quarta-feira, 23 de outubro de 2019

América do Sul abre as veias. Mas no Brasil, como canta Zé Ramalho, faz um "tempo confortável". Hei, boi...

Reprodução Twitter
A América do Sul se agita. Equador, Chile, Argentina... Em comum, a receita imposta pelo neoliberalismo selvagem com o consequente achatamento de renda e direitos atingindo níveis críticos. No Chile, o número de mortos já chega a 18, incluindo vítimas de espancamento por parte da repressão. terça-feira (22), eram 15 mortos.

Há poucas horas, na Bolívia, o presidente e candidato à reeleição Evo Morales convocou uma entrevista coletiva na manhã de hoje para denunciar um golpe de Estado em marcha. Em seguida declarou "estado de emergência e mobilização pacífica para defesa da democracia". Morales diz que os sinais de golpe estão no impedimento da contagem de votos e na destruição de dependências dos tribunais regionais eleitorais.

A Argentina decidirá no domingo se manda pra casa o atual presidente, o empresário Maurício Macri, e sua política econômica neoliberal que sufocou o país e fez explodir a pobreza.


Enquanto isso, a mídia oligarca brasileira comemora hoje a aprovação do confisco da Previdência no moldes do que o Chile fez décadas atrás e que foi um dos motores da grave crise social atual, ao lado do aumento da concentração de renda, das privatizações que favorecem corporações e encarecem ou eliminam os serviços públicos. O mesmo gatilho que levantou o povo do Equador.

No Brasil, já há alguns anos, o povo vem sendo conduzido para o mesmo buraco. Aparentemente, a maioria está contente apesar de fodida e mal paga, mais até do que chilenos, equatorianos e argentinos.

O reforma da Previdência aprovada teve o desfecho esperado. Os cortes se dão em cima dos trabalhadores. A Câmara, o Senado, o ministério da Economia e Bolsonaro pouparam categorias, cederam gentilmente ao poder de pressão dos privilegiados. Além disso, se a reforma é confisco para a maioria, será benefício para outros setores que até aumentos de proventos "compensatórios" terão. Da mesma forma, os outros poderes - o Judiciário e o Legislativo - em seus vários níveis, não estão ao alcance desse arrocho, ao contrário, continuam sacando a caneta que cria mais benesses.

Mas as ruas estão calmas. A trilha sonora que se ouve é Zé Ramalho: "Êh, ô, ô, vida de gado / Povo marcado / Êh, povo feliz!"

3 comentários:

Corrêa disse...

Os brasileiros são violentos entre si, individualmente,mas amarelam diante de qualquer luta coletiva. São bois e vacas tranquilas no pasto mesmo enquanto seus direitos são tomados.

J.A.Barros disse...

O 2013 desmentiu essa idéia. O movimento foi no país inteiro e onde se fez mais forte foi em Brasília, com os manifestantes tentando invadir o Congresso. 99% dos manifestantes eram estudantes e a razão da manifestação foi o aumento de 20 centavos nas passagens dos ônibus. Agora no Chile e no Equador as manifestações de protestos se deveram ao aumento do governo dos combustíveis. O que vem a levar essas manifestações populares parece ser unicamente econômica. No brasil em razão do aumento de transportes e Chile e Equador aumento do preço do combustível. Mexeu no bolso do povo, pode contar que vem a reação de imediato. Parece que nenhum movimento ideológico leva o povo às ruas. Mas, esse problema é para ser estudado com mais cuidado e não em uma simples postagem. De qualquer maneira, entendo um estudo mais aprofundado, com técnicos e professores, para discutir essa idéia .

Wilson disse...

Aquilo não foi manifestação. Era um bando de filhos da puta pedindo a volta da ditadura e participando do golpe. Diziam protestar contra a corrupção e estão aí apoiando ladrões em rachadinhas, desvio de verbas do partido do governo, enriquecimento ilícito, o caralho.