Repercute nas redes sociais, post em que Eduardo Bolsonaro sugere que a contratação de mulheres engenheiras pode ter a ver com a inundação de uma obra do metrô ao lsdo do Tietê após rompimento de uma tubulação de esgoto. A insinuação fica clara com a anexação no mesmo post de um institucional da empresa resposável pela obra sobre a contratação de mulheres. Segundo Monica Bergamo, da Folha, a empresa repudiou a insinuação.
sábado, 5 de fevereiro de 2022
Sobrou para as engenheiras
Repercute nas redes sociais, post em que Eduardo Bolsonaro sugere que a contratação de mulheres engenheiras pode ter a ver com a inundação de uma obra do metrô ao lsdo do Tietê após rompimento de uma tubulação de esgoto. A insinuação fica clara com a anexação no mesmo post de um institucional da empresa resposável pela obra sobre a contratação de mulheres. Segundo Monica Bergamo, da Folha, a empresa repudiou a insinuação.
Na capa da IstoÉ: o Sujismundo voltou
Em 1972, esse paladino da limpeza invadiu a TV. A ditadura considerava que os brasileiros emporcalhavam o país e precisavam de um corretivo higiênico. Bolsonaro acha que pobre baba no prato ao comer.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022
Com Monica nas Ilhas • Por Roberto Muggiati
• Gabrielle Ferzetti e Monica Vitti: cabelos ao vento nas Ilhas Eólias.. |
Foi Monica Vitti quem me levou para as Ilhas Eólias no verão de 1961. Explico: em outubro de 1960, recém-chegado de Curitiba para um ano de bolsa de estudos em Paris, uma das primeiras coisas que fiz foi correr a um cinema para ver L’Avventura, o filme-sensação da época. A história escrita pelo diretor do filme, Michelangelo Antonioni, e estrelada por sua musa, Monica Vitti, ganhou em Cannes o Prêmio Especial do Júri naquele ano, “por uma nova linguagem cinematográfica e pela beleza de suas imagens”. O clima misterioso do filme é marcado já nas primeiras cenas passadas nas Ilhas Eólias, ao largo do litoral norte da Sicília. Elas ocupam a primeira hora do filme de 2h23.
Era o tempo do “cinema de autor” – tese desmentida pelo trabalho de coautoria das musas-atrizes. Que seria o cinema de Godard sem Anna Karina? O de Chabrol sem Stéphane Audran? O de Bergman sem Liv Ullman? O de Fellini sem Giulietta Masina? Antonioni e Monica se conheceram em 1957, ele com 45, ela com 26 anos. Fizeram história durante os dez anos do seu relacionamento, depois partiu cada um para seu lado. A ideia de A aventura surgiu justamente de uma rusga do casal. Depois de uma discussão com Antonioni, Monica decidiu sumir do mapa. Foram só duas horas de sumiço, mas bastaram a Antonioni para criar a história de Anna (Lea Massari), que sai para nadar com um grupo de amigos e desaparece pelo resto do filme depois de um mergulho. Enquanto eu explorava as Ilhas Eólias, Antonioni filmava A noite, com Marcello Mastroianni e Jeanne Moreau como protagonistas e a Vitti em segundo plano. Em 1962, Monica volta como estrela ao lado de Alain Delon em O eclipse. A aventura, A noite e O eclipse foram catalogados como a Trilogia da Incomunicabilidade; outras trilogias, muito peculiares, vieram a seguir.*
Não encontrei nenhuma Monica Vitti nas Ilhas Eólias, mas não me arrependi do que na época era um destino turístico dos mais insólitos. Na ilha de Vulcano tive contato direto com os vapores amarelados de enxofre que escapavam de fendas no paredão da montanha – um contato causticante e “presencial” com as profundas do Inferno. A ilha mais bonita é Salina, sua parte povoada e verdejante fica no alto de um pico a mil metros acima do mar. A mais fértil do arquipélago, Salina cultiva alcaparras exportadas para o mundo inteiro e uvas a partir das quais produz o vinho “Malvasia delle Lipari”. Ali foi rodado o filme O carteiro e o poeta, inspirado num episódio da vida de Pablo Neruda.
Conferi Monica nos jornais de ontem, a mesmice de sempre nos obituários-verbete, achei só uma bela frase na análise de Inácio Araujo da Folha: “Atriz de porte heráldico e movimentos suaves, foi a face da modernidade”.Aliás, a vocação cinematográfica das Eólias impressiona. Stromboli, famosa por sua “happy hour” vulcânica – uma erupção todo dia ao fim da tarde com o espetáculo da lava vermelha escorrendo pelas rochas diretamente para o mar – foi o cenário do filme Stromboli, em que Roberto Rosselini dirigiu Ingrid Bergman, os dois no auge do seu casamento proibido que chocou as famílias católicas do mundo. Mais recentemente, Nani Moretti, no seu original Caro Diario (1993), focaliza as Eólias num dos três episódios, Le Isolle.
A aventura me levou também a Noto, pequena cidade que abriga um espetacular conjunto de igrejas que refletem todo o esplendor do barroco siciliano. Ali se passa um momento do filme que define todo o tédio e amargura do personagem Sandro (Gabrielle Ferzetti). Ele deixa Claudia, cantando e dançando apaixonada no quarto do hotel – uma cena exemplar do talento multifacetado da Vitti – e sai para passear diante das igrejas de Noto. Um estudante de arquitetura retrata a nanquim o majestoso conjunto arquitetônico, Sandro balança seu chaveiro e derruba o tinteiro de nanquim de propósito sobre o desenho.
Antonioni, melhor do que ninguém, soube falar de Monica Vitti: “O que ela tem de mais estranho são seus olhos. Eles não se detêm em nenhum objeto, mas fixam segredos distantes. É o olhar de alguém que procura um lugar para encerrar o seu voo, mas não o encontra”.
*Outras trilogias
O Silêncio |
• A Trilogia do Silêncio, Ingmar Berman: Através de um espelho (1961), Luz de outono (1963), O silêncio (1963).
Clint Eastwood |
• A Trilogia dos Dólares (ou Trilogia do Homem sem Nome), Sergio Leone/Clint Eastwood: Por um Punhado de Dólares (1964), Por uns Dólares a Mais (1965) e Três Homens em Conflito(1966).
O Bebê de Rosemary |
• A Trilogia do Apartamento, de Roman Polanski: Repulsa ao sexo (1965), O bebê de Rosemary (1968), O inquilino (1976).
• De volta para o futuro, de Robert Zemeckis: 1, 2 e 3 , de 1985, 1989 e 1990. (No mesmo filão pode ser inserida a série do Indiana Jones.)
Marlon Brando |
• O poderoso chefão, de Francis Ford Coppola: 1, 2 e 3 , de 1972, 1974 e 1990.
• A Pentalogia de Antoine Doinel de François Truffaut: Les 400 coups, Os incompreendidos (1959), “Antoine et Colette”, episódio de L’Amour à Vingt Ans (1962), Baisers Volés/Beijos roubados (1968), Domicile conjugal/Domicílio conjugal (1970) e L’Amour en Fuite/O amor em fuga (1979).
• E o duo À Bout de Souffle/Acossado (1960) e Pierrot le Fou/O demônio das onze horas (1965), de Jean-Luc Godard.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
Eles não estão na agenda do zap: troca de cartas entre Globo e Lula não deu match
"Muita careta pra engolir a transação/ E a gente tá engolindo cada sapo no caminho"
Essa letra de um canção de Chico Buarque deve ter inspirado Lula a escrever uma carta, nessa semana, para o Grupo Globo.
Em um case de comunicação provavelmente inédito ao ser formaliozado em uma missiva, Lula foi convidado e se recusou a dar uma entrevista gravada à Globo. Simplesmente declinou. Não dá para dizer que Lula não tem razão. Ele já afirmou em outras ocasiões que até daria entrevista desde que fosse ao ivo, sem edição. É atacado há décadas pelo poderoso grupo de comunicação, como Brizola o foi, sem direito de resposta. Desde a edição manipulada no Jornal Nacional, em 1989, o ex-presidente e pré-candidato em 2022 não confia no jornalismo da Vênus Platinada e não pretende cair em outra armadilha.
Alô correio, de Lula para a Globo. Leia:
“Agradeço o convite para uma entrevista para o jornal O Globo em uma série sobre ex-presidentes da República. Seu convite destoa da censura imposta pelas Organizações Globo. Não confundo as organizações com as diferentes condutas profissionais de cada um dos seus jornalistas. O que me impede de atendê-lo é o notório tratamento editorial que as Organizações Globo adotam em relação a mim, meu governo e aos processos judiciais ilegais e arbitrários de que fui alvo, que têm raízes em inverdades divulgadas pelos veículos da Globo e jamais corrigidas, apesar dos fatos e das evidências nítidas, reconhecidas por juristas no Brasil e no exterior. As próprias sentenças tão celebradas pela Globo são incapazes de apontar que ato errado eu teria cometido no exercício da presidência da República. Fui condenado por ‘atos indeterminados’. Ao invés de ser analisada com isenção jornalística, a perseguição judicial contra mim foi premiada pelo O Globo. As revelações do site The Intercept foram censuradas, escondendo as provas de que fui julgado por um juiz parcial, em conluio com os promotores, que sabiam da fragilidade e falta de provas da sua acusação. Enquanto não for reconhecido e corrigido o tratamento editorial difamatório das Organizações Globo não será possível acolher um pedido de entrevista como parte de uma normalidade que não existe, pelos parâmetros do jornalismo e da democracia."
Luiz Inácio Lula da Silva
Publimemória: no tempo das páginas duplas...
por Ed Sá
O anúncio acima foi reproduzido do excelente site Propagandas Históricas, uma página fundamental para as novas gerações conhecerem um importante aspecto da publicidade antes da internet.
Campanhas como a da Duloren estampavam vistosas páginas duplas da Manchete. Impossível não vê-las. Há poucos dias, um relatório do IVC registrou a queda de circulação das versões impressas dos jornais. Em média, entre os dez grandes veículos nenhum ultrapassa 80 mil exemplares. Nos últimos anos, muitas revistas fecharam ou sobrevivem apenas em versões digitais. No caso dos jornais, registra-se um aumento considerável de assinantes do digital. Trata-se de uma tendência mundial. Mas não há como negar que anúncios nas revistas coloridas impressas tinham um impacto visual que o meio digital acessível nas telas dos celulares não alcança. Muitos eram verdadeiras obras de arte. Outros eram ousados, como esse da Duloren, uma peça publicirária inconcebível atualmente. Com certeza provocaria polêmicas.
A criminalização de Moïse Mugenyi: um roteiro anunciado
por José Esmeraldo Gonçalves
O assassinato de Moïse Mugenyi é mais uma dessas tragédias cariocas. A crueldade no Rio é randômica, um ciclo onde um crime bárbaro logo é substituido por outra selvageria na maioria das vezes cometida por facções criminosas que dominam áreas da cidade. A polícia ainda apura a barbaridade que foi cometida no quiosque Tropicália, na Barra da Tijuca. Por enquato não há conclusões sobre ligação dos assassinos do congolês com o crime organizado.
O que já está em curso é o que parece ser uma antiga estratégia para criminalizar a vítima.
Nos anos 1970, um advogado que atuava como assistente de acusação em um crime de muita repercussão revelou - em conversa informal com um jornalista da Fatos & Fotos -, o que poderia ocorrer na sombra que muitas vezes encobre um fato criminal.
A primeira atitude seria criar confusão, fomentar versões, levantar antecedentes da vítima, confundir a opinião pública, coordenar depoimentos de autores dos crimes e, se possível, encontrar testemunhas com novas e conflitantes versões. Criminalizar a vítima seria o resultado final dessa estratégia no mínimo antiética por estimular a ficção. Mais tarde, completava o advogado, já com um crime fora da mídia mas ainda em fase final de inquérito, abria-se espaço para uma nova etapa, digamos, mais confortável para as estratégias da defesa, sem o incômodo de uma opinão pública vigilante a cobrar justiça e com a mídia distante, provavelmente ocupada com outro crime mais "quante".
Basta acompanhar na mídia a repercussão de um desses crimes bárbaros que dá para identificar as marolas plantadas. Em pouco tempo, o congolês corre o risco de virar uma espécie de autor do seu próprio assassinato. "Mereceu morrer", é o que se extrai dos primeiros depoimentos.
Se não fossem a mobilização da família e amigos e o vídeo que registra passo a passo a ação dos assassinos o caso Moïse seria apenas mais um corpo desovado, sem história, sem direito, sem culpados. Tanto que um dos autores do linchamento preocupou-se em saber se as câmeras do quiosque estavam ligadas. Diante da negstiva, ficou aliviado. Comemorou cedo demais. O vídeo, um dos mais brutais já vistos, apareceu e tornou-se público.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022
Temer é o "siri" da República
Na antiga revista Manchete os contínuos era apelidados de "siris". Provavelmente porque passavam o dia andando para frente e para trás nos corredores das redações, da administração, da publicidade etc. Michel Temer com essa mania de levar cartas a Bolsonaro e transmitir recados a sei lá quem daria um bom "siri" na Manchete |
terça-feira, 1 de fevereiro de 2022
Os 100 anos de Ulisses • Por Roberto Muggiati
Joyce com Sylvia Beach na Shakespeare and Company, coberta de cartazes da luta contra a censura do livro. |
Num Bloomsday recente, visita em roupas de época ao santuário etílico de David Byrne, em Dublin. |
O romance mais importante da literatura moderna foi publicado em Paris, em 2 de fevereiro de 1922, uma quinta-feira. Sua editora, a americana Sylvia Beach, dona da livraria Shakespeare and Company, escolheu a data para homenagear o autor, James Joyce, que completava quarenta anos naquele dia. No plano realista, o livro descreve 18 horas na vida de Leopold Bloom, um modesto corretor de publicidade para jornais na Dublin de 1904. Mas James Joyce não se ateve apenas à ideia inicial e resolveu complicar sua vida. Inventou de amarrar sua história à grande narrativa da Odisseia de Homero, criando toda uma simbologia submersa para seu romance de 550 páginas. E foi ainda mais longe com seu conceito do “stream of consciousness” (fluxo da consciência) e uma ousada desconstrução da linguagem, com jogos de palavras, neologismos e outras acrobacias verbais. Ulisses foi escrito entre 1914 e 1921, em Trieste (Itália), Zurique (Suíça) e Paris (França) – sete anos, quase o equivalente à jornada de Odisseu (Ulisses em latim), que, depois de conquistar Troia, enfrentou todo tipo de obstáculos e demorou dez anos para voltar a sua casa em Ítaca.
Leopold Bloom, um judeu irlandês, é segundo o crítico Michael Thorpe, “na visão de Joyce um Ulisses moderno ou Um Qualquer, fraco e forte, cauteloso e precipitado, herói e covarde, englobando os múltiplos aspectos de cada ser humano e de toda a humanidade.”
Por suas referências explícitas à fisiologia e à sexualidade humanas, Ulisses foi censurado em países como Reino Unido e Estados Unidos. Sua apreensão gerou o processo Estados Unidos versus Um Livro Intitulado Ulisses por James Joyce e a histórica decisão do juiz John M. Woolsey, em 6 de dezembro de 1933, declarando que Ulisses não era pornográfica, em parte alguma do livro se notava “a lascívia do sensualista”. Um apelo da promotoria retardou a vigência da decisão. A Random House, que tivera os livros aprendidos, já estava com tudo preparado para uma reimpressão. Quando a decisão de Woolsey foi confirmada, por dois votos contra um, uma edição de cem exemplares foi posta à venda em janeiro de 1934 para garantir os direitos autorais nos Estados Unidos. Foi a primeira publicação legal de Ulisses num país de língua inglesa, doze anos depois do seu lançamento em Paris.
Apesar da dificuldade da sua leitura, Ulisses se tornaria um culto ao longo de várias décadas. O dia em que transcorria a história, 16 de junho de 1904, foi batizado de Bloomsday e, a partir do meio século da data, em 1954, passou a ser comemorado em Dublin, com visitas aos locais citados pelo livro, em particular o David Byrne’s pub, onde Leopold Bloom faz um lanche à uma da tarde com um sanduiche de queijo gorgonzola e uma taça de Borgonha. De lá para cá, a celebração do Bloomsday cresceu no mundo inteiro, assumindo em alguns locais ares de verdadeiro Carnaval.
Joyce escolheu o dia 16 de junho de 1904 para ser imortalizado em sua obra porque foi o dia em que teve a primeira relação sexual com sua futura companheira, Nora Barnacle (apesar de a imprensa irlandesa publicar que, nesse dia, eles "caminharam juntos" pela primeira vez). Nora, vinte anos, era virgem e teve medo de completar o coito. Então masturbou Joyce "com os olhos de uma santa", como o escritor relatou numa carta.
A pandemia travou os festejos do Bloomsday, mas – quem sabe? – no próximo dia 16 de junho o mundo possa voltar a festejar o centenário Ulisses em alto estilo.
Ezra Pound e a estátua de Joyce no Cemitério de Fluntern |
No silêncio verde do cemitério, surge de repente uma figura saída de uma cena fantasmagórica de Ingmar Bergman, uma senhora de 1m80, toda de branco, nos indicou sem falar palavra ao local do túmulo de Joyce. Eu sabia que ali tinha uma escultura do escritor em tamanho natural, de pernas cruzadas, lendo um livro. Impressionara-me certa vez uma foto de Ezra Pound defrontando-se com a estátua de Joyce – pareciam estar conversando, ambos vivos – ou Pound já entrara na outra dimensão e não se dera conta...
Foto Lena Muggiati |
A máquina de fazer guerra (e dólares)
por Flávio Sépia
Fazer guerra é o oxigênio dos Estados Unidos. Não vive sem. Uma postura que já custou milhões de mortos, a maioria civis, desde a Segunda Guerra. Um livro lançado em 1971 - "O complexo industrial-militar americano", de Claude Mossy - desvendou a conexão entre a política externa dos Estados Unidos e a guerra. O salto do país para potência global foi dado em uma guerra na Europa: a luta contra a Alemanha nazista. Desde então, guerras abertas, crises e tensões entre países, passaram a ser um fator crucial para a economia doméstica. Não por acaso, não houve um só dia, desde o fim da Segunda Guerra que tropas estadunidenses não estivessem envolvidas em guerras. É uma necessidade. Se o país fosse tomado de uma hora para outra pelo espírito de um Gandhi e se tornasse um defensor da paz mundial experimentaria uma onda de desemprego. A indústria militar, sustentada pelo contribuinte (que tem outras prioridades mas o que importa?) não pode parar, precisa gerar consumo e renda para os senhores da guerra. Por isso, brigas são construídas até com quem não parece interessado em brigar. China e Rússia não têm tradição em atacar o Ocidente. Nos últimos séculos, ambos os países, ao contrário, sofreram muitas invasões por parte do Ocidente. Ambos gastam muito menos com a Defesa e têm grandes problemas internos a resolver. Mas não importa. Aparentemente, o Departamento de Estado faz reuniões anuais para identificar regiões com potencial para crises e, em consequência, venda de armas. Pode crer, mesmo que não seja disparado um tiro na Ucrânia, o complexo industrial militar já está abrindo champanhe tal o lucro. Se a guerra vier, aí será a festa completa.
"Tarde demais: a história de 2016 já está escrita"
por José Esmeraldo Gonçalves
Leia a íntegra da nota divulgada por Dilma Rousseff
"Miriam Leitão comete sincericídio tardio em sua coluna no Globo de hoje (24 de janeiro), ao admitir que o impeachment que me derrubou foi ilegal e, portanto, injusto, porque, segundo ela, motivado pela situação da economia brasileira e pela queda da minha popularidade.
Sabidamente, crises econômicas e maus resultados em pesquisas de opinião não estão previstos na Constituição como justificativas legais para impeachment. Miriam Leitão sabe disso, mas finge ignorar. Sabia disso, na época, mas atuou como uma das principais porta vozes da defesa de um impeachment que, sem comprovação de crime de responsabilidade, foi um golpe de estado.
Agora, Miriam Leitão, aplicando uma lógica absurda, pois baseada em analogia sem fundamento legal e factual, diz que se Bolsonaro “permanecer intocado e com seu mandato até o fim, a história será reescrita naturalmente. O impeachment da presidente Dilma parecerá injusto e terá sido.”
O impeachment de Bolsonaro deveria ser, entre outros crimes, por genocídio, devido ao negacionismo diante da Covid-19, que levou brasileiros à morte até por falta de oxigênio hospitalar, e por descaso em providenciar vacinas.
O golpe de 2016, que levou ao meu impeachment, foi liderado por políticos sabidamente corruptos, defendido pela mídia e tolerado pelo Judiciário. Um golpe que usou como pretexto medidas fiscais rotineiras de governo idênticas às que meus antecessores haviam adotado e meus sucessores continuaram adotando.
Naquela época, muitos colunistas, como Miriam Leitão, escolheram o lado errado da história, e agora tentam se justificar. Tarde demais: a história de 2016 já está escrita. A relação entre os dois processos não é análoga, mas de causa e efeito. Com o golpe de 2016, nasceu o ovo da serpente que resultou em Bolsonaro e na tragédia que o Brasil vive hoje, da qual foram cúmplices Miriam Leitão e seus patrões da Globo". DILMA ROUSSEFF
segunda-feira, 31 de janeiro de 2022
Bia Haddad: o jornalista Jackson Bezerra perdeu essa capa da Playboy
Bia no surfe. Foto Instagram |
E com Danilina, a parceira de duplas no grande slam de Melbourne. Foto Instagram. |
domingo, 30 de janeiro de 2022
sábado, 29 de janeiro de 2022
O provérbio que levou uma jornalista à cadeia
A jornalista turca Sedef Kabas foi presa por citar um provérbio que irritou o tirano Recep Erdogan . |
por Flávio Sépia
Pode ser a atmosfera saturada de dióxido de carbono, talvez seja um efeito perverso do aquecimento global que queima mufas ou a estupidez humana agora turbinada pelas redes sociais.
O fato é que vivemos uma era de prolifeação de tiranos assumidos ou autoriários boçais. Trump que ameaça voltar, Bolsonaro que tenta não sair, Putin que não sai, o fascista Viktor Orban, Ortega, Maduro, Bin Salman, o "príncipe" de araque da Arábia Saudita, um ditador assassino que faz picadsinho de opositores e Recep Erdogan. Este, o aloprado da Turquia que mandou prender milhares de opositores e aparelhou a Justiça, mandou encarcerar a jornalista Sedef Kabaş. Presa desde a semana passada, seu "crime foi citar um ditado e um provérbio em alusão à atual conjuntura turca. Não falou o nome do presidente, mas este se identificou com o que considerou uma "grave ofensa". Durante uma entrevista à Tele1TV, e, depois, em post na rede social, Kabas disse:
- “Há um famoso ditado, ‘uma cabeça coroada ficará mais sábia’. Mas vemos que essa não é a realidade. Há também um provérbio que é exatamente o oposto: 'Quando o boi chega ao palácio, ele não se torna rei. Mas o palácio se torna um estábulo'.
Erdogan é um notório perseguidor da imprensa. Sedef Kabas, que está na Prisão Feminina Bakırköy em Istambul, e mais uma jornalista, entre centenas que o atual governo mandou prender.
Armai-vos uns aos outros
quinta-feira, 27 de janeiro de 2022
Mídia dobra aposta em novo lugar comum
quarta-feira, 26 de janeiro de 2022
terça-feira, 25 de janeiro de 2022
segunda-feira, 24 de janeiro de 2022
domingo, 23 de janeiro de 2022
sábado, 22 de janeiro de 2022
sexta-feira, 21 de janeiro de 2022
Elza Soares: a mulher do fim do mundo venceu
O jornalista Renato Sérgio fez a útima matéria com Elza Soares para a Manchete. Foi em 1994. A foto é de Armando Borges. |
Ronaldo Bôscoli assinou um perfil de Elza em 1960. Era a primeira matéria da cantora para a revista três anos após iniciar a carreira profissional. A foto é de Gil Pinheiro. |
Um ano depois, em 1961, Elza era convidada para almoço festivo na gráfica da Manchete em Parada de Lucas, No foto, com Ismael Correia, o cantor Carlos José e Oswaldo Sargentelli. Foto Manchete |
por José Esmeraldo Gonçalves
Elza Soares foi "cancelada" por parte da opinião pública impulsionada pela imprensaa. O motivo? O caso de amor com Garrincha, então casado, com vários filhos e mais um a caminho. Um mix de moralismo e racismo condenou o jogador e a cantora "destruidora de lares". Onde o casal vivia uma paixão, a sociedade inquisitorial via a desonra, a desgraça. Elza superou isso e todas as outtras armadilhas que a vida pôs no seu caminho antes de depois da fama.
Elza e Louis Armstrong em Montevidéu, 1962, após show juntos. |
Embora convidada para um show, Elza foi barrada na portaria do Flamengo. Ela denunciou que foi vítima de racismo. O então presidente do clube, Fadel Fadel, pediu desculpss. Manchete registrou. |
Elza ditou uma biografia, que chamou de "diário". Um juiz proibiu o livro. Alegou que era pornográfico. |
Garrincha e Elza: o começo da relação foi muito criticado pela imprensa. Momentos de paz, como esse, vieram depois. |
Paris, 1971 Reprodução Manchete |
Estão lá, registrados, o começo da fama, os dramas, episódios de racismo, a temporada na Itália, os vários encontros e reencontros com o sucesso, a biografia proibida por um juiz que leu pornografia onde ela contava drama, fome, violência na sua vida da menina que foi obrigada a se casar aos 13 anos.
Elza e Garrincha em 1963. Foto de Gil Pinheiro-Manchete |
Manchete também cobriu o folhetim da relação de Elza e Garrincha e não escapou, ao lado dos jornais, das rádios e TV de pontuar em algumas matérias o moralismo doentio que via em Elza a vilã de um romance. Ironias e insinuações, às vezes mal contidas, respingavem em textos sobre o assunto. Registre-se que o "caso" virou casamento e a revista foi mais isenta e respeitosa ao focalizar os dois em muitas reportagens posteriores à onda do cancelamento. E, diga-se também, que sempre valorizou nas suas páginas em entrevistas e incontáveis fotos a ascensão profissional da grande Elza Soares.
A cantora morreu ontem, em casa, serena, em paz, aos 91 anos. Dizem que presentiu a morte e avisou a quem estava em volta do seu leito. Estava indo. Assim, sem medo, com foi sua vida de guerreira. Aquele cancelamento? Ficou no passado, passou. É grande a repercussão e a admiração que a mídiaem geral registra hoje sobre a vida, a luta e o talento de Elza.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2022
Folha do Alabama
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Reprodução Twitter |
Jornalistas protestam contra tese supremacista do "racismo reverso" na Folha de São Paulo
Poeta, romancista e antropólogo, Antonio Risério errou a rima ao escrever na Folha de São Paulo um artigo sobre a tese supremacista do "racismo reverso". Racismo é crime, não pode ser abrigado sobre a liberdade de expressão. O artigo é ruim, mal escrito, um retalho de citações que abusa de fontes que os supremacistas norte-americanos adotam em argumentação semelhante. O racismo reverso by Folha repercutiu nas redes sociais e provocou protestos. Um deles, muito expressivo, foi dos próprios jornalistas da Folha. Leia a seguir:
19 de janeiro de 2022
Carta aberta de jornalistas da Folha à direção do jornal
Caros membros da Secretaria de Redação e do Conselho Editorial da Folha,
Nós, jornalistas da Folha aqui subscritos, vimos por meio desta carta expressar nossa
preocupação com a publicação recorrente de conteúdos racistas nas páginas do jornal.
Sabemos ser incomum que jornalistas se manifestem sobre decisões editoriais da
chefia, mas, se o fazemos neste momento, é por entender que o tema tenha
repercussões importantes para funcionários e leitores do jornal e no intuito de contribuir
para uma Folha mais plural.
O episódio a motivar esta carta foi a publicação de artigo de opinião intitulado “Racismo
de negros contra brancos ganha força com identitarismo” (Ilustrada Ilustríssima, 16/1),
em que Antonio Risério identifica supostos excessos das lutas identitárias, que
estariam levando a racismo reverso.
Para além de reafirmarmos a obviedade de que racismo reverso não existe, não
pretendemos aqui rebater o que afirma o autor —pessoas mais qualificadas do que nós
no tema já o fizeram, dentro e fora do jornal.
No entanto, manifestamos nosso descontentamento com o padrão que vem se
repetindo nos últimos meses.
Em mais de uma ocasião recente, a Folha publicou artigos de opinião ou colunas que,
amparados em falácias e distorções, negam ou relativizam o caráter estrutural do
racismo na sociedade brasileira. Esses textos incendeiam de imediato as redes sociais,
entrando para a lista de mais lidos no site. A seguir, réplicas e tréplicas surgem,
multiplicando a audiência. A controvérsia então se estanca e morre, até que um novo
episódio semelhante surja.
Antes do artigo em questão, colunas de Leandro Narloch e Demétrio Magnoli
cumpriram esse papel.
Acreditamos que esse padrão seja nocivo. O racismo é um fato concreto da realidade
brasileira, e a Folha contribui para a sua manutenção ao dar espaço e credibilidade a
discursos que minimizam sua importância. Dessa forma, vai na contramão de esforços
importantes para enfrentar o racismo institucional dentro do próprio jornal, como o
programa de treinamento exclusivo para negros.
Reconhecemos o pluralismo que está na base dos princípios editoriais da Folha e a
defesa que nela se faz da liberdade de expressão.
No entanto estes não se dissociam de outros valores que o jornalismo deve defender,
como a verdade e o respeito à dignidade humana. A Folha não costuma publicar
conteúdos que relativizam o Holocausto, nem dá voz a apologistas da ditadura,
terraplanistas e representantes do movimento antivacina.
Por que, então, a prática seria outra quando o tema é o racismo no Brasil?
Se textos como o de Antonio Risério atraem audiência no curto prazo, sua
consequência seguinte é minar a credibilidade, que é, e deve ser, o pilar máximo de um
jornal como a Folha.
Por esses motivos, convidamos a uma reflexão e uma reavaliação sobre a forma como
o racismo tem sido abordado na Folha. Acreditamos que buscar audiência às expensas
da população negra seja incompatível com estar a serviço da democracia.
Assinam esta carta:, Adriana Mattos, Adriano Vizoni, Alfredo Henrique, Aline Mazzo, Amanda Lemos, Amon Borges, Ana Bottallo, Ana Luiza Albuquerque, Andre Marcondes, Andressa Motter, Anelise Gonçalves, Angela Boldrini, Angela Pinho, Anna Virginia Balloussier, Artur Rodrigues, Bárbara Blum, Beatriz Izumino, Bianka Vieira, Bruna Borges, Bruno B. Soraggi, Bruno Benevides, Bruno Molinero, Bruno Rodrigues, Camila Gambirasio, Carolina Daffara, Carolina Linhares, Carolina Moraes, Catarina Ferreira, Catarina Pignato, Clauber Larre, Clayton Castelani, Cristiane Gercina, Cristiano Martins, Cristina Camargo, Cristina Sano, Dani Avelar, Dani Braga, Daniel E. de Castro, Daniel Mariani, Daniel Mobilia, Daniela Arcanjo, Danielle Brant, Danilo Verpa, David Lucena, Débora Melo, Diana Yukari, Eduardo Marini, Eduardo Moura, Emannuel Gonçalves Gomes, Fábio Pupo, Fernanda Brigatti, Fernanda Giulietti, Fernanda Mena, Fernanda Perrin, Flávia Faria, Flávia Mantovani, Gabriel Cabral, Gabriela Bonin, Géssica Brandino, Giovanna Stael, Giuliana de Toledo, Giuliana Miranda, Guilherme Botacini, Guilherme Garcia,Guilherme Seto, Gustavo Fioratti, Gustavo Queirolo, Havolene Valinhos, Heloísa Lisboa, Henrique Santana, Irapuan Campos, Isabela Palhares, Isabella Menon, Jairo Malta, Jéssica Maes, João Gabriel, João Gabriel Telles, João Pedro Pitombo, João Perassolo, José Marques, Julia Chaib, Karime Xavier, Karina Matias, Kleber Bonjoan, Laíssa Barros, Laura Lewer, Leonardo Diegues, Leonardo Sanchez, Lucas Alonso, Lucas Brêda, Luís Curro, Luiz Antonio Del Tedesco, Maicon Silva, Manoella Smith, Marcelo Azevedo, Marcelo Rocha, Marciana de Barros, Maria Ap. Alves da Silva, Mariana Agunzi, Mariana Arrudas, Mariana Goulart, Mariana Zylberkan, Marília Miragaia, Marina Consiglio. Marina Lourenço, Marlene Bergamo, Mateus Bandeira Vargas, Matheus Moreira, Matheus Rocha, Matheus Teixeira, Mathilde Missioneiro, Maurício Meireles, Mayara Paixão, Melina Cardoso, Mônica Bento, Naná DeLuca, Natália Cancian, Natália Silva, Nathalia Durval, Nicollas Witzel, Otavio Valle, Paola Ferreira Rosa, Patricia Pamplona, Paula Soprana, Paulo Batistella, Paulo Saldaña, Pedro Ladeira, Pedro Lovisi, Phillippe Watanabe, Priscila Camazano, Ranier Bragon, Raphael Hernandes, Raquel Lopes, Rebeca Oliveira, Regiane Soares, Renan Marra, Renata Galf, Renato Machado, Ricardo Balthazar, Rivaldo Gomes, Rodrigo Sartori, Ronny Santos, Rubens Alencar, Salvador Nogueira, Samuel Fernandes, Sílvia Haidar, Silvia Rodrigues, Tatiana Harada, Tayguara Ribeiro, Thea Severino, Thiago Amâncio, Thiago Bethônico, Tiago Ribas, Victor Lacombe, Victoria Azevedo, Victoria Damasceno, Vitor Moreno, Vitória Macedo, Walter Porto, Washington Luiz, Wesley Faraó Klimpel, William Barros, William Cardoso, Zanone Fraissat E outros 22 jornalistas da Folha. Total de adesões: 186
Você pode ler o artigo de Antonio Risério em dobradinha racista com a Folha de São Paulo AQUI (mas não vomite na tela do celular ou no teclado do computador.
O advogado e colunista da Folha, Thiago Amparo, também reagiu no twitter:
quarta-feira, 19 de janeiro de 2022
40 anos depois, o recado vivo de Elis: “Do Brasil, S.O.S. ao Brasil. O Brazil está matando o Brasil!”
19 de janeiro de 1982. Em 18 anos de regime militar - com o quinto ditador de plantão, o deplorável João Batista Figueiredo - acumulamos muitas perdas.
Ninguém aguentava mais.
Naquele dia, há 40 anos, o pais lamentava mais uma ausência: morria Elis Regina.
Sua voz tornou-se eterna, seu talento inesquecível.
Em outubro de 1980, um ano e três meses antes do fim, Elis cantou em um show da TV Globo a música 'Querelas do Brasil", de Aldir Blanc e Maurício Tapajós. A canção registtrava o "Brazil matando o Brasil".
A geração que vivia aquele momento e que ainda resiste por aí não imaginava que quatro décadas o escuro pudesse voltar, com a democracia sob ameaça, o obscurantismo em vigor, a intolerância como regime, a morte como política de Estado.
O apelo principal da letra de "Querelas" é justamente um grito de socorro à vida que se esvai. Aldir e Tapajós eram mestres em captar sentimentos, A poesia da dupla ecoa no Brasil atual que trata como inimigos as florestas, os rios e o ar que respiramos, as pessoas.
O projeto é de desrruição e a vida é o adversário a abater. Ouça os saudosos Elis, Aldir Blanc e Maurício Tapajos. Depende de nós atender ao S.O.S que eles lançaram e que volta ser atual.
"Querelas do Brasil"
Brazil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brazil
Tapir, jabuti
Liana, alamanda, ali, alaúde
Piau, ururau, aki, ataúde
Piá carioca, porecramecrã
Jobim akarore, jobim açu
Uô, uô, uô
Pereê, camará, tororó, olerê
Piriri, ratatá, karatê, olará
Pereê camará tororó olerê
Piriri ratatá karatê olará
O Brazil não merece o Brasil
O Brazil tá matando o Brasil
Jereba, saci, caandrades, cunhãs, ariranha, aranha
Sertões, guimarães, bachianas, águas
Imarionaíma, ariraribóia
Na aura das mãos de jobim-açu
Uô, uô, uô
Jerê, sarará, cururu, olerê
Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará
Jerê, sarará, cururu, olerê
Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará
Do Brasil, s.o.s ao Brasil
Do Brasil, s.o.s ao Brasil
Do Brasil, s.o.s ao Brasil
Tinhorão, urutu, sucuri
Ujobim, sabiá, bem-te-vi
Cabuçu, cordovil, cachambi
Madureira, Olaria e Bangu
Cascadura, água santa acari, olerê
Ipanema e Nova Iguaçu, olará
Do Brasil, s.o.s ao Brasil
Do Brasil, s.o.s ao Brasil