"Para chegar ao conhecimento acrescente coisas todo dia. Para chegar à sabedoria, subtraia coisas todo dia.”
LAO-TSÉ (604-517 a.C.)
"Para chegar ao conhecimento acrescente coisas todo dia. Para chegar à sabedoria, subtraia coisas todo dia.”
LAO-TSÉ (604-517 a.C.)
Outras críticas à parte - e são toneladas - Bolsonaro é essencialmente uma pessoa ruim, é moralmente deformado. Demonstra isso com crueldade. Quando se pensou que atingiu o fundo do poço da falta de empatia e do deboche ao imitar pessoas morrendo por falta de oxigênio, no auge da crise ocorrida em Manaus em fase triste e dramática da pandemia do Covid, ele se supera. Bolsonaro afirmou agora que Dom Phillips, o jornalista inglês desaparecido na Amazônia, é "malvisto" por garimpeiros. A região está dominada por narcogarimpo, narcopesca, madeireiros ilegais e outras atividades usadas por cartéis da droga para lavagem de dinheiro e fontes de lucros. Bolsonaro é bem-visto por essa gente por desmontar a fiscalização dos ilícitos. Isso explica tudo. Inclusive ter chamado o jornalista de "malvisto". Nessa questão, ele demonstra que tem um lado: o dos algozes.
Estamos no início da era das SAF. Dizem que o futebol brasileiro vai mudar para melhor. Que bom. A maioria dos jornalistas esportivos é a favor das SAF, apesar de não conhecer os contratos de venda dos clubes, que têm cláusulas de sigilo. Dizem também que as SAF mudarão a "cultura" do futebol brasileiro, vai modernizá-lo. Peguem leve, rapazes da imprensa. Um exemplo: o Botafogo SAF recebeu investimentos, o povão se animou, o time ganhou alguns jogos. Nas últimas rodadas, a maré virou, vieram as derrotas. Como é normal, a torcida passou a vaiar e xingar o time. Ouvi de um jornalista na TV que isso de vaiar derrota não é legal. Acho que querem criar o "torcedor SAF", um cara que fica frio quando o time toma goleada, reconhece o valor do adversário, cumprimenta o vencedor e aplaude o perdedor para incentivá-lo. Sei não. Vai ser difícil mudar a "cultura" do torcedor aqui da Bananópolis. Nessa hora difícil, de acordo com os novos tempos, o "torcedor SAF" tem que botar o seu time no colo, discutir a relação, mandar zaps carinhosos para o treinador. Se você torce pelo Botafogo SAF e vaiou o time ontem, peça desculpas, mande flores. O jornalista da TV vai ficar feliz e elogiar seu fair play. Se o seu time SAF for rebaixado, releve, siga de cabeça erguida. É o que entendi que a mídia esportiva quer que você faça.
A Carta Capital repercute a matéria do Estadão. Você pode conferir no link abaixo.
"O que não me contam eu escuto atrás das portas.”
Dalton Trevisan (“O Vampiro de Curitiba”), que faz 97 anos hoje.
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| Biden e Bolsonaro: inutilidades em Los Angeles |
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| O melhor momento teria sido o brasileiro convidar Biden para a motociata. Renderia a foto perfeita da dupla Debi&Loide. |
por O.V Pochê
Joe Biden e Bolsonaro tem índices altos de desaprovação em seus países. Biden acumula trapalhadas, a mais notável foi a desastrada retirada do Afeganistão e a entrega do país aos talibãs. Na Ucrânia prática a diplomacia de Chuck Norris e ignora esforços para negociações. A única ajuda que dá e business: venda de armas para os ucranianos. Em delírio, Biden elogiou a política de Bolsonaro para a Amazônia no momento em que o mundo está perplexo com o desaparecimento do indigenista Bruno Araújo e do jornalista do Guardian Dom Phillips e com destruição da flores e a ocupação da região pelo crime organizado. Bolsonaro foi Bolsonaro na frassacassa Cúpula do Biden: sempre passa a impressão de que não está entendendo porra nenhuma. Chamou Biden de Trump e pediu que os Estados Unidos o ajudem a derrotar Lula. A conferência foi tão inútil e medíocre que merecia um unhappy end à altura. Bolsonaro deveria ter convidado Biden para a motociata em Orlando. Aposto que ele aceitaria.
A tragédia da Amazônia na capa da IstoÉ. A escalada do crime na região era previsível. A "soberania" lá é mesmo do narcogarimpo, narcopesca (esta atividade é usada para lavagem de dinheiro das drogas), contrabando de armas, madeireiras ilegais, invasores de reservas etc. Assassinatos de ambientalistas, pequenos agricultores e indígenas são comuns e raramente chegam à mídia dominante para quem toda exploração da Amazônia é pop. A maioria desses crimes ficam impunes. A mídia internacional tem sido enfática na cobertura do desaparecimento de Bruno Araújo Pereira e Dom Phillips. Tem dado muito espaço e registrado protestos de rua nos Estados Unidos e na Europa, que denunciam a violência na região. Curiosamente, não há o que cobrir em manifestações de rua no Brasil. Elas não existem. A Folha de São Paulo e o Estadão mantém o sumiço do jornalista e do indigenista com destaque na primeira página. O Globo já minimizou o assunto na capa, nas duas últimas edições fez apenas chamadas para matérias internas.
Atualização em 13-6-2022: Ontem no Rio, em Copacabana, foi realizada a primeira manifestação de rua pedindo intensificação das buscas por Bruno e Dom e preservação da Amazônia. Indígenas do Vale do Javari também dizem protesto público.
Muros separando povos é recurso milenar. Até a Bíblia diz que os hebreus tocaram buzinas feitas com chifres de carneiro para derrubar as muralhas de Jericó, segundo orientação de Deus a Moisés.
A queda de muro mais ruidosa dos nossos tempos foi o de Berlim, em 1989. Com o fim da Guerra Fria e o desmonte da URSS, imaginava-se que esse tipo de barreira se tornaria obsoleto. No despertar da globalização houve quem imaginasse que até as fronteiras seriam abertas. A União Europeia adotou esse modelo, que agora começa a ser contestado pela ultradireita.
Infelizmente, o sonho dos sem-muro acabou.
Nos últimos anos, paredes e grades monumentais foram erguidas nos Estados Unidos, em Israel, Hungria e Bulgária. A Coreia do Sul cogita erguer um muro na fronteira com a Coreia do Norte. A Guerra na Ucrânia deve acelerar outros projetos. A Polônia esperava que o conflito não se prolongasse tanto e dá sinais de que sua capacidade de abrigar ucranianos pode ter chegado ao limite, mas ainda não fala em barreiras. A imigração, aliás, é o gatilho principal para a nova política das muralhas.
A Finlândia, que deixou de ser neutra em relação à Rússia e tenta aderir à OTAN, acaba de anunciar que construirá uma muralha na fronteira com a nova inimiga.
É possível que outras barreiras despontem no Leste europeu. Sem-muro nunca mais.
Quando o Brasil estava sufocado pela ditadura militar, as embaixadas brasileiras em várias capitais, como Paris, Roma e Santiago do Chile, foram transformadas em "delegacias policiais" do SNI (Serviço Nacional de Informações) e do Cenimar, CIE e CISA, respectivamente, orgãos de espionagem e repressão da Marinha, Exército e Aeronáutica. O regime montou um aparato para vigiar os brasileiros exilados e quaisquer outros que se opusessem à ditadura e denunciassem a política de assassinato e tortura que vigorava no Brasil.
Pois o longo braço da repressão no exterior dá sinais que voltou em pelo menos um caso. A Procuradoria Geral da República pediu à Polícia Federal que interrogue e processe brasileiros que, em Paris, abordaram o chefe da PGR, o bolsonarista Augusto Aras, e cobraram dele apuração de denúncias de crimes que envolvem o elemento inquilino do Planalto e jazem nas gavetas oficiais. Turistas brasileiros encontraram Aras flanando nas ruas de Paris conbraram investigações sobre o governo Bolsonaro. "E aí, procurador? Dar o rolezinho em Paris é legal, e abrir processo, procurador? Vamos lá investigar ou vai continuar engavetando? Vamos lá fazer seu trabalho", disse um deles. "Vamos investigar o bolsolão do MEC, pastor fazendo reunião, o Bolsonaro gastando milhões em Viagra para o Exército. Cadê investigação, procurador? Aqui em Paris não tem nada para encontrar, não. Tem que procurar lá em Brasília", falou outro. Segundo a Folha de São Paulo, o pedido de investigação foi assinado pela vice-procuradora Lindora Araújo. O protesto dos turistas foi gravado em vídeo e visto nas redes sociais.
Veja o vídeo da Catanhede perdidaça AQUI
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| Foto de Nick Ut |
No dia 8 de junho de 1972, o fotógrafo Nick Ut percorria aldeias no Vietnã do Sul, quando uma esquedrilha de caças-bombardeiros A-1 americanos trovejou sobre a sua cabeça. Era mais um raid contra agrupamentos de civis que os militares consideravam como aliados da guerrilha. No compartimento de bombas, os caças A-1 levavam artefatos de napalm. A potente arma química que os Estados Unidos utilizavam largamente em guerras e que foi desenvolvida em uma instituição que deveria propagar a paz e o saber: a Universidade de Harvard. Parece ter sido imaginada por um demônio, um tarado, algo assim. No caso, o inventor Louis F. Fieser, professor universitário. A bomba incendiária carrega gasolina em gel, uma mistura pegajosa, que gruda as chamas nos corpos das vítimas, associada a derivados de alumínio. Além disso, consome o oxigênio no perímetro da explosão e pode matar também por asfixia. Ou seja, feita para matar pessoas. Ut caminhava em uma estrada rumo a uma das aldeias bombardeadas quando viu um grupo de crianças correndo e gritando desesperadamente. Elas passam por alguns soldados que parecem indiferentes. Em outras fotos, eles aparecem tentando prestar socorro às vítimas. O fotógrafo se aproximou e acionou sua Leica várias vezes, fez uma sequência da terrível cena. A mais famosa das imagens captadas naquele dia entrou para a história e mudou a vida de Nick Ut e do grupo fotografada, especialmente da menina Kim Phuc, de 9 anos, que aparece no centro da imagem que se tornou um símbolo da insanidade das guerras. Ut ganhou o Prêmio Pulitzer de 1972. Kim Phuc mora atualmente no Canadá, é avó, e ainda tenta esquecer aquele dia e, principalmente, a fama que a foto lhe deu de "menina do napalm".
Dois destinos revirados numa encruzilhada da vida,
duas
histórias exemplares do Brasil de hoje.
• Givaldo Alves de
Souza, 48 anos, morador de rua em Planaltina (DF), foi içado a bordo de um
automóvel para uma noite de prazer com Sandra Mara Fernandes, mulher do
personal trainer Eduardo Alves de Souza, na noite de 9 de março último.
Apanhado em flagrante, foi arrastado nu para a calçada e espancado pelo marido,
que o acusou de estupro. Givaldo disse que foi uma relação consentida, mas a
defesa da jovem alegou que ela sofrera um surto causado por “transtorno afetivo
bipolar em fase maníaca psicótica.”
A exposição na mídia foi uma autentica bonança para o ex-sem
teto. Depois de dez dias hospitalizado por conta da surra que tomou do
personal, Givaldo, nascido em Pilão
Arcado, no interior da Bahia, ganhou o mundo: retomou sua conta no Instagram,
barrada por feministas, e tornou-se um influencer, com 474 mil seguidores; uma conta no TikTok, com 762,5 mil
seguidores e outra no Youtube, recém-lançada, com pouco mais de 8 mil
inscritos. Virou também celebridade nas redes sociais, sendo convidado para
festas, eventos e desfilando com carros importados, passeando de helicóptero ou
mesmo em uma superlancha. Seu nome é um dos cotados para a próxima edição do
reality show “A Fazenda 14”, da Record TV. E tem mais: vários partidos
políticos o vêm assediando para fazer parte de sua legenda como deputado federal.
• A 1050 quilômetros de Planaltina,
numa estrada de Umbaúba, Sergipe, em 25 de maio, Genivaldo de Jesus Santos, de 38 anos, teve a má sorte de ser
abordado numa blitz da Polícia Rodoviária Federal quando trafegava de moto sem
usar capacete, infração praticada neste país por muita gente boa. Sofrendo de
esquizofrenia, ficou nervoso porque levava cartelas de remédio no bolso, mas
não resistiu, entregou-se pacificamente. Numa reação injustificada e brutal,
três agentes da Polícia Rodoviária Federal o imobilizaram e algemaram no chão e
depois o jogaram no porta-malas da viatura com uma bomba de gás lacrimogêneo.
Vídeos feitos por transeuntes mostram a cena chocante, com as pernas de
Genivaldo se debatendo do lado de fora do porta-malas. O laudo da Secretaria de
Segurança Pública de Sergipe indicou que ele morreu de insuficiência
respiratória aguda provocada por asfixia mecânica.
Nascida e criada em Umbaúba, como o
marido, Maria Fabiana dos Santos, 35 anos, tem um vídeo em que a única reação
de Genivaldo à abordagem foi jogar os braços para trás quando atingido por
jatos de gás. Segundo ela, Genivaldo era uma pessoa tranquila, apesar do
distúrbio de que sofria há 20 anos. Com um filho do primeiro relacionamento
dela, a família vivia do benefício de um salário mínimo concedido por invalidez.
“A gente já passou por muita dificuldade.
Mas tínhamos nossa casinha, éramos felizes. Ele vivia para mim e eu vivia para
ele. Era uma pessoa linda, por centro e por fora.”
Veja o vídeo, com legendas, AQUI
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| Foto de Antonio Trindade/Manchete |