domingo, 9 de setembro de 2018

A pergunta de 1 milhão de dólares: faca amolada corta votos de adversários?

Ontem, no hospital, Bolsonaro retomou
o gesto-símbolo da sua campanha. Reprodução Twitter
O modelo piegas das "análises" políticas da mídia conservadora sobre o ataque Bolsonaro, a faca - "em nome de Deus", segundo o agressor - foi vencido por uma foto.

O filho do candidato postou no Twitter uma imagem do presidenciável simulando atirar, gesto que é uma marca da sua campanha e é repetido nos seus palanques em todo o país.

Articulistas defenderam que a cena do ataque terá grande impacto na campanha e divulgaram a hipótese de que o capitão inativo, agora vítima, não é afinal tão assombroso assim para a democracia, os costumes, as instituições e nem mesmo para o campo que ele demonstra ódio: o dos direitos humanos. Aventou-se a tese cor de rosa de que quem tangencia a morte muda para melhor. "Bolsonaro não é vilão", afirma colunista da Folha, enquanto, no mesmo jornal, Jânio de Freitas lembra que "a vitimização de Bolsonaro não é motivo para atenuar-se a responsabilidade de sua pregação". Na sua coluna no Globo, hoje, passado o primeiro impacto do atentado, Ascânio Seleme registra que muitos analistas sugeriram que a hora é de união, mas "nenhuma palavra, ou poucas, para não parecer exagero, contra o discurso de Bolsonaro que defende a ditadura, a tortura, o uso da violência como método. Fica chato atacar o atacado", conclui.

A foto de Bolsonaro mostra que seu radicalismo está firme e deverá voltar revigorado na reta final da campanha. Que o acontecimento de Juiz de Fora fará o candidato subir nas pesquisas e reverter provavelmente os índices crescentes de desaprovação que as sondagens registravam até aqui, parece certo. Se esse efeito terá força para levá-lo à vitória no primeiro turno ou por folgada maioria no segundo, só os próximos levantamentos, a partir de amanhã, dirão.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Queima de arquivo da História: foi-se a primeira propina imperial

Quinta da Boa Vista. Aquarela do pintor alemão Thomas Ender. Reprodução

por Jean-Paul Lagarride 

A margem da enorme tragédia cultural que foi o incêndio que consumiu o Museu Nacional, vale retirar uma real news dos escombros da História.

O Palácio da Quinta da Boa Vista foi a primeira residência de D. João VI no Rio.

Não exatamente a primeira.

Ao chegar ao Rio em 1808, a Família Imperial hospedou-se no Paço da Praça Quinze, então Casa dos Governadores e Vice-Reis. Por sua localização, o Paço era o destino final das enxurradas que na época desciam das montanhas do Maciço da Tijuca – praticamente careca, desmatada que fora para o plantio de cafeeiros. Ao passar pelos bairros populares, estas enxurradas eram enriquecidas por todo tipo de sujeiras, entulhos, esgotos a céu aberto: pode-se imaginar o cheiro das águas lamacentas que regularmente invadiam o Paço Imperial.

Compadecido com a situação de D. João VI e de seus familiares, o rico comerciante português e traficante de escravos Elias Antonio Lopes presenteou-o com o sítio conhecido como "Chácara do Elias", onde havia um casarão que logo uma reforma completa transformaria em belo palacete.

Tudo isso, é claro, em troca de certos favores e sem risco de lava jato, equipamento que não atendia as carruagens nos idos de 1808... No mesmo ano, o esperto Elias foi nomeado tabelião da Vila de Paraty. Dois anos depois, em 1810, tornou-se alcaide-mor da Vila de São João del-Rei e, em seguida, provedor da Casa de Seguros da Corte, além de assumir a responsabilidade pela arrecadação de impostos e várias localidades.

Foi ali que cresceram os Pedros I e II. Dom Pedro II residiu ali toda sua vida, até sua destituição em 1889 e a deportação para a Europa.

Imperador culto, apreciador das artes e das ciências, montou na Quinta da Boa Vista um museu de valor incalculável, que tinha como uma das principais atrações a famosa múmia trazida do Egito.

Em mais um exemplo de descaso criminoso das "autoridades" brasileiras, mais de 20 milhões de  peças, de valor inestimável, foram consumidas pelo fogo no incêndio deste domingo, 2 de setembro de 2018.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Armando Rozário: detalhes do processo contra a Manchete, que se tornou referência na luta pelo direito autoral do fotógrafo


Ontem, no texto-homenagem "Armando Rozário: do outro lado do mundo", publicado aqui e no blog Bonecos da História, o fotojornalista e escritor Guina Araújo Ramos cita o processo que Rozário moveu contra a Manchete e que se tornou um marco na defesa dos direitos autorais dos fotógrafos brasileiros.

Aquele caso envolveu uma foto hoje histórica de Júlia Kubitschek, mãe de JK. Mas faltava detalhar o episódio. O próprio Guina saiu em busca de mais informações e recebeu de Luiz Ferreira reportagem publicada em 2003 na revista Photo Espaço, da Associação Brasileira de Arte Fotográfica (ABAF), em que Armando Rozário explica direitinho a história da famosa foto da mãe do JK.

A seguir, as digitalizações da entrevista que ele concedeu a Luiz Ferreira, também autor das fotos de capa e abertura da matéria, com texto de apresentação de George Racz.

Na terceira reprodução abaixo, página 10 da Photo Espaço, estão a foto da D. Júlia que, aos 98 anos tornou-se pivô de uma questão de direitos autorais, e a história do processo que começou em 1968 e foi até o Supremo Tribunal Federal onde, em 1977, Rozário finalmente venceu a questão. Foi a primeira vez que o STF deliberou sobre o direito autoral de um fotógrafo.





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Para ampliar, clique nas imagens

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Fique atento à checagem das fakenews do momento...

por Agência de Checagem Casca de Ovo

* Não é verdade que Bolsonaro foi resgatado dos escombros Museu Nacional. Álvaro Dias também foi visto na Quinta da Boa Vista, mas, ao contrário do que foi maldosamente divulgado, não era um sobrevivente do incêndio que destruiu o museu.

* Não é verdade que equipamentos de contagem de decibéis do TSE estão monitorando a propaganda de Marina Silva após denúncias de que a candidata está gritando muito e agravando a poluição sonora.

* Não é verdade que João Amoedo vai assumir na campanha o slogan "Sou o Bolsonaro gourmet".

* É verdade: Crivela achou que era possível "recompor cada detalhe" do desaparecido Museu Nacional. Incluindo "falar com a Márcia" e mandar buscar uma nova múmia de 3 mil anos...

* Não é verdade que foi encontrada uma foto chamuscada de Temer na ala dos fósseis do Museu Nacional.

* Não é verdade que Fernando Haddad será oficializado como candidato do PT à Presidência só para as eleições de 2022.

* É verdade: segundo notas de postos de gasolina do Espírito Santos apresentadas pelo próprio, o senador Magno Malta, conhecido como o "pastor de Bolsonaro" já comprou com dinheiro do contribuinte combustível suficiente para dar duas voltas ao mundo.


* Circula nas redes sociais o print acima. A comentarista da Globo News, Monica Waldvogel, foi criticada ao fazer um comentário píegas sobre o desastre do Museu Nacional e respondeu com uma sigla nada elegante: VTNC que no jargão da web equivale ao popular "vai tomar no cu".

* Não é verdade que Kátia Abreu e Miriam Leitão, depois da invertida que a candidata deu na jornalista durante entrevista na Globo News, vão se enfrentar em Las Vegas, no próximo card do MMA.

* O economista da campanha presidencial de Marina Silva, Eduardo Giannetti, um de seus gurus, criticou as cotas raciais no país. Gianntti disse que o Brasil não deveria "macaquear" esse política pública de outros países. A frase foi dita ontem um debate com com estudantes do ensino médio em São Paulo.

* Whatsapp faz mal pra carteira de trabalho. O apresentador da Band Ricardo Martins foi demitido após mandar mensagem para o seu chefe chamando a cara de "pequeno Hitler". A notícia está na página Notícia da TV, de Daniel Castro. A nota não esclarece o que mais irritou o alvo do xingamento, se o "pequeno" ou o "Hitler".

* Paulo Guedes, o "posto Ipiranga" de Bolsonaro levou seu tutelado a um encontro com João Roberto Marinho, do Grupo Globo. A revelação está na revista Piauí. Mas não é verdade o boato de que Bolsonaro vai ser jurado do Faustão, terá coluna no Globo, comentará sobre armas na Globo News e apresentará um programa do tipo Plantão policial diretamente do Palácio do Planalto. Não é confirmado, também, que a Globo Filmes fará um longa metragem sobre o capitão inativo. Nem que ele terá um quadro no programa da Ana Maria Braga intitulado "Cozinhando na caserna".

* Não é verdade que Marcelo Tas é o videomaker oficial de Temer para divulgar seu "legado".

"Uma foto de capa roubada – Fatos & Fotos, abril de 1968” - Por Armando Rozário

Em 19 de março de 2013, Armando Rozário escreveu para Clínica Literária o artigo abaixo, também reproduzido no Observatório da Imprensa. 


por Armando Rozário

"Tudo aconteceu há 45 anos. Era o dia 4 de abril de 1968, eu trabalhava para a revista semanal Fatos & Fotos, cobrindo a missa de 7º dia, na Igreja da Candelária, para o estudante Edson Luís de Lima Souto. (O estudante secundarista brasileiro assassinado pela Polícia Militar durante um confronto no restaurante Calabouço, centro do Rio de Janeiro, em 28 de março de 1968. Edson foi o primeiro estudante assassinado pela ditadura militar. Sua morte marcou o início de um ano turbulento de mobilizações contra o regime militar que endureceu até decretar o chamado AI-5.)

Levei uma câmara Leica M3 e três objetivas de diferentes distâncias focais: uma 35mm, uma 50 mm e uma 135mm. Também levei, em minha mochila, uma unidade compacta de flash eletrônico, uma Mighty Lite, que pode ser recarregada rapidamente a cada descarga. Tinha comigo quatro rolos de filmes Tri-X, cada um com 36 exposições, e dois rolos de Ektachrome, cada um com 20 exposições.

Milhares de pessoas estavam no entorno da igreja, no centro do Rio, quando eu cheguei, meia hora antes de começar a cerimônia religiosa. A igreja já estava lotada, centenas de pessoas aguardavam a missa começar. Cliquei um rolo inteiro em preto & branco (Tri-X), enfocando principalmente as expressões de tristeza estampadas nas faces dos estudantes que estavam dentro da igreja. Utilizei a objetiva normal de 50mm e a tele de 135mm. Quando terminei de clicar o primeiro rolo, decidi aguardar do lado de fora da igreja. Estava curioso, queria ver a chegada da polícia.

Não precisei esperar muitos minutos, ouvi alguém gritar que a cavalaria da Polícia Militar já se aproximava da intersecção da Avenida Rio Branco com a Avenida Presidente Vargas.

Olhei naquela direção e vi uma coluna de montarias a aproximadamente 100 metros da igreja. As condições de luz estavam reduzindo, mesmo assim carreguei minha Leica com um rolo de Ektachrome (64 ASA), adaptei na câmara a objetiva angular de 35mm. A conectei também com a minha unidade de flash. Ajustei a posição “F” da objetiva da câmara para 3.5 (abertura total) e ajustei a velocidade para 1/50 avos de segundo. Pré-ajustei a distância da objetiva para 3 metros. E aguardei ansiosamente.

De repente ouvi algumas vozes, movi meus olhos para a esquerda e vi uma linha de padres e estudantes saindo da igreja. Movi os olhos para a direita e vi a coluna da cavalaria, dúzias de policiais militares, armados com espadas em seus cinturões. Os padres marchavam pacificamente com seus braços interligados… Estavam a aproximadamente 20 metros à minha esquerda. Os policiais montados à minha direita trotearam decididamente na direção da linha de pessoas que saiam da igreja. Apenas uns 50 metros separavam os dois grupos oponentes.

Tomei uma decisão. Decidi fotografar o exato momento do confronto iminente. Dei um passo à frente, esperando no espaço onde o encontro pudesse acontecer. Minha câmera e o flash estavam prontos para disparar. Os dois grupos se aproximaram. Os padres e estudantes gritavam alto que aquilo era uma marcha pacífica.

De repente, os policiais montados galoparam e fecharam o espaço entre os dois grupos. O oficial no comando, um tenente, gritou alto para que as pessoas dispersassem. Dentro de poucos segundos o oficial estava cara a cara com a linha de protestantes. Ele olhou para baixo e viu um padre a sua frente, com os braços abertos, implorando pela segurança das pessoas. O policial montado desembainhou sua espada da cintura, levantou a espada com um gesto ameaçador, e ameaçou dar um golpe na cabeça do padre.

Nesse decisivo momento eu estava a aproximadamente 4 metros da cena. O padre estava no canto esquerdo do meu visor e o policial montado, no canto direito. Pressionei o obturador naquele exato momento. Senti que aquela imagem poderia ser a capa da próxima edição da Fatos & Fotos.

Poucos segundos mais tarde, os policiais montados haviam dispersado a multidão com as suas espadas em punho. Cliquei algumas imagens desse acontecimento, mas o mais importante já estava em minha câmara. Uma imagem latente, uma imagem ainda não revelada. A imagem composta verticalmente do encontro do oficial com o padre.

Então decidi ir para a redação da Bloch Editores o mais rápido possível, com minha valiosa imagem na câmera. Caminhei até a Lapa, uns dois quilômetros, e com sorte consegui tomar um táxi. Ele me levou diretamente para Rua Frei Caneca, 511. Lá eu entreguei os dois rolos de filmes diretamente no laboratório, para serem revelados, apontando que o filme colorido era o mais importante. Dentro de 70 minutos eu pude ver o resultado. A mais importante imagem havia sido perfeitamente enquadrada na posição vertical, o foco era perfeito e a exposição, também.

Cortei o filme em tiras de seis exposições cada e mostrei a melhor para o editor da revista. O diretor de arte me acompanhou ao laboratório. A fotograma/slide foi colocada em um suporte de negativos/slides do ampliador Leitz Focomat Ic, e projetada em uma folha de layout da capa da revista.

A foto foi aprovada pelos editores e enviada para os scanners para preparar a separação de cores, os fotolitos e as chapas de impressão da gráfica. Meia hora mais tarde eu fui informado de que os “cromos” de minha foto haviam sumido (sic). Não apenas a foto, mas as chapas de impressão haviam também desaparecido.

Quem eram os meus colegas, editores e diretores da Bloch Editores em abril de 1968? Eram, entre outros, Adolpho Bloch, Arnaldo Niskier, Justino Martins, Raul Giudicelli, Richard Sasso, Wilson Passos, Aaron Weissman, Sérgio de Souza, Hélio Santos e Gervásio Baptista. Alguns deles talvez se lembrem do que aconteceu naquela noite na Rua Frei Caneca, 511.

É importante mencionar que alguns (uns poucos) jornalistas da Bloch Editores foram informantes da Marinha e do Exército em 1968.

Fatos & Fotos de 4 de abril de 1968: minha foto de capa ficou desaparecida para sempre."

(*) Armando Rozário faleceu no último domingo, aos 86 anos. 

Fotomemória: Fatos & Fotos com a cobertura da missa de Sétimo Dia para Edson Luís, da qual Armando Rozário participou. Faltou a imagem mais dramática, que a redação escolheu para capa e... sumiu na gráfica. 








Atualização em 12/9/2018 - O delator que premiava... Como adendo aos fatos narrados por  Armando Rozário, sobre a foto de capa escamoteada da redação da Fatos & Fotos, o blog recebeu pelo menos duas manifestações sobre os anos de chumbo, e não apenas os das emanações das linotipos. Uma, lembra que um dos grandes clientes da Bloch, na época, era a Embaixada americana, que encomendava à editora coleções de livros que distribuía como propaganda em escolas e instituições brasileiras. Havia um funcionário da representação dos Estados Unidos que praticamente dava plantão na diretoria da empresa. O sujeito tinha passe livre, circulava pelas redações e bisbilhotava o que ia ser publicado. Quando encontrava alguma inconveniência - geralmente textos com críticas aos EUA, mesmo em matérias internacionais, ou à ditadura -, acionava diretamente a superintendência que, em geral, vetava as matérias apontadas pelo delator que, afinal, premiava a Bloch com encomendas gráficas. São grandes as chances de que a foto de capa afanada tenha sido levada pela mão leve do turista nada acidental, que excursionava na redação em nome da embaixada. Mas, como Rozário lembra, havia outros. Um deles, recorda outro leitor, viu sobre a mesa de edição da Fatos & Fotos, em 1976, um texto que voltava a focalizar o caso que envolveu Wilson Simonal e seu contador cinco anos antes (em 1971, o cantor desconfiou que seu funcionário estava desviando dinheiro e acionou amigos no temido Dops que sequestraram e torturam o rapaz. Simonal acabou condenado por "extorsão mediante sequestro" e ganhou a fama de dedo-duro). Poucos minutos depois da incursão do xereta, o então editor, Justino Martins teve que retirar a reportagem da pauta. Eram tempos difíceis, quando as redações de jornais e revistas conviviam com a censura oficial e também com aqueles cheerleaders do regime, geralmente íntimos das respectivas direções. 


Armando Rozário, do outro lado do mundo

Bar Garota de Ipanema, 1983. "Em 1983, quando trabalhava para o Jornal do Brasil, passando, no carro de reportagem,
pelo famoso bar Garota de Ipanema, vejo Armando Rozário sentado solitariamente em uma mesa, ao fundo. De dentro do carro, com uma zoom 80-200mm, consegui fazer, por mero divertimento, esta foto do já então famoso colega jornalista".(Foto Guina Araújo Ramos)

por Guina Ramos ( do blog Bonecos da História)

Entre tantas outras grandes perdas que o Brasil vem sofrendo, uma atinge especialmente a Fotografia brasileira (aliás, a mundial): faleceu neste domingo, 02/09, aos 86 anos, o fotógrafo Armando Rozário.

Nascido em Hong Kong (mas, oriundo da vizinha Macau, colônia portuguesa ao sul da China), Armando Rozário veio para o Brasil na década de 1950 e se tornou figura histórica do nosso fotojornalismo. Sua trajetória profissional mostra a intensa luta por direitos e por justiça. Muito especialmente para nós, fotógrafos, seu pioneirismo na defesa de direitos autorais foi um marco para o reconhecimento de crédito de autoria nas fotos publicadas e pela garantia de direitos trabalhistas em geral.

Muito além da profissional, a sua trajetória de vida foi realmente uma grande aventura. Só ficou um pouco mais calmo nos últimos anos, já aposentado, mas ainda virtualmente ativo, a partir de sua casa na praia junto à foz do rio São João, entre Cabo Frio e Macaé.

O jornalista Luiz Peazê, no blog do lançamento de seu livro “Cronico – uma aventura diária – Nas Esquinas do Rio”, fez um sucinto, mas preciso resumo de sua vida: “Armando, para quem não sabe, é fotojornalista e nasceu em Hong Kong (1931). Trouxe da China para o Brasil, em meados da década de 1950, o método de desenvolvimento de fotojornalismo; antes disso, havia sido correspondente em Hong Kong e Macau, para a European Picture Service; Armando havia fotografado o início da revolução de Mao Tse Tung; fotografou Louis Armstrong quando este monstro do jazz decolava na carreira; fotografou a mãe do Presidente Juscelino Kubitscheck e com esta foto ganhou na justiça direitos autorais contra a Revista Manchete, criando jurisprudência na matéria; foi fundador da Banda de Ipanema; Armando tem um curriculum que não caberia aqui e, de tantas histórias interessantes a que gosto mais é a de que, em 1978, Carlos Drummond de Andrade e Otto Lara Rezende comentaram a galhardia de um jovem ecologista, fotojornalista, em crônicas no Jornal do Brasil, e o jovem era Armando Rozário.”

Pessoalmente, convivi pouco com Armando Rozário, de uma geração bem anterior à minha, mas fui colega, no Jornal do Brasil dos anos 1980, de seu filho Frederico Rozário, hoje um internacional fotógrafo especializado em surfe. E, afinal, tenho uma única foto de Armando Rozário, um tanto inusitada, talvez.

Em 1983, quando trabalhava para o Jornal do Brasil, passando, no carro de reportagem, pelo famoso bar Garota de Ipanema, vejo Armando Rozário sentado solitariamente em uma mesa, ao fundo.
De dentro do carro, com uma zoom 80-200mm, consegui fazer, por mero divertimento, esta foto do já então famoso colega fotojornalista.

Colega porque, assim como eu (mas, muito antes), Armando Rozário trabalhou na revista Manchete, de Bloch Editores, e contra ela abriu esse emblemático caso judicial (em torno do crédito da foto de D. Júlia Kubitschek, mãe de Juscelino, de 1968), base para outras reivindicações, do mesmo tipo, de fotojornalistas e para a prática, por parte das empresas, da citação de créditos autorais nas fotos.
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No início deste ano, me inspirei na história de Armando Rozário para escrever o conto "O rosário de Macau" (inédito, a ser incluído em livro), criado especialmente para participar de concurso literário na sua terra de origem familiar, Macau, ex-colônia portuguesa e, hoje e até 2049, uma Região Administrativa Especial da China.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

A destruição do Museu Nacional é o símbolo dramático do Brasil que se consome...

Foto de Tânia Rego/Agência Brasil

Foto de Tânia Rego/Agência Brasil


por José Esmeraldo Gonçalves 

Cultura transformada em cinzas.

Não se esperava que um domingo de sol tipicamente carioca, abrindo um setembro luminoso, se encerrasse em uma nuvem negra. Foi estarrecedor ver e ouvir a notícia do incêndio que consumia a Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista.

Aquelas chamas lambiam um país. A imprevidência, o corte de verbas, a água que faltou nos hidrantes, estava tudo ali como combustível da catástrofe.

Entre as imagens que a TV mostrou, ontem, viam-se alguns funcionários em prantos. Eles tinham a exata noção do que se perdia e expressavam a frustração de quem enviou muitos alertas sobre os riscos que o descaso oficial construiu quase que meticulosamente.

Vivemos um tempo em que a especulação financeira institucionalizada é a nova "constituição". E o mercado que a tudo rege não se interessa por "minúcias" como saúde, educação, habitação, pobreza, pesquisa, cultura... Há centenas de outras instituições e prédios históricos em perigo, sob o selvagem corte de verbas que o rentismo fanatizado e seus porta-vozes midiáticos impulsionam e festejam.

Agora, podem dançar em volta do fogo.

E vai piorar. Um governo rendido a interesses e um Congresso que troca qualquer coisa por favores aprovaram 20 anos de congelamento de verbas para atender à governança do mercado financeiro.

Teremos duas décadas com a "segurança jurídica" perfeita para destruir outros patrimônios.

As chamas que arrasaram o Museu Nacional foram alimentadas por um regime onde o quesito fiscal, a concentração adoidada de renda e os privilégios mandam e desmandam. Se o mercado-governo não preza vidas porque se importaria com a Cultura, essa perdulária?

Burocratas e tecnocratas do obscurantismo da Era Temer, que não fazem a menor ideia do que se perdeu, assinaram a ignição daquele fogo. Eles estão de passagem, mas a destruição que causaram é permanente.

Pessoalmente, nada perderam, sempre poderão fazer turismo em outro Museu de História Natural. O de Washington DC, por exemplo, que foi fundado em 1910, 92 anos depois daquele que o Brasil torrou ontem na Quinta da Boa Vista.

ALGUMAS IMAGENS DO QUE SE PERDEU.

Museu Nacional, no antigo Palácio Imperial da Quinta da  Boa Vista, comemorou 200 anos em  junho último. Foto de Alexandre Macieira/Riotur


Uma das relíquias: uma múmia trazida por D.Pedro II resistiu a 3 mil anos no Egito; no Brasil, apenas 192 anos (chegou ao Rio em 1826), e sucumbiu em dois anos de governo Temer. Foto de Alexandre Macieira/Riotur
O Museu Nacional da Quinta da Boa vista era...

...muito visitado por crianças,...

...grupos de estudantes e...

...famílias. Muitos tinham ali o primeiro contato com a história natural
do Brasil e do mundo. Fotos de Alexandre Macieira/Riotur


domingo, 2 de setembro de 2018

Das redes sociais para os eleitores do Bolsonaro...


Viu isso? Dez fotos podem levar você a Paris...



(do site rioaliancafrancesa.com.br)
O Prix Photo Aliança Francesa é um concurso nacional de fotografia aberto a todas e todos, profissionais e amadores. Através de temas da atualidade, um eco das grandes questões de nosso tempo, desejamos valorizar propostas artísticas originais, experimentais, sejam abstratas ou documentais, e que ofereçam um olhar diferenciado.

As inscrições para o concurso podem ser feitas por todo e qualquer fotógrafo, pessoa física, maior de 18 anos e residentes no Brasil, de 03 setembro à  07 de outubro de 2018, gratuitamente.

Os interessados devem acessar o site do concurso, preencher a ficha de inscrição e enviar 10 imagens inspiradas no tema “Mas onde está a água?”, que convida os fotógrafos do Brasil a direcionar seus olhares sobre a importância da água em nosso cotidiano.  As imagens podem ser em cor ou em preto e branco, manipuladas ou não, obtidas por meio de equipamento analógico ou digital.

O concurso cultural é promovido pela Delegação Geral da Aliança Francesa do Brasil com apoio da Air France, do Hotel Sofitel e autorizado pela Caixa Econômica, C.A.nº 3-6912/2018.

ACESSE O  SITE DO CONCURSO AQUI

sábado, 1 de setembro de 2018

Por que Lula não pode ser presidente?

Reprodução Web-blogspot
Reflexão do politólogo Ed Sá, o Nenem Prancha das ciências sociais:

"Num país em que bandidos de todos os quilates - de políticos como Luiz Estêvão e Sérgio Cabral a chefões do tráfico - comandam suas atividades de dentro das prisões, até que faria sentido termos um Presidente da República governando detrás das grades..."

Assédio no velório de Aretha Franklin - Pastor apalpa seio de Ariana Grande. Bill Clinton e o reverendo Sharpton dão um confere nas pernas da cantora

Com diria o comentarista de arbitragem Mário Viana, "foi mão, la mano!

Convidada para cantar You Make Me Fell Like no funeral da cantora Aretha Franklin, Ariana Grande não contava com a astúcia do pastor Charles H. Ellis, que apalpou o seu seio direito mais de uma vez. A vídeo viralizou nas redes sociais.

Cena viralizou nos sites de celebridades. Reprodução 

Na platéia, o ex-presidente Bill Clinton e o reverendo Al Sharpton dão um confere em Ariana que usava um minivestido preto. Vai ver a justificativa dos pastores deve ser uma música que ela não cantou no funeral, mas é um dos seus sucessos, "God is a woman". Bill Clinton não precisa de justificativa: é muitas vezes reincidente. #RepectAriana foi criada no twitter para apoiar a cantora.

VEJA O VÍDEO AQUI

Deu branco na ABL - The Intercept Brasil expõe os bastidores da eleição que rejeitou Conceição Evaristo


por Mateus Campos e Paula Bianchi ( para o site The Intercept Brasil) 

A Academia Brasileira de Letras elegeu nesta quinta Cacá Diegues para a cadeira número 7. Cacá vai substituir o cineasta Nelson Pereira do Santos e derrotou outros dez candidatos, entre eles Conceição Evaristo, a escritora negra que decidiu desafiar a instituição.

Aos 71 anos, a mineira optou por uma espécie de anticandidatura e causou incômodo ao dispensar a bajulação habitual para ganhar votos dos imortais que frequentam o “clube de amigos”.

Sua derrota era esperada: Evaristo entrou na disputa para expor a falta de representatividade negra e feminina na centenária academia. Recebeu apenas um voto. Cacá, 22, e Pedro Corrêa do Lago, neto de Oswaldo Aranha, outros 11 votos.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO INTERCEPT BRASIL, AQUI

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Com Macri, Argentina passou de "Cambiemos" para "Jodemos"


Sem destaque, O Globo informa que a dívida argentina aumentou em cerca de US$100 bilhões desde dezembro de 2015, quando o neoliberal Maurício Macri entrou na Casa Rosada para impor na economia uma receita selvagem de centro-direita. Essa que candidatos brasileños querem copiar e agravar, dando sequência ao desmonte social implementado por Temer.

Os hermanos tiveram que se pendurar no FMI. O Banco Central deles já elevou os juros para 60%. A taxa de desemprego estava em pouco mais de 6% e já passou de 9%, em julho, com o ascensorista dizendo "subiiinnnndo"!

Macri se apresentou como o gestor que levaria a Argentina ao primeiro mundo. Conseguiu. Hoje, o hermano vai para a padaria levando uma maço de pesos e no caminho acessa a cotação do dólar para saber qual foi o aumento do dia do pan con mantequilla

O Mauricinho tinha tietes empolgados no Brasil, do mercado financeiro especulativo aos tiozões e tiazinhas colunistas de economia da mídia dominante. Era uma espécie de 'Justin Bieber' deles, que idolatravam o empresário como protetor de tela dos seus smartphones. Estão inconsoláveis.

Macri foi eleito por uma coligação chamada "Cambiemos'. Já mudou para nos "Jodemos".

Agência de checagem Casca de Ovo desmente boato - Revista Época não está fazendo propaganda eleitoral...

por O.V.Pochet

A revista Época publica na edição lançada hoje uma matéria sobre o visual de Jesus e os modelitos que ele usava. A matéria é enlatada, chega aqui com algum atraso - foi publicada pela historiadora Joan E. Taylor em The Conversation em fevereiro desse ano - e basicamente discute a aparência do líder dos cristãos, que jamais foi detalhada pela bíblia. Nos últimos anos, revisões estéticas desbancaram aquela imagem tradicional de um "Brad Pitt" em troca de feições mais típicas do biotipo que povoava a região entre o oeste da Ásia e o nordeste da África. Como estamos em pleno período eleitoral e atendendo a questionamentos dos leitores, a agência de checagem Casca de Ovo procurou várias fontes para esclarecer o assunto. E concluiu: é boato. Trata-se de uma matéria científica, a Época não está fazendo propaganda subliminar de Romário, atual candidato a governador do Rio de Janeiro.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Viu isso? É o "uber" financeiro. Sistema chinês de pagamentos móvel, que evita taxas extorsivas, está tirando o sono do cartel de banqueiros

Reprodução
O metrô de Londres exibe cartazes que começam a preocupar os carteis bancários mundiais.

A chinesa Alibaba desenvolveu uma plataforma de pagamentos móvel chamada Alipay que transfere valores de forma barata e fácil sem a intermediação e as altas taxas do sistema de cartões de crédito tradicional pagas por consumidores e lojistas.

A própria Alipay já não está sozinha no mercado. O novo ecossistema digital, que mescla mídia social e comércio, é também atendido pela WeChat Pay.

As duas plataformas já movimentam mais de 90% dos pagamento móveis chinesas e despontam como as mais valiosas do mundo. Banqueiros temem que a Amazon e o Facebook repliquem o sistema, o que seria um pesadelo ainda maior para as velhas corporações financeiras, que se tornariam tão obsoletas para o varejo como pontos de táxi desbancados pelo aplicativos de transporte.

A matéria está no site Truthdig.

O que incomoda o cartel financeiro é que os bancos entram nas transações apenas como lugar onde o usuário deposita o seu dinheiro, vinculando-o ao WeChat ou Alipay e fazendo retiradas eletrônicas comuns. "Com isso, o banco não recebe as altas taxas típicas de cartões de crédito", explica o Truthdig. Além disso, começam a ser implantados fundos de gestão próprios e até cooperativas ou comunidades onde os próprios usuários "carregam" o dinheiro que vão usar.

O Alipay foi criado em 2004 para permitir que milhões de clientes em potencial que não possuíssem cartões de crédito e débito comprassem no mercado on-line. O WeChat existe desde 2005. Mas só agora ambos se transformaram no principal meio de pagamento para os chineses e passaram a ambicionar alcance global. "Os consumidores podem pagar tudo com seus aplicativos móveis e podem fazer transações diretas de pessoa para pessoa. Todo mundo tem um código QR exclusivo e as transferências são gratuitas. Os usuários não precisam fazer login em um aplicativo de banco ou de pagamentos ao realizar transações. Eles simplesmente pressionam o botão "pagar" no aplicativo principal do ecossistema e seu código QR exclusivo é exibido para o comerciante digitalizar", resume o Truthdig.

A Amazon tem algo embrionário: um serviço relativamente novo chamado “Amazon Cash”, onde os consumidores podem usar um código de barras para carregar dinheiro em suas contas. Por enquanto, destinado apenas a quem não têm cartões bancários.

Quando ou se o sistema chegará ao Brasil, não é possível prever. O certo é que a famosa "bancada dos bancos" que reúne deputados que recebem financiamento eleitoral para serem os guardiões do sistema financeiro cartelizado vai ser convocada para mostrar serviço aos banqueiros e tentar barrar a nova economia.

Pode ser difícil impedir que a médio prazo o futuro atropele o lobby. Mas você conhece os podres poderes dos nossos "Odoricos", não duvide.

A matéria completa está no Truthdig, AQUI

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Mamãe eu quero mamar... "Bolsa Mídia" de Alckmin dá uma força para Folha, Estadão, Veja, Istoé e Época. Leia reportagem exclusiva no DCM

Com base no Relatório de Gestão 2011-2014 da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin gastou cerca de R$28 milhões comprando sem licitação milhares de exemplares das revistas e jornais Folha de S.Paulo, Estado de S.Paulo, Veja (Editora Abril), IstoÉ (Editora Três) e Época (Editora Globo).

Reprodução DCM

Segundo apuração do DCM, em reportagem de Vinicius Segalla e Gustavo Aranda, as compras fazem parte de um programa de formação de docentes. "No mesmo período, o Estado derrubou o valor global investido na formação de seus professores em 67,8%. Já o montante consumido anualmente com os jornais não teve qualquer queda", informa o site, que completa: "De acordo com dados publicados pela Secretaria de Educação e pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o recurso anual destinado ao treinamento dos docentes caiu de R$ 86,9 milhões para R$ 28,9 milhões. Já as compras de exemplares de periódicos não só não caíram como foram renovadas. Em novembro de 2015, só com a Folha e o Estadão, foram contratadas as compras de milhares de edições impressas diárias até 2017, a um custo adicional de R$ 6 milhões".

O polêmico programa de Alckmin teria como objetivo "incentivar a leitura" de professores de escolas da rede pública. A velha mídia agradece.

VOCÊ PODE LER A MATÉRIA COMPLETA SOBRE A 'BOLSA MÍDIA" 
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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Vinicius Jr. na terceirona, Paulinho no banco e Brasil na Quinta Divisão do futebol mundial... A culpa é do Titanic de Tite que bateu no iceberg belga...

por Niko Bolontrin 

Quem defende que o Brasil está hoje na Quinta Divisão mundial, depois da Inglaterra, Espanha, Itália e França, cujos campeonatos reúnem as maiores estrelas do futebol, ganhou fortes argumentos, ontem.

Reprodução jornal Marca

Vinicius Jr., ex-Flamengo, estreou no campeonato espanhol: disputou um jogo pelo Real Madrid B. Detalhe: o jogo foi da Terceira Divisão da La Liga.

Vinicius não fez gol, foi sacado do time no segundo tempo e a mídia espanhola considerou sua  estréia "discreta". O Real do B ganhou de 2X0 do Las Palmas Atlético.

Paulinho, ex-Vasco, outra promessa da nova geração do futebol brasileiro, ficou no banco no jogo em que seu novo time, o Bayern Leverkusen, perdeu para o Borussia Monchengladbach, pela Bundesliga.

Vinicius e Paulinho devem ser pacientes. Mesma alguns grandes craques, como Marcello, Jesus, Phillipe Coutinho, William e Neymar, perderam certo brilho após o fiasco da Rússia. No momento, estão ralando para recuperar relevância. Dois sobreviventes do Titanic de Tite na Copa do Mundo saem na frente: no último fim de semana, Neymar, com "nova postura", segundo a imprensa francesa, fez gol e foi aplaudido na vitória do PSG sobre o Angers por 3x1. E a torcida do Liverpool vibrou com defesas do goleiro brasileiro Allison no jogo em que seu time venceu o Bringhton por 1X0.

A coisa está tão feia que a CBF só conseguiu marcar seus próximos amistosos com El Salvador e Estados Unidos. Peru conseguiu adversários melhores: Holanda e Alemanha. Na retomada da preparação pós-Copa, os europeus farão amistosos mais produtivos: Croácia X Portugal,  Inglaterra X Suíça, Bélgica X Holanda, Croácia X Portugal...

O patrão ficou maluco! STF virou varejão...

por O.V.Pochê

O STF vai se reunir para julgar o preço do frete de caminhões. O ministro Fux é o relator. Jura que isso é assunto para corte constitucional do país? Se for, vou entrar com ADIs (Ações Diretas de Constitucionalidade) contra o preço do coco gelado, do aluguel de cadeira e barraca na praia, o torresmo do boteco, o dízimo superfaturado, o saco de gelo no posto, o preço da visita do desentupidor de privada, a caixinha de tomate mini, a fralda geriátrica da vovó, o sacolé gourmet de morango, o quilo de bacalhau... 

Já a votação da constitucionalidade do auxílio moradia para juízes pode acabar em pizza jurídica: alguns ministros defendem que o benefício seja "extinto", desde que incorporado aos salários da suas (deles) excelências... Entendeu?

Vale a pena ler de novo: saiba porque o mercado quer se apropriar do voto popular

O professor de Economia da Unicamp, Eduardo Fagnani, publicou na Carta Capital, em 29/7/2017, o artigo "Capitalismo" brasileiro: todo poder emana do mercado". Na sua análise, mostrou o "fosso profundo entre os anseios da população e os desígnios dos detentores da riqueza financeira". 

É oportuna a releitura agora, na boca da urna.

As linhas gerais dos programas de Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Álvaro Dias, Marina Silva, Henrique Meirelles e João Amoêdo soam, com uma ou outra variação de tom, como música de harpa do paraíso aos fones do mercado.

Colunistas de política e economia da mídia dominante vão aos poucos relevando as questões morais, sociais, de comportamento etc, pregadas pelo capitão inativo à medida em que seu futuro ministro detalha sua certidão de casamento com comunhão de bens com o poderoso mercado financeiro.

Daqui a quatro dias começa a propaganda eleitoral na TV e no rádio, vista como a última chance para um candidato conservador, Alckmin, por exemplo, se viabilizar como opção a Bolsonaro. Caso isso não ocorra, a mídia porta-voz do mercado vai vestir de vez suas gandolas táticas e cravar apoio à trifeta mercado-capitão-general. Nessa ordem unida.    

Pouco mais de um ano depois da publicação do artigo de Fagnani, torna-se claro, quanto mais se  desenvolvem as campanhas eleitorais, que a maioria dos candidatos se apresenta mais sob a identidade de operador financeiro de faixa presidencial à disposição do mercado do que como um representante do povo. Para estes, o povo, esse obsoleto, é um mero ativo social desvalorizado a importunar o sistema com reivindicações recorrentes como emprego, saúde, educação, qualidade de vida, enfim, essas "irrelevâncias" que enchem o saco do mercado.

Veja abaixo alguns tópicos selecionados do artigo que você pode ler na íntegra AQUI

* "No passado, um prócer da ditadura sentenciou que "a economia vai bem, mas o povo vai mal". Hoje os sábios das finanças e seus porta-vozes não se cansam de repetir que a economia vai bem, apesar de o País ser governado pelo "chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil", da gravíssima crise institucional e da putrefação do sistema político e partidáriol A economia vai bem, a despeito da taxa de desemprego ter mais que dobrado em dois anos por conta das políticas de austeridade que provocaram a maior recessão da história."

* Vale tudo, desde que a equipe econômica seja preservada, pois nela se reúnem os únicos iluminados supostamente capazes de "proteger o País contra medidas populistas" e encontrar saídas para a recessão resultante das ideias desses mesmos atores, falsas saídas, as quais, por irônico que pareça, foram acolhidas pela candidata vitoriosa em 2014."

* "Sem desfaçatez e com aparente normalidade, os intérpretes do tal mercado arrogam-se o direito de falar em nome da sociedade que eles desprezam absolutamente. Se "todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição", como reza o primeiro artigo da Carta de 1988, soa como deboche a declaração do parlamentar que a preside de que e que 'a Câmara dos Deputados vai manter a defesa da agenda do mercado'."

* "Sem base científica consistente, impõem-se reformas "para o Brasil não quebrar, voltar a crescer e gerar emprego". Tanto faz se, no caso da reforma tributária e da reforma previdenciária, elas sejam rejeitadas, respectivamente, por 71% e 58% dos brasileiros. "Mas o mercado vai adorar, porque o capitalismo não é antiético, é aético."

 * "Escárnios à parte, o fato é que no Brasil todo o poder emana do mercado, que o exerce diretamente, ou por meio de representantes eleitos e porta-vozes travestidos de economistas e jornalistas. O fato é que, em ultima instância, o golpe jurídico-parlamentar é bem-vinda oportunidade para radicalizar o projeto liberal derrotado nas últimas quatro eleições. Em trinta anos, não há nada de novo no front. Parafraseando Cazuza, a conjuntura é 'um museu de velhas novidades'.

* "Essa construção inicia-se nos anos 1990s e prossegue com a "Agenda Perdida" (2002-2003), com o "Programa do Déficit Nominal Zero" (2005); após breve pausa, retorna com a "Agenda Brasil" (2015) e, de forma odiosa e antidemocrática, aí está hoje, no documento "Uma ponte para o futuro" –, que é uma negação do documento "Esperança e Mudança" (1982), escrito pelo mesmo PMDB –, agora transformado em "programa de governo" da coalizão espúria que está no poder. O mesmo projeto velho, com nova roupagem."

* "Em terceiro lugar, destruir o Estado Social de 1988, pois "as demandas sociais da democracia não cabem no orçamento". Privatizações, teto para gastos não financeiros, ampliação da desvinculação constitucional de recursos (de 20% para 30% do percentual de impostos da Desvinculação de Receitas da União), Reforma da Previdência e da Assistência Social, terceirização irrestrita, desmanche da legislação do Trabalho e Reforma Tributária a favor dos mais ricos (além dos ataques recente ao FGTS e ao programa Seguro-Desemprego), estão em curso, sob o rolo compressor do Congresso e contra a sociedade, mas afinado com 'a defesa da agenda do mercado'."

* "Os donos do Brasil jamais aceitaram os avanços sociais de 1988, fruto da longa luta pela redemocratização do país. O "capitalismo" brasileiro não aceita, sequer, conquistas mínimas da socialdemocracia europeia, aqui taxadas de 'populistas' e 'bolivarianas'. "

domingo, 26 de agosto de 2018

Era fake news...


A edição do JB reproduzida aqui é de 1969. O ditador Garrastazu Médici ocupava a presidência e prometia "a volta ao regime democrático".

O JB, que ao lado da grande mídia (exceção da Última Hora), apoiou o golpe, acreditou.

Era fake news.

Na prática, encenação à parte, Médici foi nomeado por uma "ordem do dia" emitida pelos generais.

No ano que vem, 50 anos anos depois, tomará posse o presidente que vai sair das urnas. No momento, sem levar em conta a liderança de Lula, as pesquisas indicam que a chapa que enfileira dois militares da reserva, defensores da ditadura, pode subir a rampa.

Vai descer mesmo essa ladeira Brasil ?

Pornochanchada na ditadura: os filmes que os censores liberavam no escurinho do cinema da Divisão de Censura




por Ed Sá 

O documentário "Histórias que nosso cinema não contava", sobre os filmes brasileiros que mais atraiam público nos anos 1970 entrou em cartaz.

Dirigido pela cineasta Fernanda Pessoa, o filme retrata o fenômeno das pornochanchadas em plena ditadura militar. Em centenas de filmes, o gênero expôs o machismo e a visão estereotipada da mulher, mas revelou comportamentos, ambientes e referências do Brasil sob o regime militar.

Na época, a revista EleEla, da Bloch Editores, lançada em maio de 1969, estava sob censura prévia. Decreto dos militares, número 1077,  assinado em janeiro de 1970, declarava guerra à sensualidade e estabelecia o veto a revistas ou livros que exibissem mulheres nuas.

Curiosamente, no escurinho das salas da Divisão de Censura de Diversões Públicas da Polícia Federal, censores e censoras que mal seguravam a excitação moral e cívica não passavam a tesoura na nudez das musas da pornochanchada e deixavam escapar muitas cenas de sexo. Na época, dizia-se que interessava aos guardiões da família liberar um pouco de sacanagem. Seria o circo oportuno para disfarçar as putarias propriamente ditas que o regime fazia com o país fora das salas de cinema.

Veja o trailer, clique AQUI

sábado, 25 de agosto de 2018

As mensagens cifradas e difusas da capa da Veja sob Recuperação Judicial e o recado mais claro do New York Times sobre o capitão dos "dark days"


A capa da Veja dessa semana está gerando as mais variadas interpretações. A revista tem uma antiga tradição de apelar para o terror jornalístico em campanhas eleitorais, mas o recado dessa semana é simbólico e de múltiplas telas. Para internautas a imagem apavorada pode servir para a selfie dos Civita atolados em dívidas; pode também retratar o drama dos funcionários da Abril, vários deles da própria Veja,  que foram demitidos e tiveram suas indenizações atreladas aos demais credores no processo de Recuperação Judicial da empresa; retrata, quem sabe a angústia da velha brigada colunista de ódio, alguns já afastados; pode ser a imagem apreensiva dos credores do grupo encalacrado; e há até quem peça a Freud para explicar porque na recriação do quadro O Grito, de Munch, a boca do indigitado parece clonada de uma boneca inflável. Chupa essa!

A agenda de Bolsonaro não se choca tanto assim com a pregação da Veja, o que ficará claro na hipótese de um confronto entre o capitão e Haddad. Dai, a revista amplia seu leque de "terror", lamenta a paralisia de Alckmin, se assusta por enquanto com Bolsonaro e definitivamente com Lula.  O New York Times, em matéria no seu site, identifica com maior foco a ameaça de retorno aos dark days.

Checagem de fake news... Advogado de porta de cadeia, Alckmin faz figuração de "pobre", Globo não "curte" mais o Face de Maluf, candidato promete "cerveja digna" para todos, Branca de Neve morreu e a Disney escondeu o fato...

por O.V.Pochê 

* Estadão revela que ao deixar o governo, Temer pretende voltar à advocacia. Será especialista em "pareceres". Ao contrário do que notícias falsas definem, especialista em parecer não é o que "parece" inocente, "parece" presidente, "parece" legítimo, "parece" constitucionalista, "parece" que tem que manter isso, viu? Também não é verdade de que ele será advogado de porta de cadeia nem que atuará pelo lado de dentro.


* Alckmin em momento Geraldo. Circula no twitter a figuração instante exato em que o candidato tucano veste a fantasia do que o programa do PSDB define como "pobre cenográfico segurando sua marmita". Não é verdade que dentro da marmita Alckmin em tour nordestino carregava como entrada Tartare de Salmão e como prato principal, le plat du jour aliás, um rolê de vitela com cogumelo e acelga. A sobremesa era frugal, um simples Ile Flottante para não parecer esnobe no sertão.

* Alckmin acreditou nos colunistas e comentaristas e se mandou pro sertão. A mídia costuma enfatizar o apoio a Lula só como "coisa do Nordeste". Pesquisa do Ibope (de 16 a 22 de agosto) mostra que a análise tem falso fundamento. Entre 20 estados pesquisados, Lula lidera em 18. Só perde para Bolsonaro em Santa Catarina e Roraima. Em grandes colégios como Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro, o capitão inativo leva goleada. Essa é a real news. Se Lula vai transferir votos para Fernando Haddad é outra história que só poderá ser pesquisada com precisão no curso da campanha.

* Se existisse Facebook nos tempos da ditadura e até muitos anos depois, a página de Paulo Maluf teria muitas "curtidas" do Globo. Ambos também seriam do mesmo grupo no Whatsapp e compartilhariam stories no Instagram. Por motivo de força maior, só recentemente Maluf teve que deixar a comunidade. O jornal publica hoje pequeno editorial em que festeja"enfim" a cassação pela Câmara do mandato de deputado por crime de lavagem de dinheiro. Mas não é verdade que O Globo, na seção "Desculpa Aí" pede perdão oficial pelos longos anos em que apoiou com entusiasmo o ex-prefeito e governador de São Paulo.

* A direita brasileira caminha rápido para voltar à Alemanha dos anos 1930. Depois de defender que a escravidão foi um programa sócioeconômico inventado pelos próprios negros, prega, agora, que os judeus se entregavam aos carrascos dos campos de concentração "por falta de motivação".  Mas, não estão confirmadas, por enquanto, outras afirmativas do tipo como dizer que os índios se suicidavam ao verem os bandeirantes.

*  É comum e compreensível a glorificação de personalidades falecidas, mas não é verdade o boato de que Otávio Frias Filho vai ser canonizado.

* Não é fakenews - João Pescocinho (foto), candidato a deputado distrital de Brasília promete, se eleito, "cerveja digna" para os cidadãos. E cervejinha na sombra. A notícia é do Conexão Jornalismo. Ouça o áudio AQUI

* Era uma vez uma fake news. Branca de Neve morre no fim do filme clássico de Walt Disney. O beijo do príncipe é, na verdade, o beijo da morte dado pelo Ceifador. As nuvens que envolvem o castelo, no final, representam o paraíso e a vida após a morte. O desfecho fatal foi amenizado para não chocar o público e por não ser comercialmente favorável. "Foi para evitar que crianças surtassem", argumenta o pesquisador Matt Morgan.
A personagem Branca de Neve foi inspirada em uma aristocrata alemã do século 19 e embora em 1937, quando o filme foi lançado, não existisse o "politicamente correto",  teve outros trechos adaptados.  A nobre marquesa, que morreu envenenada aos 21 anos, por uma madrasta não aprovava seu casamento com Felipe II, da Espanha, era dona de minas de carvão onde explorava trabalho escravo infantil. Na ficção da Disney, os garotos viraram os Sete Anões. Se essa teoria destrói lembranças e atrapalha um tema muito usado em festas de aniversário, reclame com o Daily Mail, que publica a matéria que rasga de vez a fantasia.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Vai ver? Os "anos loucos" de Sérgio Cabral vão virar filme...

por Ed Sá 

Lauro Jardim, do Globo, revela hoje na sua coluna que a cineasta Daniella Thomas fará um filme inspirado no ex-governador Sérgio Cabral.

Daniella é filha de Ziraldo, amigo de Sérgio Cabral pai, que foi parceiro do cartunista no Pasquim.

Não há maiores detalhes sobre o roteiro, se chegará ao regabofe dos guardanapos cabralianos em Paris ou se será um thriller psicológico.

Comédia, não é.

Segundo o colunista, o drama vai se desenrolar em torno de uma adolescente, filha de um ex-governador que vê sua vida desabar sobre uma montanha de bilhões de dólares da corrupção.