terça-feira, 4 de junho de 2019

A diferença...


Frère Jacques, o médico da Manchete • Por Roberto Muggiati


         
Dr. Haroldo Jacques, que dirigiu a conceituada revista Medicina de Hoje, lança nova edição do livro "A Linguagem da Saúde -  Entenda os Aspectos Físicos, Emocionais e Espirituais que Afetam a sua Vida" (Madras Editora), em coautoria com o psicanalista Luiz Alberto Py. Na Livraria da Travessa, no Leblon, no dia 10 de junho, às 19h.

          
          Por muitos anos – pelo menos vinte – o Dr. Haroldo Jacques foi, informalmente, o médico da Manchete. No período que cobriu os anos 70 e 80 ele dirigiu a revista mensal da Bloch Medicina de Hoje. A megaempresa de comunicação – até mesmo depois que cresceu com a aquisição da TV Manchete, a partir de 1983 – não dispunha de um plano de saúde para seus funcionários. Para Adolpho Bloch, seus empregados eram imunes à doença. Havia apenas um ambulatório, escondido nos desvãos do Teatro Adolpho Bloch, em que atendiam dois médicos: a Dra. Tamara Rubinstein Hazan e o dr. Salvador Hazan, respectivamente mulher e irmão do Chefe da Engenharia, Isaac Hazan. No nepotismo Adolpho acreditava: a Casa estava cheia de Blochs, Sigelmanns, Rubinsteins, Hazans. Melmanns e Dines ocupando os mais diversos postos.

          A certa altura, para amenizar a pressão das cobranças que lhe faziam, Adolpho contratou um plano barato, que inaugurou matando uma das figuras mais saudáveis da empresa, o chefe da portaria, Seu Álvaro, um daquela chusma de portugueses adotados pela Bloch depois da Revolução dos Cravos. De terno azul marinho na portaria, falando todas as línguas, Topo Giggio – foi o apelido que lhe pespegaram – nas horas de folga se metamorfoseava e exibia-se diante do prédio da Manchete montado numa supermoto, de quepe e blusão de couro, guapo membro da confraria Harley Davidson. O plano acabou logo em seguida, para sorte dos muitos funcionários que já haviam agendado consultas ou até cirurgias.

Em meados dos anos 80, Célio Lyra, dos Serviços Editoriais, se meteu a escolher sozinho uma amostra de fotógrafos da Manchete para a revista francesa Zoom e teve um colapso nervoso. Sua internação no Hospital Samaritano, um dos mais caros do Rio, custou uma nota preta à Bloch. Valendo-se do episódio, David Klajmic convenceu Oscar Sigelmann a fazer uma permuta com a Golden Cross, um dos melhores planos de saúde da época. Claro, o benefício durou poucos anos e era restrito aos diretores e altos executivos sem atingir a massa dos funcionários.

Final dos anos 70, redação da Manchete: o editor da revista, Roberto Muggiati (o Eremita, apelido da época), Haroldo Jacques, um visitante e o Dr. Raimundo Carneiro. Médico particular de Adolpho Bloch, Raimundo dirigia o Hospital dos Servidores do Rio de Janeiro, um dos melhores do país. (Quando sofreu seu episódio cardíaco em 1980, o Presidente João Batista Figueiredo foi internado no HS). Foi Raimundo quem internou Justino Martins no Hospital dos Servidores em agosto de 1983. Diagnosticado o câncer terminal do diretor da Manchete, Raimundo insistiu com Adolpho par que o internasse num hospital da Zona Sul. Adolpho jamais perdoou ao Justino a conta dos últimos dez dias que ele passou na Clínica Sorocaba, em Botafogo. Concedeu-lhe a honraria do velório na portaria do prédio do Russell, mas isso era mais para ostentar o cerimonial blochiano sob a gigantesca escultura da árvore de Krajcberg. Foto: Acervo RM.

Isso faria do Doutor Haroldo Jacques uma das figuras mais requisitadas da Bloch. Como editor da Medicina de Hoje, ele acabou se tornando o consultor de plantão daqueles(as) que ousavam abordá-lo pelos corredores para lhe expor suas mazelas. Humano e solícito, Haroldo sempre atendeu a todos com a maior boa vontade. Como dirigia uma revista mensal tranquila e precisava atender os pacientes do seu consultório médico, Haroldo não frequentava a Bloch todo dia. Aparecia sempre para a feijoada das sextas, com um comentário bem humorado sobre o traje: “Fatiota inteiramente branca e sapato branco é uniforme de pai-de-santo, pipoqueiro e, eventualmente, médico.” Naqueles almoços divertidos, eu, Cony e Haroldo transformamos a melodia de Frère Jacques numa canção de escárnio, com uma letra sacana em bom português.

Além dessa incursão jornalística, Haroldo Jacques publicou vários livros levando a medicina para o leigo, como Receitas simpáticas para doenças antipáticas, que fez em parceria com a renomada chef Silvana Bianchi. Agora, ele lança (Travessa do Leblon, segunda-feira, 10 de junho), uma nova edição do livro que fez com o psicanalista Luiz Alberto Py, A linguagem da saúde/Entenda os aspectos físicos, emocionais e espirituais que afetam a sua vida. Com o carimbo da Manchete, é claro: duplo prefácio de Carlos Heitor Cony e deste que vos escreve.



domingo, 2 de junho de 2019

Bruna Marquezine na Vogue Portugal


Shakespeare e o Rei Lear: o drama e a farsa

No filme Rei Lear, de 2008, o protagonista interpretado pelo ator Ian McKellen
é vítima de traição por parte de duas das filhas.  Foto: Divulgação

por Ed Sá

Em sua tragédia de 1606, Shakespeare mostra o Rei Lear às turras com suas três filhas – Goneril, a 01; Regan, a 02; e Cordelia, a 03. Um conflito de poder na época seria mais verossímil entre um pai e três filhos homens, mas o Bardo já era feminista no século 17 e dava destaque à mulher em todas suas peças. Bravo!

Por aqui não temos tragédia, mas, até agora, uma “comédia de erros” e a baixaria corre por conta da macharia, como era de se esperar...

E o Liverpool levou o melhor futebol do mundo de volta pra casa...



por Niko Bolontrin

A final da Liga dos Campeões não foi o que se esperava. O gol de Salah no primeiro minuto, originado por um pênalti duvidoso, inibiu o Tottenham e aparentemente acomodou o Liverpool. A partida burocratizou-se. Poucas jogadas mostraram a marca que o treinador Jürgen Klopp imprimiu ao seu time ao longo da temporada: pressão, passes ofensivos e não o chatíssimo tic-tac que ele, aliás, abomina, e a busca obsessiva do gol. No segundo tempo, o Tottenham acordou e o jogo melhorou. Klopp, por sua vez, fez duas substituições para conter o despertar do adversário. Deu certo.  Origi fez o segundo gol e consolidou a vitória no Wanda Monumental, em Madri.
Alissson, o excepcional Van Dijk, Salah, Firmino, Mané e os demais comandados por Klopp fizeram uma temporada perfeita.
Merecidamente, são os campeões.
Parodiado um verso da música "Three Lions", da banda britânica the Lightning Seeda, composta para a Eurocopa 1996 que aconteceu na Inglaterra -   "Football's coming home" - o Liverpool levou a taça e o melhor futebol do mundo de volta para o berço do futebol.

Publimemória:em 1961, meninos e meninas de azul, sem patrulha do fanatismo religioso

Foto: Reprodução do blog Propaganda de Gibi
Veja como o Brasil entrou em uma espiral de atraso. Em 1961, o anúncio das fitas Scotch publicado em revistas mostra meninos e menina de azul. Quem imaginaria que um dia, em 2019, um regime fanático-fundamentalista no poder tentaria enquadrar pessoas em cores.

sábado, 1 de junho de 2019

Invadiu! Final da Champions virou pelada

Modelo invade o campo para promover o site pornô Vitaly. O estádio Metropolitano Wanda, em Madri, vibrou. Reprodução Twitter.

Deu no twitter - Jornalismo messiânico - Globo News traz seu amor de volta em três dias. Mas só se o confisco da Previdência for aprovado


Propaganda: quem lembra desse slogan levante a bengala...


Para comemorar seus 110 anos, as Casas Pernambucanas encomendaram da J. Walter Thompson Brasil um filme especial.

A geração baby boomer vai lembrar.

Segundo o site Meio & Mensagem, "o novo filme foi criado por Guilherme Alvernaz, filho de Ruy Perotti — um dos donos da Lynxfilm, produtora que fez o filme original da comunicação –, sob a autorização dos herdeiros de Heitor Carillo — criador do Friozinho e detentor dos direitos autorais da obra até seu falecimento, em 2003".

PARA VER O NOVO COMERCIAL, CLIQUE AQUI



PARA VER O FILME ORIGINAL, CLIQUE AQUI

Quer ver mapas de países como você nunca viu na escola? Conheça o site Far & Wide e saiba onde vivem as pessoas mais felizes, quem são os mais corruptos, quem bebe mais, quem é mais rico...

Mapa da birita. (Reprodução far & Wide, link abaixo)

Mapa dos abonados. Reprodução Far & Wide, link abaixo)

Mapa das gorjetas. Reproduçõa Far & Wide, link abaixo)


O site Farandwide.com chegou à conclusão de que a maioria das pessoas considera que mapas comuns são chatos.
Daí, em vez de só mostrar onde ficam os países, revela como se comportam.
Você vai localizar, por exemplo, quem não usa sistema métrico, quem consome mais álcool e que tipo de bebida, quantos são os bilionários por país, aplicativos de mensagens mais populares em cada região, onde ficam as pessoas mais felizes, o mapa da intolerância à lactose por nações e até o mapa das gorjetas (quem exige, quem fica agradece, quem nem espera um agrado).
Além das curiosidades, o Farandwide é um mapa dá dicas, sugestões e alertas para turistas.

VISITE O SITE FARANDWIDE, AQUI

Entrou água no óleo: Prêmio Petrobras de jornalismo é cancelado

A informação está na coluna de Guilherme Amado, da Época. O presidente da Petrobras, Roberto Castelo Branco, passou a tesoura no prêmio que a empresa promovia desde 2013.

Na capa da Piauí: o exterminador de florestas...


por Flávio Sépia 
O governo da terraplana também não acredita em mundo globalizado. Com a histeria administrativa típica dos regimes radicais, as facções da direita no poder investem contra as políticas do meio ambiente e, ao mesmo tempo, interpretam o comércio exterior sob a ótica do "bem" contra o "mal", de "Jesus" contra o "Diabo". Fazem chover no país uma tempestade de agrotóxicos e acham que isso será um segredo nosso. Implodem as políticas sociais e esperam ganhar elogios nos fóruns internacionais.
A matéria de capa da Piauí é sobre um desses pontos; as florestas brasileiras. As reações já são visíveis em vários países desenvolvidos e cresce o risco de barreiras e restrições às exportações. Pressionados pelas suas respectivas sociedades, alguns países podem restringir compras de alimentos de um parceiro irresponsável que destrói suas matas e envenena os produtos que  exporta. Talvez o Brasil se sinta seguro para ter a motosserras e o galão de agrotóxicos como "valores nacionais" porque dois do grandes compradores, os Estados Unidos e a China, não ligam para minúcias éticas. Mas a Europa, outro grande mercado, já sinaliza o incômodo.
Cresce a percepção de que o Brasil tornou-se o grande vilão: o Darth Vader do mundo civilizado.

sexta-feira, 31 de maio de 2019

O guarda-chuva bombou nas redes sociais. Finalmente o ministério da Educação começou a trabalhar...

A chuva em Curitiba durante a manifestação deu simbolismo extra ao protesto. Reprodução.


Tatiana Vasconcelos e o utensílio que bombou na web. Reprodução Twitter.

por O.V. Pochê 

E Gene Kelly, coitado, entrou na crise brasileira como farsa.

O ator de "Cantando na Chuva" morreu em 1996 e foi poupado do vexame de ver a ridícula imitação que Abraham Weintraub fez da sua mais famosa coreografia.


Fico imaginando como foi a produção do clipe. O ministro da Educação acordou com Singin' in the Rain na cabeça. Acontece. A caminho do chuveiro, como se fosse coreografado por um Busby Berkeley, ensaiou os primeiros passos. Saiu-se bem nos movimentos, mas sentiu falta do poste para dar aquela rodadinha no ar. No boxe, sob o jorro d'água e apesar do espaço restrito, sentiu-se no cenário do filme e pulou pocinhas. Ouviu aplausos imaginários.  Depois do café, quando o motorista da repartição veio buscá-lo para o batente, o ministro ainda estava inebriado pelo próprio desempenho.

Avisado pela assessoria de que era apontado como culpado pelos cortes de verbas para a reconstrução do Museu Nacional, decidiu fantasiar a réplica.

Sua primeira agenda deve ter sido uma reunião com sua equipe de rede social para criar um clipe destinado a marcar época na política brasileira. Ontem mesmo, o guarda-chuva, o coadjuvante da cena, saiu da coreografia do ministro dançarino e foi para as ruas, além de viralizar na internet em centenas de memes.

Em termo de marketing, o resultado foi considerado tão bom que quem sabe serão estudadas outras produções político-hollywoodianas. Estão na fila musicais clássicos: Mary Poppins, O Mágico de Oz, Funny Girl, Agora Seremos Felizes e Cabaret. Deverão ser usados de acordo com a conjuntura política e a inspiração do Gene Kelly do governo.

Finalmente o ministério da Educação começou a trabalhar.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Rio dá o recado: não sequestrem a Educação

 Av.Rio Branco. Foto Mídia Ninja

Já viu o trailer de "Rambo - Last Blood"? O personagem volta traumatizado pela violência. Não é piada.

Reprodução

por Ed Sá

Em "Rambo - Last Blood", o personagem criado por Sylvester Stallone sofre de PSTD (Post-traumatic stress disorder, na sigla em inglês para pessoas traumatizadas por eventos violentos).

Ninguém mais do que Rambo tem motivos para o stress. Mas não pense que Stallone ficou a cabeça avariada a ponto de entrar em uma trama "psicológica", ao estilo Ingmar Bergman. Last Blood é de muita ação e sangue como sempre. O filme, o quinto da série, marca a volta do personagem Rambo e estreia nos Estados Unidos em 20 de setembro. Ainda não tem data para chegar ao Brasil.
VEJA O TRAILER, CLIQUE AQUI

Marketing digital: Globo inova e personagem Vivi Guedes, de Paolla Oliveira, ganha perfil no Instagram

Paola Oliveira como Vive Guedes da novela A Dona do Pedaço. Reprodução Instagram


por Clara S. Britto 
Para a divulgação da novela "A Dona do Pedaço", a Globo criou um perfil no Instagram (Estilo Vivi Guedes) para a personagem de Paolla Oliveira, a influencer Vivi Guedes. Na rede, ela se coloca como uma personagem real e interage com internautas. Ao longo da novela a celebridade da das redes sociais vai lançar tendências e fotos ousadas ao estilo das Kim Kardashian da vida.

Hoje cedo, Vivi somava quase 200 mil seguidores. No seu perfil da vida real, Paolla Oliveira tem cerca de 17 milhões de fãs.

Por uma dessas consequências da web, o perfil fictício de Vivi Guedes não escapou de atrair vários perfis falsos. O verdadeiro está AQUI.

A esperança... o que é o que é


Hoje cedo, na cidade de Pau Ferro, no Rio Grande do Norte. A melhor legenda são os versos de Gonzaguinha: "Eu fico com a pureza/ da resposta das crianças/É a vida/É bonita/E é bonita"
Foto de Jarlon Medeiros/Estudantes Ninja/Reprodução Twitter/PSOL50.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

A tragédia na mesa ao lado: o dia mais triste do jornalismo carioca

A primeira página da Última Hora em 29 de junho de 1984.

Narinha e Erasmo Carlos: a última matéria do repórter Ulisses Madruga,
da Rede Manchete, A foto é de Masaomi Mochizuki 

por José Esmeraldo Gonçalves

Aquela quinta-feira, 28 de junho de 1984 abalou as redações do Rio de Janeiro. Ao se chocar com um morro, em Barra de São João, um avião Bandeirantes a caminho de Campos (RJ) matou dois tripulantes, dois funcionários da Petrobras e 14 jornalistas. 

A convite da Petrobras, as equipes cobririam em uma plataforma continental a marca de 500 mil barris diários extraídos pela empresa. A notícia do acidente causou um choque em jornais, revistas e emissoras de TV. Era a tragédia na mesa ao lado, tantos os colegas que se foram. E, para cada veículo, ainda apresentou-se uma obrigatória e dramática tarefa: cobrir e editar o acidente que vitimou amigos dos repórteres, fotógrafos e cinegrafistas escalados para registrar o resgate dos corpos. 

No acidente, a Rede Manchete perdeu três profissionais: o repórter Ulisses Madruga, o cinegrafista Luis Carlos Viana e o operador de VT Jorge Silva Martins.

O jovem Ulisses era o mais próximo das redações das revistas da Bloch. Iniciou sua carreira na Fatos & Fotos, em 1980. Um ano depois foi transferido para a Manchete. Quando a editora começou a montar a rede de televisão, ele demonstrou interesse em conseguir um espaço no novo veículo. Engajou-se na primeira equipe de jornalistas da Rede Manchete em 1983, mas volta e meia oferecia matérias para as revistas, geralmente desdobramentos de pautas televisivas. 

Na véspera da viagem fatídica para Campos, Ulisses soube que substituiria uma colega impossibilitada de viajar. À tarde, subiu ao oitavo andar e  perguntou às chefias de reportagem da Manchete e da Fatos & Fotos se tinham interesse na pauta. Para ambas as revistas era o tipo de assunto, uma solenidade, que renderia apenas um registro, As revistas não mandariam equipes. Antes de se despedir, ele combinou  enviar um texto. Na manhã seguinte, ao lado do cinegrafista Viana e do operador Jorge embarcou para Campos. 

O Bandeirantes também levava uma jornalista muito ligada à Fatos & Fotos: a querida repórter Maria da Ajuda Medeiros dos Santos, então na TVE. Também estavam no voo, Ivan dos Santos, Jorge Coelho e Dario Fernandes (TVE); Luis Eduardo Lobo, Dário Silva, Levi Silva e Jorge Leandro (Rede Globo); Regina Sant'ana, Geraldo Veloso e Luis Carlos de Souza (TV Bandeirantes). 

Entre as equipes escaladas para cobrir o resgate e identificação dos corpos, o repórter Samuel Wainer Filho e o cinegrafista Luiz Felipe Ruiz de Almeida, da Rede Globo trabalharam o dia inteiro no cenário do acidente. Ao voltar para o Rio, com forte chuva na estrada, a camionete em que viajavam capotou em uma curva. Samuca e Almeida tornaram-se personagens da tragédia. Ninguém acreditou, parecia um pesadelo. 

No mês que vem, 35 anos depois, esses dias de comoção reviverão em uma geração de profissionais, muitos já fora das redações mas não longe das lembranças de um dos mais tristes momentos do jornalismo carioca.         

Haroldo Jacques e Luis Alberto Py lançam dia 10 de junho o livro "A Linguagem da Saúde'


O médico Haroldo Jacques foi diretor da revista Medicina de Hoje, que circulou durante as décadas de 1970 e 1980. uma publicação da extinta Bloch Editores. Luis Alberto Py é psiquiatra e psicanalista. Ambos têm vários livros publicados.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Fotomemória da redação: Luís Carlos Sarmento e Gil Pinheiro mais rápidos do que uma bala

No Rio São Francisco...

...e nas fazendas mineiras, as aventuras de Luis Carlos Sarmento e Gil Pinheiro.  

por José Esmeraldo Gonçalves 

Em mais de 2.500 edições, Manchete formou muitas duplas de repórter e fotógrafo. Joel Silveira e Juvenil de Souza, Ney Bianchi e Sérgio de Souza, Athenéia Feijó e Carlos Humberto TDC, entre tantas outras. Mas em 1987 um par de experientes profissionais foi especialmente produtivo: Luís Carlos Sarmento e Gil Pinheiro. Eles fizeram parceria em pelo menos três momentos marcantes: uma expedição ao longo do Rio São Francisco; uma matéria sobre Fazendas Mineiras, que revelou propriedades seculares e alguns tesouros arquitetônicos até então desconhecidos; e uma reportagem sobre garimpos em Alta Floresta.

Nesta, a ideia era revelar o faroeste da corrida ao ouro na região, um mundo sem lei e sem ordem em plenos anos 1980. A dupla, que já era, digamos, sênior, foi parar até em um fogo cruzado de rifles e, felizmente, teve pernas para correr. 

Dizem que algum tipo de recorde de velocidade eles marcaram ao cruzar uma ponte em meio a balas nada perdidas. 

Por esse motivo, Sarmento e Gil deixaram de fazer a tradicional foto da dupla no cenário da reportagem, que normalmente a revista publicava no sumário da edição. 

A matéria rendeu várias páginas na Manchete, mas acabou em encrenca. As chamadas autoridades políticas, judiciais, militares e eclesiásticas da cidade não gostaram da "imagem de violência" que a reportagem passou. Diziam que a região era pacífica e ameaçaram processar a revista. 

Deu em nada. 

Prevaleceu a versão contada pelos próprios garimpeiros. 

Nas fotos, aliás, eram vistos mais rifles e revólveres do que nos melhores saloons de Tombstone e Abilene. 

domingo, 26 de maio de 2019

Nas ruas: o design da direita

É no mínimo curioso observar o design que inspira os cartazes que a direita brasileira levou às ruas durante a campanha e na convocação das manifestações de hoje e em algumas cenas das próprias passeatas.

Há um toque do realismo neofascista na "arte" das peças de chamamento. Sugerem nostalgia dos anos 1930. Veja alguns sinais e suas respectivas fontes inspiradoras.


Cartaz de convocação para manifestação da direita brasileira.

Integralismo, anos 1930: fascismo nacional.

Adoração à  pátria, desde que seja virando à direita.

Cartaz da Itália de Mussolini, anos 1930


O "heil" da direita brasileira nas atuais manifestações

E o mesmo gesto na Itália fascista.

Ocupar a Justiça brasileira: movimento que guarda semelhança
com o que aconteceu na Itália, anos 1930.

Aqui como lá, Congresso é algo incômodo para a direita que pede ditadura.

Coincidências à parte, é verdade que a direita tupiniquim mostra uma "releitura" conservadora que o fascismo italiano evitou: a escatologia. A sigla VTNC quer dizer isso mesmo "vai tomar no cu".  É o toque tropical...

Fotografia: fila para chegar ao Monte Everest...

Reprodução The Guardian - link abaixo.

A foto publicada pelo Guardian foi feita pelo ex-soldado britânico Nirmal Purja. Mostra um impressionante congestionamento de alpinistas no trecho final da escalada do Everest. Abril e maio são os meses mais favoráveis para a subida, daí o afluxo de aventureiros. A foto ganhou tons dramáticos diante da informação de que a longa fila acabou provocando mortes, principalmente na descida. Alpinistas levaram tempo maior na volta e alguns foram vítimas da exaustão.  É possível que as autoridades imponham controle mais rígido na próxima temporada.


A longa fila vista na foto de Purja contrasta com a imagem solitária de Edmund Hillary e o sherpa Tenzing Norgay, os primeiros a conquistar o Everest no dia 29 de maio de 1953.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Futebol Feminino: Copa do Mundo da França reabre polêmica sobre sexismo na modalidade...

Foto FIFA/Divulgação


por Niko Bolontrin 

A França é a sede da Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019, que começa do dia 7 de junho. Alguns veículos reabrem a discussão sobre sexismo no esporte. Há queixas sobre as premiações de valores bem mais baixos do que para a divisão masculina, tratamento inferior às atletas em acomodações etc.

A Fifa alega limitações financeiras e argumenta que o futebol masculino tem visibilidade e receitas muito maiores de patrocinadores, bilheterias e cessão de direitos para TV.

A entidade máxima do futebol parece impaciente com o crescimento relativamente lento do futebol feminino, pelo menos em termos de rentabilidade e de globalização.  Há países onde a modalidade cresce exponencialmente, como Suécia, Alemanha e Estados Unidos, mas engatinha ou inexiste em outros, seja por motivos religiosos ou de machismo arraigado. Recentemente, um dirigente sugeriu que as mulheres jogassem com shorts mais curtos e justos. Foi criticado pelo comentário inadequado e revelador do preconceito.

Capa da Placar, 1995: "Garotas batem um bolão":
o futebol feminino era visto com "sexy".
Embora tenha sido pior, o sexismo ainda é uma sombra para as atletas. O site Dibradoras recordou há poucos dias uma capa da revista Placar, de 1995, quando garotas de chuteiras eram vistas mais como um evento sexy do que esportivo.Esse tipo de estímulo vem sendo contido, mas até há pouco tempo, na Europa, anúncios promocionais de jogos entre mulheres eram marcados pelo apelo sexual.

A Copa do Mundo da França certamente dará um impulso à modalidade e deverá ter mais espaço na mídia brasileira. Em 2015, apenas o SporTV e a TV Brasil transmitiram os jogos da seleção feminina brasileira. Anuncia-se agora que o SporTV transmitirá todos as partidas e a TV Globo cobrirá os jogos do Brasil. Essa é a oitava edição do torneio. Os Estados Unidos foram três vezes campeões, a Alemanha duas vezes, Noruega e Japão completam o pódio. A melhor colocação do Brasil foi um vice em 2007, na China, quando perdeu para a...  Alemanha por 2x0.

Pelo menos, não deram o vexame dos 7 X 1.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

João Máximo: "Ninguém merecia mais este Camões do que Chico Buarque"


Em seu blog no G1, nosso caro João Máximo, com passagem pela Manchete e Fatos & Fotos, escreve sobre Chico Buarque e o Prêmio Camões de  Literatura, que o escritor e compositor acaba de receber.

Chico foi agraciado pelo conjunto da obra, segundo a unanimidade de um júri formado por Antonio Carlos Hohlfeldt e Antonio Cicero (Brasil); Clara Rowland e Manuel Frias Martins (Portugal); Nataniel Ngomane (Moçambique); e Ana Paula Tavares (Angola).

Seus livros - A bordo de Ruy Barbosa, Fazenda Modelo, Estorvo, Benjamim, Budapeste, Leite Derramado, O Irmão Alemão -, suas peças - Calabar, Gota d'Água, Ópera do Malandro - e as incontáveis poesias que várias gerações de brasileiros se acostumaram a cantar formam uma obra de grande importância para a língua portuguesa.

Trechos do artigo de João Máximo:

*"São de 1968 esta palavras de Vinicius de Moraes: 'Não resta dúvida de que Chico Buarque é também um escritor. Não um escritor como a maioria dos que existem por aí, meros ajuntadores de palavras escritas num léxico convencional ou modernoso'".

* "A entrega da medalha, diploma e 100 mil euros a Chico buarque está prevista para setembro, em  Lisboa. Integrantes da comissão que coroou seu nome garantem não ter havido qualquer injunção política naescolha. E não houve mesmo. Até porque o cidadão que sempre esteve do outro lado daquele governo parece contar cada vez mais com o apoio dos que já estiveram do lado do atual".

LEIA O TEXTO COMPLETO NO BLOG DO JOÃO MÁXIMO, NO G1. AQUI

Sharon Stone: instinto menos selvagem mas ainda na capa...

Na capa da Vogue Portugal. Foto: Reprodução Instagram

1992: a famosa cena de "Instinto Selvagem"

por Ed Sá

É o interrogatório mais inesquecível da história policial. A cena de Sharon Stone depondo no distrito viralizou no mundo em uma época em que nem existiam redes sociais. Foi em 1992, no filme "Instinto Selvagem". Ao cruzar as pernas ela exibiu o corpo de delito e hipnotizou os homens da lei.

Reprodução Instagram
Quase trinta anos depois, aos 61 anos, a Stone descruza as pernas com exclusividade para a Vogue Portugal, edição de maio. Nas fotos, preferiu não revelar tudo o que Catherine Tramell, sua personagem, não escondeu naquela épocas, mas os megatons de sensualidade continuam carregados.

Na entrevista, além de reconhecer o óbvio - "Eu sei que ainda sou sexy" - ela fala da carreira e do assédio que sofreu nos sets. A atriz revela que era comum produtores avaliarem quem entre as pretendentes ao elenco era fuckable, o popular comível. E essa qualificação às vezes decidia mesmo a vencedora da concorrência. Em outra entrevista recente à Madame Figaro Sharon Stone recordou que ao trocar a carreira de modelo pela de atriz aos 20 anos - "com o físico que tinha vi de tudo" - encontrou um ambiente de trabalho onde o sexismo praticamente fazia parte do set, como a claquete, a câmera e os refletores.