terça-feira, 14 de setembro de 2021

Di e Glauber: velórios notórios • Por Roberto Muggiati

Gláuber filmou Terra em Transe no Parque Laje, onde foi velado.
Na foto, cena com
Jardel Filho. Foto Divulgação


Glauber dirige
documentário no velório
de Di Cavalcanti
Apesar da pandemia – e da carência de espaço – a mídia impressa abriu generosas páginas aos 40 anos da morte de Glauber Rocha. Senti falta de um episódio marcante, ligado justamente à morte e a seus ritos. Glauber escandalizou o país ao filmar despudoradamente o corpo morto de Di Cavalcanti em seu velório no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. 

Cinco anos depois, em agosto de 1981, era a vez do próprio Glauber, velado no Parque Lage, cenário do seu Terra em transe. O cineasta Sílvio Tendler, que cobriu o funeral com sua equipe, lembra: “Foi uma cena impactante. O cinema brasileiro estava todo lá. O caixão de Glauber num canto e, a 50 metros, próximo à piscina, um telão. Era como se o ‘Glauber morto’ e o ‘Glauber vivo’ estivessem ali". 

As câmeras invasivas atropelaram a privacidade de Lúcia Rocha, mãe de Glauber. “Teve um momento, que me agulhou aqui, no coração, em que fui conversar com o meu filho, meu último filho. 

Norma Bengell e Paula Gaitán,
viúva de Glauber. Foto de
Carlos Freire/MAM.org
Minhas filhas já tinham ido. Enquanto eu conversava com ele, ali no caixão, me puseram o microfone na boca. Eu estava tão mal que nem percebi. Foi a Dina Sfat que tirou o microfone e disse a eles: ‘Que falta de respeito!’"

Dona Lúcia proibiu a exibição do filme, assim como a família de Di Cavalcanti proibiu o filme do velório do pintor feito por Glauber. 

Glauber morreu de choque bacteriano, provocado por broncopneumonia – que o atacava havia mais de um mês em Lisboa – na Clínica Bambina, no Rio de Janeiro. Tinha só 42 anos. A inquietação existencial, o furor criativo, a sabotagem do Sistema, minaram sua saúde. 

Anecy Rocha.
Foto Divulgação
E também o trauma, quatro anos antes, da morte acidental e absurda da irmã querida Anecy Rocha, 34 anos, uma bela atriz em todos os sentidos, ao cair no fosso do elevador do prédio onde morava em Botafogo. Glauber chegou até a culpar o cineasta Walter Lima Jr, marido de Anecy, da morte da irmã.

Paranoias comuns naqueles tempos estranhos em que, sob a ditadura militar, ninguém estava a salvo de uma morte violenta.

Seis anos antes, o grande educador Anísio Teixeira, que irritava os militares com suas ideias progressistas, foi encontrado morto no fosso do elevador de um edifício na Praia de Botafogo, sem marcas aparentes ou hematomas que comprovassem uma queda. 

Coincidência incrível: Anísio nasceu em Caetité, Bahia, a 200 km em linha reta da Vitória da Conquista de Anecy e Glauber.

sábado, 11 de setembro de 2021

O meu 9/11 começou no Buraco da Lacraia • Por Roberto Muggiati

Torres feridas. Foto: Reprodução You Tube

Não poderia esquecer jamais aqueles dias carregados de presságios. Tudo começou na quinta-feira, 6 de setembro de 2001, quando me meti numa tremenda roubada. Minha filha Natasha tinha adotado uma filhote de vira-lata que batizou de Phoebe, personagem da série que ela adorava, Friends. A cachorrinha estava passando mal, decidimos leva-la à SUIPA, não tínhamos dinheiro para veterinárias da Zona Sul. 

Larguei a tradução que fazia – O jardineiro fiel, de John le Carré – e partimos, Lena, Natasha, Phoebe e eu, para Benfica, onde ficava a Sociedade União Internacional Protetora dos Animais, colada à linha férrea na favela do Jacarezinho, um lugar barra-pesada. Chocou-me a visão de seis, sete mil animais – a maioria cachorros – amontoados num espaço exíguo, ululando a sua dor. A saudosa madona daqueles bichos desvalidos, Izabel Cristina, ao saber que eu era jornalista, acompanhou-me  num pequeno tour daquele inferno. 

Levaria horas até atenderem Phoebe. Resolvi ficar no carro lendo The Constant Gardner para adiantar a tradução. O livro era sobre as multinacionais farmacêuticas que usavam africanos pobres como cobaias. Lembro exatamente a cena que eu lia, localizada em Londres, na cidade que foi meu playground cultural de 1962 a 1965.

A volta para Botafogo foi um pesadelo. Um incêndio tinha destruído totalmente a favela do Buraco da Lacraia, no Caju, e deu um nó na corrida para o feriadão: com a Linha Vermelha fechada, a única saída era pelo túnel Rebouças. Levamos três horas exasperantes para chegar à Real Grandeza – a certa altura eu ameacei encostar o carro e seguir a pé.

Terça-feira, 11 de setembro já estou cedo no escritório do térreo traduzindo. Natasha, levemente gripada, não foi à escola. Vem do seu quarto no fundo da casa até a minha janela e pergunta: “Pai, você conhece o World Trade Center?” Respondo que sim. Apesar dos seus quinze anos, ela já tem o humor cáustico dos Muggiati: “Pois é, fudeu!” Corremos à sua televisão, o primeiro avião já atingiu a Torre Norte. Fico petrificado acompanhando as imagens. Vejo o apresentador Carlos Nascimento, da Globonews, falando algo sobre um apagão de radar na área de Manhattan, a imagem das torres ao fundo, e de repente um segundo avião se chocando com a Torre Sul. “Apagão de radar é o cacete!” minha cabeça estala. Seria uma coincidência absurda dois aviões nas duas torres.

A partir daí é aquilo que todos conhecem. Lá pelas dez, meu filho Roberto nos chama para a TV do seu quarto. O Pentágono também foi atingido.

King Kong, versão original do Empire State e...


...na refilmagem no topo do World Trade Center


No livro que eu traduzira antes – As incríveis aventuras de Kavalier e Clay, de Michael Chabon – o herói atua na 2ª Guerra como vigilante no Empire State contra eventuais ataques de aviões inimigos. Cheguei até a ver um vídeo do choque de um bombardeiro Mitchell contra o Empire State em 1945:

https://www.youtube.com/watch?v=vCK46GyDOq0

(No King Kong original (1933), o gorila combate os aviões do alto do Empire State; no remake de 1976, ele se empoleira com a heroína nas Torres Gêmeas.)

Como tradutor, ainda peguei as sobras do 9/11 em dois livros:

• Filosofia em tempos de terror: diálogos com Habermas e Derrida, de Giovanna Borradori (Zahar, 2007), uma discussão profunda e hermética sobre as raízes do terror.

• Onde está Osama bin Laden? de Morgan Spurlock (Intrínseca, 2008), uma reportagem esperta e irreverente.

Berinthia Berenson e
Antony Perkins. Foto
Divulgação
Como jornalista, escolhi uma nota de pé de página ignorada pela mídia, mas de denso significado cultural, com um dedo do Mestre do Suspense, Alfred Hitchcock. Entre os passageiros do primeiro avião a chocar-se contra as Torres Gêmeas estava Berinthia (Berry) Berenson, modelo e atriz, irmã de Marisa Berenson e viúva de Anthony Perkins.
O ator eternizado no papel de Norman Bates em Psicose, apesar de homossexual notório, foi casado vinte anos com Berry e teve com ela dois filhos, Oz e Elvis. Anthony Perkins morreu de AIDS em 1992. Berry voltava para sua casa em Los Angeles de férias em Cape C od.

É muito difícil dissociar sua morte, no dia 11 de setembro de 2001, no voo 11 da American Airlines, da “maldição de Norman Bates.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

Do Twitter: um dia depois da intentona

 



Reproduções Twitter


Novembro de 2021, o Brasil depois do golpe - Bolsonaro anuncia novo ministério

por O.V.Pochê

Dia 30 de novembro de 2021. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos não é mera coincidência. O golpe de Estado há meses planejado por Bolsonaro e seus apoiadores foi às ruas ontem. Dessa vez colou. Rebelião militar, tropas de milicianos reforçada por "traficantes de Jesus", piquetes violentos de caminhoneiros, batalhões dos "clubes de tiro e caça", "ovelhas" carregando cruzes tomaram as ruas. Há registros de agressões a opositores, mulheres espancadas por circular de shorts e saias curtas, caça a políticos, intelectuais, artistas, líderes dos movimentos sociais, jornalistas, professores. Em rede nacional, Bolsonaro se apresentou no parlatório do Palácio do Planalto usando uniforme camuflado e prestando continência ao desfile de adeptos que carregavam tochas e estandartes. Sob aplausus, o líder supremo anunciou seu ministério com o melhor do seu staff. A comunicação veio através do AI-18. O governo fez questão de retomar à sequência dos 17 atos da ditadura militar.

Economia - Fabrício Queiroz 

Defesa - Roberto Jefferson 

Transportes - Zé Trovão

Religião - Silas Malafaia

Justiça - Collor de Mello

Presidente do Banco Central - Aécio Neves

Presidente da Petrobras - Veio da Havan

Presidente da Caixa Econômica - Faraó do Bitcoin

Embaixador nos Estados Unidos - Renan Bolsonaro

Saúde - Ivanildo Motoboy

Casa Civil - General Pazuello

Casa Militar - Ronnie Lessa

Secretaria da Mulher - Dr. Jairinho

Secretaria de Esportes - Maurício (do vôlei) Souza

Meio Ambiente - Major Curió

Vice-presidente General Villas-Boas

Agricultura - Wal do Açaí

Relações Exteriores - Regina Duarte

Secom - Sikêra Júnior

Comunicações - Bispo Macedo

Advogado Geral da União - Frederik Wassef

Cultura - Sergio Reis

PF - PM Daniel Siveira

PR (Polícia Religiosa) - Marco Feliciano

Embaixador no Afeganistão - Hamilton Mourão 

Embaixador no Iémen   - Paulo Guedes

Presidente dos Correios - Michel Temer


A tragédia de uma teocracia

Reprodução Instagram

Faltou chamar os profissionais ...

Reprodução Twitter

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Queiroz: o mais festejado na manifestação fascista em Copacabana...

Então tá. O sujeito veste a camisa da CBF e se manda para Copacabana pedir intervenção militar e fechamento do STF. E lá festeja a figura mais requisitada para selfies neste dia 7. Isso mesmo: Queiroz da Raspadinha tava on na passeata bolsonarista. Com indiscutível know How, Queiroz poderá ser o ministro da Economia da nova ditadura que os manifestantes pedem em faixas e cartazes. Foto: Reprodução Twitter

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Dos arquivos da Manchete: Jean-Paul Belmondo e o Rio de Janeiro...

Jean-Paul Belmondo e Laura Antonelli no Corcovado, em 1974. O ator quis ficar incógnito da cidade. Manchete o localizou. Foto Frederico Mendes/Manchete

 

Em 1963, ele filmava "O Homem do Rio" e posou para Manchete na Praça Maupa. Foto de Antonio Nery/Manchete

Belmondo brincalhão: em frente ao Museu Naval, o ator faz continência para um oficial. Foto de Antonio Nery/Manchete

por Jean-Paul Lagarride

"Ele estava cansado". Foi o comunicado do advogado de Jean-Paul Belmondo quando os repórteres indagaram sobre a causa da morte do ator. Ele morreu hoje, em casa, em Paris, tranquilamente, segundo a família, aos 88 anos. Belmondo fez 80 filmes. Um deles, "O Homem do Rio", de Philippe de Broca, filmado no Brasil. Sua carreira inclui de filmes da nouvelle vague, como "O Acossado" e "Pierrot Le fou", de Goddard, a  "A Sereia do Mississipi", de François Truffaut, "Borsalino, de Jacques Deray, "Os Miseráveis, de Claude Lelouch.  

Cena do último filme de Belmondo, em 2008. Foto Divulgação

Em 2001, um derrame o deixou gravemente incapacidado por sete anos. Só voltou a filmar em 2008 sob  a direção de Francis Huster em "Un homme e son chien", uma refilmagem de "Umberto D", de Vittorio De Sica. Em 2017, ele participou  da comédia "Coup de Chapeau". E em 2019 participou do documentário "Le Fantôme de Laurent Terzieff".

Belmondo veio ao Rio em outras duas ocasiões, além dos dias que passou na cidade para as filmagens de "O Homem do Rio". Em uma das visitas, acompanhado da atriz Laura Antonelli, quis ficar incógnito, mas Manchete o achou. Ficou irritado ao ser fotografado, mas logo recuperou o humor.


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

A última luta de Mikis Theodorakis - Morre o autor da trilha sonora de "Zorba, o grego" e o combatente que enfrentou os nazistas e os coronéis da ditadura da Grécia

 

Em foto publicada na Manchete em 1968, Theodorakis reencontra a família- a mulher Myrto e os filhos Margaret e George - após deixar a prisão imposta pela ditadura dos coronéis gregos. 

por José Esmeraldo Gonçalves

As milicias bolsonaristas pedem golpe e ditadura. O Brasil já sofreu muito desses dias de morte. Ontem, às vésperas do dia 7 de setembro que Bolsonaro anuncia como de "ultimato" às instituições democráticas, morreu, aos 96 anos, Mikis Theodorakis.  O compositor também viveu uma ditadura cruel: a dos coronéis gregos, torturadores, assassinos e corruptos como aqueles que jogaram o Brasil em trevas de 21 anos. 

Autor de uma vasta obra, Theodorakis ganhou fama em 1964, ano em que foi lançado "Zorba, o Grego", para o qual ele criou a trilha sonora. A "Zorba's Dance, o sirtaki, tornou-se uma fenômemo mundial. É clássica a cena onde Anthony Quinn e Alan Bates dançam em uma praia do vilarejo de Stavros, na ilha de Creta. 

Além da música, a liberdade era paixão e motivação de Theodorakis. Ele lutou durante a Segunda Guerra ao lado da resistência contra os nazistas e foi preso e torturado na guerra civil que abalou a Grécia após o conflito mumdial.. Em 1967, quando os coroneis gregos deram um golpe e instalaram a ditadura, Theodorakis foi preso. Era tanto o ódio que os militares tinham da sua militância, que o Tribunal Militar de Aternas condenou um cidadão a três anos de prisão só porque foi surprendido ao ouvir em uma vitrola uma gravação de "Zorba, o grego". Theodorakis só não foi assassinado como muitos dos seus conterrâneos, porque uma campanha mundial pressionou o regime. Mais recentemente, ele foi às ruas protestar contra o cerco neoliberal à Grécia, que impôs um austeridade econômica que dizimou empregos e levou famílias à pobreza em benefício do "mercado" e dos especuladores e traficantes de dinheiro da banca internacional. 

Manifestar-se contra a opressão econômica, a nova forma de ameaça à liberdade, foi sua última luta. 

Theodorakis estava interado em um hospital de Atenas. A causa da morte não foi informada. 



Reveja a cena de Anthony Quenn e Alan Bates dançando na ilha de Creta, AQUI 



E assista à perfomance do balé e The Greek Orchestra Emmetron Music interpretando a Dança de Zorba AQUI

Do Globo: "Bolsonaro se identifica com o nazismo"

 


Do Globo em 3 de setembro de 2021. Clique 2x na imagem para ampliar

Manifesto da Geração 68 - Hora de "lutar pela Democracia que tem sido cotidianamente ameaçada pelo atual governo"

 


O Movimento Geração 60 Sempre na Luta levou à ABI, OAB e CNBB, entidades historicamente compormetisdas com a liberdade, os direitos humanos e a democracia uma Carta Aberto assinada por mais de 2.500 pessoas. O gesto marca a posição dos jovens dos das décadas de 1960 que enfrentaram a ditadura militar, muitas vezes ao custo de vidas, prisões, torturas e exílio. O manifesto é divulgado no momento em que a democracia está ameaçada por Bolsonaro e seus milicianos e o país sofre  pelo seu negacionismo e o catastrófica política de enfentramento da pandemia que matou brasileiros e - como a CPI do Sebnado já apurou, enriqueceu "parças" do governo federal -, o desemprego, a pobreza crescente, o desastre que é a condução da política econômica e a pregação aberta de um golpe de estado. 





quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Mídia tenta livrar a cara do Guedes

Meia dúzia de coisas que você nunca soube sobre a criadora de Frankenstein • Por Roberto Muggiati


Mary Shelley por Richard Rothweel, 1840

 1 Nascida em 30 de agosto de 1797, Mary Shelley, autora de Frankenstein ou O Prometeu moderno, não foi, tecnicamente a “Mãe do Monstro”. No romance inaugural do gênero de terror gótico, [Victor] Frankenstein era o nome do cientista que, juntando partes avulsas de cadáveres, fabricou “a Criatura” anônima, temível e assassina.



2 Mary escreveu seu romance sem nenhuma intenção literária mais séria. Ela, seu noivo, o poeta Percy Bysshe Shelley e os amigos Lord Byron, também poeta, e o médico John Polidori – enclausurados num castelo à beira do lago Léman, num chuvoso verão suíço – resolveram fazer um torneio de histórias de fantasmas para matar o tédio. A que mais agradou, Frankenstein, foi publicada na forma de livro em 1818. A versão cinematográfica de 1931, com Boris Karloff, consagrou definitivamente o monstro como “Frankenstein”.

3 O médico John William Polidori escreveu – e publicou anos depois – O Vampiro, a primeira história do gênero, imitada por escritores como os russos Gogol e Tosltoi e pelo francês Alexandre Dumas, e inspiradora da matriz do filão, Dracula, de Bram Stoker (1897).

4 O pai de Mary Shelley, William Godwin, além de grande líder anarquista pioneiro, é considerado um dos primeiros autores do que se chamaria depois “romance policial”, com As coisas como elas são ou As Aventuras de Caleb Williams (1794). Narrado retrospectivamente, foi elogiado por escritores como Dickens e Poe.

5 A mãe de Mary Shelley, Mary Wollstonecraft, não só foi uma das primeiras feministas, como em publicou 1792 um dos primeiros clássicos do movimento, Uma reivindicação dos direitos da mulher. Não pode fazer a cabeça da filha para o feminismo porque morreu dez dias depois de lhe ter dado à luz, aos 38 anos.


Ada Lovelace

6 Last, but not least, a incrível Conexão Computador nessa entourage. Mary Shelley conheceu, ainda bebê, Augusta Ada Lovelace (1815-52), única filha legítima de Lord Byron. Ada escreveu o primeiro algoritmo para ser processado por uma máquina, a máquina analítica de Charles Babbage. Desenvolveu também os algoritmos que permitiriam à máquina computar os valores de funções matemáticas, além de publicar uma coleção de notas sobre a máquina analítica. Por isso é considerada, há remotos 180 anos, a primeira programadora de toda a história. Antes desse feito, ainda na juventude, Ada dedicou-se ao projeto de voar, chegando a conceber e criar asas especiais para a arrojada empreitada.

Ainda Jânio: “Não qui-lo, mas vi-lo” • Por Roberto Muggiati

 

Numa noite erma de sábado em Curitiba, quatro meses antes do pleito de 3 de outubro de 1960, três ou quatro jovens redatores da Gazeta do Povo fomos abduzidos e levados ao casarão senhorial dos Camargo na Praça Osório. Lá nos apresentaram a um senhor de bigode e de óculos de aros pesados pretos, gravata e terno idem, aparentando mais do que os seus 43 anos. Era Jânio da Silva Quadros, acompanhado da mulher, dona Eloá, e da filha, Dirce Maria – Tutu para os íntimos – que em breve sairiam do anonimato para os papeis de Primeira Dama e Primeira Filha.

O “Homem da Vassoura” não me causou a menor impressão e não guardei a mais vaga lembrança do que falamos – embora os anfitriões nos pedissem encarecidamente silêncio absoluto sobre o encontro. O único detalhe que me marcou foram os vestígios de caspa sobre as ombreiras do terno escuro de Jânio. Aquilo entrou para o folclore político, diziam até que Jânio tinha fornecedores exclusivos de seborreia...

Colecionei presidentes desde a infância, Getúlio apertou minha mão quando eu tinha cinco anos, na inauguração da Grande Exposição de Curitiba de 1942, organizada por meu tio Achilles Muggiati; depois encarei o general Dutra de uniforme de gala (ambos) na inauguração do Colégio Estadual do Paraná em 1950; JK e Jango entrevistei em Curitiba como repórter – passei ao largo dos generais da ditadura – Sarney, Collor, FHC, Lula e por aí vai. Já o atual, como se dizia na Manchete, nemporunca!

Quando Jânio fez forfait em 1961, li a manchete no New York Herald Tribune em Paris, na banca do American Express, perto da Opéra, agendando meu Grand Tour da Itália nos meses de setembro e outubro. A bolsa de estudos de dois anos em Paris emendou com um contrato de três anos para trabalhar em Londres no Serviço Brasileiro da BBC, o que me poupou até meados de 1965 da ditadura militar, mas eu não imaginava que teria de amargar – como cidadão e jornalista – mais vinte anos de repressão e censura. Tudo, em última análise, por causa da leviandade do Sr. Jânio da Silva Quadros.

  

terça-feira, 31 de agosto de 2021

Os donos da bola

por Niko Bolontrin
No Brasil, o melhor exemplo do sequestro do futebol pelo mercado é o Maracanã. Depois da reforma o estádio afastou o povão. E o Flamengo, por exemplo, mesmo antes da pandemia, mandou vários dos seus jogos em outras cidades, em Brasilia de preferência, longe da torcida carioca, cuja maioria não pode mesmo pagar os preços do Maracanã. O mesmo vale para as várias "arenas" espalhadas pelo país. E a TV? Em comparação com anos anteriores, cada vez menos jogos são transmitidos pelas emissoras abertas. Os clubes optam pelo pay-per-view ou pelos canais pagos que não estão ao alcance da maioria da população. Em breve ganharão mais vol ume as transmissões por sites pagos, You Tube e Facebook. Tanto que no novo mercado do futebol os estádios limitaram o público. De novo, o Maracanã é um exemplo, o outrora gigante pode receber apenas 60 a  70 mil pessoas. O jogo recorde do velho estádio foi um Brasil x Paraguai, em 1969, com uma plateia de mais de 200 mil torcedores. Os personagens populares folclóricos que animavam a geral também são elementos do passado. A plateia agora é gourmet, criada nos playgrounds da geração condomínio. E, como se vê na faixa acima, o fenômeno é mundial. Apesar de ser um mercado poderoso e ter uma população com melhor poder aquisitivo, também há desigualdade na Europa. Nem todos das periferias podem bancar o custo de ver os melhores e mais caros jogadores do mundo.

sábado, 28 de agosto de 2021

Em imagens: a insustentável crueza do ser...

 

A foto de Victor J. Blue, do Instagram do fotojornalista, mostra a agonia de um jovem afegão ferido em atentado no aeroporto de Cabul. Foi publicada ontem nos principais jornais do mundo

A mesma foto, invertida, remete ao quadro de...

Jacques-Louis David que retrata o revolucionário Marat assassinado na banheira. 


E, finalmente, a recriação da obra de David por Vik Muniz que exibe o catador de lixo Sebastião.


por José Esmeraldo Gonçalves 

A primeira foto na sequência acima é do fotógrafo novaiorquino Victor J. Blue. Foi feita em Cabul logo após um homem-bomba do Isis-K detonar explosivos em um dos acessos ao aeroporto da capital do Afeganistão. 

Dezenas de pessoas foram despedaçadas no local. 

Naquele momento, quando o perímetro da pista era o inferno na terra, Victor J. Blue registrou o socorro a um dos feridos. Em meio ao caos, mas acostumado a cobrir guerras e crises humanitárias, o fotógrafo enquadrou com perfeição a tragédia resumida em um frame.

A imagem é dramática e, curiosamente, remete a outros dramas em outros tempos e cenários. Bastou inverter a foto de Cabul (na segunda imagem) para a referência visual tornar-se ainda mais clara. 

A terceira imagem é da obra célebre "A morte de Marat" de Jacques-Louis David ( França, 1748-1825). 

Finalmente, fechando a sequência, a recriação do quadro de David feita pelo artista plástico Vik Muniz, intitulada "Marat (Sebastião)", do documentário "Lixo Extraordinário" sobre o drama dos catadores. 

A insensatez dos homems é o fio que une as cenas. 

(O Instagram de Victor J. Blue reúne mais fotos de Cabul. Você pode vê-las AQUI )

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

HÁ 60 ANOS “Fi-lo porque qui-lo!” Seria cômico, não fosse trágico... • Por Roberto Muggiati

A posse: 31 de janeiro de 1961.


A renúncia:  25 de agosto de 1961


No "bilhetinho" ao Congresso as "forças terríveis" como justificativa para cair fora

Na tarde de 25 de agosto de 1961, depois de uma cerimônia do Dia do Soldado em Brasília, Jânio Quadros renunciava sumariamente à Presidência da República.  Foram 206 dias de um governo esquizoide, oscilando entre medidas progressistas e retrógradas. A frase pedante do professor metido a colocações pronominais insólitas – e muitas vezes incorretas, o certo seria “Fi-lo porque o quis” – explicando as razões que o levaram a um gesto tão extremo, dava toda a dimensão da leviandade com que o Presidente tratou do cargo que lhe foi conferido por 5,6 milhões de votos, 48% do eleitorado. O palco já vinha sendo armado para uma ditadura militar no Brasil desde o suicídio de Getúlio Vargas em 1954. Jânio da Silva Quadros deu – com galhardia inaudita – o pontapé inicial para o golpe de 64.

Até o figurino era ridículo. O povão apelidou de pijânio a vestimenta que Jânio copiou de Nehru 

O Governo Jânio Quadros foi uma sucessão de episódios midiáticos instantaneamente incorporados ao folclore político. Proibiu o biquíni nos desfiles de Miss, a lança-perfume, as rinhas de galo e as corridas de cavalo em dias de semana. Instituiu a prática dos bilhetinhos – emitiu 1534 – e, inspirado na túnica do Premier indiano Jawaharlal Nehru, quis obrigar os servidores públicos a vestirem o “safari” (que o humor popular prontamente batizou de “pijânio”) e alpercatas. Chocou os círculos reacionários ao reatar relações com a União Soviética e a China, nomeou o primeiro embaixador negro (para Gana) e se recusou a apoiar a iniciativa dos Estados Unidos de expulsar Cuba da OEA. Num de seus últimos atos, em 19 de agosto, condecorou Che Guevara com a Grã Cruz da Ordem do Cruzeiro do Sul, nossa comenda máxima. Ao mesmo tempo, curvou-se às exigências do FMI, delegando a Roberto Campos a tarefa de fazer o jogo dos banqueiros internacionais. Darcy Ribeiro, que fez parte do seu governo, escreveu: “Ninguém sabe, até hoje, por que Jânio renunciou. Nem ele.” No bilhete da renúncia se dizia pressionado por “forças terríveis”, que o Repórter Esso transformou em “forças ocultas”.

Em abril de 1961, Erno Schneider fez essa foto para o Jornal do Brasil. Imagem tão simbólica que virou história. Quatro meses antes de renunciar Jânio já estava torto e o Brasil, pra variar, de pé trocado e sujeito aos coturnos conspiratórios das Forças Armadas
 

Murilo Melo Filho – que começou a cobrir política para a Manchete  desde o início da construção de Brasília – contava aos colegas que Jânio quis imitar uma artimanha de Fidel Castro, mas se deu mal: o Congresso aceitou imediatamente sua renúncia. O gesto de Jânio colocou o país no caos, pois os militares se opunham à posse do vice-presidente Jango Goulart, que se achava em visita oficial à China de Mao. Só a resistência de Leonel Brizola, casado com a irmã de Jango, através da sua Campanha da Legalidade – e a instauração de um regime parlamentarista postiço para moderar o poder de Goulart – permitiram que ele assumisse a presidência, que só iria durar turbulentos dois anos e meio.

O grande diferencial em toda essa história foi Cuba, que em 1º de janeiro de 1959 se tornou um país comunista radical a apenas 200 km dos Estados Unidos. Fidel virou o bicho-papão da classe média conservadora e dos militares e empresários de direita brasileiros e ensejou também a interferência crescente dos Estados Unidos (através dos canais oficiais e da CIA) em nossa política interna.

A renúncia de Jânio no Dia do Soldado, há 60 anos, fez com que vivêssemos 21 anos em que todo dia era Dia do Soldado – de preferência, do General. 

sábado, 21 de agosto de 2021

Opinião pra vender, quem quer comprar? Partiu o trem do cachê para os comunicadores ..

 

Reprodução Folha de São Paulo -21-8-2021. Clique na imagem para ampliar.

A Folha de São Paulo publica hoje matéria sobre o feirão de opiniões organizado pelo governo federal que utiliza apresentadores bolsonaristas. O Planalto pagou cachês gordos para a turma falar bem, entre outras coisas, dos "cuidados precoces"  contra a pandemia. 
Se você pensou que seu apresentador ou apresentadora preferida estava apenas de conversinha despretensiosa, enganou-se. Cada vez que eles falavam da "agenda positiva" do governo, Bolsonaro deixava cair uma grana no bolso das figuras. Marcelo Carvalho, um dos donos da RedeTV embolsou R$122 mil. Luciana Gimenez , Sikera Juior, Luiz Ernesto Lacombe e Cesar Filho estão na lista entregue à CPI da Covid, Da Record receberam cachês Marcos Mion (antes de ira para a Globo), Ana Hickman, Ticiane Pinheiro, Luiz Bacci, além de influenciadores das redes sociais. Ana Hickman é citada por ter descoladp mais de  R$400 mil de verbas públicas. 

O negócio era uma espécie de feirão de mensagens do governo.  

Pandemia, aqui me tens de regresso... • Por Roberto Muggiati

 

“Quero beber, cantar asneiras” – quem melhor antecipou o espírito da pandemia foi Manuel Bandeira. Guimarães Rosa, talvez só um pouquinho: “Viver é muito perigoso”. Sério demais pro meu gosto. 

A pandemia fez do comum dos mortais aquilo que nem milhares de páginas de Sartre e Heidegger conseguiram. Viver o hoje. Abraçar o caos. Ela o obrigou a adotar o bordão de Chiquita-bacana-lá-da-Martinica, que, existencialista com toda a razão, “só faz o que manda o seu coração”.

Há quem não goste, há quem impaciente. Pô, quando é que vai acabar esse desgracido baile de máscaras? 

O “novo normal” já passou sem sequer chegar. Ficamos pro que der e vier, sem eira nem beira, seguindo nosso caminho aos trancos e barrancos. Antenados no alerta dos baianos: “É preciso estar atento e forte, não temos tempo de temer a morte”.

O ansiado fim da pandemia colocou a vida no palco do Teatro do Absurdo: somos todos vagabundos anônimos à beira da estrada esperando um Godot que nunca vai chegar. 

Da minha parte, não tenho queixas. Desde que a Manchete faliu há vinte e um anos eu já vivia confinado, antes disso até merecera do Alberto o apelido de Eremita. Continuei escrevendo matérias sobre deus-e-todo-o-mundo (já leram A influência cultural do chapéu coco?), traduzindo livros (entre os últimos as "bacantes" Patricia Highsmith e Amy Winehouse. Apesar da Covid-19, não renunciei minha à saidinha diária. Escrevi até um “haicai safado”:

Pandemia?

Mamma Mia!

saio todo dia...

Além dos haicais, continuei cultivando outro dos meus cacoetes, rabiscar caras & bocas em discos de isopor de minipizzas. 

À guisa de despedida, com um viés levemente narcísico (sim, venho me reconciliando também com a canastrice dos clichês), ofereço a tapa minha carantonha oitentona, ostentando com orgulho os rascunhos de autorretrato que chamo de meus emuggis...


segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Hoje é dia de São Roque, bebê • Por Roberto Muggiati


Meu pai nasceu em 16 de agosto de 1906, por isso foi batizado como Gavino Roque Dalledonne Muggiati. Na Itália, Rocco, é um dos santos mais importantes, Luchino Visconti o homenageou com o filme Rocco e seus irmãos. Roque de Montpellier é um santo da Igreja Católica Romana, protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos, cirurgiões, e dos cães. É também considerado por algumas comunidades católicas como protetor do gado contra doenças contagiosas. Sua popularidade maior, devido à intercessão contra a peste, fez dele padroeiro de muitas cidades por todo o mundo e muitos já o adotaram como padroeiro na luta contra a Covid-19.

Diz a lenda que Roque teria nascido com um sinal no peito em forma de cruz avermelhada que o predestinava à santidade. Herdeiro de importante família de Montpellier, seria o herdeiro de considerável fortuna. Órfão de pai e mãe muito jovem, foi criado por um tio. Teria estudado medicina na sua cidade natal, não concluindo os estudos. Desde muito cedo optou uma vida ascética, praticando a caridade. Ao chegar à maioridade, distribuiu todos os seus bens aos pobres. Deixando uma pequena parte confiada ao tio, partiu em peregrinação a Roma. Ao chegar às proximidades de Viterbo, encontrou-a assediada pela grande epidemia da Peste Negra. Ofereceu-se prontamente como voluntário na ajuda aos doentes, fazendo as primeiras curas milagrosas, usando apenas um bisturi e o sinal da cruz. Onde surgia um foco de peste, lá estava Roque ajudando e curando, revelando-se cada vez mais um místico e taumaturgo. Depois de visitar Roma, onde rezava diariamente sobre o túmulo de São Pedro e onde também curou vítimas da peste, voltou para Montpellier. No meio da viagem, foi ele próprio tomado pela doença. Para não contagiar ninguém, isolou-se na floresta, onde teria morrido de fome se um cão não lhe trouxesse diariamente um pão e se da terra não tivesse nascido uma fonte de água com a qual matava a sede. O cão pertenceria a um homem rico que, percebendo miraculosamente a presença de Roque, o ajudou.

Curado milagrosamente, ao voltar a Montpellier foi acusado de espionagem e encarcerado por cinco anos, até morrer, abandonado e esquecido por todos. Só então foi reconhecido, pela cruz que tinha marcada no peito.


São Roque é geralmente representado em trajes de peregrino, por vezes com a vieira típica dos peregrinos de Santiago de Compostela, e com um longo bordão do qual pende uma cabaça. Um das pernas é geralmente desnudada, mostrando no joelho uma ferida (o bubão da peste). Por vezes é acompanhado por um cão, que aparece ao seu lado trazendo-lhe na boca um pão. Os peregrinos do Caminho de São Tiago de Compostela chamam a atenção para a carta “O Louco”, do Tarô de Marselha, que lembra muito São Roque, com seu ar de viajante, o bordão e um cachorro que lhe sobe pela perna.

No Brasil, a cidade de São Roque (“Terra do Vinho”), na região de Sorocaba, festeja o padroeiro do primeiro domingo de agosto até o dia 16. de agosto. Fundada na segunda metade do século XVII pelo bandeirante Pedro Vaz de Barros, a aldeia surgiu de uma enorme fazenda e uma capela que ele e dedicou a São Roque. Essa área foi comprada em 1936 pelo escritor Mário de Andrade, que queria erguer ali um retiro para artistas e intelectuais. Por vontade expressa de Mário, morto em 1945, o local foi doado à municipalidade e é hoje um centro cultural.

As Festas de Agosto em São Roque abrem com a entrada dos carros de lenha e vão até o dia 16 de agosto com uma monumental procissão dedicada ao Santo. Os shows incluem todo tipo de música, até pagode: é bom lembrar que, nas religiões afro-brasileiras, São Roque (com São Lázaro) é sincretizado como o orixá Omolu/Obaluaiê. 

Este ano, a Paróquia de São Roque “cancelou os shows, a entrada dos carros de lenhas, as alvoradas e procissões da Festa devido aos números da pandemia que ainda persiste na cidade.  As celebrações litúrgicas e missas, porém, vão acontecer com a presença de fiéis conforme os protocolos de saúde recomendados pela e pelo Ministério da Saúde do Brasil.”

Faz sentido. O Santo que protege contra as pandemias está sempre atento e forte, como vem fazendo ao longo dos últimos oito séculos.

Depois do Talibã, o figurino da opressão

* Comentário de Roberto Muggiati para a nota
 Depois do Talibã


“Ah, esse Talibã de volta! Por coincidência, vi há poucos dias um filme que tem tudo a ver,
Chasing Freedom/Em busca da liberdade, feito para a TV em 2004. A jovem afgã Meena (Layla Alizada), condenada à morte pelo Talibã por dar aulas a outras jovens (no Afeganistão a mulher é proibida de estudar), consegue chegar aos Estados Unidos sem nenhum documento, pedindo asilo. Seu único contato, uma tia residente nos EUA, morreu há algum tempo e ela fica em custódia sob as autoridades da imigração até conseguir provar quem é. Uma advogada de grandes causas financeiras, Lilly Brock (Juliette Lewis), é forçada por seu escritório, num programa demagógico de voluntariado, a prestar aconselhamento gratuito à refugiada. Caso não consiga asilo, Meena será deportada para o Afeganistão e sumariamente fuzilada pelo Talibã com um tiro na nuca. Juliette Lewis é aquela ninfeta assediada pelo vilão Robert de Niro no filme de Scorseses Cabo do Medo (1991), que lhe valeu a indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. Embora feito há catorze anos, Em busca da liberdade, além de instigante, é atualíssimo.