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| Foto Gil Pinheiro |
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| Gil Pinheiro e Joel Silveira na Transamazônica em 1972 |
por José Esmeraldo Gonçalves
Há 50 anos, o repórter e escritor Joel Silveira e o fotógrafo Gil Pinheiro fizeram uma grande reportagem sobre a Transamazônica. A estrada em construção rasgava a floresta até então intocada. À medida em que as obras avançavam, a ditadura instalava "agrovilas ao longo do percurso. O projeto acelerava a migração de famílias do sul do país e do nordeste. As primeiras vítimas das "agrovilas" eram os indígenas, as árvores e os animais dizimados pela caça. Na sequência vieram os garimpeiros. A Transamazônica era o vetor da destruição.
A reportagem da Manchete publicada em 1972 nada tinha de crítica ou de isenta. Era um desfile colorido de ufanismo, como o Brasil da época do regime militar.
Não por acaso, a política deu voltas e voltou ao mesmo ponto. O Brasil vive hoje um regime virtualmente militar tantos são os milicos comandando o país em postos-chave. O governo Bolsonaro retomou e deu ainda mais força à destruição da floresta agora ocupada também por organizações criminosas.
O que indígenas, indigenistas e ecologistas conquistaram em governos menos predatórios e ignorantes - avanços significativos embora menores do que a imensidão do problema ambiental - se perde na política corrupta do favorecimento da era bolsonarista. De militares a militares a estupidez fechou um círculo que custou centenas talvez milhares de vidas anônimas. Dom Phillips e Bruno Pereira, imolados, são o mais recente e infelizmente não o símbolo final da Amazônia que o Brasil destrói.



























