domingo, 21 de junho de 2015

Life Magazine; quando a pauta era o verão...








Um do canais da página Time/Life proporciona aos internautas uma viagem no tempo. Estão lá os arquivos fotográficos da Life Magazine. O detalhe é que o acervo é tratado como memória viva e gera as mais diversas pautas. Com a chegada do verão no hemisfério norte, a Life agrupa capas de 35 verões. Era uma tradição da revista destacar a entrada, os modos, as modas e manias prometidos pela estação. 
Aqui no Brasil, a Manchete encampou desde seu primeiro verão (em 1953, já que a revista foi fundada em abril de 1952) a cobertura de tendências e praias. A grande diferença é que o acervo histórico da Life está ao alcance do público. O da Manchete, como se sabe, está infelizmente sumido, com rumo e condições de conservação desconhecidos. A avaliação que se faz diante de tal descaso com a memória jornalística é que está demonstrado que o seu atual proprietário não dá sinais de cultura suficiente ou sensibilidade histórica ou, ainda, grandeza, para fazer algo semelhante, no Brasil, e disponibilizar o acervo em uma página na internet ou montar uma parceria com uma instituição que torne possível o acesso público a tal patrimônio. É o que faz a Life, que regularmente formula pautas e álbuns em torno de fatos, eventos, tendências de época e comportamento e leva os leitores a visitarem seu fantástico arquivo.     
VEJA ALGUMAS CAPAS DE VERÕES DA LIFE, CLIQUE AQUI

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Memórias das Redações: "Pé frio", com todo respeito

Nos tempos da Enciclopédia Bloch com Moacir Japiassu
e José-Itamar de Freitas...

...na redação da Pais&Filhos com a diretora Angela Teresa e...

...na ElaEla, com a Cicciolina, que veio ao Brasil para posar
para a revista. Fotos: Arquivo Pessoal


Com a equipe da EleEla. Estão na foto, entre outros, Rochinha, Nelio, Weber, Macedo, Fábio e Luiz Paulo e... 
...com os colegas de várias redações em frente ao prédio da Manchete, na Rua do Russell. Fotos Arquivo Pessoal
por Nelio Horta (de Saquarema)
Todas as pessoas que trabalham ou trabalharam em jornais ou revistas, sabem o significado da palavra “FECHAMENTO”. Não sei como é hoje, mas antigamente, nas edições diárias ou semanais, é aquela  hora em que as teorias do bom senso são todas desrespeitadas, hora em que a pressão é total, hora em que bate o desespero com os prazos, cada vez mais apertados, hora do “deixa que eu chuto”, enfim um Deus nos acuda, com editores, repórteres e fotógrafos, tentando a melhor maneira de chegar ao tão famigerado “FECHAMENTO” dos cronogramas estabelecidos.
Com a crise econômica rondando as redações de todos os jornais, o que se vê, atualmente, são os “PASSARALHOS”, como se dizia no meu tempo, demitindo centenas de profissionais da imprensa que procuram alternativas de salário  para suas funções, embora se saiba que o salário de jornalista, hoje, é baixo, o que vem desestimulando os jovens na procura da tão chamada  profissão romântica.
“FECHAMENTOS”
Nos anos 50, muito novo, ainda estudante, consegui  um “bico” na revisão do “Diário da Noite”, jornal verde, do Assis Chateaubriand, que tinha o “Dr. Eiras”, como chefe da Redação, o Paulo Vial Corrêa e o Brum nas chefias e o Marcelo Pimentel, que era Editor de Política, chegou a ser Ministro e, ainda hoje, está no Correio Brasiliense  apesar da idade. Neste jornal  conheci o Sérgio Cabral, pai, o Evandro Teixeira, o Fernando Bruce e o Sandro Moreyra, nos esportes,  e o José Carlos Avellar, que era retocador de fotografias. Também conheci o Carlos Rizzini, o Nelson Rodrigues, o Austregésilo de Athaíde e o famigerado Volmar, no DP. Na redação do “ O Jornal”, alguns andares acima, no prédio da Rua Sacadura Cabral, 103, funcionava  “O Jornal  Feminino”, suplemento semanal dirigido por Elza Marzullo, uma precursora  na interação com o público. no qual também trabalhei, agora como desenhista. Os dois jornais FECHARAM.
Mas o objetivo principal desta matéria, não é o de falar dos jornais por onde andei, mas o de comentar as publicações, que, feliz ou infelizmente, ou por vários motivos, FECHARAM suas existências e me colocaram reconhecidamente como autêntico “ pé frio”.
Depois do “Diário da Noite, que FECHOU duas vezes, uma como jornal tradicional e outra como tabloide, sob o comando do Alberto Dines, do FECHAMENTO do “O Jornal”, fui trabalhar  na TV Tupi, na cenografia, com o Aldir, que mais tarde também foi da TV Manchete, que FECHOU. Na Tupi, meu chefe era o Carlos Thiré, casado com a Tônia Carrero e pai do Cecil  Thiré. Tudo era improvisado. Sem a tecnologia de hoje,mais parecia  uma carpintaria, com escadas,  madeiras e muitas “marteladas”. Eu trabalhava num anexo, em frente, e atravessava a rua arrastando câmeras recondicionadas, tendo o cuidado de fazer sinal para os ônibus que passavam, para  não ser atropelado. FECHOU.
Depois fui convidado pelo Ezio Speranza, um italiano boa praça que eu conhecera  nos tempos do “Diário da Noite”, para trabalhar na Fatos&Fotos, da Bloch, na Frei Caneca. Era uma equipe fantástica: Dines, José-Itamar de Freitas, Ney Bianchi, Macedo Miranda, pai, P. A. Grizzoli, A. Cordeiro de Oliveira, Raul Giudicelli, José Augusto Ribeiro e muitos outros. Na Bloch, além da Fatos&Fotos, trabalhei na Enciclopédia Bloch, na Pais&Filhos, na Sétimo Céu e na EleEla. Todas FECHARAM.
Nesta época era comum nós trabalharmos em vários jornais, de dia e à noite. Passei pelo “Diário de Notícias”, na Rua Riachuelo, onde trabalhei com o Luiz Luna, o Vanderlino Nunes, o Ascendino Leite, o Luiz Alberto e o Teixeira Heizer, nos esportes, o Adail, chargista, Maria de Lourdes Pinhel, Tobias Pinheiro, Nilo Dante, o fotógrafo Campanella Neto e o Dr. Prudente de Morais, neto, entre tantos outros. FECHOU.
No “Mundo Ilustrado” com o Hugo Dupin, pai do Fábio Dupin, no Departamento de Arte. FECHOU.
Com o Renée Deslandes fui trabalhar  na “Folha da Guanabara”, cuja redação era perto da praça Mauá. FECHOU.
Na época da Ditadura eu estava na “Tribuna da Imprensa”, do Hélio Fernandes. Trabalhei com o Guimarães Padilha, o Neil Hamilton e o Dom Rossé Cavaca, que tinha um fusca todo revestido em “madeira”. Um incêndio nas rotativas, provocado, segundo disseram  por militares, transformou toda a equipe em “soldados do fogo”. FECHOU.
Em 1º de maio de 1965, fui, chamado pelo Dines  para o “Jornal do Brasil”, o grande jornal que revolucionou a imprensa em todos os tempos. Eu me orgulho de ter sido de um jornal da qualidade e envergadura do JB, assim como de Bloch Editores. Comecei na redação como repórter, só mais tarde passei para o Dep. de Arte. Neste mesmo ano, o JB, que exportava profissionais, me  mandou para a “Gazeta do Povo”, de Curitiba, para fazer uma reforma no jornal. Durante o tempo que permaneci  lá,  a “Gazeta” saiu com a “cara do JB”. A edição impressa do JB  FECHOU, permanecendo a digital.
Trabalhei ainda na revista “Chuvisco” que  para variar FECHOU.
 Na “GIB modas” com o Gil Brandão que  também FECHOU.
Tenho cinco carteiras profissionais com as anotações/registros dos lugares onde trabalhei. Pagamentos ao INSS fiz durante todos estes anos (1952/2011). Pena que o salário de aposentado seja  apenas um, mesmo  fazendo duas contribuições simultâneas. Aposentei-me com dez salários mínimos, hoje recebo pouco mais de dois.
Contudo, tenho muitas  saudades de tudo e de todos.  Foram épocas  adoráveis, infelizmente pouco tempo para a família e uma vida feita  quase que exclusivamente  para o trabalho.
Como dizia o Luiz Reis, “AGORA É RECORDAR”, antes que eu também FECHE. A “FILA” ESTÁ ANDANDO...

No momento em que a violência fundamentalista religiosa cresce no Brasil, Gisele Bundchen participa de campanha ecumênica...

Em meio à escalada de intolerância religiosa que de depredação de santos em igrejas e destruição de terreiros de candomblé evoluiu para apedrejamento de praticante de culto afro e a assassinato de homossexual, a modelo Gisele Bundchen acaba de gravar um apelo à convivência de religiões e o respeito a crenças ou ausência de crenças. No Brasil já está em curso um 'terrorismo' fundamentalista religioso sem bombas que, espera-se, não chegue a tal estágio devastador. Nesse 'terrorismo' light há até comunidades sitiadas por traficantes armados ligados a igrejas que proíbem a prática de espiritismo, por exemplo. Como nos crimes de racismo, a impressão que passa é que as autoridades se omitem nesses casos. Embora sejam crimes previstos no Código Penal e, ambos, cada vez mais comuns, no Brasil, não há ninguém preso por desprezar a lei nesses casos.
Gisele Bundchen postou hoje no Instagram a foto acima feita. Trata-se de uma campanha ecumênica do diretor de Arte Giovanni Bianco, radicado em São Paulo, denominada "Say a little prayer", que reúne livros, filosofia e preces de várias religiões. Na legenda da foto, Gisele escreveu: "O amor é minha religião".

Monica Iozzi: queda ao vivo no "Mais Você"

por Clara S. Britto
Monica Iozzi, apresentadora do Video Show, bombou na rede hoje de manhã. Convidada para participar do programa "Mais Você", de Ana Maria Braga, ela foi vítima de uma pegadinha, uma espécie de bullying televisivo. Ao sentar à mesa para tomar um café da manhã no programa, indicaram para a moça uma cadeira de isopor. Monica caiu pagou calcinha em rede nacional. Otaviano Costa, que divide com ela o Video Show, escapou do vexame porque ainda não tinha sentado na falsa cadeira. Imediatamente, a brincadeira passou a receber criticas na internet. A própria Monica, segundo publicado em alguns sites, não teria gostado do bullying e teria reclamado em instâncias mais altas. Vale dizer que as pernas da apresentadora foram elogiadas pelos internautas. O vídeo circula na rede (reprodução de uma imagem estática acima) mas a Globo agiu rápido e retirou a cena de muitas páginas.




A estranha teoria dos jogos que não valem nada...

por Flávio Sépia
Não acompanho tanto assim futebol e tenho mais perguntas do que respostas em relação a alguns temas. Por exemplo: as seleções europeias chegam à Copa do Mundo com treinamento e em condições de competir bem superiores ao Brasil. No momentos, elas disputam as Eliminatórias da Eurocopa, que são duríssimas e acontecerão na França, e 2016. As Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia, em 2018, também são uma pedreira. Já a seleção brasileira, que tem que obedecer às chamadas datas Fifa para poder convocar jogadores que atuam no exterior, gasta a maior parte do tempo em amistosos, muitos irrelevantes e marcados por questão de marketing dos patrocinadores. Por isso, estranho quando um colunista escreve que a Copa América não vale nada e a Copa das Confederações, muito menos. São simplesmente as raras situações em que o Brasil pode testar suas reais forças, já que as Eliminatórias para a Copa do Mundo não podem ser consideradas testes. São vai ou racha. Não há como negar que a atual, no Chile, é a Copa América mais equilibrada dos últimos anos. Está longe de "valer nada": vale muito como uma etapa da preparação e está mostrando os defeitos do Brasil, o que é melhor do que mostrar qualidades a achar que está tudo bem. Às vezes penso que alguns cronistas precisam de mais "motivação", para usar um jargão dos treinadores. Alguns, por exemplo, querem acabar com o Campeonato Carioca. Ok, precisa ser reformulado, mas acabar? Pra botar o que no lugar? Fechar os estádios? O que sugerem? Há quem ache dispensáveis a Copa do Brasil e a Sul-Americana. Vai sobrar o que? Vamos concordar que acabar com as competições que "não valem nada" é uma avaliação superficial e até meio preguiçosa. Lembra até uma característica daqueles jogadores que não são muito esforçados e a própria imprensa esportivas chama de "turma do chinelinho".

A aposta no conflito: ativistas pintam frase "Morra Jô Soares" em frente à casa do apresentador e Esquadrão Classe A de senadores tenta salvar a Venezuela

Ameaça da Jô Soares. Reprodução Facebook
por Flávio Sépia
Uma escalada visível rumo à incerteza. As agressões que circulavam na internet chegam cada vez mais à vida real. Pessoas agredidas na rua apenas por usar camisa vermelha, autoridades agredidas verbalmente em restaurantes, passageiro agredido em avião por estar lendo uma "revista de esquerda", um militante de oposição que vai a uma convenção de um partido apenas para provocar. Provavelmente, ele esperava ser agredido, o que o levaria às primeiras páginas dos jornais e talvez a um episódio de maiores consequências. Um tipo de tática adequada a quem procura criar uma vítima, do tipo "atentado da Toneleros", um estopim de crise dramática.
Mesmo essa viagem de uma comitiva de senadores à Venezuela, de um ridículo quixotismo, pode ser vista como uma provocação ao tentar interferir em questões internas de outro país. Curiosamente, os mesmos senadores não pensaram em viajar para Guantánamo, campo de concentração condenado pela ONU ou para Honduras, onde golpistas derrubaram um governo legítimo e encarceraram políticos e funcionários públicos. Imagine como reagiriam o Brasil e, até mesmo os tais senadores protagonistas da força-tarefa, se uma comitiva da China, da União Europeia ou da Suécia, viesse ao nosso terreiro para, por exemplo, visitar os ativistas presos em consequência das manifestações de rua ou quisessem prestar solidariedade aos detidos ou feridos pela PM de Geraldo Alkmin nas ruas de São Paulo; ou, ainda, apurar os frequentes assassinatos atribuídos a políticos, grileiros e fazendeiros de jornalistas, ambientalistas e sindicalistas que atuam no interior do país. Ninguém teria saco para ouvir tantos seriam os discursos inflamados no Senado.
Já pipocam versões sobre o tal incidente dos senadores. Talvez a situação fique mais clara nos próximos dias. Brasileiros que testemunharam parte da cena, dizem que havia um engarrafamento (viram uma carreta tombada), o trânsito logo andou, e todos os outros passageiros chegaram ao centro da cidade. Oposicionistas venezuelanos dizem que o governo alegou transferências de um preso e limpeza de túneis. Há quem diga que o Esquadrão Classe A dos senadores teria se precipitado ao dar no pé de volta ao Brasil. Devem aparecer fotos mais claras das tais agressões. Por enquanto, cenas mostram manifestantes ao lado da van.  Acredito que alguém dentro daquela van deve ter mantido algum autocontrole para registrar o apedrejamento denunciado. Vamos aguardar. O fato é que a Venezuela vive uma forte crise, há militantes radicais de um lado e do outro. Um grupo teria lançado pedras e laranjas (são condenáveis as pedras e, na atual escassez da Venezuela, as laranjas são um desperdício) na van dos senadores - cuja viagem foi fartamente noticiada - para protestar contra o que achavam ser um intromissão. Na tensão que o país vive - não se deve esquecer que a oposição, ao lado de militares, já sequestrou e prendeu o então presidente Hugo Chávez, afinal resgatado e levado de volta ao palácio presidencial por forças militares que não concordaram com o golpe - há registro de tumultos e descontrole. No clima atual, seria muita inocência dos senadores se esperassem ser, nas ruas, recebidos com flores e tapinhas nas costas. Pode-se dizer que os senadores foram à Venezuela mas o verdadeiro alvo da missão continua em Brasília. Juntas e misturadas, tais ações buscam o mesmo objetivo através de um amplo leque de estratégias onde se incluem desde pedidos de recontagem de votos, passando por revisão dos gastos eleitorais, por erros na política fiscal, Petrobras, CPIs, mudanças de leis para impedir que a presidente nomeie ministros do STF, o passo atrás da reforma política e desengavetamento dos projetos mais inadequados e corporativistas. A intenção é acossar Dilma.
Mas não se trata só de violência política. Se os políticos sinalizam medidas radicais, parte da rua responde a cada causa com uma consequência. Se as tais bancadas decidem que homofobia não é crime, isso respalda assassinatos como o de um menino morto recentemente por ser tido como gay; se deputados fazem manifestações religiosas na própria Câmara e desprezam a Constituição laica, adeptos de fundamentalismos se sentem seguros em lançar pedras em menina que pratica religião afro.
No plano institucional, a busca por um ruptura institucional também chega às ruas em forma de violência, como no caso da pichação ameaçadora dirigida a Jô Soares, após a entrevista que o apresentador fez com Dilma Rousseff.
Digamos que o Brasil pode virar um octógono de MMA, sem possibilidade de empate.

ATUALIZAÇÃO EM 25/6/2015 - Jô Soares falou, no seu programa da última quarta-feira (24/6), falou sobre as ameaças que recebe nas redes sociais e a pichação na calçada de sua casa com a frase "Morra Jô Soares". "Ainda bem que não tem data”, ironizou.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Seleção Brasileira: por enquanto é só a Copa América. Duro vai ser encarar as Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia. Começam em outubro...

A seleção em campo, Neymar cabisbaixo. Foto de Rafael Ribeiro/CBF

Ao prender demais a bola, Neymar ficava exposto aos "caçadores" colombianos, o que aumentava seu aparente nervosismo. Foto de Rafael Ribeiro/CBF

Neymar, ontem, durante o jogo Colômbia 1 x 0 Brasil, parecia tenso, nervoso. Tanto os comentaristas da Globo quanto os do SporTV chamaram atenção para uma certa instabilidade do camisa 10. Hoje, os jornais noticiam o que o craque, evidentemente, já deveria saber: o seu indiciamento, como réu, no processo que investigou a transação do seu passe para o Barcelona. Ele dificilmente teve alguma participação na "engenharia financeira" montada entre Santos e Barcelona, mas se irregularidades forem comprovadas corre o risco de acabar responsabilizado, como pessoa física, em questões de imposto de renda.
Nada favorecia Neymar na partida de ontem. O juiz era fraco, para dizer o mínimo, e atendeu a todas as pressões feitas pelos jogadores colombianos; Neymar errava passes, prendia demais a bola e, em pelo menos duas ou três ocasiões, se colocou colado atrás de um zagueiro para receber lançamentos na grande área e, em consequência, ou o marcador colombiano interceptava facilmente o passe ou o brasileiro não alcançava a bola. O segundo cartão amarelo e a expulsão - que pode afastá-lo da Copa América por mais de um jogo - não foram exatamente surpresas. Resultado: a seleção vai decidir a classificação contra a Venezuela, sem Neymar. Não deveria ser o fim do mundo. No mesmo Chile, em 1962, o Brasil perdeu Pelé. Mas apareceu Amarildo, o "Possesso", que deu conta do recado. O problema é o seguinte: quem será o "Amarildo" da atual seleção? Possessos, não há. Mas Philippe Coutinho, que deve jogar desde o início, dá habilidade e inteligência à construção das jogadas; o próprio Firmino, que ontem perdeu um gol feito mas costuma ser bom finalizador, talvez seja mais explorado.
A Copa América 2015 está mais equilibrada. Ontem, Galvão lembrou, na Globo, que a Argentina, que não ganha nada desde 1993, quando foi campeã da Copa América, quer interromper esse vexame de 22 anos.
Já está claro que a seleção não é favorita. E isso é bom e vai mostrar o quanto o time de Dunga precisa evoluir.
Copa do Mundo, Rússia: Eliminatórias serão mais
difíceis para a seleção brasileira. 
Até porque o Brasil, já se sabe, enfrentará o que possivelmente serão as mais duras Eliminatórias da história, quando estarão em jogo a classificação para a Copa do Mundo na Rússia e um "título" do qual o país é o único detentor: o de ter participado de todas as Copas do Mundo da Fifa. E, mais um detalhe: as Eliminatórias já começam em outubro deste ano e, pela primeira vez, a tabela será determinada por um sorteio feito pela Fifa (no dia 25 de julho, em São Petersburgo). Antes, a Conmebol montava a tabela e dava a seleções como Argentina e Brasil posições, digamos, mais confortáveis, como jogar certas primeiras partidas fora de casa, sendo os confrontos eventualmente decisivos para a classificação jogados em casa. Coisas assim... Moleza que o caminho para Moscou não terá.

Christiane Pelajo sofreu acidente no começo do mês e o fato só foi revelado hoje pelo jornalista Daniel Castro na sua página (Notícias da TV) no UOL , que furou mídia impressa, Globo e adjacências...


(Por DANIEL CASTRO, em 18/06/2015 · Atualizado às 04h52)
Apresentadora do Jornal da Globo há dez anos, a jornalista Christiane Pelajo foi vítima de um acidente há duas semanas. Ela caiu de um cavalo e sofreu danos na face. Segundo jornalistas da emissora, Pelajo foi submetida a cirurgia de reconstrução parcial do rosto, com implante de placas de titânio. Ela ficará afastada do vídeo por tempo indeterminado.
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terça-feira, 16 de junho de 2015

Tese de mestrado: o 'new journalism' das TVs venezuelana e alemã avança na liberdade de expressão e na transparência da informação. #partiurevolucaonamidia

tv 
VEJA A COBERTURA TRANSPARENTE DA COPA AMÉRICA NA TV VENEZUELANA. CLIQUE AQUI
por Omelete
Vamos admitir: a mídia brasileira parou no tempo, é comandada por coxinhas sem noção, âncoras submissos. Falam mal da Venezuela. Pois Caracas está anos-luz à frente em matéria de cobertura da Copa América. Por aqui, temos que aturar Galvão Bueno, Ronaldo Fenômeno falando os mesmos chavões de sempre. Lá, o noticiário não só é mais criativo como é al desnudo para não deixar dúvidas da transparência. Mas o estilo, digamos, transparente, de um jornalismo mais límpido e honesto, está ganhando espaço. Além do exemplo venezuelano (acima), você pode conferir a descontração de uma repórter de externa da TV alemã (abaixo). No caso da apresentadora alemã, ela dá o recado e ainda se submete a um banho gelado por uma causa beneficente. O fato é que, sem nada a esconder, as jornalistas em questão transmitem muito mais credibilidade.  Não tenho dúvidas: no Brasil, estamos fazendo a TV da vovó com a profundidade da sessão da tarde. Ouso teorizar: se a regulação da mídia significa sacudir a poeira e o mofo, então que se quebre urgentemente o monopólio da mesmice. Não podemos é continuar com essa vida de gado sem a liberdade de expressão das TVs alemã e venezuelana. Então é isso, rasguem a fantasia, democratizem a informação. A Constituição garante. #partiurevolucaonamidia

VEJA A VERDADEIRA LIBERDADE DE EXPRESSÃO, SEM MANIPULAÇÃO DA NOTÍCIA, NA TV ALEMÃ, CLIQUE AQUI

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Deu no site Rua Judaica: sexo kosher tem loja virtual criada por rabino em Israel

(do site Rua Judaica)
Sua inspiração pode ser exótica - a Torre Eiffel, a Estátua da Liberdade, Coliseu de Roma - mas os vibradores sexuais de Rabi Natan Alexander tem um objetivo claramente doméstico: dando a casais judeus ortodoxos a gratificação sem a culpa. Alexander, de 34 anos, nasceu em Sydney e agora vive em um assentamento judaico na Cisjordânia. Depois de estudar a religião e se tornar um rabino em Israel, ele se transformou em um conselheiro de sexo on-line em uma missão para apimentar a vida amorosa dos fiéis. "Dar prazer a uma mulher é uma obrigação religiosa", disse à AFP. "Os casais religiosos devem ser ajudados a viver melhor a sua sexualidade." Ele fundou o site da Better2gether onde os casais observantes podem ler e comprar todas as ferramentas de ajuda para o sexo, seguros na certeza de que os produtos são kosher. "A lei judaica permite o uso desses objetos que podem melhor ajudar a cumprir o mandamento de dar prazer a uma esposa", disse Alexander. "Better2gether está aqui para ajudar os casais a melhorar e fortalecer as relações emocionalmente e fisicamente", proclama o site.
 "Nossa abordagem fornece modéstia, sensibilidade e confidencialidade."
Seu catálogo on-line tem um sabor de arquitetura, oferecendo vibradores modelados em marcos históricos, incluindo o arranha-céus de Londres Gherkin, as folhas de Palm Island em Dubai e os pináculos e cúpulas da Catedral de São Basílio, na Praça Vermelha de Moscou. Alexander não é o primeiro clérigo a abordar publicamente o sexo e o erotismo no casamento entre a comunidade profundamente conservadora do judaísmo. O Rabino americano ortodoxo Shmuley Boteach teve um grande sucesso com seu livro "Sexo Kosher", em 1999, e seu sucessor "The Kosher Sutra", em 2009, também foi um best-seller. "Acho que em nossa cultura, suprimimos e negamos a verdadeira natureza erótica de uma mulher", disse ele em um vídeo promovendo seu trabalho, em 2014, "Kosher Lust".
"As mulheres de hoje são amadas. Elas são apreciadas, mas não desejadas", disse Boteach, 49, cujo website diz que ele tem nove filhos e dois netos. O negócio de Alexandre na Cisjordânia tem sido bem sucedido, contando com clientes satisfeitos em Israel, e também em lugares tão distantes como os Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália e África do Sul. Apesar das vendas de cerca de cinco itens por dia e mais de 20.000 visualizações do site por mês, ele insiste que a sua empresa on-line de sexo não vê só o lucro. "Eu quero oferecer esses serviços para permitir que casais religiosos tenham acesso ao prazer sem quebrar as leis religiosas", explicou. Embora os produtos sejam os mesmos que aqueles oferecidos por lojas de sexo, em todos os lugares do mundo, estes são fornecidos em pacotes sem o tipo de ilustrações atrevidas que ofendem as sensibilidades ortodoxas. O site oferece aconselhamento on-line com o que ele diz serem terapeutas profissionais do sexo, casais conselheiros e ginecologistas, sobre questões que muitos casais acham difícil levantar com seus rabinos. Perguntas sobre a ejaculação precoce, o tamanho do pênis, orgasmos e posições sexuais, são respondidas usando a linguagem "respeitando as regras da vida religiosa", disse Alexander. "Judaísmo dá um lugar importante ao prazer sexual, mas ainda é muito frequentemente um assunto tratado com tabu", acrescentou. "Tenho orgulho de ser um pioneiro neste campo."

PARA CONHECER O SITE BETTER2GETHER, CLIQUE AQUI

Deu no Portal Imprensa: nos últimos três anos, mais de mil jornalistas demitidos. É o que diz uma pesquisa do Volt Data Lab

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CONHEÇA O VOLT DATA LAB, CLIQUE AQUI

"Não Rio mais, agora eu choro": Este é o título-desabafo de um artigo de Roberto Muggiati, ex-diretor da Manchete, publicado no Globo de hoje, sobre um tempo em que "arrastão" era apenas um tipo de pesca ou meia feminina...

por Roberto Muggiati (para O Globo) 
Comemoro este mês 50 anos de Rio de Janeiro. Comemoro não é bem a palavra. Rememoro, com um travo de remorso. Cheguei aqui no dia do centenário da Batalha do Riachuelo, que a iniciante ditadura militar fazia questão de festejar, foi até feriado. Eu vinha de três anos no Serviço Brasileiro da BBC e fui logo trabalhar na revista "Manchete". Morava no Leblon, pegava toda manhã o 433 (Barão de Drummond-Leblon) até a redação da Frei Caneca. Ao longo do caminho — Ipanema, Copacabana, Flamengo — o ônibus ia recolhendo colegas jornalistas e publicitários. Ninguém tinha carro, só os Bloch e o Justino Martins, diretor da “Manchete”, dono de um Karmann-Ghia estiloso em que só cabia um carona apertado. Éramos pobres, mas jovens e felizes. Eu morava na General Artigas, ao lado da padaria Rio-Lisboa. O Leblon, uma pequena aldeia, tinha um comércio suburbano — armarinhos, lavanderias, ferragens, barbeiros e manicures, estofadores, farmácias, botequins. Nada de shopping ou butique e a Dias Ferreira — com um La Mole inofensivo — ainda não se tornara o polo gastrointestinal do Rio de Janeiro. Havia boa comida no Real Astória, na Pizzaria Guanabara e nos novos bares-cabeça, o Alvaro’s e o Degrau. Na vizinha Ipanema faziam sucesso o Zeppelin e o Jangadeiro. O Helsingor — dinamarquês especializado em smorgasbord — e o pub inglês Lord Jim, com cottage pie e cerveja bitter, foram uma sensação nos anos 70.
Ia-se à praia impunemente, colhia-se tatuí para comer frito com caipirinha. À meia-noite do réveillon, alguns gatos pingados iam tranquilamente à orla de roupa branca celebrar Iemanjá. Arrastão era um tipo de pesca, canção de festival ou meia feminina. Todo esse mundo ruiu estrepitosamente algumas décadas atrás no “verão do arrastão”. Aconteceu de repente, num rutilante domingo de sol, céu azul e quarenta graus à sombra, com hordas de assaltantes ferindo impiedosamente velhos, crianças e grávidas.
A partir daí, a violência só fez crescer na cidade. Frequentador do Theatro Municipal, joia arquitetônica e templo da música, hoje vejo os elegantes cultores das sinfônicas europeias e dos solos de piano de Lang Lang e Keith Jarrett, saírem correndo antes do bis e disputarem a tapa o táxi que os leve ao teto salvador. Pouco tempo atrás, até que era chique ir ao Municipal de metrô. Os recentes arrastões noturnos em estações da Zona Sul, com os passageiros à completa mercê dos bandidos, desfizeram esse sonho de primeiro mundo.
Dois episódios recentes nos chocaram em particular. O da jovem Natália, de 27 anos, que em 15 dias teve um celular roubado, foi agredida por homofóbicos que, por seus cabelos curtos, a confundiram com um homossexual (quatro pontos na testa); e foi esfaqueada na mão e na barriga por um menino de 8 anos, apoiado por comparsas de 12 e 16. Natália vai deixar o Brasil para sempre.
O nadir nesta crônica da violência carioca foi a morte do cardiologista Jaime Gold na Lagoa. Os menores acusados do crime hediondo (as facadas cruéis, rascantes, evisceraram a vítima) fazem parte do “Coreto 155 do Jacarezinho”, um grupo de 20 jovens que se gaba nas redes sociais de “aterrorizar a Zona Sul.” Eles chegaram a postar no Facebook o logotipo do seu “bonde” exterminador: a foto de uma faca sobre um selim de bicicleta. Nem Goebbels seria tão criativo...
Já ouço pessoas pensando em se vingar à moda do Charles Bronson de “Desejo de matar”: você se faz de isca e, quando o pivete aparece, faca em punho, você estoura os miolos dele com um 38 ou um 45. Um gesto de desespero diante da completa ausência de proteção nas ruas desta cidade, outrora maravilhosa.
Alguma coisa tem de ser feita. Não sei o quê. Mas tem que cortar fundo — como uma faca afiada — o tecido social. Ou então, num gesto meramente simbólico, vamos fazer um apelo final ao Redentor, que a tudo assiste de braços abertos, impotente, lá do alto. E salve-se quem puder...
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Fernando Brant, JK, O Cruzeiro, Manchete: fototravessia em Minas Gerais...

Foto de Juvenal Pereira, da revista O Cruzeiro, publicada no blog Images&Visions (link abaixo). Milton Nascimento, Fernando Brant e JK, que era o foco de uma matéria para a Manchete, em Diamantina (MG), 1971.

José Carlos Jesus, ex-chefe de reportagem da Manchete, nos enviou a foto acima, que foi publicada pelo fotojornalista Fernando Rabelo no blog Images&Visions, (link abaixo), com o seguinte texto, no destaque: "Este é um belo registro do encontro do ex-presidente Juscelino Kubitschek com Milton Nascimento e Fernando Brant na cidade de Diamantina, em Minas Gerais. A foto é de Juvenal Pereira, que trabalhava com Fernando Brant na Revista O Cruzeiro. Os dois estavam em Diamantina para fazer uma matéria com Milton Nascimento e Lô Borges. "Durante as fotos, encontramos casualmente o ex-presidente Juscelino Kubitschek com a equipe de reportagem da revista Manchete, que era concorrente de O Cruzeiro. A equipe da Manchete concordou em nos ‘emprestar' JK para algumas fotos”, afirmou Juvenal. 
A lembrança que o blog replica vem a propósito de Fernando Brant, jornalista, compositor, parceiro de Milton Nascimento, que fez sua travessia aos 68 anos, no sábado, 13, em Belo Horizonte, vítima de complicações após um transplante de fígado. Com Milton. Lô Borges e Tavinho Moura, Brant escreveu mais de 200 canções, entre as quais a antológica "Travessia".  A foto feita em um tempo que em que uma equipe de uma revista "emprestava" um personagem de uma matéria exclusiva para os colegas da concorrência (isso é algo quase inimaginável, hoje). José Carlos chama atenção para um detalhe: gravado na porta da Variant da equipe, o logo da Manchete. Milton e Brant, eles próprios simbólicos, aparecem aí cercados de ícones de um tempo: JK, Manchete, Cruzeiro, Variant...
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domingo, 14 de junho de 2015

Em biografia não-autorizada ("Geraldo Vandré, Uma Canção Interrompida"), o jornalista Vitor Nuzzi desvenda um enigma: o "desaparecimento artístico" do autor de "Disparada" e "Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores"



por José Esmeraldo Gonçalves
Há cerca de duas semanas, o jornalista Vitor Nuzzi lançou o livro "Geraldo Vandré, uma Canção Interrompida". Foi a última biografia não-autorizada publicada antes da histórica votação no STF que removeu do Código Civil, na semana passada, um entulho autoritário embutido por obscurantistas na Constituição de 1988. Tratava-se do artigo que dava aos biografados o direito de impedir a publicação de biografias que não fossem do tipo "chapa branca". A intimidação não chegou a tanto, mas a lei lhes conferia até pôr a polícia (sim, a polícia, já que desafiá-la era crime) atrás de escritores e editores caso ousassem publicar histórias de personalidades sem a prévia aprovação do biografado ou de suas famílias. Não foram poucos os autores levados ao tribunal. Agora, o STF considerou inconstitucional o tal artigo, que até Goebbels gostaria de ter assinado enquanto se aquecia ao lado de uma fogueira de livros na Berlim dos anos 1930.
Mas o tribunal demorou tanto a julgar o caso que Vitor Nuzzi não pode esperar. Desde 2007, o jornalista entrevistou dezenas de pessoas, foi às raízes de Vandré na Paraíba, pesquisou documentos, checou versões, confrontou fatos e acabou jogando uma luz  nas zonas de sombra da trajetória do autor de "Pra Não Dizer Que Não Falei Das Flores", a "Marselhesa"  brasileira, como alguém já disse ou, quem sabe, a nossa "Grândola, Vila Morena", a canção-senha da Revolução dos Cravos, caso os meninos brasileiros que se sacrificaram na luta contra a ditadura emplacassem a utopia revolucionária nos duros anos 70.
Com o livro pronto, Vitor procurou as editoras. Recebeu, contados, oito "nãos". Ninguém quis arriscar uma visita aos tribunais de onde era alta a chance de sair, no mínimo, com indenizações milionárias a quitar. O jornalista não admitia ver oito anos de trabalho em vão e resolveu bancar do próprio bolso o custo da edição. Mandou rodar apenas 100 exemplares. E não colocou a obra à venda. Distribuiu o livro a 100 amigos. Fui um desses privilegiados. Vitor construiu sua carreira profissional em São Paulo, com uma etapa em Brasília. Por volta de 2004, trabalhou como editor em uma redação carioca, onde o conheci. Além da competência, mostrou características admiráveis: era rigoroso na checagem das informações, jamais perdia a paciência e mantinha a calma nos fechamentos, por mais turbulentos que fossem. Acredito que essas qualidades o ajudaram na tarefa de esquadrinhar em 370 páginas a vida - e a vida em torno - de Geraldo Vandré.
Uma das razões que o levaram ao tema está relatada no texto de apresentação: "Fico admirado de saber que, passados 47 anos do desaparecimento artístico de Geraldo Vandré, há jovens curiosos, querendo saber mais sobre as histórias que envolvem seu nome.Ainda mais em tempos em que grande parte mal acompanha a obra dos contemporâneos de Vandré. Casos de Chico Buarque, Gilberto Gil e Caetano Veloso, que - de forma menos ou mais escassa - se mantém na mídia, lançam discos (ou livros), dão entrevistas, fazem shows. Vandré, não. Excluídos um recital de uma pianista em São Paulo e apresentações no Paraguai nos anos 1980, ele sumiu completamente do mundo artístico, ou pelo menos da indústria cultural de massa. Mesmo assim, segue despertando interesse - no mínimo, curiosidade". 
Não apenas quem não viveu a época tem curiosidade - ou perguntas sem respostas - sobre episódios  marcantes da vida de Vandré. Vitor junta peças que ajudam a explicar o enigma. Os festivais, a noite em que o Maracanazinho entoou "caminhando e cantando" e vaiou "Sabiá"; a fuga; o exílio; a volta ao Brasil encenada para a TV; o homem, o mito, as lendas. O livro, contudo, é muito mais do que isso. Vitor mostra a importância de Vandré, mesmo "desaparecido" para a música brasileira, ao concluir que, ao universo criativo do autor de "Disparada", somava-se o trabalho admirável do artista paraibano como pesquisador da cultura popular.
"Geraldo Vandré, Uma Canção Interrompida" merece muito mais do que 100 exemplares. Prefiro acreditar que, após a decisão do STF, as editoras, com "as visões se clareando", como cantou Vandré, vão agarrar a chance de levar este livro a muitas centenas de leitores.

Pra não dizer que não falei da Manchete...

Para Manchete e Fatos & Fotos, os festivais da canção, com apelo popular, eram alavancas de venda de revistas. Uma numerosa equipe, onde se destacavam os jornalistas João Luíz Albuquerque e Tarlis Batista, era deslocada para cobrir aqueles eventos, que chegaram a merecer edições especiais recordistas em circulação. O livro "Geraldo Vandré, Uma Canção Interrompida" reúne dezenas de ilustrações e depoimentos. Um deles, do jornalista Eli Halfoun, então no jornal Última Hora (depois, foi diretor da revista Amiga, outra publicação da Bloch). Eli fazia parte do júri do Festival da Canção de 1968 que apontou a canção "Sabiá" como vencedora. O público queria "Pra Não dizer que Não Falei das Flores" e, por isso, vaiou a composição de Tom Jobim e Chico Buarque. Justino Martins, então diretor da Manchete, também estava no júri, seguindo relata o livro.
São citados ainda Murilo Mello Filho, da Manchete, sobre a reação dos militares à canção de Vandré; uma crônica de Fernando Sabino publicada na revista sobre o desfecho daquele Festival; o livro "Dupla Exposição: Stanislaw Sérgio Ponte Porto Preta", de Renato Sérgio, ex-redator da Manchete, Fatos & Fotos e EleEla; e uma matéria da revista Jóia (da Bloch), sobre Vandré, da repórter Zélia Prado.
O arquivo da Bloch, pelo que se sabe, hoje desaparecido, reunia milhares de fotos daquelas coberturas. O livro mostra apenas três dessas imagens (duas delas vistas aqui).
E no formato que foi possível: reproduzidas de revistas antigas já que os originais das fotos provavelmente se perderam.
Ainda bem que pesquisadores, como o autor da biografia não-autorizada de Geraldo Vandré, são incansáveis na tarefa de recuperar memórias perdidas. Missão que, agora, com o fim da abominável censura prévia, poderá ser cumprida sem ameaças e intimidações.
 
   

sábado, 13 de junho de 2015

"Exagerado": 30 anos depois do lançamento da sua canção mais romântica, Cazuza está de volta em novo clipe.


por Clara S. Britto
Há 30 anos, Cazuza lançava a canção "Exagerado". Um hino ao amor. A Vivo e a Samsung estrearam ontem, Dia dos Namorados, um novo clipe com uma das mais famosas canções do cantor. No filme, criado pela África, Cazuza, interpretado pelo ator Emílio Dantas (que também protagoniza o musical "Cazuza"), é um Cupido que recebe a missão de unir casais. A direção é de Nico Perez Veiga e Luisa Kracht, produção da PBA Cinema. A voz original de Cazuza foi mantida na nova versão que conta com Liminha (produção musical, baixo e violões), João Barone (bateria e pandeirola), Dado Villa-Lobos (guitarras), Kassin (teclado e programações) e Danial Alcoforado (mixagem, com Liminha).

VEJA O NOVO CLIPE DE EXAGERADO, CLIQUE AQUI


E VEJA O MAKING OF DO CLIPE, CLIQUE AQUI

Feministas protestam contra bioquímico ganhador do prêmio Nobel. Ele declarou que mulher em laboratório seduz, é seduzida, distrai os pesquisadores ou chora à toa.

Capa do livro lançado pela Vagenda
por Clara S. Britto
Na semana passada, o bioquímico Tim Hunt, que tem um prêmio Nobel na estante, fazia uma palestra em Londres quando alguém da plateia pediu sua opinião sobre a atuação da mulher na Ciência. Hunt mandou essa: "Ocorrem três coisas quando as mulheres estão no laboratório: você se apaixona por elas, elas se apaixonam por você ou, quando você as critica, elas choram". O mundo feminista veio abaixo, claro. O professor ainda tentou dizer que era uma brincadeira mas, diante da repercussão, afastou-se da University College London. A revista feminista inglesa Vagenda) lançou uma campanha na internet - hashtag #DistractinlySexy - pedindo às mulheres cientistas que inundem a rede com suas fotos em laboratórios, nas suas tarefas de rotina. A Vagenda foi atendida e centenas de cientistas postaram fotos em ação. Trabalhando e não tentando pegar o chefe. Lançada em 2012, a Vagenda, que não é uma publicação moralista ou conservadora, discute a situação da mulher e investe contra o sexismo na mídia, fala sobre obesidade, rejeição à nudez, padrões estéticos etc. O título da revista resume o objetivo. Isso mesmo, Vagenda é a junção das palavras vagina e agenda, para deixar claro que as mulheres não se resumem à primeira e participam da sociedade também com trabalho, ideias, inovações e criatividade.

VEJA ABAIXO ALGUNS POSTS BEM-HUMORADOS DAS MULHERES CIENTISTAS EM PROTESTO CONTRA O BIOQUÍMICO TIM HUNT.


 retweeted
I hope I don't contaminate my cultures with tears

  retweeted
All kinds of chemistry going down in the labs because we're too

Working in the cleanroom, culturing dendritic cells. Hope I'm not

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Livro de luxo da Tasken comemora 50 anos do Calendário Pirelli

Livro da Tasken homenageia dos 50 anos do Calendário Pirelli. Reprodução/Divulgação

Foto de Helmut Newton/Calendário Pirelli/Reprodução/Divulgação


Foto de Helmut Newton. Reprodução Calendário Pirelli/Divulgação
Gisele Bundchen. Reprodução Calendário Pirelli

Gisele Bundchen. Reprodução Calendário Pirelli

por Flávio Sépia
O Calendário Pirelli virou um ícone pop. Os maiores fotógrafos e as principais modelos em cinco décadas já passaram por lá. Exatamente para comemorar 50 anos da luxuosa folhinha da fábrica de pneus, a editora Tasken lança um livro que reúne os destaques desde 1965. Uma das estrelas é a brasileira Gisele Bundchen, com fotos de 2006 e 2001. Mais quatro brasileiras - Alessandra Ambrósio, Adriana Lima e Isabeli Fontana - ilustram o livro especial. Entre as internacionais, Cindy Crawford, Naomi Campbell, Rosie Huntington, Eva Herzigova, entre outras, que posaram para fotógrafos como Robert Freeman, Richard Avedon, Bruce Weber, Annie Leibovitz, Mario Testino, Patrick Demarchelier, Karl Lagerfeld e Terry Richardson.



Boa sacada do jornal Meia Hora: uma capa para colorir na onda do sucesso dos livros do gênero que batem recordes de venda

por BQVManchete
Sensibilidade e criatividade. Com uma capa só, o Meia Hora atingiu dois objetivos: alertou o Rio, que anda triste e em preto-e-branco por conta de assaltos, facadas e roubos nessa chocante ofensiva dos menores assassinos e embarcou no tsunami dos livros para colorir, atual sucesso nas livrarias.

Lembra do "escândalo" Strauss-Kahn que alimentou a mídia há quatro anos? Processado por traçar uma camareira e acusado de promover "festas libertinas", DSK, como era conhecido, acaba de ser absolvido

por Flávio Sépia
Há quatro anos, o então diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, virou a "Geni" da mídia internacional. O caso foi um prato cheio para os jornalistas. Uma camareira de um hotel de Nova York denunciou o executivo por "abuso sexual"; em seguida, na França, DSK foi processado por supostamente promover "festas libertinas", seja lá o que esse rótulo moralista significasse, com participação de prostitutas. O fim do "escândalo", menos divulgado do que o começo, é revelador: DSK foi processado e por sua vez processou a camareira e o caso acabou em um acordo assinado na justiça americana. Ela dizia que foi forçada a manter relações sexuais com o diretor do FMI, ele dizia que o ato foi plenamente consentido. Não havia testemunhas, os dois estavam sozinhos na suite do hotel.
Quanto ao caso francês, das "festas libertinas", a justiça considerou, ontem, que a acusação era apenas uma suposição. Não havia qualquer prova de que as mulheres presentes, ou uma só que fosse, era prostituta. E mesmo que a convidada exercesse essa profissão digna como qualquer outra seria preciso provar, para sustentar a acusação de proxeneta, que DSK havia pago às jovens. O tribunal não recebeu qualquer indício de que isso teria acontecido.  Inocentado, DSK não corre o risco de cumprir 10 anos de cadeia, mas teve sua carreira destruída.
Reprodução Periscope/Bligoo
Coincidentemente, na época em que a primeira acusação estourou - a da camareira - ele era o nome mais forte do Partido Socialista para disputar a presidência da França. O caso reacende a discussão global sobre a prática imediatista da mídia, em casos semelhantes, de condenar o suspeito antes de qualquer prova. Acaba tornando-se massa de manobra de altos interesses externos ao jornalismo. O poder da internet agilizou ainda mais essa prática. Não há "jornalismo investigativo sério" que possa ser apurado, fechado e publicado em questão de minutos, que é o tempo da rede para quem, em função da luta pela audiência, tem a prioridade de chegar na frente. Goste-se ou não, DSK foi absolvido não por meras questões técnicas mas por absoluta falta de provas.
O bombardeio midiático contra DSK. Reprodução Internet
Aqui, provavelmente, depois da sentença midiática, teria sido condenado por "domínio do fato". Comeu a camareira? Então, literalmente, vale o "domínio da foda". Cadeia pro elemento. Frise-se que a camareira só foi instruída a processá-lo após saber que ele era político importante e diretor do FMI. Houve também a acusação igualmente jamais provada de que ela teria sido "plantada" para criar uma situação constrangedora para o então presidenciável francês. O New York Times chegou a revelar, depois, que ela seria prostituta que trabalhou sem cobrar.Foi uma espécie de brinde? Ou talvez DST tenha sido  admitido no programa de milhagem da profssional?
Pensando bem, talvez o maior "crime" de Strauss-Kahn tenha sido exercer a direção desse suspeitíssimo orgão chamado FMI. Proxeneta é elogio diante da "folha corrida" que a famosa instituição acumula com intervenções em paises em nome do capital financeiro e em detrimento de vidas e metas sociais. Como diretor do FMI talvez DSK merecesse prisão perpétua sem direito a visita íntima. Mas esse é o tipo de "crime", sem camareira e prostitutas, que não vende jornais nem aumenta o número de cliques em páginas da internet.
Restou alguma lição desse rumoroso caso? Sei lá. Mas eu aconselharia a quem praticar "relações sexuais consentidas" e não confiar 100% na parceira pegar um documento assinado ou gravar uma declaração no smartphone comprovando o total e voluntário "consentimento".
E isso não é gozação. Ou melhor: é.