por Omelete
O Senado devia se registrar no Ministério do Trabalho como produtor artístico. A Sabatina é um espetáculo, devia prolongar a temporada e fazer uma turnê pelo país.
O Brasil ia se conhecer um pouco mais.
Originalmente, a palavra sabatina indicava a recapitulação das matérias da semana que os estudantes faziam antigamente, aos sábados.
Agora, Sabatina é show.
O indicado a ministro do STF passou doze horas respondendo a perguntas das suas excelências da Comissão de Constituição e Justiça. No dia seguinte, sua indicação foi ao plenário. "Surprise"! - diria o correspondente da Gazeta de Honolulu. Alexandre de Moraes, o indicado por Temer, tornou-se o novo integrante do STF.
Há várias semanas, o Brasil inteiro sabia disso. Mas os atores republicanos foram pro picadeiro, cumpriram sua missão e fizeram cara de surpresa. Mesmo que indicados e senadores tenham se perguntado o que diabos faziam alí em plena véspera de Carnaval com os blocos já nas ruas.
O Brasil não tem casas de apostas como as de Londres, que abrem jogo até sobre atos e fatos e não apenas sobre disputas esportivas. Mas, se tivesse, em quanto estaria cotada a rejeição do nome do escolhido? Seria a maior zebra da História da civilização, a mais espetacular.
Vamos chutar: o louco que apostasse um real na reprovação do indicado de Temer - e o Senado realmente desse nota zero para Alexandre de Moraes -, levaria quanto? A casa de apostas pagaria 1 bilhão e meio de reais? Um trilhão?
Não ia ficar longe disso.
Apenas uma vez na sua história, o Senado rejeitou ministros indicados. E faz tempo pra caramba, foi em 1894. E todas as seis bolas pretas daquela época foram para os indicados do Marechal Floriano Peixoto.
Durante a recente ditadura militar, o governo fez o que quis com o Senado e com o STF. No caso da Alta Corte, aumentou o número de ministros, aposentou outros e indicou um lote de sumidades que o Senado aplaudia e o STF enfiava a toga feliz, embora o espetáculo em cartaz fosse um drama.
A Sabatina não, a Sabatina é um sensacional reality show de terrir. Que, como você sabe, é o gênero de filmes que conjuga humor com terror.
A foto é sugestiva mesmo
ResponderExcluirO pior dessa "Sabatina " era a queda figura horrenda na presidência dos trabalhados. Só a figura do presidente, sentado naquela mesa, era além de ridícula era de um mau gosto incrível. Com voz rouca, quase inaudível, não se entendia o que queria dizer.Foi patética presença deste senador, indiciado pela 'Lava- Jato " desmerecendo – diria até invalidando essa "famosa sabatina " de caras marcadas. Ora, no velho estilo brasileiro político de não contrariar o poder executivo, o senado seguiu as regras como manda o figurino. O interessante que muitas das vezes o candidato enrolava e não respondia à pergunta feita e o interessante é que o interlocutor se dava por satisfeito e até elogiava o candidato. Coisa da política brasileira, que não se pode levar a sério, aliás esse país, de há muito deixou de ser um país sério.
ResponderExcluirVergonha nacional tudo isso.
ResponderExcluirSituação dá porra, do caralho, desse pais picareta.
ResponderExcluirO que fazia aquela patética figura na presidência da sabatina do senado ao candidato a ser ministro do STF?
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