segunda-feira, 26 de abril de 2010

E agora, José?

deBarros
O Ministro da Previdência e o Governo, na pessoa do presidente do país, estão repetindo, enfaticamente, que o aumento de 7.7 % aos aposentados que ganham acima do salário mínimo custaria alguns bilhões de reais aos cofres públicos. Ora, esses bilhões não seriam maiores do que os bilhões de reais que a Previdência perde por ano, por roubos, desvios de dinheiro e outros golpes desfechados por vigaristas, malandros e alguns funcionários da Previdência, sim porque seria impossível dar golpes na Previdência sem a colaboração interna.
Ministro e governo se calam diante dessas perdas, deixando a impressão de que esses roubos de bilhões não alteram ou mesmo não fazem falta ao seu orçamento. Os bilhões dos roubos não são lastimados nem fazem falta, mas uns dois bilhões para tentar corrigir o benefício do aposentado vão quebrar a Previdência.
O Senado e a Câmara, em clima de eleição, apostam na aprovação do projeto de lei que tentará corrigir com o reajuste de 7.7 % a perda em dinheiro sofrida pelos aposentados a partir do ano em que se aposentaram até os dias de hoje. Esse problema do aposentado não é explicado devidamente e a impressão que o governo procura deixar é que vem dando, todos os anos, bons aumentos. Não é verdade. O aumento que dá aos aposentados não corresponde ao reajuste que dá ao salário mínimo sempre bem maior aos que excedem esse salário referência.
Fica aqui um exemplo para aqueles trabalhadores de hoje que vão se aposentar amanhã.
N se aposentou em 1983 com 30 anos e alguns meses de contribuição previdênciária. Dentro dos cálculos da previdência N passou a receber um benefício correspondente a 8,1/2 salários mínimos. Para a época um razoável salário.
Mas, com os anos correntes e obedecendo ao processo de cálculo da Administração Previdênciária, que usa um sistema de redutor salarial nos cálculos, o seu benefício é reduzido drasticamente e N, citado como exemplo, viu o seu benefício ser reduzido a menos de 4 salários mínimos.
O aumento de 7.7 %, que o governo promete vetar, se aprovado nas duas casas, não irá corrigir o benefício do aposentado mas tentará diminuir essa tremenda perda, que continuando, o levará ganhar menos que um salário nos próximos anos.
O governo aposta, já que são idosos, na morte por velhice dos aposentados nos próximos anos.
Quando candidato, o atual presidente do país, respondendo a uma pergunta de uma aposentada em um dos seus debates públicos, disse que no seu governo iria restituir a dignidade dos aposentados brasileiros equiparando-os aos aposentados europeus, que com o benefício que recebem, vivem uma vida tranquila sem problemas financeiros, podendo até passear pela Europa inteira. E agora, José?

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