terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Leitura Dinâmica: shit news da terra em transe...








Melhor do que bitcoin? Jogador brasileiro investe em time da quarta divisão do "soccer" na Flórida. E não é por castigo...


Reprodução O Globo
Nos Estados Unidos, o soccer, como eles apelidam, é pouco mais do que uma piada. Quer ser torturado? Assista a uma partida do "campeonato americano". Não é por falta de tentativa para emplacar um jogo que, descontando a parcela hispânica da população e a rede de apostadores que empenha dólares até em briga de vizinho, apenas uma minoria entende e acompanha.

Tanto que eles já tentaram convencer a Fifa a mudar regras, acabar com o empate e o impedimento, por exemplo, por não captar o sentido de uma coisa nem de outra.. 
O Cosmos, nos anos 70, foi um grande investimento que levou Pelé, Carlos Alberto e Beckenbauer a Nova York. Ganhou divulgação, ameaçou pegar, mas não decolou. Los Angeles também tentou ser um polo de futebol. David Beckham em fase final de carreira foi parar lá. Mesmo com alto índice de hispânicos, Los Angeles não virou a meca do futebol. Nos últimos anos, o foco dos investidores se voltou para Miami. Ronaldo Fenômeno e Adriano Imperador já compraram participações em times locais, sem maiores resultados, apesar de canais hispânicos da TV por assinatura darem alguma visibilidade ao soccer. Kaká em reta final foi bater o que restou da sua bola em campos da Flórida. 

A coluna Ancelmo, do Globo, hoje, noticia que Felipe Melo - jogador inesquecível da Copa de 2010, quando pisou em Roben e foi expulso, deixando a Holanda à vontade para vencer o Brasil (sem esquecer a colaboração do goleiro Júlio Cesar) -, vai investir em um time da divisão D, em Palm Beach.. 

Consegue imaginar o que é um time da Divisão D dos Estados Unidos? Deve levar de 7X1 até do Ibis, de Pernambuco, que há muitos anos se orgulha de ser "o pior time do mundo".

Bom, vai ver que Felipe Melo pressente alguma coisa que ninguém sabe em matéria de futuro do soccer no país da bola oval, é bom de palpite ou o time dele vai valorizar mais do que bitcoins.

Vale lembrar que o jogador também faz uma aposta declarada para as eleições de 2018. Ele é bolsominion militante e quer muito ver seu líder subindo a rampa do Planalto.


Memória da publicidade: afinal, quem descobriu a preferência nacional ?


Preferência nacional você sabe o que é. A expressão frequentou muitas chamadas de capa das revistas Playboy, EleEla, Status, Sexy. Foi até nome de uma revista erótica especializada em... preferências nacionais.

Em 1964, uma campanha do Crush veiculada na Manchete usou  pela primeira vez esse título para badalar a nova embalagem do refrigerante de vidro claro e curvas destacadas que substituia a anterior e clássica, de vidro marrom e linhas horizontais empilhadas.

Nos anos 1970, a marca de cigarros Continental também deu ao seu produto a alcunha de preferência nacional.

Mas se você digitar "preferência nacional " no Google dificilmente vai encontrar a expressão associada a refrigerantes e cigarros.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Relatório da UNESCO aponta as duas maiores ameaças ao jornalismo: fake news e polarização política

"Fake news" e polarização política ameaçam a credibilidade da indústria da mídia mundial. É o que conclui relatório lançado há poucos dias pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre, pluralismo,  liberdade de imprensa, independência e segurança de jornalistas.
Em meio às mudanças que afetam a comunicação, o documento destaca como positivas iniciativas da sociedade civil para democratizar o acesso à informação, a atuação e a independência de jornalistas cidadãos e a cooperação de veículos de mídia na checagem de notícias e dados.
 leis de liberdade de informação. O relatório completo está disponível, em inglês, AQUI


Piquet na ESPN sobre comparação com Senna; "Eu estou vivo. O que é melhor que isso?"


Tricampeão mundial de Fórmula 1 em 1981, 1983, 1987, Nelson Piquet é um dos maiores pilotos da história da categoria. Foi tão rápido e agressivo nas pistas quanto foi fera na briga de foice dos bastidores e certeiro em entrevistas e declarações. Para o competitivo Piquet, a imagem que interessava era a dele no pódio. Relações-públicas, marketing de bom moço, diplomacia, fair play, nada disso era com ele.

Piquet e Ayrton Senna polarizam até hoje os torcedores e até parte da mídia especializada. Ambos são tri, tinham estilos diferentes ao volante e comportamentos opostos. Senna era uma espécie de genro que as mães sonhavam. Piquet era o bad boy, mas curiosamente um bad boy superligado à família. Hoje, é o patriarca que se orgulha de reunir à mesa sete filhos, cada um deles ainda com quarto próprio na sua casa.

No último fim de semana, a mídia marcou os 30 anos da conquista do tri por Nelson Piquet. Mas a melhor entrevista foi a da ESPN (o que não surpreende, na polarização entre Piquet e Senna, a Globo sempre teve um lado), com Piquet sem autocensura acelerando mais do que nunca, ouvido por Gustavo Faldon e Vladimir Bianchini com ESPN UK.

Confira alguns trechos.

* Sobre os adversários mais difíceis: "No começo tinha Alan Jones e Carlos Reutemman na Williams, tinha a briga com a Brabham. Depois veio (Gilles) Villeneuve na Ferrari, (René) Arnoux e Prost na Renault."

* Sobre conflitos com engenheiros das equipes: "Tem uma história engraçada da minha primeira corrida no Rio de Janeiro pela Williams. Depois do primeiro treino, eu falei para meu engenheiro o que precisava fazer, mostrei o que estava errado. E no treino seguinte estava igual. Eu perguntei 'Qual o seu problema?'. Ele disse 'Eu não acho que você estava certo'. Eu disse 'Estou cagando para o que você acha, eu quero desse jeito'. E disse ao Patrick (Head) que não precisava de engenheiro, que eu e meus mecânicos faríamos as mudanças. Eu era assim. Eu sabia o que tinha que fazer. "

* Sobre imagem, gerenciamento da carreira e comparação com Senna; "Eu nunca tive um assessor, um advogado para fazer contrato, eu mesmo fazia. Eu estou cagando para o que falam de mim ou não, não leio revistas. Eu gosto de dirigir e é isso. E me divertia. Eu não me preocupo com o que pensam. Me perguntam se acho eu ou Ayrton Senna melhor e eu falo 'Eu estou vivo'. O que é melhor que isso? Eu não me importo. Eu tive essa vida e hoje tenho uma vida muito melhor. Ganho mais dinheiro agora do que há 20, 30 anos atrás na F-1. Eu tenho sucesso, tenho uma vida boa e relacionamentos. Tenho sete filhos, todos juntos, todos têm um quarto na minha casa. Todos juntos no Natal. O que é melhor do que isso?"

* Sobre Felipe Massa, Rubens Barrichello e Brasil sem piloto na F1: "A Fórmula 1 se tornou popular no Brasil por causa do Emerson (Fittipaldi). Emerson veio aqui e ganhou a Fórmula 3, chegou na F-1, ganhou o título e depois disso milhares de brasileiros vieram atrás, eu, o Senna. Barrichello estava num caminho bom e teve o acidente em Ímola e depois disso virou um segundo piloto. Massa vinha num bom caminho e depois disso teve o acidente, bateu a cabeça e eu fui o primeiro a dizer que ele estaria acabado. Ele continuou, mas perdeu aqueles 0,2s, 0,3s que precisava para ser competitivo. Eu sei porque aconteceu comigo também. Sem um brasileiro na F-1 certamente, com as crises e os governos não colocando dinheiro. Porque a F-1 não é baseada numa promotora para ter o dinheiro e pagar...a F-1 é paga pelos governos, cidades, que querem ter seu nome porque a F-1 é uma grande publicidade. E se o governo não está preparado, não acho que teremos Fórmula 1 no Brasil."

VEJA O VÍDEO DA ENTREVISTA NA ESPN, CLIQUE AQUI

Casa de Rui Barbosa - ONU promove debate sobre migração com exibição gratuita do filme “Era o Hotel Cambridge”


(do site do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil - UNIC Rio)

"A  Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Fundação Casa de Rui Barbosa promovem na próxima terça-feira (12), no Rio de Janeiro, um cine-debate com a exibição do longa brasileiro filme “Era o Hotel Cambridge”. A sessão integra o Festival Global de Cinema sobre Migração, iniciativa da OIM que ocorre em diversos países com o objetivo de debater o tema. A entrada é franca.

Lançado em março deste ano, “Era O Hotel Cambridge”, da diretora Eliane Caffé, narra a trajetória de refugiados recém-chegados ao Brasil que se unem aos sem-teto e dividem a ocupação de um edifício no centro de São Paulo. Na tensão diária pela ameaça do despejo, revelam-se dramas, situações cômicas e diferentes visões de mundo.

Pelo menos 25 produções profissionais e 8 de diretores emergentes integram a mostra. No ano passado, o Festival ocorreu em 89 países, com exibição de 13 filmes e documentários e 200 curtas. Para marcar o Dia Internacional dos Migrantes (18 de dezembro), o evento ocorre entre os dias 5 e 18 de dezembro.

Confirme participação no evento pelo Facebook: www.facebook.com/events/559060081099770.

Fonte: UNIC Rio

"Melô do assédio" - Na pior letra do ano, mulher é "filé-mignão"





por Pedro Juan Bettencourt
Tudo bem que letra de música sertaneja não está aí para abafar ninguém. Mas Luan Santana exagerou na rima de 'paixão' com 'Adão' e filé 'mignão'. As redes sociais caíram matando no que chamam de "pior letra do ano".  O versinho está na música “Check-In”, que o poeta lançou nesse fim de semana. O site SRZD recolheu da web alguns exemplo da indignação da galera.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Embalos de sábado à tarde: confraternização de fim de ano dos Amigos da Bloch

Ontem, sábado, o Graça da Vila, no Catete, recebeu os Amigos da Bloch para o tradicional encontro de confraternização 
de fim de ano. 

Hora de despachar 2017 e que venha um 2018 bem melhor. 

Entre os colegas presentes, Jileno, Fuks, Ana Lúcia Bizinover, Dalce, Amaury, Lairton, Jussara, Maria Alice, Décio, Tânia, Marco Antonio, Fernanda, Antonio, Gilmar, Paulo Roberto, Daniel, Ari, Liane, Ana Laura, Flávia, Reinaldo, Alex, Nilton Rechtman, Nilton Ricardo, Gavino, Regina, Tiana, Vargas, Bia, Márcia, Kátia, Elço, Luís Carlos, Angela, Athayde, Paulo, Adriana, Fátima, Gerson e Geraldo Felipe.

















Luiz Carlos Maciel: o demolidor de dogmas...


Reprodução Instagram
por José Esmeraldo Gonçalves

Há dois anos, circulou nas redes sociais um post realista e nada surpreendente. O jornalista, escritor e dramaturgo Luiz Carlos Maciel, que morreu ontem aos 79 anos, avisava ao distinto público estava precisando trabalhar. No seu apelo, a constatação de que o envelhecimento, no Brasil, é quase criminalizado para quem não tem os privilégios nem os podres poderes da elite que se superaposenta..

"Um tanto constrangido, é verdade, mas sem outro jeito, aproveito esse meio de comunicação, típico da era contemporânea e de suas maravilhas, para levar ao conhecimento público o fato desagradável de que estou sem trabalho e, por conseguinte, sem dinheiro. É triste, mas é verdade. Estou desempregado há quase um ano. Preciso urgentemente de um trabalho que me dê uma grana capaz de aliviar este verdadeiro sufoco. Sei ler e escrever, sei dar aulas, já fiz direções de teatro e de cinema, já escrevi para o teatro, o cinema e a televisão. Publiquei vários livros, inclusive sobre técnicas de roteiro, faço supervisão nessas áreas de minha experiência, dou consultoria, tenho – permitam-me que o confesse – muitas competências. Na mídia impressa, já escrevi artigos, crônicas, reportagens… O que vier, eu traço. Até represento, só não danço nem canto. Será que não há um jeito honesto de ganhar a vida com o suor de meu rosto? Luiz Carlos Maciel.

Enquanto lia e pensava sobre aquele duro S.O.S, via em um canto datado da estante velhos jornais, livros e revistas nos quais Maciel estava presente direta ou indiretamente.

O título mais comum na mídia, hoje, ao noticiar sua morte, refere-se ao "guru da contracultura". Nos anos 1960 e 1970, principalmente, Maciel foi o autor e mensageiro que levou a esquerda a quebrar dogmas. Em livros, ensaios e perfis, mostrou que no idealismo e no comportamento de muitos jovens também havia uma herança caduca de preconceitos a dispensar. Maciel ofereceu alternativas para um tempo em que o túnel estava quase fechado e sem luz.

Por tudo isso, aquele franco apelo de Luiz Carlos Maciel não combinava com o seu legado e a importância do seu ativismo cultural. Ali na estante estava amarelada e rota uma pequena memorabilia da sua atividade jornalística, do Flor do Mal ao Pasquim e a edição brasileira do Rolling Stone, que dirigiu,  além de autores que ajudou a introduzir nas universidades, nos botecos de Ipanema e em seus assemelhados Brasil afora.  No Pasquim, sua coluna Underground era um farol, como se dizia então, um GPS da contracultura como é dito hoje. Mas Maciel também atuou na mainstream da mídia, como Última Hora, Correio da Manhã, Jornal do Brasil, colaborou com revistas da Bloch e trabalhou na Fatos & Fotos.

Soube da morte do Maciel ontem à noite por uma mensagem de Roberto Muggiati, que peço licença para transcrever:


"Viu aí?  Foi-se o nosso Maciel. Omitiram que ele trabalhou na Bloch nos anos 70 - não lembro bem onde, mas não foi na Manchete. Como depoimento pessoal posso dizer que em Curitiba, em 1959, com 22 anos, eu invejava Maciel, um ano mais jovem, que havia acabado de publicar um livro que corri para comprar, Samuel Beckett e a solidão humana, nos Cadernos do Rio Grande, editados pela Secretaria de Cultura gaúcha. Éramos, então, uma mistura de comunistas e existencialistas exaltados e apaixonados pela vida - em 1960, Maciel foi estudar teatro nos Estados Unidos, com uma bolsa da Fundação Rockefeller; e eu fui estudar jornalismo em Paris, com uma bolsa do governo francês. A ditadura militar atropelou nossos sonhos em 1964, mas na sua fase light (que iria até o final de 1968), ainda nos permitiu uma atuação ideológica: Maciel teve um papel preponderante nas montagem de O Rei da Vela (1967), de Oswald de Andrade, pelo Teatro Oficina de São Paulo. E eu lançaria um livro ostensivamente engajado, Mao e a China, cinco dias antes da decretação do AI-5, na sexta-feira 13 de dezembro de 1968.
Abolidos todos os direitos civis no país, a resistência política seria exercida de forma violenta nos Anos de Chumbo pela guerrilha urbana, com os consequentes assassinatos e torturas nos porões da ditadura. Aqueles desprovidos de temperamento suicida, optaram por um modo mais sutil de combate. Encontramos então na contracultura que embalava o mundo no final dos anos 60 uma maneira de fazer política pelas beiradas e brechas do Sistema. Meu segundo livro, em 1973, Rock: o grito e o mito, teve como subtítulo A música pop como forma de comunicação e contracultura. Luiz Carlos Maciel foi ainda mais fundo, assinando a coluna Underground no Pasquim e dirigindo a versão brasileira da revista Rolling Stone.
Nos anos 70 circulou também pelas redações da Bloch, onde formou um trio imbatível com Narceu de Almeida e Luiz Carlos Cabral. Um dia, os três – mais a atriz Maria Claudia, sua mulher, que o acompanharia até o fim - debandaram para as areias de Búzios e Cabo Frio: segundo Jaquito, foram “jogar pingue-pongue contra o vento...”. Era o Grande Desbunde, a outra face da moeda dos Anos de Chumbo. Maciel resistiu sempre, tornando-se o “Papa da Contracultura” no Brasil".

Por uma dessas armadilhas da vida, Luiz Carlos Maciel parte quando mais fará falta. Basta olhar em volta: o túnel fecha de novo e volta a se apagar em tempo de retrocessos, preconceitos e obscurantismo.


sábado, 9 de dezembro de 2017

Sylvio Silveira versus Severino Dias - A GUERRA DOS CHEFS ou DUELO NO OSCAR CORRAL



Por Roberto Muggiati

A festa se perde na distância do tempo e a memória turva mal consegue atravessar os vapores etílicos daquela noitada… Pudera: um grupo seleto de jornalistas e executivos da Bloch – homens e mulheres – esperava o jantar havia horas – três, quatro, não exagero – servido por garçons solícitos do que desejasse: champanhe, vinho, uísque, caipirinha e o que mais se pudesse esperar de uma adega bem sortida.
Era no apartamento de Oscar Bloch Sigelmann, no nono andar do edifício Machado de Assis, na Avenida Atlântica, onde Adolpho e Lucy Bloch tinham sua morada no segundo andar. Adolpho não estava presente, Oscar reinava supremo com esta oportunidade rara de mostrar que era um “jolly good fellow”... A atração da noite seria um pato, menos prosaicamente um canard à l’orange preparado pelo diretor da sucursal da Manchete em Paris Sylvio Silveira, que viajara especialmente para a ocasião.
Sylvio Silveira. 
A Bloch sempre atraiu personagens de todos os matizes que, embora representando uma engrenagem a mais na máquina, tinham sua história pessoal muito rica. O gaúcho Sylvio Silveira fugiu um dia da mulher com a roupa do corpo e foi parar em Paris no início dos anos 1950. Ninguém saberia explicar – muito menos ele, que nem músico era – como de repente se viu liderando a melhor orquestra de dança da França. Infelizmente, Sylvio não soube administrar o seu sucesso e perdeu o lugar para Eddie Barclay, que virou um magnata da música e dos discos na França e, milionário, passou a trocar de carro e de loura todo ano. Barclay e o gaúcho eram trogloditas em matéria de música, mas Sylvio dizia que ao band-leader bastava "benzer" o público com uma maraca, a rapaziada da orquestra fazia o resto. De volta à rua da amargura, Sylvio acabou sendo descoberto por Adolpho Bloch e virou seu factotum em Paris. Em pouco tempo, Monsieur Silveirá se tornava a eminence grise da sucursal da Manchete em Paris, plantada num prédio da Avenue Montaigne, uma das ruas mais chiques da cidade: na cobertura morava Marlene Dietrich, que costumava tomar banho de sol nua; outro morador ilustre era o cineasta Roman Polanski.
PARIS, janeiro de 1977 – Entre a anfitriã Sophie Bleustein-Blanchet e Roberto Muggiati, Sylvio Silveira é servido em almoço na cobertura do Studio Publicis, uma das maiores agências de publicidade da França, defronte ao Arco do Triunfo (No andar térreo, a pleno vapor, funcionava desde 1957 a Drugstore Publicis, primeira do gênero em Paris, fundada pelo presidente do Grupo, Marcel Bleustein-Blanchet.) Foi neste encontro com Bleustein-Blanchet que Adolpho Bloch decidiu criar no Rio uma versão brasileira da Fondation de la Vocacion – a Fundação da Vocação – entidade destinada a promover a educação através da concessão de Bolsas.

Sylvio não era jornalista, mas, como homem de confiança de Adolpho, cuidava de tudo. (Os Bloch, perversamente, diziam sempre: “Ninguém sabe fazer uma mala como ele”, aludindo, é claro às mil muambas que Sylvio era obrigado a colocar entre roupas e sapatos, bugigangas que incluíam de perfumes e bijuterias a queijos, patés e vinhos.) No auge da ditadura militar, os Bloch ofereceram um jantar ao todo-poderoso Ministro da Economia Delfim Neto, em visita a Paris, e Sylvio botou os jornalistas da sucursal (quase todos comunas e exilados) na cozinha a descascar batatas e cebolas para o regabofe do Delfim.
Depois de décadas de Paris, Sylvio tornou-se exímio nas artes da gastronomia. Mas esta sua performance no Rio acabaria em verdadeiro desastre.  Sylvio iria preparar no apartamento do Oscar na Avenida Atlântica um canard à l'orange que era sua especialidade. Inadvertidamente, por não ter escolha ou até por sacanagem, Oscar deixou a infraestrutura a cargo de Severino Ananias Dias, o maître de Adolpho, que via no Sylvio uma ameaça à sua hegemonia.
Severino, Adolpho e Marechal. 

Como bom nordestino, Severino tinha ambições políticas. Nas festas da Manchete, por pura gozação, Cony sempre pedia que ele discursasse “em nome da redação da Manchete.” Severino sentia-se lisonjeado e soltava o verbo. Foi assim que, num aniversário do chefe, ele criou até um neologismo, ao se referir a “esta figura inevolúvel de Adolfo Blóqui...” Severino se candidatou a deputado, mas não emplacou. Tempos depois, casou com uma jovem do clã Avellino, detentor do poder em Vassouras, RJ. Elegeu-se prefeito de Vassouras, importante município fluminense que completou 160 anos em setembro e tem como lema Mihi maxime debetur Brasiliae incrementum (A mim, mormente, é devido o progresso do Brasil). Terminado o mandato, nos anos 1990, enquanto procurava novos rumos políticos, ainda em Vassouras, Severino morreu metralhado ao volante de seu carro, com a mulher ao lado, que nada sofreu. Acabou dando seu nome à Escola Municipal Prefeito Severino Ananias Dias. Seu filho, Severino Ananias Dias Filho, 33 anos, é o atual prefeito de Vassouras, até 2020.
Dezenas de editores e altos funcionários da Bloch — tinham de acordar cedo no dia seguinte — mas ficaram horas tomando coquetéis aguardando que os patos fornecidos pelo Severino descongelassem. Na espera, começaram até a rolar piadas, típicas de jornalista. Havia na França um conhecido jornal satírico chamado Le Canard Enchaîné (O pato acorrentado); canard, na verdade, é gíria para “jornal”. O pato do Sylvio foi batizado de Le Canard Déchaîné, o pato desvairado.
Severino fez os palmípedes chegarem às mãos de Sylvio duros como blocos de gelo. Desesperado, Sylvio tentou até apressar o descongelamento dos bichinhos com o secador de cabelos da anfitriã, Inês. Finalmente, pouco antes das badaladas da meia-noite, os canards vieram à mesa, com uma bela e apetitosa aparência. Mas os patos não haviam resistido ao supercongelamento: sua carne ficou fibrosa e insossa. Com um sorriso nos lábios, o elegante Monsieur Silveirá tentou dar o máximo do seu talento culinário, mas o boicote ostensivo do Severino foi fatal e o pobre Sylvio acabou pagando o pato.
Cabe aqui outro bordão da Manchete: o francês fake “chose de loque” (coisa de louco), que nós transformamos em “chose de Bloch”. 

Viu isso? Lugar de William Waack foi ocupado...

Reprodução Instagram
por Ed Sá 
Como naquele mesa ainda está faltando ele, o ex-funcionário Diego Rocha, que vazou o vídeo com o flagra de ofensas racistas de William Waack, voltou à  Rede Globo e fez uma foto tranquilamente sentado na bancada do jornalista. Foi uma das imagens (ao lado) que mais repercutiram na semana que passou.

Ainda não se sabe quem volta ao trabalho antes se Guerrero, do Flamengo, que recebeu gancho da Fifa, ou Waack, afastado pela Globo. Um pegou um ano de suspensão. O outro sofreu impeachment sem prazo. Corredores da emissora especulam que ele volta em janeiro. Ao mesmo tempo, o SBT teria demonstrado interesse em colocar Waack no seu telejornal ao lado de Rachel Sheherazade.

Quanto à irônica foto de Diego Rocha em plena redação, é motivo de investigação interna na Globo que tenta descobrir como ele conseguiu entrar. Segundo o UO, ele teria ido antes do RH. Como se sabe e a internet curtiu, Diego publicou a foto nas redes sociais com a mensagem "O Que Acham?” e a hashtag #didiconoplimplim.

Guina Ramos lança livro com mais de 300 fotos



Mensagem de Aguinaldo Ramos, fotógrafo que trabalhou na Manchete

"Neste domingo, 10/12, a partir das 16h, participarei do FIM - Fim de Semana do Livro no Porto - Praça Mauá, no Espaço dos Escritores Independentes, ​com o lançamento (mais um!) do livro "Bonecos e Pretinhas" (ou, mais precisamente, Neste domingo, 10/12, a partir das 16h, participarei do FIM - Fim de Semana do Livro no Porto - Praça Mauá, no Espaço dos Escritores Independentes, ​com o lançamento (mais um!) do livro "Bonecos e Pretinhas" (ou, mais precisamente, "[O dos] Bonecos e [a das] Pretinhas".)

"Bonecos e Pretinhas" é uma novela ilustrada, com 81 páginas de texto e mais de 300 fotos, que conta a história do reencontro (e do possível encontro...) de um casal de (quase) históricos jornalistas, em meio a uma indecifrável oscilação entre Niterói e Rio de Janeiro e dentro do panorama geral do país.

Estando, porém, no FIM, e dada a gravidade do momento nacional, faz-se necessário relembrar o que já foi publicado: "2112 ...é o fim!", o livro que traça "uma espécie de painel do i(ni)maginável futuro do Brasil", através de crônicos contos que "descrevem" os próximos 100 anos, baseados estruturalmente em importantes obras literárias e exemplares acontecimentos históricos. Em suma, "o Brasil caindo nos contos de um futuro mal passado"...

Estes e todos os meus demais livros, todos publicados por Guina &dita, estarão, no atacado e no varejo, juntos com todos nós, no FIM!
Nos vemos lá!

Guina Araújo Ramos

Memórias da redação: Hollywood já foi aqui...

Conversa com o leitor assinada por Justino Martins. Clique na imagem para ampliar