quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Jornal tem repetido que a Olimpíada do Rio "é a primeira realizada na América Latina". Não é. Em 1968, o México sediou os Jogos. Sem falar que "América Latina" é um rótulo racista...
por Ed Sá
O Globo tem feito um excelente caderno especial dedicado à Rio 2016.
Só precisa corrigir um pequeno erro: o jornal insiste em dizer, como na edição de hoje, que a Olimpíada carioca é a "primeira realizada na América Latina".
Só eu já li isso mais de uma vez. Há poucas semanas, escreveram: "é a estreia da América Latina como anfitriã".
Isso, sem falar que "América Latina" é um termo racista. Pretende ignorar que antes da chegada de portugueses e espanhóis havia povos não latinos na América do Sul. Esta, aliás, é a expressão mais adequada.
A Rio 2016 é a primeira Olimpíada realizada na América do Sul. Em 1968, o México, país que integra a "América Latina" mas fica na América do Norte, sediou os Jogos.
Informação esportiva esquecida à parte, registre-se que o termo é tão inadequado que não é comum, ou se ouve muito raramente, a identificação "Europa Latina" para países como Itália, Portugal, Espanha...
"América Latina" nem define um espaço geográfico, tanto que Suriname e Guiana, colonizados por Inglaterra e Holanda, não fazem parte do tal grupo. Nunca foi oficializado e, em 1948, gerou divergência quando uma comissão da ONU, a CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), adotou o termo associado ao subdesenvolvimento.
Mas se popularizou antes, durante a Segunda Guerra Mundial, quando o Departamento de Estado norte-americano montou um programa de propaganda na América do Sul em contraposição à influência nazista na região.
Passou a ser amplamente adotado na mídia, na geopolítica e na cultura dos Estados Unidos para discriminar etnias. Especialmente aquelas que estão no DNA de mexicanos e portorriquenhos, maioria ente os imigrantes. Daí, generalizou-se a tal ponto que muitos americanos se surpreendem quando descobrem que os brasileiros - obviamente identificados lá como "latinos" - não falam espanhol. Em um recente seriado americano, um casal queria adotar um filho que combinasse com a cor das cortinas. A solução foi pegar um mostruário com os padrões desejados e vir buscar na "América Latina".
Registre-se que, hoje, no mesmo Globo que reincide no erro no caderno especial "Rio 2016", a jornalista Flávia Oliveira, colunista do Segundo Caderno (reprodução ao lado) evita o termo "América Latina" e cita a informação esportiva correta: a Olimpíada Rio 2016 é a primeira da América do Sul.
Os incas, os maias, os astecas, os tupis, os guaranis, os cariris, os tupinambás e tamoios, que habitavam essas terras - antes do tiozão Estácio de Sá desembarcar aqui - agradecem, saúdam a imprensa escrita falada, televisada e digitalizada e pedem passagem.
ATUALIZAÇÃO EM 5/8/2016 - Na primeira página do Globo de hoje (abaixo), a devida correção: primeiros Jogos Olímpicos da América do Sul. Melhor assim.
Atualização em 13/8/2016
A expressão "latino" empregada na mídia e na cultura americanas com conotação racista é muito adotada por aqui. Embora seja mais comum incorporada ao termo "América Latina".
Mais raro, e surpreendente, é o uso para definir sul-americanos como na nota acima sobre prisão de "trio latino", que faz questão de acentuar a falsa"etnia", sinônimo, lá em cima, na terra do Uncle Thomas, de imigrantes "inferiores".
Aliás, a palavra "latino" aí seria até dispensável, bastava "Justiça mantém a prisão de trio que furtou jornalistas" seguida da identificação correta, "dois peruanos e uma colombiana". A turma que Trump quer expulsar.
O rótulo forçado equivale ao que se via nas páginas policias antigamente, o "'meliante crioulo"... Deve ser coisa de estagiário que aprendeu isso no intercâmbio. (Ed Sá)
quarta-feira, 3 de agosto de 2016
Federica Pellegrini, porta-bandeira da delegação da Itália, filma sua entrada no apê da Vila Olímpica... Veja o vídeo
A atleta italiana Federica Pellegrini, da natação, filmou sua entrada em um dos apartamentos da Vila Olímpica e postou no seu Instagram. Dá uma olhada. Primeiro ela gosta, acha a sala grande. Em seguida, ao abrir a porta do quarto, comenta que é "piccolino. Mas Federica, que será a porta-bandeira da sua delegação na cerimônia de abertura, não perdeu o bom humor. E é candidata a medalha: ela foi a primeira mulher na história a baixar o tempo do limite de 4 minutos nos 400m estilo livre. É uma das belas musas da Itália, como se pode ver neste ensaio para a Vanity Fair.
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| Reprodução Vanity Fair |
Tocha Olímpica chega ao Rio
Barraco médico: corra que o doutor vem aí!
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| O médico e a enfermeira do filme "Alta Ansiedade": ficção sugestiva... |
Quem sabe não tem muito a ver, ou talvez tenha, mas recentes recentes episódios envolvendo médicos me fazem lembrar o Dr. Montague e a enfermeira Diesel de "Alta Ansiedade", dirigido pelo genial Mel Brooks.
Alguns doutores andam descompensados.
Parece que as redes sociais lhes trazem terríveis efeitos colaterais.
O filme, como muitos lembram, tem como cenário um hospício. Brooks é o Dr. Richard Thorndyke que é nomeado administrador de um hospício. Ao chegar lá, descobre que os doentes vivem sob um ditadura prescrita pelo sinistro e enlouquecido corpo médico praticante de uma estranha "ética" que mais parece inspirada nas UTI nazistas.
Dessa receita, Brooks fez uma comédia com toques de suspense e paródias dos filmes de Hitchcock.
Mas isso aí é uma cômica ficção. A realidade, no Brasil, não tem nada de engraçada.
Depois de um médico de São Paulo debochar recentemente de um paciente que falava errado - "peleumonia" em vez de pneumonias e outras expressões - um doutor gaúcho despejou intolerância e ódio na rede social.
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| A Dra Julia Rocha recebeu ofensas por defender paciente. Foto: Facebook |
Diante da agressão verbal, a médica se queixou de que foi alvo de injúria racial.
O detalhe, segundo o G1, é o que médico Milton Simon Pires, autor das ofensas já respondeu a processo administrativo por supostas agressões físicas e verbais. Na época, em 2015, ele foi demitido do hospital em que trabalhava e a vítima registrou o caso em Boletim de Ocorrência na Delegacia da Mulher.
Os posts do doutor gaúcho, que é funcionário da prefeitura de Porto Alegre, circulam nas redes sociais e falam por si.
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| No post acima, Júlia defende paciente ofendido por médico paulista. O comentário despertou a ira de um médico de Porto Alegre. |
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| O médico Milton Pires e partiu para a agressão verbal: "Agora é a vez da senzala". |
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| O "receituário" do doutor: palavrões e ofensas na rede social. |
Jornalismo independente avança na web
O jornalismo, no Brasil, é notoriamente controlado por meia dúzia de grupos monocórdicos. Como tais clãs influem no direcionamento da publicidade privada e pública, os veículos independentes têm históricas dificuldades para respirar. E não são poucos os que foram, e são, asfixiados .
A Internet abriu um importante campo para a comunicação e a informação plural. Redes sociais e blogs independentes já dão valiosa contribuição ao jornalismo tanto na divulgação do contraditório quanto na publicação de opiniões e reportagens sobre temas frequentemente omitidos pela mídia dominante.
Não por acaso, essa vertente do jornalismo é fortemente combatida pelos grupos monopolistas.
Mas, aos poucos, alguma luz é lançada sobre essa penumbra.
Nos últimos meses, surgiram no Brasil iniciativas de checagem de reportagens e dados. São grupos de jornalistas experientes que montaram sites com o objetivo de passar um rigoroso scanner na veracidade do que é publicado e na legitimidade das fontes que abastecem determinadas apurações.
O crowdfunding (financiamento colaborativo) também dá bons sinais por aqui: estão disponíveis na internet várias reportagens investigativas sobre escândalos ignorados pela grande mídia por comprometer poderosos aliados dos barões da comunicação. Nesses casos, como a ação sugere, o esforço para trazer a público os assuntos "proibidos" é bancado pelos leitores através de contribuições on line.
Há poucos dias, o jornalista Gleen Greenwald lançou o site independente The Intercept Brasil, dedicado a reportagens originais sobre política, economia, questões sociais e culturais.
Greenwald detectou que há um grande interesse no jornalismo alternativo. Fato constatado até por fóruns internacionais. Há menos de três meses, a organização Repórteres Sem Fronteiras divulgou em seu relatório anual que o Brasil caiu para a 104° posição no ranking de liberdade de imprensa. Parte desse recuo foi atribuído à prática do jornalismo submetido e subjugado a uma agenda política de interesse dos grandes grupos dos "coronéis midiáticos". Em resumo: para o RSF, os veículos hegemônicos simplesmente espelham, cada um e cada qual, as opiniões e o noticiário sob o mesmo viés e coreografado viés.
Jornalista, escritor e advogado, o britânico Greenwald mora no Rio de Janeiro. Em 2013, foi ele quem tornou públicas no jornal The Guardian as denúncias de Edward Snowden sobre as operações de espionagem do programa secreto de vigilância global dos Estados Unidos. Recentemente, Greenwald desmascarou fraude em interpretação de pesquisa publicada pela Folha de São Paulo. Uma manipulação de dados depois admitida pela ombusdman do jornal.
Em seu texto de apresentação do The Intercept Brasil, Gleen Greenwald conta como vai funcionar o novo site. Leia, abaixo:
por Gleen Greenwald
Quando começamos a escrever sobre a crise política que assolou o Brasil, não tínhamos a menor ideia do impacto que isso geraria. Mas a reação foi extraordinária. Nossos artigos sobre o Brasil (em inglês e português) têm aparecido entre as matérias mais lidas do The Intercept com frequência e nosso público tem crescido rapidamente.
Ficou claro para nós que há um enorme apetite por formas alternativas de jornalismo no país. Há muito tempo, o quinto país mais populoso do mundo é dominado por um número reduzido de veículos de comunicação, dos quais a grande maioria apoiou o golpe de 1964 e os 21 anos da violenta ditadura de direita que se seguiram. Essas instituições ainda pertencem às mesmas cinco famílias extremamente ricas e poderosas que tiveram um papel central nesse período. Em um país de tamanha diversidade e pluralidade, esse monopólio resultou em um mercado de comunicação que asfixia a diversidade e a pluralidade de opiniões.
Acreditamos que a sede por um jornalismo mais independente, pluralístico e destemido vai além da crise política pela qual passa o país. Ao simplesmente ignorar grande parte da população, os grandes veículos de comunicação brasileiros mascaram os principais desafios sociais e econômicos presentes, assim como a diversidade de opiniões e movimentos existentes no país.
Mais especificamente, o grupo observou que “de forma pouco velada, a mídia nacional dominante encorajou o povo a ajudar a derrubar a Presidente Dilma Rousseff” e “os jornalistas que trabalham nesses grupos midiáticos estão evidentemente sujeitos à influência de interesses privados e partidários, e esses conflitos de interesse permanentes são obviamente prejudiciais à qualidade do jornalismo produzido.”
Embora o Brasil desfrute de um dos conjuntos de jornalistas independentes e blogueiros mais dinâmicos e talentosos do mundo, eles normalmente enfrentam uma carência no apoio institucional necessário para que se atinja um impacto social amplo.
Com o intuito de ajudar a preencher essa lacuna, anunciamos hoje o lançamento do The Intercept Brasil. Para este projeto piloto, reunimos uma excelente equipe de jornalistas e editores brasileiros (conheça nossa equipe aqui) que produzirão matérias originais sobre as questões políticas, econômicas, sociais e culturais a serem publicadas na versão em português de nosso site. Também trabalharemos com jornalistas freelance de destaque e outros veículos independentes. Além disso, vamos traduzir nossos artigos de interesse internacional para o inglês, além de publicar outras traduções de matérias do Intercept em português. Siga-nos no Facebook (aqui) e no Twitter (aqui).
Neste mês, nosso foco inicial será o julgamento e a votação final do impeachment da Presidente Dilma Rousseff no Senado Federal, assim como matérias sobre os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.
Além da publicação de conteúdo original, vamos implementar os mesmos princípios de proteção de fontes que ocupam um espaço central na missão do Intercept. As mesmas tecnologias adotadas para que nossas fontes forneçam informações confidenciais contando com a máxima proteção contra vigilância e ataques on-line (como o SecureDrop) também serão disponibilizadas para nossas fontes de informação brasileiras.
A crise política do ano passado enfatizou como a homogeneidade da mídia brasileira é uma ameaça à democracia e à liberdade de imprensa. Por ser um país vasto e diversificado, o Brasil agora ocupa um espaço importante no cenário internacional, e a maioria de seus problemas e conflitos são extremamente relevantes no âmbito internacional.
Assim, o Intercept Brasil tem dois objetivos: alavancar o reconhecimento deste país imprescindível por todo o mundo e fornecer uma plataforma para que os excelentes jornalistas e escritores brasileiros compartilhem informações essenciais com seus compatriotas sobre as questões políticas, econômicas e sociais de seu país.
VISITE THE INTERCEPT BRASIL E CONHEÇA O "SECURE DROP" UM GUIA PARA O ENVIO DE DADOS E INFORMAÇÕES AOS JORNALISTAS DO SITE. CLIQUE AQUI
terça-feira, 2 de agosto de 2016
Tire as crianças da sala. Pesquisadores descobrem o que tem dentro da cabeça do cantor Biel - acusado de assediar uma repórter - e o HuffPost Brasil publicou um resumo
por Omelete
As reproduções acima são da lata de lixo, desculpe, do twitter, de um tal de cantor Biel. Os comentários estão circulando na web (o Huff Post Brasil reuniu as pérolas).
São simples trechos do pensamento profundo do sujeito. Ele é o cara que está sendo processado sob acusação de assédio sexual a uma repórter do portal IG durante uma entrevista.
Pelas ideias sinistras aí listadas, vê-se que a repórter estava em um terreno minado.
Aparentemente, o funkeiro não está muito preocupado com um possível indiciamento. Em entrevista ao jornal O Dia, ele diz até que a justiça já mudou a acusação de assédio para injúria e dá a entender que isso seria coisa mais leve, mais tranquila e favorável. Segundo o jornal, ele pode até escapar de processo.
O fato é que rapaz está tão confiante de que não vai sobrar nada para ele que durante a festa de aniversário de uma ex-atriz da novela Malhação, onde foi uma das atrações, não hesitou em transformar em letra de funk a frase que disse à repórter durante o polêmico episódio: "tá gostosinha, te quebro no meio".
Pelada no jornal. Candidata a primeira dama, Melania Trump mostrou que sua área de segurança nacional não vai ser secreta
por Omelete
Na campanha eleitoral americana vale chute na canela.
Donald Trump já insinuou referências ao caso de Monica Lewinski, a famosa estagiária que falou no popular microfone do então presidente Bill Clinton em pleno e apropriado Salão Oval da Casa Branca. Trump pretendia atingir a adversária ao supostamente mostrar às eleitoras que Hillary Clinton não reagiu com a devida dignidade à traição.
E já se viu que alto nível não é algo que Trump vá alcançar na campanha.
Essa semana, o New York Post publicou fotos de Melania Trump pelada em um ensaio da patroa do candidato em torno de tema lésbico, material feito para a extinta revista francesa Max.
A matéria do jornal foi para os trend topics mundiais, com internautas não vendo nada demais e outros criticando o jornal.
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| Melania Trump, em 1996. Reprodução Max |
Se Trump chegar lá, a ex-modelo passará para a história como a primeira primeira dama dos Estados Unidos a mostrar a periquita em rede internacional. Jacqueline Kennedy também mostrou a área secreta em fotos de paparazzo mas na ocasião era viúva do ex-presidente Kennedy e estava casada com o milionário grego Onassis.
"Epidemia" de zika e piriri na Rio 2016 erra o alvo. Mosquito ataca em Miami e australianas passam mal (foi comida) antes de desembarcar no Rio...
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| Na capa da New York, a sátira com os mosquitos, mas... |
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| ...a zika acabou invadindo Miami. |
por Omelete
A revista The New Yorker satirizou a Rio 2016 em uma capa onde atletas correm do mosquito da zika. Merecemos. Desde que Zé Serra acabou com os mata-mosquitos, explodiram a dengue, a "chico cunha" e a zika, não há como negar.
Várias publicações alarmaram o mundo ao antecipar que durante a Olimpíada turistas e atletas seriam atacados nas ruas e nos quartos de hotéis, nas pistas, quadras, campos e piscinas. Algo como a "peste negra" retrofitada.
Alguns jornais chegaram a pedir o cancelamento dos Jogos.
Bom, até aqui, nenhum corpo foi devolvido ao seu país de origem em saco plástico preto. Vamos bater na madeira.
Houve também quem vaticinasse que uma epidemia de disenteria poderia acometer os atletas. Seria caganeira de chicote à luz do dia. E uma maré de número dois em forma de milk shake de chocolate invadiria a cidade.
Pois é, ironias acontecem. Parece mais fácil brasileiros pegarem zika em Miami nesta temporada. E o primeiro piriri foi importado.
Nessa semana, autoridade de saúde da terra do Mickey alertaram as mulheres grávidas a ficarem longe da região e especialmente de bairros turísticos onde foram detectados casos da doença. Aumentou o número de vítimas de zika picadas por mosquitos com green card. Ou seja, picadas locai e não resultantes de viagens à América Latina. Melhor a goleira da seleção americana de futebol feminino, que postou foto equipada com máscara e roupas especiais antimosquito para vir ao Rio, usar o traje no seu próprio terreiro.
Mas a ironia mais simbólica aconteceu com parte do time feminino australiano de waterpolo. Atletas passaram mal antes mesmo de chegar ao Rio. No avião, vindo de Roma, deu-se o piriri olímpico. Ao desembarcar no Galeão, pelo menos quatro meninas foram levadas para um isolamento por 48 horas. A tal epidemia de diarreia que a mídia prometeu que ia subir ao pódio da Rio 2016 começou em espaço aéreo internacional...
segunda-feira, 1 de agosto de 2016
Show de abertura das Olimpíadas terá cena em que um "menino de rua" "assalta" Gisele Bundchen no ritmo de funk carioca. É sério? É trolagem? Ou é provocação preconceituosa de coxinha da Avenida Paulista?
por Omelete
Difícil de acreditar que isso realmente vá acontecer. Mas a mídia está repercutindo uma bola fora que está para rolar na Rio 2016.
A modelo Gisele Bundchen foi convocada para participar da cerimônia de abertura das Olimpíadas, protagonizando uma "vítima de assalto". A cena prevista no roteiro não foi bem recebida pelo público presente ao ensaio, ontem, e nem por participantes do espetáculo. Há vários preconceitos embutidos na ideia, seja lá quem tenha sido o seu autor. O "assalto" acontece no momento em que o funk carioca é "homenageado". Isso quer dizer que o funk é trilha sonora de meliante? E, de quebra, estigmatiza meninos de rua. Um pivete "'ataca" Gisele enquanto ela caminha por um "calçadão". Diria que vai pegar mal até para a bela Bundchen. É fria. Pode sobrar uma vaia olímpica para ela.
O mundo está careca de saber que o Rio é um cidade, infelizmente, com altos índices de roubos e assaltos. O que não se sabe é qual a intenção dos criadores do show de abertura: fazer uma denuncia social? Não seria melhor organizar um seminário em São Paulo, na USP, para discutir o assunto?
De qualquer forma, os "geniais" criadores do quadro do "assalto" podem oferecer seu estilo engraçadinho de festejar uma abertura olímpica a outros países. Por exemplo, no Japão, fazer uma coreografia retratando o acidente nuclear de Fukushima. Nos Estados Unidos, lembrar os massacres em escolas e universidades; Em Roma, celebrar a comilança de cristãos por leões no Coliseu e bolar uma quadro sobre os assassinatos da máfia. Vai ver eles emplacam isso no exterior. Ou alguém vai botá-los pra correr rapidinho. Não se sabe se também haverá quadros no Maracanã sobre "saidinha" de banco, estupro coletivo, arrastão em túnel e explosão pirotécnica de caixa forte. E vai ficar faltando fantasiar Gisele de vítima de zika.
Melhor pensar que isso foi apenas uma trolagem no ensaio e que não fará parte do show.
E a perguntinha que não quer calar: terá sido um carioca traíra que bolou isso ou um gênio importado pelo Comitê Olímpico do Brasil?
ATUALIZAÇÃO em 2/8/2016 - Diante das reações negativas e das manifestações indignadas dos cariocas nas redes sociais, o tal quadro teria sido cancelado pelos organizadores. O italiano Andrea Vanier, da empresa ironicamente chamada de "Cerimônias Cariocas", responsável pelo evento, não comentou a polêmica. O cineasta Fernando Meireles, um dos diretores do show, criticou quem divulgou a suposta cena do assalto e, na opinião dele, estragou a festa.
Circulou na internet uma argumentação de quem defende a cena. Diz-de que o "assaltante" não é "assaltante", mas um "ambulante" que é perseguido pela polícia e protegido por Gisele Bundchen.
Se for isso, a cena é também meio repetitiva. Em 2002, em Londres, no show de encerramento dos jogos e na apresentação do Brasil como a sede de 2016, o gari Renato Sorriso entra no palco sambando em câmara lenta e é repreendido por um segurança que tenta tirá-lo de cena. A modelo da vez era a Alessandra Ambrósio.
Difícil de acreditar que isso realmente vá acontecer. Mas a mídia está repercutindo uma bola fora que está para rolar na Rio 2016.
A modelo Gisele Bundchen foi convocada para participar da cerimônia de abertura das Olimpíadas, protagonizando uma "vítima de assalto". A cena prevista no roteiro não foi bem recebida pelo público presente ao ensaio, ontem, e nem por participantes do espetáculo. Há vários preconceitos embutidos na ideia, seja lá quem tenha sido o seu autor. O "assalto" acontece no momento em que o funk carioca é "homenageado". Isso quer dizer que o funk é trilha sonora de meliante? E, de quebra, estigmatiza meninos de rua. Um pivete "'ataca" Gisele enquanto ela caminha por um "calçadão". Diria que vai pegar mal até para a bela Bundchen. É fria. Pode sobrar uma vaia olímpica para ela.
O mundo está careca de saber que o Rio é um cidade, infelizmente, com altos índices de roubos e assaltos. O que não se sabe é qual a intenção dos criadores do show de abertura: fazer uma denuncia social? Não seria melhor organizar um seminário em São Paulo, na USP, para discutir o assunto?
De qualquer forma, os "geniais" criadores do quadro do "assalto" podem oferecer seu estilo engraçadinho de festejar uma abertura olímpica a outros países. Por exemplo, no Japão, fazer uma coreografia retratando o acidente nuclear de Fukushima. Nos Estados Unidos, lembrar os massacres em escolas e universidades; Em Roma, celebrar a comilança de cristãos por leões no Coliseu e bolar uma quadro sobre os assassinatos da máfia. Vai ver eles emplacam isso no exterior. Ou alguém vai botá-los pra correr rapidinho. Não se sabe se também haverá quadros no Maracanã sobre "saidinha" de banco, estupro coletivo, arrastão em túnel e explosão pirotécnica de caixa forte. E vai ficar faltando fantasiar Gisele de vítima de zika.
Melhor pensar que isso foi apenas uma trolagem no ensaio e que não fará parte do show.
E a perguntinha que não quer calar: terá sido um carioca traíra que bolou isso ou um gênio importado pelo Comitê Olímpico do Brasil?
ATUALIZAÇÃO em 2/8/2016 - Diante das reações negativas e das manifestações indignadas dos cariocas nas redes sociais, o tal quadro teria sido cancelado pelos organizadores. O italiano Andrea Vanier, da empresa ironicamente chamada de "Cerimônias Cariocas", responsável pelo evento, não comentou a polêmica. O cineasta Fernando Meireles, um dos diretores do show, criticou quem divulgou a suposta cena do assalto e, na opinião dele, estragou a festa.
Circulou na internet uma argumentação de quem defende a cena. Diz-de que o "assaltante" não é "assaltante", mas um "ambulante" que é perseguido pela polícia e protegido por Gisele Bundchen.
Se for isso, a cena é também meio repetitiva. Em 2002, em Londres, no show de encerramento dos jogos e na apresentação do Brasil como a sede de 2016, o gari Renato Sorriso entra no palco sambando em câmara lenta e é repreendido por um segurança que tenta tirá-lo de cena. A modelo da vez era a Alessandra Ambrósio.
Há 16 anos foi decretada a falência da Bloch Editores...
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| O prédio, assinado por Oscar Niemeyer, que sediou as revistas da extinta Bloch, na Rua do Russell. |
Um drama na época, um drama em curso até hoje.
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| Em 2012, uma comissão de ex-funcionários da Bloch foi recebida pela Juíza Maria da Penha Nobre Mauro, da 5ª Vara Empresarial, e pelo então Promotor do MP, Luiz Roldão de Freitas. |
Em 2012, como evidência de um tratamento respeitoso e ético, a Juíza Maria da Penha e o então Promotor do Ministério Público, Luiz Roldão de Freitas, receberam representantes dos ex-funcionários, entre os quais Murilo Melo Filho, José Carlos Jesus (presidente da CEEBE), José Alan Leo Caruso, Roberto Muggiati, Jileno Dias, Arminda de Oliveira Faria, Zilda Ferreira, Genilda Tuppini, e o presidente do Sindicato dos Gráficos do Rio de Janeiro, Jurandir Calixto Gomes.
Em 16 anos, o pagamento dos valores principais de indenização à maioria dos credores trabalhistas foi uma das operações efetivadas pela Massa Falida da Bloch Editores, assim como pagamento de algumas parcelas da correção monetária, restando, atualmente, pendências da quitação correspondente à referida CM.
Em paralelo, a CEEBE tem a lamentar certos ganhos por parte dos representantes da extinta empresa (caso do destino das obras de Arte que integravam o Museu Manchete) e a resistência do atual síndico no que diz respeito ao pagamento dos resíduos da correção monetária devida aos credores trabalhistas cujos processos foram concluídos.
Na caso das obras de arte, o acervo que pertencia ao Museu Manchete acabou dividido entre a Massa Falida e os herdeiros de Adolpho Bloch e aguarda leilão público.
Quanto à quitação da correção monetária devida aos ex-empregados, alega-se, como obstáculo, que alguns ex-funcionários ainda não receberam o valor principal das suas demandas. A CEEBE tentou, em vão, obter a informação exata de quantos processos aguardam habilitação. Há cerca de três anos, seriam apenas 100 processo inconclusos. No momento, a atualização dessa informação é negada aos credores trabalhistas. Essa centena ou, talvez, menos, de processos seria a razão apontada para impossibilitar o pagamento de mais uma parcela da correção das indenizações a cerca de 3 mil habilitados e suas famílias ou herdeiros.
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| Reunião da CEEBE no Sindicato dos Jornalistas. À mesa, dirigindo os trabalhos, Nilton Rechtman, José Carlos Jesus e Jileno Sandes |
É vaga, igualmente, ou, pelo menos, não é esclarecida, segundo a CEEBE, a situação dos alugueis de um grande prédio, em São Paulo, pertencente à Massa Falida da Bloch Editores, que, se quitados, viabilizariam o pagamento devido aos sacrificados credores trabalhistas.
Os ex-empregados da Bloch, que se reúnem periodicamente no auditório do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro, demonstram não perder o espírito de luta, muito menos a esperança e a confiança na Justiça.
Mas a incerteza estará presente ao longo deste dia 1° de agosto de tristes lembranças.
Foi há 16 anos...
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| Ex-funcionários da Bloch Editores reunidos em assembleia no Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ). |
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