"A crase não foi feita para humilhar ninguém.”
FERREIRA GULLAR, explicação de como a dúvida entre “a domicílio, em domicílio, à domicílio” gerou “DELIVERY”.
Jornalismo, mídia social, TV, atualidades, opinião, humor, variedades, publicidade, fotografia, cultura e memórias da imprensa. ANO XVII. E, desde junho de 2009, um espaço coletivo para opiniões diversas e expansão on line do livro "Aconteceu na Manchete, as histórias que ninguém contou", com casos e fotos dos bastidores das redações. Opiniões veiculadas e assinadas são de responsabilidade dos seus autores. Este blog não veicula material jornalístico gerado por inteligência artificial.
"A crase não foi feita para humilhar ninguém.”
FERREIRA GULLAR, explicação de como a dúvida entre “a domicílio, em domicílio, à domicílio” gerou “DELIVERY”.
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Aos 65 anos, Angeli anunciou o ponto final da sua carreira. A informação foi divulgada pela Folha de São Paulo. O cartunista fez uma longa e brilhante trajetória de 50 anos. Após um diagnóstico de afasia progressiva, ele deixa um mundo de personagens que ajudaram várias gerações a decifrar o Brasil profundo, não o dos grotões, mas o que está em nós. Gerações que, uma a uma, Angeli desconstruiu com humor. Quem não se identificou com o universo do cartunista? Meia Oito, o esquerdista desbotado, Wood & Stock, os velhos hippies embalados por LSD vencido, os Skrotinhos, Mara Tara, Ritchi Pareide, Osgarmo e... a Rebordosa.
O único jornalista que conseguiu entrevistar a adorável porra louca foi um Benedito Paixão, um correspondente no Paraguai criado pelo pai da Rebordosa.
Não entrevistei a Rebordosa mas tive um date-supresa com a junkie mais chamosa do Brasil.
Em fins de 1986, a jornalista Regina Valadares, que editava a Criativa, me pediu para escrever um texto sobre o ano que terminava. Devo lembrar que 1986 foi uma merda. O Brasil era governado por José Sarney. Isso já diz tudo? Não. Foi também o ano em que a seleção perdeu a Copa; foi anunciada a passagem do cometa Halley e ninguém viu; a nova moeda, o Cruzado, pirou os brasileiros. E, por falar em Kiev, 1986 foi o ano do acidente nuclear de Chernobyl. É mole ou quer mais? Revista publicada passei em uma banca da Rua Voluntários e comprei a Criativa. Custava Cz$ 20,00. Estava lá a matéria "1986- O que já era sem nunca ter sido". A ilustração encomendada pela Regina não poderia ser mais adequada. Em charge criada especialmente, ocupando quase uma página inteira, a Rebordosa era minha parceira naquela sinistra retrospectiva do ano.
O Brasil era o próprio caos, mas o ano terminou bem pra mim, que vi de perto a Rebordosa na banheira virando a folhinha de um ano que ninguém aguentou. Só enchendo a cara. Valeu, Angeli.
* Angeli publicou hoje no Twitter a mensagem abaixo:
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Roberto e Erasmo Carlos, 1966. Foto Manchete/Zigmunt Haar |
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Campanha da Abril no começo da década de 1970. Clique na imagem para ampliar. |
por José Esmeraldo Gonçalves
Algumas poucas resistem bravamente. Eram pontos de referência da notícia. Acima, a reprodução de uma campanha publicitária da Editora Abril no começo dos anos 1970. A banca vista como uma biblioteca. O que, de fato era. Bem de época essa foto. O minivestido da jovem de verde contrasta com a formalidade de senhora, o engravatado da Av. Paulista, o rapaz que "tira uma casquinha", expressão da época, no jornal do dia. Claro que a cena é montada. a Abril escondeu todas as revistas da Bloch, incluindo a Manchete, então a semanal líder do país. Escapou uma Amiga, pouco acima da cabeça do jornaleiro.
As bancas estão em extinção, a maioria virou um arremedo de loja de conveniência, a Bloch que era sólida se desmanchou no ar, a Abril foi despedaçada, vendida para o mercado financeiro e perdeu relevância, os impressos agonizam em morte lenta há alguns anos e, no Brasil, aguardam apenas um samaritano que lhes desligue os aparelhos (*). A campanha da Abril é o TBT (Throwback Thursday.) de hoje, o regresso das quintas-feiras, como marca a famosa hastag das redes sociais. Ou, como escreveu Drummond sobre sua Itabira, "é apenas uma fotografia na parede".
Já o jornalismo foi renovado pela tecnologia, ampliou seu alcance e é cada vez mais importante para a democracia, como se vê nesses tempos de trevas e de aloprados no Brasil atual. As "bancas? Foram para a nuvem. Até a moça de verde, hoje provavelmente uma avó antenada, agora pode acessá-las com um simples clique.
(*) Vale observar que embora os veículos estejam em transformação em todo o mundo, em capitais como Paris e Lisboa a maioria das bancas ainda vende numerosos títulos de jornais e revistas... impressos. Em países subdesenvolvidos (sim, o rótulo que a mídia trocou por "em desenvolvimento", está de volta trazido pela realidade), a crise é bem mais aguda e agravada pela nossa péssima distribuição de renda, pelo desprezo à Educação.
A ultra direita pró-Donald Trump domina o Comitê Nacional Republicano que, na semana passada, votou para boicotar a Comissão de Debates Presidenciais em 2024. Essa ofensiva antidemocrática das facções de Trump era esperada. Em 2020, o então candidato não obedecia às regras acordadas para o primeiro, ignorava a cronometragem, gritava, xingava Joe Biden. No segundo debate, ausentou-se sob a alegação de estar com sintomas de Covid-19 e recusou a proposta de um debate virtual. Para o terceiro debate, os organizadores incluiram na mesa de som um botão "mute" para evitar que Trump ultrapassasse o tempo. Não é que os republicanos não gostem das regras dos debates, ele detestam debater simplesmente porque os conteúdos saem dos seus controles. Suas falsas versões para os fatos são expostas a uma grande audiência. A ultra direita fica mais confortável com a desenvoltura das fake news nas suas próprias redes sociais, com os robôs e o impulsionamento. Por isso, prefere que seu candidato não participe de debates na próxima campanha eleitoral.
O que isso tem a ver com o Brasil? Bolsonaro também tem aversão ao debate. Mostrou isso em 2018. É possível que o exemplo dos formuladores da campanha de Trump, de quem eles copiam a estratégia digital, leve Bolsonaro a desistir de vez do formato, sem sequer fingir que vai participar. Ele também se sente mais à vontade produzindo fake news em cascata.
“Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.”
GEORGE ORWELL, A revolução dos bichos
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Estádio Durival Britto e Silva. Foto Acervo Cid Destefani |
Eu estava lá, posso afirmar com orgulho. Assisti aos dois jogos da Copa de 1950 em Curitiba. Não exatamente da arquibancada coberta, mas, pela primeira vez, nas gerais. Eu era sócio do Clube Atlético Ferroviário e o seu estádio, o Durival Britto e Silva, era o meu quintal.
Na verdade, ficava longe de minha casa, no alto da Carlos de Carvalho. Em 1949, no primeiro ano do ginásio, com o Colégio Estadual do Paraná ainda ocupando o acanhado prédio da Ébano Pereira, nossas aulas de educação física eram no estádio da Vila Capanema.
Naquelas manhãs frias de Curitiba, eu pegava dois ônibus até a estação da RVPSC (parece a sigla de répondez s’il vous plaît, mas era a da Rede Viação Paraná-Santa Catarina, que durou de 1942 a 1957). Ali começavam os domínios da Rede, que incluíam o estádio e o time do Ferroviário, fundado em 1930 por funcionários da ferrovia.
Para não pegar um terceiro ônibus, eu escalava as bases da Ponte Preta (segundo Dalton Trevisan, "a única ponte da cidade sem rio por baixo") e seguia através e ao longo dos trilhos até os muros dos fundos do Durival Britto, que eu pulava acrobaticamente e ganhava acesso às quadras de esporte (até hoje o estádio é rodeado por uma pista de corrida).
Assisti ali a muitos torneios-início, um ritual da época, tipo de apresentação dos times na abertura do campeonato. Numa espécie de quermesse dominical, a partir das dez da manhã, cerca de 15 a 20 equipes se enfrentavam em jogos-relâmpago de 20 minutos. No caso de empate, decidiam nos pênaltis. E assim iam se classificando e eliminando até só restarem duas, que decidiam no fim da tarde numa partida de uma hora.
Projetado pelo arquiteto Rubens Maister, o Durival Britto e Silva (nome do superintendente da RVPSC) foi inaugurado em 23 de janeiro de 1947, numa partida noturna que confirmou a excelência do sistema de refletores, mas não a do time da casa, o Ferroviário, que apanhou do Fluminense por 5 x 1 (com gol inaugural de Careca).
Na época, o estádio era o terceiro maior do Brasil, depois de São Januário e do Pacaembu. Tinha uma bela concha acústica, onde assisti certa vez a um show da orquestra de Xavier Cugat, o Rei da Rumba, estrela dos musicais da Metro. O espetáculo foi uma lástima, com meia dúzia de gatos pingados e um torcedor fanático e mentalmente desequilibrado importunando o maestro a toda hora.
O Paraquedista era uma espécie de Fantasma da Ópera e Corcunda de Nôtre Dame de plantão no Durival Britto. Cugat tinha seus cacoetes consagrados: casava sempre com suas rumbeiras (a da ocasião era a curvilínea Abbe Lane), mas suas relações mais estáveis eram com os cãezinhos chihuahua que levava sempre no bolso do bem cortado summer-jacket. Como passou a infância em Cuba e a juventude em Los Angeles, eu o considerava um latino típico. Só tempos depois soube que era Catalão, da mesma região de Salvador Dali, onde fora batizado com o sonoro nome de Francesc d’Asis Xavier Cugat Mingall de Bru i Deulofe.
Foi a qualidade das instalações do Durival Britto que garantiu a Curitiba a escolha como uma das sedes da Copa de 1950 (as outras, além de Rio e São Paulo, foram Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre). Assim foi que, no domingo, 25 de junho, eu e meu pai nos instalamos nos bancos de madeira das gerais, à esquerda da torre do relógio, para acompanhar Espanha versus Estados Unidos. (Pedro Stenghel Guimarães, que assinava a coluna "Do meu degrau nas gerais", postulava que a geral era o lugar correto para se apreciar bom futebol).
O futebol não foi grande coisa. Houve quem gostasse mais da preliminar, na qual o Internacional de Campo Largo bateu o União da Lapa por 1 a 0, numa empolgante peleja. Os EUA, que tinham disputado a primeira Copa em 1930, voltavam a participar. Souza fez o primeiro gol, aos 17 minutos. Os espanhóis viraram no segundo tempo, com dois gols de Basora e um de Zarra. O juiz, ou referee (ainda se usava a expressão) foi o polêmico Mário Vianna, mas não teve muito trabalho. Os espanhóis com seu uniforme grená, os americanos de camisa branca com faixa diagonal e calções azuis.
Na quinta-feira seguinte, os EUA se tornavam a maior zebra na história das Copas. Inventores do esporte, os ingleses participavam pela primeira vez de um Mundial e chegaram como favoritos. Os americanos tinham uma equipe amadora, formada por imigrantes e eliminaram os ingleses por 1 a 0, em Belo Horizonte. O autor do gol foi Gaetjens, nascido no Haiti. Em 2005, um filme celebrou o feito, The Game of their Lives/Duelo de Campeões. (As cenas do jogo em Belo Horizonte foram rodadas no campo do Fluminense, nas Laranjeiras, no Rio.)
Naquela mesma quinta-feira, 29, Paraguai e Suécia empatavam por dois gols em Curitiba. Os suecos com camisas amarelas e calções azuis, meias amarelas e azuis, o Paraguai com calções escuros e camiseta listrada branca e vermelha, a única seleção de mangas curtas. A Suécia se classificaria para a fase final, ganhando por 3 a 1 da Espanha, mas perdendo do Brasil (7 x 1) e do Uruguai (3 x 2).
A goleada do Brasil e o escore apertado do Uruguai indicavam uma barbada brasileira na finalíssima do Maracanã em 16 de julho. E tinha mais: pelo critério de pontuação da época, o Brasil só precisava de um empate para ser campeão — e foi campeão até os 34 minutos do segundo tempo, quando aconteceu o fatídico gol de Ghiggia. Este jogo ouvi pelo rádio ao lado do meu avô Eugênio, cego, e choramos lágrimas copiosas.
Tudo bem, o Brasil foi o único país a participar das 19 Copas até agora. É pentacampeão, com uma taça a mais do que a Itália, duas a mais do que a Alemanha, três a mais do que Argentina e Uruguai, quatro a mais do que França e Inglaterra — "a taça do mundo é nossa, com o brasileiro não há quem possa..." Tudo bem, mas até hoje ainda sinto o gosto amargo daquelas lágrimas de 60 anos atrás.
(*) Artigo publicado originalmente no jornal Gazeta do Povo em 29/05/2010.
Você poderá ver mais fotos no link abaixo:
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Henrique Koifman, que foi repórter da Manchete e EleEla lança programa na BandNewsFM e no streaming. |
por José Esmeraldo Gonçalves
"Quem uma vez pratica a tortura se transtorna diante do efeito da desmoralização infligida. Quem repete a tortura quatro ou mais vezes se bestializa, sente prazer físico e psíquico tamanho que é capaz de torturar até as pessoas mais dedicadas da própria família".
D.Paulo Evaristo Arns ouviu o comentário de um general contrário à tortura. O cardeal usou a advertência no texto de apresentação de "Brasil; Nunca Mais - Um relato para a História". Lançado em 1985, o livro resultou da pesquisa "Brasil: Nunca Mais (BNM), onde um pequeno grupo de especialistas dedicou mais de cinco anos a trazer à luz uma das págionas mais trágicas do Brasil.
Os pesquisadores levantaram os processos que passaram pela Justiça Militar, especialmente aqueles levados ao Superior Tribunal Militar (STM), entre abril de 1964 e março de 1979, e microfilmaram mais de 1 milhão de páginas. Todo o material foi copiado e guardado fora do Brasil em função das ameaças que o grupo recebia. O livro demonstrou que a tortura era uma prática inserida na política reressiva da ditadura. Fazia parte, não foi contestada, expandiu-se. Estava tudo lá na documentação reunida: "pau-de-arara", "pimentinha", "cadeira do dragão", "afogamento", "geladeira" etc. Tão comum que as Forças Armadas construíram até uma didática, um método educacional. Algumas instituições montavam cursos para torturadores diplomandos, uma espécie de submersão nas técnicas mais crueis. Um dos capítulos do livro extrapola o horror e detalha a tortura em crianças, mulheres e gestantes.
Nos últimos dias, o Brasil reencontrou esse passado recente e sangrento em áudios que o historiador Carlos Fico, da UFRJ, resgatou dos porões do STM (Superior Tribunal Militar). Fico encaminhou o material a Miriam Leitão - ela própria ex-presa política e vítima de torturas nos anos 1970. A jornalista - revelou o dossiê na sua coluna no jornal O Globo. A denúncia ganhou ampla e oportuna divulgação em todas as mídias. Nunca é demais mostrar às novas gerações a face da ditadura e o quanto é absurdo clamar pela volta de um regime criminoso, como se vê em escalões de arautos dos poderes atuais e de seus apoiadores. A mídia só vacilou no uso de títulos e chamadas que apontam os áudios como "as primeiras provas" que "atestam" que houve tortura no Brasil. Não são. A tortura foi comprovada antes em relatos, evidências,testemunhos e documentos. A Comissão da Verdade encontrou laudos falsos feitos por legistas da ditadura em corpos de presos torturados até à morte. Não restou dúvida, como atestam dois exemplos entre milhares, de que presos como Vladimir Herzog e Manuel Fiel Filho foram barbaramente torturados e mortos pela ditadura. Assim como não resta dúvida de que os áudios descobertos por Carlos Fico são um documento histórico impressionante. Ao lado de vozes de ministros militares, algumas formais outras que revelam certa indignação, é emocionante ouvir a fala trêmula e incisiva do advogado Sobral Pinto, que defendeu muitos presos políticos, ecoando graves denúncias de tortura.. Naquele dia, a Justiça Militar foi colocada diante da verdade mais incoveniente para a ditadura que todos ali exaltavam e patrocinavam: a barbárie.
Bolsonaro tem o seu cercadinho de apoiadores, uma tosca mas eficiente modalidade de "pronunciamento" - agora de campanha eleitoral - que ele criou e a mídia adora repercutir.
De tanto fazer bombar o curral bolsonarista, os principais jornais criaram o cercadinho do Mourão. Se Biden cochila no Salão Oval, os repórteres vão lá saber o que pensa Mourão da siesta presidencial; se um príncipe do Reino Unido "pegou" uma adolescente, é indispensável ouvir Mourão; se a megassena acumula, o que será que Mourão pensa disso; qual a opinião do Mourão sobre o mendigo que traçou a transeunte, o Luva de Pedreiro e o vereador bolsonarista que faz reality pornô? "Anitta mostrou a bunda no festival Coachella? Caraca, vai lá ouvir o Mourão!", comanda o editor ansioso.O objetivo é caçar cliques no lodo digital. O excesso da prática de "ouvir o Mourão" sobre qualquer coisa - o cara é fácil, está sempre disponível, o que facilita a vida dos jornalistas - é um marketing gratuito que o general inativo fatura. Ontem Mourão debochou dos áudios encontrados pelo historiador Carlos Fico, da UFRJ, nos porões do STM (Superior Tribuinal Militar), e revelados pela jornalista Miriam Leitão na sua coluna no jornal O Globo. No material, há dramáticas constataçoes sobre os crimes e a crueldade dos torturadores das Forças Armadas brasileiras durante a ditadura. Todos ficaram impunes, vários deles são nomes de ruas, viadutos, pontes e até cidades.
“Apurar o quê? Os caras já morreram tudo, pô... Vai trazer os caras do túmulo de volta?”, afirmou Mourão, rindo.
A mídia caça cliques e também votos para quem já homenageou torturadores.
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Alô, passado! Chico Anysio de saltos, reparem, e Jô Soares ostentando ouro bem antes dos cantores de rap. Foto Manchete |
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Cruzador Moskva |
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A carga da Brigada Ligeira em pintura da época |
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Reprodução Twitter |
Restava a TV. Bastava sintonizar a Globo. Agora, com a pulverização dos direitos de transmissão, o torcedor tem que dá uma busca pela imagem. Se a opção 0800 não estiver na TV aberta, que seleciona cada vez menos jogos, o passo seguinte são os canais por assinatura - que cobram mensalidades caras pagas oficialmente ou clandestinamente ao tráfico e à milícia - e contratar pay-per-view, canais do You Tube, sites de clubes, de federações ou confederações, streaming etc. Em todos você morre em uma grana.
Fora isso, resta ir à casa do vizinho ou fazer uma visita desinteressada a um parente na cara de pau ou pelo menos levando uma cervejinha.
O que salva o povo é uma grande instituição nacional: os botecos que oferecem o jogo aos clientes em telões ou tvs de boas polegadas. Claro, você deverá consumir alguma coisa ou ficar na nova geral corujando seu time do lado de fora do boteco. Até às lojas de rua que ligavam aparelhos de tv nas vitrines com os torcedores lotando calçadas já não são tão disponíveis.
A tendência é que muitos clubes entrem na onda das SAF (Sociedade Anônima do Futebol) comandadas por empresários cujo objetivo é naturalmente turbinar lucros. Com isso, pode-se esperar aumento de preços nos estádios e em todas as plataformas.
A "geral" dos botecos é a salvação.
A FRASE DO DO DIA
“• A Vida e a Morte são duas urnas fechadas, cada uma contendo a chave que abre a outra.
• O Homem e a Mulher são duas urnas fechadas, cada uma contendo a chave que abre a outra.”
ISAK DINESEN (1885-1962),autora de “A festa de Babette”.
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Poster do primeiro filme |
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Jane, Tarzan e Cheetah |
Em 2 de abril de 1932 chegava aos cinemas dos Estados Unidos o filme Tarzan, The Ape Man/Tarzan o filho das selvas. Criado pelo escritor americano Edgar Rice Burroughs, em 1912 na revista pulp All-Story e, em formato de livro, em 1914. Já em 1918 surgia o primeiro filme, seriam ao todo quatro filmes e quatro seriados na fase do mudo. Tarzan no cinema só iria decolar mesmo na primeira versão sonora, graças ao carisma do ator Johnny Weismüller, indiscutivelmente o melhor Tarzan de todos os tempos. (Clark Gable foi cogitado para o papel, mas descartado por ser um ilustre desconhecido. Outros que fizeram testes foram os heróis de faroeste Randolph Scott e Joel McCrea e Bruce Crabbe, astro dos seriados de Flash Gordon e Buck Rogers.). Weissmüller, nascido em Timisoara, Romênia, parte do império austro-húngaro e filho de alemães, tinha cinco medalhas de ouro olímpicas em natação (nos Jogos de 1924 e 1928) quando foi contratado pela Metro Goldwyn Meyer, aos 27 anos. A MGM quase não conseguiu assinar com Weismüller. Ele era manequim da fabricante de cuecas, ceroulas e calções de banho BVD, que não queria ver seu garoto-propaganda trajando uma tosca tanga de couro. Uma barganha foi acertada: atrizes famosas da MGM como Greta Garbo, Joan Crawford e Jean Harlow posariam para anúncios usando maiôs da BVD.
Um parêntese: embora Weissmüller pudesse representar admiravelmente o mito da superioridade da raça ariana, Adolf Hitler não era chegado aos filmes de Tarzan, preferia as comédias do Gordo e o Magro (Chaplin, nem pensar...)
O filme começa lento, com o caçador inglês James Parker e seu jovem assistente Harry Holt na África, planejando uma expedição em busca do tesouro dos marfins de um lendário Cemitério de Elefantes. Surge então na selva a filha mimada do velho James, Jane, com um guarda-roupa de safari comprado na Selfridge’s que inclui sapatos de meio salto. Uma lady inglesa não deixa de ser um fator de risco numa expedição daquelas. O filme só começa a decolar depois de meia hora, com o aparecimento de Tarzan, anunciado por seu grito de guerra – Ôôôôô, uô-uô, uô-uôôôôô!!! – e por um arrojado voo pelos cipós. Atacados por pigmeus, os caçadores ingleses se distraem e o Filho das Selvas, criado por macacos, sequestra a jovem branca para sua casa nas árvores.
O criador de Tarzan, Edgar Rice Burroughs, nunca pisou na África. As locações do filme também não se afastaram muito de Hollywood. De uns terrenos baldios nas cercanias de Los Angeles, só se aventuraram um pouco mais longe, até Silver Springs, nos manguezais da Flórida, para cenas de hipopótamos e jacarés comedores de homens. Os leões foram fornecidos por um tratador com uma fazenda na periferia de Los Angeles, que cuidou pessoalmente das cenas envolvendo seus pupilos. O diretor W.S. Van Dyke usou também cenas do seu “Trader Horn/Mercador das Selvas” (1931), o primeiro filme de ficção sonoro rodado na África, resultando em efeitos de back-projection muito óbvios. Apesar de tudo, o filme recriou para o público da época a atmosfera da “África profunda”. Afinal, Hollywood não foi chamada à toa de “Fábrica de Sonhos”.
Os elefantes eram asiáticos, de orelhas mais curtas. Para dar a impressão de elefantes africanos, tiveram grandes orelhas falsas coladas nas laterais da cabeça. Os paquidermes asiáticos, por serem mais dóceis, facilitavam as filmagens, daí a sua preferência. Nos filmes seguintes, a produção abandonaria as orelhas falsas, achando que a plateia não notaria a diferença. A tribo de pigmeus africanos que ataca a expedição foi interpretada por anões brancos pintados de preto pelo departamento de maquiagem. Em sua aldeia, Zumangani, um gigantesco gorila preso num profundo fosso, trucida vítimas oferecidas a ele em sacrifício – uma antecipação do clássico King Kong de 1933.
O êxito de Tarzan no cinema levaria à produção de mais de cinquenta filmes e franquias, sem contar as versões e séries para rádio e TV. Na pré-adolescência fui um ardoroso fã do Tarzan, não só dos filmes das matinés de domingo do lendário “poeira” de Curitiba, o Cine Broadway, em cuja calçada se fazia o escambo de gibis. Além de consumi-lo em quadrinhos e nos livros da coleção Terramarear, eu ouvia a série radiofônica que fazia sucesso na época. Seu prefixo musical – não me perguntem por que – era a abertura da opereta “Orfeu no Inferno”, de Offenbach, aquela que se tornou o hino das dançarinas do can-can francês. Até hoje, quando ouço a música, eu a associo mais ao Filho das Selvas do que às midinettes que abriam as pernas nos palcos de Paris. Por aí se pode medir a força de um mito como Tarzan.
E tem ainda uma marca que hoje se chamaria de “branded content”: o grito do Tarzan. As controvérsias continuam até nossos dias. Segundo alguns, o grito teria sido criado pelo engenheiro de som da MGM Douglas Shearer, que fez um mix de vários sons. Outros acreditam que o grito era feito pelo próprio Johnny Weissmüller e sua garganta possante. Ao longo de toda sua vida, a atriz Maureen O’Sullivan – a Jane – garantia que Weismüller fazia o grito sem nenhuma assistência técnica. O próprio Johnny Weissmüller afirmou, num programa de TV, o Mike Douglas Show, que o grito era criação sua. E provou, no berro.
A grandeza e persistência de uma obra de arte pode ser medida por sua presença em nosso cotidiano. Não estranhe, portanto, se um dia você ouvir no seu bairro a buzina de um carro entoando o grito do Tarzan. Cansei de ouvir nas ruidosas ruas de Botafogo. A buzina está à venda na internet.
PARA OUVIR O GRITO ORIGINAL DE TARZAN CLIQUE AQUI
As terríveis cenas da desastrada retirada no Afeganistão, a inflação e a atuação na Guerra da Ucrânia - conflito que impulsiona a inflação - jogaram Joe Biden em um porão de desaprovação na opinião pública estadunidense em um ano eleitoral. Biden viu na Ucrânia uma chance de se afirmar como o líder global. Até aqui não deu certo. Seu índice de desaprovação está em 55%. O risco de entregar a maioria no Congresso assusta os democratas. Na Ucrânia, Biden concentrou seus esforços na guerra. Parecia entender que a recuperação do seu prestígio interno estava apenas na enorme ajuda militare nas sanções, esqueceu que trabalhar para evitar a invasão russa, quando isso ainda poderia ser possível, e buscar uma negociação de paz para conter tantas mortes também é papel de estadista. Se o desfecho ainda imprevisível da crise na Europa mostrar que Biden acertou e vier em seguida a queda da inflação, ele poderá se recuperar a tempo.
Por enquanto e de camarote, Donald Trump assiste às trapalhadas do democrata enquanto lhe crava o apelido de Sleepy Joe.
"O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os próprios oprimidos”
Simone de Beauvoir (a filósofa, escritora e ativista morreu em 14 de abril de 1986, há exatos 36 anos)
Sharon Stone, o fenômeno das telas em 1992. Foto Divulgação |
Lançado em 1992, Basic Instict (no Brasil, Instinto Selvagem) comemora 30 anos. Aqui, os caras pintadas estavam nas ruas; Collor caía; Daniella Mercury fazia sucesso com o Canto da Cidade; Madonna agitava as lojas de discos (ainda existiam) com o ousado Erotica. Tereza Collor estava nas capas de revistas. No meio de tanta notícia e com uma cruzada de pernas solar apesar da meia luz do set, Sharon Stone dominou a cena. Não é exagero dizer que tudo ao redor ficou menor naquele ano. O autor da mágica foi o diretor de Basic Instinct, Paul Verhoeven.
A propósito, em sua recente autobiografia, Sharon Stone reclamou que não sabia que seria tão exposta no filme. Verhoeven logo rebateu e deixou claro que a atriz tanto estava informada sobre a cena polêmica que, em conversa no estúdio, ele mesmo havia lhe contado sobre uma amiga da adolescência que não usava calcinha e era a nostálgica inspiração para a sequência da cruzada de pernas.
Em entrevista à revista digital IndieWire há poucos dias, o diretor citou o filme e surpreendeu ao usá-lo como guia de uma análise improvisada sobre o cinema atual. Uma cena como aquela, além do alto teor erótico do filme inteiro, seria bancada hoje ? Ou os estúdios já aposentaram o sexo nas telas e no streaming? Verhoeven diz que sim e observa que os novos filmes de James Bond eliminaram até "trepada sutil", aquela apenas insinuada sob uma montanha de lençois. "No Time to Die não tem sexo", diz ele. O diretor acrescenta que os herois da Marvel - a interminável onda do cinema atual - são assexuados. De fato, não há Viagra planetário que estimule aqueles sujeitos em trajes metálicos ou calças leggings, cercados por efeitos especiais e explosões. O cinema mudou a chave: a estética dos games e comics é o que parece excitar os novos públicos. A única integrante feminina do Quarteto Fantástico é invisível, nada mais brochante. Em Guardiões de Galáxia, Gamora é espancada por bandidos e se torna uma assassina intergalática. Quem se arriscaria a levá-la para a cama? Em She-Hulk, a heroina é até pegável, mas e se entrar em surto com o seu primo verde? E por aí vai: Valquíria, Vampira, Psiyocke são capazes de tudo, voam, disparam raios, abatem vilões, mas parecem ter traumas sexuais que as transformaram em eternas noviças.
Apesar do moralismo doentio que, na sua opinião,limita e censura Hollywood, Verhoenven promete lutar até o fim: seu novo filme, Young Sinner, é um thriller erótico, como Basic Instinct.
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Foto: Divulgação |
por Acácio Varejão, correspondente do Panis em Itajaí
Foi aprovada, no Balneário Camboriú, SC, a construção de um prédio (!) de 509 metros de altura, com 154 andares. Você gostaria de morar na cobertura? Morando acima do 100º andar, quando tempo você perderia nos elevadores durante as paradas nos andares intermediários? Ou haveria helicópteros ao seu dispor a um estalar de dedo? Paraquedas? Parapentes? Drones? Bem, dizem que o automóvel-voador já está a caminho... Uma coisa é garantida: qualquer tentativa de suicídio será bem sucedida. A não ser para os achatados que moram nos andares de um dígito? Como ficaria a autoestima dos pobres coitados? Aliás, quem compraria apartamento de primeiro andar num prédio de 154 andares? E a administração do lixo?
Eu não diria “Se vivo fosse Nélson Rodrigues...” Do túmulo o velho canalha querido brada: “Toda ostentação é burra! Mas esta não tem tamanho...”
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Pussy nos presídios de Putin |
Julian Lennon, 59 anos, declarou: “A Guerra na Ucrânia é uma tragédia inimaginável... Como ser humano e artista me senti compelido a reagir da maneira mais significativa que pudesse. Por isso, hoje, pela primeira vez na vida, interpretei publicamente a canção de meu pai “Imagine”. Por que só agora, depois de todos estes anos? Eu sempre disse que a única ocasião que me levaria a cantar “Imagine” seria o “Fim do mundo”…
Aos 59 anos, Julian Lennon canta pela primeira vez “Imagine”. |
Ouçam Julian Lennon, com Nuno Bettencorut ao violão, em “Imagine”:
https://www.youtube.com/watch?v=NicWjYMPDG0
Outro roqueiro sempre disposto a apoiar as causas Justas deste planeta cheio de injustiças é Sting. Ele fez mais pela causa do índio brasileiro do que muitos artistas do nosso próprio país. Graças a ele, a candidatura de Raoni ao Nobel da Paz continua de pé. Ele também veio a público demonstrar toda a sua indignação contra a covarde invasão da Ucrânia. Neste novo vídeo, ele explica suas razões, destacando os versos “Compartilhamos a mesma biologia/ Independentemente da ideologia/ E o que pode salvar a mim e a você/ É que os russos amam seus filhos também.”
Ouçam Sting, voz e violão, acompanhado de violoncelo, em “Russians”
por Flávio Sépia
"Se um cachorro morde um homem não é notícia; se um homem morde um cachorro, é" . O aforisma muito conhecido teria sido criado pelo jornalista americano John Bogart. No Reino Unido, a mesma máxima é dada como de autoria do magnata da imprensa Alfred Harmsworth.
No caso das concessionárias de transporte multadas por falhas no serviço prestado, gigantes do agro negócio multados por desmatamento, grifes punidas por usar trabalho escravo, hospitais multados por negligência, sonegadores e poluidores flagrados no crime etc, a mídia deveria ir atrás do homem que morde o cachorro. Você vê e lê com frequência notícias sobre as multas acima. O que deveria ser notícia seria a empresa multada pagar a multa. No Rio, por exemplo, noticiar que a Supervia, empresa privada de transporte ferroviário, foi multada é coisa quase mensal. O que nunca se sabe, e a mídia ignora, é se a Supervia pagou a multa. Aparentemente, a "punição" se esgota na notícia. Usuários fingem que acreditam que a empresa foi punida, a fiscalização finge que atua, a mídia finge que presta serviço e o Estado finge que a multa é paga. E a vida segue nos trilhos e na maré mansa. Pelo menos uma vez, só uma vez, as câmeras poderiam flagrar no guichê uma empresa dessas quitando uma multa. Aí acreditaríamos que homem morde cachorro.
"O casamento é uma troca de maus humores durante o dia e de maus odores à noite.”
Arthur Schopenhauer, filósofo alemão (1788-1860)
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A palavra original é tensão. Mas o derrame superfaturado de Viagra justifica o clima. Mas uma vez o roteirista do Brasil se supera. Na tempestade de escândalos de corrupção no governo, esse é o da vez. Aos políticos golpistas que costumam frequentar quartéis, é a hora da confraternização. Vai lá. Boa sorte!.
por José Esmeraldo Gonçalves
O perigo, mais do que nunca. Marine Le Pen passou um maquiagem que amenizou suas conhecidas pautas de ultra direita, como racismo, imigração, ecologia, leis prisionais, educação, energia limpa, desmonte da União Europeia etc para prometer um programa populista de auxílios financeiros, corte de impostos, benefícios para aposentados, salários, um possível "brexit" francês, aumento das verbas militares, intervenção do Estado na economia, entre outros pontos que seduziram boa parte do eleitorado cansado do modelo neoliberal que fez cair o padrão de vida da população nas últimas décadas. Não por acaso sua campanha recebeu vultoso apoio financeiro do lider polonês Andrzej Duda. Na outra ponta, o desgaste de Emmanuel Macron, os impactos da guerra na Ucrânia e a fragmentação resiliente da esquerda favoreceram a ascensão da Führerin francesa. Faltou pouco para Mélenchon - cujo desempenho surpreendeu -, ir para o segundo turno. Resta agora esperar que o voto antifascista anteveja o risco, faça cair a abstenção e reeleja Macron, a solução amarga e única. Macron, Mélenchon e nichos menores da esquerda têm até o próximo domingo, data do segundo turno, para buscar um entendimento que afaste a França da fascismo com botox.