terça-feira, 6 de setembro de 2016

Temer sofre bullying na China. Segundo fontes, ele se queixou de que foi uma figura "decorativa" na reunião do G20

Temer no G20. O fotógrafo teve que se esforçar para enquadrar o ex-vice que evoluía pelas pontas. Obama e Merkel disfarçaram e deram as costas. Foto Agência Brasil

Temer a caminho do cafezinho. Reprodução 



Temer barrado em uma das reuniões. Houve um pequeno problema depois contornado: o
crachá estava em nome da Dilma. Reprodução


Em um dos intervalos das reuniões do G20, Temer foi à piscina. Reprodução
por Omelete
Poucos fracassos foram tão bem sucedidos quanto à viagem de Temer à China.

Ainda bem que ele comprou um par de sapatos e um cachorro-robô. Se não tivesse ido ao shopping voltava de mãos abanando.

Na véspera da viagem a mídia badalou que Temer ia assinar dezenas de contratos bilionários. Mas a caneta Montblanc que ele comprou no camelô chinês a caminho da loja de sapatos era cópia pirata e não tinha tinta. Os contratos ficaram em branco.

Verdade que Temer reuniu-se com alguns representantes, a maioria da turma da Série B, no que seria o "lançamento como líder internacional'. Mas não foi culpa dele. Obama, por exemplo, caiu fora até da foto com o brasileiro. Na hora da selfie, Merkel disse que ia um instantinho ao banheiro e não voltou mais.

Chefes de Estado intolerantes "evitaram" Temer como se ele fosse portador de zika. "Ih, lá vem ele. Peraí que eu me esconder ali atrás do busto de Mao" - era a senha da turma para se mandar.

Isso não se faz.

A fonte revela que o cerimonial do G20, constrangido com a situação, sugeriu a Temer que fosse dar uma volta antes que a mídia percebesse que ele era "peixe fora d'água". "Presidente, sai um pouco, vai ao pagode", disse um assessor. Temer foi, mas voltou muito rápido. "E aí, não gostou?" - quis saber o assessor. "Procurei o Katiguelê, o Só Pra Contrariar e o Negritude Júnior e ninguém soube informar onde eles estão tocando".

O assessor desistiu, fingiu que falava ao celular e saiu de fininho

Parentes da mãe do jardineiro de uma das autoridades que integraram a comitiva brasileira ao G20 revelam que Temer teria deixado uma carta dirigida aos chefes de Estados queixando-se de que sofreu bullying.

Ficou magoado com Obama, lembrou que era amigo de Joe Biden e lamentou que tenha sido uma figura "decorativa" no G20. Vazou que o conteúdo da carta foi apenas ligeiramente reescrito a partir da famosa missiva em que ele "discutiu a relação" com Dilma Rousseff.

No fim do mês, Temer deverá comparecer à Assembleia Geral da ONU, tradicionalmente aberta pelo Brasil, O Itamaraty está pensando em convidar o Joe Biden. Pelo menos, o ex-vice teria com quem conversar.

Eduardo Cunha, outro amigo lembrado para acompanhá-lo, não foi encontrado em nenhum dos seus endereços conhecidos e parece que está temporariamente impossibilitado de viajar.

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Deu na Veja Rio: a apresentadora, o âncora e a doutora...


A Veja Rio não podia perder essa.
Embora não seja exatamente a praia da revista (gastronomia, lazer, cultura são os temas permanentes), a separação de William Bonner e Fátima Bernardes virou capa.
O anúncio da separação feito pelo próprio casal em uma mensagem em rede social, na semana passada, não alcançou as revistas de celebridades a tempo de ilustrar as edições que já estavam fechadas e abriu espaço para o destaque na Vejinha.
A crise conjugal, diz a matéria da revista, já vinha dando sinais há algum tempo.
Foi a discrição do casal que manteve a notícia longe dos repórteres e colunistas especializados.
Segundo a Veja Rio, o pivô da separação foi uma médica, casada e dez anos mais nova do que o âncora.
Se for verdade, a disputa entre as revistas de celebridades é, agora, pela foto exclusiva da doutora.
Conhece a expressão "briga de foice no escuro?". Pois é: vai rolar a briga de flashes e teleobjetivas nos plantões das madrugadas..

"Sapatinho de cristal" virou piada...


VEJA NO SPUTNIK NEWS, CLIQUE AQUI

Novos tempos... A Piauí desse mês faz o perfil de Jair Bolsonaro, "a direita que atira", e põe na capa a família presidencial depois do golpe gourmetizado


Fatos e fotos: resposta ao golpe é na rua












Vá entender. Ser chamado de golpista tira do sério os... golpistas



Na chamada grande mídia não há exatamente o que se pode chamar de debate sobre a atual crise política no Brasil. Com exceções de um Veríssimo aqui e de um Jânio de Freitas ou um Gregorio Duvivier lá, as "opiniões" apenas ecoam umas às outras, rimadas e bem afinadas. Por exemplo, a velha mídia junto com os caciques do PMDB defende que o golpe obedeceu à Constituição. Juristas, jornalistas independentes, grande parcela da opinião pública e as multidões nas ruas denunciam o golpe. 

Que, como Veríssimo escreveu no Globo, "teve cara de golpe, cheiro de golpe, penteado de golpe". 

Já Zuenir Ventura escreve no mesmo Globo que é "do tempo em que golpe se dava com tanques nas ruas, prisões e censura". E ironiza sobre a existência de "golpe parlamentar". Diz que não conhecia a modalidade, apesar de o Paraguai, aqui ao lado, Honduras mais em cima e Ucrânia, mais distante, conheceram muito bem o novo formato de destituição de governos eleitos.

O fato é que os golpistas se incomodam profundamente quando alguém os chama de golpistas. Há poucos dias, o ministro da Cultura do governo golpista teve uma ataque de pelanca durante um festival de cinema ao ouvir a plateia gritar que ele, a dita autoridade, era... golpista. 

Cristovam Buarque foi chamado de golpista durante a sessão de uma comissão parlamentar, irritou-se e foi embora pra casa. 

Vá lá, dá para entender.

Consumado o golpe, tais figuras tentam deixar algum registro, um post no Facebook, um artigo no jornal, um recado ao porteiro do prédio, um aviso ao entregador de pizza, um panfleto colado no poste, o que seja, para deixar aberta a possibilidade de as futuras gerações, até filhos e netos, os perdoarem por não terem sabido o que faziam num certo ano de 2016 em um país chamado Brasil. 

Eram golpistas mas só que não. 

Vai ver achavam que Dilma se voluntariou para tirar o time de campo depois que Temer lhe escreveu uma carta pedindo colo e se queixando da vida de vice...

O jornalista Paulo Nogueira escreve no DCM sobre a deprê dos golpistas, surpreendentemente infelizes apesar de terem conseguido o que queriam: pôr a mão na massa. 

E o DCM lembra uma dica de Zé Simão ao presidente do governo pós-golpe. Ao saber que Temer disse que não quer ser chamado de golpista, Simão sugeriu que ele peça para ser tratado de "golpisto".

Leia o artigo de Paulo Nogueira: 



por Paulo Nogueira (para o DCM)

Então chegamos à seguinte situação. Mesmo os golpistas admitem que a palavra golpista pegou. Ponto. Algumas coisas pegam, outras não.

Golpista pegou.

O problema é que os golpistas ficam extremamente incomodados em serem chamados de golpistas. Temer já disse isso. Cristovam Buarque também. A Folha, num editorial, xingou manifestantes que picharam a expressão golpista em sua sede na Barão de Limeira.

Pensando em tudo isso, montei um micromanual de atitudes para os golpistas incomodados em ser chamados de golpistas. Embora simples, é um manual infalível.

As recomendações:

1) Não há meio mais seguro para não ser chamado de golpista do que não ser golpista. Num paralelo: você não gosta de ser chamado de bêbado? Não beba. Não gosta de ser chamado de mulherengo? Não seja mulherengo. Não gosta de ser chamado de grosseiro? Não faça grosseria.

A mesma coisa funciona para o golpismo. Jamais acusarão você de golpista se você não for golpista.

2) Não acuse o golpe, caso seja chamado de golpista. Sabe aquela coisa da infância? Dão a você um apelido que você detesta. Se você deixar claro isso, o quanto abomina o apelido, acabou. Você será conhecido por ele o resto de sua vida.

Seja ator, nestes casos. Mesmo que mortificado, simule bom humor. Cristovam Buarque já dançou. Ficou evidente quanto doi para ele ser chamado de golpista.

Em sua raiva desgovernada, ele dá longas explicações sobre por que não é golpista. Só piora. É possível que quando Cristovam Buarque for enterrado alguém cole em seu cova: “Aqui jaz um golpista”.

No túmulo de Temer, talvez apareça outra inscrição, sugerida por Zé Simão. Quando veio a público que Temer não queria ser chamado de golpista, Simão sugeriu tratá-lo de “golpisto”.

3) Se as coisas parecerem realmente complicadas, escreva um livro. Churchill disse que não se preocupava com o que a história diria dele porque os historiadores consultariam os livros que ele próprio escreveria a seu respeito.

O difícil, aí, é que os golpistas brasileiros não têm o talento, o poder de persuasão, o carisma de Churchill.

Considere, para ficar num caso, FHC. Sua prosa é rasteira, suas ideias são superficiais: em suma, seu poder de convencimento tem o tamanho oposto de sua arrogância.

FHC pode escrever mil livros que nada será suficiente para que perante a posteridade ele deixe de ser tratado como o que é: um golpista.

Uma boa frase para seu jazigo talvez fosse esta: “Foi golpista e tentou ser escritor”.

Bem, prometi um manual curto e paro por aqui.

Foram três recomendações, relembro. Mas a mais eficiente é a primeira. Não quer que chamem vocêr de golpista? Não seja golpista.

Trottoir no calçadão dos quarteis?.


De tanto ler meia dúzia de colunistas e editoriais dos jornais, o governo pós-golpe imaginou que seria carregado em triunfo nas avenidas, ruas e vielas do Brasil. 
Temer já se via como personagem de álbuns de figurinhas disputado por colecionadores, Moreira Franco achava que seria carregado nos ombros e ovacionado por qualquer bobagem que verbalizasse. 
Aécio, como um "Aníbal" da Disney, pensava que ia cruzar as montanhas de Minas Gerais no lombo de elefantes e conduzido por multidões de rumo à rampa do Planalto. 
Eliseu Padilha tinha certeza de que viraria enredo de escola de samba. 
Geddel desbancaria Luiz Eduardo Magalhães como nome de rua, de aeroporto, de escola, de prédio, de postes, de banheiro público, de museu, de restaurante, de boteco, de bairro, de escola, de sapataria, de hospital, de oficina, de loja de ferragens e de barraca de caldo de cana em Salvador. 
Romero Jucá aguardava o momento de virar efígie em cédulas de 500 reais. 
Janaína, Paulo Skaff e Kataguiri estavam certos de que suas cabeças monumentais seriam esculpidas no Sumaré por trabalhadores voluntários extasiados, tais quais os presidentes americanos no Monte Rushmore. 
Como não foi bem o que aconteceu e as multidões que protestam contra o golpe estão nas ruas, a curriola foi surpreendida. E aí que mora o perigo.

A propósito, o jornalista Luís Nassif faz uma profunda análise desse momento político no site GGN. Leia a seguir. 
     


por Luís Nassif
Há em andamento uma tentativa de jogar as Forças Armadas na tarefa menor da repressão interna.

Entenda.

Peça 1 – a volta das vivandeiras

Tem-se um quadro completo, com os principais personagens para a montagem desse jogo:

Os black blocs

Um grupo de ultraesquerda infiltrado nas manifestações, promovendo quebra-quebra e sendo tratado com um certo paternalismo por setores da esquerda. No seu primarismo político, os black bloc livram a PM do trabalho sujo de simular quebradeiras.

A PM

Uma PM capaz de bater em adolescentes, mas incapaz de reprimir os black blocs, porque são parte integrante da sua estratégia. Quem assistiu o documentário sobre a batalha de Seattle – as manifestações anti-OMC de 1999 – aprendeu bem as manhas da repressão. Infiltravam agentes para comandar quebra-quebra, visando desmoralizar as manifestações e encontrar álibi para a repressão. É prática corriqueira. Dispondo do apoio dos black blocs, o trabalho fica enormemente facilitado.



A imprensa vivandeira

Completa o quadro uma imprensa vivandeira que faz o jogo da PM e clama pelos quarteis, porque a PM não coíbe a quebradeira. Foi o caso do editorial da Folha (https://is.gd/uhtpu4) entrando no jogo da PM.

Os ataques de baixo nível a Ricardo Lewandowski e a atitude vil de expor o apartamento da mãe de Dilma Rousseff – e ainda taxá-lo falsamente de “apartamento de luxo” – comprovam que nem a vitória ajudará a impor um mínimo de grandeza à velha mídia. Continuarão apostando na guerra de extermínio sem receio do ridículo, como mostra reportagem da Folha acusando a Bolsa Família pela crise das comunidades indígenas (https://is.gd/r6lREB).

O governador Geraldo Alckmin recuou de sua intenção de proibir as manifestações de domingo. Mas é questão de tempo.

Do lado de dentro, espera-se o caldeirão entornar para o grande objetivo traçado pelo governo Temer: devolver às Forças Armadas o papel de repressão interna.

Antes disso, uma pequena explanação sobre a política de defesa na última década.

Peça 2 – a Política Nacional de Defesa

No final dos anos 90, os Estados Unidos se apresentavam como o guarda-chuva do mundo nos campos cibernético, nuclear e espacial. Por sua concepção, as Forças Armadas dos demais países serviam apenas para cuidar de bandido, da repressão e do combate às drogas.

Na última década, no Brasil houve  enorme avanço na Política Nacional de Defesa graças a três gigantes: José Genoíno, Nelson Jobim e Celso Amorim, três grandes brasileiros de formação política distinta, mas que entenderam perfeitamente o papel das Forças Armadas em uma nação moderna.

A concepção de defesa nacional baseou-se no modelo de países desenvolvidos e foi centrada em três tópicos principais:

1.     A energia nuclear, sob responsabilidade da Marinha, com as usinas, o enriquecimento do ciclo do urânio e os submarinos nucleares.

2.     A aeroespacial, por conta da Aeronáutica, com os novos caças e os satélites brasileiros.

3.     A cibernética, sob responsabilidade do Exército, com a responsabilidade de preparar o país para a guerra eletrônica.

Em cima desse tripé foram traçadas as grandes estratégias de defesa:

·       Defesa do pré-sal

·       Defesa da Amazônia

·       Defesa do cone-sul

Essas definições foram relevantes para garantir a governabilidade nessas regiões. Há um princípio internacional de montar forças inernacionais em países que não tenham condições de cuidar de suas áreas. Por isso mesmo, a Amazônia e a Bacia do Prata foram objeto de estudos e acordos. E o Exército sempre recusou aos Estados Unidos treinamento de tropa no centro de treinamento da Amazônia.

Quando se decidiu ampliar a cooperação continental, o Brasil trocou a relação bilateral com os Estados Unidos por uma relação de cooperação.

A definição fixada na Unasul e no Conselho de Defesa Sul-Americano foi de que apenas para fora haveria a dissuasão; para dentro, a arbitragem e a cooperação. Todas as disputas haviam sido superadas pelo conceito de cooperação, definindo operações conjuntas para patrulhar essas áreas sensíveis.

A cooperação regional

Nesse período, o Brasil assumiu o papel de país central, exercendo a função de aconselhamento das nações vizinhas. Foi assim que seguraram-se por algum tempo as pirações na Venezuela e fortaleceu-se a ação mais responsável de Evo Moralez na Bolívia.

O acordo de paz entre as FARCs e o governo colombiano foi conquistado assim. Jobim aconselhou diretamente o governo colombiano e alertava para os riscos de se colocar bases norte-americanas no continente:

- Toda guerrilha quer alvo. Bases americanas são um baita alvo. Vocês têm que impedir as bases, negociar, porque guerrilha na selva e cordilheira é imbatível.

Juan  Manuel Santos, o presidente da Colômbia, aceitou os conselhos, negociou e o país está saindo da mais prolongada crise política da sua história.

Agora, com o presidente argentino Maurício Macri abrindo o país para bases norte-americanas, e José Serra exibindo uma subordinação desinformada e primária em relação aos Estados Unidos quebra-se o modelo.

Peça 3 – o desmonte da Defesa

O governo Dilma Rousseff “esqueceu” a política de defesa. Avançou na licitação FX, manteve os programas em execução, mas sem o olhar do presidente.

Com Michel Temer, vem o desastre.

Nas Relações Exteriores colocou um Ministro, José Serra, totalmente jejuno na matéria, subserviente aos Estados Unidos, uma ignorância rotunda. Para ficar no campo conservador, troca-se o conservadorismo culto e altivo de um Afonso Arinos, Celso Lafer e Rubens Ricúpero por um chanceler com o cérebro de Maguila.

Na Defesa, entra um Ministro inexpressivo, Raul Jungman, em que pese ter pensamento mais sofisticado que o de Serra. Por que se saliento a inexpressividade? Porque, na outra ponta, o desmonte está sendo comandado de fora para dentro, através do Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen, e do Ministro da Justiça Alexandre de Moraes.

Na gestão Nelson Jobim na Defesa, tentou-se criar um Centro de Estudos que aproximasse a academia das Forças Armadas. Jobim criou o Instituto Pandiá Calógeras, visando:

1.     Produzir reflexões acerca dos aspectos políticos e estratégicos nos campos de segurança internacional e defesa.

2.     Atrair recursos humanos no campo da defesa.

3.     Estreitar relacionamento Defesa com meio acadêmico e internacional.

A primeira decisão conjunta de Jungmann e Etchegoyen foi fechar o Instituto.

Peça 4 – a segurança interna

No modelo norte-americano, há três órgãos distintos trabalhando a segurança interna: o FBI, a CIA e a Guarda Nacional. No Brasil, os correspondentes seriam a Polícia Federal, a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e a Guarda Nacional – que jamais foi criada.

A Estratégia Nacional de Defesa tratou o capítulo referente à garantia da lei e da ordem com a proposta de institucionalização da Força Nacional de Segurança. O modelo proposto era o da criação da Guarda Nacional para cuidar das fronteiras, portos e regiões de conflagração urbana.

Em um primeiro momento, o Exército entraria, tomaria conta da área e imediatamente a repassaria para a Guarda Nacional. As Forças Armadas toparam, mas a Polícia Federal reagiu. E como no governo Dilma não havia Ministro da Justiça nem da Defesa, ficou-se por isso mesmo.

Hoje em dia, a PF usa armas camufladas e uniformes de combate simbolizando um poder a mais.

Não se ficou nisso.

Movimento 1 – a criação do GSI

No presidencialismo, o Presidente é o comandante supremo das Forças Armadas. Ele é eleito como chefe de governo e de Estado. A segunda autoridade é o Ministro da Defesa. Depois, o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, os Comandantes Militares e os Comandantes de Área. Assessorando o presidente tem também a Casa Militar.

Criado no segundo governo FHC, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) foi confiado ao general Alberto Cardoso e tornou-se um corpo estranho. Entrando Lula, este foi alertado para os riscos da criação de um poder paralelo. A saída encontrada foi entregar ao general Jorge Armando Félix, pouco efetivo.

No governo Dilma, o GSI foi corretamente extinto, ficando apenas o Gabinete Militar

Mal assumiu o interinato, Michel Temer recriou o GSI e nomeou o general Sérgio Etchegoyen, colocando debaixo dele a ABIN e a Sisbin (Sistema Brasileiro de Inteligência).

Consciente do novo poder que iria exercer, Etchgoyen imediatamente convocou para um jantar em sua casa o presidente da República, o Ministro da Defesa e os três Ministros militares, colocando-se simbolicamente acima deles. Em Brasília, na diplomacia e no poder, jantares têm significado em si.

Movimento 2 – a segurança nas Olimpíadas

Nas Olimpíadas, Temer nomeou o GSI responsável pela segurança, atropelando os responsáveis naturais, Ministro da Defesa ou da Justiça. O Chefe do Estado Maior conjunto sequer foi convidado para a abertura das Olimpíadas.

A segurança foi organizada pela burocracia das Forças Armadas – acantonada em Brasília – não pelas tropas de combate.

Movimento 3 – a desagregação da defesa

Na Estratégia Nacional de Defesa, a primeira preocupação foi criar o conceito de comando conjunto. Por exemplo, não adianta submarino sem satélite ou comando aéreo na Amazônica sem o Exército. Por isso foram criados comandos em cada região crítica, permitindo a integração das três forças e a definição de estratégias em cada região.

A criação de Unidades Militares de Combate, seja na Amazônia, Haiti ou África, deixa claro o verdadeiro papel das Forças Armadas er os malefícios advindos de sua transformação em polícia. Há levantamentos internacionais mostrando que, nos países em que se tornaram polícia, foram sucateadas, com os equipamentos tecnológicos de ponta – para a defesa nacional – substituídos por investimentos em tanques, brucutus, algemas, granadas e revólveres.

A diluição desse modelo começou com as UPPs (Unidades de Policias Pacificadoras). No início, pareceu dar certo no Rio, devido ao fato do Secretário de Segurança José Mariano Beltrame ser da PF e respeitado por ela. Ainda no governo Dilma, houve financiamento do governo federal e a parceria com o Exército.

O Exército burocrático gostou, porque dá visibilidade, nome e prestígio à força. O Exército de combatentes – inteligência, ciência e tecnologia – sabia que seria o início do sucateamento, com a burocracia voltando a tomar conta.

Com o abandono do modelo de integração, voltou-se à visão compartimentalizada, com cada tropa lutando por seu quinhão e perdendo a visão de conjunto e os objetivos nacionais.

Peça 5 – os caminhos da repressão

A repressão irá se tornar mais aguda devido a um conjunto de fatores adicionais.

Na sua gestão no Ministério da Justiça, o Ministro Tarso Genro cometeu um dos grandes erros estratégicos, ao descentralizar a inteligência na Polícia Federal. Em nenhum país do mundo comete-se essa imprudência, devido ao risco concreto de criar ilhas de poder em cada canto.

O mesmo ocorreu no Ministério Público Federal. A Constituição já garantia a autonomia de decisão de cada procurador. A AP 470 e a Lava Jato, no entanto, internalizou o conceito do direito penal do inimigo.

Aparentemente, o poder conferido pela parceria com a mídia e com a ralé (no sentido sociológico do termo) conquistou corações e mentes, ainda mais depois que erros sucessivos de governos do PT consagraram o corporativismo na eleição do Procurador Geral da República (PGR). A corporação passou a se comportar como classe média convencional, estimulando as ações de repressão contra o inimigo comum e criticando internamente as manifestações de crítica.

O MPF e o PGR são responsáveis diretos por esse estado de exceção, ao permitir a entronização no poder de Michel Temer, Geddel Vieira, Eliseu Padilha, Moreira Franco. Mas não se espere deles nenhuma ação visando coibir essa escalada antidemocrática. É mais fácil ver o MPF como linha auxiliar da repressão do que como baluarte da legalidade.

O STF (Supremo Tribunal Federal) dispunha de um quarteto legalista: Ricardo Lewandowski, Teori Zavascki, Luís Roberto Barroso, o corajoso Marco Aurélio de Mello e, eventualmente, Luiz Edson Fachin e Rosa Weber. Barroso e Fachin foram desencorajados por uma campanha infame produzida por blog de Curitiba e repercutida pelos blogueiros da Veja. Zavascki alvo de escrachos e de ameaças a ele e seus filho Bastou a Dias Toffoli aderir a Gilmar Mendes para, de alvo, se transformar em querido da mídia.

Bastam pequenas decisões contrárias à ralé para serem alvos de campanhas desmoralizadoras sem que os órgãos de controle atuem. Se alguém considerar esse estado de coisas incompatível com a normalidade democrática, que se cale para não sofrer as mesmas represálias.

Se o STF deixou na gaveta todas as denúncias contra políticos, não será agora que se poderá esperar uma atuação mais ativa.

Por outro lado, a cada dia que passar se verá um governo cada vez mais sem rumo e sem limite, explicitando progressivamente suas tendências autoritárias; na outra ponta, uma juventude a mil por hora, pegando o bastão da resistência democrática das mãos dos mais velhos. Eles não têm a força, mas tem a convicção. A rapaziada sabe que não está lutando por Dilma, mas pelas liberdades democráticas. Sabe que na outra ponta – dos grupos de poder – está o preconceito, a insensibilidade social, a arrogância de quem conquistou o poder sem passar pelo teste dos votos.

E daqui a pouco, as manifestações contra o impeachment chacoalharão todo o país.

Quem souber o resultado desse Xadrez, está blefando.

Atualização

Foi uma manifestação cívica, civilizada, disciplinada, alegre, com a presença de jovens, crianças, moças grávidas.

No final da manifestação, segundo relato de todos os veículos que acompanhavam - G1, UOL, Band, Globo - a Polícia Militar começou a jogar bombas sobre manifestantes, sem que nada tivesse ocorrido antes.

Completa-se o ciclo. A Folha pediu a violência, Gerlado Alckmin autorizou, a PM cumpriu à risca e dificilmente o MInistério Público atuará para investigar os fatos e punir os culpados.

Como se dizia nas equações, CQD (Como Queríamos Demonstrar)

sábado, 3 de setembro de 2016

Fórmula 1: quando a Manchete acelerava nas pistas. E a capa de Rubens Barrichello, que foi feita mas não existiu...

por Jean-Paul Lagarride
O piloto Felipe Massa, da Williams, anunciou sua decisão de se retirar da Fórmula 1 ao fim da temporada de 2016. E o outro brasileiro no atual grid, Felipe Nasr, da Sauber, ainda depende da renovação de contrato ou de proposta de nova equipe.

Caso essas alternativas não se concretizem, o Brasil, pela primeira vez desde o começo dos anos 1970, não estará representado nas pistas da categoria em 2017. A última vitória de um brasileiro na F1 foi em 2009, em Monza, com Barrichello correndo pela Brawn-Mercedes

A partir das primeiras vitórias e do bicampeonato de Emerson Fittipaldi, os pilotos brasileiros que venceram provas ou títulos na principal categoria do automobilismo fizeram pit stop nas páginas ou nas capas da Manchete. Nelson Piquet e Ayrton Senna, ambos tricampeões, estiveram nas capas de inúmeras edições.

Observe que a revista especial sobre a conquista de Emerson Fittipaldi (acima), de agosto de 1972, incluía um disco. Era "edição sonora". A sinergia entre os meios impressos e digitais tão comum hoje estava longe acontecer. Melhor dizendo, não aparecia nem no horizonte da ficção científica. Incluir um compact disc analógico como complemento multimídia (essa palavra também nem existia) de uma revista era uma modernidade. Um parêntese: a Fatos & Fotos foi pioneira na fórmula, em 1969, ao lançar uma edição especial da chegada do homem à Lua com um disco grátis que reproduzia o áudio dos diálogos entre Neil Armstrong, Buzz Aldrin, Michael Collins e a Nasa.

Rubens Barrichello, que começou a correr na categoria em 1993, ganhou mais destaque nos anos 2002 e 2004 quando foi vice-campeão.


Dois anos antes, a Bloch Editores havia pedido falência. A revista Manchete ainda teve uma sobrevida editada por ex-funcionários mas não resistiu às exigências e aos custos do mercado a partir da virada do século.

Curiosamente, Barrichello, como a viúva Porcina, "a que foi sem nunca ter sido" da novela "Roque Santeiro", foi a capa que não existiu da edição que seria a última da trajetória regular da Manchete, que não chegou a ser impressa.

Explica-se: Rubinho ganhara uma prova e a redação decidira pôr o piloto da capa. Logo após o fechamento, oficiais de Justiça entraram no prédio da Rua do Russell, comandaram a retirada abrupta de todos os funcionários e lacraram as instalações.

A Bloch havia pedido falência. E Barrichello não completou a última curva antes de chegar à capa.

Felipe Massa, que estreou na F1 em 2002, chegou atrasado para se destacar na Manchete.

Precisamente, dois anos depois de a revista se retirar das pistas. Ou melhor, das bancas.

NR1: A capa de Barrichello reproduzida acima é a de um cartaz de banca (peça promocional) que a Manchete entregava aos jornaleiros). Esse cartaz, exemplar único (era ainda uma prova gráfica), foi preservado por José Carlos de Jesus, ex-chefe de reportagem da revista e atualmente presidente da Comissão dos Ex-Empregados da Bloch Editores (CEEBE).  

NR2: Leia comentário anexado a este post. J.A.Barros, ex-diretor de Arte da revista Manchete, acrescenta alguns detalhes sobre a capa de Barrichello na edição que nunca chegou às bancas. 

Na capa da Inked, retrato da nova mãe, a da geração Milênio...


por Clara S. Britto 
Atriz, ex-apresentadora da MTV americana, Jenni 'JWoww' Farley está na capa da revista Inked. Aos 30 anos, três filhos, supertatuada (um tigre na coxa, um dragão nas costas e uma "manga"  inspirada na Disney, ela é apresentada como um símbolo da nova mãe, a da geração Milênio, aquela que não muda de roupa, de hábitos e de gostos só porque virou mãe.

Golpe gourmetizado inspira títulos de jornais e manifesto de "Brasil Grande"




por Omelete

Sei lá porque, sei lá se Freud explica, se Garrastazú justifica, mas a mídia, nessa semana, deu de viajar ao inconsciente e resgatar slogans de inspiração fascista dos tempos da ditadura, aquela que foi posta, ou bosta (é o corretor selecionando a palavra certa...), no poder após um golpe, o outro, o não gourmetizado.

A Tribuna do Paraná trouxe de volta o "Pra Frente Brasil". E o Globo se inspirou no "Ame-o ou Deixe-o" para titular uma matéria.

Tenho várias sugestões para títulos. A próxima manifestação dos coxinhas da Av. Paulista pode ser resumida em "Povo Limpo é Povo Desenvolvido". A próxima foto de Temer, Renan, Cunha, Maia e Aécio juntos pode receber o título "Eu te amo, Meu Brasil, Eu te amo".

Para a notícia sobre o processo de Cunha que não anda vale um "Ninguém Segura este País".

O flagrante do próximo ministro manuseando pacotes de dinheiro suspeito pode ter apenas uma legenda: "Brasil, conte comigo".

A Fiesp que no passado financiou centros de tortura da ditadura, segundo documentos da Comissão da Verdade, entrou na linha ufanista e publicou nos jornais um anúncio que mais parece uma viagem no tempo, mais precisamente à Estação 64. O texto apela a "braços dados" e a "todos juntos", como na musiquinha de Miguel Gustavo, "todos juntos, vamos, pra frente Brasil...".

Desse jeito, a música-ambiente dos elevadores e corredores do Palácio do Planalto vai ser Don& Ravel, Simonal e os samba-enredo da Beija Flor nos carnavais do mestre-sala da ditadura Garrastazú Médici.

ATUALIZAÇÃO EM 7/9/2016 - FALTOU DIZER...
A vitória do Brasil contra a Colômbia também foi comemorada no Globo ao estilo Médici 

A conta do golpe: Temer é o nosso Trump. Governo quer construir um muro em torno do FGTS. Mas ainda não fala em cercar o Nordeste...

Os Estados Unidos querem evitar um Trump na Casa Branca.

Nós já temos o nosso Trump no Planalto.

É Temer.

O governo pós-golpe não vai construir um muro dividindo o Nordeste do resto do país - pelo menos isso não foi noticiado ainda, visto que Temer não fez promessas públicas de campanha já que nem campanha fez - mas ergue paredões econômicos (esses sim, prometidos na moita aos golpistas) que vão segregar ainda mais grandes parcelas da população.

Muitos fossos estão sendo abertos.

Entraram na mira das milícias tecnocratas o SUS, o Bolsa Família, programas públicos de educação, de bolsas, de pesquisa, de casa própria, de previdência, de meio-ambiente, de cultura popular etc.

Reprodução
O alvo preferencial agora, entre as muitas "reformas" que, afastados os pretextos, estão verdadeiramente por trás da ignição do golpe é o FGTS. Banqueiros já revelaram publicamente que pretendem botar a mão nos recursos dos trabalhadores. Temer, solícito, encomendou um "estudo" para "mudar as regras" do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço. Pretende que o FGTS passe a pagar o seguro-desemprego e aposentadoria complementar. Uma medida desviará recursos da conta do trabalhador; a outra vai engordar instituições financeiras que se encarregariam de "gerir" o  ambicionado volume de dinheiro do programa. Dizem os tecnocratas que os bancos privados ofereceriam juros melhores aos trabalhadores. Pode ser. Mas duas das colunas do FGTS seriam comprometidas: a garantia e a função de financiador de casa própria. A garantia se abala por que a aposentadoria complementar entraria no regime de capitalização das instituições privadas sujeito a chuvas e trovoadas, além da história manipulação do mercado financeiro especulativo e suas consequências para os investimentos. O "estudo" do governo pós-golpe nem fala no uso dos recursos do FGTS para a política habitacional. Mas admite que vai tornar bem mais difícil a retirada pelo trabalhador dos valores nominalmente titulados. Como a conta do FGTS é aberta em nome do trabalhador, mexer nessa conta é um "confisco" disfarçado.

Nesse caso, o Temer travestido de Trump vai lembrar mesmo é um Collor travestido de Temer.

Nos últimos dias, milhares de brasileiros estão nas ruas protestando contra o golpe parlamentar que destituiu uma presidente eleita por voto direto.
Pelo jeito, não vão poder sair tão cedo.

E já mais do que claro que, nos próximos, com as instituições instrumentalizadas, a rua será a única trincheira de todas das categorias de trabalhadores para lutar contra o cipó de aroeira que vai bater no lombo popular.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Economistas garantem: os bons tempos voltaram, vamos gozar outra vez...


por Ed Sá 

Estamos oficialmente sob um governo do PMDB. Dizem que milhões de brasileiros foram às ruas vestidos de verde e amarelo pedindo exatamente isso.

Para analistas, economistas, formuladores de cenários econômicos, colunistas de economia e desavisados um súbito clima de otimismo passou a varrer o país.

Em 1986, os nossos destinos também estavam entregues ao PMDB. Um clima de otimismo varria o país, segundo a mídia.

Duvida?

Pois o Banco Safra teve coragem de traduzir, na época, toda essa empolgação no anúncio acima veiculado na Manchete.

Sem vacilar, anunciava o paraíso, após dizer que "durante muitos anos o Brasil acordou de manhã com péssimas notícias".

E afirmava que o governo do PMDB resgatava "aquele sonho brasileiro de prosperidade".

A peça de propaganda não diz, mas o paraíso anunciado atendia pelas alcunhas de Plano Cruzado I e Plano Cruzado II.


Não sei se tinha a ver, mas fazia sucesso também uma pornochanchada chamada "Os bons tempos voltaram, vamos gozar outra vez".

É o que os jornais de hoje estão prometendo.

Mais ou menos como o Banco Safra ao saudar outro inesquecível governo do PMDB.

A impressão que eu tenho ao ler os jornais é que o PMDB é, quem diria, o mais amado do país.

Como foi um dia o elefante do extrato de tomate Cica.

Aliás, outro anúncio famoso nos anos 1980.

STF diz que governo não pode usar classificação etária como meio de censurar conteúdos

por Ed Sá 
Há 30 anos, um presidente-do PMDB-sem-voto, Sarney, censurou o filme "Je Vous Salue, Marie". Para comemorar a data, Temer, outro presidente-do-PMDB-sem-voto, ameaçou o filme "Aquarius" com armas burocráticas - classificando-o como proibido para menores de 18 anos.
Sarney pretendia agradar à igreja católica.
Já a motivação de Temer é nebulosa. Coincidentemente, foi o elenco de "Aquarius" que fez um protesto em Cannes, em maio último, contra o golpe. Coincidentemente, a suposta reação política teria contaminado a comissão que indicará a produção brasileira que concorrerá ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano que vem. Um dos jurados seria mais fã de Temer do que do cinema, o que comprometeria a imparcialidade da tal comissão. Diante da suspeita, dois outros jurados preferiram se retirar do pequeno circo que se armou e três cineastas retiraram seus filmes do processo de indicação para não colaborar com uma escolha que poderia dar sinais de "melada".
Governos que se deixam seduzir pelo poder de censurar usando artifícios devem ler recentíssima súmula do STF em Ação de Inconstitucionalidade sobre os efeitos da classificação etária. O Supremo acaba de decidir que tal classificação não é proibição mas indicação. Não se pode dizer que um filme é "proibido" para menores de 18 anos, mas que "não é indicado para menores de 18 anos". Os pais decidem se o filho deve ver ou não.
Entendeu, burocrata? Se não, leia matéria sobre o assunto no site Consultor Jurídico.


CLIQUE AQUI

A "República de Curitiba" está saudosa...


Desastre institucional...




por Janio de Freitas (Folha de São Paulo)
Em inúmeras vezes, nas sessões do impeachment que presidiu, o ministro Ricardo Lewandowski disse ao plenário, com pequenas variações de forma: “Neste julgamento, os senadores e senadoras são juízes, estão julgando”.Entre os 81 juízes, mais de 70 declaravam o seu voto há semanas, e o confirmaram na prática. Um princípio clássico do direito, porém, dá como vicioso e sujeito à invalidação o julgamento de juiz que assuma posição antecipada sobre a acusação a ser julgada. O que houve no hospício –assim o Senado foi identificado por seu presidente, Renan Calheiros– não foi um julgamento.

Os que negam o golpe o fazem como todos os seus antecessores em todos os tempos: nenhum golpista admitiu ser participante ou apoiador de um golpe.

Desde o seu primeiro momento e ainda pelos seus remanescentes, o golpe de 1964, por exemplo, foi chamado por seus adeptos de “Revolução Democrática de 64″. Alguns, com certo pudor, às vezes disseram ser uma revolução preventiva.

É o que faz agora, esquerdista extremado naquele tempo, o deputado José Aníbal, do PSDB, sobre a derrubada de Dilma: “É a democracia se protegendo”. Dentre os possíveis exemplos pessoais, talvez nenhum iguale Carlos Lacerda, que dedicou a maior parte da vida ao golpismo, mas não deixou de reagir com fúria se chamado de golpista.

As perícias e as evidências negaram fundamento nas duas acusações utilizadas para o processo do impeachment de Dilma. As negações foram ignoradas no Senado, em escancarada distorção do processo.

Para disfarçar essa violência, foi propagada a ideia de que a maioria dos senadores apoiaria o impeachment levada pelo “conjunto da obra” de Dilma: a crise econômica, as dificuldades da indústria, o aumento do desemprego, o deficit fiscal, a suspensão de obras públicas, as dificuldades financeiras dos Estados e outros itens citados no Congresso e na imprensa.

Se os deputados e senadores se preocupassem mesmo com esses temas do “conjunto da obra”, teríamos o Congresso que desejamos. E os jornais, a TV e os seus jornalistas estariam sempre mentindo com suas críticas, como normal geral e diária, sobre a realidade da política e dos políticos.

Nem as tais pedaladas e os créditos suplementares, desmoralizados por perícias e evidências, nem o “conjunto da obra”, cujos temas não figuram nos interesses da maioria absoluta dos parlamentares, deram base para acusações respeitáveis em um processo e um julgamento. Se, no entanto, envoltos por sofismas e manipulações, serviram para derrubar uma presidente, houve um processo, um julgamento e uma acusação ilegítimos –um golpe parlamentar. Os que o efetivaram ou apoiaram podem chamá-lo como quiserem, mas foi apenas isto e seu nome verdadeiro é só este: golpe.

Esse desastre institucional contém, apesar de tudo, um ponto positivo. A conduta dos militares das três Forças, durante toda a crise até aqui, foi invejavelmente perfeita. Do ponto de vista formal e como participação no esforço democratizante que civis da política e do empresariado estão interrompendo.

O pronunciamento de ex-presidente feito por Dilma corresponde à aspiração de grande parte do país. Mas a tarefa implícita no seu “até daqui a pouco” exigiria, em princípio, mais do que as condições atuais da nova oposição podem oferecer-lhe, no seu esfacelamento.

À vista do que são Michel Temer e os seus principais coadjuvantes, não cabem dúvidas de que os oposicionistas podem esperar muita contribuição do governo. Mas o dispositivo de apoio à situação conquistada será, a partir da Lava Jato, de meios de comunicação e do capital proveniente de empresários, uma barreira sem cuidado com limites.

Desde ontem, o Brasil é outro.


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Seguuuuuuuura, coxinha! Revista Time diz que queda de Dilma é o começo da crise, não o fim...

Reprodução time. Leia AQUI

A fatura do golpe. O fim do aumento real do salário mínimo já está decidido


LEIA A MATÉRIA COMPLETA, CLIQUE AQUI

CLIQUE AQUI

Livrando a cara do julgamento da história...


por Paulo Nogueira (para o DCM)

A melhor definição do golpe veio de alguém absolutamente improvável: Joaquim Barbosa.

Golpe Tabajara.

Barbosa disse isso, e muitas outras coisas, no Twitter. E suas considerações viralizaram. Centenas, às vezes milhares de retuítes.

Ele tocou em pontos chaves do golpe Tabajara. Não só em português, mas em inglês e francês.

Tocou no papel da mídia como desestabilizadora do governo Dilma. Traçou um retrato devastador — e real em cada letra — de Temer, “um homem conservador, ultrapassado, desconectado do país”, alguém que é comparável à velha figura dos “caudilhos”.

Afirmou a impotência do STF. “Em matéria de impeachment, o STF pode fazer pouquíssimo. E fez pouquíssimo.”

Barbosa descreveu como poucos o golpe. Mas o mais extraordinário não é isto, e aí entramos no terreno da psiquiatria.

É como se ele simplesmente ignorasse seu papel na construção do golpe. Sem o Mensalão, e sem Barbosa especificamente, o impeachment de 2016 não teria ocorrido.

As mesmas forças conservadoras das quais Barbosa fala agora já haviam se agrupado então. Barbosa foi o Moro de então, o grande acusador, o impiedoso perseguidor das forças progressistas.

Como Moro, se tornou um ídolo da classe média manipulada pela imprensa que, anos depois, tomaria as ruas do país para pedir o impeachment de verde-amarelo.

Por falar tudo que a plutocracia queria que fosse dito, Barbosa foi capa de revistas, apareceu interminavelmente em telejornais, dominou as manchetes dos diários por um longo tempo.

Virou até máscara de carnaval.

O que ocorreu com ele? Como uma transformação tão vertiginosa?

Essa é uma das perguntas mais fascinantes destes nossos tempos.

Ele estaria arrependido? É possível. Mas esta hipótese não se sustenta sem que Barbosa peça claramente desculpas pelo mal que causou à democracia.

Tem planos políticos? Também é possível. Mas com sua interpretação do golpe Tabajara ele jamais ganhará um voto do público que o amava. Nas redes sociais você vê as mesmas pessoas que o veneravam atirar-lhe pedras agora.

Jamais a mídia lhe dará espaço para falar as coisas que vem falando.

A única coisa concreta é que ele está certo, absolutamente certo nas coisas que disse.

Apenas se esqueceu de dizer o quanto foi importante na construção do golpe Tabajara.

LEIA NO DCM, CLIQUE AQUI

Começar de novo...

No Rio, protesto contra o golpe. Foto de Fernando Frazão/Agência Brasil

Em São Paulo. Foto de Rovena Rosa/Agência Brasil

Foto de Rovena Rosa/Agência Brasil

Em Porto Alegre. Foto de Daniel Isaia/Agência Brasil

Em São Paulo, a polícia reprimiu os manifestantes. Foto Roberto Parizotti/CUT

Polícia tucana contra o direito de protestar.  Foto Roberto Parizotti/CUT

Jovem atingida por bombas da PM paulista. Foto de Roberto Seracinskis/Jornalistas Livres

Mídia - Crachá de golpista: o adereço que a história eterniza...

Foto Midia Ninja/Reprodução
Reprodução/Conexão Jornalismo

Desde o fim do regime militar, o Brasil elegeu em voto direto apenas quatro presidentes: Fernando Collor, Fernando Henrique, Lula e Dilma Rousseff. Destes, dois foram cassados.
Tancredo, o que foi sem nunca ter sido, e Sarney, o ex-funcionário da ditadura que herdou o cargo, obviamente não contam já que foram apenas escalados por um "colégio eleitoral" concebido e controlado pelos militares. 
Itamar, o vice que assumiu após a queda de Collor, e Temer, o vice de Dilma, chegaram ao Planalto sem voto, como todos os presidentes oriundos do PMDB. 
São muitos os atalhos e pouca a democracia nesse vai-e-vem de interesses e poderes.
Um poder influente e com visíveis digitais nas tramas da República é a grande mídia. 
Esteve presente na campanha que levou Getúlio Vargas ao suicídio e esteve firme ao lado do golpe militar e da implantação e continuidade da ditadura. Quando os militares já se prepraravam para voltar aos quarteis, tentou minimizar as Diretas-Já e, quando o movimento tomou as ruas, buscou "salvar os anéis" aliando-se às forças políticas e militares que derrotaram a Emenda Dante de Oliveira, a que restabelecia as eleições diretas para presidente. 
Na sequência, exaltou o "colégio eleitoral" e, com a morte de Tancredo, ajudou a descartar a opção Ulysses Guimarães, menos confiável para os militares, e consagrou José Sarney, identificado com a ditadura que tirava o time de campo. 
Ao fim do governo Sarney, fez o marketing e a manipulação para levar Collor a subir a rampa. 
O golpe contra Dilma Rousseff é apenas o desfecho de uma intensa campanha iniciada no dia seguinte à eleição de Lula e acelerada, aí já sem máscaras ou limites, no dia seguinte à eleição de Dilma para o que seria seu segundo mandato.
Nas ruas, protesto contra a atuação da mídia no golpe que derrubou
uma presidente eleita.
Foto Daniel Isaia/Agência Brasil
No livro "1964 - A conquista do Estado - Ação Política, Poder e Golpe de Classe", de René Armad Dreifuss, ficaram registrados para a história os nomes dos publicitários, jornalistas, editores que, dentro da estrutura de organização do golpe que derrubou Jango, participaram do Grupo de Opinião Pública e do Grupo de Publicações/Editorial que deu sustentação midiática à conspiração. 
Da mesmo forma, foram "eternizados" em livros extraídos de material publicado na imprensa ou de documentos classificados os crachás dos jornalistas e barões da mídia que colaboraram com a ditadura ao longo de décadas. 
No caso atual -  a conspiração que levou à derrubada de uma presidente eleita - já é pública a coreografia opinativa e editorial e já são bem conhecidos os nomes dos jornalistas e veículos do novo "grupo de opinião pública". Estão na boca do povo, estão falando alto pelos botecos.
O que certamente a história vai revelar no futuro são os passos, os métodos e a subserviência das tristes figuras atuantes no novo "golpe de classe".  

O presidente do STF rasgou a Constituição

por J.A.Barros
O presidente do julgamento da senhora Dilma Rousself, ministro presidente, Lewandoswiski do STF, violou e rasgou a Constituição Brasileira ao não cumprir o artigo 32 da Constituição, parágrafo único, que afasta o presidente em exercício da presidência do país como também o inabilita para qualquer cargo público e o torna inelegível por 8 anos. Ora, para cometer essa violação aceitou a questão de ordem dos famigerados senadores do PT que pediam que a votação fosse feita em 2 turnos a primeira votação seria  pelo afastamento da presidente e a segunda votação seria pela habilitação de poder exercer cargos públicos e elegibilidade., Por 61 votos a favor do impeachment a senhora Dilma Rousself foi afastada da presidência do país e na segunda votação – é nesse ponto que a Constituição é rasgada – por 42 votos, não perfazendo os 2/3 necessários, a senhora Dilma é habilitada a exercer cargos públicos e cargos elegíveis. Essa afronta foi perpetrada por um ministro do STF, exatamente aquele que deveria fazer respeitar e cumprir as leis da Carta Maior deste país.