sábado, 22 de maio de 2021

O país onde o vírus tem passe livre ( ou passando a boiada das novas cepas)

O Brasil tem portas abertas para o vírus. Desde o começo da pandemia, no ano passado, não foram adotadas medidas rigorosas de controle de aeroportos, portos e fronteiras terrestres. Muito menos foram rastreados contatos de viajantes infectados. E a irresponsabilidade sanitária permanece como prática usual do governo federal. Nada mudou.

Todas as novas cepas vieram passear no Brasil, sem entraves. Agora, é a vez da variedade indiana do Covid-19. Chegou ao Maranhão através de um navio que partiu da Índia e fez escala na África do Sul. Autoridades estaduais providenciaram isolamento e aguardam análises que apontarão se já há contaminação local e comunitária ou se o perigo está contido a bordo. 

Em Fortaleza, no dia 9 de maio, quando a Índia já era um alerta mundial, dois brasileiros que desembarcaram no aeroporto estão agora sob suspeita de  contaminação com a nova cepa, também a depender de análises. Há suspeitas e Belém do Pará. Se for confirmada a circulação da cepa indiana nesses estados e constatada a contaminação comunitária seria normal um controle de entrada e saída dessas regiões, algo que, a julgar pelo modo desleixado com que o Brasil combate a pandemia, dificilmente ocorrerá (No fim da tarde de hoje, o Ministério da Saúde anunciou controle de rodoviárias e aeroportos com testagem mas sem bloqueios)

A explosão da peste no país asiático, que atingiu proporções apocalípticas, se deu precisamente pela velocidade com que a nova cepa se espalha. Essa é a nova tragédia das tragédias que pesa sobre nossas cabeça; E a interrupção da vacinação por falta de imunizantes só agrava o quadro.  Brasil apostou na Ceifadora, quase 500 mil mortes e tristeza sem fim. 


sexta-feira, 21 de maio de 2021

Ultrassonografia do Brasil. As notícias não são boas. O paciente agoniza. Vejam 10 sintomas

por O.V. Pochê

1)  CPI da Pandemia está contaminada por "pinóquios". Além disso, é um Tribunal de Nurembrega.

2) O país precisa de PHDs mas o que tem de sobra são MCs

3) O mundo corre contra o tempo e já vacinou 1 bilhão e 500 mil pessoas. No Brasil, nesse momento, faltam vacinas. 

4) A preservação de florestas é uma bandeira cada vez mais global. No Brasil, o ministro do Meio Ambiente é acusado de favorecer contrabando de madeira ilegal. 

5) O Brasil desmoraliza até o neoliberalismo. Aqui os Chicago's Boys têm "orçamento secreto" para gastar na surdina

6) JK teve a bossa nova. A trilha sonora de Bolsonaro é a dos sertanejos. Conhece as letras? Uma conta o caso de um amante ciumento que ateou fogo em um motel onde a esposa o traia; outro monitora a mulher com cãmeras e gravadores e diz que é "excesso de cuidado"); há quem descreva a mulher como "filé mignon". A lista de taras machistas sertanejas é grande.

7) Folha de São Paulo informa que consumo de carne no Brasil caiu ao menor nível em 25 anos. A popu lação de calangos corre risco de ir parar na panela.

8) STF obriga governo a fazer censo. Ok, melhor assim. Mas já se sabe o que vai dar: 20% de comunistas, 20% de bovinos. 20% de "bispos" e ovelhas, 10% de milicianos, 10% de juízes e procuradores, 5% de comentaristas de telejornais, 2,5% de entregadores de aplicativos, 2,5%  de empresários sonegadores, 2,5% vítimas de "rachadinha" e 2,5% de musas fitness

9) Os economistas reclamavam do "custo Brasil", supostamente de impostos e custos estatais. Mas não reclamam do novo custo Brasil privado: pedágio, gás, energia elétrica, gasolina, diesel, carne, derivados de soja, planos de saúde, transportes, colégios... 

10) Tem o presidente que tem. Nem radioterapia e nem enema de querosene salvam.

Já temos Paris de volta • Por Roberto Muggiati

 

Torre Eiffel volta a atrair turistas.


O brinde de champanhe consolatório de Bogart a Bergman em Casablanca “Sempre teremos Paris”está mais atual do que nunca. 

Depois de seis meses de rigoroso lockdown, a cidade voltou a suas atividades normais na terça-feira 18 de maio com a reabertura parcial de museus, centros culturais, monumentos turísticos (como a Torre Eiffel) e restaurantes e cafés (restritos às mesas de calçada). 

Cafés recuperam o .movimento


Macron na reabertura.

O próprio Presidente Emmanuel Macron comemorou a medida saindo para tomar um café com seu premier, Jean Castex, nas redondezas do Palácio do Eliseu. Disse Macron: “Este café é um momento de liberdade recuperada, fruto de nossos esforços coletivos”. 

Caso tudo corra bem, a retomada prosseguirá em 9 de junho, com a reabertura das áreas internas de restaurantes e cafés e a ampliação do toque de recolher até as 23 horas (no dia 19 de maio passou das 19h para as 21h e em 30 de junho poderá ser totalmente abolido).

Humphrey Bogart e Ingrid Bergman em Casablanca: um entre os milhares de filmes
que têm Paris como referênciaa 

No Cafe de Flore, a busca do passado perdido

O Louvre volta a se iluminar

A tradição de Paris como polo cultural da humanidade vem de longe – vocês sabiam que na época da Revolução Francesa os inconfidentes mineiros e os líderes da Independência dos Estados Unidos, como Thomas Jefferson, já conspiravam com os Enciclopedistas em cafés da rive gauche? Na segunda metade do século 19 e na Belle Époque, 

Paris fermentava com artistas e intelectuais estrangeiros, mas o grande boom ocorreu nos anos 1920, com a chamada lost generation (Hemingway, Fitzgerald), os espanhóis Buñuel, Dali, Picasso, etc, etc – parodiados na fantasia nostálgica de Woody Allen Meia-noite em Paris.


Quem contou melhor essa história foi talvez Ernest Hemingway, no livro póstumo de 1964 A Moveable Feast/Paris é uma festa, no qual afirma : “Se você teve a sorte de viver em Paris quando jovem,  aonde quer que vá depois, a cidade o acompanhará pelo resto da vida.”


Morei em Paris de outubro de 1960 a fevereiro de 1962, estudando jornalismo com bolsa do governo francês. Cheguei lá com 23 anos. A memória dos dezesseis meses que vivi em Paris, há sessenta anos, ainda dorme toda noite e acorda todo dia comigo. Com toda a força de sua magia, Paris ressurge agora – vamos torcer – como um símbolo do fim da pandemia e a esperança de novos tempos.


quinta-feira, 20 de maio de 2021

Onde anda você, Silvinha Maconha? • Por Roberto Muggiati


Não sou saudosista, curvo-me à dinâmica do tempo. De repente o futuro acontece e vivo um presente intenso que logo vira matéria de memória. Com uma diferença: aos 20 anos, eu não valorizava cada segundo como valorizo hoje, aos quase 84. Uma coisa é certa: os anos 1950 foram divinos...

Foi ouvindo jazz numa tarde de domingo na Boate do Hotel Plaza que conheci Silvinha Maconha. Voltava para Curitiba de uma daquelas viagens boca-livre da época, o Congresso Nacional dos Jornalistas em Fortaleza. Oportunidade também de fazer turismo. Em Fortaleza, fiz um empolgante passeio de jangada e, no aristocrático Clube Náutico, dancei com a filha do governador Parsifal Barroso. No Recife, conheci a Praia da Boa Viagem e provei o sarapatel famoso do Buraco da Otília. Em Salvador fui à Lagoa do Abaeté e depois comi um peixe frito inesquecível numa birosca de sapê na praia de Itapoã. O Rio ficou para o fim de semana, antes de pegar o batente segunda à noite na Gazeta do Povo. Era setembro de 1959, havia algo no ar além dos aviões de carreira: a corrida espacial URSS vs EUA. No dia 14, a sonda Luna 2 tornava-se o primeiro objeto da Terra a atingir a Lua. O foguete foi esterilizado para não contaminar o querido satélite com bactérias terrestres – vejam só como nós, terráqueos éramos atenciosos, até os comunistas... No dia 20, domingo, fim de tarde, eu e dois amigos jornalistas da minha idade ocupávamos uma mesa estratégica no Bar do Hotel Plaza, em Copacabana. Aconteciam ali jam sessions que ficaram famosas, jovens músicos como os irmãos Castro Neves começavam a fazer o seu nome. O jazz era a trilha sonora da nossa geração, que pautava seu estilo de vida naquele dos beats.

Ainda não se falava em revolução sexual, mas ela nos aguardava ali na esquina. Eu já me via totalmente fora do esquema ancestral noiva virgem + diploma = casamento. Sonhava com uma paixão existencialista, amor e sexo no mesmo pacote. E foi assim que surgiu do nada, no bar do Plaza, a garota da hora, sacudindo a cabeça ao suingue do bebop. Estava a poucas mesas de distância, eu a vi, ela me viu, nossos olhares não se desgrudaram mais. Como eram longos aqueles improvisos de jazz... No primeiro intervalo, fui até ela e a convidei à nossa mesa. Ofereci do nosso uísque, éramos aqueles rapazes curitibanos de terno e gravata que bebiam com o litro de Scotch na mesa. A música nos impedia de conversar, era tudo o que queríamos. Saímos para tomar um ar, a tarde caía na Prado Júnior, a rua lavada por uma pancada prenunciando a primavera. 

– Para onde vamos? – tateei.

– Hotel Cardoso. Chame aquele táxi ali. 

O táxi pegou a Avenida Atlântica rumo ao Vidigal. Ainda em Copacabana, minha companheira de viagem abre intempestivamente a janela do táxi e saúda a Princesinha do Mar com um generoso jato de vômito. Bebendo a tarde toda de barriga vazia, o upgrade da cerveja para o uísque foi fatal. O Cardoso, vovô dos motéis cariocas, ficava no começo da Niemeyer, perto do local onde plantariam o Sheraton nos anos 70. Um hotelzinho modesto, três andares, sem elevador, muito distante da futura arquitetura de motel de ostentação brega que assolaria o Rio. Minha amiga encontrou no banheiro um pequeno tubo amarelinho de Kolynos e o esgotou escovando os dentes com os dedos. Existencialistas com toda razão, fizemos o que mandava o nosso coração.


Na volta, pediu que a deixasse na domingueira que ainda rolava na casa de Aníbal Machado, na Visconde de Pirajá. Não trocamos telefones, acho que ela nem ficou sabendo meu nome. E como foi que eu descobri quem ela era? Acho que alguém disse aos meus amigos curitibanos no bar do Plaza: “Aquela é a famosa Silvinha Maconha.” Com o tempo, fui sabendo mais. Ruy Castro, que fez a arqueologia daqueles tempos em Ela é carioca/Uma Enciclopédia de Ipanema, traçou um miniperfil da musa: 

“A própria Silvinha ‘Maconha’ (n. 1934) tinha esse nome não por fumar maconha (pelo menos na época, ninguém a via usar o produto), mas por parecer ainda mais ‘marginal’ que a média das moças do Arpoador. Era morena, usava óculos escuros de Marlon Brando em O selvagem e tinha uma cicatriz no queixo (caíra da garupa de uma moto.) O que a tornava diferente das outras era o fato de ser bem liberal a respeito de com quem ia para o banco do jipe ou do Chevrolet – um dos privilegiados, Jomico Azulay, sete anos mais moço do que ela, definiria sua noite com Silvinha como ‘o mundo antes e depois de Copérnico’. Mas era também querida e respeitada: escrevia contos, recitava Jacques Prévert  (‘Rappelle-toi, Barbara/ Il pleuvait sans cesse sur Brest ce jour-là...’) e era assídua às jam sessions do Beco das Garrafas. As amigas a viam como ‘mais livre’, só isso.”

Que pena, não vi o mundo antes e depois de Copérnico com Silvinha, mas guardo do episódio – talvez justamente por causa dos seus desacertos – uma bela lembrança.

Outro dia me veio à cabeça: “A Silvinha, com 87 anos, seguramente já tomou a segunda dose da vacina”. Onde anda você, Silvinha Maconha? Você bem que podia me aparecer para trocarmos figurinhas sobre aquela tarde de setembro que nem sei mais ao certo se aconteceu...

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Quer comprar uma novela? Acervo de imagens (e um terreno) da Rede Manchete em leilão

Acima, a chamada para o leilão de um terreno em Campinas (SP), até 25 de maio.

Nesta reprodução, a chamada para o leilão do acervo de imagens que foi encerrado hoje




Tem algum dinheiro sobrando? Administra uma rede de televisão ou portal de streaming? Pois a Faro Leilões, sob autorização da 3ª Vara de Recuperações Judiciais e Falências de São Paulo, está batendo o martelo em cerca de 70 itens que pertenceram à TV Manchete, e que hoje fazem parte do patrimônio da Massa Falida da TV Manchete. 

Além das marcas Rede Manchete e TV Manchete, estão no pacote dezenas de novelas, programas jornalísticos, documentários, humorísticos, musicais como Bar Academia, carnaval, futebol,  documentários, reportagens e imagens de outros gêneros. 

São milhares de fitas. Há tempos não havia notícias sobre esse acervo. 







Justiça leiloa Pantanal, Dona Beija, Ana Raio e Zé Trovão, Guerra sem Fim, Antônio Maria, Kananga do Japão, Marquesa de Santos, Viver a Vida, além de várias minisséries. Até  O Marajá, uma novela que estava pronta e não foi exibida por impedimento judicial, aparece entre os itens que foram a leilão mas na forma de documentário. Fora da parte artística, o site de leilões Faro On Line  (em função da pandemia o evento é virtual) também oferece um terreno com uma edificação na cidade de Campinas (SP).   

A informação foi passada ao blog por um leitor de Porto Alegre que enviou inclusive o laudo de avaliação de tudo o que está à venda. 

As marcas Rede Manchete e TV Manchete também estavam no pregão por um lance mínimo de R$186.287,72.

Novelas e demais programas têm avaliação variável. Há itens que estimam valores entre pouco mais de 17 mil reais, 59 mil reais a 265 mil reais, aquelas novelas de maior porte e repercussão na época em que foram exibidas. Observando que, no leilão, os lances mínimos foram estabelecidos normalmente abaixo da avaliação.  

Novelas e demais itens de imagens receberam lances até hoje, 19/5/2021. O terreno de Campinas aceitará ofertas até 25/5/2021.

Ainda não há informação sobre nova data de leilão das novelas se o pregão de hoje não atingir o mínimo previsto. . 

Link do Faro On Line AQUI  



segunda-feira, 17 de maio de 2021

Meia Noite no Rio - À maneira de Woody Allen

Odete Lara canta no Bacará. Foto de Helio Santos/Manchete


Nara Leão em um dos seus shows no Bottle's. Foto de Hélio Santos/Manchete

por Ed Sá 

A Toca do Vinicius, em Ipanema, fechou logo no começo da pandemia. Há umapequena esperença de que reabra após a crise. Até lá, ficou mais difícil ainda encontrar um Rio um bar que que tenha pocket shows de bossa nova. 

Muitos turistas americanos, franceses e japoneses que procuram ouvir "Garota de Ipanema" e outros sucessos de Tom, Vinicius, João Gilberto, Roberto Menescal etc na cidade-berço da bossa nova vão parar em inferninhos movidos a funk. Isso até que descobrem o Bottles's, no histórico Beco das Garrafas, transversal da Rua Duvivier, em Copacabana. Lá, a depender da noite, é possível ouvir bossa nova. A casa foi revitalizada em 2017. Passaram por lá Marcos Valle, LanLan, Emanuelle Araújo, Joao Donato, Leny Andrade e outros. Não sei como está agora, quando a pandemia desafinou a noite carioca. Poderia ser o nosso Blue Note, o templo do jazz em Nova York. 

Se Woody Allen quisesse fazer no Rio um spin-off da sua fantasia "Meia Noite em Paris", o Beco das Garrafas e suas estrelas, como as duas vistas acima, seria o set de uma revisita romântica na noite carioca.

No auge do Beco das Garrafas, nos anos 1960, o fotógrafo Helio Santos, de Manchete, registrou, na mesma noite, shows com estrelas da bossa nova. Segue o fio, abaixo.  




sexta-feira, 14 de maio de 2021

Memória (suja) da redação - Nem parece que foi ontem...

Manchete saúda o golpe de 1964 e pede passagem...

Já há algum tempo circula na internet um pdf com uma edição completa da  Manchete, de abril de 1964. Um leitor enviou o arquivo ao blog. Se foi viralizado por bolsonaristas - que pensam repetir aquelas cenas - ou como referência à adesão da revista àquele golpe, não há como saber.   

O certo é que a tal edição pouco tem de jornalismo na acepção honesta da palavra. É uma publicação que bateU continência e abanou o rabo para a ditadura que nascia. Pouca vezes, talvez, a mídia foi tão subserviente. Manchete não estava sozinha. Jornal do Brasil, O Globo, Estadão, Folha de São Paulo, O Cruzeiro, TV Tupi à frente da poderosa rede dos Diários Associados, Correio da Manhã (este, embora adesista, abria espaço para as primeiras críticas aos militares nos artigos de Carlos Heitor Cony, depois reunidos no livro "o Ato e o Fato"). 

A exceção ao massacre da democracia promovido pela mídia foi o jornal Última Hora, que já sofria forte boicote publicitário estimulado pelos conspiradores. Deflagrado o golpe, teve suas sedes no Rio e Recife invadidas e depredadas. 

O que veio a seguir, em 21 anos de trevas, com a trágica onda de assassinatos políticos, tortura, sequestros e corrupção, tem na origem as digitais encardidas dos principais veículos da mídia brasileira. O que, infelizmente, configura uma espécie de padrão histórico.  A maioria também apoiou o Estado Novo, de Getúlio Vargas, conspirou para tirá-lo do cargo em 1954, quando ganhou um cadáver, calçou coturnos em 1964 e, last but not least, defendeu o golpe jurídico-empresarial que tirou da presidência Dilma Rousseff e resultou em Jair Bolsonaro, um sujeito que exibe diariamente seus baixos instintos antidemocráticos.  

Não há como desmentir essas páginas vergonhosas do jornalismo. Estão por aí, digitalizadas, como uma alerta histórico. Mostram em capas, primeiras páginas e editoriais como parece fácil para as elites de várias épocas jogar a democracia no lixo. 

Para amanhã, por exemplo, bolsonaristas anunciam uma "marcha pela liberdade" contra o STF, as restrições provocadas pela pandemia, a favor do voto impresso, contra a CPI do Genocida, pela  intervenção militar "com Bolsonaro" e outras bandeiras da ultradireita. Até agora não há informação se além desses apelos os manifestantes protestarão contra a falta de vacinas, se lembrarão os quase 500 mil mortos por Covid-19, se haverá faixas contra a "rachadinhas", desemprego, fome, pobreza e Bolsolão (o "orçamento secreto" desmascarado pelo Estadão e que desviou R$ 3 bilhões em compras de tratores e obras com suspeita de superfaturamento), desemprego, fome e pobreza.
 

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Oh, que delícia de guerra...

Sugestão: na hipótese de uma guerra, o governo
 pode recorrer ao aplicativo Zé Delivery que
entrega cerveja até no front.
As Forças Armadas compraram 80 mil latas de cerveja a um custo total de R$80 mil reais. A cervejada seria destinada a comemorações e confraternizações "depois de uma atividade estressante", segundo o ministro da Defesa Braga Neto.  

Agora imagine se o Brasil entrasse em uma guerra. Nada mais "estressante". Haveria pausa para uma cerveja gelada? O já famoso Zé Delivery, da Brahma, iria entregar direto no front? Os blindados seriam adaptados para receber um frigobar? 

Se por acaso os briosos soldados precisassem incrementar a "confraternização", poderiam pedir a Bolsonaro o contato do cara que vende picanha a R$1.799,99 o quilo. A iguaria é coisa fina. Foi a atração do churra que o elemento fez no Alvorada para festejar o dia das mães.  Trata-se de uma carne extraída do boi mais desejado do mundo: o wagyu. O Kobe beef, nome da peça, é importado do Japão.

E, sempre bom lembrar que não faz muito tempo, com o Brasil precisando de vacinas e cilindros de oxigênio, o governo Bolsonaro pagou  R$ 15 milhões em leite condensado, vinho, refrigerantes e chicletes. 

Pedalada salarial

O país vive dificuldades econômicas, certo? 

Não para todos. 

Com uma canetada sem vergonha, o governo federal liberou salários acima do teto constitucional para privilegiados. Bolsonaro, claro, está entre os agraciados. O vice Mourão também. Significa que o limite anterior, de R$ 39,2 mil, pode ser ignorado. Mas a medida vai atingir outros marajás do serviço público, que poderão até acumular salários já que a nova norma vai contar cada remuneração separadamente. 

Paulo Guedes, que costuma ser rigoroso com a massa de servidores mais modestos, sobre os quais ele se orgulha de não dar aumento há dois anos, assinou a medida alegremente.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

A bula 171 que o governo federal tentou emitir...

Imagina a cena. Em uma sala da Presidência da República (atenção, o fato não ocorreu no bordel da Madame Brigitte, certamente muito mais digno e respeitoso). Pois nas dependências oficiais da República organiza-se uma reunião para incluir na bula da Cloroquina - medicamento destinado a outras doenças - propriedades para cura ou minimização dos graves sintomas da Covid-19. 

Alguém ainda não identificado - embora haja suspeitos - do staff mais próximo do presidente rascunha um decreto para reescrever a tal bula. Os simplórios ali reunidos, havia generais, médicos, ministros e sabe-se lá quem mais ou estavam revestidos de má fé ou ignoravam que bulas são documentos legais e médicos. 

Emissão de bulas cabe aos laboratórios que elaboram os medicamentos e, após testes, aferem sua utilidade. Incluir um item pirata, como o governo tentou fazer, é crime. Queria criar a bula 171. A motivação para a falcatrua era politica e viria em apoio ao negacionismo militante de Jair Bolsonaro. O estelionato foi barrada pelo presidente da Anvisa presente na tal reunião, conforme ele revelou à CPI do Genocídio. O que se tramava a reunião da bula era dobrar a meta e alcançar um número ainda maior de mortes dos brasileiros. Acima dos mais de 400 mil que a política criminosa diante da pandemia já sacrificou. 

Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro: acervo musical no ar...


Enquanto espera a conclusão da sua nova sede, felizmente o Museu da Imagem não está atrás de tapumes como o seu futuro prédio, inconcluso, da Av. Atlântica. 

Nesses tempos estranhos, a Cultura está sob ataque, mas o povo da cultura resiste em iniciativas próprias, como em uma guerrilha do conhecimento e da memória. 

O MIS, um dos museus mais queridos dos cariocas - porque guarda a essência da cidade -  acaba de lançar a Rádio MIS RJ . A emissora FM que toca no dial do seu carro ou no seu smartphone não roda mais clássicos da música popular brasileira? Pois o grande acervo do museu está disponível na web. Sambas, chorinhos, bossa nova, marchinhas, está tudo lá. 

Além dos arquivos próprios, parte do conteúdo sonoro vem do que a antiga Rádio Nacional gravou nos anos 30,40 e 50. Registros em acetato,  LPs, gravadores de rolo etc, foram digitalizados. 

Uma pequena observação preocupante: segundo o MIS, até agora a maioria dos acessos às músicas vêm do exterior. Sintoniza e reaje, Braziu!

OUÇA A RÁDIO MIS RJ AQUI

Angela do Rego Monteiro: uma perda, uma lembrança

Angela do Rego Monteiro
Foto Jornal da PUC
A jornalista e professora Angela do Rego Monteiro tem sua trajetória ligada a uma era profícua do jornalismo brasileiro. Foi do JB nos anos 1960, e do Globo, onde participou da equipe que criou o Ela, do qual foi editora. Em 1977, Angela foi surpreendida com um convite para se transferir para a Bloch Editores. Na coletânea "Aconteceu na Manchete, as histórias que ninguém contou" (Desiderata), ela reproduziu um diálogo que teve com Roberto Barreira, o diretor do grupo de revistas femininas da Rua do Russell. 

- Você gostariha de trabalhar com cor? 

- Claro, seria um desafio. Algo absolutamente novo.  

"Esse é, resumido em duas linhas, o diálogo que me levou para a Bloch. Eu estava na plateia dos desfiles do Grupo Moda Rio, no Copacabana Palace, no inverno de 1977, quando Roberto Barreira, o todo-poderoso diretor do grupo de revistas femininas da Bloch Editores, fez o convite. Para mim, que trabalhava no Globo - onde me iniciei como repórter e aquela altura era editora do Globo Feminino, uma página diária, e do suplemento Ela - a proposta era tentadora. A Bloch, com suas revistas, era um sonho para quem atuava no mundo do jornalismo de moda. E era uma aspiração colorida para uma jornalista que até então se prendera ao preto e branco dos jornais. Lá fui eu. Despedi-me dos meus amigos da Rua Irineu Marinho (para onde voltaria ainda por duas vezes e onde me aposentaria em junho de 2002) e levei todo o meu entusiasmo para a Rua do Russell. 

Depois de descrever o primeiro contato com Roberto Barreira, Angela relatou no seu capítulo, além da experiência pessoal, todo o modus operandi que fazia da Desfile um das principais revistas femininas do Brasil e a renovação da cobertura de moda. E foi precisamente a capacidade de entender os rumos da comunicação em todas as suas vertentes que ela abraçou, depois, a carreira acadêmica e compartilhou experiências e talento como  professora da PUC do Rio de Janeiro.

Angela do Rego Monteiro faleceu ontem, no Rio, aos 78 anos. 

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Nas páginas de Manchete, ao longo de décadas, uma aglomeração de cronistas notáveis. E você pode visitá-los na coleção digitalizada da revista no portal da Biblioteca Nacional

A página original da Manchete com a crônica de Rubem Braga, em 1958. 


A Edição Comemorativa dos 45 anos da Manchete republicou a histórica crônica em 1997
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por José Esmeraldo Gonçalves 

É muito conhecido o texto "Ai de Ti, Copacabana", de Rubem Braga. É um monumento literário. Uma referência da crônica brasileira. O que poucos sabem é que essa obra, que está nas melhores antologias do gênero, foi lançada nas páginas da Manchete em 25 de janeiro de 1958, na edição número 301. 

A dimensão que a crônica de Rubem Braga tomou - distópica, como se diz hoje - talvez nem o autor e muito menos a revista tenham percebido na hora. 

Revistas e jornais impressos eram uma linha de montagem. Imagine a versão jornalística da fábrica que Chaplin mostra em Tempos Modernos. Lembra das engrenagens? Engoliam qualquer um. Mesmo que reunissem as melhores cabeças, redações eram sequestradas e oprimidas pelo relógio. A Manchete tinha um funcionário, era o Lourival Bernardo, responsável pela produção gráfica. Um personagem com voz de barítono. No meio da tarde, quando verificava que o fluxo de páginas baixadas para a fotocomposição estava devagar, ele adentrava a redação trovejando: "Como é que é, rapaziada, vocês não vão fechar a revista do "seu" Adolpho? Qualé, os operários estão parados...". Com variações em torno da mesma pressão, a frase parecia ter o poder de acelerar redatores e editores. Se vivesse na era romana, Lourival poderia ter cadenciado remadas nas galés da marinha de César. 

Certamente aquela crônica de Rubem Braga, que hoje é antológica, foi mais festejada por chegar na hora do que por ser que é. E ainda bem que chegou na hora. Não era indispensável apenas para o simples fechamento daquela edição da Manchete, era necessária para gerações de brasileiros, como o tempo provou. 

Além de Rubem Braga, cada um daqueles cronistas que entregaram os textos na hora, sem atrasar os fechamentos, devem ser reverenciados - Fernando Sabino, Sérgio Porto, Nelson Rodrigues, Henrique Pongetti, José Carlos de Oliveira, Paulo Mendes Campos, Clarice Lispector,  Carlos Heitor Cony e muitos outros têm o eterno reconhecimento das redações por não terem deixado páginas em aberto. E, principalmente, por não atrasarem o happy hour etílico no bar do Hotel Novo Mundo, bem ali ao lado da sede da Manchete, na Rua do Russell, uma tradição pós-fechamentos. 

Os nomes aí citados deixaram um acervo de crônicas admiráveis e hoje proporcionadas pela coleção digitalizada da Manchete na Hemeroteca Digital Brasileira (link na barra vertical à direita da página neste blog).  

Com um clique você poderá se aglomerar com esses escritores e jornalistas e seus legados.  

sábado, 8 de maio de 2021

Fotomemória: quando os cariocas descobriram o Recreio dos Banderiantes. E Jacinto de Thormes registrou para a Manchete

 


Os frequentadores pioneiros do Recreio dos Bandeirantes. Foto Manchete

O Hotel Recreio era um "balneário" para férias de famílias e fins de semana. Ao perceber que a praia havia sido "descoberta", equipou-se com mesas, cerveja gelada e drinques da moda: Ponche de Champagne,  Moscow Mule (com vodka), Gin Daisy, Banana Daiquiri (rum) e o mix de bebidas  Grasshopper 

Em 1960, o Arpoador era a praia mais badalada do Rio de Janeiro. Significava dizer que atraía muita aglomeração - essa palavrinha hoje contaminada pela Covid-19. O repórter Jacinto de Thormes, da Manchete, foi a campo, ou melhor, à praia, descobrir para onde o pessoal estava indo. 

Thormes foi parar no Recreio, quase deserto, com raras construções ou casas de veraneio e um hotel que ainda era considerado "balneário". Chegar lá não era pra qualquer linha de ônibus. Era preciso ter carro ou Lambretta, veículo que, depois da onda dos transviados - os playboys que aprontavam em duas rodas - foi adotado por "rapazes de família". Os carros nacionais ainda não eram maioria nas ruas e a orla exibia os importados Buick, Cadillac Eldorado, Bel Air, Mercury... 

A região era tão desconectada da cidade que era chamada se "sertão carioca".  Hoje está perfeitamente integrada à cidade, tem até BRT e milícia.

 O que Jacinto de Thormes e a Manchete mostraram em oito páginas foi uma caravana de alegres desbravadores. Mereciam uma placa. Ou apenas o sertanista Cândido Rondon merece ser lembrado nos anais do ramo?

P.S - Quem não foi injustamente esquecido nos créditos da reportagem foi o fotógrafo que acompanhou Jacinto de Thormes. O editor "marcou touca", como se dizia na época.

sexta-feira, 7 de maio de 2021

Quer revisar sua mensagem antes de enviar? Twitter vai oferecer aos usuários uma chance de reescrever tuítes ofensivos...

O Twitter dá mais um passo para conter a tempestade de ódio que assola a rede. 

Sempre que os algoritmos farejarem palavras ofensivas, o usuário receberá um aviso: “quer revisar isso antes de tuitar?”. Em seguida o aplicativo oferecerá três opções: "enviar assim mesmo", "editar" ou "excluir".

Nota oficial do Twitter informou que o recurso já está ativo no países de língua inglesa. Gradativamente será implantado em outros idiomas. 

Os operadores do Twitter têm estudos que indicam efeitos positivos da oportunidade oferecida aos tuiteiros para revisão de mensagens agressivas. Mais de 30% dos usuários pensaram melhor e aliviaram os termos ofensivos. 

Não são poucos os usuários que se arrependem de enviar ofensas e é ainda maior o número daqueles que alegam que estavam bêbados ou com alguma birita a mais quando "desabafaram" em excesso. 

No Brasil, como parte da estratégia para tornar a rede mais civilizada, o Twitter já pergunta ao usuário se não que ler o texto de determinados artigos antes de responder. É que muitos leem os títulos e se alguma coisa incomoda já disparam críticas ou xingamentos sem chegar a conhecer o texto completo. 

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Foi-se a Época...

A primeira capa da Época, em 25 de maio de 1998, prometia um "futuro melhor". Não rolou. As chamadas desemprego e devastação de floresta. são atuais, parece que é hoje. O Brasil recuou 23 anos?  

Desde 2019, o meio jornalístico já convivia com rumores frequentes sobre o encerramento da edição impressa da revista Época. Os boatos viraram fato. A publicação do grupo Globo acaba de jogar a toalha. 

É "descontinuada", segundo o ridículo jargão dos executivos. Vai virar uma seção no impresso e digital do jornal O Globo. 

A Época impressa sai de cena após 23 anos. Foi criada para disputar espaço com a Veja, mas não teve a relevância da concorrente, que, hoje, também não mais exibe, quanto a edição impressa, a carteira de assinantes e muito menos os números de venda avulsa dos anos de glória. A Veja investe no digital.  

O fenômeno é mundial. O meio revista foi atropelado por uma carreta e nem pegou a placa. A velocidade e o alcance dos veículos digitais dizimaram as publicações semanais impressas. 

A partir de 28 deste mês, o título passa a ser uma seção no jornal O Globo. Nos dias da semana, o espaço apresentará matérias analíticas reflexivas do noticiário. Aos sábados, virá com  reportagens de fôlego. 

A última edição da Época impressa será lançada no dia 28 de maio.

Assinantes de O Globo terão acesso ao conteúdo da redação da Época. Já os assinantes da revista poderão migrar suas assinaturas para O Globo digital sem custos adicionais. Atenção, é a informação que circula no mercado. Quem se encaixar nessas condições, certifique-se com o Globo, claro.

Vale dizer que revistas digitais bem sucedidas podem atingir milhões de leitores. Bem acima do público das versões impressas geralmente medido em milhares.

Venda de patrimônio público: o gerente ficou maluco, aproveitem o precinho...

O Edifício A Noite foi construído nos anos 1920. Em estilo art déco, o prédio teve como inquilino mais famoso a Rádio Nacional, no seu auge. Foto de Alexandre Macieira/Riotur/Divulgação

Como parte do programa de Paulo Guedes de torrar patrimônio público em uma black friday permanente, aconteceu o leilão do prédio de A Noite, na Praça Mauá, no Rio de Janeiro.  Ninguém fez oferta. O lance mínimo era de R$ 98 milhões. O governo vai tentar vender mais uma vez, agora com lance mínimo de R$ 73 milhões. E vai continuar baixando até, quem sabe, vender "na parcela no cartão ou no boleto".

A venda poderia ajudar a revitalizar o Centro do Rio. O prédio histórico está lá se degradando. Só que bater o martelo em plena Covid-19 e crise econômica galopante é tudo que o mercado quer. Os possíveis interessado têm todos os pretextos para forçar uma liquidação do tipo "o gerente ficou maluco e está queimando tudo".

A crise é pretexto para rebaixar preços. Aconteceu o mesmo com áreas do Pré-Sal. Sem interessados em determinadas, os valores foram revistos para baixo. Com a privatização da Cedae ocorreu algo parecido na concessão dos serviços na Zona Oeste do Rio. Seguindo o modelito de facilitação, haverá novo leilão com precinho camarada. 

O prédio de A Noite fica em uma bela e restaurada região do Rio, com VLT na porta e a boa infraestrutura do centro da cidade. 

Vem, foguete! A "ameaça chinesa" que o 007 do Planalto não denunciou (além da "guerra química e biológica")

Longa Marcha V: a seção que
vai cair a dos propulsores. 
por O. V. Pochê

Bolsonaro acusa a China de promover "guerra química" contra o mundo. Uma das armas, segundo as informações que o elemento diz ter, é o vírus da Covid-19. O acusador detalha supostas armas "biológicas" e "radiológicas". Para revelar algo de impacto mundial, ele deve ter informações levantadas talvez pelo general Heleno, responsável pelo setor de Segurança Institucional. Quem sabe nesse momento Biden está no Salão Oval discutindo a ameaça revelada pelo 007 de Brasília e estudando transferir para a Ásia tropas  especializadas em guerra química.  

Apesar de "bem informado", o serviço de espionagem internacional de Bolsonaro não identificou uma ameaça bem mais próxima. Um "ataque" que pode acontecer no próximo domingo, dia 9. 

Algo que pode assustar as mães precisamente no seu dia. 

O foguete chinês CZ-5B, que cumpriu a missão de levar ao espaço com sucesso um dos segmentos da futura estação especial chinesa, pode cair no Brasil. A caminho da reentrada na atmosfera, a sucata espacial pesa 21 toneladas. Para evitar pânico, é bom informar que as maiores possibilidade são de que os destroços caiam no mar ao largo dos Estados Unidos. A chance de cair no Brasil é de apenas 1,86%, segundo o site Space News. Mas desde 1° de janeiro de 2019 o país anda com tanta urucubaca que não está descartado que a pátria-amada será o alvo. 

A carcaça vai despencar na madrugada de domingo.  

quarta-feira, 5 de maio de 2021

Revelações, nervosismo, falsificação de bula, perda de memória, senadores robôs, mentiras, brigas. É um novo seriado em cartaz: "O Mecanismo da CPI do Genocida"

A CPI do Genocida em cartaz no Senado promete ser um bom seriado. Só nos primeiros dois dias trouxe várias surpresas no roteiro. O atrapalhado general Pazuello, ex-ministro da Saúde, escalado para depor, descolou um atestado para "comprovar" que supostamente teve contato com pessoas infectadas pela Convid-19. Agiu como um aluno do fundamental.  Alíás, ele é hoje um mero estudante. É obrigado a participar de aulas no Planalto onde tutores não identificados têm a missão de prepará-lo para depor na CPI. Seria uma espécie de treinamento para mentir? 

Há uma preocupação do governo com o desempenho do militar da ativa que tende a desenvolver performance de um tanto bronco em situações de alta exposição. Dizem que anda nervoso. Sendo um negacionista, o general surpreendeu ao subitamente se declarar necessitado de isolamento, distanciamento, essas coisas que são novidade para quem até passeia em shopping sem usar máscara. Bom, deu certo pra ele, o depoimento do sujeito foi adiado. 

Outro fato inusitado: o senador bolsonarista Ciro Nogueira vacilou ao fazer uma pergunta - que na verdade era uma acusação - ao ex-ministro depoente Mandetta. Nogueira lia a pergunta como se jamais a tivesse visto na vida. E, de fato, segundo flagrante delito, ele recebera a pergunta do bolsonarista  Fábio Faria, cujo posto mais alto, embora seja ministro da Comunicações, é o de genro de Silvio Santos.  Fábio se entregou ao mandar na véspera, via What's App, por engano, para o próprio Mandetta, a tal pergunta. Mandetta avisou ao Ciro que já sabia da questão e de onde ela vinha. Fábio tinha apagado rapidamente a mensagem, que foi lida pelo ex-ministro da saúde a tempo. O incidente desmascarou uma das taticas do governo: fazer dos senadores bolsonaristas robôs guiados à distância para interferis na CPI.

O depoente desta quarta-feira é o ex-ministro Nelson Teich. O problema desse ex-condutor da desastrada política de Bolsonaro na pandemia é a memória. Diante de algumas perguntas dos senadores Teich é acometido de lapsos de memória. "Esqueci", repetia o indigitado.

Antes, coube a Mandetta revelar um fato quase inacreditável. Alguém do Planalto preparou um documento para uma norma ou decreto para reformulação da bula do remédio Cloroquina. O tal medicamento, que a ciência provou que é inútil para tratamento da Covid-19, é, como se sabe, uma aposta de Bolsonaro, entusiasmada e quase fanática, para vencer a pandemia.  Pois o Planalto queria incluir na bula da Cloroquina uma indicação para tratamento dos infectados pela Covid-19. A manobra foi abortada, mas a minuta do decreto existiu, segundo Mandetta.

Médicos, Teich e Mandetta confirmaram que deixaram o ministério por não concordar com o método Bolsonaro de combater a pandemia. Não quiseram compactuar com a linha de montagem de mortos instalada pelo governo federal.

Não percam essa House of Cards a brasileira.

terça-feira, 4 de maio de 2021

Joyce Hasselmann mostra que a direita também pode ter musa apresentável. E aí Damares e Janaína, vão encarar?

Reprodução Instagram

Joyce Hasselmann botou pra jogo as curvas no plenário da internet. A jornalista e deputada, que perdeu 24 quilos com dieta e malhação, posou de maiô para um ensaio que postou no instagram. As fotos viralizam hoje na rede. Joyce criou um perfil no Instagram (@bemestarcomjoice) para mostrar sua nova plataforma fitness. 

Fotomemória da redação: craques no lançamento da Manchete Esportiva...

 

Cláudio Coutinho, Rivelino, Jose Carlos Araújo e Denis Menezes, que folheia o número 1 da  Manchete Esportiva, lançada em fins de outubro de 1977.  A foto que registra o coquetel comemorativo foi feita na sede da Manchete, na Rua do Russell.

por José Esmeraldo Gonçalves
Em 1977, a Bloch Editores lançou a nova Manchete Esportiva. Nova porque a publicação retomava um tradição do jornalismo esportivo brasileiro. Na primeira faze, de 1955 até 1958, a Manchete Esportiva registrou um das épocas mais brilhantes do futebol brasileiro. A foto acima foi publicada no Facebook de um craque do rádio, o locutor José Carlos Araújo, atualmente na Rádio Tupi. Um colega da Manchete, Nilton Muniz enviou ao blog a imagem que reproduzimos. Era outubro de 1977 quando os grandes nomes do futebol compareceram à Rua do Russel para conhecer o número 1 da Manchete Esportiva. 
Ao lado, a capa inaugural. Na reprodução abaixo, o primeiro expediente da Manchete Esportiva, editada por Zevi Ghivelder e Ney Bianchi, com Renato Sérgio como editor de texto, Tarlis Batista era o editor de Rreportagem e Frederico Mendes, de Fotografia. J.A.Barros e Luiz Roberto de Oliveira cuidavam da Arte da revista.  



segunda-feira, 3 de maio de 2021

Um general de Napoleão vai à guerra no Crato...

Se não fosse o passaporte de "párias", um bom programa para brasileiros em Paris seria visitar uma série de exposições sobre Napoleão Bonaparte. Para os interessados no assunto, claro. O corso é multimídia na França. Neste dia 5 de maio completam-se 200 anos da sua morte no exílio, em 1821, na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, para onde foi levado pelos ingleses logo após a derrota dos franceses em Waterloo, seis anos antes.  

Napoleão foi vítima de câncer no estômago, segundo relato médico ou envenenado (hipótese que surgiu no século passado após cientistas detectarem arsênico em fios de cabelos do ex-imperador).  Paris promove exposições, programas especiais na TV, espetáculos de música ao vivo, conferências on line, passeios temáticos, lançamentos de livros etc. Destacam-se exposições como “Napoléon”, no Grande Halle de La Villette, “Dessiner pour Napoléon”, nos Archives Nationales, “Napoléon n’est plus” no Musée de L’Armée, “Joséphine & Napoléon, une histoire (extra)ordinaire” na Maison Chaumet.  

É mais comum relacionar a influência de Napoleão no Brasil apenas à chegada de Dom João VI, que fugiu de Portugal por temer os avanços dos exércitos franceses. Isso até os bancos escolares sabem. 

O que é menos conhecido - e provavelmente não estará em eventuais matérias na mídia sobre o bicentenário da morte de Napoleão - é o que a história registra: o Ceará também teve disso. Mais precisamente o Cariri e a então Vila Real do Crato sofreram um certo efeito corso no sertão. 

General Labatut

O general francês Pedro Labatut, que participou das campanhas napoleônicas entre 1807 e 1814, foi ganhar a vida após a morte do ex-imperador como uma espécie de autônomo. Um mercenário que hoje seria apelidado de "empreendedor bélico". Nessa condição lutou na Guerra da Independência dos Estados Unidos e combateu ao lado de Simón Bolívar. E foi como free lancer que D. Pedro I o contratou para ir à luta, na Bahia, contra as tropas portuguesas que não aceitavam a Independência do Brasil. 

Labatut cumpriu a missão e foi ficando por aqui. 

Àquela altura, o Crato tornara-se uma região visada pelo Império do Brasil por ter aderido, em 1817, à Revolução Pernambucana, movimento separatista e republicano. Em 1824, se aliaria à Confederação do Equador, de igual objetivo revolucionário. Mas foi depois disso, em julho de 1832, com o Brasil já sob a Regência, que Labatut e sua tropa foram enviados ao Cariri para acabar com uma revolta chefiada por Joaquim Pinto Madeira, um caudilho monarquista da região, que invadiu o Crato e queria levantar todo o Ceará por não aceitar a abdicação de D. Pedro I. 

Quando Labatut chegou ao "teatro de guerra" no sul do estado, os revoltosos já estavam cercados pelas forças da Província. Coube ao francês agir para forçar a rendição do inimigo. Pinto Madeira se entregou e foi julgado e condenado à morte por enforcamento por um júri do Crato. Recorreu à capital da Província, Fortaleza, e tão somente o tipo de pena mudou. Acabou diante de um pelotão de fuzilamento no Crato. 

Embora fosse um adversário da cidade, até hoje uma cruz marca o local da morte do revoltoso para lembrar o desfecho de um episódio histórico que teve a participação coadjuvante de um general de Napoleão. 

sábado, 1 de maio de 2021

Na capa da Veja: é dando que não se recebe...

 

Os caras da Veja acham que a filantropia vai acabar com a desigualdade. É um discurso típico do neoliberalismo selvagem. Imposto sobre grandes fortunas, taxar bancos e dividendos, um país criador de empregos em vez de estimulador do rentismo enlouquecido nem pensar, não é jornalistas? Preferem distribuição de quentinhas em vez de renda. 

Hitchcock avisou... "Os Pássaros" voam da tela para a vida real

O ataque de pássaros na Austrália. Do Twitter.


E a invasão semelhante na Califórnia. Do Twitter

por Ed Sá 

Um dos ataques foi na Austrália. Pássaros invadiram a cidade de Jindalee Crescent. Fios, telhados e monumentos exibiam o "exército" voador pouco antes de, como se obedecessem a um comando, invadissem dezenas de casas expulsando moradores.  

O outro ataque, no dia seguinte, em Montecito, Califórnia. Uma casa foi invadida por centenas de pássaros. Ao voltar de um jantar a família encontrou sala de quartos ocupados. Os pássaros não aceitaram ordem de despejo. Mãe e filhos passaram a noite em um hotel enquanto o pobre pai cumpriu a tarefa de abrir as janelas e expulsar os pássaros um por um até o dia amanhecer. A invasão se deu em Montecito, perto de Los Angeles. Descendo o litoral, já perto de São Francisco, fica Bodega Bay. Liga o nome à pessoa? Pois é, foi lá que Alfred Hitchcock filmou Os Pássaros. Na trama, aves aterrorizam a pequena cidade.

A história que inspirou o velho Hitch se passa na Inglaterra, é um conto de Daphne du Maurier, a autora de Rebecca. Para quem lembra do filme de 1963, que constantemente é reprisado na NET,  a certa altura uma ornitóloga entra num café e diz: “Por que vocês estão surpresos? O ser humano não vai durar muito na Terra, mas os pássaros o sobreviverão, em quantidades cada vez maiores...” Hitchcock era obcecado por pássaros: o psicopata de Psicose, Norman Bates, era empalhador de aves... 

Fête de la pandémie - Le roi insensé et ses amies futiles

 

Palácio Tangará, São Paulo (Foto Alan Santos/PR)

A corte de Luiz XIV (Charles Le Brun)

por José Esmeraldo Gonçalves 

No dia em que o Brasil registrou 400 mil mortos pela Covid-19, o regime se reuniu em São Paulo. Madames sem máscara cercaram o soberano no Palácio Tangará, em São Paulo. 

O Tangará é um hotel da Oetker Collection, dona, entre outros, do Hôtel du Cap-Eden-Roc, em Antibes, na Riviera Francesa, além do Le Bristol, em Paris.

O encontro em São Paulo lembrou a corte de Luiz XIV, em Versalhes, docemente alheia ao que se passava em torno. 

No Tangará como em Versalhes havia algo de podre no ar. 

O luxo de Versalhes e os figurinos das peruas da época contrastavam com a realidade por baixo dos panos. Banhos faziam mal à saúde, segundo os médicos palacianos. A sujeira que os corpos reais acumulavam era recomendada pelos negacionistas da higiene como uma crosta que barrava infecções. Todos seguiam o exemplo do rei que em cerca de 70 anos tomou não muito mais do que dez banhos. 

Honestamente, ele sabia que exalava um fedor razoável. Mas quem ligava para isso? Era o rei. E não era o único a cheirar mal. Haja perfume e trocas de roupa várias vezes ao dia para aliviar a fedentina. Mesmo assim, sabendo que a barra era pesada, o próprio rei recomendava aos serviçais que abrissem as janelas dos salões reais. Quem sabe a brisa que vinha dos jardins de André Le Nôtre fizesse circular o futum.

A mídia não informa se janelas foram abertas em São Paulo.

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Âncora da TV encontrada nua em carro

 

Reprodução
Instagram
Feven Kay, apresentadora da Fox 5, Las Vegas, foi detida pela polícia por direção imprudente. Par surpresa dos agentes, a jornalista estava nua e alcoolizada. Kay dava sinais de desorientação e disse não saber porque estava sem roupas nem tinha a menor ideia de como foi parar na rua onde a polícia a encontrou. 

Ela foi multada em mil dólares e liberada. Uma hipótese é que tenha sido dopada durante uma festa, mas ela não quis fazer exame de sangue. 

O incidente aconteceu há algumas semanas, mas vazou ontem. Ao voltar ao programa que apresenta, ela  disse aos telespectadores que "aprendeu com a experiência". 

A notícia está no NY Post