terça-feira, 13 de dezembro de 2016

João Vicente Goulart lança livro sobre o pai, Jango. O foco é a vida de uma família que, nos anos 50 e 60, foi tema de centenas de matérias da Manchete e Fatos & Fotos

Foto de Jáder Neves
Na capa do livro, um detalhe da foto de Jáder Neves

No momento em que o Brasil sofre com a ilegitimidade de um governo trôpego, João Vicente Goulart lança o livro "Jango e Eu —Memórias de um exílio sem volta". O filho do ex-presidente derrubado pelo golpe que instituiu a ditadura militar relembra a trajetória da sua família antes e durante os anos de chumbo e sangue, até a morte de Jango, no exílio, em 1976.

Nas reminiscências, há históricos pontos de contato com a revista Manchete. A foto acima, que mostra a família Goulart na fazenda, em São Borja, no Rio Grande do Sul, é de Jáder Neves, fotógrafo que por longos anos atuou nas revistas da Bloch.

A Manchete acompanhava literalmente o dia a dia do presidente João Goulart. Não apenas os fatos políticos mas, especialmente, a intimidade da família, no estilo consagrado pela revista francesa Paris Match.

Foram centenas de reportagens que contaram a história ilustrada do período, não apenas em Manchete, mas em outra semanal da Bloch, a Fatos & Fotos.

Um memorável capa da revista mostra Jango em Washington, ao lado de John Kennedy.

Jango em visita aos Estados Unidos, em 1963.
Na Fatos & Fotos


Maria Tereza Goulart na capa em 1962.

João Vicente, Maria Tereza e Denise.

O presidente, que visitava os Estados Unidos, também foi recebido com um desfile em carro aberto em uma festiva Quinta Avenida, em Nova York. A Manchete mostrava tudo isso, mas nutria uma especial predileção por registrar o lado pessoal da vida do presidente Jango. A bela Maria Tereza Goulart, assim como seus filhos, João Vicente e Denise, foram focalizados mais de um vez em coloridas reportagens de capa.

No livro, João Vicente conta o drama de Jango, a saudade, os diálogos, o exílio, enfim, visto por quem estava bem ao lado. Desde o olhar da criança - ele tinha sete anos quando o pai foi obrigado a partir para o Uruguai - ao do jovem de menos de 20 anos que, em 1976, trouxe o pai de volta à sua terra, morto, após 12 anos de exílio. João Vicente diz que optou por focalizar o lado humano, já que a memória política do período está registrada em livros e documentários. Mas, ao longo dos capítulos, vê-se que a história da família está indissoluvelmente ligada à história do Brasil.
E, de certa forma, às páginas da Manchete.

2 comentários:

Prof. Honor disse...

Foi se o tempo em que o Brasil respeitava seus presidentes. E não por acaso, como Dilma, Jango foi derubado por um golpe que montou uma ditadura e a corrupção por mais de 2o anos anos. O "Brasil Grande" fez milionários até hoje aí

Isabela disse...

A documentação visual fica comprometida só com o digital. A mempria fotográfica é mais dispersa e de durabilidade mais frágil embora alcance mais pessoas. Penso que Manchete, no caso citado, registrou magistralmente um época. Não vejo isso consistente no meio digital. A médio prazo a memória vai sair perdendo.