sábado, 1 de junho de 2024

Condenado pela justiça, Trump é assombrado pelo seu maior medo caso seja preso: ter que raspar a cabeleira padrão "fanta"

Imagem reproduzida
do YouTube/Oxycontent

por José Esmeraldo Gonçalves

O maior pavor de Donald Trump, agora condenado pela justiça dos Estados Unidos, não é simplesmente puxar uma cadeia ou, caso seja eleito em novembro, ser obrigado a governar usando uma tornozeleira eletrônica. Não. O que o deixa apavorado é ter que raspar a cabeleira ao entrar no presídio. 

Desde que o espelho mostrou as primeiras clareiras abertas pela calvicie, o magnata fez implantes nas zonas descabeladas, algumas plantações vingaram outras murcharam como videiras no calor do deserto. Daí, ele passou a gastar horas no banheiro para coreografar cuidadosamente todos os fios de maneira a ocultar o descampado. 

Entre os segredos que o jornalista Michael Wolf revelou em 2018 no livro Fire and Fury: Inside the Trump White House estão detalhes estéticos e cosméticos da polêmica e ridícula cabeleira. Trump usa um técnica comum a muitos carecas: pentear os cabelos das laterais, além de alguns tufos sobreviventes atrás e no topo, para cobrir a região devastada. Em seguida, aplica uma quantidade quase industrial de cremes e laquê. O homem é não só uma bomba química ambulante como não pode se aproximar de velas, isqueiros ou fogos de artifício do 4 de julho, por exemplo. Entre outros componentes, laquê contém álcool e gases butano e propano. Talvez fosse tarefa do serviço secreto mantê-lo afastado de ignições ou o presidente correria o risco de se transformar em uma tocha como aquelas da Ku Klux Klan. 

A cor da cabeleira padrão "fanta" também teria um explicação: seria consequência da pressa. Deveria ser mais clara, mas Trump não espera a tinta secar e costuma retocar a obra várias vezes por semana, daí o tom alaranjado que virou sua marca.

Careca à parte, entenda os fios políticos e criminais 

Donald Trump foi condenado por fraude contábil ao ocultar uma propina de US$ 130 mil para calar a atriz pornô Stormy Daniels, com quem se relacionou. O juri considerou que o suborno configurou interferência no processo eleitoral durante a campanha da eleição de 2016 quando o republicano derrotou a democrata Hillary Clinton. A sentença será anunciada em julho. Pela lei estadunidense, Trump, mesmo se for preso, poderá concorrer à Casa Branca e governar. O ex-presidente ainda responde a processos que não chegaram na fase de julgamento, entre os quais apropriação de documentos sigilosos (ele levou pra casa pastas top secret), por tentar interferir na soma de votos das eleições, por incentivar seus apoiadores a invadirem o Capitólio, sede do Congresso, em Washington, para impedirem a posse de Joe Biden em 2021. Se avançarem, essas acusações poderão amarelar seu destino político.  

Chico Buarque e a censura: vinte anos de confrontação. Livro do jornalista Márcio Pìnheiro detalha a perseguição da polícia política da ditadura ao compositor que fará 80 anos em 19 de junho

 


por Ed Sá 

Em Rato de redação: Sig e a história do Pasquim (Matrix, 2022), o jornalista gaúcho Márcio Pinheiro fez um relato detalhado de como O Pasquim sofreu nas mãos do regime totalitário brasileiro, não só com a censura de suas páginas, mas também com a prisão de seus redatores. 

Agora, às vésperas dos 80 anos do compositor, em 19 de junho, ele traz a público o mais completo levantamento da perseguição implacável dos censores ao seu alvo predileto, no novo livro O que não tem censura, nem nunca terá: Chico Buarque e a repressão artística durante a ditadura militar (L&PM). 

O primeiro tranco que Chico levou foi já no comecinho da carreira, em 1966, com a canção Tamandaré, a bronca de um mendigo que acha na rua uma nota de um cruzeiro, a mais insignificante possível, com a efígie do almirante. Na visão obtusa dos censores, Chico desrespeitava propositalmente a figura do patrono da Marinha.

No exílio italiano em 1970, Chico compôs Apesar de você, uma crítica ao ditador Emílio Médici camuflada numa letra sobre uma rusga de namorados. Os censores foram lentos e só proibiram a canção quando ela já fazia sucesso há cinco meses e o compacto tinha vendido 120 mil cópias. 

Veio a seguir a parceria de 1973 num show com Gilberto Gil, Cálice, na qual Chico se valia da mesma sonoridade das palavras cálice e cale-se. A canção só seria liberada e gravada cinco anos depois, quando a abertura política já se refletia também na censura.

Ao final, Márcio Pinheiro faz uma síntese do compositor: 

“Mais completo repórter de seu tempo, Chico Buarque chega aos oitenta anos comprovando que, se nos últimos tempos ele perdeu a capacidade de produzir em linha de montagem, agora tem se revelado um artesão paciente e elaborado. A riqueza poética é a mesma, aperfeiçoada pela sutileza, pelo rigor e pela exigência. O lirismo denso e o estilo elíptico ainda permeiam sua obra. E, se nos anos 1970 ele precisava tergiversar para dizer o que pensava – fossem denúncias políticas ou desilusões amorosas –, Chico Buarque envelhece com a sabedoria de quem sempre soube de tudo aquilo que anda na cabeça, anda nas bocas – e que não é preciso se afobar, porque nada é para já.”              


quinta-feira, 30 de maio de 2024

Balões de fezes como arma de guerra. Sentiu?

 por O.V. Pochê

Prestem atenção na atual fase (eu disse fase) do conflito Coreia do Norte X Coreia do Sul. Segundo a mídia internacional, ativistas de Seul lançaram balões carregados de pen drives com músicas do gênero k-pop. A manobra irritou Pyongyang. Em retaliação, o país de Kim Jong-un preparou um grande frota de 260 de balões levando quilos de fezes para o espaço aéreo do inimigo.

Não se sabe como o líder norte-coreano recolheu o material, se distribuiu quantidades massivas de laxantes para a população produzir a nova arma patriótica.

Vocês estão rindo? Não brinquem, a humanidade sairia ganhando se os arsenais nucleares fossem aposentados em troca de bombas de cocô. O cheiro seria forte, nada pior do que é comum em um subúrbio da Índia, mas não fatal.

A propósito, o uso de cocô bélico não é novidade. Na Idade Média, tropas de reinos em guerra lançavam no interior dos castelos quilos de fezes cedidas por pessoas vítimas de peste bubônica. O objetivo era contaminar mortalmente os residentes e combatentes que se achavam protegidos pelas muralhas. De quebra, foi assim que nasceu a guerra bacteriológica.

Enquanto o Brasil dorme o Congresso abre a porteira para projetos de lei do bolsonarismo

 

Reprodução do X

Comentáro do blog - Você piscou - preocupado com a tragédia que enluta o Rio Grande do Sul - e o Congresso manteve luzes acessas, com a extrema direita dando goleada na aprovação leis de interesse de grupos bem conhecidos. Com o apoio da forte bancada do PL, sob o comando de Bolsonaro e adesão de partidos da "base" do governo (que, apesar de controlar ministérios e cargos não pode ser chamada de base, de tão volúvel e traidora que é) deputados e senadores passeiam no plenário e ganham votações como se estivesem fazendo a dança do "Envolver", da Anitta (consulte o You Tube) em cima do governo rendido e entregue. Liberação de fake news, fim da saída temporária de presos, privatização das praias (este é um rico projeto que pretende beneficiar resorts, condomínios de luxo, marinas etc). 

Alerta de spoiller: a gaveta dos dois e dos parlamentares interessados nesses projetos não tem fundo.Vem mais da pauta bolsonarista por aí neste ano eleitoral e com o Congresso sob o comando de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco. 

A grande ironia: para se manter no poder Bolsonaro nem precisava do 8 de Janeiro. Sua tropa já estava lá dentro no controle do pior Congresso da história do Brasil, com amplas condições de deixar o Planalto  como figurante.

     

Sergio Zalis (*) expõe fotografias na Galeria do Instituto Antonio Carlos Jobim, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Inauguração: 20 de junho de 2024


O fotojornalista Sergio Zalis inaugura no dia 20 de junho a exposição Dicotomia, na galeria do Instituto Antonio Carlos Jobim, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro. 

Em texto de apressentação da mostra, a curdora Christiane Laclau escreve: "Sergio Zalis usa uma técnica chamada focus stacking. Trata-se de uma sequência de capturas de uma mesma cena a partir de distintos enfoques óticos. A cada clique, o foco é destinado a uma parte da cena. Posteriormente, o artista une os registros em uma única imagem, obtendo um resultado admiravelmente rico e exuberante e, sobretudo, indo além do que os olhos são capazes de ver".

(*) Sergio Zalis foi Consultor na TV Globo, diretor de Redação na Abril, diretor-excutivo na Revista Caras e da Contigo, Coordenador de Fotografia em O Globo, fotógrafo do Jornal do Brasil, da Manchete e da Revista Fatos.  

O outro lado do racismo em Portugal: brasileiros contra brasileiros. Acredita nisso?

Imagem reproduzida do Marco Zero Conteúdo

Reportagens, relatos pessoais e os fatos demonstram que o racismo em Portugal é avassalador e se agrava no mesmo ritmo do avanço da extrema direita na política. O Chega, partido em ascensão, conquistou um número surprendenete de cadeiras no parlamento com base em um discurso que se assemelha aos rascunhos que seus partidário colheram nos sacos de lixo de Bolsonaro, Trump, Milei, Marine Le Pen, Meteo Salvini, Viktor Órban etc. 

Entre os imigrantes brasileiros há as vítimas da violência racista registrada em escolas, locais de trabalho, nas ruas e até em residências invadidas por neonazistas e há também os novos "collaborationisttes" (uma reedição do termo "collabo" que apontava na França invadida, durante a Segunda Guerra, os franceses que se aliavam aos nazistas. 

Ainda em fevereiro deste ano o site Marco Zero, um coletivo de jornalismo investigativo, abordou o assunto pela perspectiva de alguns brasileiros que culpam as vítimas. Digamos que esse argumento equvale ao do estuprador que atribuí à saia curta da vítima o gatilho que aciona seus instintos de predador sexual. 

Em artigo escrito pelo jornalista e cientista político Mariano Hebenbrocke, o Marco Zero procura entender o que há nas águas turvas desse pântano habitado por brasileiros que chafurdam na extrema direita. Uma das figuras citadas por Hebenbrocke, identificado Ângelo Latteli, antropólogo e professor universitário aposentado, informa que "o racismo pde até existir, mas está fora do seu alcance de  residente em uma 'colônia' europeia no sul de Portugal, no Algarve". Ele diz que por ser "branco, ter passaporte italiano, ter aprendido a falar o português de Portugal e conviver entre europeus, o racismo, o preconceito e a xenofobia não fazem parte de seu dia a dia. E explica: “o fato de o brasileiro ter um modo de vida, um comportamento diferente do português e não se inserir em sua cultura, isto já os coloca do outro lado. Nós sabemos que nem todos os brasileiros têm uma educação que é compatível com a europeia, inclusive de algumas regiões do próprio Brasil" (NR: Latelli nasceu no Sul do Brasil). Outra personagem entrevistada é a recifense Tatiana Gomes. Ela opina que Portugal precisa de "mão de obra qualificada e não de profissionais meia boca”. Gomes especula que "a grande massa de brasileiros que entraram em Portugal nos últimos cinco anos, é resquício da política de manutenção da pobreza do PT praticada no Brasil".

O artigo também cita uma reportagem do correspondente Vicente Nunes distribuída pela AFP e segundo a qual "o partido Chega, que tem à frente o líder da extrema-direita André Ventura, é radicalmente contra a imigração para Portugal, sendo também adepto de uma deportação em massa. Este partido tem crescido justamente com a adesão de muitos brasileiros que possuem dupla nacionalidade, brasileira e portuguesa, os quais são em sua maioria evangélicos das classes média e alta".

(*) Recomendamos a leitura completa do artigo de Mariano Hebenbrocke no Marco Zero que pode ser acessado no link abaixo. 

https://marcozero.org/como-brasileiros-que-vivem-em-portugal-alimentam-o-racismo-xenofobia/


Leilão frustrado: não apareceu comprador para as marcas Jornal do Brasil e JB Online

Segundo informação do Portal dos Jornalistas, o leilão das marcas Jornal do Brasil e JB Online, marcado para a semana passada, não teve interessados. O valor a ser arrecadado se destinaria ao pagamento de dívidas trabalhistas. Em primeira chamada, o lance mínimo foi de R$ 10 milhões. Em um segundo pregão o preço caiu para R$ 4 milhões. Registre-se que a JB FM, da rádio em funcionamento e com boa audiência, segundo a fonte, não fez parte das marcas do antigo grupo oferecidas no leilão.    

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Do Portal dos Jornalistas: o adeus a Vitor Sznejder


Do Portal dos Jornalistas - "Vitor Sznejder faleceu em 10 de abril, aos 71 anos. Um mês antes, sofreu uma queda em casa, em Petrópolis, onde residia. Ficou três semanas internado e teve uma hemorragia no estômago. Foi sepultado no cemitério judaico Chevra Kadisha de Vilar dos Teles, em Belford Roxo. Deixou o filho Bruno, que mora na Inglaterra

Leia a matéria completa no link abaixo, do Portal dos Jornalistas.

https://www.portaldosjornalistas.com.br/o-adeus-a-vitor-sznejder/


*Um judeu na Paixão de Cristo

Trabalhei com o Vitor na Fatos & Fotos. Ele teve também uma rápida passagem pela redação da Manchete.  Não o via há muito tempo. Lembro que uma vez, quando respondia pela gerência de comunicação da Souza Cruz, ele convidou jornalistas do Rio para assistir ao espetáculo da Paixão de Cristo em Nova Jerusalém, em Pernambuco. Depois de trabalhar no Globo, em várias funções, Vitor se encontrou na comunicação  corporativa. Nessa viagem ao agreste pernambucano ele foi o nosso anfitrião. Em meio aos centuriões e apóstolos da encenação surreal em uma Jerusalém reconstruída nas imediações de Caruaru - que a Souza Cruz patrocinava - ameacei, de brincadeira, claro, "denunciar" que entre nós havia um judeu. Só ameacei. Fiquei sem saber qual seria a reação daquele povo cristão tão energizado pela dramaticidade de efeitos de luz e som. Ainda bem. Com o seu poder de public relations Vitor era capaz de convencer o povo da Via Sacra de que os "vilões" daquela noite em um sertão momentaneamente bíblico éramos nós. Que Jeová o receba. (José Esmeraldo Gonçalves)

Tá liberado

A Justiça mandou: chamar Arthur Lira de "Excrementíssimo" não é crime; e dizer que o ex-procurador geral da República Augusto Aras silenciou diante dos abusoa de Bolsonaro também  não configura ofensa nem quaisquer outras figurações jurídicas. Então tá: temos autoridades excrementíssimas e silenciosas quando lhes convém e podemos dizer isso sem que a lei nos exile na Ilha de Trindade.

Justiça divina

 

Reprodução X

segunda-feira, 20 de maio de 2024

Sebastião Salgado - Um dos maiores fotógrafos do mundo, o brasileiro revelou ao The Guardian que está aposentado do seu trabalho em campo, mas fará uma exposição de 255 fotos gigantes sobre a Amazônia durante a COP-30, em Belém, em novembro de 2025.

Sebastião Salgado fotografado pelo amigo Gervásio Baptistae, seu ex-colega da Manchete.
Na ocasião, ele abria em Brasília a exposição
"Imagens Trágicas, Imagens de Esperança:os refugiados do nosso tempo".


Quando completou 80 anos, há três meses, o brasileiro Sebastião Salgado foi comparado pelo The Guardian a gênios do fotojornalismo como Robert Capa, Eugene Smith, Margaret Bourke-White, Henri Cartier-Bresson, James Nachtwey e Steve McCurry. Na entrevista, anunciou novas exposições em Londres, São Paulo e Los Angeles e revelou que prepara um evento especial para a Cop30 ( a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, a ser realizada em Belém em novembro de 2025. Na ocasião, serão expostas 255 fotos gigantes do seu projeto Amazônia, acompanhadas de um espetáculo com composições do Heitor Villa-Lobos. 

Apesar de tanta atividadee, Salgado confirmou que está aposentado do seu trabalho em campo. "Eu sei que não viverei muito mais tempo. Mas não quero viver muito mais. Já vivi tanto e vi tantas coisas”, disse ele ao jornal inglês. 

O fotógrafo costuma pedalar e caminhar vários quilômetros por dia, mas guarda sequelas das suas jornadas por mais de 100 países. Convive com uma doença sanguínea provocada por uma málaria contraída na Indonésia e, segundo contou ao Guardian, sofre de problemas na coluna causados por uma mina que explodiu o seu veículo em 1974. 

Com as longas e exaustivas expedições agora descartadas, ele tem tempo para se dedicar à edição do seu arquivo - que há 15 anos já contabilizava mais de 500 mil fotos - e à produção de livros.  

Do UOL: Alunos de escola paulistana exaltam o nazismo em grupos de Whatsapp

Do UOL

A matéria foi publicada no UOL. Uma estudante, filha de um judeu, contou ao pai sobre circulação de mensagens ilustradas com a suástica em grupos de Whatapps formados por alunos do ensino médio do Colégio Lema, na Vila Leopldiana, em São Paulo. Os prints divulgados mostravam imagens montadas de jogadores de futebol sobre bandeira da Alemanha Nazista, além de reprodução do personagem Pou, de um videogame, também ilustrada coma suástica. Até o momento os alunos envolvidos na apologia ao nazismo não foram suspensos. Ainda segundo o UOL, o pai da aluna apresentou a denúncia ao colégio, mas precisou insistir até que a diretoria agisse. "Parece que não entenderam a gravidade do assunto", disse ele ao UOL.  

sexta-feira, 17 de maio de 2024

Na capa da Carta Capital: o show de horrores do Congresso Nacional


Comentário do blog - Deputados e senadores da extrema direita raivosa e corrupta pisoteiam as vítimas das crises ambientais. Mesmo com as sucessivas tragédias nas cidades da Serra Fluminense, nas barragens da Vale em Minas Gerais, na Bahia, em Santa Catarina e agora do Rio Grande do Sul, Rodrigo Pacheco e Arthur Lira continuam comandando a barca da morte ao liderar a aprovação de leis de interesse de grupos econômicos, ideológicos e negacionistas que fragilizam ainda mais o meio ambiente, minam as iniciativas de sustentabilidade e expõem milhões de brasileiros a tragédias como a do Sul, ao aumento da poluição, a incidências de epidemias como dengue e Zika (e outras que têm origem na destruição  do habitat natural das espécies). 

A maioria dos deputados e senadores da atual legislatura, a pior da história do Brasil, já pode aposentar paletó e gravata e vestir mortalhas. 

Se não pensam no amanhã da humanoidade, será que, em casa, podem encarar filhos e netos sem baixar os olhos? Ou preferem vestir a carapuça de "excrementíssimos" e liberar agrotóxicos, facilitar invasão de terras indígenas, abrir novos caminhos para a derrubada das matas, desmobilizar leis de proteção ambiental e de fiscalização, entre tantas outras iniciativas suspeitas e lobistas? 

Um bom tema para filhos e netos desses políticos levantarem durante o café da manhã com os "papais" algozes do futuro das gerações que pagarão a pesada conta da crise climática.

quinta-feira, 16 de maio de 2024

Anitta, a mulher-coragem

Reprodução de imagens do clipe de "Aceita".

Em meio a uma semana de tanta canalhice exemplificada pela capacidade da extrema direita de produzir fake news que atrapalham o atendimento às vítimas da tragédia do Rio Grande do Sul, destaca-se a coragem da cantora Anitta ao expor no clipe de "Aceita" a sua fé. O candomblé, assim como a umbanda, tem sido vítima do terrorismo religioso neopentecostal que ataca templos e agride adeptos das religiões de origem afro. Anitta não agiu por objetivo de marketing. Ao contrário, perdeu cerca de 200 mil seguidores ao revelar a essêncai do clipe. Ela admite que se surpreendeu com a reação odiosa em forma de ofensa nas redes sociais. Veja a resposta da cantora no Instagram. 

"Ontem, quando anunciei o lançamento deste clipe, perdi mais de 200 mil seguidores em menos de 2 horas. Eu já falei da minha religião inúmeras vezes, mas parece que deixar um trabalho artístico pra sempre no meu catálogo foi demais para quem não aceita que o outro pense diferente".

"Eu acredito que as religiões são rios que desembocam num mesmo lugar: Deus, a inteligência suprema. Eu não acredito no céu e no inferno, não acredito no diabo... acredito que todos nós temos o poder de manifestar em nós o divino e a diabólico. Quando recebo mensagens de repúdio e intolerância religiosa, não sinto energia divina sendo emanada em minha direção, sinto a energia contrária. Eu tenho fé, não tenho medo".

"Meu novo clipe traz imagens de vários tipos de crenças. Tenho uma paixão profunda por diferentes manifestações da fé, diferentes formas de me conectar com o espírito. Em nenhuma delas sinto que quando morrermos seremos punidos e julgados, sinto que vamos pra onde esteja vibrando a mesma frequência que o meu espírito. E aqui, nessa vida, meu compromisso comigo mesma é vibrar na frequência de maior luz que eu conseguir."

"Por isso eu não desejo punir ou julgar nenhuma das pessoas que me atacam neste momento por expor minha religião. Eu desejo que sigam o caminho da evolução."

"Cada um no seu tempo. Se continuarmos exigindo que o outro pense igual a você, se seguirmos com a intolerância, se não aprendermos a abrir mão de uma coisa ou outra em nome da paz, encontrando um meio termo, nosso mundo vai se acabar em guerra, matando uns aos outros pra ter razão no final da discussão. Talvez até se esqueçam como começou a discussão. Simplesmente fica a briga pela briga."

"Minha religião cultua os elementais da natureza (essa que o ser humano, a cada dia que passa, vai esquecendo da importância). Brigam tanto pra ter razão em cada coisa, mas não conseguem valorizar o óbvio, sua casa, o chão que pisa, que te dá de beber e de comer. Hoje a natureza nos cobra um posicionamento, mas estão todos ocupados demais discutindo quem tem razão, ao invés de adorar nosso bem maior, a casa que Deus nos deu."

"Pra você que gosta do meu trabalho, espero que curta esse clipe que foi feito com muito amor, assim como todo meu novo álbum. Estamos aqui vivendo no mundo material e o maior segredo da vida é encontrar o equilíbrio entre o espírito e a matéria."

"Minha vida é buscar esse equilíbrio, então se nos outros vídeos a gente só rebolou a raba e falou sacanagem, nesse a gente pode se arrepiar ou até mesmo se emocionar."



Mídia mucho lôca

 


Diagnóstico 1: os jornalistas do canal abusam das fontes anônimas. Devem levar horas para descobrir a como creditar uma informação não raro fictícia a "alas do PT", "fonte próxima a Lula", "figura graduada do Planalto" etc. 

Diagnóstico 2: Quando a Eliane Cantanhêde comparou a "dor" da perda das suas joias roubadas ao sentimento das vítimas da tragédia do Rio Grande do Sul, a crise mental da Globo News chegou ao ápice. A comentarista ousou na equivalência ofensiva. "Você se põe no lugar dessas pessoas que perderam tudo. Roubaram as minhas joias no Natal. Foi doloridíssimo", disse a jornalista.

Por isso as opiniões dos comentaristas da Globo têm gerado mais memes do que repercussão séria na mídia em geral.

A SAF SIFU?

por Flávio Sépia 

A implantação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) foi saudada pela maioria dos jornalistas esportivos, principalmente aqueles especializados em "mercado" da bola, como um acontecimento místico no futebol brasileiro. Ao comprar o Cruzeiro, o ex-jogados Ronaldo foi visto como um "messias"  baixando nas montanhas de Minas Gerais. Os gringos que adquiriram o Vasco foram recebidos como se o próprio Tio Sam aqui chegasse com avião cargueiro lotado de dólares. Deu n'água. Ronaldo fez um ótimo negócio ao entrar e sair sem investir o combinado e embolsar milhões. A 777, SAF do Vasco, também atrasou pagamentos e agora está ameaçada de processo na Justiça dos Estados Unidos, movido no Reino Unido, por negociações suspeitas e possibilidade de insolvência. A associação esportiva do Vasco da Gama agiu rápido e entrou com uma liminar que devolve o futebol ao clube. Não anula a transação mas afasta os gringos até que cumpram os compromissos assumidos.

Não demorou muito para que o modelo SAF mostrasse que seus objetivos não são a longo prazo e os controladores, como todo negociante, têm um só objetivo: recolher o mais rápido possível os lucros sobre o patrimônio adquirido (venda de jogadores, ativos imobiliários, direitos de TV, premiações, exploração de placas nos estádios, patrocinadores, comercialização da marca etc. 

A propósito, no começo dos anos 2000 a Editora Abril vendeu 30% das ações do grupo a um fundo de pensão dos Estados Unidos, salvo engano, era o que garantia a aposentadoria dos professores. Com a "saf" do jornalismo, os Civita contavam com entrada de recursos. Algum dinheiro chegou, mas o preço foi alto. Em pouco tempo a Abril passou a viver um inferno administrativo e perdeu autonomia para investir. O fundo tinha assento na diretoria. Dos seus ranchos no Texas, os professores exigiam cada vez mais lucros ao fim do ano contábil. Aquela "saf" insaciável - somanada às mortes de Victor e Roberto Civita foi a semente perversa que levou ao fim da editora dos Civita. 

P.S. Essa frase, a do almoço grátis, foi atribuída por jornalistas brasileiros ao ex-ministro da ditadura Delfim Neto. Por jornalistas puxa-sacos, evidentemente. Como se sabe e é fácil averiguar a frase tem raízes históricas e pitorescas. Segundo o New York Times já contou, esse "slogan" que fez sucesso aqui no Bananão (apud Ivan Lessa) surgiu em Nova Orleans no fim do século 19. Algumas tabernas exibiam na fachada um letreiro chamativo: free lunch. Só que os botecos faturavam com a venda de bebidas, muito mais lucrativas. A comida era um brinde e vinha com pitadas planetárias de sal. Quando mais comia, o freguês mais bebia.

As crises ambientais começam nos gabinetes dos políticos. Duvida? Veja o vídeo

 




quarta-feira, 15 de maio de 2024

Fotomemória: Quanta diferença... Nilton Santos e Garrincha eram influenciadores apenas da bola. "Rede social" para eles era o "véu da noiva" que guardava seus gols

 

Nilton Santos e Garrincha no sul de Minas em '958.
Foto de Jankiel Gonczarowska para a Manchete Esportiva. 

por José Esmeraldo Gonçalves

A foto acima foi publicada na Manchete Esportiva em 1958. O autor da imagem foi Jankiel

Gonczarowska. O local, Caxambu, em Minas Gerais. Na cena, os craques Nilton Santos e Garrincha passeiam em uma charrete nas imediações do balneário que, na época, era um local disputado nos verões. A seleção brasileira e os grandes clubes do Rio e de São Paulo faziam ali a etapa de preparação física e técnica antes da abertura dos campeonatos.

A imagem pode motivar outra e atual leitura.

O tempo passou, tudo mudou, inclusive o perfil dos jogadores de futebol. Nilton Santos e Garrincha, do Botafogo, foram dois dos maiores craques da história, mas os salários... ó, nada comparados aos milhões de euros e até de reais pagos hoje. Em tempo sem redes sociais, aquela geração não se envolvia em polêmicas. Ou quase sempre não se envolvia. Os jornais às vezes divulgavam "fugas" noturnas de Garrincha, que se mandava da concentração para a night. O atacante Almir, do Vasco, arrumava algumas encrencas em Copacabana e saia nas páginas policiais. Muito antes, Heleno era o enfant terrible dos anos dourados cariocas. Fora isso, a maioria brilhava em campo. Você consegue imaginar um Neymar posando em uma charrete? Talvez em um Porsche, uma Ferrari, um helicóptero, um jatinho.

Pois é: Garricha e Nilton Santos eram influenciadores apenas da bola, compatilhavam gols. E guardavam na estante de titulos um bicampeonato mundial, isso na época em que os "bi" só valiam se fossem seguidos, como em 1958 e 1962.

Reconhecimento facial: a tecnologia é fundamental para a segurança urbana, mas bancos de imagens ilegais e montados sem critérios ferem o Marco Civil da Internet. Já há vítimas da "vigilância" sem controle

O Globo de hoje informa que o sistema público de monitoramento por câmeras acoplado à tecnologia de reconhecimento facial e operado pela PMRJ possibilitou a captura de foragidos da justiça. Uma boa notícia para os cariocas. 

Aliás em três grandes eventos recentes (Réveilon, Carnaval e show da Maddona) o sistema teve impacto positivo nas estatísticas da violência. O efeito é positivo também durante aglomerações potencialmente sensíveis, como jogos de futebol. As câmeras em lojas e condomínios têm ajudado iguamente na identificação de elementos envolvidos em agressões e assaltos. 

O problema, segundo relato de vítima já registrado aqui, está em uma operação privada informal caracterizada por disseminação de fotos de "suspeitos" em um grande grupo no whatsapp popular entre seguranças de estabelecimentos comerciais. Uma vítima que nunca teve problema com a lei relata que após um ligeiro mal-entendido pessoal com um vigilante percebeu que foi fotografada por um garçom. Não deu maior importância ao fato, mas o registro fotográfico se repetiu em outras circuntâncias. Custou a perceber que suas imagens eram compartilhadas no tal grupo e, assim, tornou-se um "fichado" no whatsapp, provavelmente sem que os demais integrantes do grupo soubessem de qualquer motivo. Criou-se uma situação de risco aparentemente fora de controle. É ostensivamente vigiado e seguido em vários estabelecimentos. Não foi abordado, mas já percebeu que em duas ocasiões A PM e a Guarda Municipal foram acionadas, foi observado sem intervenção, até porque a vítima em questão nada deve à lei. A pessoa apenas pede orientação sobre o que é que aconselhável fazer para que suas imagens sejam retiradas do tal grupo. O relato foi compartilhado com o MPRJ e a Defensoria Pública. 

O assunto já foi abordado com mais detalhes nos links a seguir:

https://paniscumovum.blogspot.com/2024/01/reconhecimento-facial-o-uso-publico-e-o.html

https://paniscumovum.blogspot.com/2024/01/sabia-disso-rio-de-janeiro-tem-banco-de.html

     

terça-feira, 14 de maio de 2024

Fotografia - Sérgio Jorge: a vida em imagens de um dos grandes fotojornalistas da Manchete

 




Reprodução de imagem do documentário Foto doc. Sérgio Jorge, de Renato Suziki.


por José Esmeraldo Gonçalves 

Sérgio Jorge faleceu em 2020, aos 83 anos, vítima da covid. Sua arte, contudo, permanece. O livro "Sérgio Jorge, 60 anos de Fotojornalismo- Fotos que contam histórias" é um importante registro do seu trabalho em Manchete, O Dia e Gazeta. E há outros: em 2011, o documentário "Foto Doc. Sérgio Jorge, de Renato Suzuki levou sua brilhante trajetória e suas imagens às novas gerações; em 2014, uma exposição resumiu sua obra; O livro lançado pela editora Mogiana Produções Culturais em 2018 é um reconhecimento ao seu talento e visão jornalística. Reúne 150 fotos e é leitura obrigatória para quem estuda, pratica ou ama a fotografia.  

Em 1960, Sérgio Jorge foi o ganhador do primeiro Prêmio Esso de Fotojornalismo. Até então, premiava-se o texto de reportagens. Uma foto sua publicada na Manchete (acima reproduzida na capa do livro, a da dramática apreensão de um cachorro pela antiga "carrocinha") emocionou os leitores, repercutiu em todo o Brasil e no exterior e levou os organizadores da premiação a reconhecer o impacto de uma grande foto e a importância do fotojornalismo. 

Em tempo de tantas imagens que faíscam na internet, sites e redes socias, vale a pena revisitar a obra de Sérgio Jorge. Você entenderá que fotojornalismo é outra coisa. 


Dançando sobre a morte

 

Reproduzido do X
O negacionismo mortal não se dá apenas através de palavras ou de posts nas redes sociais. A extrema direta tem força política nas Câmaras de Vereadores, Assembléias e no Congresso são aprovadas constantermente leis que agridem o meio ambiente e mudam regras de preservação. As águas no RS nem baixaram e o Congresso acaba de aprovar mais uma desses projetos que, na ponta final, provam mortes. O prório governo do RS, na últimos anos, aprovou centenas de mudanças na legislação ambiental que, na prática, abriram caminho para a tragédia.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

"Que emenda é essa?" - O mundo inveja o Congresso brasileiro

por O.V. Pochê

Difícil acompanhar. É extensa a nomenclatura que o Congresso criou para as emendas financeiras  parlamentares. Tem deputado alemão que quer cidadania brasileira pra ganhar mandato aqui. É emenda individual; emenda de bancada; emenda de comissão; emenda do relator, emenda pix. Provavelmente, enquanto escrevo, alguém está bolando outra maneira de obter um naco de verba pública para transferir supostamente para suas "bases". Para ajudar suas excelências, sugiro nomes para as futuras emendas. 

* Emenda Tio Paulo ("morre aqui")

" Emenda Bolso Furado ("diz ao TCU que o dinheiro tava aqui até agorinha")

* Emenda Cheguei Primeiro (" o Planalto liberou a grana e eu já tava na boca do caixa")

* Emenda Beijinho no Ombro ("é pra mídia que enche o saco e só fala em desvio de verba")

* Emenda Mamãe Merece ("vou comprar um trator pra minha velha")

* Emenda Jesus te Ama ("ô dinheirinho abençoado esse do meu livramento. Glória a Deus")

* Emenda das primas ("hoje tem festa no cabaré das Alagoas")

* Emenda My home, My life ("mais uma liberação dessa e se Deus quiser compro  minha casinha em Miami. E a vista, véi")

* Emenda Porsche ("vou é pegar muié dos boiadeiro de Barretos. Segura, peão")

* Emenda Arthur Lira ("obrigado paipai")

* Emenda Rodrigo Pacheco ("brigado pelo pix, sô. Bundemais"

terça-feira, 30 de abril de 2024

Maquiavel no maternal

por Flávio Sépia 

Relator do Orçamento, inserindo fundamentalismo em discussão institucional e econômica, diz que Haddad deveria ler menos Maquiavel e mais a bíblia. Mal sabe que os apóstolos eram PhD diante de Maquiavel ainda no maternal.



segunda-feira, 29 de abril de 2024

Na capa da Carta Capital: a mais-valia não acabou 'seu' doutor


A Carta Capital mostra os efeitos do neoliberalismo e a tunga das reformas trabalhistas no bolso do trabalhador. Em 1960, Oduvaldo Vianna Filho escreveu a peça "A mais-valia vai acabar, 'seu' Edgar" . De lá pra cá só piorou. "Seu" Edgar ganhou a parada.

Na capa da IstoÉ é o que tem pra agora. E o futuro manda péssimas notícias

 


Roberto Carlos, 83 anos, na capa da Caras. A revista diz que ele se "renova". Vale uma aposta?


 por Ed Sá

A Caras apostou alto na chamada de capa. "Roberto Carlos se renova na música". Jura? Músicos que trabalharam com o RC dizem que em shows e regravações são mantidos os arranjos originais. Roberto nunca quis mexer no que deu certo. A introdução da canção Detalhes, por exemplo, qualquer brasileiro, mesmo zerado em ouvido musical, vai pressentir as notas que virão a seguir. É difícil acreditar que Roberto Carlos, assim como seu público, anseie por novas emoções ou qualquer "renovação". A marca indelével é a mensagem que a plateia que segue o cantor esperar reencontrar em um eterno "stimming".

terça-feira, 23 de abril de 2024

O que o filme "Zona de Interesse" (*) tem a ver com a nossa própria zona de conforto

 

A fúria e o som de Auschwitz não perturbam
o dia de piscina da família Höss. Foto: Divulgação

Casa com varanda e vista para campo de concentração:
o
home office do CEO de Auschwitz. Foto: Divulgação 

por José Esmeraldo Gonçalves

Como um tranquilo reality, a câmera dirigida pelo cineasta Jonathan Glazer acompanha a rotina de Rudolf Höss (Christian Friedel) e Hedwig (Sandra Hüller) e filhos. Uma família comum vivendo em uma casa acolhedora, cercada de jardins e de um rio de águas calmas que corre tão monótono quando parece a vida dos Höss. Poderiam estar em um anúncio de banco digital se não tivessem o horror como vizinho. Rudolf Höss, o comandante de Auschwitz, é tido por seus superiores como eficiente na função. Uma espécie de empregado de todos os meses durante os piores anos da Segunda Guerra Mundial. Poderia perfeitamente ser hoje um desses palestrantes e coachs que vendem motivação e sucesso.

O muro alto que separa a casa dos Höss das instalações do campo de concentração não esconde as chaminés dos crematórios e nem impede que a família ouça uma trilha constante de gritos de desespero e tiros. Ouvir, no caso, não é sinônimo de prestar atenção ou se importar com o barulho no condomínio. Höss age como um CEO da firma, um Elon Musk do X. É fanático por foco no trabalho. Faz reuniões com os subordinados, traça estatégia para "otimizar" o número de trens que levam prisioneiros judeus à morte e como expandir a linha de montagem do Holocausto. Não aparecem cenas de brutalidade. Ele se apresenta como um gestor que tem metas e business plans. 

A extrema frieza está presente tanto na mesa de reuniões quanto nas conversas conjugais, quando o militar compartilha com a mulher os rumos da sua carreira e seu prestígio ascendente na cúpula executiva da "Solução Final".  

Em todas as situações, a indiferença é o elemento perturbador e a naturalidade o fio que conduz a trama. 

No seu discurso, ao receber o Oscar de Melhor Filme Internacional, Glazer enfatizou sua determinação em confrontar "Zona de Interesse" com o presente. 

"Não para dizer 'veja o que eles fizeram então', mas 'veja o que fazemos agora'. Nosso filme mostra aonde a desumanização nos leva”. Agora estamos aqui como homens que recusam que o seu judaísmo e o Holocausto sejam sequestrados por uma ocupação que levou tantas pessoas inocentes ao conflito, sejam elas as vítimas do 7 de outubro em Israel, seja o ataque em curso em Gaza”, concluiu.  

O exemplo citado por Glazer é um entre os muitos muros que atualmente escondem o que se passa ao lado. Não é o único. As chaminés da ascensão da extrema direita nos Estados Unidos, na França, itália, Polônia, Brasil, Argentina, Espanha, Israel, Portugal, Alemanha, Hungria, Finlândia, entre outros países, são evidências de um fenômeno político amparado pela mesma indiferença e comodidade que impulsionaram o nazismo e o fascismo. 

 (*) "Zona de Interesse" estreou no Brasil, nos cinemas, em fevereiro. Agora chega ao streaming (Prime) e certamente convidará milhões de pessoas a escalarem a múltipla escolha dos nossos muros. Por exemplo, o muro de um Congresso com maioria de extrema direita; o muro do ativismo político das igrejas neopentecostais rumo à teocracia; o paredão das redes sociais manipuladas por algorítmos; o poder das big techs; o grande muro da destruição ambiental, o muro do crime organizado em associação com autoridades e a muralha dos ataques ao STF, só para citar alguns.   


Viagem à terra de São Jorge

 



Balões sobrevoam a Capadócia, Foto. J.Esmeraldo Gonçalves

Montanhas e horizonte da Capadócia, terra de São Jorge Guerreiro. Foto: J.Esmeraldo Gonçalves
por José Esmeraldo Gonçalves
Uma aventura na terra de São Jorge. Em outubro do ano passado, o Santo Guerreiro entrou no meu roteiro de viagem. Percorri a região onde nasceu e viveu o capitão do exército romano que se converteu ao cristianismo e desafiou o império. Não vi o santo. Havia muitos cavalos, ainda usados no deserto. Pelo menos um cavalo branco (seria descendente desse aí na ilustração à esquerda?) pastava em um pequeno curral, mas o dragão não estava lá, não na rota dos viajantes e das câmeras fotográficas, que devem incomodá-lo bastante. Infelizmente, a imagem mais próxima de figura passeriforme com traços de icterídea com que me deparei foi a de uma turista brasileira que criava caso por onde passava. Mas até aquela "mala" detestável era insignificante na imensidão da Capadócia, na Anatólia Central, República da Turquia, onde o pensamento voa. Se, por terra, a região impressiona, com suas casas e igrejas escavadas nas rochas, verdadeiras cidades subterrrâneas (na era romana a Capadócia foi abrigo dos cristãos), de cima, a paisagem lunar é deslumbrante. Nas cúpulas das pequenas capelas, sob a rocha vulcânica, há afrescos milenares que mostram a imagem do Guerreiro em traços e cores que o tempo e o vandalismo quase apagaram, bem semelhante ao retrato que chegou aos dias de hoje e, como é de lei, decora paredes em botequins cariocas. Impossível deixar de pensar que naquelas terras nasceu um mito que é venerado por católicos, que é o protetor Ogum ou Oxossi das religiões afro, que é padroeiro em Portugal, Inglaterra, Lituânia, da cidade de Moscou e guerreiro adorado nessa São Sebastião do Rio de Janeiro. Já repararam que é o único santo que o carioca, com intimidade de irmão, chama de Jorge? Pois é, Jorge estará até na Globo! É mole ou quer mais? É fonte de inspiração para a novela "Salve Jorge", de Glória Perez, que terá cenas filmadas na Capadócia e em Istambul. Salve!.  
(MATÉRIA PUBLICADA NESTE BLOG EM ABRIL DE 2012)

Salve ele! O maior São Jorge que o Rio já viu

 

Págiana reproduzida da edição especial de carnaval da Manchete, em 1991 

Quem viu, viu. Em 1991,  a União da Ilha não empolgou os jurados (ficou em nono lugar) mas levantou o povão e deixou um samba que até hoje é um dos mais tocados nos blocos cariocas. A simpática escola da Ilha do Governador também fez o sambódromo com uma alegoria impressionte de São Jorge, padroeiro da União da Ilha. O maior Santo Guerreiro que o Rio de Janeiro já viu. Hoje, dia de Jorge da Capadócia, o blog relembra esse carnaval. E sobre o samba daquele ano, se você já saiu em algum bloco, ouviu e cantou: "Hoje eu vou tomar um porre, não me socorre que eu tô feliz...", o samba "De Bar em Bar", do compositor Franco, que homenageava outro compositor histórico, Baeta Nunes, o Didi, falecido em 1987. Didi, procurador, boêmio e poeta, emplacou mais de dez sambas na União da Ilha e mais quatro no Salgueiro. (José Esmeraldo Gonçalves)

Vítimas sem rosto: a foto vencedora do World Press 2024 registra uma cena da guerra Israel-Hamas, na Palestina, o terrível massacre que os líderes ocidentais se limitam a assistir

 

Veja mais fotos no link https://www.worldpressphoto.org/contest/2024

domingo, 21 de abril de 2024

Mídia: o arrastão dos oligarcas

 


Mídia: vai uma miçanga aí?

 

Reproduzido de O Globo

por Flávio Sépia 

Economista neoliberal é o seguinte. Se dependesse dele, o Brasil exportaria apenas coco e banana e mesmo assim trocaria esses produtos por miçangas e espelhos. Esse aí sugere no Globo que o país importe carros usados. A indústria automobilística e de autopeças gera empregos. Mas esse é um detalhe que não interessa aos neoliberais de mercado. 

Agora, sério, nada é gratuito. Existe de fato um lobby para que o Brasil importe carros usados (atualmente só é permitida a importação de automóveis colecionáveis). E o economista ainda quer que o país subsidie a compra com isenção de impostos. Se o carro em questão não segue normas de segurança, regras ambientais e direitos do consumidor, dane-se. 

Há países que aceitam até receber lixo industrial e doméstico e rejeitos hospitalares de nações desenvolvidas. O Brasil, por enquanto, não. Embora cargas clandestinas já tenho sido flagradas por aqui. Vai ver neoliberais já estão discutindo em fóruns acadêmicos como legalizar a importação de fraldas usadas, remédios vencidos e supositórios reciclados. Duvida?

Na capa da IstoÉ: o olho cego vagueia

 

O X do neofascismo digital