
Deu na Vejinha. O arquivo vai para o martelo. Mais uma nota na imprensa fruto do trabalho de divulgação, não remunerado, do José Carlos Jesus, nosso incansável presidente da Comissão de Ex-empregados da Bloch.
Na reprodução, o Palácio Universitário, Praia Vermelha
Na reprodução, o belo prédio da Faculdade de Medicina, na Praia Vermelho. Demolido em 1975 por ordem da ditadura, que também queria pôr abaixo o Palácio Universitário.
E o prefeito Gilberto Kassab, do Demo de SP, hein? Alegou que comer demais engorda e pretende cortar uma das refeições do dia em creches públicas. Vai tirar parte do rango de 60 mil crianças que não passam férias na Disney. A prefeitura quer reduzir o gasto mensal de R$2,85 milhões para R$2,28 milhões. Huuummmmm, deve ser essa "importante" economia que estava faltando para salvar os cofres da prefeitura de SP...
Exatamente no dia 15 de setembro de 2008, há um ano, o banco norte-americano Lehman Brothers declarava falência. Começava uma forte crise financeira, que atingiu com um tiro na testa os especuladores dos tais derivativos, os alavancados, os fabricantes de índices, os "tio patinhas" das pirâmides, os magos das avaliações e das previsões e os tais projetistas de cenários. Os jornais anunciaram algo perto do fim do mundo. Empregos se foram, é verdade, menos do que diziam, e só agora começam a voltar. A crise foi, felizmente, aquém do apocalipse financeiro previsto. Quer saber: faltou seriedade e sobrou política - incluindo política eleitoral, lado a lado - e doses de ideologia na análise e critíca dos fatos neste um ano desde que os Brothers bateram a bota.
Repórter, número 2, o texto-denúncia do historiador Hélio Silva
A capa do número 2: estudantes


Especial para a seção memória jornalística do paniscumovum. O time era respeitável. A idéia, vejam, mais louvável ainda. "Uma revista de repórteres, os jornalistas da linha de frente, do encontro direto com os fatos". Assim nascia a Repórter. O sonho de Paulo Patarra (diretor de redação), Hamilton Almeida Filho, Lourenço Diaféria, José Hamilton Ribeiro, Caco Barcelos, Joel Rufino dos Santos, Elifas Andreato, Narciso Kalili, Luiz Carlos Cabral, Zeka Araújo, Fernando Morais e tantos outro nomes, muitos egressos da Realidade, publicação que marcara época cerca de um década antes, chegou às bancas em maio de 1978, lançado pela Editora Três. A periodicidade era mensal. O primeiro número tinha 162 páginas, com 40 de anúncios, entre as quais mensagens de estatais, bancos, automóveis, cigarros etc. A capa (ao lado) era um cartão de visitas: o repórter Narciso Kalili investigava o Esquadrão da Morte e o réu Sérgio Fleury. No miolo, Caco Barcelos, que ficou 4 dias clandestino no canteiro de obras da usina atômica de Angra, área de segurança da ditadura, publicava o relato e fotos da "espionagem". Fernando Morais e o fotógrafo Geraldo Guimaráes infiltravam-se na guerrilha sandinista da Nicarágua. José Trajano assinava a matéria "Ordinário, chute" e mostrava que oito anos depois da Copa de 70, o capitão Claudio Coutinho treinava a seleção como um pelotão de soldados. No manual dos jogadores, escrito pelo Exército, o time que se preparava para a Copa da Argentina aprendia que era proibido "barba por fazer, cabelo despenteado, comentário sobre assunto interno da seleção, reivindicações, provocar desentendimento ou desagregação" e por aí vai. No segundo número, o sonho dos repórteres começou a desfocar. A revista saiu com apenas 88 páginas. Os anunciantes foram embora, somente dez marcas se arriscaram a figurar na edição em que a capa mostrava a volta da UNE, o historiador Hélio Silva revelava o Caso Stuart, a Anistia era tema, a morte dos trabalhadores vitimados pelas péssimas condições da indústris do cimento também. Com pautas incômodas ao regime, vieram as pressões, o boicote e o fechamento da Repórter. Foram duas edições, tempo de chegar, o diretor de redação explicar o que seria a revista, e logo entregar o boné e o sonho sem maiores explicações. Ficou a história.
Este comercial da atriz e modelo Pamela Anderson, militante da Peta (People for the Ethical Treatment of Animals), foi retirado do ar essa semana pela CNN, que o considerou impróprio. Mas não tem nada demais, mostra a turbinada Pamela atuando como guarda de aeroporto e é uma peça oportuna contra peles e acessórios originados da métodos crueis de produção e da morte de animais. Veja no link Barrados do aeroporto






Está marcado para o próximo dia 22 de setembro o leilão do Arquivo Fotográfico da Bloch Editores. Este blog públicou em posts logo abaixo reproduções de uma fotonovela da vida do Pelé (1959) e uma entrevista com Roberto Carlos feita por Carlos Lacerda (1970). São apenas duas pequenas referências de um dos mais expressivos arquivos jornalísticos do pais. De 1952 até 2000, ano em que a Bloch foi à falência, a Manchete, Fatos & Fotos, Amiga, Desfile e demais publicações da extinta editora acumularam um vasto acervo. O livro Aconteceu na Manchete - As histórias que ninguém contou (Editora Desiderata) reúne cerca de 200 reproduções significativas do arquivo da Manchete, acima postadas. Trata-se de um patrimônio cultural importantíssimo. O que se espera é que o vencedor do leilão leve ao público esse acervo que mostra acontecimentos políticos, esportivos, da música, do cinema, do esporte, tendências, mudanças de comportamento etc de meio-século de Brasil. Que o divulgue, seja em forma de publicações, de livros ou exposições e que esses milhões de fotos e cromos não fiquem encaixotados como estão há nove anos. A memória do país agradece.