PANIS CUM OVUM - o blog que virou fatos&fotos

sexta-feira, 13 de março de 2026

Carlos Heitor Cony - 100 anos amanhã - O homem que inventou a si mesmo - Por Roberto Muggiati (*)


Em 2008, anos depois da falência da Bloch, Cony, flagrado pelo celular de Jussara Razzé, olha do lado de fora a muralha
do império da Manchete, onde foi "amigo do Rei". Cony soit qui mal y pense... 


(*) Texto especial para a revista Contigo, publicado na seção Gente & Histórias em 2013

Aos 85 anos, completados em 14 de março, Carlos Heitor Cony — depois de uma “parada técnica” — continua escrevendo sem parar, como sempre fez. Jornalista, cronista, escritor, pintor bissexto, pianista idem e “imortal” (embora prefira chamar-se “terminal”), Cony voltou a falar de tudo e de todos. Não passa um dia sem que o leitor, ouvinte ou telespectador tope com uma opinião sua na mídia. Com 40 livros publicados, contador de histórias compulsivo, o próprio Cony é a melhor matéria da sua memória. Com uma vantagem sobre os competidores: das mil e uma coisas que conta, garante: “É tudo verdade!”

• O Cony salvou a minha vida. Ou, pelo menos, minha carreira. Em 1970, incorri na ira do Adolpho Bloch porque deixei passar um texto do Magalhães Jr que dava JK como nascido em 1900. O ex-presidente — amigo do peito do dono da Manchete — se dizia nascido em 1902.



Roberto Muggiati com uma camiseta especial para celebrar mais
de 50 anos de amizade com Carlos Heitor Cony.
O encontro para marcar a data não chegou a acontecer.



Adolpho queria demitir sumariamente a mim e ao Magalhães. Cony, que eu mal conhecia, veio em meu socorro: “Muggiati, mude sua mesa, esconda-se atrás de uma coluna.” As pilastras de mármore da redação da Manchete ofereciam amplo refúgio. Escapei assim do olho do Adolpho (e da rua) e continuei no prédio do Russell para me tornar o mais duradouro diretor da revista Manchete. E, ironicamente, para me tornar o “chefe” do Cony. Antes disso, fui chefiado por ele na redação de EleEla, revista mensal “masculina” — um oásis de paz em meio às outras redações, sempre à beira de um ataque de nervos. Não tínhamos nem a angústia de procurar mulheres nuas maravilhosas para esgotar cada edição: a censura só deixava publicar mulheres em biquínis largos. Vivíamos uma bela rotina: às cinco e meia Cony fechava as cortinas da redação e lotava seu carro de caronas para Copacabana, com direito a uma parada no Chuvisco do Leme para comer doces. Foi nos intervalos de ócio da EleEla que Cony escreveu seu romance mais transgressor, Pilatos. Foi lá que comecei meu Rock: o grito e o mito, cujo título ecoava O ato e o fato, o livro de Cony que foi o primeiro berro de protesto contra a ditadura.
Aquela dolce vita não podia durar. E voltamos à rotina das crises e demissões. Cony logo se tornou a Madre Teresa dos demitidos. As demissões na Bloch vinham em ondas, como os pogroms dos cossacos na Rússia, pogroms que a família Bloch sofreu, antes de escapar para o Brasil. O alerta geral nas redações era: “O passaralho está voando!” Cony conseguiu salvar 90% dos demitidos. Uma bela ação humanitária para quem se professa desencantado do mundo. Em seu último livro, Eu, aos pedaços, ele reitera: “Sou contra a exata compreensão dos meus direitos de cidadão e contra o impostergável dever de solidariedade.” No fundo, Cony se envergonha de ser um homem bom.
Volto a ficar cara a cara com Carlos Heitor quarenta anos depois que nos conhecemos. Apesar de insistir nos últimos vinte anos em se dizer “terminal”, continua com a saúde firme. Só foi levemente prejudicado recentemente por um desgaste na cabeça do fêmur. Implantaram-lhe um pino de titânio e hoje nos aeroportos e em outros locais com detetores de metais o Cony é uma festa, BIP! BIP! BIP! sem parar. Aliás, a palavra “aeroporto” lembra a Cony outra deficiência sua, que moldou muitos aspectos de sua vida:
— Não sei se você reparou, eu falo areoporto, nunca consegui pronunciar corretamente a palavra. Esta e outras.
Como o monarca de O discurso do rei, procurou até um terapeuta, o fonoaudiólogo Pedro Bloch, primo do Adolpho. Cony explica:
— Fui mudo até os cinco anos, Não dizia nada. Também, não tinha nada para dizer. Era uma criança que vivia debaixo da mesa, vendo o mundo como o Tom e o Jerry, vendo os personagens humanos de desenhos animados só da cintura para baixo. Não tinha vontade nem necessidade de falar.

Dois dias depois, vou com Cony ao chá das quintas-feiras na Academia Brasileira de Letras. (ele é “imortal” desde 2000.) Falante e cordial, oferece um belo contraste ao menino calado foi outrora.
Nos primeiros tempos de escola, com seu mutismo e as palavras tartamudeadas, Cony sofreu a perseguição dos colegas, aquilo que hoje se cataloga como “bullying”. E aí estaria a explicação para outro comportamento seu. Todo jornalista que se preza odeia o patrão. Cony foi quase sempre “o amigo do Rei”. Particularmente com Paulo Bittencourt no Correio da Manhã e com Adolpho Bloch na Manchete. Ele me diz que sua intimidade com o poder foi uma compensação pelos traumas e perseguições dos tempos escolares.

Mas Cony precisaria buscar compensações bem maiores pelo fato de não ser o verdadeiro Carlos Heitor Cony. Trata-se de uma fantasia que ele alimenta há muitos anos, mas que, desta vez, me garante, é um fato incontestável. Aos dois meses de idade, aconchegado no berço na casa de Lins de Vasconcelos — bairro carioca onde nasceu — ele vive a sua experiência transcendental: é levado por uma cigana. Sua mãe saiu de casa e deixou a irmã para cuidar do bebê. Duas ciganas batem à porta, querem ler a sorte da tia solteira de Cony, ela se recusa, quando pedem um copo de água a tia não recusa. As ciganas entram na casa, uma distrai a tia, a outra faz a troca dos bebês. Quando a mãe volta e vai ver o bebê, grita espantada: ‘Mas esse não é o meu filho!’ O pai é chamado às pressas, o desespero é geral, mas não há nada a fazer. Sequer foi registrado boletim de ocorrência. Muito sério, ele me garante que “é tudo verdade.” Não é difícil perceber traços de cigano no rosto de Cony, descendente de franceses de origem marroquina.

Outra decepção traumatiza o menino aos doze anos. Seminarista no convento de São José, no Rio Comprido, é um dos doze meninos escolhidos para a cerimônia de lava-pés na Semana Santa. Seu pai é redator do Jornal do Brasil e manda o fotógrafo do jornal, Ibrahim Sued, fotografar a cerimônia. A foto do pé de Cony beijado pelo cardeal sai na primeira página do Jornal do Brasil, mas com a legenda totalmente equivocada, chamando-o de “um pequeno órfão do Asilo de São José.”
Todo santo sofre seu martírio. Ainda nos tempos de batina, passando por um botequim a caminho da igreja num domingo de manhã, Cony topa com um bando de boêmios que prolongavam ruidosamente a noite em Vila Isabel “De repente, um cara sem queixo, tuberculoso notório, larga o violão, pega uma chapinha de cerveja e joga na minha direção. A chapinha raspa com força pela minha orelha, passo a mão e sinto o sangue escorrendo. Corri até a sacristia. Ao chegar, sem fôlego, exibi aquele sangue ao vigário. Era o testemunho da minha fé. O vigário confirma: eu era um mártir.” O nome do agressor: Noel Rosa.

O caso do lava-pés provou a Cony que o jornalismo é uma mentira. Mas isso não o impede de ingressar nas ditas lides, aos 19 anos, depois de largar a batina. Ciente de que é muito tênue a fronteira entre fato e ficção, ele parte para o jornalismo. Sem grandes ilusões. Na adolescência, apaixonara-se pelos romances de Eça, Machado, Flaubert e Zola. Publica em 1958 o primeiro romance, o único escrito a mão, O ventre.
— Por que resolveu escrever romances, Cony?
— Por nada. Excesso de imaginação e falta do que fazer.

A partir daí escreve outros romances, batucados nas teclas de uma Remington portátil. Em 1975 dá uma parada e fica vinte anos sem publicar qualquer livro. Em 1995, volta triunfalmente com Quase memória, o primeiro romance escrito ao computador e dedicado à cachorra “Mila, a mais que amada.” Enquanto Cony digitava suas lembranças, Mila morria a seus pés.
Também não lhe faltaram romances na vida real, muitos deles transformados em casamentos. Filhos (porque qui-los?): Regina Celi e Verônica do primeiro casamento; André, de um relacionamento alternativo no início dos anos 70. Em meados dessa mesma década, Cony aquietou-se no departamento conjugal: casou-se com Beatriz, até hoje sua mulher eleita e companheira de todas as horas.

Insisto em cobrar dele um romance longamente anunciado, mas que não escreveu até hoje: Messa pro Papa Marcello. Arredio, Cony diz que não tem mais energia para escrever romances. Vai continuar publicando outros livros, mas não romances. Por falar em Papa, pergunto a Cony se já alimentou a ambição de reinar no Vaticano.
— Quando era seminarista, sim. Eu era do ramo, por que não almejar o topo? Mas, quando viajei no avião do Papa, em sua primeira visita ao Brasil, vi que não gostaria daquilo. Você deve ter reparado no meu sorriso sarcástico, na foto em que estou conversando com João Paulo II...

A certa altura, cansado da literatura, Cony resolveu pintar. Pinceladas abstratas de acrílico sobre papel. O único óleo sobre tela é um pequeno auto-retrato que mostra Cony como Raskolnikov — o estudante de Crime e castigo que mata duas velhinhas a machadadas.
— Por que Raskolnikov?
— Nunca cometi um grande crime, apenas pequenos delitos sem importância. Aspirava a um grande crime como o de Raskolnikov para poder expiar todas as angústias que sempre me perseguiram.
Cony apega-se à vida, sem motivo justo. E não tem ilusões em relação ao mundo. Sintetiza esta sua visão no final do romance maldito Pilatos. Um grupo de jovens canta e dança na praia diante do sol carioca que nasce. Um passante comenta com o narrador:
— Estão felizes, hein?
— Estão mal informados — respondi. E afastei-me.

Humanista que se renega, Cony é brilhante no labirinto de suas contradições e, apesar de tudo, insiste em escrever. Como ele mesmo diz: “Um gesto tão infantil como o de escovar os dentes, sentir na boca o gosto da espuma crescendo. Um rito infantil que talvez nunca tenha mudado, é sempre o mesmo.”

O Centrão quer Vorcaro solto. Se continuar preso, ele poderá aceitar delação premiada. Haverá distribuição de fraldas descartáveis para suas (deles) excelências ?

Cota parlamentar do Centrão: o bicho tá pegando.


Hoje é sexta-feira, 13. A Segunda Turma do STF começa a julgar se Daniel Vorcaro, o meliante do Banco Master, irá para casa ou se continuará no presídio. 

O julgamento deverá se prolongar por uma semana. É o tempo que o Brasil terá para fazer uma pizza de sabor horrível ou comprovar se ainda há juízes em Brasília. O STF está sob enorme pressão da extrema direita, com apoio de jornalistas kids pretos vestidos para a guerra. Fechando o cerco, o Centrão se apresenta como um pelotão de desesperados. No raciocínio dos estrategistas da vergonha, se Vorcaro permanecer preso tende a ficar mais vulnerável e assim considerar a temida delação premiada. Para a rapaziada conservadora envolvida no escândalo, o cagaço  é uma confissão de cumplicidade. Quem conhece Brasília diz que a situação pede distribuição gratuita de fraldas descartáveis. 

Atualização - 13/3/26 - 13h35 - A Segunda Turma formou maioria, no jargão do STF, para manter preso Daniel Vorcaro. Menos mal.

Na capa da Carta Capital: mesmo apodrecidos, zumbis da Lava Jato estão de volta

 


Comentário do blog - O STF foi fundamental no processo de de defesa da democracia. Pouco mais de dois anos depois do 8 de janeiro, a instituição que salvou o Brasil.de uma ditadura está nas cordas, massacrada pela mídia corporativa, a ossada pela extrema direita oportunista que se aproveita dos erros de alguns ministros e das pressões da máquina da corrupção para tirar do caminho a Justiça em nome da lei do mais forte 

quinta-feira, 12 de março de 2026

O sapateiro louco no país das armadilhas

 

Reprodução The Times

por José Esmeraldo Gonçalves 
Alguns jornalistas começam a vasculhar a infância e adolescência de Donald Trump. Desconfiam que os problemas mentais do oligarca começam aí. A mãe de Trump não botava fé no filho. Ele teria sofrido uma espécie de bullying maternal. Daí a necessidade permanente de subjugar pessoas e países. Daí a preferência por se cercar de mulheres submissas, inclusive aquelas forçadas pelo amigo Epstein. Herdeiro de  fortunas, ele usou o dinheiro e as empresas para afirmar sua arrogância e exibir superioridade. Trump Tower, Trump Golf, Trump Wine, Trump Hotels etc são sinais de  doentia compensação para mascarar fraquezas. 

The Times publicou recentemente uma matéria que revela episódio simtomático. Assessores diretos de Trump demonstram medo de não aderir às suas vontades. A reprodução acima mostra o staff sentadinho diante do chefe supremo, todos usando o mesmo modelo de sapatos. O oligarca se encantou por determinada marca e simplesmente pediu a todos o número que calçavam e lhe enviou pares do sapato certo. Imediatamente, a turma calçou o presente, que interpretaram como uma imposição, um código de moda. É avaliaram que sempre é bom não desagradar o sapateiro louco no país das armadilhas. 


Repercute na Itália, nessa semana, a edição local da Vanity Fair com uma matéria sobre "Todas as mulheres do presidente", por Nina Verdelli. Recomendo a quem quiser entrar no empoeirado sótão mental do homem mais poderoso do mundo. A primeira frase é reveladora: A genitora de Trump, Mary Anne MacLeod, é descrita como "a mãe que não demonstrava afeto". Acompanha a reportagem uma entrevista com a psicóloga Mary Trump, sobrinha do presidente e autora do livro "Too Much and Never Enough: How My Family Created the World's Most Dangerous Man" (lançado em português em 2020 com o título "Demasiado e Nunca Suficiente. Como minha família criou o homem mais perigoso do mundo". Na entrevista, ela volta a lembrar que o pai de Trump sofreu de Alzheimer. "Ultimamente, quando vejo o presidente na TV me lembro do meu avô Fred". Trump completa 80 anos em junho. Há quem diga que ele caminha para se tornar o homem mais desorientado do mundo.

terça-feira, 10 de março de 2026

Com a ajuda de "fontes anônimas", alguns repórteres e comentaristas da mídia corporativa fazem uma desastrada hamonização facial do jornalismo. Não fica bonito. E Fernando Gabeira? Ele quer fechar o STF e simbolicamente decepar a cabeça da Justiça


por José Esmeraldo Gonçalves

O modo Trump de fazer política é replicado pela extrema direita brasileira e mundial. Trata-se de um sistema que despreza regras, limites morais e formais. A Casa Branca promove uma espécie de golpe com hot dog. A forma pode enganar, o recheio são as instituições fritadas e subjugadas. Trump se coloca acima da Constituição, do  Congresso, da Suprema Corte, das administrações estaduais, organizações multilaterais, demais países e até faz ameaças a empresas privadas.

Tudo indica que a guerra eleitoral no Brasil em torno das urnas de 2026 fará a clonagem desse modelo.  As evidências já estão expostas na atuação da grande mídia controlada pela direita. 

Canais do You Tube, Instagram, contas no X e em demais redes sociais da extrema direita ultrapassam limites ao produzir livremente correntes de fake news. Os influenciadores bolsonaristas agora ganharam companhia. Nos casos que envolvem o STF e as investigações mais sensíveis da Polícia Federal, a mídia corporativa parece tão falsa quanto os canais das senhoras doidinhas que cantam o hino nacional para um pneu. 

No momento, os escândalos do Banco Master, das associações corruptas que meteram a mão no dinheiro dos aposentados e os desvios criminosos das emendas parlamentares são as principais pautas jornalístico-eletorais. A mídia hegemônica costuma se apresentar como reserva do jornalismo "profissional", mas na cobertura abjeta da Lava Jato dançou na chorus line de Sergio Moro e seus procuradores e não enxergou as ilegalidades daquela força tarefa burlesca. Pelo visto, gostou. Tanto que agora ensaia uma reencenação. O roteiro pouco mudou. A "noticia" é plantada na internet, vira manchete de jornal, capa de revistas, passa pelos canais de assinatura, culmina na TV aberta e se transforma em palanque eleitoral nas comissões parlamentares de inquérito. E, sim, com direito a suspeita de compra de vazamentos de material sob sigilo legal. 

Dizem que o papel aceita tudo. Hoje, os algorítmos fazem isso e ainda maquia os fatos. É um tal de repórter pendurada (o) em "fontes" anônimas", é a campanha aberta e indiscriminada contra o STF, é ministro acusado de trocar mensagens de celular com o dono do Master, sendo que a análise telemática constata que as tais mensagens não foram endereçadas ao celular do ministro mas de outro colaborador de Daniel Vorcaro, é apresentadora contando que entrevistou os "bastidores " do STF para garantir que os ministros estão incomodados com a autonomia da Polícia Federal. A PF, segundo dizem os "bastidores" ouvidos, precisa de uma reconfiguração, seja lá que diabo for isso, seria reinicializar, dar um boot? A propósito, existem projetos de emenda constitucional que vão na direção oposta: a de garantir a independência à PF.

Em geral, a feiura visível nem é de cobertura jornalística, mas de campanha política incorporada à apuração. O resultado é uma desastrada harrmonização facial do jornalismo, um lifting da honestidade.

O resumo disso tudo, a essência que cheira mal, é o comentarista Fernando Gabeira, da Globo News, afirmar no ar que o STF deveria ser fechado. Em um passado recente, a facção dos Bolsonaros dizia que bastava um jipe com um cabo e um soldado para lacrar de vez a Corte Suprema. Pelo jeito, agora basta a vontade do impetuoso Fernando Gabeira. Já o vejo montado no Rocinonte e decapitando com sua lança a estátua da Justiça. No fim, vai sobrar para a bela obra de Alfredo Ceschiatti. 

domingo, 8 de março de 2026

O alto preço da guerra. Trump recebe soldados mortos. O magnata já rotulou de "perdedores" quem morre em guerras

 


A primeira página do Washington Post, hoje, mostra uma cena que tem impacto na opinião pública dos Estados Unidos: o enterro dos  militares mortos no conflito com o Irã. Na guerra do Vietnã, logicamente em proporções muito maiores, imagens como essas ou da chegada de milhares de corpos envoltos em lonas pretas nas bases aéreas do país ampliaram a condenação àquela guerra absurda. Como muitas e trágicas aventuras bélicas, o Vietnã resultou em soma zero e mortes vãs, assim como Afeganistão, Iraque e tantas outras. Restou o sacrifício dos jovens convocados. A diferença, dessa vez, é que dificilmente a infantaria entrará em ação. Os ataques ao Irã tendem a ser assépticos, à base de mísseis, drones e bombardeios aéreos, com poucas baixas de soldados. estadunidenses.

Segundo The Guardian, em 2000, Donald Trump foi à Europa por ocasião dos 75 anos d o fim da Segunda Guerra. Ele teria comentado que soldados que morrem em guerras são "otários e perdedores". Ele mesmo nunca serviu às Forças Armadas, nem os filhos o fizeram.


No lado iraniano, o sangue escorre. Recentemente, milhares de manifestantes contra a brutal teocracia dos aiatolás foram assassinados nas ruas, agora morrem sob as bombas dos Estados Unidos e de Israel. Ironicamente, ao arrasar alvos civis, Trump e Netanyahu estão matando muitos opositores da ditadura iraniana. Sim, eles existem ocuparam as ruas não faz muito tempo.


sábado, 7 de março de 2026

BBB26: a casa mais torturadora do Brasil

Ana Paula. Reprodução YouTube/TV Globo

por Ed Sá e Clara S. Britto

O elenco do atual BBB parece bem mais mal humorado. Aparentemente há uma certa dominância de adeptos do jogo baixo. É claro que o reality é uma disputa. Tem lá suas regras. A personalidade dos jogadores determina, contudo, as características e as estratégias. E aí reside o nível rasteiro da versão 26.

 As redes sociais sempre observadoras estão identificando exageros no comportamento de certos jogadores.  Uma hora combinam emboscadas e armadilhas contra adversários que, na verdade, veem como inimigos; rasgam e sujam roupas. Dizem que estão dividos em grupos. Vistos aqui de fora simulam facções.

 Um dos jogadores chegou a planejar um golpe vergonhoso: mandar alguém se deitar na cama com a adversária e tentar um toque dela em alguma parte do corpo do provocador de tal forma a gerar a expulsão da vítima da armação. A produção impediu a baixaria. 

Mas essa mesma produção está deixando acontecer o que se configura como verdadeira tortura. Um das participantes mais combativa é vítima frequente de tortura psicológica por parte de dois adversários especialmente agressivos. Mesmo um dos elementos do jogo, o temível e sádico "quarto branco" ,provocou distúrbio nos mais sensíveis. 

Nos últimos dias a disputa escalou para uma prática perigosa. As redes sociais acusam participantes de impedirem uma adversária mais visada de se alimentar o mínimo necessário. Diz-se que o Ministério Público estaria monitorando comportamentos excessivos e menos saudáveis. Uma das táticas é não deixar comida para a pessoa. Esta estaria demonstrando vulnerabilidade física. Em outras palavras, está passando fome na casa mais vigiada do Brasil. Se há uma marca detestável no BBB 26 é a agressividade quase sem limites. A principal vítima, por ser uma das favoritas, é Ana Paula. 

O Agente vai deixar de ser "secreto" para outros milhões de brasileiros


O filme "O Agente Secreto" está agora disponível na Netflix. Ao mesmo tempo, levou aos cinemas mais de 2 milhões de espectadores e ainda está no circuito. Muitos jovens que não conheceram uma parte dramática da história recente do Brasil, estão conhecendo agora, assim como conheceram no filme "Ainda estou aqui". Para as novas gerações, é a ditadura revelada. Como sinal dos temos, o streaming deve multiplicar os números dos cinemas. Milhares de municípios não dispõem de salas de exibição. A Netflix vai atingir um público importante. (Ed Sá)

Os matadores de meninas. Em apenas um bombardeio a uma escola foram mais de 200 crianças

 



É incalculável o número de mortos causados pela conexão maligna de Donald Trump e Benjamín Netanyahu. Apenas na Palestina os números de mortos passam de 100 mil, além de outros milhares que talvez jamais sejam computados. No Irã, os marcadores ainda estão girando. O bombardeio mais chocante foi efetuado pelos Estados Unidos. As bombas arrasaram uma escola de meninas. Segundo organizações internacionais independentes, as poderosas forças militares estadunidenses e israelenses matam, em geral, muito mais civis desarmados do que terroristas como eles intitulam quase toda as populações nos dois principais alvos. O resultado dos ataques de mísseis e drones iranianos, embora em proporção menor, é também as mortes de civis mais que de militares. O regime iraniano é brutal, oprime violentamente mulheres e jovens, mas não foi inventada ainda uma bomba que identifique aliados e opositores dos aiatolás. Nesse momento, Trump e Netanyahu estão matando milhares de opositores da ditadura iraniana. A teocracia agradece.

quinta-feira, 5 de março de 2026

Considerações em torno da Maçã • Por Roberto Muggiati

À moda Magritte *

Brincando de artes gráficas com meus filhos e colocando-me sub-repticiamente dentro da tela mais famosa do pintor René Magritte, Filho do Homem (1964), * embrenhei-me logo nas conotações culturais mais amplas da obra genial do surrealista belga. O próprio Magritte comentou sobre sua obra: “Pelo menos ela esconde o rosto parcialmente bem, assim que você tem a face aparente, a maçã, escondendo o visível mas oculto, o rosto da pessoa. É algo que acontece constantemente. Tudo que nós vemos esconde outra coisa, nós sempre queremos ver o que está escondido pelo que nós vemos. Há um interesse naquilo que está escondido e no que o visível não nos mostra. Esse interesse pode tomar a forma de um sentimento relativamente intenso, um tipo de conflito, pode-se dizer, entre o visível que está escondido e o visível que está presente".

Em 1968, Paul McCartney viu pela primeira vez a tela de Magritte e batizou de Apple Records o selo fonográfico fundado pelos Beatles. Além de servir como um selo dos discos dos Beatles , passou também a ser usado em cada álbum solo de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr desde 1970, quando os Beatles se separaram, até a separação legal em 1975. O selo também contou com outros artistas, como Badfinger, Yoko Ono, Billy Preston, Ravi Shankar e James Taylor.  Nos discos, a maçã verde inteira aparecia no Lado A, e a maçã cortada ao meio no Lado B. 

Já a inspiração para o nome e o logotipo da Apple de Steve Jobs veio da simplicidade e do amor às frutas, e à busca de Steve Jobs por uma imagem amigável, criativa e rebelde. O logo simboliza conhecimento (a maçã de Newton) e o desejo de tornar a tecnologia acessível, além de homenagear a banda favorita de Jobs, os Beatles. Mas a Apple Records moveu um longo processo judicial contra a Apple Inc. de Steve Jobs, que em 1978 resultou em acordos, com a empresa de tecnologia concordando em não atuar na indústria musical, violados pelos iTunes . A maçã mordida do logotipo seria uma alusão ao Pecado Original, que expulsou a raça humana do Jardim do Éden, mas, principalmente, uma homenagem ao matemático Alan Turing, o pai da computação moderna, vítima de perseguição homofóbica, que se suicidou mordendo uma maçã envenenada com cianeto. Com direito a um trocadilho fino: mordida, em inglês, é bite, que obviamente lembra byte. Alan Turing foi oficialmente perdoado pela Rainha Elizabeth II em 2013, 59 anos após sua morte, devido à condenação por homossexualidade em 1952.

Encerro  com um brinde à sabedoria popular brasileira expressada na marchinha de Carnaval famosa de Jorge Goulart:

História da Maçã - Jorge Veiga (Carnaval de 1954) - YouTube ( https://www.youtube.com/watch?v=x4iSIj0wdgQ )

*A foto original, um retrato meu em trajes magritteanos, foi feita por Natasha Muggiati na casa de vila da Real Grandeza onde morei 37 anos, até 2020. A aplicação da maçã de Magritte sobre meu rosto foi feita por Roberto Mendonça Muggiati, há poucos dias, em Edimburgo.

PS • Estou consultando cada vez mais minha amiga IA, que me confirmou o que eu

já desconfiava: A palavra "maçã" não consta no relato do Gênesis como o fruto proibido. A

Bíblia descreve-o apenas genericamente como o "fruto da árvore do conhecimento do bem e

do mal". A associação com a maçã é uma construção artística e cultural posterior, popularizada

por traduções latinas na Idade Média.


Banco Master, a trapaça: o lado podre da elite e a linguagem da bandidagem gente fina

 

Da suntuosa sede do Banco Master, Daniel Vortaro manobrou um país. Foto: BM/Divulgação

por José Esmeraldo Gonçalves

O foco do controlador do Banco Master era arrecadar bilhões. Para isso, montou um ecosistema impressionante. E olha que os altos escalões do Brasil estão acostumados a instalar estruturas especialmente para embolsar dinheiro público. Tudo isso a mídia está revirando. Aqui, nos chama a atenção a evolução da linguagem da quadrilha.

Segundo a Polícia Federal, o organograma de Daniel Vorcaro apontava quatro patamares operacionais.

- Núcleo de Captação e Estruturação Financeira

- Núcleo de Operações e Investimentos de Risco

- Núcleo de Lavagem de Dinheiro

- Núcleo de Coerção e Operação "Sicário"

Cada um deles tem sua semântica. No primeiro item, a linguagem é empresarial, significados e sentidos ajustados ao contexto e ao ambiente onde circulavam togados, políticos entre jatinhos, mansões, paraísos fiscais, spas, centros financeiros e jantares. Um pobre aposentado que entrasse por engano no salão dos regabofes oferecidos pelos canalhas que roubaram os montantes da Previdência e enganaram investidores ouviria termos como alocação de ativos, áreas de gestão, amortização, risco da empresa, fatores não mensuráveis, ativos circulantes, pleitos junto aos governos e aval. Alguns dos convivas podiam até babar na gravata, mas a alfaiataria fina disfarçava o mau hábito. O que parecia um jantar era na verdade - veja os cargos dos convidados - uma operação de captação. Ou você acha que 12 bilhões aparecem assim do nada?

É como se fosse uma escalada da criminalidade. O núcleo de investimento de risco, na caso do Banco Master e suas altas taxas de retorno, foi a etapa para identificar e pegar o trouxa. Lembre-se do dito popular: todo dia um malandro e um otário saem de casa, quando se encontram fazem negócio. O investidor nunca era o malandro. Essa vaga já estava ocupada por Daniel Vorcaro. 

Quando a especialidade passa a ser a lavagem de dinheiro, o buraco era ainda mais embaixo. Lavar dinheiro grande é tarefa que, na ponta, envolve a barra pesada. Por trás do doleiro arrumadinho que descia do Porsche e recolhia a grana havia terreno minado. Falava-se pouco, só o essencial. Pisar na bola nem pensar. O ambiente, digamos, era mais fluido, havia que saber chegar e sair. Havia que saber falar.

O núcleo de coerção não precisa ser detalhado. Aí as aparências não mais importavam  O diálogo revelado pela PF, que registrou as ameaças ao jornalista Lauro Jardim, do Globo, a uma "funcionária" e a um "chef de cozinha" até agora não identificados eram explícitas. A "linguagem de salão de mansão" cedeu vez à terminologia da bandidagem. O Vorcaro que se esforçou para passar a imagem de um Dr. Jeckil respeitável assumiu a personalidade violenta e amoral do Mr. Hide. Olha só o papo reto. 

- Vorcaro ordena ao seu "coordenador de segurança" Luiz Phillipi Mourão (Sicário) um ataque ao jornalista que, em coluna do Globo, contrariou seus interesses.  

* Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto".

- Sicário responde positivamente sobre o assalto forjado.Vorcaro passa outra tarefa a Sicário. 

* "Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda".

- Sobre um chef de cozinha ligado a alguém que teria feito uma gravação indevida, Vorcaro ordena a Sicário.

*"O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar".

Para finalizar, fica faltando o núcleo que ainda não vazou. O das festas e orgias onde a elite teria soltado a franga. Imagino que essa foi a etapa do relax como presente para as autoridades que ajudaram o Banco Master. Talvez Vorcaro tenha feito até um discurso do tipo que os premiados fazem no Oscar. "Quero agradecer ao dr. fulano, a sua excelência sicrano, ao querido beltrano sem o qual nada disso seria possível". O pequeno discurso deve ter terminado assim: "chega de verborragia, pessoal: as russas chegaram, vão lá mostrar que os brasileiros não desistem nunca. Abram os trabalhos e defendam a pátria! 

P.S - Daniel Vortaro está preso na Penitenciária de Potim (SP). Luis Phillipi Mourão tentou suicídio, segundo a Polícia Federal, em uma cela da sede da instituição em Belo Horizonte. Levado ao hospital foi constatada a morte cerebral de Sicário.

As musas nuas dos escândalos sumiram, assim como as revistas Playboy, EleEla, Status e Sexy. O Banco Master é um caso que não tem belezas, só sujeira

 











por José Esmeraldo Gonçalves

O fim das revistas masculinas levou junto um segmento lucrativo da mídia. Playboy, da Abril, EleEla, da Bloch e Status da Editora Três faturavam milhões com a venda avulsa de revistas e a publicidade gerada por um subproduto sensual dos escândalos nacionais. Os editores das publicações especializadas em nudez feminina acionavam uma espécie de periscópio poderoso para localizar no rastro paralelo dos casos rumorosos as chamadas preferências nacionais. 

Geralmente eram escolhidas para posar para as revistas aquelas jovens não envolvidas na corrupção, mas capturadas pelo furacão midiático dos escândalos. Eram secretárias, eventuais namoradas ou testemunhas que se destacavam pela beleza e logo recebiam convites quase irrecusáveis dos editores. 

Um caso de tão amplo alcance como o do Banco Master certamente já estaria no scanner da Playboy, principalmente, a que pagava mais em cachês e cesta de produtos que incluía às vezes carro, apartamento e viagem. Na verdade, até aqui o enorme escândalo do Master é rico em roubalheira e pobre em estática feminina. 

A EleEla e Status adoravam o estilo guerrilha: pagavam menos, usavam a criatividade e rapidez para chegar antes nas musas potenciais. Sexy era mais ousada, revelava muito mais tudo que não vinha a público. Um dos espaços digitais que se abriu para substituir a nudez nas revistas foi o Only Fans, site pago, hoje com quase 400 milhões de assinantes e nenhuma musa dos intermináveis escândalos brasileiros .  

Nossos Pintacudas são todos oriundi... • De Chico Landi a Gabriel Bortoleto - Por Roberto Muggiati


Em 1951, Chico Landi foi o primeiro brasileiro a competir na F1.

Gabriel Bortoleto acelera as atuais esperanças brasileiras. Foto Instagram
 
Traduzindo: nossos ases do automobilismo são todos descendentes de italianos. E Pintacuda, um piloto italiano que brilhou no antigo Circuito da Gávea, foi imortalizado pela Marcha do Gago, do Carnaval de 1950, na gravação do impagável Oscarito. Excetuando aquela figura inominável que dirigiu o Rolls-Royce presidencial na posse de Bolsonaro, tudo começou ainda nos tempos das “baratinhas”, os anos 1940, com o paulistano Francisco Sacco Landi, o popular Chico Landi. (O pentacampeão argentino, Juan Manuel Fangio também descendia de italianos.)

Na fase Moderna da Fórmula-1, veio o trio de ouro formado pelos irmãos Emerson e Wilson Fittipaldi e José Carlos Pace. Emerson sagrou-se nosso primeiro campeão no circuito de Monza em 1972. Pace morreu cedo, aos 32 anos, num acidente de avião. Ayrton Senna da Silva descendia de italianos por parte de mãe. Vieram então Rubens Barrichello, o duplamente oriundo Luciano Pucci Burti na temporada 2000-2001, correndo 15 GPs pelas escuderias Jaguar e Prost e Felipe Massa. Agora a torcida brasileira acredita na volta dos bons tempos de vitórias de Ayrton Senna na figura de Gabriel Bortoleto de Oliveira, 21 anos, saudado no Circo da F-1 como um futuro campeão. Gabi tem mãe de ascendência italiana. E há ainda o neto de Emerson Fittipaldi, Pietro Fittipaldi, atualmente de testes da nova equipe Cadillac. Outros brasileiros oriundi passaram pela F1, categoria desafiadora até consolidar patrocínios e carreiras. Maurício Gugelmin, Ricardo Zonta, Antonio Pizzonia e Bruno Senna, entre outros. 

A temporada 2026 começa em Melbourne em 8 de março com o GP da Austrália. A TV Globo também voltou a apostar na Fórmula-1, garantindo os direitos exclusivos de transmissão a partir deste ano. Enquanto os motores não roncam, vamos homenagear Pintacuda... e Oscarito.

Oscarito - MARCHA DO GAGO - Klecius Caldas e Armando Cavalcanti - gravação de 1949 - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=NJipHVJ9mhU

quarta-feira, 4 de março de 2026

Invasão terrestre ao Irã. Pode Acontecer? E, se acontecer, Milei vai aderir à coalizão ao lado dos Estados Unidos?

por Flávio Sépia 

Javier Milei tem manifestado apoio público a todas as decisões de Donald Trump. Foi o primeiro a aplaudir a invasão da Venezuela. Espera com entusiasmo que o mesmo aconteça a Cuba. Mal foram anunciados os bombardeios ao Irã, a voz de Milei ecoou em saudação a Trump. O argentino não faz restrições às demandas mais absurdas do regime de extrema direita do oligarca estadunidense, como encampar a Groelândia e criar o Conselho da Paz para anular a ONU.

 Não é possível falar ainda sobre a progressão da guerra. Segundo o Washington Post a possibilidade de envio de tropas para uma invasão terrestre está sobre a mesa. Se isso acontecer os Estados Unidos provavelmente tentarão formar uma coalizão. A Grã-Bretanha está um passo disso: já tem caças da RAF na zona de guerra. Austrália seguiria Londres. Ucrânia já se ofereceu.

Para os argentinos, a servidão de Milei carrega um risco. Vai que Trump peça soldados hermanos para integrar as forças invasoras? Milei, cujo plano econômico depende de dólares e garantias da Casa Branca aceitaria por motivos financeiros e ideológicos.



Milei e o seu ministro da Defesa Luis Petri.  Argentina vai à guerra? Foto OPRA


Atualização - 4/3/2026 - A Casa Branca desmentiu hoje a intenção imediata de invadir o Irã por terra. Mas fez a ressalva: por enquanto o objetivo é a mudança do regime no Irã. Por enquanto. 

terça-feira, 3 de março de 2026

Quando a Inteligência Artificial não existia os fotógrafos usavam a Malandragem Natural





Sem a imagem do Khamenei, largada no chão, acima, à direita, a foto do Libération registraria apenas um monte de lixo. Simbolicamente, o que Khamenei virou. O fotógrafo francês apelou para a Malandragem Natural e "produziu" a imagem final.
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por José Esmeraldo Gonçalves 

O mundo nem sonhava com o uso da IA na fotografia e os fotógrafos já davam um jeito de manipular certas fotos e situações. Era o tempo da artesanal MN (Malandragem Natural). O retratista era escalado para fotografar um trágico desastre em estrada. Ao chegar na cena deparava-se apenas com um ônibus capotado. Banal. Rapidamente ele revirava a bagagem e encontrava um pé de sapato ou uma boneca. Era o toque de emoção que faltava. A boneca ou o calçado em primeiro plano, o ônibus ao fundo. Dava-se o drama aduzido. 

Se uma casa desabava e deixava vítimas sob a laje, o primeiro plano ia para uma xícara de café. O último café da pobre vítima. A Fatos $ Fotos guardava algumas memórias da MN. 

A foto reproduzida do livro "A outra face das fotos",  de Aguinaldo Ramos, Um exemplo da antiga "tecnologia" MN, antecessora da IA. 

Estou livre para recontar um desses "causos", que o próprio fotógrafo, Aguinaldo Ramos, revelou no livro "A outra face das fotos". Um dia, ele saiu às ruas com a missão de fotografar um "presunto". O que nem seria tão difícil no Rio de Janeiro. Para sua surpresa, rodou bairros mais visados e não encontrou nem um simples mortinho. O dia acabando, a luz se mandando,  Guina não poderia voltar para a redação sem a foto de abertura de uma matéria especial sobre violência urbana. A solução? Produzir a imagem para o fechamento.  Foi para a Quinta da Boa Vista, cenário garantido, e nao demorou a escalar os personagens. Foto na mente, chamou uns garotos que passavam de bicicleta e pediu ao motorista da equipe que se deitasse no chão. Posicionou os figurantes e a roda da bicicleta, os meninos ao fundo como "espectadores'. O "morto" aparecia entre os raios da bike. Perfeito. Boa composição, sem apelação grosseira, sem sangue, afinal a Fatos&Fotos não era "Notícias Populares". Missão cumprida. Só décadas depois, o fotógrafo revelou seu truque.

Lembrei disso ao ver a foto publicada hoje no Libération, o famoso Libé, de Paris, fundado por Jean Paul Sartre. Tenho certeza que no meio dos destroços não havia originalmente a imagem do aiatolá Khamenei. O fotógrafo (aposto que seja da geração pré-tecnologia digital) apelou para a infalível MN que ainda resiste e hoje atende pelo nome de IA.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Sacuda s cinzas do seu ente querido com Zeca Pagodinho ou o embale com uma berceuse de Mozart

 

Urna funerária...

...com altofalante na tampa toca playlist selecionada 
ao gosto musical do falecido. Fotos Divulgação.,

por Ed Sá 

Compre antes que acabe. Foi lançado nos Estados Unidos o primeiro lote de 150 Urnas da Playlist Eterna lançado em parceria do Spotify com a marca de bebidas Liquid Death. Trata-se de uma ânfora de resina ,d,e poliéster de 30 centímetros de altura com um autofalante Bluetooth embutido na tampa que toca suavemente as músicas favoritas do falecido. Custa US$495 (em torno de 2.500 reais) e o Liquid Death garante que o produto reduz a aparição de fantasma ao nível de 47%. Paralelamente a este hardware, o Spotify lançou o Gerador da Playlist Eterna, um aplicativo em formato de quiz com uma avaliação da “vibração eterna” ou “estilo espectral” do cliente , combinando o resultado com sua lista pessoal para criar o que seria sua trilha sonora para o Além. Para conhecer a sua lista acesse o site do do Spotify+Liquid Death


E as fichas voltaram a cair...


Na Avenida Paulista orelhão virou objeto de brincadeira. Foto de Tineke Beerepoot Vasques 


Ta bom Embora a expressão “a ficha caiu” ainda continue em uso, é bom explicar sua origem às novas gerações. Quando ainda não existiam celulares – sim, os seres humanos conseguiram sobreviver zilhões de anos sem eles – os homens se comunicavam através de aparelhos fixos. Para aumentar o acesso do cidadão à telefonia, e aumentar seu faturamento, as companhias espalharam pelas ruas aparelhos fixos, dentro de uma proteção em forma de concha, que logo ganhou o apelido de “orelhão”. O pagamento era feito enfiando uma ficha numa fenda do aparelho. A ficha ficava engasgada no aparelho e só caía quando a ligação era completada com sucesso. A produção de O agente secreto demonstrou um afã obsessivo de imprimir ao filme uma semelhança rigorosa com o cenário do ano em que transcorre a história, 1976. Voltaram à cena carros, roupas, móveis e utensílios da época, entre eles os onipresentes orelhões que, exibindo as cores do filme, também foram plantados nas ruas das grandes cidades como peça de propaganda. Só faltaram guimbas com marcas de cigarro daquele tempo – ou será que até detalhes como esse foram cuidados? R.M.


Fotomemória: uma tarde qualquer na redação da revista Ele Ela

A redação da Ele Ela nos anos 1970. Em pé, a partir da esquerda: o diretor Lincoln Martins, o redator Alexandre Raposo, o diretor de Arte Nicolás Lopes, o diagramador Junior, o chefe de redação Léo Borges, a secretária Rosana, o redator Gualter Mathias Neto, o repórter Oswaldo Salomão. Uma equipe brilhante. 

A foto acima foi publicada no Facebook do jornalista Oswaldo Salomão. Curiosidade: o título poderia ser Eles e Ela. Uma única mulher aparece entre os editores, repórteres e diagramadores da revista masculina da Bloch Editores. A Ele Ela foi lançada no Brasil em 1969, bem antes da Homem, da Abril que, por sua vez, antecedeu  a edição brasileira da Playboy, da mesma editora. Ele Ela chegou a vender 400 mil exemplares apesar de perseguida pela censura da ditadura. Antes, havia a Fair Play (de 1966 a 1971), pioneira na publicação de fotos sensuais de atrizes famosas da época, Odete Lara, Betty Faria e Leila Diniz, entre outras. O blog agradece a colaboração de Nilton Muniz, ex-Bloch, que resgatou esse registro. 
 Você poderá ver mais detalhes do post sobre a Ele Ela direto na fonte original (o Facebook do próprio Oswaldo Salomão).


domingo, 1 de março de 2026

Tio Trump pautou a mídia mundial- Guerra Estados Unidos-Israel-Irã: Fogo na teocracia

 











por José Esmeraldo Gonçalves 

Trump pautou a mídia. A nova guerra em curso está em todas as primeiras páginas dos grandes jornais. Não houve tempo para criatividade. O design é banal, na base do embrulha e manda. Curiosamente,  a Operação  Fúria Épica, como  a Casa Branca denomina a guerra Estados Unidos-Israel-Irã ainda não produziu uma foto... épica. Pelo menos por enquanto. O que vimos na manhã de ontem foi apenas o episódio 1 da primeira temporada. As redações  se viraram com o que tinham. A foto mais publicada foi a do complexo do Khamenei, sem muita definição, no chão, visto do satélite após massivo bombardeio. O que restou do governo iraniano confirmou a morte do "líder supremo". O aiatolá virou poeira. Será substituído?. Provavelmente setores do regime tentarão isso. O Irã tem aiatolás em estoque. A teocracia brutal cairá? Uma consequência ainda incerta. Mas as bombas continuarão caindo. Infelizmente atingindo alvos civis em ambos os lados. Os dispositivos sofisticados das armas não são programados para reconhecer apenas instalações militares.



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Neymar treina simulação para praticar na Copa caso seja convocado


 

Não sei que remédio estão tomando os jornalistas das resenhas esportivas no You Tube, principalmente. 

Há exceções, claro, há profissionais que demonstram bom senso, mas a maioria parece estar em campanha quanto à possibilidade de Neymar jogar a Copa do Mundo da FIFA. Nas redes sociais e até em debates na TV aberta e nos canais por assinatura a coisa tem ares de forte impulsão. 

O "minino"  Ney pouco pegou na bola nos últimos anos.  A paralisação mais recente deu-se em função de complexa cirurgia no joelho. Ele está de volta aos campos. No jogo mais recente, contra o medíocre Vasco, o Santos ganhou de 2x1, dois gols de Neymar. Foi o que bastou para a campanha "Neymar na seleção" bombar nas conversar pós-jogo. O movimento se intensificou quase à histeria. No Sportv, o apresentador André Rizek  foi racional. Nada de deslumbramento, análise realista. Na mesma mesa, contudo,  havia um sujeito que de tão empolgado parecia antever uma tempestade de gols de Neymar na Copa. Acho que o neymarista  de carteirinha não viu a Copa da Rússia nem a do Catar. Foi onde Ney celebrizou o cai-cai por qualquer motivo. Foi ridicularizado no mundo inteiro. É provável que o "minino" não vá à Copa mas poderá estar no Oscar do ano que vem. É um artista da simulação. 

No jogo contra o Vasco ele tentou inventar uma "cabeçada"  de Tiago Mendes, que não aconteceu. O santista caiu em campo praticamente em coma profunda. Pareceu uma prévia do que fará na Copa. A qualquer momento os jornalistas neymaristas organizarão um simulacro da Coluna Prestes para percorrer o Brasil pedindo a convocação de Neymar.


Manchete no cinema. Ela ainda está lá... e pernas para que te quero

A foto da antiga Manchete e a recriação da mesma imagem da família de
Rubem Paiva para o filme "Ainda estou aqui".


A antiga Manchete tem uma longa tradição de citação em filmes. Na maioria das vezes aparecia alguém em cena folheando a revista. Podia ser um gesto incidental ou uma retribuição: no auge, Manchete era um importante meio de divulgação de filmes brasileiros e de produções estrangeiras filmadas aqui. A revista tinha bom relacionamento com os principais diretores e produtores. Cobria bastidores de cenas externas e invariavelmente convidava astros e estrelas para entrevistas seguidas de almoços nos célebres restaurantes das sedes da Bloch nas ruas Frei Caneca e do Russell. 

Atualmente, documentários do streaming sobre crimes de grande repercussão costumam usar referências a reportagens publicadas na revista.    

O poster da Manchete em cena de
O Agente Secreto


Nadia Comaneci na Manchete 

Em "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional de 2024, o diretor Walter Moreira Salles fez diferente. A Manchete não entra em cena, mas as fotos de época da família de Rubem Paiva foram inspiradas em imagens reais publicadas na revista e recriadas no longa metragem. 

Em "O Agente Secreto", do diretor Kleber Mendonça Filho, a referência à Manchete é também sutil e está integrada a uma simbologia do filme em torno de pernas. Precisamente a "Perna Cabeluda", decepada, lenda urbana do Recife dos anos 1970 que dava rasteiras em caminhantes noturnos nos becos da cidade. A temida assombração remetia ao medo da repressão imposta pela ditadura militar. Pois na  apurada ambientação de época que permeia o filme aparece um poster da antiga Manchete com a ginasta Nadia Comaneci, ganhadora de nove medalhas: cinco de ouro e quatro de prata na Olimpíada do Canadá, em 1976. Que as pernas vencedoras da romena impulsionem os três Oscar ou pelo menos um dos três indicados para "O Agente Secreto".          

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Jutta Leerdam, a verdadeira chama olímpica

Foto Reprodução Instagram


Foto Reprodução Instagram 


Jutta emocionada mas sem esquecer de
 mostrar o top branco da Nike

por Ed Sá 

A patinadora holandesa Jutta Leerdam, medalha de ouro na Olimpíada de Inverno Milão Cortina, é uma espécie de recordista de beleza. Isso não quer dizer que seja unanimidade na delegação dos Países Baixos. A bela atleta evitou chegar a Milão no mesmo voo das colegas e optou pelo seu próprio jatinho. Isso foi motivo de críticas. Com 27 anos e 1.80m, a estrela do gelo fatura muito com promoção de produtos nas suas redes sociais, além de receber por premiações em campeonatos mundiais e europeus. Logo após ganhar o ouro nos mil metros, ele se emocionou, chorou mas mas não esqueceu de abrir o zíper do uniforme para exibir o top branco com o logotipo da Nike. Também caprichava na maquiagem para mostrar produtos que usa. O que até os mais críticos de comportamento são obrigados a admitir é a patinadora excepcional.e dedicada aos treinamentos que ela é. Tudo isso comprovado por dezenas de títulos continentais e medalhas olímpicas.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Mamonas voltam à natureza • Por Roberto Muggiati

Edição especial de 2 de março de 1996

Partes dos destroços do avião dos Mamonas ...


...foram parar na redação da antiga Manchete.


Deu em O Globo: as famílias dos cinco integrantes da banda Mamonas Assassinas mortos há cinco anos em desastre aéreo na Serra da Cantareira (SP) fizeram um acordo para exumar os corpos dos músicos e cremá-los, usando as cinzas como adubo para cinco árvores que serão plantadas no BioParque Cemitério de Guarulhos, cidade onde eles moravam. A mamona é a planta Ricinus communis L., conhecida popularmente como mamona, pédemamona, mamoneira, carrapateira, carrapato e rícino, é uma planta da família das euforbiáceas, originária da Ásia Meridional, e sua semente é conhecida como mamona ou carrapato.

Os Mamonas tinham se tornado um dos grupos mais requisitados para shows no país e, naquele sábado fatídico – 2 de março de 1996 – um descuido na manutenção do jatinho provocou a queda nas imediações do pico do Jaraguá. As equipes de salvamento tiveram dificuldades para chegar ao local e, mais ainda, as equipes de reportagem. A redação de Manchete no Rio – a postos para o fechamento antecipado da revista – recebeu as primeiras fotos de São Paulo no início da noite. No que então se chamava “um inaudito esforço de reportagem”, o chefe dos fotógrafos, Vic Parisi, resgatou um pedaço do avião: uma pequena peça amarela de metal exalando forte cheiro de querosene. A relíquia macabra foi devidamente fotografada e tombada no arquivo fotográfico da Manchete. Como tudo neste mundo, teve o destino do título do álbum solo de George Harrison, All Things Must Pass...


A jornada 4x1 impossível na orgia do Vorcaro

A cena do filme "De olhos bem fechados" é meramente ilustrativa. Está no imaginário quando se fala de orgias.  A festança do Master para autoridades e garotas importadas da Europa não foi tão sofisticada. Ao contrário, um print vazado registra
que foi muito brega. 

por José Esmeraldo Gonçalves 

O que vazou até agora. Alguns prints que registram a bagunça dos convidados, reclamação dos vizinhos contra o som alto e poucos detalhes da festança em Trancoso, Bahia. Cabral descobriu o Brasil perto dali. Sob o comando do comandante Vorcaro autoridades e ricaços descobriam uma espécie de paraíso. O anfitrião teria importado garotas da Rússia e Ucrânia para animar os convivas. Ok, até aí, acredito. 

Entre as supostas revelações há, contudo, um número que acho impossível ser verdadeiro. Dizem que vieram da Europa garotas em número suficiente para a jornada 4x1. Quer dizer: quatro mulheres para cada convidado.

Duvido. 

A lista vip não pode ser revelada ainda. Mas a maioria, a julgar pelo excesso de quilogramas, mal daria conta da patroa no dia a dia e de uma acompanhante importada quanto mais quatro beldades da Europa Central, terra de mulheres muito bonitas.

 Claro que havia gente lá com algum preparo físico para jogar malas de dinheiro do décimo andar, mas morre aí a, digamos, chamada motivação. As autoridades suspeitas de envolvimento no departamento de entretenimento do Banco Master já estão, a maioria, em faixa etária rodada. Estão mais para estatuto do idoso do que para legionários que sobem montanha a pé.

Outra coisa quando se fala em orgia muitos devem recordar o filme "De olhos bem fechados" , de Stanley Kubrick com Nicole Kidman e Tom Cruise. Esqueça. A festa em Trancoso não tinha esse nível de sofisticação. Era mais para babação na gravata. Um dos prints vazados registra que nunca houve nada tão brega no sul da Bahia desde que Cabral e Pero Vaz de Caminha caminharam na praia com roupas da nobreza lusitana distribuindo  balangandãs para indígenas.