sábado, 22 de outubro de 2022

Idoso, eu? Enfie a bengala naquele lugar! - Rio de Janeiro poderá substituir logotipo que deprecia idosos

O novo logo para identificar idosos. 


O símbolo do velhinho prejudicado, de bengala
e com dor nas costas, é depreciativo.

por Ed Sá 

A imagem que representa idosos portando uma bengala e com a mão nas costas cuidando da dor da coluna deverá ser trocada nos serviços públicos do Rio de Janeiro. Há muito o logotipo é tido como preconceituoso e ofensivo tanto para os portadores de deficiência quanto aos velhinhos que ainda batem um bolão. 

A Câmara de Vereadores aprovou em primeira votação projeto do vereador Alexandre Isquierdo (DEM) que propõe nova figura para identificar espaços reservados para a turma de mais de 60 anos. O novo desenho elimina a bengala e mostra um idoso mais em forma. O projeto se justifica pois os brasileiros estão vivendo mais e não necessariamente a bengala é item tão generalizado quanto o design imaginou. 

Se a medida for aprovada em segunda votação e sancionada pelo prefeito, o Rio de Janeiro poderá ser pioneiro na correção do símbolo do idoso. Muitos países usam o logo do velhinho de bengala e cheio de dor.

Alerta em transporte público


Cartaz da ONU

E, quem sabe, o Rio agradeceria também se outros logos fossem adicionados ao visual da cidade. Por exemplo,  locais perigosos deveriam ter logotipos mostrando  assaltantes armados; certos prédios publicos e empresas desonestas receberiam símbolos alertando sobre corrupção, a Avenida Atlântica sinalizaria graficamente a presença de ladrões de celulares e a comunicação visual do metrô e dos trens avisaria às mulheres sobre a presença de tarados.     

sexta-feira, 21 de outubro de 2022

Fotografia - The Guardian seleciona foto de apoiadores de Lula para a galeria Friday's Best Photos

 

Foto de Carl Souza/AFP/Getty Images (link para The Guardian)

Em ato de campanha, Lula arrastou uma multidão na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O fotógrafo Carl de Souza/AFP/Getty Images captou a cena vibrante, acima, que The Guardian selecionou para sua tradicional galeria de melhores e publica hoje na seção Friday’s Best Photos. Neste link que remete ao jornal você poderá ver mais fotos do dia. AQUI 

Confisco de parte do salário mínimo e das aposentadorias: a bomba social de napalm planejada por Paulo Guedes e Bolsonaro

 


Reprodução Folha de São Paulo de 10/10/2022

Confiante de que está reeleito, o governo Bolsonaro prepara uma bomba social. Paulo Guedes tem na gavete, pronto para assinar, um plano para desatrelar o reajuste do salário-mínimo da inflação passada, e exrtingiur  sua vinculação às aposentadorias. Na prática, o pacote significa um enorme confisco  de parte do salário mínimo e das aposenrtadorias. 

É decisão fácil e leviana para a gangue que dirige o país e dramática para milhões de brtasileiros. Se reeleito, o governo federal terá que repor bilhões para fechar o rombo causado pela distribuição de verbas do "Bolsolão", também conhecido como "orçamento secreto" e que irrigou a corrupção em ano eleitoral. 

Para Bolsonaro e Guedes, que jamais vão retirar dinheiro da Defesa, dos subsídios bilionários ao agronegócio, da renúncia fiscal em cascata para beneficair setores aliados, nunca  vão cobrar a sonegação de pastores e dos empresários amigos, o alvo agora é o trabalhador e o aposentado. Praticamente, não há mais como tirar verbas da Educação e da Saúde já espoliadas. Então, será mais fácil pegar a caneta e jogar um bomba social de napalm na população mais necessitada. 

Frase do Dia - A premonição de Dona Lindu sobre a onda de fake news disparada por Bolsonaro


“A mentira voa, a verdade engatinha...”


DONA LINDU, MÃE DE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Raí - "Voto em Lula por ser antifascista e antirracista"







Durante a cerimônia da 66ª Bola de Ouro, em Paris, o ex-jogador Raí entregou o Prêmio Sócrates - que a revista France Fooball criou para homenagear craques que se dedicam a causas sociais - ao jogador Mané, do Bayern de Munique. No palco, Raí fez o "L" e declarou que vota em Lula por ser antifascista e antirracista. O brasileiro comprou parte das ações do Paris FC, clube que atualmente está na segunda divisão do futebol francês, 


O jornal Le Parisien abriu assim a reportagem sobre o gesto de Raí:  

"Tempo de um discurso e de um gesto, Paris encontrava-se no centro da tensa campanha presidencial brasileira. Ao mesmo tempo em que foi convidado, durante a cerimônia da 66ª Bola de Ouro, a entregar um prêmio para jogadores envolvidos em projetos sociais e beneficentes, Raí, lenda do futebol e do Paris-Saint-Germain (PSG), deu um passo para o lado e fez um discurso muito notado. Especialmente em seu país. 

"O Brasil tem uma decisão importante a tomar no final do mês em relação ao futuro da democracia em nosso país e todos sabemos de que lado Sócrates estaria", disse ele, fazendo o "L" de Lula (ex-presidente e candidato de esquerda) com os dedos. A mensagem do atual membro do Paris FC (Ligue 2) foi imediatamente divulgada por diversos meios de comunicação no Brasil. E ainda recebida  pelo principal destinatário, Lula, que se manifestou imediatamente no twitter. “Obrigado Raí, eu estava assistindo” (a cerimônia)".

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

USP demonstra que Bolsonaro implodiu o salário mínimo

 

A política de destruição do salário mínimo adotada após o golpe contra Dilma Rousseff e agravada pelo governo Bolsonaro foi imposta para favorecer as empresas e sufocar o trabalhador e os aposentados. Ao reduzir o salário mínimo Bolsonaro, na prática, injetou dinheiro no caixa privado.. Com o consequente aumento da pobreza,  usou dinheiro público em "auxílios" para fins eleitorais. O gráfico da USP prova o tamanho do estrago. Isso explica porque Bolsonaro tem o apoio das elites, do mercado, das empresas e porque a política e econômica de Paulo Guedes é sustentada pelas oligarquias da mídia e pelos seus jornalistas de mercado. Caso as legendas do gráfico não estejam legíveis , observe as cores: rosa indica a infame degradação do salário mínimo nos governos Collor e Bolsonaro; verde aponta o aumento nos governos FHC, Lula e Dilma e a queda expressiva com Temer. Entendemos, não é?

terça-feira, 18 de outubro de 2022

FRASE DA HORA

"O Brasil vai pífio de PIB, mas está bombando em OIB [Ódio Interno Bruto]: 100%.”

Barão de Itararé e Stanislaw Ponte Preta, em colaboração, ambos quicando no túmulo.

Encontro subliminar

 

Reprodução Twitter

segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Mídia - O colapso do modelo transforma debates presidenciais em plataformas de fake news


por José Esmeraldo Gonçalves

Pode fechar a conta e passar a régua: o formato dos debates presidenciais está ultrapassado, morto e cremado. 

Em 2020, segundo o Reuters Digital News Report, as redes sociais m a superaram a TV, pela primeira vez, como fonte de informação para 67% dos brasileiros, enquanto 66% tinham a TV como fonte principal. O poder da TV não sumiu, claro, continua alcançando grndes audiências, assim como o rádio. Apenas perdeu a hegemonia, para o bem e para o mal. 

No caso das campanhas presidenciais, os debates se tornaram uma espécie de rascunhos das redes sociais. Praticamente repercutem as polêmicas compartilhadas por milhões a cada hora no Twitter, You Tube, Instagram, Telegram, Whatsapp, Facebook, sites, blogs, portais e podcasts. Se o conteúdo dos debates passa a imitar as tempestades da web, a TV sai perdendo e, principalmente, abre mão da chance de informar aos eleitores sobre ideias e planos dos candidatos. 

Em qualquer boteco, ouvimos discussões semelhantes aquelas que os debates exibem. Faltam só o chope e as brigas, sendo que embates agressivos e ameaças de porradaria já ocorreram nos bastidores em recentes debates. 

Sabe-se que estrategistas da extrema direitas ligados a Donald Trump recomendaram durante a sua campanha vitoriosa, em 2016, que mentiras e fake news fossem utulizadas à exaustão sob o argumento de que a mentira é um coelho, o desmentido é uma tartaruga. Por isso, espalhar fake news é um crime que compensa largamente. 

E essa é a razão principal da inadequação dos atuais debates. Até aqui, todos os debates foram usados como plataformas de lançamentos de fake news. Os próximos também o serão. Dentro da sua estratégia, Bolsonaro mentiu em praticamente todas as intervenções. O candidato à reeleição nega o que diz em vídeos autênticos, muitos gravados por ele mesmo; diz que não assinou documentos oficiais que estampam sua assinatura; jura que o chamado orçamento secreto não foi sua invenção, quando o projeto saiu do seu gabinete e atravessou a praça rumo à Câmara dos Deputados; nega os múltiplos casos de corrupção emseu governo;  garante que não imitou, como se fosse um sádico, a morte de paciente sufocados por falta de oxigênio; e quer que o Brasil admita que ele não boicotou vacinas e não atrasou compras de imunizantes. Esses são apenas alguns exemplos do modo Bolsonaro de debater segundo a cartilha de Steve Bannon, o Joseph Goebbels de Trump. Sim, Bannon e Bolsonaro não estão inovando: a große Lüge, grande mentira, expressão criada pelo próprio Hitler, foi o pilar-mestre da propaganda do nazismo.

Os debates, no atual e exaurido modelo, não têm armas contra a mentira. 

Ou melhor, a arma existe, mas não é utilizada. 

As agências de checagem surgiram no mundo e no Brasil para tirar o jornalismo do atoleiro das fake news. Em geral, fazem um bom trabalho, no Brasil inclusive. Por ignorar essa ferramente, os debates atuais viraram um poderoso instrumentos de propagação de fake news. Bolsonaro mente e sai impune. Mesmo candidatos que não adotam a "grande mentira" podem errar dados importantes que também não são corrigidos. 

Para evitar isso, a estrutura dos debates deveria incluir uma bancada de checadores para ação imediata. Corrigir fake news 24 horas e se comportar como uma tartaruga muito mais lenta do que La Fontaine imaginou. E a 5G está aí mesmo para dar velocidade às buscas. 

A Ciência de Dados avançou muito. Não se trata de uma prosaica busca no Google, envolve computação, inteligência artificial, matemática aplicada, busca de padrões, análise, habilidade para acessar todas as portas dos bancos de dados públicos e autononia de voo para visitar as mais complexas nuvens. O mediador poderia dar a palavra à bancada de checadores logo após a fala mentirosa do candidado. Possíveis diálogos como esses que se seguem seriam muito esclarecedores.  

- Candidato, o senhor mentiu. Temos o decreto, temos o vídeo, aqui está sua live. 

- Candidato, nesse dia citado o senhor estava em Brasília, não  no Guarujá. 

- Os extratos bancários reunidos pelo do MPF, veja no telão, mostram o oposto, candidato. 

- Por favor, candidato, veja no telão, no vídeo periciado pela PF, o  senhor aparece ao lado do acusado, ao contrário do que disse.  

    Os espectadores-eleitores agradeceriam se os debates e debatedores deixassem de tratá-los como otários. 

domingo, 16 de outubro de 2022

Bolsonaro procurando álibi pra mandar pra PGR

 

Reprodução Twitter 

Escândalo "Pintou um Clima" - A pornopolítica do tiozão


Reprodução You Tube
Desde ontem (15/10), os trending topics do Twitter entraram em órbita. As expressões "pintou um clima" "Bolsonaro pedófilo", e "Bolsonaro pervertido" estão na lista dos assuntos mais comentados. 

Em campanha para a reeleição, Bolsonaro foi entrevistado pelo podcast "Paparazzo Rubro-Negro", canal do You Tube que promove o Flamengo (o clube, que, por sinal, também está em campanha para construir um estádio em terrenos públicos e tem o apoio de Bolsonaso no arranjo financeiro).  Como é público, Bolsonaro mantém ligações com o presidentge do Flamengo Rodolfo Landim, e com vice-presidente do clube e vereador Marcos Braz, que aparece com frequência no canal. 

Claro que o fato de o "Paparazzo Rubro-Negro entrevistar Bolsonaro em tempo de eleição tem objetivos políticos, mas com o escândalo do "pintou um clima", a intervenção teve efeito negativo e, aparentemente, o canal tirou do ar a entrevista onde, em um momento Bolsonaro, conta como rolou um clima entre ele e garotas "bonitas de 14 e 15 anos" que encontrou quando passeava de moto na  comunidade São Sebastião, em Brasiília. A autocensura parece uma precaução inútil porque a entrevista já viralizou nas redes sociais e está no You Tube.

Veja o que o motoqueiro-presidente relatou no podcast. 

"Eu parei a moto numa esquina, tirei o capacete e olhei umas menininhas, três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas num sábado numa comunidade. E vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei. Posso entrar na sua casa?' Entrei. Tinham umas 15, 20 meninas sábado de manhã se arrumando, todas venezuelanas. E eu pergunto: meninas bonitinhas de 14, 15 anos, se arrumando no sábado para quê? Ganhar a vida", afirmou Bolsonaro no podcast. 

Bolsonaro pode ter incorrido em dois crimes: se havia prostituição de menores, como ele insinuou, sua obrigação como presidente era denunciar;  e sugerir que "pintou um clima" ao ver "meninas bonitas" menores de idade também é contra a lei. 

Segundo o portal UOL, uma das venezuelanas que estava na casa onde Bolsonaro entrou negou que houvesse prostituição no local, como Bolsonaro insinuou. Diz a mulher, naquele dia estava acontecendo ali uma ação social para refugiados. Ela afirmou ao UOL:"esse dia foi uma ação que acontecia na casa. Uma brasileira que fazia curso de estética vinha até aqui para fazer a prática do que estava aprendendo, de corte de cabelo, design de sobrancelha. Então, nós reuníamos um grupo de mulheres e era isso o que acontecia naquele dia". 

O escândalo agora chamado do "Pintou um Clima" não é o primeiro do gênero protagonizado por Bolsonaro ou por uma certa figura do seu governo. Ele já postou na sua conta do Twitter um vídeo em que dois homens aparecem dançando sobre a cobertura de um ponto de táxi. Seria um suposta cena de "golden shower". O presidente fez a postagem e ainda perguntou: "o que é golden shower?". O post pornô repercutiu no mundo. Já a ex-ministra do seu governo, Damares Alves, fez recentemente uma palestra onde descreveu uma escatologia sexual. Segundo ela, crianças têm dentes extraídos para fazerem sexo oral em adultos. Ela admitiu depois não ter provas disse e que ouve esssas coisas quando "conversa com o povo". A pergunta é: com quem Bolsonaro e Damares conversam para ter tanta idéia fixa?

O VÍDEO DO PODCAST SOBRE QUE DEU ORIGEM AO ESCÂNDALO "PINTOU UM ClLIMA.  CLIQUE https://youtu.be/v1EvH-Don0k 



O eleitor na coleira do Bozo

 

Reprodução Twitter 

Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog divulga vencedores (*)



CATEGORIA ARTE – VENCEDOR

Três mulheres da Craco

Autoria: Carol Ito

Veículo: Revista Piauí


Categoria Arte – Menção Honrosa

Pós-Estupro

Autoria: Brum

Veículo: Jornal Tribuna do Norte


CATEGORIA FOTOGRAFIA – VENCEDOR

A dor da fome

Autoria: Domingos Peixoto

Veículo: Extra


Categoria Fotografia – Menção Honrosa

A narrativa desumanizante em torno dos assassinatos policiais no Rio de Janeiro

Autoria: Fabio Teixeira

Veículo: plataforma9p9


CATEGORIA PRODUÇÃO JORNALÍSTICA EM ÁUDIO – VENCEDOR

O que os olhos não veem

Autoria: Ciro Barros – Reportagem, Entrevistas e Locução; Ricardo Terto – Produção, Roteiro e Edição de Som; José Cícero da Silva – Reportagem, Entrevistas e Locução; Alexandre de Maio – Ilustrações; Natalia Viana – Supervisão e Coordenação Jornalística

Veículo: Agência Pública


Categoria Produção Jornalística em Áudio – Menção Honrosa

Não sou mais o Pedro

Autoria: Tomás Chiaverini

Veículo: Rádio Escafandro


CATEGORIA PRODUÇÃO JORNALÍSTICA EM MULTIMÍDIA – VENCEDOR

Mortes invisíveis

Autoria: Amanda Rossi – Repórter; Saulo Pereira Guimarães – Repórter; José Dacau – Repórter; Flávio VM Costa – Editor e coordenador do núcleo investigativo; Lúcia Valentim Rodrigues – Editor; Yasmin Ayumi – Arte; Gisele Pungan – Editor de arte; René Cardillo – Editor de arte; Douglas Lambert – Filmagens; Olívia Fraga – Edição

Veículo: UOL


Categoria Produção Jornalística em Multimídia – Menção Honrosa

A rota do tráfico humano na fronteira da Amazônia

Autoria: Mirelle Pinheiro

Veículo: Metrópoles


CATEGORIA PRODUÇÃO JORNALÍSTICA EM TEXTO – VENCEDOR

Cercados e vigiados – PF legaliza seguranças que aterrorizam moradores de antiga usina de açúcar em Pernambuco

Autoria: Alice de Souza

Veículo: The Intercept Brasil


Categoria Produção Jornalística em Texto – Menção Honrosa

Mineração arada: quilombolas barram avanço de empresa inglesa na Chapada Diamantina

Autoria: Daniel Camargos – Repórter; Fernando Martinho – Repórter fotográfico

Veículo: Repórter Brasil


CATEGORIA PRODUÇÃO JORNALÍSTICA EM VÍDEO – VENCEDOR

Crianças yanomami sofrem com desnutrição e falta de atendimento médico

Autoria: Alexandre Hisayasu, Valéria Oliveira dos Santos – Produção e reportagem; Henrique Souza Filho – Técnico; Alexandro de Oliveira Pereira – Cinegrafista; Luciane Marques de Oliveira – Produção; Wagner Luis Suzuki – Editor; Gustavo Pereira Pacheco – Editor de imagem; Everton Altafim – Editor de imagem; Anderson da Silva – Editor de arte; Luciano Abreu – Produção

Veículo: Rede Globo


Categoria Produção Jornalística em Vídeo – Menção Honrosa

Não merecia ser humilhado; PM arrasta suspeito em moto e recria cena da escravidão em São Paulo

Autoria: Guilherme Belarmino – Repórter; Marconi Matos – Repórter cinematográfico; Eduardo de Paula – Repórter cinematográfico; Marcos Barcarollo – Técnico de Captação de Som; Raphael Moura – Técnico de Captação de som; Marco Aurélio Silva – Designer; Aline Lima – Designer; Esther Radaelli – Produtora; Renato Nogueira Neto – Editor; André Alaniz – Editor de imagem; Flávio Lordello – Editor de imagem

Veículo: Rede Globo / Fantástico


Categoria Produção Jornalística em Vídeo – Menção Honrosa

Identidade, o direito à vida transvesti

Autoria: Silvia Bessa – Direção, roteiro e coordenação executiva; Luiz Henrique Carneiro Siqueira – Codireção, direção de fotografia, videomaker e edição; Marcionila Teixeira de Siqueira – Entrevistas, produção de entrevistas e pesquisa; Diego Vieira Nigro de Almeida – Videomaker de imagens aéreas

Veículo: TV ESA PE e TV Universitária PE


CATEGORIA LIVRO-REPORTAGEM – VENCEDOR

Banzeiro òkòtó: Uma viagem à Amazônia Centro do Mundo

Autora: Eliane Brum

Editora: Companhia das Letras


Categoria Livro-Reportagem – Menção Honrosa

Dano colateral: A intervenção dos militares na segurança pública

Autora: Natalia Viana

Editora: Objetiva


Categoria Livro-Reportagem – Menção Honrosa

Meninos malabares: retratos do trabalho infantil no Brasil

Autores: Bruna Ribeiro e Tiago Queiroz Luciano

Editora: Panda Books



(*) O Prêmio Vladimir Herzog é promovido e organizado por uma comissão formada por: Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), Sociedade Brasileira dos Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP), Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo, Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, Conectas Direitos Humanos, Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB Nacional), Ordem dos Advogados do Brasil – Secção São Paulo (OAB-SP), Periferia em Movimento e Instituto Vladimir Herzog (IVH).

Os parceiros da 44ª edição são: Câmara Municipal de São Paulo (CMSP), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), TV PUC , Canal Universitário de São Paulo (CNU), União Brasileira de Escritores (UBE) e OBORÉ.


Fonte: Instituto Vladimir Herzog

sábado, 15 de outubro de 2022

O Último Tango em Paris faz 50 anos • Por Roberto Muggiati

 “Quo vadis, baby?” – pergunta Paul a Jeanne.

Paul (Marlon Brando) e Jeanne (Maria Schneider) na cena do tango, Por não saber dançar, o casal recebe olhares de reprovação dos demais dançarinos.Reprodução vídeo

O cartaz do filme lançado em 1972

Lançado no Festival de Nova York em 14 de outubro de 1972, O último tango em Paris foi uma bofetada na cara daquela sociedade pragmática que ainda tentava se recuperar da ressaca comportamental dos anos 60. A crítica de Vincent Canby no New York Times reflete admiravelmente a repercussão do filme: 

“Os sentimentos de amor, angústia e desespero que eclodem por toda parte no novo filme de Bernardo Bertolucci são tão intensos, tão avassaladores, que assistir ao filme chega em momentos a ser um constrangimento, uma invasão da confiante privacidade da classe média. O último tango em Paris trata do amor romântico, mas expressa às vezes os gestos ousados e às vezes tolos de paixão sexual intensa à D.H. Lawrence que vai até seus limites e então entra em colapso, de exaustão física e emocional. O filme é triste, mas é também imensamente engraçado, sem a intenção de o ser. É tudo menos pornográfico, mas a candura de suas cenas de amor é tamanha que uma quantidade de cidadãos de moral ilibada não deixará de se sentir indignada – e se mostrará muito ruidosa na sua indignação.”  

Direção: Bernardo Bertolucci instrui os atores Marlon Brando e Maria Schneider
Foto MGM

Bertolucci, 31 anos na época, explica como lhe veio a ideia da história: “Eu sempre sonhei encontrar uma mulher num apartamento vazio, um apartamento de ninguém, um lugar sem personalidade, e fazer amor com ela sem saber quem é. Queria repetir esse ato sexual à exaustão.”

Começa o filme: um quarentão e uma jovem de vinte anos se encontram casualmente num apartamento para alugar. Trocam cinco minutos de conversa banal, o homem ergue a mulher em seus braços como uma noiva, a encurrala contra a parede e inicia a penetração. Ela consente e após cinco minutos de sexo selvagem os dois rolam exaustos no chão. Ao deixarem o prédio, o homem arranca da parede o anúncio de “aluga-se apartamento.” E partem, cada um para o seu lado. 

A jovem, Jeanne, vai a uma estação de trem encontrar o noivo, que a recebe com toda uma equipe de filmagem. Propôs à TV um documentário, “Retrato de uma jovem”, e a heroína é a própria noiva. 

O homem volta para o hotel onde mora e encontra a empregada lavando a sangueira deixada pela mulher dele, que se suicidou com uma navalha na banheira. A empregada foi interrogada a fundo pelos policiais, que desconfiavam do marido. Sabem tudo sobre ele. “Não deu certo como pugilista. Virou então ator, tocador de bongô, revolucionário na América do Sul, jornalista no Japão, vagabundo no Taiti, onde aprendeu o francês, que o levou a Paris, onde conheceu uma dona de hotel e casou com ela.” O protagonista, Paul, personalidade complexa, é delineado nestas rápidas pinceladas. A empregada lhe entrega a navalha, que os tiras devolveram, encerrando a investigação com o laudo de suicídio.  A navalha, na verdade, pertence a Marcel, o amante da mulher de Paul, que também mora no hotel.

Jeanne e Paul voltam a se encontrar no apartamento. Ela pergunta o nome dele e leva uma terrível bronca. “Nada de nomes! Você e eu vamos nos encontrar aqui sem saber nada do que acontece no mundo lá fora.” Ele estabelece as regras da relação, rígidas como as de uma convenção de condomínio. Inicialmente, a coisa funciona. Paul impõe à inexperiente Jeanne todo um repertório sexual que inclui sodomizá-la usando manteiga como lubrificante, receber dedadas no ânus – cuidando que a jovem apare com uma tesourinha de unhas os dedos médio e indicador da mão direita – e até uma cópula em que o casal não chegue a se tocar, ambos sentados nus frente a frente de pernas cruzadas, olhos nos olhos. 

A certa altura. Paul e Jeanne simulam seus nomes através de grunhidos, num jogo erótico simiesco. A descontração os induz – rompendo as regras – a inconfidências: ela, filha de um coronel que serviu na Argélia, na liberdade de um casarão com vasto terreno (sua “selva”) no interior da França; ele, filho de um fazendeiro autoritário e de uma mãe alcoólatra na América profunda de Omaha, Nebraska.

Nos intervalos da maratona sexual no apartamento, Jeanne reassume a relação com o noivo e as filmagens do documentário; Paul tem um encontro com o amante da mulher, que trabalha em casa para uma agência de recortes de jornais; e um monólogo com a mulher morta – maquiada, vestida de branco e cercada por montanhas de flores, providenciadas pela mãe – uma atuação em que Brando reedita seu famoso discurso fúnebre em Júlio Cesar, vinte anos antes. Com seu suicídio sem explicação, Rosa agride todos ao seu redor: o marido, o amante, a mãe. Diz Paul/Brando aos prantos: “Ainda que vivesse a porra de duzentos anos, um marido nunca seria capaz de descobrir a natureza real de sua mulher. Eu seria capaz de compreender o universo, mas jamais descobriria a verdade sobre você. Nunca.”

Exorcizados os fantasmas do suicídio da mulher, Paul volta à vida. Troca o capote surrado em que se escondia até agora por um elegante blazer azul marinho, camisa social azul listrada, gravata vermelha e calças cinza. Revela seu nome e status social a Jeanne, a quem propõe um casamento “normal”. Na contramão, a filha do coronel, sufocada pelos desvarios do quarentão esquisito, optou pelo casamento “pop” com o cineasta da sua idade. O adeus acontece, solene como um rito, durante uma competição de dançarinos de tango na pista da vetusta Salle Wagram. E acaba em tragédia: Jeanne foge pelas ruas de Paris para o apartamento familiar, é perseguida por Paul e lhe desfere um tiro a queima roupa com o revólver do coronel no momento em que ele diz: “Quero saber o seu nome.” Espantado diante da morte que chega, Brando ainda acha tempo para um gesto banal: tira da boca a goma de mascar e a gruda na grade da sacada de onde avista Paris pela última vez.  

O último tango é a soma feliz de fatores como a atuação de Marlon Brando, a direção de Bertolucci, a fotografia de Vittorio Storaro (inspirada pela pintura de Francis Bacon) e a trilha sonora do saxofonista argentino Gato Barbieri, que pontua cada cena do filme, sublinhando a tensão cênica.

Um dos "cacos" que Brando adicionou ao filme. Reprodução

Uma palavra sobre Brando: quando filma Tango, ele arrebata plateias pelo mundo afora com sua interpretação de Don Corleone, em O poderoso chefão, que lhe daria o Oscar de melhor ator em 1973. Embora se entenda bem com Bertolucci, ele faz cortes e acréscimos ao roteiro escrito pelo cineasta e muitas das lembranças de Paul no filme correspondem a memórias de sua juventude em Omaha. Quando Jeanne ameaça sair do apartamento na chuva, ele pergunta: “Quo vadis, baby?” Muitas das citações que improvisa são calcadas na cultura da época, essa ao filme Quo Vadis?, sobre o martírio dos cristãos sob o imperador Nero. (Vendo Cristo adentrar as portas de Roma, Pedro, que fugia da cidade, pergunta “Para onde vais, Senhor?” Jesus responde: "Já que você está fugindo e abandonando o meu povo, eu volto a Roma para ser crucificado". Arrependido, Pedro retorna a Roma para continuar suas pregações e morrer em nome de Cristo.) Seria muito preciosismo interpretativo dizer que Jeanne se deixa martirizar na arena sexual do impiedoso Paul, mas existem mil nuances de significados nos “cacos” intelectuais de Brando ao longo do filme...

Na França, o filme estreou em 15 de dezembro em sete salas com filas de duas horas durante o primeiro mês. Lançado na Itália em 16 de dezembro, depois de faturar cem mil dólares na primeira semana, Tango foi apreendido e Bertolucci processado por obscenidade e “pansexualismo exacerbado e gratuito”. A ação rolou na justiça até janeiro de 1976, quando a Suprema Corte ordenou que as cópias fossem destruídas e Bertolucci fosse condenado a quatro meses de prisão (sentença suspensa), com seus direitos civis revogados por cinco anos, incluindo o direito de voto. (Receberam também sentenças suspensas de dois meses o co-roteirista Franco Arcalli, o produtor Alberto Grimaldi e o ator Marlon Brando.)

A proibição na Espanha de Franco até 1977, levou milhares de cinéfilos espanhóis a viajarem milhares de quilômetros a cidades francesas da fronteira, como Perpignan e Biarritz.

A censura britânica cortou grande parte da cena de sodomia e grupos de defesa da moralidade condenaram a exibição do filme no país. Tango foi banido no Chile durante os trinta anos da ditadura militar, na Argentina, Venezuela, Coreia do Sul, e Cingapura; em Portugal, até a Revolução dos Cravos, em 1974. 

No Brasil, o filme só seria exibido em 1979, após a decretação da anistia política. O jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, com seu proverbial mau humor, viu o filme na Europa e criticou, em meados dos anos 70, “sua temática infanto-juvenil, a exaustão do sexo como forma de diálogo.”

O tempo corrige julgamentos emocionais, principalmente em relação a obras de arte. Aqueles que reduziram O Último tango em Paris a seus aspectos meramente sexuais deixaram de perceber o real significado da love story de Bertolucci – “existencialista, com toda razão” – o trágico e complexo destino do homem na sua obstinada busca do amor

 

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Fotografia - Sebastião Salgado colocou à venda na Sotheby's sua primeira coleção de NFTs. São 5 mil imagens da Amazônia. A renda será destinada ao Instituto Terra


Reprodução Sotheby's 

por Ed Sá 

Sebastião Salgado está no metaverso.  O fotógrafo acaba de oferecer para venda no Sotheby"s sua primeira coleção de NFTs. As fotos são o resultado de mais de uma década de visitas à Amazônia. Segundo a casa de leilões são 5 mil imagens que constituem a mais ambiciosa coleção de NFTs de um fotógrafo vivo hoje. A arrecadação de royalties vai beneficiar o Instituto Terra, uma organização sem fins lucrativos cofundada em 1998 por Sebastião Salgado e Lélia Deluiz Wanick Salgado. O objetivo do Instituto Terra é garantir a sobrevivência das espécies nativas desse bioma e fortalecer a biodiversidade da região ameaçada de extinção.

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

O ataque dos zumbis


 

Fotografia: há 65 anos, Sophia Loren e Jane Mansfield travaram na vida real a mais famosa "batalha dos seios" do cinema. Joe Shere fez a foto famosa.

 

A famosa foto de Joe Shere: Jane Mansfield e os seios que intrigaram Sophia Loren 

por José Esmeraldo Gonçalves 

Essa foto foi feita no restaurante Romanoff's, em Beverly Hills, na Califórnia, em 1957. 

Joe Shere, que durante a Segunda Guerra trabalhou como fotógrafo para o exército americano, registrou esse monumental encontro de seios. Ele costumava  retratava poses de astros e estrelas do cinema e, com menor frequência - para não perder clientes - fazia fotos do tipo paparazzi que vendia sob pseudônimo. Nesta imagem, Jane Mansfield, aos 24 anos, ostenta exatos 102 centímetros de peitos, bem mais do que os 90 centímetros de Sophia Loren, aos 23 anos. 

O olhar da bela atriz italiana permaneceu como um dos mistérios holywoodianos. Era de inveja? Admiração? Humilhação? Afinal, Sophia, até chegar à capital do cinema, orgulhava-se da sua formidável massa romana de busto. 

A presença de Jane Mansfield no restaurante é mais fácil de desvendar. Sophia chegava a Hollywood, território da Mansfield, e era recebida pela poderosa Paramuont. A loura teria ido ao coquetel em homenegem à italiana apenas para mostrar suas armas. Como se disesse: "você não é peito pra mim". 

Há alguns anos, ao responder à Entertainment Weekly sobre o motivo do olhar atravessado, Sophia Loren brincou que a expressão era de medo dos seios da Mansfield rolarem sobre a mesa, mas revelou que, embora muitos fãs pedissem, jamais autografou "l'immagine dei seni". "Não queria ter nada a ver com aquela foto", disse. 

Sohia Loren acaba de completar 88 anos, mora na Suíça. Jane Mansfield morreu em 1967, aos 34 anos, quando o Buick em que viajava bateu de frente em um caminhão. O fotógrafo Joe Shere faleceu em 2008, aos 91 anos. 

A sua foto ficou para a história.   


Hindenburg - Foto Sam Shere





ATUALIZAÇÃO EM 15/10/2022 - Roberto Muggiati 
ex-diretor da Manchete envia duas cenas do encontro 
Mansfield-Loren registrado por Joe Shere para a
Life Magazine. As imagens mostram que já na chegada à mesa
a loura intimida a italiana com os seus dois
"mísseis" imbatíveis. Sophia inicialmente sorri, mas logo
 demonstra preocupação com o par de seios a poucos
centímetros do seu rosto.



 
Em família

Vale um adendo. Em 1937, o fotógrafo Sam Shere, irmão de Joe Shere, fez uma foto ainda mais célebre do que a do irmão mais novo. É dele a imagem mais conhecida da queda do dirigível Hindenburg em Lakehurst, New Jersey, em 6 de maio de 1937, há 85 -anos.   

A voz de uma nordestina contra o fascismo bolsonarista

 


VEJA O VÍDEO AQUI


A mídia noticiou caso de apologia a Hitler em sala de aula. Sim, o gesto era usado para saudar o "führer". Ao noticiar o caso, alguns veículos protegeram a identidade da professora bolsonarista e chamaram o flagrante de "suposto" gesto nazista"

Imagem rerpoduzida do vídeo que mostra a professora Jose Biral prestando continência. Em seguida, 
de braço estendido e palma da mão aberta, ela faz a saudação nazista.


por José Esmeraldo Gonçalves

A professora Josete Biral foi flagrada em vídeo fazendo a saudação nazista em sala de aula, após bater continência. A mulher é bolsonarista e fazia campanha política na sua conta do  Instragram, que ela já fechou. 

Na Alemanha nazista, o gesto criado para saudar Hitler era acompanhado do brado retumbante "sieg heil" (que, como se sabe, significa "salve a vitória"). 

A professora, aliás, estampava - e contaminava - as cores do Brasil. 

Posicionamento mais explícito do seu alinhamento político só se vestisse a farda de Hitler e fosse eleita "musa da motociata". A professora foi demitida pelo Colégio Sagrada Família de Ponta Grossa (PR). Resta saber se o crime previsto nas leis brasileiras será punido. Geralmente tais surtos de apologia são minimizadas em alguma etapa policial ou jurída, infelizmente. 

Quem minimizou, à sua maneira, o episódio, foi parte da mídia conservadora. A Folha omitiu o nome da mulher e a classificou como "suspeita de fazer gesto nazista". O G1 omitiu a identidade da professora quando deu a notícia da demissão de Josete Biural. O Yahho disse que o gesto "seria" uma saudação nazista.  Correio Braziliense, Estado de Minas e O Globo nomearam corretamente a manifestação ideológica em sala de aula. A rádio CBN também cravou um "suposta saudação nazista". Os portais Terra e UOL dispensaram o "suposta". 

Reprodução Metrópoles


O portal Metrópoles deu a notícia da demissão da professora, mas ilustrou a nota com um frame do vídeo do momento em que ela presta continência, que não é saudação nazista, o que induz o leito a erro. Em uma segunda nota, contudo, mostra o braço estendido ew a palma da mão aberta com o qual os nazistas saudavam Hitler.  

O Instituto Brasil-Israel repudiou a "saudação nazista". O Ministério Público Estadual, do Paraná, anunciou que vai apurar o caso. 

Se não fosse o vídeo gravado provavelmete por um aluno, a manifestação nazista nem "suposta" seria e certamente cairia na vala comum de incidentes semelhantes e agira frequentes no Brasil. 

VEJA O VÍDEO AQUI

 

sábado, 8 de outubro de 2022

Vini Júnior caçado em campo no jogo Real Madrid x Getafe

 

Reprodução Twitter 

A fome subversiva

 

Reprodução Twitter 

Manchete, incubadora de imortais • por Roberto Muggiati

Redação da Manchete, 1972: Ruy Castro e Narceu de Almeida, repórteres da revista,
Foto Acervo Pessoal.

Mais um das nossas cores vai integrar os quadros da ABL. Com o ingresso de Ruy Castro na Academia Brasileira de Letras, a revista Manchete amplia a lista de seus redatores eleitos para a casa de Machado de Assis. Citando à vol d’oiseau, foram o romancista Josué Montello (1954), o teatrólogo e ensaísta R. Magalhães Jr (1956), o jornalista e educador Arnaldo Niskier (1984), o jornalista e poeta Ledo Ivo (1986), o jornalista e escritor Murilo Melo Filho (1999), o historiador e ensaísta Afonso Arinos Filho (1999), o jornalista e romancista Carlos Heitor Cony (2000), o jornalista e escritor Cícero Sandroni (2004).

Paulo Coelho inova: fardão
com espada de samurai.
Esqueci alguém? Sim, logo ele, o homem que mais vende livros no mundo, Paulo Coelho, eleito em 2002 na sucessão de Roberto Campos e recebido por Arnaldo Niskier. Mas o que tem o “mago” a ver com a Manchete

Pouca gente sabe, mas Paulo foi correspondente da revista em Londres no final dos anos 70. Editor da revista na época, lembro de poucas pautas suas: uma matéria sobre o Museu Sherlock Holmes na Baker Street, outra, tipo relatório oficial, sobre a despoluição do rio Tâmisa. Talvez já estivesse tramando as alquimias que fariam dele o autor da obra mais traduzida do mundo, segundo o Livro Guinness dos Recordes.

Tem também uma vinheta histórica envolvendo o radialista da Manchete Roberto Canazio. Funcionário da Academia Brasileira de Letras, ele aparece numa foto segurando a urna em que foram incinerados os votos por carta da polêmica eleição de 1975 em que o ex-presidente JK foi derrotado pelo obscuro escritor goiano Bernardo Elis.

Como saideira, gostaria de lembrar o envolvimento de Ruy Castro, repórter iniciante de Manchete, em 1967, com a posse de Guimarães Rosa na Academia Brasileira de Letras. A memória foi escrita por Ruy 50 anos depois para a Folha de S. Paulo e reproduzida no Panis. Leia a seguir.


SEXTA-FEIRA, 17 DE NOVEMBRO DE 2017

A entrevista que não houve

por Ruy Castro (para a Folha de São Paulo)


RIO DE JANEIRO - Por esses dias de novembro de 1967, há inacreditáveis 50 anos, eu estava telefonando para Guimarães Rosa em nome da revista "Manchete", pedindo uma entrevista.

Naquela semana, Rosa finalmente tomaria posse de sua cadeira na Academia Brasileira de Letras, para a qual fora eleito por unanimidade em 1963. Ainda não a assumira porque, médico e cardíaco, temia não sobreviver à cerimônia. Mas agora era a hora.

Nunca entendi por que Justino Martins, diretor da "Manchete", me confiou a tarefa. A revista estava cheia de repórteres experientes —dois deles os poetas Lêdo Ivo e Homero Homem, certamente amigos de Rosa. Eu tinha, se tanto, seis meses de profissão e acabara de chegar à "Manchete". Mas foi assim. Justino convocou-me à sua mesa, deu-me o número do telefone de Rosa e só me recomendou que chamasse o homem de embaixador —o que Rosa também era.

Naquele mesmo dia, telefonei. O próprio Rosa atendeu e, muito amável, se desculpou, alegando que estava escrevendo seu discurso de posse e não podia parar para dar entrevistas, mesmo que fosse para "Manchete". Eu insisti, "Mas, embaixador...". E ele, firme. Talvez tocado pela evidente juventude do repórter, sugeriu que eu telefonasse no dia seguinte —quem sabe já teria terminado o discurso. Fiz isto, mas, não, ele não havia terminado. Como consolação, disse que, se eu fosse à cerimônia, me daria uma cópia do texto.

Rosa tomou posse na quinta-feira, 16. Ao fim do discurso e sob a chuva de aplausos, saiu pelo salão apertando mãos, como se levitasse. Parecia encantado, não via ninguém –só a mim cumprimentou duas vezes, sem saber quem eu era. E o coração resistiu bem, não o traiu.

Deixou para traí-lo três dias depois, na noite de domingo, 19, no seu apartamento, em Copacabana.

E eu me esquecera de pedir-lhe o discurso.

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

O golpe é retórica? Coronel afirma ao Fórum 21 que "cúpulas já estão no poder".




Entrevista à jornalista Leneide Duarte-Plon para o Fórum 21 (link abaixo)

O coronel da reserva Marcelo Pimentel tornou-se uma figura midiática por suas críticas à participação de membros das Forças Armadas na política, que ele designa como o « partido militar », fato que despertou nos brasileiros todos os fantasmas que povoam a História do Brasil. Voz militar dissidente, Pimentel nada contra a corrente também quanto ao golpismo do “partido militar”. 

 Em entrevista exclusiva, Marcelo Pimenta desconstrói o discurso golpista : « O "golpe", além de desnecessário (as cúpulas já estão no poder), é meramente retórico e tem a finalidade de manter a sociedade temerosa e em estado de "anomia", o que facilita o controle das percepções da opinião pública de acordo com os interesses daquelas cúpulas para seus projeto de poder hegemônico, como, por exemplo, aparecer no momento oportuno para « evitar » ou « impedir » o "golpe" do "capitão golpista". »

Na entrevista, ele admite que a Funai foi aparelhada pelos militares para servir à visão desenvolvimentista dos fardados.

 Pimentel pensa que o 'partido militar' em torno do presidente está isolado na instituição e que não oferecerá grandes problemas para um terceiro governo Lula.

 Fórum21: Mais de 2,3 mil militares ocupam postos no governo de forma irregular, aponta auditoria da CGU.  Segundo relatório, irregularidades vão da ocupação simultânea de cargos militares e civis ao recebimento de salários acima do teto. Exército e ministérios da Defesa e Economia dizem apurar os casos apontados pela controladoria. O Brasil se tornou uma república militar?

 Marcelo Pimentel: O Brasil, infelizmente, regrediu em vários aspectos institucionais e político-institucionais. A politização das Forças Armadas/dos militares e a militarização da política e da sociedade, processos dinamizados pela atuação quase partidária dos militares, ao estilo de um Partido Militar, demonstra muito bem essa regressão. A imagem das Forças Armadas – que era muito positiva até 2018 desde que se empreendeu o afastamento recíproco das FA e dos militares da política e de governos – vem sendo deteriorada pela ambição política de boa parte das cúpulas hierárquicas das Forças Armadas. Como um integrante dessas cúpulas, isso me contraria intelectualmente. Considero o fenômeno do protagonismo político das cúpulas hierárquicas das Forças Armadas, em sua atual versão, anacrônico, impróprio, indevido, insensato, anti-histórico e, às vezes, ilegal, como no caso de generais e coronéis que, contrariando a Lei 6.880/80 (o Estatuto dos Militares), usam designações hierárquicas em atividades político-partidárias e quando ocupam cargos civis (Art. 28, XVII e XVIII), o que demonstra, pela impunidade, a leniência das autoridades militares e civis e da própria sociedade, especialmente do jornalismo sempre tão atento em descumprimentos de normas por agentes públicos. Sim, pode-se dizer que este é um governo militar.

 Fórum21: Há quem diga que afastar as Forças Armadas do poder político seria preservá-las do papel vergonhoso a que estão sendo expostas. O que você pensa?

 Marcelo Pimentel:  Penso que o Brasil - sua sociedade civil - foi e continua muito leniente com o protagonismo político das cúpulas hierárquicas das Forças Armadas, que, num país de História como a nossa em que as Forças Armadas, por intermédio de suas lideranças, sequer reconhecem o Golpe de 64 e a Ditadura, é muito preocupante.

Fórum21:  Para que são formados os militares brasileiros hoje?

Marcelo Pimentel : Para lutar uma guerra e vencer batalhas. Infelizmente, como a palavra convence, e o exemplo arrasta, os militares brasileiros hoje estão se comportando como militantes políticos de acordo com a visão de mundo e a postura das atuais cúpulas hierárquicas das Forças Armadas. Isto é muito perigoso e precisa ser urgentemente diagnosticado pela sociedade civil para que seja reerguida a "muralha" que deve separar Forças Armadas e militares da luta política e de governos - quaisquer governos. Essa muralha é constituída de neutralidade política, imparcialidade ideológica, apartidarismo no sentido amplo, isenção funcional, profissionalismo essencial e estrita constitucionalidade, princípios que devem fundamentar palavra e ação das cúpulas hierárquicas das Forças Armadas das democracias liberais (sentido político).


LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO FÓRUM 21 AQUI

Mídia: Mortícia em modo Playmobil? É Cláudia Raia na capa da Bazar


Ninguém faz uma capa dessas por acaso. Deve haver uma mensagem subliminar inserida nesse desastre estético. Ou a revista deve ter sido movida pela vontade de fazer "diferente". Se não, é um equívoco que os envolvidos gostariam de esquecer. Impossível. Infelizmente a internet tem milhões de terabytes de memória. O apocalipse deletará o mundo como um conhecemos e, um dia, um viajante do futuro vai desenterrar um chip qualquer com essa imagem. Desde ontem, as redes sociais se divertem. Talvez seja essa a intenção subliminar. Divertir em tempos difíceis. Obrigado, Bazar.  

terça-feira, 4 de outubro de 2022

Mídia: os teclados dos jornalistas da mídia neoliberal do Brasil não agregam à direita as letras u-l-t-r-a nem e-x-t-r-e-m-a

Os principais jornais da Europa e dos Estados Unidos classificam Bolsonaro e suas milícias como de extrema direita, de ultradireita ou de direita radical.

 Foram os termos usados para noticiar a eleição agora de muitos parlamentares da far right no Brasil. É, também, como a imprensa democrática rotula a "federação" representada por Hungria, Polônia, Itália, Brasil, a seita republicana liderada por Trump e os movimentos racistas franceses, alemães, austríacos, suecos, entre outros da Europa. 

O rótulo de fascista é cada vez mais associado internacionalmente a Bolsonaro. 

É curioso que, talvez por ter afinidade com princípios do governo atual nas áreas econômicas, financeiras, social -  parte desses veículos neoliberais também pregam ou toleram a contaminação do Estado pelo fundamentalismo religioso - e na prevalência das corporações sobre o cidadãos, os grupos de mídia brasileira têm certa ojeriza aos termos e não os relacionam com as facções bolsonaristas. 

Ou, quem sabe, os aplicativos de texto que usam, especialmente o corretor ortográfico, estão programados para  aceitar, no máximo, as palavras direita e centro- direita quando relacionadas comm o bolsonarismo organizado. 

A atriz Carolna Kasting atuou na novela Brida e não recebeu pagamento. Processo foi contra a Rede TV, que comprou as concessões da Rede Manchete. Em casos semelhantes, a dívida sobrou para a Massa Falida da Bloch Editores. Matéria é do repórter Gabriel Vaquer

 




(...)



LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO UOL  NESTE LINK

sábado, 1 de outubro de 2022

Para ouvir antes do voto - O recado de Aldir Blanc na voz de Ellis Regina

Elis e Lula em 1979 no "Show de Maio.
Foto Acervo Elis Regina/Instagram


"Querelas do Brasil", de Aldir Blac e Maurício Tapajós, foi lançada em 1978. O Brasil vivia uma ditadura militar de braços dados com os podreS poderes da elite. A canção, um contraponto a "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso, foi gravada naquele ano por Elis Regina. É um "SOS" ao Brasil e, ao mesmo tempo, uma exaltação à cultura brasileira. 

O Brasil tem a chance de, amanhã, mandar embora a quadrilha que esta matando o Brasil.




VEJA E OUÇA ELIS  AQUI



"QUERELA DO BRASIL"

(Aldir Blac e Maurício Tapajós)

 O Brazil não conhece o Brasil/ O Brasil nunca foi ao Brazil/ Tapir, jabuti

Liana, alamanda, ali, alaúde/ Piau, ururau, aki, ataúde/ Piá-carioca, porecramecrã

Jobim akarore, Jobim-açu/ Uô, uô, uô


Pererê, camará, tororó, olerê/ Piriri, ratatá, karatê, olará/ Pererê, camará, tororó, olerê

Piriri, ratatá, karatê, olará/ O Brazil não merece o Brasil/O Brazil tá matando o Brasil


Jereba, saci/ Caandrades, cunhãs, ariranha, aranha/ Sertões, Guimarães, bachianas, águas/ Imarionaíma, ariraribóia/ Na aura das mãos de Jobim-açu

Uô, uô, uô/ Jererê, sarará, cururu, olerê/ Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará/ Jererê, sarará, cururu, olerê/ Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará


Do Brasil, SOS ao Brasil/ Do Brasil, SOS ao Brasil

Do Brasil, SOS ao Brasil/ Tinhorão, urutu, sucuri

Ujobim, sabiá, bem-te-vi/ Cabuçu, Cordovil, Cachambi, olerê

Madureira, Olaria e Bangu, olará/ Cascadura, Água Santa, Acari, olerê

Ipanema e Nova Iguaçu, olará/ Do Brasil, SOS ao Brasil/Do Brasil, SOS ao Brasil


Em Salvador: o Senhor do Bonfim declara voto a Lula