quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Memória da farra em dose dupla

Ontem, dois importantes colunistas - Elio Gaspari, do Globo e Luiz Fernando Vianna, da Folha - jogaram alguma luz sobre a farra das privatizações nos anos 90, aquela feita com cortina de fumaça e farta indigestão de "moedas podres". A propósito da crise sobre o controle de gestão da Vale, Gaspari relembrou o "golpe de mestre" dos artífices da venda da empresa: foi "vendida", mas curiosamente a participação pública, ou seja, o investimento público (Tesouro, BNDES, Fundos) lá ficou, ainda folgadamente majoritário. Só que um "acordo de acionistas" deu o controle ao grupo liderado pelo Bradesco, que comanda a Vale com 21% das ações até hoje e foi quem nomeou para dirigí-la o atual presidente da empresa, Roger Agnelli. "A Vale foi privatizada em 1997. Num lance exemplar da privataria tucana, o dinheiro da Viúva continua lá mas a senhora não manda", escreveu Gaspari.
A outra empresa privatizada pelo PSDB, a Supervia dos trens suburbanos cariocas, foi o assunto da coluna de Luiz Fernando Vianna, a própósito do recente quebra-quebra promovido por usuários revoltados com os serviços prestados pela concessionária. Em 11 anos - escreveu o colunista - a Supervia recebeu do governo estadual 285 milhões de reais e vai receber mais 500 milhões até 2016, sem falar de um financiamento do Banco Mundial obtido pelo governador Sérgio Cabral.
Na maioria dos casos, a privatização é necessária, certo? (acho apenas que serviços públicos não deveriam entrar nesse pacote). O problema é que, aqui, empresas foram presenteadas a preço vil e "moeda podre". E a maioria, mesmo após "privatizada", não largou as tetas estatais. Empresas privadas e livre iniciativa são motores essenciais a qualquer país, mas que a iniciativa se livre também dos cofres do governo. Ou será que é impossível empreender sem uma chupetinha amiga no tesouro público?
Um bom e suprapartidário tema para a próxima campanha eleitoral.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

No Rio ensolarado, gaiato coloca boné no Zózimo

Rio hoje

Olho vivo na Copa 2014

O governo estaria estudando igualar as condições de financiamento público para reforma e construção de estádios públicos e privados. Até agora, a determinação era ceder a bufunfa apenas a governos estaduais e prefeituras. Serão empréstimos a juros baixos com três anos de carência e dez para pagar. Nada contra. Mas que essa graninha dos nossos impostos que vai mais uma vez para o setor privado tenha algumas condições embutidas. Por exemplo, que os proprietários sejam obrigados a ceder gratuitamente estádios e ginásios, por determinados períodos, para treinamento e prática esportiva de atletas e alunos de escolas e universidades públicas. Seria o mínimo, em matéria de contrapartida social para ter direito ao subsídio do estado. Senão, vai ser a moleza de sempre.

Se a Arena do Pan é casa de shows, que tal transformar o Canecão em quadra esportiva?

Em meio à repercussão da conquista do Jogos Olímpicos Rio 2016, já se falou aqui sobre o precário aproveitamento das caríssimas e modernas instalações do Pan 2007. Pois o Globo de hoje mostra a triste realidade: o Rio se prepara para receber pela primeira vez em 27 anos o Sul-Americano de Levantamento de Peso mas os atletas, na falta de ginásio para treinar, estão se exercitando no... Velódromo. Que também será o palco improvisado das competições oficiais. De olho na Olimpíada, a imprensa, obviamente, critica e deve criticar muito, está no seu papel essencial, aspectos da formação, preparação e treinamento de atletas, além da qualidade de ginásios, piscinas e pistas. Mas tem omitido que ali bem ao lado do Velódromo há um sofisticado ginásio construido para o Pan, com verbas públicas, e hoje transformado em casa de shows. Não está na hora de o poder público estudar uma maneira legal de desfazer os tais arrendamentos de estádios e arenas e cedê-los ao COB, por exemplo? Se não fosse o COB que, por falta de empresários interessados, assumiu o Velódromo e o Parque Aquático Maria Lenk, o Sul-Americano de Levantamento de Peso iria acontecer aonde? No Canecão? As instalações para as Olimpíadas ficarão prontas às vésperas de 2007 ou no próprio ano dos Jogos. Muito antes disso, os atletas vão precisar de locais decentes para treinamentos. Alô, Eduardo Paes, diz aí!

Ajoelhou tem que rezar

Recentemente, este blog comentou a explosiva mistura política+religião em curso no Brasil e estimulada por todos os partidos. Da criacionista Marina Silva aos "devotos" Serra e Dilma, está todo mundo surfando na fé. Bom que fossem apenas posições pessoais, sem que a religião estivesse marcando projetos, atos administrativos, isenções fiscais e até desvios de verbas públicas. A liberdade religiosa que a Constituição garante não pode ser sinônimo de imposição ou ditadura religiosa. Sob o título "Que se Cuidem os Infiéis", a revista Carta Capital dessa semana mostra, em reportagem de Gilberto Nascimento, como grupos evangélicos e católicos estão avançando sobre os meios de comunicação. Já são milhares de estações e retransmissoras de TV e emissoras de rádio. As redes ainda com características "leigas" perdem, com a influência de políticos, retransmissoras regionais. Na difusão dessa imensa cadeia, um objetivo claro e assumido: montar bancadas de vereadores, prefeitos, deputados, senadores e, enquanto aguardam força para lançar candidato próprio, ter poder decisório na Presidência da República, seja lá quem for o vencedor da próxima corrida ao Planalto. Preceitos fundamentalistas religiosos já viraram leis em várias cidadades e estados do Brasil. Nesse ritmo, não será ficção imaginar que em alguns anos teremos arremedos de "talibãs" tupiniquins batendo nas nossas portas. Será a versão carola e crente do fatídico "ame-o-ou-deixe-o".

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Vídeo ultramarino

Maitê Proença fez piada portuguesa... em Portugal, os patrícios se ofenderam, consideraram os comentários preconceituosos e exigem que a atriz peça desculpas. O vídeo, que foi exibido no GNT em 2007, vazou na internet e tem milhares de acessos no You Tube. A polêmica foi acirrada agora a partir de um reportagem publicada pelo "Jornal de Notícias", de Lisboa. O canal divulgou uma nota pedindo desculpas aos portugueses.
Com licença de Camões, veja o vídeo no link "assinalado"...
Maitê em Portugal

Muggiati dará curso sobre 100 anos de Jazz

Em novembro, nos dias 9, 16, 23, 30, o jornalista e escritor Roberto Muggiati dará um curso sobre 100 Anos de Jazz no Pólo de Pensamento (Rua Conde Afonso Celso, 103 - Jardim Botânico - CEP 22461-060 Tel. (21) 2286-3299 e 2286-3682).

Confira a programação:

9 de novembro
O que é jazz? Blue note: a célula-mater. A matéria-prima do jazz: standards, blues etc. (Ilustração musical do cd What's Jazz– uma aula magistral do maestro Leonard Bernstein).
16 de novembro
A história do jazz: como e onde surgiu. Componentes sociais e geopolíticos que deram início ao gênero musical. As primeirasmanifestações do jazz e suas características.
23 de novembro
Um panorama de estilos: o jazz tradicional e suas primeiras gravações. As Big Bands; a revolução do bebop; os anos 1950/1960/ 1970; a Bossa Nova; a ascensão da fusion; a volta de Miles Davis; as novas divas e os novos Sinatras.
30 de novembro
O erudito descobre o jazz: Ernest Ansermet e Sidney Bechet. O jungle sound de Duke Ellington e a arte africana. Jazz e dança:do Cotton Club a Hollywood. Anos 1960: a Igreja de St. John Coltrane. A imagem do jazz no século 21.
Muggiati é jornalista e escritor. Autor dos livros O que é jazz, Blues: da lama à fama e Improvisando Soluções: O Jazz como exemplo para alcançar o sucesso, entre outros, como a coletânea Aconteceu na Manchete - As Histórias que Ninguém Contou. Trabalhou na BBC em Londres, período em que viu e ouviu de perto gigantes como Duke Ellington, Thelonious Monk, Miles Davis, Chet Baker, Bud Powell, Bill Evans, Gerry Mulligan e Dexter Gordon. Foi diretor da revista Manchete.

Olha o carro aí!


Por Eli Halfoun
Todos reclamam do confuso e violento trânsito das principais capitais brasileiras. Entre os maiores “chiadores” estão justamente os que a bordo de seus carros são os responsáveis pelas “barbeiragens” e esquecem que quando não estão escudados por seus veículos também são pedestres e, portanto, alvos fáceis para os motoristas (se é que assim se pode chamar a maioria que dirige irresponsavelmente).
O trânsito é, sabemos todos, mas nem assim nos mancamos, uma das principais causas de morte no Brasil. Se a nossa educação tiver que ser avaliada por nossa conduta nas ruas (no trânsito, mais especificamente) pode-se concluir facilmente que formamos um povo completamente mal educado. Pode ser que isso mude (será difícil, muito difícil) agora que a Câmara dos Deputados promete votar (digo promete porque nunca se sabe quando os senhores deputados irão trabalhar ao menos um pouquinho) a revisão do Código de Trânsito Brasileiro, o que se faz fundamental agora que receberemos, com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, milhares de visitantes. Entre as novas propostas estão:


1) redução de velocidade máxima permitida nas rodovias,


2) aumento de idade mínima para passageiros de motos.


3) proibição de circulação de motos entre os carros,


4) multas mais pesadas para quem pratica rachas,


5) prazo maior de detenção para quem causa a morte de alguém por dirigir embriagado. Seriam sem dúvida ótimas medidas se as leis fossem realmente cumpridas nesse país ainda tupiniquim, mas como por aqui as leis não pegam, o trânsito continuará sendo uma poderosa arma contra esse povo que já tem que se defender diariamente de tantas ameaças.
É verdade que a culpa geralmente é do motorista, mas não se pode esquecer que muitas vezes é o pedestre o mais abusado (não espera o sinal fechar, atravessa fora das faixas, faz um zig-zag entre os veículos e caminha margeando a calçada e não na calçada como deveria fazer para sua própria, mas nem sempre total proteção). Por isso talvez seja o caso de revisar (ou criar uma nova) a lei de conduta do pedestre. Pedestres educados são capazes podem, sim, de acabar com os motoristas mal educados. Pode-se argumentar que seria mais uma lei para ficar apenas no papel, mas só até o dia em que aprendermos a cumprir a lei.
Que não pode continuar sendo só a do mais forte

Deu no Jornalistas & Cia...

A Editora Três lancará em janeiro uma nova publicação. Trata-se da revista "2016". Serão 30 edições. A série se encerra com a cobertura completa dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

2016 besteiras

Que os Jogos Olímpicos são uma ótima pedida para o Rio, ninguém duvida. Mas os cariocas devem ficar atentos às idéias que vão aparecer nos próximos sete anos. O ex-marido da Luma acordou ontem com um brilhante projeto: construir um trem suspenso entre o Aeroporto Santos Dumont e o Hotel Glória, que "por acaso" é dele. Alô moradores, olho vivo! Já pensaram em um viaduto pra turma da ponte-aérea andar em cima e neguinho mijar embaixo fechando a vista do Pão de Açucar, da Praça Paris, da Fortaleza de São João? Pois é. Diz o jornal que a idéia será levada ao prefeito. Engajado em 2016, Omelete pede passagem, também vai ao Palacio da Cidade e entra nessa temporada de humor (só pode ser isso), com outras idéias sensacionais para o Rio 2016.
1) Um piscinão em volta do Cristo Redentor. Assim, os turistas já visitariam o monumento-símbolo do Rio e, ao mesmo tempo, pegavam uma prainha. Seria o Water CorcoBeach.
2) Demolir a Biblioteca Nacional (e jogar aqueles livros empoeirados fora), passar o trator no Theatro Municipal e construir, de um lado, uma pista de patinação no gelo, do outro, uma academia de ginástica. SnowFitness será o nome do novo espaço de lazer sofisticado no lugar daquela indigência triste da Cinelândia.
3) Para não dar a impressão de que tudo isso não é projeto apenas para ricos e famosos e cumprir com alguma responsabilidade social, a Praça Paris será transformada em uma grande galpão para aplicação de botóx que vai recauchutar a população carente do Rio. Tudo de graça, é o Bolsa Botóx bancado pela iniciativa privada em parceria com a Lei Rouanet. Claro, mendigos e sem-teto também querem ficar bonitos na Olimpíada. Será o Poor is Beautiful Spa Center.
4) O Jardim Botânico é um matagal. Pega mal para uma cidade que quer receber milhões de visitantes até 2016. Aquilo dá mosquito. Está passando da hora de rolar a motosserra em tudo. Aquele espaço em plena Zona Sul tem tudo para ser palco de shows, lutas, local para grandes competições como aquelas sensacionais provas de "demolição", aquelas em que carrões se chocam e se destroem, emoção pura, ui. O nome é Emotion and Happiness - Yes We Can.
5) O Pão de Açucar é bonito mas parece meio terceiro mundo. Tem que cobrir aquilo de neve artificial, deixar parecido com os Alpes, construir umas cabaninhas de madeira. Claro, o bondinho não daria conta de levar a multidão que teria acesso a esportes de inverno lá em cima. Seria construída uma grande rampa rolante desde a praia de Botafogo. Outra ramificação da grande rampa irá até Niterói. Será o Aspen in Rio.
6) O próprio Aterro é um desperdício. Ali serão construidos condomínios de luxo que irão até o mar. Haverá segurança, o Residence Riviera de Chamonix de Ibiza de Hamptons de Jersey de Côte D'Azur de Santa Barbara de Venice de Aruba de SunCity estará cercado por muralhas de vidro a prova de bala. Tudo com forte preocupação social, haverá áreas para chás beneficentes, leilões, uma esteira rolante levaria sobras de caviar, pato laqueado, queijos e vinhos direto para um subterrâneo onde os pobres receberiam suas merecidas calorias. Se não gostarem de vinho, sem problemas, terão a opção de um cachaçoduto de torneiras douradas que disponibilizará e precioso líquido, agregando conteúdo ao povão.
7) Os hotéis do centro da cidade recebem muitos turistas mas estes, coitados, não têm acesso às praias. O Rio precisa corrigir essa injustiça que compromete a imagem da cidade. Será construído um fantástico tobogã. Será feito em acrílico transparente, no interior correrá água mineral Perrier. Erguido sobre imensas torres passará acima dos edifícios e terá portais que desaguarão direto nas praias de Ipanema, Leblon, São Conrado e Barra. Será o Gringo Star System.
8) O Rio é maravilhoso mas temos que reconhecer nossos problemas de segurança. Não queremos que os visitantes tenham dissabores. O projeto do Tourist Solar Tube vai resolver isso. Serão vias suspensas, instaladas a três metros de altura sobre as calçadas, um free way exclusivo para os turistas. Com ar condicionado, proteção contra ruídos e esteiras rolantes, os visitantes passearão pela cidade evitando maiores contato com moradores de rua e pivetes. No Tourist Solar Tube haverá pequenas janelinhas para que eles possam, se quiserem, jogar alguns dólares como contribuição social aos cariocas carentes ou simplesmente acenar e falar "Hi" em sinal de solidariedade.
9) A Lapa é um problema. Prédios velhos, aspecto decadente... Mas é um espaço carioca e esse espirito deve ser mantido. Tem que demolir tudo e montar um complexo cultural que faça grandes homenagens aos tipos da cidade. Turista não gosta de safári? Pois eles iriam à Lapa selvagem conhecer as principais manifestações da cidade. Em carros blindados sobre trilhos testemunhariam de perto cenas reais de assaltos, consumo de crack, pagamentos de propinas a políticos, empresários subornando políticos, político empregando parente, a cervejinha do guarda, boa-noite cinderela ao vivo, pit boys em ação, mulheres melancia, abóbora, hortifrutis em geral, a dondoca típica em plena obra social, famosos em áreas vips, arrastão, guerra de traficantes, como se faz dvd pirata, gatonet, gatolight e gatogás. O BNDES e a Lei Rouanet apoiarão a montagem do empreendimento cultural Rio Wild World.
10) E, por último, um pedido dos turistas: reconstruir a Help. Pode ser ali onde hoje é o Museu da Imagem e do Som. Imagem e som tem tudo a ver com a Help. Ou no Palácio da Cidade, que vai ficar meio ocioso, já que o que não vai faltar até 2016 é neguinho dando uma de "prefeito", cheio de idéias, para "ajudar" o Rio Olímpico. Será a Help Me!. Ou Help Us!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Tá beleza!!!!

Serra politicando no Santuário de Aparecida, Dilma politicando no Círio de Nazaré. Um no ombro amigo de Quércia, outra de braços dados com Jáder. Esse jogo tá um a um. Valhei-nos, vamos ter que rezar muito...

A maratona do Obama

Obama está trabalhando dobrado. Quem mandou tentar mexer em privilégios? Quando não despacha na Casa Branca, o presidente americano é obrigado a percorrer programas jornalísticos de TV, shows e talk-shows. Não demora muito, vai acabar em um reality show. Tudo para falar sobre a reforma do sistema público de saúde do país. Obama se queixa, e demonstra isso com dados e detalhes, de que a opinião privada da mídia comercial tem deturpado as suas propostas na tentativa de colocar a opinião pública contra o projeto. Ontem, no programa do Dave Letterman, exibido no Brasil pelo canal GNT, Obama falou sobre a grave crise do sistema de saúde entregue, tal como aqui, ao mercado dos planos de saúde. Disse que há 30 milhões de americanos que já não têm condições de pagar as suas mensalidade. Apesar da deflação, as taxas mensais aumentaram em mais de 5%. Nos últimos oito anos, acumularam um aumento de mais de 130%. Contou que há casos dramáticos de famílias que em situações de doenças graves de filhos são obrigadas a se desfazer de casas, carros e outros bens para pagar tratamentos caros. Revelou que os planos de saúde aumentam as mensalidades e, ao mesmo tempo, desenvolvem fórmulas para excluir tratamentos e tirar do usuário direitos a procedimentos mais caros. Percebeu alguma semelhança com o lado de baixo do equador? Como os planos estão ficando caros também para as empresas, muitas já estão deixando de oferecer cobertura e seguro de saúde nos contratos de trabalho E, para concluir, disse Obama que não está propondo a estatização da saúde, como a mídia comercial tem propagado. O que pretende é que o Estado crie fórmulas para ajudar os contribuintes a pagarem seus planos de saúde. O que o governo não pode, disse, é cruzar os braços e deixar milhões de pessoas entregues à própria sorte.

Ironia de periodista 1


Há uma preocupação justificada, diga-se, com a gastança que vem por aí em função da Copa de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. São dois eventos importantíssimos para o Brasil e o Rio. Que a imprensa, o Ministério Público, instituições e a sociedade civil cobrem, fiscalizem e acompanhem todo o processo. Mas com isenção. Veja o título de um jornal de hoje: "Clubes terão desconto de IPTU para treinar alunos". É bom que o contribuinte saiba que está pagando duas vezes por isso. O Globo esqueceu de dizer que estádios e instalações esportivas do Pan 2007, construídos, como se sabe, com vasta dinheirama pública..., deveriam ter exatamente essa destinação... pública. No projeto do Engenhão, por exemplo, havia pistas de externas de atletismo que seriam destinadas a receber alunos de escolas públicas, formar novos talentos etc. O estádio olímpico foi arrendado a precinho camarada a um clube de futebol, endividado, que, pelo contrato, deve cuidar da manutenção do conjunto e devolvê-lo em perfeito estado ao fim da concessão. Vai conseguir? A bela Arena, na Barra, também foi arrendada e virou casa de shows. Cobra tão caro para receber eventos esportivos de vôlei, basquete e futebol de salão que os promotores desses campeonatos, alguns importantes eventos internacionais, preferem o velho Maracanazinho, que, aliás, foi reformado para o Pan e está em ótimas condições. Como vítima do deboche, o contribuinte, que ajudou a pagar aquele gigante, nem sequer tem condições de pagar para assistir aos caríssimos shows que são a atividade número um da Arena ex-esportiva. O Velódromo e mesmo o conjunto aquático Maria Lenk, estes em poder do Comitê Olímpico Brasileiro, estão praticamente ociosos. Curiosamente, os jornais criticam os gastos do Pan, no que estão certos, mas preferem omitir os danos sociais provocados pela privatização predatória das instalações. A crítica ao descontrole de gastos também deveria valer para a absurda transferência de recursos e investimentos públicos para empresários privados. Ou não?

Ironia de periodista 2


Curiosidade: o mesmo jornal que fez um campanha feroz e fanática contra a educação pública em tempo integral, os Cieps, lembram?, "descobriu", ontem, que faltam quadras esportivas nas escolas. Na época, anos 80, o acirrado combate político ao projeto de Darcy Ribeiro destacava pecisamente o "absurdo" de se gastar dinheiro em quadras, piscinas, assistência médica e dentária para alunos de escolas públicas. Sem outros comentários.

Cartões (não) postais

Para comemorar seus 90 anos, a revista Vogue francesa promoveu uma exposição de 122 capas espalhadas no Champs-Elysées...
...há exemplares de 1920 a 2009 que retratam estilo e design de cada época...



...entre os fotógrafos, nomes como Richard Avedon, Helmut Newton, Andy Warhol e mesmo um "frila" inesperado de Salvador Dalí (outras imagens podem ser vistas no site www.vogue.fr.




Em Giverny, o lago das Nympheas no jardim impressionista de Claude Monet guarda a mesma paz...





...que se vê no túmulo do roqueiro Jim Morrison, do conjunto The Doors, no cemitério do Père Lachaise, em Paris.




Em Londres, protestos diante do Parlamento ainda contam os mortos no Iraque...






...e denunciam os campos de concentração do Sri Lanka.








Praga, como revela o livro Gomorra, comentado neste blog, já é alvo do crime organizado. Alguém escreveu sobre o quadro do cardápio de um restaurante italiano o nome da ameaça silenciosa.







Às margens do Sena, um exposição de fotos, a 2ª Biennale des Images du Monde. Fotógrafos de vários países traduziram em um click seu sentimento sobre a terra natal. A foto acima, do brasileiro Julio Bittencourt, capta moradores de rua nas janelas do prédio em ruína que invadiram no centro de São Paulo.









Entre os túmulos famosos no Père Lachaise, uma inusitada sepultura dedicada ao célebre jornal comunista L'Humanité. Não há qualquer outra indicação na pedra. Especulação dos visitantes: destina-se a receber ilustres redatores ou a guardar para a posteridade exemplares encalhados da combativa publicação.









No Père Lachaise, o comunismo ganha tumba, nas ruas de Praga é tema de espetáculo político-pornô anunciado em cartazes explícitos.











domingo, 11 de outubro de 2009

Por dentro do crime, a saga de um repórter

Este livro aí ao lado já está na sexta edição em português (Editora Bertrand Brasil) mas só o li agora. Talvez muitos de vocês já o conheçam. Gomorra é uma impressionante reportagem sobre o crime organizado, as diversas facções de máfias que agem em Nápoles. Um jornalista, o napolitano Roberto Saviano, se infiltrou na Camorra, a mais violenta máfia italiana, e produziu um relato chocante sobre a maneira de operar, e de fazer negócios, da poderosa organização criminosa. O New York Times definiu Gomorra como "o livro mais importante publicado na Itália em anos". Ao ler no Globo de hoje uma grande reportagem sobre o crescimento do fascismo na Itália, sob a benção do folclórico mas perigoso Berlusconi, recordo a ligação íntima e histórica entre o fascismo e a máfia, de resto, uma coligaçao de conservadores+conservadores, traço comum que se afirmou nos tempos do Mussolini como a história registra. Juntos, são a pólvora e o fogo. O livro de Roberto Saviano revela que a Camorra, neste novo e "favorável" clima político, somou aos "negócios" tradicionais - a venda de drogas, de proteção, a extorsão, prostituição e contrabando - braços industriais, empreiteiras, confecções, aterros sanitários, pirataria e clonagem de produtos. Como consequência da acelerada diversificação das atividades criminosas, cresceu a violência. Para defender território, intimidar e conquistar novas áreas, a Camorra mata. E mata cada vez mais. Foram milhares de execuções nos últimos anos. Mas além dessa face de sangue, os criminosos agem também em salões políticos. O livro mostra que a Camorra, através de empresas de fachada, contou com a "ajuda" de funcionários públicos para vencer recentes licitações para construções de estradas, linhas ferroviárias e outras obras de grande porte. Escutas telefônicas mostram, segundo Saviano, que em certas operações comerciais os mafiosos são parceiros de marcas famosas que estão nas vitrines de shoppings e supermercados de todo o mundo. Gamorra deveria ser o livro de cabeceira de políticos e juízes brasileiros. Aparentemente, o crime organizado, no Brasil, está em estágio anterior à fase atual e ao modus operandi comercial-industrial das gangues napolitanas. Mas pode chegar lá. É o próximo capitulo. Vale lembrar que por aqui também já foram denunciadas ligações perigosas entre autoridades e traficantes. E já há incipientes incursões do crime organizado em negócios como venda de gás, transporte pirata, sinal de TV a cabo, pirataria etc.
O Brasil vai sediar um Copa e o Rio, em seguida, uma Olimpíada. São duas importantes conquistas e devem ser celebradas. Que os políticos e administradores tenham em mente que não só as obras físicas e estruturais farão o sucesso dos dois grandes eventos. A cidadania também deve entrar em campo. E ser cidadão inclui direitos, como o de ir, vir e chegar vivo. Coisa que nós, brasileiros comuns, os sem-carro blindado e sem-segurança particular ou funcional, não temos. Que, além da construção de estádios, se pense em uma operação nacional de proporções olímpicas que reúna políticos, juízes e instituições policiais, que se atualize o código penal e que se combata a impunidade. Ou o Brasil faz esse gol de placa ou não teremos motivos para comemorar taças e medalhas. E só ler trechos (abaixo) do Gamorra e verificar que não moramos em Nápoles mas já dá para fazer uma idéia do que Roberto Saviano está falando:
"Nasci na terra da Camorra, no lugar com o maior número de assassinatos da Europa, no território onde a violência está ligada aos negócios, onde nada tem valor se não gera poder (...) Na terra da Camorra, combater os clãs não é luta de classe, afirmação de direitos, reapropriação da cidadania. Não é tomada de consciência da própria honra, tutela do próprio orgulho. É algo mais essencial, mais visceral (...) Posicionar-se contra os clãs se torna uma guerra pela sobrevivência, como se a própria existência, a comida que você come, os lábios que você beija, a música que você escuta, as páginas que você lê não lhe dessem o sentido da vida, mas somente o da sobrevivência."

Corrida sem ouro

Por Eli Halfoun
Em sua coluna de O Globo o bem informado Ancelmo Góis revela que o setor de penhores da Caixa Econômica teve esse ano aumento de 4,6% em relação ao mesmo período (janeiro a setembro) do ano passado. A Caixa penhorou 6.542.891 de jóias, o que equivale a “empréstimos” R$ 4,05 bilhões. Como se anuncia que a pobreza do país diminuiu e que a população está até comendo mais, mas não melhor, algum outro motivo, que não apenas a necessidade de pagar dívidas anda levando mais usuários ao setor de penhores da Nossa (Deles) Caixa. Como ter jóias não é luxo de pobre, mas sim das classes média (que também é pobre) e alta, não é preciso nenhum estudo aprofundado para concluir que essa corrida aos cofres da Caixa está sendo motivada por medo: na verdade ninguém mais tem coragem de sair desfilando por aí exibindo jóias verdadeiras e diante do aumento de assaltos em residências, nem de deixá-las guardadas em casa. Ou seja: no cofre da Caixa as jóias estão mais bem guardadas e supostamente garantidas. Pelo menos por enquanto. Até que os assaltantes também cheguem lá.
Chegarão se a segurança não for mais competente do que se tem mostrado até agora.

Velhos ou experientes?

Por Eli Halfoun
A notícia de que nos próximos anos (e não tantos assim) o Brasil terá uma população de idosos maior do que a de crianças até 14 anos, impõe uma importante questão: será que estamos preparados para cuidar e principalmente conviver com nossos velhos?
Mais do que uma questão os números revelam a imediata necessidade da criação de programas sociais que permitam aos idosos uma melhor qualidade de vida. Envelhecer é sem dúvida uma vitória, mas envelhecer com saúde e dignidade é um direito – um direito conquistado não só por conta dos avanços da ciência, mas também e especialmente porque os quase sempre rejeitados velhos de hoje ajudaram a construir essa velhice e a juventude ainda saudável do Brasil.
Aliás, uma das primeiras medidas a serem adotadas é a de ensinar aos jovens a conviver respeitosamente com seus idosos – o que um dia eles, os jovens de hoje também serão. Graças aos velhos de agora. A juventude (não toda, é verdade) costuma desprezar os idosos, geralmente considerados superados, repetitivos, enfim, uns chatos. Não pode e não deve ser assim: afinal é experiência dos velhos que pode melhorar o futuro dos jovens que precisam aprender definitivamente as respeitar a sabedoria daqueles que hoje podem caminhar exibindo com orgulho os cabelos brancos, símbolo de luta e de vida vivida.
O aumento da população de idosos deixa outra certeza: a de que a população brasileira irá fatalmente diminuir. Velhos não querem mais ter filhos e por mais que os avanços da ciência lhes permita viver por muitos anos um dia partirão. Deixando uma saudade ainda maior se não aprendermos com urgência a usufruir das experiências de vida que esses doces velhos ainda podem ensinar. E ensinam.

sábado, 10 de outubro de 2009

Sejam bem-vindos!




Depois de curtirem merecidas férias se deliciando com outono de Praga ou passeando nos famosos jardins da casa de Monet, em Giverny ou bebendo aquele vinho delicioso as margens do Sena ou no grande Ben em Londres, que tal voltar para a cidade mais linda e maravilhosa do mundo, escolhida para sediar os Jogos Olímpicos de 2016?
Meus queridos e amados amigos o Rio de Janeiro e Eu lhe desejamos boas-vindas!
Cliquei um dos momentos mais emocionantes da festa para comemorarmos juntos no Chico & Alaíde. Foto/Reprodução do JN/TV Globo

terça-feira, 6 de outubro de 2009

No The Times o assunto Nelsinho Piquet ainda vale página dupla

E o piloto brasileiro continua sem noção, acha que prestou um grande serviço ao esporte mas acabou como a "maior vítima". Como se ele não tivesse sido o autor da batida.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A "Casinha"

A "Casinha"tem um capitulo à parte na história do homem na sociedade em que vive. Primeiro precisamos saber o que é a "Casinha". Nós aqui no Novo Mundo, herdamos do Velho Mundo, trazidos pelos portugueses, nossos conquistadores, todas as suas tradições, modismos e manias de sua milenar civilização. Por explicada razão, o homem tinha o maior desprezo e nojo de suas necessidades fisiológicas. Em razão dessa repulssa natural, procurava sempre se manter longe do local onde se desfazia delas e para tal, escolheu o quintal de sua casa, quando não havia um matagal por perto. Para isso, construiu no quintal um pequeno comodo, em principio de madeira, onde só cabia uma pessoa e lá dentro abriu um pequeno buraco – bem fundo – onde o seu emprestável material orgânico era despejado. Mais tarde, com o aparecimento do vaso sanitário, que veio substituir o buraco, essa construção assumiu ares mais importante e passou a ser identificado como a "Casinha".
Na Idade Média, as famílias usavam palhas no chão de suas casas para ocultar e diminuir o mau cheiro decorrente dessas necessidades. No final do século XIX e no ínicio do século XX, nos sobrados de beira-de-rua, como não tinham quintal o uso urinol era largamente explorado e quando estavam cheios o seu conteudo era imediatamente jogado, a qualquer hora do dia ou da noite, pela janela de suas casas, indo cair no meio da rua, não raro atingindo algumas pessoas, que por falta de sorte, passavam pela rua naquele trecho e naquela hora, deixando-as emprequetadas dos pés à cabeça.
Com o tempo, a modernização dos costumes e da arquitetura levou para dentro das casas a famosa "Casinha". Sim, foi para dentro das casas mas, como o seu último cômodo, em compensação ganhou um elegante vaso sanitário no lugar do primitivo buraco. Os banhos de corpo inteiro continuaram a ser tomados em elegantes bacias dentro dos quartos de dormir. Mais tarde vieram as banheiras, com pinturas agrestes nos seus lados, que pudemoa apreciar nos filmes de "far west" americanos, onde os mocinhos se lavavam apreciando um charuto, acompanhado de doses de uísque e o inseparável "Colt 45" pendurado em uma cadeira ao alcance de sua mão.
Mas, o mundo caminha a passos muito largos. Diante da modernidade que velozmente modificava o comportamento da sociedade, o homem entendeu, que a "Casinha" – agora com um novo nome, passou a ser chamada de "Banheiro" – deveria não só estar dentro de casa como o seu lugar certo seria dentro do quarto de dormir. E assim foi e hoje temos banheiro em todos os quartos de dormir.
Dessa maneira o homem se vingava do castigo de por séculos se ver obrigado a usar um buraco dentro de uma "casinha", fora do abrigo de sua casa, enfrentando um sol abrasador ou temporais diluvianos para satisfazer as suas necessidades fisiológicas.

O grande Ben

O Panis continua rodando por aí...

sábado, 3 de outubro de 2009

Praga pós-comunismo: prédio apelidado de Ginger e Fred, dois blocos que imitariam passo de dança.na verdade é brega, com estátua da Liberdade na Barra

Capitalismo em Praga

Anti-semitismo em Praga

Pichação na vitrine de uma loja de artigos judaicos, em frente à sinagoga. O Panis fez o registro minutos antes de ser apagado.

Heróis da Primavera de Praga

Ainda cultuados, quarenta anos depois, no local onde Jan Palach se imolou.

Mega churrasquinho

Este pernil de porco, servido com pão preto fatiado, é vendido aos montes em uma barraca na praça da Cidade Velha. Deve ser o recordista em calorias e colesterol. Haja coração!

Por aqui na Tv só dá RIo 2016...e os cariocas merecem a festa

Álbum de noiva em Praga

Cena urbana

Em Praga, na Praça da Prefeitura da Cidade Velha, noivos posam para o tradicional e universal 'album de fotos do casamento. A câmera paparazzo à direita e' da J.Razze

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O Carteiro

Essa última greve dos Correios me fez lembrar os meus anos de infância e juventude, lá pros idos de 30 e 40 quando a vida era mais tranquila e sem muitos problemas, apesar da segunda guerra mundial, que se travava em terras européias. Naquela época, existiam os entregadores de pão, de leite, de legumes e os Carteiros. Muito cedo, esses entregadores deixavam nas portas de nossas casas o pão e o leite para tomarmos o café da manhã e os legumes para o almoço.
Dentre eles, destacava-se o Carteiro. Uma figura muito importante nas nossas vidas porque era ele que fazia o elo entre os parentes e amigos em terras distantes com a cartas, que era talvez, o único meio e o mais certo de comunicação entre as pessoas naquela época. O telefone era muito mais que luxo. Praticamente não existia. O Carteiro existia. Depositário fiel das cartas que traziam as confidências da mulher amada, do choro do amante saudoso, da saudade do amigo correndo o mundo, das lágrimas de dor do filho ausente. Enfim, as cartas que encerravam todas as dores e todas as alegrias do mundo eram confiadas a ele para entregar a uma mãe saudosa as palavras de amor do filho longe, do noivo em serviço militar, da declaração de amor do jovem apaixonado e por isso era, ansiosamente, aguardado nos portões de nossas residências.
Assim, se tornou o Carteiro uma figura tradicional e respeitado na sociedade de então.
O Correio foi a instituição mais consagrada e respeitada em todo o mundo pela importância de seu serviço e ele, o Carteiro, passou a ser a figura heróica e representativa desse trabalho.
Nos Estados Unidos da América, William Cody, mais conhecido por Buffalo Bill, o herói do Oeste Selvagem foi o primeiro carteiro, montado à cavalo, entregando cartas, em todo Oeste, fugindo dos Índios selvagens para cumprir a sua tarefa.
No Brasil tivemos o CAN, Correio Aéreo Nacional, que sem cavalos, mas com aviões cumpria a tarefa de distribuir a correspondêcnia em todo território nacional
Esses pilotos também se sacrificavam, porque era um trabalho sem muito apoio técnico, com pistas de pouso improvisadas, arriscavam as suas vidas para cumprir a missão de entregar a correspondência a tempo e a hora em povoados distantes.
Saknt-Exuperry, além de escritor também foi piloto de Correios. Conta ele em seus livros a aventura que era atravessar os Andes para entregar correspondência no Chile.
A figura do Carteiro hoje, faz parte da história do homem e da humanidade.
A imagem do Carteiro daqueles tempos estava sempre associada à imagem do cão correndo atrás dele, quando fazia a entrega das cartas nas residências. Por uma razão qualquer, os cães odiavam os Carteiros. Talvez Freud explique esse comportameneto canino.
Os Carteiros daqueles tempos eram tão folclóricos, que contavam casos deles com respeitáveis senhoras, que tinham sucumbido aos encantos pessoais desses galantes funcionários da mala postal. Não raro alguns desses casos os amantes eram flagrados em plena cama conjugal pelo marido ultrajado em sua honra.
Hoje, esse encanto, essa saga de um profissional entregador de cartas não existe mais. O mundo moderno acabou com as casas, seus portões de ferro trabalhados, suas varandas e seu jardins, os cães de guarda e o Carteiro daqueles tempos cedeu lugar a uma criatura fria, sem nenhuma poesia e romantismo que quer mais é entregar a correspondência aos porteiros de prédios sem varandas, sem jardins, livres dos cães de guarda, que ameaçaam morder as suas pernas e sair correndo para ir para casa e não perder a novela das 8.
Primavera de 2009
deBarros