terça-feira, 20 de novembro de 2018

Memória da redação: um dia como esse...

Em 1995, o 20 de novembro, data da morte de Zumbi dos Palmares, foi comemorado pela primeira vez. Era ainda um feriado municipal, do Rio de Janeiro, que depois se estendeu pelo país e passou a ser celebrado como o Dia da Consciência Negra .

Na velha Bloch, aquele foi um dia marcante, por um triste motivo. Era uma segunda-feira chuvosa como essa terça-feira de hoje. Adolpho Bloch tinha morrido na madrugada de domingo, 19 e era velado no saguão do primeiro prédio da Manchete, na Rua do Russell, 804, debaixo da escultura de Frans Krajcberg.

Fotomemória - Parte da redação da Manchete em 20 de novembro de 1995, no saguão do Russell,
onde era velado Adolpho Bloch. Vê-se João Silva, Regina Baroni, Orlandinho, Alberto, José Carlos,
Muggiati, Sério Ross, Ney Bianchi, Esmeraldo, Paulinho e Wilson Pastor. 
A redação se alternava entre as homenagens prestadas ao fundador da editora, no hall, e a preparação de uma edição especial, no oitavo andar.

Após o velório, formou-se uma caravana de vários carros e ônibus rumo ao cemitério judaico de Vila Rosali para a despedida de Adolpho. Alertada pela televisão e pelo rádio, uma multidão aguardava a comitiva. No local, a rua era estreita, criou-se um tumulto. O povão se agitava com as presenças de figuras conhecidas, como Xuxa, Angélica e outras. Os famosos eram aplaudidos, mas havia um ensaio de vaias para alguns fotógrafos, repórteres e demais anônimos: era a multidão expressando irreverência e decepção quando via que não eram celebridades da TV.

Era difícil chegar ao portão do cemitério e, para os jornalistas,  mais complicados ainda a circulação e o trabalho lá dentro nos estreitos caminhos entre as sepulturas.

Alguns tiveram que subir em túmulos em busca de melhores ângulos. E aí, deu-se um acidente. Um dos fotógrafos apoiou-se em uma lápide, que não aguentou o peso e desabou. Ao tentar se segurar  instintivamente no colega ao lado, a primeira vítima deu início a uma queda sucessiva de lápides como em um dominó enfileirado. As lápides de mármore eram pesadas, por sorte ninguém se feriu.

Não se sabe quem pagou o prejuízo, até porque os fotógrafos, assim como editores e repórteres da Manchete tinham uma edição especial para fechar e voltaram rapidamente para a redação.

O primeiro Dia de Zumbi ninguém esquece.

Viu isso? Cada craque um estilo. Como CR7, Messi, Pogba e Neymar batem e comemoram pênaltis


CLIQUE AQUI

Jornalistas sob ataque virtual...

Reprodução Twitter

domingo, 18 de novembro de 2018

A pátria amada faz 'selfie'...

Reproduzido do Globo de 17/11/2018

por Ed Sá

O fotógrafo Jorge William capturou os sorrisos acima, que Chico Caruso caricaturou no Globo. Traços desafiadores de homens que vislumbram o poder conquistado nas urnas e que serão fotografados milhares de vezes nos próximos anos.

No país rachado, o riso vitorioso do quarteto deve assombrar a metade vencida.

Detalhe do quadro Cristo, de  Bosch. Reprodução

O holandês Hieronymus Bosh, o pintor dos horrores medievais, era também, como o fotógrafo e o cartunista,  um observador rigoroso do seu tempo. Bosch distorcia rostos para explicitar vícios e pecados, tentações e temores e satirizar a atualidade do seu tempo.

Era um especialista em close-ups de figuras simbólicas, algo como selfies caricaturais.

Diz um amigo que ele tomou emprestada a Leica de Cartier-Bresson para retratar em composições diabólicas os "homens de bem" que comandavam a massa medieval e o poder político e religioso da época.

Provavelmente, ia se sentir em casa se desse um rolé tropical no florão da América.

ATUALIZAÇÃO EM 19/11/2018


A foto de Jorge William, em estilo que sugere selfie e com retoques que lembram a seção  "Fotopotoca" (de Ziraldo no O Cruzeiro), foi republicada hoje por Chico Caruso, no Globo. Uma pequena variação sobre o mesmo tema, agora deixando mais clara a hierarquia do grupo sorridente e a quem a turma subalterna deve escovar para preservar os sorrisos...

Jornalista desmistifica: português não é a língua mais difícil do mundo para os gringos e a palavra saudade tem tradução...


por Flávio Sépia 
Criador de um canal de vídeo na internet (Amigo Gringo),  o jornalista americano Seth Kugel visita o Brasil desde 2003. Ele diz que já se adaptou aos costumes, linguagem e culinária locais. Em um vídeo e um texto publicado no site Quora Digest, Kugel desmistifica duas afirmações muito comuns: português é o idioma mais difícil do mundo e a palavra saudade não tem tradução.


VEJA O VÍDEO EM PORTUGUÊS AQUI


LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO QUORA DIGEST AQUI

Zico, Flamengo e memórias de um fotógrafo-torcedor. Por Guina Araújo Ramos

Zico e Bruno, 1978 - Foto de Guina Araújo Ramos


E a imagem da mesma sequência que virou capa da Manchete Esportiva.
Foto de Guina Araújo Ramos.

por Guina Araújo Ramos

A data real de fundação do Clube de Regatas do Flamengo é 17 de Novembro de 1895, mas seus fundadores, certamente influenciados pela ainda recente Proclamação da República, registraram como data oficial o 15 de Novembro, o que é, talvez, a primeira das muitas contradições deste clube de elite que se tornou o mais popular do Brasil, quiçá do mundo...

Além do esforço por sucesso na nobreza das regatas, os primeiros atletas flamenguistas logo se voltaram para o futebol, prática mal vista pela elite carioca. Por alguns anos o time apenas disputou amistosos, até a chegada de um time inteiro de futebol, dissidência de outro clube ainda mais esnobe, o Fluminense.

A mudança progressiva no perfil dos torcedores (não o da diretoria...) foi efeito não só das vitórias, a partir dos anos 1920, mas da expansão do rádio, com a formação de cadeias nacionais para a transmissão dos jogos, que tornaram conhecidos os times cariocas em todo o Brasil. Cresceram principalmente, com os bons resultados nas décadas de 1940 e 1950, as torcidas de Vasco e Flamengo, e esta, no Rio, também era estimulada pela Charanga, uma bandinha irritante na arquibancada...

A partir de meados dos anos 1970 e até início dos anos 1990, o Flamengo novamente recebe uma onda de torcedores: outra excelente fase de vitórias!... É então que brilha o maior de todos os jogadores lendários do Flamengo: Zico.

A partir da Era Zico, o Flamengo continua a sua epopeia, sempre na primeira divisão nacional, com seis títulos brasileiros (incluindo o nacional de 1986) e até ultrapassando o velho rival Fluminense em campeonatos cariocas, muitos já no século XXI, com destaque para o show do gringo Petkovic, em 2001, na final contra o Vasco.

A esta altura, Zico (Arthur Antunes Coimbra), maior artilheiro do Flamengo, que também jogara na Itália e Japão, tornara-se técnico de futebol, trabalhando nos mais inesperados países.

Com esta história, simplesmente o Flamengo acumulou a maior torcida no mundo, cerca de 40 milhões de torcedores... Inclusive eu, desde os cinco anos de idade, ao ver o Fla tricampeão (1953-54-55), e justo sobre o América, para o qual meu pai me catequizava (tema, emulando Guimarães Rosa, do premiado conto Grã Decisão: Viradas).

Meus primeiros contatos com Zico se deram nos tempos em que trabalhava na Bloch Editores, em matérias para a revista Manchete Esportiva, onde, em geral, cobria esportes amadores (a concorrência fotográfica era grande...). Desta vez, a tarefa era uma foto bem posada, típica das revistas da Bloch Editores, de Zico com o seu recém nascido filho Bruno, ambos com camisas do Flamengo, é lógico. Apesar da forte sombra do flash direto, de certo modo uma falha técnica (desculpável, talvez, pela minha pouca experiência ou pela emoção de torcedor), a foto foi capa da revista.

Outra passagem na Bloch que levo divertidamente na memória é a de um plantão de fim de ano (1978, 1979?), em que me colocaram de acompanhante do tão efusivo quanto sério do repórter Tarlis Batista, “o repórter das missões impossíveis”... Íamos cobrir um réveillon de luxo, se não o do Copacabana Palace, o de algum outro luxuoso salão do bairro. Só que ele sempre inventava algo mais... Veio logo avisando que iríamos registrar também a passagem do ano na casa do Zico, na Barra. Precisando estar tanto na Barra quanto em Copacabana no mesmo momento, à meia-noite, foi necessário que fizéssemos, na casa do jogador, uma simulação (e nisso ele era muito bom, tinha prática). Depois viemos da Barra em desabalada carreira, na medida em que o engarrafamento nos permitia, para cumprir a pauta da cobertura do réveillon, a contagem regressiva, o espocar de champanhe, em Copacabana. É claro que chegamos um pouco atrasados, mas nada que uma nova simulação não resolvesse...

Em Junho de 1980, me transferi para o Jornal do Brasil e passei a cobrir, com certa frequência, os treinos do Flamengo. Num deles, na saída dos jogadores, vendo o alvoroço em torno de Zico, me aconteceu de, pela primeira e única vez, pedir um autógrafo a um dos meus fotografados (aliás, a qualquer pessoa, exceto escritores), que de repente senti que era uma oportunidade única... Na época, até presidentes faziam questão de conhecer Zico, que o diga João Figueiredo, que o encontrou após o jogo Brasil 1 x 0 Alemanha, no Maracanã, em 1982.

Zico sob abraços. A foto da comemoração  da vitória sobre o Cobreloa, no Maracanã, abriu o Caderno de Esportes do JB.
Foto de Guina Araújo Ramos

Outro momento de associação entre nós, eu e Zico, ainda que à distância, aconteceu no primeiro jogo da final da Taça Libertadores da América, em 1981, contra o Cobreloa do Chile, no Maracanã. Deixei de fazer a foto do gol Zico, em que driblou vários e entrou pela área para fazer o gol, simplesmente porque estava torcendo... Ainda bem que fiz uma bela foto da comemoração, todos em cima dele, abriu a página de Esportes. Conto a história no livro A Outra Face das Fotos, mas devo reconhecer que realmente a paixão pelo Flamengo me atrapalhava um pouco como fotojornalista...

MATÉRIA COMPLETA E MAIS FOTOS NO BLOG BONECOS DA HISTÓRIA, AQUI

sábado, 17 de novembro de 2018

Publicidade: Havaianas já entra no clima ordem unida do verão 2019...


por Ed Sá

Dizem que o mercado financeiro está vibrando com o "novo Brasil". Tudo indica que sim. Havaianas, agora controlada por investidores do setor bancário, acaba de lançar sua campanha para o Verão 2019 que, aparentemente, pelo menos na cena final, coincide com os novos tempos. A marca Havaianas, do grupo Alpargatas, pertencia a Joesley e Wesley Batista.  No ano passado, o controle da empresa foi vendido à Cambuhy Investimentos e Brasil Warrant, da família Moreira Salles, e Itaúsa, grupo que controla o Itaú, comandado pela família Setubal e Pedro Moreira Salles.
 Veja o comercial AQUI

Humor: "Programa Menos Médicos" bomba nas redes sociais...


@ fila de médicos brasileiros em seus possantes rumo Manari, Matão do Norte, Guaribas, Pauini e outras milhares de cidades do interiorzão ansiosos para atender ao apelo do governo e substituir os médicos cubanos.

sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Foto postada pela atriz Bete Midler está rachando a internet. É Melania Trump em voo solo na cabine de um avião...




por Clara S. Britto

Bete Midler postou há dois dias a foto acima e incendiou a internet.  A atriz recebeu críticas dos apoiadores de Donald Trump por "expor" a primeira-dama Melania Trump e, principalmente, por insinuar que ela estava seminua no avião presidencial. "A conta de limpeza a seco do estofamento do Air Force One deve ser insana", comentou Midler ao compartilhar a cena.

A foto é, na verdade, de 2000, e foi feita pelo fotógrafo Antoine Verglas para a GQ britânica quando Melania era namorada do atual presidente.

O avião, sem duplo sentido, era o do futuro marido.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Jornalismo - Eurico Gaspar Dutra dava bolo em entrevista. Literalmente. Marco Aurélio Borba, ex-repórter da Manchete, foi uma das 'vítimas'...

José Maria dos Santos escreve no Jornalistas & Cia sobre Marco Aurélio Borba. Ambos foram repórteres da revista Manchete.
Atualmente, alguns entrevistados quando se negam a falar mandam apenas um "não" via Whatsapp. Isso se não mandarem o jornalista para a p.q.p, como vídeos registram. Nem sempre foi assim. José Maria conta como Eurico Gaspar Dutra ofereceu ao Borba uma mesa farta de chá, pães, bolo, tortas e sucos chá apenas para dizer que não daria entrevista. Veja, abaixo;




Ou clique na primeira imagem para ampliar

 a matéria completa.

Contra o clima de ódio, atriz Isabela Santoni faz D.R na rede social e pede leveza...


Hasta luego, Brasil






No Brasil e no mundo, jornais repercutem hoje a reação de Cuba, divulgada ontem, às ameaças do presidente eleito Jair Bolsonaro aos profissionais cubanos do Programa Mais Médicos. 
Leia abaixo a matéria que originou a polêmica. 


(do Granma)

Declaração do Ministério da Saúde Pública

"O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, lançando mão de referências diretas, depreciativas e ameaçando a presença de nossos médicos nesse país, disse e reiterou que vai modificar os termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito para a Organização Pan-Americana da Saúde

O Ministério da Saúde Pública da República de Cuba, comprometido com os princípios de solidariedade e humanistas que nortearam a cooperação médica cubana por 55 anos, está envolvido desde a sua criação, em agosto de 2013, no Programa Mais Médicos para o Brasil. A iniciativa de Dilma Rousseff, na época presidenta da República Federativa do Brasil, tinha o nobre propósito de garantir atendimento médico para o maior número da população brasileira, em consonância com o princípio da cobertura universal da saúde, promovida pela Organização Mundial da Saúde.

Esse programa previu a presença de médicos brasileiros e estrangeiros para trabalharem em áreas pobres e remotas daquele país.

A participação cubana na mesma é feita através da Organização Pan-Americana da Saúde e se distinguiu pela ocupação de vagas não cobertas por médicos brasileiros ou de outras nacionalidades.

Nestes cinco anos de trabalho, cerca de 20 mil colaboradores cubanos atenderam 113,3 milhões de pacientes (113.359.000) em mais de 3.600 municípios, chegando a ser atingidos por eles um universo de 60 milhões de brasileiros, constituindo 80% de todos os médicos participantes do programa. Mais de 700 municípios tiveram um médico pela primeira vez na história.

O trabalho dos médicos cubanos em locais de extrema pobreza, nas favelas do Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador de Bahia, nos 34 Distritos Especiais Indígenas, especialmente na Amazônia, foi amplamente reconhecido pelos governos federal, estaduais e municipais daquele país e pela sua população, que concedeu 95% de aceitação, segundo um estudo encomendado pelo Ministério da Saúde do Brasil à Universidade Federal de Minas Gerais.

Em 27 de setembro de 2016, o Ministério da Saúde Pública, em uma declaração oficial, informou perto da data de expiração do contrato e em meio dos eventos em torno do golpe de Estado legislativo. Judiciário contra a presidenta Dilma Rousseff que Cuba «continuaria participando do acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde para a aplicação do Programa Mais Médicos, desde que fossem mantidas as garantias oferecidas pelas autoridades locais», o que foi respeitado até agora.

O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro, com referências diretas, depreciativas e ameaçando a presença de nossos médicos, disse e reiterou que vai modificar os termos e condições do Programa Mais Médicos, com desrespeito para a Organização Pan-Americana da Saúde e o que foi acordado por ela com Cuba, ao questionar a preparação de nossos médicos e condicionar sua permanência no programa à revalidação do título e como única forma a contratação individual.

As mudanças anunciadas impõem condições inaceitáveis ​​e descumprem as garantias acordadas desde o início do programa, que foram ratificadas em 2016 com a renegociação do Acordo de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde do Brasil e o Acordo de Cooperação entre a Organização Pan-Americana da Saúde e o Ministério da Saúde Pública de Cuba. Essas condições inadmissíveis impossibilitam a manutenção da presença dos profissionais cubanos no Programa.

Portanto, perante esta triste realidade, o Ministério da Saúde Pública de Cuba tomou a decisão de não continuar participando do programa Mais Médicos e assim foi comunicado ao diretor da Organização Pan-Americana da Saúde e aos líderes políticos brasileiros que fundaram e defenderam essa iniciativa.

Não é aceitável questionar a dignidade, o profissionalismo e o altruísmo dos colaboradores cubanos que, com o apoio de suas famílias, prestam atualmente serviços em 67 países. Em 55 anos, 600.000 missões internacionalistas foram realizadas em 164 países, envolvendo mais de 400.000 trabalhadores da saúde, que em muitos casos cumpriram essa honrosa tarefa em mais de uma ocasião. Destaque para as façanhas da luta contra o Ebola na África, a cegueira na América Latina e no Caribe, a cólera no Haiti e a participação de 26 brigadas do Contingente Internacional de Médicos Especializados em Desastres e Grandes Epidemias «Henry Reeve» no Paquistão, Indonésia, México, Equador, Peru, Chile e Venezuela, entre outros países.

Na esmagadora maioria das missões concluídas, as despesas foram assumidas pelo governo cubano. Da mesma forma, em Cuba, 35.613 profissionais de saúde de 138 países foram capacitados gratuitamente, como expressão de nossa solidariedade e vocação internacionalista.

Aos colaboradores lhes foi mantido, em todos os momentos, seu posto de trabalho e 100% do seu salário em Cuba, com todo o trabalho e garantias sociais, tal como aos outros funcionários do Sistema Nacional de Saúde.

A experiência do Programa Mais Médicos para o Brasil e a participação cubana no mesmo demonstram que um programa de cooperação Sul-Sul pode ser estruturado, sob os auspícios da Organização Pan-Americana da Saúde para promover seus objetivos em nossa região. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Organização Mundial da Saúde qualificam-no como o principal exemplo de boas práticas na cooperação triangular e na implementação da Agenda 2030 com os seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Os povos da nossa América e do resto do mundo sabem que sempre poderão contar com a vocação humanista e solidária de nossos profissionais.

O povo brasileiro, que fez do programa Mais Médicos uma conquista social, que teve confiança desde o início nos médicos cubanos, aprecia suas virtudes e agradece o respeito, sensibilidade e profissionalismo com que eles o atenderam, e será capaz de entender sobre quem recai a responsabilidade que nossos médicos não possam continuar fornecendo sua contribuição de solidariedade naquele país."

Havana, 14 de novembro de 2018

Fotografia: Cristina De Middel, que morou no Rio, faz ensaio para a Magnum sobre "luta" de atletas mexicanos contra o muro de Donald Trump


A fotógrafa espanhola Cristina De Middel trabalhou em um projeto sobre a rota de migração da América Central, um dos percursos mais perigosos do mundo.

Faz parte do grande ensaio uma série de fotografias exibidas pelo site da Magnum que mostram atletas mexicanos em um embate visual contra o muro que divide trechos da fronteira entre México e Estados Unidos.

O muro é mais notícia do que nunca - no momento em que Donald Trump decidiu ampliá-lo e dotá-lo de equipamentos letais - e às vésperas da chegada de uma enorme caravana de migrantes que terá a esperá-la forças militares americanas.

Cristina De Middel morou um tempo no Rio de Janeiro, onde fotografou favelas. Da sua temporada carioca resultou o livro Sharkification, sobre a rotina nos morros da cidade.

VEJA NO SITE DA MAGNUM AS FOTOS DO ENSAIO NA FRONTEIRA. AQUI

Lennon & Pelé: uma tabelinha astral • Por Márcio Pinheiro

• Lennon tocando na quermesse da igreja de St. Peter em Liverpool, no sábado,
6 de julho de 1957, dia em que conheceu Paul McCartney..
Foto Reprodução The Beatles Bible

• Pelé estreando na seleção no Maracanã, domingo, 7 de julho de 1957
e marcando o primeiro dos seus 95 gols na seleção.
Foto CBF

por Márcio Pinheiro (*)

Vou falar das incríveis 24 horas que aproximaram as estreias de dois dos maiores gênios do século 20. Nunca vi nenhum astrólogo ou estudioso do tema ter comentado a estranha, singular e genial conjunção astral que marcou as 24 horas (ou menos) que unem o dia 6 de julho de 1957 (quando John Lennon fez sua “estreia como pré-beatle”) com o dia 7 de julho de 1957 (quando Pelé fez a sua estreia pela Seleção).

Lennon e Pelé nasceram no mesmo ano (1940) e no mesmo mês (outubro). Lennon, no dia 9 e Pelé no dia 23 (ambos nasceram numa quarta-feira). John tinha, portanto, 16 anos e nove meses quando, já à frente do grupo Quarrymen, se apresentou no pátio da igreja de St. Peter, no bairro de Woolton, em Liverpool. Era uma festa ao ar livre, uma espécie de quermesse, com barracas e jogos. O grupo tocou em cima de um caminhão (em movimento!!!!) e o que ficou de mais relevante deste show foi o primeiro aperto de mão entre Lennon e McCartney, então um jovem de 15 anos que chegou ali levado por outro músico da banda, Ivan Vaughan. Este encontro seria o primeiro passo para o surgimento do maior quarteto musical de todos os tempos.

No dia seguinte, 17 de julho, Pelé (então com 16 anos, 8 meses e 14 dias) entrou em campo pela primeira vez na seleção brasileira na tarde de domingo no Maracanã, Foi no começo do segundo tempo de Brasil x Argentina, jogo válido pela Copa Roca. Pelé saiu do banco para substituir o atacante Del Vechio. Com 30 minutos em campo, Pelé deixaria sua marca, fazendo o único gol do Brasil na derrota de 2 X 1 para a Argentina – o primeiro dos seus 95 gols pela seleção. No segundo jogo, no Pacaembu, ele já entra como titular e ajuda a dar o título ao Brasil, que ganha da Argentina por 2 x 0, gols de Pelé e Mazzola.

Pelé levaria ainda mais 10 meses (ou 315 dias) para encontrar o seu McCartney. Ele e Garrincha só fariam sua primeira partida juntos em 18 de maio de 1958. A música, o esporte, a cultura pop e a vida mundial não seriam mais as mesmas depois destas duas datas.

* MÁRCIO PINHEIRO é jornalista, idealizador e curador de conteúdo do site AmaJazz e mora em Porto Alegre.


terça-feira, 13 de novembro de 2018

Memória da propaganda: "não saia sem guarda-chuva"...



Em novembro de 1968, o Banco Nacional lançava nas revistas uma campanha que prometia "lucro certo" para investidores. Um guarda-chuva dominava a cena.

O guarda-chuva, aliás, tornou-se na década seguinte uma espécie de símbolo do banco mineiro, que dava de brinde aos clientes o utensílio com o logotipo da instituição.

A campanha ainda estava na mídia quando a ditadura lançou o AI-5, em 13 de dezembro de 1968. A partir do ato institucional que suspendeu garantias constitucionais, inclusive o habeas corpus, e abriu caminho para a institucionalização da tortura e dos assassinatos políticos, a barra pesou. Houve uma onda de prisões de jornalistas, escritores, artistas, funcionários públicos, estudantes, sindicalistas e políticos.

No Rio de Janeiro, entre militantes, foi adotada uma senha de alerta. Quando se sabia que determinada pessoa havia sido presa, significava que vários dos seus amigos ou contatos entravam em alto risco de sequestro por parte da frota de Veraneio, o sinistro utilitário usado pela repressão. A senha para tomar cuidado ou mudar de endereço era passada por telefone ou bilhetes - "Não saia sem guarda-chuva". Pelo menos um recorte da campanha acima foi colado em um corredor da Escola de Comunicação da UFRJ, na Praça da República.

O Banco Nacional, a propósito, pertencia a Magalhães Pinto, chamado de "líder civil" da ditadura e um dos signatários do AI-5.


Reprodução Jornal do Brasil

A relação entre alertas políticos e a meteorologia não era exclusividade dos militantes ou dos alvos em potencial da repressão. O Jornal do Brasil do dia 14 de dezembro de 1968, um sábado, noticiou a edição do Ato Institucional e, no alto da página, à esquerda e à direita, incluiu duas mensagens: a previsão anunciando dias sufocantes e a informação de que 13 de dezembro era o Dia dos Cegos. Foi a forma que Alberto Dines, então editor do JB, encontrou, há 50 anos, para denunciar a censura imposta à redação pelo AI-5.

Não custa deixar seu guarda-chuva por perto.

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Grande Joel! • Por Roberto Muggiati


Joel Barcelos (1936-2018)
por Roberto Muggiati
Escrevo uma mera nota de pé de página à biografia do ator e militante Joel Barcelos, morto no sábado, 10 de novembro, em Rio das Ostras, RJ, aos 81 anos.

Em julho de 1962, eu estava em Curitiba, de volta de dois anos em Paris, mas já com um pé em Londres, com contrato assinado para trabalhar no Serviço Brasileiro da BBC. Rolava em Curitiba um megaevento cultural e político que aqueceu de uma maneira insana o inverno da cidade. Para lembrar os que já esqueceram e informar aos que nem eram nascidos: Jango Goulart, o vice que, depois do tresloucado gesto de Jânio da Silva Quadros, assumiu a Presidência da República, sob resistência das alas reacionárias, tentava conviver com um regime parlamentarista canhestro, o Brasil nunca tivera familiaridade com estas políticas civilizadas. Agitação nas ligas rurais, nos sindicatos, nos transportes e nos portos, nas famílias católicas e, principalmente, entre os estudantes.

Foi nesse quadro que surgiram os Centros Populares de Cultura, os CPCs, organizadíssimos e associados à União Nacional dos Estudantes (UNE). Sua atuação básica consistia em criar e divulgar uma "arte popular revolucionária” e exigir do artista que ele fosse “engajado”.

O evento de Curitiba centrava-se em teatro e artes cênicas. Joel Barcelos era um dos manda-chuvas dos CPCs. Alguém soprou para ele que eu tinha diploma de inglês de Cambridge (o Proficiency da Cultura Inglesa), então ele me chamou às armas. Recebeu-me numa sala de escritório (provavelmente cedida por um daqueles “bons burgueses” da época). Foi direto: intimou-me a dar uma palestra provando que Shakespeare e o seu teatro eram comunistas. Topei – por que não? – ele estava coberto de razão...

Ileana Kwasinski
No dia marcado para a aula magna, no esqueleto do Teatro Guaíra, ainda em construção, aparecem-me duas gazelas extraviadas: Leila Santiago de Oliveira e Ileana Kwasinski. Sem maiores dificuldades, provei às duas que Shakespeare era comunista, sim! Ileana deve ter acreditado na minha lorota e já no ano seguinte estreava como atriz na peça de Millôr Fernandes Um elefante no caos. Teve uma bela carreira no cinema, teatro e TV, casou com o ator Claudio Correa e Castro, com quem teve um filho, pena que o câncer a tenha levado tão cedo, aos 54 anos.

Quanto ao Joel Barcelos, nunca mais o vi, a não ser valente sempre nas telas do cinema novo e ainda na TV.

O epílogo daquela temporada dos CPCs em Curitiba foi que eu e um amigo pegamos uma carona no majestoso Bentley de Gianni Ratto para o Rio de Janeiro. Depois de dois dias de viagem – alegando que morava em Santa Teresa e não podia nos levar até Ipanema, nosso destino final – o britânico italiano nos desovou na porta do Hotel Novo Mundo, no Flamengo. Tremenda coincidência. Mal imaginava eu que, três anos depois, iria trabalhar na Manchete e, nos longos anos do Russell (1969-2000), encontraria no bar do Novo Mundo um porto seguro para todas as nossas tormentas no tumultuado mar dos Bloch...

sábado, 10 de novembro de 2018

E lá se foi o pai do chabadabadá. . . • Por Roberto Muggiati

Francis Lai (à direita) e Claude Lelouch, em 2016. Foto Champs-Élyséees Film Festival. 


por Roberto Muggiati 

O cara era tão importante que sua morte foi anunciada pelo Prefeito de Nice, na última quarta-feira, 7 de novembro. Francis Albert Lai, filho de hortigranjeiros italianos nascido em Nice, era apenas um obscuro músico de boate em Paris quando o sucesso o atropelou para o resto da vida em 12 de julho de 1966, dia em que foi lançado o filme de Claude Lelouch, Um homem, uma mulher, com a trilha sonora assinada por Lai.

A musiquinha tema do filme era dessas que grudam, com seu refrão chabadabadá, chabadabadá entoado por um corinho feminino. Quem entende das coisas e conhece bossa nova viu logo a influência das primeiras frases de O Barquinho, composto na virada de 1960-61 por Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, letrista literalmente foragido da sala de reportagem da revista Manchete. Experimentem colocar um chabadabadá-chabadabadá logo no início da música no lugar de “e o barquinho a deslizar no macio azul do mar.” Aliás, o namoro com a bossa nova era aberto: o filme de Lelouch traz também na trilha o Samba da bênção, de Baden e Vinícius, traduzido e cantado em francês por Pierre Barouh e rebatizado de Samba Saravah.

O oposto do discurso político de Jean-Luc Godard, Claude Lelouche fazia um cinema digestivo no estilo dos comerciais de televisão. (Muitos o chamavam de Le Louche – “louche” em francês quer dizer “vesgo”, mas tem o sentido figurado de “duvidoso”, “inconfiável”.) Lai fazia uma música agradável, fácil de digerir, coisa também de anúncio de TV.

Mas não posso deixar de admitir que uma das canções que mais evoca para mim a atmosfera eufórica e inocente do Ano da Flor, 1967, é o seu tema para outro filme de Lelouch, Viver por viver. A história é um triângulo amoroso entre Yves Montand, correspondente de guerra, sua mulher (Annie Girardot) e a amante (Candice Bergen) – todos no auge do seu charme e beleza. (Cinco anos antes Godard filmou Vivre sa Vie: a semelhança com Vivre pour vivre é brutal, Lelouch gostava de cutucar o suíço...) Enfim, vão longe os doces tempos do chabadabadá, hoje o que temos é o blábláblá dos medíocres que nos oprimem e o ratatatatá da violência que corre solta.

Para ouvir as canções:

Um homem, uma mulher AQUI
O Barquinho AQUI
Viver por viver AQUI

Submarino Amarelo - o livro psicodélico que mostra os Beatles lutando contra os Blue Meanies para evitar que Pepperland se transforme em uma paraíso sem partido está de volta, agora em formato de quadrinhos

por José Esmeraldo Gonçalves

O jornalista e escritor Elio Gaspari levantou a tese: 50 anos depois, 1968 finalmente terminou.

Será?

Gaspari se refere a ascensão da direita radical nas últimas eleições brasileiras, rasgando bandeiras e slogans dos jovens da década de 1960, sepultando uma era e conduzindo o país literalmente "aos costumes", jargão utilizado por antigos delegados de polícia ou "otoridades" de plantão quando determinavam a prisão de um indigitado qualquer da vez.

Faz sentido.

A geração de 1968 denunciava o militarismo, os de hoje, pelo menos os vitoriosos nas urnas, pedem a volta da ditadura; as passeatas daquela época reagiam contra prisões, torturas e assassinatos políticos; hoje, pedem a reativação de tudo isso contra os "esquerdistas", que são praticamente todos aqueles que não concordam com o "programa de governo" do grupo que chega ao poder; em 1968, o regime  moralista não ousou enquadrar o sexo livre, que agora parece provocar náuseas conservadoras, tanto que será criado o Ministério da Família para cuidar do "furo íntimo", como diria Millor Fernandes, ou regulamentá-lo e até estatizá-lo.

É possível, portanto, teorizar no sentido oposto: 1968 vai precisar é de um recomeço, naturalmente retrofitado. E de resistência. Pelo menos um dos símbolos pop daquela época já está de volta. O ano que, segundo Zuenir Ventura, não terminou, foi também o do lançamento do filme Yellow Submarine, dos Beatles. Para marcar a data, a editora Darkside lança uma edição em quadrinhos da história, adaptada pelo diretor e artista Bill Morrison, autor dos Simpsons. Além disso, o célebre longa-metragem criado pelo produtor Al Brodax e o diretor Bob Balser, e desenhado pelo estúdio do alemão Heinz Edelman, foi recentemente restaurado a partir dos negativos. Cada um dos 130 mil fotogramas foi trabalhando para recuperar cores e dinâmica originais do filme que se baseou nas músicas do disco  "Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band" lançado em 1967.

Yellow Submarine em formato clássico de quadrinhos é novidade, mas já em 1968, no mesmo o ano em que o filme foi lançado, chegou ao mercado uma versão em livro da viagem psicodélica dos Beatles a Pepperland. com os desenhos originais do longa.  Um exemplar resistiu na minha estante até os dias de hoje. Na versão brasileira, da editora Expressão e Cultura, Pepperland, o paraíso submarino do Sargento, ganhou a tradução tosca para Pilantrália, que rementia a Carlos Imperial e a Turma da Pesada em voga na época. Expressões como "superbacana", "vou deixar cair", "alegria, alegria" e os quatro "camaradinhas" também vinham dessa fonte nada psicodélica, mas não comprometeram o clima. Os vilões Blue Meanies, os malvados azuis, viraram Azulões. São eles que comandam a milícia de terríveis monstros que os Beatles enfrentam para evitar a destruição de Pepperland, terra de amor, liberdade e música, e salvar o mundo onde vive o Sargento Pimenta.


A capa da edição de 1968

A equipe que trabalhou na versão brasileira.  O escritor e jornalista Carlinhos de Oliveira , na época redator da Manchete, deu "apoio moral", fosse lá o que isso significava. 

A fúria dos Azulões que chega ao poder e tenta destruir um paraíso submarino onde o amor , a liberdade e a música vencem o ódio.  Qualquer semelhança...

A ditadura dos Azulões aplaude e incentiva os dedos-duros representados por uma luva com o indicador em riste. Eles querem que Pepperland seja uma terra sem partido.

Reproduções de "Os Beatles - Submarino Amarelo' - Editora Expressão e Cultura, 1968

A capa da edição de 2018, lançada há poucas semanas pela Darkside...

...agora em formato de quadrinhos assinados por Bill Morrison. Reproduções

100 anos: primeira página, Primeira Guerra


Às 11 horas do dia 11, mês 11, de 1918, foi assinado o Armistício que pôs fim à Primeira Guerra Mundial (1914-1918), uma das mais brutais de todos os tempos. No dia seguinte, Le Figaro celebrava em três edições seguidas (acima, a reprodução da terceira) a vitória na primeira página. A paz era a notícia, mas o acordo plantava, nas entrelinhas e ao mesmo tempo, as sementes da Segunda Guerra Mundial, igualmente trágica, que seria deflagrada 21 anos depois.

Reprodução/Twitter

Hoje, em Paris, o grupo Femen protestou diante do Arco do Triunfo contra a presença de chefes de Estado na França para as comemorações dos 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial. Para as ativistas, vários deles são ditadores, criminosos de guerra, e muitos dizem celebrar a paz enquanto fomentam a guerra, oprimem povos e financiam o terrorismo.

Quem avisa amigo é...


Brasil na mídia global: Sujou!


Fotografia: Madame Figaro de perna torta... Vacilos do photoshop

Reprodução Twitter

por Clara S. Britto

Produção sofisticada, foto perfeita. Pena que o photoshop quase desmembrou a perna direita da modelo. Com vinte centímetros a mais, no mínimo, a pernoca ainda ganhou do diretor de arte um joelho extra e aparentemente invertido. Ainda bem que a moça está recostada sobre a grama. Com essa anatomia seria impossível ela ficar em pé, quanto mais andar. 

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Leila Diniz: bem-vinda ao Clube 27 • Por Roberto Muggiati

Leila Diniz a capa da Manchete, aos 27 anos, em 1972,
ano em que morreu em acidente de aviação.

Robert Johnson

por Roberto Muggiati 

Uma coisa puxa a outra. Walterson Sardenberg Sobrinho, que trabalhou muito tempo na Manchete de São Paulo e atualmente edita a revista The President, me pediu um texto sobre os 80 anos da morte do cantor e compositor de blues Robert Johnson.

Johnson – que influenciou nove entre dez roqueiros dos anos 60 – morreu aos 27 anos, inaugurando uma estranha confraria, a dos músicos e artistas mortos com esta idade.

Brian Jones

Jimi Hendrix

Janis Joplin na Manchete, em 1970, aos 27 anos, oito meses antes de morrer. 

Jim Morrison

Kurt Cobain

Amy Winehouse. Fotos Divulgação
A fila começou a andar e, muito rapidamente, a partir de 1968 com a morte misteriosa em sua piscina do ex-guitarrista dos Rolling Stones, Brian Jones, em julho de 1969. Em rápida sucessão, partiram, em 1970, Alan “Blind Owl” Wilson, guitarrista do Canned Heat (3 de setembro, overdose de barbitúricos, possível suicídio); Jimi Hendrix (18 de setembro, asfixia no próprio vômito, em Londres); Janis Joplin (4 de outubro, overdose de heroína num motel de LA); Jim Morrison , do The Doors (parada cardíaca em 3 de julho de 1971, como Marat, numa banheira, em Paris); Ron “Pigpen” McKernan, do Grateful Dead (8 de março de 1973, de hemorragia gastrointestinal); o artista plástico Jean-Michel Basquiat, exaltado atualmente  por uma megaexposição no CCBB do Rio (12 de agosto de 1988, de overdose de Speedball); o líder do Nirvana, Kurt Cobain (5 de abril de 1994, suicídio com espingarda); Amy Winehouse (23 de julho de 2011, envenenamento alcoólico.)

Nunca soube de algum brasileiro neste seleto clube, mas desconfiei de dois, e errei por pouco: Noel Rosa, apressado, morreu a sete meses de completar 27 anos; e Torquato Neto, -  pasmem! – suicidou-se um dia depois de completar 28 anos.

Uma discussão recente sobre o nome Janaína, que só passou a existir no Brasil depois que Leila Diniz assim batizou sua filha, gerou outra discussão sobre a morte de Leila, se aconteceu na Índia, se no Japão. Na verdade, ela voltava em 1972 de um festival de cinema na Austrália, onde ganhou o prêmio de melhor atriz pelo filme Mãos vazias, quando o voo 471 da Japan Air Lines caiu em Nova Delhi no dia 14 de junho num  desastre sem sobreviventes. Leila Diniz morreu com 27 anos.

Que eu saiba, ninguém até hoje fez essa associação. Bem-vinda – de uma maneira bem gauche - Leila Diniz, ao Clube 27!

Maria Bonita. Reprodução

Em tempo: graças à dica do fotógrafo e amigo Ricardo Beliel, incorporo à lista a baiana Maria Gomes de Oliveira – a Maria Bonita companheira de Lampião – morta em 28 de julho de 1938, quando o bando de dez cangaceiros foi atacado de surpresa e exterminado na Grota de Angicos, em Poço Redondo (Sergipe), pela polícia armada oficial, conhecida como "volante". Ela foi degolada por 'Sebastião do Facão' ainda viva, depois de baleada no abdome. Maria Bonita tinha 27 anos e antecedeu Robert Johnson no Clube.