JK em uma das suas últimas entrevistas. Veja AQUI
O depoimento de Dona Sarak. Veja AQUI
O depoimento de Dona Sarak. Veja AQUI
Na democracia norte-americana acontece nas melhores famílias e todo mundo tem direito à sua foto oficial feita pelas implacáveis câmeras da lei: o “boneco” fichado pela polícia. Nem um santo como o pastor Martin Luther King, Jr. escapou do “mug shot” oficial. Agora, Donald Trump faz história, ao se tornar o Primeiro Presidente da República a ingressar no chamado “Hall of Shame”. Aqui algumas celebridades – incluindo até estrangeiras – eternizadas pelas lentes da Lei.
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| Hertz Aquino e J.A.Barros em Belo Horizonte, 1949 Foto: Arquivo Pessoal. |
| Estação Ferroviaária de Belo Horizonte. Reprodução |
Niterói, 1949. Pela manhã, ainda de ressaca da noite anterior, eu descia a calçada que margeava o canal do riacho que passava pela avenida até encontrar o mar na Baia da Guanabara. De repente, na minha frente, surge o meu amigo Hertz Lemos de Aquino que, em vez do bom dia, me soltou de cara:
- Quer dar uma volta em Belo Horizonte?
Surpreso com a pergunta e achando que o Hertz tava de sacanagem, entrei na gozação.
- Claro. Quando viajamos?, eu quis saber.
Hertz foi rápido.
- Depois de amanhã pegamos o trem na Central do Brasil e estaremos em Belo ao anoitecer. Topas?
- Se não tá de sacanagem, vou correndo para casa arrumar a mala e arranjar grana pra gastar em Belô.
E foi assim que em setembro de 1949 eu e Hertz embarcamos em um trem que me lembrava os filmes do far west americano.
Qual o motivo daquela viagem? Sabia apenas que Hertz tinha um amigo, Newton, um rapaz muito inteligente, primeiro aluno nas escolas pelas quais passou, que era membro de uma instituição mineira que tinha como propósito combater as formigas que vinham assolando os campos agrícolas e causando estragos formidáveis. Tal praga reduzia sensivemente o ganho financeiro dos fazendeiros.
O slogan da campanha era: “Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”.
No século 19, o autor das frase, o naturalista francês Yves Saint-Hilaire, percorrera o Brasil e já alertara para o problema. Com saúva ou sem saúva, eu estava em um trem, viajando para Minas Gerais. Não sei até hoje quanto quilômetros me separavam de Belo Horizonte, assim como não sabia quantos vagões o trem carregava. Sentado em um banco de madeira, nervoso e até assustado, me perguntava que impulso me levou àquele trem, às 7 horas da manhã. Hertz, ao meu lado, fumava tranquio um cigarro, indiferente, ao que me pareceu. Ele, pelo menos sabia a razão daquele viagem. Deixei pra lá, até porque nada iria mudar se viesse a saber de alguma coisa. Presente dos deuses, imaginei, mas na verdade presente do Hertz Lemos de Aquino. Obrigado, Hertz.
Era minha primeira viagem de trem. Se vocês nunca viajaram de trem - e não falo dos trens urbanos - não sabem o que é viajar. Anos mais tarde embarquei em um avião da ponte-aérea para São Paulo e, em outra ocasião, fui de ônibus para o mesmo destino. Confesso que detestei.
Gente, uma viagem de trem é uma experiência inesquecível. Nos vagões havia espaço à volta, podia-se percorrer os corredores, ir de um vagão a outro; acomodar-se em uma das mesas do vagão-restaurante, pedir uma cerveja bem gelada. Pela janela, passavam os campos de pastagens com manadas de garrotes engordando para o corte, vacas holandesas malhadas de preto e branco preguiçosamente ruminando a grama verde e suculenta que lhes daria o leite para os seus bezerrinhos e para nós bezerrões que crescemos e envelhecemos bebendo o sagrado leite. Cavalos lindos, como também pangarés, pastando sob a brisa que soprava e agitava suas crinas. Era um mundo que eu não conhecia. Maravihoso, espetacular,fantástico, extraordinário.
Tudo poderia acontecer em uma viagem de trem naquela época. Lembro que, no ano seguinte, 1950, Getúlio Vargas seria eleito presidente do Brasil. Aquele trem, também identificado popularmrnte como “Maria Fumaça“, era o modelo que percorria as ferrovias do Brasil, de ponta a ponta. Durante o longo trajeto Rio-BH passei por sensações estranhas. O percurso despertava a imaginação. Em um momento, sonolento, senti que o trem era assaltado pelo bando de Jesse James e seu irmão Frank James. O trem era mesmo uma cópia fiel das composições que atravessavam as planices do oeste americano onde Jesse James executava seus assaltos.
| A Maria-Fumaça mineira. Reprodução |
Mal sabíamos que, uma década depois, um presidente deste país acabaria com os trens e, em seu lugar, traria as grandes montadoras de automóveis, caminhões, ônibus, as estradas de rodagem que cortaram o Brasil de norte a sul. Milhares de quilômetros da imensa rede ferroviária brasileira foram destruídos, locomotivas sucateadas. Caminhões em vez de trens passaram a transportar toda produção agrícola e industrial do país. Os trens de passageiros sumiram. É díficil entender a cabeça dos governantes. Até hoje não compreendo a prática econômica do Brasil. Um trem com 20 vagões pode transporter 40 containeres, dois containeres em cada vagão. Um caminhão só transporta um container e, quando muito, mais um no reboque. Gostaria que alguém me explicasse essa matemática .
Ah!, em 1880 os EUA tinham mais de 300 mil quilômetros de trilhos e o Brasil 14 mil quilometros. No século XIX, os EUA ligaram o litoral do Atläntico com o litoral do Pacífico.
No ano de 1949, com 17 anos, viajei de trem pela primeira vez na minha vida. JK acabou com os trens mas, na minha imaginação eles ainda circulam. Guardo até hoje a simplicidade e o fascínio daqueles mometos que vivi.
A edição da semana da IstoÉ destaca dois escândalos bolsonaristas: o do Cidralha e a suspeita de lavagem de dinheiro através do "dízimo' que os bolsonaristas pagaram a Jair do Pix. A revista só não ganhou o direito de pedir música no Fantástico porque o terceiro escândalo da semana, o do pimpolho Jair Renan não sechegou a tempo de pararem as máquinas. As mutretas bolsonaristas estouram com tanta velocidade que até mesmo a mídia digital e a multidão de comentaristas dos canais de notícias estão com dificuldade de acompanhar.
A ex-presidente Dilma Rousseff foi absolvida da acusação de prática das famosas "pedaladas fiscais". A justiça estabelece que foi ficção política o motivo construido para justificar o impeachment. Além de derrubar uma presidente eleita democraticamente, o impeachment ilegítimo configurou um golpe de Estado que lançou o Brasil em um caminho de desmonte de conquistas previdenciárias e trabalhistas, plantou condições para a neoprivataria, para a ofensiva ao meio ambiente e, principalmente, torna Michel Temer um "presidente" ilegitimo perante a História. A queda ilegal de Dilma também resultou no desastre que viria em seguida: a eleição de Jair Bolsonaro. A golpe só foi possível porque a chamada grande imprensa investiu em calúnias e em intensa e sórdida campanha manipulou a opinião pública e recrutou consciências fracas e mentes imbecis do populacho que assmilaram a mensagem golpista.
Uma boa análise desse triste episódio - mais um golpe que teve protagonismo da mídia controlada por oligarcas - foi feita ontem por Marco Piva para o GGN. Leia no link abaixo.
Faltam repórteres ou sobram interesses. Jornal português Record fura todo mundo e revela que Neymar, convocado pela CBF para Eliminatórias em setembro, tem duas lesões, uma leve e outra que exige duas semanas para cura. No Brasil, parte interessada nesse contexto, só se publica, oba, oba. Quem vai apurar como Neymar sofreu duas lesões? Quando o brasileiro entrou em campo no último jogo da pré-temporada do PSG não deu sinais de problemas. Também não acusou contusão ao subir as escadas do Jumbo de luxo que o levou à Arábia Saudita. Coube a Jorge Jesus revelar a verdade por traz da festa. E aí? Alguém vai apurar como Neymar se contundiu? Ou a mídia esportiva vai esperar o próximo press release do Hilal ou da CBF? Ou vai esperar o ventilador do Jorge Jesus jogar coliformes nas redações?
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| Léa Garcia (à dir.) com Vinicius de Moraes e Breno Melo, em Cannes, 1959 |
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| A atriz brasileira aplaudida no Maxim's, Paris |
| Folha noticia a morte de Léa Garcia com um "erramos de novo": a foto é da atriz Jacyra Silva |
Léa Garcia teve uma carreira de sucesso no cinema, teatro e TV. A Manchete acompanhou passo a passo a trajetória da atriz e cobriu o festival francês que a consagrou, mas ela frequentou as páginas da revista muito antes de brilhar em Cannes, em 1959, quando o filme francês Orpheu Noir ganhou a Palma de Ouro. E a brasileira ficou em segundo lugar na categoria Melhor Atriz. Simone Signoret, em Almas em Leilão (Room at The Top, no título original) foi a vencedora. No ano seguinte, Orfeu Negro venceu o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. No filme, baseado na peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes e dirigido por Marcel Camus, Léa se destacou no papel de Serafina. Ela estreou nos palcos em 1952, em Rapsódia Negra, produção do Teatro Experimental do Negro e tornou-se conhecida do grande público na novela Escrava Isaura. Ainda na TV, fez, entre outras, as novelas Assim na Terra como no Céu, Minha Doce Namorada, Selva de Pedra, Os Ossos do Barão e Fogo Sobre Terra e Anjo Mau, todas grandes sucesso da Rede Globo. Na Rede Manchete, atuou em Dona Beija, Xica da Silva, Tocaia Grande e Helena. Na sua filmografia, além de Orfeu Negro, estão longas como As Filhas do Vento, Ganga Zumba, A Noiva da Cidade, Quilonbo, Vinicius, 2010 Mon Père (filme belga) e Boca de Ouro.
Léa Garcia, morreu em Gramado, no Rio Grande do Sul, onde participava do 51º Festival de Cinema. Ela seria homenageada com o Troféu Oscarito. A atriz também participaria de uma das próximas novelas da Globo: o remake de Renascer. Um infarto a levou em plena atividade, aos 90 anos. Léa Garcia será velada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro no sábado, 19.
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| Reproduzido do X (ex-Twitter) |
O ministro Fernando Haddad tem dedicado grande parte do seu tempo a difíceis negociações com o Congresso. O jogo é mais duro com a Câmara dos Deputados que quer levar vantagem em tudo, o tempo todo.
Muitos deputados parecem partir de um estranho princípio: legislar é business.
Desse o golpe que derrubou Dilma Rousseff , a democracia está sob constante ameaça. O Legislativo, com o golpista Michel Temer e com Bolsonaro do Rolex, ganhou podres poderes, entre os quais os bilhões destinados às emendas na rubrica secreta sob frouxos controles.
Sob a chefia do notório Arthur Lira, a Câmara interfere no Executivo e estende suas garras insaciáveis sobre o orçamento da União.
A Câmara dos Deputados, aliás, vive o melhor dos mundos: ganhou um poder que é quase um simulacro do parlamentarismo digno do Zorra Total ou da Praça é Nossa, sem os mecanismos de controle desse regime. Exemplo: em países que adotam o parlamentarismo o Legislativo indica o primeiro-ministro, que governa de fato e de direito, mas o presidente tem o poder de dissolver o Congresso e convocar novas eleições. No atual e tosco "parlamentarismo" que a Câmara conquistou na sequência do golpe contra Dilma Rousseff, os deputados não correm esse risco, podem mandar e desmandar, bancadas chantageiam politicamente o Executivo e, se não forem atendidos, podem até paralisar o governo.
Haddad identificou o desequilíbrio entre os poderes ao dizer que a Câmara, com a força conquistada durante os erráticos governos Temer e Bolsonaro do Rolex, "não pode humilhar o Senado e o STF".
Bastou isso para a tropa legislativa cancelar reunião sobre projeto de importância para o país.
O que, ironicamente, só provou a exatidão da frase de Haddad.
por Niko Bolontrin
A mídia informa que Neymar já é jogador do Al Hilal, da Arábia Saudita. E as redes sociais se dividem entre apoiar o jogador e críticas à opção de aderir a um país onde o futebol é algo tão desértico quanto o ecossistema da região.
Com os cofres cheios de petrodolares, o país está contratando jogadores de renome, a maioria na reta final da carreira, para se firmar como centro de futebol.
Apesar dos craques que toparam ir para o deserto, o futebol praticado ali é risível. Claro que o que motivou Neymar a aceitar o chamado do Al Hilal foi o monte de euros. Do ponto de vista esportivo o brasileiro vai para o exílio bem remunerado. Afasta-se da Europa, o polo incontestável do melhor futebol.
Há outras consequências: a Arábia Saudita é uma ditadura teocrática, mas isso não incomoda o bolsonarista Neymar que provavelmente nem sabe disso. Como também não foi informado de que álcool, sexo fora do casamento, adultério, blasfêmia etc são severamente punidos.
Neymar já declarou que não deseja jogar futebol profissionalmente por muito mais tempo. Esse pode ser seu último grande contrato. A fragilidade física representada por frequentes contusões, especialmente lesões nos pés, também pode ter sido levada em conta pelo jogador. Melhor botar a mão nessa grana dos árabes antes que os pés o traiam novamente.
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| Com a enfermeira Andressa, na UPA- Botafogo. Foto de Cláudia Alves |
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| Com a bandagem que lembrou Apollinaire quando ferido na Primey Guerra Mundial. Foto Lena Muggiati |
Pensei na data, 9 de agosto, algo especial? Sim, 78 anos da segunda bomba atômica, a de Nagasaki, só lembrei da data porque os japoneses ficaram injuriados com a dobradinha “Barbie/Oppenheimer” que, em nome das sacrossantas bilheterias, veio tingir com tons róseos de leviandade um dos episódios mais trágicos de nossa história recente, a Bomba de Hiroxima.
Com bandagem na testa e bengala de quatro pontas, resquício da fratura do fêmur, resolvi, já que estava no Baixo Botafogo, ir tomar um café no Depanneur e procurar um filme na Livraria da Travessa. (Hoje vivo isolado em Laranjeiras, do outro lado do implacável paredão do Corcovado e do Dona Marta.) Achei o que queria, A Via Láctea, do mestre Buñuel. Estou revendo os principais filmes estrelados por Delphine Seyrig – e não são poucos, ela brilha ainda mais em O charme discreto da burguesia – para escrever um perfil da atriz do recém-eleito “melhor filme de todos os tempos”, Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce, 1080 Bruxelles. Atriz de Resnais, Truffaut, Joseph Losey, Fred Zinnemann, Jacques Demy, William Klein, Don Siegel, Marguerite Duras, entre outros, Delphine, morta em 1990, reinará suprema até 2032, dona absoluta das três horas e meia do filme de Chantal Akerman, aclamado agora pelo colegiado da Sight&Sound, quase 50 anos depois do seu lançamento, em 1975.
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| Reprodução X (ex-Twitter) Por O.V.Pochê |
* À margem no noticiário sobre a bandidagem bolsonarista, os botecos não falam em outra coisa. Vejam a resenha:
* As Forças Armadas determinam que soldados e oficiais evitem portar relógios nas paradas de Sete de Setembro
* As mulheres dos militares também devem evitar usar jóias. Vai que...
* Bolsonaristas estão convocando a Marcha Rolex, Pátria e Familia para que devolvam a Bolsonaro as jóias que ele afanou.
* Serão abertas investigações sobre os móveis do Alvorada, extravio de vacinas, ouro ilegal dos garimpos, venda de refinarias da Petrobras, venda da BR, venda da Eletrobras, tentativa de privatizar as praias e a Imobiliária Bolsonaro's. Suspeita é que Bolsonaro teria considerado que tudo isso era presente pra uso pessoal dele.
* Banco Central do bolsonarista Roberto Campos Neto vai aumentar juros em 10% em protesto contra perseguição monetária a Bolsonaro
* Bolsonaro tentou leiloar relógio da Central.
* Dizem que Trump mandou ver ser falta alguma coisa na mansão de Mar-a-Lago: Bolsonaro passou por lá.
* Companhias aéreas registram grande aumento de procura de passagens por parte de bolsonaristas rumo a Miami e Orlando. Quem tiver parente bolsonarista avise que todos passarão pelo scanner corporal e haverá verificação de orifícios de madames e marmanjos.
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| Reprodução Relatório da PF |
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| Reprodução X (ex-Twitter) |
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| Reprodução X (ex-Twitter) |
| O cinema reforça o mito da liberalidade sexual das suecas: Bibi Andersson e Liv Ullmann em Persona. |
Vendo as meninas louras eliminarem as americanas na Copa do Mundo Feminina e revendo Acossado, um soi-disant filme de ação que passa um terço do tempo trancado num quartinho de hotel, com Belmondo de cueca samba-canção desfilando sua Weltanschauung para impressionar Jean Seberg, lembrei da minha experiência com as suecas. Belmondo deambula: “A rapaziada é mentirosa, Estocolmo, por exemplo: ‘As suecas são formidáveis, eu traçava três por dia.’ Estive lá. É uma mentira.”
A caminho de minha bolsa de estudos em Paris em 1960, parei em Lisboa. Um casal recomendado por amigos me levou a uma casa de fados. Agregado ao casal, havia um capitão do exército, Carlos Lacerda. O nome já não inspirava muita confiança, devia ter muito QI para estar no bem bom, longe da sangrenta guerra colonial. O afável capitão, sabendo que eu viajaria pela Escandinávia, sacou um caderninho preto e copiou para mim numa folhinha de papel os telefones de dezenas de garotas suecas que conhecia e que, em linguagem bélica, eram “tiro e queda.” Quando visitei a Estocolmo no verão de 1961, telefonei, telefonei e telefonei, dias seguidos, para as Ingrids, Margids e Gretas – e não deu em nada. Fiquei literalmente na mão...
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| José-Itamar de Freitas e Nélio Horta na redação da Enciclopédia Bloch em Frei Caneca. Foto:Acervo Nélio Horta |
| O Fantástico fez uma homenagem especial a Jose-Itamar de Freitas, em 2020 |
José-Itamar de Freitas morreu em 2020, aos 85 anos, de complicações da Covid.
Foi-se o Criador, a Criatura segue em frente.
Ela conseguiu se fazer ouvir em meio à guerra e acima das explosões e lidera as músicas mais ouvidas na Ucrânia (e em Belarus e no Cazaquistão). A funkeira eletrônica Bibi Babydoll arrebata plateias do mundo inteiro com seu provocante Automotivo Bibi Fogosa, que está no topo da playlist global da plataforma de faixas virais (cuja audição sobe mais rapidamente).
Beatriz Alcade Santos, curitibana de 24 anos, pontificou em 2021 ao emplacar Pirigótika, que chegou a 100 mil views em menos de uma semana. Em seu site, Bibi Babydoll se define como “performer, influencer, publicitária e corporate punk rock whore” – ufa! Com todo esse gás a menina vai longe...
Curitiba – que conta hoje 70 mil descendentes de ucranianos – retribui assim ao país que resiste bravamente à bárbara invasão russa.
Confira AQUI Bibi Babydoll e DJ Brunin XM - Automotivo Bibi Fogosa (Clipe Oficial)
por Niko Bolontrin
Será que a mídia esportiva é mesmo capaz de avaliar o trabalho de um treinador? Há dúvidas.
Vejam dois casos. Cansei de ouvir jornalistas sugerindo que a CBF contratasse um treinador permanente ou quase isso para a seleção brasileira. Pois bem: Tite foi chamado, treinou, treinou, falou difícil e perdeu a Copa da Rússia. Nunca um treinador recebeu tanto apoio da imprensa. Parecia o Guardiola brasileiro. Foi mantido apesar de não passar das quartas de final. Quatro anos depois, Tite chegou à Copa do Catar. Ter classificado o Brasil não conta: escândalo seria se a seleção brasileira não se classificasse tamanha a moleza. De novo, o treinador dava entrevistas rebuscadas, parecia saber o que estava dizendo. Não sabia. O Brasil passou vexame novamente e foi despachado de novo nas quartas de final. Só aí a mídia esportiva tornou-se subitamente crítica ao treinador que mais tempo teve para preparar uma seleção brasileira.
O segundo caso. A treinadora Pia, da seleção feminina teve recursos e tempo para preparar a seleção feminina. A mídia não apontou qualquer defeito na sueca. Até que as meninas do Brasil saíram da Copa do Mundo ainda na fase de grupos. Vexame. E só então, com a vaca no brejo, comentaristas de futebol, de ambos os sexos, passaram a apontar os erros da Pia. Assim como Tite no Catar, a sueca parecia em coma na Copa da Austrália - Nova Zelândia. Os closes da TV mostravam Pia atônita.
Que tal a mídia esportiva mostrar que é do ramo e provar capacidade de criticar o trabalho dos treinadores antes do desastre? Isso ajudaria o futebol mais do que a exaltação bajuladora.
A torcida agradece.
Uma coisa Tite e Pia ajudaram a provar. Treinador não deve mesmo ter estabilidade. Precisam provar a cada momento que sabem armar um time para vencer adversários qualificados e não apenas "fazer o nome' em amistosos de quinta categoria.
A torcida agradece.
| Foto Gil Pinheiro |
2 de agosto de 2000. Há 23 anos, em uma quarta-feira como hoje, os funcionários da Bloch Editores foram obrigados a abandonar às pressas a sede da empresa na Glória. Um oficial de justiça concedeu-lhes apenas alguns minutos para que reunissem seus objetos pessoais e, literalmente, fossem para a rua. No caso, a do Russell.
A aglomeração no pequeno largo diante do imponente conjunto de três edifícios assinado por Oscar Niemeyer chamava atenção de quem passava de carro. Formou-se um pequeno engarrafamento, alguns indagavam se havia um incêndio.
Não. Ninguém gritou fogo, mas a notícia da autofalência da Bloch queimava centenas de carreiras e lançava os mais idosos no desemprego. Aos mais jovens restava enfrentar o sempre difícil mercado de trabalho. No caso de jornalistas, fotógrafos, pessoal do administrativo e gráficos surgia um novo obstáculo: a mídia impressa entrava em grave crise que se agravaria ao longo da primeira década do novo milênio. O meio digital não ofereceria um número de vagas que compensasse a perda de cerca de quatro mil postos em todo o mercado de jornais e revistas do Brasil.
A Bloch Editores agonizava desde meados dos anos 1990, abalada pela grave crise financeira e adminstrativa da Rede Manchete. Afinal, depois de várias vendas frustradas e desfeitas por falta de pagamento dos compradores, a TV foi vendida em 1999 ao grupo empresarial que fundou a RedeTV (que, na transação, atendia pelo nome fantasia de TV Ômega).
Um reposicionamento da Revista Manchete nos últimos anos daquela década deu esperança de novo vigor ao braço editorial das revistas impressas da Bloch. Mas era tarde. Imposta pela internet, a acelerada mudança do mercado de revistas já se anuncava em 2000 e em menos de dez anos decretaria o fim de centenas de publicações impressas no Brasil e no mundo.
A Bloch não resistiu e pediu falência.
Carlos Heitor Cony testemunhou a queda do raio que partiu de vez o futuro da empresa. Ele confessou que só sete anos depois conseguiu descrever um pouco do que sentiu ao ser enxotado naquele fatídico agosto. Seu relato foi publicado na Folha de São Paulo em 2007. Segue-se um pequeno trecho do texto do Cony, que faleceu em 2018.
- Penso que remeti as impressões todas para a caverna mais funda da memória, mais cedo ou mais tarde conseguirei articular alguma coisa expressando meu espanto, minha tristeza. A decepção de ver um mundo colorido, alegre e despreocupado, depois de uma ruína gradual e dolorosa que já durava dois anos, fechar-se como um túmulo que sepulta fantasmas, alguns mortos (Adolpho Bloch, Justino Martins, Magalhães Jr e outros ainda vivos, nós todos). Sinto em cima de mim o gosto de terra e o cheiro de flores apodrecendo".
Em 2008, como um dos autores da coletânea "Aconteceu na Manchete - as histórias que ninguém contou" (Desiderata), lançado por um grupo de ex-funcionários da Bloch, Cony voltou ao assunto e, entreo outras revelações destacou;:
- Foi na Manchete que fiz e conservei alguns dos amigos mais queridos. Por ocasião da falência do grupo, eu ocupava o antigo escritório de JK no décimo andar do 804, dava apenas assistência não mais às revistas, mas à diretoria, sofri com Adolpho o trauma das tentativas de venda da TV a outros grupos".
Cony certamente não imaginou que aquele trágico 2 de agosto era apenas o primeiro e sofrido capítulo de um drama que se arrasta até hoje quando a Massa Falida da Bloch Editores completa inacreditáveis 23 anos.
Não há justiça plena enquanto uma instituição que deveria privilegiar os trabalhadores consome partrimônio, tempo e esperanças ao não restituir todos os legítimos direitos às vítimas da implosão de uma corporação. Massas falidas não pode se eternizar enquanto vidas passam.
Registre-se que uma parcela majoritária de credores trabalhistas da Bloch recebeu seus valores chamados principais. A estes - seriam quase três mil ex-funcionários da Bloch Editores e Gráficos Bloch -, a Massa Falida pagou depois três parcelas de juros e correção monetária, mas há quase dez anos interrompeu essa recomposição devida. Por outro lado, ainda há credores trabalhistas habilitados que não receberam seus valores principais.
A Massa Falida da Bloch Editores foi constituída em 2000. Apesar disso, o atual administrador judicial cita uma lei de 2005 segundo a qual valores referentes a juros só poderão ser pagos após a quitação das dívidas da extinta Bloch com todos os seus credores, trabalhalistas, financeiros, comerciais, institucionais etc. Então a lei retroage? Essa é a pergunta que muitos ex-funcionários fazem. Há outras indagações. No ano passado o síndico da Massa Falida da Bloch Editores informou a procuradores do Estado do Rio de Janeiro que "o ativo da massa falida foi praticamente liquidado, encontrando-se o processo falimentar na fase de pagamento de credores para posterior encerramento". Isso indica que o caixa se esvaziará antes do pagamento dos valores históricos e de juros e correção monetária de todos os credores trabalhistas?
Um bem valioso que pertencia ao extinto Grupo Bloch era o grande prédio da sede em São Paulo. Tal patrimônio teria ido a leilão, mas, em primeira chamada,, em outubro do ano passado, não apareceram potenciais compradores. Não tenho informação se foi arrematado posteriormente. No caso, o valor arrecadado seria, segundo dizem credores trabalhistas, dividido entre as massas falidas da Bloch e da TV Manchete. Outro item de valor são as obras de arte restantes do acervo da editora. Aparentemente continuam aguardando uma data para leilão. Enquanto isso, custam à MFBloch o aluguel de salas para guarda, seguro etc.
Trabalhei muito anos com Carlos Heitor Cony na Fatos & Fotos, na Fatos e na Manchete, mas não estive no fatídico dia do despejo do prédio da Rua do Russell, que frequentei por longos 17 anos. Saí antes do desfecho da Bloch, não tive motivos para me habilitar a qualquer indenização. Em 1996, o editor e fotógrafo Sergio Zalis, com que eu havia trabalhado na revista Fatos, me convidou para participar da equipe da Caras, no Rio. Deixei a Manchete e me mudei para a Torre do Rio Sul, onde ficava a redação carioca da então recem-lançada revista sediada em São Paulo. Foi uma ótima expriência que durou oito anos. A Caras era fruto de uma parceria da Editora Perfil, argentina, com a Abril. Em 2004, fui demitido após uma discussão com o diretor-geral da Caras. Para minha supresa, no dia seguinte, por indicação de Patricia Hargreaves e Vanessa Cabral, ambas ex-Caras, Edson Rossi, que ao lado de Claudia Giudice, também ex-Caras, planejava o reposicionamento editorial da Contigo, publicação da Editora Abri, me convidou para integrar a sua equipe. Topei e foram, novamente, bons anos, até 2014, quando meu tempo de trabalho fixo em redações se esgotou em parte pela crise, em parte pela minha idade - era veterano demais para os novos tempos.
Em todos eesses anos distante da Manchete nunca deixei de acompanhar a luta sem fim dos antigos colegas pelos seus direitos. De certa forma, eu estava naquela dramática aglomeração na Rua do Russell. Por fim, lamento que esse post não seja otimista, tanto que vale voltar ao Cony e a uma das frases que ele gostava de repetir.
- Insisto em ser pessimista por antecipação e cálculo. O que me sobra é lucro''.
#acordecom elas
#estãodormindo até agora
(à maneira de Neném Prancha & Nélson Rodrigues)
No jornalismo investigativo ou não a fonte anônima deve ser secundária no desenvolvimento da apuração. É válida desde que preferencialmente ajude a balizar e orientar a investigação ou a matéria e, ainda, quando narra fatos que testemunhou. Mas fonte anônima que opina? Inusitado.
Um exemplo célebre do uso adequado do anonimato foi o Caso Watergate (a invasão do escritório dos Democratas orquestrada por Richard Nixon e seus capangas republicanos). Os repórteres Carl Bernstein e Bob Woodward usaram uma fonte secreta, à qual deram o nome de Deep Throat, que não foi a protagonista principal da série de reportagens. Mais do que isso, forneceu caminhos, nomes e locais que levaram a dupla de jornalistas a puxar fios que revelaram a malha de espionagem e manipulação do governo Nixon com fins eleitorais.
Aqui, atualmente, a fonte não identificada calça a especulação, planta opiniões e, não raro, sustenta a pauta que o jornalista já traz pronta da redação. Um roteiro prévio que precisa apenas de um avatar: a fonte sem nome, geralmente fácil de achar e tão secreta quanto o orçamento da Câmara dos Deputados.
No recente episódio da campanha dos principais veículos neoliberais contra a nomeação do economista Marcos Pochmann para o IBGE, uma das jornalistas envolvida nos ataques, a notória Malu Gaspar, conseguiu levantar ainda mais o sarrafo leviano da prática da "fonte não identificada". Ela encaixou um tal de "há quem diga" para encaixar uma suposta "informação".
"Há quem diga" isso, "há que diga aquilo" é uma introdução que aceita qualquer complemento.
Com isso, a "fonte não identificada" acaba de escalar mais um degrau no pódio do jornalismo não confiável.
Como exemplo, finalizo ao estilo vigente entre colunistas: uma fonte ligada ao núcleo duro do Congresso segredou que ouviu do líder de um partido da base que testemunhou uma conversa entre dois políticos próximos ao presidente uma crítica ao jornalismo. Essa pessoa, que pediu para não ser identificada, teria escutado no corredor de uma autarquia que a Abin estaria cogitando botar um caça-fantasmas de plantão em redações e estúdios.
por José Esmeraldo Gonçalves
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