sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

O demorado chute no traseiro

Jair do Caixão acumula dezenas de pedidos de impeachment. Todos engavetados por Rodrigo Maia. A Folha de hoje avalia que a mortandade na pandemia (o Brasil e um dos líderes mundiais nas trágicas estatísticas) pode, em muito, ser atribuída ao sociopata. Mas isso o país já sabia desde março. Bolsonaro não deixou de ironizar e pregar contra as medidas sanitárias em um só momento. Investiu na contaminação como sua bandeira necropolítica. O impeachment não acontece porque o sociopata tem apoio de empresários, políticos, militares, paramilitares, juízes, mercado e da grande mídia que sustenta Paulo Guedes ao preço de preservar Bolsonaro. E o país paga esse contexto com desemprego e pobreza, isso bem antes da pandemia. O regime bolsonarista está prestes a ganhar as presidências do Senado e da Câmara. Com isso, o Congresso passará a funcionar muito mais como um ministério extra do que como um Parlamento democrático. E aí, não apenas a boiada vai passar, passarão a burricada, a cambada, a choldra, a congregação, a falange, a horda e a malta. 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Mídia: o papel do digital

por José Esmeraldo Gonçalves

A queda vertiginosa dos meios impressos no Brasil é um fenômeno a ser estudado mais profundamente. Claro que os novos modelos digitais de mass media explicam muito sobre a mudança radical do mercado em todo o mundo nas duas últimas décadas. Mas, no nosso caso não parece fazer sentido a velocidade da queda. Péssima distribuição de renda, baixa escolaridade, pouco hábito de leitura e concorrência da internet são apontados como fatores relevantes no diagnóstico da crise. 

Em países da União Europeia os números da tiragem física de revistas e jornais decaíram em ritmo bem mais lento. Nas grandes cidades da UE as bancas de jornais ainda são estantes jornalísticas em número menor mas ainda expressivo. 

Nas capitais brasileiras, o cenário, no caso dos jornaleiros, é de devastação. A maioria das bancas permanece como pontos comerciais onde jornais e revistas são agora acessórios entre variadas mercadorias. 

Não é possível fixar a data do fim dos impressos. Há 15 anos, vários especialistas decretaram esse the end absoluto em até os cinco anos seguintes. A previsão falhou, mas vai se realizar em um futuro qualquer. Essa tendência é infelizmente muito clara.

A Folha divulgou hoje um quadro atualizado da circulação digital e impressa dos três principais jornais brasileiros. 


Aponta uma boa performance digital para o cenário brasileiro. No quadro da Folha, os números da circulação impressa chamam a atenção. A ocupação do espaço digital é um trabalho em progresso. 

O veículo que melhor fez a transição de modelo foi o New York Times, o principal jornal em língua inglesa do mundo. Em 2020 alcançou 6,5 milhões de assinantes, um número que inclui 5,7 milhões de assinaturas digitais. O impresso soma 1 milhão e 200 exemplares nessa conta. O NYT pretende chegar a 10 milhões de assinaturas no total até 2025, mas não espera manter um quinto disso em tiragem física. a escalada não é fácil: só no ano passado a receita da versão digital do NY Times superou pela primeira vez o faturamento da edição impressa, cuja assinatura é mais cara e mais cara também é a tabela de anúncios. As versões digitais dos grande veículos sofre com os preços da publicidade na internet, vandalizados pela concorrência das redes sociais.

O desempenho digital dos três grandes jornais brasileiros é boa notícia tratando-se do complicado cenário brasileiro. Uma presença mais forte da mídia profissional na internet é bem-vinda. E incluo aí a mídia profissional independente que, apesar das dificuldades, mantém veículos de indiscutíveis qualidade e credibilidade. O que é importante, por dois principais motivos: levar a verdade e os fatos ao terreno pantanoso da web e mostrar o contraditório às mentiras das trevas bolsonaristas espalhadas por milícias, fanáticos e robôs financiados.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Augusto Valentin: o fotógrafo das Certinhas do Lalau era especialista em curvas

 

Valentim em ação. Foto Fatos & Fotos

Vera Viana e Sonia Dutra na F&F

O calendário da Certinhas na Fatos e Fotos

As dez mais Certinhas na Última Hora

Norma Marinho, uma das Certinhas de Valentim no O Cruzeiro, em 1967, 
ano da última edição da lista.

por Ed Sá

O Globo noticia hoje a morte de Augusto Valentin na Flórida, onde morava. O fotógrafo ganhou fama por retratar "As Certinhas do Lalau", uma lista de belas garotas, a maioria estrelas do teatro de revista e da TV,  que agitavam o Rio nas anos 1950/1960. Lalau era o colunista Stanislaw Ponte Preta, o Sérgio Porto. As eleitas estamparam em épocas diferentes a Última Hora, Fatos & Fotos e O Cruzeiro. 

Antes de se especializar nas curvas das mulheres mais sensuais que o Rio já viu, Valentin frequentou outras editorias. Cobriu para o Globo as Olimpíadas de 1948. Foi da equipe de fotógrafos da Manchete a partir de 1952, quando a revista foi lançada. É dessa época uma reportagem que fez sobre o jogo do bicho. Ao lado do repórter Hélio Fernandes, Valentin flagrou a jogatina e os chefões de então em vários pontos da cidade, especialmente na região no Mangue, que era uma espécie de tosca "Las Vegas" carioca. 

Para as estrelas consagradas e em ascensão, posar para Valentin era currículo. Em dupla com Stanislaw, o fotógrafo lançou sex symbols que depois brilharam no cinema e na TV. Rossana Ghessa, Marivalda, Célia Azevedo,  Esmeraldo Barros, Norma Bengell e Elizabeth Gasper são alguns nomes de um longa dinastia que posaram para Valentin. As Certinhas faziam tanto sucesso que a Fatos & Fotos passou a lançar um calendário que estampava a maioria das borracharias cariocas. Nas várias fases das dez mais sensuais, Stanislaw e Valentin nunca abriram mão de um dogma: anoréxicas - a palavra nem era usada, referiam-se a magrelas mesmo -  não entravam. As esquálidas ou as "musas fitness" tortas de músculos que circulam nas redes sociais se aparecessem no estúdio seriam convidadas a se retirarem. 

Valentin tinha um filtro natural contra linhas retas. As objetivas gêmeas da sua Rolleiflex gostavam de registrar curvas. 

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Foi mal, não desculpe a vergonha alheia...

A estratégia bolsonarista da morte

Do Brasil 247: general desconfia da sanidade do Bozoroca. Mucho lôco!

 

Leia AQUI

A PALAVRA DA HORA H

 

n e g a c i o n i s m o  (da COVID-19)


Passamos a palavra para o Wikipedia, que está completando 20 anos de bons serviços e, ágil como sempre, já verbetou o conceito

A expressão Negacionismo da COVID-19 ou negacionismo do novo coronavírus (ou negacionismo viral) refere-se ao pensamento daqueles que negam a realidade da pandemia de COVID-19 ou, ao menos, negam que as mortes não estão acontecendo da maneira ou nas proporções cientificamente reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde. Essas alegações são consideradas pseudocientíficas e o atual consenso científico apoia os dados emitidos pelos órgãos de saúde dos países. 


Negacionistas
 célebres: O influenciador digital, jornalista e autoproclamado filósofo, Olavo de Carvalho, emitiu declarações polêmicas em suas redes sociais durante a pandemia de COVID-19, doença causada pelo SARS-CoV-2. Em 22 de março de 2020, afirmou que não havia nenhum caso confirmado de morte pelo referido vírus no mundo e que a pandemia seria "uma invenção" e "a mais vasta manipulação de opinião pública que já aconteceu na história humana". Naquela data, a Organização Mundial da Saúde contabilizava mais de 294.000 casos da doença e 12.784 mortes dela decorrentes. Em 12 de maio de 2020, Olavo declarou que a pandemia é, na verdade, uma "historinha de terror" criada para "acovardar a população" desdenhando as medidas restritivas tomadas pelo Brasil. Olavo é guru de Jair Bolsonaro que, desde março de 2020, repete as conclusões do ideólogo do atual regime do Brasil.

"Hitler" não gostou de ser atropelado por João Dória

 

As releituras cômicas do "Hitler" sobre a rasteira que João Dória aplicou no Bozoroca pipocam na web. 

Veja aqui a versão que circula na rede. 



Avião Fantasma - Bagunça da dupla General Pazuello+Bolsonaro faz CNN Brasil pagar o maior mico da cobertura sobre vacinas


Assinada por Wilson Roberto Vieira Ferreira, a matéria está no blog Cinegnose. A cena descrita é hilária. Leia trechos nos destaques abaixo e  o texto completo no link ao final.   

Olha aí! Vai partir o avião da esperança! Tô quase chorando... vamos bater uma salva de palmas! Clap! Clap! Clap! Imagem histórica...”. Essa cena de causar vergonha alheia tomou conta do “CNN 360” (14/01) no momento em que víamos imagens do Airbus da Azul decolando de Viracopos para, supostamente, ir buscar dois milhões de doses da vacina na Índia. Jornalismo torna-se propaganda para, depois, virar numa barriga jornalística. Desde o início do ano já se sabia que a Índia iria barrar a exportação da vacina AstraZeneca. Por que, então a CNN embarcou na corrida maluca de Pazuello pela vacina em meio ao caos da crise do oxigênio em Manaus? 

(...) 

Mas certamente uma das barrigadas mais constrangedoras no telejornalismo, pelo menos recente, foi protagonizado nessa última quinta-feira (14/01) no programa “CNN 360”, apresentado por Daniela Lima e a ex-Globo Gloria Vanique. 

(...)

Ao vivo, o analista de política Iuri Pitta complementava que o aumento de casos irá antecipar a revisão da quarentena em São Paulo, mas... corta!... “segura aí, fica com a gente!”, exclamou Daniela Lima... “Olha aí! Vai partir o avião da esperança!”, exalta enquanto são mostradas imagens de um avião Airbus da Azul movendo-se na pista do Aeroporto de Viracopos. Adesivado “Vacinação – Brasil imunizado – Somos uma só nação”.

(...) 

“O avião que está indo para Recife, e amanhã parte pra Índia. O quê que ele está indo buscar? Dois milhões de doses da vacina de Oxford... pega aí Gloria que eu tô quase chorando...”. E a certamente atônita Gloria Vanique segurou a apresentação e continuou: “teve um pequeno atraso, vai primeiro para Recife e depois, aí sim, vai para a Índia”.

(...)

Depois de falar em “torcer com emoção com joelhos no chão”, imagens do Airbus da Azul decolando: “Olha lá! Lá vai ele!... é o voo da esperança”, exaltava Gloria Vanique, embarcando junto na comoção da companheira de apresentação. 

(...)

"Vamos bater uma salva de palmas? Vai, vamo lá!.. Clap! Clap! Clap!... Vai que vai!... um dia muito difícil...” – 

Foi isso. O "avião da esperança" não passou do Recife. Era mais uma trapalhado general Pazuello e do capitão Bolsonaro, a Índia abortou o voo: não tem vacina por enquanto. As palmas foram para a decolagem de um voo fantasma que jamais chegou à Índia. 

PARA LER A MATÉRIA COMPLETA NO BLOG CINEGNOSE CLIQUE AQUI

A CENA DESCRITA COMEÇA A PARTIR DO PONTO 1:08:00.


Le Monde: horror e caos em Manaus

 

A palavra foi abolida pelo economistas nutella. Mas o Brasil dá todos os sinais de que está de volta para a categoria de subdesenvolvido. Desde o golpe, tornou-se quase irrelevante no cenário mundial. A pandemia mostrou o tamanho da cova em que Bolsonaro jogou o pais. A dramática matéria do Le Monde carimba o rótulo. A imagem do Brasil é hoje a de um governo abaixo de medíocre e de aglomerações enlouquecidas em festas, praias e bares, como a que Manaus viveu antes do caos. 

Brasil é, por exemplo, o B, do Brics. Pois o R, de Rússia, o I, de Índia e o C, de China correspondem a países que desenvolveram suas próprias vacinas. São autônomos nessa crise sanitária global. Só o Brasil e África do Sul (o S, de South Africa) não têm vacinas própria.

O Brasil vai acabar sendo rebaixado até do Brics.

Patrícia Poeta viraliza na web e ganha elogios e críticas... ("Na TV pede pro pobre ficar em casa")

 

Reprodução Instagram

As redes sociais viraram business para celebridades que atraem milhões de visitantes. Muitas divulgam produtos, outros promovem a própria marca, o nome. Mas, por serem canais abertos, recebem críticas ao lado dos elogios dos admiradores. Essa foto da bela Patrícia Poeta foi publicada no seu Instagram. "Depois de uma boa caminhada... um mergulho no mar... (viva!) pra refrrescar...com direito a água de coco. ótimo domingo, pessoal", escreveu a apresentadora. Entre os comentários dos fãs - "Linda";  "Vivaaaa"; "Uma linda sereia"; "Uma sereia cm perna de mulher. Linda demais"; "Inteligente e bela" - surgiram outros bem menos favoráveis: 'Usou máscara??? Distanciamento social???; "Na TV pedi (sic) o (sic) pobre para ficar em casa, na prática vivem aproveitando a vida e os números da covid só aumentando, essa globo e seus funcionários...; "Enquanto a globo diz, fica em casa...kkkkk. 


Na foto, Patricia Poeta parece bem produzida. Uma leitora chamou atenção para o cabelo"Mergulhou e saiu com cabelo seco kkkkkkk". A qualidade da foto parece indicar duas coisas: é de fotógrafo profissional e não foi feito na correria típica dos paparazzi. É até bem calma e tranquila, como se fosse Ursula Andress saindo do mar da Jamaica na célebre cena de "007 Contra o Satânico Dr. No". 

A foto da Patrícia Poeta viralizou nas redes nos últimos dias e foi reproduzida na mídia. 

A PALAVRA DA HORA H

a s s a s s i n o 

homicida, matador 

(atualmente a palavra mais pronunciada nos panelaços das oito e meia)


Origem: do árabe ashohashin, fumantes de haxixe. Durante as Cruzadas, integrantes de uma seita árabe, sob o efeito dessa droga, matavam a quem seu chefe lhes indicasse. Por isso, a palavra passou a significar “homicida”.

Le Club des Hashishins


O clube do haxixe se reunia no Hôtel de Lauzun,
no Quai d'Anjou, Paris


Uso célebre: Entre 1844 e 1847 funcionou em Paris o Club des Hashishins, um grupo que se dedicava a experiências induzidas pelas drogas e que incluía escritores célebres como Victor Hugo, Honoré de Balzac, Gérard de Nerval, Charles Baudelaire e Alexandre Dumas; o pintor Eugene Delacroix; o psiquiatra Jacques-Joseph Moreau, que aplicou o uso do haxixe no estudo das doenças mentais. Na época o uso recreativo de drogas era amplo e legal nos círculos literários e científicos. O Exército do Oriente de Napoleão e um contingente de 150 cientistas e antropólogos da Comissão de Ciências e Artes trouxe quantidades imensas de haxixe da expedição ao Egito. A conquista francesa da Argélia (1830-47) criou um canal ainda mais amplo e mais próximo, aumentando o consumo do haxixe nos países europeus. Às vezes, o Clube consumia também o Dawamesc, uma pasta esverdeada feita de resina de cannabis misturada com banha, mel e pistache. Baudelaire e Théophile Gautier acabaram desistindo da “droga intoxicante, não que nos causasse algum mal físico, mas porque o verdadeiro escritor só precisa de seus sonhos naturais, sem se deixar influenciar por qualquer agente...”

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Phil Spector: gênio do rock morre na prisão • Por Roberto Muggiati

 


Phil Spector em estúdio com John Lennon, que o chamou de "o maior produtor musical 
de todos os tempos, e...

... ao ser detido por assassinar a mulher, a atriz Lana Clarkson 

Al Pacino viveu o papel do produtor no longa-metragem "Phil Spector" em...

...uma caracterização perfeita, como se vê acima em cena do julgamento

Filho de imigrantes judeus nascido no Bronx, NY, em 26 de dezembro de 1939, Harvey Phillip Spector se tornaria uma das figuras mais importantes do rock. John Lennon, que recebeu sua ajuda na gravação de Imagine, o chamou “o maior produtor musical de todos os tempos”. Tom Wolfe, o papa do Novo Jornalismo, o definiu como “o primeiro magnata da juventude.”.  Spector ficou famoso ao criar a chamada Wall of Sound (parede sonora) – um complexo de técnicas de gravação que só ele sabia administrar e que ironicamente definia como “uma abordagem wagneriana do rock ‘n’ roll, sinfonietas para crianças.” Produtor convidado do álbum dos Beatles Let It Be, ele produziu All Things Must Pass de George Harrison e Rock ‘n’ Roll de John Lennon, além de discos dos Ramones, de Leonard Cohen, de Ika e Tina Turner.

Em 2003, Spector matou em sua casa, com um tiro de carabina na boca, a atriz Lana Clarkson. Em 2009, foi condenado a 19 anos de prisão. Ele morreu no sábado 16 de janeiro, aos 81 anos, de coronavirus num hospital-prisão de Stockton, Califórnia. Seu rumoroso julgamento foi tema de um longa-metragem, Phil Spector (2013), dirigido por David Mamet e estrelado por Al Pacino e Helen Mirren. Phil não só inspirou vários personagens ao cinema (um deles interpretado por John Turturro), como fez incontáveis “pontas”. A primeira, num episódio de Jeannie é um gênio, em 1967; a mais famosa de todas, na cena de abertura do Easy Rider (1969), com Peter Fonda e Denis Hopper. Vejam aí

https://www.youtube.com/watch?v=qqvI-DOIMEc

domingo, 17 de janeiro de 2021

E a luta continua... Anvisa ainda segura vacina liberada por outros países. A Baêa tá reclamando

 


O Brasil precisa de um exorcista

 


Pesquisa realizada pela Hoper Educação constatou que 78,9% dos candidatos ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) preferiam realizar as provas em maio. No meios de comunicação, foram muitas as declarações de médico e infectologias desaconselhando o Enem em pleno rebote da pandemia. 

Em vários estados, juízes derrubaram liminares que proibiam a realização da prova, mesmo diante de um  forte argumento: os estudantes iriam se arriscar nos transportes públicos e nos locais de realização do exame, com alto risco de levar o vírus para casa e para pessoas de grupo de risco ainda em quarentena. 

Nem mesmo a dramática situação de Manaus, um alerta ao resto do país, sensibilizou as autoridades. A Prefeitura de Manau, cidade sitiada pelo vírus, se recusou a ceder escolas para a realização das provas. 


Cena do filme O Exorcista, momento em que especialista expulsa espírito maligno

A pressão para o Enem a qualquer custo teria sido mais forte por parte das mantenedoras de universidades privadas de olho no caixa do primeira semestre de 2021, movimento quer se somou às já conhecidas alas negacionistas da Covid-19, que formam maioria no governo bolsonarista. Em relação à pandemia, o lema é "morte acima de tudo, o diabo acima de todos".

O Brasil precisa de um exorcista.

Sobre gado, galinhas e o voo que não aconteceu

 

O avião que se preparava para seguir rmo à Índia para buscar carga de vacina que não existia. Foto:Reprodução Twitter

por O.V.Pochê 

Mais um vexame internacional dos coveiros federais. Contrataram um avião, gastaram uma grana para botar um adesivo de propaganda da vacinação, supostamente festejando tudo o que trabalharam contra até agora. A negociação deve ter sido feita com um camelô indiano que se mandou na hora de entregar o produto. Com o jato no aeroporto de Recife a poucas horas de decolar, verificou-se que não havia vacina, o governo indiano não liberou o lote. Restou o adesivo ufanista. 

Tudo indica que o presidente indiano, que se chama Ram Nath Kovind, foi convencido a cair na real e cuidar do seu país. Alguns dados sobre a Índia. População 1.300.000.000 – seis vezes a do Brasil; e duas coisas em comum com o nosso país: um presidente que é da ultradireita e 210 milhões de cabeças de gado, número igual à população humana do Brasil,. Já o nosso gado soma 214 milhões de cabeças. Isso mesmo, o Brasil tem mais gado do que gente. Mas IBGE constatou que no ano passado que esse número de bovinos foi superado pelo de galinhas: 249 milhões de cabeças e penas. Não se sabe o que isso significa.

A PALAVRA DA HORA H

f a c í n o r a

homem perverso, assassino, um grande criminoso

Facínora era, em latim, o plural de facinus: “ações” – boas ou más. Como terá passado a “praticante de más ações”, “autor de crimes”, “criminoso”? Possivelmente, facínora derivou do adjetivo latino facinorosus = “que comete ações condenáveis”, “cheio de crimes”, “façanhudo” (de façanha, outro possível derivado de facere), “criminoso”. 


* Uso célebre: Em O homem que matou o facínora, título brasileiro do filme The Man Who Shot Liberty Valance (1962), de John Ford. 


Vacina no pau-de-arara...

 

por O.V. Pochê

A Anvisa está em reality show nacional sobre vacinas. Parece reunião de cientistas detentores do Nobel tal o rigor anunciado nas "análises" de algo que laboratórios mundiais desenvolveram. Pergunta de um leigo: se a Anvisa sabe tanto de vacinas porque não ajudou o Butantan e a Fiocruz a desenvolverem  uma? A Anvisa libera agrotóxicos proibidos em vários países com velocidade de foguete. E não são um ou dois venenos, são centenas. E faz firula com vacinas já aprovadas em dezenas de países.

A milícia digital "patriota" se omite diante da tragédia anunciada de Manaus

 


sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

A tragédia de Manaus na mídia internacional.

O drama de Manaus estarrece o mundo. É mais um capítulo de terror escrito por um presidente desprezível já conhecido como Jair do Caixão. Mas até para os padrões criminosos do indivíduo em relação à pandemia, brasileiros morrendo em dramática sequência, sufocados, por falta de oxigênio, alcança um nível inimaginável de desprezo pela vida. Esse mau elemento é doente. Tornou-se um  problema político, claro, mas ultrapassou essa fase. A crise pede tratamento psiquiátrico. É manicomial. Muitos países passaram por momentos difíceis e foram surpreendidos durante o enfrentamento da

Clarín


La Repubblica


The Guardian 


Ultimas Noticias


The Washington Pòst

Covid-19. Falta de leitos, hospitais lotados, as terríveis estatísticas de mortes diárias, o povo forçando aglomeração. Mas nenhuma deles fez do desprezo pela vida humana, do deboche, uma estratégia política, uma campanha do mal, incentivando a população a se aglomerar, fazendo piada de procedimentos, como o uso da máscara, recomendando medicamentos não recomendados pela ciência. 

A consultoria britânica Brand Finance divulgou um estudo sobre a imagem de cada nação quanto ao desempenho no enfrentamento da Covid-19. Alemanha e Nova Zelândia lideram o ranking. Estados Unidos têm a pior avaliação segundo a opinião pública. Nesse critério, o Brasil está em antepenúltimo. Mas na enquete apenas entre  cientistas, médicos e economistas, o Brasil está em último lugar. O governo brasileiro dificultou a luta contra a pandemia alegando que tinha que cuidar da economia. Foi desastroso em ambos os quesitos. Ao protelar medidas, ao fazer pregação contra a ciência, mergulhar em trapalhadas na compra de vacinas e de seringas, desmoralizar publicamente o uso de máscaras e a necessidade de lockdown, o governo não atendeu a saúde e prejudicou a economia. 

Tragédia carioca. Um jovem guitarrista de Madureira entra para o Clube dos 27. • Por Roberto Muggiati

Embora só aceite defuntos entre seus membros, o Clube dos 27 não deixa de ostentar um toque de sofisticação e refinamento. Fundado nos anos 60, reúne popstars famosos como o rolling stone Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain e Amy Winehouse, todos mortos com essa idade (Torquato Neto suicidou-se um dia depois de ter completado 28 anos, fiel à máxima de Groucho Marx: “Eu jamais entraria para um clube que me aceitasse como sócio.”). 

Nessa quarta-feira, 13 de janeiro, um modesto carioca ingressou no Clube dos 27 ao ser assassinado com um tiro na cabeça por assaltantes em Madureira. O cabo da Marinha Israel Aarão Marcelo da Silva Correa (até que tinha um nome vistoso) tornou-se mais uma na lista diária de vítimas da violência que assola a cidade. Israel tinha acabado de deixar o Centro de Instrução da Marinha na Penha, onde fazia o curso de sargento. Bom filho, rapaz de bem, também tocava guitarra, nos cultos da igreja evangélica que costumava frequentar. Parafraseio letras do nosso inocente cancioneiro: “Madureira chorou”... Mas a mais cabível seria: “Quero chorar, não tenho lágrimas...”

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Deputada bolsonarista Bia Kicis comemorou fim do lockdown em Manaus. A conta trágica chegou. Pacientes estão morrendo asfixiados.

 


Fotomemória Carioca: essa imagem de 1972 diz muito sobre os políticos brasileiros. Entenda.



Foto Correio da Manhã/Arquivo Nacional

por Flávio Sépia

Só a burrice, a ação dos lobbies e a corrupção explicam. Ou os três fatores juntos. Até os anos 1960, as capitais brasileiras dispunham de extensas linhas de bonde. Verdade que o povo reclamava, e com razão. As companhias, embora privadas, não mais investiam no sistema. Todas eram ligadas a empresas estrangeiras, como a Light. O fim das concessões se aproximava, e parecia não haver interesse em renová-las. No Rio, o corte de energia que se repetia várias vezes ao dia paralisava o tráfego de bondes. O Brasil precisava de grandes investimentos em hidrelétricas, de retorno financeiro demorado, e o capital privado preferia não encarar esse risco. O sucateamento estava à vista. A superlotação era abusiva. 

Em 1963, o governador Carlos Lacerda decretou com uma canetada a extinção dos bondes cariocas e as picaretas em todos os sentidos foram às ruas dar início ao quebra-quebra. Outras capitais fizeram o mesmo. Praticamente de um de um dia para o outro, as empresas de ônibus triplicaram de tamanho, passaram a faturar altos lucros e, com o tempo, ganharam enorme poder político projetado nas décadas seguintes. As mais ambiciosas enchiam os bolsos de autoridades da popular propina, como até hoje investigações esporádicas revelam. Não por acaso, os donos dos cartéis de ônibus tornaram-se milionários. Não ocorreu ao poder público nem aos gestores de então decisão mais racional, como oferecer os bondes em concessão ou mesmo criar empresas públicas - a CTC assumiu o sistema apenas para coordenar a destruição - para administrá-los e modernizá-los. Foi o que fizeram, por exemplo, muitas capitais da Europa, onde até hoje são mantidos sistemas de bondes integrados aos metrôs. 

A CTC implantou ônibus elétricos no Rio, várias capitais fizeram o mesmo, bilhões foram gastos para instalação de cabos e aquisição de veículos. Muitos intermediários (o termo "operadores" não era usado ainda para tais casos) novamente saíram de bolsos cheios. Mas os trólebus não duraram muito. Acusados de atrapalhar o tráfego, foram desativados. A mesma acusação antes invocada para destruir as linhas do antigo bonde, 

Com a invasão dos automóveis, o sistema sobre trilhos provocava engarrafamentos insuportáveis para a nova classe média motorizada. Em vez de cuidar do transporte público, os picaretas nacionais privilegiaram o privado. Pois a foto acima, quase dez anos depois da arrancada dos trilhos, mostra um trecho da Avenida Rio Branco coalhada de ônibus. A fim dos bondes não resolveu, ajudou a agravar os congestionamentos. Observe os fusquinhas da classe média ascendente engolidos pelos 'busões'.

Em 2016, os bondes voltaram ao Centro do Rio. Agora com o nome de VLT. Circulam em 28km de trilhos. 

O sistema dos antigos bondes, quando foram extintos, contava com mais de 400km de trilhos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Nem Bolsonaro nem Dória: quem começou a vacinação no Brasil foi a Embaixada da Rússia. Funcionários brasileiros da representação já foram vacinados

 



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ABI se coloca à disposição dos jornalistas Ruy Castro e Ricardo Noblat para enfrentar ameaça do governo à liberdade de expressão

 


Do site oficial da ABI

"O presidente da ABI, Paulo Jeronimo, telefonou nesta segunda-feira,11, para o jornalista e escritor Ruy Castro, manifestando solidariedade e colocando a  Casa do Jornalista à disposição do companheiro, alvo do ministro da Justiça, André Mendonça, que anunciou no domingo, 10,  que pedirá abertura de inquérito contra Ruy Castro após texto sobre Bolsonaro.

Paulo Jeronimo ouviu de Castro que a questão está sendo acompanhada e conduzida pelo jurídico do jornal “Folha de S.Paulo”, do qual ele é colunista. E mostrou-se “reconfortado” com o apoio da ABI.

O ministro André Mendonça, anunciou no último domingo que vai pedir abertura de inquérito policial contra o escritor Ruy Castro e contra o jornalista Ricardo Noblat.

Em sua coluna no jornal “Folha de S.Paulo”, Ruy Castro ironizou o presidente americano, Donald Trump, após a crise da invasão do Capitólio na última quarta-feira. O escritor disse que se o presidente americano desejasse se tornar um “mártir”, “herói” ou “ícone” para seus seguidores, poderia se matar.

Ao falar de Bolsonaro, lembrou que o presidente brasileiro costuma imitar ações de Trump. E sugeriu que ele também cometesse suicídio.

“Se Trump optar pelo suicídio, Bolsonaro deveria imitá-lo. Mas para que esperar pela derrota na eleição? Por que não fazer isso hoje, já, agora, neste momento? Para o bem do Brasil, nenhum minuto sem Bolsonaro será cedo”.

Ricardo Noblat replicou o texto nas redes sociais, o que causou a reação de apoiadores de Bolsonaro".

Fotomemória da redação: quando os roqueiros franceses John Hallyday e Sylvie Vartan foram resgatados da chuva por uma Rural Willys da Manchete

John Hallyday e Sylvie Vartan foram resgatados de um temporal carioca pela Rural da Manchete.

Mesmo assim, no caminho para o hotel, tiveram que se abrigar na Rodoviário Novo Rio enquanto esperavam as águas baixarem. O fotógrafo Orlando Abrunhosa registrou o casal, em primeiro plano, vivendo involuntariamente uma típica experiência de cariocas. 

por José Esmeraldo Gonçalves

Como o livro "Aconteceu na Manchete, as histórias que ninguém contou" descreve, o oitavo andar do prédio da Rua do Russell era uma espécie de sala de visitas para personalidades de várias áreas. 

Cientistas como Albert Sabin e Christian Barnard, astronautas como John Glenn e Yuri Gagarin, escritores como Jean-Paul Sartre, astros como Kirk Douglas, Gina Lollobrígida, Claudia Cardinale e muitos outros visitaram a redação. Esse desfile de famosos era praticamente uma rotina. Distribuidoras de filmes, editoras de livros, gravadoras e embaixadas geralmente agendavam uma ida à Manchete como parte do roteiro carioca das celebridades internacionais. Se o oitavo andar era a "recepção", a frota de camionetes Rural Willys  que servia a repórteres e fotógrafos vivia  muitas vezes momentos de viatura vip ao transportar os convidados. 

A foto acima, de março de 1967, mostra o cantor de rock francês Johnny Halliday e a mulher, a também cantora de sucesso Sylvie Vartan a bordo de uma Rural.  O casal vinha de São Paulo e uma equipe de reportagem foi ao aeroporto. Mas era verão no Rio e a coisa não acabou bem. O diretor de redação da principal revista da casa, Justino Martins, escreveu: 

"Johnny Hallyday desceu do avião paulista e consultou o relógio. Eram seis horas da tarde. Às nove, ele devia cantar no Maracanãzinho. Chovia a cântaros. Mas, como bom francês, ele murmurou para a sua bela Sylvie: 'Que d'eau, que d'eau! Vamos em frente. Em qualquer cidade do mundo, quando chove, a vida continua". Só mais tarde, às cinco da manhã, constatou o quanto se enganara: no Rio, quando chove, a cidade morre afogada. O casal de cantores foi apanhado pelas inundações torrenciais e , salvo por uma camionete da Manchete, abrigou-se na estação rodoviária, e o Maracanã, em vez de fãs do iê-iê, acolheu milhares de flagelados, sobreviventes de uma dessas calamidades que ultimamente vêm enlutando o Rio."

A repórter Vera Rachel e o fotógrafo Orlando Abrunhosa cobriram a inesperada aventura dos cantores no Rio. 

Por algumas horas, os roqueiros franceses aguardaram em um banco da rodoviária Novo Rio a chuva diminuir. O show foi adiado e o dia já amanhecia quando o casal chegou, finalmente, ao hotel Copacabana Palace.

Pães e peitos (continuação) • Por Roberto Muggiati

Santa Águeda
Curiosa coincidência: ao ver a história da colega Clara Brito sobre Santa Águeda ao lado da minha matéria sobre pães, pensei: “Eu conheço esta senhora.” O encontro se deu nas viagens que fiz a Catania, na Sicília, em 1961 e 1999, em cuja catedral presenciei o culto de Santa Ágata, como também é conhecida. O fabuloso óleo sobre tela de Sebastiano del Piombo que a retrata (1520, Palazzo Pitti, Florença) é inédito na iconografia católica por mostrar uma santa de peito totalmente descoberto. 

Ágata está entre as seis mulheres que, ao lado da Virgem Maria, são celebradas nominalmente no Cânone da Missa (as demais são Felicidade, Perpétua, Luzia, Inês, Cecília e Anastácia.)  

Nas representações  artísticas, os seios de Ágata aparecem muitas vezes cortados sobre uma bandeja. Na Idade Média foram comumente confundidos com pães, o que teria originado a cerimônia na qual pães são levados ao altar numa bandeja. 



No sul da Alemanha e na Áustria, pães são cozidos na forma de seios pequenos e abençoados no dia 5 de fevereiro ou na véspera para ajudarem a combater  doenças nas mamas, febre e queimaduras; nas mães lactantes e no gado acredita-se que estes pães reforcem o fluxo do leite e suas migalhas são também espalhadas pelas casas e estábulos para prevenir incêndios. Santa Ágata foi também adotada como padroeira pelos médicos especializados em mamas e, na sua data, celebra-se o Dia do Mastologista.

A festa da santa está chegando. Que tal preparar, para 5 de fevereiro, umas deliciosas cassatinhas de Santa Ágata? Aqui vai a receita, sugestão especial de Carla Maitá.

Minne Di Sant'Agata - [Seios De Santa Ágata]

 "Foi graças à devoção de minha avó que todo dia 5 de fevereiro a família Badalamenti se reunia para comemorar a festa de suas Ágatas com um almoço em grande estilo, que terminava com os doces votivos - as Minne de Santa Ágata justamente - feitos à mão por ela mesma, por graças recebidas ou a receber. Minha vó, de quem levo o nome, tinha estabelecido que eu a ajudaria na cozinha na delicada preparação dos docinhos e me designou protetora oficial da receita e sua única herdeira. Na família Badalamenti a herança passava aos descendentes segundo o direito do mais velho: isto é, o patrimônio ia para o primeiro filho macho, que tinha obrigação de conservá-lo, mantê-los guardado e passá-lo integralmente ao próprio descendente. Embora esse direito tivesse sido abolido após a unificação da Itália, em nossa família, aliás, em toda a região meridional, permaneceu o costume de privilegiar o filho mais velho, reconhecendo às mulheres um dote em dinheiro que tinha o objetivo de prevenir disputas longas e violentas. Minha avó, feminista ao seu modo, quis legar a mim o mais precioso bem da família, a receita das Minne de Santa Ágata.

Na cozinha, na penumbra era realizado o sagrado ritual da preparação dos doces, do qual eram excluídos os outros parentes, que, incapazes de uma fé genuína, banalizariam o sacrifício da minha avó e causariam irritação à Santuzza, que poderia até retirar a sua benévola proteção.

Eu lavava as mãos com cuidado especial, o mesmo que anos depois eu usaria para assistir aos partos no hospital. Defronte à mesa de mármore eu trabalhava a massa e o creme de ricota com dedicação e seriedade. Um pouco para me entreter; um pouco para me instruir; um pouco para me contagiar com sua fé religiosa ingênua, sincera e apaixonada, minha avó me contava a vida da Santuzza, de modo como a conhecia."

Esse trecho foi retirado do livro Mamas Sicilianas (Il conto delle minne), segundo livro da siciliana Giuseppina Torregrossa, autora que tive o prazer de conhecer ano passado, quando um amigo me indicou a leitura. 

Acho que terminei o livro em menos de 48h e ele tem sido um presente constante às minhas amigas, pois é um livro que trata da força feminina e também de suas vulnerabilidades. É um livro intenso, curioso, sensual e  muito feminino. Foi nele que conheci a história de Santa Ágata - mártir siciliana que entre outras atrocidades, teve seus seios cortados-, e de suas cassatas que tantas sicilianas preparam no dia 5 de fevereiro.

Nem preciso dizer que indico muito a leitura.

Receita da Minne di Sant'Agata - Cassatinhas de Santa Ágata
O visual instigante das Cassatinhas sagradas.

INGREDIENTES

Massa

600 gramas de farinha de trigo peneirada

120 gramas de banha

150 gramas de açúcar de confeiteiro

Essência de baunilha

2 ovos

Corte a banha em pedacinhos e trabelhe com as mãos junto com a farinha. Quando os dois ingredientes estiverem misturados (tipo uma farofa), junte o açúcar de confeiteiro, os ovos e a baunilha. Sove rapidamente, e se necessário, molhe as mãos para dar mais umidade à massa.

"Quando a massa adquirir uma consistência macia e elástica, que permita afundar os dedos como se fosse um seio voluptuoso, cobrir com uma pano de prato e deixar descansar."

Recheio

500 gramas de ricota de leite de ovelha (não consegui, usei creme de ricota)

100 gramas de frutas cristalizadas em pedacinhos (usei damasco, tâmaras, cidra, laranja, figo turco)

100 gramas de lascas de chocolate

80 gramas de açúcar

Misture a ricota e o açúcar até obter um creme. Acrescente as frutas picadas e o chocolate. Deixe descansar na geladeira por 1h.

Unte com manteiga e farinha forminhas redondas* para o doce adquirir a forma de um seio. Abra a massa bem fininha e forre as forminhas. Coloque o recheio e cubra com mais uma camada de massa. Feche as bordinhas, cuidando para que não saia recheio.

Coloque as forminhas, viradas com as bordas para baixo, em uma forma untada e leve ao forno pré aquecido a 180ºC. Asse por 30 minutos. Retire do forno e deixe esfriar.

*para o efeito arredondado é necessário uma forma meia esfera. Consegui a "luna" no Barra Doce.

Glacê

350 gramas de açúcar de confeiteiro

2 colheres (sopa) de suco de limão

2 claras

Bata as claras em neve com uma pitada de sal. Junte o açúcar, o suco de limão e continue misturando até obter um creme branco, brilhante.

Retire as cassatinhas das formas e coloque em uma grade. Derrame o glacê em cada uma delas para cobrir.

"Para as simples cassatinhas se transformarem como que por encanto em seios maliciosos, minne completas, decore essas magníficas, brancas e perfumadas esferas com uma cerejinha cristalizada."


terça-feira, 12 de janeiro de 2021

O pão nosso de cada dia • Por Roberto Muggiati

 

Foto Adobe Stock

Foi na última viagem do fim do meu primeiro casamento. Depois daquele porre que é a visita guiada a Versalhes fomos a um café enquanto o ônibus de Paris não chegava. A lembrança é clara. Ouvi, de um grupo de paulistas, a voz esganiçada de uma jovem: “Mas eles não servem cacetinho aqui!?” Me deu vontade de dizer: “Cacetinho é o cacete! Aqui eles não servem pães, só brioches...” Refreei o impulso, a cultura da mocinha não devia chegar à frase famosa atribuída a Maria Antonieta.

Entre as muitas coisas que tenho colecionado nestes tempos erráticos da pandemia está a quantidade de nomes usados para designar o pão nosso de todo dia: pão francês, careca, cavaca, baguete, bisnaga, broa. A baguete chamada de brigite entrou para o repertório depois da visita famosa da Bardot a Búzios no verão de 1964. Pão australiano, suíço, italiano, ciabatta, focaccia. Pão ázimo. Pão de queijo, pão de mel, de alho, de cebola, com gergelim, provolone, parmesão. Pão alemão: Pumpernickel, Kümmelbrot, aquele pão de cominho. Pão árabe, pão sírio. Pão de hambúrguer, pão de cachorro quente. Todas as formas de pão de forma com seus múltiplos sabores, grãos e fibras. Conhecem a sacadura? Imaginei que o nome fosse homenagem a Sacadura Cabral, o aviador que fez em 1922 com Gago Coutinho a primeira travessia do Atlântico Sul. Até hoje não tive confirmada essa teoria.

Quando ainda trabalhava na Manchete, descobri um pãozinho maravilhoso numa padaria da Rua Tonelero, vizinha ao prédio Albervânia, onde Carlos Lacerda sofreu o famoso atentado de 1954. Como tinha dificuldade em fixar o nome do pão, eu o associei ao do mandachuva do garimpo de Serra Pelada, o Major Curió. Era um minipão francês crocante, com uns cinco centímetros de comprimento e eu costumava compra-lo por peso.

Querendo reeditar a experiência gustativa de contornos proustianos, busquei a tal da padaria na internet. Apareceu logo uma Panificação e Confeitaria Curió, à Rua Tonelero, 202lj, telefone 2547.6266. Só que a Vivo informa:  “Esse telefone não existe”. E, navegando na Tonelero pelo Google Maps, não encontrei nenhuma padaria, o 204 é o número da portaria de um edifício novo sem lojas no térreo. Por enquanto, a vida fica me devendo o gostinho do curió. Mas a pesquisa sobre nomes de pães continua e toda colaboração dos leitores do nosso Panis (!) será bem-vinda. 

A revolução dos cyber seios (e o que isso tem a ver com a História)


As bem-dotadas estrelas dos videogames

por Clara S. Britto 

Vamos falar sobre seios. Tenho uma amiga com filhos adolescentes que, como muitos, são entusiastas dos videogames de última geração, como Playstation e Xbox. Alguns jogos têm como protagonistas super heróis e super heroínas. Estas, invariavelmente, são mega peitudas. 

Esse tipo de curvas acentuadas parece seduzir a garotada. 

Mas o fenômeno não está apenas na ficção digital. Um fabricante brasileiro de lingerie detectou que a venda de sutiãs tamanho P, que nos anos 1990 representava 20% do total, caiu em 6% e 15%, dependendo da região do país. Alimentação, sedentarismo e aumento da estatura média da população e a procura precoce por próteses estão entre os fatores que fazem os seios pularem dos decotes. 

Aquela jovem dos anos 1960/1970 que estava mais preocupada em conquistar direitos e exibia seios geralmente pequenos já era. Basta ver como as musas da época, Leila Diniz e Helô Pinheiro (a Garota de Ipanema), eram contidas no quesito. Ou as estrelas da Nouvelle Vague. Uma Sophia Loren tinha mais busto do que Anna Karina, Bernadette Lafont e Anne Wiazemsky juntas. 

Voltando ao Brasil. Hoje, um simples caminhada nos calçadões das cidades praianas prova que as novas gerações pouco ou nada deixam a desejar em relação às heroínas dos videogames. Vai longe o tempo em que a vibe dos peitões era tipicamente americana. Seios poderosos, dignos desse adjetivo, só no cinema. Os símbolos eram Jayne Mansfield, Jane Russel, Sophia Loren. Hoje, como um revival estético, suas medidas correspondem às das estrelas dos videogames.

Mas houve outros tempos em que os peitos foram valorizados. Os pintores clássicos, aí por volta de 1400/1500, foram pródigos em retratar belas damas em topless. Rafael teria sido o mais ousado. Tanto que a Igreja Católica atribuiu ao pintor a profusão e a profundidade dos decotes então adotados pela mulherada nos salões da reta final da Idade Média. 

Curiosamente, muito antes de Rafael, a igreja já havia passado a cultuar uma jovem e nobre siciliana de grande beleza e seios turbinados. Agueda, o nome da musa, despertou desejos intensos no cônsul Quinciano, que a pediu em casamento. A moça recusou, era cristã, já estava comprometida com Deus. Enfurecido pela negativa, e com o apoio do imperador Trajano, o cônsul mandou prender a jovem sob a acusação de prática de bruxaria. Ágata teve os seios arrancados. Por um milagre, os seios renasceram dias depois. A Igreja a reconheceu como mártir da virtude e santa. Para muitas crentes, Águeda tornou-se uma espécie de protetora dos seios. É cultuada até hoje, há orações em seu nome. Chegou a ser representada em pinturas com os seios nus, mas essas versões foram condenadas pelo clero e a imagem foi redesenhada. Mesmo assim, é a única santa retratada em muitas pinturas ou imagens com o volume do busto aparente sob as vestes. Há muitos mais mistérios entre a preferência dos games e o martiriológio romano do que pensa a vã filosofia digital.