domingo, 19 de agosto de 2018

Samba dos Jornalistas no Baródromo. É terça-feira, 21/8



(do site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro

"Este show é o primeiro esforço externo que o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) realiza para arrecadar fundos, indenizar os empregados e saldar pequenas dívidas. O Baródromo gentilmente nos cedeu o espaço e o palco, e todos os artistas abriram mão de qualquer cachê para ajudar ao SJPMRJ.

Com o fim do imposto sindical e o desemprego crescente, a entidade está vivendo uma crise financeira sem precedentes na sua história. A diretoria continua atenta e atuando, em revezamento, para atender à categoria – trabalho voluntário sem qualquer tipo de remuneração.

No evento, será divulgada uma assembleia para resolver a venda ou não de parte do patrimônio do SJPMRJ para pagar dívidas.

Não se esqueça: é o SJPMRJ que negocia seus reajustes e briga pela manutenção dos seus direitos. Portanto, está nas mãos dos jornalistas cariocas o presente e o futuro do SJPMRJ. Não deixe a nossa Casa cair! Não vamos dar este gostinho aos pilotos das barcas, aos comandantes dos passaralhos e aos sabujos patronais.

Venha ao samba, traga um grupo de colegas, curta os shows, brinde com os amigos e faça novos amigos!

Contamos com você! Ajude a salvar o SJPMRJ.

SAMBA DOS JORNALISTAS NO BARÓDROMO

Apresentação: Maurício Menezes (Plantão de Notícias)

Artistas confirmados:

*André Lara *Agrião *Dorina *Gabriel Azevedo (Casuarina)

*Gabriel Cavalcante * Gustavo Martins

*Jorge Nunes * Marcelinho Moreira * Mário Medella

*Muxima Muato * Reza a Lenda * Paulão Sete Cordas

* Sara Shi * Tania Malheiros * Tetê Cavalcanti

E quem mais chegar!

Produção e venda de ingressos antecipados:
9-8761-4039 / 9-9889-4435 – Dir. de Comunicação do SJPMRJ
Ingressos: antecipados: R$ 25,00 e R$ 30,00 na bilheteria"

Fonte: Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro


Bossa Nova, 60 anos: o Globo resgata foto histórica da Manchete


O Segundo Caderno do Globo publica hoje boas matérias especiais sobre os 60 anos da Bossa Nova. Um dos textos, o de Joaquim Ferreira dos Santos, é ilustrado com uma foto da Manchete, devida e justamente creditada. Nara Leão e outras jovens ouvem o violão de João Gilberto nas areias de Ipanema.

Reprodução Revista Manchete, 1959.

Uma "roda de violão" histórica vista em uma série de fotos de Carlos Kerr. Naquele dia, o repórter Aloísio Flores fez um dos primeiros registros da Bossa Nova em revista. A partir de 1958, a Manchete, principalmente sob a direção de Justino Martins, cobriu com regularidade o nascimento do novo gênero musical. Os arquivos sumidos da extinta Bloch guardam ou guardavam centenas de fotos dos primeiros acordes da revolução musical que embalou Ipanema e seduziu o mundo. Memória que, ainda bem, rompe o esquecimento em reprodução digital como essa que O Globo resgata.

A força-tarefa do sistema na mídia - por Dênis de Moraes


Reprodução Blog da Boitempo

por Dênis de Moraes, para o Blog da Boitempo

Em um dos seus textos mais imprescindíveis, lido ao receber o título de professor emérito da Universidade de São Paulo no dia 28 de agosto de 1997 e publicado postumamente em livro, pela primeira vez, em Combates e utopias: os intelectuais num mundo em crise, por mim organizado [1], Milton Santos delineou o cenário que hoje se consolida: a “instrumentalização pela mídia” de intelectuais que trabalham no interior das organizações do setor, ou que, vinculados à academia, ao mercado ou a instituições específicas, com elas se entrelaçam por convergências político-ideológicas ou motivações outras.

Não escapou à aguda percepção do mestre da geografia humana que a reputação do intelectual já não depende do valor de sua obra e da força de suas tomadas de posição; agora, confunde-se com a consagração pelas engrenagens midiáticas, baseada na visibilidade alcançada pela inserção nos veículos por elas controlados. Daí a reação de Milton contra o declínio da figura do intelectual crítico na sociedade de telas e monitores: “Nosso trabalho não é produzir flashes, frases, mas ajudar a produzir consciência. A cautela do intelectual perante a mídia televisiva não significa recusá-la, porque ele necessita da difusão de seu trabalho. Mas é necessário ser prudente, prudência que vem apenas da consciência plena do papel que temos para exercer.”

Com efeito, a maior parte dos espaços de opinião na chamada grande mídia está atualmente preenchida por dois tipos de intelectuais: aqueles formados dentro das próprias empresas ou por elas projetados (colunistas, comentaristas, âncoras, autores, roteiristas, etc.), em sintonia com seus princípios e prioridades; e os selecionados externamente pelas corporações a partir de suas habilitações profissionais ou acadêmicas e, sobretudo, por seus perfis ideológicos.

LEIA O ARTIGO COMPLETO AQUI

A mão boba...

Reprodução Twitter
por O.V. Pochê

Bolsonaro foi flagrado em rede nacional colando um tosco roteiro para não se perder ainda mais no debate da RedeTV. Não está claro se ele mesmo rascunhou os temas ou se é uma contribuição do seu "Posto Ipiranga", o economista Paulo Guedes. Como virão outros debates, sem falar em entrevistas e falas em comícios, Bolsonaro deverá sujar a mão de tinta com muitas outras informações importantes ao longo da campanha.

Um calígrafo pré-presidencial poderá preparar uma série de subsídios. Fidel Castro fazia discursos de cinco horas de duração. O capitão inativo está longe disso, ou teria que tatuar o corpo com a cola indispensável. Por isso, além da mão mal traçada, também é indicado um método que já foi muito usado no teatro e nos primórdios da TV: a "dália".  Era o nome que os atores e apresentadores davam aos pequenos cartazes espalhados pelo estúdio, geralmente disfarçados em vasos de plantas, contendo falas para ajudar os esquecidos. A ideia é que cada pessoa do staff bolsominion passe a carregar uma "dália" com lembretes ao líder.

Algumas frases e tópicos já vazaram na web:

* Não deixar que Marina Silva grite comigo. Pega mal para um capitão.
* Falar do botóx do Álvaro Dias.
* Não esquecer de falar da loteria que vou criar: a megabala. Vai sortear 10 pistolas por semana para o povo brasileiro.
* Não fazer perguntas para Ciro Gomes. Ele fala difícil, fala que escreveu livros, não entendo porra do que ele diz. Paulo Guedes, ajuda aí!
* Tá me dando vontade de votar no Cabo Daciolo, mas vai passar...
* Lembrar de responder a Boulos:  "Wal é a mãe!"
* Lembrar de falar que vou acabar com dez ministérios, vou fechar a ONU, a URSAL e o Vaticano.
* Lembrar de ligar para Alexandre Frota e Roger
* Visitar a Folha, a Veja e a Globo News
* Ligar para Donald Trump. Quero ajudar a destruir a China. Pedir a Paulo Guedes que faça as legendas
* Falar dos colégios militares "John Wayne", "Dirty Harry", "Charles Bronson", "Rambo", "Chuck Norris", "Sergio Fleury" e "Brilhante Ulstra" que vou criar em todo o Brasil
* Pedir a Wal para passar a farda que vou usar na subida da rampa

sábado, 18 de agosto de 2018

Revista Veja: a primeira capa pós-recuperação judicial ninguém esquece - "Ele pode ser presidente do Brasil" - Azar seu, eleitor...


Alguns candidatos que admitem seu total despreparo - e até fazem piadas disso, como lembrar o comercial do Posto Ipiranga - estão arrumando uns engomadinhos para pensar por eles.  Montar assessorias técnicas é um dever de quem pretende conduzir o país, mas terceirizar decisões ao engravatado mais simpático que o vizinho indicou é falsificar o mandato que o eleitor vai conferir nas urnas de outubro.

Na capa da Veja, o economista Paulo Guedes, um quadro do neoliberalismo, é apontado como o homem que "faz a cabeça" de Bolsonaro..

Errado. Bolsonaro é quem fez a cabeça de Guedes e o arrastou para o seu bolsonarismo.

No debate de ontem, na Rede TV, o capitão aposentado fugiu em desabalada carreira de todas as questões que lhe foram feitas. Invariavelmente,  não importa o teor da pergunta, ele respondia sobre o 'bolsa pistola" para cada brasileiro, a castração de estupradores, o aborto, a "doutrinação" nas escolas ou informava ao distinto público que não devemos nos preocupar com o problema das mulheres. Bolsonaro gaguejava e balançava o corpo visivelmente desconfortável com a oportunidade de exibir seu "potencial".

Não se sabe se Paulo Guedes, o guru que é capa da Veja, orienta Bolsonaro em questões morais e fundamentalistas, além da tecnocracia, e nem se ele estava na claque da plateia, mas seu pupilo parece desorientado no calor dos debates. Precisava de ajuda. Melhor os dois mergulharem em um intensivão e tomarem uns açaís em Angra feitos pela Wal, a funcionária fantasma do gabinete do capitão inativo. Nos debates, o candidato parece perdidaço. Mas Guedes deve ser, na verdade, o pretexto e verniz acadêmicos para a mídia casar mais adiante com o pensamento rasteiro bolsonarismo, se um eventual adversário lhe parecer mais assustador. . 

Paulo Guedes, para quem não sabe, é um sujeito do mercado financeiro. E isso pesa para as oligarquias do Brasil pós-golpe. Foi fundador do polêmico Pactual, banco que depois se envolveu na Lava Jato, e do Instituto Milenium, uma facção chique do neoliberalismo mais selvagem. A vantagem de Paulo Guedes existir é que o eleitor não pode se queixar de ser, depois, miseravelmente enganado pela cabeça terceirizada de Bolsonaro: a agenda neoliberal que eles pregam já está instalada no Brasil há tempos e faz muita gente contente. Sua carteira de trabalho sabe disso. Você que não tem emprego já sabe que os neoliberais que fazem cabeças acabam de congelar as verbas de saúde, educação, investimentos, pesquisa, segurança, meio ambiente e programas sociais pelos próximos 20 anos.

Para os brindes espumantes, os guardanapos de linho e a interminável festa dos especuladores financeiros.

Seleção Brasileira; Tite sendo Tite...

por Niko Bolontrin 

Se ainda existisse videocassete, a entrevista coletiva da CBF, quando foi anunciada a convocação para os dois próximos amistosos de categoria duvidosa (El Salvador e Estados Unidos), mostraria Tite apertando a tecla rebobinar. Pelo menos, em relação ao vocabulário típico de apostilas de "auto-ajuda".

Tite falou sobre o fiasco na Copa. "Faltou mais equilíbrio", disse ele. "Equilíbrio", no caso, diz absolutamente nada ou pode significar tudo e mais alguma coisa. Nenhum repórter pediu que ele exemplificasse o que diabos foi aquilo que aconteceu na Rússia. Nem perguntou porque ele esperou dois meses para sacar Jesus do time (o jogador do Manchester City não foi convocado), entre outras mudanças adiadas até se consumar o desastre.

Quando justifica convocações, Tite sempre encaixa um "fulano está jogando em alto nível", cicraninho está em fase de "alto nível". Pelo visto, reconheceu que Jesus não está. Na última coletiva, ele também usou a abusou da palavra "oportunidade", outro verbete de aujo-ajuda que é multiuso.

Tite admitiu que o treinador da Bélgica, Roberto Martinez, foi ao vestiário após a eliminação da seleção pentacampeã e, como consolo, lhe disse que o Brasil "jogou melhor". Tite acreditou. Mas em entrevista coletiva no dia 7 de julho, Martinez havia feito uma curiosa revelação. Uma conversa com um ex-treinador da seleção o ajudou a preparar a Bélgica para enfrentar o Brasil. O encontro foi proveitoso - disse ele - é o ajudou a orientar melhor sua equipe. Felipe Scolari, o Felipão, foi o  homem com quem Rodriguez bateu papo antes de encurralar a seleção do Canarinho azarado e nada "pistola'.

Mês de desgosto (na mídia)...

por Ed Sá 

A história conta que agosto é um mês de encrencas na política brasileira. E não é que a mídia impressa está aderindo à mala suerte atribuída ao oitavo mês do calendário gregoriano?

O calendário das crises editoriais já assinala três datas nada comemorativas: a Manchete pediu falência em 1° de agosto de 2000; a Abril entrou em recuperação judicial em 16 de agosto de 2018; o Jornal do Brasil encerrou sua edição impressa em 31 de agosto de 2010, voltando a circular há seis meses.

A Manchete completava, em 2000, 48 anos de banca. O JB, em 2010, 119 anos. A Veja fará 50 anos em 11 de setembro próximo.

A revista O Cruzeiro quase caiu nas garras de agosto: fechou em julho de 1975. O jornal Última Hora, também. Parou as máquinas na última semana de julho de 1991.

Há pouco dias, a Abril cancelou várias revistas, assim como a editora Escala encerrou uma dezena de publicações. Ainda sob a urucubaca de agosto.

"O Processo": documentário que mostra bastidores do golpe já pode ser visto nos serviços de streaming...

O documentário "O Processo", que reconstitui a conspiração que sequestrou o mandato da presidente Dilma Rousseff, já está disponível nos serviços de streaming Vivo Play, Now, iTunes e Oi Play.

Dirigido pela cineasta Maria Augusta Ramos, o filme foi premiado no Festival Indie Lisboa, em Portugal e no Festival Visions du Réel, na Suiça e figurou em terceiro lugar como Melhor Documentário no Festival de Berlim.

"O Processo" leva ao mundo os bastidores do recente golpe jurídico-midiático e desfila cenas especialmente patéticas como a votação Câmara em que vários personagens posteriormente denunciados por corrupção expressam seus votos "em nome de deus" e "da família" para cassar um mandato legítimo e pertencente ao voto popular. Muitos  dos votantes, como o Brasil sabe, fartamente citados em denúncias de desvio de verbas públicas e recebimento de propinas, sublinharam seus votos com um surreal "pela moralidade".



sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Mancada do Jornal da Band irrita Boechat


Âncora fazia a escalada de notícias e as imagens mostravam cenas aleatórias. Esse tipo de erro deixa os apresentadores p. da vida. Com razão: com a cara no ar, são eles que fazem o "papel de bobo" diante do telespectador. VEJA AQUI. 

Serena Williams na capa da Time: Agência Antidoping dos Estados Unidos persegue tenista.


Em entrevista à Time dessa semana, a tenista Serena William, entre outra coisas, revela que a Agência Antidopingo dos Estados Unidos a convocou para teste de doping cinco vezes só em 2018. Como comparação, ela cita uma atleta branca, Sloane Stelphens, que venceu o Aberto dos Estados Unidos há um ano e foi testada apenas uma vez. Serena chama essa discrepância de discriminação e diz que algumas pessoas não aceitam que ela esteja limpa. "Olhe para mim", diz ela, "Eu nasci assim. Eles pensam: 'Oh, ela não pode ser tão boa assim, ela deve estar fazendo alguma coisa'. Eu nem levanto pesos. É tudo Deus, você sabe", diz ela. O detalhe é que a atleta já foi analisada centenas de vezes ao longo da carreira e jamais testou positivo para doping.

Até o Globo Esporte, em 26/6/2018, escorregou em relação a Serena no título acima reproduzido. Apesar de estar voltando às quadras após a gravidez e ainda figurar lá atras no ranking mundial, ela recebeu em casa mais um visita dos caçadores de doping. A atleta protestou, sua assessoria divulgou uma nota em que afirmou que tem se submetido aos testes voluntariamente, mas reclamou do "tratamento invasivo e direcionado" que recebe da agência americana. Aliás, depois disso, foi testada negativo mais uma vez. O título, que não expressa o conteúdo da própria matéria e induz o leitor a considerá-la "suspeita". Perseguição da agência à parte, o fato de uma atleto ser convocada para teste antidoping não o torna "suspeito".  O "estagiário" do Globo Esporte errou. 

Menos do mesmo...

A crise dos meios impressos está mais acelerada no Brasil. Nenhum país está à margem dos efeitos do digital sobre o papel, mas aqui o ritmo de encerramento de publicações é brutal. Várias razões podem se apontadas, além das econômicas. Uma delas, é a concentração de propriedade de veículos da mídia dominante. Outra, a ausência de pluralidade. Quem leu um, leu todos. Não adianta acionar o controle remoto, acessar o portal, rodar o dial, virar a página, os principais veículos pertencem a clãs que fazem circular as mesmíssimas opiniões e ideias: as dos seus grupos, corporações, ideologia e projetos de poder. Recentemente, um jornal passou a diagramar seus colunistas em um curralzinho de opiniões. Serviu para mostrar que até um copydesk distraído conseguiria resumir todos os artigos em um só.

Da Carta Capital - A tragédia do jornalismo neoliberal

por Ulysses Ferraz de Camargo Filho (para o  Blog do Sócio - Carta Capital

O problema dos jornalistas das Organizações Globo e similares não está nos conteúdos publicados ou nas opiniões que defendem. A liberdade de expressão, atendidos alguns pressupostos mínimos de respeito à dignidade humana, deve ser protegida.

O problema tampouco está nos argumentos utilizados pelos seus articulistas, eivados de lugares comuns e irracionalidades, quase sempre sem nenhum rigor formal e cujas conclusões raramente derivam das premissas. Não há nenhum problema nisso.

Tampouco é problemática a falta de embasamento técnico demonstrado em reportagens sobre assuntos mais complexos, como economia, meio ambiente, administração, direito e, agora, a contabilidade pública. O nível de conhecimento apresentado nessas áreas está em conformidade com o pensamento médio de grande parte da sociedade brasileira com acesso ao sistema de educação formal e que se abastece de informações periodicamente por meio dos jornais/revistas de grande circulação e dos telejornais. Até aí nada demais.

O jornalismo não cria conhecimento novo, apenas reproduz, em doses diárias e homeopáticas, e com superficialidade, o estado da arte dos saberes dominantes produzidos por uma boa parte da academia.

Onde estaria o problema? Ele parece estar no fato de seus articulistas acreditarem apaixonadamente no que escrevem e falam, ainda que isso implique altas doses de autoengano. Os conteúdos expressam aquilo que eles de fato pensam. Ao menos, na maior parte das vezes, não se trata de canalhice, de conspiração golpista, nada disso. Os textos e os discursos representam a mais completa tradução da visão de mundo de seus autores.

Indivíduos comuns, "gente como a gente", que buscam um lugar ao sol, um espaço digno em seus campos de atuação profissional, lutam por bons salários, crescimento na carreira, consagração e reconhecimento entre os pares.

Quanto mais acreditam no que defendem, mais úteis são para os veículos dos quais fazem parte, os grandes beneficiários do sistema que buscam perpetuar.

LEIA O ARTIGO COMPLETO AQUI

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Lula já tem crachá de candidato e militantes vão ao TSE- Veja as escolhas dos editores para as primeiras páginas dos jornais de hoje...


Estadão destaca uma sugestiva boca de jacaré
e informa que PGR agiu rápido para vetar Lula


Folha enfatiza condenação de Lula, mas mostra
foto da manifestação do PT


O Globo evita destacar foto da manifestação e registra petistas
que exibem protocolo de entrega do
pedido de registro de Lula


Jornal do Commercio valoriza a foto da manifestação


Correio do Povo não ignora a imagem dos petistas diante do TSE

Diário de Pernambuco opta por foto da cúpula do PT e o gesto de "Lula Livre". 

2018: o drama, a tragédia e a comédia eleitoral em números...



Em dados divulgados ontem e levantados entre 9 e 13 de agosto, o Instituto Paraná Pesquisas aponta o candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, como líder das intenções de voto para as eleições de outubro. Sem Lula na sondagem, o capitão aposentado alcança 23,9 por cento de preferência do eleitorado (em julho, ele tinha 23,6). Fernando Haddad figura como nome no PT. com 3,8%, embora ainda não seja o candidato oficial do partido (em julho, tinha 2,8%). Marina Silva (Rede) apresenta 13,2 %, (em julho, estava com 14,4%). Ciro (PDT) fica com 10,2% (em julho, tinha 10,7%). Alckmin vem com 8,5% (em julho atingiu 7,8%.).

Cabo Daciolo (do Patriota), no momento recolhido a um "monte" onde afirma fazer jejum contra supostas ameaças de morte por parte "dos illuminati" e outras sociedade secretas, está com 1,2% na nova pesquisa.

Quando incluído na sondagem de agosto, Lula lidera com 30,8%. O adversário mais próximo é Bolsonaro com 22,0%.

Quando indagados se a candidatura de Lula será impugnada pelo TSE, 64,1 por cento dos entrevistados acham que sim.

A grande expectativa, agora, é para o desenrolar dos acontecimentos a partir do registro das candidaturas feito ontem, o início da campanha eleitoral nas ruas e internet, desde hoje, a prevista impugnação de Lula e a propaganda eleitoral no rádio e na Tv a partir de 31 de agosto.

Especialista em pesquisas e diretor do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra avaliou em entrevista à TV247,  que, ao sair do páreo, Lula transferirá votos para Fernando Haddad "em horas". E ressalta que Bolsonaro representa uma parte do Brasil e não é, ao contrário do que se imagina, "um adversário fácil".

Donald Trump: o "citizen hate" responde ao editorial-manifesto dos jornais norte-americanos






Ontem, liderados pelo Boston Globe, mais de 300 jornais dos EUA denunciaram ataques de Trump à imprensa. A hastag #EnemyOfNone (“inimigo de ninguém”) viralizou na web.

Hoje, o magnata recarregou seu twitter (reproduzidos acima( e disparou os insultos de sempre contra a mídia norte-americana. "Eles são todos corruptos. Todos eles abusaram de seu poder. Todos eles traíram o povo americano com uma agenda política. Eles tentaram roubar e influenciar uma eleição nos Estados Unidos", escreveu.

Depois de afirmar que "uma imprensa livre precisa de você", trechos do editorial conjunto defendem que "criticar a mídia noticiosa - por subestimar ou exagerar nas histórias, por entender algo errado - está inteiramente certo. Repórteres e editores de notícias são humanos e cometem erros. Corrigi-los é fundamental para o nosso trabalho. Mas insistir que verdades das quais você não gosta são "notícias falsas" é perigoso para a alma da democracia. E chamar jornalistas de “inimigos do povo” é perigoso, ponto final".

O embate Mídia X Trump amplia um debate em curso em todo o mundo. Pressões políticas, econômicas, corporativas, jurídicas, religiosas e tecnológicas ameaçam a comunicação em vários países. Os Estados Unidos exibem uma robusta e histórica pluralidade na mídia. Não é exatamente uma estrutura 'contestadora do sistema', faz parte dele, mas abriga as mais diversas opiniões. Muitos veículos apoiam Trump, como a rede Fox identificada com a direita. O presidente, lógico, aponta sua metralhadora para os que estão fora do jogral adesista, como o próprio Boston, o Washington Post, o New York Times, além de jornais de porte médio em centenas de cidades da "América profunda".

Há diferenças fundamentais entre a mídia americana - que tem até grandes jornais de centro-esquerda, como o próprio Boston Globe, coisa inimaginável aqui - e a grande imprensa cartelizada e uniforme do Brasil. Aqui, dependendo do adversário nas próximas eleições, a grande mídia até topará gestar o "Trump" tropícal e conservador, identificado com o mercado, com a direita, com o neoliberalismo e, em muitos pontos, até com ela própria.


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Grupo Abril pede recuperação judicial

O Grupo Abril, não apenas a Editora, já formaliza no sistema eletrônico da Justiça, em São Paulo, um pedido de recuperação judicial. A dívida declarada, que o grupo pretende negociar caso a medida seja aprovada, é de 1,6 bilhão de reais. Em declaração à Exame, o atual presidente, Marcos Haaland, afirma que há outras dívidas que ficam fora da Recuperação Judicial porque têm garantias específicas, com alienação fiduciária.

A lei permite que durante 180 dias a empresa não seja executada, prazo em que negocia com os credores. Desde 2013, a Abril promove sucessivas ondas de demissões de jornalistas, além de funcionários de outros setores, e encerra títulos tradicionais.

Folha de São Paulo e Bolsonaro: deu match? ..

Por falar em Bolsonaro, as chamadas do site da Folha, hoje, são praticamente links para o programa de governo do capitão aposentado e seu general a reboque.

Confiram a afinidade nos destaques entre aspas:

* Condenando as cotas raciais "Bolsonaro acerta sobre África, mas erra sobre cotas. História da escravidão na África é inconveniente, mas há argumentos melhores contra cotas sociais" 

(N.R. Observe que a Folha, como uma velha dama vitoriana,  considera a história da escravidão apenas "inconveniente". A palavra também significa "embaraço", "desagradável", "inesperado", "impertinente", "inoportuno", "impróprio" ou, para o jornalão, um mero "acidente de percurso")

* Ainda relativizando o racismo - "Brasil não é o país mais racista do mundo"

* Detonando ecologia"Reacionários verdes precisam fazer as pazes com a modernidade"

* Orgasmo hater  -  "País seria melhor se Dilma integrasse o elenco de Zorra Total"

* Defendendo venenos "Bela Gil, Marcos Palmeira e Greepeace contra o meio ambiente. Burocracia para registro de agrotóxicos impede a entrada de produtos mais modernos e seguros no Brasil"

* Calando vozes - "O ativista que sabota a própria causa. Tudo que negros, liberais e feministas não precisam é de malucos criando polêmicas imbecis"

* Revivendo a teoria fake da ditadura de que o bolo deve crescer antes de ser distribuido - "Distribuição e crescimento são dois lados da mesma moeda, todo o resto é enganação"




Lembra disso? Quando Collor confiscou a poupança, houve quem vibrasse em editorial com a "austeridade" do eleito que teve seu apoio... Foi há 30 anos...

Reproduçãç/ 17, março, 1989. 

Em 1989, o Brasil passou por uma eleição tão crítica como a que vem aí. Lula era a "ameaça", Collor a "salvação". O alagoano carregava bandeiras que seduziam os conservadores.

Austeridade e fim das estatais era as duas mais festejadas.

Curiosamente, Bolsonaro anuncia para 2019, 30 anos depois, alguns planos parecidos. Caso eleito, pretende extinguir a maioria das estatais e privatizar outras, prega o arrocho fiscal...

Alguns analistas da grande mídia fizeram piadas com o programa de Bolsonaro. Melhor, não. Entre o quepe e o coturno do capitão e do seu vice não há espaço para caricaturas.

Trump já deu essa lição ao mundo.

No mesmo dia em que divulgou as medidas de Collor, o jornal (veja chamada de editorial "Imperativo Moral" no canto superior à direita) recebeu com aprovação as propostas do presidente que ajudou a eleger ("As profundas mudanças na administração federal instituem uma mentalidade de severa austeridade - e mostram um caminho a seguir aos demais Poderes e níveis de governo do País").

Avalia-se que o mercado, assim como o setor industrial, se aproxima do capitão da reserva e o considera de fácil digestão, é "amigo", tem propostas neoliberais, promete fazer seu próprio puxadinho de reforma trabalhista ao criar um carteira de trabalho alternativa, sem coisas que incomodam os patrões, como direitos e garantias, vai reformar a Previdência etc.

Não será surpresa se ganhar outros poderosos seguidores até chegar à urna. Basta que Bolsonaro tenha como adversário alguém que pense em atropelar o que está divulgado no seu próprio programa de governo ou anuncie que vai revogar o legado do golpe referendado pela caneta de Temer, com o apoio dos mesmos setores que entronizaram Collor de Mello como o gestor do desastre do anos 1990.

Duvida?

Editora Escala fecha as revistas Tititi e Minha Novela...

Há menos de três meses, a Editora Caras transferiu para a Escala as revistas Tititi e Minha Novela, ex-Abril. Durou pouco. Mais veículos impressos abatidos pela internet e menos empregos para jornalistas. A informação é do colunista Fernando Oliveira, do Zapping (Agora São Paulo).

Atualização em 15/8 - A Escala não confirmou oficialmente a medida, até o momento, e não se pronunciou sobre rumores de que outros títulos impressos seriam cancelados.

Atualização em 16/8 - A Editora Escala divulgou ontem nota oficial sobre o assunto. Segue:  

As revistas impressas, de um modo geral, atravessam seu momento mais crítico, devido à desestruturação logística e financeira do atual processo de distribuição.

Sem um novo modelo para entregas e administração, as revistas que mais sofrem são as que dependem exclusivamente das vendas em bancas, como é o caso das semanais de novelas e celebridades.

Ainda que tenham forte apelo junto ao público leitor e vendas bastante expressivas de suas edições, a Editora Escala se viu obrigada a descontinuar os títulos Tititi, Minha Novela, Conta Mais, TV Brasil e 7 Dias.

Outras seis revistas que seriam atingidas por essa deficiência do processo foram descontinuadas ou sofreram fusão de seus conteúdos com as de melhor penetração junto a assinantes.

Comunicação Escala”

O polêmico Diego Escosteguy, ex-Época, anuncia em twitter que "deixa" cargo na Infoglobo



Diego Escosteguy, que já havia sido afastado da Época e assumira um cargo na Infoglobo, "deixa" o Grupo Globo, segundo informou no twitter.

No últimos anos, o jornalista envolveu-se em várias polêmicas e foi apontado como uma expressões do chamado jornalismo de ódio.

A controvérsia mais contundente foi revelada em carta do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, à redação da Época (leia, abaixo).

Já o também jornalista Lino Bocchini contou no twitter que durante uma reunião de pauta, Escosteguy ameaçou os colegas, sem qualquer sutileza: "Quem acha que foi golpe, vaze agora".

Foi ele o receptor do vazamento e divulgador de um twitter "comemorativo" sobre a condução coercitiva de Lula, que resultou na montagem de um espetáculo televisivo ao vivo perfeitamente ajustado a uma das principais cenas do filme-exaltação "A Lei é para Todos".

Afinado com as opiniões do Grupo Globo e, mesmo assim, abatido em voo, Escosteguy ainda não revela seus próximos projetos. Desde que o golpe se consolidou, com Lula já condenado e preso, com a Lava Jato menos motivada e com as eleições chegando, a mídia conservadora desacelerou ligeiramente a agressividade. Os principais colunistas tentam até se mostrar surpresos com o desmonte institucional, político e administrativo que ajudaram a implementar e com os personagens que turbinaram, como Bolsonaro, a quem podem até vir a apoiar, a depender do adversário, mas no momento preferem passar na suas análises apenas alguma perplexidade. Os mais agressivos do segmento tornaram-se, pelo menos temporariamente, obsoletos. A maioria foi se abrigar em bolsões jornalísticos da direita radical.

Jovem Pan, Veja, Globo News, TV Cultura, Antagonista, portais do MBL e do Farol Conservador ainda não se manifestaram sobre a disponibilidade de Escosteguy.

A Secretaria Especial de Comunicação da URSAL informou que o fato é irrelevante e não merece comentários.

Leia a carta de Joaquim Barbosa à Época, em 2014, sobre o que chamou de "condenável método de abordagem" por parte de Escosteguy. 

 "Sr. Diretor de Redação,

A matéria "Não serei candidato a presidente" divulgada na edição nº 823 dessa revista traz em si um grave desvio da ética jornalística. Refiro-me a artifícios e subterfúgios utilizados pelo repórter, que solicitou à Secretaria de Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal para ser recebido por mim apenas para cumprimentos e apresentação. Recebi-o por pouco mais de dez minutos e com ele não conversei nada além de trivialidades, já que o objetivo estabelecido, de comum acordo, não era a concessão de uma entrevista. Era uma visita de cunho institucional do Diretor da Sucursal de Brasília da Revista Época. Fora o condenável método de abordagem, o texto é repleto de erros factuais, construções imaginárias e preconceituosas, além de sérias acusações contra a minha pessoa.

A matéria é quase toda construída em torno de um crasso erro factual. O texto afirma que conheci o ministro Celso de Mello na década de 90, e que este último teria escrito o prefácio do meu livro "Ação Afirmativa e princípio Constitucional da Igualdade". Conheci o ministro Celso de Mello em 2003, ano em que ingressei no STF. Não é dele o prefácio da obra que publiquei em 2001, mas sim do já falecido professor de direito internacional Celso Duvivier de Albuquerque Melo,que de fato conheci nos anos 90 e foi meu colega no Departamento de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Mais grave, porém, é a acusação de que teria manipulado uma votação,impedindo deliberadamente que um ministro do STF se manifestasse. O objetivo seria submeter o ministro a pressões da "mídia" e de "populares". Isso não é verdade. Ofensiva para qualquer cidadão, a afirmação ganha contornos ainda mais graves quando associada ao Chefe do Poder Judiciário. Portanto, antes de publicar informação dessa natureza, o repórter tinha a obrigação de tentar ouvir-me sobre o assunto, o que pouparia a revista de publicar informação incorreta sobre minha atuação à frente da Corte.

No campo pessoal, as inverdades narradas na matéria são ainda mais ofensivas e revelam total desconhecimento sobre a minha biografia. Minha mãe nunca foi faxineira. Ela sempre trabalhou no lar, tendo se dedicado especialmente ao cuidado e à educação dos filhos. O texto,que me classifica como taciturno, áspero, grosseiro, não apresenta fundamentos para essas afirmações que, além de deselegantes, refletem apenas a visão distorcida e preconceituosa do repórter. O autor da matéria não apresenta elementos que sustentem os adjetivos gratuitos que utiliza.

Também desrespeitosa é a menção aos meus problemas de saúde. Ao afirmar que a dor causou "angústia e raiva", o jornalista traçou um perfil psicológico sem apresentar os elementos que lhe permitiram avaliar o impacto de um problema de saúde em uma pessoa com a qual ele nunca havia sequer conversado.

Outra falha do texto é a referência à teoria do "domínio do fato". Em nenhum momento a teoria foi evocada por mim para justificar a condenação dos réus no julgamento da Ação Penal 470. Basta uma rápida leitura do meu voto para verificar esse fato.

Finalmente, não tenho definição com relação ao momento de minha saída do Supremo e de minha aposentadoria. Muito menos está definido o que farei depois dessa data, embora a matéria tenha afirmado - sem que o jornalista tenha sequer tentado entrevistar-me sobre o tema - que irei dedicar-me ao combate ao racismo. Triste exemplo de jornalismo especulativo e de má-fé.

Joaquim Barbosa
Presidente do Supremo Tribunal Federal"

Dados da UNICEF mostram que seis em cada dez crianças e adolescentes brasileiros vivem na pobreza...

por Flávio Sépia 
O congelamento de gastos sociais imposto pelo mercado, exaltado pela mídia conservadora e aprovado pelo governículo golpista de Michel Temer garante o agravamento desse quadro pelos próximos 20 anos. Um legado que entrará para a História. E a maioria dos candidatos a presidente é adepta da cartilha que faz o país se render não à Constituição, mas aos índices e "análises de risco" das organizações financeiras e especulativas. E com o apoio messiânico de cheerleaders entre colunistas, economistas, consultores, banqueiros, lavadores de dinheiro, sonegadores, beneficiários de isenções bilionárias...

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Leitura Dinâmica: Livro deita Temer no divã, Lula escreve no New York Times, exposição Queermuseu é aberta no Rio, Brasil envenenado por agrotóxicos, secretário de Defesa americano vem ao Brasil combater a URSAL, a nudez secreta de Marilyn Monroe...

* Fora Cartes - Caiu Horacio Cartes, banqueiro, presidente  do Paraguai. Renunciou em função de acusações de corrupção, de falsificação de assinaturas e de favorecer empresas privadas, era o homem do mercado no poder. Lembra alguém?

* Na rua - Foi demitido do governo chileno o ministro da Cultura Maurício Rojas. Ele criticou o Museu da Memória e dos Direitos Humanos de  Santiago, que foi inaugurado pela ex-presidente Michelle Bachelet. Rojas minimizou os crimes da ditadura de Pinochet e provocou fortes reações no país. A propósito, o atual presidente, o homem do mercado e da direita Sebastián Piñera, também costuma dar declarações "relativizando" a ditadura. Lembra alguém?

* O cardápio do veneno - Segundo o Ministério da Saúde, que está mais para Ministério da doença, cerca de 30% dos agrotóxicos consumidos no Brasil levam "na veia". Estudos científicos internacionais determinam que o produto aumenta o risco de câncer em quem o manipula e também chega à mesa dos consumidores. No Brasil, por força das pressões da bancada ruralista que "flexibiliza" as leis em níveis bem maiores do que em outros países. Sem falar que a fiscalização é falha. Entram no país produtos às vezes proibidos e, como se não bastasse, há projetos pós-golpe para legalizar esse contrabando. Aqui existe um "Grupo de Informação e Pesquisa sobre Glifosato" que defende o veneno. Detalhe: é apoiado pelos fabricantes de agrotóxicos.

* Temer no divã - O livro "Michel Temer e o Fascismo Comum", do psicanalista Tales Ab’Sáber deita o ilegítimo e lhe investiga os desvãos da mente. "nada nele surpreende, brilha ou dá esperança"; “a voz melíflua de Temer, as mãos que giram sobre si mesmas de fato não dizem nada”; "Michel Temer é um medíocre irremediável. Ao mesmo tempo, sua figura medíocre reforça a mediocridade da organização criminosa que assaltou o poder em 2016". E segue o barco.

* Lula escreve no New York Times, hoje - Entre outros tópicos, o ex-presidente assinala que "combater a pobreza era uma boa política econômica" e denuncia o golpe ainda em andamento. "Meu encarceramento foi a última fase de um golpe em câmera lenta destinado a marginalizar permanentemente as forças progressistas no Brasil.
Pretende-se impedir que o Partido dos Trabalhadores seja novamente eleito para a presidência. Com todas as pesquisas mostrando que eu venceria facilmente as eleições de outubro, a extrema direita do Brasil está tentando me tirar da disputa. Minha condenação e prisão são baseadas somente no testemunho de uma testemunha cuja própria sentença foi reduzida em troca do que ele disse contra mim. Em outras palavras, era do seu interesse pessoal dizer às autoridades o que elas queriam ouvir". Lula apresenta ao NY Times a sinistra conta do golpe: "As forças de direita que tomaram o poder no Brasil não perderam tempo na implementação de sua agenda. A administração profundamente impopular do presidente Michel Temer aprovou uma emenda constitucional que estabelece um limite de 20 anos para os gastos públicos e promulgou várias mudanças nas leis trabalhistas que facilitarão a terceirização e enfraquecerão os direitos de negociação dos trabalhadores e até mesmo seu direito a uma jornada de oito horas".

* Política de extermínio - O fundamentalismo neoliberal que se expressa na mídia, na política, e no criminoso corte de verbas sociais (em troca de bilhões de reais em favorecimento a corporações) também mata. No Rio, um paciente que havia sofrido um AVC morreu após aguardar atendimento  durante cinco horas deitado em um bando de concreto. Pra variar, o hospital é administrado por outra danosa invenção neoliberal: a terceirização desenfreada e onerosa. No caso, para um "organização social".



  * Vencendo o fanatismo - Com curadoria de Gaudêncio Fedelis, a exposição “Queermuseu: cartografias da diferença na arte brasileira” finalmente será aberta no Rio, após campanha contrária das tropas de choque fascistas e religiosas. São 264 obras de 85 artistas, dentre eles, Adriana Varejão, Alfredo Volpi, Bia Leite, Cândido Portnari, Cibelle Cavalli Bastos, Leonilson, Lygia Clark, Pedro Américo, Roberto Cidade e Sidney Amaral. A notícia está no site da Escola de Artes Visuais Parque Laje: "Em sua primeira apresentação realizada no espaço Santander Cultural, em Porto Alegre, a exposição sofreu uma campanha difamatória em redes sociais de grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL), na qual seus participantes afirmavam que a exposição fazia apologia à pedofilia, pornografia e à zoofilia, além de desrespeito à figura religiosa, por isso ameaçaram boicotar o Banco Santander, que cancelou a exposição. Todas as acusações foram desmentidas pelo Ministério Público Federal, que se manifestou afirmando não haver crime de qualquer espécie tendo recomendado a imediata reabertura da exposição, que não aconteceu. A exposição seria, então, realizada no Rio de Janeiro, pelo Museu de Arte do Rio (MAR), porém foi censurada por Marcelo Crivella, prefeito da cidade, que declarou em um vídeo que a exposição só aconteceria se fosse “no fundo do mar”.


Foto Marcelo Camargo
Agência Brasil
* URSAL dominada e a marcação homem a homem do Departamento de Estado - Deve ser coincidência, claro, mas foi só o cabo Daciolo denunciar a formação de um megapaís socialista na América do Sul para o secretário de Defesa americano e operador internacional de Donald Trump, James Mattis, voar para o Brasil, Colômbia, Chile a Argentina. A verdade é que à base de golpes e da aberta "integração" com o Judiciário e Legislativo de vários países, Tio Sam botou os coturnos da direita no continente. Intensificação de acordos militares, bases aéreas na Colômbia e Argentina (esta na tríplice fronteira) e, no Brasil, ocupação da Base de Lançamento de Satélites, despontam entre outras medidas. Tudo é humilhante no tour do xerife. No momento em que o governo Trump distribui taxas e impostos contra países em desenvolvimento, Mattis vem aqui para determinar que o Brasil não deve se aproximar da China, corre o "risco" de"perda de soberania", disse. Nem precisava, porque a velha mídia brasileira já segue a cartilha de Washington em matéria de política internacional, mas, mesmo assim, a comitiva deu carona "a convite" ao correspondente do Globo, Henrique Gomes Mattos, para cobertura da "visita de inspeção" aos governos da região e aos ministros Silva e Luna, da Defesa, e Aloysio Nunes Ferreira, das Relações Exteriores (na foto, com o meganha de Trump).

* Quem vai querer? - Depois de encerrar nove revistas, a Abril tenta achar comprador para os títulos VIP, Placar e Viagem e Turismo. A informação é do Portal dos Jornalistas.

* Nudez trancafiada - O corpo de Marilyn Monroe não era exatamente um segredo de estado. Antes mesmo da fama em Hollywood, ela posou para fotos que a Playboy mostrou anos depois, já com a atriz despontando para o estrelato. Mas no cinema, por conta da feroz censura, MM só insinuava seu arsenal. O livro recém-lançado “Marilyn Monroe: The Private Life of a Public Icon” (Marilyn Monroe: a vida privada de um ícone público), de Charles Casillo, revela que em um take do filme "Os Desajustado" ("The Misfits") quando contracenava com Clark Gable, Marylin deixou cair a roupa. A cena foi cortada, parte pelo código moral da época, era 1960 - o filme foi lançado um ano depois -, e parte pelo desinteresse, segundo o autor, do diretor John Huston. O produtor do filme, Frank Taylor, guardou em casa o que a tesoura cortou. Após sua morte, o filho, Curtice, manteve o segredo agora revelado, embora o trecho do filme ainda não tenha sido divulgado, apenas fotos que supostamente antecedem o momento da nudez total.


Nos anos 1950/1960, fotógrafos da Magnum cobriam com frequência bastidores de filmagens. Um livro espetacular -Magnum sul Set - Il cinema visto dei grandi fotografi, editado pelo Museu Nazionale dei Cinema, de Torino - mostra centenas de imagens desses momentos únicos e enfoques que os filmes jamais exibiram. Na capa do livro, Marilyn é vista na famosa cena do respiradouro do metrô, em "O Pecado Mora ao Lado", mas em ângulo inédito captado pelo fotógrafo Elliot Erwitt.


A foto reproduzida acima, de Inge Morath, não faz parte do livro citado, mas pode ser vista no portal Magnum Photos. A mídia internacional divulga hoje essa imagem como sendo a que antecede os 45 segundos da nudez da Marilyn Monroe eliminada do filme "Os Desajustados".  Não está confirmado se a descoberta levará Hollywood a lançar novas cópias do filme com a "versão do produtor". Afinal, Frank Taylor não guardou por tantos anos o que pode ser a cena mais explosiva da carreira da atriz para simplesmente permanecer no baú da família.

sábado, 11 de agosto de 2018

Intercept Brasil critica matéria da Folha sobre assassinato da PM Juh Duarte em São Paulo...

Reprodução

Reprodução

(do portal Intercept Brasil) 

"JUH DUARTE – ou Juliane dos Santos Duarte, ou mesmo Dudu Duarte, como se apresentava em algumas ocasiões, segundo relatos de amigos – era Policial Militar. Foi brutalmente assassinada na semana passada em São Paulo. Ela desapareceu na favela de Paraisópolis, zona sul da cidade, e seu corpo foi encontrado quatro dias depois. Entrou para as estatísticas de policiais mortos – desde 2007 foram 680 no estado, a maioria fora de serviço – e também para a história do jornalismo, em um exemplo brutal da falta de sensibilidade do que chamam de ~isenção jornalística.

Nesta quinta, a Folha de S. Paulo publicou um texto narrando os “últimos momentos” da PM, dando atenção especial à sua orientação sexual, aos atributos físicos de sua companheira, a uma possível traição e detalhes sobre uma noite de diversão na favela. O texto, escrito por um homem, romantiza a relação de Duarte com suas amigas em uma noite de sábado, e usa como fonte o Boletim de Ocorrência. Em outras palavras: transforma o BO de um crime brutal em um conto erótico de quinta categoria."
LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO INTERCEPT BRASIL, CLIQUE AQUI

Agrotóxico glifosato é condenado nos Estados Unidos enquanto tem "licença para matar" no Brasil...


Como parte da conta do golpe, da armação para tentar aprovar a reforma da Previdência e reforçar a base para neutralizar denúncia de corrupção contra sua pessoa Michel Temer apoia os "pacotes venenos" da bancada ruralista liberando agrotóxicos. O setor seria favorecido até com isenção fiscal para envenenar não só consumidores como trabalhadores que manipulam as substâncias cancerígenas, segundo amplos estudos internacionais não comprometidos com as multinacionais produtoras.
Em recente entrevista ao portal De Olho nos Ruralistas, a pesquisadora do Fiocruz, Karen Friedrich, falou sobre os projetos dos ruralistas: "Esse projetos propõem fragilizar a legislação de agrotóxicos. Hoje a gente tem a lei 7.802 de 1989, com pontos muito importantes que são os principais alvos desses novos projetos legislativos. Um deles tenta abrir a possibilidade de registrar produtos que tenham potencial de causar câncer, malformação fetal, alterações endócrinas, alterações no sistema reprodutivo e mutação no material genético. Hoje em dia, segundo a lei vigente de 1989, agrotóxicos que causem esses efeitos nos testes apresentados pelas indústrias no momento de registro são indeferidos pela Anvisa e os agrotóxicos não são registrados".

Um juri da Califórnia declarou a Monsanto culpada em um processo aberto por um homem que a alega que os pesticidas baseados em glifosato da empresa, incluindo o Roundup, causaram câncer nele. A companhia foi condenada a pagar 289 milhões de dólares como indenização.

Veja mais no site da Reuters, AQUI

Só faltava essa ... Sobrou para o Esporte Interativo: venda da Turner para a AT&T provoca demissões de jornalistas no Brasil

Reprodução de comunicado oficial do Esporte Interativo

URSAL... hasta la victoria




por Ed Sá

O debate da Band teve forte repercussão nas redes sociais. O vídeo do encontro dos candidatos já ultrapassa dois milhões de visualizações no You Tube. Mas, de longe, o que mais motivou os internautas foi uma piada. As veias da web são criativas e bem-humoradas, de um humor natural e autêntico na maioria das vezes. Não apenas ódio corre nos seus cabos óticos.
Infelizmente, a autoria dos memes geralmente se perde nos compartilhamentos. Que os autores da maioria das paródias sintam-se elogiados. Fazem quase a crítica política que os cartunistas da grande mídia, os do "humor a favor", já não arriscam.

A piada do Cabo Daciolo (partido Patriota)  - um vacilo e invenção infantil do PSOL, diga-se, partido que o elegeu deputado federal em 2014 e o expulsou em 2015 -  sobre a URSAL, União das Repúblicas Socialistas da América Latina, que seria um plano lisérgico para a criação de uma super país comunista, gerou centenas de memes.

Cabo Daciolo não está sozinho nessa patologia. O filósofo Olavo de Carvalho, o guru da direita radical, também já denunciou o que seria uma revolução comunista continental.

Até aqui, o catarinense Daciolo não era muito conhecido fora do Rio. A Band lhe deu projeção nacional e o tornou protagonista de memes. Merece. Deu fala cômica e quebrou o tédio que dominou o debate na maior parte do tempo. O povão da web se divertiu.




Reproduções TwitterURSA e Facebook


Em vídeo, Manuela d'Ávila "convida" o uruguaio José Mujica para "presidente da URSAL. Veja AQUI

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Togas em festa...

por O.V.Pochê 

A Época Negócios repercute o aumento salarial autoconcedido dos juízes do STF, com efeito cascata judiciário abaixo.

Os togados passam à margem da crise que atinge os demais 200 milhões e tantos de cidadãos- manés desta "muy nobre república de platanos".

Leia um trecho da matéria;

Informa a revista ao distinto público que "Um estudo de 2016 da Comissão Europeia para a Eficiência da Justiça (Cepej, na sigla em francês) mostra que, em 2014, um juiz da Suprema Corte dos países do bloco ganhava 4,5 vezes mais que a renda média de um trabalhador europeu. No Brasil, o salário-base de R$ 33,7 mil do Supremo Tribunal Federal corresponde a 16 vezes a renda média de um trabalhador do país (que era de R$ 2.154 no fim de 2017).

Em 2014, um magistrado da Suprema Corte de um país da União Europeia recebia, em média, 65,7 mil euros por ano. Ao câmbio de hoje, o valor equivaleria a cerca de R$ 287 mil - ou R$ 23,9 mil mensais.

Segundo a última edição do relatório Justiça em Números, produzido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil tem hoje cerca de 18 mil magistrados (juízes, desembargadores, ministros). Eles custam cada um, em média, R$ 47,7 mil por mês - incluindo salários, benefícios e auxílios. O custo de um magistrado é portanto quase 20 vezes a renda média do trabalhador brasileiro".

Consultores técnicos ouvido pelo Deutsche Welle calculam que os aumentos podem render um rombo de 4 bilhões de reais no caixa do Tesouro nacional.

Brasileiros indignados só têm cinco opções:
1) Emigrar
2) Fazer o filho desistir da carreira de cantor sertanejo ou jogador de futebol e virar concurseiro para descolar um bico de juiz.
3) Participar do reality show Bacharelotte e casar ou arrumar uma relação estável com um juiz ou juíza.
4) Sentar no meio-fio e chorar.
5) Juntar seus próprios contracheques, contas a pagar, aluguel atrasado, paletó desfiado, escola dos filhos pendurada, plano de saúde vencido, cobrança da passagem aérea no SPC, fazer uma fogueira e atear fogo às próprias vestes.

LEIA A MATÉRIA DA ÉPOCA NEGÓCIOS AQUI

Redes sociais em Manchete: Kim Kardashian em decúbito dorsal rende memes






Hi, people. A socialite Kim Kardashian postou no Instagram a foto no alto do post. A internet achou que ela fez uma pose forçada e estranhamente desconfortável. A foto rendeu memes imediatas. Mas há quem a leve a sério. Por alguns momentos, Trump deixou de lado o Irã, a Rússia, a Venezuela, a guerra fiscal que empreende contra o mundo e os ataques à mídia para receber a celebridade no Salão Oval.  (Clara S. Britto)

Todos os tons de cinza do debate dos presidenciáveis na Band...

Eleições 2018, o primeiro debate. Foto Kelly Fuzaro/Band

Guilherme Boulos, candidato do PSOL, foi o autor de duas frases que definem bem o debate de ontem na Band. Quando disse que os colegas de bancada expressavam os "50 tons de Temer". E, durante o encerramento, quando falou após Ciro Gomes, do PDT, e demarcou o terreno: "Daqui pra frente, todos os que vão falar apoiaram o golpe", referindo-se a Marina Silva (Rede), Alckmin (PSDB), Jair Bolsonaro (PSL), Álvaro Dias (Podemos), Cabo Dalciolo (Patriota) e Henrique Meireles (MDB).

Ampliando o rótulo de Boulos, o debate foi todo, na verdade, cinza. Muito por culpa das regras amarradas (em vários momento até o mediador Ricardo Boechat se enrolava) e, principalmente, pelo desequilíbrio e por forçar desigualdade de oportunidades: Meireles, Alckmin, Álvaro e, em seguida, Bolsonaro e Dalciolo, foram os mais solicitados. Marina, Ciro e Boulos foram menos escolhidos para respostas por parte dos colegas de debate. No bloco em que jornalistas da Band questionaram os presidenciáveis houve distribuição mais justa, Ciro e Boulos apareceram um pouco mais e, não por acaso, o debate ganhou alguma temperatura. Assessores dos candidatos prejudicados criticaram as regras da Band - que todos aprovaram - e que acabaram privilegiando certos debatedores.

Confira os tópicos: 

* O debate mostrou que a bancada estava dividida em três meios de campo: Cabo Dalciolo, Marina e Bolsonaro formavam a esquadra evangélica, com Marina mais contida na pregação moral. Dalciolo, mais explícito adotava o estilo de "pastor". Era o apocalíptico do grupo, "O novo vem aí", "é o vento do espírito santo", trovejava.  Não por acaso, os três, que disputam as mesmas ovelhas, evitaram maiores questionamentos entre si quando trocavam perguntas ou comentários; Alckmin, Meireles e Álvaro, com este dando mais ênfase à corrupção, costeavam os tons cinza de Temer. Faziam algumas críticas genéricas mas, em geral, preservavam ou omitiam o ilegítimo que o golpe colocou no Planalto. Os três fugiram do "troféu" de "candidato do Temer" como o diabo faria diante da cruz daquele bancada. E, quase sempre, escolhiam uns aos outros quanto o debate lhe dava direito de optar por fazer perguntas a um dos candidatos. As regras do debate, nos primeiro bloco, permitiam que um mesmo candidato fosse escolhido por três vezes, o que se configurou um excesso. no segundo bloco, duas vezes, melhorou um pouco. Alckmin estourou a cota de privilégio por parte de Álvaro Dias e Meireles. Sinal de que poderão estar juntos no segundo turno, caso um deses avance?

* Com exceção de Boulos cutucando Bolsonaro e de um rápido atrito entre Ciro e Bolsonaro, quando este achou que a palavra "droga" usada por Ciro em um comentário em relação ao capitão de pijama poderia confundir seus eleitores (Ciro havia falado apenas em drogas farmacêuticas), os candidatos evitaram temas mais "delicados". Alckmin não foi questionado sobre as denúncias de corrupção no seu governo,  nem sobre auxiliares indiciados; ninguém perguntou a Marina sobre o entusiasmo com Aécio Neves nas eleições passadas, nem sobre seu apoio ao golpe e à ascensão de um governo que, entre outras ofensivas contra direitos sociais, neutralizou a defesa do meio ambiente e a repressão ao trabalho escravo ao atender demandas da bancada ruralista; Boulos ainda perguntou a Bolsonaro sobre uma funcionária fantasma, enriquecimento e imóveis. Os demais praticamente evitaram golpes diretos.

* Qualquer entrevistador sabe que ao fazer perguntas com três ou quatro enunciados, o entrevistado, no caso, o debatedor, geralmente opta por responder aquele que mais lhe convém e na qual poderá se sair melhor. No mínimo, gasta mais tempo com a questão "confortável". Bolsonaro, que é incapaz de falar sobre plano de governo ou detalhar o "como fazer" do seu obscuro programa, se aproveitou disso e não saiu do seu conhecido repertório. É um especialista em escapar do que interessa. Fez falta o direito de réplica aos jornalistas, principalmente, que assim poderiam exigir respostas mais claras dos candidatos e tentar impedir a fuga da fuga desabalada da essência dos questionamentos.

* Álvaro apontou o juiz Moro como seu futuro Ministro da Justiça. Ciro aproveitou para criticar o aumento de salários e auxílios que o STF se concedeu e, por cascata, a todo o Judiciário (vai custar bilhões em um país que corta verba de saúde, educação, meio ambiente, pesquisa etc) e citou o auxílio moradia do qual Moro e mulher se beneficiam embora tenham apartamento próprio. Depois, pediu desculpas e se corrigiu: Moro recebe auxílio moradia, mas sua mulher, não. Confundiu, disse, com o juiz Bretas e cônjuge, que recebem duplo auxílio sob o mesmo teto, o que é proibido por resolução do Conselho Nacional de Justiça.

O áudio mostrou que Bolsonaro, aparentemente, era o único que tinha claques entre os convidados da Band. Atuaram livremente. Só perto do encerramento, Boechat pediu que a plateia deixasse para o fim os aplausos: "quem sabe eu ganharei algumas palmas", disse.

* Marina teme que o Brasil vá para "um poço sem fundo". A candidata parece otimista. Vá? Já não está?" E não teria ela dando uma ajudazinha a esse buraco desde que apoiou Aécio e o golpe?

* Boulos falou: "O Bolsonaro acha que mete medo nas pessoas, mas sabe aquele cachorrinho Chihuahua, que grita, fica na sua panela, mas quando você bate o pé sai correndo?"

* Bolsonaro mostrou que seu discurso contestador "ao que está aí" é mais incisivo no combate à violência, com ênfase na defesa do acesso às armas como direito dos cidadãos, e nos códigos morais, sua sharia particular. No plano econômico e social, ele demonstra fechar, pelo pouco que verbaliza, com o mercado, com a elite empresarial, o neoliberalismo ainda mais radical, se é que isso é possível, e os velhos grupos de pressão empresarial e oligárquicas que, afinal, mandam no país.

* Meireles se apresentou como o "cara". Ignorando a paralisação do Brasil, a crueldade do arrocho social, ele diz que organizou as contas. E vai fazer de novo. Não deixou muito claro como isso melhorará a vida das pessoas no país real e não apenas a maré mansa do poderoso mercado financeiro. Minimizou sua atuação na cúpula da JBS, empresa que parece ter produzido mais propina do que frango e picanha. 

* Momento surreal. Daciolo perguntou a Ciro sobre sua participação em um cinematográfico plano Ursal (União das Repúblicas Socialistas da América Latina). Ciro riu: "não sei o que é isso". E ironizou sobre o devaneio do oponente: "Democracia é uma delícia, uma beleza, e eu dei a vida inteira e continuarei dando, mas ela tem certos custos". Ciro, a propósito, foi quem detalhou mais suas propostas, apesar do tempo exíguo. Respondeu melhor, sem dúvida

* Daciolo prometeu que, no seu governo, o Brasil será a primeira potência mundial.

* Criticado por admitir não entender de economia e outros temas, Bolsonaro já ironizou: qualquer dúvida ao tomar decisões consultará o Posto Ipiranga, referindo-se às conhecidas campanhas da marca. Curiosamente, o Posto Ipiranga foi um dos anunciantes do debate.

* A Justiça rejeitou recurso do PT reivindicando a participação de Lula no debate. O candidato a vice, Fernando Haddad, também foi vetado. Ele e Manuela d'Ávila participaram de debate televisionado na internet no mesmo horário do encontro da Band.

* Em parceria com a Band, o Google monitorou as reações da internet, on line, em uma Sala Digital. Mas a Band optou por mostrar a sala em plano geral, sem exibir ou comentar a movimentação do painel. O site oficial da emissora (Band.com.br)  publica hoje alguns dados.  Apertem os cintos e vejam dois exemplos dos alguns resultados finais computados pela emissora.

Entre os temas de maior interesse, emprego, impostos, saúde e educação desbancaram segurança entre as principais preocupações dos internautas. Reprodução Band.com.br


A Band mostrou o líderes de busca durante o debate. No destaque do quadro, Bolsonaro e Daciolo foram os mais buscados.
Mas o gráfico não explica porque na tabela à margem do gráfico, Alvaro Dias aparece em segundo.
Reprodução Band.com.br