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| Brasileiro é resgatado em El Paso. Foto: Divulgação/CBP |
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| Brasileiro é resgatado em El Paso. Foto: Divulgação/CBP |
O bom Mayrink foi alvo de uma rajada de vociferações (acompanhada por uma chuva de perdigotos) e deixou a sala vexado, com o rabo entre as pernas. Minha ingênua e desastrada homenagem não teve maiores consequências. Mas a provocação de Pelosi vem botar ainda mais lenha na fogueira do já superaquecido tabuleiro político internacional.
por José Esmeraldo Gonçalves
Em meados dos anos 2000 ganhou espaço crescente nos meios impressos, nos veículos jornalísticos da internet, nas redes sociais e nos canais por assinatura, um tipo de cronista ou comentarista bem caracterizado: branco, identificado com as pautas da direita, contra avanços sociais, visceralmente contrário a cotas universitárias, raciais e portador de preconceitos múltiplos.
Em comum, tinham o estilo agressivo dos textos: eram uma espécie de "bope" da mídia. Havia de tudo nas colunas da época que podem ser acessadas facilmente em arquivos digitalizados.
Uma espécie de "paipai" daquele segmento jornalístico era Olavo de Carvalho, o ideólogo do bolsonarismo. Olavo foi premiado com colunas nos principais jornais do país. Os vermes e as larvas que se reproduziriam em escala industrial no governo Bolsonaro estavam fecundados naqueles textos. Eram "bolsonaristas" antes do Bolsonaro, e isso não era demonstrado apenas nos escritos do falecido Olavo. Não viu quem não quis. O persigal ganhou empregos e se instalou na mídia. A formação profissional daquela força tarefa direitista era variada. Além de jornalistas profissionais, havia no grupo economistas, cientistas políticos, cineastas, compositores etc.
Um fenômeno semelhante ocorreu durante a ditadura, quando cada grande veículo tinha seus jornalistas e articulistas de estimação dos militares. Quem viveu as redações da época vai lembrar disso. Havia até, em algumas equpes, repórteres cuja principal característica era ter "boas relações" com setores militares. Lembro que um deles, que passou por jornais e revistas cariocas, era valorizado porque tinha "fontes" nas Assessorias de Segurança e Informação (ASI) dos ministérios e"entrada" no Dops e no Doi-Codi.
A partir do primeiro governo de Dilma Rouseff (quando até insinuações de cunho sexual e de gênero foram postadas), a reedição dessa facção editorial ganhou asas e intensidade. As colunas de opinião e os editoriais receberam o reforço das próprias pautas jornalísticas. Surgiu um simulacro de "jornalismo investigtivo", tão brasileiro quanto a jabuticaba, que, soube-se depois, não era jornalismo nem investigava coisa alguma. Os documentos e os casos que ocupavam primeiras páginas e tempo na TV eram uma "cortesia" recolhida graciosamente nos porões da Lava Jato, como foi comprovado no vazamento das mensagens sobre a tal "verschwörung" jurídica enfim desmoralizada. Algumas daquelas "apurações" renderam livros, filmes, documentários e série em streaming igualmente desacretidados depois, como seus patronos, e devidamente esculachados pela história. Uma conhecida editora carioca chegou a criar um catálogo de livros de autores da direita radical onde só faltou o Mein Kampf.
O segundo fenômeno interessante, que tem a ver com o primeiro, também pode ser constatado após os desmandos do atual governo. Alguns daqueles articulistas ainda atuantes, (outros faleceram ou perderam visibilidade) mas, talvez envergonhados em função da obra que ajudaram a construir, tornaram-se 'fofos". A maioria, entre os mais notáveis, passou a escrever sobre amenidades. Pelo menos dois deles se declararam recentemente "cansados" do cotidiano politico no qual foram tão influentes, deixaram os fatos de lados e passaram a eleborar teses, escrever sobre princípios, com um pouco de filosofia aqui, uma proposição ali, uma discreta assertiva acolá poupam Bolsonaro. No máximo, fazem uma defesa necessária da Cultura, sem nomear responsáveis pelo desprezo e perseguição com que o governo trata o setor. Quando criticam alguma coisa, sempre ressalvam que o problema vem desde o século 17, 18, sabe-se lá.
O terceiro fenômeno é desdobrável como um folder, em várias vertentes. Com o aparecimento do bolsonarismo como ideologia e modo de vida para uma expressiva parcela do que há de píor na população (ultra conservadores, militantes religiosos que não respeita outras crenças, neofascistas e neonazistas, misóginos, racistas, falsos caçadores e colecionadores de armas, neoliberais, garimpeiros ilegais, mineradores ilegais, desmatadores, milicianos, assassinos de ambientalistas e de integrantes de movimentos sociais, radicais das forças de segurança, políticos beneficiados em operações de favorecimento e corrupção no atual governo etc), a coisa ganhou seus porta-vozes, especialmente em canais de notícias na TV, e conquistou força extrema no Congresso com o chamado Centrão e seus operadores de orçamentos secretos.
Na atual campanha eleitoral, o clima na mídia volta a ficar tempestuoso. Radicaliza-se nos editoriais partidários, está de volta em colunas nos principais veículos. É fato que esse setor defende a política econômica de Bolsonaro-Paulo Guedes e ainda mantém uma esperança na complicada "terceira via", agora representada pela bolsonarista sabor original e ex-integrante da base governista Simone Tebet. A senadora já é brindada com paparicos e espaço generoso nas redes.
Nos próximos dois meses o Brsil vai testar os nervos. Veremos qual o rumo que o velho astrolábio conservador da velha mídia apontará: se ficará com Bolsonaro, caso a última esperança da "terceira via" não decole e o atual presidente demonstre recuperação nas pesquisas (no caso, argumentarão que um Bolsonaro "gourmet" e civilizado merecerá o benefício da dúvida); ou se aceitarão Lula, mesmo que não o apoiem.
A alternativa dramática que falta nesses cases é a virada de mesa. Como a mídia vai reagir se vier um golpe de Estado? Nos dois mais recentes da história do Brasil, as famílias controladoras dos meios de comunicação não hesitaram: entraram de cabeça nas conspirações que torpedearam a democracia.
O eleitor democrata vai testar os nervos nos próximos 60 dias.
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| Há quase 30 anos. Quando Adolpho Bloch convidou funcionários para um brinde à queda de Fernado Collor. Reproduçãoa Facebook/Foto Manchete |
“O que mais sei sobre a moral e as obrigações do homem eu devo ao futebol.”
ALBERT CAMUS
De vez em quando (raramente, na verdade), as redes sociais nos brindam com algo construtivo e divertido. É com prazer que passo adiante, sem maiores comentários, esse post recente undisclosed recipients:
Foto Rawpixel/Free
RECEITA DE SAÚDE
Pense nisso:
1. O inventor da esteira morreu aos 54 anos; 2. O inventor da ginástica morreu aos 57 anos; 3. O campeão mundial de fisiculturismo morreu aos 41 anos; 4. O inventor do jogging morreu do coração aos 52 anos. 5. Maradona, grande jogador de futebol, faleceu aos 60 anos;
5 . Mark Hughes, fundador da Herbalife, morreu aos 44 anos.
JÁ:
6. O criador do frango frito KFC (lanche nada saudável) morreu aos 94 anos; 7. O criador da Nutella morreu aos 88; 8. Imagine, o dono dos cigarros Winston morreu aos 102 anos; 9. Aquele que se encarregou de industrializar o ópio? Morreu aos 116 anos em um terremoto; 10. O fundador dos conhaques Hennessy morreu aos 98 anos; 11. Antônio Delfim Neto, ex-ministro da Fazenda, que pesa 122 quilos e jamais fez qualquer exercício segundo ele mesmo conta, tem atualmente 93 anos e goza de excelente saúde.
Como os médicos concluíram que o exercício prolonga a vida?
O coelho está sempre pulando, mas vive apenas 2 anos e a tartaruga, que não faz nenhum exercício, vive 100 anos.
Então vá com calma, descanse um pouco, relaxe, mantenha a calma, ame muito, coma bem, tome seu vinho, sua cervejinha.
Beba um whisky ou uma caninha de vez em quando e aproveite a sua vida com prazer!!!
👍
PS.: Esqueceram do Hugh Hefner (criador da Playboy)? !!
Morreu aos 91 rodeado de garotas 70 anos mais novas !!!
Mas não exagere!
*25 MANEIRAS PARA ENVELHECER BEM*
*01-* Não se meta na vida dos filhos.
*02-* Não interfira na educação dos netos.
*03-* Ame seu genro e Nora, foi seu filho(a) quem fez a escolha.
*04-* Nunca tome partido ou opine no casamento deles.
*05-* Não fique um idoso reclamão.
*06-* Não seja um idoso com pena de si mesmo.
*07-* Não fique falando *NO MEU TEMPO*, ele já passou.
*08-* Tenha planos para o futuro.
*09-* Não fique falando de doenças. Tenha a certeza de que ninguém quer saber.
*10-* Não importa quanto ganhe, poupe todo mês uma quantia.
*11-* Não faça prestação, idoso não deve pagar carnê.
*12-* Tenha um plano de saúde ou guarde dinheiro para despesas médicas.
*13-* Guarde dinheiro para o funeral ou tenha um plano.
*14-* Não deixe "problemas" para os filhos.
*15-* Não fique ligado em noticiário ou política, afinal você não resolverá nada mesmo.
*16-* Só veja TV para se divertir, não para ficar nervoso.
*17-* Se gostar tenha um bichinho de estimação para te ocupar.
*18-* Ao se levantar, invente moda: caminhe, cozinhe, costure, faça horta, mas não fique parado esperando a morte.
*19-* Seja um idoso limpinho e cheiroso. Idoso sim, fedido jamais.
*20-* Tenha alegria por ter ficado idoso, muitos já ficaram pelo caminho.
*21-* Tenha uma casa e um modo de vida onde todos queiram ir e não evitar. Isso só depende de hoje você.
*22-* Use a idade como uma ponte para o futuro e, jamais, uma escada para o passado.
Para a ponte do futuro sempre terá companhia.
*23-* Lembre-se: é melhor ir deixando saudades do que deixando alívio.
Finalmente,
*24-* Não deixe para amanhã "aquele bom vinho" (idosos não devem beber vinho ruim) e nem a cerveja, pode ser tarde!🍷🍻.
SEJA FELIZ!
A Faculdade de Direito da USP divulgou, no dia 26-7, a "Carta às brasileiras e aos brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito". O documento já recebeu mais de 250 mil assinaturas de apoio entre ministros, juristas, membros do Judiciário, docentes, banqueiros, empresários, personalidades de várias áreas e nomes da sociedade civil, incluindo jornalistas.
"Em agosto de 1977, em meio às comemorações do sesquicentenário de fundação dos cursos jurídicos no país, o professor Goffredo da Silva Telles Junior, mestre de todos nós, no território livre do Largo de São Francisco, leu a Carta aos Brasileiros, na qual denunciava a ilegitimidade do então governo militar e o estado de exceção em que vivíamos. Conclamava também o restabelecimento do estado de direito e a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.
A semente plantada rendeu frutos. O Brasil superou a ditadura militar. A Assembleia Nacional Constituinte resgatou a legitimidade de nossas instituições, restabelecendo o estado democrático de direito com a prevalência do respeito aos direitos fundamentais.
Temos os poderes da República, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, todos independentes, autônomos e com o compromisso de respeitar e zelar pela observância do pacto maior, a Constituição Federal.
Sob o manto da Constituição Federal de 1988, prestes a completar seu 34º aniversário, passamos por eleições livres e periódicas, nas quais o debate político sobre os projetos para país sempre foi democrático, cabendo a decisão final à soberania popular.
A lição de Goffredo está estampada em nossa Constituição “Todo poder emana do povo, que o exerce por meio de seus representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
Nossas eleições com o processo eletrônico de apuração têm servido de exemplo no mundo. Tivemos várias alternâncias de poder com respeito aos resultados das urnas e transição republicana de governo. As urnas eletrônicas revelaram-se seguras e confiáveis, assim como a Justiça Eleitoral.
Nossa democracia cresceu e amadureceu, mas muito ainda há de ser feito. Vivemos em país de profundas desigualdades sociais, com carências em serviços públicos essenciais, como saúde, educação, habitação e segurança pública. Temos muito a caminhar no desenvolvimento das nossas potencialidades econômicas de forma sustentável. O Estado apresenta-se ineficiente diante dos seus inúmeros desafios. Pleitos por maior respeito e igualdade de condições em matéria de raça, gênero e orientação sexual ainda estão longe de ser atendidos com a devida plenitude.
Nos próximos dias, em meio a estes desafios, teremos o início da campanha eleitoral para a renovação dos mandatos dos legislativos e executivos estaduais e federais. Neste momento, deveríamos ter o ápice da democracia com a disputa entre os vários projetos políticos visando convencer o eleitorado da melhor proposta para os rumos do país nos próximos anos.
Ao invés de uma festa cívica, estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições.
Ataques infundados e desacompanhados de provas questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático de direito tão duramente conquistado pela sociedade brasileira. São intoleráveis as ameaças aos demais poderes e setores da sociedade civil e a incitação à violência e à ruptura da ordem constitucional.
Assistimos recentemente a desvarios autoritários que puseram em risco a secular democracia norte-americana. Lá as tentativas de desestabilizar a democracia e a confiança do povo na lisura das eleições não tiveram êxito, aqui também não terão.
Nossa consciência cívica é muito maior do que imaginam os adversários da democracia. Sabemos deixar ao lado divergências menores em prol de algo muito maior, a defesa da ordem democrática.
Imbuídos do espírito cívico que lastreou a Carta aos Brasileiros de 1977 e reunidos no mesmo território livre do Largo de São Francisco, independentemente da preferência eleitoral ou partidária de cada um, clamamos as brasileiras e brasileiros a ficarem alertas na defesa da democracia e do respeito ao resultado das eleições.
No Brasil atual não há mais espaço para retrocessos autoritários. Ditadura e tortura pertencem ao passado. A solução dos imensos desafios da sociedade brasileira passa necessariamente pelo respeito ao resultado das eleições.
Em vigília cívica contra as tentativas de rupturas, bradamos de forma uníssona:
Estado Democrático de Direito Sempre!!!!"
* O texto entre aspas, acima, foi reproduzido do site Migalhas.com apoiado por dezenas de escritórios e departamentos jurídicos.
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| Olena Zelenska na capa da Vogue. Reprodução Instagram/Foto de Annie Leibovirtz |
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| Charme e glamour da primeira-dama da Ucrânia em meio a destroços de guerra. Reprodução Instagram/Foto Annie Leibovitz |
por Ed Sá
É possível rir de uma guerra? O cinema já mostrou que sim. Basta citar apenas dois filmes, M.A.S.H e How I won the War (Oh, que delícia de guerra, no Brasil) que ironizaram dois conflitos militares: o do Vietnã e a Segunda Guerra Mundial.
Quem agora prova, na vida real, que guerra também pode ser piada é a primeira-dama da Ucrânia, Olena Zelenska, que posou para capa e reportagem da Vogue, deixando-se fotografar pela célebre Annie Leibovitz com destroços ao fundo, posando perto de soldados e de barricadas.
A guerra na Ucrânia é uma tragédia em escala incompreensível que demonstra a falência moral dos líderes mundiais envolvidos. Glamurizá-la beira o absurdo. Desde que a edição norte-americana da Vogue divulgou a matéria das sua fotógrafa agora "correspondente de guerra", Olenna tem sido bombardeada nas redes sociais que classificam a sua atitude como um "desrespeito" às milhares de vítimas dos combates e dos mísseis.
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| Jovens de Kiev voltam à balada. Reprodução O Globo |
Na mesma linha da "alegria", O Globo publica hoje matéria sobre a volta das baladas em Kiev. Os jovens caem na night movidos a Horilka, a popular vodca local. A foto também contrasta com a situação dramática vigente em várias regiões do país há 155 dias e sem conversações de paz à vista.
| Sally Kellerman, a "Hot Lips" do filme M.A.S.H. |
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| John Lennon no filme "Oh, que delícia de guerra". |
“UM HOMEM NUNCA É MAIS VERDADEIRO QUANDO ADMITE SER UM MENTIROSO”
Mark Twain
por Niko Bolontrin
Historicamente, clubes de futebol, entidades privadas, mamam no caixa público favorecidos pela demagogia política.
O caso mais recente é o do Flamengo que tem se aproveitado de ligações com Bolsonaro para conseguir patrocínio de banco público e emplacar leis que o beneficiam. No passado, o Flamengo ganhou de Getúlio Vargas um grande imovel no Morro da Viúva, na Zona Sul do Rio.
O clube da Gávea não está sozinho nesse tipo de armação. O Botafogo acaba de confirmar a longa concessão do Engenhão a preço módico. Lembrando que o clube agora é SAF e pertence a um americano. O mais grave é o proprietário do Botafogo exigir que a prefeitura do Rio autorize a destruição da pista de atletismo do estádio que sediou um Panamericano em 2007 e a Olimpíada 2016. O empresário acha que a pista de atletismo prejudica o torcedor por deixar muito longe o campo. O prefeito Eduardo Paes estaria propenso a se render à exigência do americano, esquecendo que o poder público gastou bilhões para construir o Engenhão e a pista de atletismo é essencial para o desenvolvimento do esporte olímpico no Brasil. A privatização do Maracanã, aliás, já acarretou a destruição de uma das melhores pistas de atletismo do Brasil. O estádio do Corinthians deixou dívida imensa com a Caixa com prazo para pagamento de quase 20 anos.
O Cruzeiro, agora propriedade de Ronaldo Fenômeno também está à caça de uma doação de terreno para construir seu estádio em Minhas Gerais.
Também recentemente, o Vasco, em vias de ser vendido para uma empresa americana, ganhou um mimo do ex- prefeito Crivella: o terreno do seu CT na Zona Oeste do Rio.
A jogada atual do Flamengo é ainda mais descarada. O clube mobiliza Bolsonaro e o próprio Eduardo Paes, certamente impulsionados por interesses eleitoreiros, para levar a Caixa Econômica a doar um valorizado terreno na região do Porto para o Flamengo construir seu estádio. Por enquanto, a Caixa resiste a presentear o clube da Gávea, mas as pressões são visíveis. Curiosamente, a mídia não crítica o possível Estádio Jair Messias Bolsonaro, o Bozolão, talvez porque apoie esse tipo de negociata quando envolve clubes de futebol. Aparentemente acha normal o poder público presentear cartolas e empresários, desde que seja em nome do futebol. Nesses casos, a bola é o álibi que nem o VAR da moralidade declara impedimento.
O Globo noticia que Bolsonaro foi ao Piraquê, na Lagoa, noRio, e foi "vaiado por uns e aplaudido por outros". O jornalão prefere poupar o Bozo e omite que ali é a sede esportiva do Clube Naval, o que dá outra e importante conotação à notícia. O Piraquê tem sócios civis "convidados", mas a maioria é de militares da Marinha. A nota foi publicada na coluna Ancelmo Gois.
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| O poeta d’Annunzio na “cabine” do aeroplano de Curtiss. |
De férias no norte da Itália com os irmãos Max e Otto Brod, Kafka compareceu a um show aéreo em Brescia e ficou impressionado com o efeito do espetáculo sobre uma massa de 50 mil espectadores. O texto de Kafka foi publicado em 29 de setembro de 1909 no jornal Bohemia (a propósito, o evento ocorreu no sábado 11 de setembro, algum presságio kafkiano da data sinistra das Torres Gêmeas?)
Confiram um trecho do texto de Kafka, a primeira descrição de aeroplanos na literatura germânica:
“A torre do semáforo indica prontamente que o vento se tornou mais favorável e que Curtiss voará para o grande prêmio de Brescia. Estará começando? Mal concordamos que sim e o motor de Curtiss já está roncando, quase não se pode vê-lo, e já voa ele para longe de nós, voa sobre a planície que aumenta à sua frente, em direção ao bosque à distância, que agora parece se erguer pela primeira vez. É longo o seu voo sobre o bosque, ele desaparece, e o que fitamos então é o bosque, e não ele. Por trás de algumas casas, sabe Deus aonde, lá vem ele na mesma altitude de antes, e corre em nossa direção: quando sobe, veem-se as superfícies inferiores do biplano inclinando-se na escuridão; quando mergulha, as superfícies superiores rebrilham ao sol. Ele vem para a torre do semáforo e faz a volta, indiferente ao alarido com que é saudado, e retorna diretamente para o lugar de onde veio, e logo se torna pequeno e solitário.”
Kafka e os irmãos Brod encontraram-se em Brescia com o piloto francês Louis Blériot, famoso pela travessia do Canal da Mancha. Outra celebridade presente foi o poeta italiano Gabrielle D’Annunzio, que se aventurou a dar uma voltinha na “máquina” do piloto americano Glenn Hammond Curtiss.
| A primeira corrida aérea, em 1910. Foto Smithsonian Museum |
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| 1972: a rua em obras. Foto Divulgação |
| No mesmo ano, Jaime Lerner, o idealizador da primeira rua para pedestres. Foto Divulgação |
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| A XV de Novembro adotada pelos curitibanos. Foto Facebook |
Na sexta-feira, 19 de maio de 1972, começavam em Curitiba os trabalhos de construção da primeira via exclusiva para pedestres no Brasil, na artéria principal da cidade, a Rua XV de Novembro, na quadra entre as ruas Monsenhor Celso e Marechal Floriano. Foi uma verdadeira operação de guerrilha urbanística, chefiada pelo prefeito Jaime Lerner. Ele comentou na ocasião: “Na semana passada, quando perguntei ao diretor de Obras quanto tempo levaria, ele me falou em cinco meses. Eu pedi em 48 horas. Ele respondeu: ‘Você está louco!’ Após muita negociação, os engenheiros concordaram que tudo poderia ser feito em três dias.” Com seu dom de síntese, Lerner disse: “Neste caso, a pressa é a amiga da perfeição!”
No livro recém-lançado A Rua e a Bruma, a Régua e o Compasso, Dante Mendonça descreve o que aconteceu: “A primeira etapa da nova Rua das Flores foi feita em 72 horas no trecho entre as ruas Marechal Floriano e Monsenhor Celso. Como se fosse uma ocupação em tempo de guerra, aproveitando o recesso do fim de semana. Na madrugada que se seguiu, operários, máquinas, caminhões e toneladas de pedras ‘petit-pavé’ passaram a cobrir a rua de brita e areia e a pavimentar todo o espaço entre a Praça Osório e a Marechal Floriano Peixoto. Passada a surpresa, o revestimento de ‘petit pavé’ da Rua das Flores [seu nome original, dos tempos pré-automóvel] encantou a cidade. Pela manhã estava instalado o primeiro centro urbano do Brasil reservado exclusivamente ao pedestre e que veio a ser um modelo para as principais cidades do país.”
A ação rápida visava a evitar que os comerciantes da área, temerosos com a mudança, embargassem as obras mediante mandados de segurança. “A pressa é nossa e a praça também”, declarou Jaime Lerner, antevendo o pronto término das obras, com a rua de pedestres cobrindo sete quarteirões da Rua XV de Novembro, da Praça Osório até a Praça Santos Andrade. O prefeito foi estratégico também no timing da sua intervenção. Curitiba sediava, de 16 a 20 de maio, o encontro Lazer e Urbanismo, promovido pelo Grupo de Urbanismo da União Internacional de Arquitetos, preparatório ao 12º Congresso da UIA, que aconteceria em setembro em Varna, na Bulgária. Arquitetos de todo o Brasil, da França, Suíça, Bulgária, Romênia, Hungria, Turquia e Líbano assistiram maravilhados àquela transformação, que levou Jaime Lerner a afirmar que o evento provocou a aceitação do calçadão da Rua XV “de fora para dentro”.
por José Esmeraldo Gonçalves
Enquanto o Brasil é obrigado a ouvir as imbecilidades de Bolsonaro e Paulo Guedes, o neoliberalismo selvagem destroi o sistema que salvou milhares de vidas durante a pandemia e é a única opção para a imensa maioria de milhões de brasileiros que não podem pagar planos de saúde.
Nos últimos dias, o "vampiro" Michel Temer ressurgiu do pântano em que, como golpista, ajudou a mergulhar o Brasil. Dizem os "analistas" que ele está se oferecendo para ser candidato a presidente pelo MDB. Já teria o apoio das oligarquias da mídia que foram suas parceiras no golpe de 2016. Quando assumiu o poder Temer logo começou a pagar a fatura do golpe, principalmente a reforma trabalhista que precarizou empregos, a reforma da Previdência, que surrupiou direitos e foi concluída no desgoverno seguinte e o suspeito teto de gastos, uma reivindicação dos especuladores e do mercado que trafica dinheiro.
Temer atendeu às pressões e criou um rigoroso teto de gastos. Suécia e Holanda já tiveram tetos de gastos menos radicais. São países com benefícios sociais e tinham gordura para queimar. O Japão instituiu teto de gastos e o abandonou em pouco tempo para enfrentar uma crise econômica e criar empregos.
Uma das grandes vítimas do teto de gastos é o SUS, como a Carta Capital demonstra na edição dessa semana. E Temer, o traidor da Constituição que agora se insinua como "salvação", deve estar planejando concluir sua obra de desmonte social do país. O caos na educação, o desemprego e a destruição ambiental também são produtos da paralisia que o teto de gastos impõe.
A mídia comprometida com o neoliberalismo ultrapassado está vibrando com a ressurreição de Temer. Ontem, o comentarista Gerson Camaroti, defendeu na GloboNews, com visível ardor, o teto de gastos como se estivesse no palanque de Temer e como se o Brasil fosse apenas um estúdio asséptico para viaipis endinheirados e lobistas.
Como se sabe, não há teto de gastos para orçamentos secretos, para o viagra das gloriosas forças armadas, para as Codevasf da vida nem para a corrupção em geral nos ministérios da Saúde e Educação. Nesses casos, o teto tem pé-direito altíssimo.
por José Esmeraldo Gonçalves
Os pesquisadores ainda recorrem a buscas em sebos e coleções particulares, contatam fotógrafos que trabalharam na Manchete e mantêm seus próprios acervos ou recorrem aos herdeiros daqueles que já se foram. E também buscam o conteúdo de reportagens e crônicas. Há no mercado vários livros que compilaram textos de Nelson Rodrigues, Paulo Mendes Campo, Rubem Braga, entre outros, publicados originalmente em Manchete.
"O Canto Livre de Nara Leão" está disponível no canal de streaming GloboPlay.
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| Vittore Carpaccio: São Martinho, exposição permanente Arte das Igrejas em Zadar, Croácia. |
Segundo Arrigo Cipriani, atual dono do bar, o carpaccio foi servido pela primeira vez à condessa Amalia Nani Mocenigo, quando informou ao dono do bar que seu médico lhe havia recomendado o consumo de carne crua, rica em ferro, pois ela estava com anemia. O carpaccio, então, consistia em finas fatias de carne crua, temperadas com molho de mostarda, molho inglês, suco de limão, leite, sal e pimenta-do-reino branca. O prato foi nomeado carpaccio por Giuseppe Cipriani, o fundador e dono do bar, em referência ao pintor italiano, pois a cor vermelha forte do prato o fazia lembrar das pinturas de Carpaccio, que estavam na época em exposição numa grande retrospectiva na cidade.
Apliquei o conceito de um produto cru finamente fatiado não a alguma carne (depois da bovina, o carpaccio de salmão é a favorita), mas a um legume, a abobrinha, na versão italiana, chamada zucchini.
Carpaccio de abobrinha aos sabores aleatórios
• Alcaparras
• Teriyaki
• Chutney de abacaxi
• Mostarda amarela
• Ketchup
• Wasabi
• Algumas gotas de limão siciliano
• Salpicar moderadamente sal rosa do Himalaia
Todo cuidado é pouco com o Wasabi, a raiz forte japonesa: qualquer exagero é literalmente tiro e queda...
Curitibano, sou papa-pinhão confesso. O supermercado Princesa, que reina supremo neste buraco de Laranjeiras onde moro e que batizei de Baixo-Glicério, pode ter todos os defeitos do mundo – e os tem, sobejamente – menos um: nunca deixa, nos meses de inverno, de proporcionar fartas ofertas de pinhão (em bandejas ou a granel). Uma verdadeira proeza, considerando que, para o carioca, o precioso fruto da araucária é uma coisa muito estranha, próxima do ET.
Este ano, minhas elucubrações de entrevero de pinhão viajaram rumo a uma intersecção com meus experimentos de ratatouille tropical. Um dos resultados está na receita abaixo, sem dosagem precisa, ao bel-prazer do leitor, guiado por sua sensibilidade culinária.
Entrevero de pinhão à Ratatouille Tropical
• Um punhado generoso de pinhões cozidos.
Legumes cozidos:
• Dois ou três jilós cortados na longitudinal.
• Três ou quatro maxixes pequenos.
• Rodelas de uma abobrinha pequena.
• Iscas de um pimentão verde pequeno.
Opcional:
• Meia dúzia de quiabos em pequenas rodelas.
E, é claro, algumas taças de um vinho tinto chileno honesto a bom preço.
Embora não traga novidades, documentário "Sem precedentes" (Discovery+) sobre a familícia Trump tem o mérito de fazer uma ultrassonografia dos intestinos do clã. Sabe-se que desde a campanha do republicano sua estratégia golpista é copiada pela cópia pirata nacional, seu tosco similar bananeiro. Sobe esse ângulo, é curioso ver o original.
Fora do streaming é bem mais interessante acompanhar o desenrolar da comissão que investiga a conspiração dos Trumps e a invasão terrorista do Capitólio, que o Globo minimiza ao chamar de "espetáculo midiático".
Nos Estados Unidos a comissão é vista pela maioria da opinião pública como um pilar de defesa da democracia.
Com a queda de popularidade de Joe Biden, o risco Trump permanece como ameaça. As eleições parlamentares de novembro dirão o tamanho do perigo. Um derrota republicana pode estimular o partido a rejeitar um eventual canditadura de Trump a presidente em 2024. Se os republicanos dominarem o Congresso darão um grande passo para retomar a Casa Branca. Restará, entao, aos democratas encontrar um nome forte para suceder o desgastado Biden.
Logo nas primeiras semanas de governo, Bolsonaro alterou a Lei da Transparência. O sociopata ampliou o número de autoridades ou funcionários com poder de decretar sigilo sobre praticamente qualquer coisa. A inspiração é fascista, nasce nas leis implementadas por Mussolini nos anos 1920. Sigilo é a nova censura. Essa onda de vetar acesso público a documentos e procedimentos públicos é ferramenta do autoritarismo. E quando envolve gastos esconde impobridade administrativa, desvio de verbas e corrupção. O derrame de decretos de sigilo também acontece na área de segurança pública. Serve para esconder irregularidades e crimes. A mídia, principalmente, sente os efeitos do sigilo quando proliferam decisões de juízes que impedem acesso a informações sobre investigações ou se criam barreiras para o trabalho dos repórteres.
Desde janeiro de 2019, o autoritarismo tem o poder de, quando interessa, jogar o Brasil nas trevas.
Quem conspira contra a democracia trabalha melhor no escuro.
por Flávio Sépia
Bolsonaro decreta que jornalistas devem buscar emprego no paraíso celestial. Aqui na terra a barra vai pesar ainda mais. O sociopata baixou uma norma dando às TVs abertas o direito de vender 100% da programação para pastores. Até então, só podiam comercializar 25% da grade diária.
O lobby da indústria religiosa funcionou junto ao Planalto onde circulam mais pastores do que qualquer outro gênero humano. O resultado da decisão é que muitos repórteres, editores, câmeras e produtores poderão perder seus empregos. TVs abertas são concessões públicas, têm a obrigação constitucional de informar, prestar serviço à população, divulgar a cultura sem privilegiar ideologias e credo. Ao permitir que seitas sequestrem toda a programação, se assim desejarem as TVs, esse princípios vão para a sacolinha.
Para algumas emissoras será um dinheiro fácil. Por que disputar audiência, montar equipes, manter departamentos publicitários e jornalísticos se o caixa vai receber um tsunami de Pix do pastoreio que, por sua vez, pede ao distinto público um dilúvio em forma de cartões de crédito, débito, transferências eletrônicas e doações de bens?
por O.V.Pochê.
Houve uma época, há muitas galáxias, em que os jornais e revistas acionavam D.Estevão Betencourt, monge beneditino e professor da PUC, para comentar qualquer assunto.
Os repórteres mais antigos lembrarão.
Os temas recorrentes eram divórcio, ainda não aprovado, pena de morte que alguns obtusos queriam instituir, drogas, feminismo, violência, amor livre etc. Em matérias do tipo "enquete" D. Estevão era presença obrigatória. Talvez porque era atencioso, sensato, e ducado, culto e, muito importante, era acessível, recebia os repórteres ou falava ao telefone com a maior presteza. Na correria dos fechamentos, se um repórter era pressionado pelo chefe para repercutir um assunto, D.Estevão o salvava.
Sem comparar o íntegro monje com o Mourão - são semelhantes apenas na disponibilidade para falar com jornalistas -, a mídia atual tem seu "crush" para repercutir notícias.
Mourão foi ouvido por repórteres sobre o assassinato político de Marcelo Arruda pelo policial bolsonarista Jorge Guarani. Sempre com pompa e circunstância, empertigado como se fosse chefe da Estado de uma potência, Mourão comenta qualquer coisa. Repórter está sem pauta e precisa entrar em um link ao vivo. Tranquilo, bota um microfone na boca do falastrão. Geralmente ele expele uma opinião tosca. Mas as bobagens que diz o mantêm na mídia. Bom pra ele que agora é político e vai disputar votos.
A mais recente fala do Mourão chega a ser ofensiva. Ele classificou o assassinato político de Marcelo como uma coisa que acontece todo fim de semana. É um deboche.
Em um execício tragicômico, o que o modo Mourão de analisar os fatos diria sobre casos de assassinatos políticos ou de escândalos na atualidade e na História? Sigam o fio:
Bruno e Dom - "um simples desentendimento numa pescaria.
Marielle: "uma briga de trânsito".
John Kennedy - "bala perdida, uma fatalidade. Lee Oswald apenas manuseava o rifle, acontece.
Marat - " foi morto por uma mulher, aprontou alguma coisa, foi crime passional, acontecectida hora. Na época não tinha ambulância, demorou a ser atendido, perdeu muito sangue.
Lincoln - "uma fatalidade. Não deveria ter ido ao teatro. A peça em cartaz era muito ruim. Não valia a pena".
Chico Mendes - "foi crime passional. Acontece todo dia.
Zuzu Angel - "um acidente de trânsito. Um caso para mandar um reboque, nem precisava investigar".
Atentado ao Charlie Hebdo - "provavelmente foi a reação de um assinante desgostoso por não estar recebendo o jornal".
Invasão do Capitólio - apoiadores de Trump queriam fazer apenas um passeio turístico. Era uma despedida do governo que saiu do controle, acontece.
Morte de Genivaldo na câmara de gás do camburão - um erro na dosagem de gás. Isso aí acontece, pode ser defeito da bomba de gás. O rapaz deveria ter ofendido a respiração.
Escândalo de propinas para pastores dentro do Ministério da Educação - " isso aí foi esclarecido, pediam o dízimo que é dito na bíblia. Nada ilegal. Bobagem, o melhor que a mídia tem a fazer em mudar de assunto.
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| Acima, reprodução do Globo, hoje, coluna de Ascânio Seleme |