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quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Antonio Ribeiro (1961-2024) - O fotógrafo que fez celebridades da Globo esperarem horas para posar com um galo e transformou Cony no "Diógenes do Castelo de Caras"


Rosamaria Murtinho, Mauro Mendonça, o chef Wagner Moret e Le Coq.
 Reprodução de página dupla da Revista Caras do ano 2000. Foto de Antonio Ribeiro


O casal de atores no Castelo de Caras. Reprodução da Caras.
Foto Antonio Ribeiro


O chef dormindo: detalhe bem-humorado. Reprodução de Caras.
Foto Antonio Ribeiro

por José Esmeraldo Gonçalves

Um diagramador da Manchete, o saudoso J.A.Barros gostava de ler sobre a mitologia grega e romana. Quando recebia a notícia da morte de um colega, geralmente recorria a um dos personagens da antiguidade e passava o recado para redação. "Gente, acabo de saber que a barca de Caronte levou fulano".

- A barca de Niterói? - perguntou, certa vez, um distraído.

Caronte, a divindade que conduzia as almas dos mortos, veio buscar o próprio Barros, no ano passado. Por isso, não ele pôde passar para a comunidade dos ex-Manchete a notícia da partida do fotojornalista Antonio Ribeiro, aos 63 anos, no dia 13 de outubro. 

Só agora registro aqui algumas rápidas lembranças do Ribeiro. Eu o conheci na redação do Russell nos anos 1980. Foi um grande fotógrafo, era perfeccionista, não se contentava apenas com o que a câmera enquadrava, invariavelmente buscava destacar um detalhe original que, no fim, fazia toda a diferença. Na Manchete e na Fatos & Fotos, não tive a oportunidade de trabalhar diretamente com o Ribeiro,  mas admirava suas fotos na mesa de luz das revistas.

Só em 2000, quando eu já estava na Revista Caras fiz uma matéria com Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça, fotografados por ele, no Castelo de Caras. O tema era gastronomia e Ribeiro teve a ideia de inserir em quase todas as fotos, uma imagem incidental do chef Wagner Moret, o brasileiro responsável pela cozinha do castelo, em Brissac, no Vale do Loire. Funcionou como um toque de humor fino, mas uma das fotos, a que mostrava o casal à mesa levou horas para se realizar. Ribeiro insistia em colocar na imagem um galo como referência a Le Coq, uma das mais famosas representações da identidade francesa. O problema foi que o gallus  (dos gauleses) era altivo, pescoço levantado, pose de guerreiro. Já o galo do castelo parecia meio blasée e se recusava a empinar a postura. Para complicar, o galo não se sentia à vontade com a presença do chef deitado ao seu lado. Enquanto isso, pacientemente, Rosamaria e Mauro ficaram à disposição do Coq durante uma tarde inteira. O casal voltaria para o Brasil no dia seguinte e eu ainda não havia feito a entrevista, o que só aconteceu, quase às pressas, no dia seguinte.  Enfim, deu-se um jeito. 

Em outra temporada no Castelo de Caras, Carlos Heitor Cony era um dos ilustres convidados. Em princípio relutou - de fato badalar não era bem seu estilo - mas acabou aceitando, talvez porque tanto Sergio Zalis, diretor, quanto eu, editor da redação da Caras, no Rio, havíamos trabalhado com ele. Antonio Ribeiro foi escalado para fotografar Cony no castelo. Fotos maravilhosas. Infelizmente, quando a matéria estava editada, Cony ligou para mim e pediu que a revista evitasse publicar uma das fotos boladas pelo Ribeiro. Era a melhor imagem da série. Ribeiro havia convencido Cony a posar nos jardins do castelo, com o sol quase posto, luminosidade baixa, segurando uma antiga lanterna de bronze, a óleo, mas nós não conseguimos que ele aprovasse a foto.   

Você já deve ter detectado a intenção do Ribeiro. Isso mesmo, Cony fazia a figuração do filósofo grego Diógenes, aquele que caminhava pelas ruas de Atenas, noitinha, erguendo uma laterna à procura de um "homem honesto".

Por algum motivo Cony não gostou da comparação. Avisei aos escalões superiores da Caras. A foto foi retirada da página. Ribeiro não gostou, mas Diógenes (413 aC -323 aC) e Cony não foram alcançados pela reclamação dele, eu fui o alvo. De resto, meus argumentos jamais o convenceram. Acontece que o Castelo de Caras era uma produção com características especiais e incomuns. A revista era a anfitriã das celebridades e por elas prestigiada naquele projeto editorial. Não se tratava de uma reportagem investigativa. E uma anfitriã não deprecia seus convidados. Não tive mais contato com o Ribeiro e jamais pude lhe dizer que a foto do Cony/Diógenes era excepcional. Não sei o arquivo da Caras ainda a guarda, mesmo não tendo sido usada. Acho que Cony era mesmo o Diógenes do jornalismo. Ribeiro captou isso.               

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Sergio Zalis (*) expõe fotografias na Galeria do Instituto Antonio Carlos Jobim, no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro. Inauguração: 20 de junho de 2024


O fotojornalista Sergio Zalis inaugura no dia 20 de junho a exposição Dicotomia, na galeria do Instituto Antonio Carlos Jobim, no Jardim Botânico, Rio de Janeiro. 

Em texto de apressentação da mostra, a curdora Christiane Laclau escreve: "Sergio Zalis usa uma técnica chamada focus stacking. Trata-se de uma sequência de capturas de uma mesma cena a partir de distintos enfoques óticos. A cada clique, o foco é destinado a uma parte da cena. Posteriormente, o artista une os registros em uma única imagem, obtendo um resultado admiravelmente rico e exuberante e, sobretudo, indo além do que os olhos são capazes de ver".

(*) Sergio Zalis foi Consultor na TV Globo, diretor de Redação na Abril, diretor-excutivo na Revista Caras e da Contigo, Coordenador de Fotografia em O Globo, fotógrafo do Jornal do Brasil, da Manchete e da Revista Fatos.  

quinta-feira, 8 de julho de 2021

FOTOS ABANDONADAS NOS ANTIGOS ESTÚDIOS DA REDE MANCHETE. VIDEOMAKER LANÇA DOC SOBRE O COMPLEXO FANTASMA DE ÁGUA GRANDE

Cromos largados nos estúdios abandonados de Rede Manchete - Reprodução Vouglar

Abandonados: o que resta dos antigos estúdios da Rede Manchete em Água Grande.
Reprodução Vlougar

Nota reproduzida do Jornalistas & Cia


Jornalistas & Cia publicou há poucos dias uma nota sobre a estreia no You Tube, Canal Vlougar, de um documentários sobre os estúdios abandonados da Rede Manchete em Água Grande, no Rio de Janeiro. Vinte e dois anos depois do fim da TV dos Bloch, o enorme complexo ainda guarda restos de roteiros e de cenários, rolos de gravações e até um cofre. 
Rafael Ramos
Uma das descobertas do autor do documentário, o videomaker Rafael Ramos, é uma pequena mostra de cromos que pertenciam ao Arquivo Fotográfico da Bloch Editores, provavelmente parte do material de divulgação das novelas e demais programas da Rede Manchete. O narrador cita fotos de Ricardo Beliel, Cristiana Isidoro e Sergio Zalis, fotógrafos que trabalharam na revista Manchete

VOCÊ PODE VER O DOC "OS ESTÚDIOS DA REDE MANCHETE" 
NO CANAL VLOUGAR AQUI

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Sebastião Salgado e Muggiati: o reencontro

Reprodução. Clique para ampliar
por José Esmeraldo Gonçalves
A revista Contigo que chega hoje às bancas traz uma entrevista do fotógrafo Sebastião Salgado ao jornalista e escritor Roberto Muggiati. Sergio Zalis, diretor da revista, relembra na sua carta ao leitor os tempos da Manchete. O prédio do Russell, onde ficava a redação, no Rio, é um ponto na trajetória profissional dos três. No caso do Muggiati, um megaponto: foi o diretor que mais tempo ficou à frente da revista, um recorde de mais de duas décadas. Sebastião Salgado foi colaborador da Manchete, para a qual fez suas primeiras viagens pelo interior do Brasil. Sergio trabalhou no estúdio fotográfico da Bloch, antes de ser repórter fotográfico da Manchete, correspondente em Israel e, depois, editor de fotografia da revista Fatos. Na foto, o reencontro. Sebastião Salgado mostra ao amigo Muggiati o livro "Genesis", que acaba de lançar.
No texto, Sergio relata o que aprendeu com o ex-diretor.
Há algo da Manchete nas bancas, hoje.