O mundo espera ansiosamente mais uma matéria exclusiva da Veja com o "ecoterrorista" Anhangá, que recentemente foi capa da revista em uma das mais alucinógenas proezas do "jornalismo investigativo" da publicação.
O perigoso vilão de história em quadrinhos localizado na deep web pela Veja - e por mais ninguém - pertenceria a uma organização chamada "Sociedade Secreta Silvestre" e deve saber quem espalha fogo na Amazônia. Isso se não for ele próprio, até porque o "ecoterrorista" assumiu haver incendiado carros no Ibama na região.
Segundo a Veja, o meliante atua no braço brasileiro da ITT (Indivíduos que Tendem ao Selvagem). E sabemos que quem "tende ao selvagem" é capaz de tudo.
Corre, Veja, está perdendo o Prêmio Pulitzer do ano!

Jornalismo, mídia social, TV, atualidades, opinião, humor, variedades, publicidade, fotografia, cultura e memórias da imprensa. ANO XVII. E, desde junho de 2009, um espaço coletivo para opiniões diversas e expansão on line do livro "Aconteceu na Manchete, as histórias que ninguém contou", com casos e fotos dos bastidores das redações. Opiniões veiculadas e assinadas são de responsabilidade dos seus autores. Este blog não veicula material jornalístico gerado por inteligência artificial.
sábado, 24 de agosto de 2019
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Das cinzas da Amazônia...
* O mundo quer saber como os brasileiros foram capazes de eleger anomalias boçais para governar o país. É preciso explicar aos gringos que Bolsonaro teve cerca de 57,8 milhões de votos, Haddad recebeu 47.038.963 milhões. Acontece que 21,3% se abstiveram, 5,8% anularam o voto e 1,7% teclaram em branco. Bolsonaro foi eleito por uma minoria de desorientados: teve exatos 57.797.466 contra um total de 89.508.828 de votos em Haddad, brancos, nulos e abstenções. Ou seja, Europa, não generalize, por favor. A maioria dos brasileiros está igualmente indignada com a destruição da Amazônia.
* A coluna de Merval Pereira no Globo, hoje, sobre o fogo na Amazônia, poderia perfeitamente ser assinada por Jair Bolsonaro. Merval cita Pequim e Tóquio como exemplos de cidades poluídas com "chuva negra", o que é uma forma de banalizar os efeitos da devastação da Amazônia. Tática aliás, muito usada por Bolsonaro, quando alega que a Europa também destruiu suas florestas. São argumentos do tipo "lá fora também é assim". Merval afirma que Bolsonaro está certo ao dizer que uma reunião do G7 para tratar das queimadas "evoca mentalidade colonialista". Merval faz acrobacias com estatísticas para afirmar que as queimadas estão próximas da média dos últimos 15 anos. Diz que embora no Amazonas e Rondônia os incêndios tenham aumentado, diminuíram no Mato Grosso e Pará. Esquece de dizer que o estado do Amazonas é o maior do país em extensão territorial e é todo ocupado pela floresta amazônica. Merval diz que "o governo brasileiro não se mostra tão avesso à proteção ambiental. O jornalista ignora o desmonte da fiscalização, coisa que nem o governo esconde, o corte de verbas e a ameaça às reservas e a rejeição a verbas internacionais para conservação da floresta. Nada disso é "retórica". Para não passar vergonha total, o colunista encaixa algumas críticas sob aspectos inegáveis do desastre. Mas se até Bolsonaro está apontando fazendeiros como "culpados" e agora chama as queimadas de "criminosas" não é nada demais. O saldo geral do artigo é governista. Carlos Bolsonaro também deve ter gostado.
* Possibilidades de sanções e boicote comercial ao Brasil estão na mesa há vários meses. O governo Bolsonaro criou essa ameaça. Só agora deu medinho nos ruralistas. Pode ser tarde. Supermercados europeus começam a rejeitar produtos brasileiros, a Finlândia estuda proibir importação de carne brasileira. O divulgação dramática do fogo sobre a Amazônia terá grande impacto entre os consumidores. Se a crise persistir, resistirão os produtos com selos que atestem que sua produção não implicou em destruição de florestas.
* Mas a crise se agravará se a reação do Brasil for apenas chamar líderes de outros países de "idiotas".
* Retórica também não vai ajudar. O mundo exige medidas efetivas contra os criminosos incendiários. O jogo foi jogado.
* A coluna de Merval Pereira no Globo, hoje, sobre o fogo na Amazônia, poderia perfeitamente ser assinada por Jair Bolsonaro. Merval cita Pequim e Tóquio como exemplos de cidades poluídas com "chuva negra", o que é uma forma de banalizar os efeitos da devastação da Amazônia. Tática aliás, muito usada por Bolsonaro, quando alega que a Europa também destruiu suas florestas. São argumentos do tipo "lá fora também é assim". Merval afirma que Bolsonaro está certo ao dizer que uma reunião do G7 para tratar das queimadas "evoca mentalidade colonialista". Merval faz acrobacias com estatísticas para afirmar que as queimadas estão próximas da média dos últimos 15 anos. Diz que embora no Amazonas e Rondônia os incêndios tenham aumentado, diminuíram no Mato Grosso e Pará. Esquece de dizer que o estado do Amazonas é o maior do país em extensão territorial e é todo ocupado pela floresta amazônica. Merval diz que "o governo brasileiro não se mostra tão avesso à proteção ambiental. O jornalista ignora o desmonte da fiscalização, coisa que nem o governo esconde, o corte de verbas e a ameaça às reservas e a rejeição a verbas internacionais para conservação da floresta. Nada disso é "retórica". Para não passar vergonha total, o colunista encaixa algumas críticas sob aspectos inegáveis do desastre. Mas se até Bolsonaro está apontando fazendeiros como "culpados" e agora chama as queimadas de "criminosas" não é nada demais. O saldo geral do artigo é governista. Carlos Bolsonaro também deve ter gostado.
* Possibilidades de sanções e boicote comercial ao Brasil estão na mesa há vários meses. O governo Bolsonaro criou essa ameaça. Só agora deu medinho nos ruralistas. Pode ser tarde. Supermercados europeus começam a rejeitar produtos brasileiros, a Finlândia estuda proibir importação de carne brasileira. O divulgação dramática do fogo sobre a Amazônia terá grande impacto entre os consumidores. Se a crise persistir, resistirão os produtos com selos que atestem que sua produção não implicou em destruição de florestas.
* Mas a crise se agravará se a reação do Brasil for apenas chamar líderes de outros países de "idiotas".
* Retórica também não vai ajudar. O mundo exige medidas efetivas contra os criminosos incendiários. O jogo foi jogado.
quinta-feira, 22 de agosto de 2019
Fotomemória da redação: Júlio Bartolo e Vic Parisi em Barretos
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
A dona da imagem
por Ed Sá
Nunca as celebridades foram tão donas da própria imagem. As revistas que resistem ou sites de celebridades praticamente se limitam a capturar no Instagram as fotos que em passado recente tinham que produzir com "exclusividade".
Uma frase irreverente da modelo Aline Riscado, a musa das campanhas da cerveja Itaipava, define o empoderamento, para usar uma palavra que está saindo de moda, que as redes sociais atribuem.
Ela postou a foto acima acompanhada de um declaração de princípios que não deixa dúvida.
BNDES Airways: a esquadrilha da alegria... Executivos voam alto mas quem aperta o cinto éo contribuinte...
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Reprodução/Embraer |
Cada vez que figuras como Luciano Huck, João Dória ou executivos das Lojas Americanas, da MRV, Eurofarma, Lojas Riachuelo, John Deere Brasil, JBS, Confederação Nacional dos Trasportes, Fiat e dezenas de empresários ocultos sobre siglas de pessoas jurídicas entram nos seus jatinhos o contribuinte ajuda a acionar as turbinas da fantástica frota da alegria.
Curiosamente, a maioria dos jatinhos comprados a juros amigos e subsidiados pela "viúva" é tripulada por neoliberais que defendem o "Estado mínimo" ou "Estado nenhum". Outro curiosamente: essa linha de financiamento, chamada BNDES/Finame, foi criada no governo Lula, do qual os principais agraciados são ferrenhos adversários, com o objetivo de favorecer a indústria nacional na compra de bens, máquinas e equipamentos produzidos no Brasil, como instrumento para reduzir os efeitos da crise global. No caso, eram jatinhos fabricados pela Embraer, hoje absorvida pela Boeing, especialmente o cobiçado Phenom.
Deu nisso.
O BNDES divulgou a lista dos agraciados com financiamento a juros subsidiados para compra de aviões de luxo. São 134 contratos voadores no valor de R$ 1,921 bilhão. O custo em subsídios, vale dizer, a contribuição do povo brasileiro para a esquadrilha, vai a R$ 693 milhões. Vai ver que é por isso que um dos beneficiados usa a marca "Vida Boa". Os nomes acima vazaram da lista, embora a relação do BNDES cite a razão jurídica de empresas. Falta saber o que os CNPJ escondem: "bispos", jogadores de futebol, cantores e cantoras sertanejos, magnatas da mídia, "reis" do varejo, políticos abonados? Ainda tem muita cerração sobre os hangares dos jatinhos.
E Charles Bukowski virou personagem de sequestro no Rio de Janeiro...
As tragédias cariocas moram nos detalhes e sempre surpreendem.
Pouco antes de ser fuzilado por um atirador de elite, durante o sequestro de um ônibus lotado na Ponte Rio-Niterói, William Augusto da Silva jogou uma mochila na direção dos policias que cercavam o veículo.
Verificou-se que além de uma faca, um teaser, uma arma de brinquedo e a garrafa pet com gasolina com que ameaçou os passageiros, o sequestrador portava uma 'arma" literária de alto impacto: o livro "O capitão saiu para o almoço e os marinheiro tomaram conta do navio", de Charles Bukowski.
A obra é póstuma, foi lançada em 1998 e reúne anotações do diário do escritor. Em meio à narrativa de encontros com outsiders desesperançados, Bukowski reflete sobre a miséria humana e lamenta ter de conviver com "essa espécie insípida e tediosa". Ele mesmo provou dessa miséria, sofreu abusos do pai autoritário, foi expulso de casa, bebeu em excesso enquanto sobrevivia como faxineiro, carteiro, motorista de caminhão e o que mais o tirasse da fila de desempregados.
O último livro de Bukowski foi recebido pelos resenhadores como o seu "último canto desesperado". O escritor carregou seu drama por 79 anos. William se consumiu em apenas 20 anos. Não por acaso, se de fato foi lido, Bukowski pontuou o desespero final do sequestrador.
No decorrer das negociações com a polícia, William se expôs tanto ao aparecer fora do ônibus que parecia se oferecer como alvo. Despediu-se com um gesto obsceno e desafiador. O que remete a uma frase do escritor: "o horror é uma gentileza".
terça-feira, 20 de agosto de 2019
Viralizou: dancinha na redação
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A performance flagrada da apresentadora Maria Beltrão, no canto direito da imagem, enquanto a colega Leila Sterenberg apresentava Edição das 16, na Globo News. |
A TV americana foi pioneira em incluir as redações dos telejornais em segundo plano das bancadas dos âncoras como parte do cenário.
No Brasil, o Jornal Nacional adotou esse tipo de set ainda no ano 2000.
A Globo News usa a mesma decoração em alguns dos seus jornalísticos. É um formato que, às vezes, se a notícia for entediante, distrai a audiência que passa a observar a movimentação dos editores ao fundo. Daí, micos são flagrados pelos telespectadores atentos.
Ontem, a apresentadora Maria Beltrão foi a atração no backstage. A colega Leila Sterenberg, que conduzia a Edição das 16 na bancada, virou figurante para a dancinha da Beltrão que rodopiava no canto direito da imagem.
A internet vibrou, mas ficou sem saber o motivo da dança aparentemente comemorativa.
Veja no link: https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2019/08/19/maria-beltrao-e-flagrada-rebolando-na-globonews-durante-telejornal-ao-vivo.htm
A internet vibrou, mas ficou sem saber o motivo da dança aparentemente comemorativa.
Veja no link: https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2019/08/19/maria-beltrao-e-flagrada-rebolando-na-globonews-durante-telejornal-ao-vivo.htm
Folha de São Paulo: a foto e o fato
Na primeira página da Folha de São Paulo, hoje, dois destaques: a foto impressionante que ilustra matéria sobre a desigualdade social recorde do Brasil - a mais dramática concentração de renda entre os países democráticos. A imagem mostra uma panorâmica da Favela Paraisópolis, em São Paulo, em contraste com a quadra de tênis na cobertura de um condomínio de classe média alta; e uma denúncia (em chamada na metade inferior da página, à esquerda) sobre a Lava Jato. Em plena ano eleitoral de 2018, a controvertida força tarefa omitiu o nome de Paulo Guedes, que viria a ser o "Posto Ipiranga" de Bolsonaro, em apuração sobre esquema de lavagem de dinheiro para pagamento de propinas a agentes públicos do governo do Paraná.
Segundo a Folha, empresa da qual o atual funcionário de Bolsonaro era sócio repassou R$560,8 mil para outra empresa operada por um assessor do governador Beto Richa (PSDB).
Na época, Guedes já atuava na pré-campanha de Bolsonaro. Apesar da Lava Jato abrir processo contra outros 18 integrantes do esquema, o atual ministro foi poupado na denúncia, que apontava benefícios a grupo do qual Guedes era acionista em concessão de rodovias. A reportagem está AQUI
Der Spiegel: revista alemã pede sanções econômicas contra o Brasil. Motivo: a destruição da Amazônia, que ontem virou fumaça nos céus de São Paulo...
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Reproduções Twitter |
Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais divulgados ontem as queimadas no Brasil aumentaram em 82% em relação a 2019, entre janeiro e 18 de agosto, em comparação com o mesmo período do ano passado. O governo Bolsonaro e seus ministros abertamente desprezam a questão ambiental. São predadores assumidos que, na prática, através desse discurso incivilizado, incentivam o agronegócio a incendiar o meio ambiente. A política devastadora do governo Bolsonaro levou fazendeiros da região amazônica a promoverem o "Dia do Fogo". "Precisamos mostrar para o presidente que queremos trabalhar e único jeito é derrubando. E para formar e limpar nossas pastagens, é com fogo”, disse ao jornal paraense Folha do Progresso um integrante da facção incendiária.
Se a destruição precisava de mais um símbolo além das imagens de satélites que mostram milhares de focos de incêndio, esse logotipo dos bárbaros está à disposição do mundo desde ontem: na cidade de São Paulo o dia virou noite, às três da tarde. O assunto bombou no Twitter e ganhou repercussão mundial.
A tendência é que por pressão dos consumidores em vários países e por ação política dos ambientalistas cresça uma onda de rejeição a produtos exportados pelo Brasil e que tenha relação com a destruição de florestas. Uma futura decretação de sanções já é uma sombra no horizonte das relações internacionais do país alimentada pela estupidez do atual política, ou falta de, para o meio ambiente.
E a imagem apocalíptica de São Paulo ontem não ajuda a afastar essa hipótese.
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
Woodstock: visto do Brasil, o sonho que nem começou
por José Esmeraldo Gonçalves
Nos últimos dias, Woodstock cinquentão foi assunto recorrente na mídia. Para as novas gerações, rememorar o festival deve soar como um prospecção arqueológica. Como se cientistas desenterrassem um tatu pré-histórico. Nem o rock e os magistrais solos de guitarra que vibraram no palco da fazenda em Bethel, no estado de Nova York, resistiram ao tempo.
De 15 a 18 de agosto de 1969, os milhares de jovens que se reuniram na plateia que virou lamaçal histórico mandaram uma mensagem ao mundo. No Rio, a 7.884 km, e, de resto, em todo o país, o recado chegou truncado. Em Woodstock pregava-se a liberdade, artigo em falta no Brasil sob ditadura militar radicalizada com o AI-5 editado em dezembro de 1968. Eles tinham Lyndon Johnson no poder, nós tínhamos o general Costa e Silva gravemente doente.
Aqui o sonho nem começou.
Duas semanas depois de Woodstock tomou posse em Brasília, com um "golpe dentro do golpe", no dia 31 de agosto, uma Junta Militar formada por um trio de ditadores: general Aurélio de Lira Tavares, almirante Augusto Rademaker e brigadeiro Márcio de Sousa e Melo.
Pode parecer estranho a quem baixa músicas com um clique no Spotfy ou no You Tube, mas, acredite, o álbum triplo com a trilha sonora do festival foi lançado nos Estados Unidos dois ou três meses depois, tempo em que os produtores editaram 64 rolos de fitas gravadas em oito canais, cada uma com 18 horas de som. No Brasil, salvo discos que viajantes trouxeram, o álbum completo só seria ouvido no começo de 1970, quando foi lançado pela CBS.
"Woodstock, o filme", de Michael Wadleigh, chegou aos cinemas americanos em março de 1970. No Brasil foi exibido no segundo semestre do mesmo ano, com cenas cortadas pela censura, especialmente imagens de pessoas peladas.
Martin Scorsese, que editou o documentário, descreveu anos depois o clima do festival: "Havia a música. A ideia de rejeitar o resto do mundo e viver de maneira natural. Havia a cultura das drogas. A posição contra o governo, especificamente sua política para o Vietnã. E tudo se agrupou naquele momento. É interessante que chamem de Nação Woodstock porque era isso que todos queriam: estar separados, ter sua própria comunidade. E por três dias todos a tiveram. Quando olho para a segunda metade dos anos 1960, percebo que foi o único período em que ouvi falar a sério sobre o amor como uma força para combater a ambição, o ódio e a violência".
As capas dos álbuns reproduzidas acima, fazem parte de uma coleção da LPs que ainda guardo. São uma referência amarrotada, com todas as rugas e cicatrizes, em meio aos pedaços de memórias de uma época agitada.
O da esquerda, reproduzido no alto, comprei em 1970, ao ser lançado aqui. Ajudou a calibrar "pequenos Woodstocks" em torno de velhas vitrolas. Tanto foi gasto que adquiri mais do mesmo: o álbum relançado em 1976, reproduzido no alto á direita.
A imagem panorâmica é a cena central da capa tripla aberta, é de Jim Marshall. A foto de capa é de Burke Uzzle. Hoje com 70 anos, o casal retratado por Uzzle posou no mesmo local para foto de Dan Fastenberg, da Reuters (à esq.)
Nada mais distante da realidade brasileira da época do que Woodstock. Mesmo assim, a julgar por depoimentos posteriores, um penca de roqueiros brasileiros e alguns jornalistas passaram a incluir nas suas biografias um "meninos eu vi de perto Woodstock". Se foi verdade ou não, sabe-se lá. Não havia selfies. E quem iria conferir brazucas entre 400 mil jovens enlameados? Da minha parte, Woodstock foi um álbum, dois iguais, na verdade, um filme e livros lançados nos anos seguintes.
Foi assim que Janis Joplin, Santana, Joe Cocker, The Who, Ten Years After, Jimi Hendrix, Joan Baez, Richie Havens, Crosby, Still & Nash, John Sebastian, Jefferson Airplane e outros cantaram para um Brasil oprimido três dias de liberdade em uma galáxia muito distante.
domingo, 18 de agosto de 2019
The Intercept Brasil e Folha de São Paulo: Facção da Lava Jato ignorou a lei
Pacote inédito de conversas da Vaza Jato divulgado hoje pelo Intercept Brasil e pela Folha de S. Paulo reforçam os métodos "criativos" dos procuradores da Lava Jato que contornaram a lei para obter dados sigilosos da Receita Federal sem pedir autorização judicial. Em "ação entre amigos", devassaram a vida de pessoas próximas aos investigados sem que, na maioria das vezes, esses cidadãos vítimas da espionagem houvessem cometido qualquer irregularidade.
Futebol: em breve o Brasileirão se tornará algo próximo de um quadrangular de times milionários. Saiba porque
por Niko Bolontrin
Com exceção, no momento, da Itália, as principais forças do futebol europeu - Inglaterra, Espanha, Alemanha e França - têm uma característica em comum: apenas de dois a quatro times de cada país são atualmente reais candidatos aos títulos nacionais ou continentais, com base nas ocorrências das última décadas. São eles: Manchester City, Manchester United, Chelsea e Liverpool; Real Madrid e Barcelona; PSG e Monaco. Claro que embora cada vez mais raro um ou outro quebra a sequência, mas a supremacia dos citados é arrasadora.
A FIFA já manteve regras para evitar desequilíbrios tão grandes que, em resumo, tendem a tornar as competições menos vibrantes para os milhões de torcedores dos times desafortunados. Controles econômicos, limitação de jogadores estrangeiros, entre outras medidas, forçavam uma melhor distribuição de jogadores ranqueados. A entidade ainda exige um leve limite financeiro em volume de contratações, insuficiente para deter o poderio dos times mais ricos, mas venceu a facção que defende a lei do mercado no futebol e o salve-se quem puder.
A médio prazo essa pujança limitada a poucos afetará o lado esportivo das competições, dividindo-as entre a super elite permanente e a enorme massa de coadjuvantes.
O futebol brasileiro brasileiro vive o começo desse mesmo processo. Estima-se que em menos de década, os nossos títulos nacionais e continentais serão majoritariamente divididos entre quatro ou cinco clubes. Serão aqueles privilegiados por patrocinadores, empresários de jogadores e vendas de direitos de transmissão para TV aberta, a cabo, redes sociais e streaming. No Brasil, a concentração de favoritos foi inicialmente forçada pela TV, seguindo-se naturalmente os patrocinadores e os empresários de atletas.
O próximo passo - já evidenciado reivindicado em críticas feitas pela mídia esportiva - é o fim dos campeonatos estaduais, o que tirará de cena e cortará a visibilidade de centenas de times em todo o país. Restarão 20 ou 25 clubes candidatos ao Brasileirão, à Copa do Brasil, Sul Americana e Libertadores. Os demais se agruparão nas Segundonas, Terceironas e Série D da vida. Muitos estádios - bem mais do que aqueles herdados da Copa do Mundo - poderá se tornar semi-fantasmas.
E o Brasileirão, admito que exagerando um pouco, se transformará na prática, como a Premier League, La Liga, Bundesliga e Ligue 1, algo próximo de um quadrangular de milionários.
Com exceção, no momento, da Itália, as principais forças do futebol europeu - Inglaterra, Espanha, Alemanha e França - têm uma característica em comum: apenas de dois a quatro times de cada país são atualmente reais candidatos aos títulos nacionais ou continentais, com base nas ocorrências das última décadas. São eles: Manchester City, Manchester United, Chelsea e Liverpool; Real Madrid e Barcelona; PSG e Monaco. Claro que embora cada vez mais raro um ou outro quebra a sequência, mas a supremacia dos citados é arrasadora.
A FIFA já manteve regras para evitar desequilíbrios tão grandes que, em resumo, tendem a tornar as competições menos vibrantes para os milhões de torcedores dos times desafortunados. Controles econômicos, limitação de jogadores estrangeiros, entre outras medidas, forçavam uma melhor distribuição de jogadores ranqueados. A entidade ainda exige um leve limite financeiro em volume de contratações, insuficiente para deter o poderio dos times mais ricos, mas venceu a facção que defende a lei do mercado no futebol e o salve-se quem puder.
A médio prazo essa pujança limitada a poucos afetará o lado esportivo das competições, dividindo-as entre a super elite permanente e a enorme massa de coadjuvantes.
O futebol brasileiro brasileiro vive o começo desse mesmo processo. Estima-se que em menos de década, os nossos títulos nacionais e continentais serão majoritariamente divididos entre quatro ou cinco clubes. Serão aqueles privilegiados por patrocinadores, empresários de jogadores e vendas de direitos de transmissão para TV aberta, a cabo, redes sociais e streaming. No Brasil, a concentração de favoritos foi inicialmente forçada pela TV, seguindo-se naturalmente os patrocinadores e os empresários de atletas.
O próximo passo - já evidenciado reivindicado em críticas feitas pela mídia esportiva - é o fim dos campeonatos estaduais, o que tirará de cena e cortará a visibilidade de centenas de times em todo o país. Restarão 20 ou 25 clubes candidatos ao Brasileirão, à Copa do Brasil, Sul Americana e Libertadores. Os demais se agruparão nas Segundonas, Terceironas e Série D da vida. Muitos estádios - bem mais do que aqueles herdados da Copa do Mundo - poderá se tornar semi-fantasmas.
E o Brasileirão, admito que exagerando um pouco, se transformará na prática, como a Premier League, La Liga, Bundesliga e Ligue 1, algo próximo de um quadrangular de milionários.
sábado, 17 de agosto de 2019
Governo cria reality show para atrair turistas. O prêmio é uma 'condução coercitiva' pelo Brasil com direito a conhecer uma "atração" especial: Jair Bolsonaro
por O. V. Pochê
A Turquia, onde a história pulsa em cada esquina, era um dos principais destinos turísticos até 2016. Ao reprimir uma tentativa de golpe e promover uma caça à oposição, o governo Recep Erdogan atingiu os valores democráticos e mudou para pior a imagem internacional do país. O fluxo de turistas caiu apesar da desvalorização da moeda local frente ao dólar que tornou mais acessíveis as diárias de hotel.
Na época do apartheid, a África do Sul era evitada por visitantes. São inúmeros casos que mostram a relação entre as atrações que um país oferece e sua imagem internacional. Ao escolher seu roteiro, o turista pesa fatores como violência, pobreza extrema, desigualdade e o clima político do país. Por tudo isso, diz-se que para receber visitantes e lhes proporcionar bons momentos um país precisa primeiro cuidar da sua população, da qualidade de vida, das suas cidades, dos seus parques, praias e reservas.
O governo brasileiro planeja campanhas para atrair visitantes. Pelos primeiros indícios, as iniciativas parecem coisa de amadores. A marca turística já gerou polêmica. O slogan "Brazil: visit and love us" remete, segundo os críticos, ao turismo sexual, uma mancha antiga na imagem do país. Além disso, os marqueteiros do Planalto usaram sem autorização uma tipologia que tem dono e copyright. A vítima da pirataria já reclamou.
A nova ordem brasiliense anuncia agora um "reality show" promocional. Trata-se de um concurso mundial que premiará um estrangeiro com um tour de 30 dias pelo Brasil, com tudo gravado para distribuição internacional. O negócio se chama "Rei do Rolê no Brasil" (na verdade, a gíria carioca original é rolé, rolê é a versão paulistana). O turista, segundo o governo, terá que cumprir uma série de requisitos. Um dos critérios será o número de seguidores nas redes sociais. A Embratur não revela quais serão as demais exigências. Alemães e noruegueses poderão se inscrever? Esquerdista pode vir? Negros? Índios? LGBT? Feios? Gordos? O roteiro incluirá paisagens da Amazônia devastada? Favelas? O turista experimentará uma carona em voo de bombardeio de agrotóxicos. Irá ao SUS? Visitará um universidade sem verbas? Acompanhará um incursão policial em uma comunidade? Verá como funcionam as milícias?
Das duas uma: ou o tour será ao estilo Coréia do Norte, produzido, vigiado e cenografado para evitar mazelas e com o turista em condução coercitiva ou, se honesto, servirá para mostrar a realidade e sugerir ao visitante em potencial que é melhor esperar melhores dias.
Ah, sim, o turista escolhido terá direito a conhecer uma atração turística do momento: Jair Bolsonaro. Mas a Embratur também não informa se esse ápice do tour é o "paredão" do reality show.
Na capa da Carta Capital: o escândalo que a mídia conservadora esconde...
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
Jornalismo: o coro dos contentes
Quando empresários fazem lobby para desburocratizar atividades quase sempre direitos são suprimidos e não apenas a papelada.
A chamada Lei da Liberdade Econômica é um desses comboios que em nome de uma "boa causa" - a eliminação de entraves funcionais - resulta em compressão das liberdades individuais, especificamente aquelas que dizem respeito aos trabalhadores.
Os analistas e colunistas de economia da mídia conservadora vivem um dilema que de tão exposto até beira o ridículo. A maioria ajudou a criar as condições políticas que elegeram Bolsonaro. E, desde janeiro, cumpre a dolorosa missão patronal de exaltar as medidas econômicas de mercado e timidamente ou com alguma ênfase criticar, no máximo, as políticas ambientais, educacionais, de saúde, a pauta fundamentalista dos costumes. Acontece que o governo é indivisível e se há alguém com um projeto definido no Brasil atualmente, para todos os setores e com a marca da ultra direita, chama-se Bolsonaro. Aliás, o teclado dos funcionários da mídia conservadora parece não conseguir compor essa palavra, "ultra direita", que é a definição exata que a imprensa internacional usa como griffe do atual governo do Brasil. A economia não é um mundo à parte da política da ultra direita. É como se um cruel assassino serial tivesse sua culpa esquecida apenas porque gosta de plantar camélias, adora animais e posta fotos nas redes sociais orando e se batizando no Jordão e isso o eximisse de pena.
Veja-se o caso da MP da Liberdade Econômica, que recebe aplausos dos colunistas. Junto com a papelada somem coisas como um empresário falido não precisar ter mais o patrimônio pessoal à disposição da Justiça para pagamento de dívidas trabalhistas. "Somente o patrimônio social da empresa pode responder pelas dívidas", diz a lei. Se com patrimônio pessoal incluído nas garantias as falência geralmente punem ex-empregados, imagine o que acontecerá a partir da aprovação da nova lei.
Olha só esse artigo: "fica permitido o uso de registro de ponto do trabalhador por exceção, ou seja, quando for diferente da jornada regular". E aí vem o risco embutido: "isso poderá ser definido por acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho". Um trabalhador que procura emprego há meses, com a família em dificuldade, vai deixar de assinar qualquer papel que o empregador oferecer como condicionante ao posto?
Ao analisar a MP da Liberdade Econômica, os principais colunistas revelam uma ingenuidade lapidar. Um mero exemplo: Míriam Leitão escreveu no Globo: "Mesmo sendo necessário tornar o processo de licença ambiental mais ágil, transparente e previsível, o que o governo tem feito na área é inibir os órgãos de controle e desmontar a máquina". Apesar de admitir isso, o artigo se agarra esperançoso em uma dúvida: "como há um item que determina que, se uma licença não for dada num prazo específico, ela estará dada automaticamente, há risco de que isso seja usado para eliminar na prática exigências que de fato precisam ser cumpridas por razões ambientais e de segurança". "Risco" cara pálida? O artigo está aí exatamente para que as empresas possam usufruir desse prazo e... jogo jogado. Ainda mais se a máquina está sendo desmontada, com demissões e transferências de cientistas e fiscais que teimam em atuar, é claro que a análise ambiental de projetos tende a demorar mais ou, pior, passar a ser feita nas coxas por ordens de cima ou por funcionários amedrontados.
O governo diz se preocupar com a família, mas isso parece significar apenas a submissão a questões morais e religiosas. Um artigo da MP reduz o tempo de lazer e convivência dos pais com os seus filhos. "Fica liberado o trabalho aos domingos e feriados", que será pago em dobro e compensado com folgas sendo que apenas uma delas em um domingo a cada quatro trabalhados, as demais cairão em dia útil, vale dizer em data escolar. Com pai e mãe submetidos a esse regime, reduz-se o tempo de convivência da família.
Outro absurdo: "as empresas não precisarão mais de autorização do governo para testar produtos e serviços, se houver consentimento de quem for testá-los, a menos que haja risco à segurança pública ou nacional". Isso quer dizer que risco às pessoas são admissíveis?
E essa outra? "Fica permitido às empresas e empreendedores arquivar qualquer documento em microfilme ou por meio digital e ele estará equiparado ao documento físico para todos os efeitos legais". O meio digital não pode ser ignorado, claro, mas a MP não regulariza esse arquivamento. Vai ser na nuvem? Haverá backup obrigatório? Ou o empregador e o empreendedor poderá guardá-lo na memória do celular junto com fotos de viagem? Não é preciso ser visionário para prever que muitos arquivos poderão desaparecer "por engano", por "queda dos sistema" ou por culpa dos HDs "lamentavelmente corrompidos". A reforma trabalhista de Temer já passou a dificultar ou até impedir ações judiciais por parte dos empregados. A nova lei pode inviabilizar reivindicações pelo simples fato do trabalhador não conseguir provar sua demanda com documento legal que se evaporou na nuvem.
Não faz muito tempo, o Brasil alcançou quase o pleno emprego e a valorização real das médias salariais sem precisar detonar a proteção social e a segurança do trabalhador. O objetivo dessas leis neoliberais que reduzem direitos é claro: aproveitar a crise e o desespero de milhões de desempregados para empurrar regras trabalhistas cruéis sob o argumento - e aqui usa-se a linguagem fecal que Bolsonaro adora - de que quem está na merda não vai reclamar de receber mais um pouquinho de cocô na cabeça.
A chamada Lei da Liberdade Econômica é um desses comboios que em nome de uma "boa causa" - a eliminação de entraves funcionais - resulta em compressão das liberdades individuais, especificamente aquelas que dizem respeito aos trabalhadores.
Os analistas e colunistas de economia da mídia conservadora vivem um dilema que de tão exposto até beira o ridículo. A maioria ajudou a criar as condições políticas que elegeram Bolsonaro. E, desde janeiro, cumpre a dolorosa missão patronal de exaltar as medidas econômicas de mercado e timidamente ou com alguma ênfase criticar, no máximo, as políticas ambientais, educacionais, de saúde, a pauta fundamentalista dos costumes. Acontece que o governo é indivisível e se há alguém com um projeto definido no Brasil atualmente, para todos os setores e com a marca da ultra direita, chama-se Bolsonaro. Aliás, o teclado dos funcionários da mídia conservadora parece não conseguir compor essa palavra, "ultra direita", que é a definição exata que a imprensa internacional usa como griffe do atual governo do Brasil. A economia não é um mundo à parte da política da ultra direita. É como se um cruel assassino serial tivesse sua culpa esquecida apenas porque gosta de plantar camélias, adora animais e posta fotos nas redes sociais orando e se batizando no Jordão e isso o eximisse de pena.
Veja-se o caso da MP da Liberdade Econômica, que recebe aplausos dos colunistas. Junto com a papelada somem coisas como um empresário falido não precisar ter mais o patrimônio pessoal à disposição da Justiça para pagamento de dívidas trabalhistas. "Somente o patrimônio social da empresa pode responder pelas dívidas", diz a lei. Se com patrimônio pessoal incluído nas garantias as falência geralmente punem ex-empregados, imagine o que acontecerá a partir da aprovação da nova lei.
Olha só esse artigo: "fica permitido o uso de registro de ponto do trabalhador por exceção, ou seja, quando for diferente da jornada regular". E aí vem o risco embutido: "isso poderá ser definido por acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho". Um trabalhador que procura emprego há meses, com a família em dificuldade, vai deixar de assinar qualquer papel que o empregador oferecer como condicionante ao posto?
Ao analisar a MP da Liberdade Econômica, os principais colunistas revelam uma ingenuidade lapidar. Um mero exemplo: Míriam Leitão escreveu no Globo: "Mesmo sendo necessário tornar o processo de licença ambiental mais ágil, transparente e previsível, o que o governo tem feito na área é inibir os órgãos de controle e desmontar a máquina". Apesar de admitir isso, o artigo se agarra esperançoso em uma dúvida: "como há um item que determina que, se uma licença não for dada num prazo específico, ela estará dada automaticamente, há risco de que isso seja usado para eliminar na prática exigências que de fato precisam ser cumpridas por razões ambientais e de segurança". "Risco" cara pálida? O artigo está aí exatamente para que as empresas possam usufruir desse prazo e... jogo jogado. Ainda mais se a máquina está sendo desmontada, com demissões e transferências de cientistas e fiscais que teimam em atuar, é claro que a análise ambiental de projetos tende a demorar mais ou, pior, passar a ser feita nas coxas por ordens de cima ou por funcionários amedrontados.
O governo diz se preocupar com a família, mas isso parece significar apenas a submissão a questões morais e religiosas. Um artigo da MP reduz o tempo de lazer e convivência dos pais com os seus filhos. "Fica liberado o trabalho aos domingos e feriados", que será pago em dobro e compensado com folgas sendo que apenas uma delas em um domingo a cada quatro trabalhados, as demais cairão em dia útil, vale dizer em data escolar. Com pai e mãe submetidos a esse regime, reduz-se o tempo de convivência da família.
Outro absurdo: "as empresas não precisarão mais de autorização do governo para testar produtos e serviços, se houver consentimento de quem for testá-los, a menos que haja risco à segurança pública ou nacional". Isso quer dizer que risco às pessoas são admissíveis?
E essa outra? "Fica permitido às empresas e empreendedores arquivar qualquer documento em microfilme ou por meio digital e ele estará equiparado ao documento físico para todos os efeitos legais". O meio digital não pode ser ignorado, claro, mas a MP não regulariza esse arquivamento. Vai ser na nuvem? Haverá backup obrigatório? Ou o empregador e o empreendedor poderá guardá-lo na memória do celular junto com fotos de viagem? Não é preciso ser visionário para prever que muitos arquivos poderão desaparecer "por engano", por "queda dos sistema" ou por culpa dos HDs "lamentavelmente corrompidos". A reforma trabalhista de Temer já passou a dificultar ou até impedir ações judiciais por parte dos empregados. A nova lei pode inviabilizar reivindicações pelo simples fato do trabalhador não conseguir provar sua demanda com documento legal que se evaporou na nuvem.
Não faz muito tempo, o Brasil alcançou quase o pleno emprego e a valorização real das médias salariais sem precisar detonar a proteção social e a segurança do trabalhador. O objetivo dessas leis neoliberais que reduzem direitos é claro: aproveitar a crise e o desespero de milhões de desempregados para empurrar regras trabalhistas cruéis sob o argumento - e aqui usa-se a linguagem fecal que Bolsonaro adora - de que quem está na merda não vai reclamar de receber mais um pouquinho de cocô na cabeça.
quinta-feira, 15 de agosto de 2019
Infância perdida...
Desenho publicado no El País: “Não gosto do helicóptero porque ele atira para baixo e as pessoas morrem”.
Crianças do Complexo da Maré, no Rio, vivem clima de Vietnã no tempo em que os americanos metralhavam aldeias usando helicópteros UH-1 Iroquois como plataforma de fuzilamento. Em apelo desesperado, elas enviaram à Justiça 1500 cartas em que descrevem o terror provocado por operações policiais aéreas. São sinais de trauma da guerra diária contra traficantes que dominam favelas
A imagem fecal do Brasil lá fora
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Nicolas Tabary, chargista do Charlie Hebdo/Publicado no L' hebdo de Charent-Maritime. |
por Jean-Paul Lagarride
A recomendação do Bozonaro para que os brasileiros façam cocô em dias alternados, uma espécie de rodízio intestinal, foi satirizada pelo cartunista Nicolas Tabary no jornal francês L' hebdo de Charent-Maritime.
Na charge, o presidente do Brasil faz sua obra sobre um sorvete emoldurado pela bandeira nacional. Em uma das legendas, ele se orgulha de fazer cocô dia sim dia não, sua estratégia pessoal para preservar o meio ambiente. Na outra, o cartum protesta: "Não é bom o senhor Bolsonaro fazer cocô em cima de todo mundo".
No país dos 'burronauros', o comércio de livros e revistas está em queda vertiginosa.
A receita neoliberal da economia no governo Bolsonaro está matando oa paciente. Nenhum setor escapa. Só a especulação financeira está feliz. Segundo o IBGE Notícias, o comércio de livros e revistas caiu 56% em relação a 2013.
O Brasil não está emburrecendo apenas nos sinais que Brasília emite, mas na essência. Vai demorar para voltar a ser civilizado.
O Brasil não está emburrecendo apenas nos sinais que Brasília emite, mas na essência. Vai demorar para voltar a ser civilizado.
E os valores morais e éticos?
por J. A Barros (*)
Bem, no Facebook, quando abro a página, vem logo a pergunta sobre o que estou pensando. Nesse momento estou pensando em muitas coisas, mas a que mais me insiste é a da situação moral e ética em que se encontra esse nosso brasil. Por que? Gente, tivemos um político, considerado uma explosão de gênio, no extrato político em que vivemos, fundando um partido político, o PT, se candidatando ao cargo de presidente e se elegendo, depois de três tentativas e se reelegendo por ampla maioria e indicando e elegendo o seu sucessor, no caso uma mulher, que eleita se reelegeu com boa contagem votos. Mas aí é que começa toda a razão de meus pensamentos se dedicarem a esse fenômeno político que ocorreu.
Por que esse país se enrolou em escândalos e atos de corrupção jamais vistos em toda sua história, que vem desde o seu descobrimento, sua colonização portuguesa e seu regime imperial, acabando numa República Federativa que conseguiu se manter até os dias de hoje? No seu ocorrer histórico se sucederam as crises políticas mas todas elas dentro de uma visão política normal, pode–se assim dizer, contrastando com essa última crise que se confunde com crise moral e ética, acabando ou começando com um processo de corrupção jamais visto em qualquer país do mundo, descoberto nos últimos anos, envolvendo nas suas entranhas políticos o incrível e inimaginável autor dessas crises o fenômeno político que surpreendeu o país, o senhor ex–presidente que se encontra preso numa cadeia de Curitiba. Esse ex–presidente, investigado, indiciado vai a julgamento por tribunais e julgado é condenado a prisão depois de condenado em segunda instância. em seguida sua indicação para sucede–lo eleita e reeleita para presidente, também é investigada, sofre pelo Congresso a pena de impeachment , afastada do governo tem o impeachment confirmado por um ministro do STF, que para protegê–la rasga a Constituição – a mesma que jurou defender quando tomou posse no STF – no seu artigo 50 que reza a destituição de presidente, tirando–lhe todos os direitos de cidadão brasileiro, mas no seu ato de condenação, esse ministro concede–lhe o direito de poder ser candidata a qualquer cargo eletivo – ato esse aprovado pela maioria dos senadores – menos aos de presidente do país, num afronto direto à Constituição.
Mas, nestes dois casos inéditos, é que reside a minha perplexidade, nos meus pensamentos de todos os dias. Como recebeu a sociedade brasileira a esses dois escândalos políticos? Na verdade nem poderia chamar de escândalos o que ocorreu, porque atingiu o absurdo da corrupção assim como a aceitação pela sociedade desses comportamentos que atingiram diretamente os valores morais e éticos, negando–lhes seu norte de vida de uma sociedade equilibrada e austera, que deveria ser toda a sociedade, que vive num país de regime – seja ela qual for – de serenidade e governo sensatos e empreendedor. E convivendo com esse absurdo moral e ético continua, essa sociedade a aceitar governos improváveis a lhe dirigir os seus caminhos, hoje em estradas de terra mal acabadas e destruídas pelas intempéries que lhe assolam os seus destinos. Triste futuro nos promete esses desvios de conduta e dos valores morais e éticos que normalmente conduzem uma nação.
(*) Os conceitos emitidos neste post traduzem a opinião do autor e não expressam as posições políticas deste blog.
Bem, no Facebook, quando abro a página, vem logo a pergunta sobre o que estou pensando. Nesse momento estou pensando em muitas coisas, mas a que mais me insiste é a da situação moral e ética em que se encontra esse nosso brasil. Por que? Gente, tivemos um político, considerado uma explosão de gênio, no extrato político em que vivemos, fundando um partido político, o PT, se candidatando ao cargo de presidente e se elegendo, depois de três tentativas e se reelegendo por ampla maioria e indicando e elegendo o seu sucessor, no caso uma mulher, que eleita se reelegeu com boa contagem votos. Mas aí é que começa toda a razão de meus pensamentos se dedicarem a esse fenômeno político que ocorreu.
Por que esse país se enrolou em escândalos e atos de corrupção jamais vistos em toda sua história, que vem desde o seu descobrimento, sua colonização portuguesa e seu regime imperial, acabando numa República Federativa que conseguiu se manter até os dias de hoje? No seu ocorrer histórico se sucederam as crises políticas mas todas elas dentro de uma visão política normal, pode–se assim dizer, contrastando com essa última crise que se confunde com crise moral e ética, acabando ou começando com um processo de corrupção jamais visto em qualquer país do mundo, descoberto nos últimos anos, envolvendo nas suas entranhas políticos o incrível e inimaginável autor dessas crises o fenômeno político que surpreendeu o país, o senhor ex–presidente que se encontra preso numa cadeia de Curitiba. Esse ex–presidente, investigado, indiciado vai a julgamento por tribunais e julgado é condenado a prisão depois de condenado em segunda instância. em seguida sua indicação para sucede–lo eleita e reeleita para presidente, também é investigada, sofre pelo Congresso a pena de impeachment , afastada do governo tem o impeachment confirmado por um ministro do STF, que para protegê–la rasga a Constituição – a mesma que jurou defender quando tomou posse no STF – no seu artigo 50 que reza a destituição de presidente, tirando–lhe todos os direitos de cidadão brasileiro, mas no seu ato de condenação, esse ministro concede–lhe o direito de poder ser candidata a qualquer cargo eletivo – ato esse aprovado pela maioria dos senadores – menos aos de presidente do país, num afronto direto à Constituição.
Mas, nestes dois casos inéditos, é que reside a minha perplexidade, nos meus pensamentos de todos os dias. Como recebeu a sociedade brasileira a esses dois escândalos políticos? Na verdade nem poderia chamar de escândalos o que ocorreu, porque atingiu o absurdo da corrupção assim como a aceitação pela sociedade desses comportamentos que atingiram diretamente os valores morais e éticos, negando–lhes seu norte de vida de uma sociedade equilibrada e austera, que deveria ser toda a sociedade, que vive num país de regime – seja ela qual for – de serenidade e governo sensatos e empreendedor. E convivendo com esse absurdo moral e ético continua, essa sociedade a aceitar governos improváveis a lhe dirigir os seus caminhos, hoje em estradas de terra mal acabadas e destruídas pelas intempéries que lhe assolam os seus destinos. Triste futuro nos promete esses desvios de conduta e dos valores morais e éticos que normalmente conduzem uma nação.
(*) Os conceitos emitidos neste post traduzem a opinião do autor e não expressam as posições políticas deste blog.
terça-feira, 13 de agosto de 2019
Na capa da Piauí: Embaixada do Brasil em Washington vira hamburgueria de Trump
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
Amazônia sobreviverá? Provavelmente apenas nas fotos da Manchete, Realidade, Veja, O Cruzeiro...
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Amazônia: o desafio perdido. |
O interesse e o tipo de cobertura que a revista realizou da maior floresta tropical do mundo passaram por várias fases de abordagem. Nos anos 1950, a Amazônia teve menos espaço na Manchete, talvez porque lançada em 1952 não ousasse concorrer com O Cruzeiro que fazia matérias antológicas sobre a região, os índios, os desbravadores.
Na primeira década de existência Manchete via o "planeta verde" como "exótico". Mais ou menos a visão que os colonizadores ingleses projetavam sobre a África.
Nos anos 1960 o tom ainda era de "aventura", com um enfoque nas riquezas e no potencial econômico da região.
Na década de 1970 a cobertura foi ufanística, na maioria das vezes, no embalo dos projetos desenvolvimentistas da ditadura. Manchete aderiu com entusiasmo ao "Brasil Grande", com reportagens muitas vezes mais vexatórias do que jornalísticas.
Na década de 1980 aparecem na revista sinais de consciência ecológica. As reportagens denunciam o drama nas aldeias indígenas e se tornam mais críticas. Agrava-se a destruição provocada pela invasão "desenvolvimentista" do regime militar e pelo avanço indiscriminado do agronegócio, queimadas que consomem imensas áreas da floresta chocam o mundo. Às vésperas da Eco-92, Manchete intensifica as denúncias embutidas em reportagens fotojornalísticas, a marca da revista. O ufanismo é contido pela dura realidade da agressão à floresta. Mesmo as edições especiais geralmente patrocinadas, que ainda tendiam a passar alguma visão otimista, já não escondiam os crimes ambientais.
Na década de 1990, a última da sua existência regular, Manchete abrigou com ênfase a defesa do meio ambiente.
Nos anos 2000, após a falência da editora, foram publicadas algumas edições sob a responsabilidade de uma cooperativa de ex-funcionários que abordavam a nova e cada vez mais dramática situação da floresta.
Toda essa trajetória foi documentada em milhares de fotos que desapareceram junto com o arquivo que pertenceu à extinta Bloch Editores. Felizmente, essas imagens preciosas, pelo menos aquelas que foram publicadas, podem ser consultadas na coleção digitalizada da Manchete por obra da Seção de Periódicos da Biblioteca Nacional.
É verdade que desde a ditadura militar, a destruição é uma espécie de projeto diabólico de Brasil executado por todos os governos. Houve avanços na era Lula, mas é inegável que o PT também cedeu ao agronegócio e à construção de hidrelétricas sem projetos ambientais efetivos. Lula fazia piadas com a biodiversidade, caso, por exemplo, de um dos argumentos que usava ao ironizar sobre pererecas que interrompiam obras em nome da preservação da espécie. O novo Código Florestal aprovado durante o governo Dilma é desastroso. Mas nesse item de debochar das políticas ambientais, Bolsonaro é imbatível. Principalmente porque, ao contrário das ironias de Lula, suas falas se transformam em ações efetivas de governo atingindo instituições de pesquisa, cientistas, fiscais, áreas de preservação e reservas indígenas. Agora, a guerra do governo contra a Amazônia é total e o mundo começa a reagir com mais força, com corte de verbas internacionais, ameaças de boicotes comerciais à vista e até os primeiros pedidos de futuras sanções reivindicados por grupos ecológicos.
Manchete já não existe para documentar o atual estágio de extinção da Amazônia. No ritmo acelerado de extermínio da sua biodiversidade, a floresta, em um futuro não muito distante, sobreviverá apenas no trabalho de dezenas de fotojornalistas da Manchete, Realidade, O Cruzeiro, Jornal do Brasil, O Globo e Veja.
sexta-feira, 9 de agosto de 2019
Mídia: muita mutreta pra levar a situação...
A capa do Estadão, hoje, é praticamente um tutorial do Brasil atual.
* A foto principal mostra a ruína de uma universidade. Por algum motivo patológico ou interesses privados, o governo estimula um ódio às escolas públicas de ensino superior. A rejeição vai à pratica com os sucessivos cortes de verba.
* Populacho causa déficit: entrevista com secretário do Tesouro informa que mesmo com o confisco da Previdência aprovado pela Câmara, o suposto déficit crescerá 40 bilhões de reais por ano. Ele defende congelamento de salários de servidores, entre outras medidas que vão sobrar para o populacho. Benesses de juízes, desembargadores, procuradores, deputados, senadores, ministros, altas patentes, altos funcionários públicos do primeiro escalão, cobranças de dívidas de empresários com a Previdência não estão na pauta do empregado de Bolsonaro.
* Negócios turbinados: mensagens sobre o escândalo protagonizado pelo governo brasileiro e paraguaio sobre Itaipu mostram interesses e armações com empresas privadas inseridas no pacto. Se puxar o fio haverá choque elétrico em Brasília e Assunção.
* Agrodestruição: painel do Clima da ONU, esse baseado em satélites que não podem ser desligados pelo governo brasileiro, apontam 23% das emissões de gases efeito estufa no mundo vêm do desmatamento e da agropecuária.
* Na ativa: o empresário Eike Batista foi preso. Ele cumpria condenação em prisão domiciliar por corrupção e lavagem de dinheiro, mas andava bem ativo. Nas últimas semanas fazia aparentemente uma faxina na própria imagem: deu entrevistas a várias publicações onde falou de grandes projetos e voltou às notinhas em colunas de jornais amigas. Agora é suspeito de manipulação do mercado de capitais e transações fraudulentas, segundo o MPF.
* Afeto que se encerra: outra chamada de capa dá conta de abalos no núcleo do governo. Depois de tirar a toga de Sergio Moro ao nomeá-lo ministro, Bolsonaro estaria agora podando as mangas de camisa e aparando as bocas da calça do maior símbolo eleitoral da sua campanha.
* Pulou do barco: chamada para artigo de Fernando Gabeira mostra mudança de rumos na avaliação do amigo Bolsonaro, da condescendência à decepção.
Sexo na República: Bolsonaro sugere troca-troca ministerial
por O. V. Pochê
Bolsonaro é bully. Este é o termo em inglês que nomeia pessoas que escolhem outra como vítima de gozações repetitivas. Bully também significa, "valentão", "brigão", "tirano".
O ministro da Justiça Sergio Moro foi o alvo da 'piada' de Bolsonaro. E em live para todo mundo ver.
Segundo psicólogos, as vítimas geralmente não reagem às agressões, temem a rejeição e preferem entrar "brincadeira" e sorrir constrangidas. Na gíria antiga, era o "pele", hoje é o "piá de prédio", garoto criado em condomínio, que não tem vivência de rua e sofre deboche dos colegas.
A cena viralizou nas redes sociais. Houve quem achasse ridícula, robôs elogiaram a "sinceridade" de Bolsonaro, outros o compararam ao "tio do pavê", aquele que em festinhas de famílias se mete a fazer "stand up" de piadas jurássicas, nunca faz sucesso mas ele mesmo é o que mais rir, tal qual se viu aí.
Vexame à parte, o Brasil aprendeu como a Libras (Língua Brasileira de Sinais) traduz a modalidade de ato sexual sugerida por Bolsonaro aos ministros Moro e Ricardo Salles.
Você pode ver no vídeo o momento exato em que a tradutora cumpre seu papel de gesticular o bullying. AQUI
Bolsonaro é bully. Este é o termo em inglês que nomeia pessoas que escolhem outra como vítima de gozações repetitivas. Bully também significa, "valentão", "brigão", "tirano".
O ministro da Justiça Sergio Moro foi o alvo da 'piada' de Bolsonaro. E em live para todo mundo ver.
Segundo psicólogos, as vítimas geralmente não reagem às agressões, temem a rejeição e preferem entrar "brincadeira" e sorrir constrangidas. Na gíria antiga, era o "pele", hoje é o "piá de prédio", garoto criado em condomínio, que não tem vivência de rua e sofre deboche dos colegas.
A cena viralizou nas redes sociais. Houve quem achasse ridícula, robôs elogiaram a "sinceridade" de Bolsonaro, outros o compararam ao "tio do pavê", aquele que em festinhas de famílias se mete a fazer "stand up" de piadas jurássicas, nunca faz sucesso mas ele mesmo é o que mais rir, tal qual se viu aí.
Vexame à parte, o Brasil aprendeu como a Libras (Língua Brasileira de Sinais) traduz a modalidade de ato sexual sugerida por Bolsonaro aos ministros Moro e Ricardo Salles.
Você pode ver no vídeo o momento exato em que a tradutora cumpre seu papel de gesticular o bullying. AQUI
quinta-feira, 8 de agosto de 2019
Abbey Road: a foto mais famosa dos Beatles faz 50 anos hoje
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Foto de Iain MacMillan. |
Na manhã de 8 de agosto de 1969, o fotógrafo Iain MacMillan subiu em uma pequena escada, ajustou a Hasselblad e fez em 15 minutos as fotos de uma cena que se tornaria clássica: John, Ringo, Paul e George cruzando a faixa de pedestres da Abbey Road, a arborizada rua londrina onde ficavam os estúdios de gravação da banda.
À primeira vista a imagem pode parece casual. Mas além de ter obedecido a um esboço feito por Paul McCartney, os Beatles tiveram que repetir a cena seis vezes, enquanto um guarda interrompia o trânsito. Caminharam da esquerda para a direita, voltaram, pararam na faixa, de novo atravessaram a rua, e de novo, e mais uma vez... O esboço apenas posicionava os personagens, os demais elementos do cenário eram reais, nada foi colocado na rua para compor a cena. incluindo o famoso Fusca.
A quinta chapa das únicas seis foi usada na capa do LP Abbey Road (lançado em 26 de setembro de 1969) e se tornou um clássico pop.
A foto não apenas virou, gerou lendas. Uma delas dizia que a capa sinalizava que Paul havia morrido: ele era o único a caminhar descalço e estava de olhos fechados. A teoria do R.I.P pregava que o baixista estava vestido para ser enterrado pelo "padre", John e pelo "coveiro" George, Ringo era o "dono da funerária".
Para comemorar os 50 anos de Abbey Road será lançado mundialmente em setembro próximo um álbum com quatro discos (Abbey Road Super De Luxe Box) e 40 faixas entre gravações, trechos de sessões de gravação, demos e um Blu-Ray. No pacote vem um livro de 100 páginas ilustradas, com prefácio de Paul McCartney e texto do historiador e produtor de rádio Kevin Howlett, que relata os meses que antecederam as sessões de gravação de Abbey Road, as reações ao lançamento e as influências musicais do álbum identificadas em cinco décadas de músicas. (José Esmeraldo Gonçalves)
Na capa da Time: o terrorismo dos supremacistas brancos é o novo pesadelo americano
A revista Time pergunta: "Por que a América está perdendo a batalha contra o terrorismo nacionalista branco?"
Os massacres em um país armado com fuzis de assalto são dramaticamente comuns nos Estados Unidos. Nos últimos anos, esses tiroteios passaram a ter como alvos preferenciais negros, imigrantes hispânicos, homossexuais e instituições religiosas. Tais crimes de ódio ganharam foco mais claro nos dois recentes atentados de El Paso e Dayton.
A Time ressalta que a imagem do terrorista presente nos pesadelos dos norte-americanos era a dos jihadistas. A essa percepção agora se acrescenta a dos supremacistas brancos típicos moradores de um típico subúrbio de classe média em típicas cidades do país.
"Desde o 11 de setembro" - informa a revista a partir de dados do governo - "ficou claro que nacionalistas brancos se tornaram o rosto do terrorismo na América. Supremacistas brancos e outros extremistas de extrema-direita foram responsáveis por quase três vezes mais ataques aos EUA do que terroristas islâmicos. De 2009 a 2018, a extrema direita foi responsável por 73% das mortes domésticas relacionadas com extremistas, de acordo com um estudo de 2019 da Liga Anti-Difamação (ADL). Mais pessoas - 49 - foram assassinadas por extremistas de extrema-direita nos EUA no ano passado do que em qualquer outro ano desde o atentado de Oklahoma em 1995. O diretor do FBI Christopher Wray disse ao Congresso em julho que a maioria das investigações do terrorismo doméstico desde outubro estavam ligados à supremacia branca. No entanto, os líderes da nação não conseguiram enfrentar essa ameaça. Em mais de uma dúzia de entrevistas com a TIME, autoridades federais e de segurança nacional atuais e anteriores descreveram um sentimento de perplexidade e frustração ao observarem os avisos serem ignorados e a ameaça terrorista da supremacia branca crescer".
Os crimes de ódio ecoam a pregação e as atitudes racistas de Donald Trump. Lá o estágio dessa brutal estratégia política, agora acirrada pela campanha eleitoral, alcança a fase de colheita de sangue.
Em um distante país ao sul, com aspirações de clone da matriz, essa mesma política de ódio está em acelerada fase de semeadura.
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
Mídia: Quem é o roteirista que escreve o seriado "Brasil de Bolsonaro"?
* A mídia ainda não descobriu, e apenas suspeita de alguns nomes, o roteirista que aponta e desenvolve os temas que Bolsonaro despeja no twitter, em coletivas e palanques de inaugurações de obras passadas. Para usar linguagem do clã, o homem é um fuzil giratório de ódio: ataca o cinema, o STF, os governadores do Nordeste, os radares, as lombadas, a mídia, professores e universidades, as agências reguladoras, o IBGE, o Inpe, campanhas que retratam a diversidade brasileira. A cada dia um flash, como diria um autor de novelas. O problema é que o roteiro não é ficção. Em meio às frases de efeito e às opiniões que agitam as redes sociais de opositores e apoiadores, as medidas práticas provam que Bolsonaro tem um plano de governo que avança para o absolutismo. .
* O Brasil não precisa de ministro das Relações Exteriores. Basta entrar no grupo do Whatsapp de John Bolton, conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, e cumprir as ordens de Donald Trump. Nos últimos dias, o governo brasileiro reteve cargueiros do Irã (finalmente liberados pela Justiça); agiu para corrigir a bagunça que arrumou na questão da hidrelétrica binacional de Itaipu e Paraguai com o objetivo de preservar o governo de ultra direita do país, segundo determinação dos Estado Unidos; proibiu a entrada no país de funcionários do governo da Venezuela; condenou os massacres em El Paso e Dayton, mas seguindo o figurino de Trump de lamentar as mortes, isentar as armas de culpa e não citar a conotação racista dos supremacistas brancos autores dos fuzilamentos; e, para finalizar, depois que o secretário do Comércio dos Estados Unidos mandou o Brasil tomar cuidado para que o futuro Acordo Mercosul-União Européia não atrapalhe as relações de Brasília com Washington, Bolsonaro correu para transmitir o recado aos seus ministros: "É importante que nada no acordo entre Mercosul e União Europeia seja um impedimento para um acordo de livre comércio do Brasil com os Estados Unidos", repetiu, obediente.
* O governo prometeu liberar RS$ bilhões para os deputados como acordo para a turma aprovar o confisco da Previdência. O presidente da Câmara não contava que o orçamento federal não tivesse dinheiro para cumprir a promessa. Daí, a própria Câmara vai ter que aprovar a mágica de fazer surgir a grana para os votantes. É como se um sujeito devesse dinheiro a traficantes e pedisse à "boca" para liberar a verba com a qual pagará a "firma". Até Rodrigo Maia ficou sem jeito. Bolsonaro seria mais discreto na transação se mandasse entregar malas de dinheiro no plenário.
* Em 2016, a Globo convidou Glória Pires para participar da bancada que comentava a entrega do Oscar. Só que a produção esqueceu de avisar a atriz para ver ou se informar sobre os filmes concorrentes. Resultado: Glória ficou boiando e quando era consultada pelos demais apresentadores repetia uma frase que virou meme e divertiu as redes sociais. "Não sou capaz de opinar". O coronel Darcton Damião, novo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ressuscitou a frase ao assumir o cargo: "Aquecimento global não é minha praia. Não posso opinar". Acontece que é. O site do INPE informa que, entre outras atribuições, faz "a investigação física e química de fenômenos que ocorrem na atmosfera e no espaço exterior de interesse para o País. Realiza pesquisas e experimentos nos campos da Aeronomia, Astrofísica e Geofísica Espacial, Ciências Espaciais e Atmosféricas, Previsão de Tempo e Estudos Climáticos". Além disso, o Inpe, que vem incomodando Bolsonaro por insistir em divulgar provas científicas de que o desmatamento aumentou, monitora, por exemplo, as queimadas na floresta que prejudicam a formação de nuvens de chuva e produzem fuligem que faz a terra absorver mais calor. Embora diga que "não é sua praia", o coronel afirma não está convencido de que o aquecimento global é fato comprovado. Sobre acionar os satélites do Inpe para verificar se o planeta é plano ele não falou.
* Bolsonaro editou medida provisória desobrigando empresas de publicar balanços em jornais. Vá lá, só que ele falou claro que seu objetivo é retaliar a mídia que não o apoia. O governo também passou a privilegiar com verbas oficiais programas e apresentadores do tipo chapa banca. E a mídia acusava os governos passados de pretender "controlar" as notícias.
* O Brasil não precisa de ministro das Relações Exteriores. Basta entrar no grupo do Whatsapp de John Bolton, conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, e cumprir as ordens de Donald Trump. Nos últimos dias, o governo brasileiro reteve cargueiros do Irã (finalmente liberados pela Justiça); agiu para corrigir a bagunça que arrumou na questão da hidrelétrica binacional de Itaipu e Paraguai com o objetivo de preservar o governo de ultra direita do país, segundo determinação dos Estado Unidos; proibiu a entrada no país de funcionários do governo da Venezuela; condenou os massacres em El Paso e Dayton, mas seguindo o figurino de Trump de lamentar as mortes, isentar as armas de culpa e não citar a conotação racista dos supremacistas brancos autores dos fuzilamentos; e, para finalizar, depois que o secretário do Comércio dos Estados Unidos mandou o Brasil tomar cuidado para que o futuro Acordo Mercosul-União Européia não atrapalhe as relações de Brasília com Washington, Bolsonaro correu para transmitir o recado aos seus ministros: "É importante que nada no acordo entre Mercosul e União Europeia seja um impedimento para um acordo de livre comércio do Brasil com os Estados Unidos", repetiu, obediente.
* O governo prometeu liberar RS$ bilhões para os deputados como acordo para a turma aprovar o confisco da Previdência. O presidente da Câmara não contava que o orçamento federal não tivesse dinheiro para cumprir a promessa. Daí, a própria Câmara vai ter que aprovar a mágica de fazer surgir a grana para os votantes. É como se um sujeito devesse dinheiro a traficantes e pedisse à "boca" para liberar a verba com a qual pagará a "firma". Até Rodrigo Maia ficou sem jeito. Bolsonaro seria mais discreto na transação se mandasse entregar malas de dinheiro no plenário.
* Em 2016, a Globo convidou Glória Pires para participar da bancada que comentava a entrega do Oscar. Só que a produção esqueceu de avisar a atriz para ver ou se informar sobre os filmes concorrentes. Resultado: Glória ficou boiando e quando era consultada pelos demais apresentadores repetia uma frase que virou meme e divertiu as redes sociais. "Não sou capaz de opinar". O coronel Darcton Damião, novo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ressuscitou a frase ao assumir o cargo: "Aquecimento global não é minha praia. Não posso opinar". Acontece que é. O site do INPE informa que, entre outras atribuições, faz "a investigação física e química de fenômenos que ocorrem na atmosfera e no espaço exterior de interesse para o País. Realiza pesquisas e experimentos nos campos da Aeronomia, Astrofísica e Geofísica Espacial, Ciências Espaciais e Atmosféricas, Previsão de Tempo e Estudos Climáticos". Além disso, o Inpe, que vem incomodando Bolsonaro por insistir em divulgar provas científicas de que o desmatamento aumentou, monitora, por exemplo, as queimadas na floresta que prejudicam a formação de nuvens de chuva e produzem fuligem que faz a terra absorver mais calor. Embora diga que "não é sua praia", o coronel afirma não está convencido de que o aquecimento global é fato comprovado. Sobre acionar os satélites do Inpe para verificar se o planeta é plano ele não falou.
* Bolsonaro editou medida provisória desobrigando empresas de publicar balanços em jornais. Vá lá, só que ele falou claro que seu objetivo é retaliar a mídia que não o apoia. O governo também passou a privilegiar com verbas oficiais programas e apresentadores do tipo chapa banca. E a mídia acusava os governos passados de pretender "controlar" as notícias.
terça-feira, 6 de agosto de 2019
Fotomemória da redação: Frederico Mendes entrevista um homem das cavernas. No caso, o ex-beatle Ringo...
Em 1980, Manchete enviou o repórter fotográfico Frederico Mendes ao México para encontrar um ex-beatle barbudo e maltrapilho. Era Ringo Starr, que filmava "Caveman - o homem das cavernas".
Depois das primeiras experiências cinematográficas - "Hard Day's Night, Help!, Magical Mystery Tour e Let It Be -, o baterista tentou engrenar uma carreira de ator. Atuou em "Candy', "O filho de Drácula" e outras irrelevâncias.
Não decolou.
Quando Manchete foi encontrá-lo, ele fazia o papel de um troglodita na comédia pré-histórica que foi lançada em 1981.
Na entrevista, o ex-beatle corrigiu uma frase histórica de John Lennon publicada originalmente no London Evening Standard ("Somos mais populares do que Jesus").
"Não fomos mais importantes do que Jesus", disse Ringo a Frederico Mendes.
Finalmente, Jesus deve ter respirado aliviado.
Biblioteca Nacional disponibiliza a coleção digitalizada da Manchete Esportiva
A Biblioteca Nacional dá sequência ao projeto de digitalização das revistas da extinta Bloch Editores.
Depois da Manchete, estão disponíveis na seção de Periódicos do site da instituição a Manchete Esportiva, tanto as edições da primeira fase da publicação, na década de 1950, quanto os exemplares do relançamento da revista no final dos anos 1970.
A parte superior da barra à direita da homepage deste blog sinaliza os links para acesso aos respectivos acervos.
Também acaba de ser digitalizada a coleção da Manchete Rural.
Depois da Manchete, estão disponíveis na seção de Periódicos do site da instituição a Manchete Esportiva, tanto as edições da primeira fase da publicação, na década de 1950, quanto os exemplares do relançamento da revista no final dos anos 1970.
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Também acaba de ser digitalizada a coleção da Manchete Rural.
segunda-feira, 5 de agosto de 2019
Liberdade de expressão em risco: Repórteres Sem Fronteira pede apoio internacional para Glenn Greenwald, que recebeu ameaças do governo brasileiro
A organização internacional Repórteres Sem Fronteiras publicou no seu portal denúncia de intimidação e tentativa de desestabilização do site jornalístico Intercept Brasil após as graves denúncias contidas nos vazamentos das mensagens de procuradores e juiz responsável pela Lava Jato. Repórteres Sem Fonteiras pede apoio mundial aos jornalistas do site investigativo, especialmente ao editor Glenn Greenwald, que tem recebido ameças de morte e até de expulsão do Brasil.
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China X Estados Unidos: a guerra digital
Enquanto a política internacional discute a volta da Guerra Fria entre EUA e Rússia, uma guerra quente está em curso na Internet. Os contendores principais são China e Estados Unidos em plena competição tecnológica e corporativa. Os consumidores assistirão à disputa na palma da mão, mais precisamente na tela dos smartphones. O assunto é tema de capa da revista Courrier Internacional. (Flávio Sépia)
51, uma boa idéia. É a idade da modelo Stephanie Seymour, capa da Vogue italiana desse mês
A edição de agosto da Vogue Itália mostra a modelo Stephanie Seymour, 51, em forma espetacular em ensaio da fotógrafa Collier Schorr.
Em 1995, ela posou para a Vogue francesa, fotografada por Mário Testino (Clara S. Britto).domingo, 4 de agosto de 2019
sexta-feira, 2 de agosto de 2019
Governo vai acabar com desmatamento e desemprego. Na real? Não, só nas estatísticas
por Flávio Sépia
Governos autoritários costumam brigar com números e estatísticas quando esses lhes são desfavoráveis. Nos anos 1950, um coronel chegou a proibir o filme Rio 40°, de Nelson Pereira dos Santos, sob a alegação de que na Cidade Maravilhosa os termômetros não chegavam a tanto. Na verdade, o calor foi pretexto, o que incomodava a censura era a temática do filme.
Nos anos 1970, dizia-se que a censura impedia a divulgação de temperaturas acima de 39º. Por dois motivos, segundo o da tesoura: para não criar pânico na população e para não dar aos trabalhadores motivo para reclamar, já que o trabalho naquelas condições podia se classificado como insalubre.
Na ditadura, o então ministro Delfim Neto mandava aumentar artificialmente a oferta de produtos perecíveis, como tomates, verduras etc, e com isso baixava o preço e falsificava os números da inflação. Hoje, Delfim nem precisaria fazer isso. Nas últimas décadas, a inflação passou a ser calculada a partir de uma cesta de produtos determinada pelas autoridades. Não é exatamente a cesta de produtos que você consome, por isso a sua inflação, a que você sente no bolso, é maior do que a inflação oficial.
O governo Bolsonaro está brigando com as estatísticas. Não gosta dos números do desmatamento da Amazônia aferidos por satélite, não acredita no cálculo de famintos, desconfia das pesquisas do IBGE e não acha que o Brasil tem tantos desempregados assim, Para ele, a solução é intervir nas estatísticas e fabricar números favoráveis. É o que está fazendo fazer ao demitir profissionais e desautorizar instituições.
Governos autoritários costumam brigar com números e estatísticas quando esses lhes são desfavoráveis. Nos anos 1950, um coronel chegou a proibir o filme Rio 40°, de Nelson Pereira dos Santos, sob a alegação de que na Cidade Maravilhosa os termômetros não chegavam a tanto. Na verdade, o calor foi pretexto, o que incomodava a censura era a temática do filme.
Nos anos 1970, dizia-se que a censura impedia a divulgação de temperaturas acima de 39º. Por dois motivos, segundo o da tesoura: para não criar pânico na população e para não dar aos trabalhadores motivo para reclamar, já que o trabalho naquelas condições podia se classificado como insalubre.
Na ditadura, o então ministro Delfim Neto mandava aumentar artificialmente a oferta de produtos perecíveis, como tomates, verduras etc, e com isso baixava o preço e falsificava os números da inflação. Hoje, Delfim nem precisaria fazer isso. Nas últimas décadas, a inflação passou a ser calculada a partir de uma cesta de produtos determinada pelas autoridades. Não é exatamente a cesta de produtos que você consome, por isso a sua inflação, a que você sente no bolso, é maior do que a inflação oficial.
O governo Bolsonaro está brigando com as estatísticas. Não gosta dos números do desmatamento da Amazônia aferidos por satélite, não acredita no cálculo de famintos, desconfia das pesquisas do IBGE e não acha que o Brasil tem tantos desempregados assim, Para ele, a solução é intervir nas estatísticas e fabricar números favoráveis. É o que está fazendo fazer ao demitir profissionais e desautorizar instituições.
Jornalismo por procuração: revistas e jornais brasileiros inventaram o "furo a pedido". Eram as matérias que interessavam à "estratégia" secreta da Lava Jato
As mensagens do grupo de procuradores reveladas pelo Intercept Brasil têm revelado em algumas ocasiões o lado servil da grande mídia. Estão presentes nos diálogos manobras para induzir jornais, revistas e jornalísticos da TV a publicar determinadas notícias com o objetivo de atingir supostos "inimigos" da operação ou criar situações para encurralar críticos ou contornar decisões judiciais que incomodavam a força-tarefa.
O site Brasil 247 registra que uma dessas manobras se confirma com a capa da Veja coincidente com a estratégia que os procuradores discutem no Telegram. Em trechos divulgados anteriormente já haviam sido citados outros veículos que seguiram coreografia "jornalística" em parceria com a Lava Jato. Depois dos procuradores trocarem mensagens sobre o ministro do STF, Dias Toffoli, a partir de uma interpretação criativa de um depoimento do delator Léo Pinheiro, chegou à Veja um vazamento sobre o mesmíssimo assunto.
O site Brasil 247 registra que uma dessas manobras se confirma com a capa da Veja coincidente com a estratégia que os procuradores discutem no Telegram. Em trechos divulgados anteriormente já haviam sido citados outros veículos que seguiram coreografia "jornalística" em parceria com a Lava Jato. Depois dos procuradores trocarem mensagens sobre o ministro do STF, Dias Toffoli, a partir de uma interpretação criativa de um depoimento do delator Léo Pinheiro, chegou à Veja um vazamento sobre o mesmíssimo assunto.
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
Mário Gonzalez: o adeus de uma lenda do esporte
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O Gávea Golf em 1953: dia de Mário Gonzalez de campo. Foto Manchete |
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Em 1953, a primeira foto do golfista publicada na recém-fundada Manchete |
Um atleta brasileiro participou de 16 Copas do Mundo. Não, não foi um jogador de futebol, que não teria pernas para uma carreira não longa.
O golfista Mário Gonzales, que se tornou uma lenda internacional do esporte, venceu torneios na Inglaterra, Espanha, Portugal, Argentina, Uruguai e Estados Unidos. Ele morreu ontem, aos 96 anos, no Rio.
Em 1952, quando a Manchete começou a circular, Mário já era um dos grandes nomes do golfe e a revista registrava com frequência suas performances. Tornou-se uma lenda para golfistas do mundo inteiro.
O Gávea Golf, nos anos dourados, atraía grandes e elegantes plateias para vê-lo em ação.
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Gonzalez em foto recente. CBG |
Pouco antes dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, Mário Gonzalez participou de um evento teste do campo de golfe construído para a Rio 2016.
No Gávea Golf, uma estátua do eterno campeão lembra aos jogadores um pioneiro do esporte no Brasil e um nome reverenciado nos principais centros de golfe do mundo.
Há 19 anos, a falência da Bloch Editores. O dia que nunca terminou...
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Há 19 anos, um vendaval varreu a Bloch. Foto:bqvManchete. |
Essa foto sintetiza o drama que os funcionários da Bloch Editores viveram no dia 1° de agosto de 2000. Papeis soltos no chão, pastas sobre a mesa, ordens de serviço que jamais seriam cumpridas.
Um aviso colado na porta principal do Edifício Manchete foi a trombeta silenciosa que anunciou a falência. Em poucas linhas, decretava o 'game over' da empresa e abria um vazio nas vidas de milhares de profissionais.
Carlos Heitor Cony recordou certa vez o clima de tragédia da rendição do prédio. Contou que na sua sala, antigo gabinete do Juscelino e do Dr. Alberto Sabin, que a ocuparam durante anos, havia seguranças e oficiais de justiça. Luzes apagadas, um lampião aceso que mal dava para iluminar o caminho, era impossível retirar as coisas pessoais. O jornalista e escritor desceu as escadas no escuro, um oficial de justiça a iluminar o caminho com uma lanterna. Cony escreveu que sentia-se amortecido, "sem acreditar que tudo aquilo acabou".
E esse era o sentimento comum a todos que deixaram às pressas o lugar ao qual suas vidas profissionais se ligaram por anos e décadas. A Bloch acabou, mas a Massa Falida da Bloch Editores, não. Ainda há um número reduzido de processos trabalhistas inconclusos. Embora a maioria dos ex-funcionários tenha recebido os valores de indenizações, são credores da correção monetária correspondente. Muitos fecharam acordos desfavoráveis na esperança de receberem mais rápido o total dos seus direitos. Há até quatro anos atrás a Massa Falida pagou três parcelas dessas indenizações. Surpreendentemente, tais pagamentos foram suspensos por decisão intempestiva de um antigo síndico. A Manchete possuía bens que garantiam parte dos pagamentos trabalhistas, prioritários segundo a lei. Mas além do tempo que costumam demandar, massas falidas têm uma característica: elas devoram os próprios patrimônios em custos legais e administrativos. Por isso, a cada dia que passa cresce o risco e se estreita a perspectiva de quitação final dos créditos trabalhistas.
Depois do drama, a longa e injusta espera.
Aqueles instantes dramáticos de 1° de agosto parecem fazer parte de um dia que nunca terminou.
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