
Jornalismo, mídia social, TV, atualidades, opinião, humor, variedades, publicidade, fotografia, cultura e memórias da imprensa. ANO XVII. E, desde junho de 2009, um espaço coletivo para opiniões diversas e expansão on line do livro "Aconteceu na Manchete, as histórias que ninguém contou", com casos e fotos dos bastidores das redações. Opiniões veiculadas e assinadas são de responsabilidade dos seus autores. Este blog não veicula material jornalístico gerado por inteligência artificial.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
De um pendrive de viagem: Lavagem de La Madeleine 2012. Salve o sincretismo
Lado a lado com um setentão

E nos cinemas? Na bilheteria, a jovem atendente olha para nossas identidades e parece pensar: esses velhos não têm mais nada para fazer do que ocuparem o espaço das pessoas “normais”? Velhos são minoria nas filas dos cinemas. E os filmes? No nosso tempo, assistíamos, “O Homem que Sabia Demais” (com a canção Que será, será”, entoada por Doris Day, lembram?) , “E o Vento Levou”, “A dor de uma saudade”, “Dançando na chuva”... Hoje, muita violência, muitos efeitos especiais, muito computador, e olhe lá. Não tem escolha! O som é ensurdecedor. Mas tem o pacotão de pipocas...
Não se pode negar que as facilidades aumentaram: a escada rolante, lojas bonitas, limpas, com um visual belíssimo, um pouco mais de segurança, porém um convite aos gastos necessários e desnecessários. Haja dinheiro... O que assusta são as placas de aviso de piso molhado, às vezes vistas depois do tombo, sem tempo para pensar...
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
"Paraíso na Boca": fotógrafa americana Autumn Sonnichen expõe em São Paulo. É comida, diversão e arte
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Foto de Autumn Sonnichen. Divulgação |
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Foto de Autumn Sonnichen. Divulgação |
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Foto de Autumn Sonnichen. Divulgação |
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Foto de Autumn Sonnichen. Divulgação |
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Foto de Autumn Sonnichen. Divulgação |
Até apagão salva Mano Menezes. Seleção Brasileira continua nas trevas
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Jornal argentino critica o apagão mas faz piada com a Seleção que, aliás, é hoje peça de humor. |
Lady Gaga esnoba Madonna e quer cantar jazz com Tony Bennet
Madonna tentou muito, mas não conseguiu colar com Lady Gaga e produzir um show que colocaria as duas no mesmo palco. Lady Gaga não acreditou muito na colega e disse que só aceitaria fazer o show "se a renda inteira fosse para a caridade". Lady Gaga tem outros planos artísticos: quer gravar um CD de jazz com Tony Bennet com quem, aliás, já fez dueto no disco "Duet's II". Ao lado de Bennet e cantando jazz Lady Gaga está mesmo é querendo mostrar que é mais do que uma maluquinha do rock. (Eli Halfoun)
Benedito Ruy Barbosa escreve um novo “Meu Pedacinho de Chão” com o neto
por Eli Halfoun
Ronaldo leva a sério regime para ficar na medida certa
Cameron Diaz na Esquire: tudo em cima, sem recall, na revisão da quilometragem dos 40 anos
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Cameron Diaz. Foto de Terry Richardson para Esquire. Reprodução |
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Cameron Diaz. Foto de Terry Richardson para ESquire. Reprodução |
Na capa da Esquire, com direito a ensaio assinado pelo fotógrafo Terry Richardson, Cameron Diaz comemora seus 40 anos. Ela diz à revista: "Estou satisfeita pela primeira vez na vida. Estou tão animada. Envelhecer é a melhor parte da vida. Eu sei mais agora do que sempre soube. Eu tenho gratidão, me conheço melhor e me sinto mais capaz do que nunca. E, além do lado psicológico, eu me sinto melhor agora do que aos 25".
Memória nacional: compra de votos (foi há 15 anos)...
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Reprodução |
A internet é território livre para relembrar o que incomoda. Ainda bem. Circula na rede uma reprodução que "comemora" uma data - 15 anos - de um dos escândalos nacionais abafados na época, 1997. Era a denúncia da farta compra de votos, comprovada por gravações e por confissão de culpa de deputados que admitiram ter recebido 200 mil para votar a favor da Emenda que daria mais quatro anos de mandato a FHC. Deputados do PFL também confessaram ter repassado dinheiro a colegas com o mesmo objetivo. Sem pressão da mídia - o assunto se esvaziou não muito depois da denúncia da Folha de São Paulo - , o episódio foi investigado rapidamente pela Comissão de Constituição e Justiça. Como consequência, apenas a renúncia de dois deputados envolvidos. Pedidos de CPI foram engavetados. Curiosamente, a acusação - compra de votos - é a mesma que move o atual julgamento no STF.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Google Street View flagra Ovni
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Reprodução Google Street View |
A divertida guerra que o mundo precisa aprender a fazer
Tony Ramos e Irene Ravache em "Guerra dos Sexos", 2012. Foto: Divulgação TV Globo |
Paulo Autran e Fernanda Montenegro em "Guerra dos Sexos", 1983. Foto: Divulgaçao TV Globo |
O sucesso é imprevisível, mas no caso da nova “Guerra dos Sexos” dá para apostar todas as fichas em uma grande audiência e em momentos de qualidade e humor em uma novela que é, acima de tudo, caprichadíssima para oferecer ao público um grande espetáculo. No primeiro capítulo, o elenco que já entrou em cena mostrou que podemos esperar excelentes atuações: Tony Ramos e Irene Ravache estão em perfeita sintonia, Glória Pires, sem dúvida, a melhor atriz de sua geração e uma das melhores do país, mostra que é também excelente quando a proposta é fazer comédia, como já tinha feito nos filmes “Se eu Fosse Você I e II”. Emocionante reencontrar Drica Moraes e Reinaldo Gianechinni em plena forma. Estão todos muito bem: Mariana Ximenes que é a beleza e o talento em pessoa, a também talentosa e bonita Luana que enche os olhos e a tela com sua exuberância, Edson Celulari faz um galã despojado e pelo visto atrapalhado. Enfim: a novela será ao longo da trama um inesquecível encontro da arte de representar com a arte de escrever e a fundamental arte de dirigir. Se todas as guerras fossem assim o mundo estaria salvo e muito bem servido. (Eli Halfoun)
Esporte é vida e Adriano precisa reencontrar-se
Não tenho dúvidas de que torcedores de todos os times estão torcendo por Adriano, que até agora mais do que uma promessa de recuperação tem sido só mais um problema entre os muitos que o Flamengo enfrenta. A torcida não é só pelo atleta. É acima de tudo pelo ser humano que se mostra confuso e perdido. Por isso mesmo precisa mais do que nunca de apoio e ajuda. Se bem que na maioria das vezes e diante de qualquer problema a melhor e fundamental ajuda é a que conseguimos buscar
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Parece Suelen , de Avenida Brasil, mas não é: Bruna Marquezine é a Lurdinha da novela "Salve Jorge".
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Bruna Marquezine, visual de periguete na novela "Salve Jorge". A atriz nega que seja a nova "Suelen" da TV. Foto: Divulgação |
Como a atriz Isis Valverde fez sucesso como a periguete Suelen da novela "Avenida Brasil", a fórmula será repetida na próxima novela das 21 horas da Globo, "Salve Jorge". Bruna Marquezine, 17 anos, viverá a funkeira Lurdinha.
De um pendrive de viagem: no metrô de Moscou, símbolos da história
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Moscou. Estação Mayakovskaya. Foto: J. E. Gonçalves |
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Marcas de um tempo. Foto: J.E.Gonçalcves |
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Plataforma de embarque. Foto: J.E.Gonçalves |
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E a onipresente estrela vermelha. Foto: J.E.Gonçalves |
Memória da redação: aconteceu na..
Mocidade também quer roqueiras em seu desfile de samba
Aguinaldo Silva é mais tempero Brasileiríssimo em Portugal
O novelista, escritor e jornalista Aguinaldo Silva sempre incluiu em suas novelas um cardápio de emoções e de comidas, revelando que a culinária, principalmente a brasileira, é uma de suas paixões. Era inevitável que colocasse isso em prática não exatamente fazendo alquimias na cozinha, mas como dono de restaurante: acaba de inaugurar na Praça das Nações, em Lisboa, onde passa a metade do ano, seu primeiro Brasileiríssimo, especializado em comida brasileira. O restaurante tem no cardápio feijoada servida duas vezes por semana e uma variedade de receitas mineiras, que é considerada a melhor das comidas brasileiras. Servirá também nossa tradicional caipirinha com cachaça e limão e uma variedade preparada com frutas tropicais. Também terá na casa um Dj para incrementar uma trilha sonora com samba. Se o primeiro Brasileiríssimo fizer sucesso a idéia é fazer filiais em outras cidades portuguesas. Depois como fizeram e fazem muitos portugueses acaba desembarcando no Brasil e dessa vez não com um botequim ou padaria. (Eli Halfoun)
A outra batalha de Barbosa e Lewandowski no julgamento do mensalão
Ainda do ministro Joaquim Barbosa: o que se diz no Supremo é que quando soube que o ministro-relator preparava um trabalho de mil páginas o ministro-revisor também fez uma revisão com mil páginas e, no julgamento, costuma usar exatamente o mesmo tempo que Barbosa quando discorda de uma condenação dele. Pouco importa o tempo: importante mesmo é que ninguém saia impune desse escândalo. (Eli Halfoun)
Futebol vai mal, mas brasileiros ainda são os jogadores mais caros do mundo
O Brasil pode não estar apresentando no momento o melhor futebol do mundo, mas nossos jogadores continuam sendo os mais valorizados. Recente levantamento de escritórios de advocacia concluiu que os jogadores brasileiros foram os que tiveram os preços mais caros em recentes transações no exterior. Exemplos: Lucas foi vendido por 43 milhões de euros e Thiago Silva por 42 milhões, ambos para o francês Paris Saint Germain. Já Hulk custou 40 milhões de euros ao Zenit da Rússia. A volta da valorização começou em 2011 quando Danilo foi vendido para o Porto de Portugal por 13 milhões de euros. Não é à-toa que todo mundo quer ser empresário de jogador. Inclusive muitos técnicos. (Eli Halfoun)
Hebe foi a celebração da vida
Hebe, Hebe, Hebe, a mulher que soube abraçar de verdade todas as pessoas
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Hebe na capa da Manchete e... |
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...em reportagem na revista Amiga. |
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Capa de O Cruzeiro, 1963 |
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Descontrolado? Viu isso? Tucano Serra arma barraco e fica uma arara com jornalista
Veja o video. Clique AQUI
Leilão de virgindade. Alguém tem alguma coisa a ver com isso?
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Reprodução Facebook |
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Reprodução Facebook |
Leia mais no site da Folha de São Paulo. Clique AQUI
Fabricante de cigarro quer tirar do ar filme e site antifumo
Leia mais e veja o filme. Clique AQUI
Acha que é fácil mexer com as zelites sonegadoras?
Juliana Paes em nova campanha da Hope
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Juliana Paes para a Hope. Foto:Divulgação |
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Juliana Paes para a Hope. Foto: Divulgação |
Com a novela "Gabriela" transmitida agora pela SIC, em Portugal, Juliana Paes esquenta Lisboa e estreia a campanha da Hope. Jorge Amado aprovaria.
Luhanna Melloni: jornalista e apresentadora na capa da Sexy
Ex-apresentadora do "Papo Calcinha" e comandando, atualmente, o programa "Malícia", do canal Multishow, Luhanna Melloni é capa da Sexy de outubro. Foi fotografada por Pedro Henrique Felix. Como cenário, a Serra da Cantareira, em São Paulo.
Em que astro te escondes, oh!, seleção brasileira de futebol?
Mídia paga mico. Ria dessa piada
Não é novidade que a velha mídia está ralando para conviver com opiniões e informações que circulam na internet. Deixa de ser absoluta, perde o monopólio e passa a ser mais questionada. É legítimo. São frequentes casos de entrevistados que surpresos por terem suas declarações distorcidas publicam íntegras de perguntas e respostas em seus próprios sites, blogs ou facebooks. É a defesa própria possível já que, no momento, a legislação brasileira, depois do fim da Lei de Imprensa, nem prevê direito de resposta. Se o veículo não quiser ser contestado, quem for supostamente ofendido tem que entrar na fila da Justiça e aguardar anos até que o suposto dano seja reparado. Ou comprar espaço para responder. Mas aí é outra história.
Voltando à rede mundial de computadores, a profusão de "informação" e a pressa também podem levar jornalistas a pagarem micos monumentais. Claro que "barriga" (notícia falsa) já existia antes do impacto das mídias sociais. Quem não gargalhou com o caso do "Boimate", publicado pela Veja, em 1983? A matéria, que virou "case" em aulas de jornalismo, analisava como se verdade fosse uma reportagem publicada em uma revista inglesa no dia 1º de abril, o Dia da Mentira. Era uma brincadeira - tradicional na mídia inglesa - mas a revista brasileira levou a sério, ouviu especialistas, montou gráfico explicando processo e celebrou o "feito" da engenharia genética que fundia células de boi com gene de tomate. Eram tempos pré-internet. Hoje, a profusão de mídias expõe ainda mais os jornalistas a "barrigas" homéricas. Há twitter falso, facebook de fantasia, youtube de mentirinha. E há blogs e sites que simplesmente fazem humor. É aí que mora o "perigo". Há poucos dias, o Globo e a Época não perceberam a piada e reproduziram e até analisaram como real um "drama" de ficção. O humorista Fábio Flores criara a história de uma mulher que estava sendo processada pelo marido por ter publicado no facebook que fingia orgasmos. O marido sentiu-se lesado e entrou com ação por difamação e calúnia. Sites jurídicos também foram lá na página de humor do Fábio e passaram o caso adiante. O falso orgasmo ganhou destaque na mídia e a piada virou mico. Olho vivo, coleguinhas!
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A revista Época levou a sério e analisou a piada do falso orgasmo. Mico jornalístico. |
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Em tempos pré-internet, em 1983, a Veja caiu em uma pegadinha do Dia da Mentira e repercutiu com direito a gráfico uma falsa "conquista científica". Foi a famosa "barriga" do "Boimate" |
De um pendrive de viagem: ônibus-toalete (pra quando a coisa fica russa)
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Ônibus-toalete nas ruas de São Petersburgo. Turistas aprovam. Foto: J.E.Gonçalves |
A Manchete vista de dentro
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Adolpho Bloch (que olha para a cachorra "Amiga"), Murilo Melo Filho, Arnaldo Niskier e Carlos Heitor Cony em 1968, no prédio da Manchete, na Rua do Russell. Foto:Divulgação. |
Em ‘Memórias de um sobrevivente’, o jornalista Arnaldo Niskier conta a história de altos e baixos da empresa de comunicação onde trabalhou por 37 anos
(O texto abaixo, assinado por Suzana Velasco, foi publicado no caderno Prosa Verso, do Globo, no dia 29 de setembro e reproduzido no Prosa on line: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/
Já faz 20 anos desde que Arnaldo Niskier deixou o Grupo Bloch, mas ele ainda sonha uma ou duas vezes por semana com o trabalho de jornalista. Quando foi contratado pela revista “Manchete Esportiva”, em 1955, o rapaz de quase 20 anos não imaginava que a tarefa então feita “por necessidade” se estenderia por mais 37 anos. Criado em 1952, a partir da revista “Manchete”, o grupo teve até sete mil funcionários nos anos 1980, transformando-se num império das comunicações. Niskier decidiu elaborar os sonhos e agora conta essa trajetória da empresa, que se confunde com seus caminhos pessoais, no livro “Memórias de um sobrevivente — A verdadeira história da ascensão e queda da Manchete”, recém-lançado pela editora Nova Fronteira.
— Cada livro sobre a Manchete tem seu mérito, seu ângulo. Mas nenhum dos autores anteriores teve 37 anos de casa e acompanhou seu crescimento. A revista “Manchete” publicava 350 mil exemplares por semana na década de 1970, passando a “Cruzeiro” para trás — diz Niskier, referindo-se à expressão “verdadeira história” do subtítulo. — Como autoridade da antiguidade, posso contar essa história em pormenores que outros não alcançaram.
Os pormenores vêm sobretudo da boa memória — atribuída por ele ao magistério da Matemática —, atestados com a ajuda da pesquisa de três jornalistas. O tom do texto é pessoal, de quem ajudou na produção de uma revista “alegre e comunicativa”, além de ter idealizado a criação de um sistema de rádio e de outras publicações e dirigido a Bloch Educação, sendo responsável pela edição de livros didáticos.
— Percorri todos os postos da hierarquia da empresa — conta Niskier, que começou a carreira de jornalista aos 16 anos, como repórter esportivo do jornal “Última Hora”.
Além das mudanças do jornalismo, da tecnologia e dos negócios da empresa em sua expansão para outros meios de comunicação, o livro explora alguns dos temas caros à revista “Manchete” em suas quase cinco décadas, como a bossa-nova e o cinema novo, e trata dos grandes colaboradores da “Manchete”, como Rubem Braga, Fernando Sabino Manuel Bandeira e Paulo Mendes Campos — além de dedicar um capítulo a Nelson Rodrigues e seus textos para a “Manchete Esportiva”.
Também permanente no livro é a relação com o dono da empresa, Adolpho Bloch, desde o primeiro contato com o chefe de sapato de camurça azul, que seria fiador de seu apartamento — “Se você não pagar eu corto seus ovos”, dizia. Ao longo do livro, Niskier explora sobretudo duas características de Bloch: o otimismo incorrigível e o temperamento explosivo, causa de brigas frequentes, mas rápidas.
— Ele dizia que a raiva só podia durar três minutos, depois era patológica. Eu me tornei catedrático em Adolph Bloch porque aprendi a dar razão a ele quando ele não tinha nenhuma — lembra Niskier, achando graça.
A crença de Bloch na empresa e no Brasil o levou a abrir a primeira sucursal em Brasília antes mesmo da inauguração da nova capital, mas também a negligenciar os problemas econômicos que se impuseram nos anos 1990. Na década de 1950, com o apoio incondicional ao desenvolvimentismo de Juscelino Kubitschek, parecia impensável que algo pudesse dar errado no futuro.
— Adolpho e Juscelino são as duas grandes personalidades do livro, que relembra quem foi JK para nosso país — afirma Niskier, defendendo a relação de amizade e confiança entre Bloch e o ex-presidente do Brasil. — Quem diz que eles tinham negócios está mentindo. Quando Juscelino foi cassado, viajei duas vezes para levar dinheiro para ele. Fui para Nova York com US$ 7 mil, porque o Adolpho dizia que Juscelino não tinha dinheiro para comer. Meses depois repetiu-se a cena, e fui para Paris.
Um dos principais erros de Bloch foi ter investido em televisão sem profissionalizar a empresa com pessoas que entendiam do assunto, avalia Niskier. O grupo crescia, mas Bloch continuava centralizador — até o pagamento dos contínuos passava por ele.
— Investir na televisão foi um erro estratégico. Quando a Rede Manchete entrou no ar, em 5 de junho de 1983, Adolpho tinha US$ 25 milhões no banco. Logo em seguida teve que gastar US$ 16 milhões em filmes. Ele falava: “Para que gastar tanto dinheiro em filmes que eu vou usar duas vezes e vou ter que devolver?”. Ele entrou no negócio por pressão dos sobrinhos, mas acabou gostando.
Em 1992, Niskier foi trabalhar com marketing em São Paulo, porque os desentendimentos com Pedro Jack Kapeller, sobrinho de Adolpho Bloch conhecido como Jaquito, tinham chegado ao limite. Mesmo sabendo que o buraco financeiro da empresa se abria, o jornalista sentiu saudades daqueles 37 anos, interrompidos apenas pela licença entre 1979 e 1983, quando foi secretário estadual de Educação e Cultura do Rio. Até hoje, a caminho da Academia Brasileira de Letras, da qual é membro, ele sente “um nó na garganta” ao passar pelo prédio que abrigou a “Manchete” na Rua do Russel.
— O mundo mudou. O Adolpho não acordou para a profissionalização, e também para o fato de que o país deixou de ter uma economia inflacionária escandalosa. Ele jogou muito com a inflação, com os empréstimos — diz Niskier, desejando que Bloch seja lembrado para além da falência. — No fim da vida, ele foi um pouco injustiçado. Passou a ser apenas o culpado por ter destruído um império, desprezaram tudo aquilo que ele havia construído.