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terça-feira, 10 de março de 2026

Com a ajuda de "fontes anônimas", alguns repórteres e comentaristas da mídia corporativa fazem uma desastrada hamonização facial do jornalismo. Não fica bonito. E Fernando Gabeira? Ele quer fechar o STF e simbolicamente decepar a cabeça da Justiça


por José Esmeraldo Gonçalves

O modo Trump de fazer política é replicado pela extrema direita brasileira e mundial. Trata-se de um sistema que despreza regras, limites morais e formais. A Casa Branca promove uma espécie de golpe com hot dog. A forma pode enganar, o recheio são as instituições fritadas e subjugadas. Trump se coloca acima da Constituição, do  Congresso, da Suprema Corte, das administrações estaduais, organizações multilaterais, demais países e até faz ameaças a empresas privadas.

Tudo indica que a guerra eleitoral no Brasil em torno das urnas de 2026 fará a clonagem desse modelo.  As evidências já estão expostas na atuação da grande mídia controlada pela direita. 

Canais do You Tube, Instagram, contas no X e em demais redes sociais da extrema direita ultrapassam limites ao produzir livremente correntes de fake news. Os influenciadores bolsonaristas agora ganharam companhia. Nos casos que envolvem o STF e as investigações mais sensíveis da Polícia Federal, a mídia corporativa parece tão falsa quanto os canais das senhoras doidinhas que cantam o hino nacional para um pneu. 

No momento, os escândalos do Banco Master, das associações corruptas que meteram a mão no dinheiro dos aposentados e os desvios criminosos das emendas parlamentares são as principais pautas jornalístico-eletorais. A mídia hegemônica costuma se apresentar como reserva do jornalismo "profissional", mas na cobertura abjeta da Lava Jato dançou na chorus line de Sergio Moro e seus procuradores e não enxergou as ilegalidades daquela força tarefa burlesca. Pelo visto, gostou. Tanto que agora ensaia uma reencenação. O roteiro pouco mudou. A "noticia" é plantada na internet, vira manchete de jornal, capa de revistas, passa pelos canais de assinatura, culmina na TV aberta e se transforma em palanque eleitoral nas comissões parlamentares de inquérito. E, sim, com direito a suspeita de compra de vazamentos de material sob sigilo legal. 

Dizem que o papel aceita tudo. Hoje, os algorítmos fazem isso e ainda maquia os fatos. É um tal de repórter pendurada (o) em "fontes" anônimas", é a campanha aberta e indiscriminada contra o STF, é ministro acusado de trocar mensagens de celular com o dono do Master, sendo que a análise telemática constata que as tais mensagens não foram endereçadas ao celular do ministro mas de outro colaborador de Daniel Vorcaro, é apresentadora contando que entrevistou os "bastidores " do STF para garantir que os ministros estão incomodados com a autonomia da Polícia Federal. A PF, segundo dizem os "bastidores" ouvidos, precisa de uma reconfiguração, seja lá que diabo for isso, seria reinicializar, dar um boot? A propósito, existem projetos de emenda constitucional que vão na direção oposta: a de garantir a independência à PF.

Em geral, a feiura visível nem é de cobertura jornalística, mas de campanha política incorporada à apuração. O resultado é uma desastrada harrmonização facial do jornalismo, um lifting da honestidade.

O resumo disso tudo, a essência que cheira mal, é o comentarista Fernando Gabeira, da Globo News, afirmar no ar que o STF deveria ser fechado. Em um passado recente, a facção dos Bolsonaros dizia que bastava um jipe com um cabo e um soldado para lacrar de vez a Corte Suprema. Pelo jeito, agora basta a vontade do impetuoso Fernando Gabeira. Já o vejo montado no Rocinonte e decapitando com sua lança a estátua da Justiça. No fim, vai sobrar para a bela obra de Alfredo Ceschiatti. 

terça-feira, 3 de março de 2026

Quando a Inteligência Artificial não existia os fotógrafos usavam a Malandragem Natural





Sem a imagem do Khamenei, largada no chão, acima, à direita, a foto do Libération registraria apenas um monte de lixo. Simbolicamente, o que Khamenei virou. O fotógrafo francês apelou para a Malandragem Natural e "produziu" a imagem final.
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por José Esmeraldo Gonçalves 

O mundo nem sonhava com o uso da IA na fotografia e os fotógrafos já davam um jeito de manipular certas fotos e situações. Era o tempo da artesanal MN (Malandragem Natural). O retratista era escalado para fotografar um trágico desastre em estrada. Ao chegar na cena deparava-se apenas com um ônibus capotado. Banal. Rapidamente ele revirava a bagagem e encontrava um pé de sapato ou uma boneca. Era o toque de emoção que faltava. A boneca ou o calçado em primeiro plano, o ônibus ao fundo. Dava-se o drama aduzido. 

Se uma casa desabava e deixava vítimas sob a laje, o primeiro plano ia para uma xícara de café. O último café da pobre vítima. A Fatos $ Fotos guardava algumas memórias da MN. 

A foto reproduzida do livro "A outra face das fotos",  de Aguinaldo Ramos, Um exemplo da antiga "tecnologia" MN, antecessora da IA. 

Estou livre para recontar um desses "causos", que o próprio fotógrafo, Aguinaldo Ramos, revelou no livro "A outra face das fotos". Um dia, ele saiu às ruas com a missão de fotografar um "presunto". O que nem seria tão difícil no Rio de Janeiro. Para sua surpresa, rodou bairros mais visados e não encontrou nem um simples mortinho. O dia acabando, a luz se mandando,  Guina não poderia voltar para a redação sem a foto de abertura de uma matéria especial sobre violência urbana. A solução? Produzir a imagem para o fechamento.  Foi para a Quinta da Boa Vista, cenário garantido, e nao demorou a escalar os personagens. Foto na mente, chamou uns garotos que passavam de bicicleta e pediu ao motorista da equipe que se deitasse no chão. Posicionou os figurantes e a roda da bicicleta, os meninos ao fundo como "espectadores'. O "morto" aparecia entre os raios da bike. Perfeito. Boa composição, sem apelação grosseira, sem sangue, afinal a Fatos&Fotos não era "Notícias Populares". Missão cumprida. Só décadas depois, o fotógrafo revelou seu truque.

Lembrei disso ao ver a foto publicada hoje no Libération, o famoso Libé, de Paris, fundado por Jean Paul Sartre. Tenho certeza que no meio dos destroços não havia originalmente a imagem do aiatolá Khamenei. O fotógrafo (aposto que seja da geração pré-tecnologia digital) apelou para a infalível MN que ainda resiste e hoje atende pelo nome de IA.

domingo, 1 de março de 2026

Tio Trump pautou a mídia mundial- Guerra Estados Unidos-Israel-Irã: Fogo na teocracia

 











por José Esmeraldo Gonçalves 

Trump pautou a mídia. A nova guerra em curso está em todas as primeiras páginas dos grandes jornais. Não houve tempo para criatividade. O design é banal, na base do embrulha e manda. Curiosamente,  a Operação  Fúria Épica, como  a Casa Branca denomina a guerra Estados Unidos-Israel-Irã ainda não produziu uma foto... épica. Pelo menos por enquanto. O que vimos na manhã de ontem foi apenas o episódio 1 da primeira temporada. As redações  se viraram com o que tinham. A foto mais publicada foi a do complexo do Khamenei, sem muita definição, no chão, visto do satélite após massivo bombardeio. O que restou do governo iraniano confirmou a morte do "líder supremo". O aiatolá virou poeira. Será substituído?. Provavelmente setores do regime tentarão isso. O Irã tem aiatolás em estoque. A teocracia brutal cairá? Uma consequência ainda incerta. Mas as bombas continuarão caindo. Infelizmente atingindo alvos civis em ambos os lados. Os dispositivos sofisticados das armas não são programados para reconhecer apenas instalações militares.



sábado, 21 de fevereiro de 2026

A jornada 4x1 impossível na orgia do Vorcaro

A cena do filme "De olhos bem fechados" é meramente ilustrativa. Está no imaginário quando se fala de orgias.  A festança do Master para autoridades e garotas importadas da Europa não foi tão sofisticada. Ao contrário, um print vazado registra
que foi muito brega. 

por José Esmeraldo Gonçalves 

O que vazou até agora. Alguns prints que registram a bagunça dos convidados, reclamação dos vizinhos contra o som alto e poucos detalhes da festança em Trancoso, Bahia. Cabral descobriu o Brasil perto dali. Sob o comando do comandante Vorcaro autoridades e ricaços descobriam uma espécie de paraíso. O anfitrião teria importado garotas da Rússia e Ucrânia para animar os convivas. Ok, até aí, acredito. 

Entre as supostas revelações há, contudo, um número que acho impossível ser verdadeiro. Dizem que vieram da Europa garotas em número suficiente para a jornada 4x1. Quer dizer: quatro mulheres para cada convidado.

Duvido. 

A lista vip não pode ser revelada ainda. Mas a maioria, a julgar pelo excesso de quilogramas, mal daria conta da patroa no dia a dia e de uma acompanhante importada quanto mais quatro beldades da Europa Central, terra de mulheres muito bonitas.

 Claro que havia gente lá com algum preparo físico para jogar malas de dinheiro do décimo andar, mas morre aí a, digamos, chamada motivação. As autoridades suspeitas de envolvimento no departamento de entretenimento do Banco Master já estão, a maioria, em faixa etária rodada. Estão mais para estatuto do idoso do que para legionários que sobem montanha a pé.

Outra coisa quando se fala em orgia muitos devem recordar o filme "De olhos bem fechados" , de Stanley Kubrick com Nicole Kidman e Tom Cruise. Esqueça. A festa em Trancoso não tinha esse nível de sofisticação. Era mais para babação na gravata. Um dos prints vazados registra que nunca houve nada tão brega no sul da Bahia desde que Cabral e Pero Vaz de Caminha caminharam na praia com roupas da nobreza lusitana distribuindo  balangandãs para indígenas.


Vini Jr expõe o racismo estrutural no futebol

Vinícius Jr. A batalha incansável
contra o racismo. Foto reproduzida
  do Facebook do jogador




por José Esmeraldo Gonçalves 

O brasileiro Vini Jr luta há anos contra o racismo. Quase sozinho. Imaginem a resistência psicológica que ele precisa manter a cada vez que entra em campo e recebe todo tipo de ofensa. O jogador já revelou desânimo com o futebol, mas superou o momento difícil. Dizem os racistas que ele é provocador, mas Vini Jr reage com sua arma mais letal: a habilidade e o trato insuperável com a bola. Reparem que geralmente as agressões se radicalizam após o craque do Real Madrid subjugar defesas e fazer gols antológicos. No jogo mais recente, contra o Benfica, após desafiar a física com uma bola de curva que contornou o goleiro e entrou no ângulo esquerdo inalcançável para ele, Vini Jr fez dancinha junto à bandeira do corner. Foi uma comemoração e uma resposta compreensíveis e proporcionais. Ele já vinha sendo xingado antes disso. Querem moderação da vítima de ofensas? Então o futebol que puna seriamente os racistas, sejam torcedores ou jogadores.  

Sem poder responder com futebol o jogador argentino Gianluca Prestianni apelou para a ofensa racista. Que receba pelo menos uma suspensão prolongada. Nada de apenas multas que acabam pagas com facilidade. 

Decepcionante são as reações irresponsáveis de dois treinadores: o português Mourinho, do Benfica, a vítima ressentida do talento de Vini Jr.  e o brasileiro e catarinense Felipe Luís, do Flamengo. O primeiro, cínico, disse durante a coletiva que o argentino não deveria nem pedir perdão . O segundo, alheio, afirmou que a ocorrência de ofensas racistas são "casos isolados". Isoladas também não foram as ofensas racistas de torcedores portugueses e argentinos nas redes sociais. 

Vale ressaltar que muitos jogadores se manifestaram a favor de Vini. Durante o processo que, espera-se, seja aberto, o testemunho de M'bappe será importante. Ele é incisivo a relatar que ouviu a grave ofensa do argentino.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O que Calígula, o Epstein do império romano, tem a ver com os canais de streaming e o modo de ver filmes?




por José Esmeraldo Gonçalves

Kristen Stewart comprou a Highland Theatre. A sala centenária, de 1925, em Los Angeles, corria o risco de ser demolida. A atriz pretende restaurar o local e torná-lo um símbolo de resistência cultural, privilegiando a experiência de exibição de filmes em telas grandes. Não se trata apenas de conservar um prédio. Esse tipo de iniciativa preserva o modo de ver filmes. 

É inevitável o avanço do streaming, não dá para pausar a história, mas é possível respeitá-la. No Brasil há esforços para preservar cinemas de rua, especialmente no Rio, São Paulo, Recife e outras grandes cidades. Apesar disso, muitas salas tradicionais viraram igrejas, supermercados e mega lojas. Nas pequenas localidades, foram praticamente extintas. Salvam-se aquelas instaladas em shopping centers. 

As plataformas de streaming censuram filmes ?

O modo streaming impõe uma grave característica. A censura privada a determinadas cenas de violência, sexo, ideologia etc que as empresas do ramo considerem "impróprias". É aí apelam para as tais tarjas irritantes e cenas desfocadas a interferirem nos filmes, sem falar no chatíssimo "pii, pii, pii" sonoro para encobrir palavrões. 

Os canais de streaming são donos do acervo de grandes produtoras de Hollywood, o que não quer dizer que disponibilizem todos os clássicos de várias épocas ou filmes que foram polêmicos em certos momentos e que representam marcos na história do cinema. Deveriam ser, como nome diz, plataformas de transmissão, mas sem manipular conteúdos por implicações morais ou vá lá o que seja. 

Claro que há canais independentes que dão acesso a cópias piratas muitas vezes sem a íntegra dos filmes ou a qualidade técnica da reprodução.

Em 1976, há 50 anos, o produtor Bob Guccione, criador da revista Penthouse, começou a filmar a história de Caio Augusto César Germânico, mais conhecido como Calígula. O sujeito foi um imperador romano pansexual. Para a geração Z entender: ele era o Jeffrey Epstein de Roma. 

As filmagens foram tumultuadas e interrompidas várias vezes e "Calígula" só chegou aos cinemas em 1980. A vida real de Calígula era uma tarja só. Claro que o filme provocou uma polêmica mundial. Provavelmente sob o pretexto de escrever critícas para L'Osservatore Romano um cardeal teria sido visto no escurinho do Dei Piccoli, da Villa Borghese, um cinema pequeno e discreto que exibiu o filme em sessão especial para autoridades, longe da curiosidade dos paparazzi. 

Lembrando que em 2013,  o Festival de Cannes exibiu a versão restaurada "Calígula: o corte final" , incluindo parte de 96 horas de cenas não aproveitadas no original e encontradas anos depois, mas com cortes de cenas "excessivamente explícitas". A nova versão não causou muita repercussão ao chegar ao circuito brasileiro. Para as novas gerações, o sexo grupal da vida real tripulado por Jeffrey Epstein com participação de Donald Trump, o ex-príncipe Andrew, Bill Clinton e outros poderosos deve fazer Calígula parecer tímido. E olha que as fotos e vídeos do Caso Epstein ainda nem vieram inteiramente a público. 

A propósito, em 1980, "Calígula" mereceu da antiga revista Manchete uma reportagem de cinco páginas assinada pelo jornalista e crítico conceituado Wilson Cunha. Aqui, o filme teve cenas cortadas e enfrentou resistências nas distribuidoras. Nos anos 1990, foi vetado para exibição na TV. Atualmente, "Calígula: o corte final"   pode ser visto na plataforma de streaming Prime. Para saber mais sobre o filme do "Epstein" romano leia abaixo a reportagem de Wilson Cunha. 










1980- Páginas reproduzidas da antiga revista Manchete.

                                                    Clique nas imagens para ampliá-las.

Ou, para melhor leitura você pode acessar a seção de periódicos digitalizados da Biblioteca Nacional (Edição 1446 da antiga Revista Manchete)  




terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

A foto que faz pensar

Reprodução/The New York Times (10/2/2026)


por José Esmeraldo Gonçalves 

Veja essa primeira página do New York Times de hoje. 

A leitura da imagem remete a sentimentos. 

A destruição provocada por dois anos de bombardeios israelenses. O gramado recuperado após a guerra. Os torcedores à margem do campo. O espectador solitário vê o jogo na sala do que foi, talvez, sua residência. Teria sido sua própria casa agora sem outros moradores? Quase se ouve o testemunho presente das vítimas que um dia viveram no entorno do estádio.  A foto é do fotógrafo palestino Mahmoud Isso para a Reuters. O New York Times deu à legenda o título "O jogo continua". Não apenas o do futebol. Principalmente o das vidas e da vida em Gaza após milhares de mortes".

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Vai começar a Olimpíada de Inverno na Itália. Brasil participa. Só tem um problema: os uniformes da nossa delegação exibem a marca ICE Brasil. Vamos esperar que a torcida local não confunda os atletas com a Gestapo de Donald Trump. Entenda o risco

 


por José Esmeraldo Gonçalves

Os Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina D'Ampezzo 2026 começam amanhã com a modalidade curling. A cerimônia de abertura oficial acontecerá na sexta-feira, dia 6 de fevereiro.

A intensidade do inverno europeu afastou qualquer risco de insuficiência de neve. Duas polêmicas ainda ocupam espaço na mídia: a revolta dos moradores locais contra a derrubada de árvores para ampliação de pistas e a inclusão na delegação estadunidense de elementos da Gestapo de Trump, a famigerada ICE, a pretexto de reforço na segurança dos atletas. Parece provocação do lunático Trump. Se a medida inoportuna se confirmar são esperadas manifestações contra os gringos meganhas da direita trumpista. 

O Brasil vai participar das competições com o maior número de atletas já enviados ao gelo.Eles disputarão 

as modalidades bobsled, esqui alpino, esqui cross country, skeleton e snowboard.






Por falar em gelo, uma curiosidade: os uniformes da delegação brasileira exibem em destaque o logotipo ICE BRASIL. É uma coincidência, claro, mas espero que a torcida não confunda de alguma forma os brasileiros com a brutal polícia política de Donald Trump. Se policiais estadunidenses de imigração desembarcarem na Itália pode haver protestos. Em todo caso, para os brasileiros, é bom ter sempre à mão uma bandeira do Brasil.

Atualização - Apesar do otimismo dos organizadores, há locais de competição que receberam reforço de neve artificial. Um sinal preocupante para o esporte olímpico de inverno.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Alô democratas! As belas e as feras da extrema direita - Lamento dizer que Karoline Leavitt, a tchutchuca de Donald Trump, é competente, bonita, tem seguidores e vai ser influente na campanha para renovação do Congresso em novembro. Kristi Noem também.Quem entre as democratas vai encarar as poderosas da Casa Branca?

 

Fora da bancada da Secretaria de Imprensa da Casa Branca, onde é pitbull, Karoline Leavitt atrai seguidores da extrema direita.
Foto Instagram 

por José Esmeraldo Gonçalves 

Secretária de imprensa da Casa Branca, a loura Karoline Leavitt é a figura que mais se destaca no governo de Donald Trump, depois do próprio. É autoritária, mal-educada, agride jornalistas, mente com espantosa frequência, tanto compartilha fake news criadas pelo oligarca-chefe quanto espalha suas próprias fantasias. É bonita, articulada, é a musa do regime. Ela sabe disso, atua bem nas redes sociais e não faz restrições a fotos que mostram sua boa forma. É uma jovem empoderada desde quanto foi atleta de softball na universidade.

No boné: "republicanos são mais quentes" . Foto Instagram.

Trump se encantou com Karoline por motivos estéticos, o visual étnico, a postura agressiva e o comprometimento com a extrema direita. Nos seus aposentos da Casa Branca, o presidente deve se deliciar ao ver a secretária humilhar jornalistas durante o briefing sobre as atividades governamentais. Adora vê-la desclassificar perguntas incômodas - geralmente as classifica como "estúpidas". Trump odeia jornalistas que não se submetem ao seu discurso, não riem das suas piadas e ironias e, principalmente, detesta aqueles que insistem em perguntas sobre sua participação em festinhas com adolescentes promovidas pelo seu amigo íntimo e pedófilo Jeffrey Epstein.

Karoline tem 29 anos, é formada em comunicação, foi estagiária na rede de extrema direita Fox News. 

Em 2021 tentou se eleger deputada pelo distrito de New Hampshire, mas perdeu para um democrata. Ela ainda não disse se voltará tentar o cargo nas eleições de novembro agora que multiplicou por muitas vezes sua visibilidade política. 

No primeiro mandato de Trump Karoline recebeu de uma amiga um convite para trabalhar no setor de correspondência presidencial da Casa Branca. Pouco dias antes do fim do primeiro mandato de Trump, ela foi promovida a diretora do setor. Após a posse, o sucessor Joe Biden começou a anular políticas aprovadas por Trump. Karoline decidiu se candidatar em resposta à atitude do democrata e se identificou na campanha como radicalmente pró-Trump. 

Em 2023, engajou-se na campanha do segundo mandado do magnata republicano. É católica e ultra conservadora. Basta dizer que comemorou o fim da sua campanha à Câmara dos Representantes com um intenso tiroteio em um clube de caça. 

Ainda durante a campanha conheceu o incorporador imobiliário Nicola Riccio, 32 anos mais velho. de quem ficou noiva em 2023. Em julho de 2024 teve o primeiro filho. Rápida e objetiva.

Comentário de Trump sobre a Leavitt segundo o site Mediate: "Aqueles lábios, como eles se movem", suspira a magnata.

Aviso: o texto não é machista. As circunstâncias são. Queixas devem ser enviadas ao Trump.

Atualização cem 29/1/2026 - A outra tchutchuca de Donald Trump. Kristi Noem, 54 anos, é Secretária de Segurança Interna. Ela que espalhou a fake news homem assassinado pelo ICI apontou uma pistola para o ICI.

Foto Reprodução Instagram
A mentira foi desmascarada por vídeos. Kristi foi alvo de uma polêmica de bastidores: teria um caso com um assessor. Ela negou. Por motivos óbvios, Karoline e Kristy têm o mesmo apelido nos corredores da Casa Branca. São as Barbies do tio Trump 

Agente Secreto: a força criativa que vem do Recife leva o mundo a conhecer uma história que não pode ser esquecida



O filme "Agente Secreto" já alcançou mais de 1 milhão de espectadores no Brasil. "Ainda Estou Aqui" foi visto por mais de 5 milhões. As indicações ao Oscar devem atrair ainda mais público 

Os números medem um efeito histórico que ocorre junto com as premiações internacionais. Os dois filmes têm o mérito de levar às novas gerações um período trágico em que opositores da ditadura foram sequestrados, presos, torturados, assassinados e desaparecidos. Além dos crimes bárbaros, a democracia interrompida e o  autoritarismo desvairado impactavam a vida das famílias, sepultavam a liberdade e a esperança

. Mais do que nunca, quando voltamos a viver ameaças à liberdade, o cinema brasileiro conversa sobre isso. Em "Ainda Estou Aqui", o terror vigente é explícito. Em "Agente Secreto" é o telão ao fundo da trama. Ambos cumprem a função de mandar um recado às novas gerações.  Salve  a força criativa que vem de Recife e leva o mundo a conhecer uma história que não pode ser esquecida (José Esmeraldo Gonçalves)

domingo, 18 de janeiro de 2026

Vai votar ou ser votado nas próximas eleições? Domine o Roblox antes que ele domine você






por José Esmeraldo Gonçalves

Você já ouviu falar na polêmica do Roblox. Trata-se de uma plataforma de jogos que entrou no noticiário em todo o mundo por possibilitar graves crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes. 

Vários países estão banindo o programa. A própria plataforma desenvolve recursos e bloqueios para impedir ações criminosas. É recomendável que pais e mães procurem se informar ou até conversar com especialistas para entender como agir. Existem regras na chamada Comunidade Roblox, mas existem criminosos capazes de quebrar essa ética. Neste link ( https://en.help.roblox.com/hc/pt-br/articles/203313410-Regras-da-Comunidade-Roblox ) você poderá conhecer as diretrizes da plataforma. Os pais também podem ativar Roblox Parental Controls que oferece uma margem de segurança aos filhos durante a participação em jogos.

O que pretendo introduzir aqui é um breve alerta sobre o braço político do Roblox. Esta função da plataforma não tem sido muito comentada, mas daqui a alguns meses, quando a campanha eleitoral for aberta, você vai ver o longo alcance da ferramenta

As eleições deste ano no Brasil e nos Estados Unidos (que produzirão consequências aqui) serão fortemente impactadas pela IA, para o bem e principalmente para o mal. Fake news, criação de imagens e falas falsas, manipulação de fotos, vídeos mentirosos, entrevistas idem, geolocalização inventada, tudo o mais que você imaginar a IA tem. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) vai enfrentar um enorme desafio. Às quase simplórias tentativas de compra de votos, do oferecimento de favores em troca de votos, da militância ilegal de pastores e patrões chantageando fiéis e empregados, dos obstáculos colocados no caminho dos eleitores rumo às urnas (não esqueçamos o uso pelos golpistas do bloqueio de estradas no nordeste para impedir que eleitores de Lula chegassem às seções eleitorais) vão se somar os poderes da tecnologia. 

O Roblox será explorado nas campanhas e na busca de engajamento político, sem dúvida. Algumas possibilidades? Desenvolvedores em ação no coletivo da plataforma criarão games didáticos sobre o político em questão, poderão criar protestos virtuais com faixas e slogans de campanha; organização de votações simuladas. Aliás, o Roblox tem um game chamado "Jogo do Presidente. Assuma o poder no Brasil". Além da polêmica plataforma, é esperado o uso de drones com alto-falante mandando recado aos eleitores. Perguntinha para o TSE: drone pode fazer boca de urna que é proibida aos seres humanos?  

Lembrando Glória Pires na célebre e folclórica transmissão do Oscar, eu diria que não sou capaz de opinar profundamente sobre o Roblox, mas há maneiras de corrigir  essa falha. O catálogo da Amazon  oferece vários livros que desvendam o Roblox. Vá por mim. É melhor conhecer o "inimigo" antes que ele conheça você.

       

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Irã, a teocracia assassina


Essa foto foi enviada pela agência Sygma, para a Manchete, no dia 1º de fevereiro de 1979. O aiatolá Khomeini desembarcava de um helicóptero para visitar o cemitério dos mortos da "Revolução Islâmica". A multidão de 500 mil pessoas tentava se aproximar para ver o novo líder recém-chegado do exílio. O povo era afastado a chicotadas. A brutalidade de Khomeini dava seus primeiros sinais. A imagem é plástica e dramática. Não é possível identificar o autor já que a Agência Sygma enviou dois fotógrafos a Teerã: Patrick Chauvel e Alain Keler.

por José Esmeraldo Gonçalves

Ao longo da história, a mistura entre Estado e religião causou mais mortes e sofrimentos (tortura, estupros, sacrifícios humanos, castração, mutilação genital feminina etc) do que os maiores genocidas seculares que a humanidade já viu. A Europa, especialmente a Espanha, onde a Inquisição foi lei, tem dezenas de museus dedicados a exibir os mais inacreditáveis instrumentos de tortura certamente criados por sádicos em nome de algum deus ou divindade. O Racionalismo e, depois, o lluminismo plantaram as bases do Estado laico. Quatro séculos depois parece que essa sustentação começa a se desmantelar. Até o Brasil, através de bancadas religiosas, escreve um rascunho da tragédia do fanatismo anunciado. 

Neste momento, a teocracia iraniana está matando a população nas ruas. Já são mais de duas mil vítimas fatais em pouco mais de uma semana de manifestações contra o regime dos aiatolás.Os protestos atuais acirram a resposta mortal do governo, mas matar pessoas por posição política, por gênero, por adultério, por homossexualidade, blasfêmia, prostituição e por não usar vestimenta compatível com a regra "religiosa", enfim, por uma infinidade de normas, é a terrível rotina institucional do Irã. Qualquer pessoa que desafiar a sharia, o conjunto de leis islâmicas, pode ser condenada à prisão e muito frequentemente à morte. É inaceitável que por circunstância geopolítica parte da esquerda brasileira demonstre imensa dificuldade em reconhecer a brutalidade da ditadura iraniana.    

Neste começo de 2026, os iranianos estão nas ruas. De novo, morrendo nas ruas. A título de memória, a foto acima foi enviada pela agência Sygma à Manchete em 1979. Naquela ocasião a população celebrava a "Revolução Islâmica" que derrubou Reza Pahlavi. Em 1979, o Aiatolá Khomeini voltava do exílio em Paris para comandar um Irã republicano. Dias antes, após uma sequência de manifestações e conflitos, o Xá (rei) fugiu do país. Rodou por várias capitais, tentou sem êxito formar um governo no exílio até desistir, vestir o pijama e se fixar no Cairo. 

Desde  o fim da Segunda Guerra o Irã passou a viver sob a ditadura cruel de Pahlavi apoiada pelos Estados Unidos. O Departamento de Estado via o Irã como estratégico frente à então União Soviética. A Guerra Fria era o pretexto para a opressão globalizada.  A Savak (Organização de Segurança e Inteligência Nacional) era o braço armado do Xá, na prática um "ministério" da vigilância, tortura e execução de opositores. Sem qualquer coincidência, a Savak serviu de modelo a várias ditaduras, como da Grécia, Turquia e, por último mas não menos importante, Argentina, Chile e Brasil, cuja implantação também teve as digitais de Washington.         

Khomeini logo rompeu com os Estados Unidos e transformou o Irã em República Islâmica. A ditadura apenas trocou de mãos. 

Curiosamente os protagonistas originais do drama iraniano, o Xá, os Estados Unidos e o aiatolá, voltaram ao palco na última semana. Mudaram os atores, não os personagens. A Savak passou a atender pelo apelido de Polícia Moral. O Aiatolá de plantão é atualmente Khamenei; Trump, inquilino da Casa Branca, manobra nos bastidores, enquanto o falecido Xá é agora figurado pelo príncipe herdeiro Reza Pahlavi. Em algumas cenas dos protestos são vistas faixas pedindo a sua volta. Na verdade, o tempo passa mas quem dá voltas é o Irã, a velha e sofrida  Pérsia de tantas glórias, terra do Ciro, não o cearense...          

domingo, 11 de janeiro de 2026

"Napoleão" de fralda descartável

 


por José Esmeraldo Gonçalves 

The Week retrata a desvairada ambição geopolítica do oligarca Donald Trump demonstrada em fatos e não em especulações. A revista compara o psicopata da Casa Branca a Napoleão Bonaparte. O domínio do imperador francês custou milhões de vidas.

Trump já entra na categoria do líderes serial killers. Sim, apenas no último ano o magnata, foi o causador direto de milhares de mortes. As até aqui 100 vítimas fatais no ataque à Venezuela somam-se aos mortos nos bombardeios do Iêmen, Irã, Iraque, Nigéria e Somália e os supostos barcos de traficantes no Caribe e no Pacífico. Na guerra da Ucrânia, a participação de Trump é através de bilhões de dólares em equipamentos (tanques, drones, mísseis, defesa antiaérea, caças F-16 repassados por aliados) rastreamento por satélites, espionagem, instrutores militares e agentes descaracterizados. A Ucrânia também emprega parte das verbas recebidas em contratação  de mercenários, inclusive brasileiros. Na guerra de Israel contra a Palestina o apoio sempre decisivo para a defesa de Israel é em forma de mesadas bilionárias, aviões, defesa aérea (o domo de ferro desenvolvido em parceria com o Estados Unidos depende de componentes importados). No campo interno a ICE, a "gestapo" que caça imigrantes ou cidadãos americanos que os defendem, abre sua lista de assassinatos. 

Embora não tenha a capacidade estratégica nem a experiência em campo de batalha de Napoleão, Trump é um burocrata sentado sobre uma poderosa máquina de guerra. E ele parece achar divertido usá-la.

Napoleão não tinha graves problemas de saúde até  morrer no exílio aos 51 anos vitima de um câncer gástrico. A doença pode ter sido causada pelo uso exagerado de água de colônia. Ele usava o conteúdo de dois a três frascos por dia. Um tipo de óleo na química do produto teria causado o tumor maligno. 

Trump está com 79 anos. Há pouca transparência sobre seu verdadeiro estado de saúde. A mídia interpreta alguns sinais e aponta eventualmente inconfidências sobre deficiência cognitiva. Sofreria também  de problemas circulatórios sendo acompanhado por angiologistas. Há alguns anos um dos seus assistentes, chamado Noel Castler,  revelou que ele usava fraldas para prevenir escapes de "número 2". Em cerimônias públicas ou até em encontros reservados no Salão Oval, convidados que se aproximam muito do magnata contam ter captado odores característicos. De qualquer forma fraldas ou qualquer outro incômodo não afetam a capacidade de Donald Trump de provocar crises planetárias muito além de limites imaginários.  Ele parece ter uma agenda volumosa onde estão escritos os próximos passos da bagunça.

- Melania, me lembra de invadir a Groelândia.

+ Melania, preciso intervir na Colômbia. Deixa um lembrete na Alexa.

- Provocar a China e a Rússia. Fazer reunião sobre isso.

- Avisar a USAF que amanhã é dia de bombardear a Síria ou o Líbano, não lembro mais qual dos dois 

- E esse tal de Lula? Precisa ser enquadrado e não pode ser reeleito. Ver o que a CIA pode fazer durante a campanha eleitoral do Brasil. Urgente.



quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Memórias da redação - Ilustrador Cláudio Duarte (1960-2026): traços e cores que ficam. Por José Esmeraldo Gonçalves



Acima, dois memoráveis trabalhos de Cláudio Duarte para a Revista Fatos: Milton Nascimento e Dom Ivo Lorscheiter 


por José Esmeraldo Gonçalves 

Em fins de 1984, Carlos Heitor Cony dirigia a Fatos& Fotos, J. A.Barros era o chefe da Arte e eu o editor executivo. A revista atravessava uma fase de desinvestimento. A Bloch enfrentava o alto custo de instalação de cinco emissoras de TV, o núcleo original da Rede Manchete, e bancava a construção de uma grade voltada para a classe A. Naturalmente as revistas sofriam alguns cortes e isso impactava a qualidade editorial das publicações.  Pra falar a verdade, havia uma falta de motivação quanto ao modelo da Fatos & Fotos que, naquele momento, julgávamos desgastado. 

Em 1985, o Brasil passava por uma grande mudança de rumo. Esperava-se a posse de Tancredo Neves, eleito presidente pelo colégio eleitoral da ditadura. Tancredo morreu e o Brasil recebeu um "presente de grego": o notório José Sarney, apoiador da ditadura. De qualquer forma os militares começavam a por o quepe fora do governo. Só a ponta do quepe, mas após 21 anos de ditadura corrupta, torturadora e assassina, era alguma coisa. 

Naquele ambiente político de fim da censura interna e externa, Cony levou a Adolpho Bloch a ideia de lançar uma revista de informação e análise com rubricas de política, economia, internacional, esporte, cultura, turismo etc. 

A experiência de uma revista de informação e hard news era inédita para a Bloch Editores. Cony convocou a mim e ao Barros para, juntos, desenvolvermos um projeto editorial e gráfico da Fatos, este era o nome da nova publicação. Lembro que um diferencial previsto para a Fatos era o uso de ilustrações. Contatamos vários chargistas, cartunistas e ilustradores, alguns experientes e a maioria iniciantes. Um deles era Cláudio Duarte. Em um dos poucos exemplares que me restaram da Fatos, revi algumas ilustrações assinadas por ele. Além do Cláudio, tinhamos uma equipe de craques ilustradores como Gil, Ique, Mariano, Petrúcio, Paulo Melo, Lapi e André Hippert. Quando a revista foi fechada em julho de 1986, após um ano e meio de existência (abatida por campanha de dedos-duros da Bloch viúvos da ditadura - o blog já contou essa essa trama) , os ilustradores se distribuíram em veículos cariocas. Cláudio Duarte foi para O Globo. Em 2001 ganhou o Prêmio Esso de Artes Visuais com o tema Horror em matéria da revista Época sobre o ataque às Torres Gêmeas. 

Cláudio Duarte faleceu no domingo, 4/1/2026, em Florianópolis, aos 66 anos, vítima de câncer. Ele deixa o filho Francisco Duarte e a namorada, a pianista Patrícia Boltroni. Nossos pêsames à família. 

Chico Duarte homenageou o pai nas redes sociais: 

"Parabéns pela vida que você teve, papai. Nasceu pobre, na periferia do Rio de Janeiro, em meio à ditadura militar, apenas com o ensino médio, para se tornar um dos maiores ilustradores da história do país, Venceu na vida apenas com suas canetas e muita força de vontade".

Atualização - 9/1/2026 - Tentei encontrar, mas não consegui, uma página que o colaborador Claudio Duarte fez para a Fatos na semana em que a Câmara dos Deputados era alvo de denúncias de corrupção. Isso em 1985 ou 1986, se não me engano. Vale contar o caso mesmo sem o "corpo de delito". O ilustrador criou uma incrível cena do plenário tomado por pequenos ratos vistos no tapete entre as fileiras de cadeiras. Puro realismo. Tivemos a intuição de que daria problema na cultura Bloch mas publicamos, não poderia ficar inédita aquele ilustração. Cony participou do fechamento, bancou a ideia mas viajou em seguida. No domingo, dia em que a revista ia para a banca, recebi um telefonema do Adolpho Bloch. Ele reclamou e perguntou como publicamos "aquilo". "A empresa pode ser fechada", dizia. Argumentei que não chegaria a tanto, a tal denúncia estava em todos os jornais e TV.  Sugeri que ouvisse a opinião de Murilo Melo Filho, o experiente e ponderado diretor que cuidava das questões políticas da editora. Realmente, nas semanas seguintes não surgiu qualquer represália da Câmara. Na redação, acreditamos que o sucursal de Brasília deve ter superestimado a crítica ao falar com o Bloch. A revista durou alguns meses ainda após o caso, mas começou a atrasar o pagamento dos colaboradores. Um sinal do fim próximo. Cláudio Duarte foi para O Globo. Creio que inicialmente ilustrava o Jornal da Família. Não demorou muito tomei o mesmo rumo. A  convite do saudoso Humberto Vasconcelos, que editou o Caderno B do JB em fase áurea e era então editor do Segundo Caderno, entrei no Globo como seu subeditor. Foi uma boa experiência, trabalhei com ótimos profissionais, mas aceitei um convite para retornar à Bloch, dessa vez para a Manchete, onde fui chefe de reportagem, chefe de redação e editor executivo na equipe de Roberto Muggiati. Em 1996, a convite de Sergio Zalis, diretor do escritório carioca da Caras, assumi como editor senior da operação Rio de Janeiro da revista de celebridades. Outra boa experiência.  Os títulos Fatos, assim como Fatos & Fotos, deixaram de existir. Essa última ainda foi para as bancas ocasionalmente em edições de carnaval. A Fatos? Ficou no nosso currículo como uma aventura passageira. Nada mais do que isso.    

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Mídia - Coreografia jornalística sobre as cinzas frias da Lava Jato

por José Esmeraldo Gonçalves 

A polêmica que envolve Alexandre de Moraes e o Banco Central deixou um subproduto bastante interessante para melhor compreensão do movimento político da mídia de direita. 

Ficou mais fácil entender, por exemplo, a demissão de Daniele Lima da Globo News e a ascensão de Malu Gaspar como ativa comentarista do canal dos Marinho. Também ficou mais evidente o propósito das intervenções intempestivas de Fernando Gabeira e Leilane Neubarth nas falas de Daniela que, soube-se depois, a cúpula da emissora considerava "esquerdista demais". 

Então é isso, a boiada jornalística caminhava para a direita e Malu Gasoar tem papel relevante e missão a cumprir nesse ajuste de bússola às vésperas de um ano eleitoral com o mercado e os jornalões da direita ombro a ombro com a extrema direita fazendo suas apostas. 

Alexandre de Moraes tornou-se o obstáculo a demolir politicamente. O próximo é o ministro Dino.

Uma curiosidade a mais: na época da Lava Jato, ainda quando Moro e cúmplices tinham lugar de santos no altar de sacrifício da democracia,  a mídia corporativa fazia semanalmente uma coreografia ensaiada. Os jornalões cumpriam as pautas distribuídas por Moro e tropa, enchiam páginas e páginas e e convocação algoritmos com conteúdos que o tempo mostrou falsos e produtos de crimes jurídicos, a Veja repercutia na linha bombástica, o Jornal Nacional amplificava ao limite e o Fantástico dava o tiro final para fechar a semana. Na segunda-feira a máquina de caluniar começava tudo de novo.

Pois não por acaso essa coreografia voltou ao palco nesse falso escândalo do Alexandre de Moraes, BC e Banco Master. Não é por acaso.

Mídia - O "amigo oculto" da jornalista Malu Gaspar. Repórteres tentam identificar os informantes do Globo na operação "Delenda Moraes"

por José Esmeraldo Gonçalves 

Brasília não fala em outra coisa. Após o pico de temperatura máxima alcançado pelo caso Banco Central-Alexandre de Moraes-Gabriel Galípolo, a corrida midiática agora é para identificar as fontes que enganaram Malu Gaspar, autora da reportagem que acusou Moraes de interceder junto ao presidente do BC em busca de uma uma saída para a crise do Banco Master. Na verdade, uma enorme fraude. 

Morais e Galípolo divulgaram notas desmentindo a essência e as circunstâncias das acusações. Não seria a primeira vez no currículo da repórter. Identificada com a seita de "viúvos e viúvas da Lava Jato" por ter veiculado como autênticas as manobras ilegais de Sergio Moro depois desmascarado e julgado suspeito pela justiça, Malu apoiou-se em seis fontes anônimas, na verdade volumosas cascatas. 

Os jornalistas de Brasília vão acabar acrescentando um pouco de entretenimento à investigação e realizando uma espécie de "amigo oculto" em torno da árvore de Natal para identificar os informantes da repórter do Globo. Ocorre que são muitos os interessados em afastar Moraes do STF. Aqui vão algumas pistas de potenciais candidatos a participantes do "amigo oculto" jornalístico

- Daniel Vorcaro, dono do Master, poderoso, com forte influência em diferentes núcleos de autoridades. 

- Ciro Nogueira - atuou em favor do Master no Congresso.

- Ibaneis Rocha, governador de Brasília. Ficou frustrado quando o Banco Central fez naufragar o projeto para salvar o Banco Master. O BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, seria o braço amigo oferecido ao afogado.     

- Bolsonarista Paulo Guedes, ex-ministro da Fazenda do seu amado mestre. É queridinho da mídia de direita e tam acesso a contatos remanescentes no BC.

- Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central na gestão do Bozoroca, também com contatos nos corredores do BC.

- Luís Fux, o ministro mais ressentido com Alexandre Morais.

- Representantes da Febraban, Itaú, Banco do Brasil, da Confederação Nacional das Intituições Financeiras, do BTG e Santander que participaram de reuniões com Alexandre de Moraes sobre a Lei  Magnistski do desvairado Donald Trump. 

Façam o jogo, senhores!

Atualização em 26/12/2025- Nomes já cotados pela mídia como fontes da matéria de Malu Gaspar. O próprio Daniel Vorcaro, André Esteves, do BTG, amigo nã oculto de Paulo Guedes e de Roberto Campos Neto. 

segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Aê Bahêa. Salve 8 de dezembro, Salve Conceição da Praia. Salve Oxum! Sincretismo religioso na veia. Acarajé, caruru , cachaça de jenipapo, Vinicius de Moraes e Baden Powell...




Oferendas digitais para N.S. Conceição da Praia/Oxum e lições que vêm da Velha Bahia: bebida para abrir caminhos, frutas,
moedas para prosperidade e gato preto, símbolo de proteção, ao contrário da tradição europeia que o vincula à má sorte. O quadro ao fundo é de Carybé, jornalista argentino, pintor e brasileiro naturalizado.
Foto: Acervo do Panis cum Ovum
 

por José Esmeraldo Gonçalves 

Em um dia como esse, 8 de dezembro de 1964, eu era secundarista em Salvador. Festa de rua. o programa mais acessível ao bolso. A Ribeira, meu bairro, comemorava todas as datas possíveis, as profanas, as católicas e os eventos das religiões afro-brasileiras. Eram tempos tranquilos. Os moradores abriam as portas e convidavam os passantes a provarem comidas ritualísticas como acarajé, abará, caruru e até pipoca. Para beber, licor ou cachaça de jenipapo. Fazíamos na Ribeira o roteiro que o Leblon chama hoje de baratona. Só que gratuita e parando em salas de famílias amigáveis. 

Na paz. 

Havia uma data em que subíamos no ônibus elétrico e deixávamos a península de Itapagipe rumo à Praça Cairu, a do Elevador Lacerda, ali pertinho do Mercado Modelo e da Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia. 8 de dezembro. Era o dia dela. A festa era puro sincretismo na veia. Conceição da Praia é Oxum para as religiões de matriz africana. Procissão cruzando com oferendas, o coral da igreja, hoje basílica, cantando ao som de tambores. Na rua, barraquinhas de acarajé, feijoada e muitas gabrielas.

Na época não havia intolerância agressiva contra a umbanda e o candomblé. Preconceito, sim, especialmente da classe média pra cima. Mas não existiam pastores a incentivar invasões, agressões e depredações de terreiros. Nem as Claudia Leitte da vida a mudar letras de canções para não pronunciar o nome de Iemanjá.

No verão de 1966, tempo em que os tambores mais aqueciam o Pelourinho, Vinicius de Moraes e Baden Powell lançaram os Afro-Sambas, álbum que hoje é clássico. A dupla levou o Brasil a cantar Ossanha, Xangô, Iemanjá e a cultura negra. Algo que os enredos das escolas de samba fazem hoje com muito brilho. Baden e Vinicius não foram cancelados nos cultos. E o disco pode ser tocado no "terreiro" do You Tube.  Ouça lá, mas se for vizinho do Malafaia convém baixar o som.

No mais, respeite a festa de Nossa Senhora da Conceição da Praia/Oxum. Não começou ontem. É realizada desde 1549. É tão somente a celebração religiosa e popular mais antiga do Brasil. Dizem que só não se realizou quando os baianos estavam mais ocupados em guerras para expulsar holandeses e, depois, os portugueses.     

"Caixa Amarela" - Os disquetes, quem diria, reaparecem como protagonistas de um escândalo que reúne sexo, ilegalidades e Xvídeos

 

Caso Banestado:um "zumbi" volta para assombrart ogas e paletós.   


Foto ilustrativa JConejo Free Image

Comentário do Panis cum Ovum
- Um mídia obsoleta, os disquetes, pode reaparecer para encrencar figuras acima de qualquer suspeita. 
Matéria de capa da Fórum dessa semana mostra que ainda há muitas brasas nas cinzas das ilegalidades cometidos por Sergio Moro e cúmplices nos porões curitibanos. Dessa vez, um indutor do escândalo foi apreendido pela Polícia Federal na famosa 13ª Vara de Curitiba, ex-reduto de Moro.  

Trata-se do item denominado "caixa amarela", cheio de disquetes e outros dispositivos de gravações criminosas que Sergio Moro teria mandado fazer, segundo acusação do ex-deputado estadual do Paraná, Tony Garcia, um "infiltrado" a serviço do ex-juiz. Foi ele que revelou a existência do material, acrescentando que assinou acordo de colaboração no Caso Banestado, em 2004, quando Moro o obrigou a gravar  políticos, juízes, doleiros e governadores. A espionagem durou até 2021, entrelaçando-se com a já desmoralizada Lava Jato. 

A julgar pela amplitude do material, a Caixa Amarela (melhor grafar assim em maiúsculas), vai tirar o sono de muita gente. São 400 horas de arquivos clandestinos acomodados em prosaicos disquetes. 

O ministro Dias Toffoli decretou sigilo absoluta da investigação-bomba, mas chegará a hora em que o STF poderá rever a medida e, como tem feito em muitos casos, optará pela devida transparência. Além das gravações supostamente encomendas por Moro, a Caixa Amarela pode conter até mesmo segredinhos da "Festa da Cueca" realizada em novembro de 2003. Esta seria apenas mais uma alegre orgia se não reunisse, segundo Garcia, um grupo de desembargadores. As excelências despiram as togas e, data vênia, partiram para a "reintegração de posse" com garotas de programa. Infelizmente para os participantes, uma câmera teria gravado a festa relizada em um hotel de luxo em novembro de 2003. Toffoli quer saber se as imagens foram usadas para influenciar decisões processuais. (por José Esmeraldo Gonçalves)            

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Memórias da Redação - Há 30 anos, a última mensagem de Adolpho Bloch e o estranho caso da urna enterrada e esquecida na Quinta da Boa Vista. Por José Esmeraldo Gonçalves

 

A página de abertura da Manchete especial sobre a morte de Adolpho Bloch.
Clique na imagem para ampliar o texto 


No dia 20 de novembro de 1995, chegava ao fim do meu último ano na Revista Manchete, da qual me desligaria em fevereiro de 1996. Fechava-se uma etapa da minha carreira e, a revista perdia seu fundador. Foi um mix de dia agitado e de comoção diante do fechamento da edição especial sobre Adolpho Bloch. Enquanto o numero 2.277 tomava forma na redação,  oito andares abaixo, no hall do prédio da Rua do Russell, o Bloch era velado cercado pela família e centenas de amigos. Pessoalmente ou por telefone, repórteres colhiam depoimentos de personalidades, entre as quais o então presidente Fernando Henrique Cardoso, Leonel Brizola, Roberto Marinho, o primeiro-ministro de Israel, Shimon Peres, Franco Zefirelli, Oscar Niemeyer, Darcy Ribeiro e Barbosa Lima Sobrinho. Eu me recordo que Zevi Ghivelder me pediu para escrever o pequeno texto de abertura acima reproduzida. Quase fim do fechamento, com tantas páginas reunindo múltiplos perfis de Adolpho, confesso que eu não sabia bem o que destacar. Pensei em uma das suas mais marcantes características: o amor ao Brasil. 

Hoje, vendo certas figuras desprezíveis apelando aos Estados Unidos para bombardearem o Rio de Janeiro ou bancadas espúrias no Congresso aprovando leis em interesse próprio e seguramente inconfessáveis observo o quanto esse sentimento faz falta.

Revendo o expediente daquela edição, vejo que o tempo passsou tão rápido quando um trem-bala. Como assim, 30 anos ? Levou alguns amigos, felizmente deixou tantos outros e muitas lembranças.  


Por último, uma curiosidade sobre o recado póstumo "Sejam todos felizes neste país que tanto amei" - 

Em 1973, Adolpho foi convidado a escrever um depoimento que foi depositado em uma urna enterrada no museu da Quinta da Boa Vista. Os registros deveriam ser abertos apenas no centenário da Independência, em 2022.  Pelo que se sabe, a urna foi esquecida. Em todo caso, um trecho colhido em uma cópia resgatada pela Manchete tornou-se a mensagem final de Adolpho Bloch.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

O que Adolpho Bloch tinha a ver com Zé das Medalhas


A medalha JK65 entrou para a história que não aconteceu.
Reprodução de uma peça da memorabilia do Panis

por José Esmeraldo Gonçalves 

Zé das Medalhas era um personagem da Copacabana dos anos 1960. Uma celebridade popular ao lado de tantos escritores, cineastas, cantores e jogadores de futebol que moravam no bairro. Zé das Medalhas trabalhava em uma farmácia no Leme. Usava sempre um colete espetado com dezenas de medalhas. É possível que Adolpho Bloch, que morava em Copacabana, e costumava andar na Avenida Atlântica com o amigo Juscelino Kubitschek, tenha cruzado com o Zé em algum momento. Ou talvez não, e jamais os dois souberam que tinham algo em comum. Um carregava suas medalhas no peito, o outro costumava estampar medalhas e moedas comemorativas anexadas às edições da antiga Manchete


Uma dessas medalhas em homenagem a João Paulo II, que visitava o Brasil em 1980, foi colada nas capas de números especiais que venderam milhões de exemplares. Além disso, Adolpho recrutou voluntários para vender a medalha do papa em esquinas movimentadas do centro do Rio de Janeiro. O carisma de João Paulo II incendiou as ruas e fez tilintar moedas no cofrinho do Bloch. 


Outra insígnia lembrada, esta oferecida ao leitores da Manchete Esportiva, festejou os Jogos Olímpicos.

A marca Bloch estampou várias medalhas e moedas.  

A moeda JK 65 virou história que não aconteceu e foi atropelada pela ditadura militar de 1964. Depois de deixar a Presidência, Juscelino foi eleito senador. A ideia era permanecer na cena política enquanto trabalhava a volta ao Planalto nas eleições de 1965. A moeda era inicialmente uma peça de campanha. Mediante uma quantia, de preferência alentada, o doador ganhava o suvenir.  

JK havia sido vítima de uma tentativa de golpe militar após ser eleito em 1955, foi salvo pelo marechal Lott que desarmou a conspiração dos quartéis e garantiu sua posse. Conhecia o veneno e mesmo assim  cometeu um erro fatal: aproximou-se dos militares no período anterior à queda de João Goulart e apoiou o golpe de 1964. Acreditava que os milicos fariam um pit stop no poder e manteriam as eleições presidenciais de 1965. JK nem desconfiou da ditadura pré-instalada quando votou para presidente, no Congresso, na palhaçada eleitoral que "elegeu" Castelo Branco. Com o enterro da liberdade, o militar tomou posse com a caneta carregada para formular listas de cassações, prisões, sequestros, perseguições e os Atos Institucionais autoritários. 

JK deve ter tomado um susto: seu nome logo figurou entre os cassados e banidos. 

O resto a história conta. Foram 21 anos de trevas, torturas, assassinatos, milhares de brasileiros no exílio, censura, corrupção e concentração brutal de renda. Restou gravada na moeda JK85 a mensagem da "Pelo Brasil recomeçarias mil vezes". No verso, em torno da imagem de um trator, o registro "Contribuí para a campanha JK65", seguido da promessa "Quinquênio da agricultura"simbolizada pela imagem de um trator.  Trator ou tanque ou foi o que passou por cima da democracia