PANIS CUM OVUM - o blog que virou fatos&fotos

quinta-feira, 5 de março de 2026

Considerações em torno da Maçã • Por Roberto Muggiati

À moda Magritte *

Brincando de artes gráficas com meus filhos e colocando-me sub-repticiamente dentro da tela mais famosa do pintor René Magritte, Filho do Homem (1964), * embrenhei-me logo nas conotações culturais mais amplas da obra genial do surrealista belga. O próprio Magritte comentou sobre sua obra: “Pelo menos ela esconde o rosto parcialmente bem, assim que você tem a face aparente, a maçã, escondendo o visível mas oculto, o rosto da pessoa. É algo que acontece constantemente. Tudo que nós vemos esconde outra coisa, nós sempre queremos ver o que está escondido pelo que nós vemos. Há um interesse naquilo que está escondido e no que o visível não nos mostra. Esse interesse pode tomar a forma de um sentimento relativamente intenso, um tipo de conflito, pode-se dizer, entre o visível que está escondido e o visível que está presente".

Em 1968, Paul McCartney viu pela primeira vez a tela de Magritte e batizou de Apple Records o selo fonográfico fundado pelos Beatles. Além de servir como um selo dos discos dos Beatles , passou também a ser usado em cada álbum solo de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr desde 1970, quando os Beatles se separaram, até a separação legal em 1975. O selo também contou com outros artistas, como Badfinger, Yoko Ono, Billy Preston, Ravi Shankar e James Taylor.  Nos discos, a maçã verde inteira aparecia no Lado A, e a maçã cortada ao meio no Lado B. 

Já a inspiração para o nome e o logotipo da Apple de Steve Jobs veio da simplicidade e do amor às frutas, e à busca de Steve Jobs por uma imagem amigável, criativa e rebelde. O logo simboliza conhecimento (a maçã de Newton) e o desejo de tornar a tecnologia acessível, além de homenagear a banda favorita de Jobs, os Beatles. Mas a Apple Records moveu um longo processo judicial contra a Apple Inc. de Steve Jobs, que em 1978 resultou em acordos, com a empresa de tecnologia concordando em não atuar na indústria musical, violados pelos iTunes . A maçã mordida do logotipo seria uma alusão ao Pecado Original, que expulsou a raça humana do Jardim do Éden, mas, principalmente, uma homenagem ao matemático Alan Turing, o pai da computação moderna, vítima de perseguição homofóbica, que se suicidou mordendo uma maçã envenenada com cianeto. Com direito a um trocadilho fino: mordida, em inglês, é bite, que obviamente lembra byte. Alan Turing foi oficialmente perdoado pela Rainha Elizabeth II em 2013, 59 anos após sua morte, devido à condenação por homossexualidade em 1952.

Encerro  com um brinde à sabedoria popular brasileira expressada na marchinha de Carnaval famosa de Jorge Goulart:

História da Maçã - Jorge Veiga (Carnaval de 1954) - YouTube ( https://www.youtube.com/watch?v=x4iSIj0wdgQ )

*A foto original, um retrato meu em trajes magritteanos, foi feita por Natasha Muggiati na casa de vila da Real Grandeza onde morei 37 anos, até 2020. A aplicação da maçã de Magritte sobre meu rosto foi feita por Roberto Mendonça Muggiati, há poucos dias, em Edimburgo.

PS • Estou consultando cada vez mais minha amiga IA, que me confirmou o que eu

já desconfiava: A palavra "maçã" não consta no relato do Gênesis como o fruto proibido. A

Bíblia descreve-o apenas genericamente como o "fruto da árvore do conhecimento do bem e

do mal". A associação com a maçã é uma construção artística e cultural posterior, popularizada

por traduções latinas na Idade Média.


Banco Master, a trapaça: o lado podre da elite e a linguagem da bandidagem gente fina

 

Da suntuosa sede do Banco Master, Daniel Vortaro manobrou um país. Foto: BM/Divulgação

por José Esmeraldo Gonçalves

O foco do controlador do Banco Master era arrecadar bilhões. Para isso, montou um ecosistema impressionante. E olha que os altos escalões do Brasil estão acostumados a instalar estruturas especialmente para embolsar dinheiro público. Tudo isso a mídia está revirando. Aqui, nos chama a atenção a evolução da linguagem da quadrilha.

Segundo a Polícia Federal, o organograma de Daniel Vorcaro apontava quatro patamares operacionais.

- Núcleo de Captação e Estruturação Financeira

- Núcleo de Operações e Investimentos de Risco

- Núcleo de Lavagem de Dinheiro

- Núcleo de Coerção e Operação "Sicário"

Cada um deles tem sua semântica. No primeiro item, a linguagem é empresarial, significados e sentidos ajustados ao contexto e ao ambiente onde circulavam togados, políticos entre jatinhos, mansões, paraísos fiscais, spas, centros financeiros e jantares. Um pobre aposentado que entrasse por engano no salão dos regabofes oferecidos pelos canalhas que roubaram os montantes da Previdência e enganaram investidores ouviria termos como alocação de ativos, áreas de gestão, amortização, risco da empresa, fatores não mensuráveis, ativos circulantes, pleitos junto aos governos e aval. Alguns dos convivas podiam até babar na gravata, mas a alfaiataria fina disfarçava o mau hábito. O que parecia um jantar era na verdade - veja os cargos dos convidados - uma operação de captação. Ou você acha que 12 bilhões aparecem assim do nada?

É como se fosse uma escalada da criminalidade. O núcleo de investimento de risco, na caso do Banco Master e suas altas taxas de retorno, foi a etapa para identificar e pegar o trouxa. Lembre-se do dito popular: todo dia um malandro e um otário saem de casa, quando se encontram fazem negócio. O investidor nunca era o malandro. Essa vaga já estava ocupada por Daniel Vorcaro. 

Quando a especialidade passa a ser a lavagem de dinheiro, o buraco era ainda mais embaixo. Lavar dinheiro grande é tarefa que, na ponta, envolve a barra pesada. Por trás do doleiro arrumadinho que descia do Porsche e recolhia a grana havia terreno minado. Falava-se pouco, só o essencial. Pisar na bola nem pensar. O ambiente, digamos, era mais fluido, havia que saber chegar e sair. Havia que saber falar.

O núcleo de coerção não precisa ser detalhado. Aí as aparências não mais importavam  O diálogo revelado pela PF, que registrou as ameaças ao jornalista Lauro Jardim, do Globo, a uma "funcionária" e a um "chef de cozinha" até agora não identificados eram explícitas. A "linguagem de salão de mansão" cedeu vez à terminologia da bandidagem. O Vorcaro que se esforçou para passar a imagem de um Dr. Jeckil respeitável assumiu a personalidade violenta e amoral do Mr. Hide. Olha só o papo reto. 

- Vorcaro ordena ao seu "coordenador de segurança" Luiz Phillipi Mourão (Sicário) um ataque ao jornalista que, em coluna do Globo, contrariou seus interesses.  

* Quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto".

- Sicário responde positivamente sobre o assalto forjado.Vorcaro passa outra tarefa a Sicário. 

* "Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda".

- Sobre um chef de cozinha ligado a alguém que teria feito uma gravação indevida, Vorcaro ordena a Sicário.

*"O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar".

Para finalizar, fica faltando o núcleo que ainda não vazou. O das festas e orgias onde a elite teria soltado a franga. Imagino que essa foi a etapa do relax como presente para as autoridades que ajudaram o Banco Master. Talvez Vorcaro tenha feito até um discurso do tipo que os premiados fazem no Oscar. "Quero agradecer ao dr. fulano, a sua excelência sicrano, ao querido beltrano sem o qual nada disso seria possível". O pequeno discurso deve ter terminado assim: "chega de verborragia, pessoal: as russas chegaram, vão lá mostrar que os brasileiros não desistem nunca. Abram os trabalhos e defendam a pátria! 

P.S - Daniel Vortaro está preso na Penitenciária de Potim (SP). Luis Phillipi Mourão tentou suicídio, segundo a Polícia Federal, em uma cela da sede da instituição em Belo Horizonte. Levado ao hospital foi constatada a morte cerebral de Sicário.

As musas nuas dos escândalos sumiram, assim como as revistas Playboy, EleEla, Status e Sexy. O Banco Master é um caso que não tem belezas, só sujeira

 











por José Esmeraldo Gonçalves

O fim das revistas masculinas levou junto um segmento lucrativo da mídia. Playboy, da Abril, EleEla, da Bloch e Status da Editora Três faturavam milhões com a venda avulsa de revistas e a publicidade gerada por um subproduto sensual dos escândalos nacionais. Os editores das publicações especializadas em nudez feminina acionavam uma espécie de periscópio poderoso para localizar no rastro paralelo dos casos rumorosos as chamadas preferências nacionais. 

Geralmente eram escolhidas para posar para as revistas aquelas jovens não envolvidas na corrupção, mas capturadas pelo furacão midiático dos escândalos. Eram secretárias, eventuais namoradas ou testemunhas que se destacavam pela beleza e logo recebiam convites quase irrecusáveis dos editores. 

Um caso de tão amplo alcance como o do Banco Master certamente já estaria no scanner da Playboy, principalmente, a que pagava mais em cachês e cesta de produtos que incluía às vezes carro, apartamento e viagem. Na verdade, até aqui o enorme escândalo do Master é rico em roubalheira e pobre em estática feminina. 

A EleEla e Status adoravam o estilo guerrilha: pagavam menos, usavam a criatividade e rapidez para chegar antes nas musas potenciais. Sexy era mais ousada, revelava muito mais tudo que não vinha a público. Um dos espaços digitais que se abriu para substituir a nudez nas revistas foi o Only Fans, site pago, hoje com quase 400 milhões de assinantes e nenhuma musa dos intermináveis escândalos brasileiros .  

Nossos Pintacudas são todos oriundi... • De Chico Landi a Gabriel Bortoletto - Por Roberto Muggiati


Em 1951, Chico Landi foi o primeiro brasileiro a competir na F1.

Gabriel Bortoletto acelera as atuais esperanças brasileiras. Foto Instagram
 
Traduzindo: nossos ases do automobilismo são todos descendentes de italianos. E Pintacuda, um piloto italiano que brilhou no antigo Circuito da Gávea, foi imortalizado pela Marcha do Gago, do Carnaval de 1950, na gravação do impagável Oscarito. Excetuando aquela figura inominável que dirigiu o Rolls-Royce presidencial na posse de Bolsonaro, tudo começou ainda nos tempos das “baratinhas”, os anos 1940, com o paulistano Francisco Sacco Landi, o popular Chico Landi. (O pentacampeão argentino, Juan Manuel Fangio também descendia de italianos.)

Na fase Moderna da Fórmula-1, veio o trio de ouro formado pelos irmãos Emerson e Wilson Fittipaldi e José Carlos Pace. Emerson sagrou-se nosso primeiro campeão no circuito de Monza em 1972. Pace morreu cedo, aos 32 anos, num acidente de avião. Ayrton Senna da Silva descendia de italianos por parte de mãe. Vieram então Rubens Barrichello, o duplamente oriundo Luciano Pucci Burti na temporada 2000-2001, correndo 15 GPs pelas escuderias Jaguar e Prost e Felipe Massa. Agora a torcida brasileira acredita na volta dos bons tempos de vitórias de Ayrton Senna na figura de Gabriel Bortoleto de Oliveira, 21 anos, saudado no Circo da F-1 como um futuro campeão. Gabi tem mãe de ascendência italiana. E há ainda o neto de Emerson Fittipaldi, Pietro Fittipaldi, atalmen de testes da nova equipe Cadillac. Outros brasileiros oriundi passaram pela F1, categoria desafiadora até consolidar patrocínios e carreiras. Maurício Gugelmin, Ricardo Zonta, Antonio Pizzonia e Bruno Senna, entre outros. 

A temporada 2026 começa em Melbourne em 8 de março com o GP da Austrália. A TV Globo também voltou a apostar na Fórmula-1, garantindo os direitos exclusivos de transmissão a partir deste ano. Enquanto os motores não roncam, vamos homenagear Pintacuda... e Oscarito.

Oscarito - MARCHA DO GAGO - Klecius Caldas e Armando Cavalcanti - gravação de 1949 - YouTube

https://www.youtube.com/watch?v=NJipHVJ9mhU

quarta-feira, 4 de março de 2026

Invasão terrestre ao Irã. Pode Acontecer? E, se acontecer, Milei vai aderir à coalizão ao lado dos Estados Unidos?

por Flávio Sépia 

Javier Milei tem manifestado apoio público a todas as decisões de Donald Trump. Foi o primeiro a aplaudir a invasão da Venezuela. Espera com entusiasmo que o mesmo aconteça a Cuba. Mal foram anunciados os bombardeios ao Irã, a voz de Milei ecoou em saudação a Trump. O argentino não faz restrições às demandas mais absurdas do regime de extrema direita do oligarca estadunidense, como encampar a Groelândia e criar o Conselho da Paz para anular a ONU.

 Não é possível falar ainda sobre a progressão da guerra. Segundo o Washington Post a possibilidade de envio de tropas para uma invasão terrestre está sobre a mesa. Se isso acontecer os Estados Unidos provavelmente tentarão formar uma coalizão. A Grã-Bretanha está um passo disso: já tem caças da RAF na zona de guerra. Austrália seguiria Londres. Ucrânia já se ofereceu.

Para os argentinos, a servidão de Milei carrega um risco. Vai que Trump peça soldados hermanos para integrar as forças invasoras? Milei, cujo plano econômico depende de dólares e garantias da Casa Branca aceitaria por motivos financeiros e ideológicos.



Milei e o seu ministro da Defesa Luis Petri.  Argentina vai à guerra? Foto OPRA


Atualização - 4/3/2026 - A Casa Branca desmentiu hoje a intenção imediata de invadir o Irã por terra. Mas fez a ressalva: por enquanto o objetivo é a mudança do regime no Irã. Por enquanto. 

terça-feira, 3 de março de 2026

Quando a Inteligência Artificial não existia os fotógrafos usavam a Malandragem Natural





Sem a imagem do Khamenei, largada no chão, acima, à direita, a foto do Libération registraria apenas um monte de lixo. Simbolicamente, o que Khamenei virou. O fotógrafo francês apelou para a Malandragem Natural e "produziu" a imagem final.
.


por José Esmeraldo Gonçalves 

O mundo nem sonhava com o uso da IA na fotografia e os fotógrafos já davam um jeito de manipular certas fotos e situações. Era o tempo da artesanal MN (Malandragem Natural). O retratista era escalado para fotografar um trágico desastre em estrada. Ao chegar na cena deparava-se apenas com um ônibus capotado. Banal. Rapidamente ele revirava a bagagem e encontrava um pé de sapato ou uma boneca. Era o toque de emoção que faltava. A boneca ou o calçado em primeiro plano, o ônibus ao fundo. Dava-se o drama aduzido. 

Se uma casa desabava e deixava vítimas sob a laje, o primeiro plano ia para uma xícara de café. O último café da pobre vítima. A Fatos $ Fotos guardava algumas memórias da MN. 

A foto reproduzida do livro "A outra face das fotos",  de Aguinaldo Ramos, Um exemplo da antiga "tecnologia" MN, antecessora da IA. 

Estou livre para recontar um desses "causos", que o próprio fotógrafo, Aguinaldo Ramos, revelou no livro "A outra face das fotos". Um dia, ele saiu às ruas com a missão de fotografar um "presunto". O que nem seria tão difícil no Rio de Janeiro. Para sua surpresa, rodou bairros mais visados e não encontrou nem um simples mortinho. O dia acabando, a luz se mandando,  Guina não poderia voltar para a redação sem a foto de abertura de uma matéria especial sobre violência urbana. A solução? Produzir a imagem para o fechamento.  Foi para a Quinta da Boa Vista, cenário garantido, e nao demorou a escalar os personagens. Foto na mente, chamou uns garotos que passavam de bicicleta e pediu ao motorista da equipe que se deitasse no chão. Posicionou os figurantes e a roda da bicicleta, os meninos ao fundo como "espectadores'. O "morto" aparecia entre os raios da bike. Perfeito. Boa composição, sem apelação grosseira, sem sangue, afinal a Fatos&Fotos não era "Notícias Populares". Missão cumprida. Só décadas depois, o fotógrafo revelou seu truque.

Lembrei disso ao ver a foto publicada hoje no Libération, o famoso Libé, de Paris, fundado por Jean Paul Sartre. Tenho certeza que no meio dos destroços não havia originalmente a imagem do aiatolá Khamenei. O fotógrafo (aposto que seja da geração pré-tecnologia digital) apelou para a infalível MN que ainda resiste e hoje atende pelo nome de IA.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Sacuda s cinzas do seu ente querido com Zeca Pagodinho ou o embale com uma berceuse de Mozart

 

Urna funerária...

...com altofalante na tampa toca playlist selecionada 
ao gosto musical do falecido. Fotos Divulgação.,

por Ed Sá 

Compre antes que acabe. Foi lançado nos Estados Unidos o primeiro lote de 150 Urnas da Playlist Eterna lançado em parceria do Spotify com a marca de bebidas Liquid Death. Trata-se de uma ânfora de resina ,d,e poliéster de 30 centímetros de altura com um autofalante Bluetooth embutido na tampa que toca suavemente as músicas favoritas do falecido. Custa US$495 (em torno de 2.500 reais) e o Liquid Death garante que o produto reduz a aparição de fantasma ao nível de 47%. Paralelamente a este hardware, o Spotify lançou o Gerador da Playlist Eterna, um aplicativo em formato de quiz com uma avaliação da “vibração eterna” ou “estilo espectral” do cliente , combinando o resultado com sua lista pessoal para criar o que seria sua trilha sonora para o Além. Para conhecer a sua lista acesse o site do do Spotify+Liquid Death


E as fichas voltaram a cair...


Na Avenida Paulista orelhão virou objeto de brincadeira. Foto de Tineke Beerepoot Vasques 


Ta bom Embora a expressão “a ficha caiu” ainda continue em uso, é bom explicar sua origem às novas gerações. Quando ainda não existiam celulares – sim, os seres humanos conseguiram sobreviver zilhões de anos sem eles – os homens se comunicavam através de aparelhos fixos. Para aumentar o acesso do cidadão à telefonia, e aumentar seu faturamento, as companhias espalharam pelas ruas aparelhos fixos, dentro de uma proteção em forma de concha, que logo ganhou o apelido de “orelhão”. O pagamento era feito enfiando uma ficha numa fenda do aparelho. A ficha ficava engasgada no aparelho e só caía quando a ligação era completada com sucesso. A produção de O agente secreto demonstrou um afã obsessivo de imprimir ao filme uma semelhança rigorosa com o cenário do ano em que transcorre a história, 1976. Voltaram à cena carros, roupas, móveis e utensílios da época, entre eles os onipresentes orelhões que, exibindo as cores do filme, também foram plantados nas ruas das grandes cidades como peça de propaganda. Só faltaram guimbas com marcas de cigarro daquele tempo – ou será que até detalhes como esse foram cuidados? R.M.


Fotomemória: uma tarde qualquer na redação da revista Ele Ela

A redação da Ele Ela nos anos 1970. Em pé, a partir da esquerda: o diretor Lincoln Martins, o redator Alexandre Raposo, o diretor de Arte Nicolás Lopes, o diagramador Junior, o chefe de redação Léo Borges, a secretária Rosana, o redator Gualter Mathias Neto, o repórter Oswaldo Salomão. Uma equipe brilhante. 

A foto acima foi publicada no Facebook do jornalista Oswaldo Salomão. Curiosidade: o título poderia ser Eles e Ela. Uma única mulher aparece entre os editores, repórteres e diagramadores da revista masculina da Bloch Editores. A Ele Ela foi lançada no Brasil em 1969, bem antes da Homem, da Abril que, por sua vez, antecedeu  a edição brasileira da Playboy, da mesma editora. Ele Ela chegou a vender 400 mil exemplares apesar de perseguida pela censura da ditadura. Antes, havia a Fair Play (de 1966 a 1971), pioneira na publicação de fotos sensuais de atrizes famosas da época, Odete Lara, Betty Faria e Leila Diniz, entre outras. O blog agradece a colaboração de Nilton Muniz, ex-Bloch, que resgatou esse registro. 
 Você poderá ver mais detalhes do post sobre a Ele Ela direto na fonte original (o Facebook do próprio Oswaldo Salomão).


domingo, 1 de março de 2026

Tio Trump pautou a mídia mundial- Guerra Estados Unidos-Israel-Irã: Fogo na teocracia

 











por José Esmeraldo Gonçalves 

Trump pautou a mídia. A nova guerra em curso está em todas as primeiras páginas dos grandes jornais. Não houve tempo para criatividade. O design é banal, na base do embrulha e manda. Curiosamente,  a Operação  Fúria Épica, como  a Casa Branca denomina a guerra Estados Unidos-Israel-Irã ainda não produziu uma foto... épica. Pelo menos por enquanto. O que vimos na manhã de ontem foi apenas o episódio 1 da primeira temporada. As redações  se viraram com o que tinham. A foto mais publicada foi a do complexo do Khamenei, sem muita definição, no chão, visto do satélite após massivo bombardeio. O que restou do governo iraniano confirmou a morte do "líder supremo". O aiatolá virou poeira. Será substituído?. Provavelmente setores do regime tentarão isso. O Irã tem aiatolás em estoque. A teocracia brutal cairá? Uma consequência ainda incerta. Mas as bombas continuarão caindo. Infelizmente atingindo alvos civis em ambos os lados. Os dispositivos sofisticados das armas não são programados para reconhecer apenas instalações militares.



sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Neymar treina simulação para praticar na Copa caso seja convocado


 

Não sei que remédio estão tomando os jornalistas das resenhas esportivas no You Tube, principalmente. 

Há exceções, claro, há profissionais que demonstram bom senso, mas a maioria parece estar em campanha quanto à possibilidade de Neymar jogar a Copa do Mundo da FIFA. Nas redes sociais e até em debates na TV aberta e nos canais por assinatura a coisa tem ares de forte impulsão. 

O "minino"  Ney pouco pegou na bola nos últimos anos.  A paralisação mais recente deu-se em função de complexa cirurgia no joelho. Ele está de volta aos campos. No jogo mais recente, contra o medíocre Vasco, o Santos ganhou de 2x1, dois gols de Neymar. Foi o que bastou para a campanha "Neymar na seleção" bombar nas conversar pós-jogo. O movimento se intensificou quase à histeria. No Sportv, o apresentador André Rizek  foi racional. Nada de deslumbramento, análise realista. Na mesma mesa, contudo,  havia um sujeito que de tão empolgado parecia antever uma tempestade de gols de Neymar na Copa. Acho que o neymarista  de carteirinha não viu a Copa da Rússia nem a do Catar. Foi onde Ney celebrizou o cai-cai por qualquer motivo. Foi ridicularizado no mundo inteiro. É provável que o "minino" não vá à Copa mas poderá estar no Oscar do ano que vem. É um artista da simulação. 

No jogo contra o Vasco ele tentou inventar uma "cabeçada"  de Tiago Mendes, que não aconteceu. O santista caiu em campo praticamente em coma profunda. Pareceu uma prévia do que fará na Copa. A qualquer momento os jornalistas neymaristas organizarão um simulacro da Coluna Prestes para percorrer o Brasil pedindo a convocação de Neymar.


Manchete no cinema. Ela ainda está lá... e pernas para que te quero

A foto da antiga Manchete e a recriação da mesma imagem da família de
Rubem Paiva para o filme "Ainda estou aqui".


A antiga Manchete tem uma longa tradição de citação em filmes. Na maioria das vezes aparecia alguém em cena folheando a revista. Podia ser um gesto incidental ou uma retribuição: no auge, Manchete era um importante meio de divulgação de filmes brasileiros e de produções estrangeiras filmadas aqui. A revista tinha bom relacionamento com os principais diretores e produtores. Cobria bastidores de cenas externas e invariavelmente convidava astros e estrelas para entrevistas seguidas de almoços nos célebres restaurantes das sedes da Bloch nas ruas Frei Caneca e do Russell. 

Atualmente, documentários do streaming sobre crimes de grande repercussão costumam usar referências a reportagens publicadas na revista.    

Nadia Comaneci na Manchete 

Em "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional de 2024, o diretor Walter Moreira Salles fez diferente. A Manchete não entra em cena, mas as fotos de época da família de Rubem Paiva foram inspiradas em imagens reais publicadas na revista e recriadas no longa metragem. 

Em "O Agente Secreto", do diretor Kleber Mendonça Filho, a referência à Manchete é também sutil e está integrada a uma simbologia do filme em torno de pernas. Precisamente a "Perna Cabeluda", decepada, lenda urbana do Recife dos anos 1970 que dava rasteiras em caminhantes noturnos nos becos da cidade. A temida assombração remetia ao medo da repressão imposta pela ditadura militar. Pois na  apurada ambientação de época que permeia o filme aparece um poster da antiga Manchete com a ginasta Nadia Comaneci, ganhadora de nove medalhas: cinco de ouro e quatro de prata na Olimpíada do Canadá, em 1976. Que as pernas vencedoras da romena impulsionem os três Oscar ou pelo menos um dos três indicados para "O Agente Secreto".          

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Jutta Leerdam, a verdadeira chama olímpica

Foto Reprodução Instagram


Foto Reprodução Instagram 


Jutta emocionada mas sem esquecer de
 mostrar o top branco da Nike

por Ed Sá 

A patinadora holandesa Jutta Leerdam, medalha de ouro na Olimpíada de Inverno Milão Cortina, é uma espécie de recordista de beleza. Isso não quer dizer que seja unanimidade na delegação dos Países Baixos. A bela atleta evitou chegar a Milão no mesmo voo das colegas e optou pelo seu próprio jatinho. Isso foi motivo de críticas. Com 27 anos e 1.80m, a estrela do gelo fatura muito com promoção de produtos nas suas redes sociais, além de receber por premiações em campeonatos mundiais e europeus. Logo após ganhar o ouro nos mil metros, ele se emocionou, chorou mas mas não esqueceu de abrir o zíper do uniforme para exibir o top branco com o logotipo da Nike. Também caprichava na maquiagem para mostrar produtos que usa. O que até os mais críticos de comportamento são obrigados a admitir é a patinadora excepcional.e dedicada aos treinamentos que ela é. Tudo isso comprovado por dezenas de títulos continentais e medalhas olímpicas.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Mamonas voltam à natureza • Por Roberto Muggiati

Edição especial de 2 de março de 1996

Partes dos destroços do avião dos Mamonas ...


...foram parar na redação da antiga Manchete.


Deu em O Globo: as famílias dos cinco integrantes da banda Mamonas Assassinas mortos há cinco anos em desastre aéreo na Serra da Cantareira (SP) fizeram um acordo para exumar os corpos dos músicos e cremá-los, usando as cinzas como adubo para cinco árvores que serão plantadas no BioParque Cemitério de Guarulhos, cidade onde eles moravam. A mamona é a planta Ricinus communis L., conhecida popularmente como mamona, pédemamona, mamoneira, carrapateira, carrapato e rícino, é uma planta da família das euforbiáceas, originária da Ásia Meridional, e sua semente é conhecida como mamona ou carrapato.

Os Mamonas tinham se tornado um dos grupos mais requisitados para shows no país e, naquele sábado fatídico – 2 de março de 1996 – um descuido na manutenção do jatinho provocou a queda nas imediações do pico do Jaraguá. As equipes de salvamento tiveram dificuldades para chegar ao local e, mais ainda, as equipes de reportagem. A redação de Manchete no Rio – a postos para o fechamento antecipado da revista – recebeu as primeiras fotos de São Paulo no início da noite. No que então se chamava “um inaudito esforço de reportagem”, o chefe dos fotógrafos, Vic Parisi, resgatou um pedaço do avião: uma pequena peça amarela de metal exalando forte cheiro de querosene. A relíquia macabra foi devidamente fotografada e tombada no arquivo fotográfico da Manchete. Como tudo neste mundo, teve o destino do título do álbum solo de George Harrison, All Things Must Pass...


A jornada 4x1 impossível na orgia do Vorcaro

A cena do filme "De olhos bem fechados" é meramente ilustrativa. Está no imaginário quando se fala de orgias.  A festança do Master para autoridades e garotas importadas da Europa não foi tão sofisticada. Ao contrário, um print vazado registra
que foi muito brega. 

por José Esmeraldo Gonçalves 

O que vazou até agora. Alguns prints que registram a bagunça dos convidados, reclamação dos vizinhos contra o som alto e poucos detalhes da festança em Trancoso, Bahia. Cabral descobriu o Brasil perto dali. Sob o comando do comandante Vorcaro autoridades e ricaços descobriam uma espécie de paraíso. O anfitrião teria importado garotas da Rússia e Ucrânia para animar os convivas. Ok, até aí, acredito. 

Entre as supostas revelações há, contudo, um número que acho impossível ser verdadeiro. Dizem que vieram da Europa garotas em número suficiente para a jornada 4x1. Quer dizer: quatro mulheres para cada convidado.

Duvido. 

A lista vip não pode ser revelada ainda. Mas a maioria, a julgar pelo excesso de quilogramas, mal daria conta da patroa no dia a dia e de uma acompanhante importada quanto mais quatro beldades da Europa Central, terra de mulheres muito bonitas.

 Claro que havia gente lá com algum preparo físico para jogar malas de dinheiro do décimo andar, mas morre aí a, digamos, chamada motivação. As autoridades suspeitas de envolvimento no departamento de entretenimento do Banco Master já estão, a maioria, em faixa etária rodada. Estão mais para estatuto do idoso do que para legionários que sobem montanha a pé.

Outra coisa quando se fala em orgia muitos devem recordar o filme "De olhos bem fechados" , de Stanley Kubrick com Nicole Kidman e Tom Cruise. Esqueça. A festa em Trancoso não tinha esse nível de sofisticação. Era mais para babação na gravata. Um dos prints vazados registra que nunca houve nada tão brega no sul da Bahia desde que Cabral e Pero Vaz de Caminha caminharam na praia com roupas da nobreza lusitana distribuindo  balangandãs para indígenas.


Vini Jr expõe o racismo estrutural no futebol

Vinícius Jr. A batalha incansável
contra o racismo. Foto reproduzida
  do Facebook do jogador




por José Esmeraldo Gonçalves 

O brasileiro Vini Jr luta há anos contra o racismo. Quase sozinho. Imaginem a resistência psicológica que ele precisa manter a cada vez que entra em campo e recebe todo tipo de ofensa. O jogador já revelou desânimo com o futebol, mas superou o momento difícil. Dizem os racistas que ele é provocador, mas Vini Jr reage com sua arma mais letal: a habilidade e o trato insuperável com a bola. Reparem que geralmente as agressões se radicalizam após o craque do Real Madrid subjugar defesas e fazer gols antológicos. No jogo mais recente, contra o Benfica, após desafiar a física com uma bola de curva que contornou o goleiro e entrou no ângulo esquerdo inalcançável para ele, Vini Jr fez dancinha junto à bandeira do corner. Foi uma comemoração e uma resposta compreensíveis e proporcionais. Ele já vinha sendo xingado antes disso. Querem moderação da vítima de ofensas? Então o futebol que puna seriamente os racistas, sejam torcedores ou jogadores.  

Sem poder responder com futebol o jogador argentino Gianluca Prestianni apelou para a ofensa racista. Que receba pelo menos uma suspensão prolongada. Nada de apenas multas que acabam pagas com facilidade. 

Decepcionante são as reações irresponsáveis de dois treinadores: o português Mourinho, do Benfica, a vítima ressentida do talento de Vini Jr.  e o brasileiro e catarinense Felipe Luís, do Flamengo. O primeiro, cínico, disse durante a coletiva que o argentino não deveria nem pedir perdão . O segundo, alheio, afirmou que a ocorrência de ofensas racistas são "casos isolados". Isoladas também não foram as ofensas racistas de torcedores portugueses e argentinos nas redes sociais. 

Vale ressaltar que muitos jogadores se manifestaram a favor de Vini. Durante o processo que, espera-se, seja aberto, o testemunho de M'bappe será importante. Ele é incisivo a relatar que ouviu a grave ofensa do argentino.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A saga de Chorizo, resgatado da Ucrânia sob bombas - Por Natasha Muggiati

 

Chorizo desafiou fronteiras e logística. Foto: Arquivo pessoal 

Minha companheira Liliya, ucraniana, decidiu que nada expressaria melhor seu amor do que um filhote de dachshund — nosso popular “salsicha”, em alemão “caçador de texugo”, ao qual dei o nome gaiato de Chorizo, um nome que se impôs naturalmente — curto, sonoro e já anunciando que nossa vida jamais voltaria a ser insossa. Seria uma surpresa de Natal, algo delicado, festivo, envolto em laços e boas intenções. Mas Chorizo, sempre avesso a cronogramas e convenções humanas, antecipou sua chegada para outubro. Desembarcou com dois meses de idade, 1,3 kg de puro potencial destrutivo e os olhos estrategicamente treinados para dissolver qualquer acusação.

A travessia até Berlim, onde moramos, foi digna de um documentário narrado em tom grave. Três dias numa van em estado avançado de aposentadoria, saindo da Ucrânia em guerra, cruzando a Polônia — onde obteve um passaporte cuja procedência preferimos classificar como “criativamente interpretada” — e finalmente alcançando território alemão. Veio mal acomodado numa gaiola minúscula, compartilhada com um cocker spaniel igualmente perplexo, ambos a caminho de Berlim e provavelmente questionando sua destinação. Enquanto drones zumbiam no céu e estradas minadas prometiam emoções desnecessárias, os dois viajavam comprimidos como passageiros numa missão que desafiava fronteiras e logística. Tudo isso para transportar 1,3 kg de anarquia com orelhas longas.

Mas, como diria Shakespeare, tudo está bem quando termina bem. Ou quase. Aconchegado no apartamento, protegido do frio europeu, Chorizo rapidamente iniciou sua campanha de ocupação: degustou móveis como quem faz análise sensorial de madeira nórdica, estraçalhou seu coelho de brinquedo com eficiência cirúrgica e declarou guerra aberta aos chinelos das donas — que, ao que parece, simbolizam a autoridade doméstica que ele pretende derrubar.

Na primeira vez que viu neve, decidiu comê-la. Pela expressão, concluiu que a Alemanha ainda não estava pronta para seu refinado paladar. Agora aguardamos a primavera, quando poderá correr pelos parques vizinhos latindo para outros cães e fingindo inocência, enquanto nós fingimos que a casa sempre teve esse estilo “minimalismo pós-conflito”.

Chorizo sobreviveu a bombas, fronteiras, burocracias e transporte internacional alternativo. Enquanto isso, nos adaptamo-nos com elegância à intensidade de sua juventude e à troca de dentes. E assim, entre destruindo chinelos, devorando brinquedos e ensaiando suas primeiras investidas sobre a neve, aprendemos que toda casa precisa de um pequeno general… e nós, de muita paciência para a ocupação permanente.

*Natasha Muggiati, filha de Roberto e Lena Muggiati, é um típico “bebê Bloch”. Sua chegada ao mundo, há 40 anos, foi capa da revista Pais&Filhos.


Em cartaz no Bananão, como dizia Ivan Lessa. Assalto a dados fiscais e paródia de Watergate. A palavra da semana é... Vazamento!.

 

Vazamento negociado? Quem é o "encanador"? Reprodução RS

por José Esmeraldo Gonçalves 

O Caso Watergate ensinou que vazamento você sabe como começa mas não como termina. Aliás, o grupo que invadiu um escritório do Partido Democrata em 1972 era autodenominado "encanadores". Os parças de Richard Nixon eram profissionais em espionagem, queriam canalizar para a Casa Branca o maior número de informações sobre a oposição e filtrar para uso político tudo o que fosse comprometedor. O objetivo era instalar grampos telefônicos, microfones ambientais e fotografar documentos. 

O comando da operação criminosa cometeu uma série de erros banais. Os aloprados de Nixon deixaram pistas. Esqueceram de tirar as fitas adesivas que usaram para impedir fechamento automático de portas; uma das entradas não abriu e acabaram quebrando uma janela; o encarregado de receber um aviso caso alguém desconfiasse do arrombamento e chamasse a polícia baixou o volume do walkie talkie e não percebeu o alerta. Resultado, os criminosos republicanos foram presos em flagrante.  

A palavra mais usada na mídia política brasileira nessa semana pós-carnaval é "vazamento". Há "encanadores" suspeitos  de acessarem dados fiscais de ministros do STF. O caso é investigado pela Polícia Federal a partir da Receita Federal. 

As semelhanças param aí. O escândalo estadunidense foi desvendado por Bob Woodward e Carl Bernstein, jornalistas investigativos do jornal Washington Post após minuciosa apuração. A série de reportagens históricas levou à desmoralização e posterior renúncia de Nixon. 

Já na farsa brasileira  de espionagem política surge a suspeita de que jornalistas e veículos da imprensa corporativa estariam mais para "encanadores" do que para repórteres ou colunistas. Não há comprovação dessa suspeita que também é investigada. 

O assalto digital aos dados dos ministros é mais uma etapa de uma ofensiva aberta contra o STF nas sombras das medidas tomadas contra o ainda poderoso Banco Master, o liquidado mais ativo da paróquia. O ministro Toffoli foi obrigado a deixar a relatoria do caso após uma sucessão de trapalhadas e o ministro André Mendonça assumiu o cargo. 

Enquanto a investigação prossegue, a mídia não dá trégua aos ataques ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes, muitos deles baseados em fontes anônmas. Com o "encanadores" em ação, o "watergate" brasileiro, um afluente que deságua no pântano do Master, tem tudo para acabar em paródia de má qualidade.   

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Mídia - Se é bom para o trabalhador, O Globo é contra

Hoje como...


...ontem, "fogo" no trabalhador.

por Flávio Sépia 

O Globo esbanja coerência. Para o mal. Nos anos 1950 foi contra o salário minimo. Nos anos 1960, combateu com ferocidade a aprovação do décimo-terceiro salário. No fim dos 80 manipulou o debate Lula-Collor e levou para o Planalto o cara que meteu a mão na poupança do povo. Nos anos 2000 participou do golpe que derrubou injustamente Dilma Rousseff. Apoiou o golpista Michel Temer que tirou direitos dos trabalhadores e fez a reforma desonesta da Previdência que prejudicou os futuros aposentados civis. Apoiou com fanatismo jornalístico a Lava Jato que se revelou uma operação criminosa e corrupta. No desgoverno Bolsonaro, apoiou Paulo Guedes e suas medidas em prejuízo do povo e em favor dos amigos do mercado especulativo. Nada mais natural, portanto, que O Globo esteja em campanha a favor da manutenção do regime 6x1, quando países que não governam apenas para milionários e corporações  corruptas modernizam as relações trabalhistas, se distanciam do trabalho escravo e favorecem a saúde mental e física dos trabalhadores com a aprovação do regime 5-2 que proporciona mais qualidade de vida e lazer para as famílias. Se um projeto não presta para o país, presta para o Grupo Globo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O que Calígula, o Epstein do império romano, tem a ver com os canais de streaming e o modo de ver filmes?




por José Esmeraldo Gonçalves

Kristen Stewart comprou a Highland Theatre. A sala centenária, de 1925, em Los Angeles, corria o risco de ser demolida. A atriz pretende restaurar o local e torná-lo um símbolo de resistência cultural, privilegiando a experiência de exibição de filmes em telas grandes. Não se trata apenas de conservar um prédio. Esse tipo de iniciativa preserva o modo de ver filmes. 

É inevitável o avanço do streaming, não dá para pausar a história, mas é possível respeitá-la. No Brasil há esforços para preservar cinemas de rua, especialmente no Rio, São Paulo, Recife e outras grandes cidades. Apesar disso, muitas salas tradicionais viraram igrejas, supermercados e mega lojas. Nas pequenas localidades, foram praticamente extintas. Salvam-se aquelas instaladas em shopping centers. 

As plataformas de streaming censuram filmes ?

O modo streaming impõe uma grave característica. A censura privada a determinadas cenas de violência, sexo, ideologia etc que as empresas do ramo considerem "impróprias". É aí apelam para as tais tarjas irritantes e cenas desfocadas a interferirem nos filmes, sem falar no chatíssimo "pii, pii, pii" sonoro para encobrir palavrões. 

Os canais de streaming são donos do acervo de grandes produtoras de Hollywood, o que não quer dizer que disponibilizem todos os clássicos de várias épocas ou filmes que foram polêmicos em certos momentos e que representam marcos na história do cinema. Deveriam ser, como nome diz, plataformas de transmissão, mas sem manipular conteúdos por implicações morais ou vá lá o que seja. 

Claro que há canais independentes que dão acesso a cópias piratas muitas vezes sem a íntegra dos filmes ou a qualidade técnica da reprodução.

Em 1976, há 50 anos, o produtor Bob Guccione, criador da revista Penthouse, começou a filmar a história de Caio Augusto César Germânico, mais conhecido como Calígula. O sujeito foi um imperador romano pansexual. Para a geração Z entender: ele era o Jeffrey Epstein de Roma. 

As filmagens foram tumultuadas e interrompidas várias vezes e "Calígula" só chegou aos cinemas em 1980. A vida real de Calígula era uma tarja só. Claro que o filme provocou uma polêmica mundial. Provavelmente sob o pretexto de escrever critícas para L'Osservatore Romano um cardeal teria sido visto no escurinho do Dei Piccoli, da Villa Borghese, um cinema pequeno e discreto que exibiu o filme em sessão especial para autoridades, longe da curiosidade dos paparazzi. 

Lembrando que em 2013,  o Festival de Cannes exibiu a versão restaurada "Calígula: o corte final" , incluindo parte de 96 horas de cenas não aproveitadas no original e encontradas anos depois, mas com cortes de cenas "excessivamente explícitas". A nova versão não causou muita repercussão ao chegar ao circuito brasileiro. Para as novas gerações, o sexo grupal da vida real tripulado por Jeffrey Epstein com participação de Donald Trump, o ex-príncipe Andrew, Bill Clinton e outros poderosos deve fazer Calígula parecer tímido. E olha que as fotos e vídeos do Caso Epstein ainda nem vieram inteiramente a público. 

A propósito, em 1980, "Calígula" mereceu da antiga revista Manchete uma reportagem de cinco páginas assinada pelo jornalista e crítico conceituado Wilson Cunha. Aqui, o filme teve cenas cortadas e enfrentou resistências nas distribuidoras. Nos anos 1990, foi vetado para exibição na TV. Atualmente, "Calígula: o corte final"   pode ser visto na plataforma de streaming Prime. Para saber mais sobre o filme do "Epstein" romano leia abaixo a reportagem de Wilson Cunha. 










1980- Páginas reproduzidas da antiga revista Manchete.

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Ou, para melhor leitura você pode acessar a seção de periódicos digitalizados da Biblioteca Nacional (Edição 1446 da antiga Revista Manchete)