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| Reprodução Folha de São Paulo |
Você que visita esse blog já deve ter percebido que o termo sociopata é às vezes utilizado para definir o modo de ser do elemento nocivo que o Brasil elegeu. Claro que isso provoca reações de seguidores do sujeito armados de xingamentos e palavrões.
Entre outros, o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais editado pela Associação Americana de Psiquiatria pode ajudar a identificar esse transtorno. O guia dá 15 dicas para você identificar um sociopata. Anote, no mínimo, vai ensinar os brasilinos a votarem melhor.
Atenção, este é apenas um texto irônico-político. Se você tiver nas suas relações alguém que se encaixe no mapa abaixo, indique um especialista, busque ajuda para ele. Se o prefeito, o deputado, o governador, o vereador, o senador, o presidente em quem você pretende votar nas próximas eleições combinam com o "diagnóstico" e mesmo assim você sufraga o indigitado, então sinto dizer que quem precisa de tratamento é você.
O sociopata...
1 - Detesta leis, acha que legislação atrapalha
| Reprodução Twitter |
por José Bálsamo
Um especialista amigo explica. Os vírus são diferentes. O da Espanhola, que surgiu nos Estados Unidos, era o mortal H1N1. O da Covid-19 é o SARS-Cov2, que apareceu na China e é igualmente devastador.
Em 1918-1920, a população mundial era de cerca de 2 bilhões de pessoas. Uma quarto disso foi contaminado. Hoje, o planeta tem quase 8 bilhões de habitantes e o vírus contaminou até agora cerca de 115 milhões de pessoas. Para igualar percentualmente o número da Espanhola, a cifra global de infectados pela Covid-19 teria que chegar a cerca de 2 bilhões de pessoas para alcançar um quarto da população atual.
A Espanhola matou oficialmente 17 milhões de pessoas, mas a subnotificação ou nenhuma notificação foram a regra. Estima-se que morreram em torno de 100 milhões de pessoas. A Covid vitimou 2 milhões e meio de pessoas oficialmente, até agora. Também há subnotificação. Algumas pesquisas indicam o número de mortos pode ser 50% maior.
Biologicamente, a Espanhola2 seria a epidemia de 2009, essa sim transmitida pelo mesmo H1N1, para o qual foi desenvolvida vacina eficiente.
Em termos de impacto na saúde mundial, a Covid-19 está mais para Espanhola 2, mas, além dos vírus, os contextos sociais são bem diferentes. A Espanhola 1 foi impulsionada pelo ambiente. A Europa, o vetor principal, estava devastada pela guerra, havia fome, má nutrição, deficiência de comunicação com as populações e pouca higiene. Já o SARS-Cov2 se espalha mais rápido em um mundo onde as pessoas circulam intensamente e tem potencial para produzir mais mutações, mas a ciência e a comunicação estão mais avançadas, a necessidade de seguir protocolos chega ao público - embora muitos não cumpram as normas - e as vacinas foram desenvolvidas em tempo recorde.
A maioria do países, apesar de dificuldades pontuais, consegue controlar a pandemia com medidas duras. Os Estados Unidos e o Brasil se apresentam como exemplos negativos, a terra de Joe Biden conseguiu se livrar do negativista Trump, a vacinação avançou e os números entraram em queda. Resta o Brasil fora de controle, estabelecendo-se como um perigoso vetor que ameaça o mundo e ainda submetido ao comportamento de sociopata do perverso Jair Bolsonaro, que ri dos mortos e os despreza.
Vivemos a maior tragédia da história do Brasil.
A indignação de mais uma derrota pífia me acordou. Resolvi lembrar aquela quarta-feira à noite no Maraca, com minha filha Natasha, em que vibrei como nunca com o futebol do meu time, que enfiou 4 x 1 no Flamengo. Era uma semifinal do Campeonato Brasileiro de 1997, no qual o Vasco seria tricampeão. Naquele jogo, cito da internet, “Edmundo acabou com a molambada, marcando três golaços e fazendo suas comemorações que ficariam na memória dos vascaínos por toda a eternidade.” Cruzmaltinos, vejam aí e acordem o gigante adormecido da colina, refém da cartolagem maligna. Quatro rebaixamentos é dose! Daqui a pouco caímos para a terceirona... Vascaínos do (Ed)mundo, uni-vos!
RELEMBRE UM JOGO HISTÓRICO AQUI
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| Foto; Divulgação/EMI |
O diretor do filme é Lee Daniels, que em 2001 se tornou o primeiro afroamericano a produzir sozinho um filme vencedor do Oscar. A história se baseou no livro do jornalista Johann Hari Chasing the Scream: The First and Last Days of the War on Drugs e mostra a perseguição movida pelo Departamento de Narcóticos contra a cantora por causa do sucesso de sua canção-de-protesto Strange Fruit, sobre o linchamento de negros nos estados sulinos. Agentes infiltrados chegam a mover uma operação de caça à cantora, chefiada por um afrodescendente com o qual ela tem um tumultuado caso amoroso. A estreia do filme no Brasil está marcada para 18 de março.
Veja o trailer AQUI
O programa Minha Casa, Minha Vida completará 12 anos no próximo dia 25. Mas já é falecido. O governo Bolsonaro não contratou mais nenhuma casa para os mais pobres.
Mais de 5 milhões de casas foram entregues até hoje. O Globo publica um editorial confuso sobre o programa. Na ânsia de criticar - o jornal sempre condenou a iniciativa desde o governo Lula - consegue ser negativo até quando esboça algo que se aproxima de um elogio. Como quando diz que o programa entregou milhões de casas, mas o Brasil ainda aponta um déficit de 6 milhões de residências. O passivo não parece ser culpa do programa, ao contrário, aponta sua necessidade e o quanto é grave a interrupção. Desde o golpe que derrubou Dilma, e que o jornal apoiou, a construção de casas pelo MCMV entrou em marcha lenta e, desde 2019, em coma.
Transferir a população para zonas periféricas é outra crítica que O Globo faz. Significa uma mudança para o jornal que nos anos 1960 apoiou a remoção das populações das favelas da Zona Sul do Rio para a Zona Oeste distante e, na época, longínqua e sem transportes coletivos.
O editorialista destaca um estudo de uma economista da FGV para constatar que os pobres sorteados com uma oportunidade de morar melhor (o MCMV seleciona os interessados em sorteios) são, na verdade, "perdedores". Aponta que, para os pobres, é mais barato morar em barracos.
A economista, apesar disso, concede identificar que a maior contribuição do programa é o fato de famílias morarem em casas com acesso a água e esgoto. E mostra que, comparando com aqueles que vivem em barracos, registra-se aumento de peso nos recém-nascidos, além de redução na mortalidade infantil. Diria que essa é uma das consequência mais elogiáveis do programa para os "perdedores", que é como o editorial rotula os contemplados com casas. E não vale dizer que essa foi uma conclusão da pesquisador. O editoria não usa a rubrica "opinião" à toa. O selo está ali para dizer que o jornal assina embaixo de tudo o que está escrito na seção. Sobre esse fato, o Globo produziu uma frase ímpar. Alguém decifra? Alguém decifre essa frase de quem tem plano de saúde five stars: "Habitação melhor resulta em melhoria de saúde, mas não é uma política ótima".
Por fim, a especialista que forneceu os dados para o editorial admite que "é preciso estudar mais", o Minha Casa, Minha Vida. Ou seja, suas conclusões são baseadas em uma obra ainda em progresso.
É possível que, para "comemorar" o aniversário, o Globo escale equipes para visitar os conjuntos e mostrar como os mais de 5 milhões que receberam casa própria são "perdedores". E talvez até reúna uma multidão de pobres que abandonaram suas casas do Minha Casa, Minha Vida para voltar a morar em barracos "mais baratos".
| 1971: Roberto Barreira, de terno escuro, localiza e entrevista para a Manchete o irmão do embaixador Giovanni Bucher, então sequestrado no Brasil. Reprodução Manchete |
Em 7 de dezembro de 1970, a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização que combatia a ditadura, sequestrou o embaixador suíço Giovanni Bucher. Foi o assunto da mídia nas semanas seguintes.
Roberto Barreira, então chefe da Sucursal da Manchete em Milão, viajou para a região do Lago Como, no Alpes Italianos e ali localizou o hoteleiro Rodolpho Bucher, irmão do diplomata suíço. Depois de quebrar uma resistência natural - os Bucher até então não haviam sido procurados pela mídia - Roberto foi recebido na residência da família e conversou com o apreensivo Rodolpho. Um feito do saudoso Roberto que, poucos anos depois, voltou ao Brasil para dirigir a revista Desfile e a transformou em um dos sucessos editoriais e comerciais da Bloch.
Giovanni Bucher foi liberado pelos guerrilheiros em 16 de janeiro de 1971 em troca de 70 prisioneiros políticos. Na mesma ocasião, com outra dupla - o repórter Carlos Freire e o fotógrafo Alécio de Andrade - Manchete ouviu, em Luxemburgo, Anne Marie Mailet, irmã do embaixador sequestrado,
Bolsonaro tem muitas semelhanças com Collor.
Ambos foram eleitos por um partido pequeno, os dois evitavam debates (no caso do Collor, no primeiro turno), os dois apregoaram a "honestidade" antes de se envolverem em operações suspeitas, Collor se encrencou com o cheque do Fiat Elba, o outro com o cheque do Queiroz, os dois usaram verde-amarelo na propaganda eleitoral e os dois detonaram a Cultura.
Deu no que deu.
Segundo os jornais, Collor é o mais novo conselheiro de Bolsonaro. Deve ter dado a dica.
A galera de camisa amarela que foi para as ruas, com a ajuda da mídia de direita, e apoiou o golpe contra Dilma Rousseff, presidente eleita democraticamente, pode comemorar, hoje, a PEC da Impunidade. A instituição do regime do vale tudo. O AI-5 Legislativo.
É possível saber como um golpe começa, mas não é previsível saber como termina nem quando termina.
O Brasil paga, mais uma vez, o preço cobrado pelas elites que investem no atraso em proveito próprio.
A cantora Preta Gil, assim como quem não quer nada, fez um comentário fofo sobre a polêmica Karol Conká. Nada de mais, afinal, quase que o Brasil inteiro se manifestou nas redes sociais sobre a participantes mais tóxica do BBB, que acabou eliminada na última terça-feira. Só que o post de Preta Gil, como se vê nas hastags que a própria adicionou ao comentário, era patrocinado pela Amstell. Ou seja, a cantora faturou algum com o comentário.
Sem citar Preta Gil, a cantora Maria Rita criticou quem negocia publi para dar opinião sobre "questões éticas". "Estão colocando preço em empatia? Eu não canso de me chocar, real, real, real"
por José Esmeraldo Gonçalves
O Brasil assistiu ontem a um derrame de fake news, provavelmente um dos maiores já registrados na grande mídia. A mentira foi levada aos leitores em forma de matéria paga. Os jornais O Globo, Folha de São Paulo, O Povo, Jornal do Commércio (PE), Estado de Minas, Correio Braziliense, Correio (BA), e Zero Hora (RS) publicaram o anúncio assinado por bolsomédicos de Pernambuco, que provavelmente seguem os ensinamentos do "Dr. Bolsonaro", representados por uma certa "Associação Médicos Pela Vida", pregando o uso de remédios como hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina no combate à Covid-19.
A ineficácia desses medicamentos para o combate à Covid-19 está exaustiva e cientificamente comprovada por cientistas e institutos de pesquisa em níveis nacional e mundial, além da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
O estranho anúncio tem muito de ideologia e nada de ciência.
A publicação do material comprovadamente mentiroso levantou uma questão; se os jornais apregoam "código de conduta" para o conteúdo jornalístico, como não exigir ética e honestidade das matérias pagas? Basta pagar que o jornal veicula?
A repercussão foi péssima e hoje alguns jornais, como a Folha e O Globo, caíram na real é publicam matérias demonstrando a falsidade das alegações dos bolsomédicos. Melhor que essa contestação tivesse sido publicada na mesma edição da fake news paga. O material circulou por 24 horas e certamente ajudou a disseminar perigosas "informações" sobre a pandemia.
De qualquer, forma, mesmo tardia, desmascara a informação falsa. Agências de checagem também desmentiram o tosco e suspeito "manifesto".
ATUALIZAÇÃO EM 25/02/2021 - O Centro Knight de Jornalismo, ligado à Universidade do Texas, fez matéria em português e nas versões internacionais do site sobre a repercussão da polêmica matéria paga publicada em jornais brasileiros. A reportagem é assinada por Julio Lubianco, Leia a seguir:
Para que o processo avance é necessário demonstrar o apoio da sociedade à petição em poder do TPI. Em reforço a Raoni, o Cacique Raoni Metuktiré, chefe do povo Kayapo-Mebengokré colhe assinaturas para sensibilizar o tribunal, solicitando a urgente abertura das investigações.
O abaixo-assinado está no site Change.org.
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| Foto Twitter City Lights Books |
Ferlinghetti concebia a livraria como um “ponto de encontro literário”, onde escritores e leitores se congregassem para trocar ideias sobre poesia, ficção, política e arte. Dois anos depois, ele iniciou a editora City Lights Publishers, com o objetivo de provocar uma “fermentação dissidente internacional”.
Seu lançamento inaugural foi o primeiro volume da série City Lights Pocket Poets, que abriu novos caminhos para a poesia norte-american. Em 1956, publicou o revolucionário Howl, de Allen Ginsberg, que foi confiscado pelas autoridades americanas, dando início a uma histórica campanha de resistência que acabaria derrubando a censura. Autor de um dos livros de poesia mais vendidos de todos os tempos, A Coney Island of the Mind/Um parque de diversões da cabeça, Ferlinghetti – como outros poetas beats – criou uma forma híbrida e inovadora de arte, em que os poemas eram recitados ao acompanhamento de música de jazz, e muitas vezes improvisados, como ela.
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| Foto Reprodução Wikipedia |
O POETA
Lawrence Ferlinghetti
Correndo risco constante
de absurdo e morte
toda vez que atua em cima
das cabeças da audiência
o poeta sobe pela rima
como um acrobata
para a corda elevada que ele inventa
e equilibrado nos olhares acesos
sobre um mar de rostos
abre em seus passos uma via
para o outro lado do dia
fazendo além de entrechats
truques variados com os pés
e gestos teatrais da pesada
tudo sem jamais tomar uma
coisa qualquer
pelo que ela possa não ser
Pois ele é o superrealista
que tem de forçosamente notar
a verdade tensa
antes de ensaiar um passo ou postura
no seu avanço pressuposto
para o poleiro ainda mais alto
onde com gravidade a Beleza
espera para dar
seu salto mortal
E ele um pequeno
homem chapliniano
que poderá ou não pegar
aquela forma eterna e bela
projetada no ar
vazio da existência
(Tradução: Leonardo Fróes)
por Pedro Juan Bettencourt
Cancelamento é uma atitude coletiva em voga nas redes sociais. Tem provocado polêmicas. As reações mais ruidosas contra pessoas, empresas e instituições geralmente são disparadas a partir de vídeos e áudios que comprometem os protagonistas. Quase sempre são cenas ou conteúdos indesculpáveis. Projetam racismo, humilhação, prepotência, machismo, bullying, violência, agressões domésticas, intolerância religiosa, preconceito de gênero, discriminação, assédios moral e sexual etc.
Vale o bom senso. A turba digital também pode expor pessoas inocentes. Já aconteceu. Acusações falsas e montagens de fotos e vídeos podem ser desmascaradas, mas a onda de cancelamentos se forma em cliques rápidos e sempre faz um estrago. Então, que cada um pense antes do clique relâmpago. Que procure identificar o alvo. Os escrotos costumam ter antecedentes e o Google facilmente rastreia os elementos. Veja os vídeos, cheque, verifique comentários, não é difícil. Muitas denúncias são acompanhadas de testemunhos. A mulher racista flagrada na padaria está sendo verdadeira e sincera com as suas podres convicções. Uma rápida pesquisa mostrou outros casos de intolerância ligados à figura. O juiz folgado e filmado que humilha o servidor na praia é, naquele momento, mais verdadeiro do que provavelmente nunca o foi. Vídeo, áudio e testemunhas comprovam. Não tenha receio de cancelar essas figuras.
Comprovada a veracidade do vídeo, da foto ou do áudio em questão, é compreensível a reação de tantos internautas que condenam tais crimes O fenômeno não é local, é universal. Há milhares de registros de pessoas que perderam emprego por postarem conteúdos inaceitáveis e criminosos. E daí? Assumiram o risco. Há igual número de empresas que foram expostas nas redes sociais por adotarem políticas odiosas, como trabalho escravo. Bem feito. Denunciadas e canceladas acabam tomando uma atitude após a justa exposição.
Expor racistas, por exemplo, é autodefesa da sociedade. Expor fascistas, misóginos, geradores de fake news ou autores de crimes, como pastores radicais que atacam centros de religiões afro e imagens da igreja católica, também. Autores de ataques antissemitas ou antislâmicos devem ser expostos. Milicianos não devem ganhar flores. Autoridades que humilham cidadãos devem ir para o pelourinho digital, sim. São tão poderosos, a justiça raramente os alcança, na maioria das vezes o único dissabor que terão é o vexame que a internet lhes proporciona.
A mídia cancela pessoas. Instituições cancelam pessoas. O esporte cancela pessoas. A arte cancela pessoas. Pessoas cancelam pessoas. Governos cancelam pessoas. Não entendo a surpresa Vizinhos cancelavam vizinho ao vivo. Por que a internet não cancelaria? Se cancelamentos se tornam agressões físicas ou morais, aí entra o Código Penal. Se não, significa apenas que você não gosta da atitude do candidato a cancelamento e não o quer na sua timeline.
A dupla alemã de vôlei de praia, Karla Borger e Julia Sude, resolveu boicotar o Circuito Mundial de Vôlei de Praia em Doha, Catar, no mês que vem. Motivo: as rígidas leis islâmicas que proíbem o biquíni e obrigam as atletas a jogarem de camisa e calça comprida.
A Federação Alemã de Vôlei apoiou decisão das jogadoras. Em entrevista, Borger lamentou: "É realmente o único país e o único torneio em que um governo nos diz como temos que fazer nosso trabalho, e isso nós criticamos".
Duplas brasileiras que vão participar do torneio no país islâmico ainda não se manifestaram sobre o assunto. O mais provável é que se submetam sem reclamar às regras abusivas recusadas pelas alemãs.
Episódios como esse levantam uma questão entre os esportistas: países tão rígidos têm condições para receber eventos esportivos internacionais? O Catar sediará a Copa do Mundo de futebol de 2022. Haverá regras de vestimenta o observar, as turistas deverão usar roupas discretas (quem for viajar para lá deve se informar sobre o que o país entende por "discretas").
ATUALIZAÇÃO EM 26/2/2021 - O protesto da dupla alemã valeu. A Federação Internacional do Vôlei de Praia e a Associação do Vôlei do Catar liberaram ontem o uso de biquínis em etapa do Circuito Mundial. O torneio começará no dia 8 de março. Como acontece na Olimpíada, atletas poderão vestir calças e camisetas se o desejarem ou alegarem motivos religiosos. Melhor assim.
Do RSF
"Enquanto a Covid-19 provoca estragos no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro contribui para aumentar o número de mentiras em circulação e segue atacando a imprensa - numa tentativa de esconder sua incapacidade de administrar a crise sanitária. “A verdade nua”, campanha produzida pela agência BETC Paris em parceria com a Repórteres sem Fronteiras (RSF), reitera a importância crucial do jornalismo para garantir o acesso a informações confiáveis sobre a pandemia.
A nova campanha da RSF no Brasil, lançada em 22 de fevereiro de 2021, defende que se mostre “a verdade nua", a crua realidade dos fatos, para além de alegações fantasiosas ou manipuladoras. Uma fotomontagem mostra o chefe de Estado brasileiro, Jair Bolsonaro, sem roupa*, coberto apenas por uma placa que informa o número de mortes causadas pela Covid-19 e o número de casos confirmados da doença no país**.
Uma forma simbólica de confrontar o presidente Bolsonaro com a realidade nua e crua dos fatos, enquanto ele acusa a imprensa pelo caos instalado no país para desviar a atenção de sua desastrosa gestão da crise sanitária. O Brasil é hoje o terceiro país mais afetado no planeta pela Covid-19 e a campanha reforça a importância de conhecer os fatos para compreender a pandemia e poder agir sobre ela. Fatos aos quais a população brasileira não teria acesso sem o trabalho dos jornalistas.
"Essa campanha propositalmente chocante visa despertar as consciências a reagirem aos ataques permanentes do sistema Bolsonaro contra a imprensa, afirmou Christophe Deloire, Secretário-Geral da RSF. Os ataques não são apenas moralmente intoleráveis, mas também perigosos para a população brasileira que se vê privada de informações vitais sobre a pandemia. O trabalho dos jornalistas é fundamental para relatar os fatos e informar as pessoas sobre a realidade da crise sanitária. Mais do que nunca, o direito à informação, intimamente ligado ao direito à saúde, deve ser defendido no Brasil.”
O trabalho da imprensa brasileira tornou-se particularmente complexo desde que Jair Bolsonaro assumiu o poder em 2018. Insultos, difamação, estigmatização e humilhação de jornalistas passaram a ser a marca registrada do presidente do país. Sempre que informações contrárias aos seus interesses ou aos de sua administração se tornam públicas, ele não hesita em atacá-los com violência. No final de janeiro, por exemplo, Jair Bolsonaro mandou os jornalistas para "a puta que o pariu" e afirmou que a lata de leite condensado era para "enfiar no rabo [...] da imprensa". Essa declaração delirante faz parte de uma estratégia bem azeitada de ataques contra a imprensa coordenados pelo presidente e seus familiares que ocupam cargos eletivos, conforme apresentado pelo relatório da RSF que lista nada menos que 580 ataques apenas em 2020.
“A verdade nua” se alinha com as fortes e irreverentes campanhas de comunicação divulgadas pela RSF para promover a sensibilização do público em geral e da comunidade internacional com relação às violações da liberdade de informar. Produzida com o apoio da agência BETC Paris, a campanha está disponível em quatro idiomas (francês, inglês, espanhol, português).
O Brasil ocupa a 107ª posição entre os 180 países incluídos no Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa, publicado pela RSF."