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| The New Yorker: a capa do vilão |
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| The New Yorker: a capa do vilão |
por Flávio Sépia
O ataque de Donald Trump ao Brasil é só em parte tarifário, mas a mídia quase ignora essa característica. O oligarca da Casa Branca e seus comparsas bolsonaristas colocaram na mesa elementos de negociação impossível, como a anulação do STF, o fim da investigação contra os golpistas, a anistia para os crimes de Bolsonaro e sua facção, rendição definitiva às big techs, imunidade para fake news contra regulação das redes, acesso às terras raras, privatização e o fim da gratuidade do Pix em favor das empresas de cartão de crédito e do braço de operações financeiras do Facebook, do WhatsApp e de outros gigantes da internet.
Várias dessas "reivindicações" explícitas e veladas são baseadas em falsos pretextos. Por exemplo o "acesso" a terras raras. A única empresa que explora esses minerais estratégicos no Brasil, ainda em escala pequena, tem expressiva participação acionária de fundos estadunidenses. De resto, o setor de mineração brasileiro é amplamente dominado por multinacionais.
Este é o pacote contaminado pelas pretensões golpistas do conluio da extrema direita liderada por Trump e Bolsonaro. As taxas absurdas e aleatórias, de 50,%, são apenas o quesito chantagista e mafioso da crise entre Brasil e Estados Unidos.
Quanto à ida de Lula a Washington, uma frase dita pelo presidente e, em seguida, repetida por Haddad a um grupo de repórteres, não foi devidamente explorada por comentaristas dos principais veículos. Sugere indício de preparação de uma emboscada para o presidente brasileiro em pleno Salão Oval e ressalta que o governo brasileiro quer que um eventual encontro Lula-Trump ocorra em clima respeitoso. A agressividade de Trump contra o Brasil instrumentalizada pela facção bolsonarista dá alta credibilidade a essa ameaça de emboscada. Seria algo pior do que o tratamento hostil que Trump deu ao presidente da África do Sul, é Cyril Ramaphosa. quando recebido na Casa Branca. Como naquela ocasião marcada por grosserias, Trump jogaria para a plateia da extrema direita ao receber Lula.
por Flávio Sépia
Redes sociais e até alguns veículos de comunicação estão subitamente acometidos de um incontrolável desejo de perdoar. No caso, parece um coceira ideológica que se espalha e contamina influenciadores, certos jornalistas e comentaristas.
A campanha cresce no momento em que os processos contra os golpistas chegam a etapas decisivas no Supremo Tribunal Federal.
No lugar de perdão, leia-se impunidade.
O principal acusado de tramar um golpe contra a democracia é o paciente mais ativo que já se hospedou em uma UTI-estúdio onde faz lives e pronunciamentos apelando para os "bons corações" da política e da mídia.
A intenção dos seus apoiadores é livrar os acusados da tentativa de golpe que começou depois do primeiro turno das eleições presidenciais de 2022, ganhou impulso em dezembro do mesmo ano, com atos de terrorismo explícito e chegou ao auge nas invasões e depredação das sedes do STF, Congresso e Executivo.
A baderna tinha, então, o objetivo de justificar a intervenção das Forças Armadas e a consequente instalação de uma ditadura, como os bolsonaristas pediam nas ruas.
O 8 de Janeiro é uma espécie de logotipo do golpe, mas não foi o único episódio da estratégia suja dos envolvidos nas ações antidemocráticas. Houve a tentativa de colocação de uma bomba, nas proximidades do Aeroporto de Brasília, em um caminhão de transporte de combustível. No dia da diplomação do presidente aconteceu uma cena dramática também em Brasília. Terroristas bolsonaristas tentaram lançar um ônibus de um viaduto. O veículo ficou preso no asfalto e só por acaso não caiu sobre um engarrafamento do carros de pessoas que voltavam para casa.
É para os criminosos que arquitetaram tudo isso que campanha nas redes sociais e em setores da mídia pede um derrame de perdões.
Anistia não
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| Al Capone estaria rindo à toa se vivesse na Era Trump. |
Basta lembrar do que aconteceu quando uma onda moralista e hipócrita levou os Estados Unidos a adotarem a Lei Seca de 1920 a 1933. Criminalizar a bebida alcoólica abriu espaço para o crime se organizar em estruturas "corporativas". Na sua rede de bunkers lotados de dólares, Al Capone agradecia todo dia aos mentores da Lei Seca.
É mais ou menos o que contrabandistas transnacionais farão diante das medidas tresloucadas de Donald Trump e seus oligarcas acampados na Casa Branca.
A Lei Seca americana (que a geração you tube não confunda com a versão brasileira de blitzs e bafômetros depois das baladas) proibia fabricação, transporte e consumo de bebidas alcoólicas. Foi um desastre social e fiscal que durou 13 anos.
As consequências da tarifação de Trump são mais sofisticadas. Por exemplo, além de incentivar o contrabando, têm impacto poderoso nas bolsas de valores e no mercado financeiro em geral. No caso de Trump, a suspeita gangorra de morde e assopra ou decreta e pausa faz milionários no mercado. Os bem informados, claro, principalmente aqueles que investiram milhões de dólares na eleição do magnata.
Outro exemplo de como barreiras fiscais exageradas favorecem o contrabando. Nos anos 1950, o Brasil taxava importação de carros em mais de 100%. Veículos de luxo eram ainda mais visados. Muitos carros entravam pelo litoral do Ceará, cujo recorte oferecia enseadas capazes de receber barcos de médio porte. O mesmo navio que trazia Impalas levava carregamentos de café. Dizia-se que alguns palacetes do Aldeota, bairro elegante da capital cearense, abrigavam ricos "empresários" que traziam carrões, "esquentavam" a documentação e mandavam para abonados do Rio e São Paulo.
Se esse tempo voltar, o Paraguai vai virar um "tigre" do Cone Sul.
por Flávio Sépia
O golpista Bolsonaro, agora réu, diz que precisa da imprensa. Hipocrisia. Ele já sabe que conta com parte da mídia. Os jornalões, os canais de notícias da TV paga, os porões do You Tube e as as redes sociais abrigam comentaristas, analistas e articulistas em número que daria para preencher muitas garupas em motociata de bozorocas.
São os jornalistas "ifood" que têm a missão de entregar encomendas. Agora que o STF dá um grande passo rumo ao julgamento dos golpistas, esse nicho da extrema direita está fazendo hora extra. O alvo principal é o ministro Alexandre Moraes, mas as escopetas apontam para o Supremo, como instituição. Bolsonaro está na pista para entrevistas "exclusivas" em vários veículos. Deputados e senadores neofascistas se revezam na tribuna com ofensas aos ministros do STF. Um desses extremistas expressou até o desejo de matar a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente.
As fake news dos golpistas foragidos encontram espaços frequentes nas redes sociais que seguem sem a devida regulação que os jornalistas "ifood" chamam de "censura".
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| Matéria da Revista Fórum analisa o golpe em gestação |
Os indícios estão aí. O Congresso ensaia um figurino semelhante ao enredo do golpe que atingiu Dilma Rousseff.
Os golpistas acreditam que a posse de Donald Trump nos Estados Unidos será o fermento que turbinará o bolo dos insensatos. Mercado, agro e a mídia neoliberal potencializam fatores econômicos, preconizam o caos que não existe. No Legislaticvo, a oposicão deforma propostas fiscais em nome de intresses suspeitos e trava a votação do orçamento. Facções de meliantes chantagistas atuam nos corredores e falam abertamente em impeachment do presidente.
Na vida real do bolso e do emprego do povo, os números são bons, indústria, serviços, consumo e emprego avançam. Isso é minimizado na mídia neoliberal e negado pela tempestades de fake news que inunda as redes sociais. O país assiste a uma revolta dos bolsões corruptos indignados não porque o STF lhes tirou provisoriamente o acesso às tetas que expelem emendas escandalosas, mas por exigir que tais verbas sejam rastreadas, nominadas, fiscalizadas e comprovados seus destinos.
Ainda é possível acreditar que os golpistas não passarão. Resta saber se o povo irá às ruas para defender a democracia ou se aceitará que uma espécie de estilo "PCC" de governar seja entronizado na República.
| Título do Metrópoles sobre a investigação da Polícia Federal |
por Flávio Sépia
Até o século 20 as zonas de crimes se estabeleciam em bairros normalmente sinistros. Era assim na Chicago nos anos 20, no Brownsville de Nova York até hoje não alcançado pelas luzes de Manhattan, na escura periferia de Londres no fim do século 18 ou nos sujos subúrbios de Paris onde a belle époque nunca chegou. Atualmente a criminalidade digital e chique usa paletó e gravata, dirige BMW, frequenta finos restaurantes, ostenta mansões e Rolex e atua no ambiente asséptico de aplicativos e redes sociais.
Claro que o crime analógico descamisado ainda tem seu espaço, suas gangues e seus territórios. Nas grandes capitais brasileiras por exemplo. Mas isso não quer dizer que o Brasil não se atualizou nas modernidade. São muitas as modalidades de crime praticadas aqui via internet.
Os jornais, hoje, revelam um golpe de bilhões praticado por fintechs (abreviatura de financial technology), que são as startups que operam nos mercados financeiros alavancadas por aplicativos que movimentam grandes somas de dinheiro e emulam sistemas bancários. A Polícia Federal investiga fintechs que "prestam serviços" a empresas e ao crime organizado no ramo de sonegação, ocultação e lavagem de dinheiro fora dos mecanismos oficiais de vigilância. Um procedimento muito lucrativo para os techomeliantes. Se uma empresa está no alvo de credores não haverá contas a bloquear pela justiça. A grana assume poderes de invisibilidade e circula etérea e inatingível.
Esse é, digamos, um golpe no atacado. Já no varejo é intensa a atuação de muitos dos chamados influencers, seja por meio de rifas 171, venda de produtos inexistentes, falsa captação de doações e uma infinidade de modalidades cujo único objetivo é afanar dinheiro dos incautos ou desatentos. Em esquemas mais organizados operam criminosos especializados em fraudar pix, invadir contas e roubar dados.
Apesar disso, a internet não é terra sem lei. Os crimes digitais deixam rastros e seus autores podem ser localizados. Mas a tarefa não é fácil. Querem um exemplo? A Justiça Eleitoral bloqueou nas redes sociais as contas de Pablo Marçal, candidato a prefeito de São Paulo, que já foi condenado por golpes bancários e se apresenta como coach e influencer. O que ele fez? Simplesmente abriu novas contas que passaram a veicular as mesmas fake news, ofensas morais e ilegalidades de campanha. Um drible safado e muito comum na lei quando se trata de delinquência digital..
O pior entre as funções derivadas do uso criminoso da tecnologia é a ameaça à democracia. No ambiente político , as redes sociais são capazes de despertar o que de mais doentio pode existir nos porões da sociedade. Você pisca e a tela do seu celular exibe racismo, intolerância, incitação à violência, preconceito, defesa da teocracia, do golpismo, coleções de peças de fascismo e nazismo, exaltação às armas, ódio ao pobre, ao feminismo e à igualdade de gênero.
A turba que emerge das redes sociais para a vida real já mostrou do que é capaz, como na invasão do Capitólio ou na versão verde-amarela do ataque à democracia, o 8 de Janeiro de recente memória. A democracia não aprendeu a lidar com tantas ameaças. Aprenderá um dia?
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Usada nas manifestações de 2013, a camisa da seleção se transformaria
nos anos seguintes em uniforme da direita radical. Coincidência? Foto Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
por Flávio Sépia
Provavelmente, havia os bem-intencionados, mas os manifestantes de 2013 não contavam com a história.
Se havia democratas entre as pessoas que foram às ruas, o tempo, essa divindade cruel, os consagrou dez anos depois como os maiores otários do século.
O que as manifestações de 2013 produziram?
O golpe contra Dilma Roussef, a ascensão de Eduardo Cunha e Temer, a corrupção e os desmandos jurídicos da Lava Jato e a onda de colunistas da ultra direita que ocupou os princpais veículos. As "jornadas" de 2013, que a mídia conservadora exaltou nos últimos dias, levou para as ruas uma horda de preconceitos, racismo e agressividade, "valores" que, em seguida, foram colados nas urnas e elegeram políticos fascistas. O pior: transformaram um sujeito do baixo clero em presidente.
Não se pode dizer que os manifestantes de 2013 não mudaram o Brasil. Mudaram muito e para pior.
O manifestantes de 2013 deram sua contribuição para que Bolsonaro e suas gangues políticas desmontassem a fiscalização do meio ambiente, botassem armas nas mãos de assassinos e atravessadores de fuzis para o crime organizado, matassem Marielle e Anderson, Dom e Bruno, Luiz Carlos Cancelier, Marcelo Arruda, além de líderes ambientais e rurais e indígenas, produzissem na legislatura passada e repetssem em 2022 dois dos piores Congressos da história política do Brasil, anulassem leis trabalhistas e previdenciarias, transformassem a "rachadinha" em fonte de enriquecimento, destruissem empregos, tentassem normalizar o trabalho escravo e, finalmente, levassem o Brasil a ser top five global em números de mortos durante a Covid.
O país tenta agora se recuperar disso tudo. Conseguirá? Há dúvidas. O processo político que as manifestações de 2013 despertou também resultou em um Congresso com maioria da direita que, 10 anos depois, tenta paralisar o governo.
A inspiração fascista que saiu das ruas não foi embora. Os ataques terroristas em dezembro e janeiro últimos são o mais recente troféu que ainda traz digitais das "jornadas" de 2013. As mesmas forças continuam aí.
Estranhamente, sumiram apenas os jovens que pediam passagens de ônibus a 20 centavos. Os preços aumentaram acima das inflação nos anos seguintes e eles nunca mais deram as caras. Desapareceram os black blocs, que tinham a missão de acender o gatilho da violência nas passeatas e justificar a repressão policial. Os manifestantes de 2013 protagonizaram na verdade uma versão tosta, mas efetiva, da Marcha sobre Roma de 1922. A mão que os levou às ruas pode voltar, a qualque momento, a ameaçar a democracia. Alguém duvida?
A maioria sairá do armário no segundo turno das eleições. Isso costuma acontecer sempre que a esquerda leva um candidato às finais. Mas antes disso, durante a campanha, eles emitem sinais inconfundíveis.
Nos anos 1950 foi popularizada na política uma expressão que surgiu em quartéis no embalo da Guerra Fria. "Fulano é 'melancia'". No Brasil, as Forças Armadas são majoritariamente instrumentos da direita e ultra direita, posição bem caracterizada pelos golpes e ditaduras que patrocinaram. Não é preciso ser comunista: se um militar mostrar sutis ideias progressistas ou se der pista de que é socialista ou mesmo social democrata provavelmente ganhará a definição interna, em alusão à farda, de "verde por fora vermelho por dentro". Um "melancia".
A esquerda ainda não deu nome de fruta ou verdura aos jornalistas que são verdes por dentro, mas a especie viceja na atual corrida eleitoral. Como não disfarçam muito, devem ser "abacates" plenos que ficarão maduros assim que o TRE totalizar os votos do primeiro turno.
Conheça as cepas da bolsonarite quase assintomática que assola certos editorialistas, comentaristas e âncoras e colunistas da mídia neoliberal.
* Prefere chamar os escândalos de corrupção do governo Bolsonaro de "irregularidades".
* Elogia a política econômica do governo e evita críticar Paulo Guedes.
* Se Bolsonaro passar um dia sem criticar o STF, o jornalista comemora a "nova fase de respeito às instituições"*'.
* Faz campanha contra título de eleitor para jovem a partir de 16 anos.
* Quando crítica alguma medida de Bolsonaro sempre faz a ressalva de que Lula fez pior.
* Escreve colunas inteiras ironizando o "politicamente correto" , uma das bandeiras dos bolsonaristas.
* Vê manifestações racistas e nazistas como "liberdade de expressão".
* Critica o banimento de termos e expressões que os movimentos negros classificam de preconceituosas.
* Atribui a alta dos juros, do dólar e da inflação sempre à crise mundial. Enchentes em Petrópolis à mudança do clima.
*Começa a deixar de lado a expressão "terceira via". Agora chama de "Centro Democrático" as pré-candidaturas dos ex-bolsonaristas Sérgio Moro, João Dória, Simone Tebet e Eduardo Leite.
* Ainda intitula Olavo de Carvalho de "filósofo".
* Quando fala do desastre ambiental no governo Bolsonaro poupa o agronegócio, o maior responsável segundo instituições internacionais respeitadas.
* Não condena garimpo nem mineração em terras indígenas.
* Não critica a liberação indiscriminada de agrotóxicos.
* Não chama a queda de Dilma de golpe.
* Evita comentar agressões de bolsonaristas a repórteres.
* Acredita que o mercado e a especulação financeira sempre têm razão.
* Acha Paulo Guedes um cara espirituoso e "grande frasista" mesmo quando agride porteiros, empregadas domésticas, aposentados...
* Chama tortura de "maus tratos".
* Reservou uma passagem para Paris, em novembro. Quem sabe...
por Flávio Sépia.
O volume de tempo e espaço que a política profissional ocupa em jornais, revistas, sites, redes sociais, rádio e TV no Brasil e espantoso. Nos países desenvolvidos, eleições mobilizam os meios de comunicação, claro, mas não são tão absolutas nem tão massivas. O debate eleitoral já é intenso na mídia há quase um ano. A partir de agora vai virar coisa de doido. Isso não quer dizer que necessariamente melhora a escolha do eleitor. São discussões seletivas às quais candidatos fora do espectro político que manda no país têm pouco ou nenhum acesso. O fenômeno ocorre há muito tempo e a qualidade do voto só piora. Lembra de 2018, quando muitos pilantras ganharam votos em todo o país e o povo iludido só descobriu depois?
A mídia neoliberal está engajada na busca da chamada terceira via (que os jornalistas em adesão ao marketing partidário estão chamando agora pela alcunha pomposa e falsa de Centro Democrático). Sonham com um candidato que rompa a dita polarização entre Lula e Bolsonaro, os atuais líderes das pesquisas. Um candidato assim evitaria que as oligarquias da grande mídia tenham que embarcar no jet ski de Bolsonaro como aconteceu em 2018. A melhor chance de um nome alternativo a Lula e Bolsonaro pode estar na estratégia de juntar no mesmo saco União Brasil, MDB, PSDB e Cidadania para sair com um candidato único. Dizem que isso será anunciado no dia 18 de maio.
Como o Brasil é um país onde o que parece mudança pode ser apenas mais do mesmo, o candidato que pode sair do sacolão do "Centro Democrático" não tem nada de centro e tem pouco de democrático. João Dória, Simone Tebet, Eduardo Leite e Sérgio Moro, os mais cotados, foram eleitores de Bolsonaro ou bolsonaristas praticantes.
Pesquisa recente da Quaest aliás indica que os bolsonaristas arrependidos não são tão arrependidos assume estão voltando para o curral do gado.
Não é difícil imaginar que tipo de democracia pode sair desse centro elitista que só vê pobre em tempo de eleição ou em quadro de Portinari ou foto de Sebastião Salgado. Isso se em matéria de arte conheceram algo mais do que Romero Britto.
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| Pensou que o desconto chegaria até você. O Globo alerta |
O governo Bolsonasro anuncia cortes de impostos e redução de alíquotas em combustíveis e alimentos. A mídia noticia e os brasileiros sufocados por inflação, desemprego, informalidade e achatamento salarial sonham com alguma alívio no bolso. No começo tudo é festa. De olho na reeleição, o presidente, o Centrão, ministros etc faturam no jogo eleitoral. Passados alguns dias, como cita o Globo em matéria hoje, a verdade começa a aparecer. Empresários e a cadeia do mercado absorvem a maior porção ou tudo na redução ou no fim dos impostos. É o que sempre acontece. Foi assim com os combustíveis em iniciativas anteriores do tipo. Isso já aconteceu com reduções de ICMS e IPI. Há alguns anos, o governo reduziu o IPI dos carros. O consumidos foi beneficiado? Necas. As montadoras alegavam que a maior demanda por determinados modelos neutralizava o desconto. No fim de fevereiro, o governo anunciou o corte do IPI em carros (alguns modelos tiveram desconto de cerca de 18%). Em março, sites especializados no mercado, apontaram que, para o consumiror, nada tinha mudado. Ninguém fiscaliza se o desconto chega ou não chega ao consumidor.
A Associação Comercial de São Paulo mantém o Impostômetro, um totalizador do pagamentos de tributos. Beleza. Mas deviam inaugurar o Sonegômetro. Quando muitos deixam de pagar, os impostos logicamente ficar mais altos para quem cimpre suas obrigações fiscais. Seria educativo o Sonegômetro.
Quer ver outra forma de enganar o contribuinte-consumidor-usuário? Em função da estiagem recente que afetou as hidrelétricas, a geração de energia ficou mais cara pelo uso de termelétricas movidas a gás, diesel e carvão. O governo vai ajudar as distribuidoras com dineiro público e já avisa que o consumidor pagará na conta de luz o montante bilionário. Estranhamente, mídia e economistas chamam a ajuda de "empréstimo". Para o cidadão comum, emprestimo é algo que o tomador se compromete a pagar. No caso desse "empréstimo", a mídia não esclarece. E fica a pergunta: se o governo vai "emprestar" os bilhões às distribuidoras e deixa claro que recolherá depois o valor na conta dos consumidores, quando as distribuidoras pagarem o "empréstimo" os consumidores receberao de volta o que "emprestaram" ao govero?
Se isso não acontecer, a bufunfa não é "empréstimo" e sim doação. Certo?
Na quarta-feira, 21 e quinta, 22, líderes mundiais se reunirão virtualmente para discutir o futuro do planeta. É a Cúpula do Clima. O Brasil vai participar. Espera-se mais um vexame. O governo Bolsonaro levará para a conferência sua política ambiental declaradamente ditadas por madeireiros, garimpeiros, latifúndios, pecuaristas e ocupantes ilegais de terras públicas e reservas. E, como último fato, o afastamento do delegado da PF que emitiu notícia-crime conta o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.
A Time levanta um debate mundial, que vai além do desvario brasileiro. Os governos estão longe de cumprir as metas de controle das emissões de carbono e do aquecimento global. A revista defende que a pandemia deve ter como consequência mudanças de paradigmas rumo a um mundo menos hostil à natureza e mais amigável com a única "casa" que a humanidade possui: o planeta.
por Flávio Sépia
A edição do Washington Post, hoje, aborda um fenômeno dos novos tempos. O mercado de ações dos EUA encerrou 2020 em níveis históricos de retorno de investimento, apesar de uma pandemia que matou mais de 340.000 americanos, deixou 20 milhões sem empregos e uma parcela da população faminta e derrubou o PIB da maioria dos países.
O índice de ações S&P 500, o indicador mais confiável, terminou 2020 com alta de mais de 16%. Dow Jones e o Nasdaq indicaram ganhos de 7,25% e 43,6%, apesar da devastação sanitária. Hospitais lotados, funerárias idem, nada disso impactou o mercado financeiro. As maiores empresas cresceram durante a pandemia ao mesmo tempo em que colocavam milhares de trabalhadores no olho da rua.
Entrevistado pelo Washington Post, Michael Farr, presidente da Farr, Miller & Washington, empresa de gestão de dinheiro, definiu: “2020 foi impressionante. Que uma paralisação econômica induzida por uma pandemia de proporções épicas tenha sido digerida com ações encerrando o ano 15 por cento mais altas é alucinante". Guardadas as proporções, com o Brasil pegando de volta o selo de país subdesenvolvido, a B3, a bolsa de valores brasileira, também pouco espelhou a devastação de empregos e as crises dos setores industrial e de serviços: o mercado registrou ganho anual de 3%. Economistas com visão social, os poucos que ainda existem, certamente vão se debruçar sobre esse fenômeno. Tentar entender porque uma fábrica de parafusos passou oito meses sem vender uma só unidade e teve suas ações valorizadas no período. O exemplo é hipotético, mas aconteceu algo semelhante com várias corporações. Uma tese é que o mercado usa os fatos apenas como gatilhos para a especulação diária, o sobe e desce que faz vencedores ou perdedores, mas, como 2020 mostrou, não é afetado pela realidade em torno.
Pandemia, desemprego, fome, países em lockdown, quem liga?
Em abril/maio do ano passado, jornalistas de mercado chegaram a falar em "momentos de pânico" nas bolsas preocupadas com a desaceleração do consumo. Se isso foi verdade, não só passou rápido como, diz o Washington Post, se transformou em euforia no mercado financeiro mais poderoso do mundo.
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| NAS REDES SOCIAIS, A ATRIZ GLÓRIA PIRES FOI A CAMPEÃ DOS MEMES. REPRODUÇÕES |
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| O Puma, do Riocentro |
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| O Karmann Ghia de Zuzu Angel em matéria do repórter Henrique Koifman para a Manchete. |
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| O BMW Neue Klasse, o preferido do grupo Baader-Meinhoff |
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| Os Ford Falcon que eram usados pela ditadura argentina em sequestros e assassinatos/Reprodução Sblog |
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| A Veraneio dos anos 70, adotada pela ditadura brasileira/Reprodução |
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| O Opala em cores civis foi usado em operações de sequestros de opositores do regime militar brasileiro. O "vamos dar uma volta" do anúncio é tragicamente sugestivo. |
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| Uma picape Ford, da Folha de São Paulo: incendiada pela guerrilha/Reprodução |
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| Cadillac Fleetwood do embaixador americano. Esse carro pertence, atualmente, a um colecionador paulista/Reprodução |
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| O corpo do primeiro-ministro italiano foi encontrado em um Renault R4 |
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| Carrero Blanco voou pelos ares em um modelo Dodge Dart/Reprodução Internet |
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| Utilitários transformados em carros de combate/Facebook |
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| O Clio dos terroristas de Paris/Reprodução |