sábado, 3 de maio de 2014

Nora Rónai: aos 90 anos, campeã de natação, sobrevivente do nazismo e de um câncer, ela acaba de publicar um livro biográfico



por José Esmeraldo Gonçalves (para a revista Contigo!)
A vida ensinou Nora Tausz Rónai a vencer provas e desafiar os limites do corpo. Hoje, aos 90 anos, ela é atleta, viaja o mundo participando de campeonatos de natação, praticou salto em plataforma, fez slalom na neve e não hesitou em pular de paraquedas quando completou 80 anos. Mas há 73 anos, o que estava em disputa era sua sobrevivência. Em maio de 1941, com os pais Iolanda e Edoardo Tausz, e o irmão Giorgio, ela desembarcou no cais da Praça Mauá, no Rio de Janeiro, após uma atribulada viagem para escapar do nazismo. Professora aposentada de arquitetura, viúva do tradutor e crítico Paulo Rónai, húngaro de nascimento, falecido em 1992, mãe da jornalista Cora Rónai, 60, colunista do Globo e de Laura Rónai, 58, flautista, coordenadora da Orquestra Barroca da UniRio, Nora narra seu caminho em Memórias de um lugar chamado onde (Casa da Palavra), que acaba de lançar. A história da família Tausz, que morava em Fiume, que pertencia à Itália (hoje, a cidade chama-se Rijeka e faz parte da Croácia), às margens do Mar Adriático, virou livro quase por acaso. “A minha neta, filha de Laura, Manuela, 22, então com 12 anos, precisava fazer um trabalho para a escola contando a história de uma avó ou um avô. Com três ou quatro páginas que escrevi, ela já ficou satisfeita e recebeu nota dez”, conta ela, que tem quatro netos e seis bisnetos.
Muito do que a família Tausz viveu em Fiume é dramático, o que Nora conta sem amargura. O regime fascista de Mussolini impunha leis raciais. Uma delas atingiu em cheio a pequena Nora. Toda criança judia era proibida de frequentar a escola “para não contaminar os meninos arianos”. Nora ressalta que aquele foi um dos períodos mais difíceis da sua vida. Antes mesmo da promulgação da lei fascista, ela era perseguida na escola. “Eu chorava baixinho para o pessoal não ouvir”, conta. Ironicamente, a lei racial aliviaria em parte aquele sofrimento de Nora, que se viu livre da professora que a xingava de “fedorenta”, “falsa’ e “imbecil” em plena sala de aula. “Então, fiquei feliz. Passei a estudar em casa com um professor que era casado com minha prima”, explica. Com a guerra, ela perdeu parentes. O pai e o irmão, Giorgio foram levados para um campo nazista, mas acabaram resgatados graças a um amigo de Edoardo que era funcionário público. Uma próxima prisão seria fatal. Chegara a hora de deixar Fiume. A solução foi recorrer ao Vaticano que havia recebido do governo brasileiro três mil vistos destinados a atender católicos e judeus batizados. Nora conta que os Tausz eram “tecnicamente” católicos. “Anos antes, por causa de uma briga em família, meu pai e meu tio se desentenderam com o meu avô, que era judeu ferrenho. Como resposta, eles se converteram ao catolicismo”, diz. Para obter o visto, pagava-se pelo documento, o que era uma dificuldade a mais para muitas famílias. “Não eram intermediários, era o Vaticano mesmo que cobrava”, conta Nora que, no Brasil, formou-se em arquitetura e se tornou professora da UFRJ. Ela sorri diante de uma pergunta que provoca o assunto de que mais gosta de falar: sua performance nas piscinas. Leva a sério. Treina quatro vezes por semana, durante uma hora, e participa das competições da Federação Internacional da Natação Amadora, categoria Master. É atleta da equipe Icaraí Master GReis. No momento, aguarda homologação do seu recorde mundial batido há poucas semanas, em Campinas, durante o Torneio Mais Mais de Natação Master, nos 100 metros borboleta, com o tempo de 3’ 51”, diz ela, que já é detentora de um recorde mundial no revezamento 4x100, obtido em Gotemburgo, na Suécia. Nora conta que sempre foi competitiva. Antes de nadar, praticava salto de plataforma. Mas a natação é sua grande paixão, além de ser, como admite, uma maneira de superar os momentos difíceis. É o seu refúgio. Foi após a morte do marido que ela intensificou sua participação em campeonatos de máster. Desde então viaja o mundo disputando campeonatos oficiais. A filha, Cora, que já a acompanhou em algumas dessas etapas, já descreveu a emoção de ver a mãe competir: “É muito bacana ver a reação das pessoas aos tempos e à garra da Mamãe. Ela é aplaudida e cumprimentada na piscina, e todo mundo quer ser ela quando crescer; até eu queria, mas já joguei a toalha há tempos. É que eu sei o material que precisa e o trabalho que dá”.  Disposição é com ela mesma. Salto de paraquedas em queda-livre foi algo que a fascinou tanto que, em 2004, pediu para experimentar, como presente de aniversário dos 80 anos. Foi para Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, embarcou em um pequeno avião, ouviu as instruções e preparou-se para saltar. “Estava no ar, como se estivesse voando. Foi muito gostoso”, recorda. Sentiu uma certa dificuldade para respirar em função da velocidade da queda antes da abertura do paraquedas, mas aprovou a experiência. “A tontura demorou um pouco a passar. Depois, minha amiga cardiologista me passou um pito. Falou que eu não deveria ter feito aquilo. Mas estava feito” – completa, rindo – “e nunca imaginei que pudesse ter algum problema”. Medo, garante que não sentiu.”Como saltava de plataforma de dez metros, tinha algum treino. Além disso, quando criança, gostava de esquiar. Em Fiume, em uma montanha chamada Conca Guido Rey, havia uma rampa. Lá eu fazia slalom de uma altura de 25 metros. Nem era permitido a meninas mas eu conseguia enganar os fiscais", diz
Para conseguir toda essa energia, Nora não tem segredos. “Nunca fui de comer muito. No café da manhã, tomo suco de berinjela ou de laranja-lima, uma caneca de café com leite e dois pãezinhos com geleia. No almoço, gosto de frutos do mar, mas também como carne ou frango. No jantar, um lanche leve, frango com salada. Por conta do tratamento de um câncer, ela se afastou das piscinas em 2004, mas só por um breve período.  “Tive câncer no seio, passei por cirurgia e terapias fortes, mas depois de cinco semanas voltei a treinar. Na época, o médico me disse que eu teria que continuar tomando medicamentos durante cinco anos. Eu achei ótimo. Pensei, ‘então ele está me dando mais cinco anos’”, conta, rindo.

Nora pôs um ponto final na sua biografia antes de falar da vida ao lado de Paulo Rónai. “Agora tem uma porção de gente que está reclamando porque não completei. Escrevi um trecho da minha vida mas se eu me animar posso continuar”. Mas ela revela um capítulo que não escreveu e conta como conheceu o marido. “Fui com meus pais e amigos à praia na Ilha do Governador. Mas logo em seguida, caiu uma chuva. Alguém lembrou que ali perto morava o Paulinho e fomos lá nos abrigar. Ele estava em um caramanchão corrigindo provas. Algumas folhas voaram e fui ajudar a recolher. A chuva cedeu, agradecemos a acolhida e fomos embora. No dia seguinte, Paulo telefonou dizendo ao meu pai que queria retribuir a visita”. Sabendo que Nora desenhava, perguntou-lhe se podia ilustrar um dos livros que traduzia. Nora aceitou o trabalho.  “Ele nunca demonstrou que estivesse interessado em mim. Ao final, quando fui entregar a capa de um livro, me disse que gostaria que eu continuasse colaborando com ele. Respondi que teria prazer, mas logo adiantei que daria preferência à arquitetura se por acaso pegasse um trabalho na área. ‘Não, você não me entendeu. Eu quero que você colabore em tudo, a vida toda’, ele completou. Eu pensei: ‘será que esse cara está me pedindo em casamento? Se não for, eu vou pagar o maior mico da história’. Ai ele me pegou a mão pela primeira vez, acariciou e fez a pergunta direta: ‘você quer casar comigo’. Paulo tinha 17 anos a mais do que eu. Por outro lado, pensei no quanto era simpático, culto, maduro. Precisava admirar para me apaixonar. Aí eu disse sim. Ele ficou eternamente grato porque eu disse sim imediatamente. Isso foi em novembro de 1951, nos casamos dois meses. Vivemos felizes durante 41 anos”, conclui.
EXTRAS ESPECIAIS PARA O BLOG: 
TRECHOS E FOTOS DA ENTREVISTA DE NORA RÓNAI. 

* Muitos dos momentos vividos pelos Tausz em Fiume foram registrados em fotos por Edoardo. “Ele era excelente fotógrafo” – recorda Nora – “e fazia questão de tirar fotos da gente em toda e qualquer ocasião. Passeios, reuniões de família, cenas de Fiume, Edoardo, de fato, registrava tudo. Nora selecionou para o livro muitas dessas fotos que, mais do que a história familiar, refletem a paz de uma época, a calmaria antes do Holocausto. Com a guerra, o pai e o irmão, Giorgio foram levados para um campo nazista, mas acabaram resgatados graças a um amigo de Edoardo que era funcionário público. Uma próxima prisão seria fatal. Chegara a hora de deixar Fiume. 

* Papa - “Lamento informar, mas todo mundo esperava que Pio XII condenasse a matança de judeus. Todos sabiam o que estava acontecendo. Mais tarde, o Papa se justificou dizendo que não se manifestou para não pôr em perigo a vida dos padres na Alemanha. Mas eu me pergunto, se você é um sacerdote e fica sabendo que estão matando milhões, você vai ficar mudo?”, conta Nora, que é afetuosa, narra os fatos mais dramáticos da sua vida sem sinais de rancor, mas nesse momento revela indignação".

* Natação - Ela treina quatro vezes por semana, durante uma hora, e participa das competições da Federação Internacional da Natação Amadora, categoria Master. É atleta da equipe Icaraí Master GReis. No momento, aguarda homologação do seu recorde mundial batido há poucas semanas, em Campinas, durante o Torneio Mais Mais de Natação Master, nos 100 metros borboleta, com o tempo de 3’ 51”. “Para comparar, o índice para classificação na mesma prova para o Mundial, em agosto, em Montreal, no Canadá, do qual vou participar, é de 7'15"”, diz ela, que já é detentora de um recorde mundial no revezamento 4x100, obtido em Gotemburgo, na Suécia. 
* Saudades de Fiume - "Tristeza.  Saudade, não. Aí é que está, se você sai do seu país para ganhar mais, melhorar de vida, pode sentir saudades. Mas nós deixamos Fiume para não morrer. Eu não conseguia sentir saudade de jeito nenhum. Até escrevo isso no livro. Por duas vezes, a gente sentiu alguma coisa parecida com saudade. Uma vez, Paulo e eu descemos do trem, senti a neve...  Quando você sente saudade, na verdade é saudade da juventude. Paulo era mais patriota, apesar de tudo o que sofreu ele, ainda tinha saudades da Hungria, mas eu vim mais nova". 
* Volta a Fiume - "Voltei em 1964. Tive a maior decepção. Eu sempre aconselhei a todos os meus amigos a não voltarem para o lugar onde nasceram. A decepção foi porque a própria cidade era tão mixuruca, decaída. Eu me lembrava daquela torre de Fiume, como se fosse imensa, era só aquilo? Voltei uma segunda vez em 1982, mesma coisa, não curti  mais, voltei mais por causa do Paulo.
Edoardo Tausz fotografa a família, em 1925. Foto: Arquivo Pessoal Nóra Rónai

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Os irmãos  Giorgio e Nora, em 1940. Foto: Arquivo Pessoal Norá Rónai

Seleção já tem 21 jogadores garantidos na convocação final e oficial

por Eli Halfoun
Quem acompanhou todas as convocações feitas por Felipão até agora e as entrevistas do treinador não tem muita dificuldade para saber antes mesmo da convocação definitiva e oficial quais serão 21 dos 23 jogadores É possível afirmar sem medo de errar que pelo menos 21 atletas estão com a vaga garantida. São os goleiros Julio César, Jefferson e Diego Cavalieri, os laterais Daniel Alves, Rafinha, Marcelo e Maxwell; os zagueiros Thiago Silva, David Luiz e Dante, os meio-campistas Luiz Gustavo, Paulinho, Fernandinho, Ramires, William e Bernard e os atacantes Fred, Jô, Huck e é claro Neymar. Felipão ainda não se decidiu o quarto nome para  a zaga e o mais provável está entre Henrique (é a aposta de todos), Dedé e Marquinhos. A surpresa da convocação pode ser o nome de Robinho ou Diego. Há quem acredite na possibilidade de Felipão convocar os dois para formar o trio Robinho, Diego e Neymar que fez sucesso no Santos. Nada muito diferente do que essa lista na qual quase todos os comentaristas esportivos apostam alto. Também não tem mais muitos craques dando sopa por aí. (Eli Halfoun) 

Regina Casé no lugar de Faustão. É só mais uma especulação

por Eli Halfoun
Nem passa pela cabeça de Fausto Silva aposentar-se como apresentador, mas ainda assim surgem especulações sobre seu provável substituto. Nos corredores da Globo, onde se fala muito e pouco se sabe, são insistentes os comentários (evidentemente não confirmados oficialmente) de que quando Faustão decidir pendurar as chuteiras o horário de seu programa será ocupado por Regina Casé que tem feito do “Esquenta” um dos maiores sucessos dominicais da Globo. Economicamente Fausto Silva poderia parar agora se quisesse, mas a verdade é que pretende ficar na televisão por ainda muito tempo. O domingo da Globo precisa muito dele. (Eli Halfoun)

Luiz Inácio falou...

(da Redação)


É Friboi”? Roberto Carlos volta a comer carne depois de anos como vegetariano

por Eli Halfoun
A Friboi não poderá mais ser acusada de estar utilizando um “garoto-propaganda” que não come a carne que anuncia. Por recomendação médica Roberto Carlos voltou a comer carne e fez questão de mostrar isso na festiva a recente festa do lançamento de sua biografia fotográfica (o livro tem 400 páginas e custa R$ 4.500). A certa altura do coquetel RC chamou uma garçonete e comeu um croquete de carne fazendo questão de perguntar: “é Friboi?” Nem esperou a resposta ara mastigar o petisco sem fazer cara feia. Em setembro Roberto Carlos se apresenta em Las Vegas (esse show poderá se transformado em seu especial anual na Globo). RC está com vontade de viajar e seu empresário acerta uma longa turnê pela Itália para o ano que vem na mesma época em que lançará seu novo CD. Já se sabe que na Itália ele não dispensará uma boa massa com molho de carne. (Eli Halfoun)

Banana está em alta na luta contra o racismo: “Yes, nós temos banana”

por Eli Halfoun
A campanha “Somos Todos Macacos”, criada pela agência Loducca de São Paulo e repassada para Neymar depois do lamentável incidente que envolveu o jogador Daniel Alves não foi bem recebida por algumas entidades negras que acreditam que ela poderá ser usada no sentido inverso. O momento da luta contra o racismo é tão sério que dificilmente a campanha será utilizada de forma racista. Quem mais gostou do movimento foi a presidente Dilma Rousseff que repetiu a expressão 19 vezes em recente jantar com editores de esporte de e jornais e televisões do país. A banana, aliás, está em alta e segundo o IPCA calculado pelo IBGE tevê um grande aumento de preço: a banana prata (a mais consumida no Brasil que já foi o primeiro e hoje é o terceiro maior produtor mundial de banana) sofreu um aumento de 10,7% (bem acima da inflação de 2,18% do período). As bananas d’água e maça também tiveram um significativo aumento de respectivamente 6,04% e 2,82%. Na área musical a marchinha “Yes nós temos banana” composta por Braguinha e Alberto Ribeiro para o carnaval de 1937 voltou a ser lembra e cantarolada com freqüência para lembrar “banana menina, tem vitamina/banana engorda e faz crescer”. E ter força para dar uma definitiva banana ao racismo. (Eli Halfoun)

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Já viu Bruna Lombardi no chuveiro? É por uma boa causa... Ela ensina a economizar água


BRUNA LOMBARDI NA CAMPANHA PELO USO RACIONAL DA ÁGUA. CLIQUE AQUI

Da Carta Capital - Marcos Coimbra: "Conhecimento e voto"

por Marcos Coimbra (Análise especial para a Carta Capital)
"A tomar pelas pesquisas, a eleição presidencial de 2014 é peculiar em um aspecto importante. Nela, o nível de conhecimento dos candidatos cresce lentamente e parece ter pouca relação com a evolução das intenções de voto.
Não estamos, é claro, falando de Dilma Rousseff. Há três anos e meio no cargo, todo mundo sabe quem ela é. A novidade é o que acontece com Aécio Neves e Eduardo Campos. O conhecimento a respeito de ambos avança de forma diferente do que vimos em eleições passadas.
Desde o fim de 2012, a parcela do eleitorado que diz conhecer o candidato do PSDB passou de 36% para 49%, de acordo com a pesquisa CartaCapital/Vox Populi de abril. No mesmo período, os que conhecem Eduardo Campos foram de 14% para 31%.
Duas considerações. Em primeiro lugar, ainda que obviamente tenha crescido o conhecimento dos dois, o ganho em mais de 18 meses é modesto. Especialmente no caso de Campos, de quem, partindo de um patamar muito baixo, se esperaria performance melhor, dada a visibilidade que adquiriu a partir de setembro de 2013, quando recebeu a adesão de Marina Silva. Em outubro do ano passado, conheciam-no 26% dos eleitores, contingente que agora chegou a 31%, seis meses depois. Nesse ritmo, vai precisar de cinco anos para se tornar conhecido do eleitorado inteiro.
Em segundo lugar, o crescimento dos que conhecem os dois candidatos oposicionistas se deu de maneira linear, sem que fosse identificável qualquer efeito da propaganda de seus partidos. Não aconteceu com eles aquilo que foi típico de eleições anteriores, o rápido incremento do conhecimento dos “candidatos novos” provocado pela propaganda partidária.
Entre março e junho de 2013, o conhecimento de Aécio subiu apenas 3%, apesar de, em maio, ter estrelado as inserções e o programa partidário do PSDB. No segundo semestre de 2013, isso se repetiu: o conhecimento do tucano ficou parado entre julho e outubro, embora tivesse voltado a ser a figura central das inserções e do programa de seu partido em setembro.
Com Campos, a mesma história. No primeiro semestre de 2013, seu nível de conhecimento nada cresceu, apesar da propaganda do PSB que o teve como único destaque. No segundo semestre, foi o assunto Marina Silva que ampliou seu conhecimento, que, de junho a outubro, quase dobrou, indo de 15% a 26%. Nesse patamar, no entanto, quase estagnou até agora, em que pese seu uso monopolista da propaganda do PSB.
O lento avanço do conhecimento de ambos é ainda mais notável se lembrarmos o amplo e favorável tratamento que recebem dos veículos da “grande imprensa”. Enquanto desconstroem Dilma diariamente, apresentam com simpatia indisfarçável os dois oposicionistas.
Mas o mais relevante é que o crescimento do conhecimento de Aécio e Campos não se traduziu em aumento das intenções de voto. Entre setembro de 2013 e abril de 2014, o conhecimento do mineiro cresceu de 41% para 49% e sua intenção de votos permaneceu em 16% e 17%. No mesmo período, o de Campos subiu de 20% para 31%, enquanto seus votos estacionaram em 8%.
Isso sugere que estamos indo para uma eleição em que o conhecimento dos candidatos joga um papel diferente do que teve em 2010. Nela, era a questão central, pois percebia-se que o crescimento de Dilma só dependia disso e que a vantagem de José Serra se esvairia.
Nesta eleição, o conhecimento dos candidatos da oposição cresce devagar e de maneira vegetativa, insensível aos efeitos de mais ou menos mídia. E não se traduz em aumento da intenção de voto.
A principal razão é que vamos fazer uma eleição de reeleição, em que a primeira pergunta que a maioria do eleitorado tem de responder é a respeito do governo, e não sobre os candidatos. O que vemos é que, tirando a minoria hostil ao “lulopetismo”, o eleitor comum não se mostra curioso a respeito dos nomes oposicionistas.
Não é por falta de oferta de candidaturas (pois as suas “ainda” seriam “pouco conhecidas”) que a oposição não cresceu. É por falta de procura.
E daqui a quatro meses estará no ar a propaganda eleitoral. Nela, o argumento a favor de Dilma será visual: a obra feita, sempre maior que a imaginada pela população. Quanto às oposições, vão apresentar algo menos persuasivo: a conversa de que fariam melhor. A petista vai mostrar; os outros, falar.
É por isso que, nas eleições parecidas de Fernando Henrique Cardoso e Lula, quem cresceu quando começou a propaganda gratuita foram os candidatos à reeleição. Há alguma razão para ser diferente agora?"

LEIA NA CARTA CAPITAL - CLIQUE AQUI

Capas de maio para esquentar o outono...

Fernanda Paes Leme na Vip
Fernanda Paes Leme-Divulgação

Na Sexy, Fani Pacheco fotografada por Yuri Sardenberg
Adriana Esteves na Caras argentina. A novela "Avenida Brasil" é sucesso na terra dos 'hermanos'.
Amanda Gontijo, a ruiva que participou do último BBB é capa da Playboy de maio. A foto acima é uma mostra do ensaio. Foto Playboy-Divulgação
Fernanda Lima está na capa da Nova. A imagem foi compartilhada pelo cabelereiro di Biaggi.

Museu da Imagem e do Som: memória do Rio ganha forma em Copacabana

Depois de alguns meses em ritmo lento, quando nada se via acima dos tapumes, a construção do Museu da Imagem e do Som na bela Avenida Atlântica ganhou velocidade. Segundo os técnicos, houve um trabalho demorado e complexo nas fundações já que a região de praia exigiu pesadas estruturas de sustentação. O projeto é do escritório de arquitetura americano Diller Scofidio, Renfro, dos arquitetos Elizabeth Diller, Ricardo Scofidio e Charles Renfro. A previsão é que fique pronto em 2015. Um presente que o Rio merece.
Com ficará o MIS. Ilustração-Divulgação



ALÔ MIS, O RIO EM FOTOS SUMIU, NINGUÉM SABE, NINGUÉM VIU


A propósito, uma boa iniciativa do MIS seria localizar e adquirir o acervo fotográfico que pertenceu à Manchete, que foi leiloado e atualmente está desaparecido, provavelmente em risco. 
O livro "Aconteceu na Manchete, as histórias que ninguém contou"
 (Desiderata) reúne algumas das imagens do acervo, hoje desaparecido, reproduzidas de revistas adquiridas em sebos.  
O arquivo guardava, entre tantas imagens, coleções de fotos do Rio em todos os seus aspectos. A partir de 1952 e até 2000, Manchete registrou semanalmente milhões de cenas da vida da cidade: da política ao esporte, da noite carioca à praia, shows, moda comportamento, fatos, personalidades de todos os setores, bossa nova, cinema novo, "juventude transviada", carnavais, jovem guarda, samba, tropicalismo, arte, tragédias que abalaram o Rio e festas que mobilizaram a cidade como Eco-92, Congresso Eucarístico Internacional, 4º Centenário do Rio etc. O MIS bem que podia ajudar a salvar essas lembranças. O Rio agradece.

Centro de TV levará imagens de Copacabana para mais de um bilhão de telespectadores


Vai ter Copa! Uma passarela para estúdios de TV já se ergue no Posto 6. A tpm da mídia contra a Copa é tão histérica que um jornal carioca publicou uma matéria sobre a estrutura com "críticas" porque os estúdios estariam "encobrindo o visual das estátuas de Dorival Caymi e de Iemanjá". Sério? O pessoal tá precisando ir para uma saúna se acalmar.  Isso mais do que oposição é ignorância e desinformação. Nem Caymmi, nem Iemanjá, reclamariam. Durante a Copa, estúdios de TV levarão a imagem do Rio para mais de um bilhão de telespectadores em todo o mundo. Isso não tem preço. E por essa extraordinária divulgação internacional e pelas oportunidades de trabalho, de comércio e de serviços que os países brigam para sediar Copa. Passada o evento, Caymmi e Iemanjá lá estarão para a justa homenagem de cariocas e turistas. Captaram o espírito da coisa, manés? Vai ter Copa, ingresso na mão. Quem vai impedir o torcedor de ir ao estádio?

Ursos de 141 países invadem o Leme...



Ursos enfileirados no calçadão do Leme atrairam cariocas e turistas. 


Adicionar legenda
Ourso de Cuba
Argentina

Brasil

Rússia



quinta-feira, 1 de maio de 2014

O dia em que a rainha da Holanda levou uma apalpada de um prefeito dos Países Baixos. Dá pra entender...



VEJA O VÍDEO, CLIQUE AQUI

por Omelete
Que flagra! O prefeito de Amstelven, na Holanda, deu uma de Odorico Paraguaçu. Em visita à cidade, durante as comemorações do 47º aniversário do rei Willem-Alexander, Fred de Graaf, o "dono" da Sucupira holandesa, não fosse ele dos "Países Baixos",  passa a mão na bunda real da rainha Máxima. Não dá apenas uma palmeada como desliza a mão pra lá e pra cá conferindo curvas, consistência, suavidade e reentrâncias. A cena acabou chamado a atenção de um das filhas do casal. No vídeo, ela dá uma olhadinha, deve ter achado meio esquisito mas achou melhor deixar pra lá e continuou brincando. O rei "dançou", nada percebeu. Já o prefeito, após a divulgação do vídeo, deu uma de mané: "Não me lembro, de maneira alguma, de ter feito isso conscientemente. Sei muito bem que isso não é correto", disse ele em entrevista à TV holandesa. E completou: "Pode ter havido uma distância de um centímetro entre nós". Conta outra, de Graaf, ninguém apalpa o ar. A cena foi gravada por um jornalista americano. Melhor seria o prefeito ter recorrido a um dos diálogos de Odorico (salve, Dias Gomes e Paulo Gracindo!): "Meu caro jornalista, isso me deixa bastantemente entristecido, com o coração afogado na daceptude e no desgosto. Numa hora em que eu procuro arrancar o azeite-de-dendê do estágio retaguardista do manufaturamento (...), me vêm com esse acusatório destabocado". 
Já a rainha, que é argentina, deve ter pensado que era o marido.Ou "la mano de Diós" de Maradona.

Da Carta Maior - 1º de Maio: a encruzilhada brasileira

por Saul  Leblon (para a Carta Maior) 
O jogral do Brasil aos cacos esforça-se por  convencer a sociedade de que seus pés tateiam  o precipício  no qual o PT  transformou tudo aquilo que um dia já foi uma economia  de fundamentos sólidos, um país de  vida aprazível.
Narra-se o Brasil abanando leques para os donos da casa-grande.
Dá-se a isso o nome de  jornalismo; o resto é ideologia.
A sofreguidão prestativa mistura problemas reais e imaginários em uma escalada arfante destinada a validar nas pesquisas  da semana seguinte  a crispação denuncista  emitida no período anterior. 
Vive-se uma  circularidade. Soa quase como um bate bola entre amigos.
Esse churrasco de compadres, que se repete com regularidade conveniente,   incorporou   ao  rachão  o ambiente carimbado das bolsas de valores.
O jornalismo isento grita fogo; em rodízio disciplinado, institutos de pesquisa  perguntam  ao eleitor  ‘se já sentiu o  cheiro de queimado’; as bolsas  correm e precificam o rescaldo dando  ares de  consenso  ao incêndio  antipetista. 
Analistas –todos isentos, ideológicos são os blogueiros que entrevistaram Lula--  cuidam de emprestar  à pantomima uma seriedade imiscível com a manipulação cotidiana que  jorra  de todo o processo.
Não se pode negar alguma eficácia ao jogo corrosivo que tem a seu favor os flancos que a transição de ciclo mundial impõe à economia e ao governo brasileiros.
Enquanto for capaz de manter o debate do desenvolvimento sob a neblina dessa isenção, o conservadorismo terá o mando do campo.
Mas só o terá enquanto durar a omissão do PT e do governo.
Se estes resolverem  –enquanto ainda há tempo--  esclarecer à sociedade o custo  efetivo das soluções propugnadas pela ortodoxia, o jogo pode mudar.
Trata-se de repor o verdadeiro divisor de águas desta eleição.
O conservadorismo insiste que se trata de um embate  entre o precipício petista e a estabilidade que só os candidatos dos livres mercados podem restaurar.
Em primeiro lugar, há que se arejar a moldura.
O Brasil faz parte do mundo. O  jogo aqui é o mesmo  em curso em outras praças do capitalismo internacional.
A escolha, de fato,  consiste em reordenar a economia com o escalpo dos assalariados, como prescreve a restauração neoliberal  em curso; ou repactuar o futuro construindo uma democracia social, que sincronize ganhos de produtividade, crescimento e redistribuição da riqueza.
Essa é a encruzilhada do 1º de Maio de 2014.
Aqui e em todas as latitudes do planeta.
É ela também que repõe os termos da luta entre capital e trabalho, entre  Estado social e estado mínimo, entre Aécios,  Campos & Marinas  --tanto faz--  e o campo progressista nas eleições brasileiras de outubro próximo.
Talvez seja o pressentimento  dessas massas de forças em conflito que explica por que 72% dos eleitores consideram o governo Dilma entre ótimo, bom e regular (segundo a última CNT), apesar do bombardeio diuturno dos isentos rapazes da mídia.
O governo e o PT precisam ajudar essa intuição com a força do esclarecimento político para que a sociedade tenha a certeza de que existe uma escolha a ser feita .
E que ela pode fazer a diferença entre o Brasil que somos e o que gostaríamos de ser.
O conservadorismo prefere entregar o timão da travessia  à mão invisível  dos livres mercados.
A escolha predefine o vencedor do embate com base nas regras que lhes são intrínsecas, a saber: desregulação de direitos  trabalhistas, choque de juros, arrocho fiscal, liberdade irrestrita aos capitais e privatizações.
A  repactuação democrática do desenvolvimento, ao contrário, traz o embate para o delicado campo da negociação política; inclui prazos, sacrifícios e metas a serem pactuados em sintonia com ganhos de  produtividade e crescimento que deem coerência macroeconômica ao processo.
Trata-se de promover  uma mudança na correlação de forças pós-crise de 2008. E de fazer da campanha de outubro o seu cenário.
A opção conservadora é mais simples e direta.
Desde a estrutura do Estado, aos ventos internacionais, passando pela  prontidão plutocrática, até aos aparelhos ideológicos da sociedade, com a prestimosa turma do jornalismo isento à frente, tudo está  em linha para deflagrá-la.
O que atrapalha o cortejo é presença contraditória do PT na direção do país desde 2003.
Com as consequências sabidas.
A principal delas sendo a emergência de um novo protagonista representado pela ascensão de  53% dos brasileiros, que,  sozinhos,  formam hoje o 16º maior mercado popular do mundo.
O que fizeram os governantes das economias desenvolvidas desde os anos 90 — com os aplausos obsequiosos do dispositivo midiático local  — foi lubrificar uma espiral inversa.
Essa  à qual  o conservadorismo pretende  alinhar o país, se vencer em outubro.
Tome-se o caso mais ameno dos EUA, para não insistir no funeral econômico promovido na Europa pela rendição socialista, para júbilo da extrema direita.
Nos EUA, ao contrário, há uma  recuperação nos indicadores de mercado.
Mas ela não impede que o prestígio de Obama derreta aos olhos da sociedade, que hoje lhe atribui taxa de aprovação equivalente a de Bush nos piores momentos.
Por quê?
Porque  a propalada retomada   não inclui o resgate dos mais pobres, nem  a reincorporação da classe média no comboio dos vencedores.
O  grande séquito dos ‘ loosers ‘ norte-americanos  não foi obra do improviso.
Desde os anos 70, com as reformas neoliberais, a participação do trabalho na renda mundial declina.
Recente debate promovido pela rádio Brasil Atual mostrou, por exemplo, que 2/3 das nações integrantes da ONU promoveram cortes em direitos trabalhistas nas últimas décadas.
Os EUA foram o palco de uma das decepações  mais drásticas.
Hoje, a parcela da renda destinada aos trabalhadores  norte-americanos está no  nível mais baixo desde 1950.
Os lucros das grandes corporações, em contrapartida, consomem a maior fatia do bolo já registrada desde 1920.
Esse arrocho estrutural  --associado a distorções cambiais—explica em boa parte  a brutal diferença de custo entre fabricar  manufaturados no  Brasil e nos EUA.
Em 2004, segundo dados publicados pelo Valor Econômico, o custo da indústria brasileira era 3% menor que o da norte-americana; hoje é 23% maior.
O fato de Obama não ter conseguido até agora reajustar um salário mínimo congelado há 15 anos, diz muito sobre as escolhas de futuro embutidas nessa diferença de competitividade.
Se por um lado ela inclui opções indesejadas, por outro é evidente que a construção de uma democracia social no Brasil exige respaldar  seu custo em contrapartidas  de produtividade, sem as quais a artificialidade do processo desembocará  em uma espiral salários/preços de consequências  sabidas.
Restaurar o modelo neoliberal, em contrapartida,  como quer o conservadorismo, é repetir o percurso que desembocou justamente no colapso de 2008, e hoje catapulta a extrema direita na Grécia,  França, Inglaterra (leia  a  análise de Marcelo Justo; nesta pág).
Não apenas isso.
Foi sobre uma base de renda e trabalho esfacelados  pela transferências de empregos  às ‘oficinas asiáticas’, que se instalou a desordem  neoliberal.
A asfixia desse arranjo capitalista só não explodiu antes de 2008, graças à válvula de escape do endividamento maciço de governos e famílias, que atingiu patamares  insustentáveis na bolha imobiliária norte-americana, espoleta da maior crise do capitalismo desde 1929.
Quando as subprimes gritaram — ‘o rei está nu’, todo o edifício de uma ciranda financeira ancorada no crédito sem poupança (porque sem empregos, sem renda e sem receita fiscal compatível) veio abaixo.
A tentativa atual de  ‘limpar o rescaldo’ resgatando apenas seus gargalos financeiros  --salvando os bancos e arrochando ainda mais os assalariados e os pobres — é mais uma forma de perpetuar a essência da crise do que de enfrentar as suas causas.
É nessa roleta russa que o conservadorismo quer engatar o futuro do Brasil.
O jogo, portanto, é pesado.
Controlar as finanças desreguladas é um pedaço do caminho para controlar a redistribuição do excedente econômico, ferozmente concentrado nas últimas décadas, na base do morde e assopra – -arrocho de um lado, crédito do outro.
Preservar o modelo, adicionando-lhe  a contração do crédito, como se tenta agora, desemboca nas manifestações mórbidas de totalitarismo em curso na Europa.
A produtividade imprescindível à renovação dessa engrenagem requer a construção de um outro percurso. Distinto da compressão dos holerites, do emprego e dos direitos sociais preconizado pelos jornalistas isentos.
A pactuação política de um novo ciclo de  expansão da economia certamente  é um caminho mais longo que o ajuste instantâneo oferecido pelo ferramental ortodoxo.
Mas o Brasil ainda preserva em seu metabolismo uma estrutura de organização social e sindical que pode e deve ser rejuvenescida com essa finalidade.
Dispõe, ademais de um bloco progressista que mudou, para melhor, a face da sociedade em mais de uma década à frente do Estado.
As eleições de 2014 configuram uma derradeira oportunidade para as duas pontas renovarem seu estoque de força e consentimento na repactuação dessa heresia histórica.
Ou seja, construir um Estado social em uma nação em desenvolvimento.
A alternativa,  repita-se, é arrocho.

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Dilma abre mão do regime para engordar seus votos

por Eli Halfoun
A campanha ainda nem começou, mas nas viagens que tem feito até agora (sempre para inaugurar alguma obra) a presidente Dilma está tomando contato com o que virá pela frente em matéria de alimentação, quase sempre em quentinhas e com receitas pesadas (quase sempre comidas típicas). De saída, a presidente decidiu quer durante as viagens de campanha suspenderá o rigor do regime que já a fez perder muitos quilos, ou seja, vai enfrentar o que lhe for oferecido como, por exemplo, pastéis, bolinhos gordurosos, porco assado, frango, carneiro e muito mais que o bom colesterol faz questão de dispensar, mas a candidata até por gentileza não pode. Tem de comer sorrindo. (Eli Halfoun)

Vamos dar um definitivo cartão vermelho ao racismo. No esporte na vida

por Eli Halfoun
Eliminar o racismo do esporte (da vida de uma maneira geral) é ponto de honra para todos os que sabem que com exceção do caráter nada, mas nada mesmo, faz diferença do comportamento humano de uns com outros. O esporte, que nos tem mostrado muitas e infelizes atitudes racistas é só um exemplo da luta que precisa ser vencida em todas as frentes e de todas as formas. O jogador Daniel Alves deu um exemplo de que é necessário reagir ao racismo sem violência: bastou o bom senso a inteligência de comer a banana nele atirada para chama a atenção do mundo e enfim promover punições exemplares: o torcedor espanhol que atirou a banana foi preso e banido do clube. Nos Estados Unidos o racista dono de um time de basquete que vencia usando os negros nas quadras, mas os odiava fora por serem negros, também foi banido do esporte. Está provado que a luta contra o racismo é difícil, mas que pode ser vencida se a maioria não racista do mundo repudiar com bons exemplos os atos racistas de uma minoria que vive fora da realidade na qual todos são iguais, mesmo que eles, os racistas, não gostem disso. Precisam aprender que os que sabem viver em sociedade é que não gostam e não querem os racistas que, aliás, não servem mesmo para nada. (Eli Halfoun)

Uma discussão sem oportunismo. Apenas com o coração

por Eli Halfoun
O “Esquenta” elevou sua audiência com o programa em homenagem ao dançarino DG. Quem conhece Regina Casé sabe que em nenhum momento ela esteve preocupada com a audiência do programa, mas sim e unicamente em discutir uma questão que há muito atinge os jovens da periferia brasileira, que estão sempre com a vida ameaçada, como, aliás, andamos todos nós. Do ponto de vista meramente profissional não se pode deixar de reconhecer que Regina e sua equipe foram perfeitos e ágeis ao produzirem um programa às pressas para substituir o que estava gravado. Certamente há quem pense que a atriz e apresentadora foi oportunista. Não foi: ao longo de sua carreira Regina sempre esteve “antenada” com os jovens da periferia (o “Esquenta” é um exemplo disso) aos quais procurava auxiliar e dar pelo menos oportunidades artísticas de trabalho.
Não houve também ao contrário do que muitos pensam oportunismo da apresentadora (ela nem precisa disso) e do programa e nem a intenção de transformar o jovem e alegre DG em um mártir. Tenho certeza de que o que se pretendeu foi colocar em discussão a busca de uma solução para que os jovens brasileiros tenham o direito de viver e de viver com uma dignidade que a sociedade de uma maneira geral não permite. DG não é o único jovem morto de forma ainda não esclarecida e muito estranha. Os jovens da periferia são sempre alvos para as chamadas balas perdidas que de perdidas não têm absolutamente nada: sempre encontram alguém pelo caminho.
Evidente que DG não foi o primeiro e alegre jovem a perder a vida em uma comunidade. Muitos outros morreram (não podem continuar morrendo) e se nunca ganharam um programa de homenagem é porque não haveria espaço para falar de tantos jovens eliminados da vida estanha e precocemente. Foi preciso que um jovem conhecido através da televisão morresse de forma tão estúpida para conquistar depois da morte um espaço que também tinha conquistado em vida. A história está repleta de exemplos: muitos inocentes morreram para que um assunto entrasse na pauta da qual jamais deveria sair. É claro que outros jovens de periferia continuarão pagando com suas vidas a triste condição humana em que são criados e vivem até serem atingidos por uma bala nem tão perdida, mas sim desperdiçadas de forma desnecessária.  

DG foi apenas o foco de uma discussão que anseia por uma solução e Regina Casé foi a porta-voz que refletiu a voz de todos na homenagem e na necessária discussão que não pode ser atingida por uma bala perdida. (Eli Halfoun)

Sabrina Sato vai bem na estréia e sabe que precisa melhorar muito

por Eli Halfoun
Os dez pontos de audiência conquistados por Sabrina Sato na estréia de seu programa deixaram a Record satisfeita, mas a emissora acha que é preciso mudar muitas coisas para que Sabrina não entre em queda com os clichês e quadros que não funcionam nem como curiosidade. Por enquanto a apresentadora está em alta na emissora, mas se começar a perder audiência pode entrar na mesma onda de insatisfação que acabou engolindo o experiente Gugu Liberato que, aliás, promete voltar à televisão ainda esse ano e dizem que na Bandeirantes ou Rede TV. Não sobra nenhuma outra. (Eli Halfoun)

Fantástico exige as mudanças que ficaram só nas promessas

por Eli Halfoun
Não foi boa a audiência do último domingo em que o Fantástico se apresentou supostamente renovado. A baixa audiência instalou uma nova preocupação na emissora que colocou a equipe em alerta para criar enfim as tão anunciadas modificações. Parece que uma exigência está imposta e não pode ser descartada: o “Fantástico” precisa mesmo é de jornalismo, não e simplesmente de reportagens que se sejam um apanhado e uma mal feita suíte do que aconteceu durante a semana. É preciso resgatar as reportagens de verdade com principalmente denúncias (o que quando o programa quer sabe fazer muito bem) e deixar de lado os quase sempre desnecessários malabarismos visuais que cansam o telespectador depressa. A fórmula do “Fantástico” é perfeita desde a criação do programa, mas precisa ser reajustada e buscar um jornalismo mais dinâmico e mais conseqüente. Do contrário o Fantástico continuará sendo apenas mais um programa de entretenimento e lazer por lazer o público ainda prefere muito mais as brincadeiras e os quadros e na descontração do “Programa Silvio Santos” no SBT.

Silvio Santos está atento e o que começou como brincadeira pode virar a realidade que pode fazer com que ele volte a apresentar seu programa ao vivo e ao vivo Silvio Santos é imbatível contra qualquer um e em qualquer horário até porque ao vivo o público conta e espera por uma inevitável surpresa do animador. (Eli Halfoun)

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Racismo no esporte: NBA dá exemplo à FIFA e à CBF e mostra que campanhas só não bastam...



(da Redação)
Dois fatos mostram que só ações efetivas contra o racismo poderão combater os imbecis que se manifestam nos estádios. Nos Estados Unidos, a NBA logo afastou do esporte o milionário dono do Los Angeles Clippers, que foi multado em 2,5 milhões de dólares, não poderá mais frequentar estádios, os patrocinadores do clube suspenderam contratos e ele terá de vender a franquia do clube. Reação justa e à altura. Só faltou a cadeia e perder a namorada que posou ao lado Magic Johnson, motivo da declaração racista do empresário pilantra.
Já o Villarreal, da Espanha, finalmente se rendeu às pressões e reagiu ao racismo, banindo o torcedor do seu estádio. O clube, o Villarrea, que apontou o torcedor para a polícia, mostrou que quando querem os dirigentes identificam facilmente um autor de agressões racistas. Já a Federação Espanhola permanece passando a mão na cabeça dos agressores com a surrada desculpa de que foi um "ato isolado". Há que diga que os clubes não devem ser responsabilizados a pagar por um ato de um ou mais torcedores. Não é bem assim. Se o clube não se omite, aponta o agressor, denuncia à polícia e o afasta do seu estádio mostra que não está conivente com o racismo. Ok, está limpo. Se, ao contrário, como tem acontecido com frequência na Europa e no Brasil, se omite e lava as mãos, merece ser punido. Com a agravante de que no Brasil racismo é crime previsto no Código Penal (a propósito, é bom que os torcedores estrangeiros que vêm para a Copa sejam informados desse importante detalhe). Cabe também aos jogadores, que no episódio do Daniel Alves mostraram ativa solidariedade, passarem da intenção para a ação. Parar o jogo após um agressão racista é uma forma de protesto. Simples: a bola só volta a rolar depois que o torcedor ou torcedores idiotas forem retirados do estádio direto para a delegacia. Os jogadores do Los Angeles Clippers foram à quadra e tiraram a camisa do clube em repúdio ao racismo. Gestos como esse dos atletas do basquete americano e de Daniel Alves, que transformou a banana em símbolo do repúdio à intolerância, são importantes e simbólicos. Mas devem ser acompanhados de punições legais e efetivas.
Atualização: Segundo o site Superesporte, a policia espanhola acaba de deter o torcedor que lançou uma banana em direção do lateral DAniel Alves. Identificado como David Campayo Lleo, ele é funcionário do Villarreal.

terça-feira, 29 de abril de 2014

O que não faz a guerra de audiência...

por Omelete
A apresentador Jô Soares, acossado no ibope por Danilo Gentile e seu The Noite, no SBT, está tentando "causar", como se diz por aí. Protagonizou um beijo gay multiplicado por três ao receber os músicos George Sauma e Nicolas Bartolo, do grupo Choque do Magriça. A vida não tá fácil pra ninguém...
Programa Jô Soares- Reprodução


Rihanna na Lui Magazine

por Omelete
A cantora Rihanna posou para a revista francesa Lui. Não chega a exibir nudez frontal mas capricha no topless, com direito a piercing. São dez páginas, A cantora postou no Instagram algumas fotos do ensaio feito em Los Angeles pelo fotógrafo Mario Sorrenti.A revista chama Rihanna, 26 anos, de "diva hypersexy".






Atualização: O Instagram alegou que as fotos de Rihanna violam os termos de serviço e exigiu que fossem retiradas do site social. A cantora apagou as fotos mas reagiu com ironia e postou outra com roupa comportada. Ela escreveu: 
"A próxima capa de Rihanna se dependesse do Instagram".




Dez empregos muito loucos que vão existir no futuro: a dica é do site Mashable

Mashable-Reprodução
(da Redação)
Sobreviver é preciso e as pessoas vão ter que criar novas maneiras de ganhar a vida no futuro, já que algumas funções foram evaporadas, e outras serão, do mercado de trabalho. E não vai ser fácil essa transição: seres humanos terão que disputar empregos com robôs inteligentes. Veja, a seguir, algumas portas que se abrirão:
1) A nostalgia estará em alta. Haverá demanda, por exemplo, por salas decoradas no estilo dos anos 70 ou 80. Profissionais de design de interiores e pesquisadores históricos voltados para esse revival vão se dar bem. A ideia é criar "memórias felizes" para os clientes.
2) Telecirurgião: o conceito de cirurgia remota já está sendo praticado, mas a robótica da cura vai avançar muito. Aliás, robótica e tecnologia de comunicações serão disciplinas que farão parte da formação dos médicos.
3) Recuperação do meio-ambiente. Os profissionais desse campo serão chamado de rewilders. Vão desfazer os danos que os seres humanos causam ao campo. Farão projetos para derrubada de cercas, casas e prédios, recuperação de rios e de áreas degradadas por fábricas, substituição de estradas por matas e vegetação natural, A ciência ambiental estará em alta.
4) Designer de objetos feitos a partir do lixo. Haverá uma aperfeiçoamento em um aumento da escala de produção a partir da reciclagem. Serão formados designers especializados em lixo tanto na área de desenho industrial quanto na de engenharia de materiais.
5) Especialistas em simplificar processo e métodos de operação e trabalho. Houve uma escalada de complexidade na operação de empresas e instituições. As universidades deverão formar técnicos em descomplicação. Vão identificar os gargalos burocráticos, técnicos e logísticos. E, especialmente, entender o comportamento humano e corrigir o desperdício de esforço.
6) É cada vez mais difícil para um familiar entender o procedimento médico que é aplicado a um paciente de hospital. Com o incremento da robótica na medicina, além da chegada de novos medicamento e procedimentos, o mercado pedirá um profissional especializado em informar, tirar dúvidas, mostrar funcionamento de terapias, esclarecimentos sobre documentos etc. Hoje é comum muitos médicos exercerem essa função de conversar com a família do paciente, alguns são considerados frios e formais, mas no futuro a função ficará a cargo de um profissional especializado que ajudará o paciente e suas famílias a lidarem com todos as consequências da doença incluindo o estresse familiar.
7) Terapeuta do fim da vida. Como a expectativa de vida aumenta, haverá um tipo de profissional que vai atuar como guia do planejamento da velhice, tanto do ponto de vista prático quanto psicológico. Tal especialista poderá cuidar também até de orientar o idoso a uma morte menos dolorosa, mais suave, ajudar a decidir procedimentos finais etc. Serão formados em serviço social, saúde e psicologia.
8) Desenvolvimento de video games de treinamento. Jogos são ferramentas que podem ajudar pessoas de todas as idades a desenvolverem novas habilidades. Criadores de games irão combinar a lógica dos jogos com as atividades diárias e experiências da vida real.
9) Consultores para robôs pessoais. Como os robôs passarão a fazer parte da vida doméstica de muitas pessoas, especialistas ajudarão você a escolher o cyber mais apropriado
10) Remixador de mídia. Vai atuar como se fosse um DJ ou VJ em um nível mais amplo. Ou seja, em vez de mixar músicas e vídeos, esse especialista cuidará de reunir várias mídias em uma só tanto para projetos de marketing, entretenimento, arte e cultura em geral. Será capaz de criar novas formas de comunicação juntando vídeo, áudio, imagens, texto e realidade aumentada.

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Livro 'Um homem torturado: nos passos de frei Tito de Alencar' foi lançado ontem no Sindicato dos Jornalistas, no Rio


(do site do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro)
As jornalistas Leneide Duarte-Plon e Clarisse Meireles lançaram o livro 'Um homem torturado - nos passos de Frei Tito de Alencar', na segunda-feira (28), no auditório do Sindicato (Rua Evaristo da Veiga 16 17º andar, Centro do Rio). Amigos do biografado, Frei Betto, jornalista e ex-preso político, e Ivo Lesbeaupain, sociólogo e professor da PUC Rio, participaram de debate com as autoras após o lançamento da obra. A conversa será mediada por Paula Máiran, presidente do Sindicato.
Leneide Duarte-Plon falou ao Sindicato sobre o trabalho de apuração e pesquisa que levou dois e anos e meio até a conclusão da obra e dá detalhes sobre o pensamento progressista que balizou a vida de Frei Tito de Alencar, frade dominicano envolvido na luta revolucionária contra a ditadura civil-militar que foi preso e torturado nos porões do regime. Solto, ele viria a se suicidar no exílio, na França, em 1972.
Leneide Duarte-Plon falou ao Sindicato sobre o trabalho de apuração e pesquisa que levou dois e anos e meio até a conclusão da obra e dá detalhes sobre o pensamento progressista que balizou a vida de Frei Tito de Alencar, frade dominicano envolvido na luta revolucionária contra a ditadura civil-militar que foi preso e torturado nos porões do regime. Solto, ele viria a se suicidar no exílio, na França, em 1972.

Sindicato: Como surgiu a ideia de um livro sobre Frei Tito?

Leneide Duarte-Plon: O livro começou a nascer quando participei de um colóquio em Paris, em 2011, na Association Primo Levi, que trata de exilados submetidos à tortura em seus países de origem. Ouvi a conferência do psicanalista que tratou de Tito como jovem psiquiatra, em 1973/1974, seu último ano de vida. Nesse mesmo dia, houve um debate com o cineasta Helvécio Ratton, logo após a projeção de Batismo de Sangue, baseado no livro homônimo de Frei Betto. Propus uma entrevista com o Dr. Jean-Claude Rolland para a revista Carta Capital. Depois, em vez de fazer a matéria para publicação imediata comecei uma série de entrevistas com ele já para o projeto de um livro.

Como foi, e quanto tempo levou, o trabalho de pesquisa e apuração?

Leneide: Depois de decidir escrever a biografia de Tito, convidei a jornalista Clarisse Meireles para trabalhar comigo. Fizemos mais de 35 entrevistas (os nomes estão citados na abertura do livro) de pessoas que conheceram frei Tito no Brasil e no exílio (frades dominicanos franceses e brasileiros, ex-guerrilheiros, exilados da ditadura, o advogado Mário Simas, que o defendeu no processo quando estava preso, sua irmã Nildes de Alencar Lima). Consultamos os arquivos dos quatro conventos em que ele viveu, no Brasil e na França, do jornal da esquerda católica Témoignage Chrétien, que cobria as denúncias de tortura e violações de direitos humanos durante a ditadura, e mergulhamos em leituras específicas para o livro. Foram dois anos e meio de trabalho full time para mim e um pouco menos para Clarisse, que entrou no projeto pouco depois. Fomos juntas ao Convento Saint-Jacques, de Paris, e depois ao convento Sainte-Marie de la Tourette, perto de Lyon, para pesquisar os arquivos e entrevistar os frades que conviveram com Tito. Viajamos duas vezes a São Paulo para entrevistar pessoas que conheceram Tito. E no Rio fizemos muitas outras entrevistas com resistentes e guerrilheiros.

Qual lição um personagem como Frei Tito tem a passar para as gerações que não viveram os horrores da ditadura?

Leneide: Tito foi um jovem de seu tempo, que fez política universitária num momento, 1968, em que o movimento estudantil ia às ruas, fazia greves e manifestações contra a política da ditadura. Foi ele quem conseguiu o sítio para o 30° Congresso de Ibiúna, no qual foram presos mais de 700 líderes estudantis do Brasil inteiro, inclusive Vladimir Palmeira, Luiz Travassos e José Dirceu. Frei Tito e frei Ratton Mascarenhas também foram presos nesse arrastão que fichou toda a liderança estudantil da época. Foi em 12 de outubro de 1968, dois meses antes do AI-5. Depois, o Dops tinha a ficha de todos os líderes estudantis do Brasil e foi mais fácil controlar todos os passos deles. Vladimir, Travassos e Dirceu só saíram da prisão com o sequestro do embaixador americano, em setembro de 1969, feito pela ALN e MR-8.

Tito volta a ser preso depois do sequestro e da caça desenfreada a Marighella lançada pelo delegado Sérgio Fleury. Sua militância como cristão e como frade dominicano que participava da base de apoio da ALN (Ação Libertadora Nacional), de Marighella, é um exemplo de quem vivia sua fé aliada a uma preocupação de justiça social. Tito e seus confrades do Convento das Perdizes tentaram fazer a aliança de Marx com Cristo, pregando um Evangelho transformador, que se interessa pelo homem real que precisa ser alimentado e viver uma vida digna. O Evangelho como Tito entendia era transformador, o contrário da pregação conformista de uma certa ala da igreja católica e dos pastores televisivos, que alienam no amor aos bens materiais ou na resignação ao status quo. Ele dizia: “Nós não existimos para salvar almas, mas para salvar as criaturas, os seres humanos vivos, concretos, no tempo e no espaço bem definidos”.

A vida, os texto e entrevistas de Tito dão às gerações que não viveram a ditadura um exemplo de coerência, generosidade e doação total na luta por um mundo mais justo. Tito foi preso, torturado, humilhado na sua fé, destruído psiquicamente na tortura. Saiu do país banido. Morreu pela construção do socialismo, pelos ideais de justiça social, democracia e liberdade. A ditadura o matou nas salas de tortura, mesmo tendo saído do Brasil trocado pelo embaixador suiço, em janeiro de 1971, aparentemente vivo. Como diz o Dr. Jean-Claude Rolland, “não há dúvida de que Tito de Alencar morreu no decorrer das torturas”.

Ele apenas terminou o trabalho dos torturadores ao se suicidar na França. Sua vida é um exemplo de coerência e doação a um ideal de igualdade e justiça social. Ele disse em uma entrevista no exílio, em 1972: “O Evangelho traz uma crítica radical da sociedade capitalista. Nesse sentido, é revolucionário. Os temas da esperança, da pobreza, do messianismo, que são profundamente bíblicos, estão na fonte do movimento revolucionário. Eu aceito totalmente a posição de Camilo Torres*. Não vejo realmente como ser cristão sem ser revolucionário.”

*Padre revolucionário que aderiu à luta armada na Colômbia e morreu na Colômbia em 1966.

LEIA A MATÉRIA E VEJA FOTOS NO SITE DO SINDICATO DOS JORNALISTAS, CLIQUE AQUI

Uma experiência que deu quase certo em “Além do Horizonte”

por Eli Halfoun
Termina nessa sexta-feira (dia 2) a novela “Além do Horizonte”. Não se pode dizer que foi uma ótima novela, mas também não se deve menosprezar a intenção da Globo de produzir sua primeira experiência com uma, digamos, novela de aventura. Se fosse um dos “indianas jones” da vida a novela de Marcos Bernstein e Carlos Gregório certamente teria merecido mais atenção e elogios da crítica e do público, o que só não aconteceu porque tanto um (crítica) quanto outro (público) passaram o tempo todo desconfiados, mas a partir de uma fase mais digamos aventureira a novela mostrou o que pretendia e sem desprezar as tramas de amor que são sempre as que mais mobilizam os telespectadores.

“Além do Horizonte também não exigiu muito de seu elenco que cumpriu direitinho o que lhe era proposto. Resultado: a novela deu pé e termina como todos esperavam: os casais juntos e resolvidos (haverá um casamento coletivo na fictícia Tapiré, a prisão da vilã Tereza que Carolina Ferraz construiu com muito charme e a morte de  LC (Antonio Calloni) morrerá como vítima de sua própria máquina que terá problemas no momento em entrar nela em busca da tão sonhada felicidade eterna. Os casamentos unirão Lili e Marlon, Celina e William, Pri e Marcelo e outros. Heloisa e Thomaz terminam juntos e felizes, mas sem casamento. Ana Fátima e Rafa também termina juntos e saem viajando pelo mundo. No final a novela não deixará nada mal resolvido e mesmo sem os aplausos generosos do público e da crítica ficará a novela ficará na história da teledramaturgia como uma boa e até bm sucedida experiência e uma importante mensagem: a de que a felicidade total e eterna não existe. Portanto importante é ser feliz agora. O resto é esperança e convenhamos que esperança é fundamental, mas não é felicidade (Eli Halfoun)