sexta-feira, 27 de maio de 2022

'"Senhores passageiros, favor embarcar em uma "viagem" pornô" ´Vídeo erótico vaza nos terminais do aeroporto Santos Dumont

 

Sessão pornô nos vídeos do Aeroporto Santos Dumont. Reprodução Twitter

por Pedro Juan Bettencourt

A rede de terminais de vídeo do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, fez a temperatura decolar nos salões de embarque na manhã de hoje.  Ainda sonolentos, os passageiros que acordaram cedo foram subitamente animados por cenas de sexo explícito exibidas nos telões. Segundo testemunhas, a audiênca foi boa. "As pessoas se aglomeraram para assistir", disse um carregador de malas. A administração do aeroporto ainda não informou o que causou a transmissão pornográfica. Pode ter sido um erro ou a interferência de um hacker brincalhão. O fato viraliza nas redes sociais. Claro, dezenas de celulares reproduziram o incidente. 

A brutalidade acima de todos


por José Esmeraldo Gonçalves

Mais uma trágica cena brasileira estampa jornais aqui e lá fora. Trata-se da rotina de brutalidade que ganhou impulso maior nos últimos anos. 

O filme Investigação Sobre Um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita (Indagine su un cittadino al di sopra di ogni sospetto), de Elio Petri, lançado em 1970, conta a história de um comissário de policia que mata a amante e espalha no local do crime todas as provas que o incriminam. Com esse jogo fatal, o policial quer mostrar que, apesar de todos os indícios, a lei jamais o alcançará. O filme de Petri é atualíssimo, disseca a corrupção, a arbitrariedade. a insolência de agentes da lei.

 Os brasileiros convivem hoje com maus policiais que agem como gangues de cittadini insuspeitosO caso que a mídia internacional repercute é quase inacreditável. Givaldo de Jesus Santos, 38, aproximava-se, de moto, de um bloqueio da PRF (Polícia Rodoviária Federal), em Umbaúba (SE) quando foi parado por não usar capacete. A infração lhe custou a vida. Santos foi abordado com violência. Ao ser revistado avisou, segundo testemunhas, que levava no bolso remédio e receita, por sofrer de distúrbios mentais. Os policiais o levaram para a "gaiola" do camburão, lançaram no interior uma bomba de gás e fecharam a porta  traseira da viatura. 

Improvisaram ali uma "câmara de gás". 

Laudo do Instituto Médico Legal aponta que a vítima morreu por asfixia e insuficiência respiratória. A cena foi gravada em vídeos compartilhados nas redes sociais. Segundo testemunhas, os policiais sabiam que estavam sendo filmados. Não deram importância aos celulares apontados para eles. Provavelmente por acreditar que estão acima de qualquer suspeita. Têm certeza de que o corporativismo e a justiça os livarão, como acontece com a maioria desses crimes. Os acusados estão por cima da carne seca, como se diz no Nordeste. 
No final de filme Investigação Sobre um Cidadão Acima de Qualquer Suspeita surge na tela essa citação de Kafka. 


"Qualquer que seja a impressão que ele nos cause, ele é um servo da lei, portanto, pertence à lei e escapa ao julgamento humano."


quinta-feira, 26 de maio de 2022

Frase do Dia: sem realidade inventada

 "Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece, como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento."

Clarice Lispector

Publimemória: já ouviu falar em telegrama fonado?

 

O recado do Pato. Reprodução Machete



por Ed Sá

Manchete publicou esse anúncio nos anos 1970. O mundo era desacelerado, nem sonhava com mensagens imediatas de texto ou de áudio faiscando nos celulares. Os Correios anunciavam uma importante inovação. Você não precisava mais ir às agências "passar" um telegrama. Bastava pegar o telefone, aguardar o sinal (que poderia demorar vários minutos) discar para o número indicado e ditar sua mensagem a ser telegrafada. 

Telegrama da atriz Henriette Morineau para o Teatro do Estudante. 

No destino, um funcionário dos Correios recolhia a fita do telégrafo e colava o texto gomado em um formulário, o telegrama. Finalmente, o carteiro (o nome vem de cartas, também extintas) levava a mensagem ao endereço do destinatário. Um "eu te amo" do Pato Donald podia levar horas, um dia ou dois, para chegar a Margarida. E, sim, Telegram é hoje nome de uma rede social, mas os Correios ainda oferecem dois tipos de comunicação impressa para entregar na casa do destinatário: o telegrama e a e-carta enviados pela internet. 




Futebol: você torce por qual "ativo financeiro"?


por Niko Bolontrin
Os contratos dos clubes brasileiros com as SAF (Sociedades Anônimas do Futebol) têm cláusulas que só virão a público se houver vazamentos, como aconteceu no Cruzeiro no episódio da inclusão posterior de bens imobiliários no contrato. Depois do clube mineiro e do Botafogo, o Vasco é o próximo a virar SAF. Muitos outros clubes estão observando esses três, que testam a transformação em empresas. O Cruzeiro mostrou que mesmo contratos assinados podem ser mudados se os cartolas assim o desejarem. No caso, envolveu passar o complexo Toca da Raposa para Ronaldo Fenômeno e o grupo que ele aparentemente representa. Nem isso está muito claro. O tuíte reproduzido na imagem acima e obviamente uma ironia. Pode-se acrescentar o Flamengo que se passar a empresa um dia se chamaria SAF de Regatas Flamengo. O Palmeiras não mudaria de nome: já é Sociedade Esportiva Palmeiras. E o Corinthians? Ficaria Sport SAF Corinthians Paulista. Em breve poderemos ter o primeiro clássico SAF X SAF, provavelmente Cruzeiro X Vasco na Segundona. Como estão baratinhas, as SAF poderão ser recebidas, caso o investidor tenha prejuízo ou queira botar sua grana em algo mais lucrativo. Um influencer rico, por exemplo, poderá comprar o Botafogo. No futuro, nada impedirá que um político do Centrão poderá adquirir, quem sabe, o Bahia; uma igreja neopentecostal com dinheiro sobrando compre o Bahia; um Rei Arthur faça uma oferta pelo Fluminense; o Veio de Havan transforme o Flamengo em uma das suas empresas. Os times brasileiros, que agora são chamados de "ativos financeiros" (jogadores também), vão mudar muito nos próximos anos. Que seja para melhor, que a bola resista, porque a era romântica já passou 


quarta-feira, 25 de maio de 2022

“Stella!” bradou Kerouac como Brando. E morreu... • Por Roberto Muggiati

Vejam só, deixei passar em brancas nuvens o dia 12 de março, centenário de nascimento de Jack Kerouac, logo eu que sou o único brasileiro a manter correspondência com o autor de “On the Road”. Outro dia eu vou contar essa história aqui mesmo. Prefiro agora descolar uma vinheta, uma nota-de-pé-de-página sobre as coincidências irônicas.

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O berro do Brando

É uma das cenas icônicas do cinema. Bêbado, Brando berra obsessivamente o nome da sua mulher no filme de Elia Kazan Um bonde chamado Desejo (1951), inspirado na peça de Tennessee Williams. Pouca gente sabe que “Stella!” foi o grito desesperado de Jack Kerouac – suas últimas palavras, na verdade – em 20 de outubro de 1969 quando começou a vomitar sangue. Jack pedia socorro a sua mulher Stella Sampas, com quem morava em St. Petersburg, Florida, na companhia da mãe do escritor, Gabrielle , Mémère. 

Kerouak com a mulher,
Stella Sampas
(Um jornal da contracultura provocou seus leitores nos anos 70, aqueles da revolução mochileira” inspirada por On the Road: “VOCÊ BOTARIA O PÉ NA ESTRADA SE SOUBESSE QUE JAC KEROUAK MORA COM A MAMÃEZINHA DELE?”)

Levado ao hospital, com hemorragia do esôfago, Kerouac recebeu 26 transfusões de sangue, mas não pôde ser operado por causa do estado crítico do fígado. O “pai dos beats” morreu às 5:15 da manhã seguinte aos 47 anos. A causa oficial da morte foi hemorragia interna (provocada por varizes esofagais), causada por cirrose hepática, decorrente de décadas de abuso alcoólico.

Um fato curioso: numa carta de 1957 – ano em que o lançamento On the Road causou grande comoção nos meios literários – Kerouac instava Marlon Brando a comprar os direitos para a filmagem do romance.

Jack assim vendia seu peixe a Marlon: “Estou torcendo para que você compre On the Road e o transforme em filme. Não se preocupe com a estrutura, sei como comprimir o enredo e criar uma estrutura cinematográfica perfeitamente aceitável. Queria que você interpretasse o papel de Dean [Moriarty] porque ele (você sabe) não é desses babacas ligados em corridas de automóvel, mas um irlandês inteligente de fato (na verdade um jesuíta). Você faz Dean e eu faço Sal (Warner Bros decidiu que eu seja Sal) e vou lhe mostrar como Dean atua na vida real.”

Kerouac queria muito ver seu filme nas telas. Brigou com seu agente que não aceitou os 110 mil dólares oferecidos pela Warner, queria 150 mil. Só dez anos depois de sua morte, os direitos de filmagem foram comprados por Francis Ford Coppola, por insistência de uma namorada, o cineasta do Chefão não tinha nenhum tesão pelos beats. Convocou vários diretores – até seu filho Roman – mas nenhum conseguiu engrenar o projeto. Quando viu Diários de motocicleta, em 2004, Coppola teve um estalo e convidou o diretor do filme, Walter Salles, para transformar o romance de Kerouac em filme. O brasileiro topou, mas pediu um tempo. Vestiu sua toga de humildade, afinal ele tinha apenas um ano de idade quando On the Road foi publicado. Em 2005, Salles – que como piloto de corridas participou da GT3 Brasil – refez com uma pequena equipe as viagens de On the Road, entrevistando os remanescentes beats (Ferlingheti, Gary Snyder, a biógrafa de Kerouak, Ann Charters) e simpatizantes como Lou Reed, Philip Glass, Annie Lennox, do Eurythmics. Deu até uma esticada à Inglaterra para ouvir a viúva de Neal Cassady, Carolyn. Walter fazia em média duas ou três entrevistas por dia, durante abril de 2005, do meu Bunker na Real Grandeza, eu lhe fornecia por e-mail um perfil dos entrevistados e sugestões de perguntas. Por essa cobertura de retaguarda, como “consultor beat”, recebi um cachê que valeu mais pelo prestígio do pagante: a produtora Zoetrope, de Francis Ford Coppola.

VEJA MARLON BRANDO NO CLIP DE UM BONDE CHAMADO DESEJO AQUI

Frase foi Dia: Pessoa otimista

"Sinto-me nascido a cada momento, para a eterna novidade do mundo”.

Fernando Pessoa



domingo, 22 de maio de 2022

Mídia - Talibã obriga apresentadoras de TV a cobrirem o rosto

 


Reprodução Twitter

Fundamentalismo religioso é, por definição, autoritário e opressor. O Afeganistão de volta ao controle dos talibãs é agora território de abusos. As mulheres estão vivendo o inferno na terra. O Brasil já tem o fundamentalismo religioso no seu dia a dia.  Fanáticos montam estrutura política. No horizonte o quadro promete ser pior. Não chegaremos às burcas de pano, mas "burcas" de falsa moralidade já estão por aí. E os partidos políticos cortejam essa horda que já atormenta o Brasil, persegue outros credos, espanca homossexuais, e mama em verbas públicas. Essa semana uma vereadora de Curitiba apresentou projeto para proibir a exposição de verduras, frutas ou leguminosas que tenham a aparência de órgão sexual. Cenoura, pepino, vagem, banana etc. Para ser  comercializadas talvez usem embalagens de plástico preto como a censura da ditadura obrigava a cobrir capas de revistas nos anos 1970.

O talibã baixou essa semana um decreto obrigando as mulheres a cobrirem os rostos ao apresentar programas de TV. Nas ruas elas já são obrigadas  a sofrer com as burcas 

Além do pacotão de euros, a moeda de troca que fez Mbappé ficar no PSG foi o emprego de um brasileiro.

 




Polêmicas: ultra direita, assediador, fraudes, minimizou Covid, ameaçou Bolívia de golpe... Musk é o cara do governo

 

Reprodução Twitter

Na capa da Carta Capital: a política da morte

 


Na capa da IstoÉ: pátria roubada, Brasil

 



A lei da bala livre

Do Globo, hoje. Reprodução

sábado, 21 de maio de 2022

Publimemória: do Russell para o mundo. E para o "galinheiro". Entenda porque...

A revista Manchete produzia edições anuais em inglês, francês e, pelo menos uma vez, em russo. Essa última, revista especial que acompanhou a comitiva do então presidente Sarney a Moscou. Eram produtos dirigidos e realizados com apoio de empresas exportadoras para os países focalizados e de multinacionais daqueles países instaladas no Brasil. Uma fórmula que dava comercialmente certo. As redações contribuíam com textos sobre os vários setores exportadores e produziam um panorama fotográfico da indústria, dos pontos turísticos, da Amazônia, praias, a visão urbana das capitais. Equipes fotográficas pecorriam o Brasil para captar essas imagens. Em conjunto, elas mostravam um Brasil de várias épocas. Todo esse acervo produzido desde os anos 1950 até a década 1990 está desaparecido desde que foi leiloado, em 2010 - mal divulgado e sem qualquer noção do valor cultural do acervo -  pela Massa Falida da Bloch Editores. O arquivo da Manchete (e Fatos & Fotos, Fatos, Domingo Ilustrado,  Desfile, EleEla, Geográfica, Mulher de Hoje, Sétimo Céu, Amiga, País& Filhos, Manchete Esportiva, Enciclopédia Bloch, Carinho, Tendência, Medicina de Hoje, Manchete Rural, Jóia, Conecta) estaria se perdendo em um galpão - ou seria um antigo "galinheiro"? - no interior do Estado do Rio de Janeiro.  É até hoje um completo mistério esse desfecho. Por que um indivíduo se dispôs a pagar cerca de R$300 mil, na época - valor bem abaixo do avaliado - para arrematar um arquivo e sumir com milhões de cromos, negativos e cópias fotográficas? Não há resposta inteligível. Manchete publicou fotos, pela primeira vez, em abril de 1952, há pouco mais de 70 anos. Pelas leis brasileiras, fotos caem em domínio público a partir de 70 anos. Agora, a cada virada da folhinha, milhares de imagens originais se tornarão públicas. O problema é: o acervo ainda existe? Em que condições foi guardado? O que salva a memória é a Biblioteca Nacional, que digitalizou toda a coleção da revista Manchete.  Visitem esse extraordinário acervo e vejam o que, tratando-se de imagens originais - a irresponsabilidade ou outra motivação insondável destruiu.

Quinta coluna

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Mulher quer apito, vai Catar na Copa... • Por Roberto Muggiati

Neuza Back: árbitra brasileira na Copa do Mundo. Foto FIFA

Pela primeira vez uma mulher vai apitar um jogo da Copa do Mundo. Demorou, mas aconteceu: a Copa depois do Catar será a do centenário, provavelmente no Uruguai, onde tudo começou em 1930. Aconteceu, mas nem tanto: serão três juízas e três assistentes. As árbitras escolhidas são Stéphanie Frappart (França), Salima Mukansanga (Ruanda) e Yoshimi Yamashita (Japão). Stéphanie apitou a final da Copa do Mundo feminina, vencida pelos Estados Unidos em 2019, e atua regularmente em jogos no campeonato francês masculino. (Foi ela quem apitou este ano a final masculina da Copa da França vencida pelo Nantes no Stade de Paris.)

Para o Brasil sobrou uma bandeiragem, a escolhida foi a catarinense Neuza Back, que atua em São Paulo. Foi auxiliar na primeira partida da final do Campeonato Paulista de 2020, entre Corinthians e Palmeiras; participou também da Copa do Mundo feminina de 2019; do Mundial de Clubes da Fifa de 2020, vencido pelo Bayern de Munique; e dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Neuza Inês Back, 37 anos, nasceu em Santa Catarina na região metropolitana de Chapecó, numa cidade com o bonito nome de Saudades. Mas está longe de ficar na saudade: com catorze anos de carreira, ainda tem muito gramado e glória pela frente.

A mulher já ocupa o seu lugar na arbitragem do futebol, mas a coisa ainda continua politicamente correta (e careta) e paternalista. Quando deixarão uma mulher apitar uma final de Copa do Mundo masculina? Com certeza não antes que comece a circular o Expresso 2222 de Gilberto Gil, que “parte direto de Bonsucesso pra depois...”

O presidente do Comitê de Arbitragem da Fifa, o italiano Pierluigi Collina afirmou que ele e sua equipe estão felizes por terem conseguido incluir  as mulheres no corpo de arbitragem pela primeira vez na história das copas do mundo. E arrematou: “Espero que, no futuro, a seleção de árbitras de elite para competições masculinas importantes seja percebida como algo normal, e não mais como excepcional”.

Va tutto bene, Collina. Mas logo no Catar? A pergunta que não quer calar: serão elas obrigadas a usar burka? E outra: poderão atuar com shortinhos apertados e as coxas à mostra?

O hipócrita segundo a Bíblia

As instituições estão funcionando no modo hipócrita. Reprodução


Durante a posse dos novos ministros do TST, ontem, Bolsonaro se dirigiu ao ministro do STF Alexandre Moraes e o cumprimentou. Moraes comanda processos em que o conspirador do Planalto  é alvo. Bolsonaro ataca o STF e o ministro com irada frequência. 


A falsidade de Al Pacino (com John Cazale) em O Poderoso Chefão 2

O cumprimento lembra uma cena de O Poderoso Chefão 2. Pouco antes de mandar eliminar Fredo Corleone (John Cazale), que o traiu, Michael Corleone (Al Pacino) afaga o irmão.

No filme, o gesto é um típico recado para um dos guarda-costas cumprir a ordem fatal do chefe. Não estamos no campo da ficção e a contenda entre Bolsonaro e Moraes não terá o desfecho dramático que o diretor Francis Ford Copola impôs ao seu filme: a coincidência se dá apenas no campo da falsidade. 

Nenhum dos dois gostou do "carinho" hipócrita. Devem ter tomado banho de sal grosso e mastigado galho de arruda após a encenação. Um pouco antes da cena Bolsonaro não seguiu os aplausos da plateia a Moraes; um pouco depois continuou a atacar o STF, o TSE e lançou mais ameaças sobre as eleições. Para usar a linguagem bolsonariana, diz a Bíblia: "Como dente estragado ou pé deslocado é a confiança no hipócrita na hora da dificuldade". Provérbios 25:19

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Memória da redação: bota fé...

Houve uma época em que a redação da Manchete fazia duas chamadas de capa principais. Uma, a que ia para as bancas; outra, para consumo interno, apenas saudável deboche. Fechamentos de revistas são às vezes tensos e a chamada de capa, que deveria funcionar como um apelo de venda da edição, quase um slogan, era geralmente uma das últimas coisas a fazer antes da happy hour. Uma espécie de pênalti cobrado aos 45 minutos do segundo tempo.  
Alberto Carvalho, secretário de redação da Manchete, usava seu humor certeiro para fazer a chamada alternativa impublicável. Uma vez, diante da foto de capa com dois dos maiores ídolos do Brasil, ele mandou essa: "o craque e o perna de pau". A capa reproduzida acima seria própria para muitas variações em torno do tema o padre e a moça. Bota fé... na bunda, bem que poderia ser uma das sacadas diretas do Alberto. A justificativa da Manchete para essa capa com o padre Marcelo Rossi e a Tiazinha é um primor de cinismo. "Usando batina ou chicote, eles têm um ponto em comum: são o grande fenômeno da mídia dos últimos tempos". A imagem é obviamente uma montagem. O padre, em modo meio sorriso, jamais imaginou que se fundiria com a  modelo. Esta, por sua vez, também não sabia que morderia um chicote, com expressão sadô, provocando o reverendo. Para essa capa o poeta romano Horácio mandaria ao par sua famosa mensagem: carpe diem. Em bom portugues, curta o momento. (José Esmeraldo Gonçalves)

Frase do Dia: omissão é adesão

"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons."

Martin Luther King

Sinal dos tempos - Escrotoplastia em alta no Brasil

por O.V.Pochê

Segundo a Escola Superior de Urologia, a procura por escrotoplastia (que reduz o tamanho do escroto caído) aumentou 20% nos últimos dois anos. A informação é do IG Saúde, hoje. Mas a matéria não esclarece se haverá necessidade de um posto cirúrgico exclusivo no Planalto 

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Cannes: Letra Z é a polêmica da vez escrita pela guerra na Ucrânia

Em Cannes, filme Z muda de nome para Final Cut. Foto Divulgação.


O Z nos equipamentos russos.
Reprodução Twitter

por José Esmeraldo Gonçalves

A letra Z pintada em tanques, carros de combate e veículos de transporte de tropas russas é o símbolo que provocou protestos até no atual festival de cinema de Cannes.

O primeiro filme exibido fora da competição essa semana foi obrigado a mudar de nome. Chamava-se Z,  virou "Final Cut". É uma comédia sobre zumbis, mas o veto ao título original foi motivado para evitar que sugerisse um apoio à Rússia. Para os soldados russos a letra significa "Pela Vitória" ("Za Pobedu" ). 

O Z de Costa Gavras, com Invés Montand. Reprodução Manchete

Z também foi o título do filme de Costa Gavras sobre o assassinato do deputado Gregoris Lambrákis pela ditadura de ultra direita dos coronéis gregos nos anos 1960. Na época, a letra Z era pichada nas ruas de Atenas como uma forma de denunciar o crime silenciado na mídia. Z é a primeira letra da palavra grega "Zei" ("Ele Vive").

O Z no filme A Marca de Zorro, com
Tyrone Power

Finalmente Z a marca de Don Diego de la Vega, o  Zorro, personagem  fictício de vários filmes sobre o herói da luta contra o domínio espanhol sobre parte dos Estados Unidos . Do cinema também é Guerra Mundial Z, sobre um vírus que provoca um surto apocalíptico de zumbis. Não se sabe ainda se todas essas obras serão levadas a mudar de nome. 

Projeto do (ensino em casa) homeschooling será votado hoje. Depois da "geração condomínio" vem aí a "geração quarto e sala"

 


Frase do Dia: Prole

 Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”

MACHADO DE ASSIS, frase final de Memórias póstumas de Bras Cubas, 1880


terça-feira, 17 de maio de 2022

A conspiração bandida está nos gabinetes e porões. Mídia quer saber porque as instituições silenciam

 

Folha de São Paulo, hoje


Carta Capital dessa semana

A mais recente edição da Istoé


Arquitetura, memória e crítica

por J.A.Barros

Estou enviando anexo uma foto de um casarão, acho que do século XIX, por achar a construção tão bonita e majestosa, símbolo da criatividade sofisticada do homem voltado para o belo e o seu conforto e para evidenciar aos olhos da cidade o que é uma residência. 

Na verdade estou negando a falsa genialidade de um arquiteto brasileiro concebeu prédios enfaixados por metros e mais metros de  vidros em forma de janelas que abertas só cediam um terço de ar para o seu interior. Avançando nas suas fantasias copiou o iglu - que é apenas um abrigo temporário dos esquimós quando saem para caçar nas planícies geladas - e o introduziu nas cidades, notoriamente, na cidade de concreto Brasíliane bizarramente na sede do Congresso, sendo um deles de cabeça para baixo lembrando uma bacia de se tomar banho. Em Niterói, concebeu um enorme iglu para ser um cinema. A Catedral de Brasília lembra em posição de descanso fuzis apoiados uns nos outros. Trabalhei em dois prédios concebidos por esse arquiteto. No primeiro, para trabalhar, precisamos instalar ventiladores gigantescos que rodavam o dia inteiro. No segundo, as janelas de vidro só abriam 1/3, o que obrigou a empresa a instalar ar refrigerado para todos os 12 andares do prédio. 

Isso é modernidade? Ou tal apreço pela forma, que esquece que quem vai habitar essas formas é o ser humano.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Ordinário, marche!

 

Reprodução Twitter

Suplicy denucia picaretaço no Pacaembu, um dos raros estádios em art déco do mundo

 

Reprodução do twitt de Suplicy

Comentário do blog - A concessionária Allegra Pacaembu, que administra o estádio após privatização mas age como dona absoluta do pedaço, está metendo a picarenta em um local tombado. Provavelmente com base em um edital cheio das brechas usuais que acabam não protegendo os bens privatizados e suas funções.  Projetado no final dos anos 1930, o Pacaembu adotou o estilo art déco predominante na época. Uma influência visível são as colunatas semelhantes às do Estádio Olímpico de Berlim, sede dos Jogos de 1936, que foram incorporados pelo arquiteto Domínio Pacheco em meio ao clima de grandiosidade das obras públicas do Estado Novo de Getúlio Vargas. No mundo, não são muitas as praças de esporte em art déco: além de Pacaembu e Berlim, o Estádio Olímpico de Los Angeles, erguido para os Jogos de 1932, é exemplo marcante. A Itália também preserva alguns estádios no estilo. Mas a concessionária deve ser ignorante quando a isso. Além de derrubar parte da arquibancada, instalou no antigo gramado agora devastado um enorme barracão para shows, cuja agenda estaria ocupada até o ano que vem. O Pacaembu era uma referência turística e esportiva de São Paulo. O futebol foi jogado para escanteio, assim como  o atletismo que o estádio já recebeu. O Pacaembu tornou-se um point de eventos quaisquer. No lugar da antiga concha acústica, já demolida, e do tobogã, a assim chamada arquibancada atrás de um dos gols (cuja construção já foi uma agressão à arquitetura do estádio), será erguido um prédio para escritórios, hotel, shopping etc.  A imagem divulgada por Suplicy é triste, é um retrato do desprezo demonstrado por governantes que aceleram a lucrativa indústria da privataria sem respeito pelo patrimônio público. 


domingo, 15 de maio de 2022

Frase do Dia: bota mais uma...



“O FÍGADO FAZ MUITO MAL À BEBIDA.”


Aparício Torelly, Barão de Itararé (*)





(*) Na reprodução, a capa do terceiro e último volume dos Almanhaques publicados por Aparício Torelly, o Barão de Itararé, entre 1949 e 1955. Manchete, fundada em 1952, foi a referência do logotipo. O Barão foi também editou o jornal A Manha, que circulou de 1925 a 1964.

sábado, 14 de maio de 2022

O crematório da bola


 

Efeito canalha

 

Reprodução Twitter

Empreendedores do neoliberalismo selvagem

 

Reprodução Twitter

Carlinhos (de) Oliveira, na aparente simplicidade...

Carlinhos [de] Oliveira - Rio, 1978 - Foto: Guina Araújo Ramos

por Guina Araújo Ramos (do blog Bonecos da História) 

Há algum tempo eu queria publicar esta foto nos Bonecos da História, não só porque a considero interessante, mesmo não sendo tão especial assim, mas principalmente porque retrata a transcendente e complexa simplicidade de quem, com tanta sutileza quanto acidez, observava a vida da cidade do Rio de Janeiro e do Brasil em meados do século passado.

Trata-se da foto do capixaba José Carlos Oliveira. Sugerindo a tal simplicidade, ele era mais conhecido (embora também o registrassem, talvez para dar ao nome uma sonoridade que correspondesse a seus textos, como Carlinhos de Oliveira) por, simplesmente, Carlinhos Oliveira.

Quer posso dizer sobre Carlinhos [de] Oliveira?... Não sou, de maneira alguma, conhecedor, ao menos razoável, de obra, mas mero leitor antigo e ralo, apenas do final dos seus 22 anos como cronista do Jornal do Brasil (de 1961 a 1983).

É evidente que sua obra precisa (e merece) forte ressurgência, que até parece começar a acontecer em espaços da Internet (que não sei o quanto são lidos): no Portal da Crônica Brasileira (do IMS), na cobrança de Ricardo Soares, no incômodo de Álvaro Costa e Silva na Folha, a resenha existencialista da revista digital Rubem e também em textos acadêmicos, especialmente sobre o livro Diário da Patetocracia, que reúne crônicas do ano de 1968 publicadas no JB.   

Ainda antes de ser meu “colega” no JB, fiz eu esta foto (à época, com o crédito Aguinaldo Ramos), que foi inserida dentro da entrevista, parte de uma muito sensível série da revista Fatos & Fotos assinada pelo jornalista Renato Sérgio, outro grande jornalista/cronista carioca.

A conversa aconteceu no apartamento de Carlinhos, no Leblon, em rua bem afastada da praia, em frente ao então quartel da PM. Os dois (e eu também) sentados na varanda apertada, em uma conversa tão descontraída (para mim, sentado no chão, algo desconfortável...) quanto a imagem que a ilustra.

Fatos & Fotos Nº 885, 07/08/1978 - Foto: Guina Araújo Ramos

Por valorizar ainda mais a foto, louve-se o trabalho da redação, que a Fatos & Fotos produzia edições gráficas altamente criativas (por exemplo, outra de que gosto muito, o uso de três fotos de Chico Anysio, em show no Canecão, que dá movimento quase cinematográfico à página impressa). 

Não por acaso, Fatos & Fotos foi dos lugares mais prazerosos em que trabalhei como fotojornalista.

O problema é que, estando “sumido” o arquivo fotográfico de Bloch Editores e ainda não digitalizada e disponível a coleção da revista (como já acontece com a revista Manchete na BN), a minha única fonte de recuperação da imagem foi o recorte da publicação original, guardada por mais de 40 anos, de onde “retirei” a imagem através do imprescindível Photoshop, coisa trabalhosa e de resultado certamente apenas razoável.

Seleção do Brasil ou da Islândia?

 

Foto Getty Images\
Reprodução Placar
Uma coisa chama a atenção na “selesson” convocada por Tite: os nomes da rapaziada. Os quatro goleiros, por exemplo: Alisson, Ederson, Everson e Weverton. Tem ainda o Emerson [Royal], o Gerson, o Richarlison e o Everton [Ribeiro].

“Por que diabos todo islandês tem o nome acabado em ‘son’” – perguntou a revista Placar em 2018, quando a seleção da Islândia se tornou o país menos populoso a disputar uma Copa do Mundo em toda a história. “A explicação é simples — e pitoresca. Nesse pequeno — e gelado — país de 334.000 habitantes, não há sobrenome de família e as pessoas são batizadas pela filiação.  A fórmula é simples: pega-se o primeiro nome da mãe ou do pai e soma-se a ele o sufixo ‘son’, palavra islandesa que significa, como no inglês, “filho”, no caso dos meninos. Portanto, se Neymar fosse islandês, se chamaria Neymar Neymarsson, e não Neymar Jr.” (RM)

Alcaraz: o Dia da Vitória

Anotem este nome, Carlos Alcaraz. Carismático até no sobrenome. Com o prefixo “Al”, que marca a presença árabe na península ibérica. De A a Z. Ele vai longe. Em 5 de maio fez dezenove anos e se deu um presentaço: no Madrid Masters, eliminou Rafael Nadal, o quarto melhor do mundo. A seguir eliminou o número 1, Novak Djokovic. Foi para a grande final e no domingo, 8 de maio, Dia da Vitória (2ª Guerra), sagrou-se campeão, despachando por dois sets (6/3 e 6/1) o terceiro do ranking, Alexander Zverev. 

A vitória na Espanha foi o segundo título consecutivo em casa na temporada de 2022 – venceu o ATP 500 de Barcelona em abril – e o quarto acumulado do ano. Alcaraz venceu o Rio Open em fevereiro e o Masters 1000 de Miami em abril. Com a campanha em Madri, o prodígio do tênis mundial sobe para a sexta posição no ranking da ATP. Com o tornozelo inchado e uma bolha inflamada, Alcaraz resolveu poupar-se, não disputando o torneio de Roma esta semana. Afia as garras para seu primeiro Grand Slam – Roland Garros, em Paris – que começa no dia 16 de maio. Nosso Guga tinha vinte anos quando venceu seu primeiro Roland Garros em 1997. Alcaraz pode bater essa marca. Faz sentido: Guga começou a jogar tênis aos seis anos de idade. Alcaraz? Aos quatro...  (ROBERTO MUGGIATI)


Frase do Dia: receita contra bobeira

 “Jovens, envelheçam depressa”.

NELSON RODRIGUES

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Buraco Negro na Via Láctea pode devorar o planeta. Pode ser a solução para o Brasil

A "selfie" do fim do mundo. Foto EHT

por O.V.Pochê

Cientistas de vários países conseguiram fotografar pela primeira vez um buraco negro na Via Láctea. A notícia divulgada hoje pode ser finalmente uma solução para o Brasil. Não por acaso semelhante a um conhecido órgão humano, o gigantesco orifício foi captado pelo Event Horizon Telescope, um consórcio que reúne 11 radiotelescópios espalhados pelo mundo. Buraco negro é um monstro cósmico que atrai para si e engole sem pena tudo o que está na frente. 

Em termos astronômicos esse abismo é nosso vizinho, já que divide com a merreca conhecida pela alcunha de Terra uma vaga na mesma galáxia, a Via Láctea. Se o Brasil não deu certo em 522 anos e segue dando vexame, ser deglutido por um brioco pode ser um fim aceitável. Algo como desligar os aparelhos de um doente desesperançado. Claro que no caso dessa mega catástrofe, o Brasil não vai sozinho. Todo o planeta vai junto. Merecido. O mundo não aprendeu nem mesmo a viver sem guerras. Pode levar. Também não é o caso de dizer "pra quem fica, tchau". Se depender do buraco negro não fica ninguém. Aviso aos religiosos: não vão encontrar nenhum deus no fundo do poço. Relaxem, o abismo cósmico já traçou as divindades há muito tempo.

A cesta básica sem vergonha e o assédio à democracia

 

Reprodução Twitter

Frase do Dia: fundamentais

"As pernas das mulheres são compassos que percorrem o globo terrestre em todos os sentidos dando-lhe
equilíbrio e harmonia.”

Do filme O homem que amava as mulheres, de FRANÇOIS TRUFFAUT.

 

terça-feira, 10 de maio de 2022

Fotomemória da redação: Portugal em 1970 segundo Manchete (com o ditador Salazar "lelé da cuca", como se dizia na época)

Na sucursal da Manchete em Lisboa, em 1970, os fotógrafos Gil Pinheiro e Juvenil de Souza, o chefe do escritório Cláudio Mello e Souza e Fernando Cascudo selecionam fotos para uma reportagem especial sobre Portugal.


Além das edições semanais, Manchete produzia revistas especiais em inglês e francês patrocinadas por empresas brasileiras de exportação ou multinacionais ligadas aos Estados Unidos e França. Em junho de 1970, Manchete foi para as bancas com uma grande reportagem especial sobre Portugal. Eram 50 páginas mostrando as belezas, a força do turismo, as tradições e os vinhos, queijos e azeites exportados para o mundo. A matéria especial da Manchete teve apoio do governo do país. Portugal atravessava um momento crítico. Dois anos antes, o ditador Antônio Salazar sofrera uma queda que lhe rendera danos cerebrais. Depois de um período em coma voltou ao palácio presidencial até que os médicos declararam sua incapacidade. O ditador estava "lelé da cuca", como se dizia na época. Tinha problemas com a memória recente e lapsos de consciência, mas lia jornais e revistas e recebia a visita regular de ministros. Salazar morreu em julho de 1970,  um mês depois do lançamento da Manchete especial em Lisboa. Por orientação do governo português o ditador morreu sem saber que não era mais o líder supremo do país. Foi mantido vivo por aparelhos e chegou a receber edições falsas de jornais que falavam do seu "governo", auxiliares lhe pediam conselhos e lhe davam documentos para "assinar". Não é improvável que entre as reportagens que recebeu para folhear nos seus últimos dias estivesse o panorama colorido de Portugal by Manchete realizado pelos fotógrafos Gil Pinheiro, Juvenil de Souza, por Fernando Cascudo e com a supervisão do chefe da sucursal da revista em Lisboa, Cláudio Mello e Souza, poucas semanas antes dos médicos tirarem Salazar da tomada.
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Do Twitter: a decomposição


Reprodução Teitter