ex-rei da Espanha deu um perdido na justiça. Virou uma espécie de Queiroz galego. Especula-se que está na República Dominicana, mas esse não é seu destino final. Deve ir para Portugal. 
O pinote do ex-rei deve-se à acusação de ter recebido um mega propina em transações com a Arábia Saudita. Os jornais o chamam de "rei emérito".  Emérito o cacete. Um dos significados da palavra é "prestigiado", o que não é o caso do sujeito no momento. Rei Demérito deverá ser o apelido com o qual entrará para a história diante de tantas evidências do jabaculê real.

A família real da Espanha, que tem outros integrantes enrolados com a lei, foi retrofitada pelo ditador fascista Francisco Franco. É uma das heranças da sua cruel e longa temporada no comando do país.

 Juan Carlos I foge de graves denúncias de corrupção. Em 2014, ele renunciou ao trono já por conta de transações suspeitas. Recentemente, foram descobertas em contas secretas na Suíça, coisa de quase 70 milhões de euros vindos das Arábias.  

O Queiroz espanhol em versão euros dificilmente irá em cana. Só se os investigadores encontrarem crime cometido após a renúncia. Um dispositivo primitivo, que chega a ser até uma ofensa aos cidadãos honestos e não monarquistas, deu imunidade ao rei enquanto no trono, quando as tramoias aconteceram..  

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Elon Musk, da Space X, privatizou os voos espaciais. Mas o Dr. No chegou antes



Dr. No, o primeiro empresário do espaço

Em "Com 007 Só Se vive duas Vezes", de 1967, o sequestro de uma nave espacial. 

por Ed Sá 
Ontem, uma nave privada, a SpaceX Crew Dragon, que havia decolado para a Estação Espacial Internacional em 30 de maio, concluiu sua missão e trouxe de volta à Terra os astronautas Doug Hurley e Bob Behnken. Em 2018, uma nave também privada, da Virgin Galatic, realizou um curto voo espacial tripulado, mas sem a complexidade da tarefa da Dragon que transportou pela primeira vez astronautas da Nasa. 

O feito foi saudado como a efetiva privatização da atividade espacial. OK, mas o polêmico Elon Musk, o dono da Tesla e da Dragon, não é primeiro empresário espacial. 

O cinema chegou antes. 

Nos filmes do 007, a Spectre, uma organização privada, operava foguetes de satélites sofisticados. E no primeiro filme da série, "O Satânico Dr. No", o agente da Sua Majestade impedia a interceptação de naves lançadas do Cabo Canaveral. O Dr. Julius No atuava no lado escuro da lei mas era um cientista que comandava um grande complexo espacial. Já a Spectre (sigla em inglês Special Executive for Counter-Intelligence, Terrorism, Revenge and Extortion) instigava a Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética e usava tecnologia espacial, como uma rede de satélites, com o objetivo de dominar o mundo.

Cadê o repórter que estava aqui? Virou comentarista

As milícias fascistas atacam o  ativista digital Felipe Neto. Até com ameaças e ações agressivas, que mais parecem de ensaio terrorista, em frente à casa dele. 

O lado bom é que as mensagens e atitudes solidárias que ele recebe dos democratas superam em muito a atuação dos robôs da bandidagem. A mídia conservadora abriu espaço para Felipe Neto se posicionar contra a ofensiva miliciana. Em várias intervenções, como em debate no Globo News, Neto chamou a atenção para uma ameaça que vai além do caso pessoal: a democracia que está em risco. 

Ou ter o Ministério da Justiça montado uma "polícia política" que produz dossiês sobre opositores do governo não é um ataque aos valores democráticos?  Ter um Planalto um ativo gabinete do ódio que planta fake news nas redes sociais e orquestra perseguições não é uma estratégia fascista? 

Quem descobriu a farsa da "polícia política" do Ministério da Justiça foi o repórter Rubens Valente, do Portal UOL, em furo jornalístico espetacular. O jornalismo investigativo faz falta na chamada grande mídia, especialmente na Globo News. A nova CNN Brasil também é carente nesse item, mas se trata de um canal que demonstra maior alinhamento com o governo. A Globo News privilegia a informação política e econômica nesse trágico momento do país, mas também se limita a praticar um jornalismo declaratório, a cansativa e passiva fórmula de ouvir autoridades sobre as mais graves atitudes dos representantes dos governo nas mais diversas áreas sem contestá-las diretamente ou investigar os fatos em questão e em campo. A crítica quando vem vem fria, através de "análise" monocórdica de comentaristas, aliás, um monte deles. Falta gastar a sola do sapato, falta descer do salto alto, falta vencer a acomodação frente às notas oficiais, às coletivas realizadas em protocolo controlado onde só as autoridades falam. Falta investigar. Só assim nascem matérias relevantes como a do repórter do UOL

Mas o nervo exposto da Globo News e da CNN Brasil que Felipe Neto tocou foi outro. Foi a prática enganosa de ouvir o "outro lado" mesmo quando o "outro lado" é notório produtor de fake news. Essas figuras são convidadas a "debater" nesses canais. Geralmente "debatem" sem contestação. Ou seja, o "debate" serve apenas para validar posições escabrosas. Felipe Neto citou, como exemplo, a frequência com que esses canais recebem o deputado Osmar Terra, notório negacionista da Covid-19. Colocar microfone e câmera à disposição dessa figura só favorece a onda de desinformação que custa vidas no meio dessa tragédia. Há muitos outros exemplos. Até Ricardo Salles quando vai a esses canais passa a imagem de ambientalista, só falta mostrar a carteirinha do Greenpeace. E o Neto ainda ensinou que ao dar espaço aos criadores de fake news e validá-los os meios de comunicação impulsionam os algoritmos que espalham as...  fake news.

Curiosamente, talvez por força do hábito, os comentarista da Globo News também não contestaram as afirmações de Felipe Neto.   

A direita sempre teve espaço na mídia conservadora. Não se trata de ignorá-la. Lá atrás, na ditadura, Roberto Campos, Mário Henrique Simonsen, Delfim Neto, ACM etc eram tão habituais na TV quanto Chacrinha e Chico Anysio. Depois da redemocratização, Sarney deixou governo mas não saiu da mídia, Moreira Franco idem, o mesmo vale para tantos outros representantes mais recentes da direita. O que a mídia favorece agora são os próceres fascistóides a pretexto de "ouvir o outro lado". Na maioria das vezes, esse "outro lado" é a lama, basta ir às redes sociais dessas figuras. Se é obrigatório dar-lhes palco que pelo menos tenham seus discursos contestados por fatos incontestáveis que os bons repórteres, e não os comentaristas, investigam. Imaginem o Washington Post apurando o caso Watergate só com fontes oficiais, sem o Deep Throat. Pois é. Nixon nem teria cancelado sua assinatura do jornal, nem mudado o endereço de entrega: o CEP da Casa Branca, mais precisamente no Salão Oval.  Ou convidem representantes de uma direita menos calhorda. Deve haver por aí.  E não vale dizer que são contra  "veto". Há muitos nomes identificados com a esquerda que não têm acesso a esses canais. 

domingo, 2 de agosto de 2020

Na Folha de São Paulo: liberdade para o vírus...

Reprodução Folha de São Paulo.

Sociólogo e dublê de jornalista, Demétrio Magnoli é uma espécie de Bolsonaro ilustrado. Pelo menos em matéria de Covid-19. Ainda em março, quando a epidemia começava a desembarcar no Brasil, ele levava o liberalismo ao extremo e defendia que cada cidadão fosse livre para resolver se faria o isolamento social ou não. Quando os casos explodiram e as mortes idem, tornou-se menos explícito, mas a fagulha bozoroca jamais se apagou. É o que o sociólogo deixou claro em artigo na Folha, no último dia 31. O sujeito critica "professores recalcitrantes" por não voltarem às aulas. Isso com o Brasil explodindo de coronavírus e batendo recordes macabros a cada dia. Como não há sentido na volta dos professores apenas às salas de aula, o articulista, por extensão, pretende que os alunos também marquem um encontro com o vírus no transporte coletivo, por exemplo, e o levem para as escolas e lares. O artigo repercutiu nas redes sociais. E a falta de sensibilidade não foi exatamente elogiada. Magnoli desconhece a realidade dos professores aqui fora. Deve ter plano de saúde, por exemplo.

sábado, 1 de agosto de 2020

As folhas mortas da edição da Manchete que não aconteceu: 20 anos, hoje

Os prints da edição da Manchete que jamais foi impressa. 

Matéria de Rubens Barrichello. 

Uma das reportagens da edição.
É quase ilegível, mas o print é datado. 1° de agosto de 2000. 20 anos hoje. 

por José Esmeraldo Gonçalves

Em 2007, Carlos Heitor Cony recordou na Folha de São Paulo o último dia da Manchete. "Na minha sala, antiga sala de JK e do dr. Albert Sabin, que a ocuparam durante anos, havia seguranças, o oficial de justiça me esperando. Um lampião mal dava para iluminar o hall de entrada, impossível retirar minhas coisas pessoais".

Naquele 1° de agosto de 2000, a Manchete vivia a sua versão jornalística da Operação Dínamo, o nome que Churchill deu à caótica retirada de Dunquerque.

Crônica do Cony na Manchete que não aconteceu...

Com os elevadores desligados, o oficial de justiça se dispôs a iluminar o caminho do Cony nas  escadas até o térreo. Duvido que, naquele momento, o amigo lembrasse da crônica que entregara à redação no dia anterior. Cony publicou dezenas de livros e milhares de crônicas que viram a luz das livrarias e das bancas de jornais e revistas, mas aquela última, escrita para a Manchete, na penumbra do fim, estava destinada a ficar sem destino.

J.A. Barros, o diretor de Arte que paginou aquela edição, a chamou, em post recente neste blog, de "Manchete fantasma". As páginas foram montadas e finalizadas, mas jamais impressas. Barros já especulou que a Manchete que não existiu repousa em paz no HD de um computador qualquer lacrado naquele dia e leiloado depois como um item do que se tornaria a sucata lacrada pela justiça.

Perdeu-se por aí.

Pois aquela edição, a que não existiu, se recusou a morrer: deixou os prints que aqui, 20 anos depois, são exumados.

Por algum motivo, Cony, que normalmente fazia na revista crônica dos fatos, entregou à redação, na véspera da falência, um conto sobre um sujeito que ouvia As Time Goes By em uma noite de solidão.

"No matter what the future brings/As time goes by", diz um dos versos da canção de Herman Hupfeld.

Na língua de Camões, ou de Jesus, o "ex-míster" do Flamengo, "não importa o que o futuro traga com o passar do tempo".

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Há 20 anos - A Manchete que não existiu

A "edição fantasma" da Manchete jamais foi para as bancas

Quando a Bloch Editores foi à falência em 1° de agosto de 2000, há 20 anos, estava nas bancas uma edição da Manchete com Reynaldo Giannechini na capa.

Mas, para quem não sabe, houve uma edição que estava quase pronta e foi atropelada por oficiais de justiça. Essa Manchete jamais veio a público. Na capa, Rubem BarricheLlo. Com o prédio da empresa, na Rua do Russell, devidamente lacrado, a edição com o piloto não largou do grid.

Leiam o depoimento de J.A.Barros, diretor de Arte da revista.

"Na verdade, esse número da revista Manchete foi fechado na madrugada de uma terça-feira. Um caderno de 32 páginas mais a capa, que no caso era a do Rubem Barrichello. Com esse caderno, o número ficava fechado com as outras 48 páginas que já se encontravam em Lucas – onde ficava o Parque Gráfico da Bloch Editores. Se este último caderno mais a capa rodou em Lucas não sei dizer, porque na manhã de terça feira, por volta das 11 horas viemos a saber na redação da revista que a Bloch Editores tinha se declarado falida. Mas, acredito que alguém tenha em seus poder, senão a prova da revista completa impressa, a gravação em um disquete, ou mais de um, com todo o conteúdo dessa edição "fantasma" e, para mim, histórica", registra J.A.Barros.

20 anos da falência da Bloch Editores - Um drama sem fim...

O relato publicado em post anterior, de Jussara Razzé, foi escrito em 2008, oito anos após a falência da Bloch. Em um trecho, a autora foi premonitória ao escrever "já saber que teria que lutar anos na justiça para receber indenizações, salários atrasados, FGTS etc".

Massas falidas são entidades que costumam ter a lentidão de um paquiderme a caminhar em um lamaçal. Gastam anos para cumprir seus objetivos, estão sujeitas a acidentes jurídicos de percurso que atrasam processos e, enquanto isso, montam um estrutura que, para se manter, vai consumindo o patrimônio da empresa falida.

Comitiva de ex-funcionários da Bloch, liderada por José Carlos, é recebida pela Juíza Maria da Penha Nobre Mauro, que aparece na foto ao lado dos saudosos Murilo Melo Filho, José Alan Leo Caruso e Arminda de Oliveira Faria, além de Zilda Ferreira, Genilda Tuppini, do então presidente do Sindicato dos Gráficos do Rio de Janeiro, Jurandir Calixto Gomes, e de Roberto Muggiati e Jileno Dias. 

Ao longo de 20 anos, os ex-funcionários da Bloch muitas vezes se reuniram em assembleia no Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, em busca dos seis direitos. Para eles, a luta continua.

Durante quatro anos a partir da falência, muitos ex-funcionários bateram portas em busca de informações sobre seus direitos. Foi um tempo de desorientação, de empurra-empurra, de desrespeito. Um desses ex-funcionários era José Carlos de Jesus, ex-chefe de reportagem da Manchete e ex-coordenador dos Cursos Bloch de Jornalismo e de Fotografia. Diante das dificuldades e da falta de informação e preocupado por saber que bens da empresa falida já eram vendidos em leilões, ele mobilizou um grupo de colegas, conseguiu uma audiência com a Juíza Maria da Penha Nobre Mauro, da 5ª Vara Empresarial, à frente da Massa Falida da Bloch Editores, para começar a entender, como credor trabalhista, o funcionamento daquele "monstro" burocrático do qual todos dependiam para receber o que a Bloch devia aos seus ex-empregados.

Havia patrimônio suficiente  para cobrir a dívida trabalhista. Mas o histórico de muitas falências, especialmente de empresas jornalísticas, é o calote puro e simples, na cara de pau. Pense em algum extinto veículo do Rio, por exemplo, e encontrará um pilha de processos inconclusos e montanhas de dívidas trabalhistas.

Daqueles primeiros encontros com autoridades da Massa Falida da Bloch, surgiu a Comissão dos Ex-Empregados da Bloch Editores. Incansável, José Carlos abriu canais de comunicação e de informação,  passou a convocar assembleias dos ex-funcionários e a acompanhar o andamento do paquiderme. A primeira vitória foi o pagamento das indenizações aos ex-funcionários então habilitados, aí por volta de 2005. Estes receberam o chamado "valor principal".  Ficou faltando a correção monetária devida. A segunda vitória foi o recebimento de uma parcela dessa correção. Nos anos seguintes, vieram mais duas parcelas. Na época, alguns advogados de renome e com vasta experiência no ramo, foram unânimes em reconhecer que sem a persistência de José Carlos e as reivindicações que encaminhava aos vários síndicos da Massa Falida, ao promotor do Ministério Publico e à juíza, tais pagamentos seriam postergados, como normalmente acontece. Aquelas vitórias foram importantes, mas infelizmente não se repetiram. Os credores trabalhistas passaram a acumular derrotas. Viram a justiça determinar que um item valioso do patrimônio da extinta Bloch - as obras de arte do Museu Manchete, que abrigava na sede da Rua do Russell a Coleção Manchete de Arte Moderna Brasileira - deveria se partilhado com os herdeiros de Adolpho Bloch, e mais, que esses herdeiros teriam o privilégio de escolher no acervo as obras mais valiosas. Os vários testemunhos que demostraram ao longo do processo que as obras de arte eram da empresa e não de pessoas físicas foram desprezados pela justiça. Outra derrota catastrófica foi a justiça desqualificar a TV Ômega como sucessora da TV Manchete. Com isso dívidas trabalhistas de ex-funcionários da Bloch que provaram trabalhar também para a TV Manchete e que haviam sido pagas inicialmente pela Õmega, compradora da TV dos Bloch, foram debitadas à Massa Falida da Bloch. E essa conta vai a milhões.

O fato é que, 20 anos depois, os ex-funcionários da Bloch ainda têm a receber. Ultimamente, José Carlos Jesus encaminhou pedidos à Massa Falida para a realização de pagamento de pelo menos mais uma parcela da correção monetária devida. Aparentemente, não foi ouvido. Isso apesar de ter até mesmo argumentado que a Covid-19 agravou a situação de muitos ex-funcionários da Bloch, o que é verdade comprovável. Uma angústia que é crescente à medida que o tempo passa e se sabe que o  patrimônio que deveria garantir tais pagamentos sofre o risco permanente de ser consumido pela burocracia e por decisões judiciais como as exemplificadas acima.

ATUALIZAÇÃO em 01~8-2020 . Em mensagem enviada ao blog, José Carlos Jesus, presidente da Comissão dos Ex-Empregados da Bloch Editores e há quase 20 anos mobilizando os demais credores trabalhistas da extinta empresa, pede que seja registrado o justo reconhecimento pelas atuações da Juíza Maria da Penha Nobre Mauro e do ex-Promotor e hoje Desembargador Luiz Roldão de Freitas. À primeira, que permanece à frente da Massa Falida da Bloch Editores, e o segundo, que teve atuação no processo como representante do Ministério Público, Pela integridade, pela visão humana da lei, pelo respeito com que tratam e trataram os ex-empregados da Bloch, ele reitera que só tem a agradecer.

Agosto, 2000 - E a Manchete faliu - 20 anos depois, um relato de quem esteve no olho do furacão

por Jussara Razzé (*)
Às vésperas da falência da Bloch, o Departamento Jurídico era, por motivos óbvios, o centro nervoso da empresa. Tensão, decepção, preocupação quanto ao futuro de todos e de cada um eram as sensações que nos acompanhavam de dia e nos tiravam o sono à noite.

Em 1993, eu já vivera de perto uma prévia desse drama. Era, então, secretária de Adolpho Bloch durante o período de retomada da Rede Manchete após uma das vendas fracassadas. Naquela ocasião, o futuro da empresa parecia comprometido, mas nada se comparava com aqueles últimos meses de sobrevida, às vésperas de agosto de 2000. Era como se um trem, sem freio, descesse uma montanha para um descarrilamento anunciado. Cobranças se sucediam, rolavam centenas de ações na Justiça, dívidas que se acumulavam, processos trabalhistas, impostos e tributos em
atraso crônico.

Seria exagero dizer que oficiais de Justiça faziam fila na porta do Russell, mas que eram figurinhas fáceis, cotidianas e insistentes na recepção do prédio lá isso eram. Conhecíamos todos eles pelo nome, tal a freqüência das visitas. No centro do furacão, eu e meus colegas do departamento, que sabíamos da gravidade da situação muito mais do que a grande maioria dos funcionários, precisávamos de um jogo de cintura extra. Fora das salas do jurídico, todos, claro, tinham noção de que a vaca estava indo para o brejo. O que sequer imaginavam é que o brejo estava logo ali.

Quem trabalhava naquela “sala da crise”, tal como o cinema conta que existe na Casa Branca, vivia uma situação desagradável. Era natural que mantivéssemos sigilo em torno de uma rotina que envolvia procedimentos legais, mas ao mesmo tempo ficávamos embaraçados diante das perguntas dos colegas. No meu caso, se já estava aflita com a perspectiva próxima de perder o emprego e de já saber que teria que lutar anos na justiça para receber indenizações,salários atrasados, FGTS etc, a angústia aumentava ao ver nos olhos dos funcionários que pediam informações certo desejo de ouvir uma notícia boa em meio àquele caos. Algo que lhes desse um mínimo de esperança. No fundo, eu sabia que não era esperança o que almejavam, e sim um milagre.

Quando o desastre já parecia mais próximo, até o bate-papo depois do expediente no bar do seu Manoel, que anos antes ganhou o apelido de Color Bar - em alusão às barras cromáticas que orientam ajustes de cores no início das transmissões de TV- mesmo regado a chope, já não era tão animado quanto antes. Lá, normalmente, jogava-se conversa fora. Na reta final, cada um de nós, em função dos problemas dos últimos meses quando fora instituído o precário pagamento através de vales, já com aperto financeiro, começava a fazer planos e contatos para dar a partida na difícil tarefa de tentar procurar emprego em um mercado a cada dia mais restrito.

Nas últimas semanas, quando cruzava os corredores da Bloch ainda movimentados e com a agitação característica das revistas, como se fosse um Titanic onde a orquestra tocava a poucos metros do iceberg, eu não podia deixar de pensar que a qualquer momento luzes se apagariam, elevadores seriam desligados, mesas e corações esvaziados. Ao solicitar a autofalência, a empresa alegou textualmente em correspondência enviada à Justiça que as dificuldades surgiram no início dos anos 1990 “quando começaram a repercutir no meio empresarial brasileiro os graves problemas advindos de cinco planos econômicos, cinco moedas diferentes e de uma inflação que chegou a 89% mensais”. (...) “Com o alto custo das operações, o universo empresarial brasileiro precisou recorrer ao sistema bancário, uns mais outros menos, dentro da normalidade tradicional do mercado. Assim, em 1991, a Rede Manchete de Televisão Ltda. obtivera um empréstimo de 3 milhões de dólares no Banco do
Brasil. Por exigência da diretoria do banco, a transação teve Bloch Editores S.A. como avalista” (...). “Foi o início do perverso processo que levaria a empresa a enfrentar a situação em que agora se encontra. Não se tratava de uma dificuldade de Bloch Editores S.A., mas da TV Manchete Ltda., o que levou Adolpho Bloch a vendê-la no ano seguinte”, sugere o documento, que aponta, mais adiante, outras dificuldades extremas como conseqüência de uma das tentativas de venda da Rede Manchete, transação que acabou cancelada pela justiça levando a TV a ser devolvida à Bloch com novas dívidas e compromissos não cumpridos, e da explosão dos juros sobre os empréstimos e dívidas como mais um subproduto das mal-sucedidas operações de transferência dos ativos e passivos da TV. A tempestade que atingiu a TV finalmente arrastou a Bloch. A carta enviada à Justiça referia-se, ainda, às duas mil famílias vinculadas à editora. De resto, as grandes vítimas de todo esse imbróglio.

No Departamento Fotográfico,
os sinais do naufrágio da Bloch. 
No último dia, caminhando em direção ao elevador, pela derradeira vez, em meio a colegas que se apressavam em retirar objetos pessoais antes que o lacre da lei nas portas tornasse a falência uma cruel realidade, pensei na vida que passei lá dentro. Foram dezesseis anos na editora, em vários setores. Meu primeiro contato com a Bloch Editores deu-se em 1983, quando trabalhava no Departamento Pessoal do Ilha Porchat Club, em São Vicente, São Paulo. O clube era um dos vários locais no país que, em parceria com uma das publicações da editora, a revista Carinho, promovia todo ano o Concurso Garota Carinho, destinado a escolher jovens aspirantes a modelo, interessadas em sair na capa da revista que já tinha lançado para a fama ninguém menos do que Xuxa.

Além desse evento, o clube realizava, entre outros, um baile pré-carnavalesco, chamado Uma Noite Nos Mares do Sul, que recebia das revistas Manchete e Fatos&Fotos uma ampla cobertura. Por conta dessa parceria tradicional o presidente do clube, Odárcio Ducci tinha ótima relação com alguns diretores da Bloch, entre os quais o jornalista José Rodolpho Câmara. Quando pedi demissão e informei que iria morar no Rio, Odárcio imediatamente me recomendou, por meio de uma caprichadíssima carta de referência, à diretora da revista Carinho, Marília Campos. Assim teve início, em maio de 1984, minha relação com a empresa onde trabalhei durante dezesseis anos: até o seu final, com a decretação da falência em agosto de 2000, e mais dois anos trabalhando para a massa falida, junto com um grupo de jornalistas que conseguiu, com autorização judicial, continuar editando algumas das revistas do grupo, como Manchete, Pais&Filhos, Ele&Ela e outras.

Curiosamente, ao lado de colegas que trabalharam na extinta editora, ainda mantive um vínculo com a revista Manchete. Em 2002, o empresário Marcos Dvoskin arrematou em leilão vários títulos de revistas da Bloch, entre os quais o da Manchete. Dvoskin resolveu lançar uma edição especial com a cobertura do carnaval, apostando em um público que durante anos se acostumou a ver na revista uma excepcional cobertura da folia. Para isso, por meio do editor Lincoln Martins, arregimentou um grupo de ex-funcionários da Bloch, entre repórteres, fotógrafos e coordenadores acostumados àquele trabalho. Entre 2002 e 2006, botamos o bloco da Manchete na avenida, tal como nos velhos tempos. Uma das compensações pelo árduo trabalho foi descobrir que a revista permanecia na memória afetiva de muita gente. Não eram poucos os que nos cumprimentavam e incentivavam. E aquelas edições especiais eram as primeiras a chegar às bancas, sempre na Quarta-Feira de Cinzas.

Uma vez por ano, Manchete voltava a brilhar, como uma alegoria do passado, em um campo onde já fora imbatível: sob o ritmo e as luzes do Sambódromo carioca.




(*) Relato publicado no livro "Aconteceu na Manchete, as histórias que ninguém contou" (Desiderata) lançado em 2008. 
Vinte anos depois da falência, a maioria dos ex-funcionários da Bloch ainda luta junto à Massa Falida da Bloch Editores para receber a correção monetária devida nas suas indenizações, enquanto outros ainda aguardam a conclusão dos seus processos. 

domingo, 26 de julho de 2020

Nudez misteriosa nas ruas de Portland e... na Globo News

Foto de Dave Killien/The Oregon. 

por Ed Sá

Os protestos contra o racismo que agitam os Estados Unidos ganharam um motivação extra. Em meio à violência crescente da repressão ordenada por Donald Trump, que enviou tropas federais para agredir manifestantes, há um momento de calma. É quando aparece a "mulher misteriosa", como a mídia chama, que silencia as ruas, por alguns segundos, com sua nudez. Registre-se que em Portland em todo o Oregon, a nudez é uma forma de expressão protegida por lei. Daí, a polícia limita-se a observar.

Reprodução You Tube
A "mulher misteriosa" apareceu até na Globo News, sem tarjas ou recursos digitais moralistas. Mas foi sem querer.  Na última quinta-feira, a apresentadora Leila Sterenberg anunciou uma entrevista ao vivo com o diretor da Organização Mundial da Saúde, Myke Ryan, mas o que entrou no ar foi a peladona de Portland. O vacilo da Globo News também viralizou no twitter. (https://twitter.com/excentricko/status/1286407664461918210)

A foto acima, de Dave Killen, fotógrafo do The Oregonian e OregonLive, viralizou no mundo. Segundo Killien, ela apareceu de repente e adiantou-se rumo à linha de policiais. Usava apenas uma m[ascara. Fez alguns passos de balé, antes de se sentar no asfalto. A polícia parecia inicialmente surpresa, mas logo lançou gás de pimenta na direção da manifestante. Após a performance, ela sumiu. Alguém a chamou de "Naked Athena".

Veja a matéria em The Oregon, AQUI

Obra de Niemeyer, a torre da extinta TV Manchete, em Olinda, está abandonada

Criação de Oscar Niemeyer, a torre da antiga TV Manchete, em Olinda (PE). ReproduçãoYou Tube

Primeira obra do arquiteto Oscar Niemeyer em Pernambuco, a torre da Rede Manchete está abandonada, pichada e depredada, apesar de estar em curso um processo de tombamento na Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe).

O terreno, que pertence à massa falida da TV Manchete, virou a Ocupação Manchete, que abriga 200 famílias. Segundo matéria no Diário de Pernambuco, são duas construções: a torre e um prédio térreo, que abrigava estúdio, redação e ambientes administrativos.

O mirante da torre. Reprodução Diário de Pernambuco

"Sem telhas ou coberturas, o prédio térreo, dividido entre várias famílias, padece com goteiras e cheiro de mofo. A situação precária se repete nas outras construções irregulares do espaço - algumas são mais estruturadas, de alvenaria, enquanto outras são de madeira e lona plástica. A torre, de 83 metros de altura, não foi mexida pelos ocupantes do terreno, que se esforçam, na medida do possível, para preservá-la. Na base do imóvel há mato e entulho acumulados. A pichação está por todos os cantos. As instalações elétricas e hidráulicas, assim como resquícios da Manchete e da RedeTV, se não estão destruídos, foram furtados por vândalos. Está intacta escadaria de acesso à cúpula, que lembra um disco voador. Mas o ambiente é escuro e nos mais de 30 lances de escada se vê de tudo jogado pelos cantos - como restos de comida e lixo", diz a matéria.

A RedeTV chegou a usar as instalações alugadas à massa falida da TV Manchete, mas em 2017, com o fim da transmissão analógica, deixou o local.

Carlos Heitor Cony escreveu... Cadaverbrás, a nova concessionária federal


Uma crônica de Carlos Heitor Cony escrita para o  Correio da Manhã nos anos 1960 circula na internet. As redes sociais, com razão, consideram-na atualíssima. Cony sequer imaginava que o Brasil, pouco mais de dois anos após seu falecimento, viveria essa tragédia política, econômica, moral, social e... mortal.

A Covid-19 atingiu o mundo inteiro, mas só aqui foi recebida pelo governo federal, a quem cabia coordenar o combate ao vírus, com cinismo, desprezo e crueldade. Somos o único país onde as autoridades maiores fizeram até campanha para combater não o vírus mas o isolamento social recomendado. O único país onde sobrou até verba no Ministério da Saúde, tão inoperante é. O único país que não deverá ter uma segunda onda da doença simplesmente porque ameaça ficar em uma interminável primeira onda. O único país que ao quinto mês da chegada no vírus ainda está em curva ascendente. O único país que criou um jargão idiotae irreal para as estatísticas de contaminação e mortes: o platô. E alguns estados até comemoram isso. Platô é o c******, é a estabilização no caos. Festejá-lo, em vez de buscar a curva descendente, é a incompetência confessada.

Nesse ritmo, o Brasil caminha acelerado para superar os Estados Unidos em todas as modalidades de estatísticas da Covid-19.

O Rio de Janeiro é um triste exemplo. A morte vai à praia. Bastou ensaiar o tal platô para a cidade entrar em liberou geral. Os resultado já aparece: a turma alegre que desfila sem máscaras conseguiu o que queria: o aumento do número de mortes nos grupos de risco.

O governo federal já pode criar a concessionária sugerida pelo Cony: a Cadaverbrás.

Não se pode mais alegar que Bolsonaro e Paulo Guedes não criam empregos. Há vagas para coveiros, marceneiros, motoristas de rabecão...

sábado, 25 de julho de 2020

Neymar e Mbappé: respeito...

Reprodução Folha de São Paulo
por Niko Bolontrin 

Ontem, pouco antes do jogo PSG X Saint Étienne, no Stade de France, Macron entrou em campo para cumprimentar os jogadores. Diante do presidente, Neymar e Mbappé repetiram uma postura comum dos jogadores quando são repreendidos pelo árbitros. Mãos para trás. Só que esse comportamento dos jogadores é defensivo e serve para evitar que o árbitro interprete algum movimento de mão como tentativa de agressão. Não era o caso, foi por força de hábito.
Macron, aliás, deu sorte a Neymar que fez o gol do título do PSG na final da Copa da França. Já Mbappé não pode dizer o mesmo: o craque francês torceu o tornozelo ao sofrer uma entrada violenta do Perrin.

segunda-feira, 20 de julho de 2020

Ligue sempre a câmera do celular que o Brasil é o país dos panacas

Para deixar de ser um país do Terceiro Mundo - que voltamos a ser - o Brasil teria que acabar com a prática da carteirada, entre outras excrescências elitistas.

"Cidadão, não, engenheiro", "um analfabeto aqui", "você sabe com quem está se metendo"?, é o modus operandi dos panacas quando flagrados em desafio arrogante às leis.

Arrogantes porque se julgam acima do resto da humanidade. Resto é a palavra certa. Para esses anormais, que com frequência vivem do caixa público, somos contribuintes, mas somos o resto.

Esses elementos enxergam cargos e diplomas como se fossem títulos de nobreza. São "valentes" quando estão nos seus ambientes - Leblon, orla de Santos etc- e agridem funcionários públicos.

A câmera do celular chegou para expor esses otários preconceituosos.

terça-feira, 14 de julho de 2020

A última vez que vi Sirkis (1950-2020) • Por Roberto Muggiati

Alfredo Sirkis e Cohn-Bendit, no Rio



Cronologicamente, a última vez que vi Alfredo Sirkis foi no relançamento de Os Carbonários na Livraria da Travessa do Leblon, em agosto de 2014, com a presença de Daniel Cohn-Bendit, o lendário Danny-le-Rouge de maio de 68.

Mas eu vi melhor Sirkis e conversei mais com ele em novembro de 2013, quando deu uma palestra no Centro Cultural Baukurs, em Botafogo, e autografou seu livro. Falamos sobre nossos caminhos cruzados nos Anos de Chumbo. Sirkis fez 18 anos em 8 de dezembro de 1968, No dia seguinte, uma segunda-feira, lancei em São Paulo meu primeiro livro, Mao e a China. Na sexta-feira, 13 de dezembro, foi assinado o AI-5, que acabava com a liberdade política e a liberdade de expressão no país. Sirkis partiu para a luta armada com o codinome de Felipe na VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), liderada pelo guerrilheiro Carlos Lamarca. Participou do sequestro dos embaixadores da Alemanha em 1970 e da Suíça em 1971. Com o esvaziamento da guerrilha, Sirkis exilou-se no Chile, com o aval de Lamarca, que seria fuzilado em setembro daquele ano no sertão baiano. Mao e a China foi o último livro que Lamarca leu, fato revelado pelos jornais na cobertura de sua morte, com base na sua correspondência com a companheira Iara Iavelberg, ela mesma morta num “suicídio” por enforcamento forjado num cárcere baiano.

Apesar da minha participação ideológica aberta contra a ditadura, nunca vieram bater à minha porta.
Longe de mim reclamar. Restou-me escrever um autoperfil, O homem invisível dos Anos de Chumbo. Ao mesmo tempo, tenho uma profunda admiração por aqueles que foram à luta, foi uma história triste mas também bonita, nada a resume melhor do que a epígrafe de Alex Polari para Os Carbonários:
“Nossa geração teve pouco tempo
começou pelo fim
mas foi bela a nossa procura
ah! moça, como foi bela a nossa procura
mesmo com tanta ilusão perdida
quebrada,
mesmo com tanto caco de sonho
onde até hoje
a gente se corta.”

As pombas do Adolpho • Por Roberto Muggiati

"Pombas" -Desenho de Adolpho Bloch/ Arquivo Pessoal de Roberto Muggiati

Adolpho Bloch era autoritário, tirânico, perverso até. Afinal, comandava um império, tinha de se mostrar forte. Mas, em raríssimos momentos, baixava a guarda e mostrava a criança inocente que nunca deixou de ser. Colecionei alguns destes momentos na minha longa convivência de trinta anos com ele, de novembro de 1965 a novembro de 1995.

Remexendo velhos papeis nesta contingência covidiana, encontrei um desenho feito pelo Adolpho – duas pombas, como só ele sabia desenhar – com caneta Pilot naquela pequena folha em que o diretor da revista esboçava a diagramação para o chefe de arte. Jocosamente, assinou Adolpho Dias, um dos muitos cacófatos a que se prestava seu nome. (Não seria louco de deixar uma assinatura Adolpho Bloch solta pelo mundo...)

Isso deve ter acontecido naqueles poucos momentos descontraídos em que Adolpho se sentava diante da grande mesa em L da Manchete para jogar conversa fora com o editor e os redatores. Antes da entrada em cena da Rede Manchete. A televisão, o sonho dourado dos Bloch, não demorou a se transformar num grande pesadelo.

Outro momento raro em que Adolpho abriu a alma ele o fez só para mim. Já debilitado pela idade e pela doença, pediu-me que lhe desse o braço para descer aquela escadaria assassina, sem corrimão, do restaurante do 12º andar até o elevador. A TV tinha estreado com grande expectativa a novela Tocaia Grande, inspirada no romance de Jorge Amado. Não deu em nada. No meio dos degraus, Adolpho parou e disse: – Muggiati, estou fodido. Você não ia querer a minha vida, estou fodido!

Tocaia Grande estreou em 16 de outubro de 1995. Um mês depois, na madrugada de 19 de novembro, um domingo, Adolpho Bloch morria num hospital de São Paulo.

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Fotomemória: José-Itamar de Freitas (1934-2020) na redação da Fatos & Fotos, na Frei Caneca...

Aos 85 anos, o jornalista José-Itamar de Freitas, que dirigiu o Fantástico durante 16 anos, foi mais uma vítima da Covid-19. Zé Itamar fez história como diretor da Fatos & Fotos. Foi na semanal da Bloch que ele conquistou um Prêmio Esso, em 1965, com a série de reportagens "os Filhos Proibidos".
Aqui homenageamos o colega em forma de fotomemória; duas raras imagens feitas quando a Bloch ainda estava na rua FreiCaneca, ao lado de um timaço de jornalistas.


Na redação: Cordeiro de Oliveira, Nilo Martins, Orlandinho Abruonhosa, Nelio Horta, Laerte Morais Gomes, Leo Schlafman, Paulo Henrique Amorim, Hedyl Valle, Robertinho (barbeiro). Na mesa: José-Itamar de Freitas e Ney Bianchi. Foto: Arquivo Pessoal Nélio Horta

Leo Schlafman, Jaquito, Arnaldo Niskeir, Nilo Martins, Pilha, Claudio Mello e Souza, Macedo Miranda, José-Itamar de Freitas, Evaldo, Ney Bianchi , Ezio Speranza e Laerte Gomes. Foto: Arquivo Pessoal Nélio Horta

À direita, volver. Empresário bolsonarista é o novo dono do concurso Miss Brasil

Reprodução FSP

por O.V.Pochê

Concursos de miss entraram em decadência já há alguns anos. Perderam a forte repercussão em mídia que ostentavam no passado, mas resistem em alguns países. Nos Estados Unidos, focalizam o público latino. Não por acaso têm a cara brega de Miami. Também não por acaso, a marca Miss Universo já pertenceu ao igualmente cafona Donald Trump (ele vendeu os direitos em 2014). .
A Folha de hoje noticia que um empresário bolsonarista Winston Ling é o novo dono do concurso Miss Brasil. Ele quer que miss tenha "perfil empreendedor". Neoliberal, o novo patrão das misses deve impor inovações ao concurso. A matéria não entra em detalhes. Não sabe se o traje típico com a foto de Bolsonaro será adotado. Se criticar o isolamento e se rebelar contra o uso de ´mascaras será requisito.  Se defender armas para todos valerá pontos. Nem se o verde e amarelo será obrigatório.
O que está confirmado é que não haverá um grande evento, em função da pandemia, e a Miss Brasil será indicada por um júri.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

Andando em má companhia: jornalismo de mercado perde mais um "idolo"

por Flávio Sépia

Você certamente já viu o painel "Impostômetro" bancado pela elite empresarial paulista e muito badalado pelos oligarcas da mídia. Só seria verdadeiro se ao lado aparecessem os números do "Sonegômetro".

Nesse tipo de crime, o Brasil está entre os primeiros no mundo. E também é o que dá mais moleza. Tem empresário que sonegou, fez acordo, e hoje paga o imposto surrupiado em módicas prestações que vão se arrastar por até 50 anos ou mais. Já o assalariado não tem acesso ao maravilhoso mundo da sonegação: seu imposto é descontado na fonte.

Os jornalistas neoliberais, que exaltam o "mercado", têm uma especie de carência por certos empresários de "sucesso". De tempos em tempos elegem um "herói" corporativo e babam na gravata do sujeito.

Há dezenas de exemplos.

Para ficar em um dos mais recentes, Eike Batista foi um notório ídolo desse pessoal. O homem era capa de revista, era paparicado por colunistas, era o C.E.O pop dos jornais e revistas.

Marcelo Odebrecht foi outro. Era o "príncipe" baiano. Deu no que deu.

O empresário Ricardo Nunes virou notícia ontem. Foi preso acusado de sonegação e lavagem de dinheiro. Basta ir ao Google para ver como o sujeito foi idolatrado. Um "gênio" dos negócios. Lendo algumas dessas matérias antigas você sai com a impressão de que com uns 20 caras como o criador da Ricardo Eletro o Brasil poria a China e os Estados Unidos de joelhos.

Pois é.

Mas não se preocupe, a mídia não sentirá muita falta do seu "idolo" caído. Em breve, outros tycoons à brasileira surgirão e farão sucesso nas editorias de economia até que seus livros contábeis virem prontuários policiais.

Que tal, pra variar, eleger como heróis os empresários honestos?

Ele existem.

terça-feira, 7 de julho de 2020

Em live da Mosaico Imagem, o fotógrafo Orestes Locatel, ex-Manchete, fala sobre suas fotos e trajetória profissional

Orestes Locatel. Foto: Reprodução
da live da Mosaico Imagem/Instagram
A Mosaico Imagem, agência de fotografia de Vitória (ES), tem feito lives com fotógrafos que narram bastidores de coberturas e contam histórias por trás de fotos marcantes.
Um dos entrevistados para a série História da Foto foi o fotojornalista Orestes Locatel, com importante trajetória na revista Manchete.
A Mosaico Imagem, fundada pelos fotógrafos Tadeu Bianconi e Gabriel Lordêllo,  atende a veículos como Veja, Istó É, Época, Exame, Super Intressante, Galileu, Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, UOL, Valor Econômico e O Globo e também presta serviços aos mercados publicitário, industrial e corporativo.
Veja o depoimento de Orestes Locatel AQUI

Por um punhado de samba, o histórico encontro musical de Ennio Morricone e Chico Buarque


Um registro histórico mostra a parceria de Ennio Morricone e Chico Buarque de Hollanda.

Ameaçado pela ditadura militar, o brasileira refugiou-se na Itália, em 1970. Por uma virtuosa coincidência, instalou-se nos arredores de Roma e tinha como vizinho o maestro.

Do encontro nasceu o álbum Per um Pugno de Samba (Por um Punhado de Samba), com Chico cantando em italiano com arranjos de Ennio Morricone

OUÇA AQUI

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Ennio Morricone, indimenticabili

Reprodução You Tube
1 Oscar.
E mais 1 Oscar Honorário.
4 Globos de Ouro.
1 Leão de Ouro
500 trilhas sonoras.
70 milhões de discos vendidos.
Bafta, David Donatello, Grammy...

Na estante de Ennio Morricone, as tantas estatuetas aglomeradas não praticavam o distanciamento social.
O maestro, arranjador e compositor italiano é um desses personagens que o mundo não esquecerá mesmo que faça um enorme esforço. Mesmo se um dia as salas de cinema forem história, como o Paradiso, o streaming  projetará sua obra através dos tempos. Sua música será ouvida até por quem ainda não nasceu.

O diretor Quentin Tarantino fez recentemente uma revelação curiosa sobre o modo Morricone de trabalhar. Segundo ele, o maestro compôs a trilha sonora de "Os Oito Odiados", com a qual ganhou o Oscar em 2016, apenas lendo o script. "Sem indicar cenas específicas, compôs para a atmosfera do filme", admirou-se o diretor.

Morricone morreu hoje, em Roma, aos 91 anos, vítima de complicações após uma queda. Ele escreveu seu próprio obituário.

"Ennio Morricone está morto. Anuncio a todos os amigos que sempre estiveram próximos de mim e também aos que estão um pouco distantes e os saúdo com muito carinho.

Impossível nomear a todos. Mas uma lembrança especial vai para Peppuccio e Roberta, amigos fraternos muito presentes nos últimos anos de nossa vida. Há apenas uma razão que me leva a cumprimentar todos assim e a ter um funeral privado: não quero incomodá-los.

Saúdo calorosamente Inês, Laura, Sara, Enzo e Norbert por terem compartilhado grande parte da minha vida comigo e com minha família. Quero lembrar com carinho as minhas irmãs Adriana, Maria, Franca e seus entes queridos e que elas saibam o quanto eu as amava.

Uma saudação completa, intensa e profunda aos meus filhos Marco, Alessandra, Andrea, Giovanni, minha nora Monica e aos meus netos Francesca, Valentina, Francesco e Luca. Espero que eles entendam o quanto eu os amava.

Por último mas não menos importante (Maria). Renovo a você o extraordinário amor que nos uniu e que lamento abandonar. Para você, o adeus mais doloroso."

 OUÇA ALGUNS SUCESSOS DA ENNIO MORRICONE AQUI


quarta-feira, 1 de julho de 2020

Data Panis - Iza na quarentena - Essa ´é a foto que está quebrando a internet nesse momento...

Reprodução Instagram

É castigo? Ou o cramulhão está no controle?

por O.V. Pochê 

Thomas Mann, Dostoiévski, Guimarães Rosa, Oscar Wilde e, claro, o Fausto, de Goethe, que deu origem à série. A literatura é pródiga em tramas de pacto com o diabo.

A política também.

A tradição conta que fazer acordo com o tinhoso não é difícil. Mas o freguês se complica se não pagar o prometido. E político não é exatamente a espécie humana que cumpre compromissos.

Aparentemente, o Brasil tem um político no topo da burocracia que trocou o poder por um trapo de alma e não pagou a fatura ao anjo das trevas. Se pagou, foi ludibriado. Ou a pátria amada não estaria sofrendo uma sucessão de pragas desde o ano passado. A maioria resultando em mortes.
* Grandes queimadas na Amazônia, em proporção jamais vistas.
* Derramamento de óleo nas praias, também em volumes inéditos e até hoje sem origem esclarecida.
* Volta do sarampo, doença que havia sido exterminada no país.
* Rompimento da barragem de Brumadinho
* Incêndio no Ninho do Urubu
* Massacre em escola de Suzano
* Incêndio no Hospital Badim
* Edifício Andrea, em Fortaleza, vai ao chão.
* Massacre policial em Paraisópolis.
* Pandemia de Covid-19, Brasil em segundo lugar no mundo em mortes.
* Ciclone do Sul do país.
* Recessão econômica
* Desemprego recorde
* Ameaça de nuvem de gafanhotos

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Guedes e Bolsonaro: os pais da bomba da recessão econômica...

Se estivessem no Big Brother Brasil, os jornalistas de mercado da mídia conservadora jamais colocariam Paulo Guedes no paredão.
Eles são claque do ministro desde que Bolsonaro o anunciou na equipe.
Até nos piores momentos, dão um jeito de destacar algo supostamente positivo nas iniciativas do ex-colaborador da ditadura de Pinochet. A citada dupla de fracassados construiu a recessão desde o ano passado, antes mesmo da Covid-19.
O fã-clube midiático do Guedes não vai gostar desse relatório divulgado pela FGV e publicado pela Fórum. (O comentário acima é do blog. Você poderá a matéria da Fórum no link abaixo). 



LEIA A MATÉRIA COMPLETA NA FÓRUM AQUI

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domingo, 28 de junho de 2020

Milton Glaser: o designer pop





Milton Glaser
Até que ponto a arte de um designer que se fez no impresso seria igualmente indelével no digital?

A morte de Milton Glaser, ontem, em Nova York, aos 91 anos, levanta a questão. Os meios digitais produzirão um designer tão influente quanto Glaser? Um pôster visto no celular será tão permanente quanto exposto em uma parede? No futuro haverá um Louvre para a arte digital?

Os jornais associaram o designer gráfico americano à sua criação mais emblemática: o logotipo "I love NY", criado em 1976.

Era inevitável: poucos logos são tão famosos quanto o do coração que virou verbo.

O legado do novaiorquino vai muito além. Desenhou jornais e revistas de vários países e era mesmo imbatível em pôsteres e logotipos onde criatividade e exigência da comunicação direta como um feixe de raio laser eram levadas ao extremo.

Glaser criou muitos cartazes para festivais de música, através dos quais influenciou fortemente o visual dos anos 1960 e 1970. Veja algumas peças, acima.

Eram a cara daquelas décadas loucas.