quarta-feira, 10 de julho de 2019

Na capa da Harper's Bazaar: Rihanna na boca do tubarão


Fotos Chenman. Reprodução Instagram

por Clara S. Britto
Rhianna posou para capa ensaio da Harper's Bazaar chinesa,edição de agosto de 2019. No Instagram, seguidores não gostaram da interferência do photoshop. Alegam que a cantora aparece bem mais magra, com a silhueta e o conjunto da obra devidamente corrigidos por aplicativos. As fotos são de Chenman.

Paulo Henrique Amorim: uma voz que se cala...

Paulo Henrique Amorim morreu nesta madrugada de quarta-feira, aos 77 anos, no Rio de Janeiro. O jornalista, que sofreu um infarto, trabalhava na TV Record, mas estava afastado há mais de um mês por ingerência política.
Em 1990, O jornalista Paulo Henrique Amorim foi
entrevistado para a Manchete pelos repórteres Claudio Accioly
e Malu Lopes.  Foto de J.L. Bulcão
Amorim era um forte crítico do atual governo e da mídia conservadora.

Os arquivos da Manchete registram uma matéria feita pelo repórter Paulo Henrique em 1965, aos 23 anos. Ele cobriu o Festival de Cinema daquele ano. Antes, em 1961, trabalhou no jornal A Noite, seu primeiro emprego, inicio de uma trajetória que o levou aos principais veículos brasileiros, entre os quais Realidade, Veja, Jornal do Brasil, Redes Manchete, Globo, e Bandeirantes e TV Cultura.

PHA, como também era conhecido, mantinha atualmente o combativo blog Conversa Afiada, com intensa atuação política na defesa da democracia e na denúncia do retrocesso que assola o Brasil. Seu estilo crítico fará falta ao jornalismo nessa difícil etapa que o Brasil atravessa.

Alô mercado de trabalho! Oportunidade para jornalista no Rio de Janeiro

Agência de Notícias Internacional instalada no Centro da Cidade do Rio de Janeiro, RJ, procura jornalista com experiência comprovada em redação e reportagem e capacidade de produção de textos finais de mídia impressa, eletrônica e/ou online, para fazer parte de equipe. 

Exigem-se conhecimento amplo do noticiário local e internacional e fluência em língua inglesa (as entrevistas de seleção dos candidatos serão feitas em inglês), e pede-se a apresentação de portfólio com amostras de trabalho. Salário a combinar. 
Enviar Curriculum Vitae para
producao@mircompany.com.br

Os jornalistas cariocas elegerão, de 16 a 18 de julho, a nova Diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), o Conselho Fiscal e a Comissão de Ética da categoria para um mandato de três anos. Conheça a CHAPA 1




O programa de nossa chapa - que é apoiada pela atual direção do SJPMRJ e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) -, está baseado na necessidade de darmos respostas à conjuntura atual, de retrocessos políticos, econômicos e sociais. De ataques à classe trabalhadora e às suas organizações sindicais. De ameaças diretas às liberdades de expressão e de imprensa e ao Estado Democrático de Direito.

Como em outros estados, os jornalistas cariocas vivem imensas dificuldades, com o fechamento de redações, grande número de demissões e forte precarização nas relações de trabalho, envolvendo “multifunções” e assédios de toda ordem. A valorização profissional, nesse contexto,
é um dos nossos maiores desafios e pretendemos enfrentá-lo com firmeza e em conjunto com toda a categoria. Mantemos a defesa de uma entidade plural, autônoma, apartidária, transparente, aberta à categoria em todas as suas vertentes, atenta às novas tecnologias de informação, às mídias sociais, ao novo fazer jornalístico e à formação de novos profissionais, hoje nas universidades ou iniciando carreira, conscientes da necessária luta em defesa da comunicação pública e da democratização da
comunicação. 

Retomamos as Convenções Coletivas de Trabalho

Nos últimos três anos, o Sindicato, respeitando decisões soberanas de assembleias gerais, liderou a
retomada das Convenções Coletivas de Trabalho no setor de radiodifusão e nos veículos impressos, que foram aprovadas sem perdas em termos inflacionários. Vale lembrar que, em virtude da falta de ação da gestão anterior, a categoria penou por anos sem acordos coletivos e não avançou em seus direitos trabalhistas. Temos enfrentado muitos obstáculos na representação dos assessores de imprensa, dada à intransigência das empresas de comunicação e à conivência da Justiça do Trabalho em questões relacionadas ao reconhecimento desses profissionais como jornalistas. Não é uma luta
simples, mas precisamos enfrentá-la coletivamente. Há muito a avançar nas campanhas salariais, que
também envolvem pleitos sociais, assistenciais e questões relacionadas à segurança dos jornalistas; muito a fazer na política de proteção aos postos de trabalho e na garantia de direitos trabalhistas no emprego e no pós-emprego; muito a caminhar na proteção aos jornalistas no seu exercício profissional em um país violento e desigual.

Vivemos uma conjuntura complicada, com crise econômica, alto desemprego e nova legislação baseada na retirada de direitos dos trabalhadores. A reforma trabalhista feriu gravemente o movimento sindical, com o fim da cobrança automática do imposto sindical. Com isso, os sindicatos perderam sua principal fonte de receita, e a nossa entidade, em crise financeira profunda, não contava com os recursos necessários para se adequar aos novos tempos. Formada em busca da unidade na luta, nossa chapa traz novos companheiros dispostos a trabalhar pelos
jornalistas cariocas!


Fonte: Divulgação/Chapa 1

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Memórias da redação - Canecão, 1979 - João Gilberto fotografado no exato momento em que reclama do som e cancela o show. Por Guina Araújo Ramos

João Gilberto no Canecão, em 1979, reclama do som e cancela o show.
Foto de Guina Araújo Ramos.


por Guina Araújo Ramos

Nunca mais, nunca mais…

Sempre fui um ouvinte casual de música (e não da estrangeira, necessitava entender o que era dito). Ouvia a música que tocasse no rádio, não questionava muito. Música, para mim, era mesmo um fundo musical, sempre fui meio analfabeto no assunto. Quando digo que o único instrumento que toco é campainha de porta estou sendo sincero.

Conseguia diferenciar, sim, a bossa nova dos outros ritmos, mas mal distinguia cantores de cantoras, todos cantavam baixinho… A exceção era Dorival Caymmi, mas pode ser uma certa identificação com aquela coisa baiana, aquele relax existencial… Lembro de um programa da TV Tupi, lá pelos meus oito anos, altas horas da noite, minha mãe me mandando dormir, o baiano deitado na rede com seu violão, entre redes de pescar e coqueiros de papelão. Alguma mágica devia haver na música, mas achava que gostava das historinhas, os pescadores que saíram pro mar na quarta-feira santa, os clarins da banda militar, a morena que se pintou… Já esse outro baiano, João Gilberto, com suas histórias impessoais, deixara apenas um vago registro, como se suas músicas, hoje clássicos, fizessem parte do inconsciente coletivo. Logo viriam outros baianos e depois novos baianos, mas, aí, já não era mais aquela infância…

Então, em 1979, bastante adulto, estava eu, com a máquina fotográfica em punho a serviço da revista Amiga, diante de João Gilberto em pessoa. O agora mito João Gilberto, em uma de suas raras aparições neste ensandecido Brasil que trocara por New York, ensaiando para um show no Canecão.

Estava bem ali no meio do palco, dentro de um círculo de luz, sentado no banquinho, o violão na mão, vestindo seu paletozinho, penteadinho… Uma concessão, sem dúvida. Um privilégio.
Nós fotografávamos do próprio palco, mas de fora do círculo, da escuridão que tomava conta de tudo.

Cristina Zappa, minha professora de inglês no curso da ABI, então fotógrafa estagiária de O Globo, mais neófita do que eu, se mostrava nervosa. Podia ser apenas síndrome de fã, ela nunca me confessou nem uma coisa nem outra… Eu também tinha vivido alguns momentos de nervosismo, de tremer mesmo, no meu início na Manchete. Tinha vencido tais barreiras justamente para estar ali, naquele momento, à frente de João Gilberto. Enquanto ele ajeitava as cordas do violão na ilha de luz do palco, eu colocava uma 135mm e media a luz. Lúcia Leme, repórter consagrada, minha parceria na empreitada (ou melhor, eu dela…) conversava, entre as mesas, com a produção e outros jornalistas. Era apenas um ensaio, mas dava para sentir uma emoção no ar. E talvez, também, alguma aflição…

João Gilberto parecia tranquilo. Dedilhou o violão, cantarolou dim-dim-dom-dom (ou qualquer outra de suas genialidades musicais) e falou qualquer coisa a alguém. Este alguém, num gesto, conseguiu silêncio total e João Gilberto começou a cantar. Cantava qualquer coisa, um barquinho, um cantinho, um violão (é impressionante o que não se ouve quando se está fotografando, e o pior é que geralmente são as melhores músicas…), tocava qualquer coisa, dim-dim-dom-dom, eu estava gostando, ele tocava… Até que simplesmente parou.

Parou. O silêncio continuava. Todos atentos, reverentes. Balançou a cabeça, olhou para a escuridão do fundo do salão, baixou a cabeça e voltou a tocar, dim-dim-dom-dom, cantou mais um barquinho, um cantinho… Até que parou outra vez e falou. O fato é que João Gilberto falava muito pouco. Quando falava, e era pouco, falava baixinho. Quando falava alto, aí, era um acontecimento!…

Pois João Gilberto parou de tocar e falou alto. Falou para a escuridão lá do fundo:

– Olha, não está bom não!

Uma voz nas trevas respondeu qualquer coisa e João Gilberto falou outra vez:

– Eu sei. Mas não está bom não.

Dava para perceber que a voz nas trevas se esforçava para explicar qualquer coisa. João Gilberto propôs:

– Faz o seguinte: baixa um pouco.

Ou “sobe” ou “aumenta” ou “diminui”, uma ordem cifrada dessas. Só sei que “esquece” ele não falou… João Gilberto tentou resolver o problema, sou testemunha, posso jurar. A voz ao fundo, um pouco sumida, disse OK e João Gilberto voltou a se concentrar no violão. Dim-dim-dom-dom, um banquinho, um violão, nosso amor, uma canção, dessa vez eu acho que ouvi..

"Nunca mais, nunca mais..."

Ou talvez não… Mas, que importa, estava eu lá interessado na música?… Não, não estava. Estava interessado nas reações de João Gilberto. Notei que começava a se contorcer. No princípio, só um pouco, o tronco, os ombros, mas, aos poucos, passou a mexer as pernas abaixo dos joelhos, girando o pé na ponta do sapato enquanto tocava e cantava. E o rosto… Percebi uma cara feia qualquer, ainda que fugaz.

Parou de novo. Baixou a cabeça sobre o violão, notei que suspirou. Voltou a falar, de novo em voz alta, lá para o fundo negro de onde vinha o jato de luz:

– Olha, não ficou bom, não. Ficou pior… Faz o seguinte: volta como estava.

Pronto, pensei, o problema estava resolvido. Não ia ser o ideal, o máximo do som, como João Gilberto queria, mas seria o bom, o aceitável, o público iria gostar… Para mim, por exemplo, podia ficar de qualquer jeito, alto ou baixo, mais ou menos, estava bom o tempo todo. Mas, se ele fazia questão, tudo bem, era só voltar ao que estava antes: ele tinha razão!…

A voz lá do fundo disse OK. Silêncio. Cumpre-se o ritual e João Gilberto recomeça a tocar, acho até que voltou a cantar um barquinho vai, a tardinha… Ah, parou!…

Parou e caiu em silêncio, ensimesmado. Ficou ali emborcado sobre o violão algum tempo. Não dá para saber quanto porque estava tudo parado… Respirou fundo e falou lá para o fundo:

– Não, não… Não era assim que estava. Agora, ficou mais alto.

Ou “baixo”, ou “maior” ou “menor”, um problema desses… João Gilberto não parecia contente. Ficou olhando fixamente o foco de luz (ou a escuridão?…) por um tempo, até que a voz cavernosa garantisse que, agora sim!, estava no ponto. Ou nem tanto, que apenas voltaria ao que estava antes.

João Gilberto pareceu aceitar, uma tristeza no olhar…

Tudo de novo, o ritual. Eu, com meu dedo colado no disparador. João Gilberto começou a tocar, dim-dim-dom-dom. Eu senti que havia uma aflição saindo daquelas cordas. Ameaçou cantar um barquinho, o mar, a onda… A tardinha caía, seu rosto se desfigurava, eu batia fotos, sentíamos todos uma dor…

João Gilberto parou de tocar. João Gilberto baixou a cabeça. Acho que tinha uma lágrima nos olhos. Ou eu, eu não conseguia ver bem… Ficou ali, no centro da luz. O silêncio dominava a escuridão. Até que começou a balançar a cabeça, de lado a lado, por sobre o violão. E se ouviu a ladainha:

– Nunca mais, nunca mais!…

Parecia que ia chorar… Balançava a cabeça de lado a lado, desalentado: nada… De repente, insistiu em tocar, apertou as cordas com mais raiva do que fé: nada… A cada acorde, um esgar, uma careta: nada… Tudo aparentemente certo, um banquinho, um violão, mas o som…

– Nunca mais, nunca mais!…

A voz lá no fundo prometeu qualquer coisa, disse que agora sim, qualquer coisa, mas João Gilberto, catatônico, continuava:

– Nunca mais, nunca mais!…

E eu ali me sentindo o pato… Não era muito mais do que isso o que sabia de João Gilberto: bossa-nova, o tal banquinho, o violão, um barquinho, o pato… Agora, estava ele ali, na minha frente, sob a minha mira fotográfica, e era um mito arrasado, um baiano triste, um banquinho manco, um violão rachado, um som quebrado…

Para mim, estava bastante bom, estavam bastante boas as fotos. Até a música estava boa. Mas, que o sentimento era forte, que o momento era cruel, até eu, analfabeto musical, podia sentir. Vi logo que ia dar uma página dupla na Amiga, uma foto ou outra na Manchete. Que essa história ia ser contada em prosa e verso, transformada em filme, lembrada para todo o sempre enquanto existisse um banquinho, um violão, um amor, uma canção…

Não houve mais o show. João Gilberto cancelou, mais abatido que indignado. Houve celeuma, fãs protestaram, jornais criticaram, uma parte parece que processou a outra, parece que vice-versa, sei lá, dizem mesmo que a ditadura teria acabado mais cedo por causa disso…

Virou até literatura: Sérgio Sant’Anna, desencantado mas sarcástico, contou a história no conto (e livro) “O concerto de João Gilberto no Rio de Janeiro”. Depois de um certo voo de imaginação, decretou: o não-show de João Gilberto no Canecão teria sido, afinal, o show de João Gilberto que o Rio de Janeiro merecia. Pode ser… Mas, hoje eu sei: eu mesmo não merecia.

Para se ver quão traumatizantes foram os fatos. Deu para sentir, eu estava lá…

A bola parou de rolar na Copa América, mas a polêmica, não. Messi pode ser punido pela Conmebol por denunciar que tudo estava armado para o Brasil ser campeão. O craque poderia ser impedido de jogar competições sul-americanas durante dois anos...

Reprodução Crônica

Reprodução Ole

Depois do jogo contra o Brasil nas semifinais da Copa América, Messi se revoltou e declarou que "estava tudo armado para a seleção brasileira".  As acusações foram reforçadas pelo jogador logo após ser expulso no jogo contra o Chile, que valeu o terceiro lugar para os hermanos.

A Copa América acabou, Brasil ficou com a taça, mas os jornais argentinos discutem agora as possíveis consequências das denúncias proferidas publicamente por Messi. Se o jogador não provar as acusações de favorecimento ao Brasil por parte da Conmebol pode teoricamente ser punido. Caso seja aplicada, a pena máxima poderá ser de dois anos de afastamento de competições organizadas pela entidade sul-americana. Isso incluiria a Copa América do ano que vem, que a Argentina sediará, e parte das Eliminatórias para a Copa de 2022 no Catar. A expectativa dos argentinos é que uma punição, se vier, não seja tão rigorosa. Caso contrário, sera aberta uma verdadeira guerra portenha contra os cartola da Conmebol.

Um outro fato pode favorecer o craque do Barcelona. Se Messi for punido, Gabriel Jesus também poderá ser pendurado. Ontem, ao ser expulso do jogo final, ele saiu de campo fazendo um sinal de roubo.

A indignação local é tamanha que correu uma fake news em Buenos Aires dando conta que a UEFA convidaria a Argentina para disputar a Eurocopa e a Liga das Nações, afastando-a da Conmebol. Não que seja inteiramente absurda a hipótese. Desde 1991, por questões políticas, Israel disputa as eliminatórias da Copa do Mundo no âmbito da UEFA. Isso porque os países islâmicos se recusavam a enfrentar a seleção israelense. Os times locais também são filiados à UEFA e poderiam até disputar a Liga dos Campeões.

Só que jogaram água fria na suposta pretensão dos hermanos. Quando a boataria da filiação da Argentina chegou à UEFA, a entidade europeia logo divulgou uma nota desmentindo o convite e afirmando que não cogita e não cogitará dessa hipótese.

41° Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog abre inscrições para as categorias Produção Jornalística em Texto, Áudio, Vídeo e Multimídia; Fotografia e Arte




(do Centro de Informações das Nações Unidas para o Brasil - UNIC Rio)

Jornalistas, artistas do traço e repórteres fotográficos de todo o Brasil têm até o próximo dia 20 de julho para inscrever suas produções e concorrer ao 41º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos.

O Prêmio Vladimir Herzog homanegeia
o jornalista assassinado
pela ditadura militar em 1975.
Foto EBC
Considerado entre as mais significativas distinções jornalísticas do país, o Prêmio Vladimir Herzog tem abrangência nacional e reconhece, ano a ano, trabalhos que valorizam a democracia e os direitos humanos. A iniciativa conta com o apoio do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).

Para concorrer, os candidatos devem acessar o site do prêmio, preencher a ficha cadastral e anexar sua obra publicada ou veiculada no período entre 24 de julho de 2018 a 20 de julho de 2019, inclusive. Nesta edição, serão aceitas produções jornalísticas inscritas em seis categorias:

1) Arte – ilustrações, charges, cartuns, caricaturas e quadrinhos publicados em veículos impressos ou eletrônicos

2) Fotografia – foto ou série fotográfica publicada em veículos impressos ou eletrônicos

3) Produção jornalística em texto – reportagens em texto publicadas em veículos impressos ou eletrônicos

4) Produção jornalística em áudio – reportagens ou documentários em áudio

5) Produção jornalística em vídeo – reportagens ou documentários em vídeo

6) Produção jornalística em multimídia –  reportagens multimídia publicadas na internet

O 41º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos é promovido e organizado por uma comissão constituída pelas seguintes instituições: Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ); Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo; Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo; Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI).

Outras organizações incluem Coletivo Periferia em Movimento; Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP); Instituto Vladimir Herzog; Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB Nacional, Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo; Conectas Direitos Humanos; Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo e  Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM).


Regulamento e Inscrições em premiovladimirherzog.org
Período: 27 de junho a 20 de julho de 2019
Júri de 1ª etapa: 1º de agosto a 15 de setembro, via sistema
Júri de 2ª etapa e divulgação dos vencedores: 11 de outubro, quinta-feira, em sessão pública de julgamento na Câmara Municipal de São Paulo / Sala Oscar Pedroso Horta e transmissão ao vivo pela internet, das 10h às 14h, em Auditórios on-line
Roda de Conversa com os Ganhadores: 24 de outubro, quinta-feira, das 14h às 18h
Solenidade de premiação: 24 de outubro, quinta-feira, 20h
Local: TUCARENA – Rua Monte Alegre, 1024, Perdizes, São Paulo
Para mais informações, acessar www.premiovladimirherzog.org


Fonte: Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil | UNIC Rio 


domingo, 7 de julho de 2019

Fotomemória: nesta foto histórica da Bossa Nova está faltando ele...

Beco das Garrafas, 1969: a Bossa Nova comemora 10 anos e Manchete reúne compositores, cantores e instrumentistas.
Foto de Gil Pinheiro 


Manchete publicou essa foto em 1969. Foi feita por Gil Pinheiro. A Bossa Nova comemorava 10 anos e a revista reuniu cantores, compositores e instrumentistas que faziam o Brasil e o mundo cantar.

Neste 2019, completam-se 60 anos de uma data marcante da cultura brasileira, que, quis o destino,  coincide com a partida de João Gilberto, sua pedra fundamental.

O texto de abertura da matéria (de Renato Sérgio e João Luiz Albuquerque) vaticinava a força histórica daquela imagem.

"Esta foto será preciosa no futuro. Ela mostra vários dos principais responsáveis pela mais importante revolução já feita na música popular brasileira - a criação, a consolidação e o desenvolvimento da Bossa Nova. Ao completar 10 anos de vida, já alcançou uma rápida maturidade, abriu o mercado internacional aos artistas brasileiros e deu origem a outros movimentos jovens. Três gerações reuniram-se no Beco das Garrafas, em Copacabana, e relembraram os tempos em que ali e na casa de Nara Leão,a madrugada carioca começou a ouvir a batida diferente do violão de João Gilberto, a música gostosa de Antônio Carlos Jobim e os versos claros de Vinícius de Moraes - a gênese da Bossa Nova". 

Os três últimos estão na matéria, mas não aparecem na foto antológica - era uma época em que os compromissos internacionais eram intensos. A reunião do exército da BN também valorizava os instrumentistas, menos conhecidos do grande público, mas essenciais ao movimento musical.

A legenda da foto que a Manchete publicou em página dupla registra as presenças: Elis Regina, Menescal, Marcos e Paulo Sérgio Vale, Tito Madi, Chico Feitosa, Luizinho Eça, Luís Carlos Vinhas, Candinho, Mário Castro Neves, Dóris monteiro, Durval Ferreira, Luís Freire, Miéle & Bôscoli, Mário Telles, Giovanni, Egberto Gismonti, Dori Caymmi, Antonio Adolfo, Tibério Gaspar, Edson Machado, Maciel do Trombone, Roberto Nascimento, Maurício Einhorn e Armando Pittigliani, este o produtor musical que era um descobridor de talentos.


Do jornal Estado de São Paulo: João Gilberto segundo Roberto Muggiati



por Roberto Muggiati (´para o jornal Estado de São Paulo)

De João Gilberto uma coisa eu sei com certeza: que em 1958 nós gostávamos do mesmo homem. Êpa! Não é o que vocês estão pensando. Adorávamos o Guarani, o melhor baterista de uma perna só do mundo. (Era uma faixa muito competitiva, havia outros pernetas espertos, como o paulista Pirata, que perdeu a perna num acidente.) Guarani teve pólio na infância e ficou com uma perna troncha. Mas com a outra e as duas mãos fazia maravilhas. Eu o conhecia das loucas noitadas de Curitiba. João o escolheu a dedo como um dos quatro percussionistas na gravação histórica de Chega de saudade(1958), o hino oficial da bossa nova.

Eu sei também, com certeza, que esbarrei com o João no camarim da Sarah Vaughan,  em sua noite de estreia no Brasil. Nem chegamos perto da diva porque o Poetinha lhe movia cerco total. O show da Sarah aconteceu no Fred’s, uma boate em cima de um posto de gasolina na Avenida Atlântica, na esquina onde construíram depois o Hotel Méridien. Aquela primeira segunda-feira de agosto de 1959 foi o último-baile-da-Ilha-Fiscal do Rio como Capital da República. Todo mundo estava lá. Presidia a mesa principal, o homem mais poderoso da época, o jornalista Samuel Wainer, com sua ofuscante Danuza. João Gilberto, terno escuro e gravata, ficou calado a noite inteira de mãos dadas com sua noivinha, Astrud Evangelina. (Antes, namorou duas cantoras geniais da bossa: Sylvinha Telles e Mariza Gata Mansa. Depois, casou com outra, Miúcha, e se tornaram pais da cantora Bebel Gilberto.)

Só fui encontrar João Gilberto de novo muito, muito tempo depois. E também muito longe do nosso Rio de Janeiro. Eu estava, entre meia dúzia de gatos pingados, espionando o cantor no escuro da plateia do Cassino de Montreux enquanto João fazia sua passagem de som para a Noite Brasileira com Tom Jobim. Na verdade, contra Tom Jobim — foi um verdadeiro duelo no Curral OK, uma briga de navalha entre cegos. Ali, naquela tarde de julho de 1985, na Suíça, descobri o quão safo era o baiano de Juazeiro. João testou uma bateria de microfones e escolheu logo um modelo que, apesar do visual retrô, anulava totalmente a interferência do ar condicionado no sistema de som. Coisa de gênio, de cientista louco. João estava com todas as balas na agulha para enfrentar Tom: Montreux decidiria qual era o melhor dos dois. Jobim – com sua banda familiar (a mulher, o filho, os Morelenbaum, os Caymmi) – chegou atrasado de um festival na Espanha, mas João não deu colher de chá. Era ele, e ninguém mais, quem iria encerrar a grande noite. Jamais “abriria” o espetáculo, como mero coadjuvante, para Tom Jobim. Graças a sua persistência, conquistou o “horário nobre”, embora, após prolongadas e inúteis parlamentações, isso significasse subir ao palco já bem depois da meia-noite. Apesar do adiantado da hora, João, apenas com banquinho e violão, brindou a plateia com quase duas horas de música encantada: naquela madrugada, pudemos ver a silhueta do Corcovado logo ali, às margens plácidas do lago Léman.

Eu sei também que o João não é mole. Três anos depois ele aprontou uma terrível com minha amiga Lúcia Sweet — a Lúcia que, de tão doce, casou com o músico místico Tomás Lima, o Homem de Bem. Tive a sorte de presenciar o maior não-evento (hoje se chamaria factoide) da carreira gilbertiana – e da história do showbiz brasileiro. Sexta-feira, 1º de julho de 1988, a crème de la crème do Rio desfila na plateia do Municipal à espera de João Gilberto. Já se sabe, com certeza, que ele não vai aparecer. Mesmo assim, durante alguns momentos, arde intensa a expectativa em meio à fogueira das vaidades. A produtora Hummingbird (Colibri), de Lúcia, montou no palco um cenário que era uma gentil mistura da féerie tropical dos musicais da Metro com um altar Hare Krishna, cheio de incensos e palmeirinhas. Às 21 horas, uma voz espectral anuncia, pelos altofalantes do Theatro, que serão concedidos trinta minutos de tolerância para João Gilberto subir ao palco e iniciar o espetáculo. Apesar do contrato assinado, João, ao longo da semana, através dos advogados, já dava sinais de que fugiria da raia, alegando uma forte gripe, com atestado médico e tudo. Não deu outra: ele não compareceu.

Tempos depois, nosso cantor, encalacrado com a indenização que foi obrigado a pagar a Lúcia Sweet, teve de engolir alguns sapos: levantou dinheiro fazendo um comercial da Brahma e, patrocinado pela mesma cerveja, concordou em dar um megaconcerto naquele mesmo Municipal do Rio em dupla com seu desafeto, Tom Jobim. Pode ter sido ruim para o ego do João, mas para a plateia foi fabuloso.

Ah, ia esquecendo! Numa conversa recente, o Sérgio Ricardo me falou da época em que ele e o João eram carne e unha. João, sem eira nem beira no Rio, explorava a hospitalidade libanesa dos Lutfi (Imaginem só café da manhã daquela casa...)  Depois que fechavam os inferninhos, João e Sérgio trocavam longos papos filosóficos na praia até o amanhecer. Um dia, sem mais aquela, João botou o Sérgio contra a parede: “Cara, o seu problema é que você é alienado, faz musiquinhas bobocas de namoricos e ignora os grandes problemas sociais do mundo em que vivemos.” Chamado à razão, Sérgio virou um músico “politicamente engajado” e saiu quebrando violões pelos festivais, enquanto o bom João continuava na dele, fazendo seus sambinhas sem compromisso e tornando-se o verdadeiro “mestre zen do bim-bom.” Esse foi o título que dei ao perfil do João no meu livro Improvisando soluções (Best Seller, 2008). Fechei o texto com esta frase: “Convidem o João para cantar algumas páginas do catálogo telefônico – vou ouvir na primeira fila.” Achei que estava sendo muito original, mas li depois o que Miles Davis escreveu certa vez sobre João: “Gilberto seria capaz de fazer um som maravilhoso simplesmente lendo um jornal.”

Salomão Schvartzman: o repórter que virou executivo foi jornalista até o fim

Salomão Schvartzman entrevista Jânio Quadros para a revista Manchete, em 1980. Foto de Ruy Campos

O jornalista Salomão Schvartzman começou a carreira como repórter do Globo. Passou pela Rádio Globo antes de se transferir para a Manchete, onde viveu a maior parte da sua trajetória profissional.
Com o tempo, assumiu funções corporativas - foi diretor da sucursal da Bloch Editores em São Paulo - mas manteve como pode a alma de repórter. Em 1977, fez uma entrevista exclusiva com Doca Street, o empresário que assassinou a socialite Angela Diniz em rumoroso caso que mobilizou o Brasil. A matéria lhe valeu menção honrosa do Prêmio Esso.

Quando o Grupo Bloch instalou a Rede Manchete de Televisão, Salomão passou a apresentar os programa Frente a Frente e Clássicos em Manchete, este com especial prazer já que a música erudita uma das suas paixões.

A experiência em TV o levou, ao fim da Manchete, para a TV Cultura e, mais tarde, para os canais Band News e Arte 1 in Concert.

Salomão Schvartzman morreu ontem, em São Paulo, aos 83 anos.

Nos seus programas de rádio e TV, ele consagrou um bordão na saudação final que dirigia aos seu público: "Seja feliz!"

Que assim seja.

sábado, 6 de julho de 2019

História que a bossa nova não contou: na gravação de "Chega de Saudade", a genialidade e o gênio de João Gilberto. Por Roberto Muggiati

“Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim,” rezava a letra, mas o clima no estúdio era de “brigas sempre mais" que marcava a relação yin/yang entre João Gilberto e Tom Jobim.

A data: 10 de julho de 1958, uma quarta-feira.


O local: o antigo estúdio da Odeon no quarto andar do edifício São Borja, à Avenida Rio Branco, 277, na Cinelândia.

A ocasião: a gravação do take definitivo do disco de 78 rpm Chega de Saudade/Bim-Bom, que entraria para a história como o marco inicial da bossa nova. Foram várias tentativas tumultuadas para se chegar à bolacha final.

Ruy Castro descreveu o clima no seu livro-reportagem Chega de saudade: “Gravando direto com a orquestra, ao vivo no estúdio, sem playback, ele [João Gilberto] interrompia take após take, ouvindo erros dos músicos que escapavam aos outros, e obrigando a orquestra inteira a tocar de novo. Em certos momentos, era como se todo mundo no estúdio fosse surdo, menos ele.”

Um dos focos da discórdia foi a exigência de João Gilberto de ter quatro homens na percussão: Milton Banana à bateria, Rubens Bassini nos bongôs, Juquinha no triângulo e Guarany na caixeta. Tudo isso para uma canção que durava nada além de dois minutos.

O percussionista Guarany Nogueira,
que participou da gravação do LP "Chega de Saudade".  

A inclusão de Guarany Nogueira (1928-1980) na gravação seminal da bossa nova revela a grandeza do seu talento. Principalmente se levarmos em conta o fato de que o curitibano, vítima de poliomielite, usava aparelho ortopédico e só tinha movimento numa perna, um handicap terrível para um baterista.

Em Curitiba, Guarany tocou muito tempo no Ludus Tertius, trio completado por Norton Morozowicz, ao baixo, e Gebran Sabbag ao piano. Em sua temporada carioca, além de brilhar nos círculos da bossa nova, Guarany frequentou o circuito clássico: o maestro Eleazar de Carvalho queria prepará-lo para timpanista da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Hélcio Milito, baterista do Tamba Trio, afirmou: “O Guarany era um grande percussionista, talvez um dos melhores do Brasil. Se assim não fosse, João Gilberto não teria exigido sua presença para gravar varias faixas do seu primeiro LP.” 

João Gilberto, um perfil (do livro "Improvisando Soluções", de Roberto Muggiati)




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João Gilberto (1931-2019): bate calado um coração...

O cantor e compositor João Gilberto morreu hoje, aos 88 anos, no Rio de Janeiro. Ao longo de mais de 40 anos, Manchete acompanhou a trajetória do pai da bossa nova. Em 1959, ano em que lançou o antológico Chega de Saudade, João foi capa pela primeira vez. Veja abaixo alguns dos momentos registrados pela revista.

Em 1959, com a então musa do Arpoador, Ira Etz. Foto Carlos Kerr/Manchete

N Au Bon Gourmet em show com Tom e Vinicius, 1962. Foto de Gil Pinheiro/Manchete. 

Foto Manchete

Roda de violão em Ipanema, 1959. Reprodução Manchete

Em Montreux, 1985.  Foto de Lena Muggiati/Manchete


Do Daily Mail: ativistas tiram as roupas para protestar contra maus tratos aos touros em Pamplona, Espanha


Nos próximos dias acontece o espetáculo de crueldade anual nas ruas de Pamplona, na Espanha. A corrida bárbara que é uma espécie de tara coletiva de moradores locais e turistas celebra paradoxalmente São Firmino, uma entidade católica. Um grupo de 54 ativistas denuncia as mortes de igual número de touro nessa triste tradição.

A matéria está no Daily Mail, AQUI

Leitura Dinâmica: Neymar, Rádio MEC, Trump doidão, "vem meteoro", o cursinho do Faustão..

por Flávio Sépia 

* É difícil encontrar na história do futebol um caso de tão má administração da carreira como o de Neymar. Há muitos exemplo de jogadores que ficaram abaixo dos seus potenciais. A maioria, como o craque Heleno de Freitas, por problemas de saúde; alguns por dependência química, outros por sofrerem pressões políticas; e até quem se prejudicou por indisciplina crônica. Neymar está milionário, claro, mas apenas aos 27 anos vive um momento crítico na carreira. Tão sério, que ao voltar a campo deverá enfrentar quase que um recomeço. Enquanto se recupera de contusão, enfrenta acusações de estupro no Brasil, problemas com os fiscos aqui e na Espanha e um impasse profissional. Já rejeitou publicamente o PSG  e declarou que quer voltar para o Barcelona, que, assim como os torcedores, estava dividido em relação à sua contratação e aparentemente já desistiu, segundo a mídia espanhola. Se não surgir outro clube interessado, Neymar terá que se apresentar ao PSG. Não por acaso, Neymar foi visto apelando pra Jesus em um culto evangélico.

* Bolsonaro fechou a Rádio MEC, que funcionava desde 1923, mas não resistiu a seis meses do novo governo e aos cortes indiscriminados de verbas. O presidente não faz a mais remota ideia do que representa a emissora e o ministro Paulo Guedes muito menos. Este, então, é um especulador robótico incapaz de reconhecer algo fora dos porões financeiros. A rádio encerrará suas transmissões no fim de julho.

* Por falar em cortes indiscriminado de verbas, essa é uma política letal. Quando o alto burocrata aciona a tesoura neoliberal está não apenas aplicando um instrumento burocrático, mas inviabilizando a saúde pública. O Rio tem hospitais federais paralisados, crise aguda em instalações municipais e estaduais, já com registro de mortes por impossibilidade de atendimento. A falta de dinheiro nem sempre é justificada. Como exemplo, a cidade do Rio está sem verbas mas com anuência do prefeito Crivella vereadores acabam de abrir mão de um dívida dos cartórios cariocas de mais de 400 milhões de reais. No caso do atual projeto de confisco da Previdência, há uma bondade equivalente. No corpo da tal "reforma", deputados aprovaram na madrugada uma emenda ao relatório que pode perdoar até 100 bilhões de reais para os ruralistas que já são privilegiados por se pendurarem no caixa público em inúmeras outras benesses.

* O governo tem seis meses, mas a campanha eleitoral para 2022 já agita gabinetes. Bolsonaro  ensaia volta ao palanque, dessa vez com Moro como candidato a vice. Rodrigo Maia estaria sonhando com a chapa João Doria-Luciano Huck. O governador do Rio, Wilson Witzel já revelou que o Planalto é seu sonho de consumo. José Serra não se manifestou, talvez quando acordar. Não está confirmado se Queiroz e Olavo Carvalho formarão chapa de outsiders.

* O que Donald Trump fumou? O presidente americano disse ontem em discurso sobre o 4 de julho que um dos fatos históricos da guerra da independência foi a tomada de aeroportos pelo exército americano em 1775. "Nosso Exército derrubou as muralhas, tomou o controle dos aeroportos, fez tudo o que tinha de fazer". Trump tentou justificar o erro ao dizer que o teleprompter apagou. Foi pior: a mancada histórico foi então de sua autoria mesmo.

* Agora é pra valer, "Vem meteoro!" - Nas redes sociais, os descrentes do Brasil atual preferem a hecatombe expressa no bordão que viralizou. Pois bem, a Nasa acaba de atendê-los.  Um asteroide de 340m de diâmetro e 55 milhões de toneladas está a caminho da Terra, com chegada prevista para 3 de outubro. O risco de cataclismo é baixo, mas quem sabe o asteroide desvia do caminho e cai em Brasília.

* Não é verdade que Faustão vai abrir um quadro no Domingão onde Sergio Moro, Dallagnol, Mourão, Bolsonaro, Damares, Queiroz e o Sargento Mula que transportava cocaína no Aerococa oficial vão participar de um reality show que apontará quem se comunica melhor com o povão.

* Depois de lucrar bilhões com a Lava Jato, os Estados Unidos pegaram o gosto. Promotores americanos responsáveis pelo processo contra o megatraficante El Chapo,  pedem a apreensão de
US$ 12,7 bilhões em bens do cartel mexicano. Não há informações se a força-tarefa gringa vai criar uma fundação especialmente para eles próprios administrarem a dinherama.

* O FMI faz o que pode para ajudar o presidente da Argentina em ano eleitoral. Acaba de mandar mais 5,4 bilhões de dólares para o caixa de direitista Mauricio Macri, candidato à reeleição, mas que está em baixa nas pesquisas. Em troca o governo se comprometeu a apertar ainda mais o bolso dos hermanos que já estão sem furo disponível nos cintos.

* Supostamente, as palavras "suposta" e "suposto" foram as mais digitadas e pronunciadas em todos os computadores do veículos do Grupo Globo desde que vazaram as mensagens do ex-juiz Moro e seus "funcionários" da força-tarefa.

Na capa do Meia Hora: roubo em escala industrial


por Ed Sá 
Não se pode negar que o setor de roubos no Rio de Janeiro está evoluindo industrialmente. A recente tentativa de afanar imensas torres de caixa d'água de um condomínio Minha Casa, Minha Vida mostra a nova logística dos criminosos. O Redentor, o obelisco da Rio Branco, estátuas equestres e bondinho do Pão de Açúcar que se cuidem.

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Faustão faz um participação na VazaJato como coach de juiz. "Ô lôco, meu"

Entre as novas revelações da VazaJato publicadas pela Veja em parceria com The Intercept Brasil, Faustão faz uma breve participação, do tipo "se vira nos 30".

Provavelmente em momento perdido na noite, após ver o JN ou a Globo News, o apresentador da Globo achou que a força-tarefa da Lava Jato falava difícil.

Com o intenção de  colaborar com a operação, ele se voluntariou como coach de juiz e contatou Sergio Moro dando-lhe uma rápida dica de linguagem. Para ele, Moro e sua tropa deveriam falar para o povão. O então juiz logo acionou o grupo do Telegram e repassou o conselho para o  "subordinado" Deltan Dallagnol.

- Ele disse que vocês nas entrevistas ou nas coletivas precisam usar uma linguagem mais simples. Para todo mundo entender. Para o povão. Disse que transmitiria o recado. Conselho de quem está a (sic) 28 anos na TV. Pensem nisso”, teclou Moro gastando seu português precário e usando a preposição a no lugar do correto , do verbo haver.

Aparentemente, os lavajateiros seguiram o conselho 0800 do Faustão Todo mundo está entendendo muito bem os diálogos que The Intercept Brasil está jogando no ventilador.

O apresentador confirmou a conversa com Sergio Moro.

Na capa da Veja: operação mãos sujas...


"Perdeu, fotógrafo!" - João Pina fotografou um dos traficantes mais procurados do Rio e saiu ileso. Mas não escapou de alguns veículos da mídia que publicaram sua foto sem crédito. É o que ele desabafa em relato exclusivo à revista Época

A revista Época que está nas bancas publica um ótimo relato do fotógrafo português João Pina. Em 2009, ele fotografou o traficante Fernando Guarabu, morto há pouco mais de uma semana durante operação policial no Morro do Dendê, na Ilha do governador, Rio de Janeiro.

Época deu o devido crédito à foto. Mas não foi o que aconteceu com vários outros jornais, portais digitais e até TV.

Com a intermediação de um pastor evangélico, Pina teve acesso a um dos esconderijos de Guarabu. A matéria foi publicada no New York Times. A imagem principal da série feita então mostra o traficante sentado em um sofá, olhando para a câmera, olha frio, Jesus tatuado no braço, quadro com imagens da bíblia na parede.

A morte do traficante, que era matador profissional, tido como muito cruel, além de procurado por vários outros crimes, levou a mídia ao Google para buscar fotos. E vários veículos importantes, entre jornais, TV e portais digitais, publicaram sem crédito a foto feita por João Pina após uma aproximação que levou dois anos.

Nesse tipo de reportagem, apesar da negociação e dos intermediários, nunca se sabe o que acontecerá. Uma operação policial inesperada, eventual invasão de um bando rival, alguma desconfiança súbita, e a vida do fotógrafo correria sério risco. A foto publicada sem que se atribuísse a autoria a João Pina era acompanhada de vários tipo de "crédito" como "arquivo pessoal" ou até "divulgação". Imaginem um traficantes procurado pelo polícia, que passava a maior parte dos seus dias escondido em bunkers cercado de comparsas, ostentando uma assessoria de divulgação.

No relato que escreveu para a Época, Pina desabafa. Leia trecho abaixo:




LEIA A MATÉRIA DA ÉPOCA, CLIQUE AQUI

quinta-feira, 4 de julho de 2019

The Guardian denuncia: Reino Unido devolve frango brasileiro contaminado e produto vai parar nas "coxinhas" nacionais



Não é só no campo das ideias ultradireitistas e anacrônicas que o Brasil está contaminando o mundo.

The Guardian apurou que, nos últimos dois anos,  o Reino Unido devolveu 1 milhão de frangos contaminados pela bactéria salmonela e mesmo assim exportados pelo agronegócio. O pior: os frangos doentes foram em seguida distribuídos no mercado interno brasileiro um desses pode ter chegado à suam mesa de jantar.

A ministra da Agricultura de Bolsonaro, Teresa Cristina, não deu muita atenção para a denúncia, alegou que salmonela é comestível desde que o frango seja frito, cozido ou assado. Esqueceu de dizer que a contaminação também se dá no manuseio da carne crua, segundo especialistas. Afirmou que só há dois tipos de salmonela são perigosos e que "não comercializamos frango contaminado com essas duas bactérias". A ministra admitiu que o produto foi mesmo devolvido, mas não disse se exames comprovaram que o frango exportado estava contaminado apenas com a bactéria "boa". Segundo o Guardian, testes flagraram contaminação em remessas para os Estados Unidos e para países da Europa:  Holanda, França, Alemanha, Espanha, Itália, Bélgica e Irlanda. Em fase de pregação de "estado mínimo", o Brasil minimiza a fiscalização em várias áreas. A liberação acelerada de agrotóxicos pelo atual governo também vem sendo denunciada na mídia européia, especialmente a da Alemanha.

A matéria repercutiu entre os leitores do Guardian que perguntam porque a Inglaterra ainda compra frango do Brasil,  Outro sugere que as autoridades brasileiras merecem ser cozinhadas. Houve quem lembrasse que crianças são mais vulneráveis à bactéria. E um deles citou o "culpado".




Esse escândalo pode ser um obstáculo a mais para a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, que já enfrenta fortes resistências em diversos países cujos Parlamentos ainda deverão aprová-lo.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Fotografia: a França quer saber o que está acontecendo no Brasil... Uma exposição de fotógrafos brasileiros tenta responder

Reprodução/ Rádio França Internacional (link abaixo)

A imagem do Brasil lá fora está em baixa. Somos o país da ultradireita, do desmatamento recorde, do uso indiscriminado de agrotóxicos, do fundamentalismo religioso mandando na política, das milícias, do crime político ("quem mandou matar Marielle"), da VazaJato, da intimidação a jornalistas etc. Mas a cultura ainda tenta nos salvar. Uma exposição na França busca responder à curiosidade internacional em torno do atual Brasil, que é destaque na Fundação Manuel Rivera-Ortiz, com a mostra “What’s going on in Brazil?”, apresentada em Arles pelo coletivo Iandé. Segundo a curadora Iolana Mello, o objetivo foi “tentar mostrar, através do olhar de 12 jovens fotógrafos os rumos atuais do Brasil. Entre os temas abordados estão a questão dos índios, ecologia e LGBT”.
Os fotógrafos que estão na exposição são: Ana Carolina Fernandes, Daniel Marenco, Dayan de Castro, Elsa Leydier, Felipe Fittipaldi, Fran Favero, Janine Moraes, Karime Xavier, Luiz Baltar, Pedro Kuperman, Shinji Nagabe e Simone Rodrigues.
A matéria completa está no site da Rádio França Internacional, AQUI

Fotomemória da redação: a bola do jogo que virou troféu para Masaomi Mochizuki




A Casa do Velho, em São Paulo, é especializada em objetos antigos e colecionáveis. Entre os itens à venda há alguns originados de acervos pessoais. Jornais, caixas de negativos, títulos e carteirinhas de clubes, troféus, mapas, câmeras fotográficas, rádios etc, estão na prateleira. Alguns desses objetos pertenceram a pessoas famosas. 
O repórter Durval Ferreira e o fotógrafo Masaomi Mochizuki, em Tóquio, 1991.
A dupla viajou para contar aos leitores da Manchete o que era o novo Japão em pleno "milagre "econômico.  

Em meio a tantas antiguidades, o site da loja reserva uma surpresa para quem trabalhou na Manchete. Nada menos do que uma bola de futebol que pertenceu ao fotógrafo Masaomi Mochizuki. Entre 1975 e 1976, ele provavelmente conciliou coberturas esportivas com a tarefa de recolher alguns autógrafos. Foi atendido por Roberto Dinamite, Rivelino, Zé Mário e outros craques cujas assinaturas são ilegíveis. A bola autografada está cotada em R$3.500,00, como se vê no site da Casa do Velho.

Demitido - Cartunista coloca Trump jogando golfe sobre corpos de imigrantes e perde o emprego


O cartunista Michael de Adder, que trabalhava há 17 anos no grupo de comunicação canadense New Brunsweek, que edita vários jornais, foi demitido porque desenhou Donald Trump jogando golfe às margens do Rio Grande diante de imigrantes mortos. Na legenda, algo assim: "Importam-se se eu jogar sobre vocês?"

Adder explicou: “Eu tentei mostrar um Trump que ignora a realidade. Na vida real, ele é até mais rude".

A charge foi inspirada na dramática foto de um pai e uma filha salvadorenhos que morreram afogados ao tentarem cruzar o rio que separa o México dos Estados Unidos. Adder quis chamar atenção para o drama dos imigrantes. Muitos entre os que conseguem atravessar a fronteira são detidos e enviados para campos de concentração.

O cartunista postou nas redes sociais a charge proibida, que viralizou.

E a repercussão mundial venceu a censura.

terça-feira, 2 de julho de 2019

GP de Fórmula 1 no Aterro do Flamengo: uma polêmica no grid de largada

Aterro do Flamengo: pista de GP de Fórmula 1. Foto de Alexandre Macieira/Riotur

O Aterro é tombado e a ideia de receber uma corrida da F-1 é polêmica. Mas o cenário seria o mais belo do mundo. Foto de Pedro Kirilos/Riotour. 

Em torno da polêmica sobre a construção de um autódromo no Rio para receber um GP de Fórmula 1, o colunista Ancelmo Góes, do Globo, sugeriu ontem o Aterro do Flamengo como palco de uma eventual prova da categoria.

A ideia não é nova. Em 2009, foi cogitada pela prefeitura a realização de uma corrida da Fórmula Indy no mesmo local. O acordo não prosperou. Vários GPs internacionais são realizados em parques. Assim o Canadá (Île de Notre-Dame, em Montreal), Cingapura (no Marina Bay) e Melbourne (no Albert Park) montam seus circuitos.

O Rio ficou sem autódromo quando ganhou o direito de sediar a Olimpíada de 2016 e a prefeitura usou o terreno para construir o Parque Olímpico, em Jacarepaguá. Em troca, ficou a promessa de  erguer um autódromo em Marechal Deodoro. A nova pista jamais foi construída e o projeto é agora questionado pelo Ministério Público por supostas irregularidades na concessão a empresário privado, além de não ter licença ambiental, já que destruirá área da Mata Atlântica.

Faltaram inteligência e mais critério com verbas públicas aos criadores do Parque Olímpico. Exemplo não faltou. Na mesma época em que o Rio começava a preparar as suas instalações para 2016, a Rússia mostrava o que fazer. Sochi, sede da Olimpíada de Inverno de 2014, construiu seu belo parque olímpico com ginásios e áreas para as diversas modalidade e nos amplos espaços entre as instalações montou a pista que sedia o GP da Rússia. De quebra, no mesmo local, foi erguido o estádio que recebeu jogos da Copa do Mundo 2018.

Circuito da Gávea, 1934, no início da Avenida Niemeyer

Na Marquês de São Vicente. Reprodução
Vale lembrar que entre 1933 e 1954, o Rio tinha o seu GP, corrida internacional disputada nas ruas. Era o Circuito da Gávea que, a partir de 1950, recebeu provas da Fórmula 1.


Os carros percorriam as ruas Marquês de São Vicente, Estrada da Gávea, Avenida Niemeyer, Visconde de Albuquerque, Bartolomeu Mitre, contornando o Morro Dois Irmãos. Manchete (acima) cobriu a prova de 1954.

Transformar o Aterro em pista certamente vai gerar discussão. Os projetistas de circuitos encontrariam uma solução para aproveitar as duas longas retas do parque, com curvas nos retornos. O local é tombado e os jardins de Burle Marx ficariam expostos a danos, mas tecnicamente seriam protegidos. Só a Federação Internacional de Automobilismo e a FOCA (Formula One Constructor´s Association), que controla a Fórmula 1, poderia aferir a qualidade do asfalto, se apto ou não a receber os Mercedes, Ferrari, Renault, RBS etc.

Polêmica teria, caso a ideia fosse em frente. Mas uma coisa é certa: o cenário carioca seria campeão mundial.

Mordillo: o humor faz silêncio

Página de Mordillo na Manchete, em 1973. 

Mordillo - Reprodução

O argentino Guillermo Mordillo tornou-se conhecido no Brasil em 1973 através das revistas Ele Ela e Manchete que publicavam regularmente seus cartuns. Na época, ele morava em Paris e trabalhava para a Paris Match, uma parceira da Manchete. 
A partir de 1976, seus cartuns ilustraram o programa "Planeta dos homens,da Rede Globo
Mordillo morreu no último sábado, aos 86 anos, na Espanha.