sábado, 12 de janeiro de 2019

Memórias da redação: há 50 anos, em janeiro de 1969, Chico Buarque e Marieta Severo partiram para o exílio. Três meses depois, Fatos & Fotos documentou com exclusividade a rotina em Roma e o nascimento da primeira filha do casal. Os autores da matéria? O próprio Chico e o fotógrafo Alécio de Andrade





O Brasil estava sob o impacto do AI-5 decretado em dezembro de 1968. Para muitos brasileiros oficialmente considerados "inimigos", a barra pesou.

Em janeiro de 1969, Gilberto Gil e Caetano Veloso estavam presos na Bahia. Chico Buarque participava de uma feira musical em Cannes, iria para Roma e voltaria para o Brasil.

Voltaria.

O compositor - que viajava com Marieta Severo, grávida - recebeu um alerta para não retornar ao Rio de Janeiro, onde os órgãos de segurança da ditadura o esperavam para levá-lo direto para a prisão.

Chico e Marieta optaram pelo exílio na Itália.

Os arquivos da Fatos & Fotos guardam inúmeras reportagens exclusivas sobre a temporada forçada de Gil e Caetano em Londres e de Chico na Itália. Essa matéria que mostramos aqui é especial: o autor do texto é ninguém menos do que o próprio Chico; as fotos são de Alécio de Andrade, um dos fotógrafos brasileiros mais celebrados internacionalmente. Alécio, que trabalhava na sucursal da Bloch Editores, em Paris, viajou para  Roma em abril daquele ano e formou com Chico uma dupla de luxo para fazer a matéria de capa da Fatos & Fotos que registrava a rotina do compositor na cidade e o nascimento da sua filha Sílvia.


Capa da Veja - a foto faz a história ou a história faz a foto?


A capa da Veja  faz a clonagem de Jair Bolsonaro com a confusa expressão corporal de Jânio Quadros gravada para a história pelo fotógrafo Erno Schneider.
Foto reproduzida do
site senado.leg.br

Com a famosa foto, o fotógrafo do Jornal do Brasil ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo de 1962.

Schneider revelou ao Fantástico, em 2002, as circunstâncias do curioso flagrante na Ponte Internacional Uruguaiana-Paso de Los Libres, durante encontro de Jânio com o presidente da Argentina Arturo Frondizi.

- "Eu tava andando, acompanhando ele do lado. De repente, deu um tumulto. Um tumulto muito grande. O Jânio levou um susto e se virou. Na hora eu vi que ele tava todo estranho, todo torto. Eu senti que tinha uma foto diferente. Aí eu fiz o click. Foi um só também”.

Aquela imagem simbólica prenunciou o desgoverno. Meses depois, Jânio renunciou. Mas a renúncia, como o próprio ex-presidente revelou no livro ’Jânio Quadros: Memorial à Historia do Brasil’’, escrito por Jânio Quadros Neto e Eduardo Lobo Botelho Gualazzi, foi uma jogada política que não deu certo. Com o gesto Jânio achou que conquistaria a governabilidade apoiada pelo povo, governadores e militares que, na visão dele, não dariam posse ao vice João Goulart. Planejou que a renúncia seria vista como um pedido de "voto de confiança" e, como parte da estratégia, mandou Goulart pra bem longe, mais precisamente para a China.

Não deu certo.

A Veja usa a cena para ilustrar as confusões do governo estreante, para quem a governabilidade é igualmente importante. Não fica claro se faz jornalismo astrológico com o que pode vir a acontecer na órbita do planeta "Nova Era". 

Na capa da New Yorker: arte em movimento...


Pensando bem, faz muito sentido reproduzir capas de revistas impressas em gif. É o que fez The New York nesse semana. O recurso que valoriza capas gráficas na internet é pouco utilizado.

A ilustração "A New Leaf" é de Anna Parini que cria capas para a revista desde 2005.

O gif foi animado por Jose Lorenzo. "Eu frequentemente colaboro com ele - eu amo o jeito que ele traz minhas imagens para a vida. Nós não queremos que a imagem seja muito frenética. Para mim, era importante manter esse sentimento de paz e intemporalidade que acontece quando você está lendo. Eu também queria mostrar como é fácil encontrar seu lugar tranquilo na cidade sem ter que sair do seu caminho", diz a ilustradora.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Na capa da Time, o duelo de Trump contra Nancy Pelosi, a democrata que é presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos

Na capa da Carta Capital: o sharknado no Planalto Central

Editora Europa lança o livro O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro. Uma das fotos, de Danilo Ferreira, mostra que a Justiça é esvoaçante



Uma das fotos do livro O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro mostra Alexandre de Moraes no dia da sua posse. Ao flutuar sobre a toga, a figura do ministro do STF remete a um contorno comum às vestes exuberantes das imagens sacras em estilo barroco, geralmente teatral, dramático, esvoçante
Foto de Danilo Ferreira/ Metropoles . 

A Editora Europa e a revista fotografe Melhor acabam de lançar o O Melhor do Fotojornalismo Brasileiro, em sua décima edição.

Foram selecionadas 185 imagens feitas por fotógrafos dos principais veículos brasileiros. O livro tem 193 páginas.

Deu na Folha de São Paulo: Globo Livros compra direitos de obra sobre escândalo no futebol, mas 'esquece' de lançar o livro





Reprodução
Folha de São Paulo
A Folha de São Paulo publica hoje uma matéria sobre o livro “Red Card: How the U.S. Blew the Whistle on the World’s Biggest Sports Scandal” – “Cartão Vermelho: Como os EUA revelaram o maior escândalo esportivo mundial”).

Segundo o autor, o jornalista Kim Bensinger, a Globo Livros adquiriu, os direitos para publicação no Brasil mas não lançou o livro. A reportagem da Folha informa que a Rede Globo, que há décadas é dona dos direitos de TV nos torneios da Fifa, é citada quatro vezes. A Folha registra que procurou a Globo Livros para comentar a matéria, mas a editora não se manifestou.

Livros sobre grandes escândalos do futebol não parecem dar muita sorte no Brasil. Em 1998, a Editora Record lançou "Como Eles Roubaram o Jogo", de David Yallop. Boa parte do que foi objeto da investigação aberta nos Estados Unidos já estava em campo. O brasileiro João Havelange, ex- presidente da Fifa, era apontado como um centro-avante responsável por polêmicas jogadas, bem antes das recentes investigações das autoridades suíças e do FBI.

Yallop mostrou como os interesses financeiros da Fifa se confundiram, várias vezes, com placares suspeitos ou, no mínimo, duvidosos em campo.

Coincidência ou não, com Havelange e outros citados ainda poderosos na época, o livro de David Yallop passou quase despercebido na mídia brasileira e não sensibilizou debates nas mesas-redondas esportivas. Mas estava quase tudo lá: ISL, Traffic, contratos suspeitos com patrocinadores, como pressões políticas e corporativas contaminaram torneios e um forte relato das circunstâncias da inacreditável escalação de Ronaldo Fenômeno para o jogo contra a França na final da Copa de 1998, com o jogador brasileiro tendo saído do hospital apenas 75 minutos antes de jogo.

São discutíveis algumas opiniões de Yallop, mas não há qualquer dúvida que ele foi o primeiro a abrir os subterrâneos de Fifa e suas ramificações no futebol brasileiro e mundial.

A quem interessar:

* "Red Card: How the U.S Blew the World's Biggest Sports Scandal" está à venda na Amazon, edição em inglês. Segundo a Folha, circula em Portugal uma versão em português..

* "Como Eles Roubaram o Jogo", edição em português, pode ser encontrado na internet em sites especializados como o Estante Virtual.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Fotomemória da redação: quando uma equipe de fotógrafos da Manchete teve seu dia de modelo...




Clique nas imagens para ampliar


A matéria acima, de Marilena Costa com fotos de Hélio Santos, foi publicada na Manchete em 1966 e focalizava a moda do figurinista Gérson.

A curiosidade fica por conta dos modelos utilizados por Hélio Santos.

Devidamente produzidos em smokings, câmeras e flashes a postos, os fotógrafos da equipe Manchete, Thomas Scheler, Sebastião Barbosa, Antônio Rudge, Juvenil de Souza, Antonio Trindade, Orlando Abrunhosa, Nicolau Drei, Domingos Cavalcanti e Pedro Braga, na foto do alto, e Orlando Abrunhosa, o figurinista Gérson e Juvenil de Souza, na foto acima, contracenam com a modelo identificada apenas como Paola.

A reprodução é da Hemeroteca Digital Brasileira, da Biblioteca Nacional, que agora disponibiliza para consulta on line a coleção da Revista Manchete

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

A coadjuvante que virou estrela do Globo de Ouro 2019 - Vai água aí? E a moça da Fiji dominou a premiação...

Reprodução Twitter

Reprodução Instagram

por Ed Sá 

Mais do que as celebridades de Hollywood, quem brilhou no Globo de Ouro 2019 foi a "moça da água", como as redes sociais logo curtiram.

Contratada pela Fiji, que engarrafa a água colhida em poços artesianos na ilha homônima e que promete melhorar o tônus muscular, a modelo canadense Kelleth Cuthbert deu conta do seu papel e se infiltrou na maioria das fotos.

Ao posar no backdrop, atores e atrizes faziam caras de paisagem sem saber que participavam de um merchan de oportunidade. O Oscar vem aí, certamente muitos deles vão olhar para trás para conferir se estão embarcando no meio de uma ação de marketing involuntária.

A água Fiji é artigo de luxo e, no Brasil, custa quase 20 reais a garrafinha. A caixa com seis está em torno de 100 reais.

A moça obviamente não tem preço.

Quem são as pessoas mais influentes no Twitter mundial em 2018? Muita gente, menos figurinhas manjadas da "pátria amada Brasil"...

por Ed Sá 

O Brandwatch, instituto que analisa a movimentação global do Twitter acaba de liberar a relação dos Homens e Mulheres Mais Influentes no Twitter em 2018.

Embora o Brasil tem grande parcela no total do índice mundial de acessos em redes sociais e até emplaca com alguma frequência certas bizarrices em trending topics mundiais. Mas o mundo parece não dar muito bola para o que pensam os brasileiros que se destacam no Twitter caboclo como Neymar, Bruna Marquezine, Ivete Sangalo, Tatá Werneck, Daniel Alves, Whindersson Nunes etc.

Essa turminha não figura na relação das personalidades que influenciam pessoas no mundo. Seus alcances são, digamos, paroquiais e se limitam a repercutir apenas nesse pobre país que acelera para o subdesenvolvimento, já voltou aos índices de 2016, tem um abismo financeiro crescente entre ricos e pobres, e onde 60% da população sobrevive com menos de um salário mínimo por mês. Ou seja, a audiência verde-amarela está mais influenciada mesmo é pela pobreza e pelo sufoco, nessa triste ordem.

Dito isso, veja os quadros que mostram as pessoas realmente influentes no mundo em 2018. Entre os homens, o líder é Lyam Payne, cantor e compositor inglês. Entre as mulheres, a cantora Taylor Swift.




segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Memória da redação: as eternas assombrações do Verão

por José Esmeraldo Gonçalves

Em dezembro de 1989, a revista AZ me pediu que escrevesse sobre o último Verão (89/90) de José Sarney, que entregou o cargo em 15 de março de 1990 ao recém-eleito Fernando Collor.

Aquele Verão foi praticamente todo do Sarney. Michel Temer, personagem da recente saideira, ao contrário, não curtiu a última estação integralmente - a data oficial da posse foi antecipada para 1° de janeiro - mas as entressafras presidenciais, datas à parte, mostram mais semelhanças do que diferenças na temporada mais quente do ano.

Uma dessas diferenças: Sarney mandou no país durante inacreditáveis cinco anos, que era o tempo do mandato hoje fixado em quatro. Com toda razão, o Brasil estava de saco cheio do bigodudo. Uma semelhança em relação à atual transição: Collor havia sido eleito por um partido pequeno, o que a realidade política mostra que não é problema, tanto que os jornais publicavam a cada dia a relação crescente de deputados que acabavam de aderir ao novo presidente.

Abaixo do Planalto, o país queria saber "quem matou Odete Lara", Marisa Monte pregava a ejaculação precoce ("vem depressa, dentro de mim, me beija, me faz esquecer, bem que se quis), Senna, Xuxa eram notícia. O fetiche nacional era um colarinho branco. O novo presidente anunciava o fim das barreiras à importação, a desestatização, redução da máquina administrativa e a demissão de funcionários públicos. O que não anunciou antes, mas logo chegou após e posse, foi o confisco da poupança e dos depósitos bancários superiores a Cr$ 50.000,00 (cinquenta mil cruzeiros).

Na Nova República de Sarney o figurino que se despedia era o jaquetão de seis botões. Não foram poucos os empresários pedintes que o vestiram antes de audiências no Planalto. O governo Collor ainda não tinha um nome, alguns jornais diziam que a Era Collor ia começar, outros já anteviam a República das Alagoas. Sem jaquetõesCollor iria popularizar as camisetas com frases.

Dizem que presidente que deixa o cargo sai com a sensação de que não passou de ano, que os amigos somem, que ninguém telefona, que o cafezinho vem frio, têm saudade da roupa lavada e da comida boa, das viagens pagas e dos presentes. Para fechar a matéria, recorri a uma "fake news", o "diário" em que Sarney relatava seu "drama" e se queixava dos últimos dias. O homem estava triste. Mas a política não o abandonaria nem vice-versa.

Uma cena recente deu até a impressão de que aquele Verão 1989/1990 não passou: Sarney e Collor estavam no Congresso, neste 1° de janeiro de 2019, como convidados da posse de Jair Bolsonaro.

Resistentes, eles permanecem, de um jeito ou de outro, assombrando a vida pública quase trinta anos depois. O que mostra que Verão o Brasil tem de sobra. O que nos falta é Primavera.




Reproduções Revista AZ. Clique nas imagens para ampliar. 

Leitura Dinâmica: base americana, mordaça presidencial, Gabeira, Tite, a nova Cruzada à Terra Santa, grilo comunista...

por Ed Sá  

* Boca de urna - Ano que vem tem eleições presidenciais no Brasil oficial: Donald Trump é candidato à reeleição.

* Ocupação - O Brasil já teve uma base americana, em Natal, nos anos 1940. Na época, a 'possessão' deixou de legado a Coca-Cola e a calça jeans. Mas não é verdade que o governo brasileiro vai oferecer o Brasil para ser o 51° estado americano ou uma país "associado" como Porto Rico.

* Nova era - Embaixadas do Brasil na Alemanha e na Austrália são alvos de protestos contra o fascismo.

* Não são de confiança - Ministros são obrigados a deixar celulares fora da sala ao se reunir com presidente. Caso lembra a humilhação sofrida pelo ministro das Relações Exteriores do governo FHC, Celso Lafer, que em 2002 foi obrigado a tirar os sapatos em aeroporto americano e foi criticado por se submeter e não voltar ao Brasil no mesmo avião.

* Correndo no shopping - Flamengo vai para a Flórida participar de um torneio internacional. É a sonhada chance de ganhar um título qualquer, coisa que persegue há muitos anos. Na pior das hipóteses jogadores e cartolas trarão como troféu sacolas de aparelhos celulares, eletrônicos em geral, enxoval de bebê para a cunhada, tênis, perfumes, roupa de marca, brinquedos...

* Mordaça - a corte palaciana aconselha Bolsonaro a não falar sobre temas econômicos. É o que diz O Globo. Curioso é que o presidente vai discursar no Fórum Econômico de Davos. Falará sobre o que? Kit gay, Lula, índios, quilombolas, Triple A, o Nordeste socialista, a base militar dos Estados Unidos no Brasil, a invasão da Venezuela?

* Blocos independentes sob ameaça - Segurança para o folião é fundamental. Isso é uma coisa. E os governos têm que prover esse serviço. A carnaval de rua do Rio de Janeiro foi revitalizado a partir da segunda metade dos anos 1980 por iniciativa dos blocos de bairro, independentes e impulsionados por cariocas e turistas. Hoje, o carnaval de rua atrai muito mais turistas e movimenta hotéis, comércio e serviços do que o desfile das Escolas de Samba. A cidade fatura bilhões e a festa cria milhares de empregos temporários. A Riotur acaba de criar exigências que os blocos independentes não terão condições de cumprir. Oferecer aos foliões ambulâncias UTI, por exemplo. Só os blocos de força comercial facilmente identificável, do tipo Bloco da Preta, Anitta, Favorita etc, terão condições de atender ao novo regulamento. Serviços como ambulância, trânsito, policiamento e limpeza para a passagem dos blocos independentes devem ser fornecidos pela prefeitura em parceria ou não com o patrocinador master que exibe sua marca nas ruas. Os blocos comerciais têm seus próprios recursos. Ou isso ou, para ser coerente, a prefeitura terá que exigir de todo evento privado, da Marcha de Jesus à Parada Gay, da Marcha da Maconha à Procissão da Semana Santa e à Árvore de Natal da Lagoa, do festival Gospel ao Rock'n Rio (sim, causa impacto na cidade mesmo fora da cidade do Rock), da Maratona do Rio ao jogo de futebol no Maracanã (Copa América, por exemplo, vem aí), policiamento, limpeza e ambulância privada com UTI e outras obrigatoriedades.

* Samba do colunista doido - Fernando Gabeira escrevendo no Globo, hoje, sobre Deus, ministro das Relações Exteriores, Afonso Arinos, salvação, Acordo-Militar Brasil-Estados Unidos, China, Trump, PT, esquerda, meninas de rosa, meninos de azul, Tao, Shiva, Zoroastro e I Ching deixa tantas pontas soltas e mistura tantos baratos que parece viagem de ayahuasca. 

* Não colou - A mídia impressa passou a adotar textos mais curtos para supostamente replicar o exemplo jornalismo digital. O tempo mostrou que a superficialidade pode ser um subproduto dessa fórmula. Por ironia, o jornalismo digital assimilou em 2018 o formato de texto mais longo para aprofundar determinados assuntos. Isso, em todo o mundo. No Brasil, veículos como The Intercept, BBC Brasil, Portal Fórum, El Pais têm publicado excelentes, e longas, reportagens tanto investigativas quanto de comportamento.

* Agora já era - Tite em entrevista ao programa Mesa Redonda, à TV Gazeta, fazendo mea culpa sobre o fracasso na Copa do Mundo da Rússia: "Eu teria feito alterações mais rápidas na equipe. Deveria ter feito antes dos jogos e não durante os jogos". O treinador terá nova chance na Copa América, com uma vantagem: a Bélgica não participa do torneio.

* Record, SBT, Istoé, rindo à toa? - Bolsonaro falou: “Vamos democratizar as verbas publicitárias. Nenhum órgão de imprensa terá direito a mais ou menos naquilo que nós, de maneira bastante racional, viremos a gastar com a nossa imprensa. Queremos sim, que vocês sejam cada vez mais fortes e isentos e não sejam, como alguns o foram no passado, infelizmente parciais".

* A nova cruzada - Evangélicos brasileiros querem converter povo judeu ao cristianismo. Dizem que a ofensiva rumo à Terra Santa fazia parte de "profecia" bíblica e é pré-requisito para o apocalipse.

* O MP tá na praia ? - Hoje já é dia 7 de janeiro e o bloco dos políticos envolvidos na Lava Jato e que perderam foro privilegiado está curtindo férias. Alguns já reservaram abadá pro carnaval.

* Grilo comunista - Diplomatas americanos denunciaram Cuba por instalar equipamento secreto que emitia ruídos e causavam dores de cabeça e perda auditiva em quem trabalhava no prédio da embaixada dos Estados Unidos em Cuba. O zumbidogate começou em 2016. Agora, cientistas que analisaram gravações afirmam que o misterioso equipamento eletrônico atende pelo nome de um inseto pacífico: o grilo. Não há comprovação de que os grilos cubanos tenham sido treinados por Raul Castro para atazanar gringos. A notícia está no New York Times.

domingo, 6 de janeiro de 2019

Coleção da Revista Manchete já está no arquivo digitalizado da Biblioteca Nacional



O blog recebeu do leitor e estudante de jornalismo Italo Bertão Filho uma informação que certamente será útil para pesquisadores, escritores, estudantes de Comunicação, repórteres, fotógrafos e, especialmente, o público do Panis Cum Ovum, este blog que virou Manchete.

Segue a mensagem:

Olá,

Acompanho o blog praticamente todos os dias, faz parte do meu clipping. Não sei se vocês souberam, mas Manchete entrou no arquivo digitalizado da Biblioteca Nacional. Pelo que conferi, o acervo está quase na íntegra (há exemplares faltantes dos anos finais - o último, de julho de 2000, não está lá, por exemplo). Entrou há pouco, pois pesquiso frequentemente nos arquivos do BN e não estava lá. 
Enfim, segue o link:

http://memoria.bn.br/hdb/periodico.aspx

Abraço,
Italo


sábado, 5 de janeiro de 2019

Quando a culpa é da imprensa - Jules Feffer revistado...

De Jules Feffer. Reprodução da revista Grilo



A revista Grilo, da Espaço-Tempo Contracultura, editada por Delfim Fujiwara, circulou entre 1971 e 1972.

Foram apenas 48 edições - a tiragem chegou a 30 mil exemplares - que apresentaram aos leitores nomes dos quadrinhos como Jules Feffer, Andy Capp, Wolinski, Guido Crepax, Crumb e outros desenhistas que surgiram na década anterior.

O conservadorismo e os preconceitos eram os alvos. A imprensa era tratada como "inimiga" do establishment e a liberdade de expressão, vítima do autoritarismo, era a bandeira dos quadrinistas em todo o mundo.

Comunicação: a "nova era" do dito e do desdito

Acontece. Conhece o dito popular "vamos organizar essa suruba"?. Pois é, o povão, sempre sábio, concluiu que até essa prática coletiva milenar pode precisar, em algum momento, de uma voz sensata que corrija rumos e preferências. Ou, sem um mínimo de consenso, corre o risco de desandar.

Taoquei, as autoridades da "nova era" - o rótulo que várias delas têm repetido - estão recém-chegadas, dizem que ainda varrendo a URSAL e o Triplo A infiltrados na burocracia estatal. Por isso, a voz de comando ainda não ecoou para organizar o swing da comunicação do novo governo. 

Para focalizar apenas as últimas 72 horas, as próprias fontes do governo fizeram pipocar declarações, revisões ou desmentidos sobre aumento de impostos de operações financeiras, limites de idade da reforma da Previdência, mudança de faixas do imposto de renda, versões sobre recusa inicial e agilidade para mandar a Força Nacional conter ações de organizações criminosas em Fortaleza, Embraer etc.

O governo não tem porta-voz e não deu sinais de que vai "hierarquizar" - para usar outro termo em vigor na "nova era" - a comunicação oficial. Por enquanto, está na base de todo mundo fala e todo mundo desmente. O aparente vazio nesse setor cria um campo fértil para a plantação de fake news. 

Em entrevista ao SBT, o próprio Bolsonaro divulgou uma fake news ao afirmar que o assessor parlamentar Fabrício Queiroz teve seu sigilo bancário quebrado sem autorização. Falso. O banco onde Queiroz tem conta foi obrigado a comunicar ao Coaf a movimentação suspeita de acordo com lei de 1998 sobre lavagem de dinheiro, ocultação de bens e transações em espécie. 

Um risco evidente é tornar fake news e "balões de ensaio" (a "notícia" que é divulgada para testar reações a uma futura medida) como parte da estratégia de comunicação oficial. Uma preocupação que aumenta à partir da nomeação de pessoas que foram responsáveis por polêmicos conteúdos de sites e contas de redes sociais na recente e controvertida campanha eleitoral. 

Dois livros recentes - "Fogo e Fúria, por dentro da Casa Branca de Trump" de Michael Wolf, e "Medo - Trump na Casa Branca", de Bob Woodward - dissecam o estilo de governar e de comunicar do magnata. Um das suas características, como se sabe, é a utilização do twitter como canal preferencial tanto para comentários banais, curtidas e trivialidades quanto para comunicar decisões e prometer decretos. Trump dispõe de estrutura montada de assessoria e comunicação, como é regra na Casa Branca, mas é, ao mesmo tempo, o presidente que mais nomeou e demitiu, e em menos tempo, nomes do seu staff próximo e não apenas na área de imprensa. 

Wolf revela que o domingo à noite e as primeiras horas da manhã são períodos cruciais para os assessores. ´Por algum motivo, tédio talvez, uma síndrome deprê dos Fantástico à americana, ao fim dos domingos Trump costuma ligar o acelerador e dispara mensagens, geralmente as mais tortuosas. As primeiras horas da manhã também são críticas porque ele acorda e liga os três monitores de TV da sua suíte - onde dorme sozinho, Melania ocupa outro quarto - e zapeia os telejornais.Se alguma coisa o irrita, vai pro twitter e retalia ou anuncia no impulso alguma decisão, muitas vezes algo que não depende dele, mas do Congresso ou da Suprema Corte, ou decreto que irá assinar para "acabar com isso aí". 

Tantos conflitos nasceram desse método impulsivo que conselheiros da Casa Branca alertaram aos vários setores que Trump tuitar uma decisão não necessariamente quer dizer que oficializa normas e decretos. Há etapas para o que está expresso na mensagem cumprir, como confirmar se é constitucional, se é atribuição do presidente ou até se não fere a autonomia dos estados. 

Em resumo, Trump pode tuitar à vontade, mas na maioria das vezes os outros poderes têm que confirmar o "like" ao humor presidencial, assim como as agências de checagem farão a faxina do que é ou não é fake news em ditos e desditos.

   

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

A TV quer que o futebol brasileiro deixe de ser "caixinha de surpresas".

por Niko Bolontrin

A atual "janela" de contratações de jogadores expõe a radicalização de um processo que começou há anos e começar a redesenhar de fato o futebol brasileiro. Para pior.

A estratégia foi posta em andamento desde que os direitos de transmissão dos jogos pela TV, monopolizados, passaram a privilegiar alguns clubes e abriram um fosso entre os valores de cada um. Clubes com maior torcida levam muito mais, embora não se comprove diferença tão brutal,  nem tão desproporcional, nos índices de audiência de certos jogos que envolvem os times que CBF e Globo escalam como inferiores.

A médio prazo, o resultado poderá ser a "espanholização" do futebol brasileiro. O que isso significa? La Liga beneficia uns poucos times e empresários e reduziu o futebol espanhol a dois eternos candidatos ao título, Real Madrid e Barcelona, e um coadjuvante de luxo, o Atlético de Madrid. Os demais são "zebras" permanentes que quase nunca se confirmam. No últimos anos, o Barcelona foi nove vezes campeão; o Real Madrid, cinco vezes; o Atlético de Madrid, uma. A disputada Premier Ligue, da Inglaterra, é um pouco mais equilibrada: nos últimos, dez anos, cinco times diferentes foram campeões. Na Bundesliga, da Alemanha, em 15 anos, o Bayern de Munique ganhou dez títulos. Quando os campeonatos começam, os torcedores já sabem que o caneco ficará entre dois time, no máximo três concorrentes. Na Europa, nos campeonatos regionais, "zebra" é muito "zebra". Talvez aconteça a cada 15 anos... A Champions League diversifica o pódio um pouco mais: nos últimos dez anos, foram cinco vencedores, embora o Real Madrid de Cristiano Ronaldo e Marcelo tenha sido o dono dos últimos três títulos.

No Brasil, o enorme e crescente desequilíbrio no pagamento de direitos  do Brasileirão e na escolha do jogo a ser transmitido ao vivo se reflete na capacidade do clube captar patrocínio. Como resultado, dá aos privilegiados maior poder financeiro para aliciar jogadores dos times menos endinheirados. Daí, a briga de foice de empresários e dirigentes nas sombras da "janela" de contratações. E o Brasil não tem uma regra do "fair play" financeiro como a que a UEFA criou exatamente para tentar  impedir que as ligas de cada país sejam dominadas por dois times, como ocorre na Espanha, esmagando os demais.

Lógico que o Brasil, com agremiações regionais que reúnem grandes torcidas nas capitais, não é a Espanha. Mas não há dúvidas de que começa a ser formar a elite da elite: nos últimos seis anos, Palmeiras, Corinthians e Cruzeiro, cada um com dois títulos, mandaram no Brasileirão. Com o mesmo poder financeiro, privilegiado pela TV, mas incompetente em campo, correu por fora o Flamengo, cujo último título foi em 2009.

Ao mesmo tempo em que ocorre essa concentração, em 2020 e 2022 é esperada maior concorrência na aquisição de direitos de transmissão dos jogos, incluídos Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil. Talvez seja a chance para clubes hoje prejudicados pelos virtual monopólio recebam cotas mais justas e evitem uma "espanhlização" à moda brasileira.

A República dos Memes...










por O.V.Pochê

Damares Alves, que também é chamada nas redes sociais de Ministra Goiaba, bombou no mundo dos memes ao pregar a ideologia colorida da nova era. Ontem também foi o dia do mundo rir desse Brasil pastelão: #damares foi trending topic esteve em alta nos trends topics durante cerca de cinco horas no mundo real e no mundo bizarro.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Jonestown, 40 anos: na capa da Manchete, a tragédia que poderia ter acontecido no Brasil. Sabia disso?


A data passou quase em branco. No dia 18 de novembro de 1978, 914 pessoas morreram na Guiana, em uma comunidade religiosa denominada Jonestown.  As cenas dramáticas do maior suicídio coletivo de que se tem notícia chocaram o mundo.

Se as centenas de fotos que as agências despejaram nas mesas de edição da Manchete e da Fatos & Fotos impactavam profissionais calejados, imagine-se o efeito dramático das capas que, naquela época, ganhavam enorme visibilidade ao ser penduradas nas milhares de bancas de jornais das grandes e pequenas cidades.

Os corpos estendidos nas casas e gramados, sob as árvores ou caídos na lama, eram dos seguidores da Peoples Temple Christian Church Full Gospel (Templo dos Povos: Igreja Cristã do Evangelho Pleno) liderada pelo pastor Jim Jones. Durante semanas, desvendar o desfecho de Jonestown foi a pauta principal da mídia.

Cinco anos antes da tragédia, julgando-se perseguido por procuradores americanos que investigavam suas práticas, "curas" e as mais diversas formas de tortura psicológica e de extorsão de seguidores (entrega de propriedades e "propina espiritual" de 25% da renda de cada fiel), Jim Jones deixou a Califórnia e transferiu sua igreja para uma remota área na Guiana. Seria a sua franquia da Terra Santa ou do Paraíso, como pregava ao recrutar "ovelhas".

A chacina começou a se desenhar um dia antes. Leo Ryan, deputado democrata, chegou em Jonestown para apurar denúncias de pais sobre maus tratos aos filhos que aderiram à seita religiosa de Jim Jones. Ryan foi recebido pelo pastor e percorreu instalações da comunidade. À medida em que a comitiva fazia fotos, anotações e perguntas a alguns fieis, o clima tornou-se tenso. Jim Jones teria convencido seus seguidores de que o deputado era agente da CIA e que fuzileiros navais logo invadiriam o local. Poucas horas depois, quando se preparavam para embarcar em um avião em uma precária pista de pouso próxima a Jonestown, Ryan e três jornalistas foram assassinados. Em seguida, o pastor ordenou que os adultos dessem cianeto às cerca de 300 crianças da comunidade espiritual, antes de praticarem o suicídio em massa. O corpo de Jim Jones foi encontrado com marca de tiro na cabeça. Não foi confirmado se ele se suicidou ou se alguém o matou.

O ritual macabro de Jonestown rendeu reportagens, livros e filmes. Jamais foi inteiramente compreendida a submissão de tantas pessoas às ordens de um fanático.

Jim Jones montou na Guiana o que dizia ser
uma espécie de franquia do Paraíso.
O que foi pouco divulgado na época, mas revelado em livros que saíram nos anos seguintes, é que Jonestown poderia ter acontecido no Brasil. Em 1963, com o mundo em plena Guerra Fria e os Estados Unidos como alvo preferencial, Jones temia a hecatombe nuclear e acreditava que o Brasil estaria fora da mira dos mísseis balísticos. Passou algumas semanas em Belo Horizonte, onde chegou a alugar uma casa, e no Rio de Janeiro, em viagem de observação para uma futura instalação de uma aldeia da Igreja Cristã do Evangelho Pleno. Sem falar português ou sequer espanhol, ele conclui que o idioma seria uma barreira a mais. Foi durante esse tour à América do Sul que o pastor fez uma parada na Guiana, que foi colônia inglesa até 1966, e onde, em 1973, montou sua a comunidade cristã de Jonestown.

O Brasil escapou por pouco.

Escapou? 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Manchete, janeiro de 1953 - "Há um movimento estranho na porta do quartel" - por Antônio Maria

Em janeiro de 1953, a política se agitava. Era o prenúncio do trágico 1954.

A revista Manchete cobria o seu primeiro Réveillon (que muitos ainda chamavam de "Noite de São Silvestre"). Basicamente, festa no Copacabana Palace, nas boates, na ABI e a homenagem a Iemanjá na Praia de Copacabana, tudo fotografado em preto e branco.

Talvez impressionado com o clima político, o cronista e compositor Antonio Maria, que mantinha na revista a seção Pernoite, deixou os bares e a vida noturna de lado e escreveu sobre a expectativa de golpe que marcava aqueles dias, remetendo-se às lembranças das revoluções que faziam tremer as ruas da sua terra natal, a combativa Recife.


Reprodução Revista Manchete, 
janeiro de 1953. Clique 2X na imagem para ampliar 

Fotomemória: D. Nylza, a mãe aos 100 anos. Por Guina Araújo Ramos

por Guina Araújo Ramos (do blog Bonecos da História

Queiram perdoar os possíveis leitores aqui chegados, mas gostaria de esclarecer que, na verdade, o pomposo título “Os Bonecos da História” encobre (não muito, que também está no cabeçalho do blog...) a minha intenção de publicar “os bonecos da minha história no fotojornalismo”, com a devida ressalva de que o conceito de “fotojornalismo” significa, aqui, um qualquer registro fotográfico que eu tenha feito por aí...

Daí que, ainda que pública, a postagem do momento é muito particular, é pessoal mesmo. A figura retratada e relembrada aqui é ninguém mais ninguém menos do que minha mãe, a (pelo menos no meio da parentada) famosa D. Nylza.

O motivo está antevisto no título: D. Nylza completaria hoje (ontem), 1º. de Janeiro de 2019, exatos 100 anos da vida. Não chegou lá, mas viveu até 15 dias antes dos seus 99 anos, sempre com a lucidez e o bom humor que aliviava as dificuldades da nossa vida.


D. Nylza, 1977, foto de Guina Araújo Ramos. "Foi feita por volta de 1977,
eu já profissional, trabalhando na Bloch Editores, num dia qualquer em que voltei à última casa
em que morei com ela e com meu pai. Entrando pelos fundos do apartamento térreo, em Olaria,
subúrbios da Zona da Leopoldina, Rio de Janeiro,
eis que a surpreendi no comando do fogão".

D. Nylza (e era assim que todos a chamavam, inclusive todos os filhos, às vezes meio ironicamente) nasceu na fazenda Cataguá, no vale do Rio Paraíba do Sul. Era filha de um cearense que, com três irmãos, tentou recriar os bons tempos dos grandes lucros do café e de uma orgulhosa filha das elites locais, então já não tão mais poderosas. A empreitada não deu certo e Seu Miguel e D. Hermínia mudaram-se, com os seis filhos, para Areal, na época ainda distrito do município de Três Rios. 

Oscar e Nilza nas Bodas de Ouro. Foto de Guina Araújo Ramos, 1985

Com apenas 16 anos, casou com Seu Oscar (ele, aos 27), seu companheiro de toda a vida, ela sempre a dona da casa, criando os seis filhos, ele sempre na estrada, com caminhão, lotação ou ônibus, na autonomia ou não, conforme a época.

Em 1948, a família se muda para Duque de Caxias, com meu pai trabalhando no transporte de areia para a construção do Maracanã. Daí que, em 1950, em plena Copa do Mundo, eu nasci no Rio de Janeiro, no Hospital do IAPETEC, hoje Federal de Bonsucesso.

A família morou em alguns bairros da Zona da Leopoldina, de Cordovil a Olaria, até que os dois, agora sós, voltaram a Areal, no princípio dos anos 1980. Lá, D. Nylza ficou viúva, em 1988, e de lá veio para sua temporada final, nos últimos quinze anos, com filho e netos, em Caxias.

Entre tantas fotos que fiz de D. Nylza, qual eu deveria escolher para a abertura desta postagem?...
Pensei até em capturar uma imagem no vídeo da visita de D. Nylza ao Pão de Açúcar, este evento que significou o cumprimento de uma velha dívida familiar. Afinal, descobri qual seria a foto: justamente aquela que ela própria havia escolhido!... Foi feita por volta de 1977, eu já profissional, trabalhando na Bloch Editores, num dia qualquer em que voltei à última casa em que morei com ela e com meu pai. Entrando pelos fundos do apartamento térreo, em Olaria, subúrbios da Zona da Leopoldina, Rio de Janeiro, eis que a surpreendi no comando do fogão. No susto, para ela, faço a foto! Sua expressão, mais de satisfação do que de espanto, até hoje me alegra. Desde que lhe entreguei uma cópia, há mais de 40 anos (tantos que as cores até se perderam), nunca mais deixei de ver esta foto, "o susto de D. Nylza", em uma parede sempre nobre de qualquer das casas em que morou.

D. Nylza homenageada. Foto de Guina Araújo Ramos, 2015. 
Das tantas outras, destaco esta, que transformei em cartaz.

É que nos últimos anos, a partir de algum impreciso momento, passei a considerá-la, em alguns contextos e de maneira certamente simbólica, e particularmente como forma de reconhecimento à sua luta pessoal, uma espécie (simpática, acho eu) de representante do próprio povo brasileiro.

Na capa da Piauí - Vai encarar?


Mídia 2: na posse, jornalista bom foi jornalista encurralado. E o protesto que não houve...

De acordo com o modelito Trump, o novo governo sinaliza que vai hostilizar a mídia. Não apenas a mídia digital de esquerda, que essa já está na mira dos snipers, mas os veículos conservadores que mantiverem alguma capacidade de crítica.

Trump elegeu como alvo alguns dos principais jornais americanos, como o New York Times e o Washington Post, e redes como a CNN, NBC e CBS. E teve como sustentação sites, como Breiabart, de grande audiência, redes sociais de militantes da direita republicana mais radical e um esquema industrial de propagação e impulsionamento de fake news.

Não é verdade, entretanto, que Trump contou com apoio zero da mídia. A rede Fox o apoiou incondicionalmente, assim como centenas de jornais regionais. E não se pode dizer que a NBC e a CBS fizeram campanha maciça contra o magnata.

A eleição do novo presidente do Brasil guarda alguma semelhanças com o formato Trump, no caso da utilização das redes sociais e da massificação de fake news. Quanto à grande mídia brasileira, não se pode dizer que incomodou a candidatura da direita que, afinal, chegou ao Planalto. Pelo menos duas  redes de TV, a Record e o SBT deixaram o jornalismo de lado e se colocaram como cabos eleitorais. Vários complexos de comunicação regionais e órgãos ligados as igrejas evangélicas fizeram o mesmo. Muito além da internet, o novo presidente teve o espaço que quis e muitas das suas posições políticas se encaixam nos editoriais conservadores dos jornais das famílias que controlam a mídia brasileira. Acontece que críticas e matérias como aquelas que denunciaram funcionários fantasmas no gabinete do então candidato e, agora, o escândalo Queiroz, incomodam os novos donos do poder. Além disso, eles não assimilam a "liberalidade" da mídia em questões de costumes que vão contra o fundamentalismo religioso instalado em vários níveis de governo. Daí o clima de guerra.

O "cativeiro" dos jornalista antes da posse. Reprodução Brasil de Fato

O cerimonial da posse quis marcar essa posição ao isolar jornalistas nos vários cenários do evento de ontem. Equipes internacionais, como a da França e da China, se indignaram com as condições de trabalho, as restrições e as ameaças até de levar tiro de snipers se deixassem os currais - segundo avisos de assessores - e se retiraram da cobertura. Os profissionais brasileiros credenciados aceitaram o osso oferecido por impossibilidade de recusar ou por optar por permanece e tentar relatar a situação. Em um momento de crise e desemprego, quem se habilita a criticá-los se não contam com a solidariedade irrestrita do RH dos veículos para os quais trabalham?

Fotógrafos baixam as câmeras: J.França registrou o protesto contra o general Figueiredo em 1984
e a Folha de São Paulo publicou. 

A foto dos jornalistas brasileiros sentados no chão e virtualmente "sequestrados" durante quase oito horas em "cativeiro" - como alguns definiram - contrasta com uma imagem famosa que a jornalista Cynara Moreira Menezes relembra hoje no seu site (Socialista Morena). Em 1984, João Figueiredo se incomodou com frases vazadas de uma conversa que teve com Paulo Maluf no Palácio do Planalto. A assessoria de imprensa suspeitou que a conversa havia sido ouvida por fotógrafos em uma sala à qual repórteres não foram admitidos. Figueredo subiu nos coturnos e vetou o acesso dos fotógrafos ao terceiro andar do Palácio. Pouco depois, em uma ocasião em que o general descia a rampa, todos os fotógrafos se recusaram a registrar a cena e baixaram ostensivamente as câmeras. Apenas J. França, no ponto de vista oposto, fotografou o protesto que a Folha de São Paulo publicou. O Memorial da Democracia também recorda a cena.

Coréia do Sul: fotógrafos protestam contra veto a cobertura de ato do governo. Foto Kyodo News

Uma manifestação semelhante aconteceu em 2016, quando a Coreia do Sul vetou a presença de fotógrafos durante a assinatura de um pacto sobre troca de informações de inteligência com o Japão. Aos profissionais foi permitido apenas ficar em acesso externo ao salão e registrar a chegada das autoridades ao local. Em protesto, eles baixaram as câmeras.
     

Mídia 1: O "discurso" messiânico de William Bonner no encerramento do Jornal Nacional e a polêmica da "continência"

Reprodução/You Tube
Um momento jornalístico de autoajuda nacional.

Com um "discurso" que lembrou o famoso estilo de Pedro Bial, quando ensaiava peças de oratória piegas ao se despedir dos participantes do Big Brother Brasil detonados no paredão, William Bonner fez um sermão messiânico no encerramento da cobertura da posse, ontem, em Brasília.

Bonner ignora que o que está em jogo não é abraçar ou deixar de abraçar pessoas com opiniões divergentes, mas a implantação de políticas que afetarão conquistas democráticas fundamentais e poderão colocar em risco a liberdade de expressão e o direito à oposição.

A julgar pelas inúmeras ameaças oficiais que nenhuma autoridade disfarça, índios, pequenos agricultores, ambientalistas, pessoas sem teto, brasileiros sem terra, muitos atletas, estudantes bolsistas, cidadãos que militam em favor de minorias, entre outros alvos, não têm o que comemorar e não ganharão abraços.

Quem vive de salário mínimo já acordou hoje sabendo que o valor foi corrigido abaixo do previsto, acumulando perdas pelo terceiro ano consecutivo. O percentual determinado pelo novo presidente impactará as ínfimas aposentadorias de milhões de brasileiros, a grande maioria da população já sacrificada.

O jornalista Ascânio Seleme, do Globo, afirma hoje que já está em curso através das redes sociais uma caça a funcionários públicos, sem estabilidade, que ocupam cargos comissionados e que tenham postado frases como "Fora Temer", "Marielle vive", "Ele não", "Foi golpe", etc. Todos serão sumariamente demitidos, segundo apurou o jornalista.

O ditadura militar impôs critério semelhante e a caça implacável se espalhou por estados e municípios e empresas privadas.   

O apelo brega de Bonner atola em uma realidade: os vencedores chegaram ao poder; aos derrotados será reservado o papel democrático e legítimo de oposição. Sem abraços. Nem de tamanduá, nem de jacaré.

As redes sociais estão repercutindo o seu gesto final do JN. Alguns se perguntam se o apresentador prestou continência ao encerrar o telejornal. Em centenas de compartilhamento, ele é criticado ou elogiado. Alguns sites ligados à direita comemoram a suposta continência de Bonner como um sinal da "nova era".

No You Tube se multiplicam as postagens do vídeo e os comentários de lado a lado. AQUI

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Presidente tuiteiro ou Pinóquio digital?

Donald Trump espalha fake news no twitter. Reprodução 

por Flávio Sépia 

Não há motivo para presidentes ou outras autoridades abrirem mão da comunicação direta que as redes sociais proporcionam.

O problema não é tuitar, o problema é gerar fake news na maior, como parte do jogo sujo da comunicação em nome de objetivos politiqueiros.

Donald Trump, que está sendo imitado integralmente por similares, inaugurou o uso do twitter como "diário oficial".

É dele também o título de primeiro presidente americano a espalhar mentiras com a maior naturalidade digital.

A última fake news presidencial foi afirmar que Barack Obama construiu um muro de três metros de altura para proteger sua casa. No penúltimo dia de 2018, Trump inventou a "notícia" para justificar a construção do seu muro na fronteira com o México.

O jornal Washington Post foi checar e verificou que não há muro nenhum na frente da casa dos Obama. Segundo os vizinhos da família, a residência tem um cerca -, como várias outras da vizinhança em uma tranquila rua da capital dos Estados Unidos -, construída antes da chegada do ex-presidente. A única estrutura adicionada é a de uma guarita construída pelo Serviço Secreto que tem a obrigação legal de proteger ex-presidentes. Ainda segundo vizinhos, a casa não tem muro de três metros na frente nem nos fundos e perfeitamente visível da rua.

Na virada do ano, a London Eye saúda a União Europeia e irrita os brexistas



por Jean-Paul Lagarride

O referendo que aprovou a saída do Reino Unido da União Europeia foi uma manifestação conservadora em meio à onda de rejeição aos organismo multilaterais no estilo do nacionalismo populista que Donald Trump acelerou e o Brasil agora anuncia que vai aderir. O pulo fora acontecerá em março. Só que muitos do que votaram a favor do Brexit avaliam, agora, que é uma furada deixar o bloco. As perdas financeiras iniciais são gigantescas. O prefeito de Londres Sadiq Khan, que é contrário ao Brexit, bancou uma mensagem pró-UE nos fogos de artifício do Ano Novo que iluminaram a London Eye (a Roda Gigante à margem do Tâmisa) e desenharam o símbolo a comunidade.
Os brexistas ficaram irados. A notícia é do MailOnline.

Modelo reage às brigadas da falsa moral...


Quem diria...

Reprodução twitter