Nas últimas semanas, era tenso e triste o clima nas redações do SporTv. Havia sinais de que o tempo ia fechar. Desde o ano passado, falava-se em enxugamento da estrutura e gestão integrada dos eventos esportivos veiculados pela Globo, SporTV e Globoesporte.com e Globosat.
Pois essa águia pousou. A tendência de agrupar todas as mídias de veículos de um mesmo grupo tritura centenas de empregos. Só nessa semana, calcula-se em 40 o número de jornalistas demitidos.
Se financeiramente caem os custos das operações, o que se vê onde foi implantada a sinergia levada ao ponto crítico é uma perda de conteúdo. As plataformas excessivamente integradas tendem a replicar os mesmos assuntos, geralmente em prejuízo do meio impresso cujos processos são naturalmente mais lentos. Confira: a maior parte do conteúdo do jornal do dia seguinte pode ser lida na internet cerca de 12 horas antes.
Uma alternativa para valorizar o impresso seria um jornalismo crítico, de análise. Frequentemente, isso é prometido, mas não é o que acontece na prática. As "análises" ficam a cargo de colunistas e articulistas convidados, com quase todos pensando da mesma maneira, e acabam se tornando meras opiniões sem base confiável em fatos ou distorcendo estes.
As emissoras de rádio do mesmo grupo, a partir de mudanças recentes e ainda em curso, demitem profissionais de longa atuação para absorver nomes da TV e dos canais por assinatura. Para o leitor, telespectador ou ouvinte, fica a impressão de um jogral jornalístico de repetição. Parodiando a famosa frase de Churchill, nunca tantos ouvirão as mesmas notícias na voz de tão poucos.
Em 2013, quando milhares de postos de trabalho foram extintos em jornais e revistas, o jornalista Bruno Torturra criou a figura do "ficaralho". Define, como o nome diz, os que ficam após os voos dos "passaralhos". Preservam os empregos, mas acumulam dupla ou tripla função e suprem cargos e funções vaporizados e que jamais voltarão.
Que jeito?

Jornalismo, mídia social, TV, atualidades, opinião, humor, variedades, publicidade, fotografia, cultura e memórias da imprensa. ANO XVII. E, desde junho de 2009, um espaço coletivo para opiniões diversas e expansão on line do livro "Aconteceu na Manchete, as histórias que ninguém contou", com casos e fotos dos bastidores das redações. Opiniões veiculadas e assinadas são de responsabilidade dos seus autores. Este blog não veicula material jornalístico gerado por inteligência artificial.
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Muitas profissões estão mudando rapidamente. No mundo todo empregos serão extintos. Por isso alguns países já estudam um remuneração para milhões de pessoas que não terão trabalho. Será o custo que o capitalismo pagará ou será o caos global.
ResponderExcluirCada um tem que redescobrir seu caminho no mercado. Patrões não querem saber
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