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quinta-feira, 23 de julho de 2026

FIFA abre investigação sobre a violência dos jogadores argentinos ao fim da vitória da Espanha e as agressões racistas da torcida nas arquibancadas e nas ruas do Estados Unidos durante a Copa. A única e justa sentença que a FIFA pode dar aos preconceituosos é proibir o país de disputar a Copa de Mundo de 2030

Torcedor argentino que se acha o ser humano mais perfeito da face da terra faz gestos racistas na arquibancada. Curiosamente, entre tantos lugares , ele escolheu ficar bem próximo à razão uniformizada do seu descontrole emocional. Freud explica?;
Foto Ishowspee/You Tube/Reprodução

por José Esmeraldo Gonçalves

Argentinos "festejaram" nas arquibancadas e nas ruas de várias cidades a escalada do racismo em gestos, gritos de guerra, agressões, violência e canções ofensivas. Houve brigas em Nova York, Rio, Búzios e Camboriú. A Copa do Mundo mostrou nos estádios que as medidas da FIFA são insuficientes ao ponto de um árbitro ignorar um gesto protocolar de um integrante da comissão técnica do Egito exatamente para denunciar episódio de intolerância. Desde sempre a Argentina é uma espécie de campo livre para o racismo. O país praticou uma política odiosa de extermínio da população de negros e praticou segregação de indígenas em regiões remotas. Mesmo assim e  miscigenação resistiu e é visível, principalmente fora de Buenos Aires, até em torcedores racistas. Em Mendonza, por exemplo, a apuração genética indica 46,80% de ancestralidade europeia, 31,60% indígena e 21,50% africana. Estatísticas de DNA da linhagem materna colhidas em 2004, apontaram, que 56% da população total da Argentina possui DNA ameríndio. O percentual de negros é de pouco menos de 5% em virtude do brutal assassinato em massa de pessoas de origem africana.   

Ao contrário do Brasil, exemplo para o mundo, a violência racial na Argentina, tanto verbal quanto física, não é criminalizada. Os seus torcedores consideram natural propagar o exemplo degradante do preconceito levado às ultimas consequências. 

Nas transmissões oficiais das partidas geradas pela FIFA as imagens de racismo foram cortadas. Assim como só a partir de gravações independentes captadas por espectadores circulam agora as imagens da barbárie argentina contra jogadores espanhóis ao fim do jogo. Alguns atletas mais tresloucados pareciam bandidos tentando linchar oponentes. Isso sem contar a violência durante a partida, caso do Paredes que tentou quebrar o espanhol Cucurella. A propósito, as atitudes de Paredes justificariam sua escolha para exame antidoping. Pelo que foi divulgado, houve exames em jogadores da Tunísia e verificação surpresa na seleção brasileira em pelo menos um atleta sorteado, sem registro de ocorrência. Não há informações oficiais sobre testes em jogadores argentinos ou de outras equipes. 

Não havia razão para a vice-campeã agredir a Espanha campeã. Só se o motivo foi a própria frustração após a seleção de Messi amarelar em campo no tempo regulamentar e na prorrogação.  

Os ataques racistas deixam claro que o futebol precisa de controles mais rígidos sobre a intolerância. Na América do Sul, a Comenbol tem que se mexer. Não cabem mais apenas "campanhas educativas".

 Pressionada e provavelmente envergonhada, a FIFA abriu uma investigação sobre as agressões racistas. Uma punição possível seria a exclusão de torcedores argentinos da Copa de 2030. Ou até cancelar a Argentina como uma das sedes sul-americanas de uma partida da Copa de 2030. Como se sabe, Espanha, Marrocos e PortugaL sediarão o mundial. Em comemoração aos 100 anos da Copa do Mundo da FIFA, Uruguai, que foi seleção campeã e sede do primeiro torneio em 1930 e a Argentina como vice- campeã na mesma edição terão uma partida cada um. O Paraguai, sede da Conmebol, concorreu a receber o próximo mundial, mas foi derrotado, terá um jogo como prêmio de consolação. 

Agora, imaginem o tamanho da encrenca: se a  FIFA e os respectivos governos não criarem leis, como Brasil já fez, para vencer a intolerância e levarem definitivamente a sério o combate ao racismo no futebol, o Cone Sul, por ocasião desses jogos, vai virar um imenso octógono de UFC.  

Em 1996, o jornal Olé usou apelido racista para ofender o Brasil e a Nigéria que disputavam vaga no torneio de futebol olímpico: um dos dois seria o adversário da Argentina. 

Se nos Estados Unidos adotaram comportamento aloprado, imaginem quando o palco de luta for em casa. Não basta a atuação da FIFA. A mídia esportiva  precisa se engajar na luta permanente contra o racismo. Os jogadores também. Se nem todos agem como marginais da "supremacia branca", não se ouviram vozes de jogadores criticando torcedores racistas. Messi, idolatrado pelos compatriotas, não usa sua influência nem mesmo para dizer que não concorda com o comportamento dos seus torcedores. Há casos de jornalistas portenhos que relativizam episódios de racismo. Alguns veículos até normalizam o racismo. Caso absurdo do tabloide Olé, que pertence ao grupo Clarín, o maior conglomerado de mídia do país. Em 1996, o jornal estampou na primeira página a palavra "macaco", principal slogan ofensivo usado pelos do argentinos racistas. Naquele momento, Brasil e Nigéria disputavam o direito de enfrentar a Argentina nas finais do torneio de futebol olímpico. O ataque do jornal racista foi inútil. A medalha de ouro foi conquistada pela Nigéria ao vencer o Argentina por 3x2. Quanto ao Brasil, derrotou Portugal por 5x0 e ganhou o bronze.       

 Atualização em 25/7/2026 - Petição pública internacional já  ultrapassa 24 milhões de assinaturas exigindo a exclusão da Argentina da Copa de 2030. A FIFA informa que a questão está sob análise e a petição e a indignação da opinião pública serão levadas em conta. 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Algo há - O que rolou na Copa e, principalmente, na "cozinha"

 

A falta violenta do Messi, não punida. Foto: Reprodução FIFA/Epandy

por José Esmeraldo Gonçalves

A bola todo mundo viu. E o que aconteceu de extraordinário acima e fora da grama? Carlos Heitor Cony, com quem dividi redações - uma delas a da revista Fatos, de informação e análise -  costumava usar a expressão "algo há" diante de uma pauta ainda obscura. Também dizem que "algo há" é a senha dos filósofos para abrir a caixa de reflexões. No nosso caso, era apenas uma pergunta jornalística inicial que, às vezes, dava mesmo em "algo", às vezes dava em nada. 

Coberturas de Copas do Mundo por grandes veículos comerciais são quase sempre festivas. O evento é o que importa, a paixão, também. Só quando a derrota do Brasil se configurou, entendemos que "algo houve". O trabalho dos repórteres, editores e comentaristas é hoje muito influenciado pela linguagem leve das redes sociais descontraídas e cômicas, a informação recebe tratamento até teatral com repórteres interpretando, muitas vezes, jovens personagens "doidinhos", com irreverência forçada. Faz parte. Os chefões da TV tradicional tentaram convencer os comentaristas mais antigos ou os ex-jogadores analistas a vestir o figurino "moderno". Felizmente vários deles resistiram. O Maestro Júnior, o comentarista mais preciso e lúcido, resistiu à new wave que a Rede Globo tentou impor ao emular a concorrente CazéTV. Fez bem.    

Infelizmente, a alguns acontecimentos em torno da Copa não cabia humor. Donald Trump, por exemplo, mostrou que não tinha limites. Em alguns momentos deixava a cadeira apocalíptica de "Dr. Fantástico", de onde incendeia o mundo, para agir como um árbitro. Se alguém pensava que o oligarca da Casa Branca mantinha o foco de trabalho no Irã, Venezuela, Cuba, Brasil, China, Rússia, Europa, tarifas e sanções, estava enganado. Trump surpreendeu ao ligar para o presidente da Fifa, o submisso Gianni Infantino, para pedir o cancelamento do cartão vermelho aplicado a Folarin Balogun. Durante o jogo da ridícula seleção dos Estados Unidos, o árbitro brasileiro Raphael Claus expulsou o atacante estadunidense. Infantino atendeu prontamente ao pedido de Trump (na verdade foi uma ordem). O presidente da Fifa, sendo quem é, não quis um confronto. A jogada que provocou a expulsão ocorreu durante o jogo dos Estados Unidos contra a Bósnia e Herzegovina. O atacante norte-americano Folarin Balogun havia sido expulso após dar um pisão na panturrilha do zagueiro Tarik Muharemovic. Após revisão do VAR, Claus concluiu que foi falta grave, impedindo Tarik de prosseguir a jogada.  Trump com toda sua arrogância e "conhecimento" de arbitragem, mandou anular o cartão e a suspensão, para que Balogun pudesse jogar a partida seguinte. O golpe não funcionou porque a fraca seleção dos Estados Unidos foi abatida da Copa ao sofrer goleada da Bélgica. A decisão da Fifa foi o maior escândalo de arbitragem na atual Copa. Trump, na verdade, não entende nada de futebol. A implicância dele, no momento em que tem o Brasil no alvo, como já declarou, foi com o brasileiro Raphael Claus.


O jogo do suborno

Autoridade de um país interferir em uma Copa não é fato inédito. Em 1978, a ditadura argentina botou os coturnos na Copa; Em 1970, a ditadura brasileira mandava na seleção brasileira. Os generais demitiram João Saldanha e controlaram através de terceiros a nomeação de Zagalo e Claudio Coutinho, muitos outros militares assumiram cargos na equipe. No período em que assassinatos de opositores do governo militar "manchava" imagem da ditadura, os controladores da comunicação na ditadura viam na seleção um instrumento para neutralizar as denúncias de torturas em massa nos quartéis. A Argentina, em 1978, também se preparou para usar a Copa como vitrine positiva do país. E, para isso, foi ao extremo. A conspiração futebolística envolveu o Brasil, no caso, como vítima. Os dois países tinham um jogo decisivo pela frente. Inicialmente estava previsto que as partidas seriam disputadas no mesmo horário. Contudo, o jogo Brasil x Polônia foi marcado para a tarde; o da Argentina, contra o Peru, à noite. A seleção brasileira ganhou de 3x1. Com isso, por questões de saldo de gols, os hermanos precisavam ganhar pelo menos por 4x1. A Argentina entrou em campo já sabendo que precisava vencer por tal placar. Ganhou por 6x0 e cravou a classificação. Mais adiante foi campeã do mundo.

A imprensa não era livre na América Latina dominada por ditaduras cruéis. Havia suspeitas de manipulação da Copa de 1978, mas não foram apuradas na época. Anos depois, o jornalista investigativo Ricardo Gotta lançou o livro "Fuimos campeones: la dictadura, el mundial 78 y el mistério del 6 a 0 a Peru". E o sociólogo Juan José Sebreli escreveu "La Era Del Fútbol". A verdade, enfim, foi revelada. Donald Trump, portanto, não inovou. O primeiro americano a interferir em uma partida de futebol foi Henry Kissinger. Horas antes do fatídico jogo Argentina 6x0 Peru, ele e o ditador Videla foram ao vestiário do Peru. Uma visita de "cortesia", mas os jogadores entenderam o significado. Longe dali, outra ditadura havia preparado o terreno do suborno. O então integrante da Junta Militar do Peru, o general Francisco Morales Bermúdez, era aliado das demais ditaduras da América do Sul, criadas e manobradas pelo Departamento de Estado. Kissinger deixara o cargo de Secretário de Estado em 1977 e assumira a presidência do conselho de uma obscura entidade, a North American Soccer League (NASL). Com esse crachá, o americano circulava nos bastidores de Copa ao lado de Videla. Estima-se que a delegação do Peru recebeu carregamentos de trigo além de "grãos" verdes de dólares. Houve suspeitas em cima, principalmente, do goleiro do Peru, Queiroga, um argentino naturalizado peruano. Toda a história foi apagada durante décadas, mas graças a Gorra e Sebrelli não ficou esquecida.

Nesta Copa 2026, há digitais na CBF de pelo menos uma pessoa com ligações políticas.  Trata-se de Francisco Mendes, filho do ministro do STF Gilmar Mendes. Segundo a colunista do UOL Thais Bilenky, Francisco é o cartola mais poderoso da CBF. É vice-presidente da Federação Matogrossense de Futebol, tem direito a voto na assembleia da CBF e é o único brasileiro membro do comitê disciplinar da FIFA. O colunista Lauro Jardim, do Globo, revelou que Francisco Mendes teria dito a diversos interlocutores durante o Gilmarpalooza, como é ironicamente apelidado o evento jurídico tradicionalmente promovido por Gilmar Mendes, em Lisboa, a frase nem um pouco enigmática: "Quem convocou Neymar fui eu". Com a derrota para a Noruega e o vexame da escalação de Neymar no bota-fora da seleção de uma Copa para esquecer, é provável que o Mendes "junior" não queira o seu nome associado ao desastre de Nova York/Nova Jersey.  Algo houve. 

quinta-feira, 25 de junho de 2026

A TV e as bets batem bola na cobertura da Copa do Mundo. E o jogo é bruto.

por José Esmeraldo Gonçalbes

A CazéTV está no centro de polêmicas. Uma é a divulgação em massa de jogos de azar, as famigeradas bets indutoras de endividamento e da falência pessoal de milhares de brasileiros. Outra é a avaliação por parte da FIFA da possibilidade de negar ao canal a compra de direitos televisivos da Copa do Mundo de Futebol de 2030 com sede em Portugal, Espanha e Marrocos. 

A entidade considera problemático o fato de a LiveMode, proprietária da Cazé TV, ser ao mesmo tempo compradora, revendedora e exibidora dos direitos televisivos do torneio. Segundo publicou o portal Notícias na TV, a FIFA vê conflitos de interesses no modelo de negócios da LiveMode. Além disso, a Live Mode compartilharia investidores com a FFU (Futebol Forte União) uma das associações que reúne os principais clubes do futebol brasileiro. Tudo indica, no caso, que a FIFA vai jogar no contra ataque quando sentar à mesa de negociação dos direitos de transmissão do próximo Mundial de futebol masculino.  

Outro problema para a CazéTV é a enorme divulgação das bets de apostas na forma de merchandising ao longo da cobertura da Copa. A audiência do canal atrai muitos jovens e frases do tipo "jogue com moderação" não são suficientes para afastar esse público sensível da jogatina desvairada. A sociedade civil já se organiza para combater as bets, campanha que não será fácil. As empresas que administram tal jogo de azar atuam com poderoso lobby junto ao Congresso e são grandes anunciantes da mídia em geral e dos canais de TV e patrocinadoras master de campeonatos e de clubes de futebol. Celebridades como Neymar e Galvão Bueno, além de dezenas de influencers fazem propaganda da jogatina. Do outro lado, um grupo de artistas está em campanha contra as bets e os danos que causam à sociedade especialmente nas faixas de baixa renda. A Polícia Federal teria identificado que algumas empresas que exploram o jogo chegariam a pagar uma espécie de bônus pelo lucro em cima de perdedores que os influenciadores atraem com seu prestígio. Indagado sobre a sua associação com as bets, Cazé limitou-se a uma resposta cínica: "é do modelo de negócios". 

De fato, é um "modelo de negócios" sombrio que atrai gigantes da comunicação como o grupo Globo que é sócio da MGM em uma operadora de apostas. 

Desde 2023, uma lei federal regulamenta a atuação das empresas de apostas on line. O lobby das bets influenciou o teor da lei e o documento acabou deixando brechas para a operação de apostas ilegais.  Durante as coberturas jornalísticas da Copa em curso a publicidade da jogatina é intensa. E tem irregularidades. O Código de Defesa do Consumidor determina que a propaganda de um produto que só fala das qualidades e não relata o risco é abusiva. 

É precisamente o que a TV faz o dia inteiro. 

 

sábado, 20 de junho de 2026

Mídia: onde acaba o humor e começa a noticia

Márcio Canuto: o repórter que foi pioneiro em levar humor à notícia. Foto: Memória TV Globo 
 

por José Esmeraldo Gonçalves 

Uma breve análise sobre a atuação da mídia na Copa do Mundo expõe um fenômeno interessante, não exatamente positivo. Não é segredo que nos últimos 15 anos a internet promoveu um facelifting radical no jornalismo. 

As redes sociais definem as mudanças nem sempre para melhor. Milhões de canais no YouTube, no Instagram, X, Telegram e Tik Tok,  para citar os principais, conquistaram audiências que  superam em muito os meios tradicionais. A cobertura da Copa mostra, agora, que a nova era impõe novos tons e ritmos na linguagem jornalística. O meio é a mensagem, lembrem- se de McLuhan, o guru visionário que virou moda nos anos 1970.

As redes sociais democratizaram a comunicação, mas é alto o preço a pagar. Fake news, golpes, ofensas, radicalismo antidemocrático, novelinhas banais para atrair cliques, influencers a serviço do crime, invasão de privacidade, roubo de dados etc. Por falar em linguagem, o lead está desaparecendo dos textos das redes. O mecanismo criado nos anos 50, na imprensa estadunidense, também conhecido como "pirâmide invertida", com o mais importante da matéria entregue logo nas primeiras linhas, parece obsoleto na internet. Agora, para prender o leitor conectado por mais tempo - e isso vale engajamento e monetização - a "pirâmide" volta à posição tal qual os faraós criaram. Nos sites e portais a matéria só revela o mais importante da notícia no pé do texto.Se lead agoniza, o new jornalism que privilegiou textos mais literários a partir dos anos 1960, renasce na net como farsa. Há sites especializados em contar histórias romanceadas, mas em geral à base de enredos piegas, sensacionalistas e terrivelmente cafonas e bregas.

A influência das redes sociais chegou com força à cobertura jornalística da Copa do Mundo e passou a exigir dos repórteres criatividade humorística quase semelhante às performances dos recordistas de acessos nos canais digitais, daí  a frequência de pautas engraçadinhas. 

É justo lembrar que o repórter Márcio Canuto, da Globo, fazia esse estilo muito antes da informatização da mídia. Era único no ramo jornalismo/humor. Agora essa fusão é quase padrão. A diferença em relação ao Canuto é que os (as) repórteres vão além e até se fantasiam e pintam o rosto eventualmente para cumprir o toque de humor na notícia. Alguns levam jeito para a coisa, como o jornalista Alex Escobar, outros parecem deslocados no personagem. A dúvida é saber se as escolas de comunicação vão incluir a disciplina comédia no currículo ou se os futuros repórteres farão estágio no circo do Marcos Frota, com todo respeito.


sábado, 4 de abril de 2026

Nos anos 1980, Brasília já saboreava o cardápio da corrupção que Vorcaro "industrializou" décadas depois

A corte de Brasília já sonhou com os jantares
de Luiz 14. Imagem Pinterest Reprodução 

por José Esmeraldo Gonçalves 

Parece original, mas não é. No esquema de corrupção e do roubo de dinheiro público montado por Daniel Vorcaro há um padrão muito comum em Brasília: os jantares e festas que aproximam autoridades, políticos e corruptos que se preparam para dar algum golpe financeiro nos cofres públicos

Nos anos 1980, havia mais de um anfitrião bem frequentado. Seus rega-bofes saíam em colunas sociais. Políticos e empresários só faltavam implorar por um convite. Anos depois um conviva vazou que por trás do cardápio dos eventos brasilienses havia business. Coincidência ou não, os tais jantares aproximavam empresários com interesses em projetos na Câmara com o político certo que tinha poderes para fazer a coisa andar. Isso não quer dizer que os anfitriões levavam alguma vantagem, talvez ganhassem apenas prestígio e acesso a informações preciosas para a mídia. Não era convidado para frequentar resorts, nem viajava em jatinho amigo. OK, descolava um tráfico de influência light regado a uísque, acepipes e convidados certos. 

Décadas depois, Vorcaro apenas industrializou esse método de dar match entre pessoas com interesses mútuos. Funciona até hoje. 

 Isso em Brasília é mais velho do que a profecia de Anchieta sobre a lenda da cruz que marcava a futura capital do Brasil.

Já a realidade, todo mundo em Brasília conhece.  

P.S - Luiz 14 era um glutão que governava à mesa. É atribuída a ele a frase L'État c'est moi, pronunciada diante do parlamento. Pensando bem, durante um bom período Daniel Vorcaro incorporou essa sentença.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Sexo, verdades e prints no escurinho da Casa Branca.


por José Esmeraldo Gonçalves 

Figuras ligadas à Casa Branca historicamente surpreendem quando o assunto é sexo ou assemelhados. Dessa vez, segundo revela o Daily Mail, foram vazadas fotos de Bryan Noem, marido de ex-secretária para segurança interna dos Estados Unidos, Kristy Noem - uma das mais importantes assessoras de Donald Trump - em poses do tipo cross-dressing.

Kristy Noem não tá nem aí. Foto Instagram

O escândalo é duplo porque Kristy seria amante de Corey Lewandovski, outro importante assessor de Trump. 

Como a direita brasileira gosta de imitar a direita americana, é de se supor que a corrida eleitoral, aqui, pode trazer revelações do tipo. No mínimo, a esperada liberação sem censura dos vídeos da festas de arromba promovidas por Daniel Varcaro. Aguardemos.        

Por equanto, vale constatar que direta ou indiretamente corredores, porões e suítes da Casa Branca já testemunharam travessuras sexuais as mais variadas. Muitas talvez nem tenham vindo a público em antigas épocas sem mídias insaciáveis. Pelo menos dois escândalos chegaram a vazar durante o governo de Andrew Jackson (1829-31).  O secretário de guerra de Jackson, John Eaton, manteve um romance clandestino com Margaret Peggy, mulher de John Timberlake, comissário da marinha. O escândalo perdeu força porque Timberkale morreu e apenas nove meses depois Eaton e Peggy se casaram. A fofoca se espalhou na Casa Branca, mas Andrew Jackson apoiou seu secretário de guerra. O próprio presidente Jackson tinha um segredo: ele também viveu um caso com Rachel Jackson, com quem casou, após a esposa se divorciar do primeiro marido. 

Em assuntos de cama, ninguém bate John Kennedy. Casado desde 1953 com Jackie Kennedy, ele retratava o  típico chefe de família americana. JK encontrava tempo para uma extensa agenda sexual com atrizes, secretárias, estagiária, prostitutas e ex-esposas de mafiosos e até mulher de um agente da CIA. As amantes mais conhecidas foram Marilyn Monroe e Anitta Ekberg, mas Kennedy buscava parceiras e não exatamente celebridades. Em dez anos de casamento, ele contou com a discrição dos agentes do serviço secreto para receber na Casa Branca dezenas de visitas, outros encontros aconteciam em viagens regionais e internacionais. 

Bill Clinton, coitado, aparentemente teve apenas episódios de sexo oral com uma estagiária. Parece ter sido algo sempre às pressas, entre uma audiência e outra. As escapadas interrompidas acabaram em escândalo político e em um processo de impeachment no qual foi absolvido. O senado considerou, na prática, que as performances precárias de Clinton não afetaram a segurança da democracia americana. De geração muito posterior a Kennedy, faltou a Clinton aprender algumas lições com o mestre dos mestres. 

Os escandalosos sexuais, e atuais da Casa Branca já não se preocupam com discrição. Vivem a era dos vídeos e das fotos compartilhadas nas redes sociais. O caso Epstein talvez tenha gerado mais dados do que a guerra civil americanas. São milhares de prints, depoimentos, testemunhos de garotas de programa, arquivos de áudio e de imagem. O ponto de contato com a Casa Branca é um ativo participante das festas organizadas pelo empresário:ninguém menos do que Donald Trump. Atualmente ele aparenta não ter mais disposição para atender Melania, quanto mais viver experiências exóticas. De qualquer forma, além das surubas by Epstein, Trump se envolveu há alguns anos em um caso com uma modelo a quem tentou comprar o silêncio. Não deu certo, a modelo não ficou calada e até revelou detalhes anatômicos de Trump nada relevantes. O presidente é tido como alguém de autoestima e ego inflados. mas o mesmo não acontece com o desempenho presidencial na cama que, segundo a jovem, era inoperante na maioria das vezes. 

Está explicado porque Trump acha mais excitantes fazer guerras.                              

terça-feira, 24 de março de 2026

Mídia - A cartolina sem-vergonha

 

O powerpoint vergonhoso e...

...o pedido de desculpas que não corrige a grave
fake news de Andrea Sadi (Globo News).
Imagens Reprodução You Tube


por José Esmeraldo Gonçalves

O grupo Globo tem um histórico de manipulação dos fatos em interesse próprio e do seu espectro ideológico. Um padrão que se repete ao longo das tramas políticas do país. Apesar disso, há espaço para
 surpresas em nível ainda mais baixo. A desonestidade jornalística aparece nos momentos críticos e deixa marcos no caminho: participação em golpes, manipulação de debate presidencial, juiz de força-tarefa ilegal como pauteiro, abuso e uso dirigido de fontes anônimas...    

Nos últimos meses, a Globo News tem passado por aparentes reformulações e trocas de nomes orientadas por uma correção de rota ditada pelo horizonte eleitoral. A bússola corporativa aponta para clara trajetória à extrema direita. A Globo sinaliza proximidade com a direita bolsonarista radical. Com o avanço da campanha eleitoral a estratégia se tornará gradualmente mais evidente, assim como ficará provado que não existe a direita "moderada" que os comentaristas do canal evocam. Um deles já declarou que a "terceira via" não tem espaço.  

O tosco powerpoint apresentado pela âncora Andrea Sadi já se coloca como um dos mais baixos recursos da mídia hegemônica já levados a público e sem que ninguém ficasse ruborizado. A explicação: o jornalismo da Globo busca uma Lava Jato parte 2 para pontuar a campanha eleitoral. O escândalo do Banco Master é a oportunidade ideal. Mas há um problema, a direita está atolada até o pescoço no mega esquema de corrupção montado por Daniel Vorcaro. Perante a opinião pública, a Globo achou necessário lipoaspirar do escândalo os principais nomes do bolsonarismo e do Centrão. Todos os potenciais candidatos vistos com simpatia pelo canal surgem dessa mancha política. Daí o objetivo do grotesco powerpoint do programa Estúdio I. O troço é rudimentar, há trabalhos escolares de concepção bem mais elaborada, mas cumpriu a função de desenhar a mentira conveniente. 

Existe sala de "estado maior" na ABI para jornalistas que produzem fake news "investigativa" com objetivos eleitorais? Profissional que faz isso não deveria ser submetido a um controle de carga temporário para aprender a cumprir os princípios básicos do jornalismo? Deveria. Infelizmente, outras cartolinas surgirão no ano eleitoral atropelado por uma legislação fragilizada e lenta  
diante da voracidade dos canais e das redes sociais.

A decisão de expor o powerpoint não foi apenas da Sadi, ela não tem patente para tal, mas a Globo optou por retirar a escada e deixar a âncora pendurada na broxa do desmentido patético. Em todo caso, não demora muito alguém contribui com a memória jornalística e vaza as circunstâncias da construção eleitoreira da fake news da cartolina. 

quarta-feira, 18 de março de 2026

Três toques: Neymar não vai pra Copa; Neymar assombra a seleção; patrocinador vai levar Neymar pra Copa?

A marca da Jordan na camisa 2 da seleção: basquete no futebol. Foto Divulgação Jordan 


Neymar e Michael Jordan. Foto Instagram 


por José Esmeraldo Gonçalves 

A coletiva de Carlos Ancelotti recebeu uma plateia majoritária de jornalistas de veículos digitais. Pelo menos entre aqueles que se apresentaram para fazer perguntas. Como diria Glória Pires, não sou capaz de opinar sobre isso, mas sei que os ausentes experientes fizeram falta. Tanto que ao se manifestarem em vários veículos após a coletiva deram outra relevância ao debate. 

Sobre Neymar, por exemplo, PVC mostrou que a eventual convocação do jogador terá forte impacto na estrutura tática já elaborada por Ancelotti. Impacto pra pior. O comentarista Mauro Cezar avalia que Neymar não tem condição física para disputar a Copa e, consequentemente, não mostra preparo técnico adequado. Ele discorda de Ancelotti nesse ponto. Para Mauro, se está mal fisicamente não tem condições de render tecnicamente. São dois fatores que andam juntos. Diplomático, Ancelotti avalia que técnica Neymar sempre terá, falta perna. Outro risco é o comportamento de Neymar no grupo. A atitude dele no vestiário, como demostrou por onde passou, tem picos de egoísmo e prepotência.

Infelizmente, Neymar é o elemento  conflituoso que assombra a seleção antes, durante e depois da Copa do Mundo, seja convocado ou não.

Existe até um movimento de celebridades, todas certamente experts em futebol,  para forçar a convocação do jogador. Nos bastidores, a pressão é maior e tem com implicações comerciais. Contra a França, o Brasil jogará com a camisa 2, que estampa a marca da Jordan. A seleção de futebol vai exaltar no peito o basquetebol. O logotipo da Jordan em parceria com a Nike simboliza Michael Jordan lançando a bola para a cesta. Segundo  o ex-jogador e atual apresentador Neto,  Neymar pai, que ele chama de " o maior executivo do mundo", teria articulado a ação comercial na seleção. É de se esperar, claro, que a Jordan ficará feliz com a convocação de Neymar filho, patrocinado pela Nike/Jordan. Juntas as marcas criaram uma chuteira especial para o jogador usar em gramado nobre e torneio idem como a Copa. Nem seria o caso de calçá-la em um evento quinta série como a Kings League. 

Até maio haverá fogo no parquinho da seleção.  Tumultos políticos e comerciais nunca combinaram com preparação para a Copa. Ancelotti tem um exemplo a seguir. Antes do mundial de 2002, aconteceu uma campanha irritante para levar Romário à Coréia do Sul/Japão. O treinador Felipão resistiu e trouxe o Penta. Sem Romário. No ano passado, em entrevista à ESPN, Felipão revelou por que não levou Romário. "Eu teria de mudar radicalmente a forma do time jogar. E não sei se combinaria com os demais jogadores", disse ele. É basicamente o argumento que PVC aplica a Neymar. Se depender de Ancelotti, tudo indica que não haverá carteirada. Ou melhor, favoreggiamento.


terça-feira, 10 de março de 2026

Com a ajuda de "fontes anônimas", alguns repórteres e comentaristas da mídia corporativa fazem uma desastrada hamonização facial do jornalismo. Não fica bonito. E Fernando Gabeira? Ele quer fechar o STF e simbolicamente decepar a cabeça da Justiça


por José Esmeraldo Gonçalves

O modo Trump de fazer política é replicado pela extrema direita brasileira e mundial. Trata-se de um sistema que despreza regras, limites morais e formais. A Casa Branca promove uma espécie de golpe com hot dog. A forma pode enganar, o recheio são as instituições fritadas e subjugadas. Trump se coloca acima da Constituição, do  Congresso, da Suprema Corte, das administrações estaduais, organizações multilaterais, demais países e até faz ameaças a empresas privadas.

Tudo indica que a guerra eleitoral no Brasil em torno das urnas de 2026 fará a clonagem desse modelo.  As evidências já estão expostas na atuação da grande mídia controlada pela direita. 

Canais do You Tube, Instagram, contas no X e em demais redes sociais da extrema direita ultrapassam limites ao produzir livremente correntes de fake news. Os influenciadores bolsonaristas agora ganharam companhia. Nos casos que envolvem o STF e as investigações mais sensíveis da Polícia Federal, a mídia corporativa parece tão falsa quanto os canais das senhoras doidinhas que cantam o hino nacional para um pneu. 

No momento, os escândalos do Banco Master, das associações corruptas que meteram a mão no dinheiro dos aposentados e os desvios criminosos das emendas parlamentares são as principais pautas jornalístico-eletorais. A mídia hegemônica costuma se apresentar como reserva do jornalismo "profissional", mas na cobertura abjeta da Lava Jato dançou na chorus line de Sergio Moro e seus procuradores e não enxergou as ilegalidades daquela força tarefa burlesca. Pelo visto, gostou. Tanto que agora ensaia uma reencenação. O roteiro pouco mudou. A "noticia" é plantada na internet, vira manchete de jornal, capa de revistas, passa pelos canais de assinatura, culmina na TV aberta e se transforma em palanque eleitoral nas comissões parlamentares de inquérito. E, sim, com direito a suspeita de compra de vazamentos de material sob sigilo legal. 

Dizem que o papel aceita tudo. Hoje, os algorítmos fazem isso e ainda maquia os fatos. É um tal de repórter pendurada (o) em "fontes" anônimas", é a campanha aberta e indiscriminada contra o STF, é ministro acusado de trocar mensagens de celular com o dono do Master, sendo que a análise telemática constata que as tais mensagens não foram endereçadas ao celular do ministro mas de outro colaborador de Daniel Vorcaro, é apresentadora contando que entrevistou os "bastidores " do STF para garantir que os ministros estão incomodados com a autonomia da Polícia Federal. A PF, segundo dizem os "bastidores" ouvidos, precisa de uma reconfiguração, seja lá que diabo for isso, seria reinicializar, dar um boot? A propósito, existem projetos de emenda constitucional que vão na direção oposta: a de garantir a independência à PF.

Em geral, a feiura visível nem é de cobertura jornalística, mas de campanha política incorporada à apuração. O resultado é uma desastrada harrmonização facial do jornalismo, um lifting da honestidade.

O resumo disso tudo, a essência que cheira mal, é o comentarista Fernando Gabeira, da Globo News, afirmar no ar que o STF deveria ser fechado. Em um passado recente, a facção dos Bolsonaros dizia que bastava um jipe com um cabo e um soldado para lacrar de vez a Corte Suprema. Pelo jeito, agora basta a vontade do impetuoso Fernando Gabeira. Já o vejo montado no Rocinonte e decapitando com sua lança a estátua da Justiça. No fim, vai sobrar para a bela obra de Alfredo Ceschiatti. 

terça-feira, 3 de março de 2026

Quando a Inteligência Artificial não existia os fotógrafos usavam a Malandragem Natural





Sem a imagem do Khamenei, largada no chão, acima, à direita, a foto do Libération registraria apenas um monte de lixo. Simbolicamente, o que Khamenei virou. O fotógrafo francês apelou para a Malandragem Natural e "produziu" a imagem final.
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por José Esmeraldo Gonçalves 

O mundo nem sonhava com o uso da IA na fotografia e os fotógrafos já davam um jeito de manipular certas fotos e situações. Era o tempo da artesanal MN (Malandragem Natural). O retratista era escalado para fotografar um trágico desastre em estrada. Ao chegar na cena deparava-se apenas com um ônibus capotado. Banal. Rapidamente ele revirava a bagagem e encontrava um pé de sapato ou uma boneca. Era o toque de emoção que faltava. A boneca ou o calçado em primeiro plano, o ônibus ao fundo. Dava-se o drama aduzido. 

Se uma casa desabava e deixava vítimas sob a laje, o primeiro plano ia para uma xícara de café. O último café da pobre vítima. A Fatos $ Fotos guardava algumas memórias da MN. 

A foto reproduzida do livro "A outra face das fotos",  de Aguinaldo Ramos, Um exemplo da antiga "tecnologia" MN, antecessora da IA. 

Estou livre para recontar um desses "causos", que o próprio fotógrafo, Aguinaldo Ramos, revelou no livro "A outra face das fotos". Um dia, ele saiu às ruas com a missão de fotografar um "presunto". O que nem seria tão difícil no Rio de Janeiro. Para sua surpresa, rodou bairros mais visados e não encontrou nem um simples mortinho. O dia acabando, a luz se mandando,  Guina não poderia voltar para a redação sem a foto de abertura de uma matéria especial sobre violência urbana. A solução? Produzir a imagem para o fechamento.  Foi para a Quinta da Boa Vista, cenário garantido, e nao demorou a escalar os personagens. Foto na mente, chamou uns garotos que passavam de bicicleta e pediu ao motorista da equipe que se deitasse no chão. Posicionou os figurantes e a roda da bicicleta, os meninos ao fundo como "espectadores'. O "morto" aparecia entre os raios da bike. Perfeito. Boa composição, sem apelação grosseira, sem sangue, afinal a Fatos&Fotos não era "Notícias Populares". Missão cumprida. Só décadas depois, o fotógrafo revelou seu truque.

Lembrei disso ao ver a foto publicada hoje no Libération, o famoso Libé, de Paris, fundado por Jean Paul Sartre. Tenho certeza que no meio dos destroços não havia originalmente a imagem do aiatolá Khamenei. O fotógrafo (aposto que seja da geração pré-tecnologia digital) apelou para a infalível MN que ainda resiste e hoje atende pelo nome de IA.

domingo, 1 de março de 2026

Tio Trump pautou a mídia mundial- Guerra Estados Unidos-Israel-Irã: Fogo na teocracia

 











por José Esmeraldo Gonçalves 

Trump pautou a mídia. A nova guerra em curso está em todas as primeiras páginas dos grandes jornais. Não houve tempo para criatividade. O design é banal, na base do embrulha e manda. Curiosamente,  a Operação  Fúria Épica, como  a Casa Branca denomina a guerra Estados Unidos-Israel-Irã ainda não produziu uma foto... épica. Pelo menos por enquanto. O que vimos na manhã de ontem foi apenas o episódio 1 da primeira temporada. As redações  se viraram com o que tinham. A foto mais publicada foi a do complexo do Khamenei, sem muita definição, no chão, visto do satélite após massivo bombardeio. O que restou do governo iraniano confirmou a morte do "líder supremo". O aiatolá virou poeira. Será substituído?. Provavelmente setores do regime tentarão isso. O Irã tem aiatolás em estoque. A teocracia brutal cairá? Uma consequência ainda incerta. Mas as bombas continuarão caindo. Infelizmente atingindo alvos civis em ambos os lados. Os dispositivos sofisticados das armas não são programados para reconhecer apenas instalações militares.



sábado, 21 de fevereiro de 2026

A jornada 4x1 impossível na orgia do Vorcaro

A cena do filme "De olhos bem fechados" é meramente ilustrativa. Está no imaginário quando se fala de orgias.  A festança do Master para autoridades e garotas importadas da Europa não foi tão sofisticada. Ao contrário, um print vazado registra
que foi muito brega. 

por José Esmeraldo Gonçalves 

O que vazou até agora. Alguns prints que registram a bagunça dos convidados, reclamação dos vizinhos contra o som alto e poucos detalhes da festança em Trancoso, Bahia. Cabral descobriu o Brasil perto dali. Sob o comando do comandante Vorcaro autoridades e ricaços descobriam uma espécie de paraíso. O anfitrião teria importado garotas da Rússia e Ucrânia para animar os convivas. Ok, até aí, acredito. 

Entre as supostas revelações há, contudo, um número que acho impossível ser verdadeiro. Dizem que vieram da Europa garotas em número suficiente para a jornada 4x1. Quer dizer: quatro mulheres para cada convidado.

Duvido. 

A lista vip não pode ser revelada ainda. Mas a maioria, a julgar pelo excesso de quilogramas, mal daria conta da patroa no dia a dia e de uma acompanhante importada quanto mais quatro beldades da Europa Central, terra de mulheres muito bonitas.

 Claro que havia gente lá com algum preparo físico para jogar malas de dinheiro do décimo andar, mas morre aí a, digamos, chamada motivação. As autoridades suspeitas de envolvimento no departamento de entretenimento do Banco Master já estão, a maioria, em faixa etária rodada. Estão mais para estatuto do idoso do que para legionários que sobem montanha a pé.

Outra coisa quando se fala em orgia muitos devem recordar o filme "De olhos bem fechados" , de Stanley Kubrick com Nicole Kidman e Tom Cruise. Esqueça. A festa em Trancoso não tinha esse nível de sofisticação. Era mais para babação na gravata. Um dos prints vazados registra que nunca houve nada tão brega no sul da Bahia desde que Cabral e Pero Vaz de Caminha caminharam na praia com roupas da nobreza lusitana distribuindo  balangandãs para indígenas.


Vini Jr expõe o racismo estrutural no futebol

Vinícius Jr. A batalha incansável
contra o racismo. Foto reproduzida
  do Facebook do jogador




por José Esmeraldo Gonçalves 

O brasileiro Vini Jr luta há anos contra o racismo. Quase sozinho. Imaginem a resistência psicológica que ele precisa manter a cada vez que entra em campo e recebe todo tipo de ofensa. O jogador já revelou desânimo com o futebol, mas superou o momento difícil. Dizem os racistas que ele é provocador, mas Vini Jr reage com sua arma mais letal: a habilidade e o trato insuperável com a bola. Reparem que geralmente as agressões se radicalizam após o craque do Real Madrid subjugar defesas e fazer gols antológicos. No jogo mais recente, contra o Benfica, após desafiar a física com uma bola de curva que contornou o goleiro e entrou no ângulo esquerdo inalcançável para ele, Vini Jr fez dancinha junto à bandeira do corner. Foi uma comemoração e uma resposta compreensíveis e proporcionais. Ele já vinha sendo xingado antes disso. Querem moderação da vítima de ofensas? Então o futebol que puna seriamente os racistas, sejam torcedores ou jogadores.  

Sem poder responder com futebol o jogador argentino Gianluca Prestianni apelou para a ofensa racista. Que receba pelo menos uma suspensão prolongada. Nada de apenas multas que acabam pagas com facilidade. 

Decepcionante são as reações irresponsáveis de dois treinadores: o português Mourinho, do Benfica, a vítima ressentida do talento de Vini Jr.  e o brasileiro e catarinense Felipe Luís, do Flamengo. O primeiro, cínico, disse durante a coletiva que o argentino não deveria nem pedir perdão . O segundo, alheio, afirmou que a ocorrência de ofensas racistas são "casos isolados". Isoladas também não foram as ofensas racistas de torcedores portugueses e argentinos nas redes sociais. 

Vale ressaltar que muitos jogadores se manifestaram a favor de Vini. Durante o processo que, espera-se, seja aberto, o testemunho de M'bappe será importante. Ele é incisivo a relatar que ouviu a grave ofensa do argentino.


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O que Calígula, o Epstein do império romano, tem a ver com os canais de streaming e o modo de ver filmes?




por José Esmeraldo Gonçalves

Kristen Stewart comprou a Highland Theatre. A sala centenária, de 1925, em Los Angeles, corria o risco de ser demolida. A atriz pretende restaurar o local e torná-lo um símbolo de resistência cultural, privilegiando a experiência de exibição de filmes em telas grandes. Não se trata apenas de conservar um prédio. Esse tipo de iniciativa preserva o modo de ver filmes. 

É inevitável o avanço do streaming, não dá para pausar a história, mas é possível respeitá-la. No Brasil há esforços para preservar cinemas de rua, especialmente no Rio, São Paulo, Recife e outras grandes cidades. Apesar disso, muitas salas tradicionais viraram igrejas, supermercados e mega lojas. Nas pequenas localidades, foram praticamente extintas. Salvam-se aquelas instaladas em shopping centers. 

As plataformas de streaming censuram filmes ?

O modo streaming impõe uma grave característica. A censura privada a determinadas cenas de violência, sexo, ideologia etc que as empresas do ramo considerem "impróprias". É aí apelam para as tais tarjas irritantes e cenas desfocadas a interferirem nos filmes, sem falar no chatíssimo "pii, pii, pii" sonoro para encobrir palavrões. 

Os canais de streaming são donos do acervo de grandes produtoras de Hollywood, o que não quer dizer que disponibilizem todos os clássicos de várias épocas ou filmes que foram polêmicos em certos momentos e que representam marcos na história do cinema. Deveriam ser, como nome diz, plataformas de transmissão, mas sem manipular conteúdos por implicações morais ou vá lá o que seja. 

Claro que há canais independentes que dão acesso a cópias piratas muitas vezes sem a íntegra dos filmes ou a qualidade técnica da reprodução.

Em 1976, há 50 anos, o produtor Bob Guccione, criador da revista Penthouse, começou a filmar a história de Caio Augusto César Germânico, mais conhecido como Calígula. O sujeito foi um imperador romano pansexual. Para a geração Z entender: ele era o Jeffrey Epstein de Roma. 

As filmagens foram tumultuadas e interrompidas várias vezes e "Calígula" só chegou aos cinemas em 1980. A vida real de Calígula era uma tarja só. Claro que o filme provocou uma polêmica mundial. Provavelmente sob o pretexto de escrever critícas para L'Osservatore Romano um cardeal teria sido visto no escurinho do Dei Piccoli, da Villa Borghese, um cinema pequeno e discreto que exibiu o filme em sessão especial para autoridades, longe da curiosidade dos paparazzi. 

Lembrando que em 2013,  o Festival de Cannes exibiu a versão restaurada "Calígula: o corte final" , incluindo parte de 96 horas de cenas não aproveitadas no original e encontradas anos depois, mas com cortes de cenas "excessivamente explícitas". A nova versão não causou muita repercussão ao chegar ao circuito brasileiro. Para as novas gerações, o sexo grupal da vida real tripulado por Jeffrey Epstein com participação de Donald Trump, o ex-príncipe Andrew, Bill Clinton e outros poderosos deve fazer Calígula parecer tímido. E olha que as fotos e vídeos do Caso Epstein ainda nem vieram inteiramente a público. 

A propósito, em 1980, "Calígula" mereceu da antiga revista Manchete uma reportagem de cinco páginas assinada pelo jornalista e crítico conceituado Wilson Cunha. Aqui, o filme teve cenas cortadas e enfrentou resistências nas distribuidoras. Nos anos 1990, foi vetado para exibição na TV. Atualmente, "Calígula: o corte final"   pode ser visto na plataforma de streaming Prime. Para saber mais sobre o filme do "Epstein" romano leia abaixo a reportagem de Wilson Cunha. 










1980- Páginas reproduzidas da antiga revista Manchete.

                                                    Clique nas imagens para ampliá-las.

Ou, para melhor leitura você pode acessar a seção de periódicos digitalizados da Biblioteca Nacional (Edição 1446 da antiga Revista Manchete)  




terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

A foto que faz pensar

Reprodução/The New York Times (10/2/2026)


por José Esmeraldo Gonçalves 

Veja essa primeira página do New York Times de hoje. 

A leitura da imagem remete a sentimentos. 

A destruição provocada por dois anos de bombardeios israelenses. O gramado recuperado após a guerra. Os torcedores à margem do campo. O espectador solitário vê o jogo na sala do que foi, talvez, sua residência. Teria sido sua própria casa agora sem outros moradores? Quase se ouve o testemunho presente das vítimas que um dia viveram no entorno do estádio.  A foto é do fotógrafo palestino Mahmoud Isso para a Reuters. O New York Times deu à legenda o título "O jogo continua". Não apenas o do futebol. Principalmente o das vidas e da vida em Gaza após milhares de mortes".

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Vai começar a Olimpíada de Inverno na Itália. Brasil participa. Só tem um problema: os uniformes da nossa delegação exibem a marca ICE Brasil. Vamos esperar que a torcida local não confunda os atletas com a Gestapo de Donald Trump. Entenda o risco

 


por José Esmeraldo Gonçalves

Os Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina D'Ampezzo 2026 começam amanhã com a modalidade curling. A cerimônia de abertura oficial acontecerá na sexta-feira, dia 6 de fevereiro.

A intensidade do inverno europeu afastou qualquer risco de insuficiência de neve. Duas polêmicas ainda ocupam espaço na mídia: a revolta dos moradores locais contra a derrubada de árvores para ampliação de pistas e a inclusão na delegação estadunidense de elementos da Gestapo de Trump, a famigerada ICE, a pretexto de reforço na segurança dos atletas. Parece provocação do lunático Trump. Se a medida inoportuna se confirmar são esperadas manifestações contra os gringos meganhas da direita trumpista. 

O Brasil vai participar das competições com o maior número de atletas já enviados ao gelo.Eles disputarão 

as modalidades bobsled, esqui alpino, esqui cross country, skeleton e snowboard.






Por falar em gelo, uma curiosidade: os uniformes da delegação brasileira exibem em destaque o logotipo ICE BRASIL. É uma coincidência, claro, mas espero que a torcida não confunda de alguma forma os brasileiros com a brutal polícia política de Donald Trump. Se policiais estadunidenses de imigração desembarcarem na Itália pode haver protestos. Em todo caso, para os brasileiros, é bom ter sempre à mão uma bandeira do Brasil.

Atualização - Apesar do otimismo dos organizadores, há locais de competição que receberam reforço de neve artificial. Um sinal preocupante para o esporte olímpico de inverno.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Alô democratas! As belas e as feras da extrema direita - Lamento dizer que Karoline Leavitt, a tchutchuca de Donald Trump, é competente, bonita, tem seguidores e vai ser influente na campanha para renovação do Congresso em novembro. Kristi Noem também.Quem entre as democratas vai encarar as poderosas da Casa Branca?

 

Fora da bancada da Secretaria de Imprensa da Casa Branca, onde é pitbull, Karoline Leavitt atrai seguidores da extrema direita.
Foto Instagram 

por José Esmeraldo Gonçalves 

Secretária de imprensa da Casa Branca, a loura Karoline Leavitt é a figura que mais se destaca no governo de Donald Trump, depois do próprio. É autoritária, mal-educada, agride jornalistas, mente com espantosa frequência, tanto compartilha fake news criadas pelo oligarca-chefe quanto espalha suas próprias fantasias. É bonita, articulada, é a musa do regime. Ela sabe disso, atua bem nas redes sociais e não faz restrições a fotos que mostram sua boa forma. É uma jovem empoderada desde quanto foi atleta de softball na universidade.

No boné: "republicanos são mais quentes" . Foto Instagram.

Trump se encantou com Karoline por motivos estéticos, o visual étnico, a postura agressiva e o comprometimento com a extrema direita. Nos seus aposentos da Casa Branca, o presidente deve se deliciar ao ver a secretária humilhar jornalistas durante o briefing sobre as atividades governamentais. Adora vê-la desclassificar perguntas incômodas - geralmente as classifica como "estúpidas". Trump odeia jornalistas que não se submetem ao seu discurso, não riem das suas piadas e ironias e, principalmente, detesta aqueles que insistem em perguntas sobre sua participação em festinhas com adolescentes promovidas pelo seu amigo íntimo e pedófilo Jeffrey Epstein.

Karoline tem 29 anos, é formada em comunicação, foi estagiária na rede de extrema direita Fox News. 

Em 2021 tentou se eleger deputada pelo distrito de New Hampshire, mas perdeu para um democrata. Ela ainda não disse se voltará tentar o cargo nas eleições de novembro agora que multiplicou por muitas vezes sua visibilidade política. 

No primeiro mandato de Trump Karoline recebeu de uma amiga um convite para trabalhar no setor de correspondência presidencial da Casa Branca. Pouco dias antes do fim do primeiro mandato de Trump, ela foi promovida a diretora do setor. Após a posse, o sucessor Joe Biden começou a anular políticas aprovadas por Trump. Karoline decidiu se candidatar em resposta à atitude do democrata e se identificou na campanha como radicalmente pró-Trump. 

Em 2023, engajou-se na campanha do segundo mandado do magnata republicano. É católica e ultra conservadora. Basta dizer que comemorou o fim da sua campanha à Câmara dos Representantes com um intenso tiroteio em um clube de caça. 

Ainda durante a campanha conheceu o incorporador imobiliário Nicola Riccio, 32 anos mais velho. de quem ficou noiva em 2023. Em julho de 2024 teve o primeiro filho. Rápida e objetiva.

Comentário de Trump sobre a Leavitt segundo o site Mediate: "Aqueles lábios, como eles se movem", suspira a magnata.

Aviso: o texto não é machista. As circunstâncias são. Queixas devem ser enviadas ao Trump.

Atualização cem 29/1/2026 - A outra tchutchuca de Donald Trump. Kristi Noem, 54 anos, é Secretária de Segurança Interna. Ela que espalhou a fake news homem assassinado pelo ICI apontou uma pistola para o ICI.

Foto Reprodução Instagram
A mentira foi desmascarada por vídeos. Kristi foi alvo de uma polêmica de bastidores: teria um caso com um assessor. Ela negou. Por motivos óbvios, Karoline e Kristy têm o mesmo apelido nos corredores da Casa Branca. São as Barbies do tio Trump 

Agente Secreto: a força criativa que vem do Recife leva o mundo a conhecer uma história que não pode ser esquecida



O filme "Agente Secreto" já alcançou mais de 1 milhão de espectadores no Brasil. "Ainda Estou Aqui" foi visto por mais de 5 milhões. As indicações ao Oscar devem atrair ainda mais público 

Os números medem um efeito histórico que ocorre junto com as premiações internacionais. Os dois filmes têm o mérito de levar às novas gerações um período trágico em que opositores da ditadura foram sequestrados, presos, torturados, assassinados e desaparecidos. Além dos crimes bárbaros, a democracia interrompida e o  autoritarismo desvairado impactavam a vida das famílias, sepultavam a liberdade e a esperança

. Mais do que nunca, quando voltamos a viver ameaças à liberdade, o cinema brasileiro conversa sobre isso. Em "Ainda Estou Aqui", o terror vigente é explícito. Em "Agente Secreto" é o telão ao fundo da trama. Ambos cumprem a função de mandar um recado às novas gerações.  Salve  a força criativa que vem de Recife e leva o mundo a conhecer uma história que não pode ser esquecida (José Esmeraldo Gonçalves)

domingo, 18 de janeiro de 2026

Vai votar ou ser votado nas próximas eleições? Domine o Roblox antes que ele domine você






por José Esmeraldo Gonçalves

Você já ouviu falar na polêmica do Roblox. Trata-se de uma plataforma de jogos que entrou no noticiário em todo o mundo por possibilitar graves crimes cibernéticos contra crianças e adolescentes. 

Vários países estão banindo o programa. A própria plataforma desenvolve recursos e bloqueios para impedir ações criminosas. É recomendável que pais e mães procurem se informar ou até conversar com especialistas para entender como agir. Existem regras na chamada Comunidade Roblox, mas existem criminosos capazes de quebrar essa ética. Neste link ( https://en.help.roblox.com/hc/pt-br/articles/203313410-Regras-da-Comunidade-Roblox ) você poderá conhecer as diretrizes da plataforma. Os pais também podem ativar Roblox Parental Controls que oferece uma margem de segurança aos filhos durante a participação em jogos.

O que pretendo introduzir aqui é um breve alerta sobre o braço político do Roblox. Esta função da plataforma não tem sido muito comentada, mas daqui a alguns meses, quando a campanha eleitoral for aberta, você vai ver o longo alcance da ferramenta

As eleições deste ano no Brasil e nos Estados Unidos (que produzirão consequências aqui) serão fortemente impactadas pela IA, para o bem e principalmente para o mal. Fake news, criação de imagens e falas falsas, manipulação de fotos, vídeos mentirosos, entrevistas idem, geolocalização inventada, tudo o mais que você imaginar a IA tem. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) vai enfrentar um enorme desafio. Às quase simplórias tentativas de compra de votos, do oferecimento de favores em troca de votos, da militância ilegal de pastores e patrões chantageando fiéis e empregados, dos obstáculos colocados no caminho dos eleitores rumo às urnas (não esqueçamos o uso pelos golpistas do bloqueio de estradas no nordeste para impedir que eleitores de Lula chegassem às seções eleitorais) vão se somar os poderes da tecnologia. 

O Roblox será explorado nas campanhas e na busca de engajamento político, sem dúvida. Algumas possibilidades? Desenvolvedores em ação no coletivo da plataforma criarão games didáticos sobre o político em questão, poderão criar protestos virtuais com faixas e slogans de campanha; organização de votações simuladas. Aliás, o Roblox tem um game chamado "Jogo do Presidente. Assuma o poder no Brasil". Além da polêmica plataforma, é esperado o uso de drones com alto-falante mandando recado aos eleitores. Perguntinha para o TSE: drone pode fazer boca de urna que é proibida aos seres humanos?  

Lembrando Glória Pires na célebre e folclórica transmissão do Oscar, eu diria que não sou capaz de opinar profundamente sobre o Roblox, mas há maneiras de corrigir  essa falha. O catálogo da Amazon  oferece vários livros que desvendam o Roblox. Vá por mim. É melhor conhecer o "inimigo" antes que ele conheça você.

       

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Irã, a teocracia assassina


Essa foto foi enviada pela agência Sygma, para a Manchete, no dia 1º de fevereiro de 1979. O aiatolá Khomeini desembarcava de um helicóptero para visitar o cemitério dos mortos da "Revolução Islâmica". A multidão de 500 mil pessoas tentava se aproximar para ver o novo líder recém-chegado do exílio. O povo era afastado a chicotadas. A brutalidade de Khomeini dava seus primeiros sinais. A imagem é plástica e dramática. Não é possível identificar o autor já que a Agência Sygma enviou dois fotógrafos a Teerã: Patrick Chauvel e Alain Keler.

por José Esmeraldo Gonçalves

Ao longo da história, a mistura entre Estado e religião causou mais mortes e sofrimentos (tortura, estupros, sacrifícios humanos, castração, mutilação genital feminina etc) do que os maiores genocidas seculares que a humanidade já viu. A Europa, especialmente a Espanha, onde a Inquisição foi lei, tem dezenas de museus dedicados a exibir os mais inacreditáveis instrumentos de tortura certamente criados por sádicos em nome de algum deus ou divindade. O Racionalismo e, depois, o lluminismo plantaram as bases do Estado laico. Quatro séculos depois parece que essa sustentação começa a se desmantelar. Até o Brasil, através de bancadas religiosas, escreve um rascunho da tragédia do fanatismo anunciado. 

Neste momento, a teocracia iraniana está matando a população nas ruas. Já são mais de duas mil vítimas fatais em pouco mais de uma semana de manifestações contra o regime dos aiatolás.Os protestos atuais acirram a resposta mortal do governo, mas matar pessoas por posição política, por gênero, por adultério, por homossexualidade, blasfêmia, prostituição e por não usar vestimenta compatível com a regra "religiosa", enfim, por uma infinidade de normas, é a terrível rotina institucional do Irã. Qualquer pessoa que desafiar a sharia, o conjunto de leis islâmicas, pode ser condenada à prisão e muito frequentemente à morte. É inaceitável que por circunstância geopolítica parte da esquerda brasileira demonstre imensa dificuldade em reconhecer a brutalidade da ditadura iraniana.    

Neste começo de 2026, os iranianos estão nas ruas. De novo, morrendo nas ruas. A título de memória, a foto acima foi enviada pela agência Sygma à Manchete em 1979. Naquela ocasião a população celebrava a "Revolução Islâmica" que derrubou Reza Pahlavi. Em 1979, o Aiatolá Khomeini voltava do exílio em Paris para comandar um Irã republicano. Dias antes, após uma sequência de manifestações e conflitos, o Xá (rei) fugiu do país. Rodou por várias capitais, tentou sem êxito formar um governo no exílio até desistir, vestir o pijama e se fixar no Cairo. 

Desde  o fim da Segunda Guerra o Irã passou a viver sob a ditadura cruel de Pahlavi apoiada pelos Estados Unidos. O Departamento de Estado via o Irã como estratégico frente à então União Soviética. A Guerra Fria era o pretexto para a opressão globalizada.  A Savak (Organização de Segurança e Inteligência Nacional) era o braço armado do Xá, na prática um "ministério" da vigilância, tortura e execução de opositores. Sem qualquer coincidência, a Savak serviu de modelo a várias ditaduras, como da Grécia, Turquia e, por último mas não menos importante, Argentina, Chile e Brasil, cuja implantação também teve as digitais de Washington.         

Khomeini logo rompeu com os Estados Unidos e transformou o Irã em República Islâmica. A ditadura apenas trocou de mãos. 

Curiosamente os protagonistas originais do drama iraniano, o Xá, os Estados Unidos e o aiatolá, voltaram ao palco na última semana. Mudaram os atores, não os personagens. A Savak passou a atender pelo apelido de Polícia Moral. O Aiatolá de plantão é atualmente Khamenei; Trump, inquilino da Casa Branca, manobra nos bastidores, enquanto o falecido Xá é agora figurado pelo príncipe herdeiro Reza Pahlavi. Em algumas cenas dos protestos são vistas faixas pedindo a sua volta. Na verdade, o tempo passa mas quem dá voltas é o Irã, a velha e sofrida  Pérsia de tantas glórias, terra do Ciro, não o cearense...