sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Brasil rejeita 5G chinesa e vai adotar a versão paraguaia. Nem tudo está perdido. Conheça o Superprojetor que transforma sua TV em cinema...

 

Reprodução Manchete/1982

por O.V.Pochê

A geringonça acima era anunciada na Manchete nos meses anteriores à Copa de 1982, na Espanha. Os aparelhos de TV eram ainda analógicos, telas minimalistas. Um "professor Pardal" não identificado inventou o "Superprojetor da TV Gigante. Prometia a visão dos jogos - e também de filmes e novelas - como se fossem um cinema em casa. A coisa garantia projetar na parede da sala do freguês uma imagem de 4m x 3m. 

O treco tinha que ser acoplado ao televisor, vinha com lentes, adaptadores e cintas que amarravam o estranho equipamento ao televisor. Infelizmente, temos apenas a reprodução do anúncio. Não há registro da experiência dos consumidores. Se o seu pai ou avô tiver adquirido o Superprojetor pergunte pra ele se a invenção funcionava. 

Pode ser útil a informação. Vem aí a Copa de 2022, no Catar. A maioria dos países verá os jogos em 5G. O Brasil ainda não sabe se terá o sistema.  Bolsonaro não quer a tecnologia chinesas porque é comunista. A alternativa poderia ser a Suécia, mas pode haver represália dos vikings à destruição da Amazônia, cidadãos suecos poderão fazer passeatas indignadas pedindo boicote ao Bananão (como Ivan Lessa apelidava o Brasil) e negando 5G. Os Estados Unidos terão interesse em vender sua tecnologia, mas será que Joe Biden vai topar? Afinal o novo presidente americano até agora não foi reconhecido pelo tosco presidenciano brasileiro . A alternativa é invadir os Estados Unidos com as nossas tropas e pegar a 5G na marra. Se não rolar essa "Operação Tempestade em Washington", restará a Bolsonaro comprar a 5G paraguaia, Aquela do "la garantía soy yo". Mas em último caso, se a confusão tecnológica impedir a transmissão da Copa para o Bananão, dê uma busca nos antiquários. Vai ver você encontrará um Superprojetor ainda em forma. 

Sem qualquer componente chinês. .

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

Maradona se vai, mas deixa a lenda inesquecível

 

19881: FOTO DE GIL PINHEIRO/ REPRODUÇÃO MANCHETE

A frase que o Olé estampa na primeira página, hoje, foi dita há 15 dias. Maradona sabia 
que seu tempo chegava ao fim,

por José Esmeraldo Gonçalves

Gil Pinheiro, da Manchete, fez essa foto de Maradona e Zico, em 1981. A presença do argentino, no Brasil, provocou matérias que comparavam os dois. Talvez, não garanto, tenha sido depois de um amistoso entre Flamengo x Boca Juniors. Maradona x Zico: quem era melhor? 

Tempos depois, Maradona escalou o futebol mundial, foi campeão do mundo em 1986, e a pergunta passou a ser: Maradona x Pelé: quem foi melhor? 

Nos últimos anos, nova pergunta: Maradona ou Messi? Difícil comparar épocas, no caso dos tempos de Pelé e de Maradona, dez anos mais novo, gerações diferentes. Arrisco dizer que estão empatados como craques, mas Pelé fez mais, ganhou mais títulos, fez mais gols, tinha mais recursos técnicos, mais fundamentos, como falam os treinadores. Maradona, mais arte. Como Messi, aliás. 

O que ninguém duvida é que Maradona está entre os maiores. 

Se o futebol reeditasse um filme dos anos 1990, onde um fazendeiro do Iowa interpretado por Kevin Kostner constrói um campo de basebol na esperança de atrair um ídolo morto havia décadas e vê-lo jogar,  Maradona teria vaga garantida e entraria naquele "Campo dos Sonhos" ao lado de Di Stéfano, Cruyff, Puskás, Garrincha, Yashin, Bobby Charlton, Eusébio, George Best, Didi, Just Fontaine, Nilton Santos...  

Por falar em Garrincha. Essa comparação faria mais sentido. Maradona e Garrincha, dois poetas do futebol. Iguais na bola, semelhantes no drama.

Reveja um gol histórico de Maradona contra a Inglaterra  AQUI



Livro sobre a Vaza Jato expõe as tripas da grande mídia...

por José Esmeraldo Gonçalves
O livro "Vaza Jato - Os Bastidores das Reportagens que Abalaram o Brasil", de Letícia Duarte (Mórula Editorial), revisita irregularidades da operação Lava Jato, de resto confirmadas em espantoso fluxo de mensagens, traz capítulos inéditos e revelações que atingem alguns jornalistas e veículos. 

Na verdade, ficam expostos, como em uma fétida mesa de autópsia, as tripas de uns e outros e os desvios éticos que cometeram.  

A jornalista Letícia Duarte entrevistou a equipe do Intercept Brasil, responsável pela série de reportagens sobre os delírios de poder da força-tarefa dos rapazes curitibanos, além de ouvir outras fontes. 

São, contudo, duas reportagem inéditas que atingem do ponto de vista jornalístico algumas figuras da Rede Globo e revelam mensagens trocadas com os procuradores ou as conversas destes dando conta de aproximações, encontros, "consultorias" com os jornalistas. São citados João Roberto Marinho, um dos donos do grupo, Merval Pereira, colunista do Globo e comentarista da Rede Globo e Globo News e Wladimir Neto, este filho de Miriam Leitão, também funcionária dos Marinho. Cabia a Neto, segundo as mensagens, dar "orientações" ao procurador Deltan Dalagnol. Prestaria uma espécie de "consultoria" graciosa a uma suposta estratégia política e de mídia da força-tarefa paranaense. No mínimo, a coisa toda se configura como um caso de relações perigosas de jornalistas com as suas fontes. 
O livro já está à venda no site da Mórula Editorial  AQUI

terça-feira, 24 de novembro de 2020

O Vilarino fechou. E dai? Sempre teremos a Spaghettilândia! • Por Roberto Muggiati



Mais um templo da boemia carioca cerrou suas portas por causa da pandemia e outras mazelas nossas: o Vilarino, o sacrossanto local do encontro de Antônio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes. Mas nem tudo está perdido: a Spaghettilândia segue aberta. O leitor poderá interpelar: e que diferença faz,? Qual a contribuição da Spaghettilândia (!) para o patrimônio sociocultural brasileiro? Enorme, imensa, digo eu – e tomo a liberdade de transcrever uma crônica do confrade-in-Panis Ruy Castro endossando minha opinião:





 

 

São Paulo, sábado, 13 de agosto de 2011

 

 

RUY CASTRO

O mistério da Spaghettilândia

RIO DE JANEIRO - Dois grandes poetas, Augusto de Campos e Ferreira Gullar, estão brigando pela Folha a respeito de Oswald de Andrade. Começou quando Gullar, na Ilustrada, mencionou um almoço com Augusto na Spaghettilândia, no Rio, em 1955, em que, segundo Gullar, Augusto teria se referido a Oswald como "irresponsável", alguém a não se levar muito a sério numa possível revolução da poesia brasileira.
Em réplica, Augusto negou que tivesse havido tal encontro na Spaghettilândia. Na tréplica, Gullar confirmou o almoço e deu a localização do restaurante. Disse que era perto do jornal onde trabalhava. Ora, como os jornais do Rio ficavam no centro, só pode ser a Spaghettilândia da rua Álvaro Alvim, na Cinelândia - não a de Copacabana ou a do Largo do Machado, que eram suas filiais. Talvez isto jogue alguma luz na refrega.
Gullar reforçaria seu argumento se dissesse o que comeram -se é que comeram -, mas ainda não fez isto. Como ex-cliente da Spaghettilândia, posso arriscar alguns palpites. O forte do cardápio, vide o nome, era o espaguete, ao sugo ou à bolonhesa, sempre cozido demais, ou uma lasanha cujas lâminas de massa, presunto e mozarela também não eram de deixar saudade.
Augusto, como bom paulistano e desconfiado das massas cariocas, não se passaria por essas sugestões, donde esnobaria o nhoque e a goela de pato da Spaghettilândia. Se o almoço de fato aconteceu, é mais provável que ele tenha optado pelo frango a passarinho ou por um infalível strogonoff, com pudim de Leite Moça na sobremesa. E, como nenhum dos dois era de beber, devem ter regado tudo com Caxambu.
Acho comovente que a humilde Spaghettilândia, de pé até hoje e no mesmo lugar, fosse cenário de um almoço tão importante para os destinos da poesia nacional. Almoço esse de repente sub judice, com o garfo a meio caminho.

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PS (RM)Para encerrar: jornalista curitibano, na minha primeira incursão ao Rio de Janeiro, em março de 1955, hospedado no apartamento de uma tia, eu costumava comer na Spaghettilândia de Copacabana. Como o Ruy descreve, a comida da Spaghettilândia não era de deixar saudade – mas seus preços eram imbatíveis e a ambiência da Capital Federal persiste em minha memória até hoje. Copacabana era um bairro elegante, suas ruas e calçadas impecavelmente limpas, as pessoas bem vestidas. Sua Spaghettilândia, a maior de todas, vivia cheia de gente que ainda sabia o que era ter um emprego: lojistas, balconistas, bancários, jornalistas, estudantes e professores, funcionários públicos (os chamados “barnabés”).

Tive uma ideia: já que a pandemia impede o presencial, acho que vou providenciar uma delivery de sabor proustiano da Spaghettilândia para o Ruy Castro no seu apê do Leblon. O que vai ser, Ruy? Spaghetti ou lasanha? Será que ainda servem a famosa goela de pato?

Recortes do Vilarino na Manchete (1952, 1953 e 1975










domingo, 22 de novembro de 2020

Dá--lhe Crivella ! Prefeito garante Covid para todos no Réveillon carioca

 Crivella está de saída da prefeitura do Rio mas não deixa de impor à cidade medidas irresponsáveis e eleitoreiras. Agora, o desprefeito vai permitir que os quiosques da orla façam aglomeração no Révellon, com direito a cercadinhos para convidados e shows. É fácil saber o que vai acontecer. Se cercadinhos privados são permitidos, porque o povão não pode levar para areia a cervejinha, o frango e a farofa? A Covid vai entrar em 2021 cheia de gás.

A essa altura o G-20 virtual está torcendo para a conexão da internet cair e Bolsonaro sair do grupo

Depois de pária vem o que? Nada. Na Índia, origem da palavra, pária é a casta mais baixa. Ontem , o anormal que preside o Brasil fez o pais descer mais alguns degraus rumo à exclusão do convívio internacional, à desclassificação global. Em um grotesco pronunciamento, negou o racismo, negou o meio ambiente, negou o enfrentamento científico da pandemia, negou, enfim, a sua suposta saúde mental. Os demais líderes do G-20 só faltaram entoar o coro "pede pra sair". Hoje, em novo pronunciamento diante dos chefes de Estado, tentou consertar as idiotices de ontem. Em vão. Na sequência, a conferência virtual abordou outros assuntos talvez torcendo para cair a internet e elemento não mais voltar à live.

No Estadão: o governo federal que nega a pandemia dá a descarga em milhões de reais

 


A Folha foi o único dos três grandes jornais da estampar Carrefour na capa. Globo e Estadão se esforçaram ontem para não botar o nome do supermercado no título principal

 


Jânio de Freitas enquadra o vice bobão

 


Na capa da Istoé: a quadrilha poderosa que não dança na Justiça

 


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Lobby ataca Mata Atlântica no Rio de Janeiro: diga não ao autódromo que destrói floresta


Quando política e interesse poderosos se juntam, a cidade perde. Como um rolo compressor, um projeto absurdo avança: a construção de um execrável autódromo na Floresta do Camboatá a custa do último reduto da Mata Atlântica em área plana da cidade. 

Os lobistas e os políticos recrutados já tentaram envolver a FIA (Federação Internacional do Automobilismo) e os promotores da Fórmula 1. Aparentemente, sem sucesso. Jornais europeus e até o piloto Lewis Hamilton criticam o que pode se configurar um crime. 

Ontem, a Comissão  Estadual de Controle Ambiental rejeitou o pedido de licença ambiental, mas um grupo de conselheiros ligados ao governo estadual sensível ao lobby exigiu um "novo estudo". Isso significa que a pressão para a destruição de Camboatá avança, apesar do órgão de controle ambiental apontar vários locais alternativos para a construção de um autódromo sem que haja agressão à natureza. Fique atento. Você pode ajudar a evitar um delito ambiental em andamento. AQUI

Para jornalistas e não jornalistas - "No Rastro Digital do Dinheiro Público": um curso para pegar corrupto...

(Do Knight Center/LatAm Journalism Review)

Já está disponível a versão autodirigida do curso “No Rastro Digital do Dinheiro Público: Como fiscalizar gastos da União, estados e municípios". Isso significa que todos os conteúdos, como videoaulas, leituras, testes e outros materiais, estão abertos na plataforma de aprendizagem online do Knight Center, JournalismCourses.org.

É uma oportunidade a mais para jornalistas e não-jornalistas aprenderem sobre como o orçamento público funciona e como identificar potenciais casos de uso indevido do dinheiro do contribuinte.

“Capacitar e fomentar o acesso à informação em relação à fiscalização das contas públicas, amplia o controle social e contribui para o aprimoramento da qualidade e da legalidade do gasto'', disse o instrutor Gil Castello Branco, que tem uma larga experiência ensinando jornalistas a como acompanhar os gastos do governo.

A partir de exercícios práticos em bancos de dados disponíveis, o curso torna os participantes aptos a investigar a qualidade e legalidade das contas públicas e a apontar suspeitas de mau uso do dinheiro público nos diferentes níveis de governo.

“Eu gostei muito do Siga Brasil. É um banco de dados complexo, mas completo. É uma grande fonte de dados. Porém, é preciso aprender um pouco de AFO - Administração Financeira Orçamentária. O site Compara Brasil também é excelente, sendo uma importante fonte secundária” disse o jornalista e aluno do curso Carlos Eduardo Matos, baseado em Brasília.

Para o jornalista Germano Martins, as orientações sobre como navegar nos portais do governo federal e do Senado foram as mais úteis. "Eu pretendo colocar em prática apresentando pautas no meu ambiente de trabalho. O curso vai ajudar a elaborar essas pautas," disse.

Em sua versão original, o curso foi ministrado de 7 de setembro a 4 de outubro de 2020 e contou com 2.276 alunos registrados. A maior parte deles do Brasil, mas também de Angola, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, mas também de países como Argentina, Colômbia e México.

Este curso é uma parceria do Centro Knight para o Jornalismo nas Américas com a Associação Contas Abertas, com apoio do Google News Initiative. Para saber mais sobre o curso e acessar seus materiais, visite a página dos cursos autodirigidos do Centro Knight.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA AQUI

quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Panis EXCLUSIVO - O 5000º mergulho de um aventureiro em Manchete. Por Roberto Muggiati

 



O cartaz comemorativo do mergulho nas Maldivas

E a homenagem das camareiras do hotel 

Ao longo dos meus vinte e tantos anos como editor de Manchete, tive a primazia de registrar em primeira mão as façanhas de incontáveis aventureiros que saíram pelo mundo enfrentando os maiores desafios dos esportes radicais. Assim foi com o Príncipe D. João de Orleans e Bragança em seus primeiros ensaios surfísticos; com os irmãos Metsavah em suas incursões de snowboard nos Andes (Oskar se tornaria depois o criador da Osklen); com Pepê na asa delta; Rico e Ricardo Bocão brilhando nas pranchas; e com o saudoso alpinista Mozart Catão, que, depois de conquistar o Kilimanjaro e o Everest (lembro as pontas dos dedos da mão que perdeu, congeladas ao tirar a luva para fotografar o feito), morreu no Aconcágua soterrado por uma avalanche em 1998, aos 35 anos, como seu homônimo Wolfgang Amadeus.

Neste 2020 fatídico, desafiando também a pandemia, um de nossos mais ativos aventureiros, Carlos Eduardo Carvalho Lima (completa 80 anos em abril) acaba de atingir uma marca notável no ranking internacional. Fez, nas ilhas Maldivas, Oceano Índico, o mergulho número 5000 em seus mais de 40 anos de fotografia submarina, amplamente documentados pelas revistas Manchete e Geográfica

Carlos Eduardo relatou o feito com exclusividade para o Panis Cum Ovum:

“Os moradores de Veligandu ficaram orgulhosos por eu ter escolhido o atol para o mergulho histórico. Mergulhei com a dive master, ela preparou um cartaz comemorativo e filmou a aventura. À noite, me convidou para participar de uma cerimônia com os mergulhadores presentes exibiu partes do vídeo e me ofereceu um diploma celebrando a marca. Foi uma cerimônia que me deixou emocionado! 

Mais comovente foi a paisagem submarinha que os arrumadores do meu bangalô fizeram com folhas com peixes-palhaço, arraias, tartarugas, um barquinho a vela e gaivotas. Um trabalho artístico! 

Doeu o coração ter de desmanchar o arranjo sobre a cama para podermos dormir.”

 

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Na capa da IstoÉ: Brasil é a casa do palhaço tragico

Na capa da Vogue: Ingrid faz história

A bailarina carioca Ingrid Silva, do Dance Theatre Company, do Dance Theatre Harlem, Débora Colker, Grupo Corpo, já trabalhou com os maiores coreógrafos do mundo. É capa da Vogue. No Brasil racista não é pouca coisa. Essa capa é histórica.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Bruno Barbey (1941-2020): "Foi no Brasil que descobri a cor". O fotógrafo da Magnum, que trabalhou para a Manchete nos anos 1970, morreu na última segunda-feira em Vincennes , onde morava, perto de Paris.


Reprodução de matéria de Bruno Barbey para a Manchete.

O rosto e as esperanças dos brasileiros que foram atraídos para a exploração da Amazônia. Sonhos desfeitos anos depois. Reprodução de foto de Bruno Barbey publicada em Manchete. 

Bruno Barbey captou para a Manchete as máquinas que chegavam na Amazônia como parte da ocupação promovida pela ditadura. Ali começava, na verdade, o processo de destruição da floresta, 
hoje brutalmente acelerado. 

O texto de apresentação da reportagem de Bruno Barbey e...


...a chamada de capa d matéria. 


Bruno Barbey em foto de 1967,  da Magnum, publicada hoje no site da agência.


Para quem cobria guerras e revoluções, o Carnaval carioca e a Amazônia devem ter sido uma explosão de cores para as lentes de Bruno Barbey. Fotógrafo da Magnum desde 1964, ele percorreu campos de batalha em Suez, no Vietnã, Bangladesh, Camboja, Nigéria, Irlanda do Norte, Kuwait e Iraque. Registrou como poucos as manifestações de Maio de 68, em Paris. No começo dos anos 1970, Barbey fez uma série de reportagens para a Manchete. Foi integrado à equipe que cobriu os desfiles das escolas de samba, em 1973. No mesmo ano, percorreu a Amazônia com o repórter Joel Silveira. foi à Bahia e fez Iemanjá em Copacabana. A parceria com a revista se repetiu nos anos seguintes. "Foi no Brasil que descobri a cor", é a frase que O Globo reproduz hoje. Bruno Barbey sofreu um enfarte ao 79 anos. Deixa inconclusos um livro e uma exposição sobre o Brasil.

domingo, 8 de novembro de 2020

Memórias da Manchete: O dia em que quase entrei na Geórgia por engano • Por Roberto Muggiati

 



O destaque da Geórgia na reta final das eleições presidenciais americanas me fez lembrar um episódio ocorrido por conta da
Manchete em julho de 1984, durante a cobertura da turnê “Victory” dos Jacksons, capitaneada por Michael, então no auge do sucesso em sua fase pós-Thriller. Eu acabava de ser reconduzido à direção da revista e, como um presente de grego, Jaquito passara para mim um convite da gravadora Sony – feito na verdade à Rádio Manchete – para cobrir uma das primeiras apresentações da turnê, em Jacksonville, Flórida.  Tudo bem, interessava – e muito – à revista, mas era o tipo de viagem que, com sua verve costumeira, Justino Martins batizara de “viagem-piscina”: “Tu salta, nada rápido, bate na outra borda e volta, tchê...

Saímos do Rio sexta-feira à noite, chegamos a Miami na manhã de sábado. Até Jacksonville, no extremo norte do estado, era uma hora e meia de voo num aparelho convencional. Estávamos na época dos furacões e vivemos momentos de incerteza até ter nosso voo liberado. Fomos instalados num motel 30 quilômetros ao norte do que seria o “centro”. Jacksonville era uma cidade estranha, construída às margens do rio St. Johns, com 15% de sua área ocupada pela água.

Aproveitando as mordomias da Sony, um radialista gaúcho pediu um carro para circular pela região, que a gravadora providenciou na hora. Gentilmente, o radialista concordou em me levar até uma loja de música que eu havia contatado por telefone, a fim de comprar um saxofone alto – o tenor eu já tinha. Ficava a uns 20 quilômetros de distância e tivemos de atravessar umas dez “toll bridges” – pontes de pedágio – até chegar lá. Valeu a viagem: a loja tinha um sax alto Conn praticamente novo a preço de segunda mão, 450 dólares. Um garoto de doze anos ganhara o instrumento, tomara duas aulas, enjoara da coisa e desistira do saxofone. Na volta para o hotel procuramos um local para almoçar. Meu amigo gaúcho não era muito familiarizado com o carro hidramático, nem eu. Além do mais, erramos o caminho e de repente vimos na autoestrada uma placa anunciando Georgia 5 miles. Felizmente, achamos um último retorno salvador e um grande restaurante de beira de estrada com cara de churrascaria. Lá encontramos quase toda a turma convidada para a viagem, inclusive os jovens executivos da Sony. À saída fizemos uma foto de grupo com o saxofone em primeiro plano. Exigiram que eu “desse uma palinha”, achei que ia dar um vexame monumental. Ainda mais com um sax alto que nunca tinha soprado. Liguei o automático e peguei uma Wave – não tem um dedilhado dos mais fáceis – mas não é que surfei numa boa a onda do velho Jobim? Tocar saxofone é como andar de bicicleta, depois que você aprende não esquece mais. Tocar bem já é outra história...

Antes do espetáculo saí fotografando os fãs de Michael Jackson devidamente paramentados a caminho do estádio, cheguei atrasado ao coquetel para a imprensa –  caviar, champanha e cocaína já tinham acabado...

O show foi o que já se previa: Michael Jackson dando uma tremenda colher de chá para os irmãos, que andavam mal de carreira e dinheiro e deixando de ser aquele Michael solista genial do Thriller. As três apresentações de Jacksonville, no Gator Bowl Stadium – receberiam um público de 135 mil pessoas. A queima de fogos ao final agradou mais do que o show e foi mais longa e feérica do que a do Réveillon de Copacabana.


PS • Ray Charles deve estar vibrando... Por falar em música, vale assinalar que voltou a soar nos céus da América uma das mais belas canções de Hoagy Carmichael, Georgia on My Mind, gravada em 1930 pelo autor com a banda que incluía o genial cornetista Bix Beiderbecke. Mas foi a versão gravada em 1960 por Ray Charles, nascido na Geórgia, que chegou ao número um na parada de sucessos da Billboard e seria adotada como o hino oficial do estado da Geórgia. OUÇA AQUI

https://www.youtube.com/watch?v=QL3EZwSJAh0

 

Memes e frases sobre a derrota de Trump

 



]








* Loser (perdedor) foi a palavra mais associada a Trump, ontem, na rede mundial. 
* Trump só sai da Casa Branca por condução coercitiva. 
* Com Trump desempregado, a "rachadinha" familiar deixa a Casa Branca: perdem os empregos oficiais Ivanka Trump e  marido, Jared Kushner. Já Melania Trump perde o status e as mordomias, mas sai ganhando: não precisa mais fingir em público que está casada com o magnata.
* Trump volta aos negócios. E, provavelmente, a mais uma falência. Na sua carreiras de negociante e especulador imobiliário, ele conta quatro falências. Piada que corre atesta que perdeu a eleição porque os credores não votaram nele. 
* De um observador: "• Trump é igual ao Mike Tyson, sempre apronta alguma".
* Família Bolsonaro está leiloando bonés Trump 2020. Tratar com Queiroz.

sábado, 7 de novembro de 2020

Biden presidente. Trump se recusa a deixar a Casa Branca e parte para o golpe jurídico

 

                                                                  Foto Democratic. org

Joe Biden e Kamala Harris eleitos!.  Os Estados Unidos dão um basta na chamada era Trump. 

O magnata tresloucado não aceita a derrota, atitude já esperada, e anuncia a tentativa de golpe jurídico para permanecer na Casa Branca. 

O país viverá dias tensos. 

O desespero e o discurso de Trump alegando fraude se espalham entre seus apoiadores, muitos deles ostensivamente armados com fuzis. 

Nos próximos dias, a democracia vai ser testada, como jamais aconteceu na história dos Estados Unidos.  

NBC, ABC, e MNSBC cortam discurso mentiroso de Donald Trump. É a mídia defendendo a democracia. Atitude válida para todo mundo.

O jornalismo profissional criou defesas contra o fenômeno neofascista das fake news. É a checagem de cada mentira que circula nas redes sociais. Políticos como Trump e Bolsonaro dão seguidas mostras de que isso não basta. Na cara de pau, ambos usam a mídia profissional para espalhar notícias falsas. Na última quinta-feira, Donald Trump fez o mais vergonhoso discurso já pronunciado por um candidato. Sem apresentar qualquer prova, afirmou que venceria facilmente se fossem contabilizados apenas os" votos legais" e que, se fossem incluídos os "votos ilegais", os democratas "roubariam a eleição". Diante da acusação infundada, as redes  NBC, MSNBC e ABC imediatamente interromperam a transmissão  do discurso, na verdade uma peça de fake news, por considerarem que o conteúdo favorecia a desinformação. O fato provoca debates entre jornalistas. Há quem apoie a decisão das redes e defenda que se torne norma ética, há quem critique e, uma terceira opinião advoga que as emissoras devem permitir que o indivíduo minta e, em seguida, devem desmascarar a mentira para os telespectadores. Assim como Goebbels usava o rádio para difundir as mentiras nazistas, a ultradireita também não tem qualquer pudor em  distorcer os fatos nas redes sociais, em nome da ideologia. Do neofascismo, na prática. O problema é quando fazem isso em meios de comunicação legítimos. Devem os veículos servirem de plataforma para a ascensão no neofascismo? Quando toma posição, a grande mídia norte-americana (e aí se destacam os jornais Washington Post e New York Times, especialmente) está alguns degraus acima do seu equivalente no Brasil. Aqui, aplica-se o dogma nem sempre oportuno de "ouvir os dois lados", seja lá o que for. Também não se contesta a mentira no ato. Bolsonaro, por exemplo, diz o que quer e qualquer fake news que ele espalhe é respeitada como a "opinião" do presidente. Diante do uso massivo das redes sociais como instrumento de pregação antidemocrática, torna-se válido que a mídia profissional não dê espaço para o neofascismo. NBC, ABC e MSNBC deram uma lição ao mundo.    

O tour mais ridículo da semana: a viagem da delegação da OEA que foi "observar" as eleições americanas...

 A OEA (Organização dos Estados Americanos) foi criada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, depois da Segunda Guerra. O objetivo era implantar um muro continental ideológico contra o "esquerdismo". No cenário internacional, a geringonça tem mais irrelevância do que consequência. Mais de 70 anos depois de fundada continua como uma franchise de Washington. Por isso, ao viajar para "observar" as eleições norte-americanas, a OEA fez apenas o papel que lhe cabe: o do ridículo. Em pouco mais de 24 horas, os "observadores" conseguiram "observar'" que estava tudo bem. Não saiu uma linha sequer nos jornais americanos sobre as "observações' da delegação. Se tivessem optado por dar uma passada na Disney e posar com o Pateta poderiam auferir pelo menos uma notinha em um tabloide cucaracha de Orlando. 

A OEA não entende de eleições, é mais ativa em referendar golpes, como os que assolam as Américas do Sul e Central. 

A piada: ao se apresentar em uma seção eleitoral, a delegação devidamente engravatada e de cabelo gomalinado informou aos mesários que estava ali para "observar" se a coisa ia bem. "OEA, what?", espantou-se o voluntário enquanto folheava um maço de cédulas eleitorais.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Fotojornalista André Dusek lança livro que desvenda a "glória" e a decadência de Serra Pelada, a mina de ouro da ditadura...




        Serra Pelada: ponte-aérea entre a miséria e a riqueza. Foto André Dusek/Divulgação

O fotojornalista André Dusek, que nos anos 1970 foi fotógrafo da Manchete e Fatos & Fotos, lança  o livro "Ouro Bruto - Serra Pelada em três tempos". Suas primeiras investidas no garimpo foram ainda no tempo da ditadura. Dusek também trabalhou no Correio Braziliense no começo dos anos 1980.  Posteriormente, voltou ao local em 1996 e em 2019, o que lhe garantiu um panorama completo de Serra Pelada. O garimpo produziu imagens antológicas. Tão intensas que, para muitos editores, remetiam a uma saga de escravos enlameados que pareciam escalar pirâmides egípcias. Dusek registou o auge e a decadência. Aquele sítio miserável, apesar (e por causa) do ouro que enchia o bolso de poucos, foi incentivado pelos militares e fez milionários ligados à ditadura. As imagens dramáticas de milhares de homens, qual "formigas", escapando da cava com sacos às costas e em precárias "escadas" de madeira, percorreram - e impressionaram - o mundo.     

domingo, 1 de novembro de 2020

Capa da Time:chegou a hora de dar um reset no mundo

 

Uma capa que provoca reflexão. A ascensão da direita neonazista e a Covid-19 levam o mundo a dar um freio de arrumação: o capitalismo tem que ser reinventado. Não dá para ignorar mais temas como a desigualdade, o racismo, o meio ambiente, a fome, a redistribuição de renda, resgatar a dignidade do emprego... É isso ou a barbárie no poder em poucas décadas.

E a Veja? Pelo jeito privilegia na capa sua preferência... Vai ter que inverter a carta na semana que vem?...


 Chamada de capa em inglês: Veja quer falar com quem? Avenida Paulista, Miami, Jurerê, Barra da Tijuca... 

sábado, 31 de outubro de 2020

De Sean Connery para a Justino Martins: "Sensibilizado com a acolhida que a Manchete tem dado aos meus filmes"






por Ed Sá
Sem ameaças de espiões, sem vilões ao redor, Sean Connery morreu dormindo, hoje, em casa, nas Bahamas. Completou 90 anos em agosto último.

No auge do sucesso da série 007, o ator deu pelo menos duas entrevistas a Justino Martins, exclusivas para a Manchete. Uma nos estúdios da Pinewood, a 30km de Londres, e outra em Cannes. 

Em 1965, quando filmava no Caribe "007 Contra a Chantagem Atômica", Sean Connery enviou para a Manchete fotos das filmagens, entre as quais as duas acima reproduzidas: quando se preparava para uma cena de mergulho e em um momento de sorte grande, talvez até de glória, ao tirar um espinho do pezinho da Claudine Auger. 

O portador do material foi Adolfo Celli, o ator e diretor italiano que morou no Brasil, dirigiu o Teatro Brasileiro de Comédia, participou da Companhia Cinematográfica Vera Cruz e foi casado com a atriz Tonia Carrero.

Junto com as fotos, Sean Connery mandou um bilhete para Justino no qual elogiava a revista e prometia vir ao Brasil um dia. Promessa que, infelizmente, não se realizou. O 007 até veio ao Rio de Janeiro, mas já interpretado pelo ator Roger Moore que, em 1979, passou duas semanas na cidade filmando '007 Contra o Foguete da Morte.

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

Nos tempos da Frei Caneca: O Rei e o paletó do Ledo Ivo • Por Roberto Muggiati


Na reprodução, Roberto e Erasmo Carlos posam para a fotógrafa Eveline Muskat, da Manchete, em frente ao antigo Cine Bruni Flamengo, que estreava o filme Help, dos Beatles, em 1965. 

Novembro de 1965: O segundo filme dos Beatles, Help, estreava no Rio e eu estreava na Manchete. Depois de uma tranquila carreira na Gazeta do Povo, iniciada aos 16 anos na minha Curitiba natal, e de dois vitoriosos anos no Centre de Formation des Journalistes em Paris e três anos no Serviço Brasileiro da BBC em Londres, eu me via na estaca zero da profissão e num outro país: o Brasil da ditadura militar. Nada mais hostil a mim, descendente de velhos anarquistas italianos. 

Na Manchete, um estranho no ninho, fui encaixado na categoria de repórter especial porque falava várias línguas. Mas nada disso importava. Naquela casa de loucos, a ordem era o caos. Foi assim que, à hora do almoço num dia do fechamento da revista, recebi a incumbência de entrevistar Roberto Carlos sobre o novo filme dos Beatles. Como chegar ao Rei, que começava a se tornar uma figura inacessível? Naquele justo momento ele estava gravando seu programa na Rádio Guanabara, num arranha-céu da Cinelândia ao lado do Teatro Municipal. Tive de romper a barreira de uma turba de tietes (já não as chamavam mais de macacas de auditório) até chegar ao Rei. Ao contrário do que eu temia – e com uma simplicidade plebeia – topou me acompanhar até o Cine Bruni, na Praia do Flamengo, onde passava Help. Erasmo Carlos, seu parceiro no programa Jovem Guarda, da Record, que estreou em agosto daquele ano, também tripulava o conversível. A tarimbada fotógrafa Eveline Muskat sabia que tipo de imagem emplacava página dupla na revista e ordenou a RC que ficasse de pé no seu carrão conversível, com os braços abertos para a marquise ao fundo da foto com as letras garrafais HELP • SOCORRO • OS BEATLES. 

Ledo Ivo 

Agora era só voltar à redação e “bater” a matéria na velha Remington. Tarefa aparentemente fácil, se não envolvesse os novos deuses da canção, no caso o Rei em pessoa. Pouco tempo depois, Chico Buarque estourava com A Banda e a Manchete encomendou um perfil literário do jovem “cantautor” ao poeta Ledo Ivo, renomado tradutor de Rimbaud (autor de Le Bateau Ivre, que os invejosos da redação chamavam de Le Bateau Ivo.). 

Inseri o nome do Ledo Ivo porque ele é praticamente o personagem principal dessa história. Repórteres de elite como ele e outro poeta, Homero Homem, costumavam chegar à redação por volta das onze horas, tomar uns cafezinhos, jogar conversa fora e subir para o almoço no oitavo andar às treze horas. Não havia ar condicionado em Frei Caneca e ventiladores com pás enormes como hélices de avião, tentavam em vão aliviar o calor. Ao chegar, os jornalistas imediatamente se desfaziam dos seus paletós, que colocavam em cabides num closet à entrada da redação, Quando parti esbaforido atrás de Roberto Carlos, peguei às pressas meu paletó de tropical cinza e o vesti atabalhoadamente enquanto embarcava no carro da reportagem que nos levaria na caça ao Rei. Só nos corredores da Rádio Guanabara, ao levar a mão ao bolso em busca do meu caderninho de notas, me dei conta de que tinha pegado o paletó errado. O tropical cinza superpitex ejetou uma polpuda e surrada carteira de couro preta, com todos os documentos, dinheiros, talões de cheque e fotos de família a que tinha direito. Numa das fotos, Ledo e Leda, o casal. Apavorei. 

Ô cara azarado! Eu tinha de pegar logo o paletó do Ledo Ivo! Alagoano com fama de mau de humor e bom de peixeira, autor do romance Ninho de cobras... Aquela gafe certamente iria dar pano pra manga no meio jornalístico, entraria sem dúvida para o anedotário dos focas. 

De volta à redação, senti um sopro de esperança: os comensais ainda não haviam voltado. Adolpho Bloch caprichava nas suas cozinhas e dizia que “a Manchete era um grande restaurante que, por acaso, imprimia revistas...” Recoloquei cuidadosamente o paletó da discórdia no seu cabide e respirei aliviado. Ledo Ivo entrou para a Academia Brasileira de Letras – seu grande sonho – na sua 9ª tentativa, em 1986. Imortal, morreu em Sevilha aos 88 anos, em 2012, sem nunca ter chegado a saber das aventuras em que o seu paletó havia se metido meio século antes naquela conturbada hora do almoço em Frei Caneca.