sexta-feira, 10 de julho de 2009

é brasileira!!!!!

Notícia de última hora: a morena que Obama e Sarkozy "conferem" durante a reunião do G-8 (foto em post abaixo) é brasileira, chama-se Mayara Rodrigues Tavares, tem 17 anos e é carioca. Irreverência à parte, ela tem outros e elogiáveis méritos. Estava lá como representante do Unicef, Fundo das Nações Unidas para a Infância. Nascida e criada na comunidade Barro Vermelho, em Santa Cruz, Mayara participou de uma pesquisa da Unicef sobre os direitos de crianças e adolescentes carentes em todo o mundo, chamada Plataforma dos Centros Urbanos Brasileiros, e foi, em seguida, selecionada para a reunião do G-8. Não era, ao contrário do que muito pensaram antes, uma reles "patricinha" ou filha de um embaixador mané qualquer. Respeito, pois.

Camelô da notícia

Ontem, foram regulamentadas as profissões de motoboy e mototaxista. Perfeito. Junto com o reconhecimento da profissão virão medidas de segurança que beneficiarão os usuários. Pouco se fala, mas nesse momento o exercício do jornalismo não dispensou apenas o diploma. Trata-se de um profissão desregulamentada. Até que sejam aprovados, se o forem, projetos recém-apresentados, a época é do sem lenço, sem documento e sem regras.

G-8 ou GG?


Deu no Globo: A reunião do G-8 (as sete economias mais ricas e a Rússia) e do G-5 (Brasil, China, Índia, México e África do Sul), na Itália, foram praticamente recreativas. No quesito ecologia, foi quase um desastre, sem acordos efetivos sobre o controle da emissão de carbono, a não ser metas de longuíssimo prazos. A reprodução da foto de Jason Reed/Reuters publicada hoje é reveladora: Lula distraído lá no fundo, Obama conferindo o GG, bela paisagem ao sul dos cabelos encaracolados da recepcionista, ela que passa no doce balanço.... Pelo jeito e pela cara, coube a Sarkozy, marido da Carla Bruni, chamar a atenção do marido da Michelle Obama. E o Berlusconi? Cadê o Berlusconi? Bom, pelo retrospecto, discutindo economia também não estava. Vai ver organizava a happy hour "do cabide" na beira da piscina. Acho que esses caras vão ter problema na volta pra casa...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

...e Deus criou o homem

Prometeu, o mais célebre dos Titans, irmão de Epimeteu e filho de Japeto, era venerado na Grécia dos heróis como Aquiles, Ulisses, Ajax e tantos outros cantados por Homero.
Mas, Prometeu era um semideus e modelando no barro criou, à sua imagem, a figura do homem. Faltava lhe dar vida, o que fez com uma centelha de fogo tirada do carro de Sol de Apolo, seu condutor. Zeus, que olhava com inveja, essa obra admirável de Prometeu, ordenou a Vulcano – que por sua vez, com argila amassada com água, criou a imagem da mulher, de uma beleza indescritível chamando-a de Pandora, – que desse essa mulher a Prometeu, como sua esposa, levando como dote a sua caixa. A caixa de Pandora, trazia no seu interior todas as maldades que pudessem afligir a espécie humana.
O homem veio durante os séculos conquistando o possível e o impossível. Travou as maiores guerras. Conquistou o espaço cósmico e pôs o seu pé na Lua. Criou bombas atômicas e conseguiu as maiores conquistas na medicina salvando outros homens com transplantes de seus órgãos vitais. Mas, tudo isso não seria o bastante. Ele sempre quer mais. Agora, quer reinventar o que a Natureza inventou na origem da vida.
Nas bancadas dos laboratórios, no meio de provetas, microscópios, filtros e plaquetas ele cria o "Espermatozóide de Proveta". Diante disso, fica no ar a pergunta que não quer calar:
– Pra quê?
– O homem quer ser Deus?
Mas, Prometeu foi castigado. Zeus, não suportou a ousadia desse semideus, ordenou a Mercúrio que prendesse Prometeu e o acorrentasse no Cáucasso onde um abutre, durante trinta mil anos devoraria as suas entranhas, que se renovariam a cada dia, eternizando as suas dores.

julho, inverno de 2009
deBarros

Ernani d' Almeida


Fotógrafo que brilhou nas revistas Manchete e Desfile e atua hoje em várias publicações, entre as quais a Contigo e o site Paparazzo, Ernani d' Almeida lança livro.

Billie Holiday: fala, Muggiati


Há 50 anos — no dia 17 de julho de 1959 —, o mundo perdia Billie Holiday, uma das maiores cantoras de todos os tempos. Com seu jeito intimista de interpretar — nunca cantava uma mesma música da mesma maneira — revolucionou os vocais do pop e do jazz norte-americanos. Para celebrar a alma dessa artista, o jornalista Roberto Muggiati, ex-diretor da Manchete, dará a palestra Lady sings the blues no Espaço Telezoom, contando desde a infância pobre em Baltimore até a glória nos palcos e a ruína por causa das drogas. Com a exibição de interpretações antológicas de Lady Day (apelido dado pelo amigo saxofonista Lester Young) no telão. Roberto Muggiati nasceu em Curitiba e é jornalista desde 1954. É autor dos livros O que é jazz; Blues: da lama à fama; Improvisando Soluções – O Jazz como exemplo para alcançar o sucesso e Rock – O grito e o mito, publicado na Espanha, México e Argentina, entre outros títulos. Colabora regularmente para o caderno cultural da Gazeta do Povo de Curitiba escrevendo sobre música e cinema. (press-release)

Dia 16 de julho, quinta-feira, 20h

Espaço Telezoom – Rua Dias Ferreira, 78/301, Leblon

Tel.: (21) 3435-1617

Ingresso: R$ 20,00

Twittando na maionese

Só para mostrar como os deputados estão parando na podre ao censurar a internet (referência a post deste Panis). Sarah Brown, mulher do Gordon Brown, primeiro ministro britânico, foi fotografada durante a reunião do G-8 twitando compulsivamente. A primeira-dama contava que acordava cedo, que conversou com Michelle Obama, com Carla Bruni etc. Britney Spears, Demi Moore, Barack Obama... todos conjugam o novo verbo twittar.
Quer seguir a Sarah Brown? Digite @Sarah Brown10
ou, por exemplo, a bela rainha Rania, da Jordânia? Tecle @QueenRania
Agora, uma pergunta: e se milhões de brasileiros continuarem falando de política na internet em tempo de eleição? o que farão os deputados? Vão tirar milhares de provedores do ar? E se blogs e sites estiverem hospedados no exterior, os políticos vão para o mundo que eles querem descer? Caras, vão fazer alguma coisa de útil!


Censura

Na falta do que fazer, coisa normal naquelas bandas, o Clube dos Deputados, também conhecido como Câmara, quer censurar a Internet. Coisa que Irã, China, Arábia Saudita, Coréia do Norte e outros costumam fazer. A pretexto de um rascunho de reforma política (aquela pra valer, que ajudaria a moralizar a agremiação eles não obviamente fazem), votam projeto que ameaça provedores com multas caso não tirem do ar comentários políticos, suposta propaganda de candidatos etc. Os sócios da Clube dos Deputados sabem que a grande imprensa, na eleição, geralmente não é problema, é quase sempre zona de conforto. O risco são blogs e sites independentes, e agora o twitter, como se viu nas últimas eleições presidenciais quando a rede se tornou veículo para um amplo e democrático debate. Curiosamente, os deputados censuram o eleitor mas aprovam no tal projeto registro de candidaturas de figuras condenadas em processos criminais. Dá para entender.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Baywatch 2


Atendendo ao pedido de um de nossos queridos blogueiros, o Panis Cum Ovum, colocou uma foto de Pamela Anderson.
(foto/divulgação)

Trivialidade...



Baywatch vai virar filme. Não é nada, não é nada... não é nada, como diria Ancelmo Góes. A tarefa de levar as moças de maiô vermelho para as telas é do diretor Jeremy Garelick. No elenco, David Hasselhoff, Pamela Anderson, Alexandra Paul, Yasmine Bleeth. O surfista Kelly Slater também estaria no elenco. Foto/Reprodução da capa do DVD da série.  

terça-feira, 7 de julho de 2009

Bom programa

O GNT exibe nesta segunda-feira, dia 13, às 21h, o documentário inédito "James Brown: Padrinho do Soul" . Dirigido pelo francês Philippe Manoeuvre, o programa focaliza, segundo a divulgação do canal,  "o homem paradoxal que foi James Brown, morto em 25 de dezembro de 2006. Ele tinha fé em Deus, mas cantava "a música do diabo". JB cantou, nos anos 60, Say it loud, I'm black and proud  ("Diga alto, sou negro e tenho orgulho disso") e apareceu na TV para acalmar os ânimos dos negros quando estes se revoltaram contra a morte de Martin Luther King. Foi um músico auto-didata, além de atuante na luta pelos direitos civis.

Edições muito especiais




O Gonça já relembrou aqui a Manchete, Fatos &Fotos e Amiga diante de acontecimentos especiais que justificavam edições extras. Elvis Presley, Lennon, Kennedy, JK, João 23, Senna, Carmen Miranda, Tom Jobim... foram muitos. Na semana passada, faltou a Manchete nas bancas que exibiam Caras, Quem, IstoéGente, Veja, Época e capas de todos os jornais com o Michael Jackson. De tantas publicações, duas a destacar: a edição da Contigo, com o MJ de bad boy na capa; e uma revista especial, capa em tom prata, inspirada na edição da Time que o Panis antecipou aqui logo após a morte do cantor. Não são apenas fotos, há muito para ler. Fica aí o registro de um leitor.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Gloria Perez exportação


É mole? Caminho das Indias no Washington Post.
Reprodução, The Washington Post

 

Assombração

Fantasma

Fantasma pop: Elvis não morreu e Michael Jackson nem foi enterrado e já está dando pinta nos corredores de Neverland. Olha ele aí, meio transparente, perto de uma lareira. Confira nas imagens da CNN no link para o You Tube.
http://www.youtube.com/watch?v=h1-Zq_loKag

a mãe do new journalism

Agora, está explicado. Gay Talese não é o pai do new journalism. Aliás, o new journalism não tem pai, tem mãe. Em Paraty, na 7ª Flip, o escritor confessou que aprendeu com a dona Talese o faro jornalístico. Disse o escritor que ela "tinha profundo interesse nas histórias de suas clientes". Para a srs. Talese, que gerenciava uma boutique, "as pessoas comuns rendem boas histórias quando as conhecemos bem". Tá certa. Entre um vestido e outro, a madame se informava sobre o mundinho das clientes. Gay Talese não quis se aprofundar, mas está claro que a mama Talese era uma tremenda fofoqueira...

domingo, 5 de julho de 2009

A pergunta do Panis interativo...

O que você fazia em 1969? (pergunta válida para os maiores de 45/50 anos, por aí...)

Canal memória: "Pequeno passo, gigantesco salto..."


Lembram disso? Acho que a morte de Michael Jackson está atrasando matérias na imprensa. Mas o Panis se adianta: no dia 20 de julho de 1969, o homem chegou à Lua. E Neil Armstrong deixou a marca da sua bota no solo lunar e mandou uma frase que entrou para a história ("Este é um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade"). A nave Apolo 11 levava ainda os astronautas Buzz Aldrin e Michael Collins. Um detalhe, hoje, qualquer videogame, relógio digital ou celular carrega processadores de dados muito mais poderosos do que os computadores IBM que guiaram o trio Saturno (foguete), Apolo 11 (cápsula) e Águia (módulo lunar). 1969? 40 anos... Estávamos em outro planeta: os carros da moda eram Corcel, VW 1600, Gálaxie, a máquina de escrever era Olivetti, gasolina do tigre da Esso... confiram nas reproduções acima...

sábado, 4 de julho de 2009

Baú do Gonça











Frio em Petrópolis, calmaria no sótão-escritório do Gonça, hora de revirar o baú de livros. De lá sai um pequeno tesouro, nem sei se o Nelson Motta ainda tem um exemplar, deve ter, vou perguntar, mas vale postar o achado neste eclético blog. A edição original lançada em 1968 pela The New American Libary é baseada no desenho animado Yellow Submarine, por sua vez inspirado em histórias que o jornalista Lee Minoff extraiu de letras das canções dos Beatles. Um ano depois, Nelson Motta fez uma inspirada adaptação brasileira para a Editora Expressão e Cultura, com "bolação" - diz o expediente - e orientação editorial de Fernando de Castro Ferro, "apoio moral" de José Carlos Oliveira, direção de arte de Chisnandes, paginação e montagem de Ventura. A capa anunciava: "Uma nova e explosiva dimensão em cinema. Um livro pra frente como nunca se viu - Os Beatles - Submarino Amarelo". A tradução, como não podia deixar de ser, usa e abusa dos termos da época. Pepperland, o país imaginario onde tudo acontece, virou Pilantrália. Superbacana, ademã, genial, vamos balançar... O surrealismo e a louca alegoria ainda permitiam um segunda leitura cheia de alusões ao momento que o Brasil vivia, sob os coturnos da ditadura. Há a Luva Dedo-Duro, os Azulões, dados a acessos de fúria e cercados de bajuladores, expressões como "tudo cinzento em Pilantrália". No final, a música vence os autoritários Azulões. Mas John, Paul, Ringo e George alertam na última página: "Temos um comunicado muito sério! Novos azulões, cada vez mais azuis, foram vistos na vizinhança da sua casa, amigo, gostaríamos de sugerir que você... comece a cantar!". E completava com um último aviso: "Os inimigos talvez não sejam azuis, podem ser... verdes".

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Jimi Hendrix e Michael Jackson: duplo mistério?


Enquanto a polícia ainda procura respostas para a morte de Michael Jackson, uma bomba pop-rock explode em Londres. Por coincidência, chega às livrarias essa semana o livro de memórias Rock Roadie, do produtor James Wright, que trabalhou com Jimi Hendrix. Até aqui, a versão aceita sobre a causa da morte de Hendrix crava em asfixia por vômito provocado por overdose de drogas na madrugada de 18 de setembro de 1970. Wright, hoje com 65 anos, garante em seu livro de memórias que o guitarrista foi assassinado por um gangue que invadiu seu hotel, em Londres, e o obrigou a ingerir uma grande quantidade de pílulas para dormir e vinho. E mais, o líder da gangue, segundo Wright, era Mike Jeffery, “road manager” de Hendrix e ex-integrante das forças especiais inglesas. O próprio assassino teria confessado o crime em 1973. Wright diz que guardou segredo até hoje por puro medo. E só com a morte de Jeffery, recentemente, em um desastre de avião, dispôs-se a revelar toda a história. O motivo do crime? Hendrix estava insatisfeito com prejuízos financeiros provocados pelo seu “road manager” e já teria tomado a decisão de demiti-lo. Revoltado, Jeffery decidiu eliminar o guitarrista. Posteriormente, teria embolsado dois milhões de dólares pagos por uma seguradora. Entrevistado pelo The Times,o diretor John Boyd, autor de um dos primeiros documentários sobre Jimi Hendrix, em 1973, diz que a história de James Wright, é absurda. Mas a polêmica está aberta.

Fotografia em Revista

Para quem estiver em Sampa: a Fundação Armando Alvares Penteado e a Editora Abril promovem a exposição Fotografia em Revista. A mostra fica aberta ao público até 12 de Julho de 2009. De terça a sexta-feira, das 10h às 20h, e sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h. Recomendável para maiores de 16 anos. Contém imagens de nudez parcial e violência. No link abaixo, você pode fazer uma visita virtual. Clique em galeria e conheça ou reveja o trabalho de grandes mestres da fotografia. Repórteres fotográficos que brilharam e brilham em Veja, Playboy, Contigo, Vip, Realidade, Nova, Placar e outras publicações da Editora Abril, estão aí. Vale a pena conferir.

http://www.fotografiaemrevista.com.br/

Uma atriz de várias faces







Sou fã de Flávia Alessandra. E, quando gosto de alguém, seja quem for, amigo, parente, namorado, jogador, cantor, ator ou atriz, enfim, não tenho vergonha de expressar minha admiração em público e ressaltar as qualidades que esta pessoa possui. No caso de Flávia Alessandra, linda, bem humorada e guerreira (adoro gente guerreira), basta dizer:
“Luz, câmera, ação”, pra que ela se transforme. Seja numa dançarina de pole dance como a personagem Alzira que interpretou em de Duas Caras, de Aguinaldo Silva, numa executiva como a Dafne de Caras e Bocas, de Walcyr Carrasco ou em femme fatale ao ser clicada para um ensaio fotográfico para uma revista semanal. Com este penteado e este modelito preto, vocês hão de concordar comigo que ela arrasou na performance. O responsável pela transformação é o maquiador das celebridades Alê de Souza que também está de parabéns. (Foto/Isto é Gente/Divulgação)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Um minuto

Há 40 anos, no dia 1º de julho de 1969, foi criada em São Paulo a Oban (Operação Bandeirantes), organização paramilitar e centro de tortura financiados por empresários brasileiros e multinacionais. Sob o pretexto de combater os inimigos da ditadura, a Oban perseguiu e assassinou opositores do regime. Empresas, executivos e alguns políticos, tutti buona gente, que deram suporte financeiro à organização, que também era financiada com o roubo dos bens das vítimas, ainda estão por aí. O país, aos poucos, esquece crimes como esses. Os descendentes daqueles que não resistiram à tortura, certamente, não.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Até breve, pessoal!

A caminho de Jundiaí, viajando pela primeira vez com a Azul. O voo saiu quase no horário: o atraso de quinze minutos foi devido ao movimento intenso no Santos Dumont. E foi tranquilo até Viracopos. A tripulação extremamente atenciosa incluindo um comandante simpático e bem-humorado. Estou agora num microônibus executivo para Jundiaí, ainda por conta da Azul. E tudo por módicos 99 reais...

Imprensa observada



O programa Observatório da Imprensa (TV Brasil), do jornalista Alberto Dines, permanece como boa opção para uma análise da chamada imprensa comercial, a grande mídia. Atualmente, os leitores se expressam através de blogs, twitters, sites de relacionamento ou em pesquisas interativas (na foto, a pergunta e o resultado sobre a polêmica do fim do diploma para jornalistas) como essa do Observatório. Mas os debates conduzidos pelo Dines são esclarecedores - mostram os acertos mas não escodem as distorções, interesses à frente da notícias e omissões -, e devem complementar essa nova postura do leitor, a de não comprar a notícia sem examinar a embalagem...

terça-feira, 30 de junho de 2009

Rogério Reis e Walter Firmo: dois craques da fotografia


Duas exposições essenciais. Ambas no Centro Cultural Correios, Rio, de hoje a 2 de agosto.

Av.Brasil 500, de Rogério Reis, é descrita como “uma viagem às ruínas da antiga sede do Jornal do Brasil”. Um dos blocos reúne trabalhos do fotojornalista em coberturas como a campanha da Anistia e Diretas-Já. O outro, é um registro emocionado das ruínas do prédio que sediou o Jornal do Brasil durante 29 anos. Na foto de divulgação (de André Arruda), Rogério Reis revisita os escombros da antiga redação do JB.

· Oropa, França e Bahia”, de Walter Firmo, fotógrafo que foi da Manchete, é o produto, como diz o texto de apresentação da exposição, “do aleatório”, “de portar sobre o peito uma câmera fotográfica com a biruta solta para um vento, venha de onde vier”.


É auspicioso?


Auspicioso deve ser a palavra mais usada na novela da Glória Perez. Vou tomá-la emprestado aqui.
Pode ser um bom sinal. Em 1969, há 40 anos, João Saldanha foi nomeado técnico da Seleção Brasileira e mandou a frase que entrou para a história: "Meu time são onze feras dispostas a tudo". Em seguida, na sua primeira coletiva, tirou um papel do bolso e já leu a escalação do time que acabava de assumir: "Titulares: Félix, Carlos Alberto, Brito... Piazza... Gerson... Jairzinho... Pelé... Tostão... Até hoje, foi o único treinador que fez isso. O capítulo seguinte, sabe-se, foi o TRI, em 70, no México, com Zagallo herdando o time. Pois o Globo de ontem, a propósito da conquista da Copa das Confederações, cravou a manchete Os Homens de Dunga e as aspas do gaúcho: "Recuperar-se de um 2 a 0 no intervalos, só é possível quando se tem uma equipe de homens, comprometida com a vitória". Parece frase do outro gaúcho, o Saldanha. De estilo diferente, Dunga não escalou o seu time de cara nem tem aquela fartura de supercraques mas aparentemente está chegando lá, a um ano da Copa da África do Sul. Apesar da pressão contrária de parte da imprensa, descartou alguns medalhões do fiasco da Alemanha e renovou a seleção com jogadores dispostos a suar a camisa. Campeão da Copa América, da Copa das Confederações e a um ponto da classificação nas Eliminatórias, o treinador parece ter silenciado as críticas. Mais do que isso, gente que detonava seu trabalho agora parece ser dunga-desde-criancinha. Até exageram ao exaltar qualidades que, na sua primeira experiência como técnico, ainda desenvolve. Ando desatento ou não tenho lido mais apelos para que a CBF troque o Dunga por Felipão, Parreira, Luxemburgo, Mano Menezes etc? Ano que vem, o Brasil comemora 30 anos da conquista do Tri. Vamos torcer para que o presente seja o Hexa. O auspicioso entrou em campo.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

O fabuloso Arquivo da Manchete



Deu na primeira página do Globo de ontem: foto de Tom e Vinicius, provavelmente no terraço da casa do Poetinha, acho que no Jardim Botânico. O Globo usou a imagem (e creditou como do Arquivo Fotográfico Bloch Editores) para ilustrar uma reportagem sobre o afastamento de 13 diplomatas do Itamaraty, quando era ministro do Exterior o Magalhães Pinto, por ordem da ditadura, em abril de 1969, há 40 anos. Vinicius estava entre os cassados. Entre tantas, foi mais uma brutalidade da "milícia" civil e militar que mandava na época. Melhor para o país, que ganhou um poeta em tempo integral. Mas quero falar da foto. Roberto Muggiati, que foi diretor da revista Manchete, comentou sobre isso: "Não sei se são da mesma série daquela foto de grupo da MPB famosa, feita pelo Paulo Scheuenstuhl, mas com certeza foi feita no mesmo local", disse, referindo-se à reprodução da famosa foto da turma da bossa nova que está no livro "Aconteceu Na Manchete" (Editora Desiderata) e que documenta uma reunião dos maiores nomes da MPB no exato local. Provavelmente, a foto que o Globo mostra foi feita no terraço, mas não é da mesma série. Dá pra ver que Tom e Vinicius não estão com a mesma roupa. Infelizmente, o crédito não registra o autor da foto. São imagens que fazem parte do acervo da editora e que hoje integram o patrimônio da Massa Falida da extinta empresa. José Carlos Jesus, presidente da Comissão de Ex-Funcionários da Bloch Editores, diz esperar que a publicação da foto ajude a chamar atenção para o leilão do acervo, ainda sem data marcada, mas previsto para se realizar em breve. A importância cultural e jornalística do arquivo da Manchete é incalculável. Imagens em cores e preto e branco guardam o que de mais importante aconteceu no Brasil no século passado. Dos bastidores de movimentos culturais, como bossa nova, cinema novo, tropicália e a era dos festivais a crises políticas, golpes, as épicas coberturas de todos os carnavais, etapas detalhadas da construção de Brasília, guerras, Amazônia, moda, comportamento, Copas e Olimpíadas. Hoje, as revistas de celebridades estão na moda, mas Manchete, Amiga e Fatos & Fotos já faziam uma cobertura de personalidades (estão lá, de todas as épocas, Leila Diniz, Maysa, Garrincha, Roberto Carlos, Tom Jobim, Pelé, Elis, Jardel Filho e tantos outros). A qualidade do acervo é avalizada por muitos livros recentes que retratam gente ou acontecimentos dos anos 50 a 90 e que recorreram diretamente às fotos ou às reproduções desse material. Torço para que, após o leilão, esse fantástico arquivo fique em mãos competentes, que dele façam bom uso e, principalmente, não o deixem fechado em caixas. Que levem ao público através de livros, exposições etc a riqueza cultural ali registrada. O Rio - especialmente, que sediou a Manchete - e o Brasil merecem o resgate desse tesouro. Créditos (Arquivo Fotográfico Bloch Editores): a foto maior, de Paulo Scheuenstuhl, foi reproduzida da edição especial Manchete 45 Anos. A foto menor, da edição do dia 28/6/2009 de O Globo.