quarta-feira, 22 de julho de 2015

É a crise? Revistas tentam "falar" com um tipo de leitora que antes não ganhava dos editores nem beijinho no ombro...


por Clara S. Britto
As revistas brasileiras ainda resistem à diversidade, digamos, estética. São raríssimas as capas que escapam ao que os produtores consideram padrão europeu ou novaiorquino de beleza. Quase sempre simbolizado pela a magreza asséptica de modelos brancas, curvas perfeitas photoshopadas ou não, dentes de porcelanato, cabelos impecáveis. Lá fora, depois de colocar modelos plus size em capas - no início como "novidade e "ousadia" - alguns títulos tradicionais começam a mostrar mulheres "fora do padrão" não como "exotismo" mas com a intenção de alcançar um vasto grupo de leitoras que não se sentia representado pelas publicações. Na capa da edição de agosto da revista de boa forma Women's Running está Erica Jean Schenk, que dá dicas de corridas para iniciantes. Simples: uma pessoa normal falando para pessoas normais.
Com a crise de identidade e o impasse digital no horizonte, as revistas descem do pedestal e tentam "conversar" com leitoras e consumidoras a quem antes, nos tempos de vacas gordas, sem trocadilho, desprezavam. É... não está fácil pra ninguém.

Nenhum comentário: