sábado, 24 de março de 2018

Ô da imprensa, citar a fonte original é coisa nossa...

Há poucos dias, o jornalista Glenn Greenwald reclamou no twitter que uma matéria que The Intercept Brasil deu em primeira mão - furo jornalístico sobre visitas de milicianos à Câmara de Vereadores horas antes do assassinato de Marielle Franco - gerou reportagem no Globo que não citou a fonte exclusiva. "Quando isso acontece, você dá o crédito, não engana seus leitores e finge que foi o primeiro a reportar", escreveu Greenwald.


Pois esse despretensioso blog foi vítima de "esquecimento" semelhante. No dia 28 de fevereiro, às 10h57, publicamos um texto de Roberto Muggiati, exclusivo e especial para o blog, sob o título "O Meu JB". Brilhante como sempre, o jornalista recordava sua experiência de colaborador do caderno SDJB na virada da década de 50 para 60.



Para surpresa desta página e do próprio autor, o Jornal do Brasil, que volta às bancas em elogiada iniciativa, reproduziu a matéria inteira no dia 5 de março sem citar a fonte original, sem pedir autorização, apenas mudando o título, eliminando algumas ilustrações e acrescentando um indevido Especial para o JB.

Foi mal, coleguinhas.

PARA LER A MATÉRIA ORIGINAL PUBLICADA NESTE BLOG EM 28/2, 
CLIQUE AQUI

Post de Marina Silva explorando imagem de Marielle é criticado nas redes sociais...


A pré-candidata a presidente associa a execução da vereadora Marielle Franco ao título da série "O Mecanismo" enquanto promove com direito a hastag o lançamento da Netflix sobre a Lava Jato. "Uma das atitudes mais vis que alguém pode tomar", disse o crítico de cinema Pablo Villaça à revista Fórum. O post da aliada de Aécio Neves no segundo turno das eleições de 2014 gerou revolta nas redes sociais.  “Marina Silva atingiu a escrotidão completa", escreveu Villaça.
LEIA A MATÉRIA NA REVISTA FORUM, AQUI

Coelhinha da Playboy vendeu história de affair com Trump, mas outra revista comprou os direitos só para guardar a matéria na gaveta...

por Ed Sá 

Karen McDougal foi capa da Playboy americana em 1998 e  eleita Playmate of The Year. Na época, isso era pop. Rendia convites para comerciais, viagens, desfiles e festas que geralmente reuniam grandes empresários. A ex-modelo conseguiu estender seus minutos de fama atuando em papéis secundários de séries de TV. Em 2006, teve um caso com Donald Trump. Ela contou à CNN que a relação durou alguns meses. Revelou que, uma vez, ele quis pagar pela noitada. Ela disse que não era garota de programa. Trum recolheu o maço de notas e agradeceu: "Você é mesmo uma garota especial. Obrigado". Esse e outros detalhes teriam provavelmente caído no esquecimento se o empresário do ramo imobiliário não tivesse entrado para a política.

Em 2016, Karen McDougal foi procurada pela American Media, que edita várias publicações, entre as quais a revista de celebridades OK, que lhe teria pagado 150 mil dólares pelos direitos exclusivos da história sob os lençóis do affair. Com a campanha presidencial em curso, os rumores do caso do candidato com a playmate ganharam potencial de bomba jornalística. O que a modelo não sabia é que a matéria jamais seria publicada. Teria sido comprada apenas para ficar na gaveta do editor. Na imprensa americana, não apenas no segmento de celebridade, existe um nome para esse tipo de manobra “catch and kill”. É quando um veículo aceita representar interesses de terceiros e "pega" e "mata" uma determinada reportagem.

McDougal está tentando anular o suposto acordo com a American Media. A história agora vale muito mais. Sua cama da coelhinha ganhou selo presidencial.

Segundo o site Mashable, logo após a entrevista da ex-modelo na CNN, a busca por seu nome aumentou em mais de mil por cento no Pornhub.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Meme que circula na internet - Ela se acha...


Viu isso? Coxinhas brasileiras estão importando esperma dos Estados Unidos... Não é gozação




por Pedro Juan Bettencourt
Que porra é essa? Reportagem do The Wall Street Journal constata que aumentou exponencialmente a importação de esperma americano por mulheres brasileiras. Desde 2014 a tendência foi notada, mas em 2015/2016 houve um crescimento de cerca de 500%.
No Brasil, vender esperma e óvulos (a chamada "barriga de aluguel") é ilegal. O que não impede que um mercado se desenvolva nas redes sociais. Nos Estados Unidos, a venda é permitida. É comum homens em dificuldade financeiras se dirigirem a um banco de esperma como que vai pegar um empréstimo na Caixa.
Através da internet, mulheres brasileiras "abastadas", segundo o WSJ, que sonham em ter um filho com a cara do Brad Pitt, recorrem aos bancos americano. Os doadores geralmente preenchem um formulário com informações pessoais, mas não há checagem rigorosa desses dados. Não está afastado o risco da grávida sonhar com o ex-marido da Angelina Jolie e parir um Charles Manson ou um Trump.
Em tempo: no cadastro dos bancos internacionais de esperma e óvulo também há brasileiros à venda.
É o shopping do DNA. Quem vai querer? Na minha mão é mais barato... 

Cada país com sua capa...


A Time chega às bancas com uma capa desafiadora. "Basta", "Chega", "Já deu" é o grito de protesto dos jovens estudantes que lutam contra a tutela armada da poderosa National Rifle Association of America sobre os Estados Unidos. A NRA banca há décadas a eleição deputados e senadores republicanos e democratas e com isso impede mudanças na legislação que permite a venda de fuzis de combate até a  adolescentes. Nas escolas atacadas por esses "terroristas autorizados" crianças pagam  com a vida o até agora imbatível lobby das armas. 


A Época dá voz a um presidenciável que defende o caminho oposto. O empresário Flávio Rocha quer a liberação das armas no Brasil. Trata-se do candidato de um movimento da direita radical, o MBL, que a revista chama de "neoliberal regressivo", como são agora titulados os que defendem o liberalismo desenfreado na economia e o ultraconservadorismo fundamentalista nos costumes.
A matéria aborda os pontos polêmicos do ideário do empresário, é crítica em vários momentos, mas em geral resultou em um perfil digerível do citado candidato. Evangélico da igreja Sara Nossa Terra - a mesma de uma das estrelas da Lava Jato, o deputado Eduardo Cunha - ele é dono das Lojas Riachuelo. A candidatura do empresário não é oficial, não aparece nas pesquisas, mas a Época investiu na reportagem. Acompanhou o périplo de Rocha por cinco estados durante três semanas. Descreve diálogos e cenas do voo no jatinho do presidenciável. Aparentemente, pegou uma carona amiga - a revista não deixa isso explícito, nem informa se ressarciu o valor correspondente à passagem, o que é discutível do ponto de vista ético. 
Faltou explorar um dos mais importantes quesitos do "programa de governo" do Rocha. Ele propaga - como o texto informa - que as "leis divinas" estão acima de todas as leis. Fundamentalistas em geral - estão aí os islâmicos radicais para provar - gostam dessa ideia. Se eleito, Rocha respeitará a Constituição? Foi a pergunta que não fez check in no voo da Época.

quinta-feira, 22 de março de 2018

40 anos depois do incêndio devastador, crise financeira ameaça o MAM. Segundo a direção, só Jackson Pollock salva a instituição

A Manchete, assim como a Fatos & Fotos, estampou na capa o incêndio do MAM
que começou na madrugada do dia 8 de julho de 1978. 

O MAM (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro) vai relembrar em julho uma data que a Arte não comemora: no dia 8 daquele mês, em 1978, um incêndio destruiu o prédio e transformou em cinzas cerca de mil peças do acervo, entre as quais obras de Picasso, Salvador Dali, Portinari, Max Ernst, René Magritte, Ivan Serpa, Manabu Mabe, Miró, além de telas do uruguaio Torres Garcia, que eram exibidas em uma exposição.

Na época, os críticos lançaram uma acusação; a administração do Museu estava delegada a amadores.

Quando os bombeiros apagaram as chamas restavam apenas algumas dezenas de obras. O incêndio chocou o mundo e tirou o Brasil, durante anos, do circuito de exposições internacionais.

As causas do desastre jamais foram confirmadas - especulou-se em curto-circuito ou cigarro - nunca se soube se o sistema anti-incêndio era precário ou inexistia,  ninguém foi responsabilizado, os burocratas seguiram em frente e restou a Arte como a vítima maior.

Quarenta anos depois, novas chamas ameaçam o MAM. Dessa vez, são labaredas financeiras.
O museu é uma instituição privada. Mas, ao contrário de prática comum nos países desenvolvidos, não recebe expressivas doações de empresários. A cidadania e a cultura corporativa brasileira não alcançam tal nível. Já não é fácil encontrar por aí empresários como um Raimundo de Castro Maia, peça-chave na criação do museu, ou uma Niomar Muniz Sodré, que foi decisiva na sustentação do  MAM. O museu, como outras instituições culturais, é  mantido por patrocínios formatados geralmente em programas de renúncia fiscal. Ou seja, o pouco de verba que tem para se manter vem principalmente do caixa público.

Jackson Pollock, "Pintura N° 16", 1950. Foto/Divulgação/MAM

O MAM anuncia que venderá uma das suas valiosas telas - "N°16", de Jackson Pollock, avaliada em R$25 milhões - para cobrir custos e fazer investimentos na instituição. A direção alega que vai se desfazer do quadro para garantir a sobrevivência do museu. E usa um argumento, no mínimo, cínico, ao comentar que a obra do mestre do expressionismo abstrato nem chega a ser solicitada por outros museus para exposições. Só faltou dizer que não é lá essas coisas. Isso não é papo de vendedor. Ao contrário, é uma postura incomum para quem pretende vender uma obra pelo melhor preço. Se o objeto à venda é desvalorizado em entrevistas, o eventual comprador se sentirá no direito de pedir um bom desconto ou aguardar a Black Friday.

O Ministério da Cultura apoia a venda, Um grande jornal de São Paulo também. Sem surpresas. O Brasil vive essa fase rentista. Tudo está no balcão em busca de freguês.

De preferência, na hora da xepa.

Supremo Barraco Federal (SBF) vira meme na internet...



por Ed Sá 

Niemeyer errou ao projetar o plenário do STF. A forma correta teria sido a de um octógono de MMA de tanto que o pau come na "Suprema" Corte. Os ministros deviam se pesar antes de entrar no ringue e dar a tradicional encarada para intimidar o adversário. A toga pode ser substituída pelo calção de lutador. Carmem Lúcia seria a árbitra. E Leilane Neubarth, da Globo News, a narradora oficial.

O bate-boca entre os Gilmar Mendes e Barroso, ontem, bombou nas redes sociais em forma de memes.

Mas não dá para esquecer uma supermeme transmitida ao vivo pela TV Justiça. A intérprete de Libras, a linguagem de sinais para pessoas com deficiência auditiva, deu um show. E, pela expressão-cidadã, também se surpreendeu com o que viu. Confira o vídeo abaixo.


CLIQUE AQUI

Curso gratuito on line ensina jornalistas a se protegerem

O Centro Knight da Universidade do Texas, em Austin, com o apoio da Fundação Internacional de Mídia Feminina (IWMF), está oferecendo um curso gratuito de grande importância para os jornalistas da América Latina. "Risco e segurança no jornalismo na América Latina: passos práticos para o autoproteção " começa em 26 de março, vai até 22 de abril, e será ministrado pela jornalista e defensora dos Direitos Humanos Claudia Julieta Duque. Os participantes aprenderão os conceitos de risco e ameaça e desenvolveram capacidades para avaliar situações. Eles também saberão sobre os riscos que podem enfrentar no mundo digital e as estratégias para proteger não apenas a si mesmos, mas também suas fontes.
PARA MAIS INFORMAÇÕES CLIQUE AQUI

Red Bull dá asas a Neymar...

por Niko Bolontrin

A Red Bull lança a campanha mundial Neymar Jr's Team, protagonizada pelo jogador da seleção brasileira, que envolve prêmios, envio de postagens de vídeos e fotos. Os melhores posts serão escolhidos pelo próprio Neymar e os dois vencedores terão a oportunidade de jogar ao lado do craque ou atuar como "apoiador" (cheerleader, técnico, DJ etc)  no dia 21 de julho, durante a final do torneio global Neymar Jr’s Five, em Praia Grande (SP).

A imagem de Neymar ilustra a lata comemorativa do energético, de 250ml.

À medida em que se aproxima a Copa da Rússia, os patrocinadores abrem suas promoções. No caso da campanha da Red Bull há uma particularidade interessante. A final da Copa, em Moscou, acontecerá no dia 15 de julho, seis dias antes do anunciado Neymar Jr's Five. Não deixa de ser um risco. Se o Brasil for campeão, a Praia Grande será pequena para o público que irá ver Neymar de perto. Se o Brasil tropeçar, vai sobrar lugar.

Fico com o otimismo da Rede Bull. Vai Brasil!

Os hospitais brasileiros nos dias de hoje.

por J.A.Barros 
O Brasil está muito doente. Não só politicamente como, principalmente, na saúde. Os hospitais do Rio de Janeiro, se não estão falidos, estão à beira desse desastre. Isto ocorre nos hospitais estaduais, onde o governo investiu o mínimo do mínimo obrigatório na Saúde. 
Sem dinheiro, como os hospitais vão sobreviver se não pagam os seus fornecedores e deixam de pagar os salários dos médicos, enfermeiros, auxiliares técnicos, levando à greve grupos de trabalhadores na saúde? Sem salários, como vão sobreviver esses profissionais? Eles têm suas vidas comprometidas por contas a pagar, serviços de luz, gás, enfim todos os comprometimentos naturais de um ser humano na sociedade. 
Esse é um dos problemas graves aos quais se juntam outras questões gravíssimas que dizem respeito ao atendimento técnico no tratamento da saúde dos doentes internados nos hospitais. Por alguma razão, que não sei explicar e muito menos entender, repete-se quase diariamente casos de pacientes infectados por bactérias hospitalares. Essas bactérias são de difícil tratamento porque, primeiro, o hospital precisa identificar qual tipo de bactéria infectou o paciente – e essa pesquisa é demorada – para aplicar, em seguida, o antibiótico certo para combater a contaminação identificada. Como o painel de antibióticos é variado, só quando a bactéria é identificada a infecção consegue ser debelada e o paciente sobrevive a esses ataques bacterianos que vêm ocorrendo com muita constância nos nossos hospitais. Ao que parece, a luta para impedir o florescimento dessas bactérias não vem sendo bem sucedida. Pacientes atrás de pacientes são contaminados frequentemente, incluindo-se entre as vítimas até crianças recém–nascidas, com menos de 30 dias de vida. E, em muitos casos, o paciente é contaminado nas UTIs.
Esse é um problema que pode e deve ser resolvido em breve tempo se os órgãos e diretores responsáveis assim o desejarem.  Médicos sanitaristas e técnicos que trabalham em sistema de higienização dos ambientes, acredito que criando grupos de trabalho, resolverão esses casos. Agora volta à cena o mesmo problema: não basta a vontade de debelar a bactéria hospitalar, é preciso o governo libere verbas para esses grupos atacarem de frente esse mal terrível que leva à morte muitos pacientes.
Um outro problema foi constatado, no meu entender, quando lidei com médicos e enfermeiros de hospitais onde pessoas de minha intimidade tiveram de ser hospitalizadas. Achei muito estranha a posturas de muitos médicos – notadamente e surpreendentemente médicas – que, com atitudes até arrogantes, presumiam-se deusas na profissão, tamanha a prepotência de suas posturas. Posso afirmar até alguma agressividade no contato com os parentes dos doentes internados. E eram médicos e médicas jovens na profissão, como jovens na idade. Senti a falta daquele medico mais velho, cuidadoso e dedicado ao tratamento do seu doente, que inspirava confiança aos parentes mais íntimos do paciente internado.
Não estou exagerando, porque vivi todas essa circunstâncias com parentes muito próximos e em hospitais tidos como de muitas estrelas.O Brasil está muito doente. Não só politicamente como, principalmente, na saúde.  

quarta-feira, 21 de março de 2018

Gisele Bundchen anuncia no Instagram: "Animada para dividir com vocês o meu livro"

A modelo brasileira de mais sucesso no exterior em todos os tempos vai lançar seu primeiro livro. Gisele Bundchen anunciou a novidade hoje na sua conta no Instagram. Ela postou uma foto da capa da autobiografia.

Deu no Comunique-se: lei da mordaça na EBC


Aconteceu em 1464: o Correio da Transilvânia revelou com exclusividade encontros de Ilona, a duquesa-presidente do Supremo Tribunal da Valáquia, com Vlad, o príncipe do condado, e com um poderoso mercador e dono da rede de jornais murais de Brasov

O príncipe Vlad, também conhecido como Dracul, recebe a hesitante duquesa-presidente Ilona,
do Supremo Tribunal da Valáquia. 

Em outro momento, a presidente do STV, com toga, peruca formal e aparentemente atemorizada, se encontra com o conde Dieppel, poderoso mercador e dono de uma rede de jornais murais. A frágil Ilona tem motivos
para se assustar: Dieppel inspirou mais tarde a lenda de Frankenstein. 


por O.V.Pochê

A Valáquia atravessava profunda crise. Denúncias de corrupção, intervenção em feudos dominados por salteadores e distribuição de privilégios para os membros da Corte, inclusive com o pagamento ilegal de doze alforges de moedas de ouro a título de "auxílio-palácio", tudo isso abalava o reino.

Com o dinheiro dos tributos, a Valáquia presenteava ricos comerciantes, donos de tabernas, de estalagens e importadores de especiarias. Virgens das aldeias eram levadas para o deleite dos tutores como pagamento ao apoio aos decretos do príncipe Vlad. O próprio governante era investigado por corrupção na chamada Operação Lava Cocheira.

Nas montanhas e vales, os aldeões aguardavam ingenuamente que o Supremo Tribunal da Valáquia (STV), de Brasov, impusesse a lei e acabasse com os abusos da elite local. Por isso, foi com decepção que leram nas paredes da taberna, no jornal-mural Correio da Transilvânia, da imprensa alternativa da região, a denúncia de que Ilona, a duquesa-presidente do STV, havia se encontrado secretamente com o príncipe Vlad, também conhecido como "o empalador", tal sua crueldade com o povo.

Mais decepcionados ainda ficaram os aldeões ao saber de uma segunda e igualmente ignóbil reunião: Ilona concordou em receber o conde Dieppel, implacável e poderoso mercador, uma espécie de tutor maior do principado e dono de uma vasta e influente rede de jornais murais.

Dieppel, que mais tarde inspirou a lenda de Frankenstein, foi ao STV com o objetivo de pressionar a frágil Ilona a tomar decisões de interesse do seu feudo.

Já o sinuoso Vlad tinha preocupações mais pessoais quando na calada da noite da Valáquia se encontrou com a duquesa-presidente do STV. O príncipe queria reclamar que monges copistas a serviço do tribunal estavam vazando para os jornais murais manuscritos com acusações "infundadas" à sua pessoa. Vlad, o Dracul ou o Drácula aflito, também procurava saber se corria mesmo o risco de ir parar nas masmorras quando entregasse o governo da Valáquia ao primeiro candidato na linha de sucessão: o militar e ex-capitão lanceiro Becebal, o passa-cerol.

Lembra um "Game of Thrones" caipira.

terça-feira, 20 de março de 2018

Achilles, o gato-mestre da Copa da Rússia



No ano passado, durante a Copa das Confederações, na Rússia, o gato Achilles, ilustre residente do  Museu do Hermitage, em São Petersburgo, demonstrou suas habilidades de vidente. Diante de tigelas de ração indicadas por bandeiras dos países competidores, ele acertou três vencedores entre os quatro jogos disputados na antiga Leningrado. Ao avaliar o quarto jogo, Achilles não conseguiu se decidir por uma tigela, mas a partida terminou empatada. O gato também acertou o campeão da Copa das Confederações ao indicar a Alemanha como vencedora da final, por 1x0, contra o Chile.

Foi essa performance que levou os organizadores a nomear Achilles - com direito a assinaturas de documentos, como revelou à agência Ria Novosti a assessoria de imprensa do Hermitage - como oráculo oficial da Copa da Rússia.

Desde 1745, o Palácio de Inverno, que reúne a maior parte das coleções do Hermitage, abriga gatos. Eles foram importados para controlar a população de ratos que infestava o local. A partir de então, viraram uma tradição em um dos maiores museus de arte do mundo.

Na primeira fase da Copa da Rússia, o Brasil joga em São Petersburgo contra a Costa Rica.

Achilles vai estar de olho.



Desembargadora que difamou Marielle Franco ataca professora com Síndrome de Down

 A desembargadora Marília de Castro Neves, que publicou no Facebook post em que espalha fake news e difama a vereadora Marielle Franco, agora elege como alvo da ofensiva típica da direita radical professores com Síndrome de Down. A nova vítima do ódio é a professora e escritora Débora Seabra, de Natal (RN).

Veja o post da senhorinha Neves:




 Veja a resposta da professora Débora Soares que foi vítima da agressão preconceituosa:


"19/3/2018. Recado para a Juíza Marília. Não quero bater boca com você! 
Só quero dizer que tenho síndrome de Down e sou professora auxiliar de crianças de uma escola de Natal/RN. 
Trabalho à tarde, todos os dias, com a minha equipe que tem uma professora titular e outra auxiliar. Eu ensino muitas coisas às crianças. A principal é que elas sejam educadas, tenham respeito às outras. Aceitem as diferenças de cada uma. Ajudem a quem precisa mais. 
Eu estudo o planejamento, eu participo das reuniões, eu dou opiniões, eu conto história para as crianças, eu ajudo nas atividades, eu vou para o parque com elas. 
Acompanho as crianças nas aulas de inglês, música, educação física e mais um monte de coisas.
O que eu acho mais importante de tudo isso é ensinar a incluir as crianças e todo mundo pra acabar com o preconceito porque é crime. 
Quem discrimina é criminoso! 
Débora Araújo Seabra de Moura."


Veja a Carta Aberta da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down em Repúdio à Manifestação da Desembargadora Marília Castro Neves em Relação às Pessoas com Deficiência

"A Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down vem tornar público seu repúdio à demonstração de preconceito manifestado por uma autoridade pública, a desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, em relação às pessoas com síndrome de Down.

Na luta empreendida pela sociedade e pelo estado brasileiro pela garantia dos direitos das pessoas com deficiência, destacamos a aprovação do texto da Convenção da ONU sobre os direitos das pessoas com deficiência, introduzindo no ordenamento jurídico, com força de emenda constitucional, normas com o propósito de promover, proteger e assegurar o exercício pleno e qualitativo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais pelas pessoas com deficiência.

Após milênios de exclusão, nos últimos 70 anos, a sociedade em todo o mundo vem aperfeiçoando-se em seu processo civilizatório ao reconhecer os direitos e propor melhoria das condições de vida da pessoa com deficiência.

Não obstante essa árdua luta que visa mudar os paradigmas sociais e culturais mediante novos valores que reconhecem a dignidade humana, nos deparamos com comentários feitos por pessoa cujo exercício da nobre função de magistrada, desce ao mais baixo nível, tornando público em perfil do Facebook seu preconceito contra as pessoas com deficiência.

A Desembargadora Marília Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro postou em sua página virtual: “Voltando para a casa e, porque vivemos em uma democracia, no rádio a única opção é a Voz do Brasil...Well, eis que senão quando, ouço que o Brasil é o primeiro em algumas coisas!!! Apuro os ouvidos e ouço a pérola: o Brasil é o primeiro país a ter uma professora portadora de síndrome de down!!!. Poxa, pensei, legal, são os programas de inclusão social...Aí me perguntei: o que será que essa professora ensina a quem??? Esperem um momento que eu fui ali me matar e já volto, tá?”.

Sabemos que os juízes também têm a liberdade de se expressar como cidadãos, mas a atividade que escolheram lhes impõe uma série de limitações, de natureza normativa, presentes no Código de Ética da Magistratura, dentre as quais o dever de manter a integridade de sua conduta e o de comportar-se em sua vida privada de modo a dignificar a função de magistrado.

A FBASD considera que mensagem carregada de preconceito, ofende, definitivamente, os ditames impostos aos juízes por seu Código de Ética. Textos dessa natureza claramente denigrem a magistratura e, assim, devem ser rigorosamente apurados pelos órgãos competentes, tais quais a Corregedoria do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro e o Conselho Nacional de Justiça.

Assim vimos tornar público nosso repúdio contra a manifestação de preconceito expressado pela Desembargadora Marília Castro Neves."  

Viu isso? A aventura de Daphne, a pata que mobilizou a Austrália. Mas ela não tem nada a ver com o pato da Fiesp hoje investigado pela Lava Jato...

Reprodução Facebook


Nos últimos dias, as redes sociais da Austrália não falavam em outra coisa.

Daphne, a pata inflável que é sócia honorária do Cockburn Masters Swimming Club na Austrália e deveria ser a estrela de uma competição anual de natação, soltou-se das amarras em noite de ventos fortes e se perdeu no Oceano Índico.

Através do Facebook, o clube pediu ajuda a navegantes e pescadores. Daphne seria a principal boia da prova e havia sido vista pela última vez no dia 11 de março.

No último domingo, 18, internautas revelaram o destino da pata de borracha, que tem o tamanho de um carro pequeno. Um pescador encontrou Daphne perto do litoral de Perth e rebocou-a pra casa. Depois de esvaziar, manteve-a a mascote na garagem durante uma semana.

Informado da procedência da pata ou sensibilizado com a campanha para encontrá-la, o pescador Tony Gibb a devolveu hoje ao clube.

Se Daphne é festejada na Austrália, a imitação brasileira virou um símbolo histórico do ridículo. Durante as manifestações pré-golpe, a Fiesp (um dos motores da conspiração, o que não surpreende, o bunker do empresariado paulista também participou do golpe de 1964 e financiou centro de torturas, de acordo com documentos revelados pela Comissão da Verdade) usou um inflável gigante como parte da campanha "Não vou pagar o pato".
A entidade acabou cometendo uma espécie de estelionato autoral, além de levar ao poder o "honesto" PMDB e ter seu presidente, Paulo Skaff, hoje investigado pela Polícia Federal e citado na delação de Marcelo Odebrecht.

Simbolicamente, o pato da Fiesp, como seu padrinho Skaff,  também está indiciado na Lava Jato.

Na época, o artista plástico holandês Florentijn Hofman acusou a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo de plagiar sua obra, chamada de Rubber Duck e criada em 2008. Segundo Hofman, o uso da sua criação foi ilegal e a Fiesp feriu leis internacionais. Típico.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Kate Perry homenageia Marielle




Durante show na Apoteose, ontem, no Rio, como escala da turnê mundial "Witness", a cantora americana Kate Perry homenageou Marilele Franco, executada na noite de quarta-feira, 14/3, juntamente com o seu motorista Anderson Gomes. Katy chamou ao palco a irmã de Marielle, Anielle Franco, e a filha, Luyara. Uma foto da vereadora foi projetada no telão.VEJA O VÍDEO AQUI 

sábado, 17 de março de 2018

Ela vive

por José Esmeraldo Gonçalves 

Costa-Gavras já disse em entrevista que cinema é sempre político. Com projeção para a esquerda ou para a direita.

A atual curva ascendente do conservadorismo, do fundamentalismo, do neoliberalismo e até do  neofascismo nacional está chegando às telas. Certos cineastas brasileiros correram para refletir essa tendência. "Polícia Federal, a lei é para todos", que vai virar trilogia, o longa-pregação do 'bispo" Macedo, que vem aí, o documentário sobre o guru da direita Olavo de Carvalho, lançado no ano passado e, em streaming (Netflix), a série "O mecanismo" são alguns exemplos. Pelo menos um desses filmes, aquele que celebra a Lava Jato, teve apoio policial e financiadores secretos.

Como futuro contraponto, talvez a trajetória e a execução de Marielle Franco interessem, um dia, a diretores que vão pensar sobre o grave momento e as incertezas que se colocam no Brasil atual.

Z DE BRASIL

Yves Montand na cena do filme "Z", de Costa-Gavras, em que o personagem inspirado
no deputado Gregoris Lambrakis é perseguido, atropelado e morto. 


A vida e a morte da vereadora lembram "Z", o premiado filme de Costa- Gavras.

Inspirado em um fato real, "Z" revela a trama que levou à execução do político socialista Gregoris Lambrakis, na Grécia, em 1963. Os algozes do deputado, que Yves Montand interpreta no filme, usaram como arma o carro que o atropelou.

"Z" em grego clássico expressa um sentimento: "ele vive").

Forças corruptas da polícia e do exército da Grécia interferiram na apuração do crime e os investigadores concluíram que a morte de Lambrakis foi consequência de um banal acidente de trânsito. Coube a um juiz de instrução vivido no filme por Jean-Louis Trintignant desvendar a trama governista.

Mesmo assim, os criminosos foram condenados a penas leves porque as testemunhas do atentado morreram em circunstâncias não esclarecidas.

Em 1967, militares deram um golpe e implantaram uma ditadura que torturou e assassinou opositores até 1974. Motivada pela crise econômica que atingia a Grécia, a maioria da população apoiou, no início, aquela intervenção militar.

O resto é história.

ATUALIZAÇÃO EM 19/3/2018 - A coluna de Ancelmo Góis no Globo de hoje noticia projeto de um filme sobre Marielle Franco.

Reprodução/O Globo

Veja a capa da hipocrisia



A vereadora Marielle Franco jamais foi vista nas páginas da Veja. O tipo de luta social em que ela estava envolvida até a alma é geralmente criminalizado nas reportagens e nos artigos da revista. 

Quatro tiros na cabeça levaram a líder comunitária à capa. 

Essa é a capa da hipocrisia e da falsidade. 

Marielle nas capas da Carta Capital: a mensagem que vive

A capa da edição impressa

A capa da edição digital. 

Em dois momentos. Pelé mostra que gosta de fazer foto trash

por Niko Bolontrin 

Pelé é o maior jogador da história do futebol. Não apenas o Brasil, o mundo, com a solitária exceção da Argentina, reconhece isso.

Pelé vive um momento pessoal difícil, enfrentando problemas de saúde.

Mas isso não o impede de reprisar uma característica que cultivou ao longo do tempo: fazer jogadas de perna de pau fora do campo.

Quarenta e oito anos separam as duas fotos que ilustram este post.

Definitivamente, o craque Pelé não sabe escolher suas companhias.

2018 - Pelé em má companhia. Foto: Reprodução Twitter

1970 - Pelé com o refugo da ditadura; a então primeira-dama. Foto: Reprodução Revista Manchete


sexta-feira, 16 de março de 2018

Na capa da Época: é coisa de cunhado...


Reportagem de capa da Época dessa semana faz uma ultrassonografia dos intestinos tucanos.

Um discreto personagem - o empresário Adhemar César Ribeiro, irmão da mulher de Geraldo Alckmin - pode ser um "unabomber" no caminho do pré-candidato do PSDB à Presidência.

O cunhado seria o encarregado de alimentar as tripas famintas dos tucanos com "doações" ilegais.

Denúncias que envolvem o PSDB costumam virar pizza na Justiça, com saborosos molhos de prescrição. De qualquer forma, a Época analisa que o escândalo ameaça contaminar a campanha eleitoral do governador Alckmin, o que pode beneficiar o prefeito João Dória, que tem pretensões não descartadas de se candidatar ao Planalto nas próximas eleições, escanteando o atual governador de São Paulo.

A capa da Época surpreende, tucanos não costumam frequentá-la fora do jornalismo-exaltação. E levanta uma suspeita: terá João Dória o forte apoio de um "partido" não registrado, mas já tradicional? Seria ele o candidato que se liga na Globo?

"Quase Memória" nas telas...

O cartaz do  filme, reproduzido do site Adoro Cinema

O filme Quase Memória, do diretor Ruy Guerra, baseado no best-seller homônimo de Carlos Heitor Cony, chega aos cinemas no dia 19 de abril. No elenco, Tony Ramos, Mariana Ximenes e Charles Fricks.

A demora - o longa ficou pronto em 2015, quando foi premiado no Festival do Rio - se explica pela dificuldade que os filmes brasileiros têm para ultrapassar a barreira da distribuição e chegar ao circuito de cinemas.

O escritor e jornalista, que trabalhou durante quase três décadas na Manchete, lançou o livro em 1995. O quase-romance, como define o subtítulo do livro, começa em um cenário que era quase uma "filial" da Bloch: o Novo Mundo, a menos de 100 metros da sede da editora, logo ali na Rua do Russell. O bar e o restaurante do hotel eram uma espécie de entreposto, às vezes etílico, de muitos jornalistas da empresa ao fim do trabalho.

"O dia: 28 de novembro de 1995. A hora: aproximadamente vinte, talvez quinze para uma da tarde. O local; a recepção do Hotel Novo Mundo, aqui ao lado, no Flamengo. 
Acabara de almoçar com minha secretária e alguns amigos, descêramos a escada em curva que leva do restaurante ao hall da recepção. Pelo menos uma ou duas vezes por semana cumpro esse itinerário e, pelo que me lembre, nada de especial me acontece nessa hora e nesse lugar. É, em todos os sentidos, uma passagem. 
Não cheguei a ouvir meu nome. Foi a secretária que me avisou: um dos porteiros, de cabelos brancos, óculos de aros grossos, queria falar comigo. E sabia meu nome - eu que nunca  fora hóspede do hotel, apenas um frequentador mais ou menos regular do restaurante que é aberto a todos. 
Aproximei-me do balcão. duvidando que realmente  me tivessem chamado. Ainda mais pelo nome; não haveria uma hipótese passável para que soubessem meu nome. 
- Sim. 
O porteiro tirou os óculos, abriu uma gaveta embaixo do balcão e de lá retirou o embrulho, que parecia um envelope médio, gordo, amarrado por barbante ordinário" 

E assim parte Quase Memória que, segundo Ruy Castro, autor da apresentação na contracapa da primeira edição, é o Amarcord particular de Cony.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Marielle Franco: uma voz em defesa dos direitos humanos. A reação da ONU e a repercussão no mídia internacional

"As Nações Unidas no Brasil manifestam consternação com o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL), na noite desta quarta-feira, 14 de março. Ela foi uma das principais vozes em defesa dos direitos humanos na cidade. Desenvolvia plataforma política relacionada ao enfrentamento do racismo e das desigualdades de gênero e pela eliminação da violência, sobretudo nas periferias e favelas do Rio.

Quinta vereadora mais votada nas eleições municipais de 2016, Marielle era um dos marcos da renovação da participação política das mulheres, diferenciando-se pelo caráter progressista em assuntos sociais no contexto da responsabilidade do Poder Legislativo local.

O Sistema das Nações Unidas no Brasil expressa solidariedade aos familiares e amigos da vereadora e do motorista Anderson Pedro Gomes. Tem expectativa de rigor na investigação do caso e breve elucidação dos fatos pelas autoridades, aguardando a responsabilização da autoria do crime.”

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) divulgou nesta quinta-feira (15) uma nota sobre o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Pedro Gomes. O comunicado é assinado pela porta-voz do ACNUDH, Liz Throssell.

“Condenamos o profundamente chocante assassinato no Brasil da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e de seu motorista. Marielle foi uma reconhecida defensora dos direitos humanos que atuava contra a violência policial e pelos direitos das mulheres e das pessoas afrodescendentes, principalmente nas áreas pobres”, afirma a nota.

Negra, mãe e socióloga, Marielle Franco (PSOL) atuava desde 2000 dentro das instituições da Maré, complexo de favelas do Rio de Janeiro, trabalhando com cultura e educação. Suas propostas abordavam questões de gênero, raça e cidade. Foto: Mídia Ninja (CC)
Negra, mãe e socióloga, a vereadora Marielle Franco (PSOL) foi uma reconhecida defensora dos direitos humanos que atuava contra a violência policial e pelos direitos das mulheres e das pessoas afrodescendentes, principalmente nas áreas pobres, lembrou o ACNUDH. Foto: Mídia Ninja (CC)

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) divulgou nesta quinta-feira (15) uma nota sobre o assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Pedro Gomes. O comunicado é assinado pela porta-voz do ACNUDH, Liz Throssell.

Leia a nota na íntegra:

"Condenamos o profundamente chocante assassinato no Brasil da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco e de seu motorista. Marielle foi uma reconhecida defensora dos direitos humanos que atuava contra a violência policial e pelos direitos das mulheres e das pessoas afrodescendentes, principalmente nas áreas pobres.

Entendemos que as autoridades se comprometeram a realizar uma completa investigação dos assassinatos ocorridos no Rio de Janeiro na quarta-feira à noite. Apelamos para que essa investigação seja feita o quanto antes, e que ela seja minuciosa, transparente e independente para que possa ser vista com credibilidade. Os maiores esforços devem ser feitos para identificar os responsáveis e levá-los perante os tribunais."
ACNUDH
Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos

Fonte: ONUBR


REPERCUSSÃO NA MÍDIA INTERNACIONAL


Le Figaro



El Pais

BBC

The Guardian

Democracy Now

Amnesty International

Reuters


Deu no Jornalistas & Cia: encontro dos colegas da Rede Manchete


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Revista National Geographic pede desculpas por racismo histórico. Jornalismo brasileiro também deve retratação


por José Esmeraldo Gonçalves 

"Durante décadas, nossa cobertura era racista". Na mais recente edição da National Geographic, a matéria de capa é um pedido de desculpas. A revista reconhece que o jornalismo que praticou durante décadas foi racista e, até a década de 1970 (a NG foi criada em 1888) praticamente ignorou "pessoas de cor". Quando apareciam em matérias realizadas no continente africano, eram classificadas como "exóticas". O mesmo rótulo era, a propósito, aplicado aos índios brasileiros.

Para edição em que faz a retratação histórica, a National Geographic contratou um estudioso da Fotografia, John Edwin Mason, professor da Universidade da Virgínia, que mergulhou na coleção da revista para identificar manifestações racistas explícitas e ilustradas. Não raro, populações "exóticas", como os aborígenes australianos, eram citados em reportagens como de "menor grau de inteligência".

A capa da National Geographic retrata o pedido de desculpas tardio mas importante. As duas meninas são gêmeas birraciais. A chamada de capa - Black and White, com as palavras trocado de lugar - é igualmente simbólica.

As coleções de jornais e revistas brasileiros também guardam manifestações racistas, étnicas ou sociais. Não há registro de um levantamento minucioso do jornalismo do passado. E, muito menos, a expectativa de que algum veículo replique aqui, hoje, o gesto da  National Geographic. Durante décadas, os negros brasileiros frequentavam apenas as páginas policiais. Índios vendiam revistas, muitas vezes, pelo enfoque "exótico". As revistas de moda ignoravam modelos negras. Para a publicidade, o Brasil era um país caucasiano.
Uma das raras capas com uma negra: Ruth de Souza na Manchete em 1953,... 

...mas a mesma Manchete foi capaz de publicar o título racista acima.

A Manchete, embora tenha sido, provavelmente, a primeira grande revista a publicar uma capa com uma negra - a atriz Ruth de Souza, em 1953 -, também foi capaz de produzir uma matéria sobre um casamento interracial - o noivo era o jogador Escurinho, do Fluminense - e destacar um título que é um exemplo de racismo: "Quem ama o preto bonito lhe parece".

O Cruzeiro: a criminalização das religiões de origem afro. 

O Cruzeiro, em outro exemplo, focalizava manifestações religiosas de origem afro como rituais criminosos.

Em tempos mais recentes ainda era comum em algumas redações, ao se discutir eventual capa com personagem negro em evidência, alguém lançar a dúvida às vezes seguida de gesto (o dedo indicador tocando o pulso) que questionava a pele. Sem falar no bordão inspirado na publicidade e que estigmatizava metade da população brasileira: "Negro não vende".

O jornalismo ainda deve muita retratação.

Para ver a matéria da National Geographic, clique AQUI