sexta-feira, 7 de julho de 2017

Lá vem o Brasil descendo a ladeira...


Jornalismo: tem vaga pra robô...


por O.V.Pochê

A notícia saiu no Portal Imprensa.

Impressão minha ou a velha mídia brasileira já inventou isso há muito tempo?

De qualquer forma, a nova modalidade levanta questões: robôs poderão ser processados por injúria?  Robôs serão convidados para coletivas amistosas do Temer? Escreverão colunas de política e economia? Terão programas na Globo News? Serão sócios da ABI? Farão copidesque de editoriais do patrão? Ganharão pauta de vazamentos seletivos?

'Parças' de Temer chegam ao Jaburu



Novo cinema brasileiro fracassa nas bilheterias. Espectadores poderão ser conduzidos coercitivamente às salas de exibição

por O.V.Pochê

O público não embarcou na onda do filme-panfleto tucano “Real: o plano por trás da História”. Em um mês de exibição, o longa já deu bye  bye da maioria das salas e não atraiu nem 50 mil espectadores, segundo a FilmeB, portal de mercado de cinema.

Com o alto índice de rejeição do atual governo do PMDB-PSDB+Temer+Moreira+Geddel-Eduardo Cunha+Eliseu Padilha+Aécio etc, a produção, que teria custado 8 milhões, não arrecadou nem 10% do total.

Provavelmente será relançado às vésperas das eleições de 2018.

Tudo indica que nem Aécio Neves viu o filme, já que o presidente do PSDB estava enclausurado em casa até a semana passada, antes do STF dizer que tudo bem quanto à acusação de Joesley sobre propinodutos de alta potência.

O filme-exaltação dos tucanos faz parte do movimento cultural-cinematográfico a que se tem dado o nome de Neocoxismo Brasileiro. Em breve chegará às salas de exibição o filme “Polícia Federal – A Lei é Para Todos”, sobre os bastidores da Operação Lava Jato. O diretor José Padilha fará uma série sobre a Lava Jato. Moro e Dalagnol estariam na fila de roteiros, além do documentário "Em meu coração bate uma panela" em fase de pré-captação sobre o engajamento político da classe média na "revolução" que levou Temer ao poder. O "Jardim das Aflições" sobre o guru da direita Olavo de Carvalho é outra peça do Neocoxismo, movimento já reconhecido pelo Cine PE, que premiou a história do ideólogo das multidões que foram às pedir "Dentro Temer". O doc teria emocionado o ilustre júri formado por Manoel Freitas (ator, diretor artístico, gestor e produtor de eventos), Indaiá Freire (jornalista, produtora cultural, mestra em literatura e cinema), Tony Tramell (jornalista, ativista cultural e assistente de direção), Caio Julio Cesano (Secretário Municipal de Cultura de Londrina, doutor em multimeios, mestre em Comunicação e Mercado), Naura Schneider (atriz, produtora e jornalista) e Vladimir Carvalho (documentarista, cineasta e escritor). A premiação foi praticamente um aval acadêmico ao Neocoxismo, tendência que marcará culturalmente a Era Temer.

A expectativa do mercado é que em 2018, ano de eleições presidenciais, longas sobre João Dória e Bolsonaro fiquem prontos a tempo. Caso o STF conclua pela inocência de Temer, Aécio, Geddel e outros, haveria uma ideia de juntá-los em um documentário sobre os dias de injustiça que terão vivido. Seus apoiadores veem semelhanças entre o drama experimentado por eles e o célebre Caso Dreyfus, que condenou um inocente e, provou-se depois, as acusações haviam sido forjadas pelo exército francês.

A má performance do filme tucano nas bilheterias decepcionou a cúpula cultural do movimento. Mas providências já estão sendo tomadas para que o mesmo não aconteça com "Polícia Federal - A Lei é Para Todos". Segundo o colunista de TV Flávio Ricco, um mega campanha de lançamento está sendo preparada para evitar o fiasco.

Deve ser exagero, mas corre o boato de que caso as bilheterias não sejam excelentes nos primeiros dias de exibição, espectadores poderão ser conduzidos coercitivamente às salas de exibição.

Aê, Brasil ! Recado da atleta Joana Maranhão para os otários da nação...


quinta-feira, 6 de julho de 2017

Governo quer permitir que empresa poluidora destrua Corais da Amazônia. Greenpeace pede ajuda a Bob Esponja para denunciar o crime em potencial







por Flávio Sépia

Além de corrupto, quer passar à história como destruidor do Meio Ambiente?

O governo brasileiro ameaça o recém descoberto sistema de Corais da Amazônia, no Norte do Brasil, ao permitir que uma empresa poluidora, como a BP, explore petróleo na região.

A britânica BP, que devastou o Golfo do México e foi multada em bilhões de dólares por operar com negligência e desprezo pela natureza uma plataforma de petróleo, deixando vazar quase cinco milhões de barris, além de provocar a morte de 11 pessoas, quer extrair óleo em locais que ameaçam um sistema ecológico recém descoberto. Os Corais já têm sua importância científica reconhecida mas ainda nem foram completamente estudados.  Os recifes na foz do Amazonas foram descobertos no ano passado, se estendem por cerca de mil quilômetros e abrigam centenas de espécies, incluindo mais de 60 variedades de esponjas. Os primeiros estudos indicam a existência de um ecossistema único no planeta.

Além da BP, a francesa Total e a brasileira Queiroz Galvão também pretendem explorar petróleo na região.

O Ministério Público Federal no Amapá (MPF/AP) pediu ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) que suspenda os estudos para a exploração nas proximidades da foz do rio Amazonas. O MPF pede ainda que seja interrompido o processo em andamento de licenciamento ambiental para perfuração no local.

O Greenpeace Brasil lança campanha mundial que pode pressionar as empresas a desistirem dos seus planos e influenciar bancos financiadores dos projetos.

Assine a petição no site do Greenpeace e fique de olho se o BNDES do Temer vai financiar esse crime ambiental.

Como esponja-do-mar, o personagem Bob Esponja protagoniza o vídeo da campanha.
CLIQUE AQUI 



PARA ASSINAR A PETIÇÃO, CLIQUE AQUI



Garotada engana repórter da Globo, que pede música de Ariana Grande, e manda um "Fora Temer" ao vivo...


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Professor da USP propõe em livro jornalismo inspirado nas ideias de Paulo Freire

por Diego C. Smine (para o Jornal da USP)

A obra do educador brasileiro Paulo Freire (1921-1997) é fonte de inspiração para acadêmicos de múltiplas áreas ao redor do mundo. O novo livro do professor Dennis de Oliveira, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, é mais um exemplo disso. Em Jornalismo e Emancipação: Uma prática jornalística baseada em Paulo Freire (Appris Editora), fruto de sua tese de livre-docência defendida em 2014, o professor aplica as ideias de educação libertadora do intelectual para conceber uma maneira de fazer jornalismo diferente desta dos dias atuais.
A partir de uma análise histórica desde os primórdios do jornalismo até a contemporaneidade, Oliveira faz um diagnóstico de como a prática foi desvirtuada e incorporada pelo capital. “O jornalismo é uma atividade filha do modelo de sociedade liberal, portanto é produto do capitalismo. No momento em que esta perspectiva societária era revolucionária, o jornalismo também tinha este caráter transformador. À medida que a civilização capitalista entra em decadência, o jornalismo também se afasta totalmente das suas funções originárias”, explica.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO JORNAL DA USP, CLIQUE AQUI

ONU Brasil nomeia Taís Araújo como defensora dos Direitos da Mulher Negra

Foto: ONU Mulheres/Bruno Spada 

Neste #JulhoDasPretas – período de mobilização do movimento de mulheres negras em decorrência do 25 de julho, Dia da Mulher Afro-latino-americana, Afro-caribenha e da Diáspora –, a ONU Mulheres Brasil nomeou Taís Araújo como defensora dos Direitos das Mulheres Negras.

A atriz passa a apoiar a visibilidade das mulheres negras como um dos grupos prioritários do Plano de Trabalho da ONU Brasil para a Década Internacional de Afrodescendentes. Há um ano, Taís Araújo vem colaborando com o mandato da ONU Mulheres, especialmente na visibilidade das mulheres negras. Em julho de 2016, respondeu ao desafio “Que mulher negra é um exemplo para você?”, mobilizando seguidoras e seguidores de suas redes sociais, para a ação de comunicação desenvolvida pela ONU Mulheres e pela Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB). Em fevereiro de 2017, apoiou a campanha de mobilização de recursos do Instituto Maria da Penha. Em março passado, participou da ciranda virtual Planeta 50-50, ação digital da ONU Mulheres para o reconhecimento do trabalho de ativistas brasileiras em defesa do empoderamento das mulheres e da igualdade de gênero no Dia Internacional da Mulher – #8M.

Na sua primeira declaração como defensora dos Direitos das Mulheres Negras da ONU Mulheres Brasil, Taís Araújo, disse: “estou muito emocionada e honrada com esse convite”. “Quero usar a minha voz e falar de forma abrangente para que eu possa agregar as mulheres negras, as mulheres brancas e também as indígenas. Apenas com a união de todas as mulheres e, importantíssimo dizer, dos homens, poderemos caminhar por uma sociedade igualitária”.

Taís se soma ao grupo de mulheres públicas vinculadas à ONU Mulheres Brasil: embaixadora Camila Pitanga e defensoras dos Direitos das Mulheres Negras, Kenia Maria, e para a Prevenção e a Eliminação da Violência, Juliana Paes.

Fonte: ONU Brasil

quarta-feira, 5 de julho de 2017

TRÍVIA DA TRAVE: as redes eram assim... Ilha do Urubu faz uma viagem no tempo.

Ilha do Urubu: Flamengo revive a tradicional rede "Véu de Noiva" hoje banida dos grandes estádios. Foto Flamídia

por José Esmeraldo Gonçalves

No seu novo estádio, o Ilha do Urubu (“Urubuzão” para os íntimos), na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, o Flamengo resgatou a tradição da rede “Véu de Noiva” – na sua versão vintage, inclinada como um manto, muito próxima do travessão, descaindo depois num ângulo suave até o fundo do gol.

Os "velhinhos do Board", como João Saldanha apelidava o conservador International Football Association Board, conselho superior da Fifa encarregado de definir e atualizar as regras do futebol, nunca impuseram um modelo rígido, mas, durante muito tempo, o "filó" ou "barbante", no jargão de locutores esportivos, até que não mudou muito.

Na Copa de 1958, a rede com barra de ferro. Foto Manchete Esportiva


Em 1958, na Suécia, os organizadores da Copa montaram barras de ferro sustentando a rede. O modelo foi abandonado depois por questões de segurança. Além disso, a barra de ferro nada discreta no fundo do gol não raro devolvia a bola como se fosse um poste, o que confundia o torcedor no alto das arquibancadas.

Na Copa de 70, no México, as traves ganharam suportes um pouco maiores nos ângulos do travessão, que afastavam do goleiro, por quase um metro, o caimento da rede.

Na Copa de 1950, Giggia estufou a rede "Véu de Noiva" de Barbosa. O "barbante" visto aí
foi queimado anos depois junto com a lenha de um "churrasco de desabafo"
organizado por jogadores para exorcizar a derrota para o Uruguai. Funcionou. O Brasil foi campeão
do mundo antes do fim daquela década, em 1958, conquistando o primeiro título da série do Penta.
A propósito: que alguém localize imediatamente e faça um churrasco
com as duas redes azarentas do Mineirão, aquela dos 7 X 1  de 2014 de triste memória.

Na Copa de 1974, a da Alemanha, os suportes foram alongados e o gol ganhou um aspecto de "caixote". Os puristas, incluindo jogadores, criticaram o modelo  -  um "monstrengo", na visão deles. De fato, a rede esticada reduzia o impacto de uma imagem consagrada no futebol: a do gol que "balança a rede". Como o de Ghiggia, contra Barbosa, na Copa de 1950, no Maracanã.

1978: o argentino Kempes vai buscar a bola no fundo da rede esticada. Foto Fifa

Na Copa da Argentina, o suporte superior estava lá, embora ainda mantivesse a rede ligeiramente em diagonal. Uma das hipóteses para a evolução do formato estaria na tecnologia das câmeras de TV. O modelo quadrado tornou possível a instalação de microcâmeras no fundo do gol. Outro motivo seria melhorar a visão do árbitro, quando posicionado na lateral da grande área, e do bandeirinha.


Pelé, mil gols. FF
Sejam lá quais forem as razões da Fifa, o "Véu de Noiva" dava, para muitos, um toque extra às tramas e emoções do futebol. Que o digam os artilheiros, que após estufar as redes entravam no gol e se enrolavam no "filó". Como Pelé, em 1969, no Maraca, após o seu milésimo gol. Comemorar na rede é coisa que se tornou rara, a malha esticada não favorece. Hoje, os gols são festejados com "dancinhas" ou corridas em direção à câmera instalada no corner, para a alegria do patrocinador do uniforme.


Piqué: rede de lembrança
Naquele jogo, Pelé ficou com a bola, mas esqueceu a rede. Piqué, do Barcelona, não. Ao vencer a Liga dos Campeões, em 2009, arrumou uma tesoura, cortou a rede inteira do Estádio Olímpico de Roma e levou de lembrança pra casa.

Até o fim dos anos 1980, o Maracanã manteve-se fiel à tradição da "Véu de Noiva" até que, após uma reforma, a Suderj instalou uma rede retangular. Durou pouco. Houve reclamações e o modelo original foi recolocado. Pouco depois, foram montados pequenos suportes, semelhantes aos da Copa de 1970, e assim ficaram as traves até o fechamento do estádio para obras, em 2010.

Maracanã, Copa 2014.
Reprodução/Divulgação Fifa
Para a Copa de 2014, a Fifa "recomendou" uma mudança mais radical no Maracanã: a rede antes em diagonal foi esticada com uma corda presa a um mastro atrás do gol. E, em breve, deve receber definitivamente os sensores do árbitro de vídeo (o VAR, de Video Assistant Referee) que a Fifa testou na recente Copa das Confederações e que deve ser confirmado para a Copa de 2018, na Rússia.

E assim a "noiva" perdeu de vez o "véu", confiscado pelo

segunda-feira, 3 de julho de 2017

SEQUESTRO DE EMBAIXADOR - Como era bom o meu suíço

                           

O desfecho do sequestro na primeira página do Globo, em 16 de janeiro de 1971.  

Em 1967, o embaixador Bucher recebeu de Roberto Muggiati a edição da Manchete
que destacava a Suíça. Foto: Arquivo Pessoal

Por Roberto Muggiati

Deu no Estadão de domingo, 2 de julho agora: “SUÍÇA VENDEU ARMAS AO BRASIL NA DITADURA/Governo autorizou exportações de material bélico para o regime militar, mesmo sabendo das violações aos direitos humanos cometidas no País.”

Esclarece o jornal – na reportagem do enviado especial a Berna, Jamil Chade – que a Suíça não ouviu advertências do seu embaixador no Brasil, Giovanni Enrico Bucher. Já em 30 de outubro de 1968 – vinte dias depois da decretação do AI-5 – o embaixador suíço no Rio de Janeiro, em carta ao Conselheiro Federal e Chanceler Willie Spuehler, destacava “as ações de movimentos estudantis e dizia que os confrontos com as forças de ordem estariam causando ‘preocupações’.” 

Com a total abolição dos direitos políticos e de expressão pelo AI-5, as forças contrárias à ditadura militar – estudantes, líderes operários e até mesmo ex-militares, como o capitão Lamarca – só tiveram uma opção: partir para a clandestinidade. Já em setembro de 1969, militantes de esquerda, em ação espetacular, sequestravam no Rio de Janeiro o embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, trocado por 15 presos políticos. 

Em junho de 1970 – enquanto corria a Copa do Mundo do México – foi a vez do embaixador alemão, Ehrenfried von Holleben, sequestrado na sua residência carioca, na subida de Santa Teresa. Desta vez, a troca foi por quarenta presos políticos. 

E, ainda em 1970, no dia 7 de dezembro, foi a vez do embaixador suíço, Giovanni Enrico Bucher. As negociações para sua libertação foram mais complicadas: seus sequestradores exigiam sua troca por setenta presos políticos, mas membros da linha dura militar não concordavam com a quantia. Bucher esteve prestes a ser executado por seus captores e só foi salvo por intervenção do capitão Carlos Lamarca. Como líder da ação, ele assumiu a responsabilidade de aceitar as contrapropostas do governo, salvando a vida de Bucher.

No cativeiro, Bucher, que os guerrilheiros revelaram ser "cordial", jogava biriba com
o comandante Carlos Lamarca. Reprodução

Aliás, depois de mais de um mês de convivência diária com os sequestradores, com seu senso de humor e temperamento “italianado” (filho de um casal de hoteleiros, nasceu em Milão), Gianrico tinha caido nas graças dos guerrilheiros, tornando-se parceiro de biriba de Lamarca. Já no próprio momento da captura ele ironizou com toda a situação: “Não sou americano, sou suíço. Não tenho nada com isso. Rapazes, vocês certamente cometeram um engano.”

Libertado, o embaixador dá entrevista coletiva
ao lado da irmã, Marie Anne. Reprodução Manchete


Trocados pela libertação do embaixador, presos políticos da ditadura militar embarcam para o Chile em janeiro de 1971.


Em posterior interrogatório feito pelas autoridades militares, Bucher se recusou a reconhecer por fotografias qualquer um dos seus cinco captores: Carlos Lamarca, Alfredo Sirkis – que servia como seu intérprete – Tereza Ângelo, Gerson Theodoro de Oliveira e Herbert Daniel. Alegou que eles só se deixavam ser vistos com capuz, o que não era verdade. 

Ainda segundo a reportagem de O Estado de S. Paulo: “No cativeiro, Bucher acabou ficando amigo de uma sequestradora (...) que ajudou a filtrar mensagens do diplomata para parentes e amigos. Ela ainda permitia que, no mês em que Bucher esteve detido, mensagens fossem enviadas a ele.”

Solteirão convicto, Gianrico Bucher foi recebido, após sua soltura, pela irmã Marie-Anne. Na ocasião do sequestro, ele tinha 57 anos de idade. Eu o conheci por essa época, em 1967, quando editei para a revista Manchete uma reportagem especial sobre a Suíça. Era uma política da Bloch fazer estas matérias “de gala” centradas nos países que mais investiam no Brasil, elas vinham recheadas de anúncios das principais empresas dos homenageados. Quando as mais de 30 páginas de reportagem sobre a Suíça saíram publicadas na Manchete, fui entregar um exemplar em mãos ao embaixador. Recebeu-me com grande simpatia em seu escritório, que ficava no prédio da Casa da Suíça, com seu famoso restaurante. Elegante, vestia um terno branco em homenagem ao início da primavera. Mal suspeitava eu que, em pouco tempo, o cosmopolita Giovanni Enrico Bucher protagonizaria um episódio que quase terminaria em sangue e morte. 

Foi assim, muito rápida, a passagem do florido ano de 1967 para 1970 e os Anos de Chumbo...

Hoje deu Barata voa no Rio de Janeiro: Polícia Federal distribuiu vale-cadeia para empresários suspeitos de corrupção

Deu no Extra. Barata foi preso no Galeão. Em vez do check-in pra Lisboa, check-out rumo à PF. 

A Polícia Federal madrugou hoje no ninho dos Barata, os poderosos controladores do sistema de ônibus do Rio de Janeiro. A operação, que é parte da Lava Jato, investiga suspeita de pagamentos de propinas a políticos. O empresário Jacob Barata Filho foi preso no Galeão quando embarcava para Portugal. Outras equipes de policiais tocaram a campainha e casas e apartamentos de luxo de uma leva de suspeitos que integrariam o esquema. Se as operações alcançarem políticos, serão necessários vários ônibus para conduzir a turma ao ponto final: a cadeia.

Não é de hoje que são reveladas as ligações nada transparentes entre empresários de transporte urbano e políticos do Estado e do município do Rio de Janeiro Uma das suspeitas aponta o grupo, que é grande financiador de campanhas eleitorais em vários níveis, como responsável por desvio de rota de até enguiço de CPIs que tentaram apurar o nó público-privado que alimenta o setor.
Muito antes da Lava Jato, políticos independentes e manifestantes pediam publicamente que fossem apurados os estranhos poderes do setor junto às administrações públicas.

Para mostrar que os manifestantes tinham razão é só dá um Google no evento que ficou conhecido como o "Casamento da dona Baratinha".

Em julho de 2013, os Barata, políticos e empresários se reuniram no Copacabana Palace para celebrar o casamento da neta do patriarca do clã. A ostentação atraiu manifestantes que foram para a entrada do hotel para vaiar os noivos e seus convidados, entre os quais, segundo O Globo, o senador Tasso Jereissati e o ministro Gilmar Mendes.

Saudados com refrões como "Pego ônibus lotado, me dá um bem-casado" ou "Eu estou pagando esse casamento", convivas atiraram notas de 20 reais no grupo. Embora fosse um evento privado, uma tropa do Batalhão de Choque da PM foi prontamente convocado para proteger Baratas e baratinhas, como se vê nas reproduções abaixo.


Imagens vazadas na internet: Ronda Roussey leva uma "montada" dos hackers de fotos íntimas...


Ronda Roussey, a musa do UFC que depois de um segundo nocaute se afastou do octógono, é a mais nova vítima  de vazamento de fotos.

Em 2012, ela posou para um ensaio da revista ESPN Body Issue. Embora as fotos publicadas não mostrassem nudez explicita algumas imagens de bastidores não faziam segredo dos demais ângulos e curvas da lutadora.

A notícia foi publicada pelo site especializado em UFC, o BJPenn.

A ex-campeã não comentou o vazamento das fotos.

Quando posou para a revista, ela justificou a decisão insinuando que em algum momento poderiam vazar fotos e que ela preferia quebrar a novidade "Vou tirar fotos nua e vou publicá-las do meu jeito", decidiu.

domingo, 2 de julho de 2017

Leitura Dinâmica: Blue Note Jazz Club carioca abre em agosto

por Ed Sá

O New York Times publica matéria com Steven Bensusan, Presidente da Blue Note, que dá detalhes sobre a anunciada inauguração do Blue Note carioca. Será a oitava "filial" do lendário clube de jazz de Nova York no mundo e a primeira no Hemisfério Sul. Ele conta que há muitos anos via o Brasil como um destino para o jazz e sua relação com a música brasileira, especialmente a bossa nova. Luiz Calainho, L21 Participações, holding de entretenimento, é o parceiro do Blue Note, no Rio. Segundo o NYT, ele espera receber estrelas brasileiras com diferentes níveis de relacionamento com jazz - como o rapper Marcelo D2 e ​​os cantores Seu Jorge e Daniela Mercury em dupla, sempre que possível, com artistas americanos.
O Blue Note carioca será um espaço muito parecido com o de Nova York, diz a matéria, e funcionará onde era a casa  de show Miranda, no Lagoon, na Lagoa Rodrigo de Freitas.
Leia a matéria completa no NYT, AQUI


sábado, 1 de julho de 2017

Memória carioca - Quando Antonio Maria revelou na Manchete o roteiro secreto dos primeiros motéis

Na sua coluna na Manchete, em 1952, Antonio Maria "entregou" o roteiro dos primeiros motéis
do Rio de Janeiro e do Brasil. 

por Ed Sá 

Respeite a instituição. Ela acaba de emplacar 65 anos. Mas a data passa em banco nesse 2017. Os motéis do Rio de Janeiro, pioneiros no gênero no país, ganharam notoriedade em 1952.

Naquele ano, o cronista Antonio Maria "entregou" tudo na revista Manchete, onde mantinha uma coluna. O autor de "Ninguém me Ama" publicou um roteiro do que era então quase secreto e divulgado apenas no boca a boca, literalmente. Eram bares rústicos, quase sem mesas, que ofereciam discretamente, no quintal, quartos e o essencial, camas. Nada de suíte, os banheiros eram coletivos.

A revelação não deve ter feito muito sucesso entre os frequentadores que se davam bem com o segredo bem guardado. Para chegar à Barra, que muitos chamavam de "sertão carioca", era quase necessário levar um mapa no porta-luvas do Ford Mercury.

"Você começa a viagem no Hotel Leblon e vai indo pelo asfalto velho, cansado de tantos Circuitos da Gávea, de tantos automóveis em viagens de amor. Do lado direito, a pedra e à esquerda, o mar. Contam-se histórias de dezenas de suicídios e o caso mais comentado é aquele da moça inglesa, que caiu no mar, com automóvel e tudo, sem que alguém jamais soubesse do seu corpo ou mesmo pudesse garantir se foi suicídio ou desastre.
Uma ladeira brusca e, lá embaixo, o Colonial, lugar onde gente séria não vai, nome que senhora bem casada não ousa dizer. A faixa de asfalto é estreita e os carros que vêm em sentido oposto correm muito e não baixam os faróis. Cada curva é um susto e um risco de vida; e são dezenas de curvas fechadas, espremidas, que o guiador tem que fazer colado em sua direita, com o coração na mão, embora. de vez em quando, ponha a mão no coração da namorada.
Depois, a baixada, onde surgem, aos potes, os bares abandonados. com um garçon bem triste debruçado em cada balcão. A gente morre de pena do dono daquele lugar sem fregueses, às moscas, dia e noite. Mesas vazias, prateleiras empoeiradas e o garçon sonolento atrás do balcão, só para constar. No fundo, há um quintal enorme, cheio de automóveis e vinte ou trinta quartos, servindo a núpcias permanentes. Mesmo no auge da luta contra o amor ilegal e ambulante nunca mexeram com aqueles hotéis de fachadas comoventes. São os únicos lugares onde, sem o luxo de várias espécies de matrimônio, pode-se amar sem castigo", escreveu Maria.

"Rua dos Motéis", no Itanhangá, anos 1970. Reprodução Facebook
Não faz muito tempo, o G1 publicou uma matéria afirmando que o primeiro motel do Brasil surgiu em Itaquaquecetuba (SP), em 1968. O estagiário sem noção errou por 16 anos e algumas centenas de quilômetros, como se vê pelo relato de Antonio Maria. Ninguém tira esse mérito do Rio.

Em 1975, o jornal alternativo Opinião publicou uma matéria sobre os motéis. O Opinião também errou. Dava como ano zero dos motéis 1967. Vacilo. Naquele ano, o transômetro da Barra já teria ultrapassado a casa dos milhões. Apesar de um certo toque moralista - a reportagem criminalizava os motéis - é um bom retrato da indústria em que os "hotéis de curta permanência" se transformaram, muito mais do que sonhariam os antigos proprietários dos bares com quartos no quintal revelados pela Manchete. Leia trechos, abaixo.







Maria foi profético nas últimas linhas da sua coluna na Manchete naquele distante 1952:

"Aí termina o roteiro Niemeyer. Há poucos lugares do mundo onde a semente do amor tenha proliferado tanto. Que Deus o conserve e abençôe os seus visitantes."

Era mentira! Justiça condena jornalista por divulgar fake news


(do GGN)
O juiz Rodrigo Cesar Fernandes Marinho, da 4ª Vara Cível de São Paulo, condenou a jornalista Joice Hasselmann a indenizar Luiza de Aguirre Nassif, filha do jornalista Luis Nassif, por danos morais. Em fevereiro passado, a ex-funcionária da Veja publicou que Luiza estava em Nova York e liderou um protesto contra o juiz Sergio Moro, símbolo da Lava Jato. Joice ainda insinuou que a atitude da filha de Nassif estava vinculada a supostos pagamentos de "governo petista" ao veículo de comunicação dirigido por ele. A postagem repercutiu entre blogs de direita e Luiza sofreu ataques na internet.


Na sentença, proferida no último dia 23, Marinho apontou que a filha de Luis Nassif, formada em administração de empresas, foi confundida com a homônima Luiza Nassif Pires, estudante de Economia da New School. "Ainda que não tenha existido dolo ou má-fé por parte da requerida, não há como se afastar o reconhecimento de que agiu com negligência, pois não verificou a veracidade do fato descrito antes de publicá-lo, extrapolando assim os direitos de informação e da liberdade de imprensa, que não são absolutos e encontram limites na garantia da inviolabilidade da honra e da intimidade das pessoas", disse o juiz.

Em sua defesa, Joice sustentou que "publicou informação equivocada em relação à autora, porém não agiu de má-fé, tampouco teve a intenção de ofender a imagem da requerente". Ela ainda disse que apagou a postagem do Facebook no dia seguinte e deu espaço a uma resposta da autora, redigida por Luis Nassif. Assim, para Joice, o fato não era suficiente "para justificar a indenização por dano moral pleiteada".

O juiz, por outro lado, entendeu que "o fato de ser conhecida jornalista aumenta a potencialidade lesiva e a repercussão negativa da notícia em relação à honra e à imagem da autora, sendo insuficiente, para afastar o reconhecimento da existência do dano moral sofrido, a retirada da notícia no dia seguinte, bem como a publicação de resposta subscrita pelo pai da requerente."

Leia a matéria completa no GGN, AQUI

Fantasia de favelado e de trabalhador é o "must" da temporada

Nem faz tanto tempo assim. Historicamente. Em 1937, indígenas eram exibidos em zoológico parisiense. E, em 1958, passeios de domingo na Bélgica incluíam uma visitinha, com direito a pipoca, a uma jaula habitada por uma família de negros africanos.

Duas notícias dessa semana trazem de volta em outras proporções esse espírito da curiosidade elitista.

O colégio particular Ceneticista Pedro Antonio Fayal, de Itajaí, Santa Catarina, anunciou uma "Festa  da Integração" e enviou um comunicado aos pais pedindo que parte dos alunos fossem ao evento fantasiados de "favelados do Rio". A outra metade se vestiria de médico, advogado etc. Muitos internautas repudiaram a festa performática e preconceituosa. Depois da péssima repercussão, o colégio pediu desculpas mas detalhou que o bafafá burlesco era um espécie de encenação da música "Alagados", dos Paralamas do Sucesso, que cita a Favela da Maré, no Rio. O notícia foi publicada no jornal O Dia.

O Vale do Itajaí sofre frequentes e catastróficas inundações em época de chuvas. O Brasil inteiro sabe disso, o Rio, inclusive, porque muitos cariocas já enviaram roupas e remédios para as vítimas em uma dessas tragédias. Imagine como seria vexatório se um colégio aqui organizasse uma festa "didática" e pedisse aos alunos que se fantasiassem de "desabrigados do Itajaí".

Favelas há muito perderam o "romantismo".Tráfico e violência oprimem populações inteiras. Não dá pra festejas.

Na mesma semana, juízes do Tribunal Regional do Trabalho do Rio, segundo o Globo, revelaram que no mês de agosto suas excelências esqueceriam as togas para experimentar a vida de brasileiros "subalternos". Isto é,
jardineiros, copeiros, garis, cobradores de ônibus etc. Para quem vive no ar condicionado e tem salário nada subalterno e penduricalhos de altas castas deve parecer mesmo exótica a vida dos trabalhadores fora desse mundo.

Pegou mal.

Podiam fazer o contrário: oferecer aos "subalternos" um mês de vida como autoridade, incluindo o gostinho dos proventos e demais vantagens.

Protestar contra a reforma trabalhista de Temer e asseclas que vai tornar o trabalhador ainda mais "exótico" também ajudaria.


quinta-feira, 29 de junho de 2017

Pesadelos urbanos: quando o fake business ataca no Rio de Janeiro

por Niko Bolontrin

Talvez por o Rio ser, apesar de tudo, uma vitrine do Brasil, a cidade é o palco ideal para mirabolâncias e aventuras empresariais.

Dá mídia, o empreendedor aparece, dá entrevista e a fake news do fake business rende matérias e notas. Missão cumprida, o empreendimento é esquecido ou nunca concluído e não se fala mais nisso. Políticos também usam muito o artifício - o recente projeto do Trem Bala Rio-São Paulo é um exemplo - , mas os em destaque aqui são os mágicos privados que tiram da cartola grandes iniciativas, às vezes até começam a realizá-las, param no meio, deixam escombros, mas faturam alguma fama.

Ruínas do Glória
O Hotel Glória, um símbolo do Rio, foi transformado em escombros por um desses espetaculosos empreendedores. Não apenas o prédio, mas móveis e objetos históricos, obras de arte, peças vintage, tudo foi quebrado ou leiloado e descaracterizado. Perdeu,  Rio. Ou melhor, ganhou Rio.... mais uma ruína...

Não muito longe, no Morro da Viúva, o  edifício Hilton Santos - que o Flamengo construiu em terreno doado pela Prefeitura do então Distrito Federal, nos anos 40/50, e com recursos federais fornecidos pelo governo Dutra e, em seguida, pelo populista Getúlio Vargas -, seria transformado em hotel. Foi esburacado, abandonado, invadido e está lá até hoje como um monumento à picareta. Dizem que será vendido novamente. Difícil vai ser alguém investir em um hotel no Rio nos próximos anos. A vizinhança e o visual vão ter que conviver com o pardieiro por mais algum tempo.

E o Cine Rian, a lendária sala de exibição carioca, que ficava na Av. Atlântica, esquina de Constante Ramos? Um empresário anunciou que reinstalaria o cinema na mesma avenida, no Leme. Rendeu pauta, o sujeito usufruiu da repercussão. Tem filme hoje? Não. O lugar vai virar uma agência bancária. No caso, ninguém foi enganado, só as expectativas, a sala não saiu do papel, mas notinhas foram plantadas em colunas sociais e vaidades foram recompensadas.

Verdade que o fake business não é tão novo assim e já causou danos maiores. Na década de 1960, empresários venderam milhares de títulos para financiar a construção do Hotel Panorama Palace, no alto do Cantagalo. As obras começaram, o esqueleto foi erguido e a ideia micou. Pessoas que compraram títulos ficaram com papel podre nas mãos. Décadas depois, no governo Leonel Brizola, o que restou do prédio foi desapropriado pelo governo estadual e transformado em um Ciep.

Gávea Tourist abandonado. Reprodução Pinterest
O que seria o Gávea Tourist Hotel, em São Conrado, tem história parecida. O empreendimento foi lançado em 1953 e a construtora responsável vendeu milhares de cotas a investidores que, como constataram depois, atendiam pelo nome de incautos. O prédio jamais concluído, a coisa virou briga jurídica. Antes de falir a empresa transferiu a propriedade para duas pessoas físicas. Muitos do lesados já morreram, mas as ruínas do Palace continuam lá. Viraram atração para trilheiros e montanhistas.

Um empresário acordou um dia com o sonho de construir um restaurante onde é hoje o histórico Forte Tamandaré, na Ilha da Lage, no meio da Baía da Guanabara. Anunciou que ficaria pronto para a Olimpíada. Deu entrevista, falou que tinhas todas as licenças etc. O restaurante ia oferecer transporte de barcas ao fregueses para enjoos de praxe na volta e não funcionaria em dia de ressaca. Não rolou.

Por falar em enjoo, haveria também, segundo outro projeto, linhas de transporte marítimo do Centro do Rio à Barra da Tijuca. Beleza. Uma autoridade fez um test drive com convidados e o vomitório foi geral. Não se falou mais no plano. Talvez porque tivesse que incluir estoques monumentais de Plasil.

No lugar do Aeroporto Santos Dumont,
Praça Monumental de Alfredo Agache
O arquiteto Alfredo Agache imaginou construir nos anos 1920, no local onde é hoje o Aeroporto Santos Dumont uma praça de onde partiriam grandes avenidas. Seria a "Entrada Monumental do Brasil". Ficou no desenho.

Até Donald Trump produziu seu fake business carioca. O hoje presidente dos Estados Unidos anunciou a construção de várias torres no novo porto do Rio. Você já viu? Nem eu...

No caso de alguns projetos, contudo, a cidade ficou melhor sem que fossem tirados do papel.


Um prefeito sem noção, provavelmente inspirado por um semelhante que nos anos 30 queria construir uma linha férrea aérea do Centro a Copacabana. Outro propôs fazer um elevado na Rua São Clemente, que viraria uma sombria Paulo de Frontin,  para passagem de trens rumo à Barra da Tijuca.

O mesmo mané pensou em cercar a Lagoa Rodrigo de Freitas de elevados para trens magnéticos. Uma grande corporação queria construir prédios de luxo no Aterro e um nova linha de condomínio na área aterrada da Av. Atlântica, além de um cemitério vertical onde é hoje o Parque Lage, que seria demolido. A atual Avenida Chile deveria prosseguir destruindo todo o casario antigo da Lapa. Felizmente, houve reações e o projeto parou na Rua Lavradio, hoje um dos mais charmosos points cariocas. Um arquiteto queria construir uma rede de rodovias e áreas residencias nas encostas das montanhas do Rio.

Outro pensou em erguer um complexo de lojas, teatro, estacionamento no ponto onde o canal do Jardim de Alá encontra o mar, no Leblon.

Le Corbusier, o arquiteto modernista quis fazer de parte da Quinta da Boa Vista uma Cidade Universitária com edifícios contemporâneos.

Uma rede internacional de hotéis queria demolir o antigo prédio da Esso no centro da cidade para construir um monstrengo inacreditável.

Não deu.

O edifício art déco foi tombado a tempo de evitar essa escultura retorcida cravada no Centro do Rio.

Outras ideias virão. O fake business não desiste.


quarta-feira, 28 de junho de 2017

Libération: jornal que Sartre fundou estuda encerrar edição impressa...


Sartre dirigiu o jornal durante pouco mais de um ano.
Quatro meses depois de lançado o Libération enfrentou a primeira crise. A estratégia do diretor
foi botar o pé na estrada e despachar uma caravana para percorrer a França e conquistar assinantes.
Reprodução Arquivo Pessoal

por José Esmeraldo Gonçalves 

Declarações de Alain Weill, diretor da SFR Media, que controla o Libération, demonstram que o jornal francês pode abandonar a edição impressa. A notícia foi publicada no site Jornalistas na Web.
Weill constata que "não há um jornal em papel que conheça o crescimento, 60% dos jornais em papel não se vendem. Este modelo está condenado”.

O Libération foi lançado por Jean-Paul Sartre em fevereiro de 1973 como uma tribuna para discutir questões levantadas a partir dos protestos de Maio de 1968. Não era ligado a partidos, mas tinha orientação de esquerda (maoísta), não aceitava publicidade paga, todos os funcionários recebiam salários iguais, e pretendia sobreviver de vendas em bancas e de assinaturas. Era um forma de manter a independência. O nome de Sartre como diretor, abaixo do logotipo vermelho, como se vê na reprodução, não durou muito. Pouco mais de um ano após a estreia, o escritor pediu as contas.

Sua tarefa não era fácil. Um livro - "Libé - A obra impossível de Sarte" - de Bernard Lallement, mostra a dificuldade do criador do jornal para exercer funções administrativa e financeira em interface obrigatório com o capitalismo do mercado em um diário maoísta. Complicado.

O Libération foi fonte de inspiração para uma geração de jornalistas que começava a trabalhar nos difíceis anos 70, no Brasil, e um espelho para imprensa alternativa que tentava romper o cerco à liberdade de expressão promovido pela ditadura militar.

O jornal manteve-se íntegro à proposta original durante poucos anos até rolar para a social-democracia e centro-esquerda. Mas os seus ideais originais se desfizeram no ar muito antes de, em 2005, ser vendido ao milionário Edouard de Rothschild, o que diz tudo. Sartre deve ter provocado um pequeno sismo de indignação no Cemitério de Montparnasse, onde repousa desde 1980.

Simone de Beauvoir e Sarte na redação do
Libération, em 1973. Sobre a mesa,
o número 1 do jornal.
Com apenas três meses de existência, o Libération, que chegou a ser influente, enfrentou a primeira crise financeira, ainda sob o comando de Sartre. A fórmula para superar problema de caixa ou "tédio" financeiro foi, digamos, algo existencialista com um improvável aditivo romântico. O número 40, de junho de 1973 (guardo um exemplar histórico, com apenas oito páginas), avisava aos leitores que a circulação seria suspensa por dois meses e que, nesse período, equipes do jornal percorreriam, ao estilo da prova ciclística Tour de France, que mobilizava milhares de fãs, um circuito de cidades ao longo de 4 mil quilômetros para divulgar o Libé. como era carinhosamente chamado. A ideia era atrair novos leitores, debater rumos, etc. O roteiro incluía, além do Tour, vistar praias em pleno verão europeu para tentar angariar assinaturas. Um pequeno editorial - "La Lutte Continue!" - informava que o tabloide ficaria fora das bancas em julho e agosto.

Sob o título "Autópsia de uma Sociedade", o número 40, o último antes da pausa forçada, trazia uma entrevista com Daniel Cohn-Bendit marcada por alguma desesperança e muita nostalgia para celebrar os "5 ans après Mai 68".

Que, aliás, ano que vem, comemorará 50 anos e vai merecer muitas outras "autópsias" na midia mundial.