sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Leitura Dinâmica: a pegada de Toffoli, os cabos eleitorais do mercado, a maracutaia do Maracanã...



Foto Alfred Eisenstaedt/Reprodução Pinterest

* Aquele abraço - Da sessão de posse do novo presidente do STF,  Dias Toffoli, e da despedida da ex, Carmen Lúcia, a história certamente vai guardar mais a pegada do que as biografias, mais a foto que as palavras. Tanto que Globo e Estadão estamparam nas suas primeiras páginas o forte abraço do empossado na desempossada. Obviamente, não houve beijo, mas a cena efusiva guarda sutil semelhança com outra foto histórica feita não em um tribunal mas na Times Square, Nova York, em 1945. Aquela, na comemoração do fim da Segunda Guerra, foi eternizada pela Leica do fotógrafo polonês Alfred Eisenstaedt. Curiosamente, o editor da galeria de fotos do site do STF preferiu não colocar a cena do forte abraço no álbum oficial disponível para divulgação. Mas os fotógrafos do vários veículos que lá estavam não perderam o clique. 

* Com velocidade turbinada de Usain Bolt, governo Temer corre para emplacar editar de licitação do que resta do pré-sal. É coisa de 100 bilhões de reais. "Vâmo que vâmo" é o que diz a rádio-coredor do Planalto em fim de festa.

* Está em dúvida quanto ao voto? Fácil: siga a mídia e observe quem é o candidato que deixa o "mercado" nervoso. A chance maior é que esse seja o cara!

* A polêmica concessão do Maracanã tem mais buracos de suspeita de corrupção do que o próprio gramado do estádio. O Justiça acaba de anular a jogada feita durante o desgoverno Sérgio Cabral. Foi maracutaia, diz o juiz. Além disso, o Maraca foi interditado por causa do gramado impraticável. O Flamengo, que há tempos é parceiro privilegiado dos concessionários e é quem mais manda jogo lá não viu isso?

* Profetas do apocalipse econômico - Lendo as colunas de economia na mídia conservadora, o recado que o eleito recebe é que o país entrará em caos galopante caso o próximo presidente não seja do agrado do mercado, da especulação e dos traficantes de dinheiro. Um tipo de "terrorismo" que se repete de quatro em quatro anos. Parece mais campanha política do que análise honesta. O mercado e seus porta-vozes sofrem de urticária a cada eleição. Preferiam que não existisse esse "fator turbulência"?
 

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Portal da Crônica Brasileira tem autores que fizeram Manchete




O Instituto Moreira Salles acaba de lançar o Portal da Crônica Brasileira. Editado pelo jornalista e escritor Humberto Werneck, o novo site reúne textos de cronistas que atuaram na imprensa brasileira, com destaque para a revista Manchete, que teve entre seus quadros nomes com Paulo Mendes Campos e Rubem Braga.

Para acessar o Portal da Crônica Brasileira, clique AQUI

Para ler crônicas publicadas na Manchete, clique AQUI

Assembleia dos jornalistas aprova plano de recuperação financeira do Sindicato com venda do patrimônio

(do site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro) 

Em assembleia geral extraordinária realizada nesta terça-feira, dia 11 de setembro, na sede do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ), foi apresentado e aprovado o Plano de Recuperação Financeira da Entidade.

Por 21 votos a favor, seis contra e nenhuma abstenção, os jornalistas aprovaram a autorização para que o SJPMRJ venda o patrimônio para pagar suas dívidas. Algumas prioridades deverão ser seguidas, como primeiro procurar vender o 7º andar, que precisa de regularização de posse. Foi proposta procurar a OAB para auxiliar o SJPMRJ no sentido de fazer essa regularização.

Também foi proposto que se realizem leilões e rifas de doações para diminuir a dívida do SJPMRJ e ajudar a pagar a documentação necessária para regularizar todo o processo. Outra sugestão seria desmembrar as salas do 17º andar, para que não se venda todo o patrimônio do Sindicato.

A direção do SJPMRJ se comprometeu a dar toda a transparência nos trâmites, divulgando à categoria sobre qualquer ação sobre a venda do patrimônio e o pagamento das dívidas da entidade.

A assembleia também contou com a presença da diretoria do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro, que relatou a situação parecida com que a entidade vem enfrentando, com necessidade de cortes de gastos para enfrentar os novos tempos. O representante dos radialistas destacou a importância de se atuar em parceria com o Sindicato dos Jornalistas em diversas ações, que ainda disponibilizou em convênio o uso da sede campestre do Sindicato dos Radialistas para os jornalistas que estão em dia com o SJPMRJ.

Por fim, foi apresentada a proposta de se realizar um congresso dos jornalistas, ainda neste ano, para debater a situação do Sindicato e da categoria.  A direção do SJPMRJ informou que pretende fazer o congresso até o final do mês de novembro de 2018.

Panis cum ovum repercute no Jornalistas & Cia

Reprodução do Jornalistas & Cia - Clique na imagem para ampliar
(publicado originalmente no Panis cum Ovum - Blog que Virou Manchete, em 10/9/2018, AQUI)

Comunicadores brasileiros ameaçados são incluídos oficialmente em mecanismo de proteção do Ministério de Direitos Humanos

por Carolina de Assis (para o Blog Jornalismo nas Américas)

Comunicadores ameaçados por fazer seu trabalho foram oficialmente incluídos no programa de proteção a defensores de direitos humanos do Ministério de Direitos Humanos (MDH) do Brasil.

Até semana passada, comunicadores em risco que tentassem recorrer ao programa deviam provar que sua atividade profissional estava relacionada aos direitos humanos para que seus casos fossem analisados e acompanhados. Mas no dia 3 de setembro o Ministério anunciou a mudança de nome e de enfoque do programa, que passou a se chamar oficialmente Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores sociais e Ambientalistas.

De acordo com a portaria no 300 do MDH, é considerado defensor de direitos humanos o “comunicador social com atuação regular em atividades de comunicação social, seja no desempenho de atividade profissional ou em atividade de caráter pessoal, ainda que não remunerada, para disseminar informações que objetivem promover e defender os direitos humanos e que, em decorrência da atuação nesse objetivo, estejam vivenciando situações de ameaça ou violência que vise a constranger ou inibir sua atuação nesse fim”.

A medida é resultado de mais de cinco anos de pressão de organizações da sociedade civil junto à coordenação do programa, conforme afirmou Marina Iemini Atoji, gerente-executiva da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), ao Centro Knight.

No dia 10 de setembro, Atoji e representantes de outras organizações ligadas ao tema, como a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a Artigo 19 e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), participaram de uma oficina em Brasília com a equipe técnica do programa e da ouvidoria do MDH.

Na oficina, representantes dessas organizações expuseram à equipe do Ministério as peculiaridades da atuação de comunicadores no país, os perfis dos comunicadores mais vulneráveis e a situação atual de ameaça ao livre exercício da comunicação no Brasil.

“Notamos que para muitos ali [do MDH] era a primeira vez que estavam ouvindo falar como era a violação de direitos e a violência contra comunicadores”, disse Atoji. “Foi um momento um pouco de descoberta para eles sobre o tema.”

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO KNIGHT CENTER, CLIQUE AQUI

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Seleção Brasileira está jogando na Liga Chapolin...

por Niko Bolontrin

Tite sobre o ridículo amistoso de ontem da seleção brasileira, que goleou El Salvador por 5X0.

-  "Um dos aspectos que mais gostei foi a retomada de uma equipe que é alegre e agressiva para jogar, que produz, desempenha e toma iniciativa independentemente do nível técnico do adversário. Às vezes, você pode ficar moroso e achar que um só está bom, mas o time tem o DNA do gol, de agredir e pressionar".

O DNA que não foi à Rússia e só aparece na hora da moleza. Vai entrar em campo de novo contra a Arábia Saudita,  outra galinha morta, no dia 12 de outubro. Já no dia 16, o jogo é contra a Argentina, que também está na segundona ou terceirona do futebol mundial e até isso, junto com a tradição, vai garantir um jogo mais equilibrado. O DNA dos hermanos também anda em baixa.

A verdade é que o Brasil está jogando na Liga Chapolin

Enquanto isso, a Europa, hoje inegavelmente na primeira divisão, transforma as "datas Fifa" reservadas para simples amistosos em um novo torneio - a Liga das Nações - com jogos mais competitivos.

Fica a pergunta: quem é gênio que escolhe os adversários da seleção brasileira?  O cara pesquisa no Google?

Avisem a ele que Guam, Mongólia, Sri Lanka, Bahamas, entre outros, querem enfrentar o time de Tite.

Um leão guarda a Baía de Guanabara...

Um leão na Baía de Guanabara. Foto de Guina Araújo Ramos, setembro, 2018.

por Guina Araújo Ramos 

Quem convive com a Fotografia há décadas, como eu, ou mesmo os que de repente se deslumbram com ela (o que, neste mundo cada vez mais visualmente dinâmico, não deixa de ser surpresa), sabe que o fotografar é também, em si, uma espécie de Literatura. A escrita “pela luz” também é uma forma de “rever” coisas que são vistas “normalmente” por aí, assim como as melhores formas de escrita (todas as que possam ser, genericamente, literárias) sabem muito bem relatar de forma distinta, não usual, inusitada, quiçá estranha, contingências da vida que, no geral, são “normais”. Em suma, nossas mentes criam conotações e, por estas linguagens, saímos do trivial e atingimos outras esferas de compreensão das coisas...

São tais coisas, a foto intrigante, o texto impressionante, entre outras muitas experiências humanas, que nos causam arrepios que marcam, que nos afetam e que, por isso, merecem registro. Daí, há arrepios dos mais variados, e quem sou para fazer algum tipo de classificação?... Apenas posso dizer que andei tratando, neste Arrepios Urbanos, de algumas aflições que acomete(ra)m os habitantes da metrópole Rio de Janeiro do ponto de vista das vítimas, não dos beneficiados, sempre mais próximo de denúncias do que de louvores.

Não quer dizer que não compreenda: prazeres também causam arrepios...  E este preâmbulo serve de mote, então, para registrar a sensação prazerosa de que fui acometido ao perceber, à minha volta (ou, necessariamente, à minha frente!...) uma imagem que, fotografada de maneira assim literária, pode até mesmo ser considerada uma nova atração turística do Rio de Janeiro, em especial de Niterói: um leão em plena baía da Guanabara!

Um leão talvez sazonal... Não sei quanto tempo vai durar. Talvez precise da ajuda (faz parte de um parque natural municipal) dos serviços de conservação ou de turismo de Niterói, que o leão fica no seu litoral, e é uma ilha, próxima da Ilha da Boa Viagem e do MAC, a Ilha dos Cardos.

Não fazia a mínima ideia da identidade desta pequena ilha e, muito menos, depois que a reconheci no mapa, o que eram estes tais cardos... Agora sei, e resolvi tomar cuidado com eles: são plantas de belas flores, mas perigosos espinhos. Cardos (há vários) têm história: são plantas medicinais, usadas para fabricar queijo, e, pelos espinhos, tanto símbolo de sofrimento espiritual quanto a planta-símbolo da Escócia!

A ilha está lá desde sempre, os cardos também devem estar, não fui lá conferir, mas o tal leão existe agora, e não sei há quanto e nem por quanto tempo. E só é um leão porque na ilha aparece, além de um amontoado de rochas, um grupo de arbustos, de jeito que, em certos ângulos, como se apresentam nas fotos, compõem uma juba, uma cara, até mesmo o focinho do leão.

E, se falo de ângulo, informo logo de qual ponto de vista o leão existe...  É necessário que no momento da foto se esteja em Niterói e, mais precisamente, no calçadão da praia de Icaraí. Até que a área de abrangência da aparição é razoável, uns três quarteirões, mais ou menos da rua Lopes Trovão, no centro da praia, à praça Getúlio Vargas, perto da Reitoria da Universidade Federal Fluminense. Nesse correr da vista, a figura vai se alterando, e fora disto se deforma, perde a forma de leão.

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terça-feira, 11 de setembro de 2018

Ex-repórter da Manchete é porta-voz da nova presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas

Monica Villela Grayley na ONU. Foto UN

A notícia está no Jornalistas & Cia. Monica Valéria Villela Grayley, que foi repórter da revista Manchete e da TV Manchete, em meados dos anos 90, será a porta-voz de María Fernanda Espinosa,  a primeira mulher a presidir a Assembleia Geral das Nações Unidas, a partir da próxima semana. Monica, que está na ONU desde 2005, também trabalhou na BBC Brasil e nas rádios Fluminense FM, Rádio Relógio, 98FM e Globo FM.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

HÁ 50 ANOS: A GRANDE AVENTURA DO LANÇAMENTO DA VEJA • Por Roberto Muggiati

SORRIAM, O MUNDO É DE VOCÊS • A ideia deve ter sido do próprio capo, Victor Civita, que assinou pomposamente o texto da Carta do Editor ao lado da foto da redação publicada no número 1. Foi convocado o chefe de fotografia da Abril, o excelente Lew Parrella, para registrar a foto para o álbum de família da primeira equipe de Veja. Algumas pinceladas sobre o que aconteceria com alguns que figuram aí e outros que chegariam pouco depois. O gaúcho Caio Fernando de Abreu, tímido de morrer, completou vinte anos no dia da data de capa da primeira Veja. Trocou o jornalismo pela literatura, morreu cedo e se tornou talvez a figura cult mais destacada dentre todos nós. O gaúcho José Antônio Dias Lopes foi o último a sair (não sei se apagou a luz), 22 anos depois, quando era editor de religião e correspondente da Veja no Vaticano. Criou a revista Gula e se deu bem. Eu, com os exageros capilares da época, postei-me coerentemente na extrema esquerda da primeira fila. Tornei-me o editor de Manchete que mais tempo durou no cargo. O paulista Tão Gomes Pinto veio dirigir a Manchete em 1996 e foi, talvez, o editor que menos tempo ficou no cargo, sorte dele... Mino Carta continua um grande jornalista, impávido com suas adoráveis contradições. Elio Gaspari e Dorrit Harazim conheceram-se na redação e continuam suas carreiras vitoriosas: ele se tornou o maior historiador da ditadura militar no Brasil, ela ganhou recentemente o Prêmio Maria Moors Cabot. Harry Laus, que não teve reconhecimento literário enquanto viveu – chegou a ser dono de uma birosca de loteria esportiva da Caixa – tornou-se um autor cada vez mais prestigiado no exterior. Bernardo Kucinski escreveu sobre o assassinato da irmã pelos carrascos militares e, mais recentemente, aderiu em definitivo à ficção. Henrique Caban trocou a Veja pela Bloch, onde foi assistente de Samuel Wainer no semanário Domingo Ilustrado, que durou um ano, quando retomou a carreira no Globo. Enio Squeff destacou-se na literatura, na música e nas artes plásticas. Sylvio Lancelotti herdou um hotel na Itália, tornou-se chef e crítico gastronômico e ainda comentarista de jogos do campeonato italiano pela TV. Paulo Cotrim também se tornou chefe e crítico de culinária. Tárik de Souza, que foi meu repórter na editoria de música, virou o dono do pedaço e é um dos mais sólidos comentaristas sobre a MPB, com vários livros publicados. Marcos Sá Correa, jovenzinho, começou sua brilhante carreira na Veja, lembro o Mino comentando: “Ele tem uma cara boa...” Muitos já morreram, de outros nunca mais ouvi falar. Encerro com uma vinheta trágica. Nello Pedra Gandara, pesquisador da minha editoria, foi um inadaptado na Abril e depois na Bloch, queria outras coisas do mundo. Um dia encontrou o seu caminho: começou a criar cachorros, montou um canil bem sucedido, depois outros, ficou finalmente bem e feliz da vida. Mas tudo terminou bruscamente quando Nello morreu atropelado ao atravessar uma destas avenidas que são o orgulho da Pauliceia. Foto Lew Parrela


Clique na ilustração para ampliar. Reprodução/Esquina

POR ROBERTO MUGGIATI

Foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos – a Era das Luzes, a Era das Trevas. Foi o ano da maior aventura do jornalismo brasileiro. Na segunda-feira, 9 de setembro de 1968 (com a data de capa do dia 11), saía o primeiro número da revista Veja.

Numa época de grandes lançamentos espaciais, a operação para levar às bancas a revista semanal de informação da Abril lembrava o planejamento e logística da NASA. Na Carta do Editor, em página dupla, ao lado da lendária foto da equipe diante das máquinas que imprimiam a revista, o próprio Presidente, Victor Civita, cobrava o pênalti: “Selecionamos entre 1.800 universitários de todos os estados e realizamos um inédito Curso Intensivo de Jornalismo. Com 50 destes moços e outros tantos jovens ‘veteranos’, formamos a maior equipe redacional já reunida por uma revista brasileira.”

Aos 30 anos, com 16 de jornalismo, eu fui um daqueles “jovens ‘veteranos’” da grande empreitada. Comecei a carreira em 1954, na Gazeta do Povo de Curitiba. Em 1960 fui estudar jornalismo em Paris, em 1962 entrei para o Serviço Brasileiro da BBC de Londres. Em 1965, comecei na Manchete, no Rio (ainda em Frei Caneca) como repórter especial; em março de 1968, a Bloch me ofereceu o cargo de editor de Pais e Filhos, uma franquia da Eltern alemã. Eu não tinha filhos e queria era fazer jornalismo de verdade, não uma revista mensal de fraldas e papinhas. Além do mais, só teria salário de editor lá pelo fim do ano, depois que a revista fosse lançada, e com uma condição: se a revista vendesse bem... Era muita incerteza para minha pobre cabecinha.

E havia mais em jogo. Já em 1967 falava-se muito numa revista Veja, que seria a semanal de informação da editora Abril. Numa ida a São Paulo, procurei o Alessandro Porro – figura icônica da empresa, diziam até que seria filho do próprio Victor Civita. Porro me garantiu: “Quando chegar a hora você será chamado.” As contratações para a Veja provocaram um verdadeiro terremoto no mercado de trabalho. A Manchete, como líder de vendas entre as semanais, foi um dos celeiros mais visados pelos caçadores-de-cabeças da nova publicação. Eram curiosos os telefonemas da sucursal carioca da Abril para a redação da Bloch: chamavam o Paulo Henrique (Amorim), que atendia a ligação, falava rapidamente e passava o telefone para o Lucas (Mendes), que por sua vez o passava para o Nilo (Martins) e assim sucessivamente. Adolpho Bloch ficava injuriado de ver aquela evasão do seu plantel debaixo do seu próprio nariz, mas tudo se fazia dentro das leis clássicas do capitalismo: jornalistas de esquerda (quase um pleonasmo) respondiam à lei da oferta e procura, atrás de melhores salários.

Peguei a ponte aérea e fui conversar em São Paulo com o futuro diretor de Veja, Mino Carta. Durante um cozido no Ca’ d’Oro, convidou-me para ser um dos editores da revista, dividida em quatro grandes fatias. Coube-me a fatia mais suculenta, a editoria de Artes e Espetáculos – imaginem, num ano em que a cultura brasileira e mundial ferviam.

O modelo da Veja era a semanal de informação americana Time, fundada em 1923, que oferecia uma visão do mundo segmentada por assuntos. O texto da Time pretendia ser informativo, claro e elegante, escrito numa linguagem uniforme, sem crédito ao autor, para dar a impressão de que a revista era redigida por uma única pessoa (quem sabe o próprio Deus?) Transplantar tal modelo para o Brasil seria o desafio da Veja – e seu grande desastre. O absurdo inicial foi copiar a grade funcional da Time e preencher os escaninhos com a nata do jornalismo brasileiro. A Veja começou com um total de 157 jornalistas, entre editores, redatores, repórteres, fotógrafos e correspondentes.  A Time só chegara àquela estrutura após 45 anos de hesitações e adaptações: Veja também teria de evoluir dentro da realidade do país e da época, aprendendo com seus erros Seria – e foi – um processo muito doloroso.

A Editoria de Artes e Espetáculos tinha seis editores assistentes, dos quais só um foi escolhido por mim, o de Cinema, Geraldo Mayrink, mineiro com experiência das redações cariocas, cinéfilo e jornalista cultural, que correspondia plenamente ao perfil de redator buscado pela “proposta” da Veja.

Os outros editores já estavam lá quando cheguei, escolhas pessoais do próprio Mino: Paulo Cotrim (música), Paulo Mendonça (teatro), Luiz Gutemberg (rádio e TV), Leo Gilson Ribeiro (literatura) e Harry Laus (artes plásticas), esse indicado por Leo Gilson. Os critérios? Cotrim fora o dono do João Sebastião Bar, berço da bossa nova em São Paulo. Mendonça era aparentado com a família Mesquita, do Estadão, onde trabalhara o pai de Mino, também jornalista. Leo Gilson, doutor em Literatura pela universidade de Heidelberg, era o melhor amigo da tia de Mino, Bruna Becherucci, que também colaborava em Veja fazendo resenhas literárias. Nenhum deles tinha qualquer vivência do texto jornalístico: eram críticos acadêmicos sem poder de comunicação com o grande público. Cotrim sequer escrevia; muitos anos depois, encontraria sua vocação como crítico de gastronomia. Cada editor tinha dois pesquisadores (o nome que a Abril dava aos repórteres) – daqueles 50 jovens universitários do país inteiro selecionados por Veja. E cada editoria tinha colaboradores para escreverem resenhas, dois em São Paulo e dois no Rio de Janeiro. Ou seja: eu, os seis editores, os doze pesquisadores, mais 24 colaboradores, a equipe da editoria de Artes e Espetáculos totalizava 43 profissionais, mais um carona, o famigerado José Ramos Tinhorão: já na fase dos números zero, ele fora rejeitado por outras editorias e desovado na nossa. A última coisa que a Veja ia querer era o Tinhorão escrevendo sobre música e demolindo a bossa e a tropicália com seus dogmas do materialismo dialético. Foi posto a escrever a seção de Cartas do Leitor.

Além de planejar minha fatia cultural da revista, que nunca ultrapassava as dez páginas – vivíamos um momento altamente politizado, embora a cultura também participasse dele – eu tinha que reescrever praticamente todos os textos (o que gerava atritos terríveis) e me comunicar com aqueles 24 colaboradores que, sem espaço, invariavelmente ficavam sem escrever. Aquilo era um imenso desperdício de tempo, deles e meu. No ano e meio que passei em Veja, só tive oportunidade de publicar uma resenha do grande José Rubem Fonseca, sobre o filme As aventuras de Tom Jones.

Numa época sem fax e, nem falar, e-mail, o principal meio de comunicação era o obsoleto telex, o que tornava um verdadeiro suplício o fechamento das reportagens de capa. Segunda-feira de manhã, mal refeitos do esforço de fechar mais uma edição, Mino Carta reunia os editores em sua sala. Comentávamos o número que acabava de ir às bancas e discutíamos a pauta do seguinte. Traçadas as prioridades, o chefe de reportagem Sérgio Pompeu iniciava a faina desesperada de disparar os pedidos para as sucursais.

O redator destacado para escrever o texto da matéria de capa passava três dias torturantes sem fazer nada. Os textos só começavam a chegar ao apagar das luzes, lá pelo fim da tarde de quinta-feira, quando jorravam sobre a mesa do pobre coitado vários metros de folhas de telex, além de folhetos, jornais e revistas enviados por despacho urgente. Não havia tempo material para digerir tudo aquilo e escrever um texto decente, o que aumentava o desgaste físico e mental do redator. O trabalho de fechamento se prolongava da sexta até o amanhecer de sábado na paisagem sinistra da Marginal do Tietê, segundo Mino “lamaçal fétido em movimento preguiçoso, rio morto prova de muitas coisas más. Se o lago de Tiberíades fosse igual ao Tietê, a caminhada de Cristo sobre a água não seria milagre.”

Uma palavra sobre o espaço físico onde se fazia a Veja. No começo de 1968, a Abril juntara suas redações num prédio construído sobre a própria gráfica, na Avenida Otaviano Alves de Lima, 800, na Marginal do Tietê, tendo mais aos fundos a Freguesia do Ó. A redação da Veja ocupava o oitavo e último andar. Mino Carta e os editores tinham salas fechadas na frente, com direito à abominável paisagem do rio poluído. Os editores assistentes, redatores e repórteres ocupavam compartimentos quase fechados, as execráveis “baias” – mais um fator a truncar a comunicação em todos os sentidos. Não era uma redação “aberta”, com fileiras de mesas como nos jornais e na maioria das revistas, o que promovia interação constante entre os redatores. Ao longo do corredor, do lado de fora das salas dos editores, havia baterias de datilógrafas que “preparavam” os textos para a gráfica, redigitando-os em colunas de 37 batidas, a medida da coluna tipográfica. O editor, depois de reler, corrigir ou até reescrever o texto do subeditor, tinha ainda de rever (e rubricar) as laudas finais batidas à máquina por mocinhas que não tinham a menor ideia do que estavam datilografando.

O número zero da Veja

A primeira capa

O lançamento de Veja foi feito com uma megacampanha publicitária que culminou com a transmissão em rede nacional pela TV, às 20 horas de domingo, de um filme de Jean Manzon sobre a revista, tão bombástico que as pessoas correram às bancas na manhã seguinte esperando comprar a maravilha das maravilhas. Os 700 mil exemplares lançados em todo o Brasil esgotaram em poucas horas. A decepção foi imensa. Acostumados ao arrojo visual da Manchete e ao jornalismo vivo da Realidade, a vitoriosa mensal da Abril abortada em função dos investimentos na Veja – os leitores rejeitaram de saída a revista de formato pequeno, quase toda em preto-e-branco e com excesso de texto. Até o nome da revista era inadequado, convidava a “ver” mais do que a “ler”, por isso ela circularia muito tempo com o logotipo ambíguo de Veja e Leia.


Algumas capas, com chamadas em paulistês, como Ah, Jaqueline! (quando a viúva de Kennedy fez um contrato nupcial com Onassis), foram alvos de chacota.

O segundo número de Veja baixou a tiragem para 500 mil exemplares; o terceiro, para 250 mil; o quarto para 100 mil e o quinto para 50 mil.


Quatro meses depois, a vendagem chegava ao fundo do poço: apenas 30 mil exemplares no país inteiro. Foi a tiragem da capa de 15 de janeiro de 1969, uma produção tosca e óbvia que mostrava um executivo de terno carregando uma barra de gelo debaixo braço, com a chamada QUE VERÃO! (Na minha memória idiossincrática eu jurava que a chamada era UFA, QUE CALOR!)

Guardo duas ou três boas lembranças da minha temporada na Veja.




• Uma matéria de duas páginas no número 10 (13/11/68) intitulada Existe algo de concreto nos Baianos, mostrando as relações entre os tropicalistas e os poetas neoconcretos, incluindo um quadro comparativo com as letras da Tropicália e a poesia dos concretistas.


• A reportagem de capa do número 38 (28/5/1969), quando Glauber Rocha ganhou em Cannes o prêmio de Melhor Diretor com o filme O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro, ou Antônio das Mortes. Não só era raro uma matéria cultural emplacar capa na Veja, como Mino Carta creditou a mim o texto em sua Carta ao Leitor. Quando preparava o texto com antecedência – aguardando a decisão de Cannes – recebo a visita insólita em minha sala da Marginal do Tiete de ninguém menos do que o próprio Glauber. Numa longa conversa telúrica acompanhada de muitos gestos, ele me deu muitas informações de cocheira que enriqueceriam o texto. Como esta: “Quando filmavam Deus e o Diabo na Terra do Sol, no interior da Bahia, Glauber e Maurício subiam um morro íngreme discutindo sobre Deus. De repente um pé de vento derrubou a câmara, que rolou alguns metros morro abaixo. Mas o equipamento ficou intato. Maurício do Valle, que é muito religioso, falou: ‘Deus existe.’ Glauber respondeu: ‘É possível...’”

• E a cobertura da morte da mulher de Roman Polanski, na sua casa de Los Angeles. Sharon Tate, com o filho na barriga (a quinze dias de nascer), três amigos e um estudante amigo do caseiro, foram barbaramente assassinados por um bando de fanáticos que seguiam as ordens do guru do mal Charles Manson. Por exigência do Mino, Geraldo Mayrink, escreveu a matéria em forma de roteiro cinematográfico. O texto, um roteiro perfeito publicado no número 50 (20/8/1969), estava pronto para ser filmado.

Veja surgiu num ano crucial do século 20, um tempo de confrontos violentos e mudanças radicais que moldariam as décadas seguintes. No caso do Brasil, mudanças para pior. Em dezembro, o AI-5 instalou a repressão total no país, obrigando a resistência à ditadura militar a cair na clandestinidade.
À minha modesta maneira, como escritor, eu vinha fazendo propaganda de esquerda.



O lançamento do livro Mao e a China em São Paulo, dezembro de 1968. Foto: Arquivo Pessoal R.M.

Uma semana antes do AI-5, lancei em São Paulo o livro Mao e a China, uma declaração de amor ao comunismo chinês. O livro, uma incitação à luta armada, passou a aparecer menos nas vitrinas das livrarias do que nas exposições de material subversivo apreendido pelo exército. Quando o guerrilheiro Carlos Lamarca morreu fuzilado em 1971, no sertão da Bahia, os jornais do país inteiro publicaram trechos de suas cartas para a companheira Iara Iavelberg. “12 de julho: Lendo Mao e a China, de Roberto Muggiati, me impressiono cada vez mais em tudo e vejo a necessidade urgente da Revolução Cultural dos quadros de vanguarda.” Mao e a China foi o último livro que Lamarca leu. Estranhamente, em momento algum a ditadura veio bater à minha porta. Com um forte sentimento de rejeição, eu me autointitulei O Homem Invisível dos Anos de Chumbo.

Só tempos depois matei a charada. Em 1969 voltei para a Manchete e para o Rio. Tivesse ficado em São Paulo, a coisa seria bem diferente. Num documentário sobre Vladimir Herzog, vi colegas meus da Veja e da Realidade – ideologicamente autênticos sacristães comparados a mim – que foram presos e torturados nos porões do DOI-CODI em São Paulo. Eu tinha tudo a ver com Vlado: nascemos no mesmo ano e, quando deixei o Serviço Brasileiro da BBC em Londres, em 1965, ele foi ocupar a minha vaga. A volta para o “balneário da República” – quem diria? – salvou a minha vida.

domingo, 9 de setembro de 2018

Sabia disso? Blecaute previu e o general Mourão botou sua banda na rua...

Quem trabalhou na Manchete conheceu o boa praça Henrique, da equipe de funcionários que trabalhava na diretoria, vale dizer diretamente no staff de confiança de Adolpho Bloch, e filho do cantor Blecaute.

Ontem, diante do últimos acontecimentos, um ex-funcionário da Bloch ligou os pontos da política e da memória e relembrou o pai do colega.

Após o atentado a Bolsonaro, seu vice, o general Mourão assumiu algum protagonismo na mídia enquanto o titular está na cama, mas não fora do palanque, em São Paulo.

Na sexta-feira, 7, a data não deve sido mera coincidência, Mourão era o escalado da vez para a série de entrevistas dos vices, na Globo News, onde defendeu suas posições já conhecidas, desde a hipótese de "autogolpe" quando o país está em "anarquia", a elogios a torturadores e reclamação da "má vontade" da mídia em relação a DonaldTrump etc.

Enquanto o general botava sua banda na rua, o colega do Henrique recordou - e mandou um lembrete por email sobre isso para o blog -  uma das mais famosas marchinhas do Blecaute.

Reprodução Pinterest

Em 1949, Blecaute emplacou no carnaval um dos seus maiores sucessos, a antológica "General da Banda", da parceria com Tancredo Silva/José Alcides e Satiro De Melo, cantado até hoje em blocos e trios de todo o Brasil. Eram os tempos de Dutra e a manchinha caricaturava dragonas e coturnos que  mandavam na política e, ao que parece, querem voltar.

O marchinha tem uma frase que o general-candidato da atualidade talvez até gostasse de adotar como slogan -  "vara madura que não cai" - , mas tem outro verso que não pega bem. No mínimo, vai provocar dupla interpretação dos adversários: "catuca por baixo que ele vai".

Coincidência ou premonição?

O nome do general cantado por Blecaute é nada menos do que "Mourão".

"General da Banda"

Chegou o general da banda,he he
Chegou o general da banda,he a,he a
Chegou o general da banda,he he
Chegou o general da banda,he a,he a
Mourão mourão
Vara madura que não cai
Mourão,mourão,mourão
Catuca por baixo que ele vai
Mourão mourão
Vara madura que não cai
mourão,mourão,mourão
Catuca pro baixo que ele vai
Cheogou o general da banda,he he
chegou o general da banda,he a
General,general
Chegou o general da banda,he he
Chegou o general da banda,he a
General,general
Mourão mourão
Vara madura que não cai
Mourão mourão
Catuca por baixo que ele vai
Mourão mourão
Vara madura que não cai
Mourão,mourão,mourão
Catuca por baixo que ele vai
Chegou o general da banda,he ha
Deixa amanhecer
Chegou o general da banda,he he a
General general

OUÇA A MARCHINHA "GENERAL DA BANDA, CLIQUE AQUI

A pergunta de 1 milhão de dólares: faca amolada corta votos de adversários?

Ontem, no hospital, Bolsonaro retomou
o gesto-símbolo da sua campanha. Reprodução Twitter
O modelo piegas das "análises" políticas da mídia conservadora sobre o ataque Bolsonaro, a faca - "em nome de Deus", segundo o agressor - foi vencido por uma foto.

O filho do candidato postou no Twitter uma imagem do presidenciável simulando atirar, gesto que é uma marca da sua campanha e é repetido nos seus palanques em todo o país.

Articulistas defenderam que a cena do ataque terá grande impacto na campanha e divulgaram a hipótese de que o capitão inativo, agora vítima, não é afinal tão assombroso assim para a democracia, os costumes, as instituições e nem mesmo para o campo que ele demonstra ódio: o dos direitos humanos. Aventou-se a tese cor de rosa de que quem tangencia a morte muda para melhor. "Bolsonaro não é vilão", afirma colunista da Folha, enquanto, no mesmo jornal, Jânio de Freitas lembra que "a vitimização de Bolsonaro não é motivo para atenuar-se a responsabilidade de sua pregação". Na sua coluna no Globo, hoje, passado o primeiro impacto do atentado, Ascânio Seleme registra que muitos analistas sugeriram que a hora é de união, mas "nenhuma palavra, ou poucas, para não parecer exagero, contra o discurso de Bolsonaro que defende a ditadura, a tortura, o uso da violência como método. Fica chato atacar o atacado", conclui.

A foto de Bolsonaro mostra que seu radicalismo está firme e deverá voltar revigorado na reta final da campanha. Que o acontecimento de Juiz de Fora fará o candidato subir nas pesquisas e reverter provavelmente os índices crescentes de desaprovação que as sondagens registravam até aqui, parece certo. Se esse efeito terá força para levá-lo à vitória no primeiro turno ou por folgada maioria no segundo, só os próximos levantamentos, a partir de amanhã, dirão.

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Queima de arquivo da História: foi-se a primeira propina imperial

Quinta da Boa Vista. Aquarela do pintor alemão Thomas Ender. Reprodução

por Jean-Paul Lagarride 

A margem da enorme tragédia cultural que foi o incêndio que consumiu o Museu Nacional, vale retirar uma real news dos escombros da História.

O Palácio da Quinta da Boa Vista foi a primeira residência de D. João VI no Rio.

Não exatamente a primeira.

Ao chegar ao Rio em 1808, a Família Imperial hospedou-se no Paço da Praça Quinze, então Casa dos Governadores e Vice-Reis. Por sua localização, o Paço era o destino final das enxurradas que na época desciam das montanhas do Maciço da Tijuca – praticamente careca, desmatada que fora para o plantio de cafeeiros. Ao passar pelos bairros populares, estas enxurradas eram enriquecidas por todo tipo de sujeiras, entulhos, esgotos a céu aberto: pode-se imaginar o cheiro das águas lamacentas que regularmente invadiam o Paço Imperial.

Compadecido com a situação de D. João VI e de seus familiares, o rico comerciante português e traficante de escravos Elias Antonio Lopes presenteou-o com o sítio conhecido como "Chácara do Elias", onde havia um casarão que logo uma reforma completa transformaria em belo palacete.

Tudo isso, é claro, em troca de certos favores e sem risco de lava jato, equipamento que não atendia as carruagens nos idos de 1808... No mesmo ano, o esperto Elias foi nomeado tabelião da Vila de Paraty. Dois anos depois, em 1810, tornou-se alcaide-mor da Vila de São João del-Rei e, em seguida, provedor da Casa de Seguros da Corte, além de assumir a responsabilidade pela arrecadação de impostos e várias localidades.

Foi ali que cresceram os Pedros I e II. Dom Pedro II residiu ali toda sua vida, até sua destituição em 1889 e a deportação para a Europa.

Imperador culto, apreciador das artes e das ciências, montou na Quinta da Boa Vista um museu de valor incalculável, que tinha como uma das principais atrações a famosa múmia trazida do Egito.

Em mais um exemplo de descaso criminoso das "autoridades" brasileiras, mais de 20 milhões de  peças, de valor inestimável, foram consumidas pelo fogo no incêndio deste domingo, 2 de setembro de 2018.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Armando Rozário: detalhes do processo contra a Manchete, que se tornou referência na luta pelo direito autoral do fotógrafo


Ontem, no texto-homenagem "Armando Rozário: do outro lado do mundo", publicado aqui e no blog Bonecos da História, o fotojornalista e escritor Guina Araújo Ramos cita o processo que Rozário moveu contra a Manchete e que se tornou um marco na defesa dos direitos autorais dos fotógrafos brasileiros.

Aquele caso envolveu uma foto hoje histórica de Júlia Kubitschek, mãe de JK. Mas faltava detalhar o episódio. O próprio Guina saiu em busca de mais informações e recebeu de Luiz Ferreira reportagem publicada em 2003 na revista Photo Espaço, da Associação Brasileira de Arte Fotográfica (ABAF), em que Armando Rozário explica direitinho a história da famosa foto da mãe do JK.

A seguir, as digitalizações da entrevista que ele concedeu a Luiz Ferreira, também autor das fotos de capa e abertura da matéria, com texto de apresentação de George Racz.

Na terceira reprodução abaixo, página 10 da Photo Espaço, estão a foto da D. Júlia que, aos 98 anos tornou-se pivô de uma questão de direitos autorais, e a história do processo que começou em 1968 e foi até o Supremo Tribunal Federal onde, em 1977, Rozário finalmente venceu a questão. Foi a primeira vez que o STF deliberou sobre o direito autoral de um fotógrafo.





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Para ampliar, clique nas imagens

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Fique atento à checagem das fakenews do momento...

por Agência de Checagem Casca de Ovo

* Não é verdade que Bolsonaro foi resgatado dos escombros Museu Nacional. Álvaro Dias também foi visto na Quinta da Boa Vista, mas, ao contrário do que foi maldosamente divulgado, não era um sobrevivente do incêndio que destruiu o museu.

* Não é verdade que equipamentos de contagem de decibéis do TSE estão monitorando a propaganda de Marina Silva após denúncias de que a candidata está gritando muito e agravando a poluição sonora.

* Não é verdade que João Amoedo vai assumir na campanha o slogan "Sou o Bolsonaro gourmet".

* É verdade: Crivela achou que era possível "recompor cada detalhe" do desaparecido Museu Nacional. Incluindo "falar com a Márcia" e mandar buscar uma nova múmia de 3 mil anos...

* Não é verdade que foi encontrada uma foto chamuscada de Temer na ala dos fósseis do Museu Nacional.

* Não é verdade que Fernando Haddad será oficializado como candidato do PT à Presidência só para as eleições de 2022.

* É verdade: segundo notas de postos de gasolina do Espírito Santos apresentadas pelo próprio, o senador Magno Malta, conhecido como o "pastor de Bolsonaro" já comprou com dinheiro do contribuinte combustível suficiente para dar duas voltas ao mundo.


* Circula nas redes sociais o print acima. A comentarista da Globo News, Monica Waldvogel, foi criticada ao fazer um comentário píegas sobre o desastre do Museu Nacional e respondeu com uma sigla nada elegante: VTNC que no jargão da web equivale ao popular "vai tomar no cu".

* Não é verdade que Kátia Abreu e Miriam Leitão, depois da invertida que a candidata deu na jornalista durante entrevista na Globo News, vão se enfrentar em Las Vegas, no próximo card do MMA.

* O economista da campanha presidencial de Marina Silva, Eduardo Giannetti, um de seus gurus, criticou as cotas raciais no país. Gianntti disse que o Brasil não deveria "macaquear" esse política pública de outros países. A frase foi dita ontem um debate com com estudantes do ensino médio em São Paulo.

* Whatsapp faz mal pra carteira de trabalho. O apresentador da Band Ricardo Martins foi demitido após mandar mensagem para o seu chefe chamando a cara de "pequeno Hitler". A notícia está na página Notícia da TV, de Daniel Castro. A nota não esclarece o que mais irritou o alvo do xingamento, se o "pequeno" ou o "Hitler".

* Paulo Guedes, o "posto Ipiranga" de Bolsonaro levou seu tutelado a um encontro com João Roberto Marinho, do Grupo Globo. A revelação está na revista Piauí. Mas não é verdade o boato de que Bolsonaro vai ser jurado do Faustão, terá coluna no Globo, comentará sobre armas na Globo News e apresentará um programa do tipo Plantão policial diretamente do Palácio do Planalto. Não é confirmado, também, que a Globo Filmes fará um longa metragem sobre o capitão inativo. Nem que ele terá um quadro no programa da Ana Maria Braga intitulado "Cozinhando na caserna".

* Não é verdade que Marcelo Tas é o videomaker oficial de Temer para divulgar seu "legado".

"Uma foto de capa roubada – Fatos & Fotos, abril de 1968” - Por Armando Rozário

Em 19 de março de 2013, Armando Rozário escreveu para Clínica Literária o artigo abaixo, também reproduzido no Observatório da Imprensa. 


por Armando Rozário

"Tudo aconteceu há 45 anos. Era o dia 4 de abril de 1968, eu trabalhava para a revista semanal Fatos & Fotos, cobrindo a missa de 7º dia, na Igreja da Candelária, para o estudante Edson Luís de Lima Souto. (O estudante secundarista brasileiro assassinado pela Polícia Militar durante um confronto no restaurante Calabouço, centro do Rio de Janeiro, em 28 de março de 1968. Edson foi o primeiro estudante assassinado pela ditadura militar. Sua morte marcou o início de um ano turbulento de mobilizações contra o regime militar que endureceu até decretar o chamado AI-5.)

Levei uma câmara Leica M3 e três objetivas de diferentes distâncias focais: uma 35mm, uma 50 mm e uma 135mm. Também levei, em minha mochila, uma unidade compacta de flash eletrônico, uma Mighty Lite, que pode ser recarregada rapidamente a cada descarga. Tinha comigo quatro rolos de filmes Tri-X, cada um com 36 exposições, e dois rolos de Ektachrome, cada um com 20 exposições.

Milhares de pessoas estavam no entorno da igreja, no centro do Rio, quando eu cheguei, meia hora antes de começar a cerimônia religiosa. A igreja já estava lotada, centenas de pessoas aguardavam a missa começar. Cliquei um rolo inteiro em preto & branco (Tri-X), enfocando principalmente as expressões de tristeza estampadas nas faces dos estudantes que estavam dentro da igreja. Utilizei a objetiva normal de 50mm e a tele de 135mm. Quando terminei de clicar o primeiro rolo, decidi aguardar do lado de fora da igreja. Estava curioso, queria ver a chegada da polícia.

Não precisei esperar muitos minutos, ouvi alguém gritar que a cavalaria da Polícia Militar já se aproximava da intersecção da Avenida Rio Branco com a Avenida Presidente Vargas.

Olhei naquela direção e vi uma coluna de montarias a aproximadamente 100 metros da igreja. As condições de luz estavam reduzindo, mesmo assim carreguei minha Leica com um rolo de Ektachrome (64 ASA), adaptei na câmara a objetiva angular de 35mm. A conectei também com a minha unidade de flash. Ajustei a posição “F” da objetiva da câmara para 3.5 (abertura total) e ajustei a velocidade para 1/50 avos de segundo. Pré-ajustei a distância da objetiva para 3 metros. E aguardei ansiosamente.

De repente ouvi algumas vozes, movi meus olhos para a esquerda e vi uma linha de padres e estudantes saindo da igreja. Movi os olhos para a direita e vi a coluna da cavalaria, dúzias de policiais militares, armados com espadas em seus cinturões. Os padres marchavam pacificamente com seus braços interligados… Estavam a aproximadamente 20 metros à minha esquerda. Os policiais montados à minha direita trotearam decididamente na direção da linha de pessoas que saiam da igreja. Apenas uns 50 metros separavam os dois grupos oponentes.

Tomei uma decisão. Decidi fotografar o exato momento do confronto iminente. Dei um passo à frente, esperando no espaço onde o encontro pudesse acontecer. Minha câmera e o flash estavam prontos para disparar. Os dois grupos se aproximaram. Os padres e estudantes gritavam alto que aquilo era uma marcha pacífica.

De repente, os policiais montados galoparam e fecharam o espaço entre os dois grupos. O oficial no comando, um tenente, gritou alto para que as pessoas dispersassem. Dentro de poucos segundos o oficial estava cara a cara com a linha de protestantes. Ele olhou para baixo e viu um padre a sua frente, com os braços abertos, implorando pela segurança das pessoas. O policial montado desembainhou sua espada da cintura, levantou a espada com um gesto ameaçador, e ameaçou dar um golpe na cabeça do padre.

Nesse decisivo momento eu estava a aproximadamente 4 metros da cena. O padre estava no canto esquerdo do meu visor e o policial montado, no canto direito. Pressionei o obturador naquele exato momento. Senti que aquela imagem poderia ser a capa da próxima edição da Fatos & Fotos.

Poucos segundos mais tarde, os policiais montados haviam dispersado a multidão com as suas espadas em punho. Cliquei algumas imagens desse acontecimento, mas o mais importante já estava em minha câmara. Uma imagem latente, uma imagem ainda não revelada. A imagem composta verticalmente do encontro do oficial com o padre.

Então decidi ir para a redação da Bloch Editores o mais rápido possível, com minha valiosa imagem na câmera. Caminhei até a Lapa, uns dois quilômetros, e com sorte consegui tomar um táxi. Ele me levou diretamente para Rua Frei Caneca, 511. Lá eu entreguei os dois rolos de filmes diretamente no laboratório, para serem revelados, apontando que o filme colorido era o mais importante. Dentro de 70 minutos eu pude ver o resultado. A mais importante imagem havia sido perfeitamente enquadrada na posição vertical, o foco era perfeito e a exposição, também.

Cortei o filme em tiras de seis exposições cada e mostrei a melhor para o editor da revista. O diretor de arte me acompanhou ao laboratório. A fotograma/slide foi colocada em um suporte de negativos/slides do ampliador Leitz Focomat Ic, e projetada em uma folha de layout da capa da revista.

A foto foi aprovada pelos editores e enviada para os scanners para preparar a separação de cores, os fotolitos e as chapas de impressão da gráfica. Meia hora mais tarde eu fui informado de que os “cromos” de minha foto haviam sumido (sic). Não apenas a foto, mas as chapas de impressão haviam também desaparecido.

Quem eram os meus colegas, editores e diretores da Bloch Editores em abril de 1968? Eram, entre outros, Adolpho Bloch, Arnaldo Niskier, Justino Martins, Raul Giudicelli, Richard Sasso, Wilson Passos, Aaron Weissman, Sérgio de Souza, Hélio Santos e Gervásio Baptista. Alguns deles talvez se lembrem do que aconteceu naquela noite na Rua Frei Caneca, 511.

É importante mencionar que alguns (uns poucos) jornalistas da Bloch Editores foram informantes da Marinha e do Exército em 1968.

Fatos & Fotos de 4 de abril de 1968: minha foto de capa ficou desaparecida para sempre."

(*) Armando Rozário faleceu no último domingo, aos 86 anos. 

Fotomemória: Fatos & Fotos com a cobertura da missa de Sétimo Dia para Edson Luís, da qual Armando Rozário participou. Faltou a imagem mais dramática, que a redação escolheu para capa e... sumiu na gráfica. 








Atualização em 12/9/2018 - O delator que premiava... Como adendo aos fatos narrados por  Armando Rozário, sobre a foto de capa escamoteada da redação da Fatos & Fotos, o blog recebeu pelo menos duas manifestações sobre os anos de chumbo, e não apenas os das emanações das linotipos. Uma, lembra que um dos grandes clientes da Bloch, na época, era a Embaixada americana, que encomendava à editora coleções de livros que distribuía como propaganda em escolas e instituições brasileiras. Havia um funcionário da representação dos Estados Unidos que praticamente dava plantão na diretoria da empresa. O sujeito tinha passe livre, circulava pelas redações e bisbilhotava o que ia ser publicado. Quando encontrava alguma inconveniência - geralmente textos com críticas aos EUA, mesmo em matérias internacionais, ou à ditadura -, acionava diretamente a superintendência que, em geral, vetava as matérias apontadas pelo delator que, afinal, premiava a Bloch com encomendas gráficas. São grandes as chances de que a foto de capa afanada tenha sido levada pela mão leve do turista nada acidental, que excursionava na redação em nome da embaixada. Mas, como Rozário lembra, havia outros. Um deles, recorda outro leitor, viu sobre a mesa de edição da Fatos & Fotos, em 1976, um texto que voltava a focalizar o caso que envolveu Wilson Simonal e seu contador cinco anos antes (em 1971, o cantor desconfiou que seu funcionário estava desviando dinheiro e acionou amigos no temido Dops que sequestraram e torturam o rapaz. Simonal acabou condenado por "extorsão mediante sequestro" e ganhou a fama de dedo-duro). Poucos minutos depois da incursão do xereta, o então editor, Justino Martins teve que retirar a reportagem da pauta. Eram tempos difíceis, quando as redações de jornais e revistas conviviam com a censura oficial e também com aqueles cheerleaders do regime, geralmente íntimos das respectivas direções. 


Armando Rozário, do outro lado do mundo

Bar Garota de Ipanema, 1983. "Em 1983, quando trabalhava para o Jornal do Brasil, passando, no carro de reportagem,
pelo famoso bar Garota de Ipanema, vejo Armando Rozário sentado solitariamente em uma mesa, ao fundo. De dentro do carro, com uma zoom 80-200mm, consegui fazer, por mero divertimento, esta foto do já então famoso colega jornalista".(Foto Guina Araújo Ramos)

por Guina Ramos ( do blog Bonecos da História)

Entre tantas outras grandes perdas que o Brasil vem sofrendo, uma atinge especialmente a Fotografia brasileira (aliás, a mundial): faleceu neste domingo, 02/09, aos 86 anos, o fotógrafo Armando Rozário.

Nascido em Hong Kong (mas, oriundo da vizinha Macau, colônia portuguesa ao sul da China), Armando Rozário veio para o Brasil na década de 1950 e se tornou figura histórica do nosso fotojornalismo. Sua trajetória profissional mostra a intensa luta por direitos e por justiça. Muito especialmente para nós, fotógrafos, seu pioneirismo na defesa de direitos autorais foi um marco para o reconhecimento de crédito de autoria nas fotos publicadas e pela garantia de direitos trabalhistas em geral.

Muito além da profissional, a sua trajetória de vida foi realmente uma grande aventura. Só ficou um pouco mais calmo nos últimos anos, já aposentado, mas ainda virtualmente ativo, a partir de sua casa na praia junto à foz do rio São João, entre Cabo Frio e Macaé.

O jornalista Luiz Peazê, no blog do lançamento de seu livro “Cronico – uma aventura diária – Nas Esquinas do Rio”, fez um sucinto, mas preciso resumo de sua vida: “Armando, para quem não sabe, é fotojornalista e nasceu em Hong Kong (1931). Trouxe da China para o Brasil, em meados da década de 1950, o método de desenvolvimento de fotojornalismo; antes disso, havia sido correspondente em Hong Kong e Macau, para a European Picture Service; Armando havia fotografado o início da revolução de Mao Tse Tung; fotografou Louis Armstrong quando este monstro do jazz decolava na carreira; fotografou a mãe do Presidente Juscelino Kubitscheck e com esta foto ganhou na justiça direitos autorais contra a Revista Manchete, criando jurisprudência na matéria; foi fundador da Banda de Ipanema; Armando tem um curriculum que não caberia aqui e, de tantas histórias interessantes a que gosto mais é a de que, em 1978, Carlos Drummond de Andrade e Otto Lara Rezende comentaram a galhardia de um jovem ecologista, fotojornalista, em crônicas no Jornal do Brasil, e o jovem era Armando Rozário.”

Pessoalmente, convivi pouco com Armando Rozário, de uma geração bem anterior à minha, mas fui colega, no Jornal do Brasil dos anos 1980, de seu filho Frederico Rozário, hoje um internacional fotógrafo especializado em surfe. E, afinal, tenho uma única foto de Armando Rozário, um tanto inusitada, talvez.

Em 1983, quando trabalhava para o Jornal do Brasil, passando, no carro de reportagem, pelo famoso bar Garota de Ipanema, vejo Armando Rozário sentado solitariamente em uma mesa, ao fundo.
De dentro do carro, com uma zoom 80-200mm, consegui fazer, por mero divertimento, esta foto do já então famoso colega fotojornalista.

Colega porque, assim como eu (mas, muito antes), Armando Rozário trabalhou na revista Manchete, de Bloch Editores, e contra ela abriu esse emblemático caso judicial (em torno do crédito da foto de D. Júlia Kubitschek, mãe de Juscelino, de 1968), base para outras reivindicações, do mesmo tipo, de fotojornalistas e para a prática, por parte das empresas, da citação de créditos autorais nas fotos.
.
No início deste ano, me inspirei na história de Armando Rozário para escrever o conto "O rosário de Macau" (inédito, a ser incluído em livro), criado especialmente para participar de concurso literário na sua terra de origem familiar, Macau, ex-colônia portuguesa e, hoje e até 2049, uma Região Administrativa Especial da China.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

A destruição do Museu Nacional é o símbolo dramático do Brasil que se consome...

Foto de Tânia Rego/Agência Brasil

Foto de Tânia Rego/Agência Brasil


por José Esmeraldo Gonçalves 

Cultura transformada em cinzas.

Não se esperava que um domingo de sol tipicamente carioca, abrindo um setembro luminoso, se encerrasse em uma nuvem negra. Foi estarrecedor ver e ouvir a notícia do incêndio que consumia a Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista.

Aquelas chamas lambiam um país. A imprevidência, o corte de verbas, a água que faltou nos hidrantes, estava tudo ali como combustível da catástrofe.

Entre as imagens que a TV mostrou, ontem, viam-se alguns funcionários em prantos. Eles tinham a exata noção do que se perdia e expressavam a frustração de quem enviou muitos alertas sobre os riscos que o descaso oficial construiu quase que meticulosamente.

Vivemos um tempo em que a especulação financeira institucionalizada é a nova "constituição". E o mercado que a tudo rege não se interessa por "minúcias" como saúde, educação, habitação, pobreza, pesquisa, cultura... Há centenas de outras instituições e prédios históricos em perigo, sob o selvagem corte de verbas que o rentismo fanatizado e seus porta-vozes midiáticos impulsionam e festejam.

Agora, podem dançar em volta do fogo.

E vai piorar. Um governo rendido a interesses e um Congresso que troca qualquer coisa por favores aprovaram 20 anos de congelamento de verbas para atender à governança do mercado financeiro.

Teremos duas décadas com a "segurança jurídica" perfeita para destruir outros patrimônios.

As chamas que arrasaram o Museu Nacional foram alimentadas por um regime onde o quesito fiscal, a concentração adoidada de renda e os privilégios mandam e desmandam. Se o mercado-governo não preza vidas porque se importaria com a Cultura, essa perdulária?

Burocratas e tecnocratas do obscurantismo da Era Temer, que não fazem a menor ideia do que se perdeu, assinaram a ignição daquele fogo. Eles estão de passagem, mas a destruição que causaram é permanente.

Pessoalmente, nada perderam, sempre poderão fazer turismo em outro Museu de História Natural. O de Washington DC, por exemplo, que foi fundado em 1910, 92 anos depois daquele que o Brasil torrou ontem na Quinta da Boa Vista.

ALGUMAS IMAGENS DO QUE SE PERDEU.

Museu Nacional, no antigo Palácio Imperial da Quinta da  Boa Vista, comemorou 200 anos em  junho último. Foto de Alexandre Macieira/Riotur


Uma das relíquias: uma múmia trazida por D.Pedro II resistiu a 3 mil anos no Egito; no Brasil, apenas 192 anos (chegou ao Rio em 1826), e sucumbiu em dois anos de governo Temer. Foto de Alexandre Macieira/Riotur
O Museu Nacional da Quinta da Boa vista era...

...muito visitado por crianças,...

...grupos de estudantes e...

...famílias. Muitos tinham ali o primeiro contato com a história natural
do Brasil e do mundo. Fotos de Alexandre Macieira/Riotur


domingo, 2 de setembro de 2018

Das redes sociais para os eleitores do Bolsonaro...


Viu isso? Dez fotos podem levar você a Paris...



(do site rioaliancafrancesa.com.br)
O Prix Photo Aliança Francesa é um concurso nacional de fotografia aberto a todas e todos, profissionais e amadores. Através de temas da atualidade, um eco das grandes questões de nosso tempo, desejamos valorizar propostas artísticas originais, experimentais, sejam abstratas ou documentais, e que ofereçam um olhar diferenciado.

As inscrições para o concurso podem ser feitas por todo e qualquer fotógrafo, pessoa física, maior de 18 anos e residentes no Brasil, de 03 setembro à  07 de outubro de 2018, gratuitamente.

Os interessados devem acessar o site do concurso, preencher a ficha de inscrição e enviar 10 imagens inspiradas no tema “Mas onde está a água?”, que convida os fotógrafos do Brasil a direcionar seus olhares sobre a importância da água em nosso cotidiano.  As imagens podem ser em cor ou em preto e branco, manipuladas ou não, obtidas por meio de equipamento analógico ou digital.

O concurso cultural é promovido pela Delegação Geral da Aliança Francesa do Brasil com apoio da Air France, do Hotel Sofitel e autorizado pela Caixa Econômica, C.A.nº 3-6912/2018.

ACESSE O  SITE DO CONCURSO AQUI

sábado, 1 de setembro de 2018

Por que Lula não pode ser presidente?

Reprodução Web-blogspot
Reflexão do politólogo Ed Sá, o Nenem Prancha das ciências sociais:

"Num país em que bandidos de todos os quilates - de políticos como Luiz Estêvão e Sérgio Cabral a chefões do tráfico - comandam suas atividades de dentro das prisões, até que faria sentido termos um Presidente da República governando detrás das grades..."

Assédio no velório de Aretha Franklin - Pastor apalpa seio de Ariana Grande. Bill Clinton e o reverendo Sharpton dão um confere nas pernas da cantora

Com diria o comentarista de arbitragem Mário Viana, "foi mão, la mano!

Convidada para cantar You Make Me Fell Like no funeral da cantora Aretha Franklin, Ariana Grande não contava com a astúcia do pastor Charles H. Ellis, que apalpou o seu seio direito mais de uma vez. A vídeo viralizou nas redes sociais.

Cena viralizou nos sites de celebridades. Reprodução 

Na platéia, o ex-presidente Bill Clinton e o reverendo Al Sharpton dão um confere em Ariana que usava um minivestido preto. Vai ver a justificativa dos pastores deve ser uma música que ela não cantou no funeral, mas é um dos seus sucessos, "God is a woman". Bill Clinton não precisa de justificativa: é muitas vezes reincidente. #RepectAriana foi criada no twitter para apoiar a cantora.

VEJA O VÍDEO AQUI