segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Nudez no Palácio do Planalto virou "questão de Estado"? Bobagem. Os melhores estabelecimentos do ramo, da Casa Branca ao Palácio de Buckingham, já receberam seus ilustres peladões




por Jean-Paul Lagarride

Visto de perto ou via satélite, o Brasil sempre surpreende. Às vezes, pelos motivos errados.

A web me trouxe o recente caso da nudez no Palácio do Planalto. Soube que virou um pequeno escândalo e a funcionária que autorizou uma sessão performática de fotos e vídeo de uma modelo pelada sobre uma obra de arte (azulejos de Athos Bulcão) foi demitida.

A intervenção artística (reprodução acima) foi obra de Ana Siqueira, diretora do projeto Habitathos, que registra pinturas corporais em painéis originais de Athos Bulcão. O fotógrafo era o brasiliense Kazuo Okubo.

Parece-me um exagero transformar a performance em "questão de Estado".

E por dois motivos: circulam no ambiente pessoas cuja nudez seria muito mais comprometedora sob todos os pontos de vista; e centros de poder muito mais formais registraram episódios de nudez e a vida seguiu em frente.

Reprodução Facebook
Não faz muito tempo, um homem pelado foi visto descendo pela janela dos aposentos de Elizabeth II, no Palácio de Buckingham. O caso gerou especulações até que se soube que o peladão estava autorizado e participava de cena do seriado The Royals.

A Casa Branca também tem histórias semelhantes, com um detalhe: não são exatamente artísticas, como foi esse caso do Palácio do Planalto.

Dizem que John Kennedy aproveitava viagens de Jackie Kennedy para promover festas na piscina presidencial nas quais as maiores peças de tecido eram os guardanapos de linho que acompanhavam os comes e bebes. Principalmente, os comes.

J. Edgar Hoover (reprodução à direita), a autoridade policial mais temida pelos presidentes americanos na Guerra Fria e um dos caçadores de comunistas do macartismo nos anos 1950, tinha livre acesso à Casa Branca.

Mas não há registro de ter feito sua nudez transitar por aqueles corredores.

Os rumores são de que, nas madrugadas insones, ele preferia usar confortáveis vestidos afanados do guarda-roupa da mamãe Hoover. Ele era detestado nos bastidores do poder, mas não pelo gosto em matéria de figurino que vestia habitual e republicanamente.



Já Bill Clinton protagonizou uma nudez digamos mais dinâmica em pleno salão oval ao lado da estagiária Monica Lewinsky (na capa da Manchete, que a chamou de "a tiazona da América"). Bill quase perdeu o cargo mas lutou ereto. Foi processado por perjúrio e obstrução da justiça por inicialmente ter negado o episódio e acabou absolvido pelo Senado.
Clinton não fez o sucessor mas deixou a presidência com alto índice de aprovação. Participou da campanha e ajudou a eleger Barack Obama. O episódio tanto foi superado que Hillary Clinton lidera a atual corrida presidencial e o caso Monica Lewinsky, embora lembrado pelo adversário, não tem lhe causado dano. Pelo menos, até aqui.

Berlusconi recebia garotas ao fim do expediente. Depois de um dia de tediosas conversas políticas, ele jantava com empresários em salões animados por dançarinas nada monótonas.

Reprodução/Divulgação
A nudez presidencial mais ambicionada nunca vazou. Pelo menos, não em fotos feitas nos corredores e quartos do Palais de l'Élysée, em Paris, residência oficial do presidente da França, onde morou a modelo e cantora Carla Bruni, madame Sarkozi.

O mais próximo de um escândalo que a bela Bruni, à esquerda,viveu foi quando às vésperas de ser recebida pela rainha Elizabeth sua nudez foi estampadas nos jornais.

A Christie's anunciava naquele dia um leilão das suas fotos au naturel feitas ao longo da carreira.

E, voltando à Casa Branca, caso Donald Trump seja eleito, os Estados Unidos terão uma primeira-dama cuja nudez não será segredo de Estado.

No caso, os jornais já anteciparam as curvas nada secretas de Melania Trump, ex-modelo, que posou nua para a revista francesa Max.

Na época, com 25 anos, era era conhecida como Melania K. Em plena campanha presidencial americana, o New York Post foi buscar o material explícito da senhora Trump.

Donald Trump pode até ter ideias semelhantes às de J.Edgar Hoover, mas se chegar à Casa Branca levará para a suite presidencial algo visualmente melhor do que as curvas do ex-chefão do FBI.

Esse ponto positivo do seu programa de governo, talvez o único item aceitável, ninguém pode negar.

domingo, 11 de setembro de 2016

Por Roberto Muggiati - Memória - O que fazia você quando as Torres caíram? (Alguém mais se aventura a lembrar?)


Reprodução
Por ROBERTO MUGGIATI

Há acontecimentos que memória grava a ferro e fogo. A implosão do World Trade Center, há 15 anos, foi um deles. Lembro muito bem não só aquele dia, mas todo o seu entorno. Voltando um pouco atrás: quinta-feira, 6 de setembro, véspera do feriadão da Independência, saí de carro do meu sossego para uma incursão até a Suipa, em Benfica. Sossego relativo: a Bloch falida, eu trabalhava em casa traduzindo. Muito trabalho: o tradutor é uma espécie de estivador da literatura. A bordo do nosso Escort, minha mulher Lena, minha filha Natasha e a viralata Phoebe, adotada poucos dias antes e que começou a passar mal de repente. A Suipa é um local de desova de cães e outros animais menos cotados próximo àquela zona braba do Jacarezinho, uma das favelas mais violentas do Rio. A abnegada diretora da Suipa, Isabel Cristina Nascimento – morta agora em agosto – me levou a conhecer o local: cerca de seis a sete mil animais, na maioria cachorros, amontoados num espaço exíguo, era um milagre como conseguiam alimentar e cuidar daquela massa de criaturas. Enquanto Lena e Natasha enfrentavam as longas horas de espera até a consulta, refugiei-me no carro adiantando a leitura do livro que traduzia: O jardineiro fiel, de John le Carré.

O retorno a Botafogo naquele fim de tarde foi caótico. Além da saída em massa para o feriadão, o trânsito foi complicado pelo incêndio da favela Buraco da Lacraia, debaixo de um viaduto da Linha Vermelha. Com o calor do fogo, o viaduto cedeu e aquele trecho da Linha Vermelha ficaria interditado pelos próximos seis meses. Só chegamos em casa três horas depois.

Na segunda-feira, 11 de setembro, eu já estava ao computador a partir das oito da manhã, traduzindo. Natasha, gripada, não tinha ido ao colégio. Seu quarto ficava perto de mim e, pouco antes das nove, ela veio até a janela do meu escritório. No humor negro característico da família, a adolescente de quinze anos perguntou: “Você conhece o World Trade Center de Nova York?” Respondi que sim. E Natasha: “Fudeu!...”

Corri à televisão do quarto dela e vi a cena impressionante: às 8:46, um Boeing 767 da American Airlines havia se chocado com a Torre Norte. Alternei-me entre as coberturas da CNN e da Globonews. Vi perfeitamente quando, às 9:03, outro Boeing, da United Airlines, se chocou contra a Torre Sul. A cena se passou às costas do apresentador, Carlos Nascimento, que falava sobre um possível apagão de radares como explicação para o primeiro choque. O segundo choque não deixava mais dúvidas: os incêndios eram obras do terrorismo. Uma hora depois, houve ainda o terceiro avião, jogado sobre o Pentágono, em Washington.
O resto é história. Em cada lembrança de uma catástrofe destas fica também a marginalia característica de quem lembra – no meu caso, duas vinhetas culturais. Todo mundo conhece a cadeia global de discos Tower Records, que tinha sua loja principal em Manhattan a poucos quarteirões das Torres Gêmeas. Pois bem, naquele 11 de setembro era lançado Love and Theft, o novo álbum de Bob Dylan – o roqueiro anunciador de apocalipses. Fiquei me perguntando quantos fãs de Dylan não estariam por ali naquela manhã, no ventre da besta, fazendo fila para comprar o novo CD do velho Zimmermann (ele completara 60 anos em, 2001).

E a viúva de Norman Bates – quem diria? – morreu na primeira explosão, a do voo 11 (Boston-Los Angeles) da American Airlines. Na verdade, era a viúva do ator Anthony Perkins, que nunca se livrou da carga de ter sido “o-filho-que-era-mãe” no filme de Hitchcock Psicose. Rica, bonita, irmã da atriz Marisa Berenson, Berinthia "Berry" Berenson foi também manequim e atriz antes de se fixar na carreira de fotógrafa. Perkins – que fez ainda o papel de Norman Bates em três sequências de Psicose – só teve sua primeira relação sexual com uma mulher aos 39 anos. Ele se dizia um homossexual que se “curou” através da psicanálise. Em 1973 casou com Berry Berenson e teve dois filhos com ela, Oz e Elvis Perkins. Viveram juntos quase vinte anos, até a morte de Perkins, em 1992, por pneumonia causada pela AIDS. No trágico destino de Berry Berenson pode-se ler, sem dúvida, mais alguma daquelas maldições ligadas ao Mestre do Suspense, Sir Alfred Hitchcock.

 O PRIMEIRO PLANTÃO DA GLOBO NA MANHA DE 11/9/2001. 
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VEJA TRECHO DA COBERTURA DO ATENTADO PELA GLOBO NEWS COM IMAGENS DA CNN. 
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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Últimas lições de Geneton Moraes... e o caso do bilhete de Joel Silveira, da Manchete, no Muro das Lamentações


por Luiz Claudio Cunha (para o Observatório da Imprensa)

O jornalismo brasileiro ficou mais obtuso, medíocre, raso, frio, casmurro e sem respostas nesta segunda-feira, 22 do agosto sempre aziago. Perdemos o Geneton.

Geneton Moraes Neto morreu no Rio de Janeiro aos 60 anos, vencido pelas complicações de um aneurisma na aorta sofrido três meses antes. Na autoapresentação de seu blog, criado em 2004, ele já avisava: “Nasci numa sexta-feira 13, num beco sem saída, numa cidade pobre da América do Sul: Recife. Tinha tudo para fracassar. Fracassei”.
Bela mentira. Em quatro décadas de jornalismo, o Geneton do beco e da sexta-feira 13 tornou-se, para sorte de todos nós, um exemplo de sucesso e uma referência para todos os repórteres que tentam ser fiéis ao compromisso irrevogável de uma imprensa dedicada à verdade, à memória, à história e ao dever de consolar os aflitos e afligir os consolados.

Ele começou como repórter em sua terra, no Diário de Pernambuco e na sucursal local de O Estado de S.Paulo¸ nos duros anos do Governo Geisel, em plena ditadura. Foi estudar no exterior. Em Paris, trabalhou como camareiro do Hotel Mônaco e motorista de uma família rica enquanto estudava Cinema na Sorbonne.

Voltou ao jornalismo, e ao Brasil, para trabalhar no Grupo Globo a partir de 1985. Ali, o repórter que se dizia fracassado foi chefe e mestre nos principais postos de jornalismo da casa: editor-executivo do Jornal da Globo e do Jornal Nacional, correspondente em Londres da GloboNews e do jornal O Globo, repórter e editor-chefe do Fantástico.

Nenhuma mesa poderosa da burocracia da redação, porém, deslumbrou o ex-fracassado do beco: “Não troco por nada o exercício da reportagem — a única função realmente importante no jornalismo”, definia Geneton no seu blog. E foi na função seminal de repórter, não como executivo de redação, que Geneton imprimiu sua marca indelével na imprensa brasileira. As provas estão guardadas para sempre no seu blog, geneton.com.br, que devia ser tombado como patrimônio cultural e leitura obrigatória para estudantes, repórteres, jornalistas e todos aqueles que respeitam a inteligência e o conhecimento. Ali, Geneton passeia sua intimidade, seu talento e seu ofício de repórter exemplar e humilde diante da notícia e de gente que, como ele, fez História. Presidentes e ex-governantes, generais e guerrilheiros, escritores e cineastas, atletas e poetas, astronautas e políticos, cantores e compositores, jornalistas e repórteres, grandes repórteres como ele, passaram pelo crivo de sua inteligência e argúcia.

As duas sobreviventes do Titanic, o copiloto da bomba de Hiroshima, o assassino de Martin Luther King, o produtor dos Beatles, o promotor britânico do tribunal de Nuremberg, o agente secreto que tentou matar Hitler, os três astronautas que pisaram na Lula, o confessor de Bin Laden nas montanhas de Bora-Bora, o professor do líder dos terroristas do 11 de Setembro, o homem que encarou o ‘Setembro Negro’ nas Olimpíadas de Munique, o filho do carrasco nazista de Auschwitz que ataca o próprio pai, o guerrilheiro brasileiro que recrutou a mãe para a luta armada, o repórter de Watergate que derrubou o presidente da Casa Branca, o relato dos 11 jogadores brasileiros da derrota na final da Copa de 1950 num Maracanã estufado com 10% da população do Rio de Janeiro na época, mais de 200 mil torcedores.

Todos fazem parte deste universo mágico que Geneton esquadrinhou e trouxe para perto de nós, para nos recontar, com detalhes inéditos, a saga da espécie humana, nos seus bons e maus momentos. “Que se faça a louvação da reportagem. O papel de todo repórter é produzir informação a curto prazo. E memória, a longo prazo – de preferência, nas páginas de um livro, hoje transformado em espaço nobre a reportagem no Brasil”, escreveu Geneton na orelha do penúltimo de seus onze livros, Dossiê História (2007).

Ali, Geneton se define modestamente como um “pequeno tarefeiro da memória porque, em última instância, a memória é a grande matéria-prima do jornalismo”.  (...)

Geneton se divertia contando as relações de seu ídolo com os magnatas da mídia. De Chateaubriand, Joel (Silveira) ganhou o apelido de ‘víbora’. De Adolpho Bloch, dono da revista Manchete, onde Joel publicou suas últimas reportagens, ele ganhou um bilhete. Bloch aproveitou uma viagem de seu repórter a Jerusalém e lhe pediu que colocasse o bilhete, como manda a tradição judaica, numa das frestas do Muro das Lamentações, acompanhado de um pedido. Joel cumpriu a pauta do patrão, que lhe perguntou na volta:

— E aí, Joel, fez o pedido?

— Fiz, Adolpho. Pedi para você me dar um aumento de salário… (...)

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, CLIQUE AQUI

Pablo Escobar morreu em "Narcos" mas a série terá mais duas temporadas no Netflix



por Niko Bolontrin

Segundo matéria da Esquire, o produtor executivo de "Narcos", José Padilha, afirma que apesar de Pablo Escobar, vivido por Wagner Moura, ter morrido na segunda temporada da série, o show vai continuar.

Segundo Padilha, o que não falta é drug lord.

O último capítulo da atual temporada deu uma pista ao mostrar que, com o fim de Escobar, do Cartel de Medellín, o Cartel de Cáli passa a dar as cartas.

Sem falar nos carteis mexicanos que ganharam força nos últimos anos.

Netflix garante mais duas temporadas da série em 2017 e 2018. "Podemos tem uma perspectiva mais ampla e falar sobre todos esses diferentes senhores da droga. Vimos Pablo nas duas primeiras temporadas e veremos agora outros chefões, o que vai nos permitir uma visão crítica sobre a política americana e de outros países que é lutar contra os fornecedores, mas não fazer nada sobre a demanda", diz Padilha.

Quanto ao ator Wagner Moura, este já anunciou sua saída de série. "É hora de deixar o Escobar partir", disse ele ao Estadão, no começo do mês..

Facebook censura foto premiada da guerra do Vietnã. A imagem foi feita há 44 anos...


Facebook é acusado de abuso de poder e censura ao vetar a foto que tornou-se símbolo da crueldade dos bombardeios americanos na guerra do Vietnã. A famosa imagem feita pelo fotógrafo Nick Ut , de junho de 1972, mostra a menina Kim Phuc sofrendo com queimaduras e as dramáticas consequências de um ataque aéreo de napalm. O escritor Tom Egeland postou a cena ao lado de outras seis fotografias que mudaram a história da guerra. A foto foi removida soba a alegação de que exibe genitália. A matéria é do The Telegraph, onde você pode ler mais informações clicando AQUI

Passaralho ataca na Folha de São Paulo...



(do Comunique-se)
Ao menos 10 jornalistas deixaram a redação da Folha de S. Paulo na tarde desta quinta-feira, 8. A direção do jornal iniciou a onda de cortes ao informar – internamente – que as equipes de duas editorias então distintas vão passar a trabalhar juntas: ‘Cotidiano’ e ‘Esportes’. Além disso, a sucursal no Rio de Janeiro passará por mudanças, com enxugamento do quadro de funcionários e mudança de escritório.
A junção das duas editorias será mais sentida no conteúdo desportivo. Então com “vida própria” no impresso, o caderno de ‘Esportes’ deixa de existir (...).
LEIA MAIS NO COMUNIQUE-SE, CLIQUE AQUI

50 ANOS SEPARAM DOIS TÍTULOS DE JORNAL...



FOLHA, SETEMBRO DE 1966


FOLHA, SETEMBRO DE 2016


No Facebook, o fotógrafo Lula Marques dá um close radical nos "coleguinhas golpistas"



por Lula Marques (do Facebook)

Os coleguinhas fotógrafos não querem ser chamados de golpistas.

São golpistas sim e agora aguentem as consequências!

Quando começou todo o processo do impeachment, eu era a única voz entre os fotógrafos que cobrem o Palácio do Planalto que dizia que era um golpe. Chegava todos os dias para trabalhar e, em alto e bom som, soltava um “bom dia mídia golpista!”.

No começo, os coleguinhas levavam na brincadeira, mas o tempo foi passando e o golpe se consolidando. Quando o processo passou na Câmara, eu virei alvo de piadinhas nos corredores, coberturas jornalísticas e nos bares. Fui chamado de louco, disseram que eu precisava tomar remédio. Ouvi muita piadinha dentro do Planalto e no Congresso dos fotógrafos machões, homofóbicos, preconceituosos, arrogantes e misóginos. São analfabetos políticos. E, ainda se acham melhores do que qualquer trabalhador por ter uma credencial para entrar nos Palácios.

Nos anos do PT, ouvi frases como: “Como o ar esta fedido hoje aqui”, referindo-se aos integrantes de movimentos sociais que participavam de cerimônias. Que nojo! Para esse tipo de gente, pobre não tem direito a frequentar aeroporto. Isso sem falar dos comentários misóginos sobre a presidenta Dilma. É de dar asco! O que esperar de um fotógrafo que fala que o maior problema do casamento são as mulheres?! A misoginia ajudou a derrubar a primeira mulher eleita desse País. Se fosse um homem no lugar dela, não teria passado pelo que Dilma passou. Para esse tipo de gente, as suas mulheres devem ser lindas, recatadas e do lar.

Ouvi também dos coleguinhas jornalistas que eu estava remando contra a maré. Era maluco de ser uma voz solitária no meio daquele massacre midiático. Olhares de reprovação. É como se falassem: o que esse petista está fazendo aqui? O jornalismo que idealizamos morreu e um novo jornalismo alternativo está surgindo e expondo as “grandes”redações, que transformaram fotógrafos em meros apertadores de botão. Recebem uma pauta e sequer sabem o que está por trás dela. Há uma grande diferença entre petista e jornalista e espero que procurem no dicionário a resposta.

Agora não querem ser chamados de golpistas? SÃO GOLPISTAS e a nossa imprensa está na lata de lixo da história, ao contrário da mídia internacional, que enxergou o golpe. Quando estavam batendo na presidenta Dilma não queriam saber o que viria depois, agora aguentem as consequências de ter que ir para as ruas e serem escrachados durante as coberturas das manifestações contra o governo golpista, contra a mídia golpista e contra os corruptos que vocês ajudaram a colocar no poder.

Aguentem e paguem pelas mentiras ditas, mentiras fotografadas e por ter ajudado a derrubar uma presidenta eleita com mais de 54 milhões de votos. Não é por acaso que a credibilidade da imprensa vai ladeira abaixo. Os leitores/eleitores estão cobrando. Fizeram agora paguem. Não venham com a desculpa de que são trabalhadores e a culpa é dos donos dos jornais. Vocês são os jornalistas que estiveram na linha de frente na hora buscar as informações e sabiam muito bem o que seus editores queriam e fizeram direitinho para manter seus empregos. Ligaram o foda-se para o País e a democracia. Não tentem arrumar um culpado pelo seus erros, vão ser chamados de golpista sim. Seus chefes golpistas, que ajudaram o golpe, vão continuar nas suas salas com ar condicionado e vocês vão ter que ir para ruas e as ruas os esperam.

Estou na profissão há 35 anos, cobri a redemocratização, reforma constitucional, impeachment do Collor, anões do orçamento e fiz tantas outras matérias maravilhosas. Nos últimos anos, no entanto, a parcialidade virou rotina, omissão, manipulação… dois pesos e duas medidas. O objetivo era tirar o PT do poder. Não vi nada parecido com outros partidos. E hoje, a mídia alternativa, como os jornalistas livres, mídia ninja e tantos outros surgiram com o compromisso com a verdade e a democracia.

Ontem fui acusado de viver para ter likes. Nós, verdadeiros jornalistas queremos divulgar a verdade e os likes são resultado do nosso trabalho sério e honesto. Mostramos a verdade, sem manipulação, ao contrário dos veículos tradicionais. Não concordo com a violência e me solidarizo com meus colegas, Lula da Record e Kleiton do UOL, profissionais que respeito. Venceram na profissão e foram atacados por radicais de esquerda. Sigo na luta para acabar com a corrupção e desigualdade social. Minha escola de jornalismo sempre foi a liberdade e democracia e principalmente a verdade. Não faço e nunca vou fazer parte de grupinhos que se comunicam e trocam mensagens pelo WhatsApp para não perderem uma foto e serem demitidos. Meu compromisso é com o leitor. Não tentem arrumar o culpado de tudo que vocês provocaram.

Um dia espero que a consciência mostre o quando foram pequenos.

Chefão do jornalismo assedia âncora que foi miss é é demitido...

A âncora Gretchen Carlson derruba chefão do jornlismo americano
de direita. Reprodução Facebook
por Ed Sá
A Fox News é uma trincheira da direita americana. Assume que seu jornalismo é relativizado pela militância política, que vem sempre em primeiro lugar.
Um dos ideólogos da Fox News, já há duas décadas, é o poderoso Roger Ailes.
Era.
Recentemente foi defenestrado do cargo. Alies concebeu e implementou o canal conservador, desde o início tido como um braço midiático do Partido Republicano e acolheu as bandeiras da direita, do moralismo exacerbada em relação aos costumes à defesa da posse de armas para civis etc. Antes, trabalhou com Nixon, Ronald Reagan e George Bush. Foi ele que incentivou Bush a responder com uma bliztkrieg ao atentado de 11 de setembro. Alies levou a Bush dados que, segundo ele, mostravam que a opinião pública queria sangue imediato como reação aos terroristas.
Roger Ailes deixa o cargo após acusações de assédio sexual. Na verdade, colecionou dezenas de vítimas que o seu poder calou. Até que uma mulher venceu o medo.
Gretchen foi Miss América em 1989. Sua beleza chamou a atenção
do chefão da Fox News, que a assediou. Reprodução Instagram
A mídia americana aponta com responsável por desnudar Ailes a âncora Gretchen Carlson, ex-Miss América.
Ela própria uma espécie de padrão e arquétipo do tipo de jornalista preferido pela Fox News: loura, conservadora, anti-intelectual. Ela denunciou que Ailes começou por elogiar suas pernas e sugerir que usasse roupas justas. A âncora comentou o fato com seu chefe imediato. Ailes, que monitorava telefones e email, soube e apenas passou a dizer que ela não sabia conviver com homens.
Depois disso, a jornalista foi transferida para um programa matinal.
A denúncia de Gretchen Carlson puxou outras. Surgiram acusação de que Ailes, em reuniões, frequentemente pedia a mulheres para se levantar e dar "uma rodadinha" de modo que ele pudesse conferir o "material".
A cultura do medo imposta no canal impedia, então, que Ailes fosse acusado. Funcionários informaram que o chefão mantinha uma arma na gaveta e era paranoico.
Com um iPhone, a âncora assediada ajudou a desmontar o reinado do chefão da Fox.
Ela secretamente gravou cantadas dele. Uma das frases nada sutis: "eu acho que você deveria ter tido uma relação sexual comigo há muito tempo. Dessa forma os problema seriam mais fáceis de resolver".
 A Fox agiu rápido. Como está engajada no apoio a Donald Trump, temeu que o escândalo impactasse sua cobertura da a campanha eleitoral. O canal distribuiu um pedido de desculpas e demitiu o chefão. Diz a mídia americana que Ailes guarda tantos segredos que saiu com uma milionária indenização.
O que não impede que vá trabalhar com Donald Trump caso o republicano chegue à Casa Branca.
Ailes já estaria colaborando informalmente com o comitê de campanha. Tudo a ver.

Campanha da C&A provoca polêmica na rede.

C&A. Divulgação

A modelo Maria Luiza Mendes. Reprodução Intagram
por Clara S. Britto
A nova campanha de jeans da A C&A gerou polêmica na rede. O teme é "diversidade" e biotipos e para representar as consumidoras plus size, a modelo Maria Luiza Mendes, que é médica veterinária, é a estrela de uma das peças. As fotos, acompanhadas do texto "Sou gorda & Sou sexy", revoltaram parte das internautas para quem a modelo não e gorda é curvilínea. A imagem, segundo elas, não traduz de fato as mulheres gordas. Há uma dose de intolerância na polêmica. Se uma marca usa modelos longilíneas a magras, à vezes até demais, é criticada. Se resolve citar a diversidade de formas també é bombardeada. Maria Luiza Mendes tem 1.73m e pesa quase 90 kg. A modelo também recebeu mensagens de apoio e declarou que se sente feliz ao ver marcas postando nesse segmento.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Colunista diz que "o dever das pessoas de bem é boicotar Aquarius". E a produção do filme põe a frase no cartaz de divulgação do longa-metragem


por Niko Bolontrin

"Aquarius" é a nova bola do Fla X Flu político nacional.

Elogiado em Cannes, o filme acaba de estrear no Brasil.

Colunistas da grande mídia ainda incomodados pelo fato de o elenco do filme ter feito um protesto "Fora Temer! na França, ato que denunciou o golpe e repercutiu no mundo inteiro, plantaram notinhas onde mal escondiam a satisfação em anunciar um suposto fracasso de público na semana de estreia.

Como a verdade sempre aparece na tela, distribuidores divulgam que "Aquarius" é a segunda melhor estréia de um filme brasileiro em 2016, depois da produção da Igreja Universal "Os dez mandamentos".

Não é um blockbuster, nem um tipo de filme arrasa-quarteirão, mas o longa estrelado por Sonia Braga e já premiado em festivais na Polônia, Austrália e Holanda, também não é o "desastre" sonhado pelas colunas dos barões da mídia. Fato reconhecido pela maioria dos críticos de cinema que escrevem nos mesmos jornais.

Alvo de medidas do governo - como a de uma classificação censória -, além da ofensiva dos colunistas, "Aquarius" incluiu no cartaz promocional do filme uma jogada de marketing inédita no ramo. Entre as tradicionais frases elogiosas está lá uma declaração de um desses colunistas na qual ele recomenda que "o dever das pessoas de bem é boicotar Aquarius".

Tirar partido da frase equivale a um "drible-da-vaca" que o marketing do filme dá nas figuras que  correram pra vestir a camisa do time de Temer.

Já vou comprar meu ingresso. Mas vou deixar minha carteira em casa. Vai que eu encontro "pessoas de bem" na fila. Um risco.

Sujou! Antropólogo italiano devolve comenda ao governo brasileiro.

por Jean-Paul Lagarride
Nos anos 1990, o antropólogo italiano Massimo Canevacci, então professor da Universidade de Roma La Sapienza, foi condecorado pelo governo brasileiro com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

Antenado com a atual crise política do Brasil, Canevacci abriu o armário, retirou a medalha, empacotou e despachou pelo Fedex junto com uma carta ao Planalto.

Diante do golpe, ele se refere à "impossibilidade de manter este título". Segundo nota na coluna Monica Bergamo, Canevacci diz, na carta, que "sente grande tristeza" e não quer "manter este tipo de vínculo com um Estado e com um Parlamento que, após o golpe militar de 1964, continua produzindo valores contrários aos meus princípios republicanos".

Temer sofre bullying na China. Segundo fontes, ele se queixou de que foi uma figura "decorativa" na reunião do G20

Temer no G20. O fotógrafo teve que se esforçar para enquadrar o ex-vice que evoluía pelas pontas. Obama e Merkel disfarçaram e deram as costas. Foto Agência Brasil

Temer a caminho do cafezinho. Reprodução 



Temer barrado em uma das reuniões. Houve um pequeno problema depois contornado: o
crachá estava em nome da Dilma. Reprodução


Em um dos intervalos das reuniões do G20, Temer foi à piscina. Reprodução
por Omelete
Poucos fracassos foram tão bem sucedidos quanto à viagem de Temer à China.

Ainda bem que ele comprou um par de sapatos e um cachorro-robô. Se não tivesse ido ao shopping voltava de mãos abanando.

Na véspera da viagem a mídia badalou que Temer ia assinar dezenas de contratos bilionários. Mas a caneta Montblanc que ele comprou no camelô chinês a caminho da loja de sapatos era cópia pirata e não tinha tinta. Os contratos ficaram em branco.

Verdade que Temer reuniu-se com alguns representantes, a maioria da turma da Série B, no que seria o "lançamento como líder internacional'. Mas não foi culpa dele. Obama, por exemplo, caiu fora até da foto com o brasileiro. Na hora da selfie, Merkel disse que ia um instantinho ao banheiro e não voltou mais.

Chefes de Estado intolerantes "evitaram" Temer como se ele fosse portador de zika. "Ih, lá vem ele. Peraí que eu me esconder ali atrás do busto de Mao" - era a senha da turma para se mandar.

Isso não se faz.

A fonte revela que o cerimonial do G20, constrangido com a situação, sugeriu a Temer que fosse dar uma volta antes que a mídia percebesse que ele era "peixe fora d'água". "Presidente, sai um pouco, vai ao pagode", disse um assessor. Temer foi, mas voltou muito rápido. "E aí, não gostou?" - quis saber o assessor. "Procurei o Katiguelê, o Só Pra Contrariar e o Negritude Júnior e ninguém soube informar onde eles estão tocando".

O assessor desistiu, fingiu que falava ao celular e saiu de fininho

Parentes da mãe do jardineiro de uma das autoridades que integraram a comitiva brasileira ao G20 revelam que Temer teria deixado uma carta dirigida aos chefes de Estados queixando-se de que sofreu bullying.

Ficou magoado com Obama, lembrou que era amigo de Joe Biden e lamentou que tenha sido uma figura "decorativa" no G20. Vazou que o conteúdo da carta foi apenas ligeiramente reescrito a partir da famosa missiva em que ele "discutiu a relação" com Dilma Rousseff.

No fim do mês, Temer deverá comparecer à Assembleia Geral da ONU, tradicionalmente aberta pelo Brasil, O Itamaraty está pensando em convidar o Joe Biden. Pelo menos, o ex-vice teria com quem conversar.

Eduardo Cunha, outro amigo lembrado para acompanhá-lo, não foi encontrado em nenhum dos seus endereços conhecidos e parece que está temporariamente impossibilitado de viajar.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Deu na Veja Rio: a apresentadora, o âncora e a doutora...


A Veja Rio não podia perder essa.
Embora não seja exatamente a praia da revista (gastronomia, lazer, cultura são os temas permanentes), a separação de William Bonner e Fátima Bernardes virou capa.
O anúncio da separação feito pelo próprio casal em uma mensagem em rede social, na semana passada, não alcançou as revistas de celebridades a tempo de ilustrar as edições que já estavam fechadas e abriu espaço para o destaque na Vejinha.
A crise conjugal, diz a matéria da revista, já vinha dando sinais há algum tempo.
Foi a discrição do casal que manteve a notícia longe dos repórteres e colunistas especializados.
Segundo a Veja Rio, o pivô da separação foi uma médica, casada e dez anos mais nova do que o âncora.
Se for verdade, a disputa entre as revistas de celebridades é, agora, pela foto exclusiva da doutora.
Conhece a expressão "briga de foice no escuro?". Pois é: vai rolar a briga de flashes e teleobjetivas nos plantões das madrugadas..

"Sapatinho de cristal" virou piada...


VEJA NO SPUTNIK NEWS, CLIQUE AQUI

Novos tempos... A Piauí desse mês faz o perfil de Jair Bolsonaro, "a direita que atira", e põe na capa a família presidencial depois do golpe gourmetizado


Fatos e fotos: resposta ao golpe é na rua












Vá entender. Ser chamado de golpista tira do sério os... golpistas



Na chamada grande mídia não há exatamente o que se pode chamar de debate sobre a atual crise política no Brasil. Com exceções de um Veríssimo aqui e de um Jânio de Freitas ou um Gregorio Duvivier lá, as "opiniões" apenas ecoam umas às outras, rimadas e bem afinadas. Por exemplo, a velha mídia junto com os caciques do PMDB defende que o golpe obedeceu à Constituição. Juristas, jornalistas independentes, grande parcela da opinião pública e as multidões nas ruas denunciam o golpe. 

Que, como Veríssimo escreveu no Globo, "teve cara de golpe, cheiro de golpe, penteado de golpe". 

Já Zuenir Ventura escreve no mesmo Globo que é "do tempo em que golpe se dava com tanques nas ruas, prisões e censura". E ironiza sobre a existência de "golpe parlamentar". Diz que não conhecia a modalidade, apesar de o Paraguai, aqui ao lado, Honduras mais em cima e Ucrânia, mais distante, conheceram muito bem o novo formato de destituição de governos eleitos.

O fato é que os golpistas se incomodam profundamente quando alguém os chama de golpistas. Há poucos dias, o ministro da Cultura do governo golpista teve uma ataque de pelanca durante um festival de cinema ao ouvir a plateia gritar que ele, a dita autoridade, era... golpista. 

Cristovam Buarque foi chamado de golpista durante a sessão de uma comissão parlamentar, irritou-se e foi embora pra casa. 

Vá lá, dá para entender.

Consumado o golpe, tais figuras tentam deixar algum registro, um post no Facebook, um artigo no jornal, um recado ao porteiro do prédio, um aviso ao entregador de pizza, um panfleto colado no poste, o que seja, para deixar aberta a possibilidade de as futuras gerações, até filhos e netos, os perdoarem por não terem sabido o que faziam num certo ano de 2016 em um país chamado Brasil. 

Eram golpistas mas só que não. 

Vai ver achavam que Dilma se voluntariou para tirar o time de campo depois que Temer lhe escreveu uma carta pedindo colo e se queixando da vida de vice...

O jornalista Paulo Nogueira escreve no DCM sobre a deprê dos golpistas, surpreendentemente infelizes apesar de terem conseguido o que queriam: pôr a mão na massa. 

E o DCM lembra uma dica de Zé Simão ao presidente do governo pós-golpe. Ao saber que Temer disse que não quer ser chamado de golpista, Simão sugeriu que ele peça para ser tratado de "golpisto".

Leia o artigo de Paulo Nogueira: 



por Paulo Nogueira (para o DCM)

Então chegamos à seguinte situação. Mesmo os golpistas admitem que a palavra golpista pegou. Ponto. Algumas coisas pegam, outras não.

Golpista pegou.

O problema é que os golpistas ficam extremamente incomodados em serem chamados de golpistas. Temer já disse isso. Cristovam Buarque também. A Folha, num editorial, xingou manifestantes que picharam a expressão golpista em sua sede na Barão de Limeira.

Pensando em tudo isso, montei um micromanual de atitudes para os golpistas incomodados em ser chamados de golpistas. Embora simples, é um manual infalível.

As recomendações:

1) Não há meio mais seguro para não ser chamado de golpista do que não ser golpista. Num paralelo: você não gosta de ser chamado de bêbado? Não beba. Não gosta de ser chamado de mulherengo? Não seja mulherengo. Não gosta de ser chamado de grosseiro? Não faça grosseria.

A mesma coisa funciona para o golpismo. Jamais acusarão você de golpista se você não for golpista.

2) Não acuse o golpe, caso seja chamado de golpista. Sabe aquela coisa da infância? Dão a você um apelido que você detesta. Se você deixar claro isso, o quanto abomina o apelido, acabou. Você será conhecido por ele o resto de sua vida.

Seja ator, nestes casos. Mesmo que mortificado, simule bom humor. Cristovam Buarque já dançou. Ficou evidente quanto doi para ele ser chamado de golpista.

Em sua raiva desgovernada, ele dá longas explicações sobre por que não é golpista. Só piora. É possível que quando Cristovam Buarque for enterrado alguém cole em seu cova: “Aqui jaz um golpista”.

No túmulo de Temer, talvez apareça outra inscrição, sugerida por Zé Simão. Quando veio a público que Temer não queria ser chamado de golpista, Simão sugeriu tratá-lo de “golpisto”.

3) Se as coisas parecerem realmente complicadas, escreva um livro. Churchill disse que não se preocupava com o que a história diria dele porque os historiadores consultariam os livros que ele próprio escreveria a seu respeito.

O difícil, aí, é que os golpistas brasileiros não têm o talento, o poder de persuasão, o carisma de Churchill.

Considere, para ficar num caso, FHC. Sua prosa é rasteira, suas ideias são superficiais: em suma, seu poder de convencimento tem o tamanho oposto de sua arrogância.

FHC pode escrever mil livros que nada será suficiente para que perante a posteridade ele deixe de ser tratado como o que é: um golpista.

Uma boa frase para seu jazigo talvez fosse esta: “Foi golpista e tentou ser escritor”.

Bem, prometi um manual curto e paro por aqui.

Foram três recomendações, relembro. Mas a mais eficiente é a primeira. Não quer que chamem vocêr de golpista? Não seja golpista.

Trottoir no calçadão dos quarteis?.


De tanto ler meia dúzia de colunistas e editoriais dos jornais, o governo pós-golpe imaginou que seria carregado em triunfo nas avenidas, ruas e vielas do Brasil. 
Temer já se via como personagem de álbuns de figurinhas disputado por colecionadores, Moreira Franco achava que seria carregado nos ombros e ovacionado por qualquer bobagem que verbalizasse. 
Aécio, como um "Aníbal" da Disney, pensava que ia cruzar as montanhas de Minas Gerais no lombo de elefantes e conduzido por multidões de rumo à rampa do Planalto. 
Eliseu Padilha tinha certeza de que viraria enredo de escola de samba. 
Geddel desbancaria Luiz Eduardo Magalhães como nome de rua, de aeroporto, de escola, de prédio, de postes, de banheiro público, de museu, de restaurante, de boteco, de bairro, de escola, de sapataria, de hospital, de oficina, de loja de ferragens e de barraca de caldo de cana em Salvador. 
Romero Jucá aguardava o momento de virar efígie em cédulas de 500 reais. 
Janaína, Paulo Skaff e Kataguiri estavam certos de que suas cabeças monumentais seriam esculpidas no Sumaré por trabalhadores voluntários extasiados, tais quais os presidentes americanos no Monte Rushmore. 
Como não foi bem o que aconteceu e as multidões que protestam contra o golpe estão nas ruas, a curriola foi surpreendida. E aí que mora o perigo.

A propósito, o jornalista Luís Nassif faz uma profunda análise desse momento político no site GGN. Leia a seguir. 
     


por Luís Nassif
Há em andamento uma tentativa de jogar as Forças Armadas na tarefa menor da repressão interna.

Entenda.

Peça 1 – a volta das vivandeiras

Tem-se um quadro completo, com os principais personagens para a montagem desse jogo:

Os black blocs

Um grupo de ultraesquerda infiltrado nas manifestações, promovendo quebra-quebra e sendo tratado com um certo paternalismo por setores da esquerda. No seu primarismo político, os black bloc livram a PM do trabalho sujo de simular quebradeiras.

A PM

Uma PM capaz de bater em adolescentes, mas incapaz de reprimir os black blocs, porque são parte integrante da sua estratégia. Quem assistiu o documentário sobre a batalha de Seattle – as manifestações anti-OMC de 1999 – aprendeu bem as manhas da repressão. Infiltravam agentes para comandar quebra-quebra, visando desmoralizar as manifestações e encontrar álibi para a repressão. É prática corriqueira. Dispondo do apoio dos black blocs, o trabalho fica enormemente facilitado.



A imprensa vivandeira

Completa o quadro uma imprensa vivandeira que faz o jogo da PM e clama pelos quarteis, porque a PM não coíbe a quebradeira. Foi o caso do editorial da Folha (https://is.gd/uhtpu4) entrando no jogo da PM.

Os ataques de baixo nível a Ricardo Lewandowski e a atitude vil de expor o apartamento da mãe de Dilma Rousseff – e ainda taxá-lo falsamente de “apartamento de luxo” – comprovam que nem a vitória ajudará a impor um mínimo de grandeza à velha mídia. Continuarão apostando na guerra de extermínio sem receio do ridículo, como mostra reportagem da Folha acusando a Bolsa Família pela crise das comunidades indígenas (https://is.gd/r6lREB).

O governador Geraldo Alckmin recuou de sua intenção de proibir as manifestações de domingo. Mas é questão de tempo.

Do lado de dentro, espera-se o caldeirão entornar para o grande objetivo traçado pelo governo Temer: devolver às Forças Armadas o papel de repressão interna.

Antes disso, uma pequena explanação sobre a política de defesa na última década.

Peça 2 – a Política Nacional de Defesa

No final dos anos 90, os Estados Unidos se apresentavam como o guarda-chuva do mundo nos campos cibernético, nuclear e espacial. Por sua concepção, as Forças Armadas dos demais países serviam apenas para cuidar de bandido, da repressão e do combate às drogas.

Na última década, no Brasil houve  enorme avanço na Política Nacional de Defesa graças a três gigantes: José Genoíno, Nelson Jobim e Celso Amorim, três grandes brasileiros de formação política distinta, mas que entenderam perfeitamente o papel das Forças Armadas em uma nação moderna.

A concepção de defesa nacional baseou-se no modelo de países desenvolvidos e foi centrada em três tópicos principais:

1.     A energia nuclear, sob responsabilidade da Marinha, com as usinas, o enriquecimento do ciclo do urânio e os submarinos nucleares.

2.     A aeroespacial, por conta da Aeronáutica, com os novos caças e os satélites brasileiros.

3.     A cibernética, sob responsabilidade do Exército, com a responsabilidade de preparar o país para a guerra eletrônica.

Em cima desse tripé foram traçadas as grandes estratégias de defesa:

·       Defesa do pré-sal

·       Defesa da Amazônia

·       Defesa do cone-sul

Essas definições foram relevantes para garantir a governabilidade nessas regiões. Há um princípio internacional de montar forças inernacionais em países que não tenham condições de cuidar de suas áreas. Por isso mesmo, a Amazônia e a Bacia do Prata foram objeto de estudos e acordos. E o Exército sempre recusou aos Estados Unidos treinamento de tropa no centro de treinamento da Amazônia.

Quando se decidiu ampliar a cooperação continental, o Brasil trocou a relação bilateral com os Estados Unidos por uma relação de cooperação.

A definição fixada na Unasul e no Conselho de Defesa Sul-Americano foi de que apenas para fora haveria a dissuasão; para dentro, a arbitragem e a cooperação. Todas as disputas haviam sido superadas pelo conceito de cooperação, definindo operações conjuntas para patrulhar essas áreas sensíveis.

A cooperação regional

Nesse período, o Brasil assumiu o papel de país central, exercendo a função de aconselhamento das nações vizinhas. Foi assim que seguraram-se por algum tempo as pirações na Venezuela e fortaleceu-se a ação mais responsável de Evo Moralez na Bolívia.

O acordo de paz entre as FARCs e o governo colombiano foi conquistado assim. Jobim aconselhou diretamente o governo colombiano e alertava para os riscos de se colocar bases norte-americanas no continente:

- Toda guerrilha quer alvo. Bases americanas são um baita alvo. Vocês têm que impedir as bases, negociar, porque guerrilha na selva e cordilheira é imbatível.

Juan  Manuel Santos, o presidente da Colômbia, aceitou os conselhos, negociou e o país está saindo da mais prolongada crise política da sua história.

Agora, com o presidente argentino Maurício Macri abrindo o país para bases norte-americanas, e José Serra exibindo uma subordinação desinformada e primária em relação aos Estados Unidos quebra-se o modelo.

Peça 3 – o desmonte da Defesa

O governo Dilma Rousseff “esqueceu” a política de defesa. Avançou na licitação FX, manteve os programas em execução, mas sem o olhar do presidente.

Com Michel Temer, vem o desastre.

Nas Relações Exteriores colocou um Ministro, José Serra, totalmente jejuno na matéria, subserviente aos Estados Unidos, uma ignorância rotunda. Para ficar no campo conservador, troca-se o conservadorismo culto e altivo de um Afonso Arinos, Celso Lafer e Rubens Ricúpero por um chanceler com o cérebro de Maguila.

Na Defesa, entra um Ministro inexpressivo, Raul Jungman, em que pese ter pensamento mais sofisticado que o de Serra. Por que se saliento a inexpressividade? Porque, na outra ponta, o desmonte está sendo comandado de fora para dentro, através do Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen, e do Ministro da Justiça Alexandre de Moraes.

Na gestão Nelson Jobim na Defesa, tentou-se criar um Centro de Estudos que aproximasse a academia das Forças Armadas. Jobim criou o Instituto Pandiá Calógeras, visando:

1.     Produzir reflexões acerca dos aspectos políticos e estratégicos nos campos de segurança internacional e defesa.

2.     Atrair recursos humanos no campo da defesa.

3.     Estreitar relacionamento Defesa com meio acadêmico e internacional.

A primeira decisão conjunta de Jungmann e Etchegoyen foi fechar o Instituto.

Peça 4 – a segurança interna

No modelo norte-americano, há três órgãos distintos trabalhando a segurança interna: o FBI, a CIA e a Guarda Nacional. No Brasil, os correspondentes seriam a Polícia Federal, a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e a Guarda Nacional – que jamais foi criada.

A Estratégia Nacional de Defesa tratou o capítulo referente à garantia da lei e da ordem com a proposta de institucionalização da Força Nacional de Segurança. O modelo proposto era o da criação da Guarda Nacional para cuidar das fronteiras, portos e regiões de conflagração urbana.

Em um primeiro momento, o Exército entraria, tomaria conta da área e imediatamente a repassaria para a Guarda Nacional. As Forças Armadas toparam, mas a Polícia Federal reagiu. E como no governo Dilma não havia Ministro da Justiça nem da Defesa, ficou-se por isso mesmo.

Hoje em dia, a PF usa armas camufladas e uniformes de combate simbolizando um poder a mais.

Não se ficou nisso.

Movimento 1 – a criação do GSI

No presidencialismo, o Presidente é o comandante supremo das Forças Armadas. Ele é eleito como chefe de governo e de Estado. A segunda autoridade é o Ministro da Defesa. Depois, o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, os Comandantes Militares e os Comandantes de Área. Assessorando o presidente tem também a Casa Militar.

Criado no segundo governo FHC, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) foi confiado ao general Alberto Cardoso e tornou-se um corpo estranho. Entrando Lula, este foi alertado para os riscos da criação de um poder paralelo. A saída encontrada foi entregar ao general Jorge Armando Félix, pouco efetivo.

No governo Dilma, o GSI foi corretamente extinto, ficando apenas o Gabinete Militar

Mal assumiu o interinato, Michel Temer recriou o GSI e nomeou o general Sérgio Etchegoyen, colocando debaixo dele a ABIN e a Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência).

Consciente do novo poder que iria exercer, Etchgoyen imediatamente convocou para um jantar em sua casa o presidente da República, o Ministro da Defesa e os três Ministros militares, colocando-se simbolicamente acima deles. Em Brasília, na diplomacia e no poder, jantares têm significado em si.

Movimento 2 – a segurança nas Olimpíadas

Nas Olimpíadas, Temer nomeou o GSI responsável pela segurança, atropelando os responsáveis naturais, Ministro da Defesa ou da Justiça. O Chefe do Estado Maior conjunto sequer foi convidado para a abertura das Olimpíadas.

A segurança foi organizada pela burocracia das Forças Armadas – acantonada em Brasília – não pelas tropas de combate.

Movimento 3 – a desagregação da defesa

Na Estratégia Nacional de Defesa, a primeira preocupação foi criar o conceito de comando conjunto. Por exemplo, não adianta submarino sem satélite ou comando aéreo na Amazônica sem o Exército. Por isso foram criados comandos em cada região crítica, permitindo a integração das três forças e a definição de estratégias em cada região.

A criação de Unidades Militares de Combate, seja na Amazônia, Haiti ou África, deixa claro o verdadeiro papel das Forças Armadas er os malefícios advindos de sua transformação em polícia. Há levantamentos internacionais mostrando que, nos países em que se tornaram polícia, foram sucateadas, com os equipamentos tecnológicos de ponta – para a defesa nacional – substituídos por investimentos em tanques, brucutus, algemas, granadas e revólveres.

A diluição desse modelo começou com as UPPs (Unidades de Policias Pacificadoras). No início, pareceu dar certo no Rio, devido ao fato do Secretário de Segurança José Mariano Beltrame ser da PF e respeitado por ela. Ainda no governo Dilma, houve financiamento do governo federal e a parceria com o Exército.

O Exército burocrático gostou, porque dá visibilidade, nome e prestígio à força. O Exército de combatentes – inteligência, ciência e tecnologia – sabia que seria o início do sucateamento, com a burocracia voltando a tomar conta.

Com o abandono do modelo de integração, voltou-se à visão compartimentalizada, com cada tropa lutando por seu quinhão e perdendo a visão de conjunto e os objetivos nacionais.

Peça 5 – os caminhos da repressão

A repressão irá se tornar mais aguda devido a um conjunto de fatores adicionais.

Na sua gestão no Ministério da Justiça, o Ministro Tarso Genro cometeu um dos grandes erros estratégicos, ao descentralizar a inteligência na Polícia Federal. Em nenhum país do mundo comete-se essa imprudência, devido ao risco concreto de criar ilhas de poder em cada canto.

O mesmo ocorreu no Ministério Público Federal. A Constituição já garantia a autonomia de decisão de cada procurador. A AP 470 e a Lava Jato, no entanto, internalizou o conceito do direito penal do inimigo.

Aparentemente, o poder conferido pela parceria com a mídia e com a ralé (no sentido sociológico do termo) conquistou corações e mentes, ainda mais depois que erros sucessivos de governos do PT consagraram o corporativismo na eleição do Procurador Geral da República (PGR). A corporação passou a se comportar como classe média convencional, estimulando as ações de repressão contra o inimigo comum e criticando internamente as manifestações de crítica.

O MPF e o PGR são responsáveis diretos por esse estado de exceção, ao permitir a entronização no poder de Michel Temer, Geddel Vieira, Eliseu Padilha, Moreira Franco. Mas não se espere deles nenhuma ação visando coibir essa escalada antidemocrática. É mais fácil ver o MPF como linha auxiliar da repressão do que como baluarte da legalidade.

O STF (Supremo Tribunal Federal) dispunha de um quarteto legalista: Ricardo Lewandowski, Teori Zavascki, Luís Roberto Barroso, o corajoso Marco Aurélio de Mello e, eventualmente, Luiz Edson Fachin e Rosa Weber. Barroso e Fachin foram desencorajados por uma campanha infame produzida por blog de Curitiba e repercutida pelos blogueiros da Veja. Zavascki alvo de escrachos e de ameaças a ele e seus filho Bastou a Dias Toffoli aderir a Gilmar Mendes para, de alvo, se transformar em querido da mídia.

Bastam pequenas decisões contrárias à ralé para serem alvos de campanhas desmoralizadoras sem que os órgãos de controle atuem. Se alguém considerar esse estado de coisas incompatível com a normalidade democrática, que se cale para não sofrer as mesmas represálias.

Se o STF deixou na gaveta todas as denúncias contra políticos, não será agora que se poderá esperar uma atuação mais ativa.

Por outro lado, a cada dia que passar se verá um governo cada vez mais sem rumo e sem limite, explicitando progressivamente suas tendências autoritárias; na outra ponta, uma juventude a mil por hora, pegando o bastão da resistência democrática das mãos dos mais velhos. Eles não têm a força, mas tem a convicção. A rapaziada sabe que não está lutando por Dilma, mas pelas liberdades democráticas. Sabe que na outra ponta – dos grupos de poder – está o preconceito, a insensibilidade social, a arrogância de quem conquistou o poder sem passar pelo teste dos votos.

E daqui a pouco, as manifestações contra o impeachment chacoalharão todo o país.

Quem souber o resultado desse Xadrez, está blefando.

Atualização

Foi uma manifestação cívica, civilizada, disciplinada, alegre, com a presença de jovens, crianças, moças grávidas.

No final da manifestação, segundo relato de todos os veículos que acompanhavam - G1, UOL, Band, Globo - a Polícia Militar começou a jogar bombas sobre manifestantes, sem que nada tivesse ocorrido antes.

Completa-se o ciclo. A Folha pediu a violência, Gerlado Alckmin autorizou, a PM cumpriu à risca e dificilmente o MInistério Público atuará para investigar os fatos e punir os culpados.

Como se dizia nas equações, CQD (Como Queríamos Demonstrar)

sábado, 3 de setembro de 2016

Fórmula 1: quando a Manchete acelerava nas pistas. E a capa de Rubens Barrichello, que foi feita mas não existiu...

por Jean-Paul Lagarride
O piloto Felipe Massa, da Williams, anunciou sua decisão de se retirar da Fórmula 1 ao fim da temporada de 2016. E o outro brasileiro no atual grid, Felipe Nasr, da Sauber, ainda depende da renovação de contrato ou de proposta de nova equipe.

Caso essas alternativas não se concretizem, o Brasil, pela primeira vez desde o começo dos anos 1970, não estará representado nas pistas da categoria em 2017. A última vitória de um brasileiro na F1 foi em 2009, em Monza, com Barrichello correndo pela Brawn-Mercedes

A partir das primeiras vitórias e do bicampeonato de Emerson Fittipaldi, os pilotos brasileiros que venceram provas ou títulos na principal categoria do automobilismo fizeram pit stop nas páginas ou nas capas da Manchete. Nelson Piquet e Ayrton Senna, ambos tricampeões, estiveram nas capas de inúmeras edições.

Observe que a revista especial sobre a conquista de Emerson Fittipaldi (acima), de agosto de 1972, incluía um disco. Era "edição sonora". A sinergia entre os meios impressos e digitais tão comum hoje estava longe acontecer. Melhor dizendo, não aparecia nem no horizonte da ficção científica. Incluir um compact disc analógico como complemento multimídia (essa palavra também nem existia) de uma revista era uma modernidade. Um parêntese: a Fatos & Fotos foi pioneira na fórmula, em 1969, ao lançar uma edição especial da chegada do homem à Lua com um disco grátis que reproduzia o áudio dos diálogos entre Neil Armstrong, Buzz Aldrin, Michael Collins e a Nasa.

Rubens Barrichello, que começou a correr na categoria em 1993, ganhou mais destaque nos anos 2002 e 2004 quando foi vice-campeão.


Dois anos antes, a Bloch Editores havia pedido falência. A revista Manchete ainda teve uma sobrevida editada por ex-funcionários mas não resistiu às exigências e aos custos do mercado a partir da virada do século.

Curiosamente, Barrichello, como a viúva Porcina, "a que foi sem nunca ter sido" da novela "Roque Santeiro", foi a capa que não existiu da edição que seria a última da trajetória regular da Manchete, que não chegou a ser impressa.

Explica-se: Rubinho ganhara uma prova e a redação decidira pôr o piloto da capa. Logo após o fechamento, oficiais de Justiça entraram no prédio da Rua do Russell, comandaram a retirada abrupta de todos os funcionários e lacraram as instalações.

A Bloch havia pedido falência. E Barrichello não completou a última curva antes de chegar à capa.

Felipe Massa, que estreou na F1 em 2002, chegou atrasado para se destacar na Manchete.

Precisamente, dois anos depois de a revista se retirar das pistas. Ou melhor, das bancas.

NR1: A capa de Barrichello reproduzida acima é a de um cartaz de banca (peça promocional) que a Manchete entregava aos jornaleiros). Esse cartaz, exemplar único (era ainda uma prova gráfica), foi preservado por José Carlos de Jesus, ex-chefe de reportagem da revista e atualmente presidente da Comissão dos Ex-Empregados da Bloch Editores (CEEBE).  

NR2: Leia comentário anexado a este post. J.A.Barros, ex-diretor de Arte da revista Manchete, acrescenta alguns detalhes sobre a capa de Barrichello na edição que nunca chegou às bancas.