domingo, 18 de janeiro de 2015

Direto de Paris, o repórter Jean Paul Lagarride comenta a edição histórica do Charlie Hebdo...

A charge de capa é de Luz,
o cartunista
 que sobreviveu à chacina
por ter se atrasado para
a reunião de pauta. 
por Jean Paul Lagarride
Depois da tragédia, a polêmica. E o recorde de vendas. A edição da revista satírica Charlie Hebdo pós-atentado já alcança uma tiragem de 7 milhões de exemplares, segundo informa a France Press. Inicialmente, foram rodados 1 milhão, em seguida as filas nas bancas levaram a 3 milhões de cópias, que também se mostraram insuficientes. O lucro, segundo a TV francesa, já ultrapassa os 10 milhões de euros, o suficiente para garantir sobrevida ao antes financeiramente combalido CH. Nos países islâmicos explode um onda de manifestações contra as charges anti-jihadistas. No Ocidente, discute-se o limite da sátira. O CH especial mostra que continuará defendendo o humor livre. Em editorial do número histórico, o chefe de redação Gérard Biard escreveu que "em uma semana, Charlie realizou mais milagres do que todos os santos e profetas juntos". Biard diz que a revista tem novos amigos: "Alguns anônimos, algumas celebridades globais. Alguns humildes e alguns influentes. Alguns meliantes e alguns líderes religiosos. Alguns que estarão conosco para o resto de nossas vidas e alguns que estão apenas de passagem. Nós levamos todos a bordo. Não temos tempo nem coração para separá-los". O editorialista diz a todos os chefes de Estado e de governo, todos os políticos, instituições, intelectuais e celebridades da mídia e a todos os dignitários religiosos que o "Je Suis Charlie", que todos proclamaram, significa também "Eu sou secularista". E pede que seja defendida a separação entre Estados e religiões. Para ler o editorial completo, clique AQUI.


Nesta página, no alto, a nova conferência de Yalta para dividir o mundo em 'zonas religiosas'. 

Jihadistas em busca de emprego: a charge na parte inferior da página, de Cabu, morto no atentado, pergunta "qual o futuro para os jihadistas"; "segurança no Carrefour", diz a atendente. No centro da página, charge de Wolinski sobre os 100 anos da Lei secularista de 1905: "Nem Deus, nem dono".


Na margem direita da página, Wolinski brinca com as lésbicas: "Elas não precisam mais da gente". No último balão, o desabafo do marido: "Mamãe, eu só queria te dizer um coisa, minha mulher está te traindo".

No centro da página, charge de Riss, sobrevivente do atentado: "Desenhista do Charlie Hebdo, 25 anos de trabalho"; "Terrorista, 25 segundos de trabalho"; e "terrorista, profissão de punheteiro e vagabundo".

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Fogo no Engenhão... E o Botafogo nem entrou em campo ainda. Já há quem diga que tem um "sapo do Arubinha" enterrado lá...

Imagem reproduzida do portal UOL
É famosa a história do Arubinha. Mário Filho, João Saldanha, Ruy Castro, entre outros, escreveram sobre o "causo". Jogador do Andaraí, Arubinha ficou indignado porque o Vasco goleou o seu time por 12 X 0.  Foi em 1937. Achou que era até normal o Vasco ganhar, mas esculachar, pô?. Ao fim do jogo fatídico, camisa suada e alma encharcada de humilhação, Arubinha, conta a lenda escrita e reescrita, ajoelhou-se à beira do gramado, olhou pro céu, e mandou uma praga: "o Vasco vai passar doze anos sem ganhar campeonato, um pra cada gol que fez de sacanagem". Só que Arubuinha não se contentou com a palavra e partiu pra ação. De madrugada, invadiu o estádio de São Januário, e enterrou um sapo atrás de um dos gols. O tempo passou e nada do Vasco ganhar título. Só podia ser o sapo. Os diretores souberam da história e montaram uma força-tarefa para escavar o gramado e arredores em busca do que restava do sapo azarento. Em vão. Deram uma prensa no Arubinha, mas ele negou que tivesse enterrado o batráqueo. O fato é que o Vasco, embora tivesse um timaço nos anos 40, só voltou a ser campeão em 1948. Exatamente, o décimo-segundo ano depois da praga de 1937 do Arubinha enfurecido.
Tudo isso para dizer que o Botafogo e o prefeito Eduardo Paes, os parceiros do Engenhão, precisam achar o sapo enterrado no Estádio Olímpico. Foi só anunciar que o Engenhão receberá os jogos do Botafogo no Campeonato Carioca 2015 para pegar fogo na cobertura em obra. Em março de 2013, técnico alemães fizeram um laudo que apontou que a cobertura do estádio estava a perigo e não aguentaria ventania forte. Resultado, está fechado desde então para obras de reforço na estrutura "paraguaia" que arrumaram lá. Em setembro do mesmo, ano, houve um princípio de incêndio na mesma cobertura. Tá feia a coisa. O pequeno detalhe é que o Engenhão, com todo esse desacerto, é tão somente o estádio-sede da Rio 2016. Só isso. Bom procurar o "sapo do Arubinha" antes dos Jogos Olímpicos ou o vexame vai subir ao pódio.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Predadores do futebol...

O Globo de hoje publica boa matéria sobre violência entre torcidas organizadas. Para o tenente-coronel João Fiorentini, comandante do Grupamento Especial de Policiamento de Estádios (Gepe), a guerra das torcidas, melhor dizer, no caso, quadrilhas, tem relação com as facções criminosas do Rio de Janeiro. Um dos problemas já fartamente denunciado e que Fiorentini destaca é o apoio que os clubes dão a tais grupos em forma de ingressos com descontos e que são revendidos sem qualquer controle. Há torcidas que faturam 20 mil reais em um jogo. O comandante do Gepe revela que prendeu 1.300 torcedores violentos mas apenas dez foram condenados e assim mesmo a pagarem cestas básicas ou assumirem o compromisso - que não cumprem-, de comparecer à delegacia em das de jogos. Fiorentini conta que os torcedores envolvidos na briga em que houve uma vítima fatal, em Joinville, pararam de se apresentar. "Eu os prendi, Quatro horas depois, sob fiança, foram soltos. Foram dez dias de investigação por quatro horas de prisão. Qual o estímulo que eu tenho"? Mas o comandante do Gepe tem mais uma queixa, essa estarrecedora. Tudo isso custa caro ao contribuinte. O torcedor comum e sua família tem sido afastado dos estádio por temer o confronto entre as gangues. Pois, além de ter seu lazer proibido, ainda paga por isso. Embora futebol seja um espetáculo privado que rende lucros a clubes, TVs, patrocinadores etc, a alta conta do policiamento sobra para os cofres públicos. Em São Paulo, paga-se por policiamento. No Rio, o entendimento é que privado pode se aproveitar do que é público e embolsar tais valores. Resultado: em dia de jogo, a PM tira policiais da proteção das demais áreas para beneficiar um evento particular, quando os clubes deveriam prover a segurança, com os stewards, como se faz na maioria dos países. Tudo isso é discutido há anos. Até a identificação dos integrantes de torcidas organizadas, com carteirinha, como se faz na Inglaterra, foi torpedeada aqui. Com isso, fica mais difícil identificar os encrenqueiros. E os clubes ainda se queixam da falta de público.

"Saco de maldades" não acerta o "camarote vip"...

O governo de Joaquim Levy e Dilma Rousseff começa a abrir o "saco de maldades".  O problema não é a estratégia do "saco", prática de todos os governos e em todos os níveis, quando a crise aperta. Políticos eleitos por várias partidos estão aí nas administrações estaduais tentando produzir suas mágicas para equilibrar orçamentos. A maldade maior são os alvos preferenciais: aposentados, assalariados, pensionistas (e não pense que os atingidos serão os superpensionistas, a turma do camarote vip, não, o tiro é na galera da geral mesmo. Um governo republicano, expressão renascida e já desgastada pelos políticos, começaria por recuperar os bilhões em impostos sonegados, os eternos devedores da Receita que utilizam e reutilizam o mecanismo do Refis (para muitos, é até mais vantajoso deixar de pagar impostos, investir o dinheiro no mercado especulativo e, depois, apelar para o rentável refinanciamento do calote). Uma administração justa faria uma rigorosa auditoria e verificaria o que há de atrasos e calotes no vai-e-volta dos bilionários empréstimos do BNDES a gigantes empresariais. E não apenas desses governos recentes. Leiloar novamente em vez de prorrogar concessões, como virou moda nos governos estaduais, federal e municipais, faria entrar algum dindin nos cofres públicos. Cerco ao contrabando, cobrança de dívidas à Previdência, vender terrenos e prédios públicos hoje cedidos ou alugados por merreca a instituições privadas, isso também renderia um troco. Apertar o cerco à corrupção mas, principalmente, montar uma força-tarefa para recuperar, aqui no Brasil e no exterior, o dinheiro desviado, mais capilé na casa. E há o varejo da exploração das verbas públicas pelo privado. A Lei Rouanet, por exemplo, virou mecanismo bilionário de renúncia fiscal em nome do marketing empresarial. Um auditoria nas grandes fundações? Seria uma rica caixinha de surpresas? E a responsabilidade fiscal é só do executivo? E no caderninhos de despesas do Congresso, Judiciário, Câmaras de Deputados e Vereadores não vai nada? Farra de passagens aéreas, renovação de frotas de carros, convênios suspeitíssimos com milhares de ONGs e "Organizações Sociais", a festa que é a terceirização desenfreada em órgãos públicos que encarece os serviços e ainda resulta em milhares de casos em que a empresa terceirizada não cumpre suas obrigações trabalhistas e a conta do processo judicial sobra para o contribuinte, cuidar dessa peneira furada resultaria em mais trocados, Claro que este é um exercício de ficção. O "saco de maldades" é, na expressão ambientalista, embalagem seletiva.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

A capa do Charlie Hebdo que vai para as bancas de Paris, amanhã. Serão mais de três milhões de exemplares contra a intolerância...


Dinamarquesa descobre a "vacina" contra a "revenge porn": divulgar mais fotos como forma de protesto

Foto Emma Holten/Divulgação
A dinamarquesa Emma Holten foi vítima da "vingança pornô (a famosa ‘revenge porn’). Era adolescente ainda quando um ex-namorado vazou na internet fotos dela nua. Hoje com 20 anos, mas ainda sofrendo as consequências da atitude do rapaz, ela quis mostrar que apesar do trauma e das agressões machistas e moralistas que sofreu com a publicação das fotos não sente vergonha do próprio corpo e, três anos depois da "revenge", lança seu próprio ensaio sensual. A revista Frikton publicou uma matéria sobre a forma de protesto da dinamarquesa: uma espécie de imunização à base de "veneno" contra "veneno".

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

No Brasil, o humor não é mais "Charlie".

Na Pif Paf, de Millor: a Liberdade acorrentada e com o Mein Kampf, de Hitler, na mão. 
por Omelete
O massacre na redação do jornal satírico Charlie Hebdo levantou a questão do humor livre. Muitos cartunistas e humoristas brasileiros - como, de resto, a maioria das pessoas -, se solidarizaram com os franceses vítimas do terrorismo movido pelo sectarismo religioso. No Brasil, o jornalismo de sátira, a crônica, assim como o cartunismo, já foram mais desafiadores. Nomes como Millor Fernandes, Fortuna, Claudius, Jaguar, Henfil, Ivan Lessa, Ziraldo, Sérgio Augusto, Stanislaw Ponte Preta, entre muitos, fustigaram os poderosos de plantão. E não apenas os governos da ditadura, mas empresários, grandes grupos de comunicação, banqueiros etc. Alguns jornalistas e cartunistas foram, por isso, presos, perseguidos ou perderam espaço nos grandes veículos.
Angelo Agostini detonando a corrupção no Império
Muito antes, em 1876, Angelo Agostini, na Revista Illustrada, tirava um sarro do Império. Ao longo da história, jornalistas independentes sem espaço empreenderam seus próprios veículos. A maioria, como a revista Pif Paf, durou pouco. Outros, como o Pasquim, resistiram enquanto puderam. Um dos pontos levantados nas muitas conversas ou comentários na rede sobre o caso Charlie Hebdo foi fenômeno do  "politicamente correto". Humoristas das novas gerações se queixam de que é impossível fazer humor em função da reação, quase censura, dos grupos atingidos. Não é bem por aí. Ou melhor, não é apenas por aí. Não por acaso, os cartunistas e humoristas que hoje têm espaço na TV ou na mídia impressa fazem o que se pode chamar de "humor a favor".
O Pasquim atirando contra alvos poderosos
Atuam com extrema cautela, sem ousar desafiar a linha editorial e política dos grandes veículos que os abrigam. Daí, exercem confortavelmente o "politicamente incorreto" apenas em cima de minorias que vão oferecer menos riscos aos seus contracheques (aqui, uma observação: humoristas dos grandes veículos, hoje, são contratados ou são "pessoa jurídica". Há expressão que combine menos com o humor livre do que "pessoa jurídica"? Talvez muitos dos citados acima, que recebiam por "vale" ou por cartum, se sentissem, de saída, menos comprometidos). O fato é que a nova geração não faz piadas com poderosas igrejas donas de veículos, famílias e agregados proprietários de grandes grupos de comunicação, grandes marcas, políticos, partidos, ou administrações apoiados pela "casa", artistas dos respectivos casts dos seus patrões etc. Não faz piada nem com corrupção se o corrupto focalizado frequentar a área vip do patrão. E isso vale para cartuns, talk shows, jornalísticos de humor, realities, crônicas etc. É longa a lista de restrições que essa galera entuba sem reclamar. E olha que perdem, assim, fonte inesgotável de piadas. Para terem suas críticas levadas a sério, quando apontam um certo "cerceamento" do humor no Brasil e culpam o "politicamente correto", deveriam adotar, antes, a "sátira giratória", sem poupar minorias, maiorias, nem fracos, nem poderosos. Do contrário, é moleza faturar em cima de quem não pode reagir. Deixa de ser humor e passa a ser apenas bullying profissional.
Daí que as boas novidades no humor estão vindo das redes sociais. Caso do Porta dos Fundos e de muitos outros ainda na "clandestinidade". A turma que é uma exceção no dito acima tem caricaturado no You Tube instituições ou criticado comportamentos sem olhar o peso da influência dos alvos. O Porta do Fundos agora está no canal por assinatura Fox (por enquanto, reprisando quadros antigos). Dizem que assinou com a Fox porque lhes prometeram liberdade. Que assim seja e que tenha sua essência preservada, já que o Porta dos Fundos é a melhor novidade em matéria de humor surgida no Brasil há décadas.
Resumindo: o "Sou Charlie" foi uma unanimidade entre muitos humoristas brasileiros ouvidos pela mídia. Mas, infelizmente, não há "Charlie" entre eles. Ou foi domado ou faz humor convenientemente seletivo, do tipo que faz o patrão rir e dizer "tirou daqui", levando o indicador ao lábio inferior como, aliás, fazia um personagem antigo, o "Múcio", de Jô Soares. A esperança é que a sátira autêntica, ambulante, aquela que não poupa alvos, renasça, cresça e tenha vida longa na grande mídia alternativa de hoje: a internet.
Porque o humor de 'carteira assinada' perdeu a graça.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Bombou no You Tube: vídeo da atleta australiana Michele Jenneke que quer subir ao pódio na Rio 2016

Faz sucesso no You Tube video com cenas quentes que mostram como a atleta australiana Michelle Jenneke se prepara para a Olimpíada do Rio. Ela é uma das esperanças da Austrália para garantir uma medalha na prova de 100 metros com barreiras. Há não muito tempo, ela emplacou outro vídeo recordista ao mostrar como se aquece, nas pistas, antes das provas. Veja os dois filmes, o novo, de um comercial, e o mais antigo. E torça para que ela suba ao pódio no Engenhão, em 2016.
Clique AQUI
E reveja a técnica especial de aquecimento da atleta australiana Michelle Jenneke que vem para a Rio 2016. Ela chamou atenção em prova que venceu ainda como juvenil, em 2012, em Barcelona. Clique AQUI

Anita Ekberg, a cena que fica


A atriz sueca Anita Ekberg morreu hoje, ao 83 anos, na cidade de Rocca di Papa, onde estava hospitalizada. Foi o título de Miss Suécia, aos 19 anos, em 1950, que a levou ao cinema. Atuou em filmes como Sete Vezes Mulher (1967), Um Biruta em Órbita (1966), Boccaccio 70 (Guerra e Paz (1956) e
O Aventureiro do Mississippi (1953). Mas na sua carreira nada superou La Dolce Vita, de Fellini, em 1960, quando contracenou com Marcelo Mastroianni. Mais do que marcada pelo filme, tornou-se, de certa forma, prisioneira de uma das mais antológicas sequências de um filme. 

VEJA A FAMOSA CENA DO FILME LA DOLCE VITA, NA FONTANA DI TREVI. CLIQUE AQUI

Todos são Charlie...



Colaboradores do Charlie Hebdo. Foto Kluger-Bundesregeirung

Foto France Diplomatie

Foto Frandce Diplomatie 
Foto France Diplomatie

Foto France Diplomatie

Foto France Diplomatie


Do Facebook La France est Charlie
India, do Facebook La France est Charlie

No trem, do Facebook La France est Charlie

Liceu agrícola. do Facebook La France est Charlie

India. do Facebook La France est Charlie

Time de handball francês. Do Facebook La France est Charlie
Charlie Brown. Do Facebook La France est Charlie

Manifestação em Paris: pela liberdade, contra o terrorismo e a intolerância religiosa...um domingo que entra para a história

A multidão na Place de la République. Foto Libération
Comoção da equipe do Charlie Hebdo na manifestação. Do Libération. Leia mais, clique AQUI

Com o presidente da França, François Hollande, à frente, Chefes de Estado e personalidades estrangeiras participam da manifestação que acontece neste momento em Paris em defesa da liberdade de expressão e contra o terrorismo, após uma semana dramática marcada por atentados e assassinatos. A marcha reúne mais de um milhão de pessoas. Foto: Gouvernement.fr
France Soir. Para ver mais, clique AQUI

sábado, 10 de janeiro de 2015

Cadê a notícia que estava aqui?

por Flávio Sépia
Por contenção de gastos ou por avaliar que não vale o investimento, a cobertura internacional das TVs abertas anda acomodada. Raramente, os correspondentes vão aonde a notícia está, mesmo diante de acontecimentos marcantes. É comum fatos relevantes, como as manifestações do Egito, há quatro anos, parte da chamada Primavera Árabe, serem "cobertos" por um repórter que fala da Quinta Avenida, em Nova York, obviamente dando um CtrlC nas agências de notícias. A crise da Ucrânia, mais recente, foi descrita em detalhes, na maioria das entradas, por um repórter que estava a quilômetros de distância, nas ruas de Londres, com o Parlamento ao fundo. Também colhendo informações na base do copia e cola, certamente. Às vezes, há até uma sutileza cenográfica: um correspondente relatou o desaparecimento de um avião no mar, narrando o fato direto de uma capital a quilômetros de distância e com o "cuidado" de falar à beira do... mar, provavelmente, para dar um "clima" correlato à "cobertura".
No caso do atentado ao Charlie Hebdo, em Paris, e à caçada que se seguiu, com terroristas cercados em uma gráfica e outro criminoso em um mercado, destacou-se a cobertura da Globo News. Talvez o único canal brasileiro que tentou acompanhar de perto - e em certos momentos o fez muito bem -  a dinâmica dos acontecimentos. Houve nítido revezamento de equipes próprias dia e noite. Mandou bem. Não falo da estratégia cansativa de reunir "especialistas" do estúdio e passar análises quase sempre superficiais sobre o assunto. A Globo News fez isso também, e foi chato como quase sempre: "especialistas" em segurança, em política internacional, em religião, limitavam-se a teorizar, especular, obviamente sem informações detalhadas sobre os acontecimentos. Um papo de vizinhos, algo assim. Enquanto falavam e falavam, os telespectadores que queriam saber como estava a caçada aos terroristas roíam as unhas ou mudavam para a CNN. Mais eficiente foi a interpretação "quente" que a Globo News conseguiu adicionar à cobertura com seus jovens repórteres, em Paris, contextualizando a notícia, com clareza, no ato - o que não deve ser fácil naquelas circunstâncias- , praticando mais jornalismo e menos academia. Já as TVS abertas, especialmente a Globo, pareciam meio à deriva.
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A Globo deslocou de Londres uma correspondente aparentemente mais habituada a coberturas mais "leves", shows, desfiles de moda, espetáculos, features, entrevistas em estúdios. Não deu certo e a repórter é a menos culpada. Ela foi criticada até pela inexperiência exemplificada por alguns comentários na revelação de que era trainee há pouco mais de seis anos. Em um episódio que virou viral na rede, embora a 300 metros da cena (no mercado de produtos judaicos), vazaram aúdio e imagem em que ela admite que não tem novas informações porque está "sem internet". Sua fonte crucial naquele momento eram as mesmas fontes, de resto, a que milhões de brasileiros acessavam naquele momento e nesses tempos de informação sem fronteira. No vídeo vazado, a repórter se assusta com uma explosão ou tiros e mostra-se extremamente nervosa. Comenta depois, com singela naturalidade, que se assustou porque nunca havia ouvido tiros na vida. No vídeo, pergunta aos colegas se eles ouviram a explosão, que denunciava  exatamente o momento em que a polícia invadia o mercado. A jornalista foi criticada na rede por estar, na avaliação dos internautas, lendo notícias no celular. Talvez por isso, ainda abalada, tenha entrado ao vivo no Jornal Nacional permitindo que a câmera enquadrasse ostensivamente (o que não é comum), o seu "caderninho" de anotações. Talvez para mostrar que o smartphone vilão dos trend topics de ontem era de "papel". Claro que nenhuma jovem repórter, ainda mais com poucos anos de atividade, tem obrigação de ser uma Christiane Amanpour, da CNN. Desconte-se também o fato de que um canal de notícias por assinatura pode dedicar muito mais tempo a um acontecimento. A Globo até reforçou a equipe - pelo menos uma âncora que estava em férias na Europa apresentou-se para trabalhar -  mas a notícia rolou com tal velocidade que o prejuízo já estava contabilizado.
Em meio à mobilização de profissionais de tantos veículos, foi espantoso que jornalistas do canal francês BFMTV tenham se dado bem com uma ideia bem básica, bem beabá, que não ocorreu à concorrência: telefonaram para a gráfica onde estavam os irmãos Chérif e Saidi Kouachi, foram atendidos e fizeram algumas perguntas a Chérif, que respondeu. Simples assim. Entre outras coisas, o terrorista falou que era defensor e vingador do profeta. "Se alguém ofender o profeta, nós podemos matá-lo".
Uma grande manifestação está prevista para amanhã, em Paris. Os franceses estão mobilizados, segundo a mídia local, e querem dar uma demonstração de que o terror não sufocará a liberdade. Chefes de Estado europeus estarão presentes. É a notícia anunciada, E a chance de as TVs abertas trocarem a zona de conforto por mais jornalismo. Isso, sem falar que a encrenca não acabou. A polícia francesa caça a terrorista que escapou.

Atualização - Segundo a imprensa francesa, Hayat Boumeddiene, namorada de Amedi Coualibaly, um dos terroristas mortos, pode estar na Síria. Autoridades turcas suspeitam de que uma jovem com perfil semelhante cruzou a fronteira da Turquia com a Síria no mesmo dia em que o namorado matou uma policial francesa. Mas a polícia francesa ainda busca a suspeita em território francês, até que se confirme a veracidade da informação, e tenta localizar outros possíveis integrantes de células terroristas residentes.
Do Huffington Post-Reprodução

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Tributo ao Charlie Hebdo: um sentimento, duas mensagens... a capa da New Yorker e a irreverência do programa Les Guignols

Capa da revista New Yorker dessa semana: uma emocionante homenagem ao Charlie Hebdo.





O programa satírico Les Guignols, que vai ao ar na TV francesa, Canal+, pôs no ar uma capa fictícia. Seria, no espírito do Charlie Hebdo, a 'primeira edição' após a tragédia. A chamada é, adaptando-se à linguagem dos nossos classificados, "Urgente, precisa-se de seis novos cartunistas". A equipe do CH assinaria embaixo. 


UFRJ recupera o Mural Última Ceia, de Ziraldo, que o antigo Canecão emparedou há mais de 40 anos...

Ziraldo e o painel do ex-Canecão, no dia 13 de janeiro. UFRJ vai restaurar a obra ao longo de 2015. Mas, já em abril, os cariocas poderão ver o Mural Última Ceia, que os antigos inquilinos do Canecão emparedaram há 43 anos.  Foto Agência Brasil

Obra de arte redescoberta pela UFRJ. Ziraldo no ex-Canecão reencontra a parte visível do painel. Foto Agência Brasil


Mural Última Ceia. Reprodução
por José Esmeraldo Gonçalves
Em maio de 2010, este blog publicou um pequeno texto sobre o mural de Ziraldo, no antigo Canecão. Foi pintado em 1967 e, cinco anos depois, os antigos administradores emparedaram a pintura, que nunca mais foi vista. Após uma longa disputa judicial, a Universidade Federal do Rio de Janeiro retomou legalmente o terreno da famosa casa de shows, em 2010. Tratava-se de um empreendimento privado usufruindo de um bem público, de forma irregular, sem que, segundo a UFRJ, os inquilinos pagassem aluguel, além disso, acumulava problemas trabalhistas e fazendários. A universidade planejava desde 2010 transformar o lugar em um centro cultural mas até isso sofreu um atraso já que o antigo ocupante postergou a retirada de equipamentos e móveis da casa e, sem isso, nada poderia ser feito. Só em 2013, foi cumprida a decisão de esvaziar o prédio. A expectativa é que no ano que vem o espaço volte a funcionar como palco de shows e de espetáculos de artes cênicas, dança, música, além de atividades acadêmicas e científicas. Um primeira boa notícia chega agora em mensagem enviada ao blog. Leia, abaixo:

CONVITE

Lançamento do Laboratório Público de Restauro - Mural Última Ceia, de Ziraldo

"Inaugurando as atividades do programa UFRJ Carioca – Rio 450, o Magnífico Reitor da UFRJ, Prof. Carlos Levi, o Coordenador do Fórum de Ciência e Cultura, Prof. Carlos Vainer, e o Diretor da Escola de Belas Artes, Prof. Carlos Terra têm a honra de convidar para o lançamento do Projeto «Laboratório Público de Restauro - Mural Última Ceia, de Ziraldo».
Esta extraordinária pintura mural, de 32m x 6m foi realizada em 1967 no recinto da casa de espetáculo então denominada Canecão. A UFRJ, através de seu Fórum de Ciência e Cultura e da Escola de Belas Artes, promoverá, em 2015, a restauração da obra, que se encontrava tapada e murada, escondida da apreciação do público.
O Laboratório Público de Restauro - Mural Última Ceia será aberto à visitação pública a partir de abril e a obra deverá ser devolvida aos cariocas antes do final do ano.
A UFRJ reafirma, assim, seu compromisso com a preservação da arte do país e do Rio de Janeiro. E faz deste gesto um passo a mais no seu engajamento para recuperar e devolver à cidade e a nossos artistas e músicos um grande espaço para espetáculos, agora como equipamento público, sem fins lucrativos, voltado para a democratização do acesso à cultura e à arte".

O lançamento do Projeto “Laboratório Público de Restauro - Última Ceia, de Ziraldo” será na terça-feira, 13 de janeiro, às 16 horas, com a seguinte programação:

16h – Apresentação do projeto e exposição de Ziraldo sobre a Última Ceia, no Auditório da Casa da Ciência, Rua Lauro Muller, 3.

16h - Visita ao Espaço UFRJ e ao fragmento do mural que está visível, Avenida Venceslau Brás, 215.

Compareçam.

(Enviado por Maria Dias/UFRJ)


VEJA POST SOBRE O MURAL EMPAREDADO PUBLICADO NESTE BLOG EM 2010, CLIQUE 
Publicado em 12 de Maio de 2010. 


Redação do Globo sob ataque... trabalhista

Um irônica coincidência. No mesmo dia em que publicou como matéria principal a invasão da redação e a tragédia do Charlie Hebdo, a redação do jornal O Globo sofreu um duro ataque. Uma triste fatalidade, mas sem vítimas fatais, felizmente. Uma força-tarefa do RH, especialmente treinada pela direção do jornal, empreendeu uma operação-relâmpago e disparou rajadas de demissões que atingiram mais de cem profissionais. No último ano e meio, tais armas de destruição em massa de empregos viraram rotina nos grandes veículos. Leia abaixo.








Deu no Portal Imprensa
"Nesta quinta-feira (8/1), o jornal carioca O Globo realizou uma série de demissões. IMPRENSA apurou que 30 funcionários integram a lista de dispensas, incluindo repórteres, editores e colunistas.
Segundo o Jornal Opção, o número de demitidos na Infoglobo - empresa que administra os meios de comunicação do Grupo Globo - teria chegado a 160 pessoas. Ao menos 30 na redação, e o restante entre os setores administrativo e comercial. Entre os demitidos estão Fernanda Escóssia, ex-editora de "País"; os colunistas Jorge Luiz ("Esporte"), Artur Xexéo ("Cultura") e Agostinho Vieira ("Meio Ambiente"); e a ex-editora de "Rio", Angelina Nunes. Esta última fez o anúncio em seu Facebook: "A partir de hoje não estou mais no Globo. Vou concluir o mestrado e me preparar para quando o Carnaval chegar", escreveu.
Estariam também entre os dispensados as repórteres Carla Alencastro, Isabela Bastos, Laura Antunes e Paula Autran, além dos diagramadores Claudio Rocha e Télio Navega.
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Deu no Comunique-se 
O jornal O Globo realizou mais de uma centena de demissões nesta quinta-feira, 8. Conforme informações extraoficiais repassadas à reportagem do Comunique-se, ao todo, o veículo de comunicação dispensou cerca de 160 profissionais, atingindo vários departamentos da empresa, como administrativo e comercial. Na redação, os cortes alcançaram aproximadamente 30 pessoas, entre repórteres e diagramadores. Na lista de jornalistas que se despediram do dia a dia do impresso mantido pela Infoglobo estão profissionais premiados e com longo tempo de casa, caso da editora-assistente de ‘Rio’, Angelina Nunes, que estava na empresa de comunicação desde 1991. Ela usou o perfil que mantém no Facebook para confirmar a sua saída. “A partir de hoje não estou mais no Globo. Vou concluir o mestrado e me preparar para quando o Carnaval chegar”, publicou. Durante os 23 anos de trabalhos dedicados ao Globo, somou conquistas como Prêmio Esso, Prêmio Embratel e Prêmio Vladimir Herzog. LEIA MAIS, CLIQUE AQUI

Uma questão: Relativizar a liberdade ou imprimir o bom senso?

Reprodução do portal português PÚBLICO

Há órgãos de informação que se recusam a publicar as caricaturas do jornal satírico francês. Outros estão a rasurá-los. Autocensura? 

por Hugo Torres (*)
"A liberdade com que o Charlie Hebdo testa semanalmente os limites da sátira nunca foi do agrado de todos, nem mesmo de todos os meios de comunicação social que se solidarizaram com a redação do jornal francês após o violento ataque desta quarta-feira. Nunca foi e continua a não ser: na cobertura noticiosa dos últimos dias há meios que se coíbem de publicar ou difundir as polêmicas representações de Maomé. Outros fazem-no, mas com muitas reservas.
O debate sobre a autocensura está aceso desde que dois (ou três?) terroristas irromperam na sede do Charlie Hebdo e mataram 12 pessoas, dentro e fora do edifício do semanário, em Paris. A mídia media deve insistir em cartoons que sabem que muitos consideram ofensivos? E se decidirem não o fazer, estão a demonstrar sensibilidade ou a sucumbir ao medo? A resposta não é igual para todos. Nos EUA, onde a controvérsia está mais acesa, são várias as soluções.
O New York Times, um jornal de referência a nível global, optou por manter a posição de sempre a este respeito: “não publicar imagens ou outro material que tenham a intenção deliberada de ofender sensibilidades religiosas”. “Após cuidadosa reflexão, os editores do Times decidiram que descrever os cartoons em causa daria informação suficiente aos leitores para estes perceberem a história”, disse uma porta-voz do diário, Eileen Murphy.
O editor executivo do Washington Post, Martin Baron, afirma nas páginas do próprio jornal que conteúdo que “é incisiva, deliberada ou desnecessariamente ofensivo para membros de grupos religiosos” deve ser evitado. Contudo, o editor de opinião do Post julgou necessária, para contexto, a publicação da caricatura que motivou o primeiro ataque ao Charlie Hebdo, em 2011 – e teve autonomia para o fazer na página do editorial desta quinta-feira. “Penso que ver esta capa vai ajudar os leitores a compreenderem do que se trata”, disse Fred Hiatt.
Outros títulos com menos impacto internacional, como o Boston Globe ou o Philadelphia Inquirer, também se recusam a publicar as caricaturas que fizeram com que a redação do Charlie Hebdo ficasse sob proteção policial nos últimos quatro anos. “Não publicaremos os cartoons sob nenhuma circunstância. A ideia de insultar gratuitamente dezenas de milhões de muçulmanos em vez de descrever algo por palavras faz com que esta não seja uma decisão difícil de tomar”, sublinhou o editor do Philadelphia Inquirer, Bill Marimow, à Reuters.
Por sua vez, a Reuters e a Associated Press, duas das maiores agências noticiosas do mundo, tomaram decisão idêntica e não estão a distribuir as imagens com as representações polêmicas de Maomé. A agência France Presse, por outro lado, pôs em linha fotografias que incluem os cartoons considerados insultuosos. No entanto, nem sempre as imagens da AFP estão publicadas como foram originalmente distribuídas: alguns órgãos de comunicação estão a cortar ou a rasurar as imagens de modo a retirar ou a esconder as caricaturas.
São os casos do New York Daily News e do britânico Telegraph. Este último foi muito criticado pelos leitores europeus, menos habituados a este pudor do que os norte-americanos. Também no Reino Unido, o Financial Times enfureceu os leitores com um artigo de opinião de um dos seus editores. “A França é a terra de Voltaire, mas a insensatez editorial tem prevalecido demasiadas vezes no Charlie Hebdo”, decidiu escrever Tony Barber, logo após o ataque. A reacção exaltada que provocou, pela falta de absoluta solidariedade com os camaradas parisienses, levou o jornalista a reescrever o texto.
Na Europa, a maioria dos jornais de grande circulação publicou as caricaturas (incluindo o PÚBLICO). Nos EUA, contam-se pelos dedos e são sobretudo publicações online: The Huffington Post, Buzzfeed, The Daily Beast, Mashable, Slate, Bloomberg. O USA Today, depois de algum tempo renitente, acabou por publicar. O Wall Street Journal fez o mesmo que o Washington Post: fez sair um único cartoon na página do editorial.
Nas televisões, a CBS, a ABC, a NBC, a CNBC e a MSNBC assumiram um posicionamento conservador. A CNN começou por difundir imagens pixelizadas e a Fox chegou a mostrar um cartoon, mas ambas deram um passo atrás e passaram a descrever verbalmente as imagens. Num memorando interno revelado pelo Politico, a CNN admite emitir imagens das caricaturas (em manifestações, por exemplo), desde que em planos abertos e muito afastados.
No Facebook e no Twitter, uma rede muito frequentada por jornalistas, são longos os debates em torno deste assunto. O facto de um órgão de informação não publicar as caricaturas colide com a defesa intransigente da liberdade de imprensa? Não há consenso, mas a Repórteres Sem Fronteiras lançou mesmo assim um apelo aos media: demonstrem “profunda solidariedade” com o Charlie Hebdo e publiquem as caricaturas".

(Texto publicado originalmente em Portugal no portal PÚBLICO (www.publico.pt). Leia mais, clique AQUI

Se a religião, qualquer religião, for sinônimo de opressão, merece sim todas as sátiras e críticas...

O escritor Salman Rushdie até hoje ameaçado de morte por ter publicado, em 1989, o livro "Versos Satânicos", que denuncia a perseguição de fundamentalistas islâmicos a cristãos e hindus, divulgou ontem uma nota sobre o ataque ao Charlie Hebdo. A chacina terrorista que vitimou jornalistas e chargistas tem sido debatida na rede. Um das questões é o limite, o que já é ameaçador, da liberdade de expressão. Há na rede quem ache que os chargistas mereceram morrer. Uma espécie de adaptação do argumento bolsonariano de que mulher que veste saia curta está pedindo para ser estuprada. Outros determinam que religiões não podem ser criticadas mesmo quando abrigam braços radicais do terror ou do proselitismo e da intimidação, ou quando se organizam como partidos políticos e tentam deturpar leis produzidas por estados laicos, ou, ainda, quando estimulam agressões contra praticantes de religiões que classificam de "demoníacas".
Salman Rushdie, em curta nota, propõem um outro pensamento.
"A religião, uma forma medieval de desrazão, quando combinada com artilharia moderna se torna uma ameaça real às nossas liberdades. Este totalitarismo religioso causou uma mutação mortal no coração do Islã e nós vemos as consequências trágicas hoje, em Paris. Eu apoio Charlie Hebdo, como todos nós deveríamos apoiar, a defender a arte da sátira, que sempre foi uma força em favor da liberdade e contra a tirania, a desonestidade e a estupidez. "Respeitar a religião" se tornou um código para "ter medo da religião". As religiões, assim como todas as outras ideias, merecem crítica, sátira e, sim, nosso destemido desrespeito".

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Brasil já está entre os dez maiores mercados eletrônicos globais

O Brasil que não desconhece a crise rejeita a histeria analítica. Leitura recomendada aos profetas do fim do mundo ou aiatolás da terra-arrasada. Veja isso: pesquisa divulgada pela eMarketer informa que o Brasil pode ter uma chance de sobreviver ao apocalipse trombeteado pela mídia. O comércio eletrônico cresceu 22% no Brasil em 2014, alcançando a cifra de US$ 16,28 bilhões. Nenhum país da América Latina, mesmo Chile, México e Colômbia elogiados pelos Chicago boys ou girls chega perto disso. Com isso, o Brasil passa a figurar na lista dos dez maiores mercados eletrônicos globais. Esse dado, o das vendas via internet, foi minimizado e quase ignorado nas análises contaminadas de política partidária sobre a vendas do varejo no fim de 2014. A previsão de crescimento do varejo eletrônico para 2015 é de, no mínimo, 15,5%, mas o mercado pode surpreender, como, aliás, tem feito.

Repórter é agredido, ao vivo, em Teresina...

O repórter Pedro Borges fazia uma reportagem em Teresina, Piauí, quando foi agredido com uma "voadora". A matéria é da Rede Meio Norte. Borges apurava a ocorrência de um tiroteio que teria resultado na morte de um homem e em ferimentos em uma mulher e uma criança. Moradores, que acusavam a polícia civil de ter feitos os disparos, se irritaram porque o repórter ouviu também a versão dos policiais. A agressão acontece no fim do vídeo. Veja, clique AQUI 


Charlie Hebdo: nas bancas, semana que vem...

A edição do Charlie Hebdo que estava nas bancas, ontem, em Paris, no momento do atentado. Houellebecq (o escritor Michael Houellebecq), é autor de um livro ("Soumission", de ficção política) que provoca reações na França por ser acusado de islamofobia. O semanário brinca com suas "previsões", algo como "em 2015, perco meus dentes" e "em 2022, farei Ramadã". Há também uma "chamada" de capa para a "verdadeira história do menino Jesus". Reprodução




O Charlie Hebdo vai ser publicado normalmente na semana que vem. É a melhor resposta ao terrorismo religioso. Segundo Patrick Pelloux, que é médico, trabalha em hospitais de emergência e é um dos colunistas do semanário, a redação decidiu seguir em frente. Jornalistas e chargistas trabalharão em casa, já que as instalações do CH estão isoladas para a investigação policial em andamento. “É muito duro, estamos todos com a nossa dor, os nossos medos, mas vamos fazê-lo porque não é a estupidez que vai ganhar. Charb (diretor da publicação, morto no atentado) dizia sempre que o jornal deveria sair custasse o que custasse”, disse Pelloux. Ironicamente, o terrorismo vai dar um sobrevida ao veículo que queria destruir. O Charlie Hebdo estava em crise, deficitário, ainda afetado pelo ataque e incêndio das suas instalações em 2011, vendendo apenas 30 mil exemplares e, obviamente, fora do foco dos anunciantes. Perde de longe para o que seria seu concorrente mais próximo, Le Canard Enchainé, que roda mais de 400 mil cópias, vai para as bancas também na quarta-feira, é satírico, mas segue uma linha baseada em fatos, faz jornalismo investigativo e já revelou vários escândalos intramuros do Palácio do Eliseu. O conteúdo da edição do Charlie Hebdo pós-atentado não está ainda elaborado, mas sabe-se que, por simbolizar a resposta aos assassinos, deverá alcançar a tiragem de um milhão de exemplares. Os editores do Libération anunciam que apoiar Charlie é uma questão fundamental. Enquanto a polícia francesa caça os terroristas, jornais de vários países reproduzem as capas mais satíricas do semanário, multiplicando sua mensagem.

EM ALGUNS JORNAIS, HOJE, A SOLIDARIEDADE EM FORMA DE CHARGE