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terça-feira, 10 de março de 2026

Com a ajuda de "fontes anônimas", alguns repórteres e comentaristas da mídia corporativa fazem uma desastrada hamonização facial do jornalismo. Não fica bonito. E Fernando Gabeira? Ele quer fechar o STF e simbolicamente decepar a cabeça da Justiça


por José Esmeraldo Gonçalves

O modo Trump de fazer política é replicado pela extrema direita brasileira e mundial. Trata-se de um sistema que despreza regras, limites morais e formais. A Casa Branca promove uma espécie de golpe com hot dog. A forma pode enganar, o recheio são as instituições fritadas e subjugadas. Trump se coloca acima da Constituição, do  Congresso, da Suprema Corte, das administrações estaduais, organizações multilaterais, demais países e até faz ameaças a empresas privadas.

Tudo indica que a guerra eleitoral no Brasil em torno das urnas de 2026 fará a clonagem desse modelo.  As evidências já estão expostas na atuação da grande mídia controlada pela direita. 

Canais do You Tube, Instagram, contas no X e em demais redes sociais da extrema direita ultrapassam limites ao produzir livremente correntes de fake news. Os influenciadores bolsonaristas agora ganharam companhia. Nos casos que envolvem o STF e as investigações mais sensíveis da Polícia Federal, a mídia corporativa parece tão falsa quanto os canais das senhoras doidinhas que cantam o hino nacional para um pneu. 

No momento, os escândalos do Banco Master, das associações corruptas que meteram a mão no dinheiro dos aposentados e os desvios criminosos das emendas parlamentares são as principais pautas jornalístico-eletorais. A mídia hegemônica costuma se apresentar como reserva do jornalismo "profissional", mas na cobertura abjeta da Lava Jato dançou na chorus line de Sergio Moro e seus procuradores e não exergou as ilegalidades daquela força tarefa burlesca. Pelo visto, gostou. Tanto que agora ensaia uma reencenação. O roteiro pouco mudou. A "noticia" é plantada na internet, vira manchete de jornal, capa de revistas, passa pelos canais de assinatura, culmina na TV aberta e se transforma em palanque eleitoral nas comissões parlamentares de inquérito. E, sim, com direito a suspeita de compra de vazamentos de material sob sigilo legal. 

Dizem que o papel aceita tudo. Hoje, os algorítmos fazem isso e ainda maquia os fatos. E um tal de repórter pendurada (o) em "fontes" anônimas", é a campanha aberta e indiscriminada contra o STF, é ministro acusado de trocar mensagens de celular com o dono do Master, sendo que a análise telemática constata que o destinatário era um homônimo do magistrado, é apresentadora contando que entrevistou os "bastidores " do STF para garantir que os ministros estão incomodados com a autonomia da Polícia Federal. A PF, segundo dizem os "bastidores" ouvidos, precisa de uma reconfiguração, seja lá que diabo for isso, seria reinicializar, dar um boot? A propósito, existem projetos de emenda constituconal que vão na direção oposta: a de garantir a independência à PF.

Em geral, a feiura visível nem é de cobertura jornalística, mas de campanha política incorporada à apuração. O resultado é uma desastrada harrmonização facial do jornalismo, um lifting da honestidade.

O resumo disso tudo, a essência que cheira mal, é o comentarista Fernando Gabeira, da Globo News, afirmar no ar que o STF deveria ser fechado. Em um passado recente, a facção dos Bolsonaros dizia que bastava um jipe com um cabo e um soldado para lacrar de vez a Corte Suprema. Pelo jeito, agora basta a vontade do impetuoso Fernando Gabeira. Já o vejo montado no Rocinonte e decapitando com sua lança a estátua da Justiça. No fim, vai sobrar para a bela obra de Alfredo Ceschiatti.