quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023
Formas insólitas de energia autossustentável • Por Roberto Muggiati
![]() |
| Reprodução You Tube |
Gosto de observar os animais e de fantasiar soluções cientificas aparentemente impossíveis – pelo menos em nosso atual estágio tecnológico. O abano da cauda do cão, o ronronar dos gatos, o bater de asas do beija-flor, a buzina das cigarras, o coaxar dos sapos, o estridular dos grilos: se pudéssemos canalizar todos esses mecanismos da vida animal teríamos solucionado para sempre nosso problema energético.
Para se sustentar no ar enquanto suga o néctar de uma flor, o beija-flor bate as asas até 88 vezes por segundo, tão rápido que não conseguimos ver as asas, apenas escutamos o ruído das penas ao vibrarem contra o ar. Seu coração bate 1260 vezes por minuto, contra a média humana de 60 a 120 vezes por minuto. O beija-flor respira 250 vezes por minuto para injetar uma quantidade suficiente de oxigênio nos músculos, que oxidam açúcares 10 a 12 vezes mais rápido do que nossos melhores atletas.
E os vaga-lumes, ou pirilampos? Há quarenta anos eu ainda via ocasionalmente suas luzinhas piscando em meu chalé de Itaipava. Hoje talvez ainda apareçam só nas regiões mais ermas. Uma explicação para o seu sumiço: assim como pesquisas já comprovaram que a presença excessiva da luminosidade na vida humana está afetando os ciclos do sono de aves e mamíferos, há indícios de que a quantidade de luz, principalmente durante a noite, estaria criando uma “poluição luminosa” que afeta os vaga-lumes.
Lembro-me da cena de um romance do paraguaio Augusto Roa Bastos (1917-2005) que muito me impressionou. Um escritor se isola numa cabana no meio do mato para terminar um livro. Um temporal provoca um apagão que vai durar vários dias. Para ter alguma luz que lhe permita escrever de noite, ele enche um grande vidro de compota de vaga-lumes vivos e assim prossegue na sua empreitada, à custa do sofrimento dos pobres insetos.
Citei apenas alguns exemplos. Aceito novas sugestões para minha usina fantástica.
* Segundo o jornal Washington Post, um estudo publicado na revista da Royal Society B: Biological Sciences demonstrou que as formigas podem ajudar a detectar câncer precocemente. Para os pesquisadores, tais insetos podem atuar como eficientes biodetectores de câncer. Embora ainda não possam ser utilizadas como meio de diagnóstico em humanos, as formigas foram capazes de identificar tumores em camundongos através da urina das cobaias. Apesar de não possuirem narizes, elas têm antenas dotadaas de receptores olfativos. Os cientistas treinaram os insetos para identificar certos compostos orgânicos presentes em tumores.
* Em tempo: acabo de receber uma bela contribuição da seguidora paulistana do Panis, Thereza Cavalcanti Vasques:
*ABELHAS DA MINHA VIDA*
🐝🐝🐝🐝🐝🐝🐝
Você sabia que uma das primeiras moedas do mundo tinha o símbolo de uma abelha?
Você sabia que existem enzimas vivas no mel?
Você sabia que em contato com uma colher de metal essas enzimas morrem? A melhor forma de comer mel é com uma colher de pau, se não encontrar, use uma de plástico.
Você sabia que o mel contém uma substância que ajuda o cérebro a funcionar melhor?
Você sabia que o mel é um dos raros alimentos na terra que é o único que pode sustentar a vida humana?
Você sabia que as abelhas salvaram o povo da África da fome?
Uma colher de sopa de mel é suficiente para sustentar a vida humana por 24 horas?
Você sabia que a própolis produzida pelas abelhas é um dos mais poderosos ANTIBIÓTICOS naturais?
Você sabia que o mel não tem prazo de validade?
Você sabia que os corpos dos grandes imperadores do mundo foram enterrados em caixões de ouro e depois cobertos com mel para evitar a putrefação?
Você sabia que o termo "LUA DE MEL" vem do fato de os noivos consumirem mel para fertilidade após o casamento?
Você sabia que uma abelha vive menos de 40 dias, visita pelo menos 1000 flores e produz menos de uma colher de chá de mel, mas para ela é uma vida inteira.
Obrigado ABELHAS!
Mídia - Jornalistas devem ouvir calados os políticos que usam o acesso a veículos de grande audiência para atacar a democracia e difundir fake news?
por José Esmeraldo Gonçalves
Três jornalistas em momentos e veículos diferentes - Globo News e CBN - entrevistavam políticos bolsonaristas quando decidiram reagir às mentiras e fake news que os tais sujeitos veiculavam. Deram um basta e mostraram aos ouvintes e assinantes, com firmeza, que os seus entrevistados, os senadores Rogério Marinho, Eduardo Girão e Carlos Viana, estavam mentindo descaradamente.
Andréia Sadi, Camila Bomfim e Cássia Godoy cumpriram seus papéis de jornalistas. Que a postura das três mulheres alcance alguns coleguinhas mais cordatos com fake news ditas e repetidas diante deles, no ar.
É simples: se o jornalista detém a informação confirmada de que o entrevistado está mentindo e falsificando os fatos, deve levar ao leitor a correção ou pontuar claramente a manipulação desonesta do seu entrevistado. Se não o fizer estará contribuindo para difundir fake news. Será cúmplice.
Outra questão em discussão é a "regra" de "ouvir os dois lados". E aí estão em questão fatos e também opiniões.
O jornalismo deve mesmo dar espaço a políticos que defendem golpes ou atacam a democracia? Deve dar crédito a um imbecil que ataca a Constituição? É válido ouvir uma pessoa que põe em dúvida o resultado de uma eleição sem que apresente provas de fraude?
Não.
Na Alemanha dos anos 1930, Hitler tinha apoiadores e oposicionistas. Em um exercício de imaginação, transportando a situação para os dias de hoje, a mídia brasileira seria capaz de "ouvir os dois lados" e assim legitimar o debate do nazismo?
Talvez, se insistisse em aplicar o modelo que pratica atualmente. No auge da pandemia, a mídia deu espaço para políticos que contestavam a vacinação. Promoveu debates entre cientistas respeitados e os confrontou com idiotas fascistas. Muitas vezes foi constrangedor ver homens e mulheres da ciências colocados frente a frente, como se fosse uma acareação, a conhecidos lixos da política bolsonarista.
E, sim, essa "jabuticaba" dos "dois lados" é muito mais comum no Brasil do que em democracias desenvolvidas. Um dos grandes jornais do mundo, o New York Times, não tem como regra "ouvir os dois lados". O jornal é suficientemente consciente das suas posições para saber quando um debate em torno de determinadas questões é legítimo e honesto e quando, por exemplo, é prudente não dar voz a golpistas ou terroristas que ameaçam a democracia. Ao mesmo tempo, o NYTimes é obrigatoriamente bem informado para saber quando dois pontos de vista diferentes e éticos podem se colocados na mesma mesa.
O discurso golpista, no Brasil, não se esgotou no triste episódio do 8/1. Está entre nós e vai permanecer. A vigilância deve ser permanente e a mídia tem um papel relevante a desempenhar diante dessa ameaça.
Se todos condenam a invasão terrorista das sedes do Legislativo, do Judiciário e do Executivo, porque permitir que gente que defende abertamente os ataques à democracia e que é conivente com acampamentos, bloqueios e atentados invada a mídia para atacar as instituições democráticas?
Você, como jornalista, acharia normal entrevistar um dos políticos que deram declarações desacreditando o drama dos ianomâmis e debochando da tragédia dos indígenas? Sério? Acolheria seus argumentos?
Com a ultra direita ameaçando democracias em vários países nem a famosa frase atribuída a Voltaire se sustenta. "Não concordo com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o último instante o teu direito de dizê-la".
Depende.
O jornalista deve posar de vacilão e dar moral para os ataques à democracia?
segunda-feira, 30 de janeiro de 2023
Tomando caipivodca e lendo P.G. Wodehouse na Montanha Mágica de Laranjeiras numa hora de crise aos 85 anos: só eu... • Por Roberto Muggiati
| Roberto Muggiati no Armazém Cardosão, Laranjeiras. Foto de Lena Muggiati |
Corrijo T.S. Eliot, para mim “January is the cruellest month”. O ano começou com uma sexta-feira 13. Às oito da manhã me liga a assistente social da UPA de Botafogo convocando para a alta de minha mulher, Lena. Apavorei. Eu tinha internado Lena na segunda-feira 9 – um dia sinistro em que choveu sem parar no Rio e as telas de TV repassavam imagens de um dos episódios mais feios da nossa história, uma turba muito rude quebrando tudo em Brasília.
| Lena Muggiati no Hospital Rocha Maia, em Botafogo |
Um surto emocional acompanhado de uma crise de inapetência levara Lena à beira da inanição, um fiapo inerte de 35 quilos. Visitei-a todo dia, melhorava aos poucos, mas ainda não estava em condições de ter alta. Corri até a UPA, por sorte encontrei a médica que a atendia, a assistente social me dera uma informação truncada. Lena ia ser transferida para o Hospital Rocha Maia, em Botafogo, que oferecia melhor suporte médico.
Agora as visitas eram mais complicadas. Saindo de Laranjeiras, se surgisse um raro ônibus 584, que me deixava na sede do Botafogo perto do Rio Sul, era só uma caminhada até o Rocha Maia. Se o também raro 583 (Cosme Velho-Leblon) desse o ar de sua graça, eu descia no metrô de Botafogo e pegava um táxi até o hospital. O pior cenário era tomar o 422 até o Largo do Machado, o metrô até a estação Botafogo-Coca Cola (sic) e daí um táxi até o Rocha Maia. Arriscar uma caminhada até lá sob o sol de verão era estafante e perigoso, em meio a pistas de alta velocidade.
Nada acontece por acaso. Naquelas noites eu revia a versão de A montanha mágica de Thomas Mann num filme de três horas da TV alemã. Mann mostrava o hospital como uma parábola da sociedade e a doença como uma parábola da vida. E eu completamente mergulhado naquela mórbida frequentação nosocomial.
Meu antídoto para toda essa gravidade literária era ler o autor mais leve e engraçado do século 20, o inglês P.G. Wodehouse (1881-1975). Comprei dois ou três livros dele nos sebos de calçada daqui – onde já encontrei coisas surpreendentes. Quando era editor da Manchete, eu tinha um redator muito culto e querido, George Gurjan. Nos momentos de pausa, entre um leiaute e outro, ele enfiava sempre o nariz num livro do Wodehouse. P.G. descreve com muito humor as aparentemente rígidas relações de classe britânicas e faz até uma inversão de papeis: é o valete Jeeves quem manda no seu patrão-playboy. Seus melhores livros, publicados nos anos 1920/30, são um deleite de linguagem com a colorida gíria inglesa da época.
Moro em pleno vale das Laranjeiras, no que chamo de Baixo-Glicério. Para aliviar o estresse comecei a caminhar até as alturas do Armazém Cardosão. Abreviava o trajeto subindo uma escada de 59 degraus e depois a ladeira que serpenteava até o bar-restaurante. Encurtava a volta descendo direto uma escada de 115 degraus. Chamei aquele cume de Montanha Mágica. Laranjeiras é um bairro estranho, com encostas e morros escarpados, boa parte coberta por trechos de Mata Atlântica do Maciço da Tijuca. Também venta muito por estas bandas, por isso criei um nome alternativo para a região, Cumbres borrascosas, título espanhol do Morro dos Ventos Uivantes, que Buñuel filmou no México como Abismos de pasión.
Na terça-feira 17 de janeiro, Rio 40° com sensação térmica de 50°, acompanhei Lena num passeio de ambulância até uma clínica de Madureira, onde ela foi fazer uma tomografia computadorizada. Na TV da sala de espera vi que tinha morrido o Henrique Caban, meu colega na equipe inicial da Veja em São Paulo em 1968. Depois nos reencontramos na Bloch, ele foi secretário do Samuel Wainer no malogrado projeto do Domingo Ilustrado, uma revista em forma de jornalão para ser lida na praia – se a brisa marinha permitisse, só na cabeça do Adolpho mesmo... Duas coincidências do dia com um toque do Além: uma semana antes eu presenteara a Sirleine do Pastel, que vende seus quitutes defronte ao Cardosão, com um exemplar do meu primeiro livro, Mao e China, lançado em São Paulo na segunda-feira antes da sexta-feira 13 de dezembro do AI-5. Costumo comprar livros da minha autoria na Estante Virtual, o da Sirleine portava justamente uma dedicatória ao Caban, em letra vermelha. Caban fazia parte da “Máfia do Partidão”: nas redações brasileiras, quem tinha carteirinha do PCB era sempre protegido e tinha emprego garantido.
Quando voltei para casa – quatro horas de ida e volta até Madureira numa ambulância sacolejante, o piso ao longo do caminho estava sendo recapeado – recebi na portaria do prédio dois livros da Estante Virtual. Quando abri o segundo tomei um choque, um livro que eu não tinha encomendado: De como ser, do Harry Laus, seu nome em maiúsculas gritantes na capa. Harry Laus (1922-1992) era meu editor de artes plásticas na Veja quando eu dirigia o módulo de Artes e Espetáculos. Militar de carreira, inteligente, transgressor, foi reformado como tenente-coronel pelo golpe de 1964. Homossexual, tinha escrito um romance sobre sexo proibido num quartel de fronteira, O batalhão sagrado, que nunca foi publicado. Por conta da minha primeira mulher, chegada a homossexuais, ficamos amigos e compartilhamos alguns programas fora da redação na buliçosa São Paulo daquela época. Depois que deixei a Veja em setembro de 1969 nunca mais vi o Harry Laus, que se tornou um contista ignorado no Brasil, mas muito prestigiado na Europa com a tradução de seus livros.
Intrigado por aquela súbita aparição, subi para minha caipivodca de seriguela no Cardosão. Por uma feliz coincidência era o dia de jazz na casa. Um grupo compacto com um som fusion competia com os aviões da Ponte Aérea que passavam zunindo a cada dois minutos na descida para o Santos Dumont. O sabor da caipivodca de fruta silvestre, os bólidos prateados silvando a apenas cem metros de nossas cabeças e o jazz num longo improviso sobre o Corcovado do Jobim – e a visão muito próxima do Cristo Redentor que tínhamos de nossas cadeiras – tudo isso me levou a uma iluminação espiritual, aquele fenômeno que James Joyce chamava de epifania e os zen-budistas de satori.
Uma semana depois Lena voltou para casa. No hospital a entupiram de comida, ganhou oito quilos de peso e estava em franca recuperação. Subi com ela de táxi para fazermos a foto que ilustra esse texto. O chamado do Além do Harry Laus foi explicado: minha amiga jornalista de Curitiba Marleth Silva, que vive insistindo para que eu escreva minhas memórias, mandou o livro como amostra de uma autobiografia. (Ela desconhecia minha amizade com o Laus.)
Uma palavrinha para Marleth: escrevo minhas memórias todo dia há mais de vinte anos. O blog Panis Cum Ovum, dos ex-Manchete, com quinze anos de existência, abriga já alguns volumes. O problema é que não consigo colocar um ponto final. Cada dia me brinda com encontros, surpresas, descobertas, benesses, pessoas, lugares. O presente me atropela e se transforma instantaneamente em passado, matéria de memória. Gosto da expressão com que Boris Vian definia a passagem do tempo: “a espuma dos dias”. Intenso, hiperativo, curioso e afoito, uma ida até a esquina hoje para mim equivale a uma verdadeira odisseia.
sábado, 28 de janeiro de 2023
sexta-feira, 27 de janeiro de 2023
Oscar 2023 - "Argentina 1985" e a falta que nos fez um Julio Strassera...
| Argentina 1985: o ator Ricardo Darin como o promotor Julio Strassera e Peter Lanzani no papel do seu assistente Luiz Morneo Ocampo. Foto Divulgação |
por José Esmeraldo Gonçalves
O longa "Argentina 1985", agora indicado para o Oscar 2023 de Melhor Filme Internacional, atinge dois tipos de público. Afinal o julgamento dos militares responsáveis pelos crimes há 38 anos e o golpe que destituiu a presidente Isabel Perón e implantou a Junta Militar que tocou o terror na Argentina aconteceu no dia 26 de março de 1976, há quase 40 anos.
Uma parte audiência - na qual me incluo - terá acompanhado pelo noticiário o drama argentino. O filme nos leva a rever os personagens daquela imensa tragédia política. Em 1976, a América do Sul estava submetida a cruéis ditaduras da direita. O Brasil vivia a sua desde 1964, também colecionando assassinatos sequestros e torturas e com os militares e orgãos de segurança nacionais colaborando ativamente com a sangrenta repressão na Argentina, Chile e Uruguai. Os dois últimos países também sob ditaduras desde 1973.
A segunda audiência é formada certamente pelas gerações que não viveram a época.
Argentina 1985 tem o mérito de revelar o que aconteceu no país e o desfecho legal de um processo pelo qual o Brasil não passou. Aqui, militares deixaram o poder em 1985, precisamente quando Buenos Aires julgava seus carrascos. O deplorável "jeitinho" lhes concedeu tapete azul para devolverem o poder aos civis. Primeiro, a concessão negociada de uma anistia que, em troca de permitir a volta dos exilados, isentou os militares brasileiros de qualquer culpa, deixou-os intocáveis para sempre. Até mesmo crimes posteriores à anistia, como o atentado terrorista do Riocentro - cometido em 1981 por militares da chamada linha dura descontentes com os primeiros sinais de desgaste do regime e a perspectiva do seu fim -, ficaram impunes. E veio depois a transição negociada que levou à eleição de Tancredo Neves pelo colégio eleitoral da ditadura, seguida, em março de 1985, pela doença e morte do mineiro e a posse de José Sarney, político ligado ao regime militar.
Não tivemos o nosso Brasil 1985. Aqui não houve banco dos réus para assassinos e torturadors.
A junta militar da Argentina, constituída inicialmente pelo general Jorge Videla, almirante Emilio Massera e brigadeiro Orlando Agosti, abriu caminho para o rastro de sangue que banhou o país. O primeiro trio de ditadores foi substituído nos anos seguintes por outras duas formações que se alternaram no governo até 1983: general Roberto Viola, brigadeiro Omar Graffigna e almirante Armando Lambruschini; e general Leopoldo Galtieri, brigadeiro Lami Dozo e almirante Jorge Anaya.
Dirigido por Santiago Mitre, "Argentina 1985" conta a história real do julgamento desses carrascos da ditadura argentina sob o ponto de vista do promotor Julio Strassera, seu assistente Luis Moreno OCampo, e uma equipe de jovens funcionárários da justiça que levantaram provas e testemunhos sobre sequestros, assassinatos e torturas em série que resultaram em mais de 30 mil mortos e desaparecidos, além bebês nascidos em cativeiro retirados das mães e "doados" a militares sem filhos.
Em performance brilhante, o ator Ricardo Darín vive o promotor Julio Strassera. Seu assistente Luís Moreno Ocampo é interpretado por Peter Lanzani.
Os ditadores argentinos foram condenados por crimes contra a humanidade, vale dizer, genocídio.
Quando veio ao Rio para o lançamento do filme em outubro (que agora pode ser visto no streaming Prime) o ator Peter Lanzani, que nasceu em 1990, disse ao G1 que ao atuar em "Argentina 1985" aprendeu coisas que não lhe ensinaram.
Os bolsonaristas que promoveram ataques terroristas às sedes do Congresso, STF e Presidência, em Brasíla, no dia 8 de janeiro de 2023, quebram tudo em nome da volta da ditadura. Esses terroristas têm muitos adeptos que também não eram nascidos sob o regime militar brasileiro. Não lhes ensinaram sobre os crimes que escaparam da nossa justiça, mas não da memória.
A Argentina curou suas feridas. Além dos membros das juntas condenou nos anos seguintes, até recentemente, outros militares e, desde 1983, não é alvo de golpes.
O Brasil, ao contrário, optou por apenas varrer os criminosos para o quarto de despejo da história. E, não por acaso, a direita já derrubou, em 2016, sob falso pretexto agora reconhecido pelo MPF e Tribunal de Contas da União, uma presidente legitimamente eleita. O fantasioso impeachment criou condições para a ascensão de uma ultra direita antidemocrática que prega um golpe militar e volta a ameaçar um presidente eleito democraticamente.
A Argentina exorcizou os fantasmas, o Brasil escolheu recriar os seus.
terça-feira, 24 de janeiro de 2023
Oscar 2023 anuncia os indicados - Premiação acontecerá no dia 12 de março. Marilyn Monroe estará presente. Duvida?
por Clara S. Britto
| Ana de Armas em "Blonde", 2022. Foto: Reprodução |
| Marilyn Monroe em "O Pecado Mora ao Lado, em 1955. Foto Divulgação |
A atriz Ana de Armas, nascida em Cuba, interpretou Marilyn Monroe em "Blonde", o filme-série da Netflix que contou a história de um dos maiores simbolos sexuais do cinema. A crítica desconfiou da escolha. Uma atriz latina vivendo Marilyn? Apesar do preconceito, ela acaba de ser indicada para concorrer ao Oscar de Melhor Atriz. Ana de Arma construiu uma impressionante Marilyn e com um diferencial: mostrou as marcas da difícil infância e adolescência da estrela loura de Hollywood e os passos que moldaram sua vida atgitada e de trágico desfecho. O apresentador da 95° cerimônia de entraga da estatueta será o comendiante Jimmy Kimmel. Marilyn, no corpo espetacular de Ana de Armas, estará na plateia, mas o grande concorrente destaque é o filme "Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo", que lidera a seleção, com 11 indicações.
Melhor Filme
Nada de Novo no Front
Avatar: O Caminho da Água
Os Banshees de Inisherin
Elvis
Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo
Os Fabelmans
Tár
Top Gun: Maverick
Triângulo da Tristeza
Entre Mulheres
Melhor Direção
Martin McDonagh (Os Banshees de Inisherin)
Daniel Kwan e Daniel Scheinert (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo)
Steven Spielberg (Os Fabelmans)
Todd Field (Tár)
Ruben Östlund (Triângulo da tristeza)
Melhor Ator
Colin Farrell (Os Banshees de Inisherin)
Austin Butler (Elvis)
Brendan Fraser (The Whale)
Bill Nighy (Living)
Paul Mescal (Aftersun)
Melhor Atriz
Cate Blanchett (Tár)
Ana de Armas (Blonde)
Andrea Riseborough (To Leslie)
Michelle Williams (Os Fabelmans)
Michelle Yeoh (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo)
Melhor Ator Coadjuvante
Brendan Gleeson (Os Banshees of Inisherin)
Brian Tyree Henry (Causeway)
Judd Hirsch (Os Fabelmans)
Barry Keoghan (Os Banshees of Inisherin)
Ke Huy Quan (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo)
Melhor Atriz Coadjuvante
Angela Basset (Pantera Negra: Wakanda para Sempre)
Hong Chau (The Whale)
Kerry Condon (Os Banshees de Inisherin)
Stephanie Hsu (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo)
Jamie Lee Curtis (Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo)
Melhor Filme Internacional
Nada de Novo no Front (Alemanha)
Argentina, 1985 (Argentina)
Close (Bélgica)
EO (Polônia)
The Quiet Girl (Irlanda)
Melhor Filme de Animação
Pinóquio de Guillermo Del Toro
Marcel the Shell with Shoes On
Gato de Botas 2: O Último Pedido
A Fera do Mar
Red - Crescer é uma Fera
Melhor Documentário
All That Breathes
All The Beauty and the Bloodshed
Fire of Love
A House Made of Splinters
Navalny
Melhor Roteiro Adaptado
Nada de Novo no Front
Glass Onion: Um Mistério Knives Out
Living
Top Gun: Maverick
Entre mulheres
Melhor Roteiro Original
Os Banshees de Inisherin
Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo
Os Fabelmans
TÁR
Triângulo da tristeza
Melhor Fotografia
James Friend, por Nada de Novo no Front
Darius Khondji, por Bardo: Falsa Crônica de Algumas Verdades
Mandy Walker, por Elvis
Roger Deakins, por Império da Luz
Florian Hoffmeister, por Tár
Melhor Trilha Sonora Original
Nada de Novo no Front
Babilônia
Os Banshees de Inisherin
Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo
Os Fabelmans
Melhor Canção Original
Sofia Carson - "Applause" (de Tell it Like a Woman)
Lady Gaga - "Hold My Hand" (de Top Gun: Maverick)
Rihanna - "Lift Me Up" (de Pantera Negra: Wakanda Para Sempre)
"Naatu Naatu" (de RRR)
Son Lux - "This is a Life" (de Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo)
Melhor Som
Nada de Novo no Front
Avatar: O Caminho da Água
Batman
Elvis
Top Gun: Maverick
Melhor Edição
Mikkel E.G. Nielsen, por Os Banshees de Inisherin
Matt Villa & Jonathan Redmond, por Elvis
Paul Rogers, por Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo
Monika Willi, por Tár
Eddie Hamilton, por Top Gun: Maverick
Melhor Design de Produção
Nada de Novo no Front
Avatar: O Caminho da Água
Babilônia
Elvis
Os Fabelmans
Melhor Figurino
Babilônia
Pantera Negra: Wakanda para Sempre
Elvis
Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo
Sra. Harris Vai a Paris
Melhor Maquiagem e Cabelo
Nada de Novo no Front
Batman
Pantera Negra: Wakanda Para Sempre
Elvis
A Baleia
Melhor Curta-Metragem (animação)
The Boy, the Mole, the Fox, and the Horse
The Flying Sailor
Ice Merchants
My Year of Dicks
An Ostrich Told Me the World is Fake, and I Think I Believe It
Melhor Curta-Metragem (live action)
An Irish Goodbye
Ivalu
Le Pupille
Night Ride
The Red Suitcase
Melhor Documentário em Curta-Metragem
The Elephant Whisperers
Haulout
How do You Measure a Year?
The Martha Mitchell Effect
Stranger at the Gate
Efeitos Visuais
Nada de Novo no Front
Avatar: O Caminho da Água
Batman
Pantera Negra: Wakanda Para Sempre
Top Gun: Maverick
domingo, 22 de janeiro de 2023
Os jornalistas "setoristas de quartel" estão de volta às redações. Não é uma boa notícia. Eles andavam sumidos desde o fim da ditadura.
![]() |
| Reprodução Twitter |
por José Esmeraldo Gonçalves
Observação certeira essa do Conrado Ubner. Acho que certos jornalistas logo que acordam ligam pro quartel para saber se a tropa está nervosa.
No tempo da ditadura, cada redação tinha um especialista em Forças Armadas e órgãos de segurança. Eram valorizados pelo acesso a fontes da caserna. Quando passavam os colegas sussurravam: " cuidado, esse aí tem generais no caderninho". Eram uns *Elio Gaspari" de baixa patente.
Lembro que um deles foi demitido pouco antes das primeiras eleições diretas para presidente, em 1989. Os militares saíram do noticiário e os brasileiros passaram a desconhecer os nomes dos comandantes. A democracia agradecia a deferência. Os setoristas foram pra reserva não remunerada. Bolsonaro trouxe fardas e coturnos de volta à cena política. E logo reapareceram os setoristas de quartel.. Ontem, na TV, era um tal de "falei com uma fonte militar", " fiz uma apuração com um quatro estrelas".
Isso preocupa. Os militares estão mais badalados do que o BBB da Globo.
Mídia - Nos jornais de hoje, o drama incômodo dos ianomâmi não ganha destaque
![]() |
| Ianomâmi em estado de desnutrição extrema. Reprodução Instagram |
Ontem, o Brasil acordou em choque. Na última sexta-feira caíram na rede fotos dramáticas da lenta agonia de crianças, adultos e idosos em uma das aldeias ianomâmi. As imagens foram distribuídas pelos líderes indígenas. Ontem, o presidente Lula partiu com urgência para Rondônia levando oito ministros na comitiva para providências imediatas para salvar a etnia. Somente este ano morreram 99 crianças. Quase 600 faleceram nos meses anteriores vítimas de desnutrição, pneumonia fome e contaminação por mercúrio lançado nos rios pelo garimpo ilegal que avança nos territórios das tribos.
Os ianomâmi vivem um caos sanitário que tem as digitais criminosas de Jair Bolsonaro, seus ministros e seu vice-presidente.
Em operação ativa desde 2019, o governo passado apoiou o garimpo e, em consequência, o narcogarimpo, desprezou e oprimiu os indígenas, desmontou a fiscalização e incentivou a brutalidade na Amazônia. Na prática, Bolsonaro, que muitas vezes proferiu frases racistas e ofensivas aos indígenas, liberou a barbárie na região onde hoje se concentram 20 mil garimpeiros ilegais. O quadro que se revelou ao país ontem vinha sendo denunciado nos últimos anos - e ignorado - principalmente desde o começo de 2022 quando se agravou ainda mais.
As fotos divulgadas mostram indígenas esquálidos. São cenas inacreditáveis.
Pois os três principais jornais da elite brasileira não deram grande importância à tragédia. Evitaram publicar as fotos dramáticas em uma espécie de "limpeza étnica" editorial. Dois deles deram chamadas na primeira página. O Globo nem isso. Nas páginas internas, pequenas e burocráticas matérias sem as fotos incômodas. Os jornais Estado de Minas e Correio Braziliense colocaram o assunto com maior importância nas respectivas capas. Para a maioria dos veículos foi como se o drama dos ianomâmi atrapalhasse o sábado dos editores que já estavam às voltas com a demissão do comandante do Exército.
É óbvio que, considerando-se a hierarquização dos fatos, havia espaço para as duas notícias e com igual destaque. O chefe militar omisso quanto à tentativa de golpe e ao ataque aos poderes constitucionais foi descartado e rapidamente substituído. Já as mortes em Roraima vão permanecer na consciência dos governantes que não se identificaram com a causa indígena.
Houve quem criticasse a criação do Ministério dos Povos Originários anunciada por Lula logo após a eleição. Pois aí está a razão. É para salvá-los antes que sejam exterminados.
ATUALIZAÇÃO em 23/1/2022. O Globo finalmente destaca a tragédia dos ianomâmi.
Rede Manchete, 40 anos depois - O depoimento de quem testemunhou o começo, o meio e o fim...
Segundo Hazan, Adolpho não era favorável ao projeto idealizado por seus sobrinhos Oscar Bloch e Pedro Jack Kapeller. Achava que o DNA do grupo estava na bem-sucedida editora de revistas e na gráfica. "Não é o nosso ramo. Um dia nós vamos nos sentar em um banco dessa praça (referindo-se ao largo em frente ao edifício-sede da Bloch na Rua do Russell, no Rio de Janeiro) e vamos recordar: "esse prédio já foi nosso".
Adolpho faleceu em 1995, quando a Rede Manchete já enfrentava a grave crise que levou ao seu fim em junho de 1999, quando foi vendida para a Rede TV.. A Bloch Editores faliu em agosto de 2000 arrastada pelo tsunami administrativo e financeiro que inviabilizou a a TV.
A Rede Manchete teve relativamente pouco tempo de capacidade plena de produção de uma programação de qualidade. Em 1989, com apenas seis de operação, houve a primeira tentativa de venda. Outras propostas fracassadas apareceram até o encerramento definitivo em 1999.
Apesar disso, a Rede Manchete deixou suas marcas de excelência na história da televisão brasileira. Vale citar o jornalismo ágil; novelas como Dona Beija e, principalmente o extraordinário sucesso de Pantanal, além de Ana Raio e Zé Trovão; lançou musicais inesquecíveis, como Bar Academia; inovou em séries, Xingu foi uma delas; e realizou coberturas memoráveis de Copas do Mundo, Olimpíadas e Carnaval.
Talvez investir em TV não tenha sido um decisão tão sem sentido assim. Olhando pelo retrovisor, vê-se que oi meio revistas impressas, a grande especialidade do Grupo Bloch, passou a ter os dias contados a partir do fim dos anos 1990, em processo lento, é verdade, mas inexorável. A Bloch ainda informatizou as redações, ensaiou entrar no meio digital, mas era tarde demais para as finanças combalidas da empresa e cedo demais para a verdadeira explosão da internet, como business, o que só ocorreu a partir do anos 2000. A televisão poderia ter sido uma ponte para o futuro do Grupo Bloch que não deu conta da tarefa que se revelou muito maior do que sua capacidade administrativa e financeira. Adolpho Bloch, como cita Hazan, foi profético.
Claudio Hazan foi diretor-geral do Centro de Produção da Rede Manchete. Ele faleceu precocemente, mas deixou esse depoimento que circula há alguns anos no You Tube.
Mídia: Estadão prega conciliação com criminosos e terroristas
![]() |
| Reprodução Twitter |
sábado, 21 de janeiro de 2023
sexta-feira, 20 de janeiro de 2023
quinta-feira, 19 de janeiro de 2023
Vida moderna - Coréia do Sul tem apartamentos de 3 metros quarados. É o cortiço gourmetizado. Sabia que Bangu 1, por exemplo, tem cela individual de 5 metros quadrados?
![]() |
| Um goshiwon na Coréia do Sul. Reprodução BBC Brasil |
Os vereadores, em algumas capitais brasileiras, ainda não chegaram ao ponto de permitir a construção de microapartamentos de 3 metros quadrados, mas já avançam nesse sentido. Em São Paulo já é permitido costruir apê de 10 metros quadrados. No Rio de Janeiro, o código de obras determia o mínimo de 25 metros quadrados.
Para se ter uma ideia,o presídio de Bangu 1, no Rio, tem celas de isolamendo com um total de 5 metros quadrados. A Papuda, em Brasília, onde estão os "patridiotas" bolsonaristas, coloca os políticos que vão em cana em celas de 25 metros quadrados, mas essas são para presos com direitos especiais. As celas individuais têm 6 metros quadrados. Claro que existem as celas coletivas superlotadas, mas essa é outra história.
Mídia - Vandalismo jornalístico - O que a Folha pretende sugerir?
![]() |
| Folha de São Paulo, 19/1/2023 |
por José Esmeraldo Gonçalves
quarta-feira, 18 de janeiro de 2023
Terroristas trocaram de roupa na Papuda
segunda-feira, 16 de janeiro de 2023
Viva Gina! • Por Roberto Muggiati
Mais uma musa que se despede. Gina Lollobrigida, além de ter vivido muito, viveu bem. Mito sexual, comediante talentosa, fez sucesso ainda como fotógrafa. Tive o privilégio de respirar o mesmo metro cúbico de ar com ela no Carnaval de 1967, em seu apartamento no Copacabana Palace, quando me recebeu para uma entrevista exclusiva para a Manchete. Estava no auge da beleza, aos 39 anos – eu tinha dez a menos.
Havia um intérprete de plantão, o jornalista Alessandro Porro. Oriundo, dispensei os seus serviços. Ainda ingênuo, apesar de meus dois anos de Paris e três de Londres, impregnado da cultura dos anos 60 – rica em problemática e pobre em solucionática – perguntei a ela sobre “il problemma sessuale”.
Com um sorriso irônico, a diva me colocou no devido lugar:
“Problema sessuale? Non lo so, il sesso per me non è un problema. Forse lo sarebbe per lei".
Guardo do encontro nossa foto, eu o repórter de terno e gravata com as ferramentas do ofício. Como 56 anos passam rápido...
(*) Gina Lollobrigida morreu nesta segunda-feira, 16, aos 95 anos, em sua casa, em Roma.
domingo, 15 de janeiro de 2023
Onde estão as musas? Houve uma época em que crises políticas produziam belas estrelas
por Ed Sá
Era uma espécie de tradição.Em meio às grandes crises políticas e escândalos que abalavam Brasília era praticamenente obrigatório que surgisse uma musa. Belas mulheres de alguma forma ligadas a escândalos da vez como esposas, amantes ou apenas por trabalharem no Congresso ao lado de envolvidos estampavam jornais e revistas e, algumas delas, acabavam descolando um cachê para posarem nuas para a extinta Playboy.
Como Monica Veloso, pivô da renúncia de Renan Calheiros à presidência do Senado, em 2007. O caso envolvia acusação de pagamento por uma construtora de pensão alimentícia devida por Renan, com quem Monica tivera um relacionamento. Thereza Collor, então mulher de Pedro Collor, que fez a denúncia que disparou a investigação e o processo que resultou no impeachmente de Fernando Collor de Mello, não posou nua, mas agitou o Congresso ao chegar para depor exibindo belas pernas em saias curtas. A assessora parlamentar Denise Rocha, que ficou conhecida durante a chamada CPI do Cachoeira, por trabalhar no gabinete de Ciro Nogueira, integrante da CPI e por ter um vídeo erótico vazado, também foi parar nas páginas da Playboy.Camila Amaral foi a musa da CPI do Mensalão. Ela trabalhava no gabinete de Ideli Salvatti, integrantre daquela CPI. Notada pela mídia e lançada A fama, ela aceitou um convite para posra nua. A Playboy acabou e os escândalos se tornaram áridos, digamaos, no quesito beleza. Quem disputaria o título de musa nos últimos anos? Damares? Janaína Pascoal? Carla Zambelli? Bia Kicis? Cássia Kiss? Regina Duarte?. Regina, muito antes de se tornar bolsonarista fanática, posou para a revista Homem, em 1975, eram fotos "sensuais", não de nudez explícita. Resta, nesses dias difíceis, a Vovó do Pó, que se destacou no ataque terrorista de 8 de janeiro. É o que temos. Por fim, para as novas gerações, um PS: meninos, nós vimos!
O Globo - Investigações identificam entre os terroristas de homicidas, traficante, estelionatários a fraudadores em geral
![]() |
| Reprodução O Globo, 15/1/2023 |
O Globo de hoje publica uma matéria que revela o DNA de alguns terroristas bolsonaristas. Mais prrecisamente, expõe a folha corrida de vários deles. As identificações e depoimentos dos "patriotas" que assaltaram os palácios de Brasília têm mostrado que acampamentos e barreiras também abrigavam marginais. No meio dos terroristas havia gente processada por homicídio, tráfico de drogas, estelionado e fraudes em geral. A que se tornou mais famosa foi Maria de Fátima Mendonça Jacinto Souza, a Vovó do Pó, condenada por tráfico de drogas. Não por acaso, a turba roubou objetos do Senado e do Planalto. segundo o minstro da Casa Civil, Ruy Costa, em entrevista ao Globo, também na edição de hoje, as câmeras internas do Palácio do Planalto mostram tentativa de roubo de caixa eletrônico.
De Vinicius de Moraes para Di Cavalcanti: "Hay que luchar, Cavalcanti" (*)
| Palácio do Planalto: a obra de Di Cavalcanti,As Mulatas, perfurada a faca por terroristas bolsonaristas durante assalto às sedes dos Três Poderes |
Amigo Di Cavalcanti
A hora é grave e
inconstante.
Tudo aquilo que prezamos
O povo, a arte, a cultura
Vemos sendo desfigurado
Pelos homens do passado
Que por terror ao futuro
Optaram pela tortura.
Poeta Di Cavalcanti
Nossas coisas bem-amadas
Neste mesmo exato instante
Estão sendo desfiguradas.
Hay que luchar, Cavalcanti
Como diria Neruda.
Por isso, pinta, pintor
Pinta, pinta, pinta, pinta
Pinta o ódio e pinta o amor
Com o sangue de tua tinta
Pinta as mulheres de cor
Na sua desgraça distinta
Pinta o fruto e pinta a flor
Pinta tudo que não minta
Pinta o riso e pinta a dor
Pinta sem abstracionismo
Pinta a Vida, pintador
No teu mágico realismo! --
(*) Em 6/9/1964, o Brasil estava sob a ditadura instalada em 1/4/1964 quando Vinícius de Moraes escreveu um poema para Di Cavalcanti (trecho reproduzido acima), que comemorava 66 anos.
sábado, 14 de janeiro de 2023
Lojas Americanas venderam camisetas de Bolsonaro em 2018
Em agosto de 2018, Lojas Americanas deram força à campanha de Bolsonaro com uma série de camisetas para promover o "mito", inclusive estimulando a política de armas. O BNDES tem dinheiro investido no grupo e, como todos os credores, pode ficar no prejuízo. O banco diz que tem "garantias bancárias".






























