domingo, 5 de agosto de 2018
Assim não dá, até William Waack faz "bullying" com Míriam Leitão...
A estranha performance da mediadora do programa "Central das Eleições" ao repetir um "ditado" professoral já remetia a um ambiente escolar. O termo que a Globo News usa para se referir à série de entrevistas com alguns presidenciáveis - sabatina - também.
Agora o jornalista William, que após ser afastado da Globo por ter feito um comentário de cunho racista montou seu programa na internet, faz um tremendo bullying com a jornalista.
Waack encerrou a última edição do seu Painel WW imitando a vacilante locução da já famosa nota do grupo Globo em resposta a Jair Bolsonaro, mostrando que Roberto Marinho apoiou a ditadura, mas "desapoiou" depois.
Vamos fazer o seguinte; ninguém vai pro pátio na hora do recreio.
VEJA O BULLYING, CLIQUE AQUI
sábado, 4 de agosto de 2018
Marina Amaral no The Sun: artista plástica brasileira que coloriza fotos antigas com técnica digital lança livro
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| Mata Hari, a espiã. Reprodução |
por Jean-Paul Lagarride
The Sun publica uma matéria sobre a artista plástica brasileira Marina Amaral, que se especializou em colorizar com técnicas digitais imagens de momentos emblemáticos da História,. São fotos que recontam instantes e personagens marcantes dos últimos 150 anos, como Rasputin, Einstein, Mata Hari, Hitler, a retirada de Dunquerque e o desastre do Hindenburgo.
The Sun extraiu as foto do livro The Colour of Time, de Marina Amaral, em parceria com o historiador de Dan Jones, que será lançado na Inglaterra no próximo dia 9.
Para ler a matéria original, clique AQUI
Câmeras-espiãs - Mulheres protestam contra voyeurismo em massa. É na Coréia do Sul
Com faixas e cartazes, cerca de 70 mil mulheres fizeram um protesto inusitado, hoje, em Seul. Elas exigem que o governo sul-coreano tome providências contra o que chamam de infestação de câmeras instaladas em banheiros, escolas, trens, consultórios e vestiários. Professores, médicos, pastores policiais já forma flagrados registrando secretamente imagens de mulheres e, em seguida, divulgando-as na internet. Um dos slogans da manifestação é "minha vida não é sua pornografia". A revista Paris Match publica matéria sobre o assunto.
Ghost News - O primeiro editorial psicografado da história do jornalismo
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| Momento "mediúnico " na Globo News. Reprodução |
por O.V. Pochê
O que não falta no tosco repertório do Bolsonaro é polêmica. O homem ainda vive em cavernas ideológicas. Só que o viral do programa "Central das Eleições", da Globo News, que está repercutindo nas redes sociais, surpreendeu: deu Miriam Leitão nas cabeças.
Durante a entrevista, o candidato a presidente pelo PSL, defende seu apoio à ditadura citando Roberto Marinho, um entusiasmado golpista de 1964.
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| Miriam Leitão vira meme no Facebook, que trola o momento exato em que, no estilo Chico Xavier, ela capta o primeiro editorial "psicografado" da história do jornalismo. Reprodução |
Redes sociais comentam que Miriam psicografou Roberto Marinho, com exclusividade, em link direto com o Além. O mea culpa em questão é de 2013. Roberto Marinho faleceu em 2003. Não se sabe se o dono do Grupo Globo concordaria com o editorial publicado pelos seus herdeiros. Só Chico Xavier poderia checar essa informação.
Veja o vídeo da "saia justa" do Central das Eleições no You Tube, AQUI
Ibope: 65% dos católicos e 59% dos evangélicos aprovam a descriminalização do aborto
O grupo Católicas pelo Direito de Decidir (CDD) apresentou ao STF um pesquisa do Ibope realizada em 2017 mostrando que a maioria das pessoas religiosas não é contra o aborto legal e seguro.
Para 65% dos entrevistado, cabe à mulher decidir sobre a interrupção da gestação.
Conclui-se que líderes religiosos fundamentalistas - a maioria, não por acaso, homens - que fazem campanhas contra a descriminalização do aborto não ouvem nem seus rebanhos. Atuam como se fossem aiatolás a impor sharias sobre um país constitucionalmente laico.
O site Justificando publica uma matéria completa sobre o assunto.
sexta-feira, 3 de agosto de 2018
Leitura Dinâmica: papa Francisco, mídia perde "fontes", Jesus, Mama Laden...
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| Reprodução L'Osservatore Romano |
* Demorou, mas a Igreja Católica mudou o Catecismo para declarar "inadmissível" a pena de morte. A decisão é do papa Francisco. Durante a Inquisição a própria Igreja massificou a pena de morte em vários continentes, inclusive no Brasil, especialmente em Pernambuco e Bahia. O Catecismo admitia até hoje a pena de morte quando fosse "o único caminho possível". A edição em português do l'Osservatore Romano" divulga a medida papal.
*Mídia de economia perde uma "fonte de informações": PF prendeu o banqueiro Eduardo Plass, sócio da corretora Opus e do Tag Bank, e ex-presidente do Pactual. É acusado de ser diarista de lavagem de dinheiro do ex-governador Sérgio Cabral. Segundo a investigação, o esquema incluía um "polimento" à margem do Fisco no tesouro de jóias cabralinas.
* Outra "fonte" da grande mídia também se enrolou com a lei: o economista Roberto Gianetti, coordenador do programa de governo da candidatura do tucano João Dória ao governo do estado de SP, foi alvo de ação da PF como suspeito de integrar esquema de pagamento de propina a integrantes do Carf. O objetivo seria aliviar débitos fiscais da siderúrgica Paranapanema. Gianetti, que orbitava nínhos tucanos, foi secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior durante o governo de Fernando Henrique.
* Com vários políticos, empresários, economistas, doleiros, banqueiros e dirigentes esportivos em cana - muitos das suas relações - a velha mídia vai acabar montando sucursais no sistema prisional do país.
* Ministério da Cultura libera renúncia fiscal para o musical importado "O Fantasma da Ópera". São quase 30 milhões de verba pública. Curiosamente, antes o valor aprovado era de pouco menos de 10 milhões de reais. Aparentemente, os burocratas do governo se assustaram com fantasmas, reconsideraram a quantia e abriram o cofre. A verba liberada é recorde da Lei Rouanet, segundo a Folha de São Paulo.
* Conta a lenda que em uma cidade do Nordeste havia um religioso, o padre Jojô, que fazia questão de ensaiar pessoalmente o coro da igreja formado por devotas da região. Ele tanto se orgulhava das suas cantoras que até nas reuniões paroquiais exigia que elas falassem em jogral, como se fossem uma única voz. O padre perguntava como estava a arrecadação para a festa do padroeiro e o coro respondia em uníssono. Indagava sobre a organização da quermesse e a resposta vinha em dó maior coletivo. Leia as páginas de artigos e colunas dos grandes jornais, veja os comentários nas TVs e diga se não parecem tão iguais em opiniões e tão afinados entre si como se fossem o coral das devotas do padre Jojô. Os donos devem comandar pessoalmente os ensaios dos seus e suas coroinhas.
* A tropa de choque do ódio nas redes sociais tem mais um comercial do Neymar para malhar: o jogador e o filho Davi Lucca estão na campanha da C&A para o Dia dos Pais. Veja o vídeo AQUI
* A vida não está fácil pra ninguém. A novela "Jesus" não vai bem de audiência. No horário, a Record perde da Globo e do SBT. Mas não é verdade que a trama será encurtada e que serão feitas mudanças para "esquentar" a história.
* "Meu garoto!". A mãe de Osama bin Laden dá entrevista pela primeira vez. Ao Guardian, ela diz que o filho era um "bom menino" e foi vítima de influências, de más companhias e de "lavagem cerebral" em "cultos". Alia Ghanem mora na Arábia Saudita, país onde bin Laden nasceu e de onde partiram 15 dos 19 terroristas que participaram dos atentados de 11 de setembro. Mama Laden não fala sobre as ações jihadistas do seu baby.
* O mundo está negativado no cheque especial ambiental. A Global Footprint Network informa que a humanidade consumiu até ontem a soma de recursos naturais previstas para todo o ano de 2018. Sobre essa notícia, a Sputnik Brasil entrevistou o ambientalista Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, que atribui esse esgotamento de recursos ao padrão de consumo. Mantovani alerta: "Um presidente Trump nos EUA e até um Bolsonaro no Brasil falando em romper com a questão do clima vai ser o grande desafio do momento. É necessário manter essa unidade em torno desse objetivo. Afinal nós estamos falando do limite da Terra, não é um país ou outro que vai definir isso, é o conjunto".
quinta-feira, 2 de agosto de 2018
Viu isso? Roubaram a medalha do matemático. Não foi José Maria Marin
por O.V.Pochê
Em 2012, José Maria Marin, então vice-presidente da CBF e ex-lambe-botas da ditadura, embolsou uma das medalhas que entregava ao vencedores da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Na ocasião, o dirigente foi flagrado em um vídeo que viralizou na internet.
Marin fez escola.
Ontem, durante o Congresso Mundial de Matemática sediado pela primeira vez no Brasil, roubaram a medalha Fields concedida ao iraniano Caucher Birkar por suas contribuições à disciplina.
A Fields é considerada o "Nobel" da matemática.
Segundo o jornal O Globo, o iraniano deixou sua pasta com a medalha em um mesa na sala de convenções. Em pouco minutos, a Fields, feita em ouro de 14 quilates, foi afanada. Nenhum arrastão de favelado passou pelo recinto, pelo que se sabe.
Através das câmeras do Riocentro, um ladrão já teria sido identificado.
Não é José Maria Marin, que foi condenado por corrupção e atualmente está preso nos Estado Unidos.
Resta uma conclusão: o Rio de Janeiro não é para amadores.
Em 2012, José Maria Marin, então vice-presidente da CBF e ex-lambe-botas da ditadura, embolsou uma das medalhas que entregava ao vencedores da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Na ocasião, o dirigente foi flagrado em um vídeo que viralizou na internet.
Marin fez escola.
Ontem, durante o Congresso Mundial de Matemática sediado pela primeira vez no Brasil, roubaram a medalha Fields concedida ao iraniano Caucher Birkar por suas contribuições à disciplina.
A Fields é considerada o "Nobel" da matemática.
Segundo o jornal O Globo, o iraniano deixou sua pasta com a medalha em um mesa na sala de convenções. Em pouco minutos, a Fields, feita em ouro de 14 quilates, foi afanada. Nenhum arrastão de favelado passou pelo recinto, pelo que se sabe.
Através das câmeras do Riocentro, um ladrão já teria sido identificado.
Não é José Maria Marin, que foi condenado por corrupção e atualmente está preso nos Estado Unidos.
Resta uma conclusão: o Rio de Janeiro não é para amadores.
Jornalismo: o falso combate às notícias falsas...
por Eugênio Magno (para a revista IHU on Line, do Instituto Humanitas Unisinos) (*)
A expressão fake news que quer dizer notícia falsa e chega aos nossos olhos e ouvidos em idioma anglo-saxônico, com ares de novidade, não tem absolutamente nada de novo.
A mentira, a notícia falsa, o boato, o mexerico, a fofoca, a intriga, o sensacionalismo, o showrnalismo, a espetacularização do fato, a fabricação e a desconstrução de mitos, a propaganda enganosa, a publicidade travestida de notícia, o informe publicitário e o testemunhal – que confunde o leitor, o ouvinte e o telespectador –, são tão velhos quanto a vida humana no planeta.
No que diz respeito ao uso do smartphone, como veículo de comunicação, não se pode esquecer as reflexões teóricas de Marshall McLuhan, ao tratar dos meios de comunicação como extensões do homem. É preciso ter em mente que a fofoca de pé de ouvido vem sendo amplificada ao longo dos tempos, viralizou, caiu na rede, globalizou-se.
Os dispositivos digitais móveis permitem registros factuais e testemunhos muito críveis para os tempos em que vivemos. O cidadão comum se apropriou da tecnologia e saiu da condição de mero receptor de versões editadas dos fatos, ao bel-prazer da grande mídia, para o contracampo de emissor de informações. E quando lhe convém, a mídia também se utiliza, inclusive, desses registros, feitos pelo povo. Mas faz uma apropriação indevida dessa versão dos fatos; torna-se dona da voz, silenciando e invisibilizando a voz do dono.
Então, por que atribuir somente às redes sociais, a prática de fake news, especialmente num momento em que excelentes comunicadores – formados e sindicalizados ou não –, realizam o ideal do bom jornalismo, justamente nos espaços alternativos, e “cinegrafistas e fotógrafos amadores” colaboram com a grande mídia, disponibilizando conteúdos por eles produzidos?
Longe das censuras ideológicas e econômicas, das hierarquias dos veículos de comunicação de massa, respira-se informação democrática nos meios digitais, ainda que a contrapelo da enxurrada de fakes, trotes, piadas, pegadinhas, pirataria, mentiras, maledicências e impropérios, tão comuns na web. Tudo isso, sem nenhum tipo de controle. Diferentemente do que acontece na mídia tradicional, onde existe excesso de controle: da linha editorial e, fundamentalmente, da hierarquia, dos acionistas do grupo, dos anunciantes, da ideologia, do governo de plantão e de interesses geoeconômicos.
O tema das fake news necessita ser enfrentado com a seriedade e a abrangência que exige. As falsas notícias que destroem reputações de pessoas físicas e jurídicas, promovem o trucidamento público de carreiras e marcas, ferem os direitos humanos e sociais, estigmatizam países e marginalizam povos, etnias, raças, gêneros, classes sociais, categorias profissionais e comunidades, devem ser combatidas em todos os espaços de difusão em que ocorram.
Entretanto, está em curso no país uma grande onda de criminalização das chamadas fake news, com um forte acento e atenção para o que ocorre nas mídias sociais e no ciberespaço. Isto, em detrimento dos abusos, tanto do excesso de manipulação das notícias, quanto da subtração de informações relevantes e programas que valorizem a cultura e os movimentos identitários de nosso povo.
Senão, vejamos: dia desses, atendendo ao chamado de uma emissora de rádio, com cobertura nacional, especializada em notícias, que solicitava a participação dos ouvintes para opinar pelo Whatsapp sobre o uso do smartphone, numa clara intenção de desqualificar o dispositivo, a julgar pelas mensagens que os apresentadores selecionavam e colocavam no ar, quis contrapor àquela situação e levar um pouco de reflexão crítica e aprofundamento ao debate. Gravei uma mensagem de áudio e enviei à emissora. No áudio me identifiquei, como solicitado pela rádio e disse, sucintamente, em tom cordial, mas de forma clara e contundente que a questão mereceria uma análise mais profunda, até porque os celulares, os smartphones e as mídias sociais têm cumprido um papel social muito importante, até mesmo do ponto de vista da informação.
No momento em que me mobilizava para participar do programa, percebi que uma autoridade do judiciário, se não me engano um desembargador, falava sobre fake news, dizendo: "[...] se alguém suspeitar de uma fake news, especialmente nas redes sociais – que é onde elas mais acontecem – ligue, denuncie o fato a um grande veículo de comunicação, de credibilidade, como essa emissora, por exemplo, para que o autor de tal ato possa ser identificado e punido".
Diante da declaração absurda que ouvi, acrescentei um breve complemento sobre fake news, dizendo que as falsas notícias têm sido atribuídas de forma generalizada às mídias sociais e à internet, quando na verdade elas ocorrem também nos veículos tradicionais: jornais, rádios e televisões. E que o impacto e os danos causados por uma fake news na grande imprensa é bem maior do que aqueles provocados pela divulgação de boatos nos meios eletrônicos. Disse ainda que o tema não podia ser tratado com superficialidade, como vem sendo conduzido. E, finalizei com uma pequena mensagem de texto em que me colocava à disposição para uma conversa mais longa, com o objetivo de aprofundar a discussão ou de conceder uma entrevista, caso eles tivessem a real intenção de democratizarem esse debate.
Poucos minutos depois, o Whatsapp indicava que as mensagens de áudio e de texto haviam sido ouvidas e lidas. Até o momento não obtive nenhum retorno por parte da emissora de rádio, como já previa.
A hipocrisia e o sarcasmo com que o tema vem sendo tratado são escandalosos. Quem encabeça grande parte das discussões e propõe regulação para combater as fake news, da forma torta como estão fazendo, são órgãos representantes da grande mídia, políticos conservadores, envolvidos em escândalos e setores do judiciário que parecem desconhecer total e completamente de que forma acontece o fenômeno da comunicação e como se dão os processos comunicacionais na mídia.
A realidade é difusa. Os fatos, os acontecimentos, ocorrem a todo instante. Evoluem, desdobram-se e repercutem numa velocidade assombrosa. É praticamente impossível acompanhar todos os desdobramentos de uma ocorrência. Seus efeitos são tão ou mais significativos que os eventos e causas que os geraram, e as narrativas midiáticas ou testemunhais reproduzem os fatos a partir do seu ponto de vista, ou da vista de um ponto, ou seja, sempre como versão de um fato. Versão esta, contaminada pela cultura, pela ideologia, modos de ver e de dizer, do emissor da vez.
Para que a discussão sobre as fake news prospere – em profundidade – e daí surja uma regulamentação para essa prática condenável, será necessário muito mais do que uma canetada, o lobby da mídia hegemônica ou a massificação de um pacote pronto e acabado, produzido pela corrente ideológica da mordaça. Uma instância colegiada que venha tratar desse tema deve contar com representantes do mundo político, da grande imprensa, das plataformas digitais e do judiciário. Mas não pode prescindir dos leitores, dos ouvintes, dos telespectadores, dos comunicadores, dos professores, das universidades, de instituições como a ABI e a OAB, dentre outras, além de internautas, produtores de conteúdo e ativistas das mídias alternativas.
Queria entender o que há por trás, qual é o verdadeiro interesse dos grandes oligopólios de comunicação em combater as fake news da maneira como vêm fazendo (?).
Ao surfar na onda da devastação dos direitos democráticos, a grande mídia corre o risco de beber do seu próprio veneno e comprometer a liberdade de imprensa. É imperativo que os interesses coletivos, humanos e sociais estejam no epicentro da atividade jornalística. Sem mediação, só nos restará a barbárie.
(*) Eugenio Magno é comunicólogo e Doutor em Educação pela Faculdade de Educação (FaE/UFMG).
"A Farra dos Guardanapos": quando a corrupção, além de criminosa, é ridícula...
Um escândalo que já nasceu folclórico vira livro. "A Farra dos Guardanapos", de Sílvio Barsetti bota na mesa um dos episódios mais bregas do longo histórico da corrupção no Brasil.
Além da roubalheira em si, o dinheiro fácil fez explodir a cafonice e o deslumbramento que as fotos vazadas eternizaram. O livro mergulha na lama e nos bastidores da pajelança que Paris não merecia sediar.
O projeto gráfico é de André Hippert que, nos anos 1980, foi um dos ilustradores da revista Fatos.
A noite de autógrafos, no Rio, será no dia 8 de agosto, às 19 horas, na Blooks Livraria, que fica no Espaço Itaú de Cinema, Praia de Botafogo, 316.
O livro "A Farra dos Guardanapos" marca o lançamento da Editora Máquina de Livros, fundada pelos jornalistas Bruno Thys e Luiz André Alzer.
segunda-feira, 30 de julho de 2018
Comercial de Neymar para a Gillette é gestão de crise.
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| Reprodução You Tube |
por Niko Bolontrin
O Fantástico, ontem, exibiu um comercial de Neymar para a Gillette. Claro que faz parte de uma atitude programada, pós-Copa, pelo jogador e seu staff.
É pura gestão de crise. Não parece eficiente. As redes sociais estão criticando o filminho.
Aparentemente, como um dos náufragos do time de Tite na Rússia e protagonista de milhares de memes de cai-cai vistas por milhões nas redes sociais, Neymar foi convencido a cuidar dos danos à imagem, que são visíveis. Ele abre o vídeo com um verdade: é caçado em campo. Uma fratura na coluna, outra no pé, lesões musculares provocadas por pancadas, fora as de esforço físico, estão no seu prontuário. E admite outras evidências: exagera na simulação e nas reclamações.
Neymar fala do menino que ainda tem no peito. Nada contra. O poeta Mário Quintana dizia que nasceu menino e morreria menino. Talvez Neymar tenha que levar para o campo a alegria de menino ao jogar futebol. A paixão que mostrava em Santos como um dos Meninos da Vila somada à experiência que já tem.
Alguns comentaristas nem tão amadurecidos assim repetem que Neymar tem que "amadurecer', como se fosse uma manga. Com isso querem dizer que "amadurecer", no seu caso, aos 26 anos (!), é se enquadrar à síndrome de posse de bola e excesso de trocas de passes, de "roda de bobo" ampliada?
Se for isso, é melhor que Neymar permaneça "verde".
Futebol é gol. Pelo menos enquanto estiverem lá aquelas traves que o ingleses bolaram para sinalizar o objetivo do jogo. Acredita? Servem pra isso.
Outro dia o Flamengo empatou com o São Paulo e os especialistas elogiaram a posse de bola e o número de acertos em passes, "jogou melhor", decretaram. Legal, parabéns! Mas não passou do empate murcho.
Não foram poucas vezes que, na Copa, jogadores "limpavam" a bola, obtinham ângulo para chutar a gol, mas preferiam passar para o lateral que vinha esbaforido e já desequilibrado. Medo de bronca do treinador apaixonado por posse de bola?
Neymar, Ronaldo, Messi ficaram no meio do caminho, mas Mpabbé, Griezmann, Modric que dá assistência visando o ataque e não a jogada "de ladinho", Cavani, esse então só pensa naquilo, o gol, Hazard, um driblador, Kane, que usa a precisão do seu chute para enfiar a bola naquelas tais traves muitas vezes desprezadas, mostraram na Copa do Mundo que Ok para as triangulações, Ok para as inversões, para "jogar sem bola", mas uma hora alguém tem que sair do conforto de dar um simples passe lateral de três metros e encarar o marcador e tentar vencê-lo com o fundamento que expõe Neymar à caça e anda em baixa: o velho e bom drible.
Neymar vai continuar caindo. Sua trajetória mostra que, para a maioria dos marcadores, fazer falta é único recurso para lhe tomar a bola.
Que continue livre para driblar e para cair. Mas que volte a ser amigo da bola.
No momento, ela parece um peso que ele carrega tanto no PSG quanto na seleção.
VEJA O COMERCIAL DA GILETTE COM NEYMAR, CLIQUE AQUI
domingo, 29 de julho de 2018
Novos tempos para os ensaios fotográficos do Calendário Pirelli 2019. Publicação aposenta a sensualidade e investe em histórias femininas de "superação"
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| Calendário Pirelli 2019. Foto de Albert Watson/Divulgação |
Criado em 1964, o Calendário Pirelli tornou-se um ícone pop da fotografia. Modelos e atrizes que se destacaram em pouco mais de 50 anos passaram pela folhinha em ensaios sofisticados e sensuais, clicadas pelos mais importantes fotógrafos internacionais.
Esse trem já passou.
O Calendário Pirelli, que já foi ilustrado por um time sexy de brasileiras como Sonia Braga, Alessandra Ambrósio, Isabelli Fontana, Adriana Lima, Gisele Bundchen e Carol Trentini, deixa de mostrar mulheres "como objetos". A edição 2019 é comportada.
O fotógrafo Albert Watson, autor dos novos ensaios, convocou modelos para interpretar personagens que contracenam com homens, vivem situações "críticas" na vida e demonstram "superação". Um dos temas é a angústia de um mulher que vive enclausurada; outro, uma dançarina frustrada após a aposentadoria; ou uma que sonha em ser pintora; e, ainda, aquela que é fotógrafa especializada em botânica, mas que gostaria mesmo era de fazer retratos. Vivem perturbações diferentes, mas têm uma coisa em comum: são divas em clima retrô, quase vitoriano, acentuado pelo excesso de roupas.
Afinado com os novos tempos, pode ser pendurado, sem problemas, na parede do gabinete do papa Francisco, no Vaticano.
O Santo Ofício não vai reclamar.
sábado, 28 de julho de 2018
sexta-feira, 27 de julho de 2018
Liberou! O bicho vai pegar. Estudante americano já pode ir para a escola levando pistola 3D na lancheira?
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| Reprodução |
Em 2013, um estudante criou o projeto Distributed Defense como incentivo ao "faça você mesmo seu armamento". Inicialmente, a Justiça proibiu a divulgação da tecnologia que, agora, acaba de liberar. Os tutoriais voltam à web e, na prática, abrem o caminho para qualquer cidadão imprimir armas para uso próprio. Apenas se for vendê-la passará por algum controle mais ou menos rígido, a depender das leis estaduais.
As armas 3D são feitas de plástico, não têm número de série (cabe a quem fabrica solicitar um código às autoridades) e não são detectáveis por aparelhos magnéticos. A primeira arma 3D disparava apenas um tiro. Evoluíram: já há pistolas com carga de seis balas calibre .38
Em função da frequência de tiroteios e chacinas, muitas escolas americanas instalaram detectores de metais nas portarias. No caso das pistolas 3D a geringonça é inútil. Dá para levar na lancheira.
É o sonho de consumo da bancada da bala brasileira.
ATUALIZAÇÃO em 31/7/2018 - A justiça americana proibiu hoje a fabricação de armas 3D e a divulgação de manuais e métodos de produção de pistolas e fuzis caseiros.
quinta-feira, 26 de julho de 2018
Viu isso? Começou a Lava Coca?
Matéria de Leandro Prazeres, do UOL, revela que em depoimento à Polícia Federal o doleiro Carlos Alexandre de Souza Rocha contou que um dos mais badalados delatores da Lava Jato, Alberto Youssef, trabalhou para o traficante Luís Carlos da Rocha, o Cabeça Branca.
Youssef é, como se sabe, um homem de sorte. Foi indiciado no Caso Banestado, engrenagem de corrupção montada no fim dos anos 1990, fez delação premiada e foi solto pelo juiz encarregado do caso, Sergio Moro. Foi preso de novo na Lava Jato, colaborou e foi novamente premiado. Condenado a 122 anos de cadeia, caguetou e teve a pena reduzida para pouco mais de três anos. Cumpriu uma parte, passou para prisão domiciliar e já está livre, leve e solto. E com grana no bolso. Segundo O Globo, o acordo de delação tem uma cláusula chamada "de performance" que faz com que ele possa receber 1 milhão de reais para cada 50 milhões recuperados a partir das suas denúncias.
A Procuradoria da República no Paraná informou ao UOL que "se a ligação entre Youssef e Cabeça Branca ficar comprovada, o doleiro poderá voltar à cadeia".
Durante a Lava Jato, Youssef foi também processado pela suspeita de ter repassado 36 mil dólares ao traficante Renê Luís Pereira. O doleiro negou a remessa e foi absolvido daquela acusação.
Doutorado em bumbum, a nova e trágica "especialidade" brasileira...
O Conselho Federal de Medicina e os Conselhos Regionais se preocuparam tanto com os médicos cubanos que vieram ao Brasil que não prestaram atenção ou deixaram pra lá a mais nova "especialidade médica" do Brasil: os doutores e as doutoras Bumbum.
Os cubanos que foram trabalhar nos grotões do interior motivaram campanhas e passeatas de ódio e foram até apedrejados por médicos mais exaltados.
Os doutores Bumbum atuam praticamente à vontade em várias capitais. Nem se pode dizer que são clandestinos, vários deles têm páginas em redes sociais e não escondem o que fazem. Só quando protagonizam tragédias chamam a atenção dos tais conselhos e da polícia.
Pena que para as vítimas fatais já será tarde.
Os cubanos que foram trabalhar nos grotões do interior motivaram campanhas e passeatas de ódio e foram até apedrejados por médicos mais exaltados.
Os doutores Bumbum atuam praticamente à vontade em várias capitais. Nem se pode dizer que são clandestinos, vários deles têm páginas em redes sociais e não escondem o que fazem. Só quando protagonizam tragédias chamam a atenção dos tais conselhos e da polícia.
Pena que para as vítimas fatais já será tarde.
The Economist: Planeta Chinês assusta o Ocidente.
Desde que Donald Trump declarou guerra comercial ao mundo o planeta passou a girar em solavancos. A China deu respostas fiscais equivalentes. A Europa ameaçou. Mas, até aqui, pareciam apenas táticas de defesa.
A matéria de capa da Economist, nessa semana, é dedicada à carta que Pequim escondia sob a túnica: um agressivo e trilionário programa de desenvolvimento que ultrapassa suas fronteiras e terá impactos internacionais.
Trata-se de um plano que tem duas vertentes, que o governo de Xi Jinping está chamando de "Projeto do Século". Uma delas é batizada com uma metáfora típica da tradição chinesa: "Iniciativa do Cinturão e da Rota" ou "Nova Rota da Seda".
Sob esse guarda-chuva, a China vai despejar bilhões de dólares em financiamento de infraestrutura para expandir conexões comerciais com a Ásia, Europa e África. Portos, ferrovias, estradas e instalações industriais fazem parte da nova agenda global de desenvolvimento. "Esperamos desencadear novas forças econômicas para o crescimento global, construir novas plataformas para o desenvolvimento mundial e reequilibrar a globalização para que a humanidade chegue mais perto de uma comunidade de destino comum", diz Jinping.
Outras linhas de financiamento serão voltadas para um programa interno de ampliação de vias de trens de alta velocidade, construção civil, estradas, energia etc. Dentro e fora das suas fronteiras, o que a Chica anuncia é uma espécie de um New Deal, o programa de Roosevelt que tirou os Estados Unidos da crise, na década de 1930, multiplicado por mil.
O anúncio mexeu com Washington e com a União Europeia. Subitamente, Trump e líderes europeus congelaram disputas comerciais, baixaram o tom e abriram negociações.
The Economist admite que o programa chinês tem vantagens mas, sob o aspecto estratégico, ampliará a influência geopolítica de Pequim. A ironia é que a China está fazendo o Ocidente tremer com uma arma muito conhecida: o capitalismo. Não foi por falta de aviso: o livrinho vermelho de Mao Tsé Tung, de 1964, já dizia na página 22. "O caminho para a modernização da China será construído sobre os princípios da celeridade e simplicidade. Também não é legítimo relaxar e 50 anos depois, a modernização será realizada em uma escala maciça".
A revista inglesa, uma espécie de livro azul do capitalismo mundial, não esconde um certo pânico. E pergunta se o mundo deve temer ou saudar a resposta chinesa a Trump.
O fato é que o trem chinês já partiu. E vem lotado.
quarta-feira, 25 de julho de 2018
Quase 60 anos depois Paul McCartney volta a atravessar a Abbey Road. Ele postou um vídeo da cena...
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| CLIQUE AQUI |
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| Capa do álbum Abbey Road. Foto de Iain Mc Millan |
A imagem dos Beatles atravessando a rua completará 60 anos em 2019. Ontem, Paul McCartney antecipou a comemoração e cruzou de novo a faixa de pedestres da famosa esquina da Abbey Road com Grove End Road.
Ele mesmo postou no Instagram o vídeo gravado pela filha Mary McCartney. A internet se agitou com a cena.
Tite vai pra repescagem...
A CBF convidou Tite para permanecer à frente da seleção brasileira até 2022. Na prática, o treinador ganha mais uma chance e terá quatro anos e meio (a Copa do Catar será em novembro de 2022) para conhecer times como o da Bélgíca, por exemplo, que surpreendeu o Brasil na Rússia. Inicialmente, Tite terá vida mansa em amistosos contra seleções de pouca categoria, como a dos Estados Unidos. Seu primeiro teste nessa repescagem após o fracasso será a Copa America 2019, que o Brasil sediará.
Haverá uma certa pressão da torcida já que a seleção não ganha a Copa América desde 2007, com participação medíocre nas últimas três edições, e jogará em casa. E pressão é coisa que as últimas formações aparentemente não encaram com muita tranquilidade.
Depois da Copa América, virão a disputa pelo bicampeonato nas Olimpíadas de Tóquio, além das Eliminatórias.
Já a Europa não brinca em serviço. Em setembro próximo e até junho de 2019, as seleções locais estarão em ação no novo torneio Liga das Nações, criado para utilizar as antigas datas Fifa de amistosos. No dia 6 de setembro, jogam França X Alemanha; no dia 8, Inglaterra X Espanha; no dia 10, Portugal X Itália, entre outros bons confrontos.
Isso significa que o Brasil pode tirar da agenda amistosos com seleções europeias já que os poucos que jogavam eram aproveitando as tais datas Fifa. Chegará ao Catar pronto para se surpreender de novo, no pior sentido.
E mostra também que a Europa torna-se a cada dia o centro incontestável do futebol mundial, como, de resto a Copa da Rússia já demonstrou.
A triste realidade? O resto do mundo tende a ser periferia.
Haverá uma certa pressão da torcida já que a seleção não ganha a Copa América desde 2007, com participação medíocre nas últimas três edições, e jogará em casa. E pressão é coisa que as últimas formações aparentemente não encaram com muita tranquilidade.
Depois da Copa América, virão a disputa pelo bicampeonato nas Olimpíadas de Tóquio, além das Eliminatórias.
Já a Europa não brinca em serviço. Em setembro próximo e até junho de 2019, as seleções locais estarão em ação no novo torneio Liga das Nações, criado para utilizar as antigas datas Fifa de amistosos. No dia 6 de setembro, jogam França X Alemanha; no dia 8, Inglaterra X Espanha; no dia 10, Portugal X Itália, entre outros bons confrontos.
Isso significa que o Brasil pode tirar da agenda amistosos com seleções europeias já que os poucos que jogavam eram aproveitando as tais datas Fifa. Chegará ao Catar pronto para se surpreender de novo, no pior sentido.
E mostra também que a Europa torna-se a cada dia o centro incontestável do futebol mundial, como, de resto a Copa da Rússia já demonstrou.
A triste realidade? O resto do mundo tende a ser periferia.
Facebook tira do ar rede de perfis falsos da direita radical
O Facebook acaba de retirar do ar um rede de páginas e contas ligadas a líderes do Movimento Brasil Livre, o MBL.
Segundo o Face a medida faz parte de uma intensa campanha de combate a notícias falsas. Nos últimos meses, uma investigação identificou centenas de páginas que configuraram uma rede de perfis falsos ativos na difusão de fakenews.
Em um ano eleitoral, será necessário combater a desinformação. Normalmente, redes falsas têm sustentação milionária, propósitos obscuros, acionam robots, atingem reputações e falsificam repercussões. Muitas são processadas judicialmente, mas é difícil reparar danos já realizados. Esquemas como esse equivalem a versões cibernética das tropas de choque da direita.
Segundo o Face a medida faz parte de uma intensa campanha de combate a notícias falsas. Nos últimos meses, uma investigação identificou centenas de páginas que configuraram uma rede de perfis falsos ativos na difusão de fakenews.
Em um ano eleitoral, será necessário combater a desinformação. Normalmente, redes falsas têm sustentação milionária, propósitos obscuros, acionam robots, atingem reputações e falsificam repercussões. Muitas são processadas judicialmente, mas é difícil reparar danos já realizados. Esquemas como esse equivalem a versões cibernética das tropas de choque da direita.
Nas redes sociais, a rádio Jovem Pan virou Jovem Klan... E Veja sofre bullying
A internet não perdoa. Fortemente identificada com a direita radical, a rádio Jovem Pan, ganhou um apelido revelador: Jovem Klan. A piada é boa, mas a realidade, não. A emissora é hoje um célula de difusão do atraso em questões sociais, políticas, de comportamento, de diversidade. Não, a Jovem Klan não transmite dos grotões Sul preconceituosos dos Estados Unidos nem dos bolsões retrógados da Europa Oriental. Irradia de São Paulo mesmo.
Outra empresa jornalística a sofrer bullying na rede e a Abril. Depois da notícia da grave crise financeira da editora, os gaiatos da internet espalham que uma das medidas de economia é transformar Veja e Exame em uma só revista que se chamará... Vexame.
Outra empresa jornalística a sofrer bullying na rede e a Abril. Depois da notícia da grave crise financeira da editora, os gaiatos da internet espalham que uma das medidas de economia é transformar Veja e Exame em uma só revista que se chamará... Vexame.
segunda-feira, 23 de julho de 2018
Bossa 60: passo e compasso - A exposição que transporta o visitante às imagens e aos sons do Rio em 1958
Em cartaz no Espaço Cultural BNDES, no Rio de Janeiro, a exposição "Bossa 60: passo a compasso", uma idealização de Valéria Machado Colela e curadoria do jornalista e crítico musical Tárik de Souza, oferece uma jornada de imagens e sons ao marco inicial da Bossa Nova, em 1958. A mostra possibilita aos visitantes ouvir músicas referenciais, além da leitura de letras antológicas, das capas originais de LPs históricos, as imagens raras de bastidores do nascimento do novo gênero e um clipe de cenas de Ipanema no fim dos anos 1950 e na década de 1960. O autor da foto acima, uma das dezenas de imagens expostas, é Antonio Trindade, fotógrafo que trabalhou na Manchete, Fatos & Fotos e O Globo. Nas palavras de Tárik de Souza, "a exposição procura, através das músicas e imagens da época, esmiuçar as transformações ocorridas no país, em paralelo e, em alguns casos, em parceria) com o cinema novo e com o teatro de vanguarda, além das artes plásticas, literatura, e das mudanças sociais e de costumes".
domingo, 22 de julho de 2018
Roberto Medina e Bolsonaro: deu match!
Segundo a coluna de Lauro Jardim, Globo, o publicitário Roberto Medina dirige Jair Bolsonaro nas gravações no candidato da direita para o programa eleitoral e para as redes sociais.
Tem a ver.
O ex-deputado Rubem Medina, irmão e sócio do criador do Rock'n Rio, foi do MDB, "oposição", e depois do PDS, que era continuidade da Arena, "situação". Os dois partidos foram criados pela ditadura militar para ajudar na cenografia política do regime. Rubem Medina ausentou-se do plenário na sessão que derrubou as Diretas-Já e, em seguida, apoiou Maluf contra Tancredo em votação no Colégio Eleitoral, o espúrio órgão da ditadura que "elegia" presidentes.
Deu match. Há um certo DNA aí coincidente entre os códigos genéticos dos Medina e dos Bolsonaro?
Tem a ver.
O ex-deputado Rubem Medina, irmão e sócio do criador do Rock'n Rio, foi do MDB, "oposição", e depois do PDS, que era continuidade da Arena, "situação". Os dois partidos foram criados pela ditadura militar para ajudar na cenografia política do regime. Rubem Medina ausentou-se do plenário na sessão que derrubou as Diretas-Já e, em seguida, apoiou Maluf contra Tancredo em votação no Colégio Eleitoral, o espúrio órgão da ditadura que "elegia" presidentes.
Deu match. Há um certo DNA aí coincidente entre os códigos genéticos dos Medina e dos Bolsonaro?
E a periferia virou celebridade
A campanha politica de 2018, a do TRE, não começou ainda na TV, mas a de 2022 já. O Caldeirão de Luciano Huck, ex-presidenciável e que não descarta ser futuro candidato, tem jeito, pauta e conteúdo de "horário eleitoral" antecipado. A hastag "#euamoaperiferia" está mais ativa do que nunca.
sábado, 21 de julho de 2018
Né? Brasil tá muito bizarro...
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| Reprodução NY Times |
* Anos de Chumbo, segunda geração - New York Times adverte: Militares brasileiros caminham para entrar na política pelo voto ou pela força.
* "Agora você!" - Suspeito de provocar a morte de paciente, o Dr. Bumbum dá entrevista coletiva, dirige as perguntas dos jornalistas e comanda o reality show na delegacia. Depois, já como celebridade, posa com policia. A mídia internacional, aliás, gostou desse assunto. Nem se deu ao trabalho de traduzir para Doctor Ass ou Doctor Booty. Nada mais natural para o país que inventou o concurso Miss Bumbum e tem algumas bancadas de bundões no Congresso do que ter em seu corpo médico um Dr. Bumbum. O Jornal Maia Hora também se diverte
* Matou os pais e vai ao cinema - Uma certa Galeria Distribuidora anuncia que vai produzir o filme "A Menina que Matou os Pais". É sobre a saga de Suzane Von Richthofen e Daniel Cravinhos, condenados pelo assassinato dos pais de Suzane em 2002.
* Estrela - O Juiz Marcelo Bretas, o Moro da Lava Jato carioca, está na Flip 2018, a feira literária de Paraty. Não há registro de que Bretas seja escritor, mas já declarou que a bíblia é o principal livro da sua vara. Já o "Japonês da Federal" não foi convidado para a Flip. Sua atuação literária é através do livro “O Carcereiro – O Japonês da Federal e os presos da Lava Jato”, escrito pelo jornalista Luís Humberto Carrijoy, do qual o policial Newton Ishii é personagem.
* "Malvados favoritos" - A advogada do golpe, Janaína Paschoal, poderá ser a vice da Jair Bolsonaro. É o que dizem os jornais. Como Bolsonaro lidera as pesquisas sem Lula no páreo, já tem espaço generoso na mídia, agrada à direita, ao mercado, a setores militares, policiais e evangélicos, não é ficção ter a dupla no comando do país em 2019. Talvez sejam até shippados nas redes sociais como Era Bojaína.
* Praga - O Estado Crivalânico, o regime atual da cidade do Rio de Janeiro, promoveu sua primeira "decapitação" em série. Para punir vereadores que votaram a favor da abertura do processo do seu afastamento, o prefeito pediu as cabeças dos apadrinhados pelos "infiéis". Segundo O Globo, 60 pessoas já foram exoneradas.
* Auxílio jatinho - Estuda-se um campanha para privatizar cantores sertanejos ("universitários" ou pós-doutorados"), de axé, de forró. Ocorre que shows em feiras agropecuárias, aniversários de municípios, chá-de-bebê de primeira-dama, Réveillon, sem falar em carnaval na data e fora de época e mês do São João são, na maioria, bancados por dinheiro público de estados e prefeituras. Há uma importante participação do contribuinte em jatinhos, mansões e carrões da turma...
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| Reprodução |
* Transparência - Na Abril sob nova direção, Geraldo Alckmin é papel de parede na conta Veja do Twitter.
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| Reprodução |
* Temer 2 - As redes sociais entenderam direitinho. Sai o rascunho entra a cópia borrada.
Computador fica maluco e escala Grêmio e Flamengo entre os dez melhores times do mundo. Na real, nem as respectivas torcidas acreditam nisso...
por Niko Bolontrin
O site Club World Ranking, como o nome diz, lista semanalmente os melhores clubes de futebol do mundo. Baseia-se em estatísticas e critérios próprios de pontuação. A lista mais recente aponta o Grêmio como o 4° e Flamengo como o 10° melhor time do mundo.
Antes da Copa, outro ranking, o da Fifa, colocava o Brasil como a segunda melhor seleção do mundo, perdendo apenas para a Alemanha. No campo, sem firulas matemáticas, na real, o Brasil ficou em 6° lugar e a Alemanha na 22ª posição.
Até o começo da década de 1970, os principais times brasileiros faziam longas excursões à Europa e enfrentavam as melhores equipes do continente. Faturavam algum e preparavam os times para a temporada. Essas excursões acabaram não só pelos calendários, lá e cá intensos, mas, principalmente, porque ninguém mais quer pagar para ver time brasileiro jogar. Pagava-se para ver Pelé, Garrincha, Rivelino, Coutinho, Vavá, Bellini, Dida, Nilton Santos, Didi etc. Desde os anos 1990, de Romário a Ronaldo, Rivaldo, Juninho, Ronaldo Gaúcho, os melhores jogadores do país já são "europeus".
Daí, são raros os confrontos com equipes europeias, restando o desprestigiado mundial de clubes. A comparação dos times em jogo, com bola rolado e não em softs de computação, que é o que vale, não mais existe.
Qualquer um que assista a Premier Ligue, a Bundesliga, La Liga, a Liga Italiana vai duvidar do ranking do CWR.
O Flamengo, por exemplo, está em 10°, à frente do Chelsea, dos Manchester City e United, do Roma, do PSG e do Arsenal, entre outros. O Grêmio está em 4° lugar. Não há overdose de chimarrão que justifique isso. Recorde-se que em um raro confronto com time de ponta, os gaúchos perderam para o Real Madrid no mundial de clubes do ano passado. O Flamengo foi desclassificado da Libertadores pelo San Lorenzo que está em 30°.
Nem os torcedores do Flamengo e do Grêmio acreditam nesse ranking.
Em tempo: o ranking é semanal, o que significa dizer que nesse dias os clubes europeus estão em férias ou preparando-se para a temporada 2018-2019. Mesmo sem jogar, Real Madrid e Barcelona lideram esse cômico ranking.
O site Club World Ranking, como o nome diz, lista semanalmente os melhores clubes de futebol do mundo. Baseia-se em estatísticas e critérios próprios de pontuação. A lista mais recente aponta o Grêmio como o 4° e Flamengo como o 10° melhor time do mundo.
Antes da Copa, outro ranking, o da Fifa, colocava o Brasil como a segunda melhor seleção do mundo, perdendo apenas para a Alemanha. No campo, sem firulas matemáticas, na real, o Brasil ficou em 6° lugar e a Alemanha na 22ª posição.
Até o começo da década de 1970, os principais times brasileiros faziam longas excursões à Europa e enfrentavam as melhores equipes do continente. Faturavam algum e preparavam os times para a temporada. Essas excursões acabaram não só pelos calendários, lá e cá intensos, mas, principalmente, porque ninguém mais quer pagar para ver time brasileiro jogar. Pagava-se para ver Pelé, Garrincha, Rivelino, Coutinho, Vavá, Bellini, Dida, Nilton Santos, Didi etc. Desde os anos 1990, de Romário a Ronaldo, Rivaldo, Juninho, Ronaldo Gaúcho, os melhores jogadores do país já são "europeus".
Daí, são raros os confrontos com equipes europeias, restando o desprestigiado mundial de clubes. A comparação dos times em jogo, com bola rolado e não em softs de computação, que é o que vale, não mais existe.
Qualquer um que assista a Premier Ligue, a Bundesliga, La Liga, a Liga Italiana vai duvidar do ranking do CWR.
O Flamengo, por exemplo, está em 10°, à frente do Chelsea, dos Manchester City e United, do Roma, do PSG e do Arsenal, entre outros. O Grêmio está em 4° lugar. Não há overdose de chimarrão que justifique isso. Recorde-se que em um raro confronto com time de ponta, os gaúchos perderam para o Real Madrid no mundial de clubes do ano passado. O Flamengo foi desclassificado da Libertadores pelo San Lorenzo que está em 30°.
Nem os torcedores do Flamengo e do Grêmio acreditam nesse ranking.
Em tempo: o ranking é semanal, o que significa dizer que nesse dias os clubes europeus estão em férias ou preparando-se para a temporada 2018-2019. Mesmo sem jogar, Real Madrid e Barcelona lideram esse cômico ranking.
sexta-feira, 20 de julho de 2018
Grupo Abril: árvore desfolhada...
Rumores de que a Abril estava no limite da faixa de risco em função de prejuízos acumulados e crescentes eram conhecidos. Na última semana, sites especializados em mercado de comunicação deram a palavra aos herdeiros de Roberto Civita, que minimizaram a crise e pintaram um retrato até otimista do momento da editora, que estaria motivada para sair da encrenca, algo como se viu nas palestras de Tite antes da derrocada da seleção na Rússia.
Não estava.
Coube ao colunista Lauro Jardim, do Globo, abrir a caixa de segredos: Giancarlo Civita, presidente executivo, e Victor Civita Neto, presidente do conselho editorial, deixaram ontem o comando do grupo por recomendação de bancos credores que contrataram um empresa de auditoria para varrer a poeira e levantar o tapete da crise. Giancarlo Civita e Victor Civita Neto perdem os cargos executivos, mas permanecem em assentos do conselho editorial e no controle acionário. O novo presidente é Marcos Haaland, da consultoria Alvarez & Marsal
Para jornalistas e demais funcionários, não há notícia boa. Tem sido assim no últimos cinco anos. Vários executivos passaram pela presidência do grupo. Em comum, deixaram apenas um rastro de demissões.
Prevê-se, agora, um corte de mais de 300 funcionários. Não há teto para o número, que os mais pessimistas acreditam que se aproximará de mil.
Não estava.
Coube ao colunista Lauro Jardim, do Globo, abrir a caixa de segredos: Giancarlo Civita, presidente executivo, e Victor Civita Neto, presidente do conselho editorial, deixaram ontem o comando do grupo por recomendação de bancos credores que contrataram um empresa de auditoria para varrer a poeira e levantar o tapete da crise. Giancarlo Civita e Victor Civita Neto perdem os cargos executivos, mas permanecem em assentos do conselho editorial e no controle acionário. O novo presidente é Marcos Haaland, da consultoria Alvarez & Marsal
Para jornalistas e demais funcionários, não há notícia boa. Tem sido assim no últimos cinco anos. Vários executivos passaram pela presidência do grupo. Em comum, deixaram apenas um rastro de demissões.
Prevê-se, agora, um corte de mais de 300 funcionários. Não há teto para o número, que os mais pessimistas acreditam que se aproximará de mil.
quinta-feira, 19 de julho de 2018
Justiça do PR contraria STF e ainda manda indenizar delegada
A justiça do PR manteve a censura em sentença: o leitor ganhou, mas não levou!
por Marcelo Auler (Blog Marcelo Auler Repórter) (*)
No último dia 5 de junho, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ao apreciar a Reclamação 28747, cassou a liminar do 8º Juizado Especial Cível de Curitiba que censurou este Blog (STF cassa censura da DPF Érika ao Blog). Apesar disso, o site continua impedido de divulgar as reportagens “Novo ministro Eugênio Aragão brigou contra e foi vítima dos vazamentos” (16 de março de 2016) e “Carta aberta ao ministro Eugênio Aragão” (22 de março de 2016). Ou seja, os leitores, segundo os ministros do STF têm o direito de ler as postagens. Mas a Justiça do Paraná não permite.
Ao fazê-lo, mais uma vez atropela o que dita a Constituição e desrespeita o Estado Democrático de Direito que não admite censura, como reforçaram diversos julgados do órgão máximo do Judiciário, o STF.
Tudo em consequência das decisões da Juíza Leiga Bruna Alexandra Radoll Neumann e do juiz togado Nei Roberto de Barros Guimarães. Ela, ao analisar o processo movido pela delegada de Polícia Federal Erika Mialik Marena – ex-Operação Lava Jato, ex-Operação Ouvido Moucos e, hoje, superintendente do Departamento de Polícia Federal (DPF) em Sergipe – apesar de todas as provas juntadas aos autos, considerou parcialmente procedente a pretensão da policial para: converter a tutela provisória concedida em definitiva (Evento 9.1), determinando que Marcelo José Cruz Auler retire de seu blog (internet) as matérias nas quais menciona o nome da reclamante de maneira vexatória, sobretudo, as matérias “Novo Ministro Eugênio Aragão brigou contra e foi vítima dos vazamentos” e “Carta aberta ao ministro Eugênio Aragão”, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, pena de multa diária de R$ 400,00 (quatrocentos reais), limitada a 20 (vinte) dias; condenar Marcelo José Cruz Auler ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), corrigido monetariamente pela média do INPC/IGP-DI a partir da presente decisão e com juros de mora de 1% (um por cento) ao mês a partir do evento danoso”.
Essa sentença, de 08 de maio de 2018, foi homologada pelo juiz Barros Guimarães, titular do 8º Juizado. Foi ele quem, em 30 de março de 2016, diante da queixa da delegada e antes mesmo de intimar o Blog sobre o processo, determinou a censura pedida pela policial. Censura que ele manteve, agora por sentença, mesmo com a recente decisão do Supremo.
Ele foi alertado da decisão da 1ª Turma do STF pelo escritório Rogério Bueno, Advogados Associados, de Curitiba (PR), que defende “Pró-Bono” o Blog.
Inclusive sobre o fato de a ministra Rosa Weber ao se manifestar sobre o caso, considerar “incongruência na decisão do juízo de origem, de caráter liminar, que determinou a exclusão das matérias antes mesmo de ser julgado, no mérito, se houve ou não ofensa”, como noticiou a assessoria de imprensa do STF.
Na informação do próprio site do STF, para seus ministros só cabe retirar reportagens de blogs quando evidenciado dolo por parte do autor da matéria.
No entendimento do ministro Luiz Fux, a decisão do 8º Juizado Especial de Curitiba “representa afronta ao julgado na ADPF 130, pois não ficou claro que o intuito do jornalista tenha sido o de ofender a honra da delegada mediante a divulgação de notícia sabidamente falsa contra sua honra, mas sim apontar a existência de vazamentos de informações na Operação Lava-Jato e, para tanto, identificou supostas fontes”.
Ainda assim, o juiz togado não quis rever a decisão (veja reprodução acima) que contraria diretamente todos os entendimentos do Supremo de que a liberdade de expressão e pensamento estão acima de qualquer outro direito. Em 14 de junho, ele registrou que a decisão do STF se referia à “tutela antecipada” e não atingia a determinação daquele Juizado, agora emanada de uma sentença condenatória. Como o Supremo ainda não publicou o acórdão, a defesa do Blog não teve como provocá-lo novamente sobre a insistência do juízo em censurar.
No Embargo impetrado contra a condenação no Paraná, o advogado Rogério Bueno da Silva destacou que “da leitura atenta da sentença ora embargada, depreende-se que quase todas as provas juntadas sequer foram analisadas pela ilustre Julgadora Leiga”. Na quinta-feira (12/07) ele ajuizou Recurso à Turma Recursal de Curitiba na tentativa de reverter a condenação e a censura que a juíza leiga e o juiz togado continuam impondo ao Blog.
No recurso, ele demonstra que foram desprezadas as provas – documentos oficiais – e testemunhos – do ex-ministro da Justiça e subprocurador-geral da República aposentado Eugênio Aragão e do ex-diretor-geral do DPF, delegado aposentado Paulo Fernando Lacerda – levados ao processo. Um exemplo é quando a juíza leiga diz:
“Na primeira matéria (Eventos 1.3 e 1.5), o reclamado afirmou que o então Ministro da Justiça Eugênio Aragão virou alvo de uma representação assinada pela reclamante. Ocorre que o reclamado não apresentou, nos autos, a referida representação. Na verdade, o reclamado copiou uma nota publicada pela Revista Veja, não verificando a sua procedência (Evento 1.4)”.
(*) Marcelo Auler foi repórter na revista Manchete entre 1974 e 1978.
LEIA MAIS INFORMAÇÕES E VEJA DOCUMENTOS NO BLOG MARCELO AULER REPÓRTER, CLIQUE AQUI
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| Reprodução Blog Marcelo Auler Repórter |
No último dia 5 de junho, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ao apreciar a Reclamação 28747, cassou a liminar do 8º Juizado Especial Cível de Curitiba que censurou este Blog (STF cassa censura da DPF Érika ao Blog). Apesar disso, o site continua impedido de divulgar as reportagens “Novo ministro Eugênio Aragão brigou contra e foi vítima dos vazamentos” (16 de março de 2016) e “Carta aberta ao ministro Eugênio Aragão” (22 de março de 2016). Ou seja, os leitores, segundo os ministros do STF têm o direito de ler as postagens. Mas a Justiça do Paraná não permite.
Ao fazê-lo, mais uma vez atropela o que dita a Constituição e desrespeita o Estado Democrático de Direito que não admite censura, como reforçaram diversos julgados do órgão máximo do Judiciário, o STF.
Tudo em consequência das decisões da Juíza Leiga Bruna Alexandra Radoll Neumann e do juiz togado Nei Roberto de Barros Guimarães. Ela, ao analisar o processo movido pela delegada de Polícia Federal Erika Mialik Marena – ex-Operação Lava Jato, ex-Operação Ouvido Moucos e, hoje, superintendente do Departamento de Polícia Federal (DPF) em Sergipe – apesar de todas as provas juntadas aos autos, considerou parcialmente procedente a pretensão da policial para: converter a tutela provisória concedida em definitiva (Evento 9.1), determinando que Marcelo José Cruz Auler retire de seu blog (internet) as matérias nas quais menciona o nome da reclamante de maneira vexatória, sobretudo, as matérias “Novo Ministro Eugênio Aragão brigou contra e foi vítima dos vazamentos” e “Carta aberta ao ministro Eugênio Aragão”, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, pena de multa diária de R$ 400,00 (quatrocentos reais), limitada a 20 (vinte) dias; condenar Marcelo José Cruz Auler ao pagamento de indenização por danos morais no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), corrigido monetariamente pela média do INPC/IGP-DI a partir da presente decisão e com juros de mora de 1% (um por cento) ao mês a partir do evento danoso”.
Essa sentença, de 08 de maio de 2018, foi homologada pelo juiz Barros Guimarães, titular do 8º Juizado. Foi ele quem, em 30 de março de 2016, diante da queixa da delegada e antes mesmo de intimar o Blog sobre o processo, determinou a censura pedida pela policial. Censura que ele manteve, agora por sentença, mesmo com a recente decisão do Supremo.
Ele foi alertado da decisão da 1ª Turma do STF pelo escritório Rogério Bueno, Advogados Associados, de Curitiba (PR), que defende “Pró-Bono” o Blog.
Inclusive sobre o fato de a ministra Rosa Weber ao se manifestar sobre o caso, considerar “incongruência na decisão do juízo de origem, de caráter liminar, que determinou a exclusão das matérias antes mesmo de ser julgado, no mérito, se houve ou não ofensa”, como noticiou a assessoria de imprensa do STF.
Na informação do próprio site do STF, para seus ministros só cabe retirar reportagens de blogs quando evidenciado dolo por parte do autor da matéria.
No entendimento do ministro Luiz Fux, a decisão do 8º Juizado Especial de Curitiba “representa afronta ao julgado na ADPF 130, pois não ficou claro que o intuito do jornalista tenha sido o de ofender a honra da delegada mediante a divulgação de notícia sabidamente falsa contra sua honra, mas sim apontar a existência de vazamentos de informações na Operação Lava-Jato e, para tanto, identificou supostas fontes”.
Ainda assim, o juiz togado não quis rever a decisão (veja reprodução acima) que contraria diretamente todos os entendimentos do Supremo de que a liberdade de expressão e pensamento estão acima de qualquer outro direito. Em 14 de junho, ele registrou que a decisão do STF se referia à “tutela antecipada” e não atingia a determinação daquele Juizado, agora emanada de uma sentença condenatória. Como o Supremo ainda não publicou o acórdão, a defesa do Blog não teve como provocá-lo novamente sobre a insistência do juízo em censurar.
No Embargo impetrado contra a condenação no Paraná, o advogado Rogério Bueno da Silva destacou que “da leitura atenta da sentença ora embargada, depreende-se que quase todas as provas juntadas sequer foram analisadas pela ilustre Julgadora Leiga”. Na quinta-feira (12/07) ele ajuizou Recurso à Turma Recursal de Curitiba na tentativa de reverter a condenação e a censura que a juíza leiga e o juiz togado continuam impondo ao Blog.
No recurso, ele demonstra que foram desprezadas as provas – documentos oficiais – e testemunhos – do ex-ministro da Justiça e subprocurador-geral da República aposentado Eugênio Aragão e do ex-diretor-geral do DPF, delegado aposentado Paulo Fernando Lacerda – levados ao processo. Um exemplo é quando a juíza leiga diz:
“Na primeira matéria (Eventos 1.3 e 1.5), o reclamado afirmou que o então Ministro da Justiça Eugênio Aragão virou alvo de uma representação assinada pela reclamante. Ocorre que o reclamado não apresentou, nos autos, a referida representação. Na verdade, o reclamado copiou uma nota publicada pela Revista Veja, não verificando a sua procedência (Evento 1.4)”.
(*) Marcelo Auler foi repórter na revista Manchete entre 1974 e 1978.
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