sexta-feira, 4 de junho de 2021

Recordando Nelson Rodrigues e o que a Bela da Tarde tem a ver com a Dama do Lotação

por Ed Sá 

Imagine o sujeito, o Nelson Rodrigues, um jornalista naquelas redações sórdidas, fumacentas e barulhentas dos anos 50, produzindo uma coluna por dia para o jornal do Samuel Wainer ao longo de onze anos. Uma tarde ele senta à máquina mal humorado, com dor-de-barriga, endividado, o telefone não para de tocar, a mulher liga de casa, problemas com as crianças, e de repente escreve esta obra-prima que só poderia ter saído da sua cabeça...

Pois desse caos nasceu A Dama do Lotação, da coluna A Vida Como Ela É, de Nelson Rodrigues, no Última Hora carioca (nos anos 1970, a Fatos & Fotos republicou muitos contos do escritor dos tempos da UH). A Dama do Lotação virou filme em 1978. Dirigido por Neville de Almeida, e é um dos recordistas de público de todas as épocas do cinema brasileiro. Sonia Braga foi a protagonista no papel de Solange, a mulher casada que nas tardes cariocas embarca em lotações apenas em busca de parceiros para um desembarque rápido em paradas de sexo sem compromisso. 

Filmado há 55 anos, quase uma década depois de Nelson Rodrigues criar sua fogosa Solange, A Bela da Tarde estreou nos cinema em 1967 com a recém-casada Séverine, interpretada por Catherine Deneuve, também aprisionada por desejos sexuais mal resolvidos, e que decide se tornar uma prostituta "temporária" que dá expediente em um bordel de Paris.

Belle de Jour foi dirigido por Luís Buñue. O diretor espanhol também assinou o roteiro, em parceria com Jean-Claude Carrière, inspirado em um romance de Joseph Kessel, escrito em 1928.

Felizes coincidência literárias e cinematográficas. 

Uma diferença é que Nelson criou Solange do calorão da redação da Última Hora respirando cigarros Continental, para os mais abonados, ou Senador para o pessoal que estava na pior. Já Kessel imaginou Séverine ao caminhar bordes de la Seine, onde ficavam muitos... bordeis do começo do século passado. Outra é que a sensualidade da belíssima Catherine Deneuve é um macio magret de canard enquanto o fogo de Sonia Braga é feijoada "estupidamente quente" e com pimenta. Duas musas, dois estilos, dois clássicos.  

A DAMA DO LOTAÇÃO - CONTO DE NELSON RODRIGUES

Às dez horas da noite, debaixo de chuva, Carlinhos foi bater na casa do pai. O velho, que andava com a pressão baixa, ruim de saúde como o diabo, tomou um susto:

— Você aqui? A essa hora?

E ele, desabando na poltrona, com profundíssimo suspiro:

— Pois é, meu pai, pois é!

— Como vai Solange? – perguntou o dono da casa. Carlinhos ergueu-se; foi até a janela espiar o jardim pelo vidro. Depois voltou e, sentando-se de novo, larga a bomba:

— Meu pai, desconfio de minha mulher.

Pânico do velho:

— De Solange? Mas você está maluco? Que cretinice é essa?

O filho riu, amargo:

— Antes fosse, meu pai, antes fosse cretinice. Mas o diabo é que andei sabendo de umas coisas… E ela não é a mesma, mudou muito.

Então, o velho, que adorava a nora, que a colocava acima de qualquer dúvida, de qualquer suspeita, teve uma explosão:

— Brigo com você! Rompo! Não te dou nem mais um tostão!

Patético, abrindo os braços aos céus, trovejou:

— Imagine! Duvidar de Solange!

O filho já estava na porta, pronto para sair; disse ainda:

— Se for verdade o que eu desconfio, meu pai, mato minha mulher! Pela luz que me alumia, eu mato, meu pai!

A SUSPEITA

Casados há dois anos, eram felicíssimos. Ambos de ótima família. O pai dele, viúvo e general, em vésperas de aposentadoria, tinha uma dignidade de estátua; na família de Solange havia de tudo: médicos, advogados, banqueiros e, até, ministro de Estado. Dela mesma, se dizia, em toda parte, que era “um amor”; os mais entusiastas e taxativos afirmavam: “É um doce-de-coco”. Sugeria nos gestos e mesmo na figura fina e frágil qualquer coisa de extraterreno. O velho e diabético general poderia pôr a mão no fogo pela nora. Qualquer um faria o mesmo. E todavia… Nessa mesma noite, do aguaceiro, coincidiu de ir jantar com o casal um amigo de infância de ambos, o Assunção. Era desses amigos que entram pela cozinha, que invadem os quartos, numa intimidade absoluta. No meio do jantar, acontece uma pequena fatalidade: cai o guardanapo de Carlinhos. Este curva-se para apanhá-lo e, então, vê, debaixo da mesa, apenas isto: os pés de Solange por cima dos de Assunção ou vice-versa. Carlinhos apanhou o guardanapo e continuou a conversa, a três. Mas já não era o mesmo. Fez a exclamação interior: “Ora essa! Que graça!”. A angústia se antecipou ao raciocínio. E ele já sofria antes mesmo de criar a suspeita, de formulá-la. O que vira, afinal, parecia pouco, Todavia, essa mistura de pés, de sapatos, o amargurou como um contato asqueroso. Depois que o amigo saiu, correra à casa do pai para o primeiro desabafo. No dia seguinte, pela manhã, o velho foi procurar o filho:

— Conta o que houve, direitinho!

O filho contou. Então o general fez um escândalo:

— Toma jeito! Tenha vergonha! Tamanho homem com essas bobagens!

Foi um verdadeiro sermão. Para libertar o rapaz da obsessão, o militar condescendeu em fazer confidências:

— Meu filho, esse negócio de ciúme é uma calamidade! Basta dizer o seguinte: eu tive ciúmes de tua mãe! Houve um momento em que eu apostava a minha cabeça que ela me traia! Vê se é possível?!

A CERTEZA

Entretanto, a certeza de Carlinhos já não dependia de fatos objetivos. Instalara-se nele. Vira o quê? Talvez muito pouco; ou seja, uma posse recíproca de pés, debaixo da mesa. Ninguém trai com os pés, evidentemente. Mas de qualquer maneira ele estava “certo”. Três dias depois, há o encontro acidental com o Assunção, na cidade. O amigo anuncia, alegremente:

— Ontem viajei no lotação com tua mulher.

Mentiu sem motivo:

— Ela me disse.

Em casa, depois do beijo na face, perguntou:

— Tens visto o Assunção?

E ela, passando verniz nas unhas:

— Nunca mais.

— Nem ontem?

— Nem ontem. E por que ontem?

— Nada,

Carlinhos não disse mais uma palavra; lívido, foi no gabinete, apanhou o revólver e o embolsou. Solange mentira! Viu, no fato, um sintoma a mais de infidelidade. A adúltera precisa até mesmo das mentiras desnecessárias. Voltou para a sala; disse à mulher entrando no gabinete:

— Vem cá um instantinho, Solange.

— Vou já, meu filho.

Berrou:

— Agora!

Solange, espantada, atendeu. Assim que ela entrou, Carlinhos fechou a porta, a chave. E mais: pôs o revólver em cima da mesa. Então, cruzando os braços, diante da mulher atônita, disse-lhe horrores. Mas não elevou a voz, nem fez gestos:

— Não adianta negar! Eu sei de tudo! E ela, encostada à parede, perguntava:

— Sabe de que, criatura? Que negócio é esse? Ora veja!

Gritou-lhe no rosto três vezes a palavra cínica! Mentiu que a fizera seguir por um detetive particular; que todos os seus passos eram espionados religiosamente. Até então não nomeara o amante, como se soubesse tudo, menos a identidade do canalha. Só no fim, apanhando o revolver, completou:

— Vou matar esse cachorro do Assunção! Acabar com a raça dele!

A mulher, até então passiva e apenas espantada, atracou-se com o marido, gritando:

— Não, ele não!

Agarrado pela mulher, quis se desprender, num repelão selvagem. Mas ela o imobilizou, com o grito:

— Ele não foi o único! Há outros!

A DAMA DO LOTAÇÃO

Sem excitação, numa calma intensa, foi contando. Um mês depois do casamento, todas as tardes, saia de casa, apanhava o primeiro lotação que passasse. Sentava-se num banco, ao lado de um cavalheiro. Podia ser velho, moço, feio ou bonito; e uma vez – foi até interessante – coincidiu que seu companheiro fosse um mecânico, de macacão azul, que saltaria pouco adiante. O marido, prostrado na cadeira, a cabeça entre as mãos, fez a pergunta pânica:

— Um mecânico?

Solange, na sua maneira objetiva e casta, confirmou:

— Sim.

Mecânico e desconhecido: duas esquinas depois, já cutucara o rapaz: “Eu desço contigo”. O pobre-diabo tivera medo dessa desconhecida linda e granfa. Saltaram juntos: e esta aventura inverossímil foi a primeira, o ponto de partida para muitas outras. No fim de certo tempo, já os motoristas dos lotações a identificavam à distância; e houve um que fingiu um enguiço, para acompanhá-la. Mas esses anônimos, que passavam sem deixar vestígios, amarguravam menos o marido. Ele se enfurecia, na cadeira, com os conhecidos. Além do Assunção, quem mais?

Começou a relação de nomes: fulano, sicrano, beltrano… Carlinhos berrou: “Basta! Chega!”. Em voz alta, fez o exagero melancólico:

— A metade do Rio de Janeiro, sim senhor!

O furor extinguira-se nele. Se fosse um único, se fosse apenas o Assunção, mas eram tantos! Afinal, não poderia sair, pela cidade, caçando os amantes. Ela explicou ainda que, todos os dias, quase com hora marcada, precisava escapar de casa, embarcar no primeiro lotação. O marido a olhava, pasmo de a ver linda, intacta, imaculada. Como e possível que certos sentimentos e atos não exalem mau cheiro? Solange agarrou-se a ele, balbuciava: “Não sou culpada! Não tenho culpa!”. E, de fato, havia, no mais íntimo de sua alma, uma inocência infinita. Dir-se-ia que era outra que se entregava e não ela mesma. Súbito, o marido passa-lhe a mão pelos quadris: — “Sem calça! Deu agora para andar sem calça, sua égua!”. Empurrou-a com um palavrão; passou pela mulher a caminho do quarto; parou, na porta, para dizer:

— Morri para o mundo.

O DEFUNTO

Entrou no quarto, deitou-se na cama, vestido, de paletó, colarinho, gravata, sapatos. Uniu bem os pés; entrelaçou as mãos, na altura do peito; e assim ficou. Pouco depois, a mulher surgiu na porta. Durante alguns momentos esteve imóvel e muda, numa contemplação maravilhada. Acabou murmurando:

— O jantar está na mesa.

Ele, sem se mexer, respondeu:

— Pela ultima vez: morri. Estou morto.

A outra não insistiu. Deixou o quarto, foi dizer à empregada que tirasse a mesa e que não faziam mais as refeições em casa. Em seguida, voltou para o quarto e lá ficou. Apanhou um rosário, sentou-se perto da cama: aceitava a morte do marido como tal; e foi como viúva que rezou. Depois do que ela própria fazia nos lotações, nada mais a espantava. Passou a noite fazendo quarto. No dia seguinte, a mesma cena. E só saiu, à tarde, para sua escapada delirante, de lotação. Regressou horas depois. Retomou o rosário, sentou-se e continuou o velório do marido vivo.

 


na VOGUE: Malala bebela...

 



"QUE TODA MENINA QUE VEJA ESSA CAPA SAIBA QUE PODE MUDAR O MUNDO"

(Malala Yousafzai foi baleada na cabeça por terroristas do Talibã, em 2012. Ela tinha na época apenas 15 anos. Seu "crime": protestar contra a proibição de estudos para mulheres em Mingora (Paquistão), cidade dominada por talibãs. Ela se recuperou após cirurgia no Reino Unido. Em 2014 ganhou o Prêmio Nobel da Paz. Mora atualmente em Birmingham, onde formou-se em Filosofia. Na entrevista à Vogue de julho ela diz não saber se volta a viver no Paquistão. "Onde vou morar agora? Devo continuar morando no Reino Unido ou devo me mudar para o Paquistão ou outro país?"

quarta-feira, 2 de junho de 2021

150 mil camisinhas olímpicas para os atletas... Tóquio vai tremer à noite



Olympic Village: centro de convivência e parte das instalações para atletas.
Fotos Japanese Olympic Committee

por Niko Bolontrin

A Olimpíada de Tóquio deverá receber 11 mil atletas de 205 nações. Ou um pouco menos. Até a abertura, em 23 de julho, alguns países estarão observando a situação da pandemia no Japão e é possível que desistam ou reduzam delegações. Apesar disso, o Comitê Olímpico local está trabalhando para fazer desses jogos com protocolos especiais um sucesso possível. 

Até mesmo no item sexo 

Sabe-se que os jovens atletas carregam nos corpos uma sopa de testosterona. Daí, os organizadores distribuirão 150 mil camisinhas aos competidores hospedados da Vila Olímpica. Cada um receberá em torno de 13 camisinhas. Diante das tradições noturnas nos alojamentos, esse é um procedimento que se repete a cada edição dos Jogos de Verão e de Inverno. Ao mesmo tempo, estarão em vigor normas rígidas que determinam que os atletas devem manter distância de dois metros, evitar cumprimentos, beijos e abraços. Há quem critique o Comitê e alegue que a avalanche de camisinhas gratuitas envia uma mensagem contraditória: a função básica dos preservativos não combina com o distancimento.  De qualquer forma, impedir que a Cidade Olímpica trepide à noite é tarefa difícil para os chefes das delegações. 

Um adendo: Tóquio apresenta números conservadores. Em 2016, nos Jogos do Rio, foram distribuídas 450 mil camisinhas. Três vezes mais do que na Olimpíada de Londres 2012 e o triplo do que a Terra do Sol Nascente oferecerá aos atletas e técnicos.

The Sun, hoje

 


segunda-feira, 31 de maio de 2021

As balas do Recife: uma foto, dois dramas


Uma das imagens mais impressionantes do 29M, o dia de protestos ela vida e contra o governo de Jair Bolsonaro: Daniel Silva não participava da manifestação - e mesmo que participasse - foi vítima da violência policial.  Ele é adesivador de carros e estava no centro de Recife para comprar material de trabalho. A foto é de Hugo Muniz e foi publicada pela Ponte.org que você pode acessar neste link para ver a matéria completa (https://ponte.org/homem-perde-o-olho-apos-ser-baleado-pela-pm-do-pe/ )

por Pedro Juan Bettencourt

Rembrandt perdeu os dentes por causa das balas do Recife, eram açucaradas demais... Hoje, pacatos cidadãos recifenses estão perdendo os olhos por causa das balas ‘de efeito moral’ atiradas em partes vitais do corpo pela truculenta PM local. 

Mato a cobra e mostro o pau, veja trecho do artigo do escritor e jornalista Leonardo Padura:

“Os comerciantes holandeses, entre os quais havia vários dos judeus de Amsterdã (os mesmos que fundaram a sinagoga), que fizeram grandes fortunas no século 17, foram os principais introdutores do produto na Europa. E um de seus destinos foi Amsterdã, onde floresceram várias refinarias que se encarregavam de processar os melados pernambucanos para obter açúcar –e balas. Aquelas balas, que costumavam ter forma cônica, causaram furor na Amsterdã burguesa da época, e dizem que era frequente ver os moradores da cidade andando pelas ruas saboreando a novidade doce.”

Link do Blog no Magno, para ler o artigo todo, uma joia . 

https://blogdomagno.com.br/ver_post.php?id=151453

A Copa América vale a Taça Cloroquina - Quem disse que o vírus não é uma bola?


O Artigo 2 do Capítulo 1 da Carta Olímpica não podia ser mais claro: 

"A missão do Comitê Olímpico Internacional é promover o Olimpismo pelo mundo e liderar o Movimento Olímpico. Isso inclui a poiar a ética no desporto, encorajar a participação esportiva, assegurar a realização dos Jogos Olímpicos de acordo com a agenda determinada, liderar a luta contra o doping, se opor a abusos políticos e comerciais sobre os atletas, promover um bom legado para as cidades-sede dos Jogos, proteger o Movimento Olímpico, além de apoiar o desenvolvimento do esporte.

E mesmo assim o COI insiste em realizar os Jogos Olímpicos de Tóquio. Isso apesar do rítmo lento de vacinação no país e de a população indicar rejeição ao evento. No começo do ano, pesquisa realizada pela agência NHK apontou que 80% dois entrevistados eram contrários aos Jogos. Há dois meses, o número apurado pelo Kyoto News baixou para 72%, configurando ainda maioria.  

O Brasil vai na onda do COI.

Depois de Argentina e Colômbia desistirem de sediar a Copa América, o Brasil foi surpreendido hoje com uma decisão da Conmebol e da CBF, com o apoio de Jair Bolsonaro: "É nois". Isso mesmo, a Copa América, que começa no dia 13 de junho, é aqui. 

As cidades que receberão os jogos ainda não foram definidas. Sabe-se que Brasília será uma delas. O twitter registra muitas opiniões contrárias ao Brasil receber o torneio no momento em que é alto o número de mortos pela Covid-19 e paira no ar a ameaça de nova onda de contaminações. É possível que haja a presença de público nas finais, os tais "convidados".  Uma sugestão à CBF - que pode funcionar como uma "homenagem" ao governo brasileiro que  topou receber a Copa América  - é instituir a Taça Cloroquina para o vencedor. 

Um tuiteiro ironizou sobre a escolha dos locais das partidas. Veja: 

domingo, 30 de maio de 2021

Maurice Capovilla (1936-2021): "Vou sentir saudades mas devo um grande abraço a todos vocês que me acompanharam"



Maurice Capovilla - Foto de Lino Rodrigues - Manchete

Maurice Capovilla chegou ao cinema pelos caminhos do jornalismo. Mais precisamente como crítico de filmes. Nesse campo, passou da revista Brasiliense para a Manchete, nos anos 60/70. Capô, como os amigos o chamavam, morreu ontem, aos 85 anos, em casa, no Rio. Nos últimos anos, sofria do Mal de Alzheimer. Cineasta, ator, roteirista e produtor, ele voltou à Rua do Russell nos anos 80, então para a Rede Manchete, onde dirigiu musicais e documentários.

Na sua filmografia, destacam-se Noites de Iemanjá, O Profeta da Fome, O Bandido da Luz Vermelha, Bebel, Garota Propaganda, Brasil Verdade, Os Subterrâneos do Futebol  e Lance Maior. 

Na TV, dirigiu novelas para a Globo, além do Globo Repórter. Na Rede Manchete teve a oportunidade de diversificar seus projetos, dirigir musicais e até um inovador programa esportivo - A Escolinha de Zico -, documentários e jornalísticos. Levaram sua assinatura programas como um especial sobre Oscar Niemeyer, as minisséries documentais Viagens às terras de Portugal e Os brasileiros – Retrato falado de um povo.

A EMOCIONANTE DESPEDIDA

No dia 20 de fevereiro, o próprio Capovilla postou no Facebook uma mensagem de despedida.
Reprodução Facebook

Mídia - A manifestação que o Brasil viu e a maioria dos jornais não destacou


 Entre os grandes jornais brasileiros, apenas a Folha de São Paulo destacou na primeira página do impresso as manifestações de ontem contra Jair Bolsonaro. Foto na capa, título principal e espaço nas páginas internas deram uma dimensão do protesto maior do que a concorrência. Mas a cobertura livre e efetiva foi mesmo a das redes sociais. Embora ainda com forte poder de moldar opiniões, a grande mídia já não demonstra a capacidade de "esconder" ou minimizar uma notícia por motivos ideológicos. As redes entregam o fato, e, pela capilaridade natural e extraordinária chegam em tempo real  a detalhes ilustrados com fotos e vídeos dos mais diversos cantos do país, algo praticamente impossível para as reduzidas equipes jornalísticas. 

Foi assim com a vereadora Liane Cirne, do PT de Recife, agredida com gás de pimenta quando pedia a identificação dos PMs. A vereadora desmaiou. Ela tentava impedir que os policiais atacassem a multidão que protestava pacificamente. E assim aconteceu também com o homem que estava trabalhando e não participava da manifestação e foi atingido por bala de borracha. A brutalidade custou um olho da vítima. Em cidades do interior, como Juazeiro do Norte, as redes registraram a intimidação da PM aos manifestantes e até ao motorista de um carro de som que se retirou do protesto.

As oligarquias parecem ter focalizado o grande protesto nacional e internacional com as eleições de 2021 no radar. A depender da evolução das candidaturas e se Lula realmente tiver o nome na urna (muita coisa vai acontecer até lá, incluindo pressão sobre o Judiciário) os barões da mídia vão de Bolsonaro. O grande troféu das elites empresariais desde o golpe que derrubou Dilma foi a escalada do neoliberalismo selvagem. E Paulo Guedes, o "ás" desse jogo, continuará na mesa. Daí, é esse o trunfo a ser preservado mesmo que custe engolir as pautas de costumes dos milicianos, o desastre ambiental, a já folclórica incompetência administrativa na saúde, educação, cultura. Na visão gananciosa dos neoliberais nada disso compete com as privatizações, reformas, mais transferência de renda dos mais pobres para os mais ricos e do Estado para as corporações.

O Brasil sofre com milhões de desempregados, com uma inflação real, a do supermercado, absurda, com os preços do gás e da energia elétrica na estratosfera, e ontem comentaristas de economia dos canais por assinatura comemoraram o recorde da Bolsa de Valores de São Paulo com a vibração de um gol em final de Copa. Por tudo isso, eles saberão em quem votar em 2022. Se o "sapo barbudo" continuar pulando fora da lagoa e nas pesquisas, vão, como bem dizia o Brizola, "costear a alambrado" do Planalto.

sábado, 29 de maio de 2021

No mundo...

Na rua...

Hoje - Brasil nas ruas pela vida. Com máscaras e coragem

 







Reproduções Twitter

Repressão violenta em várias cidades. Manifestantes pacíficos atacados. Como em Recife. governador de Pernambuco, Paulo Câmara, apura o nome dos policiais envolvidos nos ataques. A questão é: Governadores ainda controlam PMs do ponto de vista democrático ou tais forças estão a serviço de um projeto neofascista?  

Urucubaca na cabeça...

 por O.V. Pochê




Reproduções Manchete

Sarney nunca botou um cocar na cabeça. E a presidência caiu no bigode do sujeito. 

Tancredo, coitado, apesar de eleito pela colégio eleitoral da ditadura após o golpe nas Diretas Já, não chegou ao Planalto. Desafiou a lenda e botou o cocar. 

Ulysses Guimarães poderia ter assumido, mas o cocar não deixou. O político ainda teve ainda o brilho na Constituinte. Morreu tragicamente. 

Dilma usou o adereço tribal. Deu no que deu. 

Lula, nos anos 90, posou de cocar. Perdeu sucessivas eleições. Voltou a posar de índio depois de eleito e reeleito. Deu pena, literalmente. Encarou o mensalão seguido da Lava Jato. Por enquanto está anistiado pelos pajés desde que tenha aprendido a lição. 

O problema não está exatamente no cocar. E antes que alguém fale em preconceito contra culturas, a superstição existe até mesmo nas tribos. Conta a tradição que o que explica o uruca é o status das penas. Se a ave que as cedeu já tiver morrido, danou-se.  

Bolsonaro aderiu ao cocar. Não há informação sobre a ave que era dona das penas.  Talvez tenha morrido por falta de vacina.

O que La Bodeguita del Medio, em Havana, tem a ver com La Fiorentina, no Rio?

O berço dos mojitos em Havana Vieja

O mural de assinaturas, antes da reforma e...

...depois do desastre cultural. Fotos Diário de Cuba 

Em abril de 2022, La Bodeguita del Medio vai comemorar 80 anos. 

Mas querem botar água no mojito. 

Um dos dois bares e restaurantes de Havana que Ernest Hemingway tornou famoso em todo o mundo (o outro é a Floridita, onde há uma estátua do escritor) enfrenta uma grave crise. E não tem a ver diretamente com a pandemia ou só em parte o vírus interferiu. Com a queda do movimento, a gerência da casa resolveu reformar o lugar. Havia infiltração nas paredes e no teto, desgaste da estrutura, encanamentos e rede elétrica. Intelectuais e boêmios de Cuba estão indignados com a gerência da casa e com a Comissão de Monumentos de Cuba. A reforma descaracterizou o famoso ponto da Rua Empedrado, na Havana Vieja. "Um crime", é o mínimo que dizem. Com autorização do órgão do governo, o gerente passou uma mão de tinta sobre as centenas de assinaturas e mensagens deixadas nas paredes pelas várias gerações de frequentadores, muitos deles famosos.  Nat King Cole, Fidel Castro, Xavier Cugat, Pablo Neruda, Agustín Lara, Cantinflas, Salvador Allende, Errol Flyn deixaram lá seus recados. Hemingway escreveu: ""Mi mojito en La Bodeguita, mi daiquirí en El Floridita". 

"Acabou magia", lamentam os cubanos. A direção do Bodeguita Del Medio alega que todas as fotos dos anos 40, 50 e 60 que também decoravam as paredes foram mantidas, assim como os livros com as assinaturas. 

La Fiorentina, no Leme

E as assinaturas e mensagens tradicionais. Reproduções Facebook

Por coincidência, um restaurante carioca que também exibe assinaturas famosas nas colunas, está sob risco. Por conta da pandemia e de dívidas (o imóvel é objeto de disputa judicial), La Fiorentina, no Leme, Zona Sul do Rio, fechou as portas. Inaugurado em 1957, era point de jornalistas e artistas. Suas meses receberam Maysa Matarazzo, Jorge Dória, Jece Valadão, Agildo Ribeiro, Vera Vianna, Anselmo Duarte e tantos outros.  Em visitas ao Rio, nomes como Rita Hayworth, Rock Hudson, Kim Novak, Marisa Berenson, Margaux Hemingway, Rudolf Nureyev, Jean-Paul Belmondo, Gina Lollobrigida e Claudia Cardinale passaram por lá. Tempos em que Hollywood e Cinecittá eram aqui. Ou melhor, ali no Leme.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Você já foi penetra nessas casas...

por Ed Sá

A cenografia digital revolucionou o cinema. Os computadores são capazes de criar praticamente todos os elementos de um filme. Casas, mansões e palácios, por exemplo. Mas isso não quer dizer que todos os diretores aderiram ao design cenográfico. Muitos saem a caça de locações reais, ainda seguindo a prática dos cineastas do século passado. Casas que foram cenários de filmes clássicos ou de grande sucesso e se tornaram cults. Algumas até hoje incluídas em roteiros turísticos. E, de tempos em tempos, algumas dessas referências cinematográficas voltam ao mercado imobiliário dos milhões de dólares.

Relembre protagonistas arquitetônicas inesquecíveis. 

No filme Batman, de 1989, essa é a casa da família Wayne, do bilionário Bruce Wayne. Longe de Hollywood, fica em Londres. É a Knebworth House, residência em estilo gótico
bem próprio de Gotham City.  



Casa de Dublê de Corpo, de Brian de Palma. Foi projetada em 1960, é atração em Los Angeles, conhecida como Casa Chermosphere e chama atenção por sua geometria circular. 

Você viu essa casa no filme Flores Raras. Era o cenário das personagens Elizabeth Bishop e Lota Macedo Soares. Na vida real era o residência de Edmundo Cavanelas. Fica em Pedro do Rio,
projeto de Oscar Niemeyer. 



Lembrou do Scarface? Essa mansão, em Miami, foi o lar de Tony Montana. Miami, na tela. A casa fica, na verdade, em Montecito, na Califórnia. Conhecida como El Fureidis, era a sede de
uma antiga fazenda.



A Villa Malaparte, em Capri. No filme de Goddard, O Desprezo, Brigitte Bardot tomou sol no terraço. 

Parte do filme O Quatrilho foi filmado nessa casa. Fica em Bento Gonçalves e é atualmente
a sede de uma vinícola.

Essa é a única casa-cenário desse post. Foi construída em Nice para o filme Meu Tio, de Jacques Tati, de 1958. Tati a usou para representar a modernidade que assolava a França no pós-guerra. Entra nessa lista porque foi baseada em uma casa verdadeira, a Villa Savoye, projetada por Le Corbusier, em 1928,
nos arredores de Poissy.   

Essa casa , na Gávea, Rio, hoje sede do Instituto Moreira Salles, foi cenário do documentário Santiago, de João Moreira Salles. Foi projetada por Olavo Redig de Campos em 1948. 
A Noviça Rebelde foi babá nessa casa em Salzburgo


E essa? Lembra. Uma dica: Cary Grant escalou esses telhados. Isso mesmo, Ladrão de Casaca foi filmado aí, na Riviera Francesa

Nelson Sargento na Revista Família Tupi - a última exclusiva...



Clique 2x nas imagens para ampliar. 

David Junior entrevistou, Alex Ferro fotografou, a Revista Família Tupi publicou. Com muita honra. Nessa bela matéria, Nelson Sargento revelou que aos 96 anos não contava o tempo, mas os projetos que ainda desejava colocar em prática. 

Em setembro do ano passado, ele foi fotografado em casa, poucas vezes abriu seu espaço mais pessoal.  A equipe testada e seguindo rigorosamente todos os protocolos, mantendo distância, e ele resguardado, cuidando-se, tirou a máscara apenas por breves segundo na hora no clique. Reclamou da quarentena. "Tenho que ficar aqui dentro de casa, esperando o que Deus quiser. Vou preenchendo o tempo, fazendo o que gosto e aguardando. Já fiz até umas lives". 

Meses depois, embora vacinado com duas doses, não foi poupado pela Covid-19. 

O genial cantor e compositor cumpriu sua trajetória e deixa os projetos que prometeu. O talento do baluarte da Mangueira não vai embora. Além do patrimônio musical já conhecido, ficam 40 letras inéditas em parceria com o amigo Agenor de Oliveira. Material que seria - ou será - selecionado para o "9.7", o álbum que comemoraria seus 97 anos e que, agora, certamente festejará sua eternidade. 

terça-feira, 25 de maio de 2021

A noite em que estraçalhei o Corvo no pingue-pongue • Por Roberto Muggiati


"Golpes de mestre" contra o golpista renitente. Foto Arquivo Nacional

Além do lendário Repórter Esso, e do Prêmio Esso de Reportagem, a multinacional do petróleo sustentou por poucos anos um projeto louvável: trazia para estagiarem em jornais cariocas jovens jornalistas das dez principais capitais brasileiras. Como redator da Gazeta do Povo de Curitiba, coube-me trabalhar durante duas semanas num dos jornais mais revolucionários de então, o Diário Carioca, com sede e oficinas na Avenida Rio Branco, 25. (O dono era Horácio de Carvalho, a primeira-dama Lily de Carvalho, depois Lily Marinho, primeira-dama de O Globo. O filho, Horacinho de Carvalho, morreria em 1966 num acidente da carro na Região dos Lagos com sua namorada, a cantora de bossa Sylvinha Telles.) Antes do estágio, fizemos uma visita protocolar ao lendário presidente da ABI, Herbert Moses, que nos recebeu numa sala no último andar do prédio da Esso, à avenida Beira-Mar. Guardo até hoje a lembrança do encontro. Foto Acervo Pessoal

Carlos Frederico Werneck de Lacerda, 46 anos, raquete na mão, me esperava com um riso sarcástico e as garras afiadas do Corvo. Era uma noite de maio de 1960, ele deputado federal, 46 anos, eu jornalista de Curitiba, 22 anos, fazendo um estágio no Diário Carioca. Estávamos sob o teto acolhedor do escritor Aníbal Machado, que abria sua casa aos domingos para a intelectualidade e o que mais pintasse. Rua Visconde de Pirajá, 487, Ipanema. Era uma casa de dois andares simpática, com um pequeno jardim e um grande quintal. 

Um parêntese: por que Carlos Frederico? Tão elementar que pouca gente sabe. Filho único de Maurício Paiva de Lacerda, defensor de operários e anarquistas, dirigente do Partido Comunista Brasileiro, preso em 1936 acusado de participar da Intentona Comunista, o pai homenageou no nome do filho os autores do Manifesto Comunista, Karl Marx e Friedrich Engels. Pai e filho, comunistas ardorosos, viraram a casaca no pós-guerra e aderiram ao partido de direita União Democrática Nacional (UDN), visceralmente anticomunista. Carlos, então com 30 anos, dizia: “Quem não foi comunista aos dezoito anos não teve juventude, quem é depois dos trinta não tem juízo”. 

Lacerda era daqueles políticos que se amava ou se odiava. Entrou para o folclore político como “O Corvo do Lavradio” (rua do seu jornal, a Tribuna da Imprensa.). Suas seguidoras eram as “mal-amadas”. Pertenceu à “banda de música da UDN” – também chamada de “as cassandras da oposição” – um grupo notável de políticos de direita que não aceitavam os governos democráticos de Getúlio (pós-50), JK e Jango. Envolveu-se num golpe para impedir a posse de JK, Presidente eleito democraticamente em 1955. 

A bordo do Almirante Tamandaré, os golpistas foram contidos pelo General Lott, líder legalista, depois que a artilharia do exército alvejou o cruzador (foi o último tiro disparado na baía de Guanabara.). Nos anos 60 o Rio foi infernizado por uma praga de insetos: o humor carioca os batizou na hora de lacerdinhas. Carlos Lacerda levou dois tiros no pé. Um real, no atentado da Rua Tonelero, em 1954; outro simbólico, um tiro que ele disparou contra si mesmo ao apoiar o golpe de 1964 na vã tentativa de usar os militares para assumir a Presidência da República, seu sonho dourado. Desiludido, já em 1966 participava da Frente Ampla com os ex-adversários JK e Jango. Os militares o castigaram no AI-5, cassando seus direitos políticos.

Pois bem, naquela noite em que Lacerda me desafiou “para uma partidinha” na domingueira do Aníbal, como democrata e esquerdista eu fui à forra e estraçalhei o Corvo. Afinal, eu era um campeão forjado desde criança na lendária mesa de pingue-pongue do meu tio e padrinho Muggiati Sobrinho em Guaratuba. O revide contra o golpista renitente foi na base de golpes de mestre, com saques indefensáveis e solertes raquetadas de efeito.

Só reencontraria Carlos Lacerda dezesseis anos depois, eu na função de editor da revista Manchete, ele como colaborador. O dono da empresa, Adolpho Bloch, se reconciliara com Lacerda na trágica noite da morte de JK, quando houve uma longa disputa pelo local do velório entre Niomar Moniz Sodré, presidente do MAM, e Adolpho. O voto de Lacerda a favor de Adolpho fez com que o ex-presidente fosse velado no prédio da Manchete, no Russell. Como prêmio, Lacerda ganhou uma página dupla semanal na revista Manchete. O problema era que, além de escrever muito mais do que cabia em duas páginas, ele queria descarregar naquele espaço todo o seu rancor contra os militares. O Presidente de plantão era Ernesto Geisel, o quarto na linha de cinco generais que tivemos de aturar em 21 anos de ditadura. Na segunda-feira eu fechava a Manchete num ritmo alucinante, às vezes trinta ou quarenta páginas com os acontecimentos do fim de semana. Não teria tempo para lidar com o Lacerda. Então o diplomático Zevi Ghivelder foi escalado por Adolpho – que não queria encrenca com os generais – para passar o dia inteiro negociando com Lacerda cada palavra, cada vírgula do seu artigão.

Desgostoso da vida, Carlos Lacerda morreu de infarto num hospital da Zona Sul carioca em 21 de maio de 1977, aos 63 anos. Correu o rumor de que a causa foi uma injeção equivocada que lhe deram. As mortes de Zuzu Angel, JK, Jango (em abril, agosto e dezembro de 1976) e Lacerda, cinco meses depois – se prestaram à Teoria do Complô de que foram todos eliminados pela ditadura. Se non è vero, è ben trovato...

Fotografia: Coletivo Latino-Americano ganha prêmio ao retratar a pandemia na região. Grupo reúne 18 fotógrafos entre os quais três brasileiros

Foto de Victor Moryama mostra o Copom, prédio tradicional de São Paulo> Moradores batem panelas em protesto contra Jair Bolsonaro, um militante que se orgulha de e propaga
o negacionismo da Covid-19.  

Foto de Ana Carolina Fernandes, Copacabana, Rio de Janeiro. Cruzes na areia homenageia brasileiros mortos pela Covid-19 no dia em que a país atingiu a marca de 40 mil vítimas fatais. Hoje, o número da tragédia se aproxima dos 500 mil. 

Foto de Rafael Vilela. Covas abertas na Vila Formosa. A geometria das perdas imensas.

Foto de Andrea Hernandez, Venezuela. A idosa Martina Veranea Rodriguez, de 87 anos, fez uma colagem de fotos de seus parentes como lembrete para tê-los sempre por perto
em seu apartamento em Caracas.

Foto de Federico Rios, Colômbia. A bandeira vermelha é um pedido de socorro, o alerta desesperado
 das famílias mais pobres

Foto de Pablo. E. Piovano, Argentina, fotografou o próprio pai, também fotógrafo.

Foto de Danielle Volpe, Guatemala. Idoso contaminado padece em frente
a um hospital

Foto de Eliana Aponte, Cuba. Guevara é testemunha. A Praça da Revolução, Havana, vazia em pleno 1° de Maio, uma das datas mais festivas da Ilha.

A arte e a cultura em geral reagem ao vírus. Também funcionam como um imunizante poderoso contra a insensibilidade e interpretam a tragédia como um apelo à vida. O coletivo Covid Latam O olhar de 18 fotógrafos latino-americanos sobre a Covid-19 na região ganhou o prêmio FotoEvidence Book Award - World Press Photo. Três brasileiros - a carioca Ana Carolina Fernandes e os paulistas Victor Moriyama e Rafael Vilela - estão entre os vencedores, ao lado de profissionais da Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Bolívia, Brasil, Equador, El Salvador, Guatemala, México, Peru, Uruguai e Venezuela. O prêmio do WPP reconhece projetos que documentem violações dos direitos e da dignidade humanos. Na América Latina, a pandemia tem desdobramentos dramáticos desde o número de mortos à precariedade da vacinação ao agravamento da desigualdade crônica da região. O Covid Lata produziu quase mil imagens  que estarão no livro Red Flag que será lançado em Amsterdã, durante a próxima edição do World Press Photo, e também em Nova York, no Bronx Documentary Center. O título do livro remete ao gesto das famílias mais pobres da Colômbia que colocavam nas casas um bandeira vermelha como sinal de um desesperado pedido de ajuda.

A notícia da premiação está no Media Talks, onde você poderá ver mais fotos  AQUI