domingo, 23 de dezembro de 2018

Editora Caras encerra versão impressa da Contigo! Revista permanecerá on line

2018 respira por aparelhos e, quase no fim, anuncia que a Editora Caras, atual dona do título “Contigo!”, vai encerrar a partir de janeiro de 2019 a versão impressa da revista de celebridades que herdou da Abril.

A Contigo! viveu uma fase de brilho nos anos 2000, com extraordinário crescimento em circulação e número de páginas de anúncios, após reformulação e reposicionamento que a levaram a conquistar um público de maior poder aquisitivo.

Nesse período, passou a disputar espaço com a Caras e incomodou a concorrente. Em 2004, a Contigo! ganhou Prêmio Caboré na categoria Veículo de Comunicação Mídia Impressa. Foi o reconhecimento do mercado à requalificação da revista. Sobre a importância do Caboré, basta dizer que em 2003 a Veja foi premiada e, em 2004, foi a vez do Estadão, em 2001, da Folha de São Paulo.

A força da Contigo! estava nas matérias exclusivas. A revista não se limitava a reproduzir assuntos que já circulavam na internet e nas concorrentes e oferecia aos leitores conteúdo único. Mostrou que jornalismo de entretenimento não deve abrir mão das ferramentas básicas do jornalismo. Contigo! levou ao segmento de celebridades um rigor editorial ancorado em qualidade, notícias, apuração correta, checagem, texto preciso e fotos reveladoras.

A crise da Abril, que se intensificou a partir de 2013 junto com uma certa anemia editorial, encurralou a  Contigo!, que acabou repassada para a Editora Caras. Sob nova direção, foi ainda mais descaracterizada (tornou-se uma sub-Caras), pouco acrescentando ao atacado de notícias dos demais veículos impressos ou digitais, e trocou a periodicidade de semanal para mensal, com claro sinal de esvaziamento.

Sem oferecer boa alternativa, foi dispensada pelos leitores e vencida pelos novos modelos publicitários e pela forte concorrência dos sites e redes sociais.

A Editora Caras anuncia que investirá na versão on line da Contigo! 

Contigo! chegou às bancas em 2 de outubro de 1963. Pouco mais de 55 anos depois vai encarar uma prova de sobrevivência: resistir fora do papel.

sábado, 22 de dezembro de 2018

Fotomemória - Reacionário ou não? Veja Nelson Rodrigues em um dia de ativista...

Rio de Janeiro, 1979. Nelson Rodrigues participa de reunião de artistas contra a censura de peças teatrais. Daniel Filho conversa com Nelson, que está ao lado de José Wilker e, de blusa branca, Lucélia Santos. Foto de Guina Araújo Ramos (("É  a única foto que me restou, uma ponta de filme que ficou rajada pelo efeito, não sei, do revelador ou do fixador, talvez" )

por Guina Araújo Ramos (do Blog Bonecos da História

Fico sabendo que, nesta data (ontem, 21) , há 38 anos, em 1980, a morte fechava o pano da peça, daquela peça que ele era, o famoso “teatrólogo, jornalista, romancista, folhetinista e cronista de costumes e de futebol brasileiro, e tido como o mais influente dramaturgo do Brasil” (nos termos da Wikipédia), ou seja, o “reacionário” Nelson Rodrigues.

E ele até gostava de se intitular assim... Fez altos elogios aos governos militares, inclusive o do Gal. Médici, o mais radical deles.

Porém, a vida é assim, a vida é como ela é... O destino sabe ser cruel também fora das peças de Nelson Rodrigues... Eis que seu filho Nelsinho passou a lutar contra a ditadura, foi membro do MR-8, e daí preso, torturado, processado várias vezes. Pai e filho, juntos: seu pai não o abandonou, até conseguiu que fosse libertado. Só que o filho não aceitou e ainda fez greve de fome, com outros presos, e foi solto em 1979. E o próprio Nelsinho fala de Nelson Rodrigues: ““O velho já falava em amnistia desde 1975, e escrevera que eu tinha sido torturado, e era contra amnistiar torturadores. Então você já vê que reaccionário era. Ele se dava esse adjectivo por ser contra o comunismo. Era um artista. Foi o cara mais censurado do Brasil.””

Se até Nelson Rodrigues era, será que todo artista, afinal, também não será sempre progressista?

Fotografei Nelson Rodrigues apenas esta vez, para a Amiga, da Bloch Editores. Lembro-me apenas vagamente das circunstâncias... Terá sido uma reunião de artistas para tratar da questão da censura às peças de teatro. E o destaque foi justamente a presença de Nelson Rodrigues, certeza de mais estofo à causa, pela sua importância como o mais importante dramaturgo do Brasil.

É a única foto que me restou, uma ponta de filme que ficou rajada pelo efeito, não sei, do revelador ou do fixador, talvez. Nela, consigo reconhecer, à sua frente, Daniel Filho. E, ao seu lado, José Wilker e Lucélia Santos.

E quem, ao fundo, de camisa listrada? E a loura de blusa estampada, quem será?

ATUALIZAÇÃO EM 8/2/2019

por Guina Araújo Ramos

Bonecos em errata...

Eis que neste início de Janeiro de 2019 surge esta informação: toda a coleção da revista Manchete foi digitalizada pela Biblioteca Nacional!

Ótima notícia!... Ora, tratei de dar uma olhada no material publicado com o crédito “Aguinaldo Ramos”, e tomo conhecimento da pauta que me levou a esta foto do gênio Nelson Rodrigues cercado por artistas de teatro e de cinema. Mesmo que o assunto tenha sido coberto para a revista Amiga, uma das fotos foi publicada na Manchete, na coluna Gente.


Foto: Reprodução: Manchete # 1853, 1980.

Muito “vagamente”, como escrevi, eu me lembrava das circunstâncias da foto (e foi bom ter alertado logo)... Reconheço o exagero. O tema não era tão dramático como imaginei (“a questão da censura às peças de teatro”), ainda que tendo algo de polêmico...

O motivo era profissional, diz a matéria: um encontro do elenco, mais o diretor Braz Chediak e do produtor Pedro Carlos Rovai, com o autor Nelson Rodrigues. Tratava-se da preparação da nova versão cinematográfica da peça Bonitinha Mas Ordinária (grafada assim na revista), a ser filmada naquele ano de 1980 (mais uma correção a fazer: esta data, na legenda da foto).

Teria sido uma reunião para “debater o texto e estudar aspectos técnicos da obra”, mas, é evidente, não passou de uma forma de divulgar o projeto...

O filme, que recebeu o título “Bonitinha, mas Ordinária ou Otto Lara Resende” (fazendo jus ao da peça), foi lançado em 1981. É a segunda versão para o cinema da peça, escrita em 1962 e que foi imediatamente encenada, com Teresa Rachel no papel-título. A referência a Otto Lara Resende se deve à frase “o mineiro só é solidário no câncer”, atribuída por Nelson Rodrigues a ele, repetida muitas vezes na peça.

Nelson Rodrigues com o elenco de filme - Rio, 1980 - Foto Guina Araújo Ramos

O primeiro filme da série “Bonitinha mas Ordinária” é de 1963, na esteira do sucesso no teatro, com a dupla Odete Lara e Jece Valadão. Uma terceira versão de “Bonitinha mas Ordinária”, com direção de Moacyr Góes, com Leandra Leal, foi filmada em 2007 e 2008, e lançada apenas em 2013, parece que sem muito sucesso.

Por aí se vê que nem todo registro fotográfico guarda em si a síntese (ou o sentido) do evento que lhe deu origem (outro bom exemplo pode ser a foto de Nelson Rodrigues com a camisa do Flamengo ao lado de Zico), nem dá certeza a qualquer interpretação subjetiva, nem mesmo do autor, e ainda mais quando se tem apenas uma única foto remanescente...

A aparente dramaticidade desta imagem que me restara (um fotograma, ponta de filme, e em preto e branco, o que potencializa ainda mais a sensação) não correspondia ao tipo de encontro que fotografei, informação que outra fonte de informação, a cópia da revista, bem o demonstra. 


A História é assim mesmo, sempre duvidosa...


Campeonato Mundial de Clubes, a eterna piada...

por Niko Bolontrin 

Nos anos 1960, uma parceria entre a então Confederação Sul-Americana de Futebol e a UEFA criou a Copa Europeia-Sul-Americana. Os respectivos campeões continentais disputavam dois jogos, ida e volta. O Real Madrid foi o primeiro vencedor, em 1960. O jornal El Mundo Deportivo mancheteou que o time espanhol era "campeão do mundo". A Fifa quis proibir o título, mesmo informal. Alegava que uma disputa entre times de apenas duas confederações não configurava conquista mundial. Mas a mídia continuou chamando o ganhador de "campeão mundial", "título" que o Santos comemorou em 1962 e 1963.

Muitos daqueles jogos acabaram em verdeira batalha campal, como Santos X Milan, no Maracanã, Celtic X Racing e Milan X Estudiantes. Incomodados com a violência, alguns dos principais clubes europeus,  como Bayern de Munique e Liverpool, se afastaram do "mundial", abrindo espaço para clubes gregos e turcos.

Em 1980, foi organizada a Copa Toyota, uma única partida reunindo os campeões europeus e sul-americanos. Era quase que uma "festa de firma" para os funcionários da fábrica e torcedores curiosos para ver um jogo de futebol em uma Tóquio onde a bola mais conhecida era a de beisebol. Os times sul-americanos sempre deram mais importância ao "amistoso" festivo do que as equipes europeias. Por pressão dos seus cartolas, a FIFA acabou reconhecendo burocraticamente alguns desses títulos, apesar dos seus precários significados esportivo.

Em 2000, a Fifa tentou entrar na dança e criou o seu Campeonato Mundial de Clubes, realizado no Maracanã, mas, no ano seguinte, cancelou o tal torneio, que Tóquio retomou em jogo único. Em 2005, a Fifa voltou ao projeto, agora como Copa do Mundo de Clubes da Fifa, reunindo os campeões continentais. Era mais um esforço para dar mais representatividade à coisa..

O jogo de hoje em disputa do "título" mundial mostra que esse torneio é "cenográfico" e nunca deu certo do ponto de vista esportivo e competitivo. O Real Madrid entrará em campo logo mais para disputar o "mundial" com uma equipe dos Emirados Árabes, o Al Ain, que não é campeão continental e foi apenas convidado para participar do torneio embalado por petrodólares. Nada menos esportivo. Tudo indica que essa bizarra "final" levará a Fifa a duas opções: enterrar mais uma vez o Mundial de Clubes nesse formato ou reestruturá-lo de forma a se tornar realmente representativo. Fala-se em um campeonato a ser disputado de quatro em quatro, reunindo 24 clubes. Pode ser, vamos ver.

Que me desculpem os "campeões mundiais", mas enquanto não se transformar realmente em uma competição esportiva e não apenas promocional, o "mundial" será apenas uma meme ou uma confraternização de fim de ano.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Mercado: Novo dono conta ao Brazil Journal o que fará da Abril


Fábio Carvalho, o investidor que comprou a Abril, falou ao Brazil Journal, de Geraldo Samor

Leia alguns tópicos da entrevista: 

* "A Abril está atrás na curva da tecnologia, e precisa ficar à frente"
* "A gente encara isso como construir startups dentro da empresa. Tudo o que ela herda de estratégias, processo, organograma, conceitos e filosofia vai passar por um filtro de ratificação ou transformação."
* "Todos os formatos de entrega da notícia são válidos; o que é central é a valorização do trabalho jornalístico".

* Sobre a "Abril Com Fome" (movimento dos ex-funcionários que não receberam suas verbas trabalhistas - "Vamos dar absoluta prioridade a resolver essa situação, sobretudo das pessoas que ganhavam menos".

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO BRAZIL JOURNAL, AQUI

Abril foi vendida em uma Black Thursday. E a Veja? Como fica?

A notícia da venda da Editora Abril não foi exatamente uma surpresa, parecia inevitável, mas agitou as redes sociais ontem, especialmente os canais de jornalistas. Caso se efetive plenamente - ainda há importantes etapas da negociação a cumprir e o terreno de dívidas é pantanoso - a pergunta mais clicada refere-se ao que muda ou não muda na linha editorial da Veja. O comprador à frente, o investidor Fábio Carvalho, é homem do mercado de valores. Nisso a venda da Abril faz paralelo com várias negociações de grandes corporações editoriais internacionais que foram parar nas mãos de grupos financeiros. Neoliberalismo, Estado Mínimo, privatizações, crítica às políticas sociais, entre outros totens, tudo isso estava na Veja antes e deverá continuar sob a nova direção. Fábio Carvalho teria como apoio no projeto Abril o Banco Pactual, que foi fundado por Paulo Guedes, o mega ministro do novo governo. Carvalho é ligado a Guedes. Até pela complexidade do atual ambiente da Abril, sob amarras da recuperação fiscal e lotada de dívidas, os efeitos da troca de direção não chegarão tão rápido às páginas e pages dos produtos jornalísticos. Mas em algum momento a nova linha editorial adentrará a redação. Supõe-se que por uma porta bem mais à direita do que aquela que a Veja usou até aqui.

Se o futuro a Fábio Carvalho pertence, o que e certo, nesse momento, é que cerca de 800 funcionários da Abril que não recebem suas verbas trabalhistas estão levando calote dos Civita.

O dado melancólico: a Abril acabou vendida como se fosse no bazar. Por 100 mil+dívidas que deverão ser negociadas a longo prazo, o comprador levou o ex-império dos Civita, que espera reciclar.

Foi a maior Black Thursday do mercado editorial brasileiro.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Advogado carioca compra a Editora Abril

Através do site da Veja, a Editora Abril informa em nota oficial que o empresário e advogado Fábio Carvalho fechou hoje um acordo para adquirir o Grupo Abril. Dono da investidora Legion Holdings, Carvalho é especializado em comprar empresas pela bola sete e recuperá-las. Após isso, tanto pode permanecer com o negócio quanto passá-lo nos cobres.

A Abril será sua primeira experiência na área de comunicação. Uma das empresas em crise financeira que o mesmo grupo adquiriu foi a Casa & Vídeo. Ele também participou da tentativa de recuperação da antiga Varig.


Leia a nota da Abril

"O empresário Fábio Carvalho e os atuais acionistas do Grupo Abril assinaram, nesta data, contrato prevendo a aquisição de 100% das ações do Grupo Abril. Este contrato também prevê condições que devem ser cumpridas previamente à efetivação do negócio, dentre elas a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica – CADE e a injeção de novos recursos na companhia para o financiamento dos esforços de reestruturação. Após a concretização da transação, Fábio Carvalho assumirá o controle societário e ocupará a posição de CEO do Grupo.

Carvalho, que foca suas atividades empresariais na aquisição de companhias em crise financeira com o objetivo de conduzir amplas reestruturações e trazê-las novamente ao estado de estabilidade e crescimento, contará com a estrutura da Legion Holdings, sociedade de investimentos que fundou, composta por um time de especialistas em renegociações de dívidas e transformações operacionais. Uma vez concretizada a transação, a nova equipe se juntará a executivos do Grupo Abril, bem como aos profissionais da Alvarez & Marsal, hoje responsáveis pela coordenação dos esforços de superação da crise pela qual passam as companhias do Grupo.


“A história do Grupo Abril está intimamente relacionada com os grandes eventos políticos e econômicos que marcaram a história do Brasil nas últimas décadas. A capacidade e importância jornalística do Grupo é inegável. Não temos dúvida dos méritos e qualidades que permeiam as companhias do Grupo e que serão os pilares sobre os quais nos apoiaremos para superar os grandes desafios que se apresentam” afirma Carvalho, que hoje reúne entre seus investimentos participações em empresas em variados setores que, em conjunto, possuem faturamento anual superior a R$ 4 bilhões e empregam mais de 46 mil pessoas.

“Com a venda do Grupo Abril para Fábio Carvalho, a família Civita delega  a ele a tarefa de administrar os desafios e as oportunidades que estão no horizonte da nova mídia. Fábio reúne as características de empreendedor e a visão de negócio que os novos tempos exigem. Desejamos a ele muito sucesso”, declara Giancarlo Civita.

As partes estimam que o negócio seja inteiramente concluído no mês de fevereiro".

Jornalista premiado admite que falsificava reportagens


A revista alemã Der Spiegel admite que um dos seus jornalistas mais premiados falsificava reportagens. Ele descrevia situações inexistentes, criava personagens e fontes. Isso durante anos.

Claas Relotius é o nome da figura, que confessou a fraude e pediu demissão. Em 2014, ele foi eleito o Jornalista do Ano da CNN. Há poucos dias, ganhou o prêmio de Repórter do Ano da Alemanha por uma reportagem sobre um menino sírio na qual, descobriu-se, muito do que escreveu foi inventado.

A denúncia surgiu através de um repórter que encontrou Relotius durante uma incursão na fronteira México-Estados Unidos. O jornalista concorrente desconfiou de detalhes "exclusivos" que o alemão apurava e localizou fontes citadas por ele que, apesar de existirem, jamais haviam sido entrevistadas.

Relotius ainda criou para jornais alemães uma matéria dramática sobre um prisioneiro iemenita.  Ele admitiu que tinha "medo de falhar" e por isso turbinava seus textos.

DerSpiegel pediu desculpas aos leitores.

A informação está no The Guardian.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Do blog do Juca Kfouri: o drama dos demitidos da Abril...



(por Juca Kfoury/UOL)

Segundo a edição de 13 de setembro de 2016 da revista Exame, da Editora Abril, os três irmãos Civita — Gianca, Titi e Roberta — acumulavam uma fortuna de US$ 3,3 bilhões.

Hoje, a empresa, em recuperação judicial, deve cerca de R$ 110 milhões a 800 funcionários demitidos quando a Abril já havia decidido pedir a recuperação judicial.

Mas apesar da quantia ser irrisória diante da fortuna dos três irmãos (mais de 10 bilhões em reais), eles optaram por transformar os demitidos em credores também à espera da aceitação, na Justiça, do acordo de recuperação judicial.

Como se os trabalhadores fossem os bancos ou fornecedores, para os quais a empresa deve R$ 1,6 bilhão. A desfaçatez e...

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO BLOG DO JUCA  AQUI



E VISITE NO YOU TUBE O CANAL "VÍTIMAS DA ABRIL", AQUI

Jornalistas & Cia: Justiça nega liminar contra foto em bloco carnavalesco...


Reprodução de Jornalistas & Cia. Edição 1184.

Oi, mamãe, sou eu, o homem de Marlboro...



por O.V.Pochê

Os brutos também sonham. Nem filósofo, nem ideólogo, nem embaixador do Brasil nos Estados Unidos. A pose nada espontânea de Olavo de Carvalho, o guru do novo governo, que circula no twitter, mostra que o seu desejo mais cultivado é ser o modelo Eric Lawson, o Homem de Marlboro da propaganda dos anos 1970.


A crise dos jornais impressos é de conteúdo...



por Eduardo Tessler (para o Meio & Mensagem

Não há encontro internacional de jornalismo em que não se cite o The New York Times como exemplo de um meio tradicional que soube se reinventar. São tantos os acertos e a quantidade de casos de sucesso, que fica quase impossível falar de inovação em meios de comunicação sem falar da “Velha Senhora”, com seus mais de 160 anos de idade.

Mas atenção: nem mesmo o “benchmark” mais conhecido do mundo conseguiu promover a virada estratégica, ou seja, passar a ter mais receitas originadas no Digital do que no Papel. Mais de 50% do dinheiro que paga as contas do The NYT ainda vem das páginas do impresso. A mudança importante, porém, veio da fonte de recursos, não da plataforma: mais de 60% das receitas chegam por investimento da audiência e menos de 30% de publicidade. Isso quebra a lógica perversa que mantinha as empresas de comunicação pelo mundo.

A dependência da publicidade, ainda realidade em 99% dos meios de comunicação do Brasil, tem riscos enormes. Pior, se o anunciante for governo – como é habitual em cidades pequenas – a separação Igreja/Estado costuma não funcionar. E a qualidade do conteúdo, ao fim e ao cabo o maior ativo de uma empresa de comunicação, vai por água abaixo.

A estratégia do The NYT é simples – e pode ser copiada por qualquer meio de comunicação: o conteúdo publicado nas plataformas disponíveis (impresso, digital, podcast, vídeos, redes sociais) precisa ser ótimo. Precisa ter muita qualidade. Precisa ser tão bom (e exclusivo) que uma pessoa pagaria para recebê-lo. Simples assim. É claro que qualidade custa caro. E boa opinião também. Mas não há como vender conteúdo commodity ou opinião “meia-boca”. Isso não tem valor algum.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO MEIO & MENSAGEM AQUI

terça-feira, 18 de dezembro de 2018

El País Brasil mostra que jornalismo não morreu. Alguns veículos tradicionais é que parecem estar em coma



O site de notícias El País Brasil informa que, segundo a plataforma Chartbeat, que afere audiência global na internet, a entrevista exclusiva com o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, assinada pelo repórter Gil Alessi e publicada no El País em março deste ano foi uma das que mais gerou engajamento nas redes sociais em todo o mundo. Cerca de 60 milhões de textos foram analisados e a citada entrevista ficou entre as 100 reportagens mais lidas no mundo.

Ainda segundo o Chartbeat, a notícia da morte do chef Anthony Bourdain, publicada no site da CNN, foi a que mais mobilizou as redes, seguida por um artigo anônimo no The New York Times sobre a administração do presidente Donald Trump. Em terceiro colocado ficou o blog da BBC sobre o Brexit.

Outros sites em língua portuguesa foram citados, mas não classificados, por notícias - e não por matérias exclusivas - sobre as últimas eleições brasileiras

Isso diz alguma coisa sobre a nossa velha mídia. Dançou nessa. E os motivos são os mais variados: em função de demissões em massa, comprometimento político, partidarismo, "reformulações" mal sucedidas e em série ou simples apatia jornalística, como em um caso desses, o do Nem, muitos veículos acabam comento pratos de moscas al dente.

A boa notícia é que, além do El País Brasil e de portais de notícias como BBC Brasil, DW Brasil, The Intercept Brasil, entre outros, com redações brasileiras de peso que produzem alternativas indispensáveis, a Agência Pública, especializada em fast checking, amplia sua equipe para produzir mais reportagens investigativas de interesse público e, principalmente, sobre temas mais sensíveis e menos presentes na grande mídia, que tem lá seus fortes interesses empresariais, partidários e ideológicos a influenciar pautas.

2019 é um ano crucial para o Brasil. O jornalismo não pode faltar à democracia. 

Deu no Guardian - Brasil X Venezuela: vem aí a nova "guerra dos farrapos"




The Guardian de ontem noticia que o Brasil pode ir à guerra.

O novo governo brasileiro, de extrema direita, como o jornal inglês e a mídia internacional classificam, já esticou a corda em relação à Venezuela. O assunto tem sido discutido com altos funcionários do governo americano que, caso venha a intervenção militar, preferiria Brasíl e Colômbia na linha de frente.

Em entrevista ao correspondente do Guardian para a América do Sul, Tom Phillips, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, declarou-se um "guerreiro da paz", mas avisa  que pode mobilizar 1,6 milhões de combatentes e que "invasores não sairão vivos".

Se a guerra virá, quien sabe, mas alguns "falcões" brasileiros, melhor dizendo, "gaviões", estão com a faca no bico.

De qualquer forma, o "Platoon" brasileiro não tem data para estrear e o Dia D da invasão das forças que Maduro chama de "imperialistas" ainda não está marcado.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Marketing - Sobrou para João Paulo II - O "João de Deus" de Abadiânia abusa da marca papal

por José Esmeraldo Gonçalves 

O escândalo sexual que envolve João Faria, o curandeiro de Abadiânia, joga no limbo, junto com sua reputação, a marca "João de Deus" da qual ele se apropriou.

Sobrou então para a imagem de Karol Wojtyla, que eleito Papa adotou o título de João Paulo II e, ao visitar o Brasil pela primeira vez, em julho de 1980, ganhou o apelido de João de Deus.

A expressão que virou marca foi criada pelo maestro e compositor Paulo Roberto, autor da música "A Benção, João de Deus", a pedido dos organizadores da visita. A letra e melodia fácil foram rapidamente assimiladas pelas multidões que o Papa reuniu nas capitais brasileiras por onde passou.



As revistas Manchete, Fatos & Fotos, e as várias edições especiais adotaram nos textos a forma popularizada João de Deus - que era um achado e comunicava muito melhor do que o Karol Wojtyla, por exemplo -, e a divulgaram nos milhões de exemplares que circularam durante e depois do tour papal. Em uma delas, a "edição histórica", o João de Deus estreou como chamada de capa.

A propósito, a redação apelidava aquelas edições de "Papão", por utilizarem formato maior do que o standard das semanais. O jargão interno, desde então, passou a denominar certos números extras: viriam nos anos seguintes o "papão" do Tancredo, o "papão" do Cazuza, o "papão" do Senna, o "papão" do Tom Jobim etc.

Em outubro de 1980, Fluminense e Vasco decidiam no Maracanã lotado o primeiro turno do  Campeonato Carioca, então Taça João Baptista Coelho Netto - "Preguinho". O jogo estava empatado, e foi para os pênaltis. Alguns torcedores do Flu começaram a cantar a canção-chiclete do ano: "a benção, João de Deus, nosso povo te abraça...". A arquibancada tricolor fez coro, os vascaínos Dudu e Orlando Lelé perderam suas cobranças e a música pé-quente virou uma espécie de segundo "hino" do clube. Naquele ano, o Fluminense ganhou também o turno final, sobre o mesmo Vasco, e foi o campeão carioca, com direito à mesma trilha sonora.

Se você digitar João de Deus no Google, hoje, nem o Papa João Paulo II e nem o Fluminense aparecem nas primeiras páginas da pesquisa. Só dá o "João de Deus" de Abadiânia e os chocantes depoimentos de mais de 300 mulheres que o acusam de estupro, assédio e abusos sexuais.

A marca original João de Deus tornou-se vítima, também, de abuso. Foi tecnicamente estuprada.

Digamos que seu apelo mercadológico está definitivamente contaminado para os católicos, a torcida do Fluminense e o Vaticano.


Um último revival: em 1980, pra variar, o Brasil vivia uma grave crise econômica que se refletia no consumo de revistas em geral. A visita do Papa João Paulo II foi o milagre que a Bloch pediu.

Naquele ano difícil, a circulação das edições subiu aos céus e ajudou a salvar empregos.

Manchete retribuiu agradecida: no final de 1980, João de Deus foi escolhido o Homem do Ano.

E a Bloch pediu a benção a João de Deus. O do Vaticano.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Memória da propaganda: Em 1962, o Natal do consumo antes da crise...

O sonho de consumo. 

Os brinquedos analógicos, ainda quase artesanais. 

A anúncio da Coca-Cola apelando para Deus às vésperas de um ano de crises..

O presente de Natal da Seleções

Calça Lee nem pensar: o dólar alto deixava o sonho pra depois. O Brasil vestia Far-West.


A Varig oferecia o trenó aéreo para um White Christmas em Nova York.

Em 1962, o Brasil curtia um Natal de consumo marcado pela onda de industrialização que JK acelerou. O mineiro já não era presidente, mas os resultados da sua política repercutiam na mídia, que também se modernizava, e estavam nas páginas das revistas que passaram a receber centenas de páginas de anúncios.
Apesar do otimismo que a propaganda refletia, 1962 antecedeu uma ano de crise
econômica e política.
Pelo menos um dos anúncios - o da Coca Cola - apelava para Deus segurar a barra no Ano Novo que despontava. Não deu. A crise tornou-se aguda e acabou em golpe militar. 1963 foi último ano integralmente democrático antes da longa noite a partir de 1964 e que só começaria a clarear em 1985.

Design: revista sufoca cantora com uma tonelada de chamadas de capa. O caso é de assédio gráfico

Reprodução Instagram

por Flávio Sépia 

Até encontrar sua linguagem, um novo meio de comunicação que surge tende a utilizar o modelo anterior. Aconteceu com o rádio e a TV, por exemplo.

Já o alcance avassalador da internet parece provocar um efeito contrário. O impacto do digital foi recebido pelos meios impressos como um soco do Mike Tyson e desmentiu o "dogma" acima. Em vez de imitar o impresso ou a TV, a internet invadiu a aldeia impondo sua própria linguagem.

Em princípio, nocauteou os donos do pedaço.

Pouco mais de quinze anos depois da primeira onda que deu um "caldo" geral no mercado, há veículos impressos que encontraram melhores soluções de conteúdo e designs, explorando combinações editoriais gráficas que funcionam bem em plataformas físicas, ou seja, no papel, e não rendem integralmente nas telinhas dos smartphones. Textos maiores, analíticos, reportagens mais completas, aproveitamento de fotos abertas, permanência etc, são fatores que se desenvolveram sem impedir que jornais e revistas mantivessem suas versões impressas e digitais em sintonia com seus respectivos públicos.

Esses são os acertos que o mercado registra e que deram sobrevida a muitos veículos. Mas são muito mais comuns os erros que, afinal, sem desconsiderar outros fatores, acabaram extinguindo milhares de impressos todo o mundo.

Um erro comum é, por exemplo, um jornal ou revista impressos tentarem imitar conteúdo e design das redes sociais na esperança de descolar uma parcela de leitores dos influencers ou se inspirar em temas virais ou memes que "quebraram" a internet. E tome de assuntos "fofos", superficiais, incompletos ou mera clonagem e repetição de temas "chupados" da rede. Render-se ou se aliar ao "inimigo" que imagina não pode vencer equivale a tirar o time de campo. E foi o que muitos fizeram..

No Brasil, o problema tem sido mais grave. A concentração de empresas do setor e o baixo índice de leitura da população agravaram o quadro. Em países desenvolvidos, especialmente na Europa, é bem maior o número de jornais e revistas impressos que sobrevivem, apesar das dificuldades.

Um das características da web é a profusão infinitesimal de assuntos. Uma avalanche que confunde e cansa quem não consegue usar seus cliques para selecionar melhor leitura. Pois tentar atropelar o leitor com um caminhão de informações é a falha mais comum no impresso, estimulada pela busca desesperada para imitar o digital.

Até aqui não tem dado certo. O caminho da sobrevivência parece apontar para diferenciais mais inteligentes.

Algo que faltou ao editor da "First for women", vítima fatal de overdose. Incapaz de selecionar as chamadas de capa mais relevantes, ele resolveu o problema da maneira mais cômoda: "Bota tudo aí!"

O site Blue Bus, que reproduziu o resultado final que aprisionou a cantora norte-americana Reba McEntire, definiu a capa acima "o pesadelo da qualquer designer"

Quanto à cantora convidada para ser a capa da edição, passa bem e sobreviveu ao assédio gráfico em massa de letras e cores. 

Igrejas hi tech: aplicativos em lugar de templos

por Ed Sá

Nos Estados Unidos e Canadá, igrejas estão oferecendo aplicativos para os fieis acessarem cultos em streaming. Trata-se de um recurso de marketing digital para atrair as pessoas que acham "exaustivo" se deslocar até ao templos, enfrentar trânsito, mau tempo e aglomerações.

Na igreja via app há sermões, música e fóruns para compartilhamento de orações, sessões de "expulsão do diabo do corpo" via 4G e até "curas". Você pode desfrutar de tudo isso no sofá da sua casa.

A afiliação religiosa nos Estados Unidos está em baixa, segundo pesquisa de 2017 do Instituto Pew.

Como reação à queda de número de praticantes, é provável que essa tendência se expanda tal como aconteceu com inúmeras categorias de serviços na web. Lojas físicas de agências de turismo quase sumiram, foi reduzido o número de agências bancárias, livrarias são substituídas por equivalentes digitais, o home office avança, o comércio on line etc. As igrejas, evidentemente, já com tradicional presença em TV e rádio, não dispensarão o novo modelo.

Mesmo a utilização da internet não é novidade. Mas novas instituições religiosas, ainda em número reduzido, começam a abrir mão dos templos físicos e seus altos custos. Uma dessas novas corporações religiosas é a Churchome Global, inaugurada há um mês, sem prédio e sem CEP.
Os seguidores se conectam, tornam-se tornando assinantes e pagam uma taxa que equivale ao dízimo eletrônico. Se quiseram uma oração especial do pastor é só enviar um ícone via celular, um reverendo clicará em um "emoji divino", colocará na cesta de compras e o fiel o verá orando "olho no olho".

Alguns pastores e suas "ovelhas" ainda resistem aos templos virtuais. Há que cite o Evangelho de São Mateus onde Jesus diz que “onde dois ou três estão reunidos em meu nome, eu estou entre eles”.

Segundo esses teólogos, isso não inclui o crente que fica sozinho diante do computador, do tablet ou do smartphone. Outros religiosos defendem a adaptação ao novo estilo de vida e afirmam que Jesus se referia à formação de uma comunidade. E, para eles, comunidade virtual é comunidade.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Leitura Dinâmica: Goiabeira, João de Deus, Coaf, cometa, sífilis...

por O.V.Pochê

* O verão não começou, ainda não tem musa, mas já estão eleitos a fruta e o refrigerante da estação. Respectivamente, goiaba e Jesus.

* Mas não é verdade que Regina Casé vai reeditar seu programa "Um pé de que" para reunir testemunhos de fieis que presenciaram milagres em árvores frutíferas, aparições de santos, além de incursões de divindades do Jardim Botânico.

* O lado bom é que a revelação da  futura ministra Damares Alves, que se deparou com Jesus subindo em uma goiabeira, pode ter efeitos ambientais e deter, um pouco que seja, a anunciada derrubada de árvores na Amazônia para abrir megas roças do agronegócio.

* João de Deus é suspeito de ter assediado mais de 300 mulheres. Com isso, o médico Roger Abdelmassih, que foi condenado a 181 anos por mais de 37 estupros e manipulação genética poderá cair para a segundona nesse tipo de delito.

* Os jornais Estadão e Folha estão em regime de plantão bancário: os desdobramentos do escândalo dos depósitos em conta e repasses de salários revelado pelo Coaf, no que as redes sociais chamam de Bolsogate, está mobilizando uma legião de jornalistas.

* Nesse momento, o Brasil procura três desaparecidos: João de Deus, o assessor legislativo Fabricio Queiroz, o do caso Coaf, e o italiano Cesare Batisti.

* Confirmado: o Brasil está oficialmente à direita do Chile. O país andino mesmo governado por neoliberais radicais topou sediar a conferência climática da ONU, em 2019, que o Brasil rejeitou e chutou de bico. Bolsonaro convenceu Temer a cancelar a reunião por supor que o evento pode ser uma passo para a desapropriação da Amazônia a partir do Plano Triple A, uma interpretação que é uma espécie de verão ambiental da URSAL.

* Colete amarelos, na França, mostrando que palavras não bastam para responder ao assédio fiscal do neoliberalismo sobre as populações de baixa e médias rendas.

*O cometa 46P/Wirtanen  passará "próximo" da terra, em distância astronômica, neste domingo. Mas não é verdade que cairá em Brasília.

* Gabriel Jesus que não fazia gol desde agosto, fez dois na vitória ontem do Manchester City sobre o Everton. O próximo gol dele está previsto para junho.

* Segundo Boletim Epidemiológico, a sífilis voltou a ser uma epidemia no Brasil. A taxa de infecção  aumentou de 44,1 para cada grupo de 100 mil habitantes, em 2016, para 58,1/100 mil em 2017. Não deixa de ser um país vintage. Com os cortes de verbas previstos por exigência do "mercado", podem vir aí a peste negra, a varíola, a espinhela caída em massa e a cólera. Febre amarela, tifo e malária O Brasil já reabilitou.
 

Mídia: quando uma notícia tiver origem em "fontes próximas" duvide. É grande a chance de ser fake...

Reprodução Instagram


No Instagram, Fernanda Lima Fernanda Lima, do programa “Amor e Sexo”, da Globo, esclareceu dois assuntos que circularam na web nessa semana.

Uma nota de Ricardo Feltrin, do UOL, reproduzida em dezenas de sites, usa o manjado "fontes próximas" para afirmar que a apresentadora "deu chilique" ao ver que o cantor Eduardo Costa, a quem processa na Justiça, apareceu na Globo.

Outro assunto foi a ação por calúnia, injúria e difamação que Fernanda Lima move contra o cantor, que a chamou de "imbecil" e, certamente em alusão aos novos governos de direita, acrescentou que "a mamata vai acabar". Eduardo perdeu a linha nas redes sociais ao ouvir Fernanda falar contra machismo e conservadorismo. A apresentadora pede na Justiça indenização por danos morais e também move processo na área criminal. Ela não aceitou acordo proposto nem pedido de desculpas. Está certíssima.

Ao colunista Ricardo Feltrin, do UOL, a apresentadora mandou a seguinte mensagem;

“Colega, sua fonte sequer me conhece e muito menos é próxima. Quando tudo isso se deu, eu estava em um retiro de meditação, incomunicável por dois dias, e só fiquei sabendo dos acontecimentos quando cheguei em casa e minha assessoria me mandou a sua coluna”, escreveu a apresentadora. E prosseguiu: “Ricardo, essa é outra forma que o machismo estrutural usa para desqualificar uma mulher quando ela é vítima. É simples dizer que ela é louca, descompensada, dá chiliques, logo não tem razão nenhuma sobre os fatos. Inclusive, Ricardo, esse era o tema principal do Programa Amor e Sexo que gerou tanta polêmica”.

"Meu caro colega, me desculpe a intimidade, mas como também sou jornalista tomei a liberdade. Diante dos fatos relatados acima e depois de uma entrevista que o Sr. Eduardo Costa concedeu ao nosso colega Pedro Bial, o senhor publicou (e muitos veículos, sem checar a veracidade de sua nota, replicaram) que “fontes” muito próximas relataram que eu teria dado um “chilique” e que eu teria ficado “possessa” e até teria pegado “ranço” do Pedro Bial por ter entrevistado o cantor.
Colega, sua fonte sequer me conhece e muito menos é próxima. Quando tudo isso se deu, eu estava em um retiro de meditação, incomunicável por dois dias, e só fiquei sabendo dos acontecimentos quando cheguei em casa e minha assessoria me mandou a sua coluna. Outra inverdade da sua última nota sobre mim é que eu fracassei ao tentar fazer com que o Sr. Eduardo Costa não fosse mais convidado por outros programas da TV Globo.
Pois, para seu conhecimento, não tenho ingerência sobre a escolha de convidados da emissora (com exceção do Amor e Sexo).
Ricardo, essa é outra forma que o machismo estrutural usa para desqualificar uma mulher quando ela é vítima. É simples dizer que ela é louca, descompensada, dá chiliques, logo não tem razão nenhuma sobre os fatos. Inclusive, Ricardo, esse era o tema principal do Programa Amor e Sexo que gerou tanta polêmica.
– Viu como é importante falarmos e sabotarmos essa engrenagem machista? Conto contigo..."

Sobre Eduardo Costa:

“Em tempos de fake news é melhor esclarecer os fatos".
"Depois de ser difamada, agredida e ameaçada por ele através de um post indignado, procurei orientação jurídica a fim de proteger a mim e a minha família. Fui orientada a processá-lo, pois dessa forma inibiria agressões futuras. E assim o fiz.
Após eu autorizar o processo, o Sr. Eduardo Costa pediu desculpas através de outros programas a que foi convidado, deixando claro que não se arrepende do que disse e sim da forma como disse. Tendo em vista que ele me agrediu moralmente, me ameaçou, incitou o ódio de seus fãs contra mim (ontem mesmo minha assessoria recebeu telefonema de um fã dele me ameaçando) e atacou o meu trabalho, não entendo que pedido de desculpas é esse. Além disso, um pedido de desculpa verdadeiro pode até ser louvável, mas ele não repara o mal que fez a vítima.
Faz parte do machismo estrutural transformar a vítima em ré. Era justamente esse o assunto do programa Amor e Sexo que tanto indignou o meu agressor."

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

A foto do dia é um recado para racistas e preconceituosos: um baiano, um rondoniense, um gaúcho e um carioca ganham ouro em mundial de natação na China


Fotos: Satiro Sodré/SSPress/CBDA

por Niko Bolontrin

Os dementes, como as redes sociais veiculam nesses tempos sombrios, gostariam que o Brasil fosse dividido em castas. Eles pregam a exclusão ou segregação de brasileiros de acordo com a naturalidade gravada no RG.

Felizmente, o esporte se encarrega de jogar tais opiniões em uma estação de tratamento para dejetos.

É o que mostram as fotos acima que registram a conquista da medalha de ouro no revezamento 4X200 no Mundial de Natação em piscina curta, que acontece em Hangzhou, na China.

A jovem equipe que ainda bateu o recorde mundial na prova, onde desbancou russos, chineses e americanos, é formada por Luiz Altamir (roraimense), Fernando Scheffer (gaúcho), Leonardo Santos (carioca) e Breno Correa (baiano). O nadador reserva do time, Leonardo de Deus, é sul-mato-grossense.

Waltel Branco, meu irmão • Por Roberto Muggiati

Waltel Branco, novembro de 2013. Foto: Fundação Cultural/Prefeitura de Curitiba.

Outro que se foi. Outro anjo torto tocador de trombeta da noite curitibana. Por tocador de trombeta entenda-se músico no mais amplo sentido da palavra. Waltel Branco o era, ricamente. Exímio violonista, compositor e arranjador, ele só não queria uma coisa: passar para a posteridade como o arranjador da Pantera Cor de Rosa. Coitado, foi justamente o que aconteceu.

Todos os obituários o acoplaram ao felino safado de Henry Mancini que, de vinheta de filme, virou personagem principal dos desenhos animados que fizeram a alegria de infantes de todas as idades a partir de 1964.

Waltel foi o arranjador também de, entre outros, Azul da cor do Mar (Tim Maia), Bastidores (Cauby Peixoto) e Faz parte do meu show (Cazuza)

Nascido em Paranaguá, de uma família musical séria – o pai ainda considerava o violão coisa de boêmio – Waltel, para convencer o velho, resolveu estudar música clássica. Ainda jovem, no Rio de Janeiro, aquele violonista que sabia ler partituras impressionou o maestro Radamés Gnatalli, que o contratou para sua orquestra. Embora o Rio na época fosse o paraíso da música, Waltel não esquentou a cadeira. Abduzido pela cantora cubana Lia Ray, partiu em turnê pela América Latina, passou dois anos em Cuba, outros tantos nos Estados Unidos, imergindo-se em mambo e jazz.

De volta ao Brasil, caiu nos braços da bossa nova e lançou os primeiros da centena de álbuns que gravaria ao longo da vida. Em 1963, integrou a equipe de arranjadores de Henry Mancini durante a gravação da trilha de A pantera cor de rosa (ele homenagearia o compositor no álbum de 1966 Mancini também é samba, com bambas da música instrumental brasileira como K-ximbinho, Dom Salvador e Edson Maciel.)

Não quero embarcar num extenso verbete – Waltel fez de tudo, foi até um dos pioneiros das trilha de novelas da Globo e, até hoje, um dos melhores. Acho que um depoimento de Roberto Menescal no documentário Descobrindo Waltel resume tudo: “O Waltel foi o primeiro músico mesmo que eu pensei, músico na concepção total! Músico que estudava, que lia, que tocava bem seu instrumento…”
Waltel Branco morreu no dia 28 de novembro, uma semana depois de completar 89 anos, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Nossos caminhos se cruzaram muitas vezes, na noite curitibana. Eu o vi ainda em 2008, no Teatro Paiol, onde fez questão de me presentear com um novo livro de partituras, devidamente autografado; e, em 2012, num de seus últimos shows, uma espécie de homenagem, num auditório grande, completamente lotado.

Mas a trombeta do anjo torto da noite curitibana não calou, sua música continua iluminando nossa vida.

Uma sugestão: por que não vão correndo ouvir a sua homenagem a Mancini?

É só clicar em https://www.youtube.com/watch?v=G56f4dc3H7o

Ruy Castro recorda os craques do fotojornalismo do Correio da Manhã



Há poucos dias, Ruy Castro escreveu na Folha de São Paulo sobre uma exposição de fotografias na Caixa Cultural, no Rio, que reúne parte do arquivo do extinto Correio da Manhã. 

O acervo do jornal carioca, hoje guardado no Arquivo Nacional, já foi digitalizado pela Biblioteca Nacional. 

Entre os fotojornalistas do Correio, na década de 1960, estavam Antônio Andrade, Sebastião Marinho, Fernando Pimentel, Rubens Seixas, Rodolpho Machado, Gilmar Santos, entre outros. 

Ruy, que foi repórter do Correio da Manhã em 1967, recorda a época. 

A mostra "Correio da Manhã: Uma revolução de imagens nos anos 1960" registra protestos de estudantes, passeatas e manifestações de artistas, o fechamento do Congresso em 1966; a visita do presidente De Gaulle ao Brasil; o fim da Panair, além do cotidiano do Rio. 

"A exposição é uma grande homenagem aos fotojornalistas brasileiros e em especial aos que atuaram no Correio da Manhã", resume Maria do Carmo Rainho, curadora da mostra. 

Está em cartaz deste outubro e será encerrada no próximo dia 23 de dezembro. 

Ainda dá tempo de conhecer o trabalho de uma brilhante geração de fotojornalistas.

DETALHES SOBRE A EXPOSIÇÃO  NO SITE DA CAIXA CULTURAL, AQUI


Fotografia: Exposição "A Luta Yanomami", em São Paulo, reúne cinco décadas de imagens feitas por Claudia Andujar

A imagem da menina Susi Korihana em um igarapé da Rondônia faz parte de uma série realizada entre 1972 e 1974.
Foto de Claudia Andujar/Divulgação.

Claudia Andujar tem 87 anos e mais de 50 focalizando a trajetória dos povos indígenas brasileiros.

A exposição "A Luta Yanomami", que será aberta amanha no IMS (Instituto Moreira Salles), em São Paulo, reúne 300 itens entre fotos, livros e documentos e chega em um momento oportuno, quando o novo governo brasileiro anuncia um cerco aos índios em benefício do agronegócio e da mineração.

Nos anos 1970, Claudia Andujar foi expulsa da região pela ditadura militar que promovia uma ocupação predatória da Amazônia e se incomodava com imagens que documentavam os dramáticos efeitos daquele política sobre os povos indígenas. Mas não desistiu. Ela passou a  participar da luta para a criação do Parque Yanomami, que só veio a se concretizar em 1992.

MAIS INFORMAÇÕES SOBRE A EXPOSIÇÃO "A LUTA IANOMAMI" AQUI

Fotomemória: O retorno do guerreiro que a História tornou Herói da Pátria

Aeroporto do Galeão, Rio, 10 de setembro de 1979: a revogação do AI-5, em dezembro de 1978,
abriu caminho para a volta dos exilados. Entre eles, Miguel Arraes, que fez seu primeiro discurso
cercado pela imprensa e apoiadores. Foto de Guina Ramos. 

Miguel Arraes. Foto de Guina Ramos

por Guina Ramos (do blog Bonecos da História)

Esta semana, mais uma vez, misturaram-se, em comemorações, os conflitantes sentidos da História do Brasil.

Hoje (ontem), em especial, é uma data de chumbo... É a “comemoração” dos 50 anos de decretação do AI-5, o mais pesado dos Atos Institucionais da ditadura civil-militar do Golpe de 1964. O governo, ao pretender calar por completo a oposição ao regime, através da ampla prisão de opositores e fechamento do Congresso Nacional, acirrou a luta pelo retorno da democracia, que atravessara o ano com manifestações de rua e atos de contestação, instigando a reação armada de grupos políticos na clandestinidade, firmemente combatidos por ações repressivas, incluindo torturas e mortes. Eis que, agora, com apoio de importantes setores da sociedade, a eleita "nova" classe política brasileira quer um retrocesso de 50 anos, o retorno àquela situação asfixiante que o país vivia...

Ontem, por outro lado, um dos grandes perseguidos daquela ditadura, preso nos primeiros momentos do golpe de 1964, o então governador do estado de Pernambuco, Miguel Arraes (que, aliás, faria 102 anos neste 15/12/2018), teve o seu nome gravado no livro de aço dos Heróis e Heroínas da Pátria, junto a mais 20 personalidades e políticos do país (inclusive, neste Bonecos da História, o ex-governador Leonel Brizola).

Fotografei o ex-governador de Pernambuco apenas uma única vez, para a revista Manchete, quando do seu retorno do exílio na Argélia, em seu desembarque no aeroporto do Galeão (hoje, Tom Jobim), em 10 de Setembro de 1979, no correr de uma sequência de retornos de políticos brasileiros ao país.

Miguel Arraes, cercado pela imprensa e por apoiadores, fez o seu primeiro discurso de retorno do exílio no próprio saguão do aeroporto do Galeão, envolvido por centenas de pessoas que se mantiveram sentadas no chão para ouvi-lo.

Restaram-me do momento apenas estas duas fotos, uma delas sofridamente escaneada...

LEIA NO BLOG BONECOS DA HISTÓRIA, AQUI

quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Do Knight Center: Em meio a ameaças à imprensa, Brasil prepara lançamento de rede de proteção a comunicadores

Valério Luiz Filho (Instituto Valério Luiz), Emmanuel Pellegrini (MPF), Raiana Falcão (MDH) e Andrew Downie (CPJ) durante encontro em São Paulo. (Foto: Marina Atoji / Abraji). Reproduzida do Knight Center. 

por Carolina de Assis (do Knight Center for journalism in the Americas)

Um encontro realizado em São Paulo no começo de dezembro reuniu comunicadores, organizações pela liberdade de imprensa e representantes do Estado para debater as ameaças enfrentadas pela imprensa, as medidas que o Estado vem tomando para combater a impunidade nos casos de violência contra trabalhadores da categoria e os próximos passos para o lançamento de uma rede de proteção a comunicadores no Brasil.

O Encontro Nacional de Proteção a Comunicadores aconteceu na capital paulista nos dias 4 e 5 de dezembro e foi organizado pelo Instituto Vladimir Herzog, pela Artigo 19, Repórteres Sem Fronteiras (RSF), Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e pelo coletivo Intervozes.

O evento reuniu cerca de 50 pessoas de 11 Estados brasileiros para aprofundar o debate sobre a violência contra comunicadores e articular uma rede de proteção a estes profissionais que cubra os diversos contextos comunicacionais do país, disse Artur Romeu, da RSF, ao Centro Knight.

No primeiro dia do encontro, comunicadores de várias regiões do países participaram de mesas temáticas com membros das organizações e com representantes do Estado. Buba Aguiar e Gizele Martins, do Rio de Janeiro, Cláudio André, de Pernambuco, Cristian Góes, de Sergipe, e Valério Luiz, de Goiás, contaram casos vividos por eles de censura, criminalização, violência e impunidade em crimes que tiveram comunicadores como alvo.

“Trouxemos as principais violações que observamos com relatos em primeira pessoa de casos emblemáticos, para personalizar e gerar essa identificação, que funcionou bastante junto aos participantes”, contou Marina Atoji, gerente executiva da Abraji, ao Centro Knight. “Quando falamos em censura ou criminalização, parece uma coisa muito etérea. Mas quando contamos uma história e colocamos isso na figura de alguém, isso tem uma força maior.”

Os representantes do Estado, disse Atoji, trouxeram “a visão do Estado enquanto criador e executor de política pública”. Participaram Carlos Weis, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, Emmanuel Pellegrini, do Ministério Público Federal (MPF), e Raiana Falcão, do Ministério dos Direitos Humanos (MDH) e coordenadora-geral do Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores Sociais e Ambientalistas.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA E ACESSE OS LINK COMPLEMENTARES AQUI