terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Êêêêôô, investidor, investidor! O novo grito de guerra das torcidas do Cruzeiro, Botafogo e Vasco

por Niko Bolontrin

Autonomeados especialistas em economia esportiva são entusiastas da venda de clubes brasileiros de futebol para empresas, fundos de investimento, especuladores e milionários em geral. 

Se isso vai dar certo e curar as finanças da maioria dos clubes, o tempo dirá. Mas será imensa a mudança cultural. 

O colunista do Globo, Lauro Jardim, diz que árabes estão interessados em comprar o Botafogo e Cruzeiro. Segundo outras fontes, o Vasco também pode entrar na bacia das almas que vai, asseguram os especialistas, refundar o futebol brasileiro. Seremos a Premier League do baixo hemisfério, dizem os promoters do clube-empresa.

Há dúvidas, claro. Inclusive morais e éticas. Por exemplo, as ditaduras do Golfo estão provocando reações em vários países ao adquirir clubes tradicionais. Reino Unido e França têm registrado essas reações. Anunciantes parceiros dos clubes dominados por Catar, Emirados Árabes e Arábia Saudita, onde os diretos humanos não entram em campo, começam a sofrer pressões nas redes sociais. Como a grana manda, esse processo não vai parar. A Copa do Mundo é no minúsculo Catar que a FIFA deve achar que é potência do futebol. 

Vejam o caso da Fórmula 1, que hoje vende provas para os três países citados acima e mais o Bahrein. Todos ditaduras religiosas. Dinheiro na mão e o que vale.

Voltando ao futebol, o torcedor brasileiro vai ter que se adaptar? Se fecharem negócio, vão carregar bandeiras do Cruzeiro-Catar, Botafogo-Arábia, Vasco-Emirados? E tem mais, é comum o investidor revender o time para realizar lucros e ai as bandeiras vão mudando. Nos Estados Unidos, investidores compram e vendem times de basquete, futebol americano e beisebol. Há casos em que o comprador leva a sede do time para outra cidade. Ao gosto do comprador, o Cruzeiro pode ir, por exemplo, para Forianópolis; o Vasco se mudar para Campo Grande; o Botafogo ser levado para Brasília. Por que não?  Também há no mundo desconfiança de uso de transações futebolísticas para lavagem de dinheiro. Clube-empresa vai ajudar ou atrapalhar essa suspeita? O que acontecerá com as carteiras de socio-torcedor que representam entrada de recursos para os clubes associativos atuais? Acabam?O torcedor vai entrar com uma grana para engordar o investidor?  Torcedor vai pagar uma espécie de dízimo para os sheiks? Quero ver as torcidas nós estádios gritando "ei, ei, ei, o sheik é nosso rei"; "a benção, Muhammad, nosso povo te abraça": ou, ainda, "uma vez, Arábia, Arábia até morrer".

Mutreta em alta velocidade

Essa foto circula em redes sociais com uma legenda sugestiva: o momento exato em que  Federação Internacional de Automobilismo e a Liberty Media, empresa estadunidense que é dona da F1, decidiu que o inglês não seria o campeão do mundo. Como posições afirmativas contra racismo, violência policial contra negros, Hamilton é um incômodo para a conservadora FIA. Nos GPs realizados nas ditaduras islâmicas do Catar, Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes, que rendem milhões de dólares para a F1, Hamilton fez campanha em defesa dos homossexuais discriminados, perseguidos e até condenados à pena de morte nas ditaduras religiosas. Na última corrida, Hamilton liderava quando o safety car entrou na pista após acidente com a Ferrari de Latifi. A partir daí duas  irregularidades - Vestappen colocar o carro à frente de Hamilton quando o safety car ainda estava na pista; e a estranha e intempestiva liberação da corrida privilegiando o avanço do carro da Red Bull -  mudaram o resultado da corrida e tiraram o título do inglês.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Elon Musk, a controvertida " Pessoa do Ano 2021" da Revista Time



A Time costuma justificar sua escolha de Pessoa do Ano como aquela figura que se destaca para o bem e para o mal. Hitler já foi Pessoa do Ano, como se sabe. Mas ao longo da trajetória da premiação há, teoricamente, personalidades mais amigáveis do que detestáveis, mais reconhecidas por iniciativas por positivas do que por ruínas morais e éticas. Mais..., mas nem sempre.

O empresário e lobista bilionário, Elon Musk foi escolhido Pessoa do Ano de 2021 pelos editores da Time .A revista justifica a escolha com missão espacial privada Inspiration 4, da SpaceX. Musk também é dono da Tesla, fabricante de carros elétricos e ativo especulador em bitcoins.  

Há mais sombra do que luz na nova Pessoa do Ano. Musk é declarado negativista, da Covid-19 é contra a vacinação, já disse que ele e seus filhos não se vacinariam, foi um dos videntes que apontou abril de 2020 como data do fim da pandemia. Faz constantes declarações irônicas sobre a Covid. Diante da repercussão das suas opiniões, prometeu doar 400 mil aparelhos de ventilação para hospitais americanos. Cumpriu em parte a promessa, mas  passada a onda de críticas na web esqueceu o assunto. Um seguidor, certa vez, fez a Musk uma pergunta incômoda. Queria saber se o governo dos Estados Unidos havia organizado um golpe na Bolívia de olho nas vastas reservas de lítio, mineral usado em baterias elétricas, o componentes fundamental dos carros Tesla. Musk respondeu: “Vamos dar golpe em quem quisermos! Lide com isso”. Em seguida, apagou a fala das suas redes sociais pressionado por investidores da Tesla, que o consideram "imaturo".
A mais recente investida de Elon Musk é no Brasil, com potencial de polêmica. O lobista se aproximou do ministro das Comunicações, Fábio Faria, genro de Sílvio Santos, com quem se reuniu em Austin, no Texas, há certa de um mês, demonstrando interesse em utilizar uma das suas empresas, a Starlink, de rede de satélites, para fornecer internet em áreas remotas do país. Segundo a Folha de São Paulo, o lobby de Musk teria "constrangido a Anatel", agência brasileira responsável pelo setor.  

Fotomemória: 53 anos do AI-5 e a pose dos canalhas em 13 de dezembro de 1968.

Foto Oficial Reprodução/Divulgação

Em um dia como hoje, há 53 anos, a ditadura decretava o AI-5 que retirava dos brasileiros o que lhes restava de direitos após o golpe de 1964. 
Ao longo da história o Brasil reuniu muitos canalhas em fotos memoráveis. Os arquivos políticos mostram que é extraordinária e sempre se renova a capacidade do país de produzir até hoje imagens do tipo. Essa foto reúne Costa e Silva e seus ministros no Palácio Laranjeiras, no Rio de Janeiro em 13 de dezembro de 1968. Foi logo após a assinatura do famoso documento. Comemorava-se o novo marco do autoritarismo. As mãos que empunharam as canetas que oficializaram a barbárie saíram dessa cerimônia macabra tingidas de sangue. Nos dias seguintes, milhares de brasileiros foram presos, muitos foram torturados, assassinados, desaparecidos, outros buscaram o exílio. Diante da lei os signatários ficaram impunes. Apenas a História os condenou e, talvez, embora improvável, alguns resquícios de consciências à mesa. Essa foto é a única sentença que restou.

sábado, 11 de dezembro de 2021

O Redentor do Corcovado comemorou 90 anos. O Cristo da Coluna da Hora do Crato, também em art déco, festeja nesse Natal 84 anos.

O Cristo do Crato. Foto Prefeitura Municipal do Crato.


Linhas do monumento em art déco. Foto J. Esmeraldo Gonçalves

por José Esmeraldo Gonçalves

O jornalista e escritor Roberto Muggiati, amigo curitibano e colega dos tempos da Manchete, ex-diretor da revista, publicou recentemente um texto sobre as réplicas do Cristo Redentor do Corcovado que se multiplicam pelo Brasil. 

A comemoração dos 90 anos do monumento que domina o Rio de Janeiro foi o "gancho" jornalístico do artigo do Muggiati. 

O Cristo carioca esculpido pelo francês Paul Landowski é uma preciosidade da art déco. Já os clones plantados em picos e praças nacionais são mesmo, na maioria, lamentavéis equívocos esculturais. Há Cristos atléticos, como se acabassem de sair de uma academia Smart Fit, outros têm face e postura lamurientas que ganhariam papel em novela mexicana. Monumento do Cristo raivoso? Tem, e até parece um "Rambo" a perseguir pecadores. Até um Cristo em pedra faz uma estranha saudação com a mão direita erguida, palma aberta. Não se surpreenda se a imagem remete a trágicas lembranças: isso mesmo, Hitler desfilando na Potsdamerplatz.


Pois esqueçam tudo isso. O Crato, Ceará, se orgulha com razão de ter como símbolo oficial da cidade um Cristo de fé e classe instalado em uma coluna em art déco  - a Coluna da Hora, de 30 metros de altura. O monumento, que foi selo dos Correios em 1953, domina uma praça histórica da cidade, a Francisco Sá. O Cristo do Crato abre os  braços para a antiga estação ferroviária. Na base do monumento lê-se a frase: "Nesta terra há lugar para todas as pessoas de boa vontade".  

O Cristo do Corcovado foi inaugurado em 12 de outubro de 1931. O Cristo do Crato foi instalado apenas sete anos depois, em 25 de dezembro de 1938, há 84 anos. O monumento foi encomendado ao escultor italiano Agostinho Balmes Odísio, que viveu alguns anos no Brasil, na primeira metade do século 20. 

Sou um cidadão cratense que há quase 55 anos tem visto residencial no Rio de Janeiro. Aqui nasceram meus filhos Tiago e Eduardo e meu neto Bruno. Quando apresento minha carteira de identidade ainda do jurássico "Estado da Guanabara" geralmente causo espanto em funcionártios ou atendentes mais jovens.

Antiga Estação Ferroviária do Crato, hoje centro cultural.
Foto Prefeitura Municipal do Crato

Aqui o Corcovado é onipresente, mas sempre que vejo o Redentor do Rio de Janeiro a imagem me remete ao Cristo da Coluna da Hora da Praça da Estação do Crato. 

Pra mim são portais que ligam o mundo que vivi, são os pontos definitivos do google maps que me rastreia.  São as cidades que tenho e que me têm. Na memória ou no presencial. 

Na capa da IstoÉ: o xerife da carceragem

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

A "festa da firma" de Biden

Reprodução Twitter

Biden fez um "mela cueca" de fim de ano sobre "Democracia". Curiosamente, o encontro não registra as ditaduras patrocinadas pelos Estados Unidos. Casos de Arábia Saudita, Emirados Árabes, Bahrein, Paquistão, Egito etc. Na festinha de Biden até Bolsonaro tirou onda de "democrata". Deve ter valido como confraternização de fim de ano.

PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO: cartas psicografadas podem resolver mistérios brasileiros e internacionais

No julgamento em curso dos acusados pela tragédia da boate Kiss, a advogada de um dos réus leu uma carta psicografada onde um jovem morto no incêndio pede que todos parem de procurar culpados e façam orações. Parece deboche diante dos parentes das vítimas. Vários deixaram a sala do júri em protesto.

Apelar para o Além não é algo inédito na Justiça desse bizarro país chamado Brasil. Já houve casos em que juízes aceitaram argumentos do outro mundo. 

Já que a pátria está mesmo fora de controle, a nobre Justiça podia oficializar o recurso fantamasgórico. Pode ser útil até para investigações que deram em nada. O ex-bolsonarista Gustavo Bebiano talvez revele em carta psicografada as denúncias que levou para o túmulo. JK, Jango e Carlos Lacerda podem confirmar se foram assassinados pela operação Condor das ditaduras militares do Cone Sul. Ulysses Guimarães, se acionado, revelaria onde repousa seu corpo jamais encontrado. Teori Zavaski informaria se morreu em acidente aéreo ou atentado. Se o instrumento jurídico made in Brazil for oferecido ao mundo saberemos se João Paulo I foi assassinado, onde está o corpo de Jimmy Hoffa,  Lee Oswald dirá se realmente matou Kennedy e o policial Jack Ruby contará porque matou Lee Oswald. Marilyn Monroe contará em detalhes as suas últimas duas horas de vida. O coronel Fawcett dirá que não desapareceu na Amazônia; sumiu porque se apaixonou por uma bela indígena com quem viveu até os 90 anos em uma tribo isolada.

Morto que dá seu testemunho psicografado e é aceito pelo juiz é a maior contribuição que a Justiça brasiloide pode dar aos tribunais internacionais. Será o fim de todos os mistérios. Parabéns aos envolvidos que ajudam o Brasil a descer um pouco mais a ladeira.

Na capa da Carta Capital: a conspiração fundamentalista

O esculhambado do ano

Simulação de capa. Reprodução Twitter 


Simulação de capa. Reprodução Twitter

por O. V. Pochê
Milícias digitais bolsonaristas fizeram campanhas nas redes sociais para indicar Bolsonaro como Homem do Ano da revista Time. Votação em massa, talvez robôs enlouquecidos, apoiadores varando noites e o brasileiro liderou a enquete que não implica em escolha pela redação daTime. A revista anunciará o eleito neste 13 de dezembro.  
Enquanto isso, quem se divertiu foi a rede social onde pipocaram memes e "capas" sugeridas com o elemento. Se vai ser Homem do Ano, tudo é possível - Hitler e Stalin já o foram - mas já é o personagem que mais esculhambado na internet nos últimos dias. E isso não é pouca coisa.



Depois do boi dos boys da Bolsa, Vaca Magra em alta cotação

A Vaca Magra foi pro brejo da especulação financeira. Reprodução Instagram

por O. V. Pochê
A sede da Bolsa em São Paulo foi enfeitada com a Vaca Magra, criação da artista plástica cearense Márcia Pinheiro. Ao contrário do boi gordo com que especuladores se homenagearam no mesmo local recentemente, e que ficou exposto por sete dias, a Vaca foi logo reprimida pela fiscalização. Mas deu o recado contra a fome e a desigualdade. O Brasil está esquálido. Se fosse de verdade não sobreviveria um minuto na pátria amada que está lavando osso, investindo em pé de galinha, comprando ação de resto de cheaseburguer, fazendo IPO de sobra de sushi vencido e mandando carcaça de qualquer bicho pra conta secreta da barriga. 

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

No novo filme Pânico 5 o serial killer Ghostface vem com máscara de metal. E o que o Pink Floyd tem a ver com isso?

Ghostface de metal em versão 2022 . Divulgação

por Ed Sá

O filme Pânico (Scream) estreou em 1996. Vinte e cinco anos depois, Pânico 5 chega aos cinemas brasileiros em janeiro, segundo a Paramount. A campanha publicitária destaca a nova máscara usada pelo brutal serial killer  Ghost Face. Dessa vez, ele  aterroriza a cidade de Woodsboro com um adereço  de metal que indica maiores níveis de sangue no filme estrelado pelo elenco original, Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette, e mais uma turma escolada em filmes de terror: Marley Shelton, Melissa Barrera, Jenna Ortega , Jack Quaid, Jasmin Savoy Brown e Dylan Minette. A direção é de Matt Bettinelli-Olpin e Tyler Gillett, também especialistas no gênero e que substituem Wes Craven, o cineasta morto em 2015, depois de comandar as quatro primeiras versões, 

Poster do LP The Wall inspirou a máscara da franquia Pânico.


Fanta na latinha: série "homenageia" o serial killer. Divulgação

Pânico e as suas sequências atraíram multidões aos cinemas e consagraram um ícone pop que eletrizou gerações; a máscara do Ghostface. O último filme da franquia, Pânico 4, foi lançado em 2011, há dez anos. Daí, preciso contar à geração que vai aos cinemas no ano que vem que a famosa máscara tem origem ilustre. Foi inspirada no quadro O Grito, de Edward Munch, apareceu antes em uma exposição de fantasias da Fun World e foi recriada para um poster promocional do LP The Wall, do Pink Floyd. 
E você vai poder assistir Pânico 5 comendo pipoca com Fanta, série Ghostface. Mais pop impossível. A lata, aliás, tem uma advertência: 1. Não atenda o telefone, 2. Mantenha seus lanches bem perto, 3. Curta com o sabor delicioso de Fanta.

Veja o trailer de pânico 5 AQUI

Dois toques: religião merece respeito, já o uso da fé como política pode e deve ser criticado

 

Imagem/Reprodução 

Reprodução Twitter

Só Elio Gaspari não percebe? E olha que o jornalista e escritor mergulhou nos arquivos de Golbery para escrever uma ampla biografia sobre a ditadura militar no Brasil. Golbery tinha conspiração correndo nas veias. Seu apelido era "Feiticeiro". Pois Gaspari escreveu em sua coluna no Globo (08-12-2021) sobre uma suposta perseguição a André Mendonça, "ministro de Bolsonaro", como o próprio presidente rotulou, no STF. O colunista vê "intolerância" nas críticas, quando o que há no Brasil atual é uma programada e crescente ocupação política do Estado laico por evangélicos, especialmente os da linha neopentecostal. Bancadas evangélicas no Congresso, assembleias e câmaras de vereadores, além de cargos em todos os escalões do setor público e presença ostensiva em polícias e quarteis das Forças Armadas já resultam em normas, leis e costumes de inspiração religiosa. Gaspari acerta quando observa que não há nada demais em  ter um pastor evangélico como ministro do STF, um judeu ou um católico( faltou dizer um candomblecista, um umbandista...), mas erra quando não enxerga o projeto político no embalo da fé. Na própria comemoração íntima da nomeação, Mendonça e demais religiosos foram bem claros ao exaltar o significado da conquista que vai muito além da restrita interpretação que o colunista deu ao fato. No UOL, um pastor e teólogo, incomodado com as críticas à euforia, pulos e às línguas ininteligíveis com que Michele Bolsonaro festejou a chegada de Mendonça ao STF, também pediu "respeito".  Ora, ali também o que se comemorava era força política do cargo alcançado por alguém "terrivelmente evangélico", meta anunciada por Bolsonaro, e que deve orientar as suas próximas nomeações para o STF. Isso é política e como tal pode receber críticas. Religião é outra coisa, íntima, pessoal e nada exibicionista ou conspiratória. 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Delete o eufemismo 2 - Fique de olho no Calotão Nacional

Quando ouvir falar em PEC dos Precatórios, entenda: é mão leve do governo, extorsão, confisco, apropriação de valores privados tão grave quanto a milícia cobrar taxa de comerciante da periferia. Leia-se PEC dos Predatórios.

Delete o eufemismo 1 - Não se deixe enganar...

Quando ouvir falar em Orçamento Secreto entenda o que significa: é a Mega Rachadinha institucional.

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Eleitores de Bolsonaro estão entrando no armário

Reprodução Twitter


Dia sim dia não alguém afirma nas redes sociais que votou no Haddad. Celebridades então parecem ter votado em peso no professor. Até famosos que vestiram verde amarelo Av. Atlântica e Paulista estão se refugiando no armário e negando o Bozobrocha três vezes antes do sol se por. É melhor acionar a ONU e pedir recontagem. 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

PÃO PÃO QUEIJO QUEIJO: Da “noivinha do Aristides” ao Dr. Rui: nosso fucklore político


À direita, Chico Anysio caracterizado como Salomé (1979). Segundo a revista Manchete,
Djanira teria servido de inspiração para Salomé (Manchete, 16 jun. 1979). 

A história brasileira é rica em codinomes e identidades c(h)ifradas.  Essa do Aristides - fake news que começou no Twitter e se espalhou pelas redes sociais - lembrou logo uma série de notórios apelidos que se tornaram tão famosos quanto seus codificados. Dr. Rui era o nome em código da amante de Adhemar de Barros (aquele do “rouba, mas faz”). O então governador de São Paulo parava qualquer reunião quando um assessor entrava na sala e cochichava: "Dr. Ruy está esperando no local combinado". A militante Dilma Rousseff (codinomes Wanda, Patrícia, Estela, Luiza) não participou diretamente da ação armada que "desapropriou" o famoso cofre de Adhemar, e sim do seu desdobramento: disfarçada de turista estrangeira, ajudou a trocar os milhares de dólares, muitos deles no Copacabana Palace. Quando presidente, Dilma  deu um estrelato meteórico a um tal de Bessias (na verdade, o servidor Jorge Messias, que não é parente de Jair Messias, também conhecido entre seus apoiadores como Mito) em famoso telefonema a Lula grampeado pelo presidenciável da Lava Jato Sérgio Moro (a quem os procuradores chamavam de Russo) que escorregou no vernáculo com um acaipirado “cônje”... 

Ainda no atual (des)governo, um bisonho Ministro da (des)Educação metamorfoseou o sobrenome do famoso autor checo num prato do cardápio árabe, chamando-o de Franz Kafta... Também na política recente, um delator contou à justiça que o “Departamento de Propinas” da Odebrecht usava apelidos para que os funcionários do “baixo clero” que supostamente faziam os repasses irregulares não ficassem sabendo para quem ia o dinheiro. Alguns bastante sugestivos: Abelha, Coxa,  Barbie, Inca, Roxinho,  Babão, Balzac, Chorão, Garanhão, Desesperado, Escritor, Fodinha, Menino da floresta, Mercedes, Musa, Duro, Oxigênio, Primo, Princesa, Viagra, A lista completa com dezenas de nomes, foi publicada em 2017 pelo G1. Os políticos relacionados aos codinomes negaram as acusações do delator. 

Leonel Brizola era um especialista em demolir adversários com apelidos que grudavam nos alvos: Gato Angorá era Moreira Franco; Sapo Barbudo colou no Lula e Filhote da Ditadura era Paulo Maluf durante a campanha eleitoral de 1989. 

Um codinome já foi responsável por encerrar uma recente sessão na Câmara onde deputados ouviam explicações de Paulo Guedes. Instalou-se uma confusão quando o deputado Zeca do PT cravou no ministro de Economia um condimone inspirado na letra de um funk do Bonde do Tigrão; "Vem tchutchuca linda / Senta aqui com seu pretinho / Vou te pegar no colo / E fazer muito carinho…”  Tchutchuca, no sentido pejorativo, é usado como menina vulgar e promíscua que não serve para um relacionamento sério. 

No imaginário político nacional, várias figuras ficcionais surgiram na mídia, principalmente nos cartuns, nas crônicas dos jornais e nos programas humorísticos da TV. Uma das mais destacadas foi Salomé, criada e interpretada por Chico Anysio no programa Chico City, em 1979. Falando num gauchês acentuado, a senhorinha de Passo Fundo, RS, interpelava em seus telefonemas quase diários  João Baptista Figueiredo com críticas e cobranças. Ex-professora de Figueiredo, Salomé tratava o Chefe da Nação como “guri” ou “João”, mostrando intimidade ele. Ao final, bradava seu implacável bordão: “Eu faço a cabeça de João Baptista ou não me chamo Salomé".  

sábado, 4 de dezembro de 2021

PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO

Brain drain

Padre Marcelo Fernandes 
Foto Rodrigo W. Blum/Divulgação
A ciência anda tão em baixa neste país que está havendo uma debandada em massa nas áreas de tecnologia, educação e afins. O caso emblemático foi a recusa, há dias, do Padre Marcelo Fernandes de Aquino, reitor da Usisinos, de receber a outrora cobiçada comenda de Cavaleiro da Ordem de Rio Branco. Ele justificou a decisão pela “incapacidade do Governo Federal de dar rumo correto para as políticas públicas”. (Politicagem über alles, diria Goebbels, um dos pensadores favoritos do nosso tosco regime terraplanista.) Tivemos uma diplomacia e uma economia de Primeiro Mundo, com os barões do Rio Branco e de Mauá, lá nos tempos do Imperador... Os americanos inventaram um nome para o que acontece hoje no Brasil: brain drain – a inteligência escapa pelo ralo... E, no nosso agrossafadês, a vaca vai para o brejo...

Josephine e o livro Musas dos anos loucos • Por Roberto Muggiati

Josephine Baker.
Foto Divulgação
Em francês, Josephine rima com héroïne. A dançarina e cantora Josephine Baker – sexta mulher e a primeira negra a ter seus despojos acolhidos no Panthéon de Paris, faz parte da galeria das “musas dos anos loucos” – as mulheres que abalaram a década de 1920. E de um livro que ainda pretendo publicar, 20 mulheres de 1920/As musas dos anos loucos. A espinha dorsal de mais esta obra-prima que adormece nas gavetas do tempo é a série que publiquei – de novembro de 1988 a abril de 1989, na revista EleEla – com os perfis de Tamara de Lempicka, Bessie Smith, Pagu, Josephine Baker, Zelda Fitzgerald, Louise Brooks, Lotte Lenya e Isak Dinesen. A história de Dinesen foi ampliada na série “As obras-primas do milênio” (na última edição que foi às bancas da revista Manchete, em 29 de julho de 2000). E Gala Dali teve sua love story com Salvador Dali contada na seção “Gente e Histórias” da revista Contigo, na edição do Dia dos Namorados, em 5 de junho de 2014.

A lista da Top 20 inclui ainda Isadora Duncan, Marlene Dietrich, Coco Chanel, Kiki de Montparnasse, Leni Riefenstahl e, é claro, Frida Kahlo, o mais avassalador fenômeno cult deste século, embora tenha morrido em 1954, aos 47 anos.

Em três meses limpos, com um mecenato pagando minhas contas e me aliviando do trabalho mercenário que garante minha sobrevivência, eu colocaria no papel estas vinte biografias fabulosas do momento mágico em que a mulher, pela primeira vez, mostrou que era capaz de – ela mesma – escrever a sua história. 



PS • Josephine: da Gay Paree a Porto Alegre

Josephine Baker em Porto Alegre, 1971, recebida
pela diretoria da Aliança Francesa. Foto A.F

Esta história me foi brindada pelo amigo Márcio Pinheiro, jornalista gaúcho, editor do site amajazz. Trancrevo ipsis:

“Ontem o corpo de Josephine Baker (1906-1975) foi transferido para o Pantheon de Paris. Ela foi a sexta mulher a receber esta homenagem, e a única mulher negra.

Há exatos 50 anos, ela esteve em Porto Alegre, época ainda em que quase ao lado do Teatro Leopoldina - onde ela se apresentou - havia o Tia Dulce. Era um restaurante, localizado no térreo de um edifício e famoso por uma inesquecível sopa de cebola. A Tia que dava o nome ao estabelecimento era casada com um alemão, Henry Walter Cassel, que contava ter lutado ao lado dos americanos na II Guerra. Tio Dulce, como foi apelidado, também adorava contar - sentado numa mesa de canto do restaurante - que havia sido amigo de Josephine, inclusive ajudando-a durante as batalhas. Ninguém acreditava.

Em 1971, quando se apresentou na cidade, Josephine foi convidada por um grupo para ir ao Tia Dulce. Era a chance de demolir com a fantasia de Tio Dulce. Chegando ao local, Josephine olha para o canto e diz: ‘Henry Cassel!!!!!’. Ele se levanta, os dois se abraçam e começam a chorar convulsivamente. Era tudo verdade!”

Na capa da Crusoé: a selfie do "Subornão"

por José Esmeraldo Gonçalves

O grande esquema de cooptação de parlamentares do Centrão para aprovação de projetos de interesse de Bolsonaro posou para fotos. A Crusoé mostra como funciona o que já é informalmente apelidado de "Subornão". 
No caso, a farra das emendas do Orçamento Secreto - que não podia ter outro nome - é um atalho para o desvio de verbas como mostram a foto de capa e a reportagem da revista. O deputado Josemar de Maranhãozinho, um dos chefões do PL, o novo partido de Bolsonaro, acaricia como se fosse a amada amante um gordo maço de cédulas. Segundo o investigação da PF com determinada pelo STF, o dindin tem carimbo: é grana da farra das emendas parlamentares. 
Como não é o monstro do Lago Ness, cuja existência jamais foi comprovada, a corrupção atrelada ao tal orçamento secreto logo se materializou na reportagem. Isso na mesma semana em que o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PDS), pede seis meses (!!!) para procurar a papelada que possivelmente revelará nome, destino, DNA, percurso, montantes, time de futebol, cantora preferida, alma mater, amigos, vizinhos, viagem inesquecível, lua de mel, pais e mães das tais emendas milionárias do relator. 

Mas diz aí, amigo. O senador Rodrigo não tem computador e senha na mesa dele? Se o orçamento secreto algum dia virou arquivo do sistema não seria o caso de sua senhoria apenas apertar a velha tecla de busca e localizar o dito cujo? Ou o doc não existe, a grana saiu pra passear sem dizer aonde ia e daí o Congresso precisar de seis meses para correr atrás dos CPFs, quantias e destinação da dinheirama como essa que está nas mãos ágeis do Maranhãozinho no PL? 
Uma sugestão deste jornalista e contribuinte: marcar com um rastreador todas as cédulas provenientes das emendas do relator. E os eleitores poderiam acompanhar em tempo real o rolezinho dos milhões. 
Avisem ao Congresso que essa tecnologia existe.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Dois toques: a tragédia brasileira em charges

 

Reprodução Twitter

Reprodução Twitter

Funcionário do governo Bolsonaro decora a sala com cartaz inspirado no slogan de Donald Trump


O secretário de Política Econômica de Bolsonaro deu entrevista à Globo News, hoje, para tentar explicar o pibinho negativo do Brasil. Mas o que chamou atenção foi, bem ao lado da bandeira, um cartaz amarelo onde se lê "Make SPE Great Again". SPE, claro, é a sigla da Secretaria. O funcionário Adolfo Sachsida, que replica na sua sala o slogan de  Donald Trump - o ex-presidente estadunidense atualmente é investigado por ações contra a democracia e por tentativa de obstrução da justiça - deve ser tiete do magnata. Faltou o boné Trump2024.

Esse é o verdadeiro "controle da mídia"

Reprodução Twitter

Bolsonaro esnobou Deus. É o que conta o site Metrópoles


Guilherme Amado, do Metrópoles, revela que André Mendonça, que acaba de ganhar crachá do STF, foi procurado por Deus, o próprio, que lhe transmitiu um recado para Bolsonaro. A pandemia estava desembestada e o negacionismo do inquilino do Planalto também. A mensagem que Mendonça ouviu de Deus pedia que Bolsonaro seguisse as recomendações de Mandetta, então ministro da Saúde. Como se sabe, nem o recado de Deus fez Bolsonaro manter Mandetta no cargo. Para decepção divina, ele foi defenestrado pouco depois. Desconfio que Deus vai cobrar a desfeita na CPI do Juízo Final. 

Você pode acessar a matéria do Guilherme Amado no link 

https://www.metropoles.com/colunas/guilherme-amado/o-dia-em-que-deus-fez-uma-revelacao-sobre-bolsonaro-a-andre-mendonca

Nem precisou de um cabo e dois soldados

Reprodução Twitter

Nada que não possa piorar

Reprodução Folha de São Paulo

O artigo de Thiago Amparo publicado na Folha de São Paulo, hoje, desfaz fantasias e expõe uma contradição. Segundo as pesquisas, a aprovação de Bolsonaro despenca na tabela. E isso anima muita gente. É a fantasia. A realidade é que  infelizmente o "noivinho" continua governando. Tem a maioria do Congresso na mão grande, acumula vitórias sucessivas em várias instâncias da Justiça, PGR não o incomoda, nem PF, tribunais de contas, controladorias, Interpol e muito menos o guarda da esquina. Fora Getúlio Vargas do Estado Novo e os generais-ditadores  que desfilaram na passarela do regime militar, Bolsonaro é o mais poderoso entre os governantes brasileiros. Faz o que quer, aprova o que quer. Quando perde alguma parada é quase sempre uma miudezas, um "bode na sala" que nem ele se esforça para tirar, deixa pra lá. Quando  realmente interessa ao governo ele faz a boiada passar. O Bozoroca tem no mínimo o ano inteiro de 2022 para rodopiar no salão com a República. Comentaristas políticos dizem que com o aumento da insatisfação popular ele vai despencar ainda mais. O problema é que a insatisfação pode estar em grande parte do povo mas não chega aos grupos de apoio do "coisa ruim" nem alcança instituições perfeitamente manipuladas ou aparelhadas. Aviso aos náufragos: Bolsonaro tem, no mínimo, o ano inteiro de 2022 para fazer pior. Muito pior.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO

Para muitos, Lula é o melhor cabo eleitoral de Bolsonaro. Reparem. A partir do momento em que pesquisas deram a liderança ao ex- presidente sumiram da mídia temas cono impeachment, CPI da Covid, cheques em família, Queiroz, Covaxin superfaturada etc. Há poucos minutos STF confirmou nulidade de todas as provas contra a rachadinha de Flávio Bolsonaro. Por firulas técnicas a decisão anula até as evidências da Coaf que atestam movimentações financeiras até hilárias, tal a velocidade que caíam em contas. Isso significa que Bolsonaro está em voo de cruzeiro para 2022 tripulando a mídia conservadora. Bolsonaro já não pode ser  desgastado no noticiário e nas análises. Se o plano B, Moro, não chegar ao segundo turno, o plano A da mídia é o B de Bozo, repetindo 2018. Entendeu?

PÃO PÃO, QUEIJO, QUEIJO


Assistam Glória Maria e Sandra Annenberg apresentando o Globo Repórter. Sensacional. São "apresentadoras de reportagem", um negócio que já é meio redundante. Mas tudo bem. Elas performam no estúdio como atrizes na entonação, no gestual, empostação, expressões, pausas dramáticas. É cult. Tem até desempenho de mãos pontuando o texto.
Não é crítica. São monumentos, as últimas clássicas da TV brasileira.

Livro reúne mais de 90 artigos sobre álbuns que mostram que 1979 foi ano atípico para a MPB


O lançamento de 1979 – O ano que ressignificou a MPB está previsto para o segundo semestre de 2022 e depende do resultado da campanha de financiamento coletivo que foi lançada na segunda-feira (29/11/2021) pela editora Garota FM Books na plataforma do Catarse (www.catarse.me/1979).

O jornalista, escritor e pesquisador Célio Albuquerque , que foi colaborador das revistas Manchete e Fatos & Fotos, envia a mensagem abaixo:



Amigos e amigas,

Chegou a hora de iniciarmos nossa campanha de financiamento coletivo de nosso livro sobre o ano musical de 1979, via Garota FM Books. Segue material em anexo release, imagem de capa e mockup do livro. Caso divulguem em suas redes, se possível, coloquem as hashtags #1979oanoqueressignificouampb  e #GarotaFMBooks #1979 #Brasil #editora #livromusicais  Agora é torcer. Quanto mais cedo chegarmos a meta, mais cedo nosso 1979 irá se materializar. Abraços, Célio Albuquerque.

No livro, que é um desdobramento de outra obra de Célio Albuquerque - "1973/O ano que reinventou a história da MPB", Roberto Muggiati escreve um depoimento sobre o álbum zabumbê-bum-á, do Hermeto Pascoal.

PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO


Pela 12ª vez desde que a estátua foi sentada num banco do Posto 6 de Copacabana em 2002, os óculos do Drummond foram arrancados. Por que não colocam lentes de contato no poeta?


Responda rápido: orçamento secreto é a cueca invisível?


por José Esmeraldo Gonçalves

O tempo é de absurdos e a mídia, talvez por enfado, acaba "normalizando" o inimaginável e confundindo o lodo com a água limpa.
 "Orçamento Secreto" é um negócio que vem com carimbo de má intenção. Até uma organização criminosa como o PCC anota em cadernetas com espiral, que ainda existem, a movimentação financeira da casa. Às vezes a polícia apreende esses anais do crime, espécie de ata de sessão da bandidagem. 
Pois o Congresso "legaliza" o uso escondido do dinheiro do povo, claramente em troca de votos no plenário, sem que o povo tenha direito de saber quem botou a mão na grana ou possa auditar a transação. Os engravatados das legislações não mostram a caderneta.

O título do Globo, hoje, é desses que "normalizam" a jogada. Não é só O Globo.  Nós  nos acostumamos com o surreal.  A boiada tanto passa, o trator também, que não surpreendem mais.

O jornal praticamente diz que "Orçamento secreto", pode, terá teto, ufa, mas só falta transparência. Ah, bom. Agora explica, como um orçamento secreto pode ter transparência?  Nunca pode. Não é feito para ser visto.

Resta constatar que o Brasil evolui: dinheiro na cueca, sujeito correndo com mochila cheia de milhões, malas rechonchudas de propinas, apartamento atulhado de pixulés, tudo isso fica no passado folclórico. 

"Orçamento secreto" é o cuecão no modo invisível. Com uma grande vantagem: não é detectável em aeroportos.

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Matéria publicada ontem na Revista Fórum mostra como a ditadura pautou TV Globo, Manchete e Fatos &Fotos


Em 1971 militares obrigam Caetano Veloso a se apresentar na TV Globo com Manchete cobrindo a farsa montada pela ditadura. Na foto, a expressão do cantor diz tudo e revela a verdade dos bastidores. A matéria da Manchete não mostrava créditos de foto e texto.

por José Esmeraldo Gonçalves

Em 1971 Caetano Veloso estava exilado em Londres. Maria Bethânia conseguiu autorização dos militares para o cantor vir ao Brasil visitar os pais, D. Canô e José Veloso, que comemoravam bodas de rubi. Mas foi caro o "preço" a pagar pelo "favor". Por imposição dos agentes do governo Caetano foi obrigado a se apresentar no Som Brasil Exportação, da Globo. A intenção do regime era passar a imagem de que Caetano não estava exilado nem sofrendo qualquer restrição à liberdade.  O "circo" foi armado, Caetano foi à Globo com direito a cobertura da revista Manchete que, ao lado da grande midia, apoiava o regime e tinha "colabôs" infiltrados. As entrevistas foram monitoradas e o cantor não podia falar de política. Manchete também cobriu a reunião da família Veloso em Santo Amaro. A reportagem não fala o motivo da permanência do artista em Londres. Refere-se apenas a "ausência".

Essa imagem da Fatos & Fotos ajudava a divulgar a versão do regime militar sobre a temporada de Caetano e Gil em Londres. A ditadura queria fazer crer que os cantores eram "turistas"  e não exilados após prisão, interrogatórios, tortura psicológica e ameaças.

Ao mesmo tempo, como conta a reportagem da Fórum, Fatos & Fotos publicava matéria com Caetano e Gil, em Londres, como se fossem alegres viajantes. Na época, Caetano escreveu uma carta ao Pasquim sobre a foto da F&F, a da dupla em frente ao Big Ben.

O texto da Fórum, excelente, a propósito, é de Cynara Menezes, a Socialista Morena. Fica como alerta ao atual momento brasileiro em que, além do notório Bolsonaro, figuras que nos últimos anos defenderam o regime militar e a militarização da política agora se apresentam como pré-candidatos "democráticos" às eleições presidenciais de 2022.  

Desconfie das hienas em penas de pombas.

Você pode ler a matéria no link abaixo que remete à Fórum.

https://revistaforum.com.br/blogs/socialistamorena/o-dia-em-que-caetano-foi-obrigado-pela-ditadura-militar-a-cantar-na-globo/

  

domingo, 28 de novembro de 2021

Deu no Sensacionalista: marreco vira rato

Reprodução Twitter

Na capa do Meia Hora...

A terceirona é clone

Reprodução Twitter 

Bolsonaro vai concorrer contra Lula e o balde genético da sopa política que criou e a mídia saúda como terceira via. Os pré-candidatos da terceirona apresentados até agora são seus filhotes íntimos e não poderão negar a paternidade. 

Deduz-se que já têm prontos seus programas de governo. 

É só dar um ctrl-del no que Bolsonaro apresentou na campanha de 2018. Já que o apoiaram, referendaram a seita que desgoverna o Brasil.

sábado, 27 de novembro de 2021

O Globo, hoje, com matéria do repórter Eduardo Gonçalves, revela o narcogarimpo na Amazônia

 






Reproduções O Globo, 27-11-2021

por José Esmeraldo Gonçalves

Revelação estarrecedora. O garimpo na Amazônia tem nova griffe: narcogarimpo. Como as corporações que promovem fusões fazem para maximizar lucros, organizações criminosas estão juntando os departamentos de ouro e pó. Não é segredo que o governo Bolsonaro incentiva publicamente toda e qualquer ação de depredação da Amazônia. Estado mínimo e sem fiscalização é para isso.  Garimpo ilegal? Pode. Garimpo 'legal' descontrolado? Também pode. Extração clandestina de madeira? Venha. Transformação de áreas da floresta em pasto? Financiamos. Soja no lugar de árvores? Manda e o Banco do Brasil dá uma ajuda. Mineração em terras indígenas? Tá valendo. Mercúrio nos rios? É o preço do progresso. 
A reportagem do Globo ouviu a Agência Nacional de Mineração (ANM), vinculada ao Ministério de Minas e Energia de Bolsonaro. Quis saber como um orgão do governo autoriza criminosos a explorar ouro e ainda poluir com mercúrio mortal o Rio Madeira e outros cursos fluviais da Amazônia. Resposta cínica dos poderosos burocratas ao jornal diz que não é competência da agência "pesquisar a vida pregressa, judicial ou afins" de pessoas que requerem o direito de explorar o subsolo amazônico. O que isso significa? F***-se. Os bandidos de todo o mundo podem chegar ?

No pedestal da Estátua da Liberdade, em Nova York, está escrita a célebre frase: 
“Venham a mim as massas exaustas, pobres e confusas ansiando por respirar liberdade. Venham a mim os desabrigados, os que estão sob a tempestade. Eu os guio com minha tocha.”

Pelo jeito, o governo brasileiro quer  reescrever o apelo iluminista do monumento. 

Venham a mim os traficantes, os carteis de droga, os lavadores de dinheiiro e garimpeiros de araque. A Amazónia anseia por progresso. Fazemos qualqeur negócio. Venham a mim os foragidos, os marginais, os canalhas, os que estão sob a tempestade da lei. Eu os guio com a minha tocha, o meu AR-15, a minha pistola Glock, o meu Parafal, o meu M-16. Já diz a bíblia, 'tu és pó e ao pó retornarás'" .

Atualização em 28-11-2021 - Por pressão do Ministério Público e de organizações ambientais, a Polícia Federal faz operação contra o narcogarimpo. Algumas foram incendiadas e a maioria fugiu do flagrante rumo a regiões próximas de fronteiras. Chamava a atenção do mundo a presença maciça e ostensiva de equipamentos ilegais e caros no Rio Madeira, durante dias, sem que as autoridades tomassem qualquer providência. São 600 barcaças com maquinário de alto valor e inacessíveis a autônomos de poucos recursos. Um quilo do mercúrio que contamina o rio e provoca a morte lenta de quem faz uso das águas ou da pesca custa quase dois  mil reais, fora o transporte para a região.

Promoção Black Friday: pague um e leve três

 

Reproduzido do Twitter El País Brasil

Joseph Pulitzer bem que falou...

por José Esmeraldo Gonçalves

O jornalismo deve muito a Joseph Pulitzer. O imigrante húngaro que chegou aos Estados Unidos com apenas 17 anos, combateu os confederados na Guerra Civil, trabalhou como carregador de bagagens e garçom antes de conseguir um emprego de repórter em um jornal dirigido à comunidade alemã. 

Foi o começo de uma carreira que o levou a editor e proprietário de um rede de jornais. As primeiras matérias investigativas da imprensa estadunidense foram pautadas pelos seus veículos. Pulitzer e seus repórteres denunciaram a exploração ilegal de trabalhadores, atuação de cartéis em vários ramos de negocios, combateram a corrupção e defenderam como poucos a liberdade de imprensa. 

O editor criou uma fundação exclusivamente para oferecer bolsas de estudos para jovens jornalistas. Seu nome é mais conhecido hoje por dar nome a um importante prêmio de imprensa, mas Joseph Pulitzer deixou muitas lições.  E nos legou uma frase que mais parece uma visão premonitória. 

"Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica 

e corrupta formará um público tão vil como ela mesma". 

Ele morreu em 1911, há exatos 110 anos, sem conhecer TV, rádios e sites bolsonaristas. 

Mercúrio do Madeira é mortal: lembrem Minamata • Por Roberto Muggiati

A Pietá de Minamata: trágico símbolo do envenenamento
por mercúrio. 
Foto de W. Eugene Smith

W. Eugene Smith foi agredido por seguranças da fábrica Chisso, corparação influente no Japão, que lançou mercúrio criminosamente, durante anos, nas águas da Baía de Minamata. A foto da mãe japonesa e sua filha custou um olho ao fotógrafo.  

O envenenamento por mercúrio – ingerido pelas populações das áreas poluídas ao consumirem peixe, seu único sustento, causa várias deformidades e, em muitos casos, a morte. Uma das fotos emblemáticas do século 20 – uma mãe japonesa dando banho em sua filha lesada, numa composição que lembra as Pietàs do Renascimento – deu muitos prêmios ao fotógrafo W. Eugene Smith, mas lhe custou um olho, ao ser brutalmente espancado por seguranças da indústria química transgressora na pequena cidade pesqueira japonesa de Minamata. A agressão tóxica foi tão grave que, já em 1954, gerou a denominação do mal: a Doença de Minamata, uma síndrome neurológica causada por severos sintomas de envenenamento por mercúrio. Os sintomas incluem distúrbios sensoriais nas mãos e nos pés, danos à visão e audição, fraqueza e, em casos extremos, paralisia e morte.

W. Eugene Smith (1918-78), um dos maiores foto-ensaistas dos anos dourados do jornalismo ilustrado, passou três anos em Minamata (1971-73) com sua mulher, a nipo-americana Aileen Mioko Smith, documentando a doença. Seu registro Tomoko Uemura tomando banho é considerado uma das obras-primas da arte fotográfica. Antes não o fosse e a pequena Tomoko pudesse crescer com saúde. 

Quantas Tomokos resultarão do garimpo ilegal do rio Madeira? Um crime, como sempre, acobertado pela conivência corrupta das autoridades brasileiras...