quinta-feira, 18 de abril de 2019
Mídia: liberdade em risco
(do DW)
O Brasil, a Venezuela e a Nicarágua são os países latino-americanos onde a liberdade de imprensa piorou em 2018, segundo a classificação anual divulgada nesta quinta-feira (18/04) pela ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), que também alerta para a situação ruim no México e em Cuba.
Na 105ª colocação, o Brasil caiu três posições em relação ao ano anterior e está localizado perto da "zona vermelha", assim como a Venezuela e outros países onde a situação é "difícil" para a imprensa, como Burundi, Iraque e Turquia.
A deterioração do Brasil responde a um ano "particularmente agitado", com o assassinato de quatro jornalistas e a crescente fragilidade dos profissionais independentes que cobrem temas ligados à corrupção ou ao crime organizado, afirmou a ONG.
Para a RSF, a eleição do presidente Jair Bolsonaro, após uma campanha marcada pelo discurso do ódio, desinformação e desprezo pelos direitos humanos, "marca um período sombrio para a liberdade de imprensa" no Brasil.
LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO DW, CLIQUE AQUI
quarta-feira, 17 de abril de 2019
Notre Dame: Empresas e famílias fazem doações milionárias para reconstrução da catedral. Mas adivinhe quem pagará a maior parte dessa conta? Ele mesmo, o contribuinte francês.
![]() |
| Notre Dame: o dia seguinte. Foto de Christophe Belin/Prefeitura de Paris |
As chamas que consumiram parte de Notre Dame ainda ardiam quando milionários franceses passaram a anunciar doações astronômicas para a reconstrução da histórica catedral. Ainda perplexo, o mundo bateu palmas. E não podia ser diferente. Notre Dame é tesouro mundial e não apenas da França.
No Brasil, logo comparamos a extrema benevolência dos ricaços parisienses e grupos corporativos com a monumental avareza dos equivalentes brasileiros no caso do incêndio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro.
Passado o choque inicial, a mídia francesa começa a revelar fortes interesses fiscais na atitude dos abonados que abriram os cofres. Ocorre que até dois terços do valores anunciados vão ser pagos pelo contribuinte francês. As doações são dedutíveis em 60%, para empresas, e 66% para pessoas físicas. Apenas uma família, os Pinault, os primeiros a anunciar uma doação de 100 milhões de euros, decidiu renunciar à vantagem fiscal. E há leis locais que até ampliam em alguns casos os limites da dedução.
Antes mesmo do incêndio de Notre Dame, a filantropia como brecha fiscal já era uma polêmica na França. Algumas matérias da Forbes, Francetvinfo, Agoravoz, Sputnik News, Le Parisien, entre outros meios, perguntam se os milionários são mesmo generosos e quanto suas doações vão custar aos cofres públicos. E concluem que os bilionários fazem a boa ação com dinheiro do contribuinte.
Além do benefício fiscal, usufruem da boa publicidade gratuita, a imagem é favorecida e até os efeitos políticos das doações não são desprezíveis. Alguns grupos doadores, aponta a mídia, se habilitam a participar das lucrativas obras de reconstrução da catedral.
Então, faça o seguinte: ao ler que os grupos Bouygues, LVMH, Total, Lagardère, entre outros, doaram 100, 200, 50 milhões de euros , lembre-se do contribuinte francês comum no meio daquela multidão que assistia entristecida a destruição de Notre Dame: a maior parte dessas doações sairá do bolso dele.
Fotomemória - Serão as elites comunistas? O que Luiz Carlos Prestes diria sobre isso? Por Guina Araújo Ramos
por Guina Araújo Ramos (do blog Bonecos da História)
Em vídeo que viralizou na Internet, o atual Ministro da Educação, Abraham Weintraub, surpreendeu todo o Brasil com uma declaração bombástica: ”Os comunistas estão no topo do país. Eles são o topo das organizações financeiras; eles são os donos dos jornais; eles são os donos das grandes empresas; eles são os donos dos monopólios".
Realmente, para alguém que tenha vivido (ou se informado sobre) as últimas décadas da História do Brasil, parece difícil perceber alguma verdade nesta afirmação. Logo me lembrei de histórica personagem do movimento comunista no Brasil, que batalhou por múltiplas causas políticas no correr de praticamente todo o século XX, e fiquei tentando (mas não fui capaz de) imaginar o que Luiz Carlos Prestes diria disso...
Tentando entender o momento atual, acabo de encarar a maratona de leitura da sombria trilogia “Os Subterrâneos da Liberdade”, romance memorialista de Jorge Amado, formada pelos livros “Os ásperos tempos”, “Agonia da noite” e “A luz no túnel” (e nem este título alivia o terror que foram aqueles tempos). O autor faz um balanço da ditadura do Estado Novo e descreve a situação desesperadora dos militantes comunistas, perseguidos e torturados pelas forças policiais, ao mesmo tempo que explorados como força de trabalho pelos grandes proprietários, em indústrias e latifúndios. Ao fundo das cenas, além de Getúlio Vargas, se equilibrando entre fascistas alemães (e seus apoiadores integralistas) e imperialistas americanos (e seus sócios da burguesia local), estava todo o tempo a figura de Prestes, o mais importante preso político da época.
Com o fim do Estado Novo, Prestes foi anistiado em 1945, eleito senador pelo Rio e deputado constituinte (assim como o próprio Jorge Amado), vivendo um momento de liberdade que durou apenas até a “redemocratização” do país cassar tanto o partido quanto seus parlamentares...
Mais uma vez perseguido pela ditadura de 1964, Prestes manteve-se na clandestinidade até 1971, conseguindo então sair do país, para se exilar na antiga URSS.
![]() |
| Rio, 1979. Prestes volta do exílio e desembarca no Galeão. O líder comunista fala à multidão, que reunia delegações de vários estados. Foto de Guina Araújo Ramos. |
![]() |
| Prestes acena e agradece a recepção. Foto de Guina Araújo Ramos. |
Apenas no retorno do exílio, em 1979, tive oportunidade, é lógico, de fotografá-lo. E logo desde a chegada, ainda no aeroporto do Galeão (o hoje Tom Jobim), como parte de uma série de coberturas de retornos de exilados (incluindo Fernando Gabeira e Miguel Arraes) para as revistas da Bloch Editores, fotografando para a Manchete, sempre a cores, ou para Fatos & Fotos, em preto-e-branco.
A chegada de Prestes foi das mais concorridas, uma verdadeira multidão encheu o saguão do desembarque e se espalhou pela pista de acesso ao aeroporto, uma verdadeira aclamação.
A partir de 1980, agora pelo Jornal do Brasil, fazendo dupla com o repórter Carlos Peixoto, voltei a registrar os passos de Luiz Carlos Prestes. A princípio, acompanhando a maratona de intimações que sofreu uma delas em outubro, obrigado a comparecer à Polícia Federal, para prestar depoimentos em diversos processos, ainda dentro do quadro da ditadura de 1964. Ficou evidente que mantinha a postura altaneira, muito bem demonstrada na chegada do exílio, mas apresentou também, talvez por fidelidade às suas causas, grande simplicidade.Basta ver que, depois de horas de depoimento, e de ser acossado pelos jornalistas por longos minutos à saída, simplesmente deu alguns passos para um pouco mais distante da Polícia Federal do Rio de Janeiro, em direção à Praça Mauá, fez sinal para um táxi e lá foi ele embora em um fusquinha...
Na sequência da década de 1980, no correr dos eventos políticos em torno do governo João Figueiredo, que levaram ao fim da ditadura, Prestes volta à luta política, agora na legalidade. E resolveu apoiar, ainda que com ressalvas, a candidatura de Leonel Brizola ao cargo de governador do estado do Rio de Janeiro. Nesta campanha, fotografei Luiz Carlos Prestes em contato direto com os operários, a categoria central da classe social cujas causas, na condição de comunista declarado, sempre defendeu. Protegido por um boné em que se lia “Brizola na cabeça”, Prestes falou aos funcionários de estaleiros navais da Ponta d’Areia, bairro operário de Niterói. Apesar do apoio a Brizola na campanha de 1982, Prestes não se integrou ao seu governo, mantendo sempre postura crítica, com presença constante nas manifestações pela mudança do regime ditatorial. Foi já no governo Sarney, em 1986, que o fotografei pela última vez (em um frila para não sei mais que revista), em um evento na ABI, à frente de uma faixa que falava, muito justamente, algo como “o povo não vai pagar esta dívida”...
Trazendo toda esta trajetória de vida política para este preocupante momento atual, quando novas formas de autoritarismo afloram e, como se percebe das falas de ministros e de outros políticos, há uma tentativa de fazer com que tanto conceitos como a própria História do Brasil sejam forçadamente reescritos, volto, um tanto espantado, à pergunta inicial: como Luiz Carlos Prestes, em outros tempos o Cavalheiro da Esperança, hoje em dia, se estivesse entre nós, ele que deixou como herança toda uma vida de luta contra as poderosas, bem como destruidoras, elites brasileiras, encararia estas inesperadas afirmações?
Afinal, as elites brasileiras (financeiras, midiáticas, empresariais, monopolísticas) são (ou serão) comunistas?
VEJA MAIS FOTOS NO BLOG BONECOS DA HISTÓRIA, CLIQUE AQUI
Marcadores:
blog bonecos da história,
comunistas,
elites,
Fatos e Fotos,
fotomemória,
fotos históricas,
Guina Araújo Ramos,
Jornal do Brasil,
Luiz Carlos Prestes,
Manchete
Fotografia: o brasileiro Uesley Marcelino é um dos vencedores do Prêmio Pulitzer 2019.
![]() |
| Foto de Uesley Marcelino/Pulitzer Prizes/Reuters |
O migrante hondurenho protege seu filho. A imagem foi feita quando uma caravana que tentava chegar aos Estados Unidos invadiu um posto de fronteira em Ciudad Hidalgo, na fronteira Guatemala-México, em outubro de 2018. Em meio ao tumulto, o drama de pai e filho. A foto é do brasiliense Uesley Marcelino e é vencedora do Prêmio Pulitzer 2019, na categoria Breaking News Photography. Entre outros veículos, ele trabalhou no Jornal de Brasília, na Istoé Gente e colaborou coma Folha de São Paulo. Desde 2010 faz parte do staff da Reuters International.
A foto de Uesley Marcelino foi premiada junto com outras imagens selecionadas entre o material da equipe da agência Reuters que cobriu o desespero e o sofrimento de milhares de pessoas que partiram da América Central rumo à fronteira do México com os Estados Unidos.
A notícia está no Catraca Livre
e você pode ver mais detalhes no site oficial do Pulitzer Prizes. AQUI
terça-feira, 16 de abril de 2019
Nova York: o museu que vetou Bolsonaro acolheu Frank Sinatra, Gene Kelly e as grandes coxas de Ann Miller
![]() |
| Frank Sinatra, Gene Kelly e Ann Miller e o "homem primitivo" (não, não é Bolsonaro) no Museu Americano de História Natural. |
![]() |
| Performance de Ann Miller |
por Ed Sá
O Museu Americano de História Natural se recusou a receber Jair Bolsonaro. Não foi considerado histórico e muito menos natural que o presidente brasileiro cruzasse os portais da instituição fundada no fim do Século 19.
Cientistas , estudantes, pesquisadores e funcionários impediram a anunciada realização no local de um jantar de gala da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos em homenagem ao polêmico militar inativo escolhido "Personalidade do Ano". A rejeição baseia-se nas controvertidas posições do governo brasileiro em questões ambientais - agora oficialmente inimigo
declarado da preservação ambiental - e o discurso anti-científico do presidente. O abaixo-assinado chama Bolsonaro de "presidente fascista do Brasil", nostálgico da ditadura e que acaba de autorizar o uso, no Brasil, de 152 tipos de de pesticidas, muitos deles proibidos em vários países por provocarem câncer. Também são citadas no documento as ameaças à integridade da Amazônia e aos indígenas.
Para os signatários, a presença de tal figura seria "uma mancha na reputação do museu".
O museu que vetou Bolsonaro, por considerá-lo um predador da democracia, já recebeu militares mais amistosos. Acolheu, por exemplo, os marinheiros Gabey (Gene Kelly), Chip (Frank Sinatra) e Ozzie (Jules Munshin), além de catalogar uma preciosidade científica: as grandes coxas da atriz Ann Miller.
Lançado em 1949, o filme On the Town/Um dia em Nova York, codirigido por Gene Kelly e Stanley Donen, tem uma cena fabulosa que se passa em salões do museu.
PARA VER A CENA DE UM DIA EM NOVA YORK FILMADA NO MUSEU AMERICANO DE HISTÓRIA NATURAL, CLIQUE AQUI
![]() |
| Ann Miller em Kiss me Kate |
PARA VER ANN MILLER EM CENA NO FILME KISS ME KATE/DÁ-ME UM BEIJO, CLIQUE AQUI
Marcadores:
ann miller,
bolsonaro,
coxas de ann miller,
frank sinatra,
gene kelly,
museu americano de história natural,
museu veta bolsonarofilme um dia em nova york,
veto
A minha Notre Dame • Por Roberto Muggiati
![]() |
| O fogo consome a estrutura de madeira do telhado da Notre Dame. Foto de Henri Garat/Prefeitura de Paris |
~
![]() |
| As chamas alcançam a base do pináculo construído por volta de 1250. Foto de Henri Garat/Prefeitura de Paris |
![]() |
| A destruição dos andaimes e da torre. Foto de Henri Garat/Prefeitura de Paris |
![]() |
| Tristeza nas margens do Sena e em todo o mundo. Foto de Henri Garat/ Prefeitura de Paris |
![]() |
| Notre Dame, 1961. Foto de Domício Pedroso |
Em 1961, morei seis meses – meio ano da minha vida – na Île de la Cité, a quinhentos metros da catedral de Notre Dame. Entrei poucas vezes na impressionante caverna gótica. Passava por ela com quem passa pela mercearia, pelo botequim da esquina. Eram os tempos de sexo, vinho tinto e jazz e eu vivia uma outra Paris.
Em novembro de 1961, o pintor curitibano Domício Pedroso, também excelente fotógrafo, fez um ensaio em que me retratou pelos locais mais boêmios de Paris: Saint Germain, o Jardin de Luxembourg, as vielas da rive gauche, o Sena dos buquinistas e, é claro, a Notre Dame. Guardo até hoje um book da minha Paris aos 24 anos que poucas pessoas possuem.
Um pequeno flash à frente: em novembro de 1962, já na BBC de Londres e voltando de uma viagem a Viena, paro em Paris para me encontrar com a namorada do ano anterior, uma atriz brasileira que morava num pequeno estúdio charmoso justamente diante da grande rosácea da Notre Dame, toda iluminada naquela noite de domingo. A jovem, uma sedutora patológica, me faz esperar enquanto toma, com ruídos sugestivos, um banho de banheira de espumas digno de Cleópatra. Com um copo de conhaque, contemplo por meia hora a rosácea sul. Saímos para jantar com o namorado da diva, um diplomata brasileiro trinta anos mais velho, e fechamos a noite com um cineminha no Champs Élysées, Uma rua chamada pecado – minha ex-namorada só faltava proclamar: “Blanche Dubois c’est moi!”
Um salto mais à frente: à meia-noite do Ano Novo de 1964/65, estamos em Paris, Lina e eu, encharcados de champanhe, diante da fachada monumental da Notre Dame, quando começam a cair os primeiros flocos de neve. Notre Dame me enganou e casei com Lina, um casamento errado que durou doze anos. Eu poderia culpar Notre Dame por esta falseta e, se fosse vingativo, exultar com a sua queda estrondosa. Velha igreja, testemunha impassível de meus fracassos amorosos. Mas sempre amei Notre Dame e sou incapaz de exprimir o que sinto agora por sua perda.
Talvez esta foto, em que apareço colado à grande catedral, diga tudo. Minha alma de pedra se foi em meio às chamas.
Sinceramente, desejava partir antes de Notre Dame. Agora terei de viver o resto da vida sem ela.
domingo, 14 de abril de 2019
Capa polêmica de 2008 pode sair da gaveta?
Em setembro de 2008, The Economist publicou a capa acima. As duas palavras provocaram impacto esperado e a revista argumentou que não havia outra maneira de definir a crise financeira que abalou o mundo.
Um dos gatilhos daquela implosão dos mercados foi o endividamento das famílias americanas atoladas em hipotecas supervalorizadas.
A partir da análise dos principais economistas, o mundo entendeu, a duras penas, que mercado financeiro sem regulação é fonte de instabilidade. Apesar disso, as poucas regras que a crise de 2008 inspirou já são contornadas pelo sistema financeiro global.
A Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento alerta que, nos últimos anos, a especulação financeira aumentou seu controle sobre as economias dos países sem que isso significasse desenvolvimento ou aumento do bem-estar das populações e, muito menos, a diminuição das desigualdades e a construção de uma sociedade mais inclusiva. Um pacto em que as pessoas tenham prioridade frente ao lucro, em que haja criação de emprego e investimento em infraestrutura parece cada vez mais distante em muito países, e o Brasil é um dos maus exemplos.
Há pouco menos de um ano, os bancos e o Congresso americano promoveram maior desregulação dos sistema financeiro, revogando artigos de um lei de 2010. Com isso, foi facilitada a concessão de empréstimos arriscados para os "negativados", usando uma expressão popular no Brasil. No lobby para a retirada de regras, banqueiros alegaram, como em 2008, antes da grande crise, que afrouxar os controles promoveria o crescimento econômico. Economistas americanos alegam que o que está em rápido crescimento é o endividamento das famílias. O crédito está aberto e fácil, mas as pessoas não estão ganhando mais. Em algum momento, o novo castelo de cartas vai ruir. É cíclico, dizem os especialistas.
Quanto à polêmica capa da Economist, a dúvida não é se será repetida, mas quando.
A propósito, alguma revista brasileira tem uma capa dessas aguardando na gaveta? Em português não seriam necessárias nem as duas palavras da publicação inglesa: um único FUDEU! já daria o recado.
Contra o "politicamente incorreto" que avança no país...
No rastro do ambiente político, o "politicamente incorreto" está em alta nas rede sociais. Mas, felizmente, não é absoluto.
Em Alfenas (MG) cadeirantes e apoiadores fizeram uma manifestação original contra o desrespeito às vagas de estacionamento para pessoas com deficiência. A invasão desses espaços determinados por lei é comum também em grandes cidades, como Rio, São Paulo e outras capitais.
A foto acima circula no Facebook
ATUALIZAÇÃO - Lá fora também...
No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, houve protesto em Lisboa, semelhante à manifestação em Alfenas, Minas Gerais.
![]() |
| Protesto de pessoas com deficiência- Lisboa -Reprodução Twitter |
Crise na publicidade - Anunciantes seguem devagar quase parando
O Conselho Executivo de Normas Padrão (CENP-Meios)) divulgou dados finais do investimento em mídia em 2018. Como na maioria dos setores do país, o aporte de recursos de anunciantes via agências de publicidade ficou praticamente estagnado. Oscilou para mais em apenas 0,57% em relação a 2017.
Na divisão do bolo, segundo a tendência da última década que 2018 reafirmou, jornais e revistas e revistas são desfavorecidos em publicidade: o primeiro meio ficou com 2,4%;o segundo com 1,6%. Só não encaram a lanterna porque a publicidade no meio Cinema, menos explorado, alcançou apenas 0,3% do total.
A televisão aberta permanece líder com 58,3%. A internet vem em seguida com 17,7%.
Junto com a circulação, audiência e acessos, além da mudança de modelo de negócio, a paralisação de investimento publicitários tem forte impacto no mercado de trabalho dos jornalistas.
PARA VER O RELATÓRIO COMPLETO DO CENP-MEIOS, CLIQUE AQUI
Na divisão do bolo, segundo a tendência da última década que 2018 reafirmou, jornais e revistas e revistas são desfavorecidos em publicidade: o primeiro meio ficou com 2,4%;o segundo com 1,6%. Só não encaram a lanterna porque a publicidade no meio Cinema, menos explorado, alcançou apenas 0,3% do total.
A televisão aberta permanece líder com 58,3%. A internet vem em seguida com 17,7%.
Junto com a circulação, audiência e acessos, além da mudança de modelo de negócio, a paralisação de investimento publicitários tem forte impacto no mercado de trabalho dos jornalistas.
sábado, 13 de abril de 2019
A melhor foto do ano - Imagem dramática de menina detida - e separada da mãe - na fronteira dos Estados Unidos vence o World Press Photo 2019
![]() |
| Foto de John Moore, vencedora do World Press Photo 2019 |
A hondurenha Yalena Sanchez, 2 anos de idade, detida, separada da mãe, Sandra Sanchez, e levada para um campo de concentração de imigrantes nos Estados Unidos, em 2018, rendeu ao fotógrafo John Moore o prêmio de foto do ano no concurso World Press Photo 2019.
VEJA AS FOTOS VENCEDORAS EM TODAS AS CATEGORIAS DO
WORLD PRESS PHOTO 2019, AQUI
De FHC (em dia de Juan Carlos) para Bolsonaro: "por qué no te callas"
![]() |
| FHC clona o rei Juan Carlos que em 2007 mandou Chávez se calar. Reprodução |
Fernando Henrique faz um apelo para que Bolsonaro se cale. O ex-presidente avalia que cada vez que o atual mandatário fala sobre o que não entende - praticamente tudo - a economia sofre.
O "príncipe" dos sociólogos está imitando um rei. Em 2007, durante a Cúpula Ibero-americana, o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, criticava o neoliberalismo e acusava de fascista o ex-primeiro-ministro espanhol José Maria Aznar, quando foi interrompido pelo rei Juan Carlos:
- ¿Por qué no te callas?
- "Pode ser rei, mas não pode mandar-me calar. Eu também sou chefe do Estado e eleito três vezes", respondeu Chávez.
Até o momento, Bolsonaro não respondeu a FHC.
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Crivella em transe...
Crivella parece a ponto de desabar, tal qual a cidade que ele finge administrar.
Durante coletiva, o prefeito Crivella entrou em surto ao ouvir perguntas da repórter Larissa Schmidt, da Globo, e acusou a TV de fazer "drama com coisas corriqueiras".
Aparentemente tresloucado, o "bispo" empurrou o microfone, afastou a repórter e improvisou um discurso:
- “É impressionante como a Rede Globo de Televisão é absolutamente contra a cidade do Rio de Janeiro. É a televisão que anuncia, o tempo todo, os problemas do Rio, que faz drama sobre coisas corriqueiras que acontecem na nossa vida desde que eu nasci aqui”, disse .
- “O senhor acha que o que aconteceu aqui foi um drama corriqueiro? Perdão prefeito, o senhor acha que o que aconteceu, a pior chuva em últimos 22 anos, foi um drama corriqueiro?”, pergunta Larissa.
ter.
- “Com licença, com licença, vou falar para cá, vou falar para cá”, respondeu Crivella.
- “Com dez pessoas mortas, prefeito, desculpa”, insistiu Larissa.
- “A cidade do Rio de Janeiro... Não, não, não, não vou falar com vocês. Dá licença, é um direito que eu tenho, é um direito que eu tenho. (...) O que a Globo quer é dinheiro na sua propaganda, o que ela quer é que a gente faça uma festa no carnaval e ela possa vender 240 milhões com a prefeitura pagando todo o carnaval”, disse Crivella.
A Globo reagiu em nota:
“A Globo repudia a atitude do prefeito Marcelo Crivella de afastar a repórter Larissa Schmidt dos jornalistas que cumpriam a obrigação de entrevistá-lo. A Globo também repudia a afirmação de Crivella de que a emissora fez drama com coisas corriqueiras na cobertura jornalística do temporal de segunda-feira.,A Globo cobriu uma tragédia que tirou a vida de dez cariocas e cumpriu a obrigação jornalística de mostrar que a prefeitura demorou a acudir a população - um fato reconhecido pelo próprio prefeito, num momento raro de autocrítica. A Globo lamenta também as declarações descabidas de Marcelo Crivella quanto ao carnaval. A Globo compra os direitos de transmissão das escolas de samba e paga um valor seis vezes maior do que aquele que elas recebem de subvenção da Prefeitura. A Globo se solidariza com a repórter Larissa Schmidt e, mais uma vez, com os cariocas, em especial, com as famílias dos mortos na tragédia”.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro também divulgou nota de protesto:
"Cabe a toda e qualquer autoridade atender aos questionamentos da imprensa, que visa esclarecer à população sobre as medidas do poder público. Eventuais atitudes que cerceiem o trabalho das equipes de reportagem comprometem o direito de a população avaliar o trabalho da administração municipal, tanto no que diz respeito aos aspectos positivos, quanto aos negativos.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro se solidariza com todos os profissionais de imprensa presentes à entrevista coletiva, que se viram prejudicados com a suspensão repentina da prestação de contas à população carioca, por parte do prefeito Marcelo Crivella." (SJPMRJ)
Para o prefeito, perguntar sobre o trabalho dele, ou a falta de, é ofensa, como mostra o vídeo AQUI
Já viu? O doodle do Google hoje celebra os 100 anos da Bauhaus
![]() |
| Doodle de hoje no Google |
![]() |
| O prédio da Bauhaus Dessau, de Walter Gropius |
Ela está nas linhas em concreto do prédio da esquina, na cadeira da sala, na pequena luminária que hoje parece tão comum, nos prédios de Oscar Niemeyer e de Le Corbusier, nas criações de Lina bo Bardi, em Ligia Clark, Hélio Oiticica e Ivan Serpa, pode estar na revista que você folheia e até na cozinha funcional do seu apartamento.
![]() |
| Cadeira Wassily |
![]() |
| Luminária Borman |
![]() |
| Bule Bauhaus, de Marianne Brandt |
![]() |
| Cozinha de Marcel Breuer |
![]() |
| A Bauhaus editou uma revista vanguardista que até hoje influencia diagramação, tipologia e artes gráficas em geral. |
A Staatliches Bauhaus, criada por Walter Gropius, foi aberta no dia 12 de abril de 1919. O doodle do Gooogle (a ilustração do dia na capa do site de buscas) celebra o centenário da primeira escola de design do mundo, a oficina que irradiou o Modernismo, apoiada pela República de Weimar. Por lá passaram nomes que revolucionaram a arquitetura, o design, as artes gráficas e a tecnologia durante 14 anos de funcionamento, até 1933 quando foi fechada pelos nazistas que a consideravam um aparelho comunista.
Preste atenção ao voltar hoje para casa. A Bauhaus está no seu caminho.
quinta-feira, 11 de abril de 2019
Protestos na web condenam prisão do ciberativista Julian Assange. Até Pamela Anderson, ex-Baywatch, diz que "Reino Unido virou a puta da América"
Depois de passar sete anos asilado na embaixada do Equador, em Londres, o fundador do Wikileaks, o ativista e jornalista Julian Assange, australiano com cidadania equatoriana, foi preso em Londres.
A polícia britânica entrou na embaixada após ação coordenada com o atual presidente do Equador, Lenin Moreno, que se tornou um fiel seguidor de Donald Trump e apoiador da ofensiva política, militar e neoliberal do governo americano sobre a América do Sul.
Assange está sujeito agora a ser extraditado para os Estados Unidos, que o acusam de hackear e divulgar informações sigilosas do governo americano.
A expectativa é que se confirme a dupla submissão de dois países: o Equador ao retirar o status de asilado e a Inglaterra por agir em nome dos Estados Unidos e, em breve, entregá-lo aos órgãos de segurança americanos.
Assange respondeu a um processo na Suécia, que o acusava de suposta agressão sexual. Ele negou envolvimento com o caso, não foram apresentadas provas. A justiça sueca arquivou o processo por questões legais de prazo. Esse processo era visto como um pretexto para detenção e entrega do ativista à CIA.
O comitê sobre Detenções Arbitrárias da ONU considerou ilegais as várias prisões que o ativista sofreu antes de se refugiar na embaixada.
Para muitos, Julian Assange é um herói do ciberativismo. Ele foi um dos fundadores do Wikileaks, um portal de denúncias e de vazamentos de informações. Em nome da liberdade de expressão e da luta contra censura, recebeu prêmios de veículos como The Economist , revista Time e Le Monde. Graças a ele, crimes de guerra dos Estados Unidos no Afeganistão e no Iraque vieram a público. Wikileaks denunciou também a espionagem americana sobre governos aliados.
A prisão de Assange abala um instituto internacional: o do asilo em embaixadas que, a partir de agora, a depender do alvo e da submissão do país que eventualmente abrigue perseguidos, pode ser facilmente revogado, como o Equador e a Inglaterra acabam de demonstrar.
Em dezembro do ano passado, o New York Times revelou que o presidente do Equador negociou com os Estados Unidos a expulsão de Assange em troca de alívio de dívidas. De fato, o Equador assinou recentemente um acordo de mais de 4 bilhões de dólares com o FMI. A reação do presidente do Equador é atribuída a vingança.
O Twitter regista as reação contra a prisão do jornalista. Veja alguns posts:
Fotomemória das enchentes cariocas: a cápsula Gemini V quase naufraga no Rio e jornal compra barco para resgatar jornalistas...
![]() |
| Cenas cariocas durante as chuvas de 1966: no Passeio Público, a enxurrada ameaçou ou cápsula espacial Gemini V em exposição no Rio , apavorando o engravatado agente americano. |
O Rio vive dias de um caos que se repete ao longo de décadas. Neste 2019, dois elementos que não caíram dos céus - a negligência e falta de iniciativa do prefeito Crivella - foram os agravantes que multiplicaram os efeitos das enchentes. Mas o fato é que no passado e no presente e, pelo jeito, no futuro, as chuvas alagaram, alagam e alagarão a cidade e levaram, levam e levarão para a lama a imagem dos prefeitos e governadores de ocasião. Alguns até mostraram trabalho na contenção de danos - não é o caso de Crivella - mas não foram competentes na ação preventiva.
Em 1966, a redação do Última Hora ficava na Praça da Bandeira, onde durante temporais só se transitava de barco. O transtorno era tão frequente que, segundo matéria da Manchete, a direção do jornal comprou um barco para transportar seus funcionários em dias de enchente e resgatá-los ao fim do expediente.
Também em 1966, a cápsula espacial Gemini V quase naufragou no Rio. A nave que passou sete dias em órbita poucos meses antes, em agosto de 1965, pilotada pelo astronauta Gordon Cooper, estava em exposição no Passeio Público em evento organizado pela embaixada americana. A enxurrada que veio da Lapa e das escarpas de Santa Teresa quase arrastou o veículo da NASA.
terça-feira, 9 de abril de 2019
Serginho, o sobrevivente - O garoto da Manchete que driblou os 80 balaços
Para a mídia, ele é "o sogro".
Para quem trabalhou na Manchete, é o Serginho.
Na tarde de domingo, 7, militares do Exército metralharam um carro nas proximidades do Piscinão de Deodoro, em Guadalupe, na zona oeste do Rio de Janeiro. Soldados teriam confundido o carro que levava uma família com o de bandidos que supostamente circulavam na região. Oitenta tiros, no mínimo, segundo a Polícia Civil, foram disparados; mataram o músico Evaldo dos Santos Rosa e feriram gravemente um homem que se aproximou para socorrer as vítimas da fuzilaria. O Ford Ka levava Luciana, mulher de Evaldo, o filho do casal de sete anos e uma amiga, que não se feriram. No banco do carona estava o padrasto de Luciana, Sérgio Araújo Gonçalves, 51 anos, que foi atingido por dois tiros de fuzil, um deles tendo perfurado o pulmão. Ele está hospitalizado, inspira cuidados, mas não corre risco de morte, segundo boletim médico.
Na manhã de segunda-feira, mensagens no WhatsApp, vindas de colegas da velha Manchete, identificaram "o sogro".
A foto acima, e recortada ao lado, é, provavelmente, de um dia qualquer em 1987. A Manchete preparava a edição especial comemorativa dos 35 anos. Era de lei, nessas ocasiões, incluir uma foto da redação. Nas internas, com sarcasmo, essa foto ficou conhecida como "A Santa Ceia".
Serginho era, na época, um dos auxiliares da equipe, cuidava dos telefones e do"tráfego", como as agências de publicidade denominam a movimentação interna de fotos, material de redação, pastas de pesquisa (no tempo em que não havia Google) etc. Na medida do possível, o prestativo Serginho também era eficiente "assessor especial" para questões bancárias, burocráticas, pagamentos de boletos e, importantíssimo, cuidar da renovação da carteirinha que dava aos privilegiados acesso à tribuna da imprensa do Maracanã, o que, não raro, dependia do seu poder de argumentação.
Serginho trabalhou na Manchete, diretamente com o diretor, Roberto Muggiati, e com o secretário de redação, Alberto Carvalho, durante mais de dez anos.
"O Serginho ainda estava comigo em 1996, quando fui para a "Santa Genoveva" (N.R. a sala do décimo-primeiro andar do prédio do Russell, que abrigava diretores de revistas provisoriamente destituídos da função). Mas não mais quando reassumi a Manchete em novembro de 1997. Acho que foi quando ele partiu para ser motorista autônomo", recorda Muggiati.
Ao Serginho e família, a nossa solidariedade.
Que a Justiça se faça e que esse crime absurdo não permaneça impune como tantos outros.
Marcadores:
80 tiros,
carro metralhado,
carro metralhado em Guadalupe,
Exército,
foto da redação,
Manchete,
Roberto Muggiati,
Serginho,
sobrevivente,
tragédia,
violência carioca
Jornalista recebe ameaça de morte...
O repórter Carlos de Lannoy, da Rede Globo, denunciou no Instagram ameaça que recebeu logo após cobrir, no Rio, o caso do fuzilamento, por parte de militares do Exército, de um carro que conduzia uma família. O ataque deixou um morto e dois feridos, um deles em estado grave.
O autor da ameaça é Erik Procópio de Moura, que já foi candidato a vereador Nisia Floresta, no Rio Grande do Norte. Nas redes sociais, o sujeito se diz formado em Direito, se mostra apoiador de Jair Bolsonaro e da ditadura militar, além de admirador de Sérgio Moro. Na mensagem em que deixa clara a ameaça, avisa que o jornalista "assinou sua sentença" e promete que a família "vai pagar".
A Federação Nacional dos Jornalistas levou o caso ao Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional. A FENAJ recomenda aos jornalistas que recebam ameaças que procurem suas empresas e o seu sindicato. Além de tentativa de intimidação direta, uma mensagem dessas serve de incentivo a indivíduos igualmente perigosos e no momento disseminados pelo país.
segunda-feira, 8 de abril de 2019
Quando os presidentes comunicam e se trumbicam - "É a sintaxe, estúpido!"
por Ed Sá
A linguagem dos presidentes já foi bem mais formal. Talvez porque eles se expressassem mais por discursos. Entrevista coletiva nunca foi o forte dos presidentes e ditadores brasileiros. E as exclusivas geralmente eram e são concedidas a jornalistas escolhidos e veículos idem, evitando maiores riscos. Bolsonaro, por exemplo, radicaliza essa seleção e tem promovido um amistoso café da manhã com coleguinhas de "lista amiga" onde ele dá as cartas, além do pão com manteiga, recebe tapinhas nas costas, sorrisos e likes ao vivo.
Mas nada incomoda mais do que as metáforas que os habitantes do Palácio do Planalto incorporam. Parece que há um vírus linguístico entranhado na tapeçaria do gabinete presidencial.
Lula usava e abusava do futebol. "Virar o jogo", "em time que ganha não se mexe", "catimba", "chute na canela" foram expressões usadas por ele ara nomear crises ou os bastidores da política. Em 2010, ao fim do segundo mandato, definiu a situação assim: "Vamos trabalhar para ganhar as eleições. Não é uma eleição fácil. É como time de futebol. Quando o time está ganhando de um a zero, de dois a zero, quando o time está ganhando, recua, não quer mais fazer falta, pênalti, fica só rebatendo a bola. E quem está perdendo vem para cima com tudo, e é com gol de mão, de cabeça, de chute, de canela. Não tem jogo ganho ou fácil"...
Temer era uma espécie de "novo culto", o equivalente de "novo rico", era um ser pronominal, mas tudo nele soava falso. Parecia se homiziar em erudição fast food. Preferia as mesóclises e as citações literárias ou juristas. "Procurarei não errar, mas se o fizer consertá-lo-ei". O capricho na colocação dos pronomes não livrou os problemas: o coronel Lima desconcertou sua biografia cheia de verbas e verbos. No discurso de posse, Temer mandou um "sê-lo-ia" que ecoou no Congresso. Inspirava-se provavelmente em Jânio Quadros, o do famoso "fi-lo porque qui-lo", que, aliás, segundo o professor Sérgio Rodrigues, está errado na segunda ênclise, já que o "porque" deveria atrair o pronome.
Temer também encaixava frases em latim no cipoal de pronomes. Ficou famoso o "verba volant, scripta manent" que ele inseriu em uma carta enviada a Dilma. "As palavras voam, os escritos permanecem", diz a frase. Ironicamente, mensagens escritas e permanecidas no Whatsapp estão entre os elementos do seu indiciamento por corrupção.
Sarney produzia frases rebuscadas. Político escolado, ele elaborava cada declaração como se falasse à posteridade em busca da absolvição da História. Com uma característica: sempre exaltava sua própria figura. Achava-se o máximo, apesar de ter sido um presidente medíocre. “Consultei um futurólogo e ele previu que o Brasil só terá outro presidente nordestino daqui a 1.900 anos. Então, acho que mereço ficar os seis anos (argumento para prorrogar o mandato); “Sou apenas um menino do Maranhão que o destino disse: vai José, ser Presidente” (quando se sentiu ungido pelo destino como um César do Maranhão); "Não me perdoam por ter chegado ao poder passando por cima do cadáver de Tancredo Neves" (usando o falecido para lamentar críticas); "Durante o meu mandato a história se contorceu, mas a democracia não murchou na minha mão" (no dia em que o espírito de Lincoln arrepiou seu bigode épico).
Dilma confundia a nação com seus anacolutos. No trono da República, era rainha na prática de desestruturar frases, eliminar o pé,o tronco e a cabeça de sentenças inteiras. "Quero dizer para vocês que, de fato, Roraima é a capital mais distante de Brasília, mas eu garanto para vocês que essa distância, para nós do Governo Federal, só existe no mapa. E aí eu me considero hoje uma roraimada, roraimada, no que prova que eu estou bem perto de vocês"; "Eu acredito que nós teremos uns Jogos Olímpicos que vai ter uma qualidade totalmente diferente e que vai ser capaz de deixar um legado tanto… porque geralmente as pessoas pensam: 'Ah, o legado é só depois'. Não, vai deixar um legado antes, durante e depois"; "Foi muito, houve uma procura imensa, tinham seis empresas que apresentaram suas propostas, houve um deságio de quase… Foi um pouco mais de 38%, mas eu fico em 38% para ninguém dizer: 'Ah, ela disse que era 38′, mas não é não. É 39, 38 e qualquer coisa ou é 36. 38, eu acho que é 39, mas vou dizer 38". Isso foi Dilma sendo Dilma.
Fernando Henrique se sentou na cadeira de presidente mas nunca deixou a cátedra. Falava com se desse aula. “A barbárie não é somente a covardia do terrorismo mas também a intolerância ou a imposição de políticas unilaterais em escala planetária”; “No candomblé, o mal e o bem coexistem. São irreconciliáveis, mas são eternos. Num momento em que há tantos maniqueístas no mundo, em que as pessoas querem simplificar as coisas – o bem está de um lado, o mal está de outro, uns são formidáveis, outros são horríveis -, o candomblé nos ensina que as coisas são um pouquinho mais complexas"; “Os países podem estar em um processo que, ao mesmo tempo, tenha concentração de renda e diminuição da pobreza"; "Os brasileiros são caipiras, desconhecem o outro lado, e, quando conhecem, encantam-se" ; "O mundo nunca é maravilhoso para todos, mas há uma similitude efetiva entre um grande período da expansão do capitalismo comercial, da eclosão do Renascimento e das Descobertas -- naquela altura, em que o homem era a medida de todas as coisas, embora não fosse, na verdade, mas como referência passou a ser e é o que está acontecendo hoje em dia".
Apesar da erudição, FHC também dizia coisas como essa: "Não vamos prometer o que não dá para fazer. Não é para transformar todo mundo em rico. Nem sei se vale a pena, porque a vida de rico, em geral, é muito chata".
Bolsonaro, talvez acometido por algum espírito de quilombola freudiano, relaciona a política a casamentos, namoro, relacionamento, traição etc. Para disseminar seu "bolsonarês, ele tem, como nenhum outro presidente, o alcance das rede social.
Sobre parceria com Paulo Guedes quando ainda candidato"Aîn, estamos namorando"; Sobre desentendimento com Rodrigo Maia, o presidente da Câmara: "Aîn, isso aí foi briguinha de namorado". Sobre o escritório de representação em Jerusalém e a futura transferência da embaixada do Brasil em Israel: "aîn, todo casamento começa com namoro e noivado".
Frequentemente, a linguagem do Bolsonaro é ofensiva. E esse é um diferencial marcante em relação a presidentes anteriores. "Abraço ´hetero" (em Gabeira), frases racistas e homofóbicas e ofensas às mulheres, aos negros, aos índios pontuaram o vocabulário do atual presidente. "Eu fui num quilombola em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais"; "eu falei que não ia estuprar você porque você não merece" (para a deputada Mara do Rosário); “Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu” (para Preta Gil).
Mas aí não é pra rir, é pra chorar.
A linguagem dos presidentes já foi bem mais formal. Talvez porque eles se expressassem mais por discursos. Entrevista coletiva nunca foi o forte dos presidentes e ditadores brasileiros. E as exclusivas geralmente eram e são concedidas a jornalistas escolhidos e veículos idem, evitando maiores riscos. Bolsonaro, por exemplo, radicaliza essa seleção e tem promovido um amistoso café da manhã com coleguinhas de "lista amiga" onde ele dá as cartas, além do pão com manteiga, recebe tapinhas nas costas, sorrisos e likes ao vivo.
Mas nada incomoda mais do que as metáforas que os habitantes do Palácio do Planalto incorporam. Parece que há um vírus linguístico entranhado na tapeçaria do gabinete presidencial.
Lula usava e abusava do futebol. "Virar o jogo", "em time que ganha não se mexe", "catimba", "chute na canela" foram expressões usadas por ele ara nomear crises ou os bastidores da política. Em 2010, ao fim do segundo mandato, definiu a situação assim: "Vamos trabalhar para ganhar as eleições. Não é uma eleição fácil. É como time de futebol. Quando o time está ganhando de um a zero, de dois a zero, quando o time está ganhando, recua, não quer mais fazer falta, pênalti, fica só rebatendo a bola. E quem está perdendo vem para cima com tudo, e é com gol de mão, de cabeça, de chute, de canela. Não tem jogo ganho ou fácil"...
Temer era uma espécie de "novo culto", o equivalente de "novo rico", era um ser pronominal, mas tudo nele soava falso. Parecia se homiziar em erudição fast food. Preferia as mesóclises e as citações literárias ou juristas. "Procurarei não errar, mas se o fizer consertá-lo-ei". O capricho na colocação dos pronomes não livrou os problemas: o coronel Lima desconcertou sua biografia cheia de verbas e verbos. No discurso de posse, Temer mandou um "sê-lo-ia" que ecoou no Congresso. Inspirava-se provavelmente em Jânio Quadros, o do famoso "fi-lo porque qui-lo", que, aliás, segundo o professor Sérgio Rodrigues, está errado na segunda ênclise, já que o "porque" deveria atrair o pronome.
Temer também encaixava frases em latim no cipoal de pronomes. Ficou famoso o "verba volant, scripta manent" que ele inseriu em uma carta enviada a Dilma. "As palavras voam, os escritos permanecem", diz a frase. Ironicamente, mensagens escritas e permanecidas no Whatsapp estão entre os elementos do seu indiciamento por corrupção.
Sarney produzia frases rebuscadas. Político escolado, ele elaborava cada declaração como se falasse à posteridade em busca da absolvição da História. Com uma característica: sempre exaltava sua própria figura. Achava-se o máximo, apesar de ter sido um presidente medíocre. “Consultei um futurólogo e ele previu que o Brasil só terá outro presidente nordestino daqui a 1.900 anos. Então, acho que mereço ficar os seis anos (argumento para prorrogar o mandato); “Sou apenas um menino do Maranhão que o destino disse: vai José, ser Presidente” (quando se sentiu ungido pelo destino como um César do Maranhão); "Não me perdoam por ter chegado ao poder passando por cima do cadáver de Tancredo Neves" (usando o falecido para lamentar críticas); "Durante o meu mandato a história se contorceu, mas a democracia não murchou na minha mão" (no dia em que o espírito de Lincoln arrepiou seu bigode épico).
Dilma confundia a nação com seus anacolutos. No trono da República, era rainha na prática de desestruturar frases, eliminar o pé,o tronco e a cabeça de sentenças inteiras. "Quero dizer para vocês que, de fato, Roraima é a capital mais distante de Brasília, mas eu garanto para vocês que essa distância, para nós do Governo Federal, só existe no mapa. E aí eu me considero hoje uma roraimada, roraimada, no que prova que eu estou bem perto de vocês"; "Eu acredito que nós teremos uns Jogos Olímpicos que vai ter uma qualidade totalmente diferente e que vai ser capaz de deixar um legado tanto… porque geralmente as pessoas pensam: 'Ah, o legado é só depois'. Não, vai deixar um legado antes, durante e depois"; "Foi muito, houve uma procura imensa, tinham seis empresas que apresentaram suas propostas, houve um deságio de quase… Foi um pouco mais de 38%, mas eu fico em 38% para ninguém dizer: 'Ah, ela disse que era 38′, mas não é não. É 39, 38 e qualquer coisa ou é 36. 38, eu acho que é 39, mas vou dizer 38". Isso foi Dilma sendo Dilma.
Fernando Henrique se sentou na cadeira de presidente mas nunca deixou a cátedra. Falava com se desse aula. “A barbárie não é somente a covardia do terrorismo mas também a intolerância ou a imposição de políticas unilaterais em escala planetária”; “No candomblé, o mal e o bem coexistem. São irreconciliáveis, mas são eternos. Num momento em que há tantos maniqueístas no mundo, em que as pessoas querem simplificar as coisas – o bem está de um lado, o mal está de outro, uns são formidáveis, outros são horríveis -, o candomblé nos ensina que as coisas são um pouquinho mais complexas"; “Os países podem estar em um processo que, ao mesmo tempo, tenha concentração de renda e diminuição da pobreza"; "Os brasileiros são caipiras, desconhecem o outro lado, e, quando conhecem, encantam-se" ; "O mundo nunca é maravilhoso para todos, mas há uma similitude efetiva entre um grande período da expansão do capitalismo comercial, da eclosão do Renascimento e das Descobertas -- naquela altura, em que o homem era a medida de todas as coisas, embora não fosse, na verdade, mas como referência passou a ser e é o que está acontecendo hoje em dia".
Apesar da erudição, FHC também dizia coisas como essa: "Não vamos prometer o que não dá para fazer. Não é para transformar todo mundo em rico. Nem sei se vale a pena, porque a vida de rico, em geral, é muito chata".
Bolsonaro, talvez acometido por algum espírito de quilombola freudiano, relaciona a política a casamentos, namoro, relacionamento, traição etc. Para disseminar seu "bolsonarês, ele tem, como nenhum outro presidente, o alcance das rede social.
Sobre parceria com Paulo Guedes quando ainda candidato"Aîn, estamos namorando"; Sobre desentendimento com Rodrigo Maia, o presidente da Câmara: "Aîn, isso aí foi briguinha de namorado". Sobre o escritório de representação em Jerusalém e a futura transferência da embaixada do Brasil em Israel: "aîn, todo casamento começa com namoro e noivado".
Frequentemente, a linguagem do Bolsonaro é ofensiva. E esse é um diferencial marcante em relação a presidentes anteriores. "Abraço ´hetero" (em Gabeira), frases racistas e homofóbicas e ofensas às mulheres, aos negros, aos índios pontuaram o vocabulário do atual presidente. "Eu fui num quilombola em Eldorado Paulista. Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais"; "eu falei que não ia estuprar você porque você não merece" (para a deputada Mara do Rosário); “Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu” (para Preta Gil).
Mas aí não é pra rir, é pra chorar.
Marcadores:
a fala e o poder,
anacolutos,
as falas dos presidentes,
bolsonaro,
Dilma,
fhc,
grosserias,
Lula,
megalomania,
mesóclises,
metáforas,
sarney,
TEMER
domingo, 7 de abril de 2019
O oligarca da mídia mundial....
por Flávio Sépia
A Carta Maior compartilha no Twitter matéria do New York Times sobre os governos que Rupert Murdoch - controlador de uma corporação de mídia global, a News Corp -, ajudou a derrubar no mundo.
À primeira vista, pensa-se no recente golpe que abalou o Brasil. Aparentemente, não mereceu muita atenção do oligarca. A reportagem, embora longa, não cita a terra do pau-brasil. Talvez porque é país mestiço demais para o gosto do Murdoch, que faz parte de uma sociedade que prega a eugenia. O que não o impede de ver com simpatia as ideias do Jair Bolsonaro. Na recente visita aos Estados Unidos, o brasileiro recebe tratamento privilegiado na Fox News, onde deu entrevista exclusiva e ganhou edição favorável.
O australiano que ajudou a plantar alguns governos de direita no mundo, é dono de 789 empresas em 52 países, nos cinco continentes. The Times, New York Post , The Sun, Fox Network, MySpace, 20th Century Fox, Directv, a editora Harper Collins e The Wall Street Journal, entre outros veículos.
O oligarca australiano fez campanha a favor do Brexit. Ele admite publicamente que "odeia" a União Europeia.
Um objetivo declarado de Murdoch é comprar o New York Times, jornal que agora revela todo o alcance do seu nefasto poder conspirador.
Murdoch, que acumula conquistas corporativas e assediou tantos governos, esqueceu de cuidar do seu próprio terreiro. Em 2013, ele descobriu que sua esposa, Wendi Deng, botou-lhe um par de chifres reluzentes. E quem enfeitou a cabeça do oligarca foi ninguém menos do que Tony Blair, ex-primeiro ministro do Reino Unido. Murdoch pediu divórcio após o ex-primeiro ministro invadir seu conglomerado mais íntimo.
Assinar:
Comentários (Atom)

















































