quarta-feira, 24 de maio de 2017

Leitura Dinâmica: Entenda porque suruba que se preza é mais organizada do que o Brasil de hoje...

A ilustração acima, reprodução de uma série chamada Les Bigarrures, é de 1799, tempos do Diretório (Revolução Francesa).  Tem a ver: o Diretório marca o fim da participação popular no processo revolucionário e a ascensão da burguesia após um golpe de Estado patrocinado por financistas, algo como o mercado de época. 

por O.V.Pochê

Dizem que a palavra suruba vem do tupi. Originalmente, significava madeira, pau, tronco desgastado pelo uso. Faz sentido.

Como as surubas podem facilmente entrar em modo desordenado, o povão também usa a expressão para nomear confusões ou algo fora do controle. O Brasil pós-golpe, por exemplo. A diferença é que, dizem os experientes no ramo, mesmo nas surubas, quando a zorra se descontrola e compromete a produtividade e a harmonia do momento, é preciso que alguém bote alguma ordem na coisa: "vamos organizar essa suruba", dirá uma voz de comando.

Uma leitura mais atenta dos jornais mostra que a suruba do governo está fora de controle. Confira alguns sintomas, abaixo:

1) Um deputado (Rocha Laures, do PMDB) apontado como operador de Temer recebe uma mala com 500 mil reais de propina e devolve à PF apenas 465 mil. Se ficar comprovado, o sujeito desmoraliza os cânones da corrupção ao deduzir uma propina da propina. É a esculhambação da esculhambação.

2) Um senador (Aécio Neves, do PSDB), teria pedido propina para pagar um advogado que o defenderia de acusações de receber... propina.

3) Um delator (Joesley Batista, da JBS), prevendo que o mercado logo repercutiria sua denúncia envolvendo um presidente, teria investido em dólares e ações com base nesse informação privilegiadíssima. Com essa jogada, teria faturado mais do que o valor da multa que aceitou pagar no acordo de delação.

Reprodução/O Globo

4) Se o presidente Michel Temer (PMDB) cair, será substituído pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), por 90 dias. Curiosamente, a lei não impede que esse mesmo político dirija o processo e concorra ao cargo em eleição indireta. Embora esteja citado em delações como suspeito de corrupção, isso não seria impedimento para Maia. Imperdoável - e provavelmente ele será vetado por isso - é ter usado uma bermuda roxa para ir à residência oficial de outro suspeito, o próprio presidente Temer. A bermuda roxa, no caso, significaria "desleixo com a liturgia do cargo".  Na suruba, entre os participantes que não estão com a boca ocupada, corre o comentário de que o tal cargo não tem mais liturgia faz é tempo. Outra coisa: bermuda roxa em suruba não entra, é brochante em qualquer ménage múltipla que se dê ao respeito.

5) Ouviu-se na suruba outro comentário, esse mais apimentado, de que tem um movimento social em alta gritando "Dentro Temer". É organizado pelos presos da Penitenciária da Papuda.

6) Até a suruba reconhece que o governo está combatendo o desemprego e criando postos de trabalho. No Palácio do Planalto. Já são vários os assessores do presidentes que abrem mão do emprego por justa causa: a PF batendo nas suas portas. Há vagas nos gabinetes das assessorias presidenciais.

7) Um jornalista (Reynaldo Azevedo) telefona para fonte (Andréa Neves, irmã de Aécio Neves) em busca de novas informações enquanto o país está pegando fogo. Na conversa que foi grampeada e divulgada não vazou notícia que mereça esse nome. O que vai entrar para a história é um momento meigo: o jornalista cita um poema de Cláudio Manoel da Costa. “É um poema lindíssimo que ele fala justamente de uma coisa que eu constatei quando fui a Belo Horizonte. A cidade cercada de montanhas. E aí ele diz assim: essas montanhas poderiam ter endurecido o coração. Mas não, tiveram efeito contrário", fala Reynaldo. Andréa Neves, que seria presa após a delação de Joesley, declama de volta um trecho do poema: "Bárbara bela, do Norte estrela, que o meu destino sabes guiar, de ti ausente, triste, somente as horas passo a suspirar". Na suruba, o comentário era de que esse foi o melhor delírio literário da crise.

8) Teve propinófilo recebendo dinheiro em caixa de sapato, em mochila, na calçada, em restaurante, em escritório etc. Provavelmente querendo dar uma variada na entrega, um delator da JBS encarregado da logística da grana sugeriu disfarçar uma das remessas no fundo de uma caixa de isopor cheia de picanhas. Prático: o deputado subornado rechearia o bolso e ainda garantiria a carne do churrasco.

9) O esquema da JBS também inaugurou a propina a prazo. Uma espécie de crediário, digamos uma versão bandida de um baú da felicidade. Em um dos casos, segundo a delação, o prazo de pagamento se estendia por 25 anos. O delator Ricardo Saud, da JBS, afirmou ao Ministério Público que discutiu com o deputado Rodrigo Loures um pagamento semanal para ele e Temer pelas próximas duas décadas e meia. São otimistas. O deputado tem 75 anos, Temer tem 76. Significa que têm certeza de que vão chegar aos 100 anos muito vivos e recebendo a suposta mesada. Ambos negam ter pedido ou recebido dinheiro.

10) Como a suruba, a corrupção tem regras não escritas e sua própria compliance,  "Isso não pode", "pera lá", "aí, não", "ôpa" são alertas comuns às duas atividades. Veríssimo cita, hoje, na sua crônica, a revelação de um dos delatores da JBS, que considerou falta de elegância do Temer confiscar um milhão de reais no meio da bolada que estava passando à sua frente. Veríssimo escreveu: "notava-se uma certa decepção na voz do delator ao contar que Temer revindicara uma beirada do propinato em trânsito para o seu bolso". E, mais adiante, conta Veríssimo: "O corruptor lamentava o ocorrido. Uma certa etiqueta fora rompida". Não se pode confiar nem na corrupção à brasileira.

11) O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o da bermuda lilás, é acusada de engavetar pedido de impeachment de Temer. Sem muita justificativa, provavelmente doido para traçar um cheeseburger, decreta que "impeachment não é drive thru". Caberá ao STF, onde dúvidas constitucionais são esclarecidas, dizer se é ou não é. O McDonald's vai testemunhar.

12) Pode ser coincidência, mas essa atual bomba política estourou quando Mick Jagger voltava a visitar o Brasil, discretamente, em São Paulo, quase três anos depois da sua presença mais marcante aqui na terrinha, quando torceu pelo Brasil contra a Alemanha, na Copa de 2014. Isso mesmo, nos 7x1, em Belo Horizonte. Ele também veio ao Brasil em turnê, em março de 2016, mas não pode ser responsabilizado pela queda de Dilma: ela caiu um mês depois. Aliás, Aécio Neves também estava na platéia do desastre da seleção brasileira.

13) Correspondentes estrangeiros estavam confusos ontem diante das fotos que as agências divulgavam. Os computadores de edição despejavam simultaneamente imagens que retratavam conflitos na Cracolândia e na Esplanada dos Ministérios. Os estagiários estavam tensos com medo de misturar umas e outras. Dá pra entender.

14) Segundo o jornal Extra, o delator Joesley usou um gravador mequetrefe para registrar Temer, mas em matéria de brinquedinhos eróticos ele prefere a sofisticação. O empresário foi fotografado em Nova York, ao lado da mulher, a jornalista Ticiana Villas-Boas, comprando um vibrador com Wi-Fi, que pode ser comandado à distância por celular. O jornal não comenta se esse celular foi grampeado.

15) Dizem que Temer vai ser julgado no TSE no dia 6/6. Se marcarem a sessão para as 6 horas, vai acabar o quórum da suruba: 666 é o número da Besta. Aí não terá mais jeito, vai ser a hora da Queda da Bostilha.


A conta do golpe...





O golpe não foi apenas um retrato na parede. Os últimos dias mostraram que Dilma Rousseff foi um detalhe na trama. Enquanto o Brasil se distrai com Joesley, Temer, Aécio, mochilas de propinas e gravações, a caravana vai passando alegremente. Ao mesmo tempo em que empurra as reformas, retira direitos, corta verbas da saúde, da educação, esmaga programas sociais e paralisa o país em função de um "equilíbrio fiscal" que penaliza a maioria da população, o governo entrega a cada dia cada uma das reivindicações dos lobistas corporativos. Sem discussão, com vaselina e tapinhas nas costas. São isenções, renegociação de dívidas a perder de vista e favorecimento a concessionários, autorização para aumentos de tarifas bem acima da inflação. E aí você entende porque Temer e seus apoiadores, em meio a uma tempestade de denúncias de corrupção, repetem a cantilena de que o governo não pode parar. E também saca porque os analistas de economia da grande mídia, tao ciosos ao defender cassação de direitos trabalhistas e de aposentadorias evitam tocar nesse assunto quando dão os recados diários segundo as pautas dos seus patrões.
A festa é deles, a conta é sua.


Jornalismo-cidadão: Lei de Acesso à Informação Pública completa cinco anos. Relatório da ONG Artigo 19 analisa avanços e desafios da transparência

Promulgada em 2011, a Lei de Acesso à Informação, uma importante conquista da cidadania, entrou em vigor em maio de 2012.

Está completando cinco anos e tornou-se um fator correlato ao jornalismo-cidadão.

A ONG Artigo 19, instituição que defende a liberdade de expressão, constatou avanços decorrentes da implementação da lei, como melhoria no direito fundamental à informação, e investigou a sua aplicação, nesse período. Nesse último item, foram detectadas falhas. Embora a lei determine sanções como advertência verbal, afastamento e até responsabilização por improbidade administrativa, nenhum funcionário público foi punido até hoje por descumprir a LAI.

Jornalistas e ativistas de direito humanos apontam a falta de fiscalização como um entrave ao pleno acesso à informação, e defendem a criação de um órgão nacional independente para fiscalizar o cumprimento da Lei de Acesso à Informação Pública.

O Brasil vive um momento de luta contra políticos e empresários corruptos. Muitos foram punidos e outros serão responsabilizados. Apesar disso, a prática de desvios e suborno continuam a ocorrer apesar da pressão pública, como demonstram denúncias sobre fatos ocorridos já neste 2017.

Constata-se, então, que a prevenção é tão importante quanto a punição ao ato criminoso.

Certamente, quanto maior a implementação da LAI mais transparência ao setor público e maior possibilidade de identificação de indícios de desvios, favorecimentos e gastos suspeitos.

Além disso, a LAI possibilita o acesso a informações sobre setores e medidas que afetam fortemente a sociedade, com exemplo, impactos sócio-ambientais, lista suja do trabalho escravo, dados sobre segurança pública, saúde, uso de agrotóxicos etc.

Com o material produzido em cinco anos de análise, a Artigo 19 lança um relatório que evidencia a importância da Lei de Acesso à Informação Pública na formação de um Brasil verdadeiramente democrático.
Conheça o relatório da Artigo 19, clique AQUI


No front do combate à corrupção: curso on line gratuito ensina jornalistas independentes a mapear o caminho do dinheiro na política

Em tempo de propinas, caixa 2, lavagem de dinheiro e compra e venda de leis no balcão de negócios entre empresários e políticos, é indispensável aos jornalistas independentes que adquiram suas próprias ferramentas de investigação, evitando o risco de ficar reféns de acusadores, de acusados e das fake news partidárias.

A linguagem de programação Python é instrumento essencial para a prática do jornalismo de dados, em alta nas principais redações do mundo.


O Knight Center for Journalism in the Americas avisa sobre o lançamento de um novo curso on line, gratuito, que treina os profissionais no uso da programação Python para trabalhar com a biblioteca Pandas, que é um recurso de código aberto para análise de dados.

Segundo a instituição, o curso "Python for Data Journalists: Analisando o Dinheiro na Política", .dará treinamento especial suficiente para capacitar jornalistas a ler, filtrar, unir, agrupar, agregar, classificar dados.

Com duração de quatro semanas, de 12 de julho a 9 de julho próximos, o treinamemento será ministrado por Ben Welsh, editor do Los Angeles Times Data Desk.

Mais informações, AQUI

Gol do Brasil - Deu na revista Time: Temer é o segundo (*) líder mais impopular do mundo. Só perde para Nicolas Maduro)


por bqvMANCHETE

A edição dessa semana da Time aferiu a popularidade interna de Donald Trump - em baixa desde a eleição, mas com um pique de subida quando ele lançou a "bomba-mãe" e atacou uma base aérea síria - e resolveu compará-lo com outros governantes mundiais.

Pois bem, Trump não é o laterninha entre os mal-amados do planeta.

Há cinco líderes à frente dele: Nicolas Maduro, presidente da Venezuela, Michel Temer, do Brasil, Jacob Zuma, presidente da África do Sul, Najib Razak, primeiro-ministro da Malásia, e Alex Tsipras, primeiro-ministro da Grécia. Time destaca a acusação que pesa sobre Temer de receber propina de empresário.

(*) ATUALIZAÇÃO - em 25/5/2017 - A colunista Monica Bérgamo, da Folha de São Paulo, afirma, hoje, que sondagem na internet encomendada pelo próprio Palácio do Planalto indica que de aprovação de Michel Temer caiu para 5%. Temer desbanca assim, e com folga, o Maduro, da Venezuela. Brasil !

terça-feira, 23 de maio de 2017

Fotomemória da redação: o Rio na linha do tempo...



O Rio em 1864, segundo o pintor americano Martin Johnson Heade. Reprodução Manchete

Em 1979, o fotógrafo Frederico Mendes localizou em Niterói o ponto de vista do paisagista americano e fez a foto acima. Reprodução Manchete


Em 1864, o pintor americano Martin Johnson Heade colocou seu cavalete em Niterói e criou uma bela paisagem do Rio. O resultado foi o quadro "O Panorama do Rio de Janeiro ao por-do-sol com o Corcovado ao fundo, visto de Niterói", reproduzido no alto do post.

Heade atravessou a baía e gravou uma placidez que contrastava com o clima político do Rio da época: naqueles dias, muitos jovens moradores da cidade haviam sido enviados para os campos de batalha da Guerra do Paraguai.

Em dezembro de 1979, cento e quinze anos depois, o pequeno quadro, de 50cm por 88cm, foi a leilão na Galeria Phillips, em Londres. Na época, foi arrematado por 152 mil dólares em um lance que surpreendeu os especialistas, entre os quais o jornalista e crítico de Arte Flávio de Aquino, que fez uma matéria sobre o assunto.

Manchete foi além e enviou a Niterói o fotojornalista Frederico Mendes, a quem coube a missão de localizar o ponto mais exato possível em que o pintor Heade criou a sua visão do Rio. A urbanização de Niterói e a ocupação da orla por instalações industrias e estaleiros não facilitaram a missão do fotógrafo. Mas o ponto de vista foi encontrado e o Panorama do Rio  de Janeiro recriado.

O tempo e a foto de Frederico Mendes tornaram irreal o Rio que Heade pôs na tela em um fim de tarde desde Niterói.

Faltam 10 dias para o fim das inscrições no Prêmio Petrobras de Jornalismo


 (Nota à imprensa. Da Gerência de Comunicação da Petrobras) 

Jornalistas de todo o país têm até o dia 31 de maio para se inscrever na quarta edição do Prêmio Petrobras de Jornalismo. Reformulada, a premiação tem agora 13 categorias, entre temáticas e regionais.

Uma das grandes novidades deste ano é o lançamento da categoria especial de Inovação, que premiará o trabalho que se destacar pelo ineditismo do formato, da abordagem, do meio ou da linguagem. Outra novidade é o prêmio de Telejornalismo, exclusivo para as emissoras de televisão. Como nas edições anteriores, o Grande Prêmio Petrobras de Jornalismo será concedido à melhor reportagem entre todas as inscritas. Podem concorrer os trabalhos veiculados entre 10 de julho de 2015 e 10 de janeiro de 2017 e as inscrições devem ser feitas pelo site www.premiopetrobras.com.br.

Os trabalhos serão avaliados em duas etapas. Na primeira, uma Comissão de Pré-seleção, composta por oito jornalistas com experiência comprovada, selecionará 10 finalistas de cada categoria e tema. Na segunda etapa, os trabalhos finalistas serão avaliados pela Comissão Julgadora, composta por seis profissionais renomados da imprensa, com vasta experiência jornalística.

Os vencedores de cada categoria serão conhecidos na cerimônia de entrega dos troféus no segundo semestre de 2017, no Rio de Janeiro. No ano passado, o Prêmio Petrobras de Jornalismo recebeu 1.255 inscrições, recorde entre as três edições realizadas.

PRÊMIOS:

- GRANDE PRÊMIO PETROBRAS DE JORNALISMO: para a melhor reportagem, entre todas as inscritas – R$ 40 mil*.

- CATEGORIA ESPECIAL – INOVAÇÃO: para o trabalho que se destacar pelo ineditismo de formato, pela técnica empregada, pela abordagem, pelo meio ou pela linguagem. Todas as matérias inscritas concorrem nesta categoria – R$ 25 mil*.

- ECONOMIA: reportagens de jornal/revista, emissoras de rádio e portais de notícias da internet que falem sobre a conjuntura econômica do Brasil – R$ 20 mil*.

- CIÊNCIA E TECNOLOGIA: reportagens de jornal/revista, emissoras de rádio e portais de notícias da internet que falem sobre ciência, tecnologia e inovação – R$ 20 mil*.

- SUSTENTABILIDADE: reportagens de jornal/revista, emissoras de rádio e portais de notícias da internet que falem sobre meio ambiente e temas sociais – R$ 20 mil*.

- CULTURA: reportagens de jornal/revista, emissoras de rádio e portais de notícias da internet que abordem manifestações culturais e artísticas do país – R$ 20 mil*.

- ESPORTE: reportagens de jornal/revista, emissoras de rádio e portais de notícias da internet que falem sobre atividades esportivas profissionais ou amadoras, individuais ou coletivas – R$ 20 mil*.

- TELEJORNALISMO: reportagens de emissoras de televisão sobre qualquer um dos temas acima relacionados – R$ 20 mil*.

- FOTOJORNALISMO: coberturas fotográficas sobre qualquer um dos temas acima relacionados que, sozinhas ou como parte integrante das reportagens, foram capazes de transmitir o impacto de cenas do dia a dia ou de acontecimentos marcantes, cumprindo o papel disseminador da informação – R$ 20 mil*.

- REGIONAL NORTE/ CENTRO-OESTE: matérias de veículos com sede em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Tocantins, e Distrito Federal – R$ 10 mil*.

- REGIONAL NORDESTE: matérias de veículos com sede na Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí e Maranhão – R$ 10 mil*.

- REGIONAL RJ-MG-ES: matérias de veículos com sede no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo – R$ 10 mil*.

- REGIONAL SP-SUL: matérias de veículos com sede em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – R$ 10 mil*.

*Valores brutos

Fonte: Gerência de Comunicação Interna e Imprensa / Comunicação e Marcas

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Sindicato realiza pesquisa sobre assédios moral e sexual no jornalismo

(do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo)

A Comissão de Jornalistas pela Igualdade de Gênero do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) organizou uma enquete para retratar o impacto dos assédios sexual e moral sobre a categoria.

A partir do levantamento de dados, o SJSPP visa melhorar as condições para debater amplamente o problema, proteger as mulheres e homens jornalistas vítimas de assédio e para cobrar das empresas de comunicação medidas de combate.

Participe da pesquisa acessando http://bit.ly/EnqueteAssedio. A pesquisa é objetiva e rápida, podendo ser respondida em menos de cinco minutos, e o sigilo é garantido.

A pauta de reivindicações da Campanha Salarial de Jornais e Revistas da Capital 2017-2018, entregue às empresas no último 24 de abril, foi a primeira a ser apresentada com nova redação sobre o tema. A cláusula também será incluída na pauta de Jornais e Revistas do Interior, já aprovada em assembleia, e deve fazer parte das próximas campanhas dos demais segmentos (Rádio e TV, Internet).

Apesar da luta do SJSP, que há anos vem pressionando os empresários nas mesas de negociação, a atual Convenção Coletiva de Jornais e Revistas da Capital tem uma redação ainda genérica: "As empresas promoverão regularmente, palestras e campanhas de conscientização contra a prática de assédio moral e sexual, a todos empregados".

Assim, na busca por avanços, a redação da cláusula na pauta da Campanha Salarial que se inicia é mais enfática quanto à abordagem da questão.

Pressão e mobilização contra o assédio

Uma das preocupações da direção do Sindicato foi a de separar a forma de encarar o assédio moral do sexual. O primeiro é uma prática de abuso dentro do local de trabalho, associada ao desrespeito aos direitos trabalhistas e à pressão pela produtividade, e por isso a entidade cobra a responsabilidade das empresas. A forma encontrada foi a de oficializar um canal de denúncias, como hoje existe em vários sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT).

Já o assédio sexual é crime e precisa ser tratado como tal. Neste caso, a principal preocupação é que a vítima possa se sentir segura e protegida para fazer a denúncia contra o assediador, e a reivindicação é pela proteção que a empresa precisa garantir às vítimas.

Em ambos os casos, sejam mulheres ou homens jornalistas vítimas de assédio, o intuito é combater as práticas, exigindo apuração e punição.

Os e as sindicalistas destacam que, por enquanto, trata-se de uma proposta apresentada pelos jornalistas às empresas. Contudo, para pressionar e fazer com que a cláusula passe a fazer parte da próxima Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), haverá uma reunião aberta a participação de todos os e as jornalistas, no próximo dia 22 de maio (hoje), às 20h, no auditório Vladimir Herzog, na sede do Sindicato, à Rua Rego Freitas nº 530, sobreloja, centro da capital.

Veja abaixo a íntegra das cláusulas com reivindicação sobre o assédio:

"CLAUSULA 41ª – ASSÉDIO MORAL

Para prevenir e combater a prática de assédio moral no local de trabalho, as empresas e o Sindicato dos Jornalistas estabelecem o seguinte Procedimento de Combate ao Assédio Moral.

Parágrafo 1º - O sindicato profissional disponibilizará canal específico aos jornalistas para o encaminhamento de denúncias, reclamações, sugestões e pedidos de esclarecimento.

Parágrafo 2º - O encaminhamento e a solução das questões suscitadas observarão os seguintes procedimentos:

a) apresentação de denúncias, reclamações e pedidos de esclarecimento, devidamente fundamentados, por parte do empregado, ao sindicato;

b) a apuração dos fatos, por parte da empresa, deverá ser concluída em até 60 dias corridos a partir da apresentação da questão pelo sindicato. Neste período, não poderá haver qualquer divulgação do fato denunciado e dos nomes envolvidos, nem pelo sindicato, nem pela empresa;

c) ao final da apuração, a empresa presta esclarecimentos ao sindicato profissional, dos fatos apurados e das medidas tomadas caso a denúncia se confirme;

d) ao sindicato profissional fica garantido acesso a todas as informações apuradas;

e) a denúncia encaminhada pelo sindicato à empresa poderá preservar o nome do denunciante.

Parágrafo 3º - Compete ao sindicato profissional signatário decidir sobre o encaminhamento, ou não, da denúncia a ele formulada.



CLAUSULA 42ª – PROTEÇÃO À VITIMA DE ASSÉDIO SEXUAL

Os jornalistas profissionais que, vítimas de assédio sexual, realizarem denúncia formal ao Poder Público, passam a fazer jus às seguintes medidas de proteção:

a) garantia de sigilo por parte da empresa, que não divulgará nome ou qualquer informação que possa identificar a vítima, sem a anuência desta;

b) impedimento de demissão imotivada até a conclusão do inquérito, sendo que no caso deste ser convertido em ação penal, o impedimento durará 12 meses a partir da data do recebimento da denúncia pela Justiça;

Parágrafo 1º - As medidas de que tratam este artigo serão garantidas tantos aos empregados que denunciem casos de assédio sexual no local de trabalho da empresa, como aqueles acontecidos no cumprimento das pautas jornalísticas

Parágrafo 2º – Confirmado assédio na ação penal, o assediador deverá ser punido nos termos da legislação trabalhista."

Fonte: Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

Mundo em Manchete - Quem disse que o Brasil só exporta jogador e corrupção? Jornal inglês clona ideia verde-amarela...



por Jean-Paul Lagarride

O britânico The Sun rendeu-se ao pioneirismo do Brasil e resolveu promover um concurso do tipo Miss Bumbum, que lá atende pelo nome de Miss Sun Bum. A ideia é abastecer a famosa Página 3 do jornal,que tradicionalmente é ilustrada com fotos de modelos fornecidas por agências.

Para o novo concurso, The Sun democraticamente abriu as inscrições nas redes sociais e para qualquer súdita da rainha ou leitoras bem dotadas - que eles chamam de "cheeky readers"  - que ofereça seus atributos a uma rigorosa seleção. No texto de lançamento, foi dado o devido crédito ao "brazilian pageant Miss Bumbum". Nada mal para uma semana em que o país se destacou nos jornais ingleses na editoria de política & suborno.

E para a Londres do Brexit, chegou a vez do Buttexit.

Leitura Dinâmica: atriz Jennifer Lawrence é flagrada em perfomance no palco de uma boate de strip-tease. Culpa foi da vodca Beluga...




Atriz postou mensagem sobre o flagra. 


por Ed Sá

Atualmente a estrela que mais fatura em Hollywood, Jennifer Lawrence é o principal alvo das redes sociais. No ano passado, fotos íntimas hackeadas do seu celular caíram na web. Ela já declarou que gosta de sair e beber, o que deixa câmeras de celulares antenadas com os seus passos.

O viral da vez é um vídeo gravado por um frequentador de uma boate de strip tease em Viena.

Em cena de "Red Sparrow". 
As cenas foram filmadas em fins de abril, mas só agora foram vazadas. Jennifer Lawrence estava na Áustria por conta das filmagens de "Red Sparrow" (que será lançado no fim do ano) onde faz o papel de uma sedutora espiã da inteligência russa. O filme retomaria a linha de longas de espionagem em função da "nova Guerra Fria".

No material de divulgação, a boate vienense Beverly Hill Clube (os tabloides informam que é um clube de quinta categoria) propaga que tem "mulheres à disposição até 5h da manhã.

Segundo testemunhas, a atriz chegou com um grupo de amigos por volta de 11 da noite e logo pediu vodca Beluga para todos.

Nas ruas de Viena, no papel
da espiã Dominika Egorova
Mais tarde, subiu ao palco, já aparentemente embalada por muitas vodcas, dançou, tirou a blusa, pegou notas de dólar, simulou que levava uma "surra" de dinheiro, beijou um acompanhante (que, segundo o site de celebridades americano Radar on Line, não era o seu último par, o diretor Darren Aronovski) e recebeu ajuda para se levantar após a performance.

Diante da repercussão do vídeo, Jennifer Lawrence postou no twitter:

"Olha, ninguém quer ser lembrado pela internet de que tentou dançar pole stripper. Era o aniversário de um dos meus melhores amigos e eu baixei a minha guarda paranoica por um segundo para me divertir". 

VEJA O VIDEO, CLIQUE AQUI

Mundo em Manchete - "Até 2050 encontraremos mais plástico do que peixes nos oceanos"

Reprodução AVAAZ
O AVAAZ, site especializado em petições públicas da sociedade, está com uma campanha contra o despejo de plástico nos oceanos. Confira os argumentos incontestáveis:  "Até 2050 encontraremos mais plástico do que peixes nos oceanos. Metade de todo plástico produzido no mundo é usado só uma vez e depois jogado fora. Isso é vergonhoso! Todo esse lixo acaba por sufocar os oceanos e a vida marinha. Mas nossos governos podem frear essa avalanche de plástico: dentro de poucos dias seus representantes se encontrarão em uma conferência histórica para apresentar metas para limpar os oceanos. A pressão popular já conseguiu que a Indonésia, segundo maior poluidor do mundo, se comprometesse a reduzir 70% de todo o lixo plástico, mas agora é preciso fisgar os outros poluidores."
PARA SABER DETALHES DA CAMPANHA E ASSINAR A PETIÇÃO, ACESSE O AVAAZ, CLIQUE AQUI

Temer não quer ir pra casa...


No título da Folha, reproduzido acima, Temer adota a linha : "tô nem aí".

por Flávio Sépia
Temer parece aquele goleiro que passou a vida no banco. Até que uma confusão em campo e uma expulsão, além de fofoca e traições no vestiário, levam o treinador a chamá-lo para o jogo. Antes de acabar o primeiro tempo, o juiz o expulsa assim que o telão do estádio mostra cena de uma estranha transação envolvendo o jogador e um pacote de dinheiro em uma caixa de chuteiras. O goleiro acusado fica "indignado' e se defende: "Não vou sair de campo. O juiz é bandido e a gravação e editada". Não nega a caixa de chuteira e vai ficando em campo mesmo com o jogo parado e as vaias da torcida.

Fábio Lau, do site Conexão Jornalismo, analisa o apego de Temer ao poder. "Acha que se o conquistou a duras penas, desafiando o improvável, é merecedor dele até mais do que aquele que o conquistou pelo voto", escreve o jornalista, hoje. E mais:

Foto Conexão Jornalismo/Reprodução

"As plantas já morrem no seu jardim, embora se recuse a ver. O cancelamento de um jantar para deputados marcado para domingo (21), onde ninguém compareceu, foi um claro sinal de que os golpistas que o elegeram via golpe já o abandonaram. E é assim que funcionam as hienas: abandonam a carniça no osso e fazem de uma parceira ferida o alimento de cada dia. Temer, o carniceiro, deveria saber que não seria poupado.
Curiosamente, a Folha de São Paulo, que jogou para ele uma boia com a história do perito que apontava falhas nas gravações, fez a entrevista que poderá determinar sua sorte. A que ele fala em "não renuncio e se quiserem que me removam."

LEIA O ARTIGO COMPLETO NO CONEXÃO JORNALISMO, CLIQUE AQUI


domingo, 21 de maio de 2017

Mundo em Manchete - "Dirty Temer" bomba nos States...





A voz das ruas...


Fotografia - Temer e Jânio: os pés da crise...





Foto de Erno Schneider/Reprodução


Duas crises, duas fotos. No alto, imagem publicada na Folha de São Paulo, hoje, mostra Temer, no Jaburu, com passos indecisos, pés apontando para rumos opostos, como se vê no detalhe. A foto é de Pedro Ladeira.

Acima, a famosa e premiada foto de Erno Schneider, de 1961, para o Jornal do Brasil. Com essa cena, Schneider fixou o logotipo da renúncia de Jânio Quadros e ganhou o Prêmio Esso de Jornalismo. Jânio, na época, não sabia se ia para a direita, esquerda ou se ficava no centro. Acabou defenestrando-se do cargo.

Temer, investigado no caso JBS, resiste a renunciar. O que não o impede de também trocar os pés. Simbolicamente, ele não sabe se caminha em direção ao seu "núcleo duro", aí representado por Moreira Franco e Eliseu Padilha, ou se segue o que lhe sugere o pé direito e se afasta da dupla que, por sua vez, já tem o filme queimado pela Lava Jato sob a denúncia de receber propina da Odebrecht.

Pode-se dizer que o flagrante de Temer não é tão expressivo fotograficamente quando o de Jânio, mas ambas as tristes figuras, no instante da foto, estão visivelmente com o GPS político avariado.

#jesuisaecim: alô militância gourmet, ajude um tucano carente a contratar um advogado...

Reprodução Facebook

por O.V. Pochê

Claro que as celebridades têm o direito de aderir ao curralzinho vip eleitoral que lhes pareça mais confortável. Nem foi a primeira vez. Um elenco de famosos embalou o Collor com entusiasmo e até frequentou a Casa da Dinda com patriotismo explícito. Mais recentemente, outros declararam decepção com Lula e Dilma. Nas últimas eleições, Aécio Neves foi exaltado pelo vip-ativistas e vários deles participaram da campanha do tucano.

O neto de Tancredo virou personagem da delação de Joesley Batista, com direito a diálogos edificantes. Algumas estrelas parças se disseram chocadas com as denúncias. Perplexas. Talvez por causa das carreiras, shows, gravações e da correria para presenças vips em pagodes, rodeios, cultos, velórios, desfiles e aniversários de BBBs e festas de firmas, os amigos não tiveram muito tempo de se enturmar com o backstage da política antes de comparecer à urna nas últimas eleições.

Daí, a surpresa. Se tivessem entrado no Google, em 2014, até no minuto anterior ao "confirma" da maquininha do TST encontrariam verbetes como "Lista de Furnas", "Mensalão Tucano", "Aeroporto de Cláudio", "Centro Administrativo". Mesmo que as informações não mudassem seus votos, pelo menos seriam poupados do "susto" que tomaram agora ao ouvir a trilha sonora de Joesley.

Nos últimos dias, parte da militância gourmet limou das suas redes sociais fotos de Aécio Neves. Isso não se faz. Cadê a solidariedade? Aécio foi buscar um troco na JBS, ô coitado, porque precisava de dinheiro para pagar advogado para se defender de rolos anteriores. Humildemente, confessou que pediu o pendura. Deu ruim. E acabou ganhando mais um processo. Ou seja, vai ter que reforçar o time de advogados. Isso custa dindim. Mas, cadê a bufunfa?

Daí que muitos dos seus apoiadores na classe artística e midiática ganham seus dinheirinhos honestos e estão com as contas bancárias recheadas. Nada mais justo então que façam agora uma lista-amiga e pinguem uns milhões no chapéu do tucano, que teria até vendido uma imagem de santo barroco que pertenceu ao vovó falecido para levantar um numerário. O homem tá necessitado, galera. Façam uma campanha, vendam umas rifas, montem um brechó, criem um crowdfunding, a popular vaquinha gourmetizada, e façam o antigo ídolo feliz.

Sugiro até a hastag: #jesuisaecim
   

sábado, 20 de maio de 2017

"Toma que o filho é teu": Demorou, mas a grande mídia aderiu ao "Fora Temer"...

Editorial do Globo 


Mídia aderiu ao "Fora Temer" mas
não às "Diretas Já". Reprodução
A mãe de todas as bombas, a JBS, provocou uma tremenda saia justa na moçada da mídia dominante.

Antes de o gravador de Joesley disparar novos "segredos" - mesmo após o vazamento da denúncia da Odebrecht que incriminou o ilegítimo - Temer era algo como a encarnação da suprema ética, o "nosso guia", alguém imbuído da missão divina de fazer as reformas a qualquer custo. Editoriais, colunistas e o noticiário exaltavam a pérola preciosa resgatada do lamaçal do Tietê, digo, do PMDB. Até que o raio paralisante da JBS caiu na redações. Nas primeiras entradas ao vivo, a perplexidade estava exposta em closes. Falar de Lula e Dilma seria mais voltagem do mesmo choque dos últimos anos. A notícia tinha ingredientes viçosos. Um típico caso jornalístico em que o homem (Joesley) mordeu os cachorros (Temer e Aécio). Não dava mais pra segurar, explode coração.

Nos primeiros minutos, ainda no susto e na velocidade dos acontecimentos, havia tensa cautela cada vez que Temer tinha que ser encaixado no texto. As análises eram timidamente superficiais, com um "se comprovadas as denúncias" exaustivamente encaixado entre centenas de vírgulas.



Ontem, a leitura dos jornais ou um simples zapear na TV mostravam outro clima: a opinião e a ênfase voltaram da folga e passaram a trabalhar. Um editoral do Globo foi a senha para levar Temer ao paredão do reality institucional do Planalto Central. Um dia antes, a Folha ousou dizer que os diálogos entre Temer e Joesley não eram "conclusivos". Veja e Época aderiram ao "Fora Temer". A Istoé, que vinha em uma trajetória de marcado adesismo, diluiu Temer ao lado de Dilma e Lula e tardiamente "descobriu" que a Lava Jato "não escolhe partidos". Só em Istoé.

Em outras circunstâncias históricas (1964),
o  "Basta" do Correio da Manhã.
Por coincidência, ressalvadas as circunstâncias históricas,  Veja destacou um "Basta!", na capa. Lembrou o Correio da Manhã, em 1964, quando a mesma interjeição pedia que Jango fosse derrubado.

A Época fez um capa tétrica do momento nacional inspirando-se em um bullying que Temer sofre: a conhecida referência ao seu visual de mordomo de filme de terror.

Em geral, para muitos coleguinhas não deve ter sido fácil acompanhar a brusca guinada. Mas à medida em que os veículos conservadores explicitaram posição e ligaram seus radares e GPSs políticos, diminuiu a tensão, âncoras, articulistas e colunistas dessas redações puderam relaxar e coreografar com mais precisão suas intervenções. Mesmo assim, haja equilibrista. Um deles, tido como "porta-voz informal de Temer", foi buscar ajuda no escritor Robert Stevenson, autor de "Dr. Jekyll and Mr. Hyde" para aliviar um pouco a barra e conceder a Temer pelo menos uma dupla personalidade. É preciso reconhecer a habilidade inserida na "opinião" que o dito jornalista construiu: "O presidente Michel Temer poderá ser levado a renunciar ao cargo por pressão do professor de Direito Constitucional Michel Temer, um homem tão cioso do cumprimento das normas constitucionais e dos princípios ético que regem a moral pública. O professor está envergonhado do ato praticado pelo presidente da República".

Por esse raciocínio de ficção, o Dr. Jekill Temer é inocente, a culpa foi do Mr. Hyde Temer. Se o culpado for para a Papuda, o STF vai ter que rebolar para saber o que fazer com o inocente.

Complicado vai ser se Mr. Hyde Temer fizer delação premiada e melar ainda mais a vida do Dr.
Jekill Temer. 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A casa caiu...

O Solar dos Neves, e São João Del Rei, sob cerco de manifestantes, ontem. Protestando contra a corrupção e pedindo "Fora Temer", eles queimaram um boneco de Aécio Neves. A foto é de Van UFSI
e foi divulgada no site Pop News.
Estátua de Tancredo Neves em São João del Rei ganhou um cartaz: "Que vergonha dos meus netinhos. Que vergonha". A foto viralizou no Facebook


Irmã e "estrategista" de Aécio, Andréa Neves
posou para "ensaio fotográfico" regulamentar antes de adentrar a
Penitenciária Estevão Pinto. Poderosa em Minas Gerais, ela costumava ligar para redações e pedir
cabeças de repórteres quando uma matéria a desagradava. Reprodução

Aécio na capa da Veja, em abril de 2017, quando foi acusado de receber propina
da Odebrecht. A família Neves não imaginava que o pior estava por vir nas fitas de
Joesley Batista.

Nos "bons tempos", quando era o "queridinho" da Veja,
que o favorecia em campanha para presidente.

A revista foi acionada pelo TSE
por fazer "propaganda eleitoral" ao veicular
publicidade de uma das edições
em plena reta final da campanha. 

Os Neves já viveram dias melhores. A delação de Joesley Batista, do grupo JBS, esmagou o clã com a força de uma tonelada de pães de queijo.

Aécio Neves foi afastado do cargo de senador e licenciado do posto de presidente do PSDB. Andréa Neves, a neta, vê o sol nascer quadrado; o neto de Tancredo Neves, Aécio, mostrou como é possível conseguir um "empréstimo" de 2 milhões de reais sem precisar ir ao banco; o Solar dos Neves, em São João del Rei, sede do feudo da família, foi cercado por manifestantes durante protesto contra a corrupção, com o devido "Fora Temer". O apartamento em que morou Tancredo, na Avenida Atlântica, no Rio, foi revistado pela Polícia Federal. Outros apartamentos, casas e a fazenda da família foram visitados. Pouco antes do escândalo JBS vir a público, Suzana Neves, prima dos irmãos Neves e ex-mulher de Sérgio Cabral, virou alvo de investigação por suspeita de receber dinheiro ilícito do ex-governador do Rio de Janeiro.

E, por falar em Tancredo, em uma involuntário marketing de oportunidade, acaba de ser lançado "Tancredo Neves, o príncipe civil".

Escrito pelo jornalista Plínio Fraga, o livro desmistifica o político mineiro. Além de mostrar sua habilidade como articulador político, revela episódios, digamos, incômodos. Uma das revelações é o mistério que envolve as "sobras" da campanha de Tancredo para a votação do colégio eleitoral da ditadura que o elegeu presidente: segundo o autor, dez milhões de dólares tomaram rumo ignorado. Fraga também cita uma acusação que remete ao tempo em que Tancredo foi vereador em São João del Rei e teria se beneficiado de um lei para o setor têxtil quando, por "coincidência", era proprietário de uma tecelagem na cidade.

Protagonista da política brasileira, Tancredo fez duas tentativas para comandar o país. Quando foi instituído o parlamentarismo no Brasil, em 1961, na verdade, um "golpe branco" contra o presidente João Goulart, Tancredo foi nomeado primeiro-ministro. Mas durou pouco no poder. Apenas nove meses depois, em plebiscito, os brasileiros fizeram o presidencialismo voltar e Tancredo foi defenestrado. Praticamente hibernou durante a ditadura para voltar como candidato a presidente via eleição indireta, em 1985. Mais uma vez, o destino lhe negou o poder. Com mais de 50 milhões de votos na última eleição presidencial, Aécio Neves quase chegou lá. Trabalhava, agora, para ser novamente candidato. Já não vinha bem nas pesquisas para 2018. O novo escândalo provavelmente eliminará suas chances. Ele sonhava em bater chapa com Lula. Dificilmente os nomes dos dois aparecerão na tecla "confirma" da urna eletrônica no ano que vem. Ambos têm preocupações agora mais urgentes do que ambições presidenciais. O mais provável é que esse trem já tenha deixado a estação sem levá-los como passageiros.

Deu capa...


quinta-feira, 18 de maio de 2017

Se Temer chamar o caminhão de mudança, quem vai morar nos palácios do Propinalto e do Alvoroço? Pode rolar uma vaga para despachante...

por Flávio Sépia

Pelé já disse que o brasileiro não sabe votar. Faltou de dizer que a grande mídia também não. Desembarcou da República Velha apenas quando forças urbanas começaram a minar a oligarquia agrária, conviveu com o ditador Getúlio Vargas e se beneficiou com verbas do Estado Novo, mas ajudou a demolir o governo constitucional do mesmo Vargas quando este deu um rumo tido como popular à sua gestão; com os militares e as forças conservadoras promoveu o golpe de 1964 e reinou ao lado dos coturnos por 21 anos; manteve a parceria no desastrado governo do "parça" Sarney; trabalhou para eleger Collor de Mello; apoiou com entusiasmo Aécio Neves para presidente, conspirou contra Dilma Rousseff e abraçou Michel Temer. Impressionante.

Ontem, a palavra mais pronunciada por âncoras foi "perplexidade"? Como assim? Temer e Aécio são citados em delações quase que diariamente. A irmã do Aécio, idem. O suposto operador do Planalto já é conhecido. As marcas de batom nas ilustres cuecas eram muitas. A bomba estava pronta, o estopim é que foi providencialmente apagado várias vezes nos últimos meses. Novidade mesmo são as gravações, que ainda não foram divulgadas.

Aparentemente, esse modelo de intervenção midiática não será quebrado. Como os aliados estão caindo como peças de dominó enfileiradas e Temer agora circula entre o Palácio do Propinalto, onde despacha, e o Palácio do Alvoroço, onde mora, a mídia dominante procura um novo "despachante". Aparentemente Dória é a bola da vez no radar midiático. Quem mais? Alkmin é praticamente um pato manco, tantas são as suas citações em merendas e metrôs paulistas; Serra anda sonolento e também frequenta listas de delatores; Luciano Huck ainda está na categoria balão de ensaio, mas ganhou aval de FHC; Barbosa, o herói do mensalão já não parece tão confiável para o "sistema"; Carmen Lúcia é cogitada; Henrique Meireles, ex-conselheiro da JBS?; Moro?; Bernardinho?; Marina;  Kim Kataguiri; Deltan Dallagnol? Bolsonaro?

Difícil saber o que vai acontecer nos próximos dias. Temer vai escrever uma carta de renúncia? Rodrigo Maia assume, convoca eleições e será efetivado?

Temer resiste e se sustenta com a muleta das reformas exigidas pelo "mercado". Ontem, o líder do governo no Senado, o notório Romero Jucá, ele também na lista de chamada da Lava Jato, já defendia que o importante é continuar trabalhando pelas reformas e pelo Brasil, zil, zil.

terça-feira, 16 de maio de 2017

Coréia do Norte, onde fica mesmo? Pesquisa do New York Times comprova que 64% dos americanos pensam que o país de Kim Jong-un fica na Austrália, Tailândia ou, quem sabe, em Papua Nova Guiné...

Reprodução NY Times

Em uma pesquisa interativa, o New York Times ouviu 1.746 adultos para saber até onde eles seriam capazes de apontar no mapa a localização da Coréia do Norte. Apenas 36% acertaram. Cada ponto assinalado em azul no mapa reproduzido acima corresponde a uma resposta dos entrevistados.

Não é novidade a ausência de conhecimentos geográficos no mundo red neck de Tio Sam. Outra pesquisa já aferiu que seis em cada 10 americano não tinham a menor ideia de onde ficava o país de Saddam Hussein, enquanto 75% da população não sabem apontar no mapa onde ficam Irã e Israel. E apenas metade dos americanos soube dizer quando pesquisada onde fica exatamente o Estado de Nova York.

O New York Times não informou se Donald Trump sabe onde fica a Coréia do Norte, que atualmente lidera uma lista de 144 países que o americano médio considera "inimigos".
Veja a matéria do NY Times, AQUI

Memórias da redação - Com bandejão gourmet na antiga gráfica, em Parada de Lucas, Fatos & Fotos comemora seu primeiro aniversário


Foi em 1962. Terá sido pelo prestígio das revistas, importantes na época (naquele ano a Fatos & Fotos rodava 200 mil exemplares), pela qualidade da comida servida no restaurante da Bloch, na gráfica de Parada de Lucas, ou pelo prazer do encontro em pleno verão carioca.

Era um janeiro sufocante, apesar dos paletós e gravatas à mesa. O cardápio era feijoada. Dá para imaginar a volta da caravana, a 40 graus, após a incursão ao bairro distante, na fronteira com a cidade de Caxias, sonolenta de carne seca, costela, pé, lombo e orelha da porco. O cerveja só podia ser Antarctica ou Brahma, que eram anunciantes e usavam os serviços de impressão de Lucas.

Lançada em 1961 e apontada como "o maior acontecimento jornalístico" daquele ano, a Fatos & Fotos celebrava seu primeira aniversário. O bandejão gourmet reuniu "tout le Rio".  O ex-presidente Juscelino Kubitscheck, o acadêmico Austregésilo de Athayde, recebidos por Adolpho Bloch e pelo diretor da F&F, Alberto Dines, além de socialites, empresários, publicitários e banqueiros, esta uma categoria historicamente fundamental para a liquidez da Bloch.

Sorridente, o ex-presidente Juscelino Kubitscheck estava animado. Certamente já sonhava com a campanha para a volta ao Planalto. Tinha até slogan: JK-65.

Dois meses depois, a Fatos & Fotos faria sua primeira grande cobertura internacional: a visita de João Goulart à Casa Branca, então sede da corte de John Kennedy, a Camelot reeditada.

Os três personagens não sabiam, mas os seus destinos já estavam sendo escritos, e bem longe dos seus projetos.

Kennedy não veria o fim de 1963, Jango, derrubado, partiria para o exílio em abril de 1964, a reeleição de JK-65 seria atropelada pelo golpe militar e o ex-presidente também se exilaria dois meses depois de a ditadura se instalar em Brasília.

A Fatos & Fotos continuou saindo, semanalmente, até março de 1985. Depois disso, voltou às bancas apenas em edições especiais de Carnaval ou de acontecimentos marcantes.  A Bloch faliu em 2000. O salão visto na reprodução acima foi ocupado por famílias de sem-tetos, até ir a leilão.

O mundo girou e só a Lusitana continuou rodando.