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quinta-feira, 8 de junho de 2023

Fotomemória - Astrud Gilberto (1940-2023) na Manchete em dois momentos exclusivos

 

Em 1965, Alceu de Amoroso Lima, Manuel Bandeira e Agripino Grieco eram entrevistados pela Manchete para a rubrica Jogo da Verdade, quando Astrud Gilberto chegou à redação na Rua Frei Caneca, onde posaria para um ensaio no estúdio. A cantora se juntou ao grupo e o fotógrafo Gil Pinheiro registrou. Dois anos antes, Astrud gravara "Garota de Ipanema" com Stan Getz e ganhara fama internacional.


Em 1972, Astrud voltou ao Brasil. O fotógrafo Luis Alberto e a repórter Tânia Carvalho a levaram ao Parque da Cidade, na Gávea, que ela costumava frequentar quando morava no Rio de Janeiro. Foi em 1972. Na foto menor, a cantora posou com o filho Gregory.

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Fotomemória: a Escadaria do Convento antes de ser do Salerón

 

A Escadaria do Convento, em 1958. Foto de Gil Pinheiro/Manchete.


Hoje, o local chama-se Escadaria Salerón e se transformou em atração turística.
Foto de Tania Rego/Agência Brasil 

Gil Pìnheiro, fotógrafo da Manchete, fez a foto do alto dessa página em 1958. Na época, o local era conhecida como Escadaria do Convento de Santa Teresa, construído em 1750. Assim como a expansão no bairro tem a ver com a instalação do convento, a escadaria foi construída para acesso à congregação e às missas abertas à população. Com o tempo, transformou-se na Rua Manoel.  Alguns sites atribuem ao artista plástico Jorge Salerón a construção da escadaria. Errado. Salerón fez um trabalho admirável de restauração dos degraus, que decorou com azulejos pintados. O local virou atração turística e ganhou um novo nome: Escadaria Salerón.   

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Fotografia: a capa do Gugu... e outros cliques • Por Roberto Muggiati

Gugu na capa da Manchete e...


...um ano depois na Amiga. Fotos de Lena Muggiati


Augusto Ruschi e o beijo do beija-flor. Foto de Ricardo Azoury

Gabeira na árvore. Foto de Gil Pìnheiro
O editor de uma revista ilustrada compete sempre com seus fotógrafos, talvez por sofrer do complexo de não saber fotografar. Mas nunca faltaram aos editores da Manchete ideias para fotos, algumas até mirabolantes. Quando Ricardo Azoury foi retratar Augusto Ruschi na sua reserva ecológica do Espírito Santo, exigi que fizesse uma página dupla com o ambientalista beijando... um beija-flor. Sorte que o repórter era o Marcelo Auler, mais tirânico que o editor, e exigiu que Ruschi sustentasse entre os lábios um dedal com água açucarada até que surgisse um colibri disposto a entrar na brincadeira. A foto fez o maior sucesso, reproduzida até em pôsteres, outdoors e campanhas publicitárias.
Gil Pinheiro foi incumbido de fazer a primeira foto de Fernando Gabeira na sua transição ideológica do vermelho para o verde. Como de praxe, procurou-me na redação para saber que tipo de foto eu queria. “O cara não é líder dos verdes? Bota ele em cima de uma árvore!” Gil era um cumpridor de ordens exemplar. Com surdez avançada, não conseguia controlar o volume da voz e soltou o berro para cima do Gabeira: “Companheiro, sobe nessa árvore aí.” O retratado obedeceu prontamente e Gil voltou para a redação com uma foto maravilhosa do líder ambientalista de camisa e calça vermelhas contra o fundo verdejante de uma exuberante figueira.
O furor criativo do editor muitas vezes contagiava o fotógrafo. Foi o caso de Lena Muggiati, escalada em 1995 para fazer em São Paulo uma matéria com Gugu Liberato, que pleiteava um canal de TV.  Lena - na época sofrendo agudamente da doença do pânico - aventurou-se a atravessar o Viaduto do Chá até a Praça do Patriarca, o local da megalópole com mais transeuntes por metro quadrado. Sabia o que queria e encontrou no camelódromo da praça: um apontador de lápis no formato de um aparelho de TV. O simpático apresentador, líder absoluto do Ibope na época, mostrou-se muito acessível e se dispôs a posar com o brinquedinho. A foto deu capa. Um ano depois outro clique da série foi capa da Amiga, onde o Rei do Domingo estreava uma coluna. Carregava ainda um comentário irônico sobre a audácia do jovem de 36 anos que brigava por um canal próprio de TV, para competir com magnatas como Roberto Marinho e Silvio Santos. 

Descanse em paz, Gugu.

domingo, 10 de novembro de 2019

Muro de Berlim, 30 anos da queda: Manchete estava lá

Gil Pinheiro e Ney Bianchi. Berlim, 1989. Reprodução


Na noite de 9 de novembro de 1989, o Muro de Berlim começou a cair. Manchete logo enviou a dupla Ney Bianchi e Gil Pinheiro para testemunhar a queda da barreira que separava as Alemanhas Ocidental e Oriental.

Junto aos escombros, os repórteres registraram o day after, a euforia dos berlineses e a semente da reunificação que começava a germinar e que, finalmente, aconteceu
 em 1990.

O texto brilhante de Ney Bianchi tangenciava a política e retratava a nova rotina e a redescoberta da cidade.

De volta ao Brasil, Ney e Gil colocaram na mesa de edição da Manchete, texto, fotos e alguns souvenirs especialíssimos: pedaços do concreto do muro que os soviéticos construíram em 1961. Os pedregulhos foram atração na redação. Todos tocaram as pedras e sopesaram a história.
Ney contou que ao longo do muro, a cada 100 metros, havia camelôs vendendo o próprio. "Pedras de todos os tamanhos arrancadas a golpes de picaretas nas fronteiras da Porta de Brandenburgo, do Checkpoint Charlie, da Invalidestrasse, da Postdamer Platz - onde quer que os guardas fingissem não ver os garimpeiros da muralha - eram negociadas", escreveu. Não havia preço de mercado. O cálculo era de acordo com a cara do freguês. Para americanos era mais caro: 45 dólares o quilo. Esse era o pedaço maior, o calhau. A lasca era vendida a 20 e a pedrinha a 2 dólares.

E, naquela noite, a saideira no bar do Novo Mundo foi com as pedras do Muro de Berlim pousadas na mesa.

Brindamos à história on the rocks.

domingo, 7 de julho de 2019

Fotomemória: nesta foto histórica da Bossa Nova está faltando ele...

Beco das Garrafas, 1969: a Bossa Nova comemora 10 anos e Manchete reúne compositores, cantores e instrumentistas.
Foto de Gil Pinheiro 


Manchete publicou essa foto em 1969. Foi feita por Gil Pinheiro. A Bossa Nova comemorava 10 anos e a revista reuniu cantores, compositores e instrumentistas que faziam o Brasil e o mundo cantar.

Neste 2019, completam-se 60 anos de uma data marcante da cultura brasileira, que, quis o destino,  coincide com a partida de João Gilberto, sua pedra fundamental.

O texto de abertura da matéria (de Renato Sérgio e João Luiz Albuquerque) vaticinava a força histórica daquela imagem.

"Esta foto será preciosa no futuro. Ela mostra vários dos principais responsáveis pela mais importante revolução já feita na música popular brasileira - a criação, a consolidação e o desenvolvimento da Bossa Nova. Ao completar 10 anos de vida, já alcançou uma rápida maturidade, abriu o mercado internacional aos artistas brasileiros e deu origem a outros movimentos jovens. Três gerações reuniram-se no Beco das Garrafas, em Copacabana, e relembraram os tempos em que ali e na casa de Nara Leão,a madrugada carioca começou a ouvir a batida diferente do violão de João Gilberto, a música gostosa de Antônio Carlos Jobim e os versos claros de Vinícius de Moraes - a gênese da Bossa Nova". 

Os três últimos estão na matéria, mas não aparecem na foto antológica - era uma época em que os compromissos internacionais eram intensos. A reunião do exército da BN também valorizava os instrumentistas, menos conhecidos do grande público, mas essenciais ao movimento musical.

A legenda da foto que a Manchete publicou em página dupla registra as presenças: Elis Regina, Menescal, Marcos e Paulo Sérgio Vale, Tito Madi, Chico Feitosa, Luizinho Eça, Luís Carlos Vinhas, Candinho, Mário Castro Neves, Dóris monteiro, Durval Ferreira, Luís Freire, Miéle & Bôscoli, Mário Telles, Giovanni, Egberto Gismonti, Dori Caymmi, Antonio Adolfo, Tibério Gaspar, Edson Machado, Maciel do Trombone, Roberto Nascimento, Maurício Einhorn e Armando Pittigliani, este o produtor musical que era um descobridor de talentos.


segunda-feira, 27 de maio de 2019

Fotomemória da redação: Luís Carlos Sarmento e Gil Pinheiro mais rápidos do que uma bala

No Rio São Francisco...

...e nas fazendas mineiras, as aventuras de Luis Carlos Sarmento e Gil Pinheiro.  

por José Esmeraldo Gonçalves 

Em mais de 2.500 edições, Manchete formou muitas duplas de repórter e fotógrafo. Joel Silveira e Juvenil de Souza, Ney Bianchi e Sérgio de Souza, Athenéia Feijó e Carlos Humberto TDC, entre tantas outras. Mas em 1987 um par de experientes profissionais foi especialmente produtivo: Luís Carlos Sarmento e Gil Pinheiro. Eles fizeram parceria em pelo menos três momentos marcantes: uma expedição ao longo do Rio São Francisco; uma matéria sobre Fazendas Mineiras, que revelou propriedades seculares e alguns tesouros arquitetônicos até então desconhecidos; e uma reportagem sobre garimpos em Alta Floresta.

Nesta, a ideia era revelar o faroeste da corrida ao ouro na região, um mundo sem lei e sem ordem em plenos anos 1980. A dupla, que já era, digamos, sênior, foi parar até em um fogo cruzado de rifles e, felizmente, teve pernas para correr. 

Dizem que algum tipo de recorde de velocidade eles marcaram ao cruzar uma ponte em meio a balas nada perdidas. 

Por esse motivo, Sarmento e Gil deixaram de fazer a tradicional foto da dupla no cenário da reportagem, que normalmente a revista publicava no sumário da edição. 

A matéria rendeu várias páginas na Manchete, mas acabou em encrenca. As chamadas autoridades políticas, judiciais, militares e eclesiásticas da cidade não gostaram da "imagem de violência" que a reportagem passou. Diziam que a região era pacífica e ameaçaram processar a revista. 

Deu em nada. 

Prevaleceu a versão contada pelos próprios garimpeiros. 

Nas fotos, aliás, eram vistos mais rifles e revólveres do que nos melhores saloons de Tombstone e Abilene. 

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Memórias da redação: o dia em que Alberto Carvalho salvou o ator Ferrugem das garras de um leopardo em pleno estúdio fotográfico da Manchete

por Alberto Carvalho 
(do livro Eu, Tura - Recordações) 
Uma passagem pela Bloch que jamais esquecerei foi o incidente que ocorreu nos estúdios fotográficos da empresa, no prédio da rua Frei Caneca. Isso ocorreu em agosto de 1980.

O produtor de cinema e televisão Alcino Diniz pediu ao Justino Martins uma reportagem sobre o filme que ele estava produzindo. Era uma sátira ao famoso King Kong, e se chamava “ King Mong contra o Tiranossauro”. No elenco, o comediante Costinha (Tarzan), a atriz Nídia de Paula (Jane) e um menino que estava despontando na televisão como promessa de grande sucesso, o Ferrugem (Boy).

A foto que seria produzida para a matéria foi marcada para ser feita em um sábado. Como eu morava perto do estúdio, na rua Frei Caneca, Justino Martins, diretor da Manchete, me pediu para acompanhar o trabalho e orientar a produção, tal como ele queria.

Quando cheguei ao estúdio, fui surpreendido pela presença de um leopardo e de um chimpanzé que faziam parte do elenco. O macaco, junto com Ferrugem, fazia a maior farra! O leopardo cochilava dentro de um camarim. Os animais estavam acompanhados pelos seus treinadores. Eles pertenciam ao Circo Garcia, que estava em temporada na Praça Onze, ali perto.

Ferrugem, após ser atendido, posou para
uma matéria da Fatos & Fotos sobre
o incidente.
O fotógrafo escalado para o trabalho foi o Gil Pinheiro. Ele pediu para juntar todo o elenco para começar os trabalhos. Costinha estava atrasado e, como os bichos tinham que voltar para suas apresentações no circo, o jeito foi fazer a foto sem ele. Reuniram-se: Nídia de Paula, com o leopardo seguro por uma corrente, Ferrugem, com o chimpanzé (Chita) no colo, um dublê vestido de gorila e outro como dinossauro. Os treinadores afastados observavam o comportamento dos animais.

Estava tudo pronto: Luz! Câmara! Ação! De repente, o Ferrugem começou a fazer gracinha com o leopardo quando este parecia ainda meio sonolento. O leopardo se desprendeu das mãos da Nídia e  num salto espetacular caiu sobre o menino deixando-o preso sob suas enormes patas. Os tratadores, surpreendidos, correram para retirar o animal de cima do Ferrugem. Mas o leopardo não o largava de jeito nenhum. Com o coração na mão e tremendo de medo, corri em direção ao menino e com um puxão pelas mãos e pelos pés, retirei-o debaixo da fera. Fui um sufoco! Os treinadores disseram que o animal só estava brincando, o que depois de tudo passado, eu também acreditei. Caso contrário a fera teria matado o Ferrugem.

O chimpanzé, que a tudo assistia, dava gargalhadas e cambalhotas, aplaudindo o seu companheiro de trabalho no circo.

Socorremos o menino levando-o ao Hospital Souza Aguiar para ser examinado. Apenas alguns arranhões pelo corpo e na cabeça, mas mesmo assim ele ficou internado em observação durante 24 horas.

Um detalhe: Justamente naquele exato momento do incidente no estúdio, um veterinário, no circo, logo ali perto, estava fazendo o parto de uma fêmea que estava dando à luz a um leopardozinho, filhote daquele brincalhão
Quem sabe o instinto  do animal falou mais alto e ele estava comemorando o nascimento do seu filhote? Vai saber!...